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FISIOLOGIA AB2 MOTILIDADE GASTROINTESTINAL FUNÇÕES ● Movimentação do alimento e adição de secreções digestivas ao longo do trato gastrointestinal (TGI). ● Alterações na motilidade podem acelerar (diarreia) ou diminuir (prisão de ventre/constipação) a velocidade do trânsito intestinal e da digestão. ● O peristaltismo ocorre principalmente na presença de alimento no trato gastrointestinal. PROCESSOS 1. MOTILIDADE: Movimento do alimento ao longo do TGI, sendo impulsionado para frente pela contração do músculo liso. ● Secreção: inicia-se na boca com a liberação de enzimas digestivas, como a amilase salivar, que promove a digestão do amido. Ao longo do TGI, outras secreções são adicionadas para auxiliar a digestão. ○ Digestão das proteínas: as proteínas são quebradas em moléculas menores (aminoácidos) por ação de enzimas digestivas, permitindo sua absorção. ○ COMO OCORRE A ABSORÇÃO? A absorção depende da passagem de substâncias através das membranas celulares. Mecanismos: ● Transporte através da membrana. ● Difusão de um lado para o outro da membrana, seguindo o gradiente de concentração. pH AO LONGO DO TGI Estômago: ambiente muito ácido, importante para a digestão de proteínas. Intestino delgado: ambiente mais básico (alcalino), favorecendo a ação das enzimas digestivas intestinais e pancreáticas. 2. DIGESTÃO: Processo de quebra dos alimentos em unidades menores para que possam ser absorvidos pelo organismo. 3. SECREÇÃO: Relaciona-se à produção e liberação de substâncias digestivas, como enzimas, muco e ácido gástrico, que auxiliam na digestão e na movimentação do alimento. 4. ABSORÇÃO: Processo pelo qual água, nutrientes e outras substâncias necessárias ao organismo passam do trato gastrointestinal para a circulação. ● Microvilosidades Intestinais São projeções presentes nas células do intestino que aumentam significativamente a área de contato para absorção de nutrientes e água, tornando esse processo mais eficiente. DESAFIOS 1. Evitar a Autodigestão As enzimas digestivas precisam degradar os alimentos sem lesar os próprios tecidos do trato gastrointestinal. Exemplo: ● A tripsina digere proteínas em aminoácidos. ● Como a parede do intestino e do estômago também é formada por proteínas, existe o risco de autodigestão. A mastigação de chiclete pode estimular a secreção gástrica mesmo sem haver alimento para ser digerido. Quando os mecanismos de proteção falham, podem surgir: ● Gastrite ● Úlcera gástrica 2. Balanço de Massa O sistema digestório produz grandes volumes de secreções diariamente para auxiliar a digestão. Volumes aproximados por dia: ● Alimentos e bebidas: 2 L ● Saliva: 1,5 L ● Bile: 0,5 L ● Secreção gástrica (HCl): 2 L ● Secreção pancreática: 1,5 L ● Secreção intestinal: 1,5 L Total aproximado: 9 litros por dia Grande parte desse líquido é reabsorvida ao longo do intestino. Na diarreia, a absorção não ocorre adequadamente, aumentando a perda de água e eletrólitos. 3. Defesa do Trato Gastrointestinal O TGI possui mecanismos de proteção contra microrganismos e substâncias nocivas. Principais mecanismos: ● Barreira mucosa ● Tecido linfoide associado ao intestino (GALT) ● Linfonodos associados ao sistema digestório MOTILIDADE GASTROINTESTINAL O controle voluntário da motilidade ocorre apenas até a deglutição. A partir desse momento, os movimentos tornam-se involuntários. A motilidade gastrointestinal corresponde ao movimento do conteúdo alimentar ao longo do trato gastrointestinal em resposta às contrações da musculatura lisa. Funções da Motilidade ● Propelir o alimento ao longo do TGI. ● Degradar mecanicamente o alimento. ● Misturar o alimento com as secreções digestivas. Quando o alimento não é adequadamente mastigado, a digestão torna-se menos eficiente e mais lenta. A velocidade do esvaziamento gástrico depende principalmente da composição da alimentação ingerida. Peristaltismo O trato gastrointestinal funciona como um tubo contínuo. As ondas peristálticas propagam-se ao longo desse tubo, impulsionando o conteúdo alimentar do início ao fim do trato digestório. Músculo Liso Intestinal O músculo liso intestinal funciona como um sincício funcional. Características: ● Presença de junções comunicantes (gap junctions). ● O potencial de ação pode se propagar em várias direções. ● Integração entre as camadas musculares circular e longitudinal. ● Deslizamento coordenado das fibras musculares para produzir as contrações do trato gastrointestinal. Essas características permitem a coordenação eficiente dos movimentos digestivos. PRINCÍPIOS GERAIS A contração da musculatura do trato gastrointestinal é estimulada pela presença do alimento no interior do tubo digestório. No peristaltismo, ocorre contração da musculatura atrás do bolo alimentar e relaxamento à sua frente, promovendo o deslocamento do alimento no sentido aboral (para frente). ATIVIDADE ELÉTRICA DO MÚSCULO LISO INTESTINAL O músculo liso intestinal apresenta atividade elétrica espontânea. Diferentemente de outros tecidos, o potencial de membrana não permanece estático em repouso, sofrendo oscilações contínuas chamadas ondas lentas. ONDAS LENTAS As ondas lentas são oscilações rítmicas do potencial de membrana que ocorrem mesmo na ausência de estímulos. Características: ● Não são potenciais de ação. ● Determinam o ritmo básico da atividade elétrica gastrointestinal. ● Originam-se nas células intersticiais de Cajal, que atuam como marcapassos do trato gastrointestinal. ● Estão relacionadas à entrada e saída de íons através da membrana celular, principalmente sódio (Na⁺). Frequência aproximada: ● Até 12 ondas por minuto em algumas regiões do trato gastrointestinal. CÉLULAS INTERSTICIAIS DE CAJAL São células especializadas responsáveis pela geração das ondas lentas. Funções: ● Atuam como marcapassos do trato gastrointestinal. ● Coordenam a atividade elétrica da musculatura lisa intestinal. ● Determinam a frequência das contrações do TGI. POTENCIAIS EM ESPÍCULA (SPIKE POTENTIALS) Quando um estímulo adicional é aplicado sobre uma onda lenta, podem surgir potenciais de ação chamados potenciais em espícula. Esses potenciais são responsáveis pela contração efetiva da musculatura lisa. Quanto maior o número de potenciais em espícula, mais intensa será a contração muscular. O QUE TRANSFORMA UMA ONDA LENTA EM POTENCIAL DE AÇÃO? Dois fatores principais: 1. Distensão da parede intestinal ● Ocorre pela chegada do alimento. ● Estimula a musculatura lisa e favorece o aparecimento dos potenciais em espícula. 2. Estímulo parassimpático ● Principal neurotransmissor: acetilcolina (ACh). ● Aumenta a excitabilidade da musculatura lisa. ● Favorece a geração de potenciais em espícula. ● Aumenta a motilidade gastrointestinal. Resumo para decorar: Ondas lentas → geradas pelas células de Cajal. Distensão + acetilcolina → potenciais em espícula. Potenciais em espícula → contração do músculo liso. Contração coordenada → peristaltismo e propulsão do alimento. TIPOS DE MOVIMENTOS DO TGI Peristaltismo: É o principal movimento propulsivo do trato gastrointestinal. Caracteriza-se por: ● Contração da musculatura atrás do bolo alimentar. ● Relaxamento receptivo à frente do bolo alimentar. ● Deslocamento do conteúdo no sentido boca → ânus. Sua principal função é empurrar o alimento ao longo do trato digestório. Esôfago A função do esôfago é principalmente transportar o alimento até o estômago. Após a deglutição: ● O esfíncter esofágico superior se abre. ● O alimento entra no esôfago. ● Ondas peristálticas empurram o bolo alimentar em direção ao estômago. No esôfago ocorre praticamente apenas movimento de propulsão do alimento. Estômago Quando o alimento chega ao estômago,ocorrem contrações de mistura (contrações segmentares). Essas contrações: ● Misturam o alimento com as secreções gástricas. ● Favorecem a digestão mecânica e química. ● Transformam o bolo alimentar em quimo. Diferentemente do esôfago, o estômago não apenas empurra o alimento; ele também promove intensa mistura do conteúdo gástrico. Esvaziamento Gástrico Após ser adequadamente misturado e digerido, o quimo é gradualmente liberado para o intestino delgado. O esvaziamento gástrico corresponde à passagem do conteúdo do estômago para o duodeno. A velocidade desse processo depende da composição do alimento ingerido: ● Carboidratos → esvaziamento mais rápido. ● Proteínas → velocidade intermediária. ● Gorduras → esvaziamento mais lento. Resumo para decorar Peristaltismo → Contração atrás + relaxamento à frente → Empurra o alimento Esôfago → Apenas propulsão do alimento Estômago → Mistura alimento + secreções gástricas Esvaziamento gástrico → Passagem do quimo para o duodeno. COMO ESTIMULAR O PERISTALTISMO? ● Estiramento de músculo (acetilcolina) ● Nervos parassimpáticos ● Hormônios gastrointestinais ○ Gastrina: aumento da secreção de ácidos (HCL) PH 2,5 COMO CONTROLAR O PERISTALTISMO? O peristaltismo é controlado principalmente pelo Sistema Nervoso Entérico (SNE), que atua de forma integrada com o sistema nervoso autônomo, especialmente o parassimpático. O estímulo parassimpático aumenta a motilidade e as secreções gastrointestinais. PLEXO MIOENTÉRICO (PLEXO DE AUERBACH) Localiza-se entre as camadas musculares circular e longitudinal. Funções: ● Controle da motilidade gastrointestinal. ● Coordenação das contrações musculares. ● Regulação do peristaltismo. ● Controle do tônus muscular da parede intestinal. Está diretamente relacionado aos movimentos propulsivos do trato gastrointestinal. PLEXO SUBMUCOSO (PLEXO DE MEISSNER) Localiza-se na submucosa intestinal. Funções: ● Controle das secreções digestivas. ● Regulação do fluxo sanguíneo local. ● Controle da absorção intestinal. Exemplo: a mastigação de chiclete pode estimular esse plexo, aumentando a secreção gástrica mesmo sem a presença de alimento. PERÍODO INTERPRANDIAL (ENTRE AS REFEIÇÕES) Entre as refeições ocorre pouca atividade digestiva. Nesse período atua o Complexo Motor Migratório (CMM). Funções: ● Produzir ondas de peristaltismo periódicas. ● Remover restos de alimentos não digeridos. ● Eliminar secreções e bactérias em excesso. ● "Limpar" o trato gastrointestinal. O diabetes mellitus pode prejudicar esse mecanismo, favorecendo alterações da motilidade gastrointestinal. TIPOS DE MOVIMENTOS GASTROINTESTINAIS Movimentos propulsivos ● Empurram o conteúdo para frente. ● Exemplo: peristaltismo. Movimentos de mistura ● Misturam o alimento com as secreções digestivas. ● Ocorrem principalmente no estômago e intestino delgado. CIRCULAÇÃO ESPLÂNCNICA O sangue proveniente do trato gastrointestinal é drenado para a circulação porta-hepática. Percurso: TGI → Veia Porta Hepática → Fígado → Circulação Sistêmica Funções do fígado: ● Metabolizar nutrientes absorvidos. ● Realizar fagocitose de microrganismos e partículas estranhas. ● Destoxificar substâncias potencialmente nocivas. Assim, o sangue proveniente do intestino passa primeiro pelo fígado antes de alcançar a circulação sistêmica. TRANSPORTE 1. MASTIGAÇÃO ● Trituração dos alimentos ● Início da ação da amilase salivar ● Reflexo de mastigação 2. DEGLUTIÇÃO ● Estágio voluntário (oral): ○ O bolo alimentar é empurrado para baixo pela pressão da língua contra o palato ● Observação fisiológica: ○ Não é possível respirar e deglutir ao mesmo tempo ○ O centro respiratório é inibido durante a deglutição (controle medular) ● Estágio esofágico: ○ Condução do alimento em direção ao estômago por movimentos peristálticos e ação do muco ESTÔMAGO ● Relaxamento receptivo do estômago: permite a entrada do alimento ● Início do processo digestório ao chegar no estômago ● A cárdia (esfíncter esofágico inferior) impede o retorno do alimento REFLUXO GASTROESOFÁGICO ● Falha da válvula cárdia ou do esfíncter esofágico inferior ● O ácido do estômago retorna para o esôfago Condutas para evitar/amenizar: ● Evitar dormir deitado logo após comer ● Evitar alimentos gordurosos ● Comer em pequenas quantidades ● Antiácidos: aliviam os sintomas, mas não resolvem a causa (apenas neutralizam o pH, melhorando temporariamente a sensação de queimação) MOVIMENTO DO ESTÔMAGO ● Armazenamento e mistura dos alimentos com secreções gástricas → promovem esvaziamento gástrico lento ● Distensão do estômago ativa um reflexo vagovagal (via tronco encefálico) → diminui o tônus da musculatura gástrica e aumenta a capacidade de armazenamento Mistura e trituração ● Glândulas gástricas produzem suco digestivo ● Ondas de contração geram pressão (PA) e promovem retropulsão, mecanismo responsável pela mistura do conteúdo gástrico Esvaziamento gástrico ● Contrações peristálticas no antro empurram o alimento ● O esfíncter pilórico relaxa parcialmente, funcionando como uma bomba pilórica Contrações de fome ● Contrações intensas do estômago vazio ● Ocorrem em ciclos de aproximadamente 2 a 3 minutos REGULAÇÃO DO ESVAZIAMENTO GÁSTRICO Estimulam o esvaziamento: ● Aumento do volume alimentar no estômago ● Hormônio gastrina Inibem o esvaziamento: ● Reflexos nervosos enterogástricos ● Alta acidez do quimo ● Presença de gordura ● Composição da dieta (alimentos mais complexos retardam o esvaziamento) INTESTINO DELGADO ● Movimentos mais lentos, irregulares e segmentares ● Mistura e propulsão do conteúdo intestinal ● Recebe secreções biliares e pancreáticas, que auxiliam na digestão Digestão e absorção ● Redução do bolo alimentar e mistura com enzimas digestivas ● Lactase: digere lactose ● Lipase: digere gorduras (principalmente no intestino delgado) ● Principal local de absorção de nutrientes Regulação hormonal ● Influenciado por: gastrina, CCK (colecistoquinina) e insulina Final do intestino delgado ● Liberação de hormônios gastrointestinais (ex: GLP-1 e outros hormônios de saciedade) ● Promove sensação de saciedade e contribui para ajuste do apetite e comportamento alimentar pH AO LONGO DO TGI 3.SECREÇÃO: 4.ABSORÇÃO: 1.Evitar a Autodigestão Funções da Motilidade Peristaltismo: Resumo para decorar PLEXO SUBMUCOSO (PLEXO DE MEISSNER) 1.MASTIGAÇÃO Mistura e trituração Esvaziamento gástrico Contrações de fome Estimulam o esvaziamento: Inibem o esvaziamento: Digestão e absorção