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alienação e separação
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Psicanálise Humanas / SociaisHumanas / Sociais

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## Resumo sobre a Constituição do Sujeito na Psicanálise Lacaniana: Impasses na SeparaçãoEste artigo apresenta uma pesquisa teórica fundamentada na clínica psicanalítica lacaniana, focada na constituição do sujeito, especialmente em contextos de distúrbios graves na infância, como psicose, autismo e deficiência mental. A motivação clínica central é o atendimento simultâneo de crianças e suas mães, observando as dificuldades que emergem no momento crucial da separação estrutural entre ambos. A pesquisa parte da constatação de que, embora a alienação da criança no desejo materno seja evidente, a separação do sujeito — entendido como ser de linguagem — frequentemente não ocorre, gerando impasses clínicos significativos, como o surgimento de sintomas físicos nas mães, que não se explicam organicamente, mas são interpretados como sintomas histéricos.A constituição do sujeito é abordada a partir de duas perspectivas fundamentais na teoria lacaniana: o Estádio do Espelho e a topologia da alienação e separação. O Estádio do Espelho é apresentado como o momento em que o eu (moi), uma construção imaginária, se forma a partir do reconhecimento no olhar do Outro, estabelecendo um traço identificatório (o traço unário). Já a alienação é explicada como o processo pelo qual o sujeito surge no inconsciente, distinto do eu, por meio da subjugação a um significante do Outro (a mãe), que o captura e o divide entre ser e sentido. Essa divisão é ilustrada pela leitura lacaniana do cogito cartesiano, que, ao contrário da filosofia tradicional, revela uma escolha forçada entre ser e sentido, ou entre "não penso" e "não sou", evidenciando a natureza fragmentada e dividida do sujeito.A separação, por sua vez, é entendida como a operação que permite ao sujeito romper com a alienação, encontrando um espaço entre os significantes para constituir seu desejo singular, marcado pela falta que o define. Essa falta é simbolizada pelo objeto a, que singulariza o sujeito e o diferencia do Outro. Contudo, na clínica dos distúrbios graves na infância, essa separação frequentemente encontra impasses, especialmente do lado materno, manifestados por sintomas físicos que indicam uma dificuldade em simbolizar a separação. A hipótese levantada é que, nesse contexto, o significante fundamental (S1) que deveria marcar a criança e possibilitar sua separação está "silenciado" ou "emudecido" pela mãe, impedindo a inscrição plena do sujeito e mantendo a chamada "colagem" — uma fusão problemática entre mãe e criança. Essa situação desafia a visão clássica que atribui à função paterna e à metáfora do Nome-do-Pai o papel central na separação, sugerindo a necessidade de ampliar a compreensão da constituição subjetiva para abarcar outras formas de estruturação, especialmente em casos clínicos complexos.### Principais Conceitos e Argumentos- **Alienação:** Processo pelo qual o sujeito é capturado pelo significante do Outro, especialmente da mãe, e se divide entre ser e sentido. O sujeito surge no inconsciente, distinto do eu imaginário, e está submetido à primazia do significante, que o determina antes mesmo de sua consciência.- **Eu (moi) vs. Sujeito (Je):** Lacan diferencia o eu, uma construção imaginária ligada à consciência e à percepção, do sujeito do inconsciente, que é dividido, marcado pela falta e pelo desejo. Essa distinção é fundamental para entender a constituição do sujeito na psicanálise lacaniana e sua relação com o inconsciente.- **Cogito Lacaniano:** A leitura lacaniana do "cogito ergo sum" de Descartes subverte a ideia tradicional do sujeito como um ente pensante e unificado, mostrando que o sujeito está dividido e que a certeza do eu é uma ilusão imaginária. O sujeito do inconsciente é aquele que "não pensa" e "não é" plenamente, evidenciando a fragmentação subjetiva.- **Separação:** Operação que permite ao sujeito romper com a alienação, encontrando um espaço entre os significantes para constituir seu desejo, marcado pela falta e simbolizado pelo objeto a. A separação é um momento de abertura do inconsciente e do surgimento do sujeito como desejo distinto do Outro.- **Impasses Clínicos na Separação:** Na clínica com crianças gravemente comprometidas e suas mães, a separação estrutural frequentemente não ocorre plenamente, manifestando-se em sintomas físicos maternos e na manutenção da "colagem" entre mãe e filho. Isso indica uma falha na transmissão do significante fundamental (S1), que impede a inscrição do sujeito e a efetivação da separação.### Exemplos Clínicos e ImplicaçõesUm caso ilustrativo apresentado envolve um menino autista que só começou a falar aos cinco anos, acompanhado simultaneamente da mãe, que desenvolveu sintomas físicos (dores de cabeça e abdominais) justamente quando o filho começava a se separar simbolicamente, manifestando sua subjetividade. A mãe expressava medo e angústia, sintomas que não tinham causa orgânica clara, mas que indicavam uma dificuldade em lidar com a separação do filho como sujeito. Esse exemplo evidencia como a separação pode ser vivida dolorosamente, não apenas para a criança, mas para a mãe, que muitas vezes não dispõe de significantes para simbolizar essa transição, resultando em sintomas corporais.A pesquisa sugere que a clínica dos distúrbios graves na infância requer uma abordagem que vá além da teoria clássica da função paterna e da metáfora do Nome-do-Pai, reconhecendo outras formas de constituição subjetiva e a importância da transmissão do significante na relação mãe-criança. O acting out da criança, suas atuações e repetições, são interpretados como manifestações significantes que podem ser lidas e trabalhadas no campo transferencial, possibilitando avanços no tratamento.### ConclusõesO estudo reforça a complexidade da constituição do sujeito na psicanálise lacaniana, destacando a importância da alienação e da separação como operações fundamentais, mas também evidenciando os impasses que podem surgir na clínica, especialmente em contextos de distúrbios graves na infância. A separação, momento crucial para o surgimento do sujeito como desejo, pode ser bloqueada por falhas na transmissão do significante, manifestando-se em sintomas físicos maternos e na manutenção de uma relação de "colagem" entre mãe e filho.Esses impasses indicam a necessidade de ampliar a compreensão teórica e clínica da constituição subjetiva, considerando a nodulação entre o real, o simbólico e o imaginário, e reconhecendo que a função paterna e a metáfora do Nome-do-Pai, embora importantes, não esgotam as possibilidades de estruturação do sujeito. A clínica deve estar atenta à singularidade de cada caso, buscando o surgimento do significante da transferência para possibilitar a separação e o desenvolvimento do sujeito.---## Destaques- A constituição do sujeito na psicanálise lacaniana ocorre por meio da alienação (submissão ao significante do Outro) e da separação (ruptura que permite o surgimento do desejo singular).- Lacan diferencia o eu (moi), construção imaginária, do sujeito do inconsciente (Je), dividido e marcado pela falta.- A leitura lacaniana do cogito cartesiano revela a fragmentação do sujeito e a impossibilidade de um sujeito unificado e consciente.- Na clínica com crianças gravemente comprometidas, a separação estrutural frequentemente encontra impasses, manifestados por sintomas físicos maternos e pela "colagem" mãe-criança.- A teoria clássica da função paterna não explica todos os casos; é necessária uma ampliação teórica e clínica para compreender outras formas de constituição subjetiva e a importância da transmissão do significante.

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