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Artigo sobre linguística.
19 pág.

Linguística Universidade Federal do Rio de JaneiroUniversidade Federal do Rio de Janeiro

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## Resumo: A Checagem de Traços Formais e a Estrutura DP – Estudo Comparativo entre Português Brasileiro, Inglês e ItalianoEste trabalho, conduzido por Maria Fernanda Moreira Barbosa, tem como objetivo principal analisar a variação na marcação da concordância de número na relação entre determinante (D) e nome (N) dentro da estrutura do sintagma determinante (DP) em três línguas naturais: o português brasileiro (PB), o inglês e o italiano. Fundamentando-se na proposta de Magalhães (2004), que assume o número como um traço interpretável em D e não em N, o estudo busca identificar semelhanças e diferenças na manifestação morfológica e sintática da concordância de número nessas línguas, utilizando o modelo de checagem de traços do Programa Minimalista (PM) de Chomsky (1995, 1999, 2001).### Fundamentação Teórica: Evolução do Traço AGR e Checagem de TraçosA análise inicia-se com a evolução do conceito de traço de concordância (AGR) a partir da cisão do nó IP em TP (tempo) e AGRP (concordância), proposta por Pollock (1989). Pollock explica o movimento verbal em inglês e francês, relacionando a força do traço AGR à obrigatoriedade ou opcionalidade do movimento do verbo para a flexão. No francês, com AGR forte, todos os verbos movem-se para AGR, enquanto no inglês, com AGR fraco, apenas verbos auxiliares realizam esse movimento. Essa distinção reflete a riqueza morfológica da concordância em cada língua.Chomsky, no âmbito do Programa Minimalista, reformula a operação de movimento como um mecanismo para checar traços morfológicos, distinguindo traços interpretáveis (com significado semântico, presentes em categorias funcionais como T, C e D) e não interpretáveis (traços morfológicos sem valor semântico, como AGR). A operação Agree é central para a checagem desses traços, estabelecendo uma relação entre uma sonda (probe) com traços não interpretáveis e um alvo (goal) com traços interpretáveis, eliminando os traços não interpretáveis antes do Spell-out para evitar falhas na derivação (crash). Essa operação é aplicada tanto na sintaxe verbal quanto na nominal, especialmente na estrutura DP.No âmbito do DP, Abney (1987) introduz a hipótese do sintagma determinante, onde o determinante (D) é a cabeça funcional que seleciona o sintagma nominal (NP) como complemento, estabelecendo uma relação argumento-predicado análoga àquela entre sujeito e verbo. Essa estrutura permite explicar fenômenos como a concordância e a atribuição de caso no sintagma nominal, incluindo a posição do genitivo em inglês. A concordância dentro do DP, segundo Chomsky (1999), pode ocorrer via Agree (movimento e checagem de traços) ou via Concord (concordância in situ), embora Magalhães (2004) defenda que o mecanismo Agree é suficiente para explicar a concordância de número no DP.### Análise Comparativa da Concordância de Número em PB, Inglês e ItalianoNo português brasileiro, o núcleo do DP pode ser representado por artigos, pronomes demonstrativos, possessivos, numerais ou elementos nulos. A formação do plural é morfologicamente regular, com o arquifonema /S/ como pluralizador, cuja realização fonológica varia conforme processos fonológicos. A Gramática Tradicional (GT) prescreve a concordância nominal em gênero e número em todos os constituintes do sintagma nominal (SN). Contudo, na variedade não-padrão do PB, observa-se uma variação linguística onde a marca de plural aparece apenas no determinante, enquanto o nome e os demais elementos do SN não apresentam flexão de número, fenômeno amplamente documentado em estudos sociolinguísticos (Scherre, 1994). Exemplos como "As menina bonita" ilustram essa ausência de concordância plena.No inglês, a marcação de número não ocorre no determinante (artigos definidos e indefinidos), mas sim no nome, que carrega a flexão plural. Entretanto, demonstrativos como "these" e "those" ocupam a mesma posição estrutural dos artigos e apresentam marcação de número, indicando que o traço de número pode ser interpretável em D também nessa língua. Assim, a concordância de número em inglês se manifesta morfologicamente no nome e, em certos casos, no determinante (demonstrativos), mas não nos artigos.O italiano, por sua vez, apresenta uma concordância de número redundante e obrigatória em todos os constituintes do SN, incluindo determinantes, nomes e adjetivos, como em "Le belle ragazze". Essa redundância morfológica é semelhante à variedade padrão do PB, onde a concordância plena é a norma.### Aplicação do Modelo de Checagem de Traços e Considerações FinaisAdotando o modelo de checagem de traços de Magalhães (2004), que assume o traço de número como interpretável em D e não interpretável em N, o estudo explica as variações observadas nas línguas analisadas. No DP, o determinante (D) possui traços de gênero não interpretáveis que precisam ser valorados por um alvo próximo, o nome (N), que carrega traços interpretáveis de gênero e número. A operação Agree permite que D busque N para valorar seus traços, eliminando os traços não interpretáveis e garantindo a convergência da derivação.Nos dados do PB, na variedade não-padrão, o traço de número é valorado em N, mas não representado morfologicamente, manifestando-se apenas no determinante. Já na variedade padrão do PB e no italiano, o traço de número é representado morfologicamente tanto em D quanto em N, refletindo a concordância plena. No inglês, a representação morfológica do número ocorre no nome e, no caso dos demonstrativos, também no determinante, embora os artigos não apresentem essa marcação.O estudo conclui que o modelo de checagem de traços proposto por Magalhães (2004) é eficaz para explicar a concordância de número na estrutura DP nas três línguas, destacando as diferenças morfológicas e sintáticas entre elas. A peculiaridade do inglês reside na distinção entre artigos e demonstrativos na posição de D, o que influencia a manifestação da concordância de número. Por fim, o trabalho reforça a importância da distinção entre traços interpretáveis e não interpretáveis e a operação Agree para compreender a variação linguística na concordância nominal.---### Destaques- A concordância de número no DP é analisada sob a ótica da checagem de traços do Programa Minimalista, com foco na relação entre determinante (D) e nome (N).- Magalhães (2004) propõe que o traço de número é interpretável em D e não interpretável em N, o que explica variações morfológicas na concordância.- No português brasileiro, a variedade não-padrão apresenta plural apenas no determinante, enquanto a variedade padrão e o italiano exibem concordância plena em todos os constituintes do sintagma nominal.- No inglês, a marcação de número ocorre no nome, mas demonstrativos também apresentam traço de número em D, evidenciando uma particularidade estrutural.- A operação Agree é fundamental para a valorização e eliminação dos traços não interpretáveis, garantindo a convergência da derivação e explicando as diferenças e semelhanças entre as línguas estudadas.

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