Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

SOCIOLOGIA ECONÔMICA E 
POLÍTICA 
 
 
 
 
 
 
 
 AULA 1 – 
 ESTUDO DA 
 SOCIEDADE. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Olá, caro (a) aluno (a)! 
 
A sociologia é a ciência que estuda a sociedade, mais precisamente as 
relações sociais em sua objetividade e complexidade. Desta maneira, a 
sociologia usa a economia, a ciência política, a antropologia e a psicologia 
para tentar entender como os grupos sociais humanos se desenvolvem e 
como intervir nessa evolução de forma rigorosamente científica, 
apresentando-se, portanto, uma disciplina que se relaciona com outras áreas 
de conhecimento, distinguindo de outras ciências humanas pela maneira 
como considera e trata seu objeto de estudo. Por outro lado, muitas outras 
áreas do conhecimento também utilizam o conhecimento social para viabilizar 
ações diretamente relacionadas às comunidades participantes e à 
compreensão da existência humana em sua forma intersubjetiva e social. 
Deste ponto de vista, neste capítulo, estudaremos a sociologia como 
estudo da sociedade, delimitando os conceitos de sociedade e sua formação. 
 
 
Bons estudos! 
1 CONCEITO DE SOCIEDADE 
 
 
Uma das principais características da sociedade humana é a sua profunda 
diversificação. Ao longo da história da civilização, criou-se instituições sociais que 
organizam o trabalho, desenvolvem crenças religiosas, constroem relações familiares, 
formam a sexualidade, estabelecem sistemas de troca de produtos, enfim, garantem 
a vida em sociedade. 
A diversidade apresentada pode ter sido responsável por nossa sobrevivência 
como espécie, pois, diferentemente de outros seres vivos, nossa capacidade de 
adaptação não depende apenas de nossa programação genética, mas da maneira 
como nos constituímos enquanto seres culturais e sociais. Embora não possamos 
desprezar a nossa aparelhagem física, faz parte da nossa humanidade promover 
fortes intervenções na nossa corporalidade e no nosso meio para garantirmos a nossa 
evolução como ser social. Até que ponto podemos escalar essas intervenções ainda 
é uma questão em aberto (CASTRO, 2000). 
Em geral, a sociedade é uma condição universal da vida humana. Essa 
universalidade permite uma interpretação biológica ou instintiva e outra simbólico- 
moral ou institucional. Conforme Castro, 2002: 
 
“(...) a sociedade pode ser vista como um atributo básico, mas não exclusivo, 
da natureza humana: somos geneticamente predispostos à vida social; a 
ontogênese somática e comportamental dos humanos depende da interação 
com seus conspecíficos; a filogênese de nossa espécie é paralela ao 
desenvolvimento da linguagem e do trabalho (da técnica), capacidades 
sociais indispensáveis à satisfação das necessidades do organismo” 
(CASTRO, 2000, p. 182). 
 
Mas a sociedade também pode ser vista como uma dimensão constitutiva e 
exclusiva da natureza humana, definida por seu caráter normativo: o ser humano 
torna-se um ator social quando não se baseia em regras instintivas escolhidas pela 
evolução, mas em regras de origem extra-somática historicamente estabelecidas 
(CASTRO, 2000). 
Embora as sociedades mais avançadas sejam as sociedades humanas 
(estudadas pelas ciências sociais, como a sociologia e a antropologia), também 
existem sociedades animais (estudadas pela biologia social ou pela etologia social). 
Em sua especficidade, a sociedade humana é constituída por unidades populacionais 
cujos habitantes e seu ambiente estão unidos em um projeto comum, que lhes confere 
um sentimento de pertença. O conceito também indica que o grupo compartilha laços 
ideológicos, econômicos e políticos. Ao analisar uma empresa, são considerados 
fatores como o nível de desenvolvimento, a tecnologia alcançada e a qualidade de 
vida. 
Compreende-se, assim, que uma sociedade é um grupo autônomo de pessoas 
ocupando um território comum com uma cultura grupal e uma identidade 
compartilhada. As sociedades estão conectadas por relações sociais não apenas 
entre as pessoas, mas também por instituições sociais (família, educação, religião, 
política, economia) (DIAS, 2018). 
As instituições sociais criam vínculos entre passado, presente e futuro: dão 
continuidade à vida social. Quer um exemplo? As pessoas que compõem a sociedade 
brasileira, vivem na mesma área e possuem cultura comum, têm um sentimento de 
pertencimento àquela sociedade e identidade comum (DIAS, 2018). 
Outra característica importante das sociedades é sua desigualdade estrutural. 
Todos eles mostram mais ou menos o fenômeno da estratificação social, ou seja, a 
divisão da sociedade em estratos com acesso desigual à riqueza, poder e prestígio 
(DIAS, 2018). 
 
1.1 A formação da Sociedade 
 
Para compreendermos a formação da sociedade, Trennepohl (2014) diz que, 
primeiro, devemos entender a sociedade como algo vivo, em movimento, marcada por 
condições de conhecimento e estruturas de conhecimento dinâmicas. A sociedade 
está em constante mudança e o desafio é entendê-la nessa complexidade em rápido 
movimento. É necessário, portanto, oferecer reflexões voltadas para a construção de 
uma compreensão das condições sociais, econômicas, políticas e culturais de nossa 
época histórica, como um contexto em constante modificações, resultado de um 
processo de construção histórica. 
Olhando ao nosso redor, percebemos imediatamente que coisas vivas e não 
vivas podem ser encontradas na natureza. Estes últimos são, por exemplo, pedras, 
terra, água, ar, montanhas, estrelas e minerais. Todos os objetos inanimados formam 
o mundo inorgânico do universo. Esses objetos ou fenômenos são estudados pelas 
ciências da natureza. Olhando mais um pouco, percebemos que existem muitos seres 
vivos como plantas e animais. As coisas vivas formam a dimensão orgânica do 
universo. Tanto quanto a ciência pode mostrar, os seres vivos só existem na Terra 
(GONÇALVES; FURTADO; MOURA, 2019). 
O ser humano também é um ser vivo. Mas ele tem uma diferença fundamental 
em relação aos demais seres vivos, ele é um o ser da práxis. Através da prática 
produtiva e a prática social, ele constrói seu mundo e desenvolve experiências sócio- 
históricas, criando um conjunto cada vez mais amplo de objetos sociais. A reprodução 
biológica garante a continuidade de animais e plantas. No processo de reprodução, a 
planta produz flores, pólen, frutos, sementes, que se espalham pela terra e fazem 
brotar novas plantas. Na maior parte do reino animal, ocorre o cruzamento de sexos 
diferentes, o que leva ao nascimento de descendentes. É assim que plantas e animais 
garantem sua continuidade na terra por meio do processo de reprodução da vida. 
Como ser vivo, o ser humano também garante a continuidade de sua espécie por meio 
da reprodução biológica, seguindo a mesma fórmula: fecundação, gravidez, 
nascimento e criação da prole. O ciclo de vida, nascimento, crescimento, reprodução 
e morte é um signo imanente para todas as espécies vivas, incluindo os humanos. No 
entanto, o homem não se reproduz apenas como ser vivo; ele constrói um mundo que 
vai muito além da mera reprodução biológica. Com o surgimento do trabalho e de uma 
variedade de outras atividades que constituem práticas sociais, as pessoas passaram 
a produzir e acumular experiência extrapessoal, experiência que não é ditada por um 
modelo biológico, experiência que não surge de um processo de reprodução da 
espécie. É uma experiência sócio-histórica que emerge e se vincula às práticas 
produtivas e sociais das pessoas e às relações e instituições que compõem a 
sociedade ao longo da história (GONÇALVES; FURTADO; MURA, 2019). 
Compreende-se, assim, que a história da sociedade pode ser vista em termos 
de desenvolvimento sociocultural, dominada e fundada pela relação dos seres 
humanos com o desenvolvimentotecnológico e com a cultura por eles produzida. Este 
desenvolvimento pode ser compreendido se examinarmos os tipos básicos de 
sociedade surgidas ao longo da história (ver Figura 3.5), cuja compreensão pode ser 
útil para entendermos a história humana e as dimensões constitutivas do mundo 
social. No quadro que se segue é possível ver de forma geral os principais aspectos: 
 
 
 
 
 
 
 
1.2 Sociologia, o estudo da sociedade 
 
Como vimos até agora, a sociologia é estudo científico da organização e do 
funcionamento das sociedades humanas e das leis fundamentais que regem as 
relações sociais, as instituições, etc. Nesta perspectiva, pode-se entender a sociologia 
como uma das manifestações do pensamento moderno. Tendo em vista essa 
característica, trataremos nesse tópico de aspectos do surgimento e da formação da 
sociologia na modernidade. Deste modo, para compreensão da prática sociológica e 
sua constituição científica, percorreremos desde a contextualização histórica do seu 
surgimento até a formação dos principais métodos de análise sociológica da realidade 
social. 
O desenvolvimento do pensamento científico, datado da época de Copérnico, 
abrangeu, com a sociologia, um novo campo de conhecimento que ainda não havia 
sido integrado ao conhecimento científico, o do mundo social. Surgindo após a 
constituição das ciências naturais e das diversas ciências sociais (MARTINS, 1988). 
PARA COMPLEMENTAR: Chamamos de revolução industrial o período em 
que um grupo de invenções e inovações criaram um enorme aumento na produção 
de bens. O fenômeno começou na Inglaterra entre 1760 e 1820 e depois se 
espalhou para outros países europeus e os Estados Unidos. 
Durante este período, a economia britânica mudou de uma economia 
predominantemente agrícola para uma industrial, caracterizada pela produção em 
larga escala e uso extensivo de maquinário para reduzir tempo e custos (MARCON, 
2014). 
Desta forma, a sua formação constitui um fato complexo, para o qual 
contribuem um conjunto de circunstâncias, história e epistemológicas e uma série de 
intenções práticas. 
A sociologia, a partir das condições do seu surgimento, inscreveu-se num 
contexto histórico específico, coincidindo com os momentos finais da desintegração 
da sociedade feudal e da consolidação da civilização capitalista. Sua criação não é 
obra de um único filósofo ou cientista, mas é resultado da construção de um grupo de 
pensadores empenhados em compreender novas situações de existência (MARTINS, 
1988). 
A sociologia ergueu-se como resultado de um processo histórico que culminou 
na Revolução Industrial: a segunda revolução científica e tecnológica. Este evento deu 
origem a problemas sociais que os pensadores contemporâneos não conseguiram 
explicar (MARCON, 2014). 
 
 
 
As mudanças trazidas pela Revolução Industrial moldaram e transformaram 
completamente a organização social, deram origem a novas formas de organização e 
provocaram grandes mudanças culturais. Todo esse processo de transformação levou 
ao surgimento de duas novas classes sociais: dos trabalhadores e burguesia. O 
número de cientistas e engenheiros aumentou. 
Nesse contexto, foi a siderurgia que teve um impacto mais decisivo ao 
revolucionar as técnicas de produção, influeciando ao influenciar o desenvolvimento 
de todas as indústrias subsequentes. Melhorias em fornos e sistemas de fundição 
tornaram o ferro disponível de alta qualidade e tiveram grandes vantagens sobre 
outros materiais. Isso levou ao aprimoramento de muitas tecnologias existentes e à 
construção de novas máquinas. De acordo MARCON (2014) esse processo trouxe 
crescimento e estruturação das ferrovias, pontuado que: 
 
O ferro permitiu o desenvolvimento das ferrovias, que vieram se somar às 
outras recentes transformações no sistema de transporte, tais como técnicas 
modernas de pavimentação de estradas e abertura de redes de canais. A 
diminuição do tempo de deslocamento e o intercâmbio iniciaram a ruptura das 
relações de dependência (MARCON, p. 22, 2014). 
 
Toda mudança social poderá afetar de forma negativa ou positiva uma 
sociedade; com o processo da Revolução Industrial, do ponto de vista social, há uma 
grande concentração de pessoas nas cidades britânicas, graças às profundas 
transformações ocorridas no campo. A agricultura de subsistência, típica do 
feudalismo, foi substituída pela mineração em larga escala para atender às 
necessidades industriais. A agricultura foi substituída pela criação de ovelhas para 
fornecer lã para a indústria (MARCON, 2014). 
Um dos fatos mais importantes sobre a revolução industrial é, sem dúvida, o 
surgimento do proletariado e seu papel histórico na sociedade capitalista. Os efeitos 
catastróficos que essa revolução teve sobre a classe trabalhadora fizeram com que 
ela recusasse suas condições de vida. As manifestações da insurreição operária 
passaram por várias fases, como a destruição de máquinas, atos de vandalismo e 
explosão de algumas oficinas, roubo e criminalidade, que evoluíram para a 
constituição de associações e formação sindical, etc. (MARTINS, 1988). 
A Revolução Francesa de 1789 não tinha como objetivo apenas mudar a 
estrutura do Estado e abolir radicalmente a antiga forma de sociedade, mas também 
revogar costumes e hábitos arraigados, de acordo com MARTINS (1988): 
 
A revolução desferiu também seus golpes contra a Igreja, confiscando suas 
propriedades, suprimindo os votos monásticos e transferindo para o Estado 
as funções da educação, tradicionalmente controladas pela Igreja. Investiu 
contra e destruiu os antigos privilégios de classe, amparou e incentivou o 
empresário (MARTINS, p. 23, 1988). 
 
Vejamos o Quadro 1 que demostra os aspectos relacionados a revolução 
Industrial e Revolução Francesa revelando suas ideologias: 
Quadro 1 - Aspectos relacionados a Revolução Industrial e Revolução Francesa. 
Fonte: https://shre.ink/1YNo 
 
Apresentamos anteriormente as condições materiais que possibilitaram o 
nascimento da sociologia. A partir de agora, trataremos das formas de pensamento e 
paradigma epistemológico que susteram o nascimento do estudo da sociedade 
(sociologia) enquanto ciência. 
No século XVII, ocorreu um notável avanço no modo de pensar, significado 
pelo uso sistemático da razão na livre investigação da realidade que caracterizou os 
pensadores conhecidos como racionalistas. Este progresso foi aperfeiçoado pelo 
Iluminismo no século XVIII. O Iluminismo não apenas procurou transformar as velhas 
formas de conhecimento, mas também criticou duramente a sociedade feudal, 
contrapondo os privilégios da nobreza e as restrições que eles impuseram. Conforme 
os interesses econômicos e políticos da burguesia, esta forma de sociedade era 
irracional, injusta e restritiva da liberdade. Com seu pensamento revolucionário 
iluminista, eles desempenharam um papel fundamental na Revolução Francesa de 
1789 (MARCON, 2014). 
Certos pensadores da época estavam imbuídos da convicção de que era 
necessário descobrir uma nova ciência para introduzir a "higiene" na sociedade e 
"reorganizá-la". Esse ponto de vista pode ser encontrado nas ideias de Auguste 
Comte, que propôs a criação de uma física social para estudar a sociedade. A 
sociologia moderna surgiu a partir das ideias desses pensadores que reconheceram 
a necessidade de uma visão sociológica da nova sociedade que surgia com a 
https://shre.ink/1YNo
Para complementar: 
Karl Marx (1818-1883) foi um filósofo alemão e revolucionário socialista. 
Criou a base da doutrina comunista, onde criticou o capitalismo. Sua filosofia tem 
influenciado diversas áreas do conhecimento, como a sociologia, a política, o direito 
e a economia. 
Em fevereiro de 1845, Marx e Engels foram obrigados a sair da França e 
seguiram para a Bélgica, era o início de uma longa amizade. Em Bruxelas, Marx 
instalou-se com a família e junto com Engels; dedicou-se a escreverseus trabalhos 
sobre o socialismo e a manter contato com o movimento operário europeu. 
Fonte: www.ebiografia.com 
Revolução Francesa e a Revolução Industrial. Além de Comte, Karl Marx também foi 
um pensador importante para a configuração da sociologia. 
Em seus trabalhos, Marx analisou as sociedades capitalistas e concluiu que os 
principais conflitos nas sociedades de classe surgiam do fato de que os produtores 
não tinham controle sobre os meios de produção e a influência da lógica do mercado 
ou financeira nas relações humanas. 
Para Marx, o estudo da sociedade deveria começar com seus fundamentos 
materiais, ou seja, a estrutura econômica da sociedade. Essa estrutura representa o 
fundamento da história humana, sobre a qual se baseiam outros níveis de realidade, 
como política, cultura e religião. Segundo a visão marxista, o conhecimento da 
realidade social deve ser uma ferramenta política para orientar grupos e classes 
sociais na transformação da sociedade (MARCON, 2014). 
 
 
http://www.ebiografia.com/
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
 
CASTRO, Eduardo Viveiros de. O conceito de 'sociedade' em antropologia: um 
sobrevoo. Teoria & Sociedade: Revista do departamento de ciência política e 
sociologia e antropologia, v. 5. n.1, p. 182-197, 2000. 
DIAS, Reinaldo. Sociologia. 2. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2018. 
GONÇALVES, Danyelle Nilin. FURTADO, Elizabeth. MOURA, Epitácio Macário. 
Sociologia da Educação. Fortaleza, Ceará. Editora da Universidade Estadual do 
Ceará: EdUECE, 2019. 
 
MARCON, K. J. Sociologia Contemporânea. São Paulo. Ed. Pearson, 2014. 
MARTINS, Carlos Benedito. O que é sociologia. São Paulo: Brasiliense, 1988. 
TRENNEPOHL, Vera Lúcia. Formação e desenvolvimento da sociedade 
brasileira. Rio Grande do Sul, 2014.

Mais conteúdos dessa disciplina