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Tema 2 - Pessoas Naturais e Jurídicas

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Cris Roque

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Questões resolvidas

Considerando as minúcias que envolvem a de ausência, a seguinte tabela elaborada pela professora Camila Fortuna ajudará a visualizar as etapas que devem ser observadas pelo Juízo que trata da lide: 1. Desaparece uma pessoa do seu domicílio sem dela haver notícia, se não houver deixado representante, procurador ou mandatário (art. 22). 2. Processo de decretação de ausência inicia a requerimento de qualquer interessado ou do Ministério Público ao Juiz. 3. Nomeação de curador. 4. Sucessão provisória. 5. Sentença.
Quais são as etapas consideradas no processo de declaração de ausência, conforme a tabela apresentada?
1. Desaparecimento: Desaparece uma pessoa do seu domicílio sem dela haver notícia, se não houver deixado representante, procurador ou mandatário (art. 22).
2. Decretação de ausência: Processo de decretação de ausência inicia a requerimento de qualquer interessado ou do Ministério Público ao Juiz.
3. Nomeação de curador: Curador é nomeado (cônjuge do ausente, sempre que não esteja separado judicialmente, ou de fato por mais de dois anos ou, caso não haja cônjuge, pais e descendentes, nessa ordem). Não havendo nenhum desses interessados, juiz nomeia curador (arts. 24 a 25).
4. Sucessão provisória: Decorrido um ano da arrecadação dos bens do ausente, ou, se ele deixou representante ou procurador, em se passando três anos, poderão os interessados requerer que se declare a ausência e se abra provisoriamente a sucessão (art. 26).
5. Sentença: A sentença só produz efeitos 180 dias depois da publicação. Abre-se testamento (se houver), inventário e partilha de bens. (art. 28).

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Questões resolvidas

Considerando as minúcias que envolvem a de ausência, a seguinte tabela elaborada pela professora Camila Fortuna ajudará a visualizar as etapas que devem ser observadas pelo Juízo que trata da lide: 1. Desaparece uma pessoa do seu domicílio sem dela haver notícia, se não houver deixado representante, procurador ou mandatário (art. 22). 2. Processo de decretação de ausência inicia a requerimento de qualquer interessado ou do Ministério Público ao Juiz. 3. Nomeação de curador. 4. Sucessão provisória. 5. Sentença.
Quais são as etapas consideradas no processo de declaração de ausência, conforme a tabela apresentada?
1. Desaparecimento: Desaparece uma pessoa do seu domicílio sem dela haver notícia, se não houver deixado representante, procurador ou mandatário (art. 22).
2. Decretação de ausência: Processo de decretação de ausência inicia a requerimento de qualquer interessado ou do Ministério Público ao Juiz.
3. Nomeação de curador: Curador é nomeado (cônjuge do ausente, sempre que não esteja separado judicialmente, ou de fato por mais de dois anos ou, caso não haja cônjuge, pais e descendentes, nessa ordem). Não havendo nenhum desses interessados, juiz nomeia curador (arts. 24 a 25).
4. Sucessão provisória: Decorrido um ano da arrecadação dos bens do ausente, ou, se ele deixou representante ou procurador, em se passando três anos, poderão os interessados requerer que se declare a ausência e se abra provisoriamente a sucessão (art. 26).
5. Sentença: A sentença só produz efeitos 180 dias depois da publicação. Abre-se testamento (se houver), inventário e partilha de bens. (art. 28).

Prévia do material em texto

Pessoas naturais e jurídicas
A análise da sistemática da pessoa natural e da pessoa jurídica no Direito, bem como a teorização da
desconsideração da pessoa jurídica e seus efeitos.
Profa. Camila Fortuna
1. Itens iniciais
Propósito
Compreender a configuração das pessoas naturais e jurídicas, tópico importante para sua formação, para,
então, explorar a temática da desconsideração da personalidade jurídica, de grande utilidade prática na
atuação profissional dos operadores do Direito.
Preparação
Antes de iniciar este conteúdo, tenha em mãos o Código Civil (Lei nº. 10.406/2002).
Objetivos
Definir as pessoas naturais e os direitos inerentes à sua personalidade
Identificar as pessoas jurídicas
Descrever a Teoria da Desconsideração da Pessoa Jurídica, seu cabimento e consequências
Introdução
Abordaremos um dos elementos da relação jurídica, a saber, a pessoa, seja ela a pessoa natural ou jurídica.
Apesar de tradicional, o tema vem sendo revisitado pela doutrina especializada, sobretudo após o processo
de constitucionalização do Direito e, em especial, do Direito Civil. É assim que vamos, em primeiro lugar,
esmiuçar os conceitos e modalidades de pessoas configuradas no nosso ordenamento jurídico, para, em
seguida, conhecer e analisar os casos que ensejam a desconsideração da pessoa jurídica, a fim de se evitar o
abuso decorrente da utilização da característica da autonomia patrimonial da entidade, tal como
originariamente concebida.
 
Apesar de o Direito Civil ainda receber bastante enfoque sob o ponto de vista patrimonialista, o estudo será
norteado por um viés que considera a pessoa em si, daí advindo a repersonalização e a despatrimonialização,
releituras decorrentes do enfoque da dignidade da pessoa humana, de estatura constitucional.
 
Os temas serão analisados isoladamente, em módulos e tópicos próprios, mas fica aqui desde já uma questão
importante que deve ser objeto de reflexão para todos nós:
Qual é a importância de se entender o começo e o fim da pessoa natural e da pessoa jurídica, sob a
axiologia constitucional?
Vamos então ao nosso estudo, que compreende o estudo dos artigos 1º a 78 do Código Civil (O primeiro livro
da Parte Geral do Código Civil).
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1. Pessoas naturais e os direitos inerentes à sua personalidade
Pessoa natural
Antes de começarmos nosso estudo, vejamos o que você sabe a respeito do assunto. O que é a pessoa
natural?
Chave de resposta
É a pessoa do indivíduo como ente jurídico, ou seja, sob o prisma do Direito, dotada de personalidade.
Atenção
Devemos observar que, segundo a maioria dos civilistas, a denominação a ser adotada é a de pessoa
natural, sendo que a expressão “pessoa física” é adotada na legislação brasileira regulamentar referente
à legislação do imposto de renda. 
As pessoas são detentoras da personalidade jurídica, ou seja, a aptidão para adquirir direitos e contrair
deveres, na forma do art. 1º do Código Civil. Como se pode observar, o conceito de personalidade está
intimamente ligado ao conceito de pessoa.
Curiosidade
O que nos parece óbvio atualmente, ou seja, o fato de que toda pessoa tem aptidão genérica para
adquirir direitos e obrigações, consoante disposição inserta no art. 1º do Código Civil, é, na verdade,
uma conquista para a humanidade, pois, por exemplo, no Direito romano, o escravo era coisa, e,
portanto, objeto e não pessoa da relação jurídica. A universalidade aplicada aos atributos da
personalidade foi desenvolvida progressivamente na história e hoje o ser humano é sujeito da relação
jurídica, e não seu objeto. 
A personalidade independe de qualquer ato
volitivo do indivíduo, isto é, pessoas com
problemas psíquicos, em estado de coma, com
perdas temporárias ou permanentes de
memória, ou bebês, por exemplo, têm
personalidade jurídica, ou seja, todos têm
aptidão genérica para adquirir direitos ou
contrair obrigações.
Qual seria o momento de
aquisição desta personalidade
jurídica?
Para tal indagação, três correntes doutrinárias apresentam-se no atual cenário jurídico pátrio:
 
Teoria Natalista
Teoria da Personalidade Condicional
Teoria Concepcionista
 
A seguir, veremos melhor cada uma dessas teorias.
Teoria Natalista
Os expoentes desta corrente doutrinária afirmam que a personalidade civil somente se inicia com o
nascimento com vida.
 
Como poderíamos, então, definir que o nascituro nasceu com vida?
Para tal comprovação, utiliza-se o exame de
docimasia hidrostática de Galeno, capaz de
evidenciar se houve respiração extrauterina do
feto, a partir da análise da densidade do
pulmão.
 
Sobre o exame em comento, prelecionam os
doutrinadores Pablo Stolze e Pamplona Filho
(GAGLIANO; PAMPLONA FILHO, 2007, p. 81)
que “no instante em que principia o
funcionamento do aparelho cardiorrespiratório,
clinicamente aferível pelo exame de docimasia
hidrostática de Galeno, o recém-nascido
adquire personalidade jurídica, tornando-se sujeito de direito, mesmo que venha a falecer minutos depois”.
 
A grande maioria dos doutrinadores brasileiros é adepta da Teoria Natalista, que restou consignada no Código
Civil, em seu art. 2º:
A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a
concepção, os direitos do nascituro.
(Código Civil, art. 2º)
Este mesmo dispositivo legal ressalva que, apesar de não haver personalidade civil atribuída ao nascituro, o
nascituro tem seus direitos protegidos, especialmente no que tange aos direitos patrimoniais.
Teoria da Personalidade Condicional
Os doutrinadores que capitaneiam esta corrente sustentam que a aquisição da personalidade por parte do
nascituro é condicionada ao nascimento com vida, ou seja, esse ser ainda não é uma pessoa, sendo
desprovido de personalidade até que se implemente a condição requerida (nascimento com vida). Seus
direitos, portanto, se encontram em estado de latência.
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Dessa forma, um feto que não venha a termo,
ou se não nasce com vida, sobre ele devemos
afirmar que “a relação de direito não chega a
formar, nenhum direito se transmite por
intermédio do natimorto, e a sua frustração
opera como se ele nunca tivesse sido
concebido”, de acordo com o ensinamento do
renomado jurista Caio Mário (PEREIRA, 2017, p.
145).
Teoria Concepcionista
De acordo com esta teoria, desde a concepção
haveria personalidade jurídica concedida ao
nascituro.
 
Tal teoria ainda pode ser dividida em:
Teoria Concepcionista Pura
Seus defensores não conseguem chegar a uma
conclusão sobre qual seria efetivamente o
momento da concepção, sendo que, para
alguns, a concepção aconteceria quando ocorre
o encontro do óvulo com o espermatozoide e,
para outros, somente quando ocorre a
implantação do embrião no útero. O melhor
exemplo para ilustrá-la, em termos de
dispositivo legal inserto no Código Civil, seria o
artigo 1798, que dispõe sobre a deixa
sucessória: “Legitimam-se a suceder as
pessoas nascidas ou já concebidas no
momento da abertura da sucessão”.
Teoria da Personalidade Condicional
Preconiza que a personalidade já é atribuída ao
nascituro com a concepção, o que só restaria
confirmado com o efetivo advento da condição
suspensiva do nascimento com vida. Trata-se,
dessa forma, de uma teoria mista elaborada
com a conjugação da Teoria Natalista e da
Teoria Concepcionista.
Direitos da personalidade e nome civil
Constituindo-se a personalidade na aptidão para a titularidade de relações jurídicas, esta deve ser protegida
em sua essência, na dimensão existencial intrínseca à condição do ser humano. Dessa maneira, a doutrina
dispõe sobre os direitos subjetivos de personalidade, ou seja, direitos que têm como seu cerne a proteção
psicofísica do indivíduo.
 
Essa espécie de direitos encontra seu amparo no art. 1º, inciso III, da Carta Política de 1988, que versa sobre
os fundamentos que devem nortear a construção de nossa sociedade. Trata-se do princípio da dignidade da
pessoa humana, que assim dispõe:
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do
Distrito Federal,mais e mais
direitos de personalidade surgirão em relação à proteção identitária e outras searas. Quanto ao nome,
subdivido em prenome e sobrenome, e ao pseudônimo especificamente, há amparo nos arts. 16 a 19 do
Código Civil de 2002.
 
A pessoa jurídica também foi objeto de estudo, podendo ser definida como uma entidade capaz de titularizar
direitos e obrigações, dotada de subjetividade autônoma das subjetividades dos indivíduos que a criaram.
Comentário
O Código Civil deu bastante realce ao aspecto da autonomia patrimonial e organizacional da pessoa
jurídica, com recente inserção no art. 49-A do seguinte preceito: “a pessoa jurídica não se confunde com
os seus sócios, associados, instituidores ou administradores”. 
A proteção contra o abuso da personalidade jurídica, por sua vez, recebeu proteção do Código Civil através da
positivação da disregard doctrine, no art. 50, e art. 50, §3. Bastante comentada pela doutrina e de presença
recorrente nos nossos tribunais, vem a combater a utilização da personificação da entidade para amparar fins
fraudulentos.
Podcast
Agora com a palavra a professora Camila Fortuna, relembrando tópicos abordados em nosso estudo.
Vamos ouvir!
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para ouvir o áudio.
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Veja as sugestões de leitura:
 
Direito civil brasileiro: parte geral, de Carlos Roberto Gonçalves (Editora Saraiva Educação);
Pessoa e Direitos de Personalidade: fundamentação ontológica da tutela, de Diogo Costa Gonçalves
(Editora Almedina).
Referências
BEVILÁQUA, C. Teoria geral do Direito Civil. Campinas: Red Livros, 1999. 
 
FARIAS, C. C. de; ROSENVALD, N. Curso de Direito Civil: parte geral e LINDB. 19. ed. rev. ampl. e atual.
Salvador: JusPodivm, 2021. 
 
GAGLIANO, P. S.; PAMPLONA FILHO, R. Novo curso de Direito Civil. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2007. 
 
GONÇALVES, C. R. Direito Civil Brasileiro: parte geral. 11. ed. São Paulo: Saraiva, 2013. 
 
PEREIRA, C. M. da S. Instituições de Direito Civil, vol. 1. 25. ed., revista e atualizada por Tânia da Silva Pereira
(versão digital). Rio de Janeiro: Forense, 2017. 
 
SCHREIBER, A. Manual de Direito Civil contemporâneo. 3. ed. (versão digital). São Paulo: Saraiva Educação,
2020. 
 
TEPEDINO, G. Normas constitucionais e Direito Civil na construção unitária do ordenamento. In: Temas de
Direito Civil, t. III. Rio de Janeiro: Renovar, 2009. 
 
TEPEDINO, G.; OLIVA, M. D. Fundamentos do Direito Civil, vol. 1. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2021.
• 
• 
	Pessoas naturais e jurídicas
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Preparação
	Objetivos
	Introdução
	1. Pessoas naturais e os direitos inerentes à sua personalidade
	Pessoa natural
	Atenção
	Curiosidade
	Qual seria o momento de aquisição desta personalidade jurídica?
	Teoria Natalista
	Teoria da Personalidade Condicional
	Teoria Concepcionista
	Teoria Concepcionista Pura
	Teoria da Personalidade Condicional
	Direitos da personalidade e nome civil
	A generalidade
	A extrapatrimonialidade
	O caráter absoluto
	A inalienabilidade
	A intransmissibilidade
	Exemplo
	Dica
	Dispor do próprio corpo
	Direito ao nome e à proteção do pseudônimo
	Exemplo
	Direito ao esquecimento
	Exemplo
	Exemplo
	As pessoas naturais e as pessoas jurídicas
	Conteúdo interativo
	Morte e ausência
	Saiba mais
	Quando, então, ocorre a ausência?
	Atenção
	E se o ausente regressa?
	Até dez anos
	Após dez anos
	Etapas consideradas na ausência
	Desaparecimento
	Decretação de ausência
	Nomeação de curador
	Sucessão provisória
	Sentença
	Legitimados para a abertura da sucessão
	Regras quanto aos bens no processo de declaração de ausência
	Etapa final da declaração de ausência
	Sucessão definitiva.
	Quanto tempo para requerer a sucessão definitiva?
	E se, por acaso, o ausente retorna?
	E se ninguém requerer a sucessão definitiva no tempo de dez anos do trânsito em julgado da sentença e o ausente não regressar?
	Verificando o aprendizado
	Estudamos, neste módulo, a pessoa natural. Assinale a alternativa incorreta a esse respeito:
	São afirmativas corretas acerca da ausência, exceto:
	2. Pessoas jurídicas
	Constituição da personalidade jurídica
	Saiba mais
	Atenção
	Levando-se em conta o princípio da empresarialidade responsável, como será feita a administração da pessoa jurídica, no que tange ao quórum para tomada de decisões?
	E se algum administrador violar a lei ou estatuto, ou a decisão estiver eivada de erro, dolo, simulação e fraude?
	Modalidades e domicílio de personalidade jurídica
	Nacional ou interna
	Estrangeira ou externa
	Atenção
	Pessoas jurídicas de direito público
	Pessoas jurídicas de direito privado
	Universitas bonorum
	Universitas personarum
	Atenção
	Proteção de pessoas jurídicas
	Conteúdo interativo
	União
	Estados e Territórios
	Município
	Extinção da personalidade jurídica
	Dissolução convencional
	Dissolução administrativa
	Dissolução legal
	1
	2
	3
	4
	5
	6
	7
	Verificando o aprendizado
	Estudamos, neste módulo, o tema pessoas jurídicas. Assinale a alternativa correta a esse respeito:
	São pessoas jurídicas de direito público, exceto:
	3. Teoria da Desconsideração da Pessoa Jurídica: cabimento e consequências
	Conceito e função
	Atenção
	Desvio de finalidade
	Confusão patrimonial
	Teoria Maior e Teoria Menor
	Excesso de mandato
	Demonstração do desvio de finalidade
	Ato intencional dos sócios em fraudar terceiros com o uso abusivo da personalidade jurídica
	Demonstração de confusão patrimonial
	Atenção
	Modalidades de desconsideração da personalidade jurídica
	Desconsideração inversa
	Desconsideração da personalidade jurídica indireta ou às avessas
	Decisão
	Desconsideração da personalidade jurídica
	Conteúdo interativo
	Responsabilidade da personalidade jurídica
	Atenção
	Atenção
	Verificando o aprendizado
	Estudamos neste módulo a desconsideração e responsabilidade da personalidade jurídica. Assinale a alternativa correta a esse respeito:
	Acerca da teoria da desconsideração da personalidade jurídica é INCORRETO afirmar que:
	4. Conclusão
	Considerações finais
	Atenção
	Comentário
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore+
	Referênciasconstitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:III – a
dignidade da pessoa humana.
(Constituição Federal, art. 1º, inciso III)
Nem sempre aceitos pelos estudiosos, tais direitos foram progressivamente ganhando uma construção
histórica, em resposta às diversas atrocidades cometidas contra o ser humano, na história da civilização, e
estão continuamente em reformulação e reanálise. Como bem discutido por Gustavo Tepedino e Milena
Donato Oliva, “a pessoa há de ser tutelada das agressões que afetam a sua personalidade, identificando a
doutrina, por isso mesmo, a existência de situações jurídicas subjetivas oponíveis erga omnes” (TEPEDINO;
OLIVA, 2021, p.148).
 
As principais características desses direitos são, inicialmente:
A generalidade
São direitos concedidos a todos os indivíduos.
A extrapatrimonialidade
Significa que há a impossibilidade de avaliação do direito do prisma
econômico em si considerado. A lesão a tais direitos, no entanto, pode ser
mensurada e quantificada, gerando reflexos patrimoniais.
O caráter absoluto
Pode ser definido como a possibilidade do direito ser oponível contra todos
(erga omnes).
A inalienabilidade
O titular do direito subjetivo de personalidade não pode dele dispor
livremente, daí exsurgindo a irrenunciabilidade e impenhorabilidade. Apesar
de não poder dispor livremente nem renunciar, a doutrina preconiza que pode
haver cessão, em hipóteses específicas, desses direitos, desde que não haja
infração às normas de ordem pública e desde que a cessão não seja
permanente. Pode-se exemplificar com o caso de um jogador de futebol que
ceda seu direito de imagem a determinada emissora de TV por ato voluntário.
A intransmissibilidade
Informa sobre a impossibilidade de tais direitos intrinsecamente serem
transmitidos a outras pessoas, o que não deve ser confundido com a
possibilidade de que os efeitos patrimoniais decorrentes da cessão desses
direitos passem a outrem.
Faz-se necessário que registremos o art. 11 do Código Civil de 2002, que preceitua as duas últimas
características elencadas anteriormente: “com exceção dos casos previstos em lei, os direitos da
personalidade são intransmissíveis e irrenunciáveis, não podendo o seu exercício sofrer limitação voluntária”.
 
O Conselho da Justiça Federal formulou enunciado quanto à possibilidade de limitação voluntária do exercício
dos direitos de personalidade. Trata-se do enunciado nº 04: “o exercício dos direitos da personalidade pode
sofrer limitação voluntária, desde que não seja permanente nem geral”. O Superior Tribunal de Justiça, por sua
vez, acabou por acolher tal enunciado como uma de suas teses sobre direito de personalidade, bem como a
tese da imprescritibilidade de ofensa a essa espécie de direitos.
Enunciado
Os enunciados do Conselho da Justiça Federal possuem o importante papel de orientar a interpretação
do Direito. 
Exemplo
Um exemplo bem atual sobre a possibilidade de restrição voluntária ao exercício dos direitos de
personalidade é a cessão do direito à imagem e à intimidade por parte dos participantes de reality
shows, tais como “A Fazenda” e “Big Brother Brasil”, em que, de modo temporário e volitivo, há restrição
de direitos, sem que sobre eles haja renúncia, abuso de direito ou infringência a normas de ordem
públicas. 
Os direitos de personalidade encontram previsão nos arts. 11 a 21 do Código Civil de 2002. Os direitos lá
previstos não são listados em rol exaustivo, haja vista a imensa multiplicidade de manifestações da
personalidade humana, eivada de temporalidade e complexidade.
Dica
Toda a análise feita, por meio da leitura dos artigos em comento, deve ser realizada sob o fundamento
da dignidade da pessoa humana, princípio de estatura constitucional e vetor axiológico que tempera e
formula as interpretações de todos os códigos. 
Apesar de a noção de proteção dos direitos de personalidade ser muito mais abrangente que a mera
repressão a danos causados, o art. 12 do Código Civil versa sobre a proteção do ponto de vista repressivo:
Pode-se exigir que cesse a ameaça, ou a lesão, a direito da personalidade, e reclamar perdas e danos,
sem prejuízo de outras sanções previstas em lei.
(Código Civil, art. 12)
Vejamos agora o que diz a doutrina acerca dos direitos de personalidade no caso da pessoa morta:
O parágrafo único do art. 12 do Código Civil especifica
ainda a legitimidade em nome próprio da proteção conferida
aos direitos de personalidade, no que concerne ao morto,
nos seguintes termos: “em se tratando de morto, terá
legitimação para requerer a medida prevista neste artigo o
cônjuge sobrevivente, ou qualquer parente em linha reta, ou
colateral até o quarto grau.
Observa-se não haver menção ao companheiro no
parágrafo único do art. 12, o que é objeto de crítica por
grande parte da doutrina civilista. O Conselho da Justiça
Federal, na V Jornada de Direito Civil, consignou que a
legitimação também cabia ao companheiro no enunciado de
nº 400: “Os parágrafos únicos dos arts. 12 e 20
asseguram legitimidade, por direito próprio, aos
parentes, cônjuge ou companheiro para a tutela
contra lesão perpetrada post mortem.
Dispor do próprio corpo
No que se refere à possibilidade de a pessoa
humana dispor do próprio corpo, o art. 13 do
Código Civil assim estabelece:
Salvo por exigência médica, é defeso o ato de disposição do próprio corpo, quando importar diminuição
permanente da integridade física, ou contrariar os bons costumes.
(Código Civil, art. 13)
O ato de disposição, porém, quando for realizado para fins de transplante, na forma da legislação especial, é
cabível, consoante parágrafo único do artigo em análise.
O cotejo dos fatos sociais com a disposição do
artigo 13 deve ser feita com temperamentos,
sob pena de o intérprete supor haver vedação a
práticas socialmente aceitas, como a
circuncisão de crianças da religião judaica,
conforme exemplo citado por Gustavo Tepedino
e Milena Donato Oliva (2021, p.158).
 
Outro caso que causou bastante celeuma
recentemente foi a cirurgia de
transgenitalização e as mudanças identitárias
dela advindas. Seria essa cirurgia um caso de
infringência ao art. 13 do Código Civil, que veda
o ato de disposição do próprio corpo?
Para tratar de transexualidade, deve-se inicialmente saber sua configuração legal, sobre o que versa
a Resolução do Conselho Federal de Medicina nº 1955/2010, dispondo no art. 3º que transexual será
aquele que apresenta desconforto com o sexo anatômico natural, tem o desejo expresso de eliminar
os genitais e de perder as características primárias e secundárias do próprio sexo e ganhar as do
sexo oposto, com a permanência desses distúrbios de forma contínua e consistente por, no mínimo,
dois anos e não tiver, segundo redação infeliz da própria resolução, “outros transtornos mentais”.
Configurada a hipótese de transexualidade, de acordo com a resolução em comento, o indivíduo pode
requerer que seja submetido à cirurgia de transgenitalização, após acompanhamento por dois anos com
equipe multidisciplinar. Após o procedimento, permite-se a mudança tanto do prenome quanto do gênero do
paciente.
 
Muitos transexuais, no entanto, após regular procedimento, encontravam dificuldades para alterar nome ou
gênero nos registros civis e demais órgãos. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento da ADI 4275/DF,
colocou a pá de cal no assunto, pois mesmo quando o(a) transexual não opte pela cirurgia, caso decida trocar
prenome ou gênero, poderá fazê-lo, pois, do contrário, haverá grave violação aos direitos de personalidade.
 
Nessa mesma linha de entendimento, o Conselho da Justiça Federal, na IV Jornada de Direito Civil, editou o
enunciado nº 276, nos termos que seguem:
O art. 13 do Código Civil, ao permitir a disposição do próprio corpo por exigência médica, autoriza as
cirurgias de transgenitalização, em conformidade com os procedimentos estabelecidos pelo Conselho
Federal de Medicina, e a consequente alteração do prenome e do sexo no Registro Civil."
(Código Civil, art. 13)
Outra importante disposição doCódigo Civil encontra-se no art. 15, que versa sobre a impossibilidade de se
constranger alguém a tratamento médico ou a intervenção cirúrgica, em que haja risco de morte. Aqui se trata
do consentimento informado, que também encontra guarida no artigo 22 do Código de Ética Médica, que
dispõe ser vedado: “Deixar de obter consentimento do paciente ou de seu representante legal após
esclarecê-lo sobre o procedimento a ser realizado, salvo em caso de risco iminente de morte”.
 
Esse dispositivo legal resguarda:
Tal conduta do médico, inclusive, lastreia-se no princípio da beneficência, que exige que o profissional de
saúde leve sempre o bem-estar do paciente em consideração, tendo como alvo os tratamentos que melhorem
a qualidade de vida, bem como no próprio princípio da boa-fé objetiva.
Direito ao nome e à proteção do pseudônimo
Os artigos 16 a 19 do Código Civil de 2002 tutelam o direito ao nome e à proteção do pseudônimo. De acordo
com o art. 16, “toda pessoa tem direito ao nome, nele compreendidos o prenome e o sobrenome”.
O nome é um direito de personalidade, visto que individualiza a pessoa humana no seio da
sociedade.
O nome subdivide-se em prenome e sobrenome, ou seja, se uma mulher é nominada de Maria Carolina da
Silva, o prenome é “Maria Carolina” e o sobrenome é “da Silva”.
Paciente 
Por livremente poder manifestar seu
consentimento em decisões tão sérias como
as que envolvem a possibilidade de morte,
preservando-se a autonomia da vontade.
Médico 
Por somente proceder a tratamentos e
intervenções de seriedade após obter
autorização por meio do
consentimento informado.
Anitta, pseudônimo/nome artístico de Larissa de
Macedo Machado
Liniker, artista transexual
O pseudônimo, que pode ser definido como uma
designação personativa diferente do nome civil registral, 
não pode ser utilizado para atividades ilícitas e goza da
mesma proteção dada ao nome (art. 19 do CC).
Como corolário do direito à identidade, a doutrina civilista
afirma que travestis e transexuais (transgêneros) têm direito
sobre a compatibilidade do nome em relação ao gênero/
sexo, levando-se em consideração a multiplicidade
psíquica, biofisiológica e multicultural dos integrantes da
sociedade em contraposição ao padrão binário socialmente
imposto.
Assim, deve-se adotar o nome social quando requerido pela
pessoa transgênero, seja no ambiente de
repartições públicas, em instituições privadas
ou na sociedade em geral.
Exemplo
Nessa linha de raciocínio, o Conselho Nacional de Justiça editou a Resolução nº 270/2018, assegurada a
possibilidade de uso do nome social às pessoas trans, travestis e transexuais usuárias dos serviços
judiciários. 
Não se pode também utilizar os nomes das pessoas “em publicações ou representações que as exponham ao
desprezo público”, mesmo que, inicialmente, não haja uma intenção difamatória, na esteira do que preconiza o
art. 17 do Código Civil. Não raro várias lides surgem de divulgação de notícias em que os jornalistas
transbordam do dever de informar e do uso do direito de liberdade de expressão e passam a difamar e a
macular a dignidade daqueles sobre quem escrevem.
Direito ao esquecimento
Outro tema interessante é o do direito ao esquecimento, que pode ser definido como a prerrogativa de que
alguém, contra quem já se teve fato constrangedor divulgado, com o decurso do prazo e com a
desatualização e desnecessidade da notícia, possa pleitear que tal fato não seja mais divulgado pela 
eternidade.
Exemplo
Gustavo Tepedino e Milena Donato Oliva (2021, p.163) trazem para discussão o caso da “Chacina da
Candelária”, no qual o Superior Tribunal de Justiça adotou o direito ao esquecimento para confirmar a
responsabilização de empresa jornalística que, após cumprimento de pena e longo decurso de prazo,
mostrou nome e fisionomia de réu em processo criminal em documentário de rede nacional. Ponderou a
referida Corte de Justiça que, apesar de haver o direito à divulgação do notório fato criminal histórico,
não haveria mais direito de expor o indivíduo, ferindo-lhe eternamente a dignidade e considerando ainda
a meta de ressocialização daqueles que já cumpriram pena. 
No artigo 20, o legislador pátrio consigna o direito à imagem e o direito à honra, em intrincada redação:
(...) salvo se autorizadas, ou se necessárias à administração da justiça ou à manutenção da ordem
pública, a divulgação de escritos, a transmissão da palavra, ou a publicação, a exposição ou a utilização
da imagem de uma pessoa poderão ser proibidas, a seu requerimento e sem prejuízo da indenização que
couber, se lhe atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinarem a fins comerciais.
(Constituição Federal, art. 20)
Tal proteção conferida à honra e à imagem já estava também prevista na Carta Política de 1988, no artigo 5º,
inciso X, que resguarda o indivíduo de investidas indevidas em relação a sua imagem e honra, objetiva e
subjetiva.
 
Registre, ainda, que por decisão majoritária, Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu que é incompatível com
a Constituição Federal a ideia de um direito ao esquecimento que possibilite impedir, em razão da passagem
do tempo, a divulgação de fatos ou dados verídicos em meios de comunicação. Segundo a Corte, eventuais
excessos ou abusos no exercício da liberdade de expressão e de informação devem ser analisados caso a
caso, com base em parâmetros constitucionais e na legislação penal e civil.
Exemplo
O Tribunal, por maioria dos votos, negou provimento ao Recurso Extraordinário (RE) 1010606, com
repercussão geral reconhecida, em que familiares da vítima de um crime de grande repercussão, nos
anos 1950, no Rio de Janeiro, buscavam reparação pela reconstituição do caso, em 2004, no programa
“Linha Direta”, da TV Globo, sem a sua autorização. Após quatro sessões de debates, o julgamento foi
concluído. 
As pessoas naturais e as pessoas jurídicas
No vídeo a seguir, a professora Camila Fortuna comenta sobre o fundamento e os diferentes direitos da
personalidade. Vamos assistir!
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Morte e ausência
A extinção da pessoa natural se dá com a morte, na forma do art. 6º do Código Civil, in verbis: “a existência da
pessoa natural termina com a morte”. No que concerne aos ausentes, a extinção da pessoa natural ocorre nos
casos em que lei autoriza a abertura da sucessão definitiva.
Você saberia dizer qual o critério adotado para se determinar que uma pessoa está morta?
Chave de resposta
Segundo a doutrina, tal momento será o da morte encefálica, que é a ausência da atividade cerebral, com
irreversibilidade, devidamente atestada pelo médico. O óbito deve ser levado ao registro público (art. 9º,
inciso I, CC) e será comprovado por meio da certidão respectiva, quando possível.
Saiba mais
No que se refere à morte encefálica, cabe notar que o STF já se pronunciou na Ação de Descumprimento
de Preceito Fundamental (ADPF 54), no sentido de autorizar o aborto de feto anencéfalo, aquele
desprovido do encéfalo e da calota craniana. É interessante destacar, nessa oportunidade, que foi
afastada a pretensão de doação de órgãos de fetos anencéfalos, porque seria um contrassenso obrigar
a mulher a manter a gravidez para viabilizar a doação de órgãos. 
O Código também cita a chamada morte presumida, ou seja, hipóteses em que o legislador houve por bem
considerar a pessoa como morta, dadas as circunstâncias especiais de seu desaparecimento, que são:
Se for extremamente provável a morte de quem
estava em perigo de vida (art. 7º, inciso I),
casos de pessoas que estavam em locais de
desastre, como acidentes aéreos, por exemplo.
Se alguém, desaparecido em campanha ou feito prisioneiro,
não for encontrado até dois anos após o término da guerra
(art. 7º, inciso II).
Existe também uma hipótese de morte presumida que se
encontra na Lei nº 9140/45, que “reconhece como mortas
pessoas desaparecidas em razão de participação, ou
acusação de participação, em atividades políticas, no
período de 2 de setembro de 1961 a 15de agosto de 1979”.
De acordo com o art. 3º deste diploma legal:
(...) o cônjuge, o companheiro ou a companheira, descendente, ascendente, ou colateral até quarto grau,
das pessoas nominadas no art. 1º da lei, poderão requerer a oficial de registro civil das pessoas naturais
de seu domicílio a lavratura do assento de óbito.
(Lei nº 9140/45, art. 3º)
Nas três hipóteses supracitadas, não é necessário passar pelo longo procedimento judicial da ausência, mas
deve ser observado que somente com uma sentença judicial declaratória poderá o interessado obter o
registro de óbito no cartório.
 
Não se podendo presumir a morte nas três hipóteses acima, aí, então, passamos à análise do longo
procedimento de presunção de morte por ausência, que só se efetiva quando da abertura da sucessão
definitiva, consoante disposição do art. 6º do CC.
Quando, então, ocorre a ausência?
Ocorre a ausência quando alguém desaparece do seu domicílio, sem dele haver notícia, se não houver
deixado representante ou procurador a quem caiba administrar-lhe os bens (art. 22 do CC).
 
Ainda que se tenha deixado mandatário, se este não quiser ou não puder exercer ou continuar o mandato, ou
caso tenha poderes insuficientes, também será declarada a ausência daquele que desapareceu do domicílio
sem deixar notícias (art. 23 do CC).
Após o desaparecimento e não ocorrendo hipótese de haver responsável deixado pela
administração dos bens, algum interessado ou o Ministério Público deverá requerer ao juiz que
declare a ausência.
O juiz nomeará um curador, que poderá ser o cônjuge do ausente, sempre que não esteja separado
judicialmente, ou de fato por mais de dois anos antes da declaração da ausência ou, na falta do cônjuge, os
pais ou descendentes, nessa ordem, ou na falta de todas essas pessoas, o juiz nomeará curador de sua
confiança (art. 25, §§ 1º e 3º do CC).
Decorrido um ano da arrecadação dos bens do
ausente, ou três anos, caso tenha deixado
representante ou procurador, poderão os
interessados requerer que se declare a
ausência e se abra provisoriamente a sucessão.
A sentença que determinar a abertura da
sucessão provisória só produzirá efeito cento e
oitenta dias depois de publicada pela imprensa;
mas, logo que passe em julgado, proceder-se-á
à abertura do testamento, se houver, e ao
inventário e partilha dos bens, como se o
ausente fosse falecido (arts. 26 e 28 do CC).
 
Caso finde o prazo do art. 26 (um ou três anos) e ninguém requeira a abertura da sucessão provisória, caberá
então ao Ministério Público fazê-lo (art. 28, §1º do CC).
 
Antes da partilha, o juiz, entendendo conveniente, ordenará a conversão dos bens móveis, sujeitos a
deterioração ou a extravio, em imóveis ou em títulos garantidos pela União (art. 29 do CC).
 
Por fim, conforme disposição do art. 37 do CC, dez anos depois de passada em julgado a sentença que
concede a abertura da sucessão provisória, poderão os interessados requerer a sucessão definitiva e o
levantamento das cauções prestadas, de acordo com o art. 30 do CC.
Atenção
Caso se prove que o ausente conta oitenta anos de idade, e que cinco datam as últimas notícias dele,
também se poderá requerer a abertura da sucessão definitiva (art. 38 do CC). 
E se o ausente regressa?
O que acontece nessa hipótese? Vejamos quando isso ocorre nos dez anos seguintes à abertura da sucessão
definitiva ou após esse período:
Até dez anos
Se regressa nos dez anos seguintes à abertura
da sucessão definitiva, ou algum de seus
descendentes ou ascendentes, o ausente ou
estes só terão direito aos bens existentes no
estado em que se acharem, ou aos sub-
rogados em seu lugar, ou o preço que os
herdeiros e os herdeiros e demais interessados
houverem recebido pelos bens alienados depois
daquele tempo (art. 39 do CC).
Após dez anos
Caso não regresse o ausente em dez anos, e
nenhum interessado promova a sucessão
definitiva, os bens arrecadados passarão ao
domínio do Município ou do Distrito Federal, se
localizados nas respectivas circunscrições,
incorporando-se ao domínio da União, quando
situados em território federal (art. 39, parágrafo
único, do CC).
Etapas consideradas na ausência
Considerando as minúcias que envolvem a de ausência, a seguinte tabela elaborada pela professora Camila
Fortuna ajudará a visualizar as etapas que devem ser observadas pelo Juízo que trata da lide:
 
1. Desaparece uma pessoa do seu domicílio sem dela haver notícia, se não houver deixado representante,
procurador ou mandatário (art. 22).
 
2. Processo de decretação de ausência inicia a requerimento de qualquer interessado ou do Ministério Público
ao Juiz.
1
Desaparecimento
Desaparece uma pessoa do seu domicílio sem dela haver notícia, se não houver deixado
representante, procurador ou mandatário (art. 22).
2
Decretação de ausência
Processo de decretação de ausência inicia a requerimento de qualquer interessado ou do
Ministério Público ao Juiz.
3
Nomeação de curador
Curador é nomeado (cônjuge do ausente, sempre que não esteja separado judicialmente, ou de fato
por mais de dois anos ou, caso não haja cônjuge, pais e descendentes, nessa ordem). Não havendo
nenhum desses interessados, juiz nomeia curador (arts. 24 a 25).
4
Sucessão provisória
Decorrido um ano da arrecadação dos bens do ausente, ou, se ele deixou representante ou
procurador, em se passando três anos, poderão os interessados requerer que se declare a ausência
e se abra provisoriamente a sucessão (art. 26).
5
Sentença
A sentença só produz efeitos 180 dias depois da publicação.
 
Abre-se testamento (se houver), inventário e partilha de bens. (art. 28).
6Legitimados para a abertura da sucessão
1.a- Cônjuge; 1.b-os herdeiros presumidos, legítimos ou testamentários; 1.c-os que tiverem sobre os
bens do ausente direito dependente de sua morte e credores (art. 27). Caso estes não o façam, o
Ministério Público o fará (art. 28, §2º);
 
2- os herdeiros, para se imitirem na posse dos bens do ausente, darão garantias da restituição
deles, mediante penhores ou hipotecas equivalentes aos quinhões respectivos (art. 30);
 
3- Os ascendentes, os descendentes e o cônjuge, uma vez provada a sua qualidade de herdeiros,
poderão, independentemente de garantia, entrar na posse dos bens do ausente (art. 30, §2º).
7
Regras quanto aos bens no processo de declaração de ausência
Os imóveis do ausente só se poderão alienar, não sendo por desapropriação, ou hipotecar,
quando o ordene o juiz, para lhes evitar a ruína (art. 31); 
Sucessores provisórios são os representantes para as ações (art. 32);
Frutos e rendimentos pertencem ao descendente, ascendente ou cônjuge sucessores
provisórios; os outros sucessores, porém, deverão capitalizar metade desses frutos e
rendimentos (art. 33).
8
Etapa final da declaração de ausência
Sucessão definitiva.
9
Quanto tempo para requerer a sucessão definitiva?
Dez anos depois de passada em julgado a sentença que concede a abertura da sucessão provisória
(art. 37) ou Provando-se que o ausente conta oitenta anos de idade, e que de cinco datam as
últimas notícias dele (art. 38).
10
E se, por acaso, o ausente retorna?
Se retornam o ausente ou algum de seus descendentes ou ascendentes nos dez anos seguintes à
abertura da sucessão definitiva:
 
Terão só os bens existentes no estado em que se acharem, os sub-rogados em seu lugar, ou o
preço que os herdeiros e demais interessados houverem recebido pelos bens alienados depois
daquele tempo (art. 39).
1. 
2. 
3. 
11E se ninguém requerer a sucessão definitiva no tempo de dez anos do trânsito em
julgado da sentença e o ausente não regressar?
Os bens arrecadados passarão ao domínio do Município ou do Distrito Federal, se localizados nas
respectivas circunscrições, incorporando-se ao domínio da União quando situados em território
federal (art. 39, parágrafo único).
É valido lembrar que, mesmo que não haja bens, a declaração de ausência é necessária para que se operem
efeitos nas relações familiares do ausente, como bem trazem à baila Tepedino e Milena Donato Oliva (2021, p.
123):
Observe-seque a declaração de ausência se justifica mesmo que o ausente não possua bens. Nesse
caso, não haverá a nomeação de curador, mas apenas a declaração de ausência. A declaração de
ausência possui efeitos para além da esfera patrimonial, de que constituem exemplos a regra de que os
filhos menores serão postos sob tutela no caso de os pais serem declarados ausentes (CC, art. 1728, I),
bem como a determinação de que, havendo a ausência de tutor, a obrigação de prestar contas passa
aos seus herdeiros ou representantes.
(Código Civil, art. 1759)
Verificando o aprendizado
Questão 1
Estudamos, neste módulo, a pessoa natural. Assinale a alternativa incorreta a esse respeito:
A
A pessoa natural é a pessoa do homem como ente jurídico.
B
Nem toda pessoa natural tem personalidade jurídica.
C
Personalidade jurídica é a aptidão para adquirir direitos e contrair deveres, na forma do art. 1º do Código Civil.
D
A grande maioria dos doutrinadores brasileiros é adepta da Teoria Natalista.
E
Para comprovar que houve nascimento com vida, utiliza-se o exame da docimasia hidrostática de Galeno,
capaz de evidenciar se houve respiração extrauterina do feto.
A alternativa B está correta.
Partamos de duas afirmações. A primeira concerne ao fato de a pessoa natural, para a legislação brasileira,
ser toda pessoa física. A segunda: as pessoas são detentoras da personalidade jurídica, ou seja, a aptidão
para adquirir direitos e contrair deveres, na forma do art. 1º do Código Civil. Como se pode observar, o
conceito de personalidade está intimamente ligado ao conceito de pessoa.
Logo: basta ser pessoa para ter-se personalidade jurídica, afinal a personalidade independe de qualquer
ato volitivo do indivíduo.
Questão 2
São afirmativas corretas acerca da ausência, exceto:
A
Presume-se a morte por ausência, quando da abertura da sucessão definitiva, consoante disposição do art. 6º
do CC.
B
Dez anos depois de passada em julgado a sentença que concede a abertura da sucessão provisória poderão
os interessados requerer a sucessão definitiva e o levantamento das cauções prestadas.
C
Caso se prove que o ausente conta oitenta anos de idade, e que cinco datam as últimas notícias dele, também
se poderá requerer a abertura da sucessão definitiva.
D
O processo de declaração de ausência só é necessário quando o ausente deixa bens.
E
Caso não regresse o ausente em dez anos, e nenhum interessado promover a sucessão definitiva, os bens
arrecadados passarão ao domínio do Município ou do Distrito Federal, se localizados nas respectivas
circunscrições, incorporando-se ao domínio da União, quando situados em território federal.
A alternativa D está correta.
É valido lembrar que, mesmo que não haja bens, a declaração de ausência é necessária para que se
operem efeitos nas relações familiares do ausente, sendo exemplos: a regra de que os filhos menores serão
postos sob tutela, no caso de os pais serem declarados ausentes (CC, art. 1728, I), bem como a
determinação de que, havendo a ausência de tutor, a obrigação de prestar contas passa aos seus herdeiros
ou representantes (CC, art. 1759).
2. Pessoas jurídicas
Constituição da personalidade jurídica
Quando um grupo de pessoas se reúne para determinada finalidade, necessidade que surge da dinâmica
social, forma uma entidade.
A pessoa jurídica pode ser definida como uma entidade capaz de titularizar direitos e obrigações,
dotada de subjetividade autônoma das subjetividades dos indivíduos que a criaram. Assim é que o
Código Civil, no art. 49-A, dispõe que “a pessoa jurídica não se confunde com os seus sócios,
associados, instituidores ou administradores”.
Saiba mais
A teoria albergada pelo atual Código Civil para justificar a pessoa jurídica é da Realidade Técnica, que
preconiza que a pessoa jurídica é fruto de uma realidade técnico-jurídica, ou seja, a pessoa jurídica não
existe por si própria, como o ser humano, por existência real, mas sim, por força de uma realidade
idealizada. A subjetividade atribuída à pessoa jurídica não é natural, mas sim uma construção teórica
elaborada pela mente humana. 
Recebe a pessoa jurídica uma proteção constitucional, pois nosso ordenamento protege e estimula a livre
iniciativa, fundamento da República (art. 1º, inciso, IV, da CRFB/88). Possui ainda autonomia patrimonial e
organizacional para que possa cumprir a finalidade de fomentar o desenvolvimento socioeconômico numa
sociedade.
 
Neste tocante, a Lei nº 13.874/2019 incluiu o parágrafo único, do art. 49-A no CC, assim consignando:
(...) a autonomia patrimonial das pessoas jurídicas é um instrumento lícito de alocação e segregação de
riscos, estabelecido pela lei com a finalidade de estimular empreendimentos, para a geração de
empregos, tributo, renda e inovação em benefício de todos.
(Lei nº 13.874/2019)
Justamente por apresentar a característica da separação patrimonial, a responsabilidade dos sócios e
administradores, em geral, será limitada. Esse é o ensinamento trazido a lume pelos doutrinadores Cristiano
Chaves e Nelson Rosenvald (2021, p. 117), in verbis: 
 
Bem por isso, não é despiciendo destacar que, em nosso ordenamento jurídico, vigora o sistema de 
responsabilidade subsidiária e limitada do sócio, afastando-se do sistema de responsabilidade ilimitada que,
seguramente, resultaria “em retração econômica, derivada dos altos custos que antecederiam a implantação
de um empreendimento, nem sempre possíveis de serem arcados”, como pondera, conjugando Direito e
Economia, Irena Carneiro Martins (apud FARIAS; ROSENVALD, 2021, p. 495). 
 
Para constituir uma pessoa jurídica, estabelece o art. 45 do CC que deverá ser levado a registro o ato
constitutivo:
(...) começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato
constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do
Poder Executivo, averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo.
(Código Civil, art. 40)
Então, para que haja a personificação de um ente criado com determinado intuito na sociedade, é preciso que
seja registrado o ato que constitui esta nova entidade: o ato constitutivo. Somente quando cumprido o que a
lei exige, é que nasce uma pessoa jurídica formalmente constituída.
O registro tem natureza constitutiva, e não meramente declaratória, e, mesmo quando estivermos
considerando um empresário rural ou sociedade empresária rural, o registro manterá a natureza
desta natureza, conforme preleciona o enunciado 202 do Conselho da Justiça Federal: “o registro do
empresário ou sociedade rural na Junta Comercial é facultativo e de natureza constitutiva,
sujeitando-o ao regime jurídico empresarial. É inaplicável esse regime ao empresário ou sociedade
rural que não exercer tal opção”.
Atenção
Deve-se observar que, como preceitua o artigo mencionado, quaisquer alterações pelas quais passe o
ato que constitui a pessoa jurídica deverão ser levadas ao cartório para averbação. 
O que exatamente constará desse ato constitutivo para que realmente possa ser criada a pessoa jurídica?
 
A resposta pode ser encontrada no art. 46 do CC e seus incisos:
I - a denominação, os fins, a sede, o tempo de duração e o fundo social, quando houver;II - o nome e a
individualização dos fundadores ou instituidores, e dos diretores;III - o modo por que se administra e
representa, ativa e passivamente, judicial e extrajudicialmente;IV - se o ato constitutivo é reformável no
tocante à administração, e de que modo;V - se os membros respondem, ou não, subsidiariamente, pelas
obrigações sociais;VI - as condições de extinção da pessoa jurídica e o destino do seu patrimônio, nesse
caso.
(Código Civil, art. 46)
Agora vejamos outras duas questões importantes acerca da pessoa jurídica:
Levando-se em conta o princípio da empresarialidade responsável, como será feita a
administração da pessoa jurídica, no que tange ao quórum para tomada de decisões?
Se a pessoa jurídica tiver administração coletiva, as decisões se tomarão pela maioriade votos dos
presentes, salvo se o ato constitutivo dispuser de modo diverso (CC, art. 48).
E se algum administrador violar a lei ou estatuto, ou a decisão estiver eivada de erro,
dolo, simulação e fraude?
Nessa hipótese, o legislador conferiu ao interessado o prazo decadência de três anos para que se
anulem as decisões tomadas com esses vícios (CC, art. 48, parágrafo único).
Caso a administração da pessoa jurídica venha a faltar, por qualquer motivo, para que não fique a
pessoa jurídica sem este importante órgão, o juiz poderá nomear administrador provisório (CC, art.
49).
Modalidades e domicílio de personalidade jurídica
Delineados a conceituação de pessoa jurídica e seu modo de constituição, resta analisar quais seriam as
modalidades desse tipo de pessoa previstas no nosso ordenamento jurídico.
 
O Código Civil dividiu as pessoas jurídicas sob dois enfoques:
No que tange à nacionalidade da pessoa jurídica:
Quanto à nacionalidade 
Podendo ser divididas em pessoa jurídica
nacional ou interna e pessoa jurídica
estrangeira ou externa.
Quanto à capacidade ou função 
Podendo ser nominadas de pessoas
jurídicas de direito público e pessoas
jurídicas de direito privado (CC, art. 40).
Nacional ou interna
É aquela a quem foi atribuída a personalidade
pelo direito brasileiro.
Estrangeira ou externa
É toda aquela que tem sua personalidade
atribuída por direito estrangeiro, a quem
obedecerá às regras de constituição,
modificação e extinção.
Atenção
Cabe ressaltar que, ainda que uma pessoa jurídica tenha como sócios pessoas de outras nacionalidades
que não a brasileira, se esta vem a ser constituída no Brasil, a pessoa jurídica será nacional.No caso das
pessoas jurídicas constituídas sob a égide de lei estrangeira e com sede no exterior, somente poderão
funcionar no Brasil com a devida autorização do Poder Público. 
Agora vejamos a classificação das pessoas jurídicas de direito público e de direito privado:
Pessoas jurídicas de direito público
São aquelas regidas, em regra, pelo regime de
direito público, em especial pelo direito
administrativo.
Pessoas jurídicas de direito privado
São regidas pelas leis civilistas e legislação
referente ao direito empresarial.
As pessoas jurídicas de direito público são: a União, os Estados, o Distrito Federal e os Territórios, os
Municípios, as autarquias, inclusive as associações públicas e as demais entidades de caráter público criadas
por lei (CC, art. 41 e incisos).
 
Em consonância com a responsabilidade do Estado positivada no art. 37, §6º, da Carta Política de 1988, o
Código Civil também dispôs que “as pessoas jurídicas de direito público interno são civilmente responsáveis
por atos dos seus agentes que nessa qualidade causem danos a terceiros, ressalvado direito regressivo
contra os causadores do dano, se houver, por parte destes, culpa ou dolo” (CC, art. 43).
 
São pessoas jurídicas de direito público externo os Estados estrangeiros e todas as pessoas que forem
regidas pelo direito internacional público (CC, art. 42).
 
Sob o prisma da estrutura interna, pode-se nominar uma pessoa jurídica com um patrimônio destinado a
determinada finalidade como:
Universitas bonorum
Gira em torno de um patrimônio destinado a um
fim., ou seja, uma universalidade (patrimônio)
destinada a proporcionar bem-estar coletivo em
diversas áreas, como são as fundações, por
exemplo.
Universitas personarum
É composta pela reunião de pessoas (exemplo:
associações e sociedades), isto é, pessoas
reunidas para uma finalidade em comum,
preponderando a pessoalidade, tal como nas
corporações.
Segundo o enunciado nº 144 da III Jornada de Direito Civil do Conselho da Justiça Federal, o rol apresentado
pelo Código Civil no art. 44 do CC para enumerar as pessoas jurídicas de direito privado não seria taxativo, in
verbis: “A relação das pessoas jurídicas de direito privado constante do art. 44, incs. I a V, do Código Civil não
é exaustiva”.
 
Dessa maneira, levando-se sempre em consideração a não taxatividade do rol a seguir, tem-se, inicialmente,
as seguintes pessoas de direito privado:
I - as associações;II - as sociedades;III - as fundações;IV - as organizações religiosas;V - os partidos
políticos;VI - as empresas individuais de responsabilidade limitada.
Código Civil, art. 44
Em leis esparsas, a doutrina traz ainda para conhecimento as seguintes pessoas jurídicas de direito privado:
 
Sindicatos
Empresas públicas
Sociedades de economia mista
Cooperativas
• 
• 
• 
• 
As associações são corporações que não têm
finalidade lucrativa (CC, art. 53). Como
exemplo, podemos citar as associações
estudantis ou de moradores do bairro. O fim
visado é geralmente o bem-estar comum, o que
não significa dizer, que não possa haver ganho
financeiro em suas atividades, somente que
estes ganhos deverão reverter para as
atividades da associação e não para
distribuição entre associados.
 
Não há entre os associados obrigações e
direitos recíprocos (CC, art. 53, parágrafo
único). Devem ter iguais direitos, mas o estatuto poderá instituir categorias com vantagens especiais (CC, art.
55), sendo a qualidade associado intransmissível, caso o estatuto não disponha diferentemente (CC, art. 56).
 
No geral, em atendimento aos princípios do contraditório e ampla defesa, a exclusão do associado só é
admissível havendo justa causa, assim reconhecida em procedimento que assegure direito de defesa e de
recurso, nos termos previstos no estatuto (CC, art. 57).
[Tal direito é] clara projeção da teoria da eficácia horizontal dos direitos fundamentais de seus sócios ou
componentes. Nessa linha de ideias, é evidente que a exclusão de associado deverá atender ao
garantismo constitucional, respeitado o devido processo legal, facultando a ele o direito de se defender
amplamente, produzir prova de que as imputações que lhe são feitas são improcedentes, constituir
advogado etc.
(FARIAS e ROSENVALD, 2021, p. 505)
As fundações, por seu turno, constituem um patrimônio afetado para determinada finalidade religiosa, moral,
cultural ou assistencial.
Atenção
A doutrina é uníssona, no que tange à impossibilidade de se criar uma fundação para fins lucrativos. 
A fundação pode assumir feição pública ou privada (CC, art. 62 e parágrafo único). O ato que a constitui é
formal, praticado pelo instituidor, que estabelece o fim para qual será criada a pessoa jurídica. Após as fases
de dotação, ou de instituição e elaboração de estatutos, haverá a aprovação dos estatutos pelo Ministério
Público, se não os tiver elaborado (CC, art. 66), e posterior registro no Cartório do Registro Civil de Pessoas
Jurídicas.
 
Quanto à extinção da fundação, tem-se que (conforme o Código Civil, art. 69), o órgão do Ministério Público,
ou qualquer interessado, lhe promoverá a extinção, incorporando-se o seu patrimônio, salvo disposição em
contrário no ato constitutivo, ou no estatuto, em outra fundação, designada pelo juiz, que se proponha a fim
igual ou semelhante, caso:
 
Torne-se ilícita, impossível ou inútil à finalidade a que visa., ou
Tenha vencido o prazo de sua existência.
Sendo a República Federativa do Brasil um
estado laico, as organizações religiosas
poderão ser livremente criadas, organizadas,
estruturadas internamente, sendo vedado ao
poder público negar-lhes reconhecimento ou
registro dos atos constitutivos e necessários ao
seu funcionamento (CC, art. 44, §1º).
 
Quanto às pessoas jurídicas nominadas como
sociedades e as empresas individuais de
responsabilidade limitada, seu estudo é objeto
de direito empresarial. Os partidos políticos, por
sua vez, têm estrutura e disciplina regida pela
Lei nº 9.096/95, objeto de estudo do direito eleitoral
Proteção de pessoas jurídicas
No vídeo a seguir, a professora Camila Fortuna discorre sobre as pessoas jurídicas e sua proteção. Vamos
assistir!
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
O domicílio da pessoa jurídica será o de sua sede jurídica, local onde são exercidas as atividades habituais e
de onde emanam os atosde gestão. Ou, ainda, o domicílio será aquele indicado nos atos constitutivos,
consoante o disposto nos arts. 75, IV, 968, IV, e 969, combinando com o art. 1150 do Código Civil.
 
Tendo a pessoa jurídica diversos estabelecimentos, em lugares diferentes, cada um deles será considerado
domicílio para os atos nele praticados (CC, art. 75, §1º) e se a administração, ou diretoria, tiver a sede no
estrangeiro, haver-se-á por domicílio da pessoa jurídica, no tocante às obrigações contraídas por cada uma
das suas agências, o lugar do estabelecimento, sito no Brasil, a que ela corresponder (CC, art. 75, §2), sendo
este último o denominado domicílio legal.
 
No que se refere às pessoas jurídicas de direito público, o art. 75 do CC estabelece o seguinte acerca do
domicílio:
União
Domicílio: Distrito Federal
Estados e Territórios
Domicílio: a respectiva capital
• 
• 
Município
Domicílio: o lugar onde funcione a
administração municipal
Extinção da personalidade jurídica
Para finalizarmos este módulo, devemos analisar como se extingue a personalidade da pessoa jurídica.
De modo geral, regularmente constituída através do registro, a pessoa jurídica existirá por prazo
indeterminado, salvo se inicialmente suas atividades foram concebidas para durarem apenas por
certo período de tempo previamente fixado ou até que implemente a condição para que ocorra o fim
de sua existência.
Assim podem ser sistematizadas as causas de extinção da pessoa jurídica:
Dissolução convencional
Porque os membros que se reuniram para criar
a pessoa jurídica assim decidiram (distrato).
Dissolução administrativa
Quando o Poder Público entende necessária
autorização e esta não pode mais ser
concedida por motivos legais.
Dissolução legal
Quando a própria lei dispõe sobre alguma causa
de extinção e, por fim, por falecimento de sócio,
no caso de sociedades individuais.
Tendo como vetores axiológicos os princípios da boa-fé objetiva, outra interessante causa de dissolução de
uma pessoa jurídica é a violação à função social.
 
Os doutrinadores Cristiano Chaves e Nelson Rosenvald trazem a seguinte lista de causas de extinção da
pessoa jurídica (FARIAS e ROSENVALD, 2021, p. 551):
1
Pelo decurso de prazo (se constituída a tempo).
2
Pela deliberação da unanimidade dos sócios (caso típico de distrato), nos termos do art. 1.033, II, da
Lei Civil.
3
Pela deliberação da maioria absoluta dos membros, resguardados os direitos da minoria vencida,
como reza o art. 1.033, II, da Lei Civil.
4
Pela falta de pluralidade de sócios, quando não vier a ser reconstituída no prazo de 180 dias, de
acordo com o inciso IV, do multicitado art. 1.033 do Codex. Ou seja, pelo desaparecimento
(declaração de ausência) ou morte dos sócios, sem que os herdeiros deles venham a prosseguir na
atividade empresarial.
5
Pela perda da autorização para funcionar, nas hipóteses em que se faz necessária a anuência
governamental (CC, art. 1.033, V).
6
Quando, constituída para atingir determinado desiderato, sua finalidade já tenha sido atingida ou
tenha se tornado ilícita ou impossível.
7
Pela verificação de ser nociva ou impossível a sua manutenção, por decisão judicial, em ação
promovida pelo Ministério Público ou pelo interessado (que poderá ser um dos sócios ou mesmo
terceiro).
Verificando o aprendizado
Questão 1
Estudamos, neste módulo, o tema pessoas jurídicas. Assinale a alternativa correta a esse
respeito:
A
De forma geral, a existência da pessoa jurídica não se dá por prazo indeterminado.
B
As associações nunca podem ter ganhos financeiros no desenvolvimento de suas atividades.
C
Pessoa jurídica é uma entidade que tem aptidão para titularizar direitos e obrigações.
D
A personalidade da pessoa jurídica se confunde com a personalidade das pessoas naturais que a compõem.
E
É desnecessário o registro dos atos constitutivos da pessoa jurídica para que esta adquira personalidade.
A alternativa C está correta.
Devido à necessidade decorrente da dinâmica social, quando um grupo de pessoas se reúne para
determinada finalidade, forma-se uma entidade. A pessoa jurídica pode ser definida como uma entidade
capaz de titularizar direitos e obrigações, na forma dos arts. 1º combinado com o art. 40 do CC.
Questão 2
São pessoas jurídicas de direito público, exceto:
A
Municípios.
B
União.
C
Distrito Federal.
D
Estados.
E
Associações.
A alternativa E está correta.
As associações, por expressa disposição legal (CC, art. 44, inciso I) constituem pessoas jurídicas de direito
privado. Os demais entes citados na questão são pessoas jurídicas de direito público (CC, art. 41 e incisos).
3. Teoria da Desconsideração da Pessoa Jurídica: cabimento e consequências
Conceito e função
Com a aquisição da personalidade jurídica por parte da entidade devidamente registrada, há autonomia
patrimonial em relação aos seus componentes. Ocorre que, por muitas vezes, esse escudo patrimonial acabou
por ser utilizado para finalidades estranhas e fraudatórias de direitos de terceiros, o que compeliu a doutrina e
a jurisprudência a revisitarem a personalização da pessoa jurídica para atingimento da pessoa do sócio no que
se refere ao patrimônio em hipótese de ocorrência de abuso de direito. 
 
A esta teoria de origem anglo-saxã nominou-se teoria de desconsideração da pessoa jurídica, ou disregard of
legal entity, lifting the corporate veil (traduzido como “levantando o véu da corporação”), disregard theory 
(“teoria da desconsideração”) e ainda Teoria da Penetração. 
 
Observe-se que o legislador pátrio foi bastante enfático ao estabelecer a diferenciação das pessoas dos
sócios e da pessoa jurídica no Código Civil, e, recentemente, com a edição da Lei nº 13.874/2019, frisou a
importância de que a autonomia patrimonial seja utilizada para finalidades lícitas, sem abusos, consoante
dicção do art. 49-A, parágrafo único:
A autonomia patrimonial das pessoas jurídicas é um instrumento lícito de alocação e segregação de
riscos, estabelecido pela lei com a finalidade de estimular empreendimentos, para a geração de
empregos, tributo, renda e inovação em benefício de todos.
(Código Civil, art. 49-A)
Com a aplicação da referida teoria, visa-se a atribuir responsabilidade aos sócios ou administradores pela
prática de ato fraudulento ou abusivo, respondendo estes com seu patrimônio pessoal.
Atenção
Cabe frisar que não será extinta a pessoa jurídica, mas, na verdade, em relação a determinados atos
praticados com desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, poderá o juiz, a requerimento da
parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, desconsiderar a personalidade
jurídica para que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens
particulares de administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente
pelo abuso (CC, art. 50). 
Corroborando com o caráter episódico e não definitivo da desconsideração da personalidade jurídica,
trazemos o seguinte ensinamento doutrinário:
A desconsideração da personalidade jurídica significa, essencialmente, o desprezo episódico (eventual),
pelo Poder Judiciário, da personalidade autônoma de uma pessoa jurídica, com o propósito de permitir
que os seus sócios respondam com o seu patrimônio pessoal pelos atos abusivos ou fraudulentos
praticados sob o véu societário. Enfim, é a permissão judicial par responsabilizar civilmente o sócio, nas
hipóteses nas quais for o autêntico obrigado ou o verdadeiro responsável, em face da lei ou do contrato.
(FARIAS; ROSENVALD, 2021, p. 391)
A já referida Lei nº 13.874/2019, com a inclusão dos parágrafos no art. 50 do Código Civil, houve por bem
esclarecer (no parágrafo 2º e incisos) o que seria:
Desvio de finalidade
A utilização da pessoa jurídica com o propósito
de lesar credores e para a prática de atos
ilícitos de qualquer natureza.
Confusão patrimonial
A ausência de separação de fato entre os
patrimônios, caracterizada por:
(I) cumprimento repetitivo pela sociedade de
obrigações dosócio ou do administrador ou
vice-versa;
(II) transferência de ativos ou de passivos sem
efetivas contraprestações, exceto os de valor
proporcionalmente insignificante;
(III) outros atos de descumprimento da
autonomia patrimonial.
Teoria Maior e Teoria Menor
Quanto à teoria adotada no Código Civil para formulação da desconsideração, esta foi a Teoria Maior, que
exige a demonstração da ocorrência de elemento objetivo relativo a qualquer um dos requisitos previstos na
norma, caracterizadores de abuso da personalidade jurídica, como:
Excesso de mandato Demonstração do desvio de finalidade
Ato intencional dos sócios em fraudar
terceiros com o uso abusivo da
personalidade jurídica
Demonstração de confusão patrimonial
Atenção
A inexistência de bens penhoráveis ou eventual encerramento irregular não ensejam a adoção da
desconsideração da pessoa jurídica. De outro giro, a mera existência de grupo econômico sem a
presença dos requisitos de que trata o precitado artigo 50 do CC, ou seja, desvio de finalidade ou
confusão patrimonial, também não autoriza a desconsideração da personalidade da pessoa jurídica, bem
como a mera expansão ou a alteração da finalidade original da atividade econômica específica da
pessoa jurídica não configura, por si, desvio de finalidade (CC, §§ 4º e 5º do art. 50). 
No Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/90), entretanto, adotou-se a Teoria Menor (art. 28, §5º), ou
seja, sempre que a personalidade jurídica for obstáculo à proteção do consumidor em caso de abuso da
autonomia patrimonial no que tange à ocorrência de prejuízos, adotar-se-á a disregard doctrine.
Modalidades de desconsideração da personalidade
jurídica
Quando se abusa da autonomia patrimonial da pessoa jurídica para encobrir atos fraudulentos ou abusivos da
própria entidade, atingindo o patrimônio dos sócios, temos a aplicação da teoria da desconsideração da
personalidade jurídica propriamente dita, com previsão no caput do art. 50 do Código Civil.
 
Vejamos outras duas modalidades de desconsideração da personalidade jurídica:
Desconsideração inversa
Desconsidera-se a autonomia da pessoa
jurídica para obrigá-la a assumir os efeitos
patrimoniais dos atos levados a cabo pelos
próprios sócios, que se valeram do véu
protetivo da autonomia da pessoa jurídica para
prejudicar os seus credores pessoais.
Desconsideração da personalidade
jurídica indireta ou às avessas
Atualmente prevista expressamente no art. 50,
§ 3º do Código Civil, por força da Lei nº
13874/2019, ocorre sempre que um sócio ou
administrador pratique atos de ocultação de
bens pessoais no patrimônio da pessoa jurídica.
O Conselho da Justiça Federal, na IV Jornada de Direito Civil, assim formulou Enunciado sobre o tema:
É cabível a desconsideração da personalidade jurídica denominada “inversa” para alcançar bens de sócio
que se valeu da pessoa jurídica para ocultar ou desviar bens pessoais, com prejuízo a terceiros.
(Conselho da Justiça Federal)
A modalidade de teoria da desconsideração inversa da personalidade jurídica tem encontrado bastante
amparo em sede de direito de família, e, para exemplificar, traremos aqui uma hipótese de ocorrência citada
em julgado do Superior Tribunal de Justiça:
“Transferência, pelo convivente, de quotas
sociais a terceiros, mantendo-se, todavia, no
comando das referidas empresas, com intuito
de esvaziar patrimônio e não se sujeitar ao
regime de bens da união estável e burlar
eventual partilha” (AgInt no AREsp 1243409 /
PR). Neste caso, a Corte de Justiça admitiu a
aplicação da modalidade de teoria em comento.
 
Como esclarecem Gustavo Tepedino e Milena Donato Oliva (2021, p. 137-138), o juiz não poderá ex officio, ou
seja, sem que haja requerimento, aplicar a disregard doctrine, em qualquer modalidade, direta ou inversa:
Note-se que a decisão judicial de desconsiderar a personalidade jurídica não pode ocorrer de ofício,
impondo-se o imprescindível e expresso requerimento da parte ou do Ministério Público, sendo certo
que não há hipótese de desconsideração da personalidade jurídica sem pronunciamento jurisdicional.
Além disso, exige-se do interessado a prova do desvio de finalidade ou da confusão patrimonial, não
bastando a existência de meros indícios. Trata-se de limitação expressa no exercício do poder de
desconsideração, que se explica justamente por sua excepcionalidade e pela garantia de autonomia
patrimonial da pessoa jurídica, expressão da tutela constitucional da livre iniciativa.
(TEPEDINO e OLIVA, 2021, p 137-138)
Desse modo, a teoria em apreço que, inicialmente, só previa a modalidade direta, ou seja, o atingimento de
patrimônio dos sócios ou administradores para arcar com atos praticados pela pessoa jurídica em desvio de
finalidade ou confusão patrimonial, ganhou novos contornos para admitir a modalidade inversa. Isto é, a
possibilidade de atingimento do patrimônio da sociedade em hipóteses em que o sócio ou o administrador
escondem patrimônio pessoal no patrimônio da pessoa jurídica.
 
A doutrina ainda trata da desconsideração expansiva da personalidade jurídica, hipótese em que se
desconsidera o patrimônio da pessoa jurídica e atinge-se o patrimônio do sócio oculto, que, às vezes,
configura-se com uma sociedade empresária controladora. O Supremo Tribunal Federal aplicou a
desconsideração expansiva em caso paradigmático. Segue ementa com grifos nossos:
Decisão
“EMENTA: PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO E DESCONSIDERAÇÃO EXPANSIVA DA
PERSONALIDADE JURÍDICA. “DISREGARD DOCTRINE” E RESERVA DE JURISDIÇÃO: EXAME DA
POSSIBILIDADE DE A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, MEDIANTE ATO PRÓPRIO, AGINDO “PRO DOMO
SUA”, DESCONSIDERAR A PERSONALIDADE CIVIL DA EMPRESA, EM ORDEM A COIBIR SITUAÇÕES
CONFIGURADORAS DE ABUSO DE DIREITO OU DE FRAUDE. A COMPETÊNCIA INSTITUCIONAL DO
TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO E A DOUTRINA DOS PODERES IMPLÍCITOS. INDISPENSABILIDADE,
OU NÃO, DE LEI QUE VIABILIZE A INCIDÊNCIA DA TÉCNICA DA DESCONSIDERAÇÃO DA
PERSONALIDADE JURÍDICA EM SEDE ADMINISTRATIVA. A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E O PRINCÍPIO
DA LEGALIDADE: SUPERAÇÃO DE PARADIGMA TEÓRICO FUNDADO NA DOUTRINA TRADICIONAL? O
PRINCÍPIO DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA: VALOR CONSTITUCIONAL REVESTIDO DE CARÁTER
ÉTICO-JURÍDICO, CONDICIONANTE DA LEGITIMIDADE E DA VALIDADE DOS ATOS ESTATAIS. O
ADVENTO DA LEI Nº 12.846/2013 (ART. 5º, IV, “e”, E ART. 14), AINDA EM PERÍODO DE “VACATIO
LEGIS”. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA E O POSTULADO DA
INTRANSCENDÊNCIA DAS SANÇÕES ADMINISTRATIVAS E DAS MEDIDAS RESTRITIVAS DE DIREITOS.
MAGISTÉRIO DA DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. PLAUSIBILIDADE JURÍDICA DA PRETENSÃO
CAUTELAR E CONFIGURAÇÃO DO “PERICULUM IN MORA”. MEDIDA LIMINAR DEFERIDA.”
MS 32494 MC / DF - DISTRITO FEDERAL
MEDIDA CAUTELAR NO MANDADO DE SEGURANÇA
Relator(a): Min. CELSO DE MELLO
Julgamento: 11/11/2013
Publicação
PROCESSO ELETRÔNICO DJe-224 DIVULG 12/11/2013 PUBLIC 13/11/2013.
Da referida decisão, para que melhor se compreenda a modalidade expansiva da teoria da desconsideração
da personalidade jurídica, extraímos os seguintes trechos de relatoria do Min. Celso de Mello:
“(...) 75 - A aplicação da teoria da
desconsideração da personalidade jurídica tem
por objetivo coibir o uso indevido da pessoa
jurídica, levada a efeito mediante a utilização da
pessoa jurídica contrária a sua função social e
aos princípios consagrados pelo ordenamento
jurídico, afastando, assim, a autonomia
patrimonial para chegar à responsabilização
dos sócios da pessoa jurídica e/ou para coibir
os efeitos de fraude ou ilicitude comprovada.
 
76 - A doutrina e a jurisprudência dos tribunais já consideram que um desdobramento dessa teoria é a
possibilidade de estender os seus efeitos a outras empresas, diante das circunstâncias e provas do caso
concreto específico. Trata-se da teoria da desconsideração expansiva da personalidade jurídica da sociedade,
terminologia utilizada pelo Prof. Rafael Mônaco (…).
 
77 - Com a teoria da desconsideração expansiva da personalidade jurídica, é possível estender os efeitos da
desconsideração da personalidade jurídica aos ‘sóciosocultos’ para responsabilizar aquele indivíduo que
coloca sua empresa em nome de um terceiro ou para alcançar empresas de um mesmo grupo econômico (…)”.
Desconsideração da personalidade jurídica
No vídeo a seguir, a professora Camila Fortuna comenta sobre o conceito e as modalidades de
desconsideração da personalidade jurídica. Vamos assistir!
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Responsabilidade da personalidade jurídica
Como há autonomia patrimonial e organizacional das pessoas jurídicas, decerto que respondem normalmente
pelos seus atos com seu patrimônio social de forma autônoma, não se podendo, em práticas regulares de atos
pela entidade, haver responsabilização de sócios. Neste tocante, sobre a autonomia patrimonial da pessoa
jurídica, temos de repisar o conteúdo do art. 49-A do CC, que assim estabelece: “a pessoa jurídica não se
confunde com os seus sócios, associados, instituidores ou administradores”.
 
A pessoa jurídica, nas suas práticas rotineiras, pode praticar atos que venham a ferir a esfera jurídica de
outras pessoas, sejam elas naturais ou jurídicas também, o que ocasionará o dever de reparação integral,
consoante disposição do art. 173, § 5º da Carta Política de 1988:
A lei, sem prejuízo da responsabilidade individual dos dirigentes da pessoa jurídica, estabelecerá a
responsabilidade desta, sujeitando-a às punições compatíveis com sua natureza, nos atos praticados
contra a ordem econômica e financeira e contra a economia popular.
(Constituição Federal ,art. 173, § 5º)
Se a prática de atos pelos administradores foi levada a cabo dentro dos limites impostos pelos atos
constitutivos, fica a pessoa jurídica obrigada pelos atos dos seus administradores (CC, art. 47). 
Essa responsabilidade será de natureza subjetiva, devendo ser provados a conduta, o dano e o nexo de
causalidade entre a conduta praticada em nome da pessoa jurídica e o dano sofrido por quem se alega
vítima. 
 
Se ocorre, no entanto, prática pelos administradores de ato que extrapola os atos constitutivos ou a
representação que lhe for conferida, a doutrina mais abalizada nos informa que deverá ser adotada a teoria da
aparência, pois, perante a sociedade, os administradores “aparentam” deter poderes para entabular as
negociações em nome da pessoa jurídica, e, a menos que se prove que a parte lesada tinha expressa ciência
da impossibilidade de prática de determinado ato, a pessoa jurídica deverá responder também pelo ato
praticado com excesso ou abuso de direito. 
 
Nessa linha de raciocínio ora apresentada, tem-se a seguinte ementa de julgado do Superior Tribunal de
Justiça:
PROCESSUAL CIVIL. CONSÓRCIO. TEORIA DA APARÊNCIA. LEGITIMIDADE PASSIVA RECONHECIDA.A
empresa que, segundo se alegou na inicial, permite a utilização da sua logomarca, de seu endereço,
instalações e telefones, fazendo crer, através da publicidade e da prática comercial, que era responsável
pelo empreendimento consorcial, é parte passiva legítima para responder pela ação indenizatória
proposta pelo consorciado fundamentada nesses fatos.Recurso conhecido e provido.
(REsp 139.400/MG, Rel. Ministro CESAR ASFOR ROCHA, QUARTA TURMA, julgado em 03/08/2000, DJ 25/09/2000, p. 103)
(grifos nossos)
Atenção
Faz-se imprescindível ressaltar que a supracitada responsabilidade subjetiva encontra temperamentos
também no art. 927, parágrafo único, do Código Civil, que dispõe que, dependendo da atividade
exercida, “quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza,
risco para os direitos de outrem (...) haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa”. 
Quando a pessoa jurídica for uma sociedade empresária, haverá responsabilização objetiva, na forma do art.
931 do Código Civil.
 
No que concerne às pessoas jurídicas de direito público, há previsão de responsabilidade no art. 37, §6º da
CRFB/88 no sentido de que “responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a
terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa”. Na mesma linha
de entendimento, o art. 43 do CC frisou a responsabilidade civil das pessoas jurídicas por atos dos seus
agentes contra terceiros, ressalvado o direito de regresso, se houver.
Atenção
Somente em hipóteses em que provar culpa exclusiva da vítima, fato de terceiro, caso fortuito ou força
maior as pessoas jurídicas de direito público serão exoneradas de responsabilização. 
Caso haja desconsideração da personalidade
jurídica, como já exposto, a autonomia
patrimonial da pessoa jurídica restará mitigada,
atribuindo-se responsabilidade aos sócios ou
administradores pela prática de ato fraudulento
ou abusivo, respondendo estes com seu
patrimônio pessoal.
Verificando o
aprendizado
Questão 1
Estudamos neste módulo a desconsideração e responsabilidade da personalidade jurídica.
Assinale a alternativa correta a esse respeito:
A
Responderão pelos atos praticados pela sociedade, de maneira geral, os sócios que compõem a entidade.
B
A origem da teoria da desconsideração da personalidade jurídica é italiana.
C
Com a aplicação da teoria da desconsideração da personalidade jurídica direta, visa-se a atribuir
responsabilidade aos sócios ou administradores pela prática de ato fraudulento ou abusivo, respondendo
estes com seu patrimônio pessoal.
D
Quando o juiz determina a aplicação da desconsideração da personalidade jurídica, extingue-se
automaticamente a existência da pessoa jurídica.
E
O ordenamento jurídico pátrio não admite a modalidade inversa da teoria da desconsideração da
personalidade jurídica, isto é, a possibilidade de atingimento do patrimônio da sociedade em hipóteses em
que o sócio ou administrador esconde patrimônio pessoal no patrimônio da pessoa jurídica.
A alternativa C está correta.
É o que preconiza o art. 50 do CC, que acabou por albergar a teoria da desconsideração da personalidade
jurídica construída pela doutrina e jurisprudência: “em caso de abuso da personalidade jurídica,
caracterizado pelo desvio da finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento
da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e
determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou
sócios da pessoa jurídica".
Questão 2
Acerca da teoria da desconsideração da personalidade jurídica é INCORRETO afirmar que:
A
O Código Civil, assim como o Código de Defesa do Consumidor, adotou a Teoria Menor da desconsideração
da personalidade jurídica.
B
O Código Civil prevê a aplicação da teoria da desconsideração da personalidade jurídica no art. 50.
C
A disregard doctrine tem origem anglo-saxã.
D
Existe também a modalidade indireta da teoria da desconsideração da personalidade jurídica, que encontra
previsão no art. 50, §3, do CC.
E
Aplica-se a teoria pelo Poder Judiciário, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber
intervir no processo.
A alternativa A está correta.
O Código Civil, contrariamente ao que foi adotado no Código de Defesa do Consumidor, adota a Teoria
Maior da desconsideração da personalidade jurídica.
4. Conclusão
Considerações finais
Como vimos, a pessoa, seja ela natural ou jurídica, é o sujeito das relações no Direito. A personalidade,
atributo essencial, no caso das pessoas naturais, começa do nascimento com vida, e, no caso das pessoas
jurídicas, com o registro dos atos constitutivos na serventia com atribuição.
Atenção
A personalidade deve sempre ser analisada pelo viés humanizante dos influxos da constitucionalização
do Direito, com a aplicação direta de normas constitucionais, como aquela constante do artigo 1º, inciso
III, que traz a dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos da República. 
Deve-se atentar para o fato de que o rol de direitos de personalidade do Código Civil não é taxativo e,
considerando as conquistas históricas e progressivas do homem em relação à sua individualidade,

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