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Calendários e o Tempo Maia
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História da Matemática ArtesArtes

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# Resumo da Dissertação: *Calendários e o tempo maia: uma análise baseada em fatores astronômicos e socioculturais* **Autora:** Carolina de Assis Costa Moreira **Instituição:** Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) **Programa:** Pós-graduação em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia **Ano:** 2016 ---## Introdução e Contextualização do TempoA dissertação de Carolina de Assis Costa Moreira aborda o conceito de tempo, um dos mais abstratos e complexos da existência humana, e sua relação com os calendários maias, explorando tanto fatores astronômicos quanto socioculturais. O tempo, embora universalmente percebido, é interpretado e estruturado de formas distintas em diferentes culturas, sendo moldado por fatores sociais, religiosos e econômicos. A autora destaca que, apesar da vasta literatura sobre os calendários maias, a maioria dos estudos foca na origem e funcionamento técnico desses sistemas, deixando de lado a contextualização cultural ampla que justifica suas especificidades.O trabalho inicia com uma reflexão filosófica sobre o tempo, apresentando as concepções clássicas de Platão, Aristóteles, Parmênides e Kant, que influenciaram a forma como o tempo é compreendido até hoje. Platão via o tempo como uma imagem móvel da eternidade, enquanto Aristóteles o relacionava diretamente ao movimento e à mudança, enfatizando que o tempo só existe na medida em que há um sujeito consciente para medi-lo. Parmênides, por sua vez, questionava a realidade do tempo, considerando-o uma construção mental, e Kant reforçava a ideia de que tempo e espaço são formas de organização da experiência humana, não realidades absolutas. A partir dessas bases filosóficas, a autora destaca a evolução do conceito de tempo, desde sua percepção subjetiva até sua mensuração objetiva na física moderna, que o trata como uma dimensão do universo, independente da consciência humana.## A Civilização Maia e seus CalendáriosA dissertação dedica uma parte significativa à história e cultura da civilização maia, que habitou a Mesoamérica e desenvolveu uma relação única e profunda com o tempo. Os maias criaram sistemas calendáricos complexos que permeavam todos os aspectos da vida social, religiosa e econômica, estabelecendo uma dependência cultural do tempo que é rara em outras sociedades. A autora detalha os principais calendários maias: o **Tzolkin**, o **Haab** e a **Conta Longa**, explicando suas estruturas, funções e inter-relações.- **Tzolkin**: calendário sagrado de 260 dias, menos conhecido e mais antigo, cuja origem é objeto de debate. A dissertação propõe uma nova hipótese para sua origem, baseada na análise conjunta de fatores astronômicos e socioculturais.- **Haab**: calendário solar de 365 dias, utilizado para atividades agrícolas e civis.- **Conta Longa**: sistema de contagem linear do tempo, que permitia registrar datas históricas e eventos importantes.Além disso, a autora explora a "Roda Sagrada" e os deuses-tempo, elementos que ilustram a interconexão entre o calendário, a religião e a visão cíclica do tempo na cultura maia. A série complementar, que inclui ciclos menores como o de 7 e 9 dias e a série lunar, também é analisada, mostrando a complexidade e a riqueza do sistema temporal maia.## Fatores Astronômicos, Religiosos e Socioculturais na Construção do Tempo MaiaUm dos pontos centrais da dissertação é a análise colaborativa entre astronomia, religião, agricultura e noção de historicidade na construção da concepção de tempo maia. A autora argumenta que a percepção maia do tempo não pode ser entendida apenas pela observação astronômica, mas deve ser contextualizada dentro de sua religiosidade e modo de vida.- **Astronomia Maia**: Os maias observavam cuidadosamente os movimentos celestes, especialmente os ciclos do Sol, da Lua e do planeta Vênus, que tinham grande importância simbólica e prática. O Códice de Dresden, por exemplo, registra detalhadamente as fases de Vênus, que influenciavam decisões políticas e rituais.- **Religião e Mitologia**: O Popol Vuh e o panteão maia revelam uma visão do tempo como cíclico e sagrado, onde o passado, presente e futuro se entrelaçam. Os deuses-tempo e as narrativas mitológicas reforçam a ideia de que o tempo é um elemento vivo, que rege a existência e a ordem cósmica.- **Agricultura e Subsistência**: A relação entre os calendários e o ciclo agrícola é fundamental. O Tzolkin, por exemplo, está associado a práticas agrícolas e rituais que garantem a fertilidade e a continuidade da vida. Observações lunares também orientavam o plantio e a colheita, demonstrando a integração entre conhecimento astronômico e necessidades práticas.A dissertação destaca que a historicidade maia, ou seja, a percepção do tempo como um ciclo que repete o passado no futuro, está intrinsecamente ligada à religiosidade e à organização social, criando uma temporalidade que difere da linearidade ocidental. Essa visão cíclica do tempo justifica a estrutura dos calendários e a ausência de aferição direta a ciclos naturais como o ano solar exato, pois o tempo maia é mais um tempo ritual e simbólico do que um tempo meramente astronômico.## Conclusões e ImplicaçõesCarolina de Assis Costa Moreira conclui que a compreensão dos calendários maias exige uma abordagem interdisciplinar que considere não apenas os aspectos astronômicos, mas também os fatores socioculturais, religiosos e econômicos que moldaram a concepção de tempo dessa civilização. A análise colaborativa desses elementos permite não só justificar as peculiaridades dos calendários maias, como também propor novas hipóteses para questões ainda em debate, como a origem do Tzolkin.A dissertação contribui para o campo da história das ciências e da epistemologia ao ampliar a compreensão do tempo como um conceito culturalmente construído, que se manifesta em sistemas complexos de registro temporal. Além disso, reforça a importância de contextualizar os conhecimentos astronômicos antigos dentro das práticas sociais e religiosas das culturas que os produziram, evitando interpretações reducionistas.Por fim, o estudo evidencia que o tempo, embora seja uma abstração universal, é vivido e compreendido de formas diversas, refletindo as particularidades de cada sociedade. No caso dos maias, o tempo é um elemento central que articula o cosmos, a história, a religião e a vida cotidiana, demonstrando a riqueza e a complexidade de sua civilização.---## Destaques- O tempo é um conceito abstrato e multifacetado, cuja percepção varia conforme fatores sociais, culturais e religiosos.- A civilização maia desenvolveu calendários complexos (Tzolkin, Haab, Conta Longa) que integravam astronomia, religião e agricultura.- A visão maia do tempo é cíclica, ligada à historicidade e à religiosidade, diferindo da concepção linear ocidental.- A dissertação propõe uma nova hipótese para a origem do Tzolkin, o calendário mais antigo e menos compreendido.- A análise interdisciplinar entre astronomia, sociocultura e religião é essencial para entender a concepção de tempo maia e seus sistemas calendáricos.

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