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DIREITO PENAL — Apostila para Concursos Públicos | Prof. Jimmy Peterson | beacons.ai/jimmypetersondivulgacoes 
Apostila de Direito Penal | Prof. Jimmy Peterson | beacons.ai/jimmypetersondivulgacoes 
 
DIREITO PENAL 
Parte Geral e Parte Especial 
 
Apostila para Concursos Públicos 
Baseada no Decreto-Lei n.º 2.848/1940 (Código Penal) 
Professor Jimmy Peterson 
Professor | Advogado | Mestrando em Estudos Jurídicos | beacons.ai/jimmypetersondivulgacoes 
 
DIREITO PENAL — Apostila para Concursos Públicos | Prof. Jimmy Peterson | beacons.ai/jimmypetersondivulgacoes 
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 APRESENTAÇÃO 
Esta apostila foi desenvolvida para candidatos que se preparam para concursos públicos em 
nível médio e superior, abrangendo toda a matéria de Direito Penal exigida nas provas. O 
conteúdo está organizado de forma progressiva, partindo dos fundamentos da Parte Geral até os 
crimes em espécie da Parte Especial. 
 
A linguagem é objetiva e didática, com quadros comparativos, mapas conceituais, tabelas, 
exemplos práticos e questões comentadas. Cada tema traz destaques de jurisprudência do 
STF e STJ, fundamentais para gabaritar as provas contemporâneas. 
 
 COMO USAR ESTA APOSTILA 
Leia o conteúdo teórico antes de resolver exercícios. 
Preste atenção especial aos quadros 'ATENÇÃO' — eles trazem as pegadinhas mais 
comuns. 
As tabelas comparativas são ótimas para revisão rápida. 
Anote os artigos do Código Penal indicados ao longo do texto. 
 
 
DIREITO PENAL — Apostila para Concursos Públicos | Prof. Jimmy Peterson | beacons.ai/jimmypetersondivulgacoes 
Apostila de Direito Penal | Prof. Jimmy Peterson | beacons.ai/jimmypetersondivulgacoes 
 CAPÍTULO 1 — INTRODUÇÃO AO DIREITO PENAL 
1.1 Conceito e Finalidade 
Direito Penal é o ramo do Direito Público que define as infrações penais (crimes e 
contravenções), comina as respectivas sanções (penas e medidas de segurança) e estabelece 
os princípios que regem sua aplicação. 
 
 CONCEITO SINTÉTICO 
Direito Penal = conjunto de normas jurídicas que define crimes e contravenções penais, 
estabelece as penas cabíveis e fixa as regras para sua aplicação. 
 
1.1.1 Funções do Direito Penal 
• Proteção de bens jurídicos fundamentais (vida, integridade física, patrimônio, etc.) 
• Controle social por meio da ameaça da pena (prevenção geral) 
• Ressocialização do condenado (prevenção especial) 
• Garantia ao indivíduo contra arbitrariedades do Estado (função de garantia) 
 
1.2 Princípios Fundamentais 
Os princípios são o alicerce do Direito Penal. As bancas de concurso cobram tanto o enunciado 
dos princípios quanto sua aplicação prática. Veja os mais importantes: 
 
1.2.1 Princípio da Legalidade (art. 1.º do CP) 
 Art. 1.º do Código Penal 
"Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia cominação legal." 
 
O princípio da legalidade desdobra-se em quatro garantias fundamentais, expressas por 
brocardos em latim: 
 
Brocardo Significado 
Lex scripta A lei penal deve ser escrita (proibição de costume incriminador) 
Lex stricta Interpretação estrita; vedada a analogia in malam partem 
Lex certa A lei deve ser precisa, clara e determinada (taxatividade) 
Lex praevia A lei deve ser anterior ao fato (irretroatividade da lei mais grave) 
 
 ATENÇÃO — PEGADINHA FREQUENTE 
O princípio da legalidade admite analogia IN BONAM PARTEM (em favor do réu), mas proíbe 
analogia IN MALAM PARTEM (que prejudique o réu). Questões de concurso costumam 
trocar as expressões. 
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1.2.2 Princípio da Anterioridade 
Complementa a legalidade: além de a lei dever ser escrita, ela deve ser anterior ao fato praticado. 
Sem lei prévia, não há crime nem pena. 
 
1.2.3 Princípio da Retroatividade da Lei Mais Benéfica (art. 2.º do CP) 
 Art. 2.º, parágrafo único do Código Penal 
"A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos fatos anteriores, 
ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado." 
 
A lei penal, como regra, não retroage. A exceção existe apenas para beneficiar o réu. Veja o 
esquema: 
 
Situação Retroage? 
Lei mais grave (novatio legis incriminadora) NÃO 
Lei mais grave (novatio legis in pejus) NÃO 
Lei mais branda (novatio legis in mellius) SIM 
Abolitio criminis (lei que descriminaliza) SIM — extingue punibilidade 
 
 ABOLITIO CRIMINIS 
Ocorre quando lei posterior deixa de considerar crime determinado fato. Efeito: cessam a 
execução e todos os efeitos PENAIS da sentença condenatória. Os efeitos CIVIS (como 
indenização) subsistem. 
 
1.2.4 Lei Excepcional ou Temporária (art. 3.º do CP) 
São leis com prazo de vigência predeterminado (temporárias) ou vigentes enquanto durarem 
circunstâncias excepcionais (de guerra, calamidade etc.). Característica especial: 
 
 ULTRATIVIDADE DA LEI EXCEPCIONAL OU TEMPORÁRIA 
Mesmo após encerrada sua vigência, a lei excepcional ou temporária aplica-se aos fatos 
praticados durante seu período de vigência. É a chamada ULTRATIVIDADE — exceção à 
regra da retroatividade benéfica. 
 
1.2.5 Outros Princípios Essenciais 
 
Princípio Conteúdo Resumido 
Intervenção Mínima (Ultima 
Ratio) 
O DP só deve atuar quando os demais ramos do Direito forem 
insuficientes para proteger o bem jurídico 
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Fragmentariedade Nem toda lesão a bem jurídico é crime; o DP protege apenas as 
lesões mais graves 
Lesividade / Ofensividade Não há crime sem lesão ou perigo de lesão a bem jurídico alheio 
Culpabilidade Não há pena sem culpa; veda-se responsabilidade penal objetiva 
Humanidade Veda penas cruéis, degradantes ou de caráter perpétuo 
Proporcionalidade A pena deve ser proporcional à gravidade do crime e à 
culpabilidade do agente 
Insignificância (Bagatela) Condutas que produzem lesão ínfima ao bem jurídico não 
merecem sanção penal 
Pessoalidade 
(Intransmissibilidade) 
A pena não pode passar da pessoa do condenado (art. 5.º, XLV, 
CF/88) 
 
 PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA — REQUISITOS DO STF 
O STF exige a presença CUMULATIVA de quatro vetores: 
1. Mínima ofensividade da conduta; 
2. Nenhuma periculosidade social da ação; 
3. Reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento; 
4. Inexpressividade da lesão jurídica provocada. 
 
 
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 CAPÍTULO 2 — APLICAÇÃO DA LEI PENAL NO ESPAÇO 
2.1 Territorialidade (art. 5.º do CP) 
A regra é a territorialidade temperada: aplica-se a lei brasileira aos crimes cometidos no 
território nacional, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de Direito Internacional. 
 
 TERRITÓRIO NACIONAL — CONCEITO JURÍDICO 
Território real: espaço terrestre, aéreo e marítimo submetido à soberania brasileira. 
Território por extensão (ficção jurídica): embarcações e aeronaves brasileiras públicas ou a 
serviço do governo, onde quer que se encontrem; embarcações e aeronaves brasileiras 
privadas em alto-mar ou espaço aéreo correspondente. 
 
2.2 Extraterritorialidade (art. 7.º do CP) 
Em determinados casos, a lei brasileira alcança crimes praticados fora do Brasil. Há dois regimes: 
 
Tipo Hipóteses (art. 7.º) Condições 
Extraterritorialidade 
INCONDICIONADA (§1.º) 
Crimes contra a vida/liberdade do 
Presidente da República; contra o 
patrimônio/fé pública da União; contra a 
Adm. Pública por quem está a seu 
serviço; genocídio (agente brasileiro ou 
domiciliado no Brasil) 
NENHUMA — o agenteé 
punido ainda que absolvido 
ou condenado no 
estrangeiro 
Extraterritorialidade 
CONDICIONADA (§2.º) 
Crimes que o Brasil se obrigou a reprimir 
(tratados); praticados por brasileiro; 
praticados em aeronave/embarcação 
brasileira privada no exterior e aí não 
julgados 
Cumulativas: entrar no BR 
+ ser punível no país de 
origem + estar entre crimes 
que admitem extradição + 
não ter sido 
absolvido/cumprido pena lá 
 
 PENA CUMPRIDA NO ESTRANGEIRO — art. 8.º do CP 
A pena cumprida no exterior ATENUA a pena imposta no Brasil (se diversas) ou nela é 
COMPUTADA (se idênticas). Nunca é simplesmente ignorada. 
 
2.3 Lugar do Crime — Teoria da Ubiquidade (art. 6.º) 
 Art. 6.º do Código Penal 
"Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em 
parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado." 
 
O CP adota a Teoria da Ubiquidade (ou mista) para o lugar do crime: considera-se praticado 
tanto no local da ação/omissão quanto no local do resultado (ou onde deveria produzir-se). 
Contraste com o tempo do crime: 
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Tema Regra Teoria Adotada 
LUGAR do crime (art. 6.º) Lugar da ação OU do resultado Ubiquidade (mista) 
TEMPO do crime (art. 4.º) Momento da ação ou omissão Atividade 
 
 
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 CAPÍTULO 3 — TEORIA DO CRIME 
3.1 Conceito Analítico de Crime 
O conceito analítico de crime é o mais cobrado em concursos. A doutrina majoritária (e adotada 
pelo CP) utiliza a teoria tripartida: crime é fato típico, ilícito (antijurídico) e culpável. 
 
Corrente Elementos do Crime Observação 
Bipartida Fato típico + Ilicitude Culpabilidade é pressuposto de 
aplicação da pena; adotada por 
alguns doutrinadores 
Tripartida 
(majoritária) 
Fato típico + Ilicitude + Culpabilidade Adotada pelo CP e pela maioria da 
doutrina 
Quadripartida Fato típico + Ilicitude + Culpabilidade 
+ Punibilidade 
Posição minoritária 
 
3.2 Fato Típico 
3.2.1 Elementos do Fato Típico 
• Conduta (ação ou omissão dolosa ou culposa) 
• Resultado (nos crimes materiais) 
• Nexo de causalidade entre conduta e resultado 
• Tipicidade (adequação do fato à norma penal) 
 
3.2.2 Relação de Causalidade — art. 13 do CP 
 Art. 13 do Código Penal — Teoria da Equivalência dos Antecedentes 
"O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu 
causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido." 
 
O CP adota a Teoria da Equivalência dos Antecedentes Causais (conditio sine qua non): 
causa é toda condição sem a qual o resultado não teria ocorrido. Para verificar se determinado 
fato é causa, utiliza-se o método hipotético de eliminação de Thyrén: elimina-se mentalmente 
o fato — se o resultado desaparecer, é causa; se persistir, não é causa. 
 
 CAUSA SUPERVENIENTE RELATIVAMENTE INDEPENDENTE — §1.º do art. 13 
Quando uma causa superveniente, relativamente independente da conduta do agente, POR 
SI SÓ produz o resultado, exclui-se a imputação do resultado ao agente. Ele responde 
apenas pelos atos praticados. 
 
EXEMPLO CLÁSSICO: Agente dispara contra a vítima, causando ferimento leve. A vítima é 
transportada de ambulância e morre em acidente do veículo. O agente NÃO responde pela 
morte (causa estranha à linha de desdobramento causal normal), mas responde pela 
tentativa de homicídio. 
 
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3.2.3 Omissão Penalmente Relevante — §2.º do art. 13 
A omissão só gera responsabilidade penal quando o omitente tinha o DEVER de agir. Esse dever 
incumbe a: 
 
1. Quem tiver, por lei, obrigação de cuidado, proteção ou vigilância (ex.: pais em relação 
aos filhos; bombeiros; policiais) 
2. Quem assumiu a responsabilidade de impedir o resultado (ex.: babá contratada; guia de 
montanha) 
3. Quem, com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado 
(ingerência) 
 
 GARANTE OU GARANTIDOR 
O sujeito que tem o dever jurídico de agir para evitar o resultado é chamado de 
GARANTIDOR. A omissão do garantidor equipara-se à ação para fins penais. Trata-se dos 
chamados crimes omissivos impróprios (comissivos por omissão). 
 
3.3 Consumação e Tentativa (art. 14 do CP) 
 
Modalidade Conceito Pena 
Crime Consumado Reunidos todos os elementos da definição 
legal do crime 
Integral 
Tentativa (conatus) Iniciada a execução, não se consuma por 
circunstâncias alheias à vontade do agente 
Pena do crime consumado 
reduzida de 1/3 a 2/3 
Tentativa Branca / 
Incruenta 
Tentativa em que a vítima não é atingida Idem — maior redução 
Tentativa Vermelha / 
Cruenta 
Tentativa em que a vítima é atingida, mas 
não morre 
Idem — menor redução 
 
 CRIMES QUE NÃO ADMITEM TENTATIVA (mnemônico: CHUPA CULPA) 
C — Contravenções penais 
H — Habituais (exigem reiteração de atos) 
U — Unissubsistentes (praticados em um único ato) 
P — Preterdolosos (dolo no antecedente + culpa no consequente) 
A — Abandonados voluntariamente (desistência voluntária) 
CULPA — Crimes culposos (salvo raríssima exceção doutrinária) 
 
3.4 Desistência Voluntária e Arrependimento Eficaz (art. 15) 
Também chamados de "ponte de ouro" — institutos que beneficiam o agente que evita a 
consumação do crime: 
 
Instituto Quando ocorre Efeito 
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Desistência Voluntária O agente, podendo prosseguir na 
execução, abandona-a voluntariamente 
Responde apenas pelos 
atos já praticados 
Arrependimento Eficaz O agente já esgotou os atos de 
execução, mas impede o resultado (ex.: 
dá antídoto) 
Responde apenas pelos 
atos já praticados 
Tentativa (art. 14, II) O agente não consuma por 
circunstâncias ALHEIAS à sua vontade 
Responde pelo crime 
tentado 
 
 FÓRMULA DE FRANK — Como distinguir desistência voluntária de tentativa 
Desistência voluntária: "Posso prosseguir, mas NÃO QUERO." — decisão interna. 
Tentativa: "Quero prosseguir, mas NÃO POSSO." — obstáculo externo. 
A voluntariedade não exige espontaneidade: basta que a decisão de desistir seja livre, ainda 
que motivada por terceiro. 
 
3.5 Arrependimento Posterior (art. 16) 
 Art. 16 do Código Penal 
"Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou 
restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente, 
a pena será reduzida de um a dois terços." 
 
Requisitos CUMULATIVOS para o arrependimento posterior: 
4. Crime praticado sem violência ou grave ameaça à pessoa 
5. Reparação do dano ou restituição da coisa 
6. Reparação/restituição deve ser voluntária 
7. Deve ocorrer até o recebimento da denúncia ou da queixa 
 
 ATENÇÃO — DISTINÇÃO IMPORTANTE 
Arrependimento EFICAZ (art. 15): impede a consumação — ocorre ANTES do resultado. 
Arrependimento POSTERIOR (art. 16): o crime já se consumou — ocorre APÓS o resultado. 
É mera causa de DIMINUIÇÃO de pena (1/3 a 2/3), não extingue o crime. 
 
3.6 Crime Impossível (art. 17) 
 Art. 17 do Código Penal 
"Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta 
impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o crime." 
 
Hipótese Exemplo 
Ineficácia ABSOLUTA do meio Agente tenta matar com arma descarregada (sem saber que 
está vazia) 
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Absoluta impropriedade do objeto Agente tenta matar pessoa já morta 
 
 ATENÇÃO — INEFICÁCIA RELATIVA NÃO EXCLUI A TENTATIVA! 
Apenas a ineficácia ABSOLUTA exclui o crime. Se o meio for RELATIVAMENTE ineficaz 
(ex.: veneno em dose insuficiente), configura-se TENTATIVA normalmente. 
Súmula 145 do STF: 'Não há crime quando a preparação do flagrante pela polícia torna 
impossível a sua consumação.' (Flagrante provocado = crime impossível) 
 
3.7 Dolo e Culpa (art. 18 do CP) 
3.7.1 Crime Doloso 
Espécie de Dolo Conceito 
Dolo Direto (de 1.º grau) O agente quer diretamente o resultado 
Dolo Direto de 2.º grau 
(consequências necessárias) 
O agente não quer o resultado como fim, mas o aceita como 
consequência necessária do meio escolhido 
Dolo Eventual O agente prevê o resultado e, embora não o queira diretamente, 
assume o risco de produzi-lo (art. 18, I, 2ª parte) 
 
3.7.2 Crime Culposo 
O crime culposo decorre de imprudência, negligência ou imperícia. A culpa se subdivide em: 
 
Modalidade de Culpa Conceito 
Imprudência Ação descuidada; praticar algo sem o cuidado necessário (ex.: dirigir em 
alta velocidade) 
Negligência Omissão de cuidado; deixar de fazer algo exigível (ex.: não checar freios 
do veículo) 
Imperícia Falta de habilidade técnica no exercício de arte, ofício ou profissão (ex.: 
médico que aplica técnica cirúrgica incorreta) 
 
 CULPA CONSCIENTE vs. DOLO EVENTUAL — DISTINÇÃO FUNDAMENTAL 
CULPA CONSCIENTE: o agente PREVÊ o resultado, mas acredita sinceramente que não 
vai ocorrer (confia na sua habilidade). 
DOLO EVENTUAL: o agente PREVÊ o resultado e, indiferente, assume o risco ('se 
acontecer, tudo bem'). 
Fórmula de Frank: no dolo eventual, o agente diz para si mesmo 'haja o que houver, 
prossigo'. 
 
3.8 Erro de Tipo e Erro de Proibição 
 
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Tipo de Erro Definição Efeito 
Erro de Tipo (art. 20) — 
Inevitável 
O agente desconhece elemento 
constitutivo do tipo penal (ex.: caça 
animal sem saber que é espécie 
protegida) 
Exclui dolo E culpa → fato 
atípico 
Erro de Tipo (art. 20) — 
Evitável 
O agente errou, mas poderia ter evitado 
com o cuidado ordinário 
Exclui o dolo, mas permite 
punição por CULPA (se 
prevista em lei) 
Erro de Proibição (art. 21) 
— Inevitável 
O agente não sabia que a conduta era 
proibida por lei, e nem podia saber 
Exclui a CULPABILIDADE 
→ isento de pena 
Erro de Proibição (art. 21) 
— Evitável 
O agente poderia ter tomado consciência 
da ilicitude 
Reduz a pena de 1/6 a 1/3 
 
 DESCRIMINANTES PUTATIVAS — §1.º do art. 20 
O agente supõe, por erro plenamente justificado pelas circunstâncias, situação fática que, se 
existisse, tornaria a ação legítima. Ex.: sujeito acredita estar em legítima defesa, mas não 
estava. 
Erro plenamente justificado (escusável): isento de pena. 
Erro derivado de culpa: punível como crime culposo (se previsto em lei). 
 
 
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 CAPÍTULO 4 — EXCLUSÃO DE ILICITUDE 
4.1 Causas Excludentes de Ilicitude (art. 23) 
Mesmo que o fato seja típico, não há crime se praticado em uma das seguintes situações: 
 
Excludente Artigo Requisitos Básicos 
Estado de Necessidade Art. 24 Perigo atual + não provocado voluntariamente + 
impossibilidade de evitar de outro modo + proporcionalidade 
(bem sacrificado ≤ bem salvo) 
Legítima Defesa Art. 25 Agressão injusta + atual ou iminente + uso moderado dos 
meios necessários + defesa de direito próprio ou alheio 
Estrito Cumprimento do 
Dever Legal 
Art. 23, 
III 
Cumprimento de obrigação imposta por lei + dentro dos 
limites legais 
Exercício Regular de 
Direito 
Art. 23, 
III 
Exercício de faculdade concedida pelo ordenamento jurídico 
+ dentro dos limites razoáveis 
 
4.2 Estado de Necessidade (art. 24) 
 Art. 24 do Código Penal 
"Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo atual, 
que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, 
cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se." 
 
Teoria Conteúdo Adoção no CP 
Teoria Unitária O estado de necessidade é sempre excludente de 
ilicitude, independentemente dos bens envolvidos 
ADOTADA pelo CP 
como regra 
Teoria Diferenciadora Distingue EN justificante (bem salvo > bem 
sacrificado) de EN exculpante (bens equivalentes) 
Mitigada no §2.º do art. 
24 (redução de pena) 
 
 QUEM NÃO PODE ALEGAR ESTADO DE NECESSIDADE — §1.º DO ART. 24 
Quem tinha o DEVER LEGAL de enfrentar o perigo (ex.: bombeiro, policial militar em 
serviço). Essas pessoas têm obrigação de arcar com riscos que outros cidadãos não são 
obrigados a suportar. 
 
4.3 Legítima Defesa (art. 25) 
Requisitos da legítima defesa — todos devem estar presentes: 
 
8. Agressão INJUSTA (não autorizada pelo Direito) 
9. ATUAL (em curso) ou IMINENTE (prestes a ocorrer) 
10. A direito PRÓPRIO ou ALHEIO 
11. Uso MODERADO dos meios NECESSÁRIOS 
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12. Conhecimento da situação de fato (elemento subjetivo — animus defendendi) 
 
Situação Configura Legítima Defesa? 
Legítima defesa real vs. legítima defesa real NÃO — a vítima de legítima defesa não age 
injustamente 
Legítima defesa real vs. legítima defesa putativa SIM para quem age em legítima defesa real 
Legítima defesa putativa vs. legítima defesa 
putativa 
Ambos respondem por crime culposo (se evitável o 
erro) 
Excesso doloso na legítima defesa Responde pelo excesso como crime doloso 
Excesso culposo na legítima defesa Responde pelo excesso como crime culposo 
 
 NOVIDADE LEGISLATIVA — PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 25 (Lei 13.964/2019) 
É também considerado em legítima defesa o agente de segurança pública que repele 
agressão ou risco de agressão a vítima mantida refém durante a prática de crimes. Atenção: 
esta disposição foi objeto da ADPF 779 perante o STF. 
 
4.4 Excesso Punível (art. 23, parágrafo único) 
O agente que, em qualquer causa de exclusão de ilicitude, extrapola os limites necessários 
(excesso) responderá pelo excesso doloso ou culposo. O excesso doloso gera 
responsabilidade por crime doloso; o excesso culposo, por crime culposo. 
 
 
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 CAPÍTULO 5 — CULPABILIDADE E IMPUTABILIDADE 
5.1 Elementos da Culpabilidade 
A culpabilidade, no conceito analítico tripartido, é composta por três elementos: 
 
13. Imputabilidade penal (capacidade de ser culpável) 
14. Potencial consciência da ilicitude (possibilidade de conhecer o caráter ilícito do fato) 
15. Exigibilidade de conduta diversa (possibilidade de agir de outro modo) 
 
5.2 Inimputabilidade (arts. 26 e 27) 
 
Causa Artigo Consequência 
Doença mental ou 
desenvolvimento mental 
incompleto/retardado 
(incapacidade total) 
Art. 26, 
caput 
Isenção de pena + medida de segurança 
Perturbação de saúde mental 
(redução parcial da capacidade) 
Art. 26, 
parágrafo 
único 
Pena reduzida de 1 a 2/3 (semi-imputável) 
Menoridade (menos de 18 anos) Art. 27 Inimputável — sujeito ao ECA (medidas 
socioeducativas) 
Embriaguez completa por caso 
fortuito ou força maior 
Art. 28, §1.º Isenção de pena 
Embriaguez parcial por caso 
fortuito ou força maiorArt. 28, §2.º Pena reduzida de 1 a 2/3 
 
 O QUE NÃO EXCLUI A IMPUTABILIDADE — art. 28 
Emoção e paixão: NÃO excluem a imputabilidade. Podem, contudo, ser circunstâncias 
atenuantes ou causas de diminuição de pena em casos específicos (ex.: homicídio 
privilegiado — art. 121, §1.º). 
Embriaguez VOLUNTÁRIA ou CULPOSA: NÃO exclui a imputabilidade. O Brasil adota a 
teoria da actio libera in causa — o agente era livre (e responsável) no momento em que 
escolheu se embriagar. 
 
5.3 Coação Irresistível e Obediência Hierárquica (art. 22) 
 Art. 22 do Código Penal 
"Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência a ordem, não 
manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor da coação ou da ordem." 
 
Nesses casos, há exclusão da exigibilidade de conduta diversa — terceiro elemento da 
culpabilidade: 
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• Coação IRRESISTÍVEL (moral): o coagido não é punível; o coator responde pelo crime 
em autoria mediata. 
• Coação RESISTÍVEL: o coagido responde pelo crime, com pena atenuada (art. 65, III, 
c). 
• Obediência hierárquica à ordem NÃO manifestamente ilegal: subordinado isento de 
pena; superior punido. 
• Obediência à ordem MANIFESTAMENTE ilegal: ambos respondem pelo crime. 
 
 
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 CAPÍTULO 6 — CONCURSO DE PESSOAS 
6.1 Conceito e Requisitos 
Ocorre o concurso de pessoas quando dois ou mais agentes colaboram, de qualquer modo, para 
a prática de um crime. Requisitos: 
16. Pluralidade de agentes 
17. Relevância causal de cada conduta 
18. Liame subjetivo (vínculo psicológico entre os concorrentes) 
19. Identidade de infração penal 
 
 TEORIA MONISTA (UNITÁRIA) — Regra do art. 29 
Todos os que concorrem para o crime incidem nas penas a ele cominadas, na medida de 
sua culpabilidade. Há um único crime com múltiplos autores — não se fala em crimes 
distintos para cada concorrente. 
 
6.2 Autoria e Participação 
Figura Conceito 
Autor Quem realiza o núcleo do tipo penal (teoria objetivo-formal, adotada 
majoritariamente) 
Coautor Quem, junto com outros, realiza o núcleo do tipo 
Autor Mediato Quem se utiliza de outra pessoa (não culpável ou em erro) como instrumento 
para a prática do crime 
Partícipe Quem contribui para o crime sem executar o núcleo do tipo (ex.: induzimento, 
instigação, auxílio material) 
 
6.3 Participação de Menor Importância e Desvio Subjetivo 
 
Hipótese Efeito 
Participação de menor importância — 
art. 29, §1.º 
Pena pode ser reduzida de 1/6 a 1/3 
Concorrente que quis participar de 
crime MENOS GRAVE — art. 29, §2.º 
Aplica-se a pena do crime menos grave, aumentada até a 
metade se o resultado mais grave era previsível 
Circunstâncias incomunicáveis — art. 
30 
Condições e qualidades pessoais NÃO se comunicam; 
elementares do crime se comunicam (quando conhecidas 
pelo partícipe) 
 
 
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 CAPÍTULO 7 — DAS PENAS 
7.1 Espécies de Pena (art. 32) 
O CP prevê três espécies de pena: 
20. Penas privativas de liberdade (reclusão e detenção) 
21. Penas restritivas de direitos 
22. Pena de multa 
 
7.2 Penas Privativas de Liberdade — Regimes 
Regime Pena (não reincidente) Local de Cumprimento 
Fechado Superior a 8 anos Estabelecimento de segurança máxima 
ou média 
Semiaberto Superior a 4 e até 8 anos Colônia agrícola, industrial ou similar 
Aberto Até 4 anos Casa de albergado ou estabelecimento 
adequado 
 
 DIFERENÇA ENTRE RECLUSÃO E DETENÇÃO 
RECLUSÃO: cumprida em regime fechado, semiaberto ou aberto. Admite regime inicial 
fechado. 
DETENÇÃO: cumprida em regime semiaberto ou aberto. NÃO admite regime inicial fechado 
(só pode ser transferida para fechado em caso de regressão). 
Macete: Crime mais grave = Reclusão. Crime menos grave = Detenção. 
 
7.3 Penas Restritivas de Direitos (arts. 43–48) 
São alternativas às penas privativas de liberdade, cabíveis quando presentes os requisitos do 
art. 44: 
 
• Prestação pecuniária 
• Perda de bens e valores 
• Prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas 
• Interdição temporária de direitos 
• Limitação de fim de semana 
 
 REQUISITOS PARA SUBSTITUIÇÃO (art. 44) 
I — Pena privativa de liberdade aplicada NÃO SUPERIOR a 4 anos, e crime não cometido 
com violência ou grave ameaça (se culposo, qualquer pena); 
II — Réu NÃO reincidente em crime doloso; 
III — Culpabilidade, antecedentes, conduta social e personalidade indicarem suficiência da 
substituição. 
 
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7.4 Dosimetria da Pena — Sistema Trifásico (art. 68) 
O juiz fixa a pena em três etapas sucessivas: 
 
Fase O que considera Limites 
1.ª Fase — Pena-
Base 
Circunstâncias judiciais do art. 59 (culpabilidade, 
antecedentes, conduta social, personalidade, 
motivos, circunstâncias e consequências do crime, 
comportamento da vítima) 
Entre o mínimo e o 
máximo da pena abstrata 
2.ª Fase — 
Agravantes e 
Atenuantes 
Arts. 61–66 do CP (agravantes e atenuantes 
genéricas) 
Não pode ultrapassar os 
limites da pena abstrata 
(Súmula 231 STJ) 
3.ª Fase — Causas 
de Aumento e 
Diminuição 
Frações legais previstas na Parte Geral ou 
Especial 
Pode ultrapassar os 
limites da pena abstrata 
 
7.5 Concurso de Crimes (arts. 69–72) 
Modalidade Conceito Sistema de Pena 
Concurso Material (art. 
69) 
Duas ou mais ações/omissões → 
dois ou mais crimes 
Cúmulo material: somam-se as 
penas 
Concurso Formal (art. 
70) 
Uma ação/omissão → dois ou 
mais crimes 
Crime mais grave + aumento de 1/6 a 
1/2 (se homogêneo) ou cúmulo 
material se desígnios autônomos 
Crime Continuado (art. 
71) 
Crimes da mesma espécie + 
condições semelhantes de tempo, 
lugar e modo de execução 
Pena do crime mais grave + aumento 
de 1/6 a 2/3 
 
 LIMITE MÁXIMO DE CUMPRIMENTO DE PENA — ART. 75 (Pacote Anticrime) 
Com a Lei 13.964/2019 (Pacote Anticrime), o limite máximo de cumprimento de penas 
privativas de liberdade foi alterado de 40 para 40 anos (confirmando o mesmo patamar). 
Atenção: o limite é de CUMPRIMENTO, não de condenação — a condenação pode ser 
maior. 
 
7.6 Prescrição (arts. 109–119) 
A prescrição é a perda do direito de punir do Estado pelo decurso do tempo. Modalidades: 
 
Modalidade Regula-se por Prazo mínimo / máximo 
Prescrição da Pretensão 
Punitiva (PPP) — antes do 
trânsito em julgado 
Máximo da pena cominada 
em abstrato 
3 anos (pena 12 anos) 
Prescrição da Pretensão 
Executória (PPE) — após o 
trânsito em julgado 
Pena aplicada na sentença Mesmos prazos do art. 109, 
acrescidos de 1/3 se reincidente 
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Prescrição Retroativa Pena concretizada, contada 
entre marcos interruptivos 
anteriores ao trânsito em 
julgado 
Prazos do art. 109 pela pena 
concretizada 
 
Máximo da Pena Abstrata Prazo de Prescrição (art. 109) 
Inferior a 1 ano 3 anos 
De 1 a 2 anos 4 anos 
Acima de 2 até 4 anos 8 anos 
Acima de 4 até 8 anos 12 anos 
Acima de 8 até 12 anos 16 anos 
Superior a 12 anos 20 anos 
 
 REDUÇÃO DOS PRAZOS PRESCRICIONAIS — ART. 115 
São reduzidos à METADE os prazos prescricionais quando o criminoso era, aotempo do 
crime, MENOR DE 21 ANOS, ou, na data da sentença, MAIOR DE 70 ANOS. 
ATENÇÃO: A Lei 15.160/2025 excluiu essa redução para crimes que envolvam violência 
sexual contra a mulher. 
 
 
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 CAPÍTULO 8 — PARTE ESPECIAL: CRIMES CONTRA A PESSOA 
8.1 Homicídio Simples (art. 121, caput) 
 Previsão Legal 
Art. 121 — "Matar alguém: Pena — reclusão, de 6 (seis) a 20 (vinte) anos." 
 
8.2 Homicídio Privilegiado — §1.º do art. 121 
Causa de diminuição de pena de 1/6 a 1/3 quando o agente comete o crime: 
• Impelido por motivo de relevante valor social ou moral, OU 
• Sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima 
 
 HOMICÍDIO PRIVILEGIADO + QUALIFICADO 
É possível o homicídio privilegiado-qualificado, mas APENAS quando a qualificadora for de 
natureza OBJETIVA (modo de execução: veneno, fogo, asfixia etc.) — nunca quando for de 
natureza subjetiva (motivo torpe, fútil). Entendimento consolidado do STJ e STF. 
 
8.3 Homicídio Qualificado — §2.º do art. 121 
Pena: reclusão de 12 a 30 anos. Crime hediondo (Lei 8.072/90). Qualificadoras: 
 
Inciso Qualificadora Natureza 
I Mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro 
motivo torpe 
Subjetiva 
II Por motivo fútil Subjetiva 
III Com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura 
ou meio insidioso/cruel, ou que possa resultar perigo 
comum 
Objetiva 
IV À traição, de emboscada, mediante dissimulação ou 
recurso que dificulte/impossibilite a defesa 
Objetiva 
V Para assegurar a execução, ocultação, impunidade ou 
vantagem de outro crime 
Subjetiva 
VII Contra autoridades/agentes de segurança, membros do 
Judiciário, MP, Defensoria, Advocacia Pública e oficial de 
justiça — em razão da função 
Objetiva/mista 
VIII Com emprego de arma de fogo de uso restrito ou proibido Objetiva 
IX Contra menor de 14 anos Objetiva 
X Nas dependências de instituição de ensino (Lei 
15.159/2025) 
Objetiva 
 
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8.4 Feminicídio (art. 121-A — Lei 14.994/2024) 
 Art. 121-A do Código Penal — Feminicídio 
"Matar mulher por razões da condição do sexo feminino. Pena: reclusão de 20 a 40 anos." 
 
Considera-se que há razões da condição do sexo feminino quando o crime envolve: 
I — violência doméstica e familiar; 
II — menosprezo ou discriminação à condição de mulher. 
 
 ATENÇÃO — MUDANÇA LEGISLATIVA RELEVANTE (2024) 
A Lei 14.994/2024 tornou o feminicídio crime autônomo (art. 121-A), desvinculando-o do rol 
de qualificadoras do art. 121, §2.º. A pena mínima foi elevada para 20 anos e a máxima para 
40 anos, tornando o feminicídio equiparado aos crimes hediondos mais graves. 
A Lei também criou o VICARICÍDIO (art. 121-B): matar descendente, ascendente, 
dependente ou pessoa sob guarda da mulher para causar-lhe sofrimento no contexto de 
violência doméstica. Pena: reclusão de 20 a 40 anos. 
 
8.5 Homicídio Culposo — §3.º 
Pena: detenção de 1 a 3 anos. A pena é aumentada de 1/3 se: (a) decorre de inobservância de 
regra técnica; (b) o agente deixa de prestar socorro; (c) o agente foge para evitar prisão em 
flagrante. 
 
 PERDÃO JUDICIAL NO HOMICÍDIO CULPOSO — §5.º 
O juiz PODE deixar de aplicar a pena quando as consequências da infração atingirem o 
próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se torne desnecessária (ex.: o 
motorista culpado mata o próprio filho no acidente). 
 
8.6 Lesão Corporal (art. 129) 
Modalidade Pena 
Lesão leve (caput) Detenção de 3 meses a 1 ano 
Lesão grave — §1.º (incapacidade >30 dias; 
perigo de vida; debilidade permanente; 
aceleração do parto) 
Reclusão de 1 a 5 anos 
Lesão gravíssima — §2.º (incapacidade 
permanente; enfermidade incurável; perda 
de membro; deformidade permanente; 
aborto) 
Reclusão de 2 a 8 anos 
Lesão seguida de morte (preterdolosa) — 
§3.º 
Reclusão de 4 a 12 anos 
Violência doméstica — §9.º (Lei 
14.994/2024) 
Reclusão de 2 a 5 anos 
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Lesão por razões da condição do sexo 
feminino — §13 
Reclusão de 2 a 5 anos 
 
8.7 Crimes contra a Honra (arts. 138–145) 
Crime Conduta Pena 
Calúnia (art. 138) Imputar FALSAMENTE fato definido 
como CRIME a alguém 
Detenção de 6 meses a 2 anos + 
multa 
Difamação (art. 139) Imputar fato ofensivo à reputação (não 
precisa ser crime, não precisa ser falso) 
Detenção de 3 meses a 1 ano + 
multa 
Injúria (art. 140) Ofender a dignidade ou o decoro 
(qualidade negativa da pessoa) 
Detenção de 1 a 6 meses ou 
multa 
Injúria preconceituosa 
(§3.º) 
Utilização de elementos referentes a 
religião, condição de idoso ou deficiência 
Reclusão de 1 a 3 anos + multa 
 
 COMO DIFERENCIAR OS TRÊS CRIMES CONTRA A HONRA 
CALÚNIA: fato + crime + falso. Atinge a HONRA OBJETIVA. Pune-se mesmo contra os 
mortos. 
DIFAMAÇÃO: fato + ofensivo. Não precisa ser crime, não precisa ser falso. Atinge a HONRA 
OBJETIVA. 
INJÚRIA: qualidade negativa (xingamento). Atinge a HONRA SUBJETIVA (autoestima da 
pessoa). 
Exceção da verdade: admitida na calúnia (regra geral) e na difamação (apenas quando o 
ofendido é funcionário público e a ofensa é relativa ao exercício das funções). Não é admitida 
na injúria. 
 
 
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 CAPÍTULO 9 — CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO 
9.1 Furto (art. 155) 
 Art. 155 do Código Penal 
"Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel. Pena — reclusão de 1 a 4 anos, e 
multa." 
 
O furto qualificado (§4.º) tem pena de 2 a 8 anos e multa, quando cometido: 
• Com destruição ou rompimento de obstáculo 
• Com abuso de confiança, fraude, escalada ou destreza 
• Com emprego de chave falsa 
• Mediante concurso de duas ou mais pessoas 
• Contra bens que comprometam serviços públicos essenciais (Lei 15.181/2025) 
 
 FURTO DE COISA COMUM — ART. 156 
O condômino, coerdeiro ou sócio que subtrai coisa comum de quem a detém legitimamente 
pratica furto de coisa comum. Pena: detenção de 6 meses a 2 anos (AÇÃO PENAL PÚBLICA 
CONDICIONADA À REPRESENTAÇÃO). 
 
9.2 Roubo (art. 157) 
O roubo é o furto acrescido de violência ou grave ameaça. Pena base: reclusão de 4 a 10 anos 
e multa. Principais causas de aumento: 
 
Causa de Aumento Fração 
Concurso de duas ou mais pessoas; vítima em serviço de 
transporte de valores; veículo para outro Estado/exterior; 
manutenção da vítima em poder do agente; substâncias 
explosivas; arma branca; furto de fios/equipamentos de 
infraestrutura (Lei 15.181/2025) 
1/3 até 1/2 
Emprego de arma de fogo 2/3 
Arma de fogo de uso restrito ou proibido Dobro da pena do caput 
Organização criminosa ultraviolenta (Lei 15.358/2026) Triplo da pena do caput 
 
Resultado Modalidade Pena 
Lesão corporal grave Roubo qualificado — §3.º, I Reclusão de 7 a 18 anos + multa 
Morte (latrocínio) Roubo qualificado — §3.º, II Reclusão de 20 a 30 anos + multa 
 
 LATROCÍNIO — SÚMULA 610 DO STF 
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"Há crime de latrocínio, quando o homicídio se consuma, ainda que não realize o agente a 
subtração de bens da vítima." 
O latrocínio é crime HEDIONDO e de competência do TRIBUNAL DO JÚRI (pois se trata de 
crime doloso contra a vida? — NÃO! A competênciaé da Vara Criminal comum, pois o 
resultado morte é preterdoloso, não doloso). 
Súmula 603 STF: 'A competência para o processo e julgamento de latrocínio é do juiz 
singular e não do Tribunal do Júri.' 
 
9.3 Estelionato (art. 171) 
Obter vantagem ilícita em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro mediante 
fraude (artifício, ardil ou qualquer meio fraudulento). 
 
 FRAUDE ELETRÔNICA — §2.º-A (Lei 14.155/2021) 
Pena de 4 a 8 anos quando a fraude é cometida com informações fornecidas pela vítima por 
redes sociais, contatos telefônicos, e-mail fraudulento ou qualquer outro meio análogo. 
Pena aumentada de 1/3 a 2/3 se praticada mediante servidor mantido fora do território 
nacional (§2.º-B). 
 
 AÇÃO PENAL NO ESTELIONATO — §5.º (Pacote Anticrime) 
REGRA: ação penal pública CONDICIONADA à representação do ofendido. 
EXCEÇÕES (ação pública INCONDICIONADA): vítima é a Administração Pública; criança 
ou adolescente; pessoa com deficiência; maior de 70 anos ou incapaz. 
 
 
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 CAPÍTULO 10 — CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL 
10.1 Estupro (art. 213) 
 Art. 213 do Código Penal 
"Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a 
praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso. Pena — reclusão de 6 a 10 
anos." 
Se a vítima é menor de 18 e maior de 14 anos, ou resulta lesão grave: reclusão de 8 a 12 
anos. 
Se resulta morte: reclusão de 12 a 30 anos. 
 
10.2 Estupro de Vulnerável (art. 217-A) 
A prática de ato sexual com menor de 14 anos ou com pessoa que não tem o necessário 
discernimento. Pena: reclusão de 10 a 18 anos (após Lei 15.280/2025). Presunção ABSOLUTA 
de vulnerabilidade — inadmissível sua relativização (§4.º-A, incluído pela Lei 15.353/2026). 
 
 AÇÃO PENAL NOS CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL — ART. 225 
Regra geral (após Lei 13.718/2018): AÇÃO PENAL PÚBLICA INCONDICIONADA para todos 
os crimes dos Capítulos I e II do Título VI do CP (crimes contra a liberdade sexual e crimes 
sexuais contra vulnerável). 
 
 
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 CAPÍTULO 11 — CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
11.1 Conceito de Funcionário Público para Fins Penais — art. 327 
 Art. 327 do Código Penal 
"Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem, embora transitoriamente ou 
sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública." 
Equipara-se: quem exerce cargo/emprego/função em entidade paraestatal ou em empresa 
prestadora de serviço contratada para execução de atividade típica da Administração 
Pública. 
 
11.2 Principais Crimes Funcionais 
Crime Art. Pena 
Peculato-apropriação e peculato-
desvio 
312, 
caput 
Reclusão de 2 a 12 anos + multa 
Peculato culposo 312, 
§2.º 
Detenção de 3 meses a 1 ano 
Concussão 316 Reclusão de 2 a 12 anos + multa 
Excesso de exação 316, 
§1.º 
Reclusão de 3 a 8 anos + multa 
Corrupção passiva 317 Reclusão de 2 a 12 anos + multa 
Prevaricação 319 Detenção de 3 meses a 1 ano + multa 
Corrupção ativa (por particular) 333 Reclusão de 2 a 12 anos + multa 
Tráfico de influência (por particular) 332 Reclusão de 2 a 5 anos + multa 
 
 DISTINÇÃO ENTRE CONCUSSÃO E CORRUPÇÃO PASSIVA 
CONCUSSÃO (art. 316): o funcionário EXIGE a vantagem indevida. Há coação implícita — 
a vítima cede com medo. 
CORRUPÇÃO PASSIVA (art. 317): o funcionário SOLICITA ou RECEBE (ou ACEITA 
PROMESSA). Há bilateralidade voluntária. 
Na corrupção, se o particular oferece espontaneamente e o funcionário aceita: ambos 
respondem (passiva + ativa). Na concussão, o particular que paga sob coação pode ser 
vítima. 
 
 
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 CAPÍTULO 12 — QUADRO SINÓPTICO: TEMAS MAIS COBRADOS 
12.1 Mapa Mental — Teoria do Crime 
 
Elemento Excludente 
Tipicidade Atipicidade; Princípio da insignificância; Crime impossível 
Ilicitude (Antijuridicidade) Estado de necessidade; Legítima defesa; Estrito cumprimento do 
dever legal; Exercício regular de direito 
Culpabilidade Inimputabilidade; Erro de proibição inevitável; Coação moral 
irresistível; Obediência hierárquica a ordem não manifestamente 
ilegal 
 
12.2 Súmulas Importantes para Concursos 
 
Tribunal Enunciado Conteúdo 
STF Súmula 145 Não há crime quando a preparação do flagrante 
pela polícia torna impossível a sua consumação 
(flagrante provocado = crime impossível) 
STF Súmula 231 
(STJ) 
A incidência da circunstância atenuante não 
pode conduzir à redução da pena abaixo do 
mínimo legal 
STF Súmula 610 Há latrocínio quando o homicídio se consuma, 
ainda que não realizada a subtração 
STF Súmula 603 A competência para julgamento de latrocínio é 
do juiz singular, não do Tribunal do Júri 
STJ Súmula 444 É vedada a utilização de inquéritos policiais e 
ações penais em curso para agravar a pena-
base 
STJ Súmula 598 É desnecessária a apresentação de laudo 
médico para a concessão da isenção do IR a 
portadores de doenças graves 
STJ Súmula 627 O percentual de redução da pena pelo tráfico 
privilegiado deve ser aferido caso a caso 
 
 
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 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Esta apostila cobriu os principais institutos da Parte Geral e os crimes em espécie mais exigidos 
na Parte Especial do Código Penal. A matéria de Direito Penal exige, além do conhecimento 
teórico, atenção constante às inovações legislativas — especialmente após o Pacote Anticrime 
(Lei 13.964/2019) e as leis mais recentes que alteraram crimes como feminicídio, lesão corporal, 
estupro de vulnerável e crimes organizados. 
 
Para fixar o conteúdo, recomenda-se: (1) releitura periódica dos quadros comparativos; (2) 
resolução de questões de bancas como CEBRASPE, FGV e IBFC; (3) acompanhamento da 
jurisprudência do STF e STJ; (4) leitura direta dos artigos do Código Penal indicados ao longo 
desta apostila. 
 
BONS ESTUDOS! 
Professor Jimmy Peterson 
Advogado | Professor | Especialista em Direito Criminal, Constitucional, Administrativo, 
Previdenciário, Trabalhista, Propriedade Intelectual | Mestrando em Estudos Jurídicos 
EDUKATECH — Bússola do Candidato 
https://beacons.ai/jimmypetersondivulgacoes

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