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LEI DE ABUSO DE AUTORIDADE

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Lei do Abuso
de Autoridade
Professora Flávia Lausi Rodrigues 
Professor Thales de São José Sandoval
Reitor 
Prof. Ms. Gilmar de Oliveira
Diretor de Ensino
Prof. Ms. Daniel de Lima
Diretor Financeiro
Prof. Eduardo Luiz
Campano Santini
Diretor Administrativo
Prof. Ms. Renato Valença Correia
Secretário Acadêmico
Tiago Pereira da Silva
Coord. de Ensino, Pesquisa e
Extensão - CONPEX
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Coordenação Adjunta de Ensino
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de Araújo
Coordenação Adjunta de Pesquisa
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Coordenação Adjunta de Extensão
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2021 by Editora Edufatecie
Copyright do Texto C 2021 Os autores
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 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP 
R696L Rodrigues, Flávia Lausi 
 Lei do abuso de autoridade / Flávia Lausi Rodrigues, Thales 
 de São José Sandoval. Paranavaí: EduFatecie, 2021. 
 
 85 p.: il. Color. 
 
 
 
1. Direito penal. 2. Abuso de autoridade - Brasil. I. Sandoval, 
Thales de São José. II. Centro Universitário UniFatecie. III. Núcleo de 
Educação a Distância. IV Título. 
 
CDD: 23 ed. 341.55173 
 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577 
UNIFATECIE Unidade 1 
Rua Getúlio Vargas, 333
Centro, Paranavaí, PR
(44) 3045-9898
UNIFATECIE Unidade 2 
Rua Cândido Bertier 
Fortes, 2178, Centro, 
Paranavaí, PR
(44) 3045-9898
UNIFATECIE Unidade 3 
Rodovia BR - 376, KM 
102, nº 1000 - Chácara 
Jaraguá , Paranavaí, PR
(44) 3045-9898
www.unifatecie.edu.br/site
As imagens utilizadas neste
livro foram obtidas a partir 
do site Shutterstock.
AUTORES
Professora Flávia Lausi Rodrigues
● Bacharela em Direito pela PUC/PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná);
● Pós-graduanda em Direito Civil na UEM (Universidade Estadual de Maringá/PR);
● Graduada no Curso de Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná 
(PUC/PR);
● Inscrita na Ordem dos Advogados do Brasil n. 103.994 OAB/PR; 
● Cursando pós-graduação com ênfase em Direito Civil pela (UEM/PR) Universi-
dade Estadual de Maringá/PR;
● Advogada atuante na área do Direito Privado, com ênfase no Direito Civil e 
Direito de Família, na Comarca de Maringá, Estado do Paraná. 
CURRÍCULO LATTES: http://lattes.cnpq.br/8370474036774655 
 
Professor Thales de São José Sandoval 
 
● Bacharel em Direito pela PUC/PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná);
● Pós-graduando em Ciências Penais pela UEM/PR (Universidade Estadual de 
Maringá/PR);
● Pós-graduando em Direito Processual Civil pela UCAM (Universidade Candido 
Mendes/RJ).
● Graduado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR);
● Advogado, inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil n. 102.972/PR, atuante 
na área do Direito Público, com ênfase no direito penal e processual penal, 
principalmente na cidade de Maringá/PR.
 
CURRÍCULO LATTES: http://lattes.cnpq.br/6055247071827163
APRESENTAÇÃO DO MATERIAL
Seja muito bem-vindo(a)!
Prezado(a) aluno(a), se você se interessou pelo assunto desta disciplina, isso já é 
o início de uma grande jornada que vamos trilhar juntos a partir de agora. Proponho, junto 
com você, construir nosso conhecimento sobre os conceitos fundamentais da nova lei de 
Abuso de Autoridade (Lei nº 13.869/2019). Além de conhecer seus principais conceitos e 
definições, vamos explorar as mais diversas aplicações.
Na Unidade I começaremos a nossa jornada pela legislação penal especial, tra-
tando sobre a tutela penal da Administração Pública, o conceito geral sobre os agentes 
públicos, os bens jurídicos tutelados e as principais legislações que preveem os crimes 
contra a Administração Pública.
Já na Unidade II, vamos ampliar nossos conhecimentos sobre a Lei de Abuso de 
Autoridade. Para isso, vamos detalhar cada uma das principais características, quem é o 
sujeito ativo e o sujeito passivo na prática do crime de abuso de autoridade, faremos uma 
breve análise histórica e abrangente sobre a referida Lei, encerrando a Unidade II, tratando 
sobre a ação penal.
Depois, nas Unidades III e IV vamos tratar especificamente dos efeitos, penas 
restritivas de direito e sanções cíveis e administrativas. Ao longo da Unidade III, vamos 
destacar os principais crimes e penas previstos na lei de abuso de autoridade, tratando 
de forma minuciosa, desde os crimes previstos nos arts. 9º ao artigo 38. Encerraremos, 
abordando sobre os aspectos gerais do procedimento penal que julgarão os crimes de 
abuso de autoridade.
Aproveito para reforçar o convite a você, para junto conosco, percorrer esta jornada 
de conhecimento e multiplicar os conhecimentos sobre tantos assuntos abordados em nos-
so material. Esperamos contribuir para seu crescimento pessoal e profissional. 
Muito obrigado e bom estudo!
SUMÁRIO
UNIDADE I ...................................................................................................... 3
Da Legislação Penal Especial
UNIDADE II ................................................................................................... 20
Da Lei de Abuso de Autoridade
UNIDADE III .................................................................................................. 38
Da Lei de Abuso da Autoridade: Efeitos, Penas Restritivas de Direito 
e Sanções Cíveis e Administrativas
UNIDADE IV .................................................................................................. 56
Da Lei de Abuso de Autoridade: Dos Principais Crimes e das Penas
3
Plano de Estudo:
● Da tutela penal da Administração Pública;
● Do conceito geral sobre agentes públicos;
● Do (s) bem (s) jurídicos tutelados;
● Das principais legislações que preveem crimes contra a Administração Pública .
Objetivos da Aprendizagem:
● Abordar de forma geral a tutela penal da Administração Pública;
● Conceituar e contextualizar as funções dos agentes públicos;
● Compreender os bens jurídicos tutelados pela administração pública, 
bem como pela Lei de Abuso de Autoridade; 
● Analisar as principais legislações que preveem crimes 
contra a administração pública. 
UNIDADE I
Da Legislação Penal Especial
Professora Flávia Lausi Rodrigues 
Professor Thales de São José Sandoval
4UNIDADE I Da Legislação Penal Especial
INTRODUÇÃO
Caro(a) aluno(a),
Seja bem-vindo (a) ao estudo sobre a Lei de Abuso de Autoridade.
O objetivo geral da nossa disciplina é compreender as nuances principais da nova Lei 
de Abuso de Autoridade (Lei nº 13.869/19), enfatizando as características principais do tipo 
penal, os bens jurídicos tutelados e as demais previsões e implicações no nosso cotidiano. 
As informações que serão transmitidas para você, aluno (a), ao longo do nosso 
material de estudo trarão uma melhor compreensão acerca da sistemática da referida lei, 
pois o objetivo é que a partir dessa compreensão, você aluno (a) consiga, por si só, concei-
tuar o crime de abuso de autoridade, analisar e identificar os sujeitos envolvidos aos bens 
jurídicos tutelados, identificar os principais crimes previstos na Lei de Abuso de Autoridade, 
passando, por fim, a desenvolver a expertise para diagnosticar as implicações decorrentes 
da inovação na legislação e os impactos gerados no dia a dia dos agentespúblicos. 
Para tanto, na presente unidade, no Tópico I, abordaremos, de forma geral, a tutela 
da Administração Pública, desde o seu conceito, até suas finalidades, objetivo geral e as 
demais peculiaridades.
No Tópico II, conceituaremos e contextualizaremos as funções do agente público 
no dia a dia. 
Por conseguinte, no Tópico III do nosso material, traremos para você, aluno (a) o 
conteúdo acerca dos bens jurídicos tutelados pela Administração Pública, bem como pela 
Lei do Abuso de Autoridade.
Por fim, encerraremos o estudo da nossa primeira unidade, analisando as principais 
legislações que preveem crimes contra a administração pública 
Vamos começar!
5UNIDADE I Da Legislação Penal Especial
1. DA TUTELA PENAL DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 
Caro (a) aluno (a), iniciaremos o estudo do nosso material trazendo uma visão mais 
abrangente acerca da tutela penal da Administração Pública. Para tanto, antes de iniciarmos 
os nossos estudos, precisamos conhecer e identificar o conceito de administração pública 
e o conceito do abuso de autoridade, a fim de facilitar a compreensão acerca da matéria. 
Nas palavras de José Afonso da Silva (2002):
Administração Pública é o conjunto de meios institucionais, materiais, finan-
ceiros e humanos preordenados à execução das decisões políticas. Essa 
é uma noção simples de Administração Pública que destaca, em primeiro 
lugar, que é subordinada ao Poder Político; em segundo lugar, que é meio e, 
portanto, algo de que se serve para atingir fins definidos e, em terceiro lugar, 
denota os seus dois aspectos: um conjunto de órgãos a serviço do Poder 
Político e as operações, as atividades administrativas. (SILVA, 2002, p.634)
Guilherme de Souza Nucci (2020), por sua vez, define a Administração Pública da 
seguinte forma: 
A administração pública pode ser definida, objetivamente, como a atividade 
concreta e imediata que o Estado desenvolve para a consecução dos inte-
resses coletivos e, subjetivamente, como o conjunto de órgãos e de pessoas 
jurídicas aos quais a lei atribui o exercício da função administrativa do Esta-
do. (NUCCI, 2020, p. 305)
Embora existam diferentes conceitos acerca da Administração Pública, podemos 
dizer que a administração pública define-se como o poder de gestão do Estado, visando 
legislar, fiscalizar, regulamentar, por meio de seus órgãos e instituições, aspirando a um 
serviço público efetivo.
6UNIDADE I Da Legislação Penal Especial
Quanto ao conceito de abuso de autoridade Nucci, (2020) estabelece que: 
Abusar é um verbo de muitos significados, todos espelhando condutas ne-
gativas, variando desde um uso impróprio de algo, passando por se exceder 
nessa utilização de qualquer instrumento, atingindo as fórmulas de menos-
prezo ou humilhação, até alcançar a tomada de medida injusta para fazer 
prevalecer a situação de superioridade. (NUCCI, 2020, p. 1)
Diante do abuso de autoridade, o legislador penal criou a Lei 13.869 de 05 de se-
tembro de 2019, popularmente conhecida como Lei do Abuso de Autoridade, prevendo um 
rol de condutas típicas, visando tutelar, de forma geral, a Administração Pública, intentando 
a fiscalização e a correção dos atos administrativos e a atuação dos órgãos que integram a 
Administração Pública (MENDES, 2000, p. 1). 
Por esse motivo, Mendes (2000) advoga que:
o estudo do controle da Administração Pública nos leva a examinar, princi-
palmente, os mecanismos de correção dos atos públicos, que, como já visto, 
podem ser anulados ou revogados em razão de ilegalidade ou por motivos 
conveniência ou oportunidade. (MENDES, 2000, p. 1)
A tutela penal na Administração Pública visa punir os atos ilícitos cometidos contra 
a Administração Pública. De acordo com (MENDES, 2000, p. 1) a “a apuração e a punição 
do ilícito penal é, sem dúvida, uma forma de controle da Administração Pública, exercida 
pelo Poder Judiciário”. 
Os instrumentos penais utilizados para o controle da Administração Pública: 
são utilizados como forma de controle subsequente ou corretivo, visando não 
propriamente corrigir defeitos ou declarar a nulidade de atos administrativos, 
mas sim, recompor a ordem jurídica e as lesões ao interesse público, median-
te a punição penal (MENDES, 2000, p.1).
Ressalta-se que, nem toda lesão à esfera administrativa é feita por um funcionário 
público. “Com frequência, os particulares, movidos de ímpeto pernicioso, atrapalham o regu-
lar funcionamento da Administração, de modo a reclamar uma tutela” (SOARES, 2005, p.1).
Logo,
qualquer pessoa que lesione esse bem deve merecer a retribuição penal, 
não importando o seu estado ou a sua condição, pois o que se colima res-
guardar em segurança, como já afirmado, é o ente estatal na pessoa da Ad-
ministração Pública. (SOARES, 2005, p.1). 
Em outras palavras, é dizer que a Administração Pública, em geral, é o objeto da 
tutela penal, pois a lei visa, por meio dos seus dispositivos, resguardar a Administração 
Pública, punindo, mediante sanções (restrição de liberdade ou multa) àqueles (funcionários 
públicos ou particulares) que cometem atos ilícitos contra a Administração Pública, em uma 
situação de crime praticado por particulares, imaginemos o crime de desacato.
7UNIDADE I Da Legislação Penal Especial
Para uma melhor compreensão a esse respeito, vejamos, de forma geral, as dispo-
sições da Lei nº 13.869 (Lei do Abuso de Autoridade):
Art 1º. Esta Lei define os crimes de abuso de autoridade, cometidos por agen-
te público, servidor ou não, que no exercício de suas funções ou a pretexto de 
exercê-las, abuse do poder que lhe tenha sido atribuído.
§ 1º. As condutas descritas nesta Lei constituem crime de abuso de autorida-
de quando praticadas pelo agente com a finalidade específica de prejudicar 
outrem ou beneficiar a si mesmo ou a terceiro, ou ainda, por mero capricho 
ou satisfação pessoal.
§2º. A divergência na interpretação de lei ou na avaliação de fatos e provas 
não configura abuso de autoridade. (BRASIL, 2019).
Com a tutela penal pretende-se preservar a normalidade funcional, a probidade, o pres-
tígio, a incolumidade e o decoro da Administração Pública, ou seja, é dizer em outras palavras, 
que se trata de agir de acordo com os princípios éticos e morais aceitos em uma sociedade. 
Celso Antônio Bandeira de Mello (2000, p.1) traz uma importante ressalva em seus 
estudos acerca da tutela penal na Administração Pública, pois ressalta “a possibilidade 
do controle da Administração ser suscitada, “por qualquer pessoa”, com o propósito de 
que seja sancionado o agente que tenha incidido em “abuso de autoridade” por meio da 
aplicação de sanção de natureza penal.
Entre os principais instrumentos legais que tratam da Administração Pública como 
objeto de tutela penal, com previsão de aplicação de sanções de natureza penal para os 
agentes públicos, podemos citar:
● O Código Penal, art. 312 a 326 (Crimes contra a Administração Pública); 
● Lei nº 13.869, de 5 de setembro de 2019 (Lei do Abuso de Autoridade);
● Lei de Licitações e Contratos Administrativos.
Os referidos instrumentos legais serão esmiuçados ao longo dos nossos estudos 
no nosso material.
8UNIDADE I Da Legislação Penal Especial
SAIBA MAIS
A Nova Lei de Abuso de Autoridade (Lei nº 13.869/2019) que começou a vigorar no dia 
03 de janeiro de 2020, chegou, e com força, impondo 45 tipos de condutas abusivas 
contra os agentes públicos de todo o país.
A nova lei amplia tanto as condutas descritas como abusivas na legislação anterior, 
como a quem elas aplicam-se, abrangendo servidores públicos e autoridades, tanto 
civis quanto militares, dos três Poderes - Executivo, Legislativo e Judiciário-, como tam-
bém do Ministério Público, sejam federais ou estaduais.
Fonte: FROZI E PESSI. Uma breve análise da nova Lei de Abuso de Autoridade. Disponível em: https://
www.direitonet.com.br/artigos/exibir/11458/Uma-breve-analise-da-nova-Lei-de-Abuso-de-Autoridade. 
Acesso em: 14 ago. 2021. 
REFLITA
“O Direito Penal constitui a última ratio,devendo ser utilizado como instrumento de re-
serva, destinado ao resguardo dos bens jurídicos que se mostrem os mais relevantes 
em termos sociais e que dependam de um grau de proteção superior àquele propicia-
do por ordens sancionatórias de menor gravidade dentro do ordenamento jurídico, tais 
como a Administrativa e a Civil”.
Fonte: ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Disponível em: https://enciclopediajuridica.pucsp.br/verbete/411/edi-
cao-1/administracao-publica. Acesso em: 05 nov. 2021.
Vimos, ao longo deste tópico, de forma abrangente, a tutela penal da Administração 
Pública que consiste na criação de mecanismos processuais penais (sanções penais pu-
nitivas) que visam punir os atos ilícitos cometidos contra a administração pública, aqueles 
praticados pelos próprios agentes públicos ou pelo particular.
No próximo tópico, trataremos sobre o conceito geral dos agentes públicos.
https://www.direitonet.com.br/artigos/exibir/11458/Uma-breve-analise-da-nova-Lei-de-Abuso-de-Autoridade
https://www.direitonet.com.br/artigos/exibir/11458/Uma-breve-analise-da-nova-Lei-de-Abuso-de-Autoridade
https://enciclopediajuridica.pucsp.br/verbete/411/edicao-1/administracao-publica
https://enciclopediajuridica.pucsp.br/verbete/411/edicao-1/administracao-publica
9UNIDADE I Da Legislação Penal Especial
2. DO CONCEITO GERAL SOBRE AGENTES PÚBLICOS:
Conforme disposto no artigo 1º da Lei nº 13.869/2019, os crimes de abuso de 
autoridade são praticados por agentes públicos. “Esta Lei define os crimes de abuso de au-
toridade, cometidos por agente público, servidor ou não, que, no exercício de suas funções 
ou a pretexto de exercê-las, abuse do poder que lhe tenha sido atribuído”.
Assim, para entendermos de forma clara a aplicabilidade da referida lei, é necessá-
rio compreendermos quem são, efetivamente, os agentes públicos. 
Conforme dispõe o artigo 2º da Lei de Abuso de Autoridade (Lei nº 13.869/2019) 
conceitua-se agente público, toda pessoa que, de alguma forma, exerce função estatal:
Art. 2° Parágrafo único. Reputa-se agente público, para os efeitos desta Lei, 
todo aquele que exerce, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, 
por eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer outra forma de 
investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função em órgão ou en-
tidade abrangidos pelo caput deste artigo. (BRASIL, 2019).
Nas palavras de Miriam V. Fiaux Horvath (2011, p. 23) “Os recursos humanos a 
serviço da Administração Pública, ou seja, a massa de pessoas que realiza tarefas que 
àquela compete, são chamadas de agentes públicos” .
Hely Lopes Meirelles (2004, p. 75) define agentes públicos como todas as pessoas 
incumbidas, definitiva ou transitoriamente, do exercício de alguma função estatal. O autor 
explica que os agentes são divididos em 5 (cinco) espécies, quais sejam: 
10UNIDADE I Da Legislação Penal Especial
a) Agentes políticos: competentes pelas mais altas diretrizes estabelecidas pelo 
Estado. Ocupam os mais elevados postos da Administração Pública. Exemplos: 
Presidente, Governador e Prefeito; 
b) Agentes administrativos: conhecidos também como servidores públicos, li-
gam-se ao Estado por vínculo profissional e integram a massa dos prestadores 
de serviço dos órgãos e entidades públicas. Exemplos: Servidores estatutários 
e celetistas; 
c) Agentes honoríficos: Exercem a função pública momentaneamente e não 
possuem vínculo empregatício com o Estado, podem ser remunerados ou não. 
Exemplos Jurados e mesários; 
d) Agentes delegatários: São particulares e exercem a função pública em seu 
nome, porém são fiscalizados pelos órgãos públicos. Exemplos: Titulares de 
cartório e agentes das concessionárias de serviços públicos; 
e) Agentes credenciados: Recebem da Administração a incumbência de repre-
sentá-la em determinado ato ou de praticar determinada atividade, em momento 
ou tempo certo e mediante remuneração do Poder Público. Exemplo: Peritos 
credenciados da Justiça e médicos credenciados. 
Em outras palavras, agentes públicos são todos os sujeitos que exercem, de alguma 
forma, a função pública ou colaboram com a Administração pública direta ou indiretamente. 
Posto isso, resta claro que a relação duradoura ou permanente, bem como o re-
cebimento de remuneração não são requisitos necessários para que alguém se enquadre 
nos conceitos de agente público. Para facilitar a compreensão, podemos mencionar como 
exemplo os mesários convocados para as eleições, conforme ilustra a Figura 1.
FIGURA 1 - CLASSIFICAÇÃO DO AGENTE PÚBLICO
Fonte: Cláudia, C. A. Direito Administrativo Facilitado. [Digite o Local da Editora]: Grupo GEN, 2018. 
9788530983819. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788530983819/. Acesso 
em: 14 ago. 2021.
11UNIDADE I Da Legislação Penal Especial
É Importante também ressaltarmos sobre a divergência doutrinária a respeito da 
classificação dos seguintes cargos: juiz, promotor, procurador da república e diplomata. 
Pelo entendimento da vertente minoritária defendida por Hely Lopes Meirelle, Maria 
Sylvia Zanella Di Pietro e pelo Supremo Tribunal Federal (STF) referidas funções supraci-
tadas devem ser inseridas na espécie de agente políticos, uma vez que, segundo referidos 
doutrinadores, tais cargos exercem parte da soberania estatal (MAZZA, 2018, p. 697).
Por outro lado, doutrinadores como José dos Santos Carvalho Filho e Celso Antônio 
Bandeira de Mello defendem a ideia de que tais funções não podem ser enquadrados como 
agentes políticos e sim como agentes administrativos, pelo fato de não possuírem a atribuição 
de definir as políticas públicas, ou a possibilidade de serem eleitos (MAZZA, 2018, p.697).
Assim, diante dos amplos conceitos aqui mencionados, podemos concluir que a 
figura do agente público refere-se a qualquer pessoa que apresente algum vínculo com a 
administração pública de forma a contribuir com suas atribuições. 
SAIBA MAIS
A nova lei de Abuso de Autoridade também dispõe que, caso o agente público pratique o 
crime de abuso de autoridade mais de uma vez, o juiz poderá aplicar como pena a ina-
bilitação do cargo pelo período de 1 (um) a 5 (cinco) anos ou, até mesmo, a sua perda: 
não prevalece a condenação anterior, se entre a data do cumprimento ou extinção da 
pena e a infração posterior tiver decorrido período de tempo superior a 5 (cinco) anos, 
computado o período de prova da suspensão ou do livramento condicional, se não ocor-
rer revogação”. (BRASIL, 1984)
Frisa-se que, para que o referido efeito de reincidência aconteça, deve-se, sempre, res-
peitar o disposto pelo artigo 64, I, do Código Penal. 
Fonte: NUCCI, Guilherme de Souza. Leis Penais e Processuais Penais Comentadas - Vol. 1. [Digite o 
Local da Editora]: Grupo GEN, 2020. 9788530991296. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.
com.br/#/books/9788530991296/. Acesso em: 14 ago. 2021.
12UNIDADE I Da Legislação Penal Especial
REFLITA
“O servidor público, qualquer que seja sua formação ou função desempenhada, é um 
importante agente na construção social. Ao contrário das pessoas que desempenham 
cargos políticos, cargos de confiança ou que são servidores temporários, o servidor pú-
blico permanece desempenhando sua função, anos e anos a fundo, tornando-se profun-
do conhecedor da gerência de prestação de serviços ao cidadão”. (FOZ, 2015, online)
Fonte: MIGALHAS, A importância do servidor público. Disponível em:https://www.migalhas.com.br/depe-
so/229125/a-importancia-do-servidor-publico. Acesso em: 05 nov. 2021. 
Após tratarmos sobre o conceito geral de agente público, passaremos no próximo 
tópico, a tratar sobre os bens jurídicos tutelados no âmbito da Lei do abuso de autoridade. 
13UNIDADE I Da Legislação Penal Especial
3. DO(S) BEM(S) JURÍDICO(S) TUTELADO(S) 
Queridos (as) alunos, neste tópico, abordaremos os bens jurídicos tutelados pela 
Lei do abuso de autoridade. Primeiramente, é de suma importância que você aluno (a)saiba o que é o bem jurídico.
Cabete (2020, p. 345) define o bem jurídico tutelado: “trata-se do valor ou interesse 
de alguém que é protegido por lei, sendo a base do Direito Penal para criar normas penais 
incriminadoras, ou seja, quem atentar contra esse bem, será punido”.
O conceito de bem jurídico refere-se ao valor que é protegido pela norma, como, 
por exemplo, o crime de homicídio, pelo qual, o bem jurídico é o direito à vida humana.
Vicenzo Manzini explica o bem jurídico tutelado mediante alguns crimes contra a 
Administração Pública, previsto no Código Penal: 
O interesse público concernente ao normal funcionamento e ao prestígio da 
administração pública em sentido lato, naquilo que diz respeito à probidade, 
ao desinteresse, à capacidade, à competência, à disciplina, à fidelidade, à 
segurança, à liberdade, ao decoro funcional e ao respeito devido à vontade 
do Estado em relação a determinados atos ou relações da própria adminis-
tração. (MASSON, 2013, p.1)
Contudo, quando não há menção expressa do bem jurídico penal, este é facilmente 
identificável, como no caso da Lei nº 11.343/06 que define os crimes relacionados ao tráfico 
de drogas, nesse caso, tutela-se a saúde pública.
Com relação aos bens jurídicos tutelados pela Lei de Abuso de Autoridade, cumpre 
explicar que essa lei é considerada pela doutrina como uma norma que contém delitos 
pluriofensivos, ou seja, de crimes cujo resultado atinge mais de um bem jurídico.
14UNIDADE I Da Legislação Penal Especial
Nesse sentido, é dizer que, os bens jurídicos tutelados pela Lei do Abuso de Auto-
ridade possuem como premissa fundamental (CABETE, 2020, p. 8):
● Regular o funcionamento da administração pública;
● Os direitos e garantias fundamentais previstas na Constituição Federal.
Os bens jurídicos tutelados pela Lei do Abuso de Autoridade podem variar a depen-
der do tipo penal sob análise, no entanto, os dois bens jurídicos citados acima são o foco 
do legislador penal.
O bem jurídico-penal trata-se de um dos institutos angulares do Direito Penal mo-
derno. Ainda que de difícil conceituação, pode-se dizer que o bem jurídico-penal constitui 
qualquer valor material ou imaterial cuja preservação é imprescindível para a convivência 
e desenvolvimento humano. 
Tratando-se dos outros bens jurídicos tutelados pela Lei do abuso de autoridade, 
Cabete (2020, p. 346) destaca:
● A legalidade;
● Eficiência;
● Celeridade da Administração Pública;
● Celeridade da Administração da Justiça;
● Dignidade da pessoa humana;
● O devido processo legal;
● O Princípio da Razoabilidade dos Prazos, hoje previsto expressamente na 
Constituição Federal (Art. 5º, LXXVIII).
Ou seja, a Lei de abuso de autoridade visa resguardar, por meio de suas normas, 
resguardar todos esses bens, conforme previsto na Constituição Federal. 
SAIBA MAIS
De um modo geral, ocorre abuso de autoridade quando o agente público exerce o poder 
que lhe foi conferido com excesso de poder ou desvio de finalidade. O grande desafio de 
uma norma penal como esta é encontrar um ponto de equilíbrio de modo a evitar que, a 
pretexto de dissuadir os abusos, de forma colateral, iniba o desempenho de funções pú-
blicas ordenadoras da vida privada, marcadamente impopulares e objeto de insatisfação 
dos destinatários alcançados pela ação estatal.
Fonte: Lei Penais Especiais Comentadas, Juspodivm, 2020.
Após abordados os bens jurídicos tutelados no âmbito da Lei de abuso de auto-
ridade, passaremos a tratar sobre as principais legislações que preveem crimes contra a 
Administração Pública. 
15UNIDADE I Da Legislação Penal Especial
4. DAS PRINCIPAIS LEGISLAÇÕES QUE PREVEEM CRIMES CONTRA A 
 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
Neste tópico, trataremos sobre as principais legislações aplicadas nos crimes pra-
ticados contra a administração pública. 
A primeira legislação a ser estudada será o Código Penal que trouxe em sua parte 
Especial, arts. 312 a 359 -H, condutas acerca de grande parte dos crimes praticados contra 
a administração pública. 
Neste capítulo do Código Penal, título XI, através da previsão dos delitos e das 
sanções penais, o legislador busca “proteger o normal desenvolvimento da máquina admi-
nistrativa em todos os setores de sua atividade, no sentido do bem-estar e do progresso da 
sociedade” (SARRUBBO, 2012, p. 232). 
O doutrinador Maio Luiz Sarrubbo (2012) ainda explica: 
Proíbe-se, pela incriminação penal, não só a conduta ilícita dos agentes do 
poder público (os funcionários públicos) como a dos estranhos (os não fun-
cionários públicos) que venham, de forma comissiva ou omissiva, causar ou 
expor a perigo de dano a função administrativa. (SARRUBBO, 2012, p. 232)
O Código dividiu os delitos contra a Administração Pública em três capítulos, quais sejam:
a) crimes praticados pelos seus próprios integrantes (funcionários);
b) crimes praticados por particular contra a Administração pública;
c) crimes contra a Administração da Justiça. (BITTENCOURT, 2020, p. 38).
16UNIDADE I Da Legislação Penal Especial
Em outras palavras, o sujeito ativo dos crimes praticados contra a Administração 
Pública não se limita somente aos funcionários públicos, podendo ser praticados também 
por particulares. 
Para que você, aluno (a), compreenda a diferença dos crimes praticados pelos 
funcionários públicos dos crimes praticados por particulares, trouxemos 2 (dois) exemplos 
tipificados pelos artigos 317 e 333 respectivamente: 
a) Corrupção passiva (crime praticado por funcionário público): Solicitar ou receber, 
para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou an-
tes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa 
de tal vantagem;
b) Corrupção ativa (crime praticado por particular): Oferecer ou prometer vantagem 
indevida a funcionário público, para determiná-lo a praticar, omitir ou retardar 
ato de ofício. 
 Ainda com relação às condutas típicas e específicas dos crimes contra a Admi-
nistração Pública dispostas no Código Penal, em 03 de janeiro de 2020, após 4 (quatro) 
anos de longas discussões e debates e, em meio ao cenário político da “operação lava 
jato”, entrou em vigor a nova Lei de Abuso de Autoridade (13.869/2019). Tal lei entrou em 
vigor com o objetivo de punir os atos praticados por agentes públicos que atentam contra a 
administração pública (NUCCI, 2020, p. 1) . 
Guilherme de Souza Nucci (2020, p.1), explica que a nova lei surgiu, porque a an-
terior (Lei 4.898/65) que também tipificava os atos ilegais praticados pelos agente públicos, 
havia sido esquecida, o autor faz menção a ela como um “fantasma jurídico”. 
Assim, é importante destacarmos as principais inovações trazidas pela nova Lei de 
Abuso de Autoridade: 
a) a tipificação penal tornou-se mais taxativa;
b) o agente público somente será punido quando agir dolosamente com a finali-
dade específica de prejudicar outrem ou beneficiar a si mesmo ou terceiro, ou 
atuar por capricho ou satisfação pessoal; 
c) As interceptações telefônicas e as quebras de segredo de Justiça sem autoriza-
ção judicial passaram a ser crime. (NUCCI, 2020, p.1) 
De acordo com Rogério Greco e Rogério Sanches Cunha, a Lei de Abuso de Au-
toridade possui como objeto: “modernizar a prevenção e repressão aos comportamentos 
abusivos de poder no trato dos direitos fundamentais do cidadão, colocando em mira a 
conduta de autoridades e agentes públicos”. 
17UNIDADE I Da Legislação Penal Especial
Conforme já mencionado em nossos estudos, a Lei de Licitações e Contratos 
Administrativos (Lei nº 14.133 de 2021) também é outro importante instrumento legal de 
combate aos crimes praticados contra a administração pública. 
O principal objetivo dessa lei foi trazer maior transparência aos processos licitatórios 
e impedir a corrupção dos contratos públicos. Sua publicação foi em 01.04.2021, trazendo 
a inserção dos artigos 337-E a 337-O ao Código Penal.
SAIBA MAIS
Embora o Código Penal seja dividido em crimes praticados pelosfuncionários públicos e 
crimes praticados por particulares, existem alguns delitos como o de usurpação de fun-
ção pública que pode ser cometido tanto por particulares como por funcionário público. 
Exemplo: quando um particular de maneira ilegítima assume o lugar de um funcionário 
público ou quando um funcionário público ocupa o lugar de outro funcionário público de 
maneira indevida. 
Fonte: ASSOCIAÇÃO DOS ADVOGADOS DE SÃO PAULO. Usurpação da função pública pode ser co-
metida por funcionário público que assume funções de outro. Disponível em: https://www.aasp.org.br/
noticias/trf-1a-usurpacao-da-funcao-publica-pode-ser-cometida-por-funcionario-publico-que-assume-fun-
coes-de-outro/. Acesso em: 05 nov. 2021. 
Encerramos o estudo da nossa unidade tratando sobre as principais legislações 
que preveem crimes contra a administração pública.
18UNIDADE I Da Legislação Penal Especial
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Prezado (a) aluno(a),
Conforme já tratado inicialmente, nossa disciplina buscou trazer a apresentação da 
lei que versa sobre o abuso de autoridade (Lei nº 13.869/19) com ênfase no estudo sobre 
suas características do crime de abuso de autoridade, o bem jurídico tutelado e as suas 
principais implicações na prática cotidiana. 
Assim, visando introduzir, para você, aluno(a,) o conteúdo da nossa disciplina, no 
primeiro tópico, trouxemos, de forma abrangente, as principais características da tutela 
penal da Administração Pública no âmbito da Lei de Abuso de Autoridade.
Posteriormente, trouxemos para você, aluno(a), os principais conceitos de adminis-
tração pública e abuso de autoridade presentes na doutrina nacional.
Assim, a partir dos referidos conceitos trazidos no segundo tópico, tratamos sobre 
os principais instrumentos utilizados para a tutela penal da Administração Pública, bem 
como as demais peculiaridades da tutela penal da Administração Pública. 
Por conseguinte, no tópico II, abordamos o conceito geral dos agentes públicos, as 
espécies de agentes públicos, bem como suas funções e colaboração junto à administra-
ção pública. Também, abordamos divergentes posicionamentos doutrinários a respeito das 
espécies de agentes públicos. 
Por fim, no terceiro tópico, encerraremos a nossa matéria desta unidade, tratando 
sobre as principais legislações que preveem crimes contra a Administração Pública no 
âmbito nacional. 
A partir de agora, acreditamos que você já está preparado para seguir para a pró-
xima unidade, para tratarmos sobre a abrangência da Lei de Abuso de Autoridade e a sua 
breve análise histórica, as principais características da lei, o sujeito ativo do crime de abuso 
de autoridade, e as peculiaridades da ação penal. 
Até a próxima unidade. Muito obrigado!
19UNIDADE I Da Legislação Penal Especial
MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO
Título: Crimes contra a administração pública
Autores: Luciano Anderson de Souza, Miguel Reale Júnior.
Editora: Revista dos Tribunais.
Sinopse: A obra está na 2ª edição e trata, com uma análise crí-
tica ampla e aprofundada, de crimes como a corrupção e outros 
praticados contra a Administração Pública. E nessa edição, inova 
ao apresentar uma análise do aclamado “Pacote Anticrime”, anali-
sando itens como a fixação automática de regime inicial fechado, 
incremento da punição pelo crime de resistência, criminalização 
do uso de caixa dois em eleições. Trata-se de uma obra essencial 
aos acadêmicos e profissionais do Direito que procuram aprofun-
dar-se na matéria e “estabelecer teses críticas a casos concretos, 
questionando-se a legitimidade de diversos dispositivos legais”.
FILME / VÍDEO
Título: Polícia Federal: A lei é para todos
Ano: 2017.
Dirigido por: Marcelo Antunez.
Elenco: Antonio Calloni, Bruce Gomlevsky, Flávia Alessandra, 
Reiner Cadete, João Baldasserini.
Duração: 107 minutos.
Gênero: Policial.
Sinopse: Baseado na Operação Lava Jato, o filme mostra o tra-
balho da Polícia Federal na investigação do esquema de lavagem 
de dinheiro e propina, envolvendo empresários e políticos do país. 
20
Plano de Estudo:
● Da abrangência da Lei de Abuso de Autoridade e breve análise histórica;
● Das principais características;
● Do sujeito ativo do crime de abuso de autoridade;
● Da ação penal.
Objetivos da Aprendizagem:
● Abordar de forma abrangente a Lei de Abuso de Autoridade, 
traçando uma breve análise histórica;
● Tratar sobre as principais características da Lei de Abuso de Autoridade;
● Definir o sujeito ativo e o sujeito passivo presentes nos crimes de abuso de Autoridade; 
● Analisar o conceito de ação penal bem como os seus desdobramentos 
atinentes à Lei de Abuso de Autoridade.
UNIDADE II
Da Lei de Abuso de Autoridade
Professora Flávia Lausi Rodrigues 
Professor Thales de São José Sandoval
21UNIDADE I Da Legislação Penal Especial 21UNIDADE II Da Lei de Abuso de Autoridade
INTRODUÇÃO
Caro(a) aluno(a),
Seja bem-vindo(a) novamente ao estudo sobre a Lei de Abuso de Autoridade.
Para tanto, na presente unidade, no Tópico I, estudaremos a abrangência da Lei de 
Abuso de Autoridade, bem como, faremos uma breve análise histórica sobre a sua origem. 
Nesse tópico, analisaremos os principais elogios e críticas feitos à nova legislação, bem 
como, traremos sobre os principais objetivos do legislador com sua edição. 
No Tópico II, nos aprofundaremos, trazendo as principais características e altera-
ções legislativas realizadas pela nova lei. 
Por conseguinte, no Tópico III, do nosso material, traremos para você, aluno(a), 
as definições de sujeito ativo e sujeito passivo presentes na Lei de Abuso de Autoridade. 
Veremos que, quanto aos sujeitos, o ativo pode ser a pessoa física ou a pessoa jurídica, 
quem pratica a conduta penal ilícita e com relação ao passivo, trata-se da pessoa física ou 
jurídica prejudicada pela conduta abusiva.
Por fim, encerraremos o estudo da nossa segunda unidade, tratando sobre a Ação 
Penal. Para tanto, trouxemos para você, aluno(a), o conceito de Ação Penal e Ação Penal 
Pública incondicionada, sendo esta, o tipo de Ação Penal nos crimes de abuso de autori-
dade. Trouxemos para você, aluno(a), a exceção prevista na Lei quanto à propositura da 
ação penal e as demais peculiaridades e disposições legais previstas na Lei de Abuso de 
Autoridade (Lei nº 13.869/19).
Acreditamos que, a partir dos estudos da nossa unidade, você, aluno(a), estará 
preparado para a próxima unidade que tratará sobre os efeitos, as penas restritivas de 
direito e sanções cíveis e administrativas atinentes à Lei de Abuso de Autoridade.
Vamos começar!
22UNIDADE I Da Legislação Penal Especial 22UNIDADE II Da Lei de Abuso de Autoridade
1. DA ABRANGÊNCIA DA LEI DE ABUSO DE AUTORIDADE E BREVE 
 ANÁLISE HISTÓRICA 
Prezado(a) aluno(a),
Para iniciarmos os estudos desta unidade, faremos uma breve análise histórica 
acerca do contexto e cenário em que a “nova” Lei de Abuso de Autoridade (Lei nº 13.869, 
de 5 de setembro de 2019) foi editada, bem como identificarmos a abrangência dela junto 
aos agentes públicos e toda a sociedade. 
Primeiramente, é necessário lembrarmos que conforme estudamos na Unidade I, a 
Lei de Abuso de Autoridade teve origem em 1965, durante a ditadura militar. Ocorre que, 
conforme mencionado por Guilherme de Souza Nucci (2020, p. 2) “ninguém ligava para a 
existência da Lei 4.898/65 (Lei de Abuso de Autoridade); era um “fantasma jurídico”.
 Assim, ante ocorrência de diversas evoluções sociais e políticas surgiu a preo-
cupação do legislador em atualizar a referida legislação, emergindo, assim, a nova Lei de 
Abuso de Autoridade (Lei 13.869/ 2019). 
O momento da edição da lei era de grande tensão política, em que a população 
estava voltada para a maior investigação de esquema de lavagem e desvio de dinheiro da 
história do Brasil, a famosa “Operação Lava Jato”. Muitos procuradores, juízes e policiais 
foram contra a sua edição, alegando cerceamento de suas atividades profissionais.
Nesse contexto, a edição da referida lei aconteceu em épocaequivocada, trazendo 
a impressão para o judiciário e parte da população de uma resposta vingativa do Parlamen-
to contra os operadores do direito, que,naquela ocasião, passavam por um momento frágil 
da operação (NUCCI, 2019). 
23UNIDADE I Da Legislação Penal Especial 23UNIDADE II Da Lei de Abuso de Autoridade
Apesar da revolta e do inconformismo gerado em alguns indivíduos, a referida Lei 
não possui nenhum vício inconstitucional. Ainda que o objetivo do Parlamento fosse tornar 
o sistema mais rígido e arbitrário, o referido efeito não foi atingido, uma vez que, segundo o 
doutrinador todo o conjunto de artigos da nova lei favoreceu o agente público. (NUCCI, 2019). 
Em meio ao cenário de críticas, elogios e muitas opiniões divergentes, o respeitado 
e importante Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM) também manifestou-se: 
[...] diante de uma reflexão mais aprofundada sobre o tema, soa ingênuo 
apostarmos que mais uma medida simbólica, como tantas outras, seria capaz 
de mudar esse déficit democrático do nosso sistema de Justiça. A reforma 
processual capaz de retirar das autoridades judiciárias poderes absolutos e 
instituir, finalmente, o sistema acusatório no processo penal brasileiro, reti-
rando sua matriz inquisitorial, perpassa por questões mais complexas e a 
mudança de toda uma cultura jurídica. (IBCCRIM, ANO, n.p.)
 Posto isso, podemos concluir que, embora a nova Lei (13.869, de 5 de setembro 
de 2019) tenha recebido muitas críticas em razão do cenário político em que foi editada, a 
Lei anterior (4.898/65, de 9 de dezembro de 1965) precisava ser adaptada aos novos tem-
pos. Assim, seria totalmente incoerente o legislador aplicar atualmente as mesmas regras 
penais regidas na época do estado ditatorial, em que os direitos e garantias fundamentais 
eram cerceados constantemente. 
Caro(a) aluno(a), fizemos uma breve análise histórica sobre o surgimento da nova 
lei e para entendermos, de forma clara, e abrangente a sua aplicabilidade, precisamos 
aprofundar nossos estudos acerca do conceito denominado: abuso de autoridade.
Guilherme Nucci (2020, p.2 ) explica que abusar, trata-se de um verbo com inúme-
ros significados, refletindo sempre em condutas negativas. O autor esclarece que a conduta 
pode variar desde o uso impróprio de algo ou até a execução de medida injusta para fazer 
prevalecer a situação de superioridade. 
O objetivo do legislador com a lei foi tipificar as condutas abusivas cometidas pelas 
autoridades, como agentes do Estado. Conforme disposto no artigo 2º da nova lei (Lei 
13.869/2019), comete crime de abuso de autoridade “qualquer agente público, servidor ou 
não, da administração direta, indireta ou fundacional de qualquer dos Poderes da União, 
dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e de Território”. 
Fernando Capez (2020) explica o objetivo do legislador da seguinte forma: 
O legislador procurou punir o excesso e o desvio de poder, zelando pelo cor-
reto desempenho das funções de natureza pública. Ao desviar-se ou extrapo-
lar o exercício de sua função, o sujeito trai a confiança nele depositada pela 
sociedade e viola o poder de que foi investido por delegação de sua fonte 
originária, o povo. (CAPEZ, 2020, p.56)
24UNIDADE I Da Legislação Penal Especial 24UNIDADE II Da Lei de Abuso de Autoridade
Nesse contexto, a respeitável doutrinadora Maria Sylvia Zanella Di Pietro (2004, p. 
99) explica que o poder de polícia só deve ser exercido para atender o interesse público, 
argumentando que a autoridade que se afastar da finalidade pública com o objetivo de 
prejudicar ou beneficiar pessoas determinadas, incidirá em desvio de poder, ou seja, estará 
cometendo o crime de abuso de autoridade. 
Os crimes de abuso de autoridade estão previstos no Capítulo VI, do artigo 9º ao 
38º da nova legislação (Lei 13.869/2019). Assim, para que você, aluno(a), melhor com-
preenda a temática, trouxemos 2 (dois) exemplos de casos de abuso de autoridade dentre 
os inúmeros especificados na lei:
Exemplo 1: Policial que prende uma pessoa e a coloca em frente ao logotipo 
do batalhão para que possa filmá-la e ganhar visibilidade nas redes sociais pela prisão. 
Nesse caso, a conduta da autoridade estatal está tipificada no artigo 13 inciso II da Lei nº 
13.869/2019.
Art. 13. Constranger o preso ou o detento, mediante violência, grave ameaça 
ou redução de sua capacidade de resistência, a:
I - exibir-se ou ter seu corpo ou parte dele exibido à curiosidade pública; 
II - submeter-se a situação vexatória ou a constrangimento não autorizado 
em lei (BRASIL,2019).
Exemplo 2: Agente público que impede o preso de ter contato com seu advogado, 
seja no momento da audiência ou enquanto preso. Tal conduta está tipificada no artigo 20, 
parágrafo único da Lei 13.869/2019. 
Art. 20. Impedir, sem justa causa, a entrevista pessoal e reservada do preso 
com seu advogado:
Pena - detenção, de 6 (seis meses a 2 (dois) anos e multa. 
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem impede o preso, o réu ou o 
investigado de entrevistar-se pessoal e reservadamente com seu advogado 
ou defensor, por prazo razoável, antes de audiência judicial, e de sentar-se 
ao seu lado e com ele comunicar-se durante a audiência judicial, salvo no 
curso de interrogatório ou no caso de audiência realizada por videoconferên-
cia. (BRASIL, 2019).
Assim, visando proteger o regular funcionamento da Administração Pública, a nova 
lei representou um grande marco jurídico no combate aos abusos praticados por autorida-
des e agentes públicos (CAPEZ, 2020, p.56). 
25UNIDADE I Da Legislação Penal Especial 25UNIDADE II Da Lei de Abuso de Autoridade
SAIBA MAIS
Ante à discordância de muitos com edição da nova legislação foram propostas 7 (sete) 
ações, questionando a sua constitucionalidade, quais sejam: ADIs 6.302, 6.234, 6.236, 
6.238, 6.239, 6.240, 6.266. As ações foram promovidas por associações de magistrados 
de auditores e por partido político.
Fonte: MIGALHAS, Partido questiona no STF lei de abuso de autoridade. Disponível em: https://www.mi-
galhas.com.br/quentes/318231/partido-questiona-no-stf-lei-de-abuso-de-autoridade. Acesso em: 13 nov. 
2021. 
REFLITA
“A Ordem dos Advogados do Brasil, que tem como missão fundamental a defesa do 
Estado Democrático de Direito, enxerga nessa importante atualização legislativa um 
grande avanço para efetivamente demonstrar à sociedade brasileira que ninguém está 
acima da lei e do respeito à Constituição Federal.”
Fonte: MIGALHAS. A OAB apoia a lei do abuso de autoridade. Disponível em: https://www.migalhas.com.
br/quentes/309439/oab-apoia-lei-do-abuso-de-autoridade. Acesso em: 13 nov. de 2021. 
Neste tópico, fizemos uma breve análise sobre o surgimento da nova legislação, 
bem como acerca de sua abrangência junto aos agentes públicos e a sociedade.
 No próximo ,analisaremos as principais inovações trazidas pela nova lei, bem como 
explicaremos, de forma mais detalhada, as suas principais características.
26UNIDADE I Da Legislação Penal Especial 26UNIDADE II Da Lei de Abuso de Autoridade
2. DAS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS
Primeiramente, antes de elencarmos as principais características da nova legisla-
ção, é necessário pontuarmos as modificações trazidas, sendo elas:
● Lei de Prisão Temporária (Lei nº 7.690/1989); 
● Lei de Interceptação Telefônica (Lei nº 9.296/1996);
● Estatuto da OAB (Lei nº 8.906/1994);
● Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/1990). 
2.1 Lei de Prisão Temporária: 
a) Inclusão em seu artigo 2º do dispositivo §4- A, no qual consta sobre a obrigato-
riedade de inserir no mandado de prisão temporária o seu período de duração, bem como 
o dia em que o preso será liberado.
 b) Modificação da redação do § 7º do artigo 2º, de forma que, com a alteração, 
tornou-se expresso que decorrido o prazo contido no mandado de prisão, o preso deverá 
ser colocado em liberdade independente de nova ordem da autoridade judicial. 
c) Integrouo § 8º no artigo 2º, de forma que deixou expresso que o dia do cumpri-
mento do mandado de prisão deverá ser incluído no cômputo do prazo de prisão. 
Referidas modificações ocorreram para que a autoridade que desrespeitar os 
prazos e procedimentos previstos na Lei de Prisão Temporária (Lei 7.690/1989) possa 
ser punida pelo crime de abuso de autoridade disposto no artigo 9º, Capítulo VI da Lei nº 
13.869 de 2019 (Lei de Abuso de Autoridade). 
27UNIDADE I Da Legislação Penal Especial 27UNIDADE II Da Lei de Abuso de Autoridade
2.2 Lei de Interceptação Telefônica:
a) Inclui como crime a escuta ambiental, assim a redação do seu artigo 10º ficou 
da seguinte forma: “constitui crime realizar interceptação de comunicações telefônicas, de 
informática ou telemática, promover escuta ambiental ou quebrar segredo de Justiça, sem 
autorização judicial ou com objetivos não autorizados em lei”. 
b) Inclusão do parágrafo único no artigo 10º, dispondo em sua redação que referidos 
crimes também podem ser cometidos por autoridade judicial “Parágrafo único. Incorre na 
mesma pena a autoridade judicial que determina a execução de conduta prevista no caput 
deste artigo com objetivo não autorizado em lei”. 
Estatuto da Criança e do Adolescente: Inclusão do artigo 227-A estabelecendo 
que se o servidor público praticar algum dos crimes previstos pelo ECA (Lei 8.069 de 1990) 
só perderá o cargo, mandato ou função caso o crime seja reincidente. 
Estatuto da OAB: Inclusão do artigo 7º-B, de forma a criminalizar conduta de 
autoridade judicial que viole os direitos e prerrogativas dos advogados. 
Para que você, aluno(a), melhor compreenda essa temática, trouxemos alguns 
exemplos de direitos e prerrogativas dos advogados dispostos no artigo 7º, incisos II, III e 
IV do Estatuto: 
a) a) a inviolabilidade de seu escritório ou local de trabalho, bem como de seus 
instrumentos de trabalho, de sua correspondência escrita, eletrônica, telefônica 
e telemática, desde que relativas ao exercício da advocacia; 
b) b) comunicar-se com seus clientes, pessoal e reservadamente, mesmo sem 
procuração, quando estes acharem-se presos, detidos ou recolhidos em esta-
belecimentos civis ou militares, ainda que considerados incomunicáveis;
c) c) ter a presença de representante da OAB, quando preso em flagrante, por moti-
vo ligado ao exercício da advocacia, para lavratura do auto respectivo, sob pena 
de nulidade e, nos demais casos, a comunicação expressa à seccional da OAB;
Dessarte, necessário se faz destacar que, além de alterar as leis acima mencio-
nadas, a Lei nº 13.869 de 2019, também revogou dois dispositivos do Código Penal, quais 
sejam: o § 2º do artigo 150 e o artigo 350. 
Conforme disposto no §1º do artigo 1º da Nova Lei de Abuso de Autoridade, para 
que o agente responda pelo crime, deve-se observar se a conduta abusiva teve como 
finalidade “prejudicar outrem ou beneficiar a si mesmo ou a terceiro, ou, ainda, por mero 
capricho ou satisfação pessoal”. 
28UNIDADE I Da Legislação Penal Especial 28UNIDADE II Da Lei de Abuso de Autoridade
Art. 1º Esta Lei define os crimes de abuso de autoridade, cometidos por 
agente público, servidor ou não, que, no exercício de suas funções ou a pre-
texto de exercê-las, abuse do poder que lhe tenha sido atribuído. 
§ 1º As condutas descritas nesta Lei constituem crime de abuso de autorida-
de quando praticadas pelo agente com a finalidade específica de prejudicar 
outrem ou beneficiar a si mesmo ou a terceiro, ou, ainda, por mero capricho 
ou satisfação pessoal. (BRASIL, 2019).
 Guilherme Nucci (2019) exemplifica da seguinte forma: 
se o agente público prender uma pessoa apenas para prejudicá-la; somente 
para se beneficiar disso; exclusivamente por capricho (vontade arbitrária ou 
birrenta) ou unicamente para satisfação pessoal (regozijo), indiscutivelmente 
estão abusando do seu poder. (NUCCI, 2019, ON-LINE)
O Autor ainda explica que com o elemento específico do dolo, fica muito difícil pro-
var a ilegalidade da conduta, afirmando, assim, que a nova Lei trouxe uma proteção maior 
ao agente público. Desse modo, somente será caracterizado o abuso, quando a intenção 
de beneficiar o autor do crime ou prejudicar outra pessoa estiver comprovada. 
Conforme dispõe o artigo 18º, inciso I do Código Penal, pratica crime doloso, o 
sujeito que quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo. 
Outra característica é que os tipos penais passaram a ser mais taxativos, com a 
antiga lei as previsões eram abertas, trazendo grande dúvida quanto à caracterização do 
crime (NUCCI, 2020, p.1). 
Por fim, necessário se faz destacarmos que a nova Lei prevê a recuperação do 
direito de tornar-se, outra vez, autoridade. “No âmbito do Código Penal, a perda do cargo, 
mandato ou função é definitiva”, assim estamos diante de mais uma novidade trazida pela 
lei que beneficia o agente público (NUCCI, 2019).
29UNIDADE I Da Legislação Penal Especial 29UNIDADE II Da Lei de Abuso de Autoridade
SAIBA MAIS
“Ao sancionar a Nova Lei de Abuso de Autoridade, o atual Presidente Jair Messias Bol-
sonaro vetou parcial ou integralmente 19 artigos desse diploma legal. As principais justi-
ficativas são acerca da inconstitucionalidade, da contrariedade ao interesse público e da 
insegurança jurídica gerada ao agente público no momento de sua atuação. No entanto, 
o Congresso Nacional foi responsável pela derrubada de 10 destes vetos presidenciais”.
Fonte: ÂMBITO JURÍDICO. A nova lei de abuso de autoridade: A insegurança jurídica gerada pelo uso de 
conceitos jurídicos indeterminados e pela criminalização da hermenêutica jurídica. Disponível em: https://
ambitojuridico.com.br/cadernos/direito-penal/a-nova-lei-de-abuso-de-autoridade-a-inseguranca-juridica-
-gerada-pelo-uso-de-conceitos-juridicos-indeterminados-e-pela-criminalizacao-da-hermeneutica-juridica/
amp/#_ftn7. Acesso em: 13 nov. 2021. 
REFLITA
“O legislador procurou punir o excesso e o desvio de poder, zelando pelo correto desem-
penho das funções de natureza pública. Ao desviar-se ou extrapolar o exercício de sua 
função, o sujeito trai a confiança nele depositada pela sociedade e viola o poder de que 
foi investido por delegação de sua fonte originária, o povo” 
Fonte: Capez, F. Curso de direito penal v 4 - legislação penal especial. Editora Saraiva, 2020. 
9788553619245. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788553619245/. 
Acesso em: 22 ago. 2021.
30UNIDADE I Da Legislação Penal Especial 30UNIDADE II Da Lei de Abuso de Autoridade
3. DO SUJEITO ATIVO DO CRIME DE ABUSO DE AUTORIDADE
Caro(a) aluno(a), neste tópico, trataremos sobre o sujeito ativo do crime de abuso 
de autoridade, apresentando, desde o conceito de sujeito ativo, bem como as suas peculia-
ridades e a sua disposição legal. 
O autor Guilherme de Souza Nucci (2020) define o sujeito ativo como:
Sujeito Ativo: é a pessoa que pratica a conduta penal. Nota-se que animais 
e coisas não podem ser sujeitos ativos de crimes. Quanto às pessoas jurídi-
cas, os Tribunais Superiores (STF e STJ) pacificaram o entendimento de que 
é possível sua responsabilização penal. (NUCCI, 2020, p. 289)
Ou seja, é dizer que o sujeito ativo é aquele que pratica a conduta penal, que se 
trata de comportamento humano voluntário dirigido a um fim ilícito. 
Conforme disposto no artigo 1º da Lei nº 13.869/2019, os crimes de abuso de 
autoridade são praticados por agentes públicos. Essa Lei define os crimes de abuso de 
autoridade, cometidos por:
● “Agente público;
● Seja ele servidor ou não,
● Que, no exercício de suas funções ou a pretexto de exercê-las;
● Abuse do poder que lhe tenha sido atribuído”.
É Imperioso ressaltar que, no momento em que a legislação menciona que o agente 
pode “ser servidor ou não”, é dizer nas palavras de Cabette (2020) que: 
31UNIDADE I Da Legislação Penal Especial 31UNIDADE II Da Lei de Abuso de Autoridade
Efetivamente se está adotando o conceito administrativo deagente público, 
que é bem mais amplo do que aquele de “funcionário público” ou “servidor pú-
blico”, de forma que mesmo um indivíduo que exerça alguma função pública 
sem remuneração ou vínculo estatutário ou empregatício com o Estado, pode 
ser considerado sujeito ativo. (CABETTE, 2020,p. 158) 
Nesse sentido, para melhor compreensão da matéria, Cabette (2020) cita os se-
guintes exemplos:
1. Um Conselheiro Tutelar em uma cidade em que a função não seja sequer 
remunerada, e como se sabe é temporária, poderá praticar crimes de abuso de 
autoridade, ou seja, pode ser caracterizado como agente público;
2. Um estagiário do Ministério Público, do Judiciário ou de uma unidade policial. 
Note-se que não seria um “funcionário público”, seria um “agente público”. 
Observa-se que, os crimes previstos na Lei de Abuso de Autoridade são classifica-
dos como próprios, ou seja, só podem ser praticados por agentes públicos. 
Todavia, são admissíveis a coautoria e a participação de particulares, caso esses 
concorram de qualquer modo para o crime”, conforme fundamentam os arts. 29 e 30 do 
Código Penal. 
SAIBA MAIS
Exemplificando...
Tome como exemplo um particular, um conhecido dos policiais, que adentrou a uma 
residência, juntamente com os policiais, sem que estivesse presente qualquer circuns-
tância que autorizasse o ingresso na residência. Nesse caso, o policial e o particular 
responderão por crime de abuso de autoridade previsto no art. 22 da Lei 13.869/19. O 
policial com fundamento no art. 22 c/c at. 2º e o particular com fundamento no art. 22 c/c 
art. 2º, ambos da Lei 13.869/19 c/c arts. 29 e 30 do Código Penal.
Fonte: FOUREAUX, Rodrigo. A prática de crime de abuso de autoridade por particular. Revista Jus 
Navigandi, ISSN 1518-4862, Teresina, ano 24 n. 5936, 2 out. 2019. Disponível em:https://jus.com.br/
artigos/76883/a-pratica-de-crime-de-abuso-de-autoridade-por-particular. Acesso em: 19 ago. 2021.
32UNIDADE I Da Legislação Penal Especial 32UNIDADE II Da Lei de Abuso de Autoridade
A Lei do Abuso de Autoridade traz um rol exemplificativo de sujeitos ativos e, ainda, 
no seu dispositivo legal não esgota a lista de todos os sujeitos ativos que podem praticar o 
crime de abuso de autoridade, o que se extrai do termo “dentre outros”.
Assim, conforme dispõe o art. 2º da Lei nº 13.869/2019, podem ser sujeitos ativos 
do crime de abuso de autoridade, dentre outros:
● Servidores públicos e militares ou pessoas a eles equiparadas;
● membros do Poder Legislativo;
● membros do Poder Executivo;
● membros do Poder Judiciário; 
● membros do Ministério Público; 
● servidores públicos e militares ou pessoas e eles equiparadas.
O parágrafo único do referido artigo ressalta, ainda, que: “reputa-se agente público 
para os efeitos desta Lei, todo aquele que exerce, ainda que transitoriamente ou sem re-
muneração, por eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer outra forma de 
investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função em órgão ou entidade abrangi-
dos pelo caput deste artigo.”
Ou seja, é dizer que se trata como agente público que exerce o crime de abuso de 
autoridade, qualquer pessoa que esteja, ainda que indiretamente ligada à Administração 
Pública (SAVI, 2020, p. 09). 
Quanto aos sujeitos passivos, no Direito Penal, as vítimas do crime são chamadas de 
sujeitos passivos. O crime de abuso de autoridade alcança dois sujeitos passivos, vejamos:
● A pessoa (física ou jurídica) diretamente prejudicada pela conduta abusiva. 
 Exemplo: a testemunha ou o investigado, no caso do art. 10 que trata da 
 condução coercitiva;
● o Estado que tem a sua imagem, confiabilidade e patrimônio ofendidos quando 
um agente público pratica ato abusivo. (SAVI, 2020, p. 09)
Ou seja, é dizer que a Lei de Abuso de Autoridade caracteriza os sujeitos ativos 
(agentes públicos que praticam a conduta ilícita) e os sujeitos passivos (o sujeito diretamen-
te prejudicado pela conduta ilícita do sujeito ativo), passaremos agora, a tratar no nosso 
último tópico sobre a ação penal.
33UNIDADE I Da Legislação Penal Especial 33UNIDADE II Da Lei de Abuso de Autoridade
4. DA AÇÃO PENAL
Querido(a) aluno(a), encerraremos a nossa segunda unidade do nosso material, 
tratando sobre a Ação Penal. Antes de relacionarmos a Ação Penal com a Lei de Abuso de 
Autoridade, precisamos conhecer e identificar o conceito de ação penal. 
De acordo com (NUCCI, 2020, p. 350) “a Ação Penal equivale ao direito de provo-
car o Estado na sua função jurisdicional para a aplicação do direito penal objetivo em um 
caso concreto. Também é o direito do Estado, único titular o “jus puniendi” de atender sua 
pretensão punitiva”.
Em outras palavras, pode-se dizer que o conceito de ação penal, “consiste no direito 
de se exigir ou pedir a tutela jurisdicional do Estado, tendo como objetivo a resolução de um 
conflito decorrente de um fato concreto” (NUCCI, 2020, p. 390).
Ou seja, é dizer que a ação penal pública é promovida pelo Ministério Público para 
defender e assegurar os direitos e garantias sociais, sobretudo os bens jurídicos de maior 
importância, como: a vida, o patrimônio, a integridade física, a Administração Pública, e 
demais bens jurídicos.
Existem os seguintes tipos de ação penal:
● Ação Penal Pública Incondicionada;
● Ação Penal Pública Condicionada à Representação;
● Ação Penal Pública Condicionada à Requisição;
● Ação Penal Privada Exclusiva;
● Ação Penal Privada Subsidiária da Pública;
● Ação Penal Privada Personalíssima.
34UNIDADE I Da Legislação Penal Especial 34UNIDADE II Da Lei de Abuso de Autoridade
Mas entre os tipos de ação penal apresentados, a que está relacionada diretamen-
te aos nossos estudos é a Ação Penal pública incondicionada. Nesse sentido, para Nucci 
(2020) a Ação Penal pública é tida como:
A ação penal pública é aquela cujo o titular do direito de ação for o próprio 
Ministério Público, isto é, o Estado propriamente dito, na figura dos promoto-
res de justiça ou Procuradores da República que visa a tutela dos interesses 
sociais e a manutenção da ordem pública, exercendo esse direito por meio da 
denúncia (peça inicial da ação penal pública). (NUCCI, 2020, p. 389)
O termo incondicionada consiste em dizer que o seu exercício não se subordina 
a qualquer requisito, é dizer que a Ação Penal Pública não depende, portanto, de prévia 
manifestação de pessoa para ser iniciada, é mesmo irrelevante a manifestação do ofendido. 
Nesse sentido, a Ação Penal Pública incondicionada trata-se da ação promovida 
pelo Ministério Público independente da vontade ou interferência de qualquer que seja, 
bastando, para tanto, que concorra às condições de ações e pressupostos processuais. 
Nucci (2020) ressalva ainda que na ação penal incondicionada, “desde que provado 
um crime, tornando verossímil a acusação, o órgão do Ministério Público deverá promover a 
ação penal, sendo irrelevante a oposição por parte da vítima ou de qualquer outra pessoa”.
(NUCCI, 2020, p. 397). É a regra geral na moderna sistemática processual penal. 
Tendo definido o conceito de Ação Penal e o tipo da Ação Penal Pública incondicio-
nada, a seguir, nos aprofundaremos sobre o assunto da Lei de Abuso de Autoridade (Lei nº 
13.869/19) e a Ação Penal.
De acordo com (CAPEZ, 2020) por expressa previsão legal (art. 3º da Lei nº 
13.869/19), os crimes previstos na Lei de Abuso de Autoridade são de ação penal pública 
incondicionada, ou seja, independe de qualquer provocação ou atuação da eventual vítima. 
 Será admitida ação privada (quando o ofendido apresenta a queixa crime por 
iniciativa própria) se a ação penal pública não for intentada no prazo legal, cabendo ao 
Ministério Público aditar a queixa, repudiá-la e oferecer denúncia substitutiva, intervir em 
todos os termos do processo, fornecer elementos de prova, interpor o recurso e, a todo 
tempo, no caso de negligência do querelante, retomar ação como parte principal.
A referida Ação Penal Privada, nessa situação,trata-se da chamada ação penal pri-
vada subsidiária da pública. Em outras palavras, o Ministério Público tem um prazo previsto 
na lei para o ajuizamento da Ação Penal Pública.
No entanto, na hipótese do membro do Ministério Público não oferecer a denúncia, 
nesse prazo, o ordenamento jurídico permite que o ofendido (a vítima) tome a providência 
que o Ministério Público (MP) deveria ter feito e ofereça a ação penal em seu nome. 
35UNIDADE I Da Legislação Penal Especial 35UNIDADE II Da Lei de Abuso de Autoridade
Para que melhor se compreenda, imagine a situação em que José foi vítima do 
crime de abuso de autoridade praticado pelo Delegado de sua cidade e o Ministério Público 
não oferece a denúncia no prazo legal.
No presente caso, o José (ofendido) poderá suprir a inércia do Ministério Público, 
propondo uma queixa crime, substituindo a denúncia que deveria ter sido oferecida pelo 
membro do Ministério Público. Essa é a chamada ação privada subsidiária da pública. 
Vejamos um recente julgado sobre o tema em análise: 
SAIBA MAIS
Somente é possível a ação penal subsidiária da pública quando restar configurada inér-
cia do Ministério Público, não sendo cabível nas hipóteses de arquivamento de inquérito 
policial promovido pelo membro do Parquet e acolhido pelo juiz.
No caso concreto, não houve desídia do órgão acusador que, conforme reconhecido 
pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, propôs o arquivamento do inquérito 
policial, entendendo não haver condições de procedibilidade para o oferecimento da 
denúncia em razão da inexistência de relevância jurídica na conduta investigada.
Fonte: STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1508560/SP, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 06/11/2018. Dispo-
nível em: https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Sob-medida/Advogado/Jurisprudencia/Pesquisa-de-Jurispru-
dencia. Acesso em: 22 ago. 2021.
A ação privada subsidiária será exercida no prazo de 6 (seis) meses, contado da 
data em que se esgotar o prazo para oferecimento da denúncia.
Tratamos sobre o conceito de ação penal, a ação penal pública incondicionada, bem 
como as demais peculiaridades da ação penal na prática cotidiana. Agora, acreditamos que 
você, aluno(a), está preparado para a nossa próxima unidade deste material.
36UNIDADE I Da Legislação Penal Especial 36UNIDADE II Da Lei de Abuso de Autoridade
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Prezado(a) aluno(a),
Na primeira unidade dos nossos estudos, trouxemos para você uma apresentação 
da lei que versa sobre o abuso de autoridade. Aprendemos sobre as características do 
crime de abuso de autoridade e também sobre o bem jurídico tutelado por ela. 
Assim, visando introduzir para você, aluno(a), o conteúdo da nossa segunda unidade, 
no primeiro tópico, trouxemos uma breve análise histórica sobre o surgimento da nova lei, bem 
como uma análise sobre a sua abrangência, junto aos agentes públicos e toda a sociedade. 
Posteriormente, no segundo tópico trouxemos para você, aluno(a), características 
gerais da Lei nº 13.869, bem como aprendemos sobre as principais inovações legislativas 
trazidas por ela.
Assim, a partir das principais características da Lei do Abuso de Autoridade, tra-
zidas no segundo tópico, tratamos sobre os sujeitos ativos e sujeitos presentes na Lei de 
Abuso de Autoridade. 
Por conseguinte, no tópico III, abordamos o conceito geral de ação penal e o con-
ceito da ação penal pública incondicionada, sendo este, o tipo de ação penal nos crimes de 
abuso de autoridade.
 Trouxemos para você, aluno(a), a exceção prevista na Lei quanto à propositura da 
ação penal e as demais peculiaridades e disposições legais previstas na Lei de Abuso de 
Autoridade (Lei nº 13.869/19). 
A partir de agora, acreditamos que você já está preparado para seguir para a pró-
xima unidade, pela qual, trataremos sobre os efeitos da condenação dos crimes praticados 
de abuso de autoridade, as penas restritivas de direitos, as sanções de natureza cível e as 
sanções de natureza administrativa. Até mais!
37UNIDADE I Da Legislação Penal Especial 37UNIDADE II Da Lei de Abuso de Autoridade
MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO
Título: A nova Lei de Abuso de Autoridade.
Autores: Gabriela Marques e Ivan Marques. 
Ano de Edição: 27.09.2019
Editora: Revista dos Tribunais.
Sinopse: A nova Lei de Abuso de Autoridade traz profundas alte-
rações no ordenamento jurídico em comparação à norma anterior, 
foram criados 15 tipos penais que geram punições nas esferas 
civil, administrativa e penal. Com conteúdo completo, organizado 
e escrito em linguagem fluida, todos os artigos da nova Lei de 
Abuso de Autoridade foram comentados, pontuando aspectos 
práticos, trazendo referencial teórico e reflexivo sobre a norma. A 
obra também possui tabela comparativa entre a Lei 4.898/1965 e 
a Lei 13.869/2019, explica o caminho da norma e discorre sobre 
diversas questões relevantes sobre o abuso de autoridade.
FILME / VÍDEO
Título: Imagens mostram agressão e possível abuso de autoridade 
da polícia - Tribuna da Massa.
Ano: 08 de julho de 2019.
Sinopse: A reportagem retrata o caso em que bandidos explodem 
a agência e tocam o terror em Quatro Barras. As imagens mostram 
agressão e possível abuso de autoridade da polícia. O programa 
Tribuna da Massa, apresentado por Eleandro Passaia, é exibido 
ao vivo e traz notícias de Curitiba e região metropolitana, além dos 
acontecimentos mais relevantes do Paraná, que podem afetar o 
cotidiano da população. Com foco na comunidade, a linha editorial 
do Tribuna da Massa aborda temas diários, notícias da cidade e 
prestação de serviços. Tudo isso, mantendo uma relação interativa 
com o espectador, que pode sugerir pautas e participar ativamente 
por meio de telefone, e-mail e redes sociais.
38
Plano de Estudo:
● Dos efeitos da condenação;
● Das penas restritivas de direito;
● Das sanções de natureza cível;
● Das sanções de natureza administrativa.
Objetivos da Aprendizagem:
● Abordar de forma geral os efeitos da condenação da 
prática dos crimes de abuso de autoridade;
● Tratar sobre as penas restritivas de direito aplicadas 
aos crimes de abuso de autoridade;
● Definir de forma geral o conceito das sanções de natureza cível; 
● Analisar o conceito das sanções administrativas, bem como 
as suas peculiaridades e a sua aplicação na prática.
UNIDADE III
Da Lei de Abuso de Autoridade: 
Efeitos, Penas Restritivas de Direito e 
Sanções Cíveis e Administrativas
Professora Flávia Lausi Rodrigues 
Professor Thales de São José Sandoval
39UNIDADE III Da Lei de Abuso de Autoridade : Efeitos, Penas Restritivas de Direito e Sanções Cíveis e Administrativas
INTRODUÇÃO
Caro(a) aluno(a),
Seja bem-vindo(a) novamente ao estudo sobre a Lei de Abuso de Autoridade.
Para tanto, na presente unidade, no Tópico I, estudaremos os principais efeitos cau-
sados pela condenação do agente público que cometer algum dos crimes previstos na Lei 
de Abuso de Autoridade. Também, abordaremos as principais inovações quanto aos efeitos 
dispostos na nova Lei (nº 13.869, de 5 de setembro de 2019), de forma a realizarmos um breve 
comparativo com o que era regido na lei anterior (Lei nº 4.898, de 9 de dezembro de 1965). 
No Tópico II, nos aprofundaremos, trazendo o conceito das penas restritivas de 
direito, bem como entenderemos em quais casos será possível a sua aplicação em substi-
tuição às penas privativas de liberdade. 
Por conseguinte, no Tópico III do nosso material, trataremos sobre a aplicação das 
sanções de natureza cível, porém, antes de propriamente nos aprofundarmos nos ensina-
mentos quanto às referidas sanções, trataremos, de maneira geral, sobre a independência 
e autonomia das sanções na esfera cível, administrativa e criminal, destacando a principal 
exceção trazida na Lei.
Posteriormente, analisaremos quais os requisitos para a configuração do dano na 
esfera cível, bem como as modalidades das indenizações que serão aplicadas ao caso 
concreto, podendo ser a indenização pelos danos morais ou danos materiais.Dando continuidade, traremos para você, aluno(a), um julgado de um caso real, em 
que envolve o crime de abuso de autoridade por um agente público que foi condenado a 
indenizar a vítima pelos danos morais causados. 
Por fim, encerraremos o estudo da nossa terceira unidade, tratando sobre as 
sanções de natureza administrativa. Para tanto, apresentaremos para você, aluno(a), o 
conceito da sanção administrativa, demonstrando a principal finalidade e como inicia-se o 
procedimento administrativo na prática cotidiana. Veremos que a abertura do procedimento 
é indispensável e serve para apurar a infração cometida pelo agente público. 
Vamos começar!
40UNIDADE III Da Lei de Abuso de Autoridade : Efeitos, Penas Restritivas de Direito e Sanções Cíveis e Administrativas
1. DOS EFEITOS DA CONDENAÇÃO 
 Iniciaremos o estudo desta unidade, trazendo para você, aluno(a), os principais 
efeitos causados pela condenação do agente público que cometer algum dos crimes pre-
vistos na Lei de Abuso de Autoridade (BRASIL, 2019). 
 Conforme disposto no artigo 4º da mencionada lei são efeitos da condenação: 
● Tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime, devendo o juiz, 
a requerimento do ofendido, fixar na sentença o valor mínimo para reparação 
dos danos causados pela infração, considerando os prejuízos por ele sofridos;
● A inabilitação para o exercício de cargo, mandato ou função pública, pelo perío-
do de 1 (um) a 5 (cinco) anos; 
● A perda do cargo, do mandado ou da função pública. 
Nas palavras de (LIMA, 2020, p. 58), os “efeitos da condenação são todas as con-
sequências que, direta ou indiretamente, atingem a pessoa do condenado por sentença 
penal transitada em julgado”. 
Quanto à obrigação de indenizar, trata-se de efeito que reflete na esfera cível, em 
razão da sua natureza ser de reparação de danos. Ainda, é cabível ressaltar que conforme 
disposto na lei, o juiz somente poderá fixar um valor mínimo para a reparação do dano, 
caso haja expresso requerimento do ofendido.
41UNIDADE III Da Lei de Abuso de Autoridade : Efeitos, Penas Restritivas de Direito e Sanções Cíveis e Administrativas
Necessário se faz destacar que a obrigação de indenizar, já era prevista no artigo 
91-A, inciso I, do Código Penal, bem como no artigo 387, inciso IV do Código de Processo 
Penal (BECHARA; AURÉLIO FLORÊNCIO , 2020, p. 54). 
Artigo 91-A: Na hipótese de condenação por infrações às quais a lei comine 
pena máxima superior a 6 (seis) anos de reclusão, poderá ser decretada a 
perda, como produto ou proveito do crime, dos bens correspondentes à dife-
rença entre o valor do patrimônio do condenado e aquele que seja compatível 
com o seu rendimento lícito.
Artigo 387. O juiz, ao proferir sentença condenatória:
IV - fixará valor mínimo para reparação dos danos causados pela infração, 
considerando os prejuízos sofridos pelo ofendido. 
Ocorre que, a Lei de Abuso de Autoridade de 2019 inovou ao trazer expressamente 
no inciso I do artigo 4º que cabe ao ofendido requerer pela fixação de um valor mínimo de 
indenização, o que não era previsto nos artigos acima mencionados. 
No entendimento de (AVENA, 2019, p.301) ao comentar o artigo 387, IV do Código 
de Processo Penal, o juiz tem o poder de arbitrar um valor mínimo para a reparação dos 
danos independente de requerimento expresso do ofendido. 
Assim, em caso de conflito quanto às disposições previstas no artigo 4º inciso I da 
Lei de Abuso de Autoridade (Lei nº 13.869/19) com as dispostas no artigo 387, IV do Código 
de Processo Penal, deve-se seguir o princípio da especialidade, o qual dispõe que a lei 
especial deverá prevalecer sobre a geral. 
Sobre o conflito de normas Gomes (2005) explica:
[...] Quando duas regras colidem, fala-se em “conflito”; ao caso concreto uma 
só será aplicável (uma afasta a aplicação da outra). O conflito entre regras 
deve ser resolvido pelos meios clássicos de interpretação: a lei especial der-
roga a lei geral, a lei posterior afasta a anterior. (GOMES, 2005, n.p)
Neste sentido, considerando que Lei de Abuso de Autoridade (Lei 13.869/2019) 
é classificada como lei especial, significa dizer que ela deverá ser aplicada em casos de 
crimes cometidos por agentes públicos, ou seja, o Juiz só poderá arbitrar valor mínimo 
da condenação, caso haja expresso requerimento do ofendido. Para que você, aluno(a), 
melhor compreenda essa discussão, segue quadro comparado:
QUADRO 1- DESCRITIVO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL E LEI Nº 13.869/2019 
Fonte: BRASIL, 2019.
42UNIDADE III Da Lei de Abuso de Autoridade : Efeitos, Penas Restritivas de Direito e Sanções Cíveis e Administrativas
Conforme já relacionamos, além do dever de indenizar a lei, ainda traz mais dois 
efeitos em casos de condenação do agente público, quais sejam: inabilitação para o exercício 
de qualquer cargo, mandato e função por até 5 anos ou, ainda, perda definitiva da função.
 Importante ressaltarmos que a lei condiciona a aplicação dos mencionados efeitos 
à ocorrência de reincidência em crimes de abuso de autoridade “ainda que não especifica-
damente no mesmo diploma legal” (CAPEZ, 2020, p.144). 
Outro ponto que devemos nos atentar é que a inabilitação ou perda não aconte-
cem de forma automática, pois os referidos efeitos somente serão aplicados se estiverem 
expressamente declarados na sentença (BECHARA; AURÉLIO FLORÊNCIO, 2020, p.55). 
REFLITA
“O Efeito Penal da perda do cargo público não alcança aposentadoria deferida regu-
larmente pela Administração antes de proferida a sentença (ou acórdão) penal conde-
natória(o). Neste caso, razões de dogmática fundamentam a ilegitimidade de o Poder 
Público editar ato administrativo de cassação da aposentadoria de servidor público, ain-
da que a sentença (ou acórdão) penal condenatória tenha imposto o efeito da perda do 
cargo público”. 
Fonte: Disponível em: https://www.olharjuridico.com.br/artigos/exibir.asp?id=943 artigo=o-efeito-penal-da-
-perda-do-cargo-publico-nao-alcanca-aposentadoria-deferida-regularmente. Acesso em: 29 ago. 2021. 
Neste tópico, elencamos os principais efeitos causados pela condenação do agente 
público que cometer algum dos crimes previstos na Lei de Abuso de Autoridade. 
 No próximo tópico, analisaremos as medidas restritivas de direito previstas na lei, 
bem como explicaremos de forma mais detalhada em quais casos ela pode ser aplicada.
https://www.olharjuridico.com.br/artigos/exibir.asp?id=943&artigo=o-efeito-penal-da-perda-do-cargo-publico-nao-alcanca-aposentadoria-deferida-regularmente
https://www.olharjuridico.com.br/artigos/exibir.asp?id=943&artigo=o-efeito-penal-da-perda-do-cargo-publico-nao-alcanca-aposentadoria-deferida-regularmente
43UNIDADE III Da Lei de Abuso de Autoridade : Efeitos, Penas Restritivas de Direito e Sanções Cíveis e Administrativas
2. DAS PENAS RESTRITIVAS DE DIREITO
Caro(a) aluno(a), antes de elencarmos as principais penas restritivas de direitos 
trazidas pela Lei de Abuso de Autoridade, é necessário compreendermos sobre sua origem, 
bem como sobre os requisitos impostos para que seja possível a sua aplicação. 
As penas restritivas de direitos foram constituídas, a fim de substituir as penas 
privativas de liberdade, de forma a impor certas obrigações e restrições ao condenado. O 
objetivo do legislador foi trazer uma medida alternativa de punição aos crimes com menor 
grau de responsabilidade, visando, dessa forma, evitar os malefícios da pena carcerária de 
curta duração (ANDREUCCI, 2019). 
Nesse sentido, Greco (2000, p.528) explica que ao aplicar uma pena deve-se sem-
pre observar o princípio da proporcionalidade, de forma que, para os crimes mais graves, 
as medidas deverão ser mais rigorosas, enquanto que, para crimes de menor potencial 
ofensivo, as penas devem ser mais brandas. 
Assim, para que seja possível substituir a pena privativa de liberdade pela restritiva 
de direito, segundo (BECHARA;AURÉLIO FLORÊNCIO, 2020, p.60), é necessário obser-var os seguintes requisitos:
● A pena fixada a ser substituída não pode ser superior a 4 (quatro) anos, salvo 
se resultante de crime culposo;
● O crime não pode ser de violência ou ameaça contra a pessoa; 
● O réu não pode ser reincidente em crime doloso;
● A substituição deve ser suficiente e adequada à repressão do fato. 
44UNIDADE III Da Lei de Abuso de Autoridade : Efeitos, Penas Restritivas de Direito e Sanções Cíveis e Administrativas
A Lei de Abuso de Autoridade de 2019 trouxe, em seu artigo 5º as penas restritivas 
de direito que podem ser aplicadas em substituição às privativas de liberdade.
Art. 5º As penas restritivas de direitos substitutivas das privativas de liberda-
de previstas nesta Lei são: 
I - prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas;
II - suspensão do exercício do cargo, da função ou do mandato, pelo prazo 
de 1 (um) a 6 (seis) meses, com a perda dos vencimentos e das vantagens. 
(BRASIL, 2019).
Importante ressaltar que, apesar de dispor sobre a substituição das penas pri-
vativas de liberdade pelas penas restritivas de direito, a Lei de Abuso de Autoridade não 
estabelece os requisitos necessários para que a substituição possa ser aplicável, nem 
mesmo as regras de cumprimento das penas. 
 Assim, nos casos em que a lei especial for omissa deve-se observar no que couber 
as regras do Código Penal, que em seus artigos 44 e 46 definem os requisitos, bem como 
as regras sobre o cumprimento da pena. 
Em relação aos requisitos, já os elencamos acima, de acordo com o disposto no 
artigo 44 do Código Penal. Posto isso, segue abaixo, as regras sobre o cumprimento das 
penas restritivas de direito previstas no artigo 46 do mencionado dispositivo: 
Art. 46. A prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas é 
aplicável às condenações superiores a seis meses de privação da liberdade. 
§ 1o A prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas consiste 
na atribuição de tarefas gratuitas ao condenado. 
§ 2o A prestação de serviço à comunidade dar-se-á em entidades assisten-
ciais, hospitais, escolas, orfanatos e outros estabelecimentos congêneres, 
em programas comunitários ou estatais. (BRASIL, 1998)
Outrossim, importante ressaltar que conforme disposto no § 3o do mencionado 
artigo as atividades elencadas no caput devem ser atribuídas conforme as aptidões do 
condenado, devendo ser cumpridas à razão de uma hora de tarefa por dia de condenação, 
fixadas de modo a não prejudicar a jornada normal de trabalho.
 Outro ponto relevante e que merece destaque é o disposto no § 4º do artigo em 
questão, o qual estabelece que se a pena substituída for superior a um ano, é facultado 
ao condenado cumprir a pena em menor tempo, sendo que, nunca poderá ser inferior à 
metade da pena privativa de liberdade fixada.
Sobre a pena de prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas é o 
entendimento do doutrinador Reale Júnior (2003): 
altamente positiva, pois une o caráter retributivo ao de prevenção especial, 
na medida em que pode ser fonte de revelação de valores positivos. Assim, 
além de ter poder coercitivo a pena de prestação de serviço à comunidade 
revela-se útil, sendo possível que o condenado sinta que pode ser necessário 
aos que precisam de ajuda [...] (REALE JÚNIOR, 2003, p. 55)
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9714.htm#art46
45UNIDADE III Da Lei de Abuso de Autoridade : Efeitos, Penas Restritivas de Direito e Sanções Cíveis e Administrativas
Na mesma vertente, é o posicionamento de Mirabete (2009):
Trata-se, porém, de pena amplamente aceitável, de ônus para o condena-
do, e não de uma relação de emprego. Certamente, o sentenciado, preferirá 
submeter-se a essa sanção a afrontar a pena privativa de liberdade, quando 
o trabalho também é obrigatório. Essa pena atende às exigências da retribui-
ção sem degradar ou corromper. (MIRABETE, 2009, p.259)
Agora que você, aluno(a), já aprendeu quais são as penas restritivas de direitos 
substitutivas das privativas de liberdade previstas na Lei de Abuso de Autoridade, anali-
saremos um caso prático com julgamento proferido pela 8ª Turma do Tribunal Regional 
Federal da 4ª Região (TRF4), processo nº 5009265-93.2018.4.04.7102/TRF: 
Trata-se de caso em que um ex-gerente do correio, adentrou em uma das agências, 
com o estabelecimento já fechado para atendimento e solicitou a um funcionário que ainda 
estava no local a quantia de R$2.5000,00 (dois mil e quinhentos reais). O agente justificou 
que precisava do dinheiro para efetuar o pagamento de títulos, afirmando que devolveria o 
valor no dia seguinte; o funcionário entregou-lhe o dinheiro.
O desembargador João Pedro Gebran Neto destacou em seu voto que o réu teria 
valido-se da sua condição de agente público para ingressar indevidamente na agência dos 
Correios e subtraído do caixa uma quantia que sabia ser de propriedade da EBCT. 
O Réu foi condenado à pena de dois anos de reclusão, em regime inicial aberto, 
e pagamento de 10 dias-multa, com o valor unitário de 1/30 do salário mínimo vigente na 
época do delito. 
Quanto à pena privativa de liberdade foi substituída por duas restritivas de direitos, 
quais sejam: prestação de serviços para comunidade ou entidades públicas, pelo período 
de dois anos, e prestação pecuniária, no valor de dois salários mínimos.
https://www.trf4.jus.br/trf4/controlador.php?acao=consulta_processual_resultado_pesquisa&selForma=NU&txtValor=50092659320184047102&selOrigem=TRF&chkMostrarBaixados=1
46UNIDADE III Da Lei de Abuso de Autoridade : Efeitos, Penas Restritivas de Direito e Sanções Cíveis e Administrativas
SAIBA MAIS
“A nova Lei de Abuso de Autoridade previu a possibilidade de aplicação autônoma ou 
cumulativa das penas restritivas de direitos, nada impedindo que o agente tenha que 
cumprir prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas e também sus-
pensão do exercício do cargo, da função ou do mandato, pelo prazo de 1 (um) a 6 (seis) 
meses, com a perda dos vencimentos e das vantagens”.
FONTE: ANDREUCCI, Ricardo Antonio. As penas restritivas de direito na nova lei de abuso de autorida-
de. Disponível em: https://emporiododireito.com.br/leituras/as-penas-restritivas-de-direito-na-lei-de-abu-
so-de-autoridade. Acesso em: 29 ago. 2021. 
REFLITA
“O legislador procurou punir o excesso e o desvio de poder, zelando pelo correto desem-
penho das funções de natureza pública. Ao desviar-se ou extrapolar o exercício de sua 
função, o sujeito trai a confiança nele depositada pela sociedade e viola o poder de que 
foi investido por delegação de sua fonte originária, o povo” 
Fonte: Capez, F. Curso de direito penal v 4 - legislação penal especial. Editora Saraiva, 2020. 
9788553619245. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788553619245/. 
Acesso em: 22 ago. 2021..
Neste tópico, elencamos as principais penas restritivas de direitos trazidas pela Lei 
de Abuso de Autoridade, bem como aprendemos sobre os requisitos impostos para que 
seja possível a sua aplicação. 
 No próximo tópico, abordaremos o conceito das sanções de natureza cível, bem 
como analisaremos as sanções administrativas aplicadas pela referida lei.
 
47UNIDADE III Da Lei de Abuso de Autoridade : Efeitos, Penas Restritivas de Direito e Sanções Cíveis e Administrativas
3. DAS SANÇÕES DE NATUREZA CÍVEL;
Querido(a) aluno(a), neste tópico trataremos sobre as sanções de natureza cível, 
quando praticados os crimes de abuso de autoridade. É de suma importância que você, 
aluno(a), saiba que a prática de abuso de autoridade não se trata apenas de um ilícito 
penal, pois qualquer agente público ao praticar atos de abuso de autoridade, estará sujeito 
à responsabilização civil, penal e administrativa pelos atos praticados. 
A Lei de Abuso de Autoridade (Lei nº 13.869/2019), estabelece nos artigos 6º, 7º e 
8º a independência das responsabilidades civil e administrativa, da criminal, sendo, portan-
to, mais específica que a Lei anterior deAbuso de Autoridade (Lei nº 4.898/65).
Para uma melhor compreensão dessa temática, vejamos os dispositivos legais da 
referida Lei:
Art. 6º. As penas previstas nesta Lei serão aplicadas independentemente das 
sanções de natureza civil ou administrativa cabíveis.
Parágrafo único. As notícias de crimes previstos nesta Lei de descreverem a 
falta funcional serão informadas à autoridade competente com vistas à apu-
ração. (BRASIL, 2019)
Dando continuidade, vejamos o art. 7º:
Art. 7º. As responsabilidades civil e administrativa são independentes da cri-
minal, não se podendo mais questionar sobre a existência ou a autoria do fato 
quando essas questões tenham sido decididas no juízo criminal.
Em outras palavras, é dizer que as sanções na esfera administrativa, cível e penal 
são independentes e autônomas entre si. No entanto, é importante esclarecer que em uma 
única conduta pode caracterizar ilícito penal, administrativo e civil, de forma simultânea e 
independente entre elas (BECHARA; AURÉLIO FLORÊNCIO, 2020) explicam que:
48UNIDADE III Da Lei de Abuso de Autoridade : Efeitos, Penas Restritivas de Direito e Sanções Cíveis e Administrativas
Nestes termos, é possível compreender que a infração jurídica, seja civil, 
administrativa ou penal decorre do descumprimento de um dever legal. Uma 
mesma conduta pode representar, simultaneamente, ilícito penal, civil e ad-
ministrativo, assim, o autor de uma infração jurídica poderá ser responsabi-
lizado nas três esferas, sem configurar bis in idem, pois as instâncias são 
independentes (BECHARA ;AURÉLIO FLORÊNCIO, 2020, p. 65).
Contudo, embora exista essa harmonia entre as jurisdições, é importante ressaltar 
que a Lei apresenta uma exceção que consiste na impossibilidade do ajuizamento da ação 
cível e da abertura do processo administrativo quando já tiver sido julgada ação criminal. 
REFLITA
Nos ensinamentos do Mestre Nelson Hungria…
A ilicitude jurídica é uma só, do mesmo modo que um só, na sua essência, é o dever ju-
rídico… Assim, não há que falar-se de um ilícito administrativo ontologicamente distinto 
de ilícito penal. A separação entre um e outro atende apenas a critérios de conveniência 
ou de oportunidade, afeiçoados à medida do interesse da sociedade e do Estado, variá-
vel no tempo e no espaço.
Fonte: HUNGRIA, Nelson. Ilícito Administrativo e ilícito penal. Revista de Direito Administrativo, Rio de 
Janeiro, ano 1, n.1, p. 24-31, jan./,ar. 1945. Disponível em: http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/rda/
article/view/8302/7076. Acesso em: 31 ago. 2021.
Nesse sentido, é dizer que fica impossibilitada a reabertura de discussão sobre o 
mérito no âmbito civil e administrativo, quando a autoria e o reconhecimento das causas de 
exclusão de ilicitude (estado de necessidade, legítima defesa, em estrito cumprimento de 
dever legal ou no exercício regular do direito) no âmbito penal. 
Ou seja, não se pode mais questionar sobre a existência ou a autoria do fato, 
quando essas questões apontadas já tiverem sido decididas no juízo criminal. 
De acordo com (CAPEZ, 2020, p. 146) “essa relativização da independência de 
jurisdições se justifica-se pelo fato de o direito penal incorporar exigência probatória mais 
rígida para a solução das controvérsias, sobretudo em decorrência do princípio da presun-
ção da inocência”. Vejamos o art. 8º da Lei de Abuso de Autoridade:
Art. 8º. Faz coisa julgada em âmbito cível, assim como no administrativo-dis-
ciplinar, a sentença penal que reconhecer ter sido o ato praticado em estado 
de necessidade, em legítima defesa, em estrito cumprimento de dever legal 
ou no exercício regular do direito. (BRASIL, 2019)
49UNIDADE III Da Lei de Abuso de Autoridade : Efeitos, Penas Restritivas de Direito e Sanções Cíveis e Administrativas
É importante esclarecer que em uma única conduta pode caracterizar ilícito penal, 
administrativo e civil, de forma simultânea e independente (BECHARA;AURÉLIO FLORÊN-
CIO, 2020, p. 65). Explicam que:
Nestes termos, é possível compreender que a infração jurídica, seja civil, 
administrativa ou penal decorre do descumprimento de um dever legal. Uma 
mesma conduta pode representar, simultaneamente, ilícito penal, civil e ad-
ministrativo, assim, o autor de uma infração jurídica poderá ser responsabi-
lizado nas três esferas, sem configurar bis in idem, pois as instâncias são 
independentes (BECHARA; AURÉLIO FLORÊNCIO, 2020, p. 65).
Contudo, importante frisar que nada impede que a vítima de abuso de autoridade 
apresente a notícia crime junto à polícia judiciária ou ao Ministério Público, para a respectiva 
persecução penal e, paralelamente, represente, administrativamente ou ajuíze uma ação 
cível contra o agente público (CAPEZ, 2020, p. 66).
Importante destacar que a Lei impõe duas exceções legais, quanto à autonomia e 
à independência das responsabilidades civil e administrativa. Quais sejam:
De acordo com (CAPEZ, 2020, p. 146), a obrigação da indenização do dano causado, 
decorre naturalmente do Código Civil e é apenas reforçada pela Lei de Abuso de Autoridade. 
Nesse sentido, o artigo 186 do Código Civil (BRASIL, 2002) afirma que “todo aquele 
que dolosa ou culposamente viola direito ou causa dano a outrem, ainda que exclusivamen-
te moral, comete ato ilícito” e o ato ilícito implica na obrigação de indenização, nos termos 
do art. 927 do Código Civil. 
A indenização civil será aplicada para reparar:
● Danos materiais;
● Danos morais decorrentes do crime de abuso de autoridade.
 A reparação será aplicada de acordo com a gravidade do dano e a particularidade 
de cada caso concreto. A responsabilidade civil decorre de ato omissivo ou comissivo, 
doloso ou culposo, que resulte em prejuízo ao erário ou a terceiros.
Para a configuração da responsabilidade civil objetiva do Estado, ou seja, para se 
comprovar que o agente público cometeu a conduta ilícita prevista na Lei de Abuso de Au-
toridade, exige-se que seja demonstrada a relação de causa e efeito entre o ato praticado 
pelo agente público e o dano sofrido pelo autor da ação.
 Tratando-se de danos causados a terceiros, responderá o servidor público perante 
a Fazenda Pública em ação regressiva. 
A obrigação de reparar o dano cometido pelo agente, estende-se aos sucessores 
e contra eles será executada, até o limite valor da herança recebida, com o objetivo de 
exemplificar a situação em que envolve a aplicação de uma sanção cível, nesse caso, a 
aplicação da condenação de um agente público (policial) que foi condenado a indenizar a 
vítima no valor de R $7.000,00 (sete mil reais) pelos danos morais sofridos. 
50UNIDADE III Da Lei de Abuso de Autoridade : Efeitos, Penas Restritivas de Direito e Sanções Cíveis e Administrativas
SAIBA MAIS
INDENIZAÇÃO CÍVEL - EXCESSO DE ABORDAGEM POLICIAL 
RECURSO INOMINADO. RESPONSABILIDADE CIVIL. INDENIZAÇÃO POR DANO 
MORAL. EXCESSO EM ATUAÇÃO POLICIAL COMPROVADO. DANO MORAL CON-
FIGURADO. (...) Caso concreto em que se pretende a responsabilização do Estado por 
suposta agressão verbal e física em atuação policial sem justificativa razoável, do que 
se desincumbiu a parte autora de comprovar, ônus que lhe cabia, nos termos do artigo 
373, I, do Novo CPC (art. 333, I, CPC/73).Não restando dúvidas em relação à conduta 
dos agentes policiais que, por força das provas apresentadas e dos depoimentos co-
lhidos conclui-se tenha sido imprudente e com excesso doloso, assente está o dever 
de indenizar.DANOS EXTRAPATRIMONIAIS - quantum indenizatório - Em relação ao 
valor indenizável a título de danos morais, pesa certificar que há de ser fixado em con-
sonância com o poderio econômico do requerido, para que não perca o seu caráter de 
sanção, uma vez que a pena deve sempre trazer uma desvantagem maior que a vanta-
gem auferida pelo ilícito, a fim de que exerça a prevenção sobre o ato danoso (Teoria da 
Prevenção). Portanto, se é certo que o dano é irreparável, justo que haja ao menos uma 
compensação em virtude do erro do demandado, para o que se entende suficienteo 
valor estabelecido de R $7.000,00 - sete mil reais).RECURSO INOMINADO PROVIDO. 
UNÂNIME.
Fonte: Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul TJ-RS - Recurso Cível: 0002528-55.2016.8.21.9000 
RS. Disponível em: https://tj-rs.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/900080741/recurso-civel-71005920780-rs. 
Acesso em: 30 ago. 2021.
Tratamos de forma geral sobre a independência e a harmonia entre a aplicação 
das sanções na esfera administrativa,cível e penal. Posteriormente, nos aprofundamos nas 
peculiaridades atinentes às sanções na esfera cível, destacando as características, a ca-
racterização para a configuração do dano cível, as disposições legais, encerrando com um 
julgado de um caso prático em que houve o excesso de abordagem policial. Passaremos, 
agora, a tratar sobre as sanções de natureza administrativa. 
https://tj-rs.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/900080741/recurso-civel-71005920780-rs
51UNIDADE III Da Lei de Abuso de Autoridade : Efeitos, Penas Restritivas de Direito e Sanções Cíveis e Administrativas
4. DAS SANÇÕES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA
Querido(a) aluno(a,) após tratarmos sobre as sanções de natureza cível quando 
praticado o crime de abuso de autoridade, passaremos a tratar, nesta unidade, das sanções 
de natureza administrativa. 
Para melhor fixação do conteúdo, frisa-se, mais uma vez, que o servidor público 
responde civil, penal e administrativamente pelo exercício irregular de suas atribuições e, 
conforme já explicitado no tópico anterior, a aplicação das sanções nas referidas esferas 
são independentes e autônomas entre si. 
Quanto à definição da sanção administrativa, trata-se da atividade sancionatória 
ou disciplinar da Administração Pública pelas quais aplicam-se os princípios, garantias e 
normas que regem o processo penal comum, em respeito aos valores de proteção e de 
defesa das liberdades individuais e da dignidade da pessoa humana, que se plasmaram no 
campo daquela disciplina.
Em outras palavras, é dizer que “os princípios fundamentais do Direito Processual 
Penal podem ser aplicados às sanções administrativas, com as devidas adaptações, em razão 
de que ambos os processos possuem natureza restritiva de direitos” (ACHE, 2015, p. 10).
As sanções administrativas aplicam-se como sanções para punir comportamentos que 
resultem em infrações administrativas e possuem caráter preventivo, educativo e repressivo.
52UNIDADE III Da Lei de Abuso de Autoridade : Efeitos, Penas Restritivas de Direito e Sanções Cíveis e Administrativas
Quando configurada uma suposta ocorrência de um crime de abuso de autoridade, 
a vítima ou qualquer outra pessoa que tenha conhecimento do fato, deverá apresentar a 
denúncia ou reclamação ao órgão competente, assim, será aberto o procedimento adminis-
trativo, a fim de investigar os fatos contidos na denúncia. 
Ressalta-se que o procedimento administrativo é indispensável, mesmo diante de fortes 
indícios de autoria e materialidade, mesmo quando se entende pela não ocorrência da infração. 
Quanto à natureza das sanções administrativas, é imperioso destacar o entendi-
mento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) com relação às sanções, pois prevalece o 
entendimento de que a sanção administrativa é aplicada para salvaguardar os interesses 
exclusivamente funcionais da Administração Pública, enquanto a sanção criminal destina-
-se à proteção da coletividade.
Consoante o entendimento desta Corte, a independência entre as instâncias penal, 
civil e administrativa, consagrada na doutrina e na jurisprudência, permite à Administração 
impor punição disciplinar ao servidor faltoso à revelia de anterior julgamento no âmbito 
criminal ou em sede de ação civil, mesmo que a conduta imputada configure crime em tese.
Em outras palavras, pode-se dizer que as sanções administrativas tratam-se de 
“punições usadas para penalizar infratores que tenham praticado fato ilícito ou irregular na 
execução das atividades contratadas, respeitados os direitos ao contraditório e à ampla 
defesa” (CAVALCANTI, 2019, p. 356). 
As sanções administrativas possuem como finalidade educar, prevenir ou reprimir 
condutas irregulares, coibindo o cometimento de infrações ilícitas. 
As sanções administrativas serão aplicadas em consonância com as condutas pre-
vistas na Lei do Abuso de Autoridade, a depender do regime jurídico de cada agente público, 
como: servidores públicos na esfera federal ou, então, o servidor público na esfera estadual.
 Para que melhor se compreenda essa discussão, trataremos das sanções admi-
nistrativas aplicadas aos servidores públicos federais, que possuem lei própria de acordo 
com o seu regime jurídico, que refere-se à Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990 (Lei do 
Funcionário Público Federal).
 Conforme previsto na Lei 8.112/90 (BRASIL, 1990) popularmente conhecida como 
Lei do Funcionário Público Federal, o agente público federal que cometer crimes de abuso 
de autoridade, conforme previstos na Lei, responderá penal, civil e administrativamente 
pelo exercício irregular de suas atribuições.
As penalidades disciplinares são:
53UNIDADE III Da Lei de Abuso de Autoridade : Efeitos, Penas Restritivas de Direito e Sanções Cíveis e Administrativas
● Advertência;
● Suspensão do cargo a depender da gravidade da conduta e do crime praticado; 
● A demissão;
● Cassação de aposentadoria ou disponibilidade; 
● Destituição de cargo em comissão;
● Destituição de função comissão. 
Na aplicação da sanção administrativa, serão consideradas a natureza e a gravida-
de da infração cometida, os danos que dela provierem para o serviço público, as circuns-
tâncias agravantes ou atenuantes e os antecedentes funcionais. 
Como já ressaltado no tópico anterior, a responsabilidade administrativa do servi-
dor público federal será afastada no caso de absolvição criminal que negue a existência do 
fato ou da autoria. 
SAIBA MAIS
Manifestamente descabida é a conduta que ocorra com excesso claro do agente públi-
co, que de forma notória, patente ou inegável decreta o ato sem um mínimo substrato 
jurídico ou fático.
O Supremo Tribunal Federal já firmou entendimento no sentido de que não é possível 
a condução coercitiva do investigado ou do réu para interrogatório no âmbito da inves-
tigação ou da ação penal. Caso seja determinada a medida nesses termos, poderá 
acarretar: 
Ilicitude das provas obtidas;
Responsabilidade civil do Estado e;
Responsabilidade civil, administrativa e penal do agente ou autoridade.
Fonte: NUCCI, Guilherme. A nova lei de abuso de autoridade. Disponível em: https://www.migalhas.com.
br/depeso/312282/a-nova-lei-de-abuso-de-autoridade. Acesso em: 31 ago. 2021. 
Tratamos sobre as sanções administrativas desde o seu conceito, suas aplicações 
legais, as peculiaridades, disposições legais introduzindo como exemplo as sanções apli-
cadas ao funcionário público no âmbito federal. Acreditamos que agora você, aluno(a) está 
preparado para a próxima unidade. 
https://www.migalhas.com.br/depeso/312282/a-nova-lei-de-abuso-de-autoridade
https://www.migalhas.com.br/depeso/312282/a-nova-lei-de-abuso-de-autoridade
54UNIDADE III Da Lei de Abuso de Autoridade : Efeitos, Penas Restritivas de Direito e Sanções Cíveis e Administrativas
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Prezados(as,) alunos(as) concluímos os nossos estudos desta unidade III.
No Tópico I, abordamos os principais efeitos causados pela condenação do agente 
público que cometer algum dos crimes previstos pela Lei de Abuso de Autoridade, bem como 
ressaltamos as principais inovações e diferenças em relação às regras previstas no Código Penal. 
No Tópico II, trouxemos para você, aluno (a) os conceitos das penas restritivas de di-
reito, bem como abordamos de forma detalhada em quais casos será possível a sua aplicação. 
No no Tópico III do nosso material, vimos sobre a aplicação das sanções de natu-
reza cível, tratando de maneira geral sobre a independência e autonomia das sanções na 
esfera cível, administrativae criminal, destacando a principal exceção trazida na Lei, que se 
trata da hipótese em que não poderá ser aplicadas sanções criminais, cumulando-se com 
a sanção cível e a administrativa.
Posteriormente, analisamos quais os requisitos essenciais que configuram o dano 
na esfera cível, bem como as modalidades das indenizações aplicadas ao caso concreto, 
podendo ser a indenização pelos danos morais ou danos materiais. 
Dando continuidade, trouxemos para você, aluno(a) um julgado de um caso real, 
em que envolve o crime de abuso de autoridade por um agente público que foi condenado 
a indenizar a vítima pelos danos morais causados. 
Por fim, encerraremos o estudo da nossa terceira unidade, tratando sobre as san-
ções de natureza administrativas. Para tanto, trouxemos para você, aluno(a) o conceito 
da sanção administrativa, demonstrando a principal finalidade e como inicia-se o proce-
dimento administrativo na prática cotidiana. Veremos que a abertura do procedimento é 
indispensável e serve para apurar a infração cometida pelo agente público. 
Acreditamos que, agora, você, aluno(a) estará preparado para a nossa próxima unidade.
Muito obrigado(a)!
55UNIDADE III Da Lei de Abuso de Autoridade : Efeitos, Penas Restritivas de Direito e Sanções Cíveis e Administrativas
MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO
Título: Abuso de Autoridade.
Autores: Rogério Sanches Cunha e Rogério Greco. 
Ano de Edição: 3ª Edição Revista, atualizada e ampliada.
Editora: Jurispodivm.
Sinopse: O objetivo deste trabalho é propiciar, como exigem os 
tempos modernos, de uma forma ágil, porém completa, a consulta 
a todos os dispositivos da parte geral e da parte especial da Lei 
13.869/19. Cada artigo foi objeto de uma análise individual, com 
comentários e citações doutrinárias pertinentes à matéria, sem ig-
norar a jurisprudência já sedimentada, sob a égide da Lei 4.898/65, 
que enriquecem o debate e revelam, por vezes, pontos de vista 
diversos a respeito da mesma temática. Esperamos contar com 
a crítica de todos aqueles que se debruçarem sobre sua leitura, 
apontando seus defeitos e qualidades. Somente assim, podere-
mos, em revisões futuras, aperfeiçoar o trabalho.
FILME / VÍDEO
Título: Marcha Cega - Filme 
Ano: 27 de setembro de 2018.
Sinopse: Durante as manifestações que ocorreram em São Paulo 
nos últimos anos, a Polícia Militar foi responsável por agredir vio-
lentamente, ferir e prender uma série de manifestantes. Através do 
uso excessivo de gás lacrimogêneo e outras técnicas duvidosas, 
a cidade transformou-se em um verdadeiro campo de batalha e as 
marchas, inicialmente pacíficas, foram consumidas pela violência 
derivada das forças policiais.
56
Plano de Estudo:
● Dos aspectos gerais e análise dos crimes previstos nos arts. 9º ao 15;
● Da análise dos crimes previstos nos arts.16 a 25; 
● Da análise dos crimes previstos nos arts. 27 a 38;
● Do procedimento;
Objetivos da Aprendizagem:
● Abordar os aspectos gerais e analisar os crimes previstos nos arts. 9º ao 15;
● Compreender os crimes de abuso de autoridade previstos nos arts. 16 ao 25;
● Analisar os crimes de abuso de autoridade previstos nos arts. 27 ao 38; 
● Compreender o procedimento de julgamento dos delitos 
previstos na Lei de Abuso de Autoridade. 
UNIDADE IV
Da Lei de Abuso de Autoridade: Dos 
Principais Crimes e das Penas
Professora Flávia Lausi Rodrigues 
Professor Thales de São José Sandoval
57UNIDADE IV Da Lei de Abuso de Autoridade: Dos Principais Crimes e das Penas
INTRODUÇÃO
Caro(a) aluno(a)! 
Seja bem vindo à última unidade de nossos estudos sobre a Lei de Abuso de Autoridade.
Para tanto, na presente unidade, no Tópico I, abordaremos os aspectos gerais 
da Lei de Abuso de Autoridade, bem como analisaremos e exemplificaremos de forma 
detalhada os crimes e sanções disciplinados no artigo 9º ao 15 da mencionada da Lei.
No Tópico II, continuaremos nossos estudos, abordando os ilícitos e penas dis-
postos no artigo 16 ao 25 da Lei de Abuso de Autoridade, trazendo para você aluno(a) os 
requisitos necessários para que uma conduta possa ser tipificada como crime. Neste tópico 
também elencamos alguns direitos do preso assegurados por esta legislação e por outros 
dispositivos legais como a Constituição Federal e a Lei de Execução Penal. 
Por conseguinte, no Tópico III do nosso material, continuaremos a análise sobre as 
condutas que caracterizam crime previstas na Lei de Abuso de Autoridade. 
Veremos que não se pune o agente público quando não tiver agido com a finalidade 
específica de prejudicar outrem ou beneficiar a si mesmo ou terceiro, ou atuar por capricho 
ou satisfação pessoal.
Observa-se pela análise dos artigos que os crimes de abuso de autoridade consis-
tem na consciência do agente público de realizar a conduta com a vontade de produzir o 
resultado, mais a finalidade especial exigida pelo tipo. 
Por fim, encerraremos o estudo da nossa quarta unidade tratando sobre o procedi-
mento da ação penal para o julgamento de crimes previstos na Lei de Abuso de Autoridade 
de forma detalhada. 
Trataremos sobre o procedimento penal a ser adotado para cada tipo penal, que irá 
variar de acordo com a pena abstrata de cada crime, podendo ser o ordinário, sumário e o 
sumaríssimo. 
Vamos começar!
58UNIDADE IV Da Lei de Abuso de Autoridade: Dos Principais Crimes e das Penas
1. DOS ASPECTOS GERAIS E ANÁLISE DOS CRIMES PREVISTOS NOS ARTS. 
 9º AO 15 
Prezado(a) aluno(a)!
Nesta unidade analisaremos de forma aprofundada alguns crimes previstos na Lei 
de Abuso de Autoridade. Assim, iniciaremos nossos estudos elencando e exemplificando os 
crimes dispostos do artigo 9º ao 15 da mencionada lei.
 Dispõe o artigo 9 da Lei nº 13.869/2019 (BRASIL, 2019):
Art.9º Decretar medida de privação de liberdade em manifesta desconformidade 
com as hipóteses legais:
Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
Parágrafo único. Incorre na mesma pena a autoridade judiciária que, dentro de 
prazo razoável, deixar de:
I - relaxar a prisão manifestamente ilegal; 
II - substituir a prisão preventiva por medida cautelar diversa ou de conceder; 
liberdade provisória, quando manifestamente cabível; 
III - deferir liminar ou ordem de habeas corpus, quando manifestamente cabível. 
Nas palavras do doutrinador Fernando Capez (2020, p. 58): 
A lei não pune a prisão posteriormente revogada, nem tampouco aquela em 
que a instância superior divergiu da interpretação do juiz, apenas a prisão 
decretada totalmente fora das hipóteses legais, ou seja, aquela sobre a qual 
não pairar nenhuma dúvida sobre sua ilegalidade.
Algumas hipóteses legais para decretação de prisão estão dispostas nos seguintes 
dispositivos: artigos 311 ao 314 e artigos 317 ao 318-A do Código de Processo Penal, 
artigos 1º e 2º da Lei nº 7.960/1989 (BRASIL, 2019).
59UNIDADE IV Da Lei de Abuso de Autoridade: Dos Principais Crimes e das Penas
O Autor (CAPEZ, 2020, p. 58), traz alguns exemplos de privação de liberdade em 
desconformidade com as hipóteses legais: 
● Prisão em razão de flagrante feito dias depois, sem perseguição e fora da situa-
ção de flagrância;
● Prisão preventiva decretada para atender o clamor popular ou sob fundamento 
que não corresponda à hipótese do auto;
● Prisão preventiva fundamentada em dissonância com o disposto no art. 312 do 
Código de Processo Penal;. 
● Prisão decretada em crimes que não comportem preventiva e temporária decre-
tada ex officio.
O artigo 312 do Código de Processo Penal, Decreto Lei nº 3.689/1941 (BRASIL, 
1941), disciplina que somente poderá ser decretada a prisão preventiva, quando houver 
prova da existência do crime e indício suficiente de autoria e de perigo gerado pelo estado 
de liberdade do imputado.
Assim, conforme elencado acima, caso o agente público decrete a prisão preventiva 
sem observar referidos requisitos a medida deverá ser considerada ilegal. 
Cabível destacar a conduta prevista no artigo 10 que também gera pena de 1 (um) 
a 4 (quatro) anos, emulta, Lei nº 13.869/2019 (BRASIL, 2019), “Decretar a condução de 
testemunha ou investigado manifestamente descabida ou sem prévia intimação de compa-
recimento ao juízo”. 
Ainda no âmbito das medidas restritivas de liberdade conforme dispõe o artigo 12 
Lei nº 13.869/2019 (BRASIL, 2019), incorre em crime com pena de 6 (seis) meses a 2 (dois) 
anos, e multa o agente que: 
a) Deixar de comunicar a prisão em flagrante à autoridade judiciária no prazo legal;
b) Deixar de comunicar à autoridade judiciária de forma imediata a execução de 
prisão temporária ou preventiva;
c) Deixar de comunicar, imediatamente, a prisão de qualquer pessoa, bem como o 
local que encontra a sua família ou à pessoa por ela indicada;
d) Deixar de entregar ao preso, no prazo de 24 horas, a nota de culpa, assinada pela 
autoridade, com o motivo da prisão e os nomes do condutor e das testemunhas. 
e) Prolongar a execução de pena privativa de liberdade, de prisão temporária, de 
prisão preventiva, de medida de segurança ou de internação, deixando, sem 
motivo justo, de executar o alvará de soltura imediatamente após o recebimento 
ou de promover a soltura do preso quando esgotado o prazo judicial ou legal. 
60UNIDADE IV Da Lei de Abuso de Autoridade: Dos Principais Crimes e das Penas
Quanto à conduta mencionada na letra “c”, ressalta-se que o direito de comunica-
ção do preso está amparado também pelo artigo 5º, inciso LVXII da Constituição Federal, 
sendo assim enquadrado como garantia fundamental.
Caro aluno(a), a Lei nº 13.869/2019 (BRASIL, 2019) também tipifica como crime em 
seu artigo 13 os atos coercitivos dos agentes que resultem em constrangimento ao preso, 
como por exemplo: 
● Submeter o preso sob violência ou ameaça a exibir parte do seu corpo à curio-
sidade pública; 
● Expor o preso a qualquer situação vexatória ou constrangedora que não seja 
autorizada pela lei. 
● Coagir o preso a produzir prova contra si mesmo ou contra terceiro. 
Já no artigo 15, caput o legislador tipifica como “crime de abuso de autoridade o 
fato do agente constranger a depor, sob ameaça de prisão, pessoa que, em razão de fun-
ção, ministério, ofício ou profissão, deva guardar segredo ou resguardar sigilo” (BECHARA; 
FÁBIO; FLORÊNCIO; AURÉLIO, M., 2020, p.161). 
Para compreendermos de forma mais clara tal tipificação cabível trazermos o dis-
posto no artigo 207 do Código de Processo Penal,Decreto Lei nº 3.689/1941 (BRASIL,1941): 
São proibidas de depor as pessoas que, em razão de função, ministério, ofí-
cio ou profissão, devam guardar segredo, salvo se, desobrigadas pela parte 
interessada, quiserem dar o seu testemunho. 
Assim, o agente público que coagir o indivíduo a violar a regra legal do artigo 207, 
de forma que ele sinta-se constrangido a depor incorrerá em ilícito penal com pena de 
detenção de 1 (um) a 4 (quatro) anos e multa. 
 Importante ressaltarmos também o disposto no seu parágrafo único o qual consta 
como ato ilícito a continuidade de interrogatório de pessoa que tenha decidido exercer o 
direito ao silêncio; ou que tenha optado por ser assistida por advogado ou defensor público, 
sem a presença de seu patrono. 
Fernando Capez (2020, p. 115) explica o procedimento do interrogatório da seguin-
te forma: “O interrogatório é o ato judicial no qual o juiz ouve o acusado sobre a imputação 
contra ele formulada. É ato privativo do juiz e personalíssimo do acusado, possibilitando a 
este último o exercício da sua defesa, da sua autodefesa”.
61UNIDADE IV Da Lei de Abuso de Autoridade: Dos Principais Crimes e das Penas
REFLITA
A dignidade da pessoa humana abarca toda e qualquer proteção à pessoa, seja física, 
seja psicológica. Tanto que dela decorrem os direitos individuais e dentre eles encontra-
-se a proteção à personalidade, cabendo indenização em caso de dano. 
Fonte: FILHO, Miranda Pelegrino Elivaldo. A exposição da imagem de um acusado antes do trânsito em 
julgado da ação penal. Disponível em: https://www.migalhas.com.br/depeso/301014/a-exposicao-indevi-
da-da-imagem-de-um-acusado-antes-do-transito-em-julgado-da-acao-penal. Acesso em: 15 nov. 2021. 
SAIBA MAIS
“Em razão do princípio constitucional da presunção da inocência (art. 5º, LVII, da CF) a 
prisão processual é medida de exceção; a regra é sempre a liberdade do indiciado ou 
acusado enquanto não condenado por decisão transitada em julgado. Daí porque o art. 
5º, LXVI, da CF dispõe que: “ninguém será levado à prisão ou nela mantida, quando a 
lei admitir a liberdade provisória, com ou sem fiança.”
Fonte: BIANCHINI, Alice . [et al.] Prisão e medidas cautelares: comentários à Lei 12.403, de 4 de maio de 
2011. (Coord. Luiz Flávio Gomes, Ivan Luiz Marques). 2ª Ed. São Paulo: RT, 2011, p. 136)
Neste tópico explicamos e exemplificamos os crimes dispostos do artigo 9º ao 15 da 
Lei de Abuso de Autoridade. No próximo tópico continuaremos nossos estudos elencando 
os crimes descritos do artigo 16 ao 25 da mencionada lei. 
62UNIDADE IV Da Lei de Abuso de Autoridade: Dos Principais Crimes e das Penas
2. DA ANÁLISE DOS CRIMES PREVISTOS NOS ARTS. 16 a 25
 
Caro aluno(a), neste tópico continuaremos analisando os crimes previstos na Lei 
de Abuso de Autoridade. Assim, prosseguiremos observando o disposto nos artigos 16 ao 
25 da mencionada Lei, 
O artigo 16 enquadra como ilícito a conduta do agente que deixar de identificar-se 
com o preso ou identificar-se falsamente. 
Conforme dispõe o artigo 5º, LXIV da Constituição Federal, “o preso tem direito à 
identificação dos responsáveis por sua prisão ou por seu interrogatório policial”. 
Deste modo, o artigo 16 da Lei de Abuso de autoridade assegura o direito do preso 
previsto no artigo 5º, LXIV da Constituição Federal (CAPEZ, 2020, p. 119). Nesse sentido 
outro artigo que merece destaque é o 306 § 2o do Código de Processo Penal, o qual dispõe:
Art. 306. A prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comu-
nicados imediatamente ao juiz competente, ao Ministério Público e à família 
do preso ou à pessoa por ele indicada. 
§ 2o No mesmo prazo, será entregue ao preso, mediante recibo, a nota de 
culpa, assinada pela autoridade, com o motivo da prisão, o nome do con-
dutor e os das testemunhas.
Outrossim, ressalta-se que a pena prevista para o agente que praticar tal crime, 
qual seja, deixar de identificar-se ou identificar-se falsamente com o preso é de 6 (seis) 
meses a 2 (dois) anos. 
63UNIDADE IV Da Lei de Abuso de Autoridade: Dos Principais Crimes e das Penas
Ainda necessário destacar que conforme parágrafo único do artigo 16 incorre na 
mesma pena o agente que encarregado do “interrogatório em sede de procedimento in-
vestigatório de infração penal, deixa de identificar-se ao preso ou atribui a si mesmo falsa 
identidade, cargo ou função”.
Conforme previsto na legislação a pena prevista para este crime é de 6 (seis) meses 
a 2 (dois) anos e multa. 
O artigo 17 da mencionada lei foi revogado, assim passaremos ao estudo do artigo 
18, o qual tipifica como crime a seguinte conduta do agente, “submeter o preso a interroga-
tório policial durante o período de repouso noturno, salvo se capturado em flagrante delito 
ou se ele, devidamente assistido, consentir em prestar declarações”.
 O dispositivo “criminaliza a submissão do preso a interrogatório policial durante 
o período de repouso noturno” (BECHARA; FÁBIO; FLORÊNCIO; AURÉLIO, M., 2020, p. 
197), sendo que conforme letra da lei existem duas exceções em que o interrogatório notur-
no não é criminalizado, quais sejam: em caso de flagrante delito ou se o preso, devidamente 
assistido, concordar em prestar as declarações.
Para melhor compreensão segue o disposto nos Enunciados 11 e 12 do Conselho 
Nacional de Procuradores-Gerais dos Ministérios Públicos dos estados e da União - CNPG 
e do Grupo Nacional de Coordenadores de Centro de Apoio Criminal – GNCCRIM (DALA-
ZEN FABIANO; DOS PASSOS PAULO CEZAR, 2019, p. 3 e 4) 
ENUNCIADO 11 (art.18): “Para efeitos do artigo 18 da Lei de Abuso de Auto-
ridade, compreende-se por repouso noturno o período de 21h00 e 5h00, nos 
termos do artigo 22, § 1°, III da mesma Lei.
ENUNCIADO 12 (art, 18) “ Ressalvadas as hipóteses de prisão em flagran-
te e concordância do interrogado devidamente assistido, o interrogatório ex-
trajudicial do preso iniciado antes, não pode adentrar o período de repouso 
noturno, devendo ser o ato encerrado e , se necessário, complement no dia 
seguinte,”
No deste artigo a pena segue conforme imposta no artigo 16, qual seja, 6 (seis) 
meses a 2 (dois) anos e multa. 
O próximo crime que estudaremos está tipificado no artigo 19 da Lei, o qual visa 
proteger o “direito de petição à autoridade competente por parte de todos que se sentem vi-
timados por ilegalidades ou abuso de poder”.(BECHARA; FÁBIO; FLORÊNCIO; AURÉLIO, 
M., 2020, p.199). 
Artigo 19. Impedir ou retardar, injustificadamente, o envio de pleito de preso 
à autoridade judiciária competente para a apreciação da legalidade de sua 
prisão ou das circunstâncias de sua custódia.
Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. 
Parágrafo único. Incorre na mesma pena o magistrado que, ciente do impe-
dimento ou da demora, deixar de tomar as providências tendentes a saná-lo, 
não sendo competente para decidir sobre a prisão, deixa de enviar o pedido 
à autoridade judiciária que o seja. 
64UNIDADE IV Da Lei de Abuso de Autoridade: Dos Principais Crimes e das Penas
Importante ressaltarmos que bem jurídico tutelado, qual seja, direito de petição, 
possui proteção constitucional conforme disposto no artigo 5º, inciso XXXIV, “a” da Carta 
Magna (BECHARA; FÁBIO; FLORÊNCIO; AURÉLIO, M., 2020, p.199): 
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, ga-
rantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabili-
dade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, 
nos termos seguintes: 
XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas: 
a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra 
ilegalidade ou abuso de poder;
Outra proteção trazida pela Lei de Abuso de Autoridade é a prerrogativa do preso 
de se comunicar com o seu advogado, referido direito é amparado pelo artigo 41, inciso IX, 
da Lei de Execução Penal e pelo artigo 5º, inciso LXII da Constituição Federal. 
Assim, conforme disposto no artigo 20 da Lei de Abuso de Autoridade o agente 
público que “impedir, sem justa causa, a entrevista pessoal e reservada do preso com o seu 
advogado”, incorrerá em pena de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos e multa. 
Outrossim, ressalta-se o disciplinado no parágrafo único do mencionado artigo o 
qual dispõe que incorrerá na mesma pena o agente que impedir o preso ou investigado de 
entrevistar-se, em prazo razoável, pessoalmente e reservadamente com seu advogado, 
antes de audiência judicial, ou impossibilitar a conversa entre eles durante a audiência. 
O próximo crime que estudaremos será o disposto no artigo 21 da Lei nº 13.869/2019 
(BRASIL, 2019):
Art 21. Manter presos de ambos os sexos na mesma cela ou espaço de con-
finamento: 
Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa
Parágrafo único: Incorre na mesma pena quem mantém, na mesma cela, 
criança ou adolescente na companhia de maior de idade ou em ambiente ina-
dequado, observando disposto na Lei nº 8.069 de 1990 (Estatuto da Criança 
e do Adolescente). 
O doutrinador Fernando Capez (2020, p. 123) explica que a criminalização de tal 
conduta visa assegurar aos presos o respeito à sua integridade física e moral de forma a 
dar efetividade ao direito previsto no artigo 5º, inciso XLVIII da Constituição Federal, qual 
seja: “a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza do 
delito, a idade e o sexo do apenado”. 
Nesse sentido, é cabível ressaltarmos que o agente público tem o dever de garantir 
a incolumidade física do preso, conforme disposto no artigo 13, § 2º, “a” do Decreto Lei 
nº2.848/1940.
65UNIDADE IV Da Lei de Abuso de Autoridade: Dos Principais Crimes e das Penas
Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente é im-
putável a quem lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem 
a qual o resultado não teria ocorrido. 
 § 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia 
agir para evitar o resultado. 
O dever de agir incumbe a quem: 
a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância.
Assim, (NUCCI, 2020, p.30) explica que “se uma mulher presa em lugar onde há 
presos do sexo masculino for estuprada, é viável processar por estupro quem a colcou ali e 
não garantiu a sua segurança”, o autor justifica referida condenação aduzindo que o crime 
mais grave (estupro) deve absorver o mais leve (abuso de autoridade). 
Caro aluno(a), passaremos agora a estudar o crime previsto no artigo 22 da men-
cionada Lei, qual seja: 
Art.22 Invadir ou adentrar, clandestina ou astuciosamente, ou à revelia da 
vontade do ocupante, imóvel alheio ou suas suas dependências, ou nele per-
manecer nas mesmas condições, sem determinação judicial ou fora das con-
dições estabelecidas em lei: 
Para que melhor se compreenda necessário se faz destacarmos o direito individual 
à inviolabilidade de domicílio previsto no artigo 5º, inciso XI da Constituição Federal: ”a 
casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do 
morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante 
o dia, por determinação judicial”; 
Nas palavras de (CAPEZ, 2020, p. 125), “o que se tutela é a tranquilidade do indi-
víduo em determinado espaço privado, e não a sua posse ou propriedade, ao contrário dos 
crimes patrimoniais”. 
Em outras palavras o artigo 22 criminaliza a invasão de propriedade privada pelo 
agente público sem mandado judicial ou fora das hipóteses previstas em lei, quais sejam, 
caso de flagrante delito, desastre ou para prestar socorro (BECHARA; FÁBIO; FLORÊN-
CIO; AURÉLIO, M., 2020, p. 220). 
Importante mencionarmos que de acordo com contido em seu inciso III o agente 
que cumprir mandado de busca e apreensão domiciliar no horário noturno, qual seja, após 
as 21 (vinte e uma) horas ou antes das 5 (cinco) horas, também incorrerá em ilícito devendo 
cumprir a mesma pena determinada no caput do artigo, qual seja, detenção de 1 (um) a 4 
(quatros) anos. 
O próximo crime a ser estudado está previsto no artigo 23 da Lei nº 13.869/2019, 
qual seja:
Inovar artificiosamente, no curso de diligência, de investigação ou de pro-
cesso, o estado de lugar, de coisa ou de pessoa, com o fim de eximir-se de 
responsabilidade ou de responsabilizar criminalmente alguém ou agravar-lhe 
a responsabilidade.
66UNIDADE IV Da Lei de Abuso de Autoridade: Dos Principais Crimes e das Penas
 Referida conduta foi tipificada como ilícita a fim evitar que agentes públicos realizem 
atitudes com objetivo de incriminar pessoas inocentes (BECHARA; FÁBIO; FLORÊNCIO; 
AURÉLIO, M., 2020, p. 229). 
O doutrinador Guilherme de Souza Nucci, (2020, p.35) explica que, para a conduta 
ser caracterizada crime necessário estar presente os seguinte requisitos: a inovação artifi-
ciosa (engenhosa) e também a finalidade de se eximir de responsabilidade ou de respon-
sabilizar criminalmente alguém ou até agravar-lhe a responsabilidade (NUCCI, 2020, p. 35). 
Para que você aluno(a) melhor compreenda seguem alguns exemplos de ilícitos 
enquadrados no referido artigo (CAPEZ, 2020, p.128). 
● Forjar um flagrante, de forma a inserir produto ou objeto que prejudique o sus-
peito;
● Induzir o depoente a inserir forjadamente o nome de pessoa inocente;
● Induzir o depoente a assinar depoimento formulado pelo próprio agente de 
forma a escrever trechos por sua própria autoria e que não foram mencionados 
pelo depoente. 
● Coagir o investigado ou testemunha fazendo-os crerque, se não disserem o 
que o investigante orientou, sofrerão consequências. 
A pena prevista para referido ilícito é de 1 (um) a 4 (quatro) anos e multa. O artigo 
também traz em seus incisos I e II mais duas condutas que se praticadas pelo agente 
público incorrerão na mesma pena, quais sejam: 
I - eximir-se de responsabilidade civil ou administrativa por excesso praticado 
no curso de diligência; 
II - omitir dados ou informações ou divulgar dados ou informações incomple-
tos para desviar o curso da investigação, da diligência ou do processo. 
O art. 24 previsto na Lei de Abuso de Autoridade (BRASIL, 2019) dispõe que: 
Constranger, sob violência ou grave ameaça, funcionário ou empregado de 
instituição hospitalar pública ou privada a admitir para tratamento pessoa cujo 
óbito já tenha ocorrido, com o fim de alterar local ou momento de crime, pre-
judicando sua apuração:
Pena - detenção, de um (um) a 4 (quatro) anos, e multa, além da pena cor-
respondente à violência.
De acordo com (NUCCI, 2020, p. 36) “o verbo constranger espelha sempre uma 
conotação negativa, significando, nesta hipótese, tolher a liberdade ou obrigar alguém a 
alguma coisa”. 
Nessa situação, o objetivo do infrator é através da alteração do momento do crime 
ou do local prejudicar a investigação de forma a beneficiar-se ou a prejudicar terceiros 
(NUCCI, 2020, p. 36). 
67UNIDADE IV Da Lei de Abuso de Autoridade: Dos Principais Crimes e das Penas
Em outras palavras, o agente público cria uma realidade probatória falsa através do 
constrangimento com o objetivo de induzir em erro as investigações e o Juízo. 
Assim, o agente público que coagir terceiros a admitir pessoa para o tratamento 
cujo óbito já tenha ocorrido, incorrerá em crime de abuso de autoridade. 
O art. 25 previsto na Lei de Abuso de Autoridade (BRASIL, 2019) dispõe que: 
Art. 25. Proceder à obtenção de prova, em procedimento de investigação ou 
fiscalização, por meio manifestamente ilícito: 
Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem faz uso de prova, em desfa-
vor do investigado ou fiscalizado, com prévio conhecimento de sua ilicitude.
Analisando referido dispositivo podemos perceber que o legislador visou assegurar 
o disposto no artigo 5º, LVI da Constituição Federal, qual seja “são inadmissíveis, no pro-
cesso, as provas obtidas por meios ilícitos”.
Nesse sentido, nas palavras de (NUCCI, 2020, p. 36). “quem consegue prova ilícita 
e a utiliza para prejudicar alguém, responde pelo crime”. 
Assim, a obtenção e o uso de prova ilícita em desfavor do investigados “trata-se 
de uma desconsideração processual absoluta que leva aquelas provas para o terreno da 
inexistência jurídica” (BECHARA; FÁBIO; FLORÊNCIO; AURÉLIO, M., p.229, 2020). 
68UNIDADE IV Da Lei de Abuso de Autoridade: Dos Principais Crimes e das Penas
SAIBA MAIS
O artigo 21, “caput” da Lei 13.869/19 incrimina a conduta de quem mantém presos de 
ambos os sexos na mesma cela ou espaço de confinamento. Certamente a inspiração 
de tal dispositivo se encontra em caso emblemático ocorrido no Pará quando uma Juíza 
de Direito permitiu que uma adolescente ficasse confinada em uma cela com 30 (trinta) 
homens. Disso resultou o óbvio. A adolescente foi torturada e violentada sexualmente. 
Fonte: CABETTE, Eduardo Luiz Santos. Abuso de Autoridade e Promiscuidade Carcerária. Disponível 
em: https://bit.ly/3xHX40z. Acesso em: 05 set. 2021.
REFLITA
A expressão “ambos os sexo” é empregada no artigo 21, porém, não se pode negar a 
realidade quanto ao fato de que transexuais, travestis e homossexuais são frequente-
mente alvos de violência sexual. 
Fonte: CABETTE, Eduardo Luiz Santos. Abuso de Autoridade e Promiscuidade Carcerária. Disponível 
em: https://bit.ly/3xHX40z. Acesso em: 05 set. 2021.
Caro(a) aluno, neste tópico você aprendeu sobre os crimes tipificados no artigo 16 
ao 25 da Lei de Abuso de Autoridade, nº 13.869/2019 (BRASIL, 2019). No próximo tópico 
continuaremos nossos estudos sobre as condutas ilícitas de forma a elencarmos os crimes 
tipificados no artigo 27 ao 38 da mencionada Lei.
69UNIDADE IV Da Lei de Abuso de Autoridade: Dos Principais Crimes e das Penas
3. DA ANÁLISE DOS CRIMES PREVISTOS NOS ARTS. 27 A 38 
O objetivo agora é proceder a análise crítica dos crimes previstos nos art. 27 ao 38 
da Lei de Abuso de Autoridade proporcionando para você aluno(a) uma análise geral. 
Dispõe o artigo 27 da Lei nº 13.869/2019 (BRASIL, 2019):
Requisitar instauração ou instaurar procedimento investigatório de infração 
penal ou administrativa, em desfavor de alguém, à falta de qualquer indício 
da prática de crime, de ilícito funcional ou de infração administrativa: Pena – 
detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. Parágrafo único. Não 
há crime quando se tratar de sindicância ou investigação preli-minar sumária, 
devidamente justificada
É dizer que instaurar qualquer procedimento em desfavor de alguém sem qualquer 
indício de prática de crime, de ilícito funcional ou de infração administrativa caracteriza o 
crime de abuso de autoridade.
Este artigo visa de acordo com (BECHARA, FLORÊNCIO, AURÉLIO, 2020, p. 285) 
“proteger a honra e a dignidade da pessoa sujeita à investigação criminal, evitando-se que 
tenha o dissabor de ser alvo de uma investigação quando nenhum indício permita colocá-la 
na condição de investigada”. Frisa-se que não há crime quando se trata tão somente de 
sindicância ou investigação preliminar.
O artigo 28 da Lei de Abuso de Autoridade (BRASIL, 2019) dispõe que:
Art. 28. Divulgar gravação ou trecho de gravação sem relação com a prova 
que se pretenda produzir, expondo a intimidade ou a vida privada ou ferindo 
a honra ou a imagem do investigado ou acusado:
Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
70UNIDADE IV Da Lei de Abuso de Autoridade: Dos Principais Crimes e das Penas
Nesse crime, divulgar (tornar pública, propagar, espalhar) é o verbo principal, a ser 
composto com expor (colocar em evidência, revelar). De acordo com (NUCCI, 2020, p. 39) “tra-
ta-se de abuso de autoridade divulgar gravação ou trecho de gravação (entende-se a cautela 
do legislador: tornar pública toda a gravação captada ou apenas uma parte dela, tanto faz)”.
Em outras palavras, considera-se crime divulgar qualquer gravação, sem relação 
com a prova que se pretenda produzir, tratam-se de trechos particulares envolvendo 
outros assuntos que nada tem a ver com a investigação criminal ou com o processo 
(NUCCI, 2020, p. 39). 
Ao cometer esse crime, pode-se atingir dois resultados (NUCCI, 2020, p. 39): 
● Expor a intimidade ou a vida privada alheia;
● Ferir a honra ou a imagem do investigado ou acusado.
 
O sujeito ativo é o agente público, e o sujeito passivo é o Estado, “secundariamente 
a pessoa cuja intimidade ou vida privada foi exposta ou o investigado/acusado cuja intimi-
dade ou vida privada foi exposta ou o investigado/acusado cuja honra ou imagem foi ferida 
(NUCCI, 2020, p. 39)”. 
Neste crime, o elemento subjetivo do tipo é o dolo. Pois, “exige-se elemento sub-
jetivo específico, consistente em prejudicar outrem ou beneficiar a si mesmo ou a terceiro, 
ainda por mero capricho ou satisfação pessoal” (NUCCI, 2020, p.39). Neste crime não se 
admite a modalidade culposa.
O crime previsto no art. 29 da Lei de Abuso de Autoridade (BRASIL, 2019) consiste em:
Art. 29. Prestar informação falsa sobre procedimento judicial, policial, fiscal 
ou administrativo com o fim de prejudicar interesse de investigado:
Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.
Neste crime, prestar (dar, comunicar) trata-se do verbo principal, cujo objeto é a 
informação falsa (notícia ou conjunto de conhecimentos sobre algo ou alguém, no caso 
deste tipo a notícia é uma inverdade, mentira, não autêntica (NUCCI, 2020, p. 39).
Em outras palavras, como popularmente conhecido de “fake news”, quando divul-
gado por agentes públicos.
Não há especificidadequanto ao meio da veiculação da informação falsa, contudo 
entende-se que a partir do momento em que a informação se torna pública como no crime de 
injúria, ou seja, no momento em que chega ao conhecimento do investigado ou do acusado.
Nesse crime, o sujeito ativo é o agente público e o passivo é o Estado; secundaria-
mente o investigado prejudicado pela informação falsa divulgada.
71UNIDADE IV Da Lei de Abuso de Autoridade: Dos Principais Crimes e das Penas
Não há modalidade culposa nesse crime, exige-se o elemento dolo para a sua 
configuração, consistente na intenção em prejudicar outrem ou beneficiar a si mesmo ou a 
terceiro, ou ainda, por mero capricho ou satisfação pessoal (NUCCI, 2020, p.39). 
O art. 30 previsto na Lei de Abuso de Autoridade (BRASIL, 2019) dispõe que: 
Art. 30. Dar início ou proceder à persecução penal, civil ou administrativa sem 
justa causa fundamentada ou contra quem sabe inocente:
Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
Analisando este disposto, dar início (começar, principiar) e proceder (dar segui-
mento, prosseguir) “são as condutas alternativas (o agente pode realizar somente uma 
ou as duas, mas responde por um só crime) ligadas à persecução (vulgarmente, significa 
perseguição” (NUCCI, 2020, p. 41).
Este crime, trata-se de uma espécie de denunciação caluniosa, cometida por agen-
te público. De acordo com (NUCCI, 2020, p. 41)
Este crime sem justa causa fundamentada (faltando indícios suficientes de 
autoria ou de materialidade ou sem fundamentação) ou contra quem sabe 
inocente (sem indícios de materialidade ou autoria ou com indícios forjados), 
dá início à persecução penal (instaura inquérito - o delegado; oferece denún-
cia - promotor; recebe denúncia - o juiz) ou prossegue em persecução penal 
que ele mesmo iniciou ou instaurada por terceiro. 
O sujeito ativo é o agente público e o sujeito passivo é o Estado, secundariamente 
a pessoa investigada ou processada. Admite-se somente a modalidade dolosa, ou seja, 
consistente na intenção de “prejudicar outrem ou beneficiar a si mesmo ou a terceiro, ou, 
ainda, por mero capricho ou satisfação pessoal” (NUCCI, 2020, p. 41).
Já o crime previsto no artigo da 31 da Lei de Abuso de Autoridade (BRASIL, 2019) 
dispõe que: 
Art. 31. Estender injustificadamente a investigação, procrastinando-a em pre-
juízo do investigado ou fiscalizado:
Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem, inexistindo prazo para exe-
cução ou conclusão de procedimento, o estende de forma imotivada, procras-
tinando-o em prejuízo do investigado ou do fiscalizado.
Analisando o núcleo deste crime, estender (esticar, prolongar) é o verbo principal, cujo 
objeto é a investigação, portanto se está na está na esfera extrajudicial (NUCCI, 2020, p. 42).
Associa-se o prolongamento da investigação à procrastinação injusta, prejudicando 
o investigado ou fiscalizado, ou seja, demorar e procrastinar durante o processo investiga-
tório (NUCCI, 2020, p. 42). Nesse sentido, (NUCCI, 2020, p. 42) explica que
Há casos em que se verifica a demora do agente público para concluir a 
investigação, seja de que matéria de ilícito for, somente para manter o in-
vestigado em espera, por motivos escusos, como lhe impedir a eleição ou a 
nomeação para um cargo ou mesmo para auferir uma promoção. É abuso de 
autoridade, quando isto é feito de maneira dolosa e, como há no tipo, injusti-
ficadamente (sem nenhuma justa causa).
72UNIDADE IV Da Lei de Abuso de Autoridade: Dos Principais Crimes e das Penas
Em confronto com o parágrafo único, “quer-se crer que, na figura do caput, há um 
prazo para findar a investigação, que foi ultrapassado sem justo motivo. Isso porque, no 
parágrafo único, menciona-se a falta de prazo para conclusão do procedimento” (NUCCI, 
2020, p. 42), contudo não há prazo estabelecido na lei, mas o crime de abuso de auto-
ridade se caracterizará quando quando comprovada a procrastinação, ou seja, a demora 
injustificável na finalização do procedimento. 
Analisando o art. 32 da Lei de Abuso de Autoridade (BRASIL, 2019):
Art. 32. Negar ao interessado, seu defensor ou advogado acesso aos autos 
de investigação preliminar, ao termo circunstanciado, ao inquérito ou a qual-
quer outro procedimento investigatório de infração penal, civil ou administra-
tiva, assim como impedir a obtenção de cópias, ressalvado o acesso a peças 
relativas a diligências em curso, ou que indiquem a realização de diligências 
futuras, cujo sigilo seja imprescindível:
Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.
Negar (recusar-se a algo; repudiar, vedar) é o verbo principal, cujo objeto é o acesso 
aos autos de investigação preliminar (pode ser policial ou administrativo), ao termo circuns-
tanciado (peça lavrada em caso de flagrante de infração de menor potencial ofensivo, ao 
inquérito (civil ou penal) ou outro procedimento investigatório de natureza penal, civil ou 
administrativa (NUCCI, 2020, p. 43).
A segunda forma de caracterizar o crime de abuso de autoridade, é impedindo 
(obstando, não permitindo), cujo objeto é a obtenção de cópias dessas peças.
Nesse sentido, a negativa é dirigida ao interessado ou ao defensor do interessado, 
podendo ser o advogado constituído, dativo ou o defensor público).
O art. 33 da Lei de Abuso de Autoridade (BRASIL, 2019) dispõe que:
Art. 33. Exigir informação ou cumprimento de obrigação, inclusive o dever de 
fazer ou de não fazer, sem expresso amparo legal:
Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem se utiliza de cargo ou função 
pública ou invoca a condição de agente público para se eximir de obrigação 
legal ou para obter vantagem ou privilégio indevido.
Exigir (reclamar direito legítimo, impor alguma coisa) é um verbo de forte conteúdo, 
cujo objeto é a informação (notícia acerca de algo) ou o cumprimento de obrigação (execu-
tar uma tarefa por meio de vínculo jurídico estabelecido), incluindo o dever (regra imposta 
por lei, neste caso) de fazer ou não fazer alguma coisa (NUCCI, 2020, p. 42).
Os artigos 34 e 35 da Lei de Abuso de Autoridade foram vetados. 
Continuando a análise dos dispositivos, o art. 36 dispõe que:
Art. 36. Decretar,245-247 em processo judicial, a indisponibilidade de ativos 
financeiros em quantia que extrapole exacerbadamente o valor estimado 
para a satisfação da dívida da parte e, ante a demonstração, pela parte, da 
excessividade da medida, deixar de corrigi-la.
Pena – detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
73UNIDADE IV Da Lei de Abuso de Autoridade: Dos Principais Crimes e das Penas
Decretar, consiste em dar ordens, determinar, cujo objeto é a indisponibilidade de 
ativos financeiros em montante que ultrapasse exacerbadamente (de modo exagerado) o 
valor estimado para satisfazer a dívida da parte. 
Tal crime só pode se caracterizar durante o processo judicial. Para “congelar” os 
bens de um investigado ou réu é necessária cautela.
Como, por exemplo, se uma eventual dívida é de 100 mil reais, porque decretar a 
indisponibilidade de um milhão de reais? Quando se tratar de um erro ou algo advindo da 
imprudência não se caracterizar-se-á como crime, pois caracteriza crime quando o agente 
público “faz de propósito para deixar o investigado/réu para deixar o investigado/réu sem 
qualquer recurso emerge o abuso de autoridade” (NUCCI, 2020, p. 45). 
O art. 37 da Lei de Abuso de Autoridade (BRASIL, 2019) dispõe que: 
Art. 37. Demorar demasiada e injustificadamente no exame de processo de 
que tenha requerido vista em órgão colegiado, com o intuito de procrastinar 
seu andamento ou retardar o julgamento:
Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.
Demorar (atrasar, permanecer com algo por longo tempo) é o verbo principal, tendo 
por objeto o processo do qual pediu vista.
Para que se configure o crime de abuso de autoridade é fundamental que “o 
magistrado requeira vista de um processo emjulgamento e demore de modo demasiado 
(exagerado) e injustificado (sem qualquer justa causa) para devolver à mesa do colegiado” 
(NUCCI, 2020, p. 45).
Por fim, o art. 38 da Lei de Abuso de Autoridade (BRASIL, 2019) dispõe que:
Art. 38. Antecipar o responsável pelas investigações, por meio de comunica-
ção, inclusive rede social, atribuição de culpa, antes de concluídas as apura-
ções e formalizada a acusação:260-261
Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.
Neste disposto, antecipar consiste em adiantar-se, comunicar-se com antecedência 
atribuindo culpa a alguém antes de terminadas as apurações e devidamente formalizadas 
as acusações.
Em outras palavras, “adiantar a culpa de alguém, sem nem mesmo terminada a 
apuração ou formalizada a acusação, caracteriza-se o crime de abuso de autoridade (NUC-
CI, 2020, p. 46). 
Passaremos a tratar sobre o procedimento da ação penal no âmbito da Lei de 
Abuso de Autoridade. 
74UNIDADE IV Da Lei de Abuso de Autoridade: Dos Principais Crimes e das Penas
4. DO PROCEDIMENTO
Querido(a) aluno(a), encerraremos a nossa matéria da Lei de Abuso de Autoridade 
tratando de forma geral sobre sobre o procedimento da ação penal.
 Ao contrário da antiga Lei de Abuso de Autoridade (Lei nº 4.895/65) a nova Lei 
não apresenta um procedimento especial para os crimes nela previstos, pois adotar-se-á o 
procedimento comum da ação penal a depender da pena do crime, podendo ser:
● Procedimento ordinário (quando a pena máxima em abstrato do crime come-
tido foi maior ou igual a 4 (quatro) anos;
● Sumário (quando a pena em abstrato foi superior a 2 (dois) anos e inferior a 4 
(quatro) anos;
● Sumaríssimo (procedimento adotado para o julgamento de menor potencial 
ofensivo, ou seja, quaisquer contravenções penais ou crimes cuja penas máxi-
mas em abstrato não ultrapasse 2 anos).
Vejamos o art. 3º da Lei de Abuso de Autoridade (BRASIL, 2019):
Art. 3º. Os crimes previstos nesta Lei são de ação penal pública incondicio-
nada. 
§1º. Será admitida ação privada se a ação penal pública não for intentada no 
prazo legal, cabendo ao Ministério Público aditar a queixa, repudiá-la e ofere-
cer denúncia substitutiva, intervir em todos os termos do processo, fornecer 
elementos de prova, interpor recurso e, a todo tempo, no caso de negligência 
do querelante, retomar a ação como parte principal.
§2º. A ação privada subsidiária será exercida no prazo de 6 (seis) meses, 
contado da data em que se esgotar o prazo para oferecimento da denúncia”.
75UNIDADE IV Da Lei de Abuso de Autoridade: Dos Principais Crimes e das Penas
Nesse sentido (CAPEZ, 2020, p. 145) ensina que: 
A ação privada subsidiária será exercida no prazo de seis meses, contado da data 
em que se esgotar o prazo para oferecimento da denúncia (NUCCI, 2020, p. 145).
O procedimento se inicia com a denúncia do réu ou com a queixa crime. 
A denúncia ou queixa conterá a exposição do fato criminoso, com todas as suas 
circunstâncias, a qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa identifi-
cá-lo, a classificação do crime e, quando necessário, o rol das testemunhas.
Após oferecida a denúncia (Ação Penal Pública) ou com a queixa crime (Ação Penal 
Privada), o recebimento da denúncia se dará apenas se a peça inicial cumprir os requisitos 
previstos no art. 41 do Código de Processo Penal (indícios de autoria e materialidade).
Recebida a denúncia ou queixa, o réu será citado no mesmo despacho em que o 
juiz realiza e comunica o recebimento. Após citado, o réu terá um prazo de 10 dias para 
apresentar defesa/resposta à acusação, trata-se do momento oportuno para a defesa apre-
sentar todas as teses pertinentes para a sua defesa.
O acusado poderá arrolar suas testemunhas. O processo volta para a conclusão 
para que o juiz aprecie os pedidos podendo ocorrer uma das hipóteses diferentes:
● Diante do novo juízo de admissibilidade, com uma nova cognição poderá rejeitar 
a denúncia (art. 395 do Código de Processo Penal);
● Determinar a absolvição sumária do réu (art. 397 do Código de Processo Penal);
● Designar a data de audiência de instrução e julgamento (art. 399 do Código de 
Processo Penal).
A audiência deverá ocorrer no prazo de 60 (sessenta) dias e, em regra, haverá uma 
única audiência. 
Por expressa previsão legal, os crimes previstos nesta lei são de ação pública 
incondicionada, que consiste na não subordinação de qualquer requisito (manifestação do 
ofendido ou de qualquer outra pessoa) para ser iniciada. 
Conforme visto, os procedimentos irão variar conforme a pena abstrata de cada 
crime previsto na lei. O procedimento sumário ocorrerá da mesma forma que o ordinário, 
respeitando as mesmas regras processuais, com exceção do prazo para a realização da 
audiência que deverá ocorrer em 30 dias e não em 60 dias como no procedimento ordinário. 
Já o procedimento sumaríssimo, é adotado para o julgamento de infrações penais 
de menor potencial ofensivo, ou seja, quando a pena não ultrapassar 2 anos, a competência 
para o julgamento destes crimes é o Juizado Especial Criminal (JECRIM). De acordo com 
(FERRARI, 2016, online):
76UNIDADE IV Da Lei de Abuso de Autoridade: Dos Principais Crimes e das Penas
Suas diferenças com outros procedimentos desde antes do surgimento da 
ação penal, pois se o sujeito for preso em flagrante será lavrado um termo 
circunstanciado, ou se logo após o crime comparecer imediatamente ao jui-
zado e assinar termo de compromisso informando que irá comparecer em 
audiência em data e local marcados, e este não será imposta prisão nem se 
exigirá fiança. 
Na primeira audiência, haverá inicialmente uma tentativa de conciliação que poderá 
ser das duas formas:
● Composição civil: quando a vítima e o acusado alcançam um acordo para 
reparar o dano causado;
● Transação penal: o acordo feito entre o acusado e o Ministério Público onde se 
estabelece alguma pena alternativa e se o acusado cumprir o acordo o Ministé-
rio Público deixará de propor a ação penal. 
Na hipótese da audiência restar infrutífera, será oferecida a denúncia de forma 
oral. Após oferecida a denúncia será designada a audiência de instrução e julgamento. De 
acordo com (FERRARI, 2016, online):
Nesta audiência unda a defesa oferecerá sua defesa prévia, neste momento 
o juiz apreciará a defesa, caso rejeite caberá recurso de apelação em 10 dias, 
se aceita, haverá a oitiva das testemunhas, interrogatório, debates orais (20 
minutos prorrogáveis por mais 10), neste procedimento não há previsão legal 
para substituição dos debates por memoriais. 
Encerrada a audiência o juiz proferirá a sentença, podendo ser recorrível por meio 
de recurso de apelação, no prazo de 10 (dez) dias, ou poderão ser oferecidos Embargos de 
Declaração no prazo de 5 (cinco) dias (FERRARI, 2016, online). 
77UNIDADE IV Da Lei de Abuso de Autoridade: Dos Principais Crimes e das Penas
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Prezado(a) aluno(a), nesta última unidade concluímos os nossos estudos sobre a 
Lei de Abuso de Autoridade.
Aprendemos ao longo dos nossos estudos, sobre a nova lei de Abuso de Autori-
dade, que foi criada com o escopo de definir os crimes de abuso de autoridade, cometidos 
por agente público, servidor ou não, que no exercício de suas funções ou a pretexto de 
exercê-las, abuse do poder que lhe tenha sido atribuído.
No tópico I, abordamos os aspectos gerais da Lei de Abuso de Autoridade, bem 
como trouxemos para você aluno(a) os ilícitos e sanções disciplinados no artigo 9º ao 15 
da mencionada da Lei.
No tópico II, vimos sobre os crimes e penas dispostos no artigo 16 ao 25 da Lei de 
Abuso de Abuso de Autoridade, bem como apresentamos de forma detalhada os requisitos 
necessários para que uma conduta seja tipificada como crime. Ainda neste tópico aborda-
mos os principais direitos do preso protegidos por esta legislação e por outros dispositivos 
legais como a Constituição Federal e a Lei de Execução Penal. 
No tópico III do nosso material continuamosa análise sobre as condutas que 
caracterizam crime previstas na Lei de Abuso de Autoridade. Vimos que não se pune o 
agente público quando não tiver agido com a finalidade específica de prejudicar outrem ou 
beneficiar a si mesmo ou terceiro, ou atuar por capricho ou satisfação pessoal.
Por fim, encerraremos o estudo da nossa quarta unidade tratando sobre o procedi-
mento da ação penal para o julgamento de crimes previstos na Lei de Abuso de Autoridade 
de forma detalhada. 
Vimos que o procedimento a ser adotado irá variar de acordo com a pena abstrata 
de cada crime. Ademais, analisamos as peculiaridades da ação penal no âmbito da Lei do 
Abuso de Autoridade.
Muito(a) obrigado(a)!
78UNIDADE IV Da Lei de Abuso de Autoridade: Dos Principais Crimes e das Penas
MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO
Título: Nova Lei do Abuso de Autoridade.
Autores: Igor Pereira Pinheiro, André Clark Nunes Cavalcante e 
Emerson Castelo Branco. . 
Ano de Edição: 1ª Edição.
Editora: JHMIZUNO.
Sinopse: O livro Nova Lei do Abuso de Autoridade traz informa-
ções sobre a lei 13.869, de 2019 que entrou em vigor em janeiro de 
2020 e desde então tem sido questionada em relação à legalidade. 
Após a notoriedade da “Operação Lava Jato”, juristas verificaram 
um movimento por parte de políticos, muitas vezes investigados, 
para enfraquecer o mecanismo de enfrentamento contra a corrup-
ção. O livro é dividido em duas partes: a primeira parte tem uma 
análise sobre os trechos inconstitucionais que favorecem somente 
a perpetuação da corrupção e crime organizado. A segunda parte 
tem os comentários dos autores abordando os aspectos materiais 
e processuais. A obra proporciona uma discussão sobre o assunto 
e ambiciona incitar uma atmosfera em que as punições a autorida-
des que abusam do poder sejam realizadas, mas sem prejudicar 
o combate à corrupção e ao crime organizado ou limitar o trabalho 
do poder Judiciário e Ministério Público.
FILME / VÍDEO
Título: Inimigo do Estado - Filme 
Ano: 1998.
Sinopse: Robert Clayton Dean, um advogado bem-sucedido em 
Washington, recebe um vídeo que mostra a ligação entre um 
oficial do alto escalão da Agência Nacional de Segurança a um 
assassinato político. A partir daí, Dean se transforma em um alvo 
constante para a mais perigosa e treinada equipe do governo. 
Utilizando todos os meios para arruinar sua carreira e conseguir o 
vídeo de volta, a equipe inicia uma caçada sem tréguas. Dean terá 
de lutar para salvar sua vida e provar sua inocência.
79UNIDADE IV Da Lei de Abuso de Autoridade: Dos Principais Crimes e das Penas
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1996, a Lei nº 4.898 de 9 de dezembro de 1965 e dispositivos do Decreto-Lei 2.848, de 7 
de dezembro de 1940 (Código Penal). 
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84UNIDADE IV Da Lei de Abuso de Autoridade: Dos Principais Crimes e das Penas
TRF4. Crime Contra a Administração Pública. Ex gerente de agência dos Correios é 
condenado por crime de peculato. Disponível em: https://www.trf4.jus.br/trf4/controlador.
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85
CONCLUSÃO GERAL
Prezado(a) aluno(a),
Neste material buscamos trazer para você as principais características presentes 
na Lei de Abuso de Autoridade, para que você, aluno (a) compreenda as nuances principais 
da Lei nº 13.869/19, enfatizando as características principais do tipo penal, os bens jurídicos 
tutelados, demais previsões e implicações no cotidiano. 
Para tanto, abordamos de forma abrangente, a tutela penal da Administração Públi-
ca, o conceito geral sobre os agentes públicos, as definições teóricas do crime de abuso de 
autoridade, analisando e identificando os sujeitos envolvidos e os bens jurídicos tutelados.
Destacamos, também, a importância histórica da lei, e passamos a identificar minu-
ciosamente quais são os efeitos da condenação dos agentes públicos que praticam o crime 
de abuso de autoridades, as penas restritivas de direito, as sanções de natureza cível e as 
sanções de natureza administrativa.
Além dos aspectos teóricos que contribuíram profundamente para o entendimento 
dos assuntos aqui abordados, trouxemos vários exemplos, julgados para uma melhor com-
preensão sobre as referidas sanções. 
Levantamos, ainda, aspectos gerais e a análise dos crimes previstos nos arts. 9º 
ao 38 da Lei de abuso de Autoridade. Posteriormente, nos aprofundamos sobre o procedi-
mento penal, ou seja, qual o “rito” adotado para o julgamento dos crimes previstos na lei de 
abuso de autoridade. Com isso, aprendemos que não existe um rito especial na nova Lei 
como era antigamente, pois será adotado o procedimento previsto no Código de Processo 
Penal a depender da pena abstrata de cada crime.
A partir de agora, acreditamos que você já está preparado para seguir em frente, 
desenvolvendo ainda mais seus conhecimentos no âmbito da segurança pública.
Até uma próxima oportunidade. MuitoObrigado!
+55 (44) 3045 9898
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	UNIDADE I
	Da Legislação Penal Especial
	UNIDADE II
	Da Lei de Abuso de Autoridade
	UNIDADE III
	Da Lei de Abuso da Autoridade: Efeitos, Penas Restritivas de Direito e Sanções Cíveis e Administrativas
	UNIDADE IV
	Da Lei de Abuso de Autoridade: Dos Principais Crimes e das Penas

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