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Descrição do Processo com Fundamentação Teórica A intervenção em Orientação Vocacional e Profissional desenvolvida com a adolescente G.A., de 14 anos, alicerça-se na Estratégia Clínica de Bohoslavsky (1996) e na Psicologia Analítica de C. G. Jung (1981), abordagens que compreendem a escolha profissional como um fenômeno simbólico, identitário e relacional, e não apenas como uma decisão técnica ou racional. De acordo com Bohoslavsky (1996), o processo de orientação deve ser entendido como um espaço de escuta clínica que propicia ao orientando elaborar simbolicamente as múltiplas dimensões envolvidas na escolha profissional, desejos, identificações, influências familiares e condicionantes sociais. O autor enfatiza que a Estratégia Clínica não busca indicar profissões, mas criar condições para que o sujeito reconheça seu próprio modo de desejar e significar o trabalho, tomando consciência das forças que o movem e das resistências que o limitam. Assim, a intervenção parte do pressuposto de que o adolescente se encontra em processo de constituição identitária e de construção de sentido, características estruturantes da adolescência (BOHOSLAVSKY, 1996). Sob a ótica junguiana, a vocação é uma manifestação do Self, entendido como o centro organizador e totalidade da psique (JUNG, 1981). A escolha profissional, portanto, não se resume a uma decisão racional, mas representa um movimento de individuação, isto é, o processo de tornar-se aquilo que se é. A orientação profissional, inspirada nessa abordagem, busca favorecer o diálogo entre o consciente e o inconsciente, entre o eu social e os aspectos simbólicos e arquetípicos da personalidade. Para Jung (1981), esse processo requer que o indivíduo se aproxime de seus símbolos pessoais, reconhecendo imagens e narrativas que revelam o chamado interior uma forma de alinhar o fazer profissional com o sentido existencial. No caso de G.A., as atividades propostas como “Um objeto que me representa”, “Autorretrato vocacional: Eu no futuro”, e “Carta para mim mesma” funcionaram como mediadores simbólicos do autoconhecimento, permitindo que aspectos inconscientes se manifestassem por meio de imagens, emoções e metáforas. Ao escolher o voleibol como símbolo de si, por exemplo, a G.A., projetou na atividade o valor que atribui à pertencimento, esforço e reconhecimento, elementos centrais para sua identidade e construção vocacional. Segundo Amiralian (2003), os instrumentos expressivos na orientação vocacional possibilitam que o sujeito simbolize o vínculo entre o mundo interno e o mundo externo, traduzindo sentimentos e significados em formas visuais e narrativas. Conforme Lucchiari (1997), a escolha profissional deve ser compreendida como um processo de elaboração subjetiva, em que o indivíduo integra suas experiências passadas, seus vínculos afetivos e seus projetos futuros. Esse entendimento foi evidenciado quando G.A. relatou as emoções relacionadas à aprovação no clube de vôlei, momento que, além de simbolizar conquista, expressou a necessidade de validação familiar e social, dimensões afetivas fundamentais na adolescência. A emoção vivenciada nesse episódio reflete o que Jung denomina processo de amplificação simbólica, no qual um evento concreto adquire um significado psíquico ampliado, revelando conteúdo da jornada de individuação. Durante a entrevista semiestruturada, emergiram discursos marcados por ambivalências típicas do desenvolvimento adolescente: o desejo de autonomia coexistindo com a busca de aprovação paterna. Segundo Erikson (1968), essa tensão constitui o cerne da crise de identidade, em que o jovem precisa reconciliar as expectativas externas com suas inclinações internas. Em termos junguianos, trata-se do movimento entre persona (máscara social) e sombra (conteúdos não integrados da psique), um confronto essencial para o amadurecimento psíquico. A metodologia adotada, ao integrar elementos da Psicologia Analítica e da Estratégia Clínica, favoreceu uma escuta simbólica e empática, permitindo que a adolescente construísse sentidos sobre si e sobre o futuro. Conforme Spaccaquerche e Fortim (2022), a orientação profissional deve ser vista como uma intervenção reflexiva, dialógica e simbólica, que possibilita ao sujeito compreender suas motivações e posicionar-se frente às demandas do mundo contemporâneo. O papel do psicólogo, nesse contexto, é de facilitador da consciência vocacional, conduzindo o jovem a encontrar coerência entre seus valores, desejos e possibilidades. No processo com G.A., as atividades projetivas funcionaram como instrumentos de integração simbólica entre o eu real e o eu ideal. Ao desenhar a si mesma formada, ao lado das amigas, no autorretrato vocacional, a adolescente elaborou uma imagem de futuro pautada em pertencimento e reconhecimento, símbolos de individuação e de realização coletiva. Na “Carta para si mesma”, escrita no encerramento, observou-se uma elaboração madura de sentimentos e perspectivas, indicando reflexão sobre o sentido de ser e fazer, conforme propõe Frankl (1989) em sua logoterapia, ao defender que o ser humano só encontra plenitude quando descobre um propósito que transcende a si mesmo. Dessa forma, a metodologia proposta sustenta a noção de que a decisão profissional não é um ato puramente racional, mas um processo continuo de elaboração simbólica que envolve afetos, experiências e representações inconscientes. A escuta ativa e uso de recursos expressivos possibilitam o desenvolvimento da consciência vocacional e o fortalecimento da identidade em formação, consolidando a autonomia diante das transições da adolescência. ‘’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’’