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PNMA Descomplicada: Guia Prático da Lei nº 
6.938/1981 
Análise Didática e Esquematizada para Engenharia e Concursos da Área 
Ambiental 
 
Seja bem-vindo(a) ao Guia Prático da Política Nacional do Meio Ambiente 
(PNMA)! 
Este material foi desenvolvido com um objetivo claro: simplificar e acelerar o seu 
domínio sobre a Lei Federal nº 6.938/1981, a norma que fundamenta toda a 
legislação, o licenciamento e a gestão ambiental no Brasil. 
Projetado sob medida para estudantes e concurseiros da área ambiental que 
buscam otimizar o tempo de estudo sem renunciar ao rigor técnico, este guia traduz 
a lei de forma visual e direta, focando exatamente nos pontos de maior cobrança 
em provas e na prática profissional: 
• Objetivos Gerais e Princípios (Art. 2º) 
• Conceitos Fundamentais e Definições Legais (Art. 3º) 
• Objetivos Específicos (Art. 4º) 
• Os Instrumentos de Gestão Ambiental (Art. 9º) 
• A Estrutura do SISNAMA (Sistema Nacional do Meio Ambiente) (Art. 6°) 
• Licenciamento Ambiental e a Responsabilidade por dano (Art. 10° e 11°) 
Utilize este material para construir uma base sólida, revisar pontos críticos e evitar 
as principais pegadinhas cobradas pelas bancas examinadoras. Bons estudos! 
1. Objetivo Geral da PNMA e Princípios Orientadores (Art. 2º) 
O Artigo 2º estabelece a meta central de toda a Política Nacional do Meio 
Ambiente. O foco do Estado brasileiro é garantir a preservação, melhoria e 
recuperação da qualidade ambiental, propícia à vida, assegurando condições ao 
desenvolvimento socioeconômico, aos interesses da segurança nacional e à 
proteção da dignidade da vida humana. 
 Conceito-Chave: 
Trata-se da consolidação do princípio do Desenvolvimento Sustentável no 
ordenamento jurídico brasileiro (compatibilizar o crescimento econômico com o 
equilíbrio ecológico) bem antes da Constituição de 1988! 
Os 10 Princípios do Artigo 2º (Como a Lei orienta a ação) 
Para atingir seu objetivo geral, a PNMA orienta-se pelos seguintes princípios 
fundamentais: 
Inciso Princípio Fundamental Aplicação Prática / Foco 
I Ação governamental na 
manutenção do equilíbrio 
ecológico 
O Estado tem o dever indelegável 
de agir para proteger o meio 
ambiente como um bem de uso 
comum do povo. 
II Racionalização do uso do solo, 
do subsolo, da água e do ar 
Evitar o desperdício e a 
exploração predatória dos 
recursos naturais. 
III Planejamento e controle do uso 
dos recursos ambientais 
Uso de ferramentas de gestão 
(como licenciamento e 
zoneamento) antes de autorizar 
atividades. 
IV Proteção dos ecossistemas, 
com a preservação de áreas 
representativas 
Criação e manutenção de 
Unidades de Conservação e áreas 
protegidas. 
V Controle e zoneamento das 
atividades potencial ou 
efetivamente poluidoras 
Organização do território e 
imposição de limites 
operacionais para indústrias e 
empreendimentos. 
VI Incentivo ao estudo e à pesquisa 
de tecnologias voltadas para o 
uso racional e a proteção dos 
recursos 
Fomento à inovação, eficiência 
energética e tecnologias limpas. 
VII Acompanhamento do estado da 
qualidade ambiental 
Monitoramento constante (ex: 
redes de monitoramento de 
qualidade da água e do ar). 
VIII Recuperação de áreas 
degradadas 
Obrigação do causador do dano 
(ou do Estado) de reabilitar 
ecossistemas impactados. 
IX Proteção de áreas ameaçadas 
de degradação 
Atuação preventiva sobre áreas 
vulneráveis antes que o dano 
ocorra. 
X Educação ambiental em todos 
os níveis de ensino, inclusive a 
da comunidade 
Formação da consciência pública 
para a preservação do meio 
ambiente. 
 
 ATENÇÃO 
As bancas frequentemente tentam confundir os Princípios do Art. 2º com 
os Objetivos do Art. 4º. 
• Artigo 2º = O OBJETIVO GERAL + OS PRINCIPIOS DE ATUAÇÃO. (Associe a: 
Como o Estado deve pautar suas ações). 
• Artigo 4º = OS OBJETIVOS ESPECÍFICOS. (Associe a: O que a PNMA visará 
concretamente). 
2. Definições Legais Fundamentais (Art. 3º) 
O Artigo 3º funciona como o “glossário oficial” da legislação ambiental brasileira. 
Dominar a precisão desses termos é indispensável para a elaboração de laudos 
técnicos, projetos de engenharia e resolução de questões de concurso. 
Imagem 
Detalhamento das Definições (Art. 3º, Incisos I a V) 
I — Meio Ambiente 
"O conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e 
biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas." 
• Visão Prática & Crítica: O conceito legal brasileiro é amplo e holístico. Não 
se restringe aos elementos biológicos (fauna/flora) ou à preservação da vida 
humana. Ele integra o meio ambiente físico (natural), o construído (urbano) 
e o socioeconômico. 
II — Degradação da Qualidade Ambiental 
"A alteração adversa das características do meio ambiente." 
• Visão Prática & Crítica: É o gênero. Refere-se a qualquer modificação 
negativa no estado natural de um ecossistema ou recurso, seja por ação 
humana ou por fenômenos naturais graves. 
III — Poluição 
"A degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou 
indiretamente:" 
1. a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população; 
2. b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; 
3. c) afetem desfavoravelmente a biota (fauna e flora); 
4. d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente; 
5. e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais 
estabelecidos. 
• Visão Prática & Crítica: A poluição é a espécie qualificada da degradação. 
Note que a alínea "e" trata dos padrões de emissão e qualidade: limites 
técnicos de efluentes, emissões atmosféricas e ruídos fixados por órgãos 
normativos (como as Resoluções do CONAMA). Lançar efluente acima do 
limite legal estabelecido configura poluição por presunção da norma! 
IV — Poluidor 
"A pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, responsável, direta ou 
indiretamente, por atividade causadora de degradação ambiental." 
• Visão Prática & Crítica: Abrange tanto o poluidor direto (quem opera ou 
executa a atividade impactante) quanto o indireto (quem financia, autoriza 
de forma omissa ou se beneficia do empreendimento causador de 
degradação). Até o Poder Público pode se enquadrar como poluidor se for 
omisso no seu dever fiscalizatório! 
V — Recursos Ambientais 
"A atmosfera, as águas interiores, superficiais e subterrâneas, os estuários, o mar 
territorial, o solo, o subsolo, a biosfera, a fauna e a flora." 
 QUADRO DE FIXAÇÃO: DEGRADAÇÃO vs. POLUIÇÃO 
Conceito Amplitude Origem Exemplo Prático 
Degradação Gênero 
(Amplo) 
Humana ou Natural Erosão natural severa de 
encosta provocada por 
chuva atípica. 
Poluição Espécie 
(Restrito) 
Decorrente de 
atividade 
humana/antrópica 
Descarte de esgoto 
sanitário sem tratamento 
em corpo hídrico (violação 
dos padrões da Res. 
CONAMA 357). 
 
 Regra Prática de Memorização: 
- Toda poluição é degradação, nem toda degradação é poluição. 
3. Os Instrumentos da PNMA (Artigo 9º) 
O Artigo 9º detalha o “arsenal” de ferramentas que o Estado e os gestores utilizam 
para fazer a Política Nacional do Meio Ambiente acontecer na prática. É um dos 
tópicos mais cobrados em provas e concursos da área ambiental. 
I — O estabelecimento de padrões de qualidade ambiental 
Definição dos limites e condições do meio ambiente necessários para garantir a 
saúde pública e o equilíbrio dos ecossistemas. 
 Visão Prática & Crítica: 
A importância deste instrumento reside na tradução do texto legal em definições 
quantitativas técnicas. Esses parâmetros são fundamentais para que órgãos 
ambientais e engenheiros saibam exatamente qual é o nível de preservação 
exigido. No Brasil, esses padrões são estabelecidos normativamente 
pelo CONAMA, com base em pareceres de profissionais qualificados em suas 
Câmaras Técnicas. Este instrumento é o alicerce para garantir, por exemplo, 
o oferecimento de água de qualidade para o abastecimento da população, servindo 
de parâmetro para o enquadramentodos corpos d’água e dimensionamento de 
sistemas de tratamento. 
II — O zoneamento ambiental 
Organização do território com o objetivo de compatibilizar o desenvolvimento 
socioeconômico com a conservação ambiental. 
 Visão Prática & Crítica: 
A importância do Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) está em evitar o uso 
desordenado do solo por meio do planejamento territorial preventivo. Ele 
estabelece as aptidões, limitações e vulnerabilidades de cada região, orientando 
onde a atividade agrícola, industrial ou de preservação deve ocorrer. Para a 
engenharia, é a ferramenta que direciona a viabilidade locacional de novos projetos 
antes mesmo de qualquer investimento financeiro. 
III — A avaliação de impactos ambientais 
Procedimento técnico-científico preventivo para analisar a viabilidade de 
empreendimentos potencialmente causadores de significativa degradação. 
 Visão Prática & Crítica: 
Este instrumento traz a ciência e a engenharia para o centro da tomada de decisão 
jurídica. Sua importância reside na aplicação do Princípio da Prevenção, 
permitindo identificar, mensurar e propor medidas mitigatórias e compensatórias 
aos impactos ambientais de grande porte (através do EIA/RIMA) antes que o dano 
ocorra, evitando passivos ambientais irreversíveis. 
IV — O licenciamento e a revisão de atividades efetiva ou potencialmente 
poluidoras 
Procedimento administrativo obrigatório para localização, instalação, ampliação e 
operação de empreendimentos que utilizam recursos ambientais. 
 Visão Prática & Crítica: 
É o principal instrumento de controle prévio e operacional do Estado sobre o setor 
produtivo. Sua relevância prática consiste em condicionar o funcionamento das 
atividades econômicas ao cumprimento de exigências técnicas e ambientais 
(Licenças LP, LI e LO), garantindo que os padrões estabelecidos pelo CONAMA 
sejam respeitados ao longo de todo o ciclo de vida do empreendimento. 
V — Os incentivos à produção e instalação de equipamentos e a criação ou 
absorção de tecnologia, voltados para a melhoria da qualidade ambiental 
Mecanismos de fomento e incentivos fiscais/financeiros para a adoção de 
tecnologias limpas e redução de emissões. 
 Visão Prática & Crítica: 
Representa a transição de um modelo meramente punitivo para um modelo de 
fomento econômico. Sua importância está em estimular a inovação tecnológica na 
engenharia (como eficiência energética, produção mais limpa e reuso de 
efluentes), tornando a adequação ambiental um diferencial competitivo atraente 
para as indústrias, e não apenas um custo regulatório. 
VI — A criação de espaços territoriais especialmente protegidos pelo Poder 
Público federal, estadual e municipal, tais como áreas de proteção ambiental, 
de relevante interesse ecológico e reservas extrativistas 
Delimitação e instituição de áreas sob regime especial de proteção. 
 Visão Prática & Crítica: 
Sua importância fundamental é a proteção in situ da biodiversidade e dos serviços 
ecossistêmicos. Ao isolar áreas de alta relevância ecológica (como mananciais e 
áreas de recarga de aquíferos), garante-se a preservação do patrimônio genético, a 
manutenção do regime hídrico e a proteção do solo contra processos erosivos 
graves. 
VII — O sistema nacional de informações sobre o meio ambiente (SINIMA) 
Rede integrada de gestão de dados e informações ambientais para apoiar a tomada 
de decisões e políticas públicas. 
 Visão Prática & Crítica: 
A relevância deste instrumento (SINIMA) é garantir que a gestão pública e os 
projetos de engenharia sejam pautados em dados técnicos confiáveis e 
centralizados. Um sistema de informação abrangente permite o monitoramento 
contínuo da qualidade ambiental, subsidia pareceres técnicos rigorosos e confere 
transparência às estatísticas do setor. 
VIII — O Cadastro Técnico Federal de Atividades e Instrumentos de Defesa 
Ambiental 
Registro obrigatório junto ao IBAMA para pessoas físicas ou jurídicas que prestam 
serviços de consultoria e projetos na área ambiental. 
 Visão Prática & Crítica: 
Funciona como um filtro de qualificação e responsabilidade 
profissional (CTF/AIDA). Sua importância reside no mapeamento e controle dos 
responsáveis técnicos (engenheiros, consultores e empresas) que elaboram 
estudos ambientais, garantindo a responsabilização ética e legal pelas 
informações prestadas aos órgãos ambientais. 
IX — As penalidades disciplinares ou compensatórias ao não cumprimento das 
medidas necessárias à preservação ou correção da degradação ambiental 
Aplicação de sanções administrativas (multas, embargos, suspensão de 
atividades) e obrigação de reparação do dano ao meio ambiente. 
 Visão Prática & Crítica: 
Este instrumento garante a efetividade coercitiva da legislação ambiental (Princípio 
do Poluidor-Pagador). Sua importância é desestimular a desconformidade legal ao 
tornar o descumprimento das normas financeiramente e operacionalmente 
inviável, forçando a adoção de medidas corretivas imediatas e a restauração de 
áreas degradadas. 
X — A instituição do Relatório de Qualidade do Meio Ambiente, a ser divulgado 
anualmente pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais 
Renováveis - IBAMA 
Documento anual elaborado e divulgado pelo IBAMA que sintetiza o estado e as 
tendências da qualidade ambiental no país. 
 Visão Prática & Crítica: 
Trata-se do balanço de diagnóstico ambiental da nação. Sua relevância é fornecer 
um panorama macroscópico periódico, permitindo avaliar se as políticas públicas 
adotadas estão sendo eficientes ou se há necessidade de revisão dos padrões de 
emissão e das diretrizes de fiscalização. 
XI — A garantia da prestação de informações relativas ao Meio Ambiente, 
obrigando-se o Poder Público a produzi-las, quando inexistentes 
Dever do Poder Público de garantir o acesso livre do cidadão aos dados ambientais 
e produzi-los de forma transparente. 
 Visão Prática & Crítica: 
Consolida o Princípio da Transparência e do Controle Social. A importância deste 
instrumento é permitir que a sociedade civil, órgãos de classe e a comunidade 
acadêmica fiscalizem o licenciamento ambiental e cobrem do Estado ações 
concretas com base no livre acesso a laudos, dados de monitoramento e decisões 
administrativas. 
XII — O Cadastro Técnico Federal de atividades potencialmente poluidoras 
e/ou utilizadoras dos recursos ambientais 
Registro obrigatório de empreendimentos e atividades que utilizam recursos 
ambientais ou causam impacto (base para a TCFA). 
 Visão Prática & Crítica: 
É a ferramenta essencial para o mapeamento do parque industrial e produtivo do 
país. Sua importância prática está no controle fiscalizatório do IBAMA e dos órgãos 
estaduais, servindo como base para a cobrança da Taxa de Controle e Fiscalização 
Ambiental (TCFA) e para o rastreamento das fontes poluidoras operantes. 
XIII — Instrumentos econômicos, como concessão florestal, servidão 
ambiental, seguro ambiental e outros 
Uso de mecanismos de mercado e incentivos econômicos para premiar a 
preservação ou mitigar riscos de acidentes ambientais. 
 Visão Prática & Crítica: 
Representa a integração entre a economia de mercado e a sustentabilidade. Sua 
importância é transformar a conservação ambiental em um ativo econômico 
rentável (como no Pagamento por Serviços Ambientais - PSA e servidão ambiental) 
e garantir fundos de indenização rápida em casos de desastres por meio de seguros 
obrigatórios para grandes obras. 
4. Estrutura do SISNAMA (Artigo 6º) 
O Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA) é a rede de órgãos e entidades 
da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios encarregada de gerir a 
proteção ambiental no Brasil. 
 
 ATENÇÃO PARA PROVAS E PRÁTICA: A estrutura do SISNAMA não representa 
uma hierarquia de subordinação administrativa, mas sim uma divisão de 
competências funcionais e de articulação federativa. O Ministério do Meio 
Ambiente não é “chefe” do CONAMA, assim como o IBAMAnão manda nas 
Secretarias Estaduais de Meio Ambiente. 
 
Detalhamento dos Níveis do SISNAMA 
I — Órgão Superior: Conselho de Governo 
• Função: Assessorar o Presidente da República na formulação da política 
nacional e diretrizes governamentais para o meio ambiente. 
II — Órgão Consultivo e Deliberativo: CONAMA 
• Função: Assessorar o Conselho de Governo e deliberar sobre normas e 
padrões ambientais (expede as famosas Resoluções CONAMA). 
III — Órgão Central: Ministério do Meio Ambiente (MMA) (na lei consta 
Secretaria do Meio Ambiente) 
• Função: Planejar, coordenar, supervisionar e controlar a política nacional e 
as diretrizes fixadas para o meio ambiente. 
IV — Órgãos Executores: IBAMA e ICMBio 
• Função: Executar e fazer executar a política e as diretrizes governamentais 
fixadas para o meio ambiente. 
V — Órgãos Seccionais: Órgãos ou Entidades Estaduais 
• Função: Execução de programas, projetos e o controle e fiscalização de 
atividades degradadoras no âmbito estadual (ex: FEAM, INEA, CETESB, IAT). 
VI — Órgãos Locais: Órgãos ou Entidades Municipais 
• Função: Controle e fiscalização dessas atividades nas suas respectivas 
jurisdições (ex: Secretarias Municipais de Meio Ambiente). 
 Visão Prática & Crítica: A grande pegadinha de prova é confundir o Órgão 
Central (MMA) com os Executores (IBAMA/ICMBio). O Ministério formula, planeja 
e coordena; quem vai a campo fiscalizar, licenciar em âmbito federal e aplicar 
autuações são os órgãos executores. 
5. Licenciamento Ambiental e Responsabilidade por Dano Ambiental 
Neste módulo, vamos entender como o Estado controla preventivamente os 
empreendimentos e como a lei cobra a conta quando ocorre alguma degradação 
no meio ambiente. 
5.1. O Licenciamento e as Competências (Artigos 10 e 11) 
O Artigo 10 determina que qualquer atividade que use recursos naturais ou possa 
causar poluição/degradação precisa de autorização antes de ser construída, 
instalada, ampliada ou colocada para funcionar. 
Texto do Art. 10 (Caput): 
“A construção, instalação, ampliação e funcionamento de estabelecimentos e 
atividades utilizadores de recursos ambientais, efetiva ou potencialmente 
poluidores ou capazes, sob qualquer forma, de causar degradação ambiental 
dependerão de prévio licenciamento ambiental.” 
O Passo a Passo das Licenças (Tríplice Fase): 
1. Licença Prévia (LP): Concedida ainda no papel (fase de planejamento). 
Atesta se o local escolhido é viável do ponto de vista ambiental. 
2. Licença de Instalação (LI): Libera o início do canteiro de obras e a 
montagem da estrutura conforme as exigências aprovadas. 
3. Licença de Operação (LO): Autoriza o empreendimento a ligar as máquinas 
e começar a funcionar, após o órgão checar se tudo foi construído direito. 
O Papel do IBAMA e do CONAMA no Licenciamento (Artigo 11): 
O Artigo 11 distribui as tarefas normativas e de acompanhamento dentro do 
sistema: 
Texto do Art. 11 (Caput): 
“Compete ao IBAMA propor ao CONAMA normas e critérios para implantação, 
acompanhamento e fiscalização do licenciamento previsto no artigo anterior, além 
das que forem oriundas do próprio CONAMA.” 
• Proposição Técnica (IBAMA): O IBAMA estuda a prática de campo e sugere 
as regras técnicas de licenciamento. 
• Regulamentação Geral (CONAMA): O CONAMA aprova as diretrizes 
normativas que valerão para os licenciamentos no país. 
• Análise de Projetos de Recuperação (§ 2º): O controle e a fiscalização 
também englobam analisar projetos públicos ou privados que busquem 
recuperar áreas que foram destruídas ou poluídas. 
 Visão Prática & Crítica: 
O licenciamento não acaba quando a licença é emitida. As licenças vêm cheias 
de condicionantes — obrigações técnicas diárias que o engenheiro precisa 
monitorar (como tratamento de efluentes e gestão de resíduos). 
 Fique Atento: Hoje, a divisão exata de quem licencia o quê (se é o Município, o 
Estado ou a União/IBAMA) é regida pela Lei Complementar nº 140/2011, que 
evitou a cobrança de duplas licenças para uma mesma obra. 
5.2. Causou Dano? A Conta Chega! (Artigo 14, § 1º) 
Se o licenciamento é a prevenção, o Artigo 14, § 1º é a cobrança. Ele traz a regra de 
ouro da responsabilidade ambiental no Brasil: a responsabilidade civil objetiva. 
Texto do Art. 14, § 1º: 
“Sem obstar a aplicação das penalidades previstas neste artigo, é o poluidor 
obrigado, independentemente da existência de culpa, a indenizar ou reparar os 
danos causados ao meio ambiente e a terceiros, afetados por sua atividade…” 
Descomplicando a Responsabilidade Objetiva: 
Para a lei ambiental, não importa se você teve intenção de poluir ou se foi sem 
querer. Não se discute se houve negligência, imprudência ou imperícia. 
Para que o poluidor seja obrigado a pagar o prejuízo, o Ministério Público ou o 
afetado só precisa provar 3 coisas básicas: 
 
1. A Atividade: O empreendimento estava em operação. 
2. O Dano: Ocorreu um vazamento, contaminação do solo, mortandade de 
peixes ou outro prejuízo. 
3. O Nexo: O dano veio diretamente daquela atividade. 
As Duas Formas de Pagar a Conta: 
• Reparar (Pagar em Ação): Recuperar a área degradada até ela voltar ao 
estado original (reflorestar, descontaminar a água, etc.). 
• Indenizar (Pagar em Dinheiro): Pagar pelos prejuízos que não podem ser 
consertados ou pelos danos causados à comunidade e a terceiros. 
 Visão Prática & Crítica: Essa regra faz com que o gerenciamento de riscos 
ambientais seja vital nas empresas. Argumentos como “mas minha licença estava 
em dia”, “foi um acidente que ninguém previa” ou “seguimos o projeto do 
engenheiro” não livram a empresa do dever de pagar e recuperar o estrago. 
 PEGADINHA DE PROVA (As 3 Punições Simultâneas): O mesmo acidente 
ambiental pode fazer a empresa responder nas três esferas ao mesmo tempo: 
1. Administrativa: Paga multa pro IBAMA/Órgão Estadual. 
2. Civil: Limpa a área contaminada e indeniza os vizinhos (§ 1º). 
3. Penal: Os responsáveis respondem por crime ambiental (Lei nº 9.605/98).

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