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TEXTO, COERÊNCIA E COESÃO
Texto, Coerência e Coesão
Este material aborda os fundamentos essenciais para a construção de textos 
eficientes e bem estruturados. Exploraremos os conceitos de texto como 
unidade comunicativa, apresentando as noções de coerência, responsável 
pelo sentido lógico do discurso, e coesão, que garante a conexão entre as 
ideias por meio de diversos recursos linguísticos. Compreender estes 
elementos é fundamental para o desenvolvimento da competência textual, 
permitindo a produção e interpretação de mensagens claras e articuladas em 
diferentes contextos comunicativos.
por RJ DIGITAL null
Sumário
Introdução1.
O Texto2.
A Textura3.
Coerência e Coesão Textual4.
Como Criar Coerência Textual5.
Aspectos Essenciais Na Coerência Textual6.
Coesão7.
Definindo A Coesão8.
Coesão Referencial9.
Pro-Forma Pronominal10.
Pro-Forma Adverbial11.
Pro-Forma Quantitativa12.
Coesão Por Elipse13.
Elipse: Pro-Forma Substituída Por Zero14.
Coesão Sequencial15.
Recorrência De Tempos Verbais16.
A Coesão Gramatical17.
Coesão Lexical18.
Recursos Coesivos Lexicais19.
Como Criar Coesão Textual20.
Coerência Textual21.
Tipos de Coesão e Seus Usos22.
Avaliação da Coesão e Coerência23.
Problemas de Coesão e Coerência24.
Fatores de Coerência25.
Recursos Didáticos: Ensino de Coesão e Coerência26.
Aplicações Práticas: Coesão e Coerência em Diferentes Géneros27.
Considerações Finais28.
Referências Bibliográficas29.
Introdução
A comunicação eficaz por meio da linguagem escrita depende fundamentalmente da capacidade de produzir textos bem 
estruturados, nos quais as ideias fluem de maneira organizada e conectada. Enquanto falantes e escritores, utilizamos 
intuitivamente diversos mecanismos para garantir que nossas mensagens sejam compreendidas pelos interlocutores, 
porém, o estudo sistematizado desses mecanismos permite-nos aprimorar nossas competências comunicativas.
Nesta perspectiva, o estudo da coerência e da coesão textual representa um dos pilares fundamentais para a 
compreensão do funcionamento dos textos. A coerência, enquanto propriedade semântica, relaciona-se com a lógica 
interna do texto, com a articulação de sentidos que o torna interpretável. Já a coesão refere-se aos mecanismos 
linguísticos que estabelecem as relações entre os elementos textuais, criando uma rede de conexões que sustenta a 
estrutura do texto.
Esta apostila propõe-se a explorar, de forma sistemática e aprofundada, os conceitos de texto, coerência e coesão, 
oferecendo não apenas uma fundamentação teórica sólida, mas também exemplos práticos e estratégias para a aplicação 
desses conhecimentos na produção e revisão textual. Ao longo das páginas seguintes, abordaremos desde os conceitos 
básicos até aos mecanismos mais complexos que garantem a textualidade.
Compreender estes mecanismos é essencial tanto para estudantes quanto para profissionais que trabalham com a 
linguagem, pois permite identificar problemas de construção textual e desenvolver estratégias para a produção de textos 
mais claros, precisos e eficazes. Além disso, o conhecimento sobre coerência e coesão contribui significativamente para o 
desenvolvimento da capacidade de leitura crítica, fundamental em contextos acadêmicos e profissionais.
O Texto
O texto constitui a unidade básica da comunicação verbal humana. Mais do que um simples conjunto de frases 
justapostas, o texto representa uma totalidade significativa, organizada em função de uma intenção comunicativa 
específica. Segundo Koch e Travaglia (2018), o texto pode ser definido como uma unidade linguística concreta, perceptível 
pela visão ou audição, que é tomada pelos utilizadores da língua como uma unidade completa de sentido.
A natureza do texto transcende a mera soma dos seus componentes, configurando-se como um todo organizado que 
produz sentidos específicos. Marcuschi (2008) destaca que o texto não é apenas uma sequência de palavras escritas ou 
faladas, mas sim um evento comunicativo no qual convergem ações linguísticas, cognitivas e sociais. Esta concepção 
ampla reconhece o texto como um processo dinâmico, que se realiza na interação entre produtores e receptores, mediada 
por contextos específicos.
Entender o texto como unidade comunicativa implica reconhecer algumas propriedades essenciais que o caracterizam. 
Entre estas, destacam-se: a intencionalidade, relacionada com os objetivos do produtor; a aceitabilidade, vinculada à 
atitude do receptor; a situacionalidade, que diz respeito à adequação do texto ao contexto; a informatividade, relacionada 
com o grau de novidade das informações apresentadas; a intertextualidade, que se refere às relações entre diferentes 
textos; e, fundamentalmente, a coerência e a coesão, propriedades responsáveis pela articulação lógico-semântica e pela 
conexão entre os elementos textuais, respectivamente.
Para além destas propriedades, é importante considerar os fatores pragmáticos que influenciam a produção e a recepção 
dos textos, como o contexto situacional, os conhecimentos partilhados entre os interlocutores, as regras sociais que 
regem as interações e os gêneros textuais que orientam as expectativas dos leitores. A compreensão destes fatores é 
essencial para a análise e produção de textos eficazes em diferentes contextos comunicativos.
A Textura
A textura constitui uma propriedade fundamental do texto, sendo responsável pela sua identificação enquanto unidade 
comunicativa distinta de um simples aglomerado de frases desconexas. O conceito de textura, desenvolvido inicialmente 
por Halliday e Hasan (1976), refere-se ao conjunto de relações que conferem unidade ao texto, permitindo que este seja 
reconhecido como tal pelos interlocutores.
Elementos da Textura
A textura resulta da interação de diversos elementos 
linguísticos e extralinguísticos que contribuem para a 
criação de um todo coeso e coerente. Entre estes 
elementos, destacam-se:
Os mecanismos de coesão gramatical e lexical
A estrutura temática e informacional
A progressão tópica
Os padrões de organização retórica
A adequação ao contexto situacional
Importância da Textura
A textura desempenha um papel crucial na comunicação 
por:
Garantir a interpretabilidade do texto
Facilitar o processamento cognitivo
Permitir o reconhecimento de gêneros textuais
Estabelecer expectativas nos leitores
Possibilitar a coerência global
A análise da textura permite identificar como os diferentes recursos linguísticos são mobilizados para criar um texto que 
funcione efetivamente como unidade comunicativa. Segundo Fávero (2010), a textura manifesta-se em diferentes níveis 
de organização textual, desde as relações entre orações até às relações entre blocos maiores de informação, como 
parágrafos ou seções.
Vale ressaltar que a textura não é uma propriedade estática, mas sim dinâmica, que emerge da interação entre o texto e 
seus utilizadores. Como observa Marcuschi (2008), a textura depende não apenas dos elementos linguísticos presentes no 
texto, mas também da ativação de conhecimentos prévios, da realização de inferências e da consideração do contexto 
pelos interlocutores. Esta perspectiva reforça a compreensão do texto como processo, e não como produto acabado.
A textura constitui, portanto, o tecido que mantém o texto como uma unidade significativa, permitindo que este cumpra 
sua função comunicativa. O estudo da textura fornece importantes ferramentas tanto para a análise quanto para a 
produção de textos, ao evidenciar os mecanismos que contribuem para a sua construção enquanto unidade coesa e 
coerente.
Coerência e Coesão Textual
A coerência e a coesão representam propriedades fundamentais para a construção da textualidade, embora operem em 
níveis distintos da organização textual. Enquanto a coerência se manifesta no plano semântico-cognitivo, relacionando-se 
com a construção de sentidos, a coesão atua no plano linguístico, estabelecendo conexões explícitas entre os elementos 
do texto.poucos mecanismos coesivos explícitos e ser perfeitamente coerente, se o leitor 
conseguir estabelecer as conexões necessárias com base em seus conhecimentos e nas pistas contextuais.
Compreender os mecanismos de construção da coerência é essencial tanto para a análise quanto para a produção textual. 
Na análise, permite identificar os fatores que contribuem para a interpretabilidade do texto e os possíveis problemas que 
dificultam sua compreensão. Na produção, possibilita a criação de textos que orientem adequadamente o leitor na 
construção dos sentidos pretendidos, respeitando seus conhecimentos prévios e suas expectativas.
Tipos de Coesão e Seus Usos
A coesão textual manifesta-se mediante diversos mecanismos linguísticos, que podem ser classificados em diferentes 
tipos, de acordo com a natureza das relações que estabelecem e os recursos que mobilizam. Compreender estes tipos e 
seus usos específicos é fundamental tanto para a análise quanto para a produção textual, permitindo identificar e utilizar 
de forma estratégica os recursos mais adequados a cada contexto comunicativo.
Nesta seção, apresentaremos uma classificação abrangente dos tipos de coesão, baseada principalmente nas propostas 
de Halliday e Hasan (1976) e de Koch (2018), e exploraremos os usos característicos de cada tipo, considerando suas 
funções na construção textual e sua adequação a diferentes gêneros e situações comunicativas.
Tipo de coesão Mecanismos Funções principais Gêneros em que predomina
Referencial Pronomes, artigos, 
demonstrativos, expressões 
nominais definidas
Retomada de referentes, 
economia linguística, 
continuidade temática
Todos os gêneros, com 
variações nos recursos 
específicos
Sequencial por 
conexão
Conjunções, advérbios 
conectivos, locuções 
conjuntivas
Explicitação de relações 
lógico-semânticas, 
articulação entre ideias
Textos argumentativos, 
expositivos, didáticos
Sequencial por 
recorrência
Repetição, paralelismo, 
paráfrase, recorrência de 
tempos verbais
Ênfase, criação de ritmo, 
estabelecimento de 
paralelismos conceituais
Textos literários, 
publicitários, discursos 
políticos
Lexical Reiteração, sinonímia, 
hiperonímia, colocação
Variação vocabular, 
construção de campos 
semânticos, precisão 
conceitual
Textos científicos, 
jornalísticos, literários
A coesão referencial, realizada principalmente por meio de pronomes, artigos, demonstrativos e expressões nominais 
definidas, desempenha papel fundamental na retomada de referentes ao longo do texto, evitando repetições 
desnecessárias e contribuindo para a economia linguística. É especialmente importante em textos narrativos, onde 
permite rastrear personagens e objetos, e em textos argumentativos, onde contribui para a continuidade temática. O uso 
adequado dos mecanismos de referenciação exige atenção à clareza referencial, evitando ambiguidades que possam 
comprometer a compreensão.
A coesão sequencial por conexão, realizada por meio de conjunções, advérbios conectivos e locuções conjuntivas, 
explicita as relações lógico-semânticas entre partes do texto, como causa, consequência, oposição, adição, entre outras. É 
particularmente relevante em textos argumentativos e expositivos, onde a explicitação destas relações facilita a 
compreensão da estrutura argumentativa. O uso estratégico de conectores permite orientar o leitor na construção dos 
sentidos pretendidos, destacando as relações mais relevantes para a argumentação.
A coesão sequencial por recorrência, que inclui a repetição, o paralelismo, a paráfrase e a recorrência de tempos verbais, 
contribui para a ênfase, para a criação de ritmo e para o estabelecimento de paralelismos conceituais. É especialmente 
valorizada em textos literários, publicitários e discursos políticos, onde os efeitos estilísticos e persuasivos são prioritários. 
A repetição, muitas vezes vista como um problema estilístico, pode ser um recurso eficaz quando utilizada de forma 
estratégica para enfatizar conceitos-chave ou criar efeitos rítmicos.
A coesão lexical, realizada por meio de reiteração, sinonímia, hiperonímia e colocação, permite a variação vocabular, a 
construção de campos semânticos e a precisão conceitual. É particularmente importante em textos científicos, onde a 
precisão terminológica é essencial, e em textos literários, onde a riqueza vocabular contribui para a construção de 
imagens e sensações. O uso adequado dos recursos de coesão lexical exige atenção às nuances de significado dos termos 
utilizados e à sua adequação ao campo semântico do texto.
Avaliação da Coesão e Coerência
A avaliação da coesão e da coerência textual constitui um processo complexo, que exige a consideração de múltiplos 
fatores linguísticos, textuais e contextuais. Esta avaliação é fundamental tanto para a análise crítica de textos existentes 
quanto para o aprimoramento da produção textual, permitindo identificar pontos fortes e aspectos a serem melhorados. 
Nesta seção, exploraremos critérios e metodologias para a avaliação da coesão e da coerência, bem como estratégias 
para lidar com problemas identificados.
A avaliação da coesão textual centra-se na análise dos mecanismos linguísticos que estabelecem conexões entre os 
elementos do texto. Segundo Koch (2018), esta análise deve considerar não apenas a presença ou ausência destes 
mecanismos, mas também sua adequação ao contexto comunicativo, ao gênero textual e aos objetivos do autor. Não se 
trata, portanto, de uma avaliação puramente quantitativa, mas qualitativa, que considera como os recursos coesivos 
contribuem para a construção dos sentidos pretendidos.
Avaliação da coesão referencial
Na avaliação da coesão referencial, analisam-se os mecanismos utilizados para estabelecer referência entre 
elementos do texto, como pronomes, artigos, demonstrativos e expressões nominais definidas. Aspectos importantes 
a serem considerados incluem: a clareza referencial (o leitor consegue identificar facilmente o referente de cada 
expressão?); a distância entre a forma referencial e seu antecedente (é adequada ao processamento?); a variedade de 
recursos utilizados (o texto evita repetições desnecessárias sem comprometer a clareza?); e a adequação dos 
recursos ao gênero textual e ao público-alvo.
Avaliação da coesão sequencial
Na avaliação da coesão sequencial, analisam-se os mecanismos que estabelecem relações entre partes do texto, 
contribuindo para sua progressão. Isto inclui a análise dos conectores utilizados (são adequados às relações que se 
pretende estabelecer?); dos recursos de sequenciação (como são marcadas as transições entre tópicos ou fases do 
texto?); e da progressão temática (como o texto avança, introduzindo informações novas que se articulam com as já 
apresentadas?). É importante verificar se as relações estabelecidas são claras e contribuem para a compreensão da 
estrutura global do texto.
Avaliação da coesão lexical
Na avaliação da coesão lexical, analisam-se as relações estabelecidas entre itens de vocabulário ao longo do texto. 
Aspectos relevantes incluem: a variedade lexical (o texto evita repetições desnecessárias?); a precisão vocabular (os 
termos utilizados são adequados aos conceitos que se pretende expressar?); a construção de campos semânticos (os 
itens lexicais contribuem para a unidade temática do texto?); e a adequação ao registo linguístico e ao gênero textual. 
É importante verificar se as escolhas lexicais contribuem para a clareza e precisão do texto.
A avaliação da coerência textual, por sua vez, centra-se na análise dos fatores que contribuem para a construção de uma 
unidade de sentido interpretável. Esta avaliação é mais complexa, pois a coerência não se manifesta em marcas 
linguísticas específicas, mas emerge da interação entre diversos fatores textuais e contextuais. Segundo Marcuschi 
(2008), a avaliação da coerência deve considerar aspectos como: a continuidade temática (o texto mantém um tema 
central, comas devidas articulações?); a progressão semântica (o texto avança, introduzindo informações novas que se 
articulam com as já apresentadas?); a não-contradição (as afirmações do texto são compatíveis entre si e com o mundo 
representado?); a articulação entre fatos e conceitos (as relações estabelecidas são plausíveis e relevantes?); e a 
adequação ao contexto comunicativo e aos conhecimentos prévios do leitor.
É importante ressaltar que a avaliação da coesão e da coerência não deve ser realizada de forma isolada, mas integrada, 
considerando como os diferentes aspectos contribuem para a eficácia comunicativa do texto como um todo. Um texto 
pode apresentar alta densidade de mecanismos coesivos e, ainda assim, ser incoerente, se as relações estabelecidas não 
contribuírem para a construção de um sentido global consistente. Da mesma forma, um texto pode apresentar poucos 
mecanismos coesivos explícitos e ser perfeitamente coerente, se o leitor conseguir estabelecer as conexões necessárias 
com base em seus conhecimentos e nas pistas contextuais.
Na prática pedagógica ou na revisão textual, a avaliação da coesão e da coerência deve ser acompanhada de orientações 
claras sobre como lidar com os problemas identificados. Isto inclui estratégias como: a revisão sistemática do texto, com 
foco em aspectos específicos da coesão e da coerência; a reescrita de trechos problemáticos, experimentando diferentes 
recursos coesivos ou reorganizando as informações; a explicitação de relações implícitas, quando necessário para a 
compreensão; e a adequação do texto ao conhecimento prévio e às expectativas do leitor.
Problemas de Coesão e Coerência
Os problemas de coesão e coerência constituem algumas das principais dificuldades encontradas na produção textual, 
comprometendo a clareza, a compreensibilidade e a eficácia comunicativa dos textos. Identificar e compreender estes 
problemas é o primeiro passo para superá-los e desenvolver competências de escrita mais refinadas. Nesta seção, 
exploraremos os principais problemas de coesão e coerência, suas características e possíveis estratégias para evitá-los ou 
corrigi-los.
Os problemas de coesão manifestam-se na superfície textual, por meio de falhas nos mecanismos que estabelecem 
conexões entre os elementos do texto. Segundo Antunes (2005), estes problemas podem ser de diferentes tipos, como 
veremos a seguir.
Referência ambígua
Ocorre quando uma forma referencial (como um 
pronome) pode remeter a mais de um antecedente, 
gerando ambiguidade. Por exemplo: "João falou com 
Pedro sobre seu projeto". A quem se refere "seu": a João 
ou a Pedro? Este problema pode ser evitado através da 
escolha de formas referenciais mais precisas ou da 
reorganização das informações para eliminar a 
ambiguidade.
Referência vaga
Ocorre quando uma forma referencial não tem um 
antecedente claramente identificável no texto. Por 
exemplo, o uso de "isso", "esta questão" ou "este 
problema" sem que esteja claro a que se referem. Este 
problema pode ser evitado explicitando o referente ou 
utilizando formas referenciais mais específicas.
Uso inadequado de conectores
Manifesta-se através da utilização de conectores que não 
expressam adequadamente as relações que se pretende 
estabelecer entre as partes do texto. Por exemplo, usar 
"portanto" para introduzir uma causa, quando este 
conector tipicamente introduz uma consequência. Este 
problema pode ser evitado através do conhecimento 
preciso do valor semântico de cada conector e de sua 
função na articulação textual.
Ausência de conexão explícita
Ocorre quando não são utilizados conectores para 
explicitar relações importantes entre partes do texto, 
exigindo do leitor um esforço excessivo para estabelecer 
estas conexões. Este problema pode ser evitado utilizando 
estrategicamente conectores que explicitem as relações 
mais relevantes para a compreensão do texto.
Os problemas de coerência, por sua vez, manifestam-se no nível semântico-cognitivo, comprometendo a construção de 
uma unidade de sentido interpretável. Koch e Travaglia (2018) identificam diferentes tipos de problemas de coerência, 
como:
Contradição
Ocorre quando o texto apresenta afirmações incompatíveis entre si, sem uma justificação adequada para esta 
incompatibilidade. Por exemplo: "A economia está em crescimento. O desemprego aumenta devido ao crescimento 
econômico". A contradição pode ser evitada através da revisão cuidadosa do texto, verificando a compatibilidade 
entre as afirmações, ou da introdução de elementos que expliquem a aparente contradição.
Falta de progressão temática
Manifesta-se quando o texto não avança, limitando-se a repetir informações já apresentadas, sem acrescentar 
elementos novos que façam o discurso progredir. Este problema pode ser evitado estruturando o texto de forma a 
garantir um equilíbrio entre continuidade (retomada de elementos já introduzidos) e progressão (introdução de 
informações novas).
Salto temático
Ocorre quando o texto apresenta mudanças abruptas de tema, sem as devidas articulações ou transições. Este 
problema pode ser evitado planejando cuidadosamente a estrutura do texto e utilizando recursos de transição que 
sinalizem as mudanças temáticas e estabeleçam conexões entre os diferentes tópicos abordados.
Incompatibilidade com o mundo
Manifesta-se quando o texto apresenta afirmações incompatíveis com o mundo de referência (real ou ficcional) que 
constrói. Este problema pode ser evitado através da verificação da plausibilidade das afirmações feitas, considerando 
o universo de referência do texto, ou da introdução de elementos que justifiquem eventuais desvios em relação às 
expectativas do leitor.
É importante ressaltar que os problemas de coesão e coerência frequentemente se sobrepõem e se inter-relacionam: 
falhas nos mecanismos coesivos podem comprometer a construção da coerência, enquanto problemas de coerência 
podem manifestar-se por meio de inadequações coesivas. Além disso, a avaliação destes problemas deve sempre 
considerar o contexto comunicativo, o gênero textual e os objetivos do autor, pois o que constitui um problema em 
determinado contexto pode ser um recurso expressivo em outro.
Para evitar ou corrigir problemas de coesão e coerência, algumas estratégias gerais são recomendadas: planejar 
cuidadosamente o texto antes de escrevê-lo, definindo claramente o tema, os objetivos e a estrutura; revisar 
sistematicamente o texto após a escrita, com foco específico em aspectos da coesão e da coerência; solicitar a leitura 
crítica de outras pessoas, que podem identificar problemas não percebidos pelo autor; e desenvolver o hábito da leitura 
crítica de textos variados, analisando como autores experientes constroem a coesão e a coerência em diferentes gêneros.
Fatores de Coerência
A coerência textual, enquanto propriedade relacionada à construção de sentidos e à interpretabilidade do texto, resulta da 
interação entre diversos fatores linguísticos, cognitivos e contextuais. Compreender estes fatores é essencial tanto para a 
análise quanto para a produção de textos coerentes, que cumpram eficazmente seus objetivos comunicativos. Nesta 
seção, exploraremos os principais fatores que contribuem para a construção da coerência textual.
De acordo com Beaugrande e Dressler (1981), a coerência é um dos sete fatores de textualidade, juntamente com a 
coesão, a intencionalidade, a aceitabilidade, a informatividade, a situacionalidade e a intertextualidade. Estes fatores não 
operam isoladamente, mas interagem na construção do texto enquanto evento comunicativo. A coerência, em particular, 
relaciona-se estreitamente com os demais fatores, especialmente com a coesão, que fornece pistas linguísticas para a 
construção da coerência, e com a situacionalidade, que vincula o texto ao contexto em que é produzido e recebido.
Continuidade temática
A continuidade temática refere-se à manutenção do 
tema ou tópico discursivo ao longo do texto.Um texto 
coerente apresenta um núcleo temático identificável, 
em torno do qual se articulam as diferentes partes. Isto 
não significa que o tema não possa ser desenvolvido 
ou que não possam ser introduzidos subtemas, mas 
que deve haver uma linha condutora que perpasse o 
texto, garantindo sua unidade. Quebras injustificadas 
na continuidade temática, como saltos abruptos de um 
assunto para outro sem as devidas articulações, 
comprometem a coerência.
Progressão semântica
A progressão semântica diz respeito ao avanço do 
texto, à introdução de informações novas que fazem o 
discurso progredir. Um texto coerente não apenas 
mantém seu tema, mas o desenvolve, acrescentando 
elementos que enriquecem a compreensão do leitor. A 
progressão pode ocorrer de diferentes formas: linear 
(cada nova informação parte da anterior), com tema 
constante (diferentes informações sobre o mesmo 
tema) ou com temas derivados (subtemas relacionados 
ao tema principal). O equilíbrio entre continuidade e 
progressão é essencial para a coerência.
Não-contradição
A não-contradição implica a compatibilidade entre as 
informações apresentadas no texto, tanto em relação 
umas às outras quanto em relação ao mundo de 
referência. Um texto coerente não apresenta 
afirmações contraditórias, a menos que esta 
contradição seja explicitamente marcada ou justificada 
(como em casos de ironia, de apresentação de 
diferentes pontos de vista ou de evolução do 
pensamento). A contradição pode ser interna (entre 
elementos do próprio texto) ou externa (entre o texto e 
o conhecimento de mundo ativado).
Articulação
A articulação refere-se às relações estabelecidas entre 
os fatos, conceitos e argumentos apresentados no 
texto. Um texto coerente estabelece relações claras e 
relevantes entre seus elementos, como relações de 
causa, consequência, finalidade, oposição, 
temporalidade, entre outras. Estas relações podem ser 
explicitadas por conectores ou permanecer implícitas, 
a serem recuperadas pelo leitor com base em seu 
conhecimento de mundo e nas pistas textuais. Em 
qualquer caso, devem ser plausíveis e contribuir para a 
construção do sentido global do texto.
Além destes fatores fundamentais, a coerência é influenciada por aspectos pragmáticos, como a intencionalidade (os 
objetivos do produtor do texto), a aceitabilidade (a atitude do receptor), a situacionalidade (a adequação ao contexto) e a 
intertextualidade (as relações com outros textos). Koch e Travaglia (2018) destacam, ainda, a importância do 
conhecimento partilhado entre os interlocutores: para que um texto seja coerente, é necessário que haja uma base 
comum de conhecimentos, que permita ao leitor processar as informações apresentadas e estabelecer as conexões 
necessárias à interpretação.
É importante ressaltar que a coerência não é uma propriedade absoluta, mas relativa: um mesmo texto pode ser 
considerado coerente por um leitor e incoerente por outro, dependendo de seus conhecimentos prévios, de suas 
expectativas e do contexto em que ocorre a leitura. Da mesma forma, a coerência pode ser construída em diferentes 
níveis: um texto pode apresentar coerência local, com conexões adequadas entre suas partes imediatas, mas falhar na 
construção de uma coerência global, que integra todas as partes em um todo significativo.
Na produção textual, a atenção aos fatores de coerência é fundamental para a construção de textos que orientem 
adequadamente o leitor na construção dos sentidos pretendidos. Na análise, a consideração destes fatores permite 
identificar problemas que comprometem a interpretabilidade do texto e desenvolver estratégias para superá-los, 
aprimorando a competência comunicativa tanto de produtores quanto de receptores.
Recursos Didáticos: Ensino de Coesão e 
Coerência
O ensino da coesão e da coerência textual representa um desafio para educadores, dada a complexidade destes 
fenômenos e sua natureza multifacetada. No entanto, o desenvolvimento de competências relacionadas à construção da 
textura é fundamental para a formação de leitores críticos e produtores textuais eficazes. Nesta seção, apresentaremos 
recursos didáticos e estratégias pedagógicas para o ensino da coesão e da coerência, que podem ser adaptados a 
diferentes níveis educacionais e contextos de aprendizagem.
Uma abordagem eficaz para o ensino da coesão e da coerência deve equilibrar teoria e prática, permitindo aos alunos não 
apenas compreender os conceitos, mas também aplicá-los em situações concretas de leitura e escrita. Além disso, deve 
considerar o texto como unidade de ensino, evitando o trabalho isolado com frases descontextualizadas, e adotar uma 
perspectiva processual, que enfatize as estratégias de construção textual, e não apenas a identificação de problemas em 
textos já produzidos.
Análise de textos modelos
A análise de textos que exemplificam o uso eficaz de 
mecanismos de coesão e a construção bem-
sucedida da coerência é uma estratégia 
fundamental. Estes textos podem ser de diferentes 
gêneros e complexidades, adequados ao nível dos 
alunos. A análise pode focar em aspectos 
específicos, como os tipos de conexões 
estabelecidas, as estratégias de referenciação 
utilizadas ou a construção da progressão temática. 
É importante que os alunos não apenas 
identifiquem os mecanismos utilizados, mas 
também reflitam sobre suas funções na construção 
dos sentidos e sobre como contribuem para a 
eficácia comunicativa do texto.
Reescrita de textos problemáticos
A reescrita de textos que apresentam problemas de 
coesão ou coerência é uma atividade valiosa, que 
permite aos alunos aplicar seus conhecimentos em 
situações concretas. Podem ser utilizados textos 
produzidos pelos próprios alunos (após uma 
primeira versão) ou textos criados especificamente 
para este fim, com problemas controlados. É 
importante que a reescrita seja orientada, com foco 
em aspectos específicos a serem melhorados, e que 
seja seguida de reflexão sobre as escolhas feitas e 
seus efeitos na qualidade do texto.
Jogos e atividades lúdicas
Jogos e atividades lúdicas podem tornar o 
aprendizado mais envolvente e significativo. 
Exemplos incluem: jogos de ordenação, em que os 
alunos devem organizar frases ou parágrafos para 
formar um texto coerente; jogos de substituição, em 
que devem substituir elementos repetitivos por 
pronomes, sinônimos ou outras formas de 
referenciação; jogos de completar, em que devem 
preencher lacunas com conectores adequados; e 
jogos de detetive, em que devem identificar e 
corrigir problemas de coesão ou coerência em 
textos.
Produção colaborativa
A produção colaborativa de textos, em duplas ou 
pequenos grupos, estimula a discussão sobre as 
escolhas linguísticas e a negociação de sentidos, 
contribuindo para a consciência metalinguística. 
Durante o processo, os alunos podem discutir quais 
conectores utilizar, como evitar repetições 
desnecessárias, como garantir a progressão 
temática, entre outros aspectos. O professor pode 
circular entre os grupos, orientando o trabalho e 
estimulando a reflexão sobre as escolhas feitas.
Além destas estratégias gerais, recursos tecnológicos podem enriquecer o ensino da coesão e da coerência. Ferramentas 
de edição colaborativa, como o Google Docs, permitem que alunos trabalhem juntos em tempo real, discutindo e 
experimentando diferentes estratégias de construção textual. Aplicativos e plataformas educacionais oferecem atividades 
interativas focadas em aspectos específicos da coesão, como o uso de conectores ou a referenciação. Corpora 
linguísticos online podem ser utilizados para pesquisar padrões de uso de conectores, expressões referenciais e outros 
elementos coesivos em textos autênticos.
A avaliação no ensino da coesão e da coerência deve ser formativa e processual, focando não apenas no produto final, 
mas no processo de construção textual. Rubricas de avaliação podem ser desenvolvidas, especificando critériosrelacionados a diferentes aspectos da coesão e da coerência, como a clareza referencial, o uso adequado de conectores, a 
progressão temática, a não-contradição, entre outros. O feedback deve ser específico e construtivo, indicando não apenas 
os problemas, mas também estratégias para superá-los.
É importante, ainda, considerar a diversidade de gêneros textuais no ensino da coesão e da coerência, reconhecendo que 
diferentes gêneros podem privilegiar diferentes mecanismos coesivos e estratégias de construção da coerência. O 
trabalho com gêneros variados permite aos alunos compreender como as escolhas linguísticas se adequam a diferentes 
propósitos comunicativos e contextos de uso, desenvolvendo uma competência textual mais flexível e adaptável.
Aplicações Práticas: Coesão e Coerência em 
Diferentes Gêneros
A coesão e a coerência manifestam-se de formas específicas em diferentes gêneros textuais, adaptando-se às 
convenções, propósitos comunicativos e contextos de uso de cada um. Compreender como estes fenômenos se realizam 
em gêneros diversos é essencial tanto para a análise quanto para a produção textual, permitindo identificar e utilizar 
estratégias adequadas a cada situação comunicativa. Nesta seção, exploraremos as particularidades da coesão e da 
coerência em diferentes gêneros textuais, destacando suas características e funções específicas.
Os textos argumentativos, como ensaios, artigos de opinião e textos dissertativos, caracterizam-se pelo objetivo de 
defender uma tese ou ponto de vista, persuadindo o leitor por meio de argumentos logicamente articulados. Nestes 
gêneros, a coesão sequencial desempenha papel crucial, especialmente por meio de conectores que explicitam relações 
lógicas como causa, consequência, contraste, concessão e finalidade. A progressão argumentativa, elemento fundamental 
da coerência, realiza-se através da articulação entre premissas e conclusões, da antecipação e refutação de contra-
argumentos, e da hierarquização das ideias de acordo com sua relevância para a tese defendida.
Textos narrativos
Os textos narrativos, como romances, contos, crônicas e 
relatos pessoais, caracterizam-se pela representação de 
eventos que se desenrolam no tempo. Nestes gêneros, a 
coesão temporal é especialmente importante, realizada 
através da recorrência e alternância sistemática de 
tempos verbais, que marcam diferentes planos narrativos, 
e de expressões temporais que estabelecem a cronologia 
dos eventos. A coesão referencial também é fundamental, 
especialmente para rastrear personagens e objetos ao 
longo da narrativa. A coerência manifesta-se na 
construção de um mundo narrativo consistente, na 
causalidade entre os eventos narrados e na manutenção 
do ponto de vista narrativo.
Textos descritivos
Os textos descritivos, que podem constituir gêneros 
próprios ou integrar outros gêneros, caracterizam-se pela 
representação de objetos, pessoas, lugares ou processos. 
Nestes textos, a coesão lexical é especialmente relevante, 
criando campos semânticos relacionados ao objeto 
descrito e estabelecendo relações de parte-todo, de 
propriedade-possuidor, entre outras. A organização 
espacial ou conceptual, elemento importante da 
coerência, realiza-se através da progressão do geral para 
o particular (ou vice-versa), da ordenação segundo 
critérios espaciais (de cima para baixo, da esquerda para a 
direita, etc.) ou da hierarquização segundo a relevância ou 
saliência dos aspectos descritos.
Textos expositivos
Os textos expositivos, como artigos científicos, manuais 
didáticos e textos de divulgação, caracterizam-se pelo 
objetivo de explicar, informar ou esclarecer sobre um 
tema ou conceito. Nestes gêneros, a coesão lexical é 
fundamental, especialmente através da utilização precisa 
de termos técnicos e de definições que estabelecem 
relações entre conceitos. A coesão sequencial também é 
importante, marcando diferentes fases da exposição, 
como introdução, desenvolvimento, exemplificação e 
conclusão. A coerência manifesta-se na organização 
lógica das informações, na progressão do conhecido para 
o novo e na adequação ao conhecimento prévio do 
público-alvo.
Textos instrucionais
Os textos instrucionais, como receitas, manuais de 
instruções e guias, caracterizam-se pelo objetivo de 
orientar o leitor na realização de uma tarefa ou atividade. 
Nestes gêneros, a coesão sequencial é crucial, 
especialmente por meio de marcadores que estabelecem 
a ordem das etapas (numeração, advérbios temporais 
como "primeiro", "depois", "finalmente"). A coerência 
manifesta-se na sequenciação lógica das etapas, na 
completude das informações necessárias à realização da 
tarefa e na precisão das instruções, que devem ser 
inequívocas e exequíveis.
É importante ressaltar que, na prática, muitos textos combinam características de diferentes gêneros, adaptando seus 
mecanismos coesivos e estratégias de construção da coerência a propósitos comunicativos específicos. Um artigo 
científico, por exemplo, pode incluir seções narrativas (ao relatar o desenvolvimento de uma pesquisa), descritivas (ao 
caracterizar o objeto de estudo) e argumentativas (ao defender a relevância dos resultados). O que importa, em cada caso, 
é a adequação dos mecanismos utilizados aos objetivos comunicativos e às convenções do gênero.
Para além dos gêneros tradicionais, os textos multimodais, que combinam diferentes sistemas semióticos (verbal, visual, 
sonoro), apresentam desafios específicos em termos de coesão e coerência. Nestes textos, a coesão não se limita às 
relações entre elementos verbais, mas inclui também as relações entre elementos de diferentes modalidades. A 
coerência, por sua vez, emerge da integração entre os diferentes sistemas semióticos na construção de um sentido 
global. A compreensão destas relações é cada vez mais importante em um contexto mediático caracterizado pela 
multimodalidade.
Na produção textual, o conhecimento das particularidades da coesão e da coerência em diferentes gêneros permite 
escolher estratégias adequadas a cada situação comunicativa, considerando fatores como o propósito do texto, o público-
alvo, o contexto de circulação e as convenções do gênero. Na análise, este conhecimento possibilita uma leitura mais 
crítica e aprofundada, sensível às diferentes formas como a textura se constrói em textos diversos.
Considerações Finais
Ao longo desta apostila, exploramos os conceitos fundamentais relacionados ao texto, à coerência e à coesão, buscando 
compreender como estes fenômenos contribuem para a construção da textualidade e para a eficácia comunicativa. 
Chegamos, agora, ao momento de retomar os principais pontos abordados e refletir sobre suas implicações para o estudo 
e a produção de textos.
O texto, como vimos, não é uma mera sequência de frases, mas uma unidade comunicativa complexa, que emerge da 
interação entre produtor, receptor e contexto. A textualidade, propriedade que distingue um texto de um não-texto, resulta 
da convergência de diversos fatores, entre os quais se destacam a coerência e a coesão. Estas propriedades, embora 
distintas em sua natureza, operam conjuntamente na construção de textos interpretáveis e eficazes do ponto de vista 
comunicativo.
A coerência, operando no nível semântico-cognitivo, relaciona-se com a construção de uma unidade de sentido, com a 
articulação lógica das ideias apresentadas no texto. Não se trata de uma propriedade inerente ao texto enquanto produto 
acabado, mas de um fenômeno que emerge da interação entre o texto e seus utilizadores, num processo que envolve 
conhecimentos linguísticos, conhecimentos de mundo e operações cognitivas complexas. A construção da coerência 
passa pela manutenção da continuidade temática, pela progressão semântica, pela não-contradição e pela articulação 
entre fatos e conceitos, entre outros fatores.
Texto como unidade 
comunicativa
Base de toda a comunicação 
verbal
Coerência como 
construçãode sentido
Articulação lógica das ideias no 
plano semântico-cognitivo
Coesão como 
articulação superficial
Conexões explícitas entre 
elementos textuais
A coesão, por sua vez, manifesta-se na superfície textual, por meio de mecanismos linguísticos específicos que 
estabelecem relações entre os elementos do texto. Estes mecanismos incluem a referenciação (que retoma elementos 
previamente mencionados ou introduz novos elementos relacionados), a conexão (que explicita relações lógico-
semânticas entre partes do texto), a recorrência (que estabelece paralelismos ou ênfases através da repetição) e a coesão 
lexical (que cria redes de relações entre itens de vocabulário). A utilização adequada destes mecanismos contribui para a 
fluidez do texto, para a economia linguística e para a orientação do leitor na construção dos sentidos.
A relação entre coesão e coerência é complexa e multifacetada. A coesão, ao estabelecer conexões explícitas entre os 
elementos textuais, funciona como um conjunto de pistas que orientam o leitor na interpretação, contribuindo para a 
construção da coerência. No entanto, um texto pode apresentar alta densidade de mecanismos coesivos e, ainda assim, 
ser incoerente, se as relações estabelecidas não contribuírem para a construção de um sentido global consistente. Da 
mesma forma, um texto pode apresentar poucos mecanismos coesivos explícitos e ser perfeitamente coerente, se o leitor 
conseguir estabelecer as conexões necessárias com base em seus conhecimentos e nas pistas contextuais.
O estudo da coesão e da coerência, para além de seu interesse teórico, tem importantes implicações práticas, tanto para a 
análise quanto para a produção textual. Na análise, permite identificar os mecanismos utilizados por autores experientes 
para construir textos eficazes, bem como diagnosticar problemas que comprometem a interpretabilidade ou a eficácia 
comunicativa de textos problemáticos. Na produção, fornece ferramentas para a construção consciente e estratégica de 
textos que orientem adequadamente o leitor na construção dos sentidos pretendidos pelo autor.
Concluímos, assim, que o desenvolvimento de competências relacionadas à coesão e à coerência é fundamental para a 
formação de leitores críticos e produtores textuais eficazes, capazes de compreender e produzir textos diversos em 
diferentes contextos comunicativos. Este desenvolvimento passa pelo estudo sistemático dos mecanismos linguísticos e 
cognitivos envolvidos na construção da textualidade, pela análise crítica de textos variados e pela prática reflexiva da 
escrita, sempre considerando a adequação aos objetivos comunicativos, ao público-alvo e às convenções dos gêneros 
textuais.
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VAN DIJK, T. A. Cognição, discurso e interação. São Paulo: Contexto, 2004.A coerência, segundo Koch (2018), refere-se à construção de uma unidade de sentido, à conexão conceitual-cognitiva que 
se estabelece entre os elementos do texto. Esta propriedade não se encontra explicitamente marcada na superfície 
textual, mas resulta da interação entre o texto e seus utilizadores, num processo que envolve conhecimentos linguísticos, 
conhecimentos de mundo e operações cognitivas complexas. Um texto coerente apresenta continuidade temática, 
progressão semântica, não-contradição e relação com o mundo extralinguístico, fatores que permitem sua 
interpretabilidade.
Já a coesão, conforme definição de Koch e Elias (2016), manifesta-se nas relações de sentido que se estabelecem entre os 
elementos do texto por meio de mecanismos linguísticos específicos. Estes mecanismos criam uma rede de conexões que 
contribui para a organização superficial do texto e para a construção de sua unidade. A coesão pode manifestar-se tanto 
no nível microestrutural, através de relações entre palavras, orações e períodos, quanto no nível macroestrutural, por meio 
de conexões entre parágrafos e seções maiores do texto.
Relação entre coerência 
e coesão
Embora distintos, estes 
fenômenos estão intimamente 
relacionados. A coesão, ao 
estabelecer ligações explícitas 
entre os elementos textuais, 
funciona como uma pista para a 
construção da coerência. Por 
outro lado, um texto pode 
apresentar alta densidade de 
mecanismos coesivos e, ainda 
assim, ser incoerente, caso não 
estabeleça relações de sentido 
adequadas. Da mesma forma, um 
texto pode apresentar poucos 
mecanismos coesivos explícitos e 
ser perfeitamente coerente, desde 
que o leitor consiga estabelecer 
as conexões necessárias à 
interpretação.
Fatores de textualidade
Beaugrande e Dressler (1981) 
estabeleceram sete fatores de 
textualidade: coesão, coerência, 
intencionalidade, aceitabilidade, 
informatividade, situacionalidade 
e intertextualidade. Neste modelo, 
coesão e coerência são 
considerados fatores centrados 
no texto, enquanto os demais são 
centrados nos utilizadores. Esta 
concepção evidencia que a 
textualidade não depende apenas 
de propriedades intrínsecas ao 
texto, mas também de como este 
é produzido e recebido em 
situações comunicativas 
específicas.
Papel na construção 
textual
A coerência e a coesão 
desempenham papel crucial na 
construção textual, contribuindo 
para a eficácia comunicativa. Um 
texto bem formado do ponto de 
vista da coerência apresenta uma 
organização lógica das ideias, que 
podem ser acompanhadas pelo 
leitor. Do ponto de vista da 
coesão, apresenta conexões 
explícitas que orientam o 
processo de leitura e facilitam a 
construção de sentidos. Ambas as 
propriedades, portanto, 
contribuem para a legibilidade e 
compreensibilidade do texto.
Como Criar Coerência Textual
A criação de coerência textual é um processo complexo que envolve múltiplos níveis de organização do discurso. Para 
estabelecer uma unidade de sentido que torne o texto interpretável, é necessário atender a diversos princípios e utilizar 
estratégias específicas que garantam a articulação lógica das ideias. Nesta seção, exploraremos os principais mecanismos 
para a construção da coerência.
Manutenção da unidade temática
A coerência inicia-se pela delimitação clara do tema ou tópico discursivo, que deve ser mantido ao longo do texto, 
com as devidas articulações. Segundo Fávero (2010), a manutenção temática exige que o texto gire em torno de um 
núcleo informacional, mesmo que haja derivações ou desenvolvimentos específicos. As digressões, quando existem, 
devem ser sinalizadas e retomadas adequadamente, evitando a dispersão.
Progressão semântica
Um texto coerente não apenas mantém seu tema, mas o desenvolve progressivamente, acrescentando informações 
novas que se articulam com as já apresentadas. Esta progressão pode ocorrer de diferentes formas: linear (cada nova 
informação parte da anterior), com tema constante (diferentes informações sobre o mesmo tema) ou com temas 
derivados (subtemas relacionados ao tema principal). Koch e Elias (2016) destacam que o equilíbrio entre 
continuidade e progressão é essencial para a coerência.
Estabelecimento de relações lógicas
A coerência exige o estabelecimento de relações lógico-semânticas entre as partes do texto, como causalidade, 
temporalidade, condicionalidade, finalidade, entre outras. Estas relações podem ser explicitadas por conectores ou 
ficar implícitas, a serem recuperadas pelo leitor. Em qualquer caso, é fundamental que não haja contradições ou 
inconsistências na rede de relações estabelecida, o que comprometeria a interpretabilidade do texto.
Compatibilidade com o mundo textual
Todo texto constrói um "mundo textual" que deve apresentar consistência interna. Mesmo em textos ficcionais ou 
hipotéticos, as afirmações feitas devem ser compatíveis com o universo de referência construído. Charolles (1978) 
denomina este princípio como "meta-regra da não-contradição", indicando que um texto coerente não pode 
contradizer o conteúdo posto ou pressuposto por ocorrências anteriores ou pelo conhecimento de mundo ativado.
Para além destes princípios fundamentais, é importante considerar os fatores pragmáticos que influenciam a construção 
da coerência, como a adequação ao contexto, a consideração do destinatário e de seus conhecimentos prévios, a escolha 
do gênero textual adequado e a ativação de conhecimentos partilhados. A coerência, nesta perspectiva, não é uma 
propriedade meramente formal do texto, mas resulta da interação entre texto, produtor, receptor e contexto.
Na prática da produção textual, a criação da coerência passa pelo planejamento cuidadoso, pela organização hierárquica 
das ideias, pela seleção de estratégias argumentativas adequadas e pela revisão atenta, que permite identificar e corrigir 
possíveis problemas de articulação lógica. O domínio destes mecanismos é essencial para a produção de textos que 
cumpram eficazmente seus objetivos comunicativos.
Aspectos Essenciais Na Coerência Textual
A coerência textual, enquanto propriedade fundamental que garante a interpretabilidade do texto, assenta-se em diversos 
aspectos que, articulados, permitem a construção de sentidos. Compreender estes aspectos é essencial tanto para a 
análise quanto para a produção de textos eficazes. Nesta seção, abordaremos os elementos fundamentais que constituem 
a base da coerência textual.
Continuidade
A continuidade refere-se à retomada de elementos 
conceituais e formais ao longo do texto, criando 
cadeias de referência que garantem a unidade 
temática. Segundo Koch (2018), a continuidade 
manifesta-se pela recorrência de elementos, pela 
manutenção de campos semânticos relacionados e 
pela retomada de pressupostos. Um texto com 
quebras de continuidade torna-se fragmentado e 
dificulta a construção de um sentido global por 
parte do leitor.
Progressão
A progressão relaciona-se com o avanço do texto, 
com a introdução de informações novas que fazem 
o discurso progredir. Conforme destaca Fávero 
(2010), um texto que apenas repete informações, 
sem acrescentar elementos novos, torna-se circular 
e pouco informativo. O equilíbrio entre continuidade 
e progressão é essencial: enquanto a primeira 
garante a unidade, a segunda assegura que o texto 
seja informativo e relevante.
Não-contradição
A não-contradição implica a compatibilidade entre 
as informações apresentadas no texto, tanto em 
relação umas às outras quanto em relação ao 
mundo de referência. Charolles (1978) identifica 
diferentes tipos de contradição que podem 
comprometer a coerência: contradições linguísticas 
(uso inconsistente de tempos verbais, por exemplo), 
contradições pragmáticas (incompatibilidade com o 
mundo representado) e contradições entre mundos 
representados (inconsistência na construção do 
mundo textual).
Articulação
A articulação diz respeito à conexão entre os fatos e 
conceitosapresentados no texto, estabelecendo 
relações de causa, condição, finalidade, 
temporalidade, entre outras. Estas relações podem 
ser explicitadas por conectores ou permanecer 
implícitas, a serem recuperadas pelo leitor. Em 
qualquer caso, como observa Marcuschi (2008), as 
relações devem ser plausíveis e relevantes para a 
construção do sentido global do texto.
Além destes aspectos essenciais, a coerência é influenciada por fatores pragmáticos como a intencionalidade (objetivos 
do produtor), a aceitabilidade (atitude do receptor), a situacionalidade (adequação ao contexto), a informatividade 
(equilíbrio entre o conhecido e o novo) e a intertextualidade (relações com outros textos). Estes fatores, identificados por 
Beaugrande e Dressler (1981), evidenciam que a coerência não é uma propriedade meramente intrínseca ao texto, mas 
resulta da interação entre o texto e seus utilizadores.
Vale ressaltar que a coerência também opera em diferentes níveis: local (entre frases e parágrafos) e global (na totalidade 
do texto). Um texto pode apresentar coerência local, com conexões adequadas entre suas partes imediatas, mas falhar na 
construção de uma coerência global, que integra todas as partes em um todo significativo. Ambos os níveis são 
importantes para a eficácia comunicativa do texto.
Coesão
A coesão textual configura-se como um conjunto de mecanismos linguísticos que estabelecem relações explícitas entre 
os elementos constituintes do texto, contribuindo para sua organização superficial e para a construção de sentidos. 
Diferentemente da coerência, que opera no plano conceitual e cognitivo, a coesão manifesta-se materialmente na 
superfície textual, por meio de marcas linguísticas específicas.
Segundo a definição clássica de Halliday e Hasan (1976), a coesão ocorre quando a interpretação de um elemento do 
texto depende da interpretação de outro elemento, estabelecendo-se uma relação de dependência que cria a textura. Esta 
concepção evidencia o caráter relacional da coesão, que não reside nos elementos isolados, mas nas conexões que se 
estabelecem entre eles.
Coesão Referencial
Estabelece relações de referência entre elementos do 
texto
Anáfora e catáfora
Uso de pronomes
Artigos definidos
Coesão Lexical
Criada por relações entre itens de vocabulário
Repetição
Sinonímia
Hiperonímia
Coesão Sequencial
Estabelece a progressão textual
Conectores
Marcadores discursivos
Expressões de sequenciação
Coesão Gramatical
Relações estabelecidas por mecanismos gramaticais
Concordância
Regência
Elipse
Os mecanismos de coesão, embora diversos, podem ser agrupados em duas grandes categorias, como propõe Koch 
(2018): a coesão referencial, que estabelece relações entre um componente da superfície textual e outro(s) elemento(s) do 
universo textual; e a coesão sequencial, que estabelece relações semânticas e/ou pragmáticas entre segmentos textuais, 
criando condições para a progressão textual.
É importante ressaltar que a presença de mecanismos coesivos, embora contribua significativamente para a construção 
da coerência, não a garante automaticamente. Um texto pode apresentar alta densidade de elementos coesivos e, ainda 
assim, ser incoerente, caso as relações estabelecidas não contribuam para a construção de um sentido global. Da mesma 
forma, um texto pode apresentar poucos mecanismos coesivos explícitos e ser perfeitamente coerente, desde que o leitor 
consiga estabelecer as conexões necessárias com base em seus conhecimentos.
Compreender os mecanismos de coesão e utilizá-los adequadamente é fundamental para a produção de textos claros e 
bem estruturados, que facilitem a construção de sentidos por parte do leitor. Nas seções seguintes, exploraremos em 
detalhe os diferentes tipos de coesão e os recursos linguísticos que os realizam.
Definindo A Coesão
A coesão textual, enquanto propriedade constitutiva da textualidade, tem sido objeto de diferentes abordagens teóricas 
que contribuem para uma compreensão mais ampla e aprofundada do fenômeno. Nesta seção, exploraremos algumas das 
principais definições e concepções de coesão que fundamentam o estudo e a análise dos textos.
A definição seminal de coesão foi proposta por Halliday e Hasan (1976), que a caracterizam como um conjunto de relações 
semânticas estabelecidas por meio de elementos linguísticos específicos, que contribuem para a textura do texto. Para 
estes autores, a coesão manifesta-se quando a interpretação de um elemento do texto depende da interpretação de outro, 
criando uma relação de pressuposição que integra os componentes textuais em uma unidade. Esta concepção ressalta o 
caráter relacional da coesão, que não reside nos elementos isolados, mas nas conexões que estabelecem entre si.
Koch (2018), por sua vez, define a coesão como o fenômeno que diz respeito ao modo como os componentes da 
superfície textual se encontram conectados entre si por meio de marcas linguísticas, formando sequências veiculadoras 
de sentido. Esta definição destaca tanto o aspecto superficial da coesão, que se manifesta na materialidade linguística, 
quanto sua função na construção de sentidos, evidenciando que os mecanismos coesivos não são meros elementos 
formais, mas desempenham papel semântico fundamental.
Perspectiva Formal
Sob uma perspectiva mais formal, 
a coesão pode ser compreendida 
como um conjunto de recursos 
gramaticais e lexicais que 
estabelecem relações entre os 
elementos de um texto. Esta 
abordagem, como destaca 
Marcuschi (2008), enfatiza os 
mecanismos linguísticos 
específicos e suas funções na 
organização textual, permitindo 
classificações detalhadas dos 
tipos de coesão e dos recursos 
que os realizam.
Perspectiva Funcional
De um ponto de vista funcional, a 
coesão é vista como um conjunto 
de estratégias de 
sequencialização que permitem a 
construção de uma unidade 
significativa. Fávero (2010) 
ressalta que, nesta perspectiva, o 
foco recai sobre como os 
elementos coesivos contribuem 
para a continuidade, a progressão 
e a não-contradição do texto, 
integrando-se aos mecanismos 
mais amplos de construção da 
coerência.
Perspectiva 
Sociocognitiva
Uma abordagem sociocognitiva, 
como a proposta por Koch e Elias 
(2016), concebe a coesão como 
um conjunto de pistas linguísticas 
que guiam o processo de 
construção de sentidos pelo leitor. 
Nesta visão, os mecanismos 
coesivos funcionam como 
orientações que facilitam o 
processamento cognitivo do texto, 
indicando as relações entre seus 
elementos e contribuindo para a 
ativação de conhecimentos 
relevantes.
Estas diferentes perspectivas não são mutuamente excludentes, mas complementares, contribuindo para uma 
compreensão mais abrangente da coesão textual. Em comum, todas reconhecem que a coesão, embora se manifeste na 
superfície linguística, não se reduz a um fenômeno meramente formal, mas desempenha papel crucial na construção dos 
sentidos do texto, interagindo com a coerência e com os demais fatores de textualidade.
Para fins práticos, podemos definir a coesão como o conjunto de mecanismos linguísticos que estabelecem relações 
explícitas entre os elementos do texto, contribuindo para sua organização superficial e para a construção de sua unidade 
significativa. Compreender estes mecanismos e saber utilizá-los adequadamente é fundamental tanto para a análise 
quanto para a produção de textos claros, precisos e eficazes.
Coesão Referencial
A coesão referencial constitui um dos principais mecanismos de construção da textura, estabelecendo relações entre um 
componente da superfície textual e outro(s) elemento(s) do universo textual. Este tipo de coesão caracteriza-se pela 
utilização de formas linguísticas que remetem a outras expressões presentes no texto ou a elementos do contexto 
situacional, criando cadeias referenciais que contribuem para a continuidade temática.
Segundo Koch (2018), a coesão referencial ocorre quando um componente da superfície textualfaz remissão a outro 
elemento do universo textual. O elemento que faz a remissão é denominado forma referencial ou remissiva, enquanto o 
elemento referido ou recuperado é o referente ou antecedente. Esta relação pode estabelecer-se de forma anafórica 
(quando a forma remissiva refere-se a um elemento previamente introduzido no texto) ou catafórica (quando a forma 
remissiva antecipa um elemento que será introduzido posteriormente).
Mecanismo Definição Exemplos
Referência pessoal Realizada por pronomes pessoais e 
possessivos
Ele, seu, nosso
Referência demonstrativa Realizada por pronomes demonstrativos e 
advérbios de lugar
Este, esse, aquele, aqui, lá
Referência comparativa Realizada por meio de comparações 
explícitas
Igual, semelhante, diferente, maior
Referência por reiteração Realizada pela repetição de expressões ou 
pelo uso de sinônimos, hiperônimos, 
nomes genéricos
Repetição lexical, uso de 
sinônimos, expressões nominais 
definidas
Referência por elipse Realizada pela omissão de um item lexical, 
facilmente recuperável pelo contexto
Sujeito elíptico, objeto elíptico
As formas remissivas podem ser classificadas em dois grandes grupos: as formas gramaticais (pronomes pessoais, 
demonstrativos, possessivos, relativos, advérbios pronominais, etc.) e as formas lexicais (expressões nominais definidas, 
como repetições, sinônimos, hiperônimos, nomes genéricos, etc.). Cada uma destas formas desempenha funções 
específicas na construção da coesão referencial, contribuindo para a economia linguística, para a precisão referencial e 
para a progressão temática.
É importante destacar que a coesão referencial não se limita a estabelecer conexões formais entre elementos textuais, 
mas desempenha papel fundamental na construção dos sentidos do texto. Como observa Marcuschi (2008), as formas 
referenciais não são meros substitutos de termos anteriores, mas recategorizam os objetos de discurso, contribuindo para 
a progressão temática e para a orientação argumentativa do texto. Assim, a escolha de determinada forma referencial não 
é aleatória, mas reflete a perspectiva do enunciador sobre o objeto referido e sua intenção comunicativa.
A utilização adequada dos mecanismos de coesão referencial é essencial para a construção de textos claros e 
compreensíveis, evitando ambiguidades, repetições desnecessárias e quebras na continuidade temática. Na produção 
textual, é fundamental atentar para a escolha das formas referenciais mais adequadas a cada contexto, considerando 
fatores como a distância entre a forma remissiva e seu referente, a possibilidade de ambiguidade referencial e a função 
textual-discursiva da referenciação.
Pro-Forma Pronominal
As pro-formas pronominais constituem um dos principais recursos de coesão referencial, caracterizando-se como 
elementos linguísticos que substituem outras formas já presentes no texto ou recuperáveis a partir do contexto. Esta 
substituição, além de evitar repetições desnecessárias, contribui para a economia linguística e para a fluidez do texto, 
estabelecendo relações coesivas que orientam o leitor na construção dos sentidos.
De acordo com Koch (2018), as pro-formas pronominais incluem diferentes classes de pronomes que desempenham 
função referencial: pessoais, possessivos, demonstrativos, indefinidos, interrogativos e relativos. Cada classe apresenta 
especificidades quanto ao tipo de referência que estabelece e quanto às funções textuais que desempenha, como 
veremos a seguir.
Pronomes Pessoais
Os pronomes pessoais (eu, tu, ele/ela, nós, vós, eles/elas) 
estabelecem referência às pessoas do discurso, podendo 
remeter a elementos do contexto situacional (referência 
exofórica) ou a elementos do próprio texto (referência 
endofórica). Na coesão textual, destacam-se os pronomes 
de terceira pessoa, que tipicamente realizam referência 
anafórica, retomando termos anteriormente 
mencionados. Exemplo: "Maria chegou cedo. Ela trouxe os 
documentos necessários."
Pronomes Possessivos
Os pronomes possessivos (meu, teu, seu, nosso, vosso) 
estabelecem relações de posse ou pertença entre um 
possuidor e um objeto possuído. Na coesão textual, 
funcionam como determinantes que contribuem para a 
identificação de referentes através da relação de posse. 
Exemplo: "João apresentou seu projeto. Seu trabalho foi 
elogiado por todos." Neste caso, "seu" estabelece uma 
relação de pertença com "João", contribuindo para a 
coesão do texto.
Pronomes Demonstrativos
Os pronomes demonstrativos (este, esse, aquele e suas 
variações) desempenham importante papel na coesão, 
estabelecendo referências espaciais ou textuais. Podem 
realizar referência anafórica, retomando elementos 
anteriores, ou catafórica, antecipando elementos que 
serão mencionados. Além disso, podem estabelecer 
relações de proximidade ou distância, tanto espacial 
quanto temporal ou textual. Exemplo: "A economia 
portuguesa enfrenta desafios. Este problema tem sido 
discutido por especialistas."
Pronomes Relativos
Os pronomes relativos (que, quem, qual, cujo, onde) 
introduzem orações subordinadas adjetivas, 
estabelecendo referência ao termo antecedente e 
contribuindo para a integração de informações sobre este 
referente. Desempenham dupla função: retomam um 
antecedente e estabelecem conexão entre orações. 
Exemplo: "O livro que li ontem foi recomendado por um 
amigo. Este amigo, que conheci na universidade, tem 
excelente gosto literário."
A utilização adequada das pro-formas pronominais exige atenção a diversos fatores, como a clareza referencial (evitando 
ambiguidades sobre qual é o referente), a distância entre a pro-forma e seu referente (quanto maior a distância, maior o 
risco de quebra na coesão) e a compatibilidade morfossintática (concordância em gênero e número). Marcuschi (2008) 
ressalta, ainda, que a referenciação pronominal não é um processo meramente formal, mas envolve aspectos cognitivos e 
discursivos, contribuindo para a construção de objetos de discurso e para a orientação argumentativa do texto.
Na produção textual, o domínio dos mecanismos de referenciação pronominal é essencial para a construção de textos 
coesos e compreensíveis, que orientem adequadamente o leitor na construção dos sentidos pretendidos pelo autor. Ao 
mesmo tempo, a análise destes mecanismos em textos existentes permite identificar estratégias coesivas e compreender 
como contribuem para a eficácia comunicativa.
Pro-Forma Adverbial
As pro-formas adverbiais constituem um recurso coesivo importante, embora menos estudado que as pro-formas 
pronominais. Trata-se de advérbios ou locuções adverbiais que, além de sua função sintática como modificadores de 
verbos, adjetivos ou outros advérbios, desempenham função referencial, estabelecendo relações com outros elementos 
do texto ou com o contexto situacional.
Segundo Fávero (2010), as pro-formas adverbiais abrangem principalmente os advérbios de lugar (aqui, aí, lá, ali, acolá, 
etc.), de tempo (agora, então, antes, depois, etc.) e de modo (assim, desse modo, dessa forma, etc.). Estes elementos 
podem estabelecer referência exofórica (ao contexto situacional) ou endofórica (a elementos do próprio texto), 
contribuindo para a coesão textual ao evitar repetições e estabelecer conexões entre diferentes partes do texto.
Advérbios de lugar
Os advérbios de lugar funcionam como pro-formas que 
substituem expressões indicadoras de localização 
espacial ou textual. Podem realizar referência anafórica, 
retomando locais previamente mencionados, ou dêitica, 
indicando locais no contexto situacional. Na referenciação 
textual, frequentemente estabelecem relações com 
trechos ou porções do próprio texto, como em: "No 
capítulo anterior, discutimos as causas do problema. Aqui, 
analisaremos as possíveis soluções." Neste exemplo, 
"aqui" refere-se ao ponto atual do texto, estabelecendo 
uma relação com o que foi dito anteriormente.
Advérbios de tempo
Os advérbios detempo atuam como pro-formas 
temporais, substituindo expressões que indicam 
circunstâncias de tempo. Assim como os advérbios de 
lugar, podem estabelecer referência anafórica ou dêitica. 
Na coesão textual, frequentemente organizam a 
sequência cronológica dos eventos narrados ou a 
estrutura argumentativa, como em: "A empresa enfrentou 
uma grave crise em 2008. Desde então, tem 
implementado medidas para evitar novos problemas." 
Aqui, "então" retoma o marco temporal mencionado 
anteriormente (2008), estabelecendo uma relação coesiva.
Particularmente relevantes para a coesão textual são os advérbios ou locuções adverbiais de modo, como "assim", "desse 
modo", "dessa forma", "dessa maneira", entre outros. Estes elementos funcionam como pró-formas que condensam 
informações anteriormente apresentadas, estabelecendo relações de modo ou maneira. Por exemplo: "A equipa 
desenvolveu uma nova metodologia, combinando técnicas qualitativas e quantitativas. Assim, conseguiu obter resultados 
mais abrangentes e confiáveis." Neste caso, "assim" retoma toda a informação anterior sobre a metodologia desenvolvida, 
estabelecendo uma relação de causa-consequência.
Função referencial
Substituem expressões locativas, 
temporais ou modais, evitando 
repetições e contribuindo para a 
economia linguística.
Função conectiva
Estabelecem conexões entre 
diferentes partes do texto, 
contribuindo para sua articulação 
lógica.
Função organizacional
Orientam o leitor na estrutura 
textual, indicando relações 
espaciais, temporais ou lógicas 
entre os elementos.
O uso adequado das pro-formas adverbiais exige atenção às mesmas questões que se colocam para as pro-formas 
pronominais: clareza referencial, distância adequada entre a pro-forma e seu referente, e compatibilidade semântica. Além 
disso, é importante considerar a especificidade de cada tipo de advérbio e sua função no contexto específico em que é 
utilizado. Como observa Koch (2018), os advérbios, quando utilizados como elementos de coesão, não apenas substituem 
expressões anteriores, mas muitas vezes recategorizam as informações, contribuindo para a progressão temática e para a 
orientação argumentativa do texto.
Pro-Forma Quantitativa
As pro-formas quantitativas representam um recurso coesivo específico, caracterizando-se como elementos linguísticos 
que substituem expressões quantificadoras ou que estabelecem relações de quantidade com referentes textuais. Embora 
menos estudadas que outras formas de referenciação, desempenham papel importante na construção da coesão, 
especialmente em textos que lidam com informações quantitativas, como textos acadêmicos, científicos e técnicos.
De acordo com Koch e Elias (2016), as pro-formas quantitativas incluem pronomes indefinidos (tudo, todos, nada, nenhum, 
etc.), numerais (um, dois, primeiro, segundo, etc.) e expressões quantificadoras (muito, pouco, tanto, vários, etc.). Estes 
elementos podem estabelecer referência a quantidades específicas ou indefinidas, contribuindo para a coesão textual ao 
retomar informações quantitativas ou estabelecer relações de quantidade entre diferentes elementos do texto.
Os pronomes indefinidos desempenham papel importante como pro-formas quantitativas, especialmente aqueles que 
exprimem totalidade (tudo, todos, cada) ou ausência (nada, nenhum, ninguém). Estes elementos frequentemente realizam 
referência anafórica, retomando e quantificando conjuntos de elementos previamente mencionados. Exemplo: "Os 
documentos, relatórios e certificados foram analisados pela comissão. Todos apresentavam inconsistências." Neste caso, 
"todos" retoma o conjunto dos documentos mencionados, estabelecendo uma relação de totalidade.
Numerais como pro-formas
Os numerais, tanto cardinais quanto ordinais, podem funcionar como pro-formas que estabelecem referência precisa 
a quantidades ou a posições em uma sequência. Os numerais cardinais (um, dois, três, etc.) frequentemente 
substituem expressões que indicam quantidades específicas, como em: "A empresa contratou vinte novos 
funcionários. Dez foram alocados no setor de produção." Já os numerais ordinais (primeiro, segundo, terceiro, etc.) 
estabelecem referência a posições ou sequências, como em: "Existem três argumentos principais para essa tese. O 
primeiro relaciona-se com aspectos econômicos."
Expressões quantificadoras
Expressões como "muito", "pouco", "tanto", "vários", "alguns", entre outras, funcionam como pro-formas que 
estabelecem referência a quantidades indefinidas ou relativas. Estas expressões frequentemente realizam referência 
anafórica, retomando elementos anteriormente mencionados e estabelecendo relações de quantidade, como em: "O 
relatório apresenta diversos dados relevantes. Muitos contradizem as hipóteses iniciais." Neste exemplo, "muitos" 
retoma parte dos "dados relevantes", estabelecendo uma relação quantitativa.
Expressões comparativas quantitativas
Expressões como "mais", "menos", "tanto quanto", "o dobro", "metade", entre outras, estabelecem referência 
comparativa quantitativa, relacionando diferentes elementos do texto em termos de quantidade. Exemplo: "A 
produção deste ano foi de 1000 unidades. Isso representa o dobro do que foi produzido no ano anterior." Aqui, "o 
dobro" estabelece uma relação quantitativa entre as produções dos dois períodos mencionados.
A utilização adequada das pro-formas quantitativas exige atenção à clareza referencial e à precisão quantitativa. É 
fundamental que o leitor possa identificar claramente qual é o referente da pro-forma e qual é a relação quantitativa que 
se estabelece. Ambiguidades ou imprecisões podem comprometer a compreensão do texto e, consequentemente, sua 
eficácia comunicativa.
Além de sua função coesiva, as pro-formas quantitativas desempenham papel importante na construção da 
argumentação, especialmente em textos que utilizam dados quantitativos como evidência ou que estabelecem 
comparações quantitativas entre diferentes elementos. Nestes contextos, o domínio dos mecanismos de referenciação 
quantitativa é essencial para a construção de argumentos claros e convincentes.
Coesão Por Elipse
A coesão por elipse constitui um mecanismo coesivo particular, caracterizado pela omissão de um termo facilmente 
recuperável pelo contexto linguístico ou situacional. Diferentemente de outros recursos coesivos, que substituem 
elementos por pronomes ou expressões referenciais, a elipse opera pela ausência, pelo "não dito" que, paradoxalmente, 
significa. Esta ausência, contudo, não é um vazio semântico, mas um espaço preenchido pelos processos cognitivos do 
leitor, que recupera o elemento omitido com base nas pistas textuais e nos seus conhecimentos prévios.
Segundo Halliday e Hasan (1976), a elipse pode ser definida como uma substituição por zero, ou seja, um caso em que um 
elemento, embora não presente na superfície textual, é pressuposto pela estrutura. Esta definição evidencia o caráter 
relacional da elipse, que, assim como outros mecanismos coesivos, estabelece conexões entre elementos do texto, mas o 
faz através da ausência, e não da presença de marcas linguísticas explícitas.
Elipse nominal
Ocorre quando se omite um 
substantivo ou um sintagma 
nominal, geralmente porque já foi 
mencionado anteriormente ou 
porque é facilmente recuperável 
pelo contexto. Exemplo: "As 
canetas azuis são mais caras que 
as Ø pretas." (omissão de 
"canetas")
Elipse verbal
Caracteriza-se pela omissão de 
um verbo ou locução verbal, que 
pode ser recuperado a partir do 
contexto. Exemplo: "Maria estuda 
medicina e Pedro Ø engenharia." 
(omissão de "estuda")
Elipse oracional
Consiste na omissão de uma 
oração inteira, que pode ser 
recuperada a partir do contexto. 
Exemplo: "Vais ao cinema? Sim, 
Ø." (omissão de "vou ao cinema")
A elipse desempenha diversas funções na construção textual. Do ponto de vista estilístico, contribui para a economia 
linguística, evitando repetições desnecessárias e tornandoo texto mais conciso e elegante. Do ponto de vista 
informacional, permite destacar elementos novos ou contrastivos, omitindo aqueles já conhecidos ou menos relevantes. 
Do ponto de vista coesivo, estabelece relações entre diferentes partes do texto, criando elos que contribuem para sua 
unidade.
Koch (2018) destaca que a elipse não é apenas um fenômeno gramatical, mas também discursivo, que contribui para a 
progressão temática e para a construção de sentidos. Ao omitir elementos já mencionados ou facilmente recuperáveis, a 
elipse permite que o foco recaia sobre as informações novas ou mais relevantes, contribuindo para o equilíbrio entre 
continuidade e progressão, essencial para a coerência textual.
O uso adequado da elipse exige atenção a diversos fatores. É fundamental que o elemento omitido seja facilmente 
recuperável, seja pelo contexto linguístico (como nas elipses anafóricas, que remetem a elementos anteriormente 
mencionados), seja pelo contexto situacional (como nas elipses exofóricas, que remetem a elementos do contexto 
extraverbal). Além disso, é importante considerar a distância entre a elipse e seu referente: quanto maior a distância, 
maior o risco de ambiguidade ou de dificuldade na recuperação do elemento omitido.
Na produção textual, o domínio dos mecanismos de elipse permite criar textos mais fluidos e elegantes, evitando 
repetições desnecessárias sem comprometer a clareza. Na análise textual, a identificação e compreensão das elipses 
contribui para a percepção dos mecanismos coesivos e das estratégias de construção de sentidos utilizadas pelo autor.
Elipse: Pro-Forma Substituída Por Zero
A elipse, enquanto mecanismo coesivo, caracteriza-se pela omissão de um elemento recuperável pelo contexto, 
configurando o que Halliday e Hasan (1976) denominam como "substituição por zero". Esta conceptualização da elipse 
como uma pro-forma nula, ou seja, um elemento linguístico ausente na superfície textual, mas presente na estrutura 
profunda, permite compreender sua função coesiva e sua relação com outros mecanismos de referenciação.
A compreensão da elipse como uma "pro-forma substituída por zero" evidencia sua natureza referencial: assim como os 
pronomes ou outros elementos de substituição, a elipse estabelece uma relação com um antecedente ou referente, 
contribuindo para a coesão textual. A diferença reside no fato de que, enquanto os pronomes e outras pro-formas 
substituem o referente por uma forma linguística explícita, a elipse o faz por uma ausência, por um espaço vazio que, 
contudo, mantém o significado do elemento omitido.
A elipse como pro-forma substituída por zero pode estabelecer diferentes tipos de relações referenciais. A mais comum é 
a relação anafórica, em que o elemento omitido remete a um antecedente previamente introduzido no texto. Por exemplo, 
em "João comprou um livro e Maria Ø uma revista", a elipse do verbo "comprou" estabelece uma referência anafórica ao 
verbo utilizado na primeira oração. Menos frequente, mas também possível, é a relação catafórica, em que a elipse 
antecipa um elemento que será introduzido posteriormente no texto.
A recuperação do elemento elidido depende de diversos fatores, como a estrutura sintática da frase, o contexto 
semântico, o conhecimento partilhado entre os interlocutores e as convenções do gênero textual. Em alguns casos, a 
recuperação é relativamente simples e automática, especialmente quando a elipse ocorre em estruturas sintáticas 
previsíveis, como em coordenações. Em outros casos, pode exigir um processamento cognitivo mais complexo, 
envolvendo inferências e ativação de conhecimentos prévios.
É importante ressaltar que nem toda omissão constitui uma elipse com função coesiva. Para que a omissão funcione 
como um mecanismo de coesão, é necessário que o elemento omitido seja recuperável e que sua ausência estabeleça 
uma relação com outros elementos do texto. Omissões que não permitem recuperação ou que não estabelecem relações 
coesivas podem constituir problemas de construção textual, comprometendo a clareza e a compreensibilidade.
Na produção textual, o uso consciente e adequado da elipse como pro-forma substituída por zero contribui para a 
concisão, para a ênfase em elementos relevantes e para a fluência do texto. Na análise textual, a identificação e 
interpretação das elipses permite compreender como se constroem as redes referenciais e como se estabelece a coesão, 
mesmo quando os elementos coesivos não estão explicitamente marcados na superfície linguística.
Processo de Interpretação
O leitor identifica um "espaço vazio" 
na estrutura sintática ou semântica 
do texto
Busca pelo Referente
Ativa-se um processo de busca pelo 
elemento que preenche esse 
espaço
Recuperação do Elemento
O elemento é recuperado do 
contexto linguístico ou situacional
Compreensão do Sentido
O sentido completo é construído 
com base na integração do 
elemento recuperado
Coesão Sequencial
A coesão sequencial refere-se aos procedimentos linguísticos por meio dos quais se estabelecem, entre segmentos do 
texto (enunciados, partes de enunciados, parágrafos e sequências textuais), diversos tipos de relações semânticas e/ou 
pragmáticas, à medida que se faz o texto progredir. Diferentemente da coesão referencial, que estabelece relações entre 
elementos da superfície textual, a coesão sequencial diz respeito às relações entre segmentos maiores do texto, 
contribuindo para sua progressão.
De acordo com Koch (2018), a coesão sequencial pode manifestar-se por meio de dois grandes mecanismos: a 
sequenciação frástica, que se realiza por meio de recursos de natureza gramatical; e a sequenciação parafrástica, que se 
realiza via procedimentos de recorrência, ou seja, de diversas formas de repetição ou paráfrase. Ambos os mecanismos 
contribuem para a continuidade do texto, estabelecendo relações semânticas e pragmáticas entre suas partes.
Sequenciação Frástica
A sequenciação frástica realiza-se por meio de diversos 
recursos, como:
Conectores: elementos linguísticos que explicitam as 
relações semânticas entre partes do texto, como 
conjunções (e, mas, porque, portanto), advérbios 
(então, assim, contudo), locuções (além disso, por 
outro lado, em suma).
Numeração: utilização de expressões numéricas ou 
ordinais para indicar a sequência de ideias (primeiro, 
segundo, por um lado/por outro lado).
Partículas temporais: expressões que estabelecem 
relações de temporalidade (antes, depois, em seguida, 
finalmente).
Partículas metadiscursivas: expressões que organizam 
o próprio discurso (como vimos anteriormente, 
voltando ao assunto, para concluir).
Sequenciação Parafrástica
A sequenciação parafrástica realiza-se mediante 
procedimentos de recorrência, como:
Recorrência de termos: repetição de palavras ou 
expressões, com função de ênfase ou reiteração.
Recorrência de estruturas (paralelismo): repetição de 
estruturas sintáticas, com preenchimento lexical 
diferente.
Recorrência de conteúdos semânticos (paráfrase): 
reformulação de um mesmo conteúdo semântico por 
meio de expressões diferentes.
Recorrência de recursos fonológicos (ritmo, rima): 
repetição de padrões sonoros, mais comum em textos 
poéticos ou publicitários.
Recorrência de tempo e aspecto verbal: manutenção 
ou alternância sistemática de tempos e modos 
verbais, contribuindo para a organização temporal do 
texto.
A coesão sequencial desempenha papel fundamental na organização discursiva, contribuindo para a progressão temática 
e para a construção da coerência. Através dos mecanismos de sequenciação, o texto avança, introduzindo informações 
novas que se articulam com as já apresentadas, construindo um todo significativo. Como destaca Fávero (2010), a 
progressão textual não é uma simples adição de informações, mas envolve a construção de uma rede complexa de 
relações semânticas e pragmáticas.
É importante ressaltar que a escolha dos mecanismos de sequenciação não é aleatória,mas reflete a intenção 
comunicativa do autor e as características do gênero textual. Textos argumentativos, por exemplo, tendem a privilegiar 
conectores que explicitam relações lógicas, como causa, consequência, contraste, enquanto textos narrativos 
frequentemente utilizam partículas temporais que organizam a sequência de eventos. Já textos expositivos ou didáticos 
podem fazer uso extensivo de partículas metadiscursivas, que orientam o leitor na estrutura do texto.
O domínio dos mecanismos de coesão sequencial é essencial para a produção de textos bem estruturados, que conduzam 
o leitor de forma clara e eficaz através do percurso argumentativo ou narrativo proposto pelo autor. Na análise textual, a 
identificação destes mecanismos permite compreender como se constrói a progressão das ideias e como se estabelecem 
as relações lógico-semânticas entre as partes do texto.
Recorrência De Tempos Verbais
A recorrência de tempos verbais constitui um mecanismo específico de coesão sequencial, caracterizado pela 
manutenção ou alternância sistemática dos tempos e modos verbais ao longo do texto. Este mecanismo contribui 
significativamente para a organização temporal do discurso, para a delimitação de diferentes planos narrativos ou 
argumentativos e para a construção da coerência global do texto.
Segundo Weinrich (2001), os tempos verbais podem ser classificados em dois grandes grupos, de acordo com sua função 
no texto: os tempos do mundo comentado (presente, pretérito perfeito composto, futuro do presente), que indicam uma 
atitude comunicativa de engajamento, de comprometimento com o que é dito; e os tempos do mundo narrado (pretérito 
perfeito simples, pretérito imperfeito, pretérito mais-que-perfeito, futuro do pretérito), que marcam um distanciamento, 
uma atitude de relato. Esta distinção é fundamental para compreender como a alternância ou manutenção dos tempos 
verbais contribui para a organização discursiva.
Manutenção temporal
Uso consistente do mesmo tempo 
verbal para marcar unidade 
temática ou continuidade
Alternância sistemática
Mudança de tempos verbais para 
indicar diferentes planos ou 
perspectivas
Progressão temporal
Sequência de tempos verbais que 
acompanha o desenvolvimento 
cronológico dos eventos
Em textos narrativos, a recorrência de tempos verbais desempenha papel crucial na construção da temporalidade da 
história e na delimitação de diferentes planos narrativos. O pretérito perfeito simples, por exemplo, é tipicamente utilizado 
para marcar o primeiro plano narrativo, os eventos principais que fazem a história avançar, enquanto o pretérito 
imperfeito marca o segundo plano, as descrições, estados e ações habituais que constituem o pano de fundo da narrativa. 
A alternância sistemática entre estes tempos contribui para a construção de uma hierarquia entre os eventos narrados, 
orientando o leitor na construção dos sentidos.
Já em textos argumentativos ou expositivos, a recorrência de tempos verbais pode marcar diferentes dimensões do 
discurso: o presente é frequentemente utilizado para afirmações de caráter geral, verdades científicas ou 
posicionamentos do autor; o pretérito pode indicar exemplos históricos ou dados de pesquisas anteriores; o futuro pode 
introduzir projeções ou consequências esperadas. A alternância entre estes tempos, quando feita de forma sistemática e 
coerente, contribui para a organização lógica do texto e para a delimitação de diferentes tipos de informação.
Koch (2018) destaca que a recorrência de tempos verbais não apenas organiza a temporalidade interna do texto, mas 
também estabelece relações com o contexto comunicativo, indicando a atitude do enunciador perante o que é dito e 
orientando as expectativas do leitor. A escolha e a manutenção de determinados tempos verbais podem, por exemplo, 
marcar o gênero textual (como o uso do presente em textos científicos ou do pretérito em narrativas literárias) ou indicar 
o grau de formalidade e o tipo de interação pretendidos.
Na produção textual, a atenção à recorrência de tempos verbais é fundamental para garantir a coerência temporal e a 
adequada articulação entre diferentes segmentos ou planos do texto. Na análise, a identificação dos padrões de utilização 
dos tempos verbais permite compreender a estruturação temporal do discurso e as estratégias utilizadas pelo autor para 
orientar a leitura e construir determinados efeitos de sentido.
A Coesão Gramatical
A coesão gramatical constitui um dos principais mecanismos de construção da textura, caracterizando-se pelo 
estabelecimento de relações entre elementos do texto por meio de recursos gramaticais específicos. Diferentemente da 
coesão lexical, que se realiza por meio de relações entre itens de vocabulário, a coesão gramatical opera via elementos 
gramaticais que estabelecem conexões, referências ou substituições, contribuindo para a organização e unidade do texto.
De acordo com a classificação proposta por Halliday e Hasan (1976), a coesão gramatical pode manifestar-se mediante 
quatro grandes mecanismos: referência, substituição, elipse e conjunção. Cada um destes mecanismos opera de forma 
específica na construção da textura, embora frequentemente se sobreponham ou atuem em conjunto.
Referência
Estabelece relações entre um elemento do texto e 
outro, que pode ser recuperado no próprio texto 
(referência endofórica) ou no contexto situacional 
(referência exofórica). Realiza-se principalmente por 
meio de pronomes pessoais, demonstrativos e 
possessivos, artigos definidos e advérbios de lugar e 
tempo.
Substituição
Consiste na colocação de um elemento no lugar de 
outro, mantendo a mesma função gramatical. 
Diferentemente da referência, que estabelece uma 
relação semântica, a substituição opera no nível léxico-
gramatical. Pode ser nominal, verbal ou oracional.
Elipse
Caracteriza-se pela omissão de um elemento 
recuperável pelo contexto, funcionando como uma 
"substituição por zero". Assim como a substituição, 
pode ser nominal, verbal ou oracional, dependendo do 
tipo de elemento omitido.
Conjunção
Estabelece relações lógico-semânticas entre partes do 
texto, por meio de conjunções, advérbios conjuntivos e 
locuções conectivas. Diferentemente dos outros 
mecanismos, não estabelece referência, mas conexão 
entre ideias ou eventos.
A coesão gramatical desempenha papel fundamental na construção da continuidade textual, permitindo que o texto flua 
de forma natural e evitando repetições desnecessárias. Através dos mecanismos de referência e substituição, elementos 
já introduzidos podem ser retomados de forma econômica e elegante. A elipse, por sua vez, contribui para a concisão, 
omitindo elementos facilmente recuperáveis pelo contexto. Já a conjunção explicita as relações lógico-semânticas entre 
as partes do texto, orientando o leitor na construção dos sentidos.
Koch (2018) ressalta que a coesão gramatical não é um fenômeno meramente formal, mas desempenha funções 
cognitivas e discursivas importantes. Os elementos coesivos funcionam como pistas que orientam o processamento do 
texto, sinalizando como as diferentes partes devem ser relacionadas e integradas na construção do sentido global. Além 
disso, a escolha de determinados mecanismos coesivos pode revelar a perspectiva do enunciador, contribuir para a 
construção da argumentação ou criar efeitos estilísticos específicos.
É importante destacar que a coesão gramatical interage constantemente com a coesão lexical e com outros fatores de 
textualidade, como a coerência, a intertextualidade e a situacionalidade. Um texto coeso gramaticalmente, mas com 
problemas de coesão lexical ou de coerência, pode ainda assim apresentar dificuldades de compreensão. Da mesma 
forma, um texto com poucos elementos de coesão gramatical explícita pode ser perfeitamente compreensível se a 
coerência e outros fatores de textualidade estiverem bem estabelecidos.
Coesão Lexical
A coesão lexical constitui um dos principaismecanismos de construção da textura, caracterizando-se pelo 
estabelecimento de relações entre itens de vocabulário que ocorrem no texto, contribuindo para sua unidade e 
continuidade. Diferentemente da coesão gramatical, que opera por meio de elementos formais da língua, a coesão lexical 
realiza-se mediante relações semânticas entre palavras ou expressões, criando redes de significados que permeiam o 
texto.
Segundo a classificação proposta por Halliday e Hasan (1976), a coesão lexical pode manifestar-se por meio de dois 
grandes mecanismos: a reiteração e a colocação. A reiteração abrange diversos fenômenos, como a repetição do mesmo 
item lexical, o uso de sinônimos, hiperônimos, hipônimos ou nomes genéricos. Já a colocação refere-se à tendência de 
certas palavras co-ocorrerem, estabelecendo relações de contiguidade semântica, como relações de complementaridade, 
de antonímia, de parte-todo, entre outras.
Repetição
A repetição do mesmo item lexical é a forma mais 
direta de coesão lexical. Embora tradicionalmente vista 
como um problema estilístico, a repetição pode ser um 
recurso eficaz quando utilizada de forma consciente, 
para enfatizar conceitos-chave, estabelecer 
paralelismos ou criar efeitos rítmicos. Em textos 
técnicos ou científicos, a repetição de termos 
específicos pode ser necessária para garantir a 
precisão e evitar ambiguidades.
Sinonímia
A sinonímia consiste no uso de palavras ou expressões 
com significado similar para referir-se ao mesmo 
elemento. Este recurso permite evitar repetições 
excessivas, enriquecendo o texto do ponto de vista 
vocabular. No entanto, é importante lembrar que a 
sinonímia raramente é perfeita: diferentes termos 
podem carregar nuances de significado ou conotações 
distintas, que devem ser consideradas na construção 
do texto.
Hiperonímia e Hiponímia
A hiperonímia e a hiponímia estabelecem relações 
hierárquicas entre termos: o hiperônimo é um termo 
mais geral, que engloba o significado do hipônimo, um 
termo mais específico. Por exemplo, "veículo" é 
hiperônimo de "carro", que por sua vez é hipônimo de 
"veículo". Estas relações permitem movimentos de 
generalização ou especificação ao longo do texto, 
contribuindo para sua progressão semântica.
Colocação
A colocação refere-se à tendência de certas palavras 
co-ocorrerem em determinados contextos, 
estabelecendo relações de associação semântica. 
Estas relações podem ser de diferentes tipos: 
antonímia (palavras com sentidos opostos), 
complementaridade (termos que se complementam), 
parte-todo (termos que designam partes de um todo), 
entre outras. A colocação contribui para a coesão ao 
criar campos semânticos que permeiam o texto.
A coesão lexical desempenha funções importantes na construção textual. Do ponto de vista semântico, contribui para a 
continuidade temática, estabelecendo relações entre diferentes partes do texto e reforçando seus campos semânticos 
dominantes. Do ponto de vista cognitivo, facilita o processamento do texto, ativando redes de associações que ajudam o 
leitor a construir um modelo mental coerente. Do ponto de vista estilístico, permite variações que tornam o texto mais 
rico e interessante, evitando a monotonia da repetição constante.
Koch e Elias (2016) destacam que a coesão lexical não se limita a estabelecer conexões formais entre elementos textuais, 
mas participa ativamente da construção de sentidos e da orientação argumentativa do texto. A escolha de determinados 
itens lexicais, em detrimento de outros semanticamente próximos, pode revelar a perspectiva do enunciador, construir 
determinadas representações dos objetos de discurso e contribuir para a construção de efeitos persuasivos.
Na produção textual, o domínio dos mecanismos de coesão lexical é essencial para a construção de textos que fluam 
naturalmente, que apresentem riqueza vocabular e que orientem adequadamente o leitor na construção dos sentidos 
pretendidos. Na análise textual, a identificação destes mecanismos permite compreender como se constroem as redes 
semânticas que permeiam o texto e como estas contribuem para sua unidade e eficácia comunicativa.
Recursos Coesivos Lexicais
Os recursos coesivos lexicais constituem um conjunto de mecanismos que estabelecem relações de sentido entre 
diferentes elementos vocabulares do texto, contribuindo para sua unidade e continuidade. Estes recursos operam no nível 
semântico, criando redes de significados que permeiam o texto e que orientam o leitor na construção de um todo 
coerente. Nesta seção, exploraremos em detalhe os principais recursos coesivos lexicais e suas funções na construção 
textual.
Reiteração simples (repetição)
Consiste na repetição do mesmo item lexical ao longo do texto. Embora tradicionalmente se recomende evitar 
repetições, a reiteração pode ser um recurso eficaz quando utilizada de forma consciente e estratégica. Em textos 
técnicos ou científicos, por exemplo, a repetição de termos específicos pode ser necessária para garantir a precisão e 
evitar ambiguidades. Em textos literários, pode criar efeitos rítmicos ou enfáticos. A repetição também pode ser 
utilizada para reforçar conceitos-chave ou para estabelecer paralelismos estruturais.
Sinonímia e parassinonímia
A sinonímia consiste no uso de palavras ou expressões com significado similar para referir-se ao mesmo elemento. A 
parassinonímia, por sua vez, envolve termos que, embora não sejam sinônimos perfeitos, podem ser utilizados como 
tal em determinados contextos. Estes recursos permitem evitar repetições excessivas, enriquecendo o texto do ponto 
de vista vocabular. É importante considerar, contudo, que diferentes sinônimos podem carregar nuances de 
significado ou conotações distintas, que devem ser consideradas na construção do texto.
Hiperonímia e hiponímia
A hiperonímia e a hiponímia estabelecem relações hierárquicas entre termos: o hiperônimo é um termo mais geral, 
que engloba o significado do hipônimo, um termo mais específico. Por exemplo, "animal" é hiperônimo de "cão", que 
por sua vez é hipônimo de "animal". Estas relações permitem movimentos de generalização ou especificação ao 
longo do texto, contribuindo para sua progressão semântica. O uso de hiperônimos pode ser útil para retomar de 
forma sintética um conjunto de elementos previamente mencionados, enquanto o uso de hipônimos permite 
especificar ou detalhar um conceito geral.
Nomes genéricos
Os nomes genéricos são substantivos de sentido muito amplo que podem ser utilizados para retomar outros 
elementos lexicais mais específicos. Termos como "coisa", "fato", "ideia", "pessoa", "lugar", entre outros, funcionam 
como uma espécie de "coringa" lexical, que pode substituir praticamente qualquer substantivo da mesma classe 
semântica. Embora seu uso excessivo possa empobrecer o texto, os nomes genéricos podem ser úteis para retomar 
de forma econômica elementos previamente mencionados ou para estabelecer referências mais vagas quando a 
precisão não é necessária ou desejável.
Colocação
A colocação refere-se à tendência de certas palavras co-ocorrerem em determinados contextos, estabelecendo 
relações de associação semântica. Estas relações podem ser de diferentes tipos: antonímia (palavras com sentidos 
opostos, como "claro/escuro"), complementaridade (termos que se complementam, como "perguntar/responder"), 
parte-todo (termos que designam partes de um todo, como "árvore/tronco/galho"), co-hiponímia (termos que são 
hipônimos do mesmo hiperônimo, como "rosa/tulipa/cravo" em relação a "flor"), entre outras. A colocação contribui 
para a coesão ao criar campos semânticos que permeiam o texto, estabelecendo conexões mesmo entre elementos 
que não estão diretamente relacionados por outros mecanismos coesivos.
É importante ressaltar que estes recursos frequentemente se sobrepõem e interagem na construção textual. Um mesmo 
item lexical pode, por exemplo, estabelecer simultaneamente relações de sinonímia com um elementoe de hiperonímia 
com outro. Além disso, os recursos coesivos lexicais frequentemente atuam em conjunto com os recursos coesivos 
gramaticais, criando uma rede complexa de relações que sustenta a textura do texto.
O domínio destes recursos é essencial tanto para a produção quanto para a análise textual. Na produção, permite 
construir textos com maior riqueza vocabular, fluidez e precisão semântica. Na análise, a identificação dos recursos 
coesivos lexicais contribui para a compreensão das estratégias utilizadas pelo autor para construir a coesão e orientar a 
construção de sentidos pelo leitor.
Como Criar Coesão Textual
A criação de coesão textual é um processo consciente e estratégico, que envolve a utilização adequada de diversos 
mecanismos linguísticos para estabelecer conexões entre os elementos do texto. Dominar estes mecanismos e saber 
aplicá-los de forma eficaz é fundamental para a produção de textos que fluam naturalmente e que orientem o leitor na 
construção dos sentidos pretendidos. Nesta seção, exploraremos estratégias práticas para a criação de coesão textual.
Planejamento prévio
A coesão começa antes mesmo da escrita propriamente dita, no planejamento do texto. Definir claramente o tema, os 
objetivos, a estrutura geral e os principais argumentos ou ideias a serem desenvolvidos contribui para a construção 
de um texto coeso, pois facilita o estabelecimento de relações lógicas entre as partes. Um bom planejamento evita 
divagações, contradições e saltos temáticos, que são alguns dos principais problemas de coesão e coerência textual.
Utilização de referenciação
Os mecanismos de referenciação, como pronomes, artigos definidos, demonstrativos e expressões nominais 
definidas, são essenciais para estabelecer conexões entre diferentes partes do texto. Ao utilizar estes 
mecanismos, é importante garantir que o referente seja facilmente identificável pelo leitor, evitando ambiguidades 
ou dificuldades de processamento. A distância entre a forma referencial e seu antecedente, a possibilidade de 
concorrência de referentes e a clareza da relação estabelecida são fatores a serem considerados.
Emprego de conectores
Os conectores (conjunções, advérbios, expressões conectivas) explicitam as relações lógico-semânticas entre 
partes do texto, orientando o leitor na construção dos sentidos. É fundamental escolher conectores que 
expressem adequadamente as relações pretendidas (causa, consequência, oposição, adição, etc.) e distribuí-los 
estrategicamente ao longo do texto. O uso inadequado ou a ausência de conectores pode dificultar a 
compreensão das relações entre as ideias apresentadas.
Criação de cadeias lexicais
As cadeias lexicais, formadas por repetições, sinonímia, hiperonímia, hiponímia e outras relações 
semânticas, contribuem para a continuidade temática e para a unidade do texto. A criação consciente 
destas cadeias, considerando a progressão semântica do texto e as nuances de significado de cada termo, 
fortalece a coesão lexical. É importante evitar tanto a repetição excessiva e mecânica quanto a variação 
exagerada que possa comprometer a clareza.
Manutenção da coerência temporal
A utilização consistente e coerente dos tempos e modos verbais, adequada ao gênero textual e às relações 
temporais que se pretende estabelecer, é fundamental para a coesão. A alternância entre tempos verbais deve 
ser estratégica, sinalizando mudanças de plano narrativo, de perspectiva ou de tipo de informação. 
Inconsistências injustificadas na utilização dos tempos verbais podem comprometer a compreensão da 
temporalidade do texto.
Revisão cuidadosa
A revisão é uma etapa crucial do processo de escrita, especialmente no que diz respeito à coesão textual. Durante 
a revisão, é possível identificar e corrigir problemas como referentes ambíguos, conectores inadequados, quebras 
na continuidade temática ou inconsistências temporais. A leitura do texto por outras pessoas pode ser 
particularmente útil para identificar problemas de coesão, já que o autor, por estar familiarizado com o conteúdo, 
pode não perceber lacunas ou ambiguidades.
É importante ressaltar que a coesão não é um fim em si mesma, mas um meio para construir textos claros, precisos e 
eficazes do ponto de vista comunicativo. A utilização dos mecanismos coesivos deve, portanto, estar a serviço da 
construção dos sentidos pretendidos e da orientação argumentativa do texto. Excesso de elementos coesivos explícitos 
pode tornar o texto pesado e artificial, enquanto a escassez pode dificultar sua compreensão. O equilíbrio e a adequação 
ao gênero textual, ao público-alvo e aos objetivos comunicativos são essenciais.
O desenvolvimento da competência coesiva é um processo contínuo, que se aprimora com a prática da escrita, com a 
leitura crítica de textos variados e com o estudo sistemático dos mecanismos linguísticos que contribuem para a textura. 
A consciência destes mecanismos e de suas funções na construção textual permite utilizá-los de forma mais estratégica e 
eficaz, produzindo textos que comuniquem com clareza e precisão as ideias e intenções do autor.
Coerência Textual
A coerência textual constitui uma propriedade fundamental do texto, responsável pela construção de sentidos e pela sua 
interpretabilidade. Diferentemente da coesão, que se manifesta na superfície linguística por meio de marcas explícitas, a 
coerência opera num nível mais profundo, relacionando-se com a construção mental do texto pelos interlocutores. Um 
texto coerente apresenta uma unidade de sentido, uma articulação lógica entre suas partes, que permite ao leitor 
construir uma representação mental integrada e compreensível.
De acordo com Koch e Travaglia (2018), a coerência resulta da interação entre diversos fatores, linguísticos e 
extralinguísticos, que convergem para a construção de um todo significativo. Entre estes fatores, destacam-se: a 
continuidade temática, a progressão semântica, a não-contradição, a articulação entre fatos e conceitos, a relação com o 
mundo e o conhecimento partilhado entre os interlocutores. A coerência, portanto, não é uma propriedade inerente ao 
texto enquanto produto acabado, mas emerge da interação entre o texto, seus produtores e receptores, num contexto 
específico.
Conhecimento partilhado
Base comum entre interlocutores
Estrutura lógica
Organização hierárquica das ideias
Continuidade temática
Manutenção do tema central
Progressão semântica
Avanço informacional
Não-contradição
Compatibilidade entre as afirmações
A construção da coerência envolve processos cognitivos complexos, como inferências, ativação de conhecimentos 
prévios, identificação de relações implícitas e integração de informações. Estes processos permitem ao leitor preencher 
lacunas, estabelecer conexões não explicitadas e construir uma representação mental coerente do texto. Como destaca 
Marcuschi (2008), a coerência não está no texto, mas é construída a partir dele, numa atividade colaborativa entre autor e 
leitor.
É importante ressaltar que a coerência opera em diferentes níveis. A coerência local diz respeito às relações entre frases e 
parágrafos adjacentes, enquanto a coerência global refere-se à integração de todas as partes do texto em um todo 
significativo. Um texto pode apresentar coerência local, com conexões adequadas entre suas partes imediatas, mas falhar 
na construção de uma coerência global, se não conseguir integrar todas as partes em um sentido global consistente.
A relação entre coesão e coerência é complexa e multifacetada. A coesão, ao estabelecer conexões explícitas entre os 
elementos textuais, contribui para a construção da coerência, funcionando como um conjunto de pistas que orientam o 
leitor na interpretação. No entanto, um texto pode apresentar alta densidade de mecanismos coesivos e, ainda assim, ser 
incoerente, se as relações estabelecidas não contribuírem para a construção de um sentido global consistente. Da mesma 
forma, um texto pode apresentar

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