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Apendicite Aguda DR. Paulo Lisbôa Residente em cirurgia geral DEFINIÇÃO Inflamação do apêndice cecal, causada geralmente por obstrução luminal. Causa mais comum de AAI, uma das doenças mais comuns abordadas cirurgicamente. EPIDEMIOLOGIA Risco geral de desenvolvimento de apendicite agufda durante a vida: 6,7-8,6%, apresenta pequena predileção sexo pelo sexo masculino Incidência mais elevada na segunda década de vida Incomum dos 50 anos ANATOMIA O apêndice cecal faz parte do ceco, no intestino grosso. dimensões variáveis (3 a 35 cm de comprimento), mas em média 9cm de comprimento e 5mm de diâmetro Irrigado pela artéria apendicular Referência anatômica: Confluência das tênias, tendo base fixa com ponta variada. Retrocecal: 60% Subcecal 2% Em goteira parieticólica 0,4% Posição póstero-ileal 0,4% FISIOPATOLOGIA Obstrução da luz apendicular: fecalito, hiperplasia linfóide, áscaris, corpo estranho, Tu, apendicolito (fezes espessadas), matéria vegetal, sementes… Estase da secreção luminal: céls continuam secretando muco → distensão da parede do apêndice pelo excesso de secreção → ↑ tensão e pressão intraluminal ↑ Pressão intraluminal → edema de parede, trombose de pequenas veias → colabamento de vasos, causando vasoconstrição, comprometimento venoso e arterial Isquemia Necrose → Se inicia sempre da mucosa, passa para submucosa, muscular até atingir a serosa Perfuração: ocorre quando a serosa é atingida ( aprox. pós 48 horas de evolução) → irritação peritoneal, em geral há a formação de abscesso limitado pelo intestino delgado e pelo omento (plastrão) dor localizada em quadrante inferior direito Obstrução luminal apendicular → estase da secreção luminal → aumento da pressão intraluminal → compromete retorno venoso e suprimento arterial → isquemia → necrose → perfuração. QUADRO CLÍNICO Dor abdominal (>90%): Em geral, periumbilical, que posteriormente migra para FID, no ponto de McBurney, do tipo visceral. Anorexia e hiporexia (>90%) Náusea (90%)s e vômitos (75%) Febre ( 7mm…) TC - Esp 91 a 99% / Sens. 90 – 100% (VPP 92 – 98%) (> 7mm…) Laparoscópica DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL Crianças: intussuscepção, gastroenterites, divertículo de Meckel e linfadenite mesentérica Mulheres adultas: salpingite, ovulação dolorosa, endometriose pélvica, gestação ectópica rota, rotura ou torção de cisto ovariana. Homens adultos: orquiepididimite, torção de testículo e litíase ureteral. Outros: diverticulite de ceco, diverticulite de sigmoide redundante, doença de Crohn TRATAMENTO Apendicectomia é a primeira linha de tratamento Laparotômico – Específicas (Davis / Mc Burney) ou Infra-umbilical Mediana Laparoscópico Tratamento Conservador: Consiste no uso de antibioticoterapia, associado a repouso e jejum (↓ taxa de complicalções e tempo de internação/ ↓ taxa efetiva de tto ↑ taxa de recaída Risco desconhecido de recorrência a longo prazo ou outras complicações Utilizado para evitar cirurgia de emergência, evitara relativamente alta taxa de complicações da cirurgia emergencial. Tempo mais curto de internação, quando o paciente se nega a realizar o tratamento cirúrgico emergencial, TTO Conservador X Cirúrgico Meta-análise de estudos comparando o tratamento conservador com antibióticos e apendicectomia para apendicite aguda no adulto (2019) Seleção de 11 estudos totalizando 2.751 pacientes (conservador = 1.463, apendicectomia = 1.288) 5 ECR 3 Restropectivos de Coorte 3 Prospectivos de Coorte Foram analizados: Taxa Efetiva Global de Tratamento; Taxa de Complicações; Taxa de Reoperação e Tempo Total de Internação TRATAMENTO CONSERVADOR Estratégias antibióticas avaliadas: Cefotaxima 2g+ Tinidazol 0,8g EV 2d e Ofloxacino 200mg + Tinidazol 500mg por 8-10 dias VO (apendicectomia em 24h se refratariedade Cefatoxima 1g+ Metronidazol 1,5g EV 1d e Ciprofloxacino 500mg + Metronidazol 400mg 10d VO Cefalosporina + Metronidazol ou Imipenem EV e Cefalosporina + Metronidazol VO Clavulin 3g/d90kg EV ou VO 9 dias (apendicectomia se refratariedade em 24-48h) Cefuroxima 1,5 g + Metronidazol 500mg EV e Cefalexina 500mg + Metronidazol 500mg VO 7 dias (DPC se abscesso > 3 cm Ertapenem 1g EV 3d e Levofloxacino 500mg + Metronidazol 500mg VO 7d Drenagem percutânea PCD seletivamente, se não melhorar em 72h apendicectomia Alguns estudos utilizaram drenagem percutânea pós 24h – 72h de antibioticoterapia TRATAMENTO CONSERVADOR Taxa de efetividade global de tratamento: 82,8% (IC 95%: 77,2% ~ 88,2%) População não complicada 95,2% (IC 95%: 84,4% ~ 98,4%) População complicada 83,4% (IC 95%: 57,8% ~ 94,4%) Recaída no TTO (RCT): 74,1% (IC 95%: 66,4% ~ 82,2%). Redução significativa ao comparar o tto conservador com o cirúrgico Eficácia: Melhora definitiva dos sintomas, sem apendicectomia durante o período de seguimento. Com período de acompanhamento variando de 60 dias a 1 ano Taxa de complicações 10,3% (IC 95%: 8,5% ~ 12,6%). Não complicados: 3,5, (IC 95%: 1,9% ~ 6,1%) Complicado: 12,1, (IC 95%: 7,5% ~ 19,7%) RCT: 10,0, 95% (IC 7,5% ~ 13,1%.) TRATAMENTO CONSERVADOR Taxa de Recaída/Reoperação 5,6% (IC 95%: 3,1% ~ 10,2%) População não complicada 7,0,% (IC 95%: 2,3% ~ 19,7%) RCT 5,7 %, (IC 95%: 2,3% ~ 13,6%) Apendicectomia de emergência apresentou menores taxas de reoperação Taxa de Permanência 0,47 dias (IC 95%: 0,45 ~ 0,50 dias) Não complicados: 0,09 dias (IC 95%: 0,00 ~ 0,17 dias) Complicado: 0,39 dias (IC 95%: − 1,03 ~ 0,25 dias). RCT: 0,04 dias (IC 95%: − 0,03 ~ 0,05 dias) TRATAMENTO CONSERVADOR Fatores de interferência no tratamento clínico Glóbulos brancos PCR IMC Gravidade Tempo para dx e tto APENDICECTOMIA Principal esolha de tratamento devido a baixa mortalidade e baixa taxa de recrudescência e perfuração. Taxa de Efetividade de tratamento de 96,6% Taxa de complicações 18,4% As maiores taxas de efetividade do tratamento e menores taxas de reoperação devem ser consideradas juntamente com maiores taxas de complicações e internação hospitalar potencialmente mais longa. CONCLUSÃO O tratamento conservador tem alta eficiência, embora ainda pouco menor que a apendicectomia, mas apresenta significativamente menor taxa de complicações (12,6% VS 18,4%) e menor tempo de internação A apendicectomia de emergência apresenta maior taxa de efetividade de tratamento (96,6% VS 80,2%) e menor taxa de recaída ou reoperação O tratamento conservador pode ser temporário, seguido de apendicectomia eletiva tardia Esquema de Título e Objeto com Gráfico Série 1 Categoria 1 Categoria 2 Categoria 3 Categoria 4 4.3 2.5 3.5 4.5 Série 2 Categoria 1 Categoria 2 Categoria 3 Categoria 4 2.4 4.4000000000000004 1.8 2.8 Série 3 Categoria 1 Categoria 2 Categoria 3 Categoria 4 2 2 3 5 image1.jpeg image3.png image4.png image5.png image6.png Microsoft_Excel_Worksheet.xlsx Sheet1 Series 1 Series 2 Series 3 Category 1 4.3 2.4 2 Category 2 2.5 4.4 2 Category 3 3.5 1.8 3 Category 4 4.5 2.8 5 image2.png