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ARTIGO INÉDITO Dental Press Implantol. 2015 Oct-Dec;9(4):57-66 | ©2015 Dental Press Implantology 57 Lesão do nervo alveolar inferior por implantes dentários: prevenção, diagnóstico e tratamento Cindy Goes DODO1, Bruno Salles SOTTO-MAIOR2, Fernanda FAOT3, Altair Antoninha DEL BEL CURY4, Plinio Mendes SENNA5 Resumo: Cerca de 70% dos dentistas já tiveram a experiência de atender pacientes com parestesias ou distesias após procedimentos odonto- lógicos. O nervo mais afetado é o nervo alveolar inferior (NAI), que pode sofrer injúria durante os procedimentos cirúrgicos para instalação de implantes ou enxertos ósseos. Com a popularização do uso de implantes dentários nas reabilitações bucais, espera-se um aumento dos casos de injúria ao NAI. No entanto, a literatura ainda não aborda um protocolo de manejo e tratamento específico para esse tipo de ocorrência. Assim, o presente artigo de revisão de literatura busca analisar as principais condutas com relação à lesão do NAI durante a instalação de implantes dentários, incluindo aspectos sobre sua prevenção, diagnóstico e tratamento. Palavras-chave: Implantes dentários. Nervo trigêmeo. Nervo mandibular. Parestesia. 1 Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Clínica Odontológica - Prótese Dental, FOP - UNICAMP. 2 Professor Adjunto da Universidade Federal de Juiz de Fora / MG. 3 Professora da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). 4 Professora do Departamento de Prótese e Periodontia da FOP–UNICAMP. 5 Professor da Faculdade de Odontologia da Unigranrio - Escola de Ciências da Saúde / RJ. Como citar este artigo: Dodo CG, Sotto-Maior BS, Faot F, Del Bel Cury AA, Senna PM. Lesion in the inferior alveolar nerve by dental implants: prevention, diagnosis and treatment. Dental Press Implantol. 2015 Oct- Dec;9(4):57-66. Enviado em: 22/04/2015 - Revisado e aceito: 16/07/2015 Endereço de correspondência: Bruno Salles Sotto-Maior - Universidade Federal de Juiz de Fora - UFJF. Depar- tamento de Odontologia Restauradora. Rua Giuseppe Verdi 910, São Lucas II - CEP: 36.036-643 - Juiz de Fora/MG. E-mail: brunosottomaior@gmail.com Os autores declaram não ter interesses associativos, comerciais, de propriedade ou financeiros que representem con- flito de interesse nos produtos e companhias descritos nesse artigo. DOI: http://dx.doi.org/10.14436/2358-2553.9.4.057-066.oar Dodo CG, Sotto-Maior BS, Faot F, Del Bel Cury AA, Senna PM 58 Dental Press Implantol. 2015 Oct-Dec;9(4):57-66 | ©2015 Dental Press Implantology INTRODUÇÃO A lesão do nervo alveolar inferior (NAI) ocorre frequentemente na clínica odon- tológica, gerando transtornos para a qua- lidade de vida do paciente1. Geralmente, as queixas se remetem à interferência nas atividades orofaciais diárias, como: falar, comer, beber, beijar, barbear-se, ma- quiar-se, tocar instrumentos de sopro ou prejuízo da expressão facial2. A causa mais comum é o dano físico e mecânico ao NAI durante o procedimento cirúrgico de exo- dontia de terceiros molares3,4; no entanto, os procedimentos cirúrgicos para insta- lação de implantes dentários também são capazes de gerar compressão ou lace- ração do NAI5-8. O prejuízo sensorial associado à pele e à mucosa da face pode ocorrer durante as diferentes fases da instalação dos im- plantes dentários, incluindo a anestesia, incisão e descolamento tecidual, osteo- tomia, inserção do implante, sutura ou, ainda, pelo edema pós-operatório9,10. A sintomatologia pode ser transitória ou permanente, dependendo do grau da lesão do NAI, manifestando-se clinica- mente como uma diminuição da sensi- bilidade cutânea (anestesia/hipostesia), sensação cutânea subjetiva espontânea associada a formigamento/dormência (parestesia) ou até dor neuropática2,11,12. A dor neuropática pode, ainda, ser uma sensação dolorosa causada por estí- mulos que, habitualmente, não causam dor (alodinia), respostas exageradas a estímulos tácteis (hiperestesias) ou a estímulos dolorosos (hiperalgesia)13. A lesão do NAI está associada a casos em que há íntima relação da área cirúrgica com o nervo e, consequentemente, onde a injúria pode ser prevista e o risco, assim, antecipado14,15. Devido ao grande impacto na qualidade de vida que as lesões do NAI podem ocasionar, o objetivo desse trabalho é revisar as principais condutas com relação à lesão do nervo alveolar in- ferior durante a instalação de implantes dentários, incluindo sua prevenção, diag- nóstico e tratamento. PREVENÇÃO A prevenção é o ponto mais importante a ser considerado. Para isso, o profis- sional deve ter pleno conhecimento da anatomia envolvida na região, saber in- terpretar os recursos de diagnóstico, além de ter destreza para executar as técnicas cirúrgicas. O NAI é parte do ramo posterior do nervo mandibular, que se origina no gânglio do nervo trigêmeo e contém tanto fibras sen- soriais quanto motoras. O nervo atravessa a porção posterior da mandíbula pelo canal mandibular, que tem cerca de 3mm de diâmetro com seu curso variando de lingual para vestibular na sua saída pelo forame mentoniano (Fig. 1)7,14,15. Alguns es- tudos demonstram, também, que o canal mandibular pode ser bífido, ocorrendo em até 1% dos indivíduos10,12,13. Lesão do nervo alveolar inferior por implantes dentários: prevenção, diagnóstico e tratamento Dental Press Implantol. 2015 Oct-Dec;9(4):57-66 | ©2015 Dental Press Implantology 59 Para a prevenção das lesões ao NAI, é fundamental a localização prévia do canal mandibular por meio de exames imagio- lógicos. As radiografias panorâmicas têm se mostrado uma excelente ferramenta de triagem para a uso na Implantodontia, desde que se leve em consideração a dis- torção vertical da imagem16. No entanto, a sobreposição de estruturas no sentido vestibulolingual pode mascarar o espaço vertical disponível para a instalação do implante. Desse modo, uma margem de segurança, arbitrariamente estipulada, de 2mm de distância para o canal man- dibular pode não ser suficiente para pre- venir a lesão ao NAI7. Com a tomografia computadorizada de feixe cônico, é possível avaliar tridimen- sionalmente a área cirúrgica. Isso permite não só a determinação do tamanho do implante, mas também permite o pla- nejamento da angulação do implante. Assim, os implantes podem ser angu- Figura 1. Trajetória do nervo alveolar inferior até sua saída pelo forame mentoniano. Dodo CG, Sotto-Maior BS, Faot F, Del Bel Cury AA, Senna PM 60 Dental Press Implantol. 2015 Oct-Dec;9(4):57-66 | ©2015 Dental Press Implantology lados para lingual na região posterior ou angulados para vestibular na região do forame mentoniano, para manter uma distância de segurança do canal man- dibular. Desse modo, a tomografia com- putadorizada de feixe cônico se tornou o exame complementar fundamental para o planejamento das reabilitações envol- vendo os implantes dentários. Nas tomografias computadorizadas, também podemos observar o plexo ge- niano na região da linha média na sínfise mandibular. Apesar dessa região ser co- mumente considerada uma região segura para a instalação de implantes17, a implan- tação na linha média deve ser evitada, para não invadir a região do plexo ge- niano, que é uma importante via neu- rovascular aferente (Fig. 2)18. Esse plexo consiste de canais localizados na linha média, associados a até três forames linguais19, por onde um ramo do nervo milo-hioideo entra na mandíbula20. A in- vasão desse espaço pelo implante pode gerar complicações trans- e pós-cirúr- gicas, além de causar dor neuropática18. Ainda considerando-se a região da sínfise mentoniana, o planejamento das próteses totais fixas também deve considerar o loop anterior que o canal mandibular faz antes da emergência no forame mentoniano (Fig. 3). Assim, um implante deslocado para distal, junto ao forame mentoniano, pode interferir com o NAI. Portanto, a prevenção pode ser direcionada para as causas mais fre- quentes de injúrias ao NAI: erros na apli- cação da anestesialocal, na preparação do leito ósseo e durante a osteotomia para instalação do implante18. Figura 2. Plexo geniano (A), comumente encontrado, em um corte tomográfico junta à linha média da sínfise mandibular (B). A B Lesão do nervo alveolar inferior por implantes dentários: prevenção, diagnóstico e tratamento Dental Press Implantol. 2015 Oct-Dec;9(4):57-66 | ©2015 Dental Press Implantology 61 APLICAÇÃO DA ANESTESIA LOCAL O NAI pode ser lesionado durante a anes- tesia local, um dano mecânico ao nervo pode ocorrer interrompendo os vasos e causando hemorragias peri ou intra- neurais com formação de cicatriz secun- dária. Para evitar essas ocorrências, é recomendada a aspiração antes da apli- cação do anestésico. Caso ocorra aspi- ração de sangue ou o paciente reclame de choque, a agulha deve ser reposicionada e a aspiração deve ser repetida antes da introdução do anestésico18. Uma forma de se evitar a lesão ao NAI é realizar anestesia infiltrativa local em vez do bloqueio regional. Mesmo na man- díbula, é possível realizar o procedimento sob anestesia infiltrativa local. Desse modo, no primeiro contato com o NAI, haverá sin- tomatologia relatada pelo paciente. Figura 3. O loop anterior ao forame mentoniano pode ser atingido se o implante for posicionado muito distalizado. Dodo CG, Sotto-Maior BS, Faot F, Del Bel Cury AA, Senna PM 62 Dental Press Implantol. 2015 Oct-Dec;9(4):57-66 | ©2015 Dental Press Implantology PREPARAÇÃO DO LEITO ÓSSEO Danos ao NAI durante o preparo do leito ósseo podem ser consequência de erros na análise do exame de imagem ou desvio durante a perfuração óssea, po- dendo esse último caso ser o mais difícil de diagnosticar. Esse erro pode ser prevenido com a análise correta das radiografias ou tomografias, de- vendo-se mensurar a distância da crista al- veolar e o início do canal mandibular. O uso de equipamentos de perfuração com pa- radas de profundidade predeterminada, e a utilização cautelosa da técnica cirúrgica evitam a perfuração além do planejado. Um erro comum é tomar como referência a parede óssea vestibular, nos casos em que ocorre uma diminuição da espessura óssea; conforme o diâmetro da broca é au- mentado, o nível ósseo vestibular vai des- locando-se no sentido apical. Com isso, a perfuração fica mais profunda do que o pla- nejado inicialmente. Deve-se, também, estar atento à irrigação durante a perfuração do osso, para que não haja prejuízo térmico ao tecido ósseo ou mesmo ao NAI, além de verificar, várias vezes, a dimensão durante o procedi- mento. A geração de calor excessivo ou a perfuração incorreta do leito ósseo podem causar edema secundário, e esse pode vir a comprimir o NAI, causando ao paciente uma sensação de perda de sensibilidade no lábio inferior ou, inclusive, dor durante até 24 horas pós-operatórias2. COLOCAÇÃO DO IMPLANTE Caso a perfuração não tenha sido feita de forma adequada, pode haver com- pressão óssea durante a colocação do im- plante (excesso de torque) ou, até mesmo, contato do implante com o NAI (perfu- ração além do planejado). Danos ao NAI podem ocorrer mesmo que a etapa de perfuração tenha sido executada corre- tamente, quando o implante é colocado além da área preparada, comprimindo o osso ou quebrando a parede superior do canal mandibular, forçando-o na direção do NAI (Fig. 4)7. Os planejamentos devem evitar a colo- cação de implantes lateralizados ao NAI na região posterior da mandíbula. A com- plicação mais recorrente nesse tipo de instalação é a alteração neurossensorial transitória, que ocorre em cerca de 30 a 40% dos pacientes21,22. DIAGNÓSTICO O diagnóstico da lesão neural deve ser realizado o mais breve possível, determi- nando-se o grau da injúria e o distúrbio sensorial desenvolvido, porque o tempo para reverter a lesão do nervo por im- plantes é curto5,23. Assim, é fundamental um exame radiográfico periapical pós- -operatório imediato, já que se reco- menda a remoção imediata do implante, ou no máximo em até 30h, para otimizar o reparo do nervo23. Como há sobreposição de imagens no exame radiográfico, o diag- andre da silva souza andre da silva souza andre da silva souza Lesão do nervo alveolar inferior por implantes dentários: prevenção, diagnóstico e tratamento Dental Press Implantol. 2015 Oct-Dec;9(4):57-66 | ©2015 Dental Press Implantology 63 nóstico final é concluído, após o término do efeito anestésico, pela simples compa- ração com a região contralateral, que não foi operada24. Por esse motivo, também deve-se evitar o uso de anestésicos de longa duração, como a bupivacaína. Geralmente, os pacientes com lesão no NAI não possuem sintomatologia do- lorosa, e sim ausência de sensação da região. Porém, existem casos em que os pacientes experimentam sensação do- lorosa ou desagradável, intermitente. A dor constante é rara e, geralmente, ocorre em pacientes com distesia de longo prazo. Por isso, o paciente deve ser informado para relatar a persistência da sensação anestésica por até 12h, e retornar ao con- sultório para avaliação. Em caso positivo de lesão ao NAI, de- ve-se observar alterações na pele (edema, eritema, ulcerações, hipoidrose, perda de pelos ou hiperqueratose) e de- limitar a área total afetada2. Além disso, definir o grau da injúria causada ao nervo pode ser difícil, mas ajuda na escolha da conduta terapêutica apropriada. Primei- ramente, deve-se avaliar se a lesão de- corre da invasão do canal mandibular pelo implante ou não. Em seguida, de- ve-se determinar se houve neuropraxia (interrupção transitória da condução neuronal, devido a trauma leve ou com- pressão sem ruptura do axônio — nesses casos, o reparo espontâneo geral- mente ocorre em quatro semanas); axo- notmese (laceração parcial do axônio em que a parte distal pode sofrer degene- ração Walleriana — com reparo após um a três meses, com possibilidade de hi- poestesia permanente); ou neurotmese (transecção do nervo, com degeneração Walleriana da porção distal — lesão per- manente, com possibilidade de reparo somente com microneurocirurgia)2,25. Figura 4. Invasão do canal mandibular pelo implante central, evidenciada pelo corte panorâmico da tomografia computadorizada de feixe cônico. Corte panorâmico para visualização do canal Dodo CG, Sotto-Maior BS, Faot F, Del Bel Cury AA, Senna PM 64 Dental Press Implantol. 2015 Oct-Dec;9(4):57-66 | ©2015 Dental Press Implantology Caso a causa seja a invasão do canal mandibular durante o procedimento, o implante deve ser removido em até 30h e seguido o tratamento descrito a seguir; caso a lesão seja decorrente da manipu- lação do retalho, o paciente deve seguir com o tratamento descrito abaixo e o im- plante pode ser restaurado, se tiver esta- bilidade adequada e atender aos critérios protéticos para a restauração. TRATAMENTO A volta da função neuronal depende da regeneração das fibras ou da eliminação das causas secundárias. Na maioria dos pacientes, ocorre recuperação espon- tânea em algumas semanas, sem que nenhum tratamento específico tenha sido realizado, ou que se tenha sub- metido apenas a tratamentos conser- vadores. Entretanto, em uma pequena parcela dos casos, pode haver a ne- cessidade de uma abordagem cirúrgica para restabelecer a integridade do nervo. Quanto mais rápido inicia-se o tratamento, mais favorável se torna o prognóstico de recuperação funcional26. A recuperação não tem nenhuma re- lação significativa com idade ou sexo5. A taxa de recuperação é maior nos pri- meiros seis meses após o trauma; mesmo lesões mais graves mostram alta taxa de recuperação quando o tratamento é rea- lizado logo após o dano. Antes de iniciar o tratamento, o profissional deve analisar, primeiramente, a etiologia da parestesia. Em casos de compressão do nervo por edema pós-trauma, a sensibilidade nor- malmente volta gradativamente; caso contrário, recomenda-se o uso de corti- coides. Os corticoides são utilizados te- rapeuticamente para tratar disfunções de nervos motoresou sensitivos causadas por injúrias nervosas, pois eles possuem efeito anti-inflamatório e neurotrópico. En- tretanto, o mecanismo pelo qual se pro- cessa essa ação ainda é incerto18. Uma conduta também aceita é o trata- mento medicamentoso: vitamina B1 as- sociada a estricnina, na dose de 1mg por ampola, tratamento de 12 dias de injeções intramusculares. Outra forma seria o uso de cortisona, 100mg a cada seis horas durante os dois ou três primeiros dias (se houver melhora nesse período, pode-se utilizar um espaçamento maior entre as doses). Não há um tratamento efetivo para a pa- restesia, os sintomas tendem a regredir dentro de um a dois meses, embora haja uma melhora com o uso de histamina ou medicamentos vasodilatadores. O uso de laser de baixa intensidade (GaAlAs 820nm) tem sido empregado no tratamento de distúrbios sensitivos de longa duração do NAI, pois ele é capaz de reagir com proteínas fotossensíveis pre- sentes em diferentes áreas do sistema nervoso, recuperando o tecido nervoso e afetando a percepção da dor em nervos senséveis5. Exames clínicos subsequentes são importantes para monitorar a recupe- ração sensorial, localizar o ponto crítico da andre da silva souza Lesão do nervo alveolar inferior por implantes dentários: prevenção, diagnóstico e tratamento Dental Press Implantol. 2015 Oct-Dec;9(4):57-66 | ©2015 Dental Press Implantology 65 lesão e, assim, indicar ou não uma inter- venção cirúrgica para restabelecimento da função neuronal2. Caso o implante tenha que ser removido ou reposicionado e o paciente não apre- sente sinais aceitáveis de recuperação no prazo de três (em caso de anestesia) ou quatro meses (em caso de hipoestesia/ dor), a microcirurgia para recuperação do NAI é indicada27. Quando ocorre a secção do nervo, as técnicas de microneuroci- rurgia poderão ser usadas a fim de res- tabelecer a perda sensorial ou da função motora. A regeneração é melhor quanto mais cedo for feita a descompressão, pois assim haverá uma menor quan- tidade de tecido cicatricial. As indicações para reparo de nervo por microneuroci- rurgia incluem: observação ou suspeita de laceração ou transecção do nervo, não melhora da anestesia três meses após tratamento inicial, dor decorrente da for- mação de neuroma, decréscimo sensitivo progressivo, ou aumento da dor2. Em alguns casos, o enxerto nervoso autógeno pode ser indicado para pro- mover a cooptação entre as porções distal e proximal do nervo alveolar in- ferior, representando uma solução de sua continuidade — um dos nervos mais utilizados para reparo dos ramos do nervo trigêmeo é o nervo auricular maior. Condutos artificiais permanentes de silicone ou tubos à base de ácido po- liglicólico podem ser empregados du- rante enxertos nervosos ou apenas para orientar a regeneração após a união das extremidades de um nervo lesionado2. CONCLUSÃO A informação deve ser explícita, esclare- cendo que a lesão do NAI pode causar ao paciente alteração na sensação (anes- tesia/dor neuropática) que pode ser in- termitente ou constante, temporária ou permanente. O paciente precisa ficar atento aos sinais, pois a área neuro- pática pode afetar toda a região próxima ao NAI ou parte dela, intra- e extrabucal (pele, lábio, queixo e todo quadrante in- ferior dos dentes e gengiva), e o nervo lingual também pode ser afetado (língua e gengiva próxima à região). No tratamento de lesões do nervo asso- ciadas à cirurgia de implantes dentários é mais importante que o paciente esteja ciente dos sinais iniciais, para que uma decisão sobre o tratamento seja pronta- mente realizada, aumentando a chance de recuperação das funções do nervo10. Dodo CG, Sotto-Maior BS, Faot F, Del Bel Cury AA, Senna PM 66 Dental Press Implantol. 2015 Oct-Dec;9(4):57-66 | ©2015 Dental Press Implantology 1. Schultze-Mosgau S, Reich RH. 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