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Técnico em contabilidade
Processos fiscais
Introdução
Este conteúdo abordará os processos fiscais, um assunto bem complexo
no Brasil, já que o país é um dos mais burocráticos do mundo, com várias
legislações, alíquotas diferentes e muitas mudanças.
Os processos fiscais impactam o dia a dia dos profissionais da
contabilidade, principalmente aqueles que trabalham no departamento fiscal e
tributário, e não são tarefa simples.
Neste conhecimento, você estudará um pouco mais sobre os principais
pontos que envolvem esses processos fiscais, como os tipos de tributos, a
classificação no Código Fiscal de Operações e Prestações (CFOP), os tipos e
as características de documentos fiscais e não fiscais.
Conceito
Os processos fiscais nas empresas brasileiras são bem complexos, mas é
responsabilidade do contador que trabalha na área fiscal dominar todos eles,
já que as irregularidades fiscais acarretam um custo muito alto para as
empresas. É muito importante, assim, que as organizações estejam em dia com
todas as obrigações fiscais.
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Há alguns anos, os contadores realizavam as apurações e declarações
manualmente, mas, com o avanço da tecnologia, esses processos tornaram-se
mais rápidos e práticos. Hoje, tudo é digital, mas é preciso ter muito cuidado, já
que a falta de informações pode resultar em multas para a empresa.
Tipos de tributos
Segundo a Constituição Federal de 1988, as categorias de tributos
existentes são:
Impostos
Taxas
Contribuição de melhoria
Já o Supremo Tribunal Federal (STF) entende que os empréstimos
compulsórios e as contribuições sociais também fazem parte das categorias de
tributos, totalizando cinco espécies:
Impostos
Taxas
Contribuição de melhoria
Empréstimos compulsórios
Contribuições sociais
Os tributos são pagamentos obrigatórios e tem sua base de cálculo no
fator gerador, ou seja, uma situação que ocorreu e em virtude da qual o
contribuinte precisará realizar o pagamento.
As empresas são tributadas de várias formas sobre o lucro, o faturamento
e a folha de pagamento.
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Como você já deve ter aprendido, no Brasil existem quatro métodos para
calcular o Imposto de Renda sobre o lucro. São eles:
Simples Nacional
Lucro presumido
Real
Arbitrado
Os tributos variam de acordo com o regime tributário da empresa. Por
exemplo, se uma empresa for optante pelo Simples Nacional, ela terá de pagar
o DAS (documento de arrecadação do Simples Nacional), que é um documento
único. Caso a empresa opte pelo regime de lucro presumido, terá que recolher
PIS (Programa de Integração Social), Cofins (Contribuição para o Financiamento
da Seguridade Social), IRPJ (Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica) e
CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) para a Receita Federal.
Ao final da página inicial do site da Receita Federal, clicando em Assuntos
e, em seguida, Agenda Tributária, você terá acesso, nas opções Data de
Vencimento ou Download da Agenda Tributária, a todas as obrigações
tributárias das empresas, como tributos e declarações acessórias.
Por exemplo, quando você clicar em Data do Vencimento, aparecerá o
calendário do mês:
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Figura 1 – Calendário
Fonte: . Acesso em: 2 mar. 2022.
Na figura, os dias úteis estão pintados de azul e verde, mas somente os
que estão em verde têm obrigações para aquele dia. Se você clicar, por
exemplo, no dia 3, terá acesso a todos os tributos que vencem nesse dia.
Observe a imagem a seguir:
Figura 2 – Detalhamento calendário
Fonte: . Acesso em: 2
mar. 2022.
Aparecerão três colunas: a primeira com o “código do DARF”, a segunda
com a “Descrição do tributo/contribuição” e a terceira com o “Período do Fato
Gerador”.
Obs.: no dia 3 aparecem muitos tributos, mas neste caso foram
selecionados apenas os dois primeiros.
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Na primeira linha, do DARF 8053, consta o IRRF – Títulos de Renda Fixa –
Pessoa Física referente ao período de 21 a 30 de novembro de 2021, e, na
segunda linha, do DARF 3426, consta o IRRF – Títulos de Renda Fixa – Pessoa
Jurídica referente ao período de 21 a 30 de novembro de 2021.
Não se esqueça de acessar essa agenda tributária diariamente para que
não ocorram esquecimentos em relação aos tributos ou à entrega das
obrigações acessórias.
Classificação no CFOP
Neste curso, você já pôde conhecer um pouco sobre o CFOP e sua
importância nas operações fiscais das empresas. Como futuro técnico em
contabilidade, você poderá auxiliar nos processos financeiros das empresas,
como nas emissões de notas fiscais, por exemplo, mas, para isso, é preciso
conhecer quais códigos a empresa mais utiliza em seu dia a dia.
Lembre-se de que o pagamento dos impostos sobre as mercadorias é definido
pelo CFOP, que é formado por quatro dígitos e utilizado na emissão tanto de
notas fiscais eletrônicas quanto de outros documentos.
Existem mais de 500 códigos e também uma constante atualização destes.
Por isso, para ter acesso a todos, faça uma busca no site da Receita Estadual
do seu estado. Lá, você encontrará a tabela completa e a legislação aplicada.
Observe na imagem a seguir os itens da NF-e (nota fiscal eletrônica) de um
livro, comprado por uma pessoa física, na qual aparece grifado em amarelo o
CFOP 6108.
Figura 3 – Itens da nota fiscal
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O código 6108 refere-se à venda de mercadoria ao consumidor final, como
você pode ver no campo natureza da operação:
Figura 4 – Natureza da operação
Se você pesquisar esse código na tabela CFOP, encontrará o seguinte:
CFOP Descrição Origem/Destino
6108 – Venda
de mercadoria
adquirida ou
recebida de
terceiros,
destinada a não
contribuinte
Venda de mercadoria,
que foi comprada de
terceiros, para
comprador de outro
estado que não
contribui com ICMS.
Isento de ICMS, isso
não significa que não
possui Inscrição
Estadual.
Outro Estado
Tabela 1 – CFOP
Fonte: . Acesso em: 2 mar. 2022.
Neste exemplo, o CFOP começa com o número 6, o que significa que
ocorreu uma saída de mercadoria para outro estado, ou seja, nesse caso, um
livro foi vendido para outro estado.
Não esqueça de que o primeiro número sempre evidenciará o fato ocorrido,
por exemplo:
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1. Entradas do estado
2. Entradas de outros estados
3. Entradas do exterior
5. Saídas para o estado
6. Saídas para outros estados
7. Saídas para o exterior
Tipos e características de documentos fiscais e
não fiscais
Confira a seguir um detalhamento a respeito dos documentos fiscais e não
fiscais.
Documentos fiscais
Esses documentos comprovam a existência de um ato comercial. Veja
agora os documentos fiscais mais conhecidos:
Nota de débito
Corresponde a um comprovante de débito que a empresa solicita à
prestadora do serviço, para que seja feito o reembolso. Esse procedimento é
nomeado nota de débito.
A nota de débito é feita pela própria empresa, com o objetivo de efetuar a
cobrança de valores para os quais não exista nota fiscal. Esse formato de
documento não tem valor fiscal.
Cabe ressaltar que, obrigatoriamente, deverá existir uma nota fiscal referente ao
pagamento que originou a nota de débito. A nota de débito só terá valor fiscal se
acompanhada de uma nota fiscal.
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Recibo
Os recibos são muito conhecidos, pois nenhum valor pode sair da
tesouraria de uma empresa sem o devido comprovante indicando quem é o
responsável pelo recebimento. Paraesse controle existem os recibos, que
poderão ser documentos impressos, adquiridos em papelarias ou elaborados
pela própria empresa.
A nota fiscal comprova a compra e a venda de mercadorias ou serviços. O
recibo, por sua vez, comprova o recebimento pela venda ou compra dessas
mercadorias ou serviços.
O recibo é um documento que não tem o mesmo valor da nota fiscal, pois
não serve para a arrecadação de impostos destinados ao governo.
Por exemplo, quando uma empresa recebe as mercadorias que foram
compradas, o responsável pelo recebimento assinará o recibo, que virá junto à
nota fiscal.
Nota fiscal
A nota fiscal é um documento-base para o registro das operações de
compra e venda de mercadorias ou serviços. Sua emissão é necessária para
que o governo possa fiscalizar os negócios da empresa e determinar os valores
dos impostos a serem cobrados.
Atualmente, as empresas já estão obrigadas a emitir a NF-e, um
documento digital, emitido e armazenado eletronicamente, que tem o mesmo
objetivo de documentar as operações de circulação de mercadorias ou
prestação de serviços.
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Quando a NF-e é emitida, é preciso que seja emitido também o Danfe
(Documento Auxiliar da Nota Fiscal Eletrônica), que é uma representação
simplificada da NF-e. Ele tem muitas funções, sendo as principais acompanhar a
mercadoria em trânsito e conter a chave de acesso para consultar as
informações da NF-e. O Danfe deverá ser impresso antes da circulação de
qualquer mercadoria documentada por uma nota fiscal eletrônica.
Cupom fiscal
Na simples compra de pão francês, por exemplo, recebe-se como
comprovante do pagamento da despesa um cupom fiscal eletrônico (CF-e) ou
uma nota fiscal de consumidor eletrônica (NFC-e).
A NFC-e é uma melhoria do modo de controle fiscal no país, pois ela
substituiu não somente o cupom fiscal, mas a nota fiscal em papel, recebida
pelo consumidor quando uma compra é realizada.
Nesse novo modelo, o consumidor pode visualizar todos os detalhes do
cupom com a leitura de um QR code (um “código de resposta rápida”) por meio
de um smartphone ou no site da Secretaria da Fazenda.
Documentos não fiscais
São os documentos que não têm valor fiscal, ou seja, o Fisco não pode
cobrar impostos sobre eles. Servem para o controle interno da empresa, por
exemplo, planilhas, duplicatas etc. Observe agora alguns documentos não
fiscais muito utilizados nas empresas:
Planilhas de funcionários
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Além do software utilizado pelo departamento de recursos humanos, é
muito importante o uso de planilhas de gerenciamento, que podem ser
elaboradas no Excel.
As planilhas de funcionários servem para reunir e organizar dados dos
funcionários da empresa. Algumas informações, como nome, idade, admissão,
função e remuneração, constam nessa ferramenta. Esses registros servem para
gerenciar toda a movimentação mensal dos funcionários na empresa e agilizar o
trabalho do departamento de recursos humanos.
Como realizar planilhas de funcionários?
É possível encontrar uma diversidade de planilhas prontas na Internet.
Dessa forma, você pode pesquisar e escolher, entre elas, uma que sirva de
referência para a criação da sua própria tabela.
Veja algumas planilhas que poderão ser utilizadas pelo departamento de
pessoal:
Planilha de cálculo de férias
Essa planilha calcula o valor das férias do funcionário e o total líquido que
ele tem a receber.
Planilha de cálculo de salário líquido
Essa planilha calcula o valor do salário líquido do funcionário.
Planilha de cálculo de horas extras
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Essa planilha calcula a quantidade e o valor das horas extras do
funcionário.
Planilha ponto
Essa planilha controla a entrada e saída do funcionário na empresa.
Planilha completa
Essa planilha tem o controle completo de todas as informações referentes
aos funcionários da empresa.
Planilhas de clientes
É muito importante que as empresas tenham um controle de todos os seus
clientes, pois com um cadastro completo é possível conhecê-los e atendê-los
diferenciadamente, criando relacionamentos e gerando fidelização.
Clientes satisfeitos refletirão diretamente no valor que estarão dispostos a
pagar pelos produtos ou serviços.
Fatura
Como citado anteriormente, a nota fiscal é um documento exigido pelo
Fisco e emitido pela empresa que vende produtos, mercadorias ou serviços.
Essa venda é nomeada de faturamento, ou seja, tudo o que é vendido é
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faturado, quer seja à vista, quer seja a prazo. Esses produtos, mercadorias ou
serviços, na maioria das vezes, independentemente do modo como foram
vendidos, são acompanhados de uma fatura.
A fatura é um documento que relaciona as notas fiscais.
Quando a venda for a prazo, ou seja, para recebimentos futuros, a
empresa emitirá a duplicata.
Duplicata
É um título de crédito, ou seja, um documento que constitui a prova do
contrato de compra e venda. Quando uma empresa vende uma mercadoria ou
presta um serviço a prazo, a duplicata é emitida. Caso o comprador não realize
o pagamento, poderá ser protestado, ou seja, seu nome ficará negativado
(“sujo”) e somente poderá ser regularizado se a dívida for paga.
Nota promissória
A nota promissória é um título de crédito, ou seja, uma promessa de
pagamento, emitida pelo devedor e destinada à determinada pessoa. Retrata a
obrigação do pagamento, não necessitando destacar o motivo que lhe deu
origem, bastando o beneficiário verificar se o preenchimento está correto.
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Figura 5 – Nota promissória
Conheça agora outro documento não fiscal, semelhante à nota
promissória: a letra de câmbio.
Letra de câmbio
Enquanto a nota promissória é uma promessa de pagamento, a letra de
câmbio é uma ordem de pagamento, à vista ou a prazo, sendo criada por meio
de um ato chamado de saque.
Para a existência da letra de câmbio, é necessário o envolvimento de três
partes: o sacador, o sacado e o beneficiário.
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Figura 6 – Letra de câmbio
Em resumo, na letra de câmbio, o sacador é o devedor, que emite letras de
câmbio contra a instituição financeira. Essa instituição é, por sua vez, o sacado,
que aceita as letras e coloca-as no mercado. No vencimento, o beneficiário
resgata-as na financeira.
Encerramento
Todos os documentos são importantes e a maioria dos contadores faz uso
de todos eles para realizar os lançamentos contábeis. Para o cálculo de imposto
a pagar, porém, somente as notas fiscais, os cupons fiscais, as faturas e as
duplicatas, desde que acompanhadas da respectiva nota fiscal, são documentos
considerados para a contabilidade.
O objetivo deste material foi destacar a importância dos documentos para a
organização de uma empresa, em relação a toda movimentação financeira.
É muito importante você saber quais documentos têm valor fiscal, pois é
com base nesses documentos que a contabilidade fará o cálculo do imposto a
pagar.
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