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INTRODUÇÃO
Caro estudante,
Estamos iniciando nossa última unidade, desta vez com ênfase em direito contratual eletrônico, soluções
eletrônicas de con�itos, relações de consumo na sociedade da informação ou do direito cibernético e uma
breve introdução a alguns aspectos vinculados à relação entre o direito penal e o direito cibernético.
Ao longo da aula você analisará os aspectos dos contratos eletrônicos, focando sua formação, validade e
e�cácia. Terá a oportunidade de retomar um assunto que já vimos em outros momentos, a questão vinculada
ao Legal Design e ao Visual Law e a sua importância para a prática pro�ssional, especialmente quando
estiver analisando as relações contratuais eletrônicas e as relações de consumo no direito cibernético.
Você ainda terá a oportunidade de conhecer um pouco mais do conceito e aplicação de um contrato
inteligente, ou Smart Contract.
Vamos lá!
CONSIDERAÇÕES INICIAIS. DIREITO CONTRATUAL ELETRÔNICO
Você sabe o que é um contrato eletrônico? É um novo tipo contratual? É uma nova classi�cação?
Contrato eletrônico nada mais é do que uma forma de contratação. Todos os 20 tipos contratuais que você
estuda no Código Civil, além dos demais contratos típicos na legislação extravagante e os contratos atípicos,
em regra, podem ser �rmados em meio físico ou eletrônico.
Contratos de compra e venda, de prestação de serviços e de leasing, entre outros, não sofreram mudança em
sua classi�cação e natureza jurídica pelo simples fato de serem �rmados no meio eletrônico.
Com a Teoria Geral dos Contratos sabemos que o Brasil adotou como forma padrão de contratação a forma
livre. Ou seja, os contratos podem ser �rmados em meio físico (papel), em meio eletrônico, verbalmente etc. O
que diferencia uma forma da outra é sua força probante. O contrato somente deverá seguir forma expressa
quando a lei determinar ou quando as partes assim de�nirem (artigos 108 e 109 do Código Civil).
Propusemos um conceito próprio aos contratos eletrônicos, como segue:
Para visualizar o objeto, acesse seu material digital.
Aula 1
DIREITO CONTRATUAL ELETRÔNICO
Você analisará os aspectos dos contratos eletrônicos, focando sua formação, validade e e�cácia.
32 minutos
DO DIREITO CONTRATUAL ELETRÔNICO ÀS RELAÇÕES
CONSUMERISTAS
 Aula 1 - Direito Contratual Eletrônico
 Aula 2 - Relações consumeristas na era digital
 Aula 3 - Cenário Penal Cibernético
 Aula 4 - Soluções alternativas de con�itos. Relações jurídicas dos gamers
 Referências
143 minutos
Assim, contrato eletrônico é uma forma de contratação que utiliza ferramentas eletrônicas para sua
formação, validade e e�cácia.
Os contratos eletrônicos são divididos em quatro categorias: (i) interpessoais; (ii) interativos; (iii)
intersistêmicos; e, (iv) Smart Contracts.
Os contratos interpessoais, como o nome já indica, são contratos �rmados entre duas ou mais pessoas
diretamente, utilizando uma ferramenta eletrônica como meio de contratação, como ocorre com os contratos
�rmados por e-mail ou pelas mensagerias eletrônicas do tipo WhatsApp, Messenger, Signal e similares.
Contratos interativos são formados pela interatividade de uma pessoa com um software ou um
computador/máquina. É o que ocorre com a contratação por um portal de e-commerce ou ainda com uma
vending machine (máquinas de vendas automatizadas para diversos produtos, como bebidas, comidas, livros
e �ores).
Já os contratos intersistêmicos são relações jurídicas �rmadas entre pessoas, porém automatizadas; sua
execução é automatizada e programada em linguagem de computador para ser realizada toda vez que
determinado evento ocorrer. É o exemplo da situação de reposição de estoques em redes de distribuição. Toda
vez que o estoque atinge determinado nível, é enviada uma ordem automática e sistêmica para o produtor,
realizando uma operação de compra e venda para a reposição do estoque. Com a entrada do produto no
estoque, é liberado o pagamento ao produtor. Tudo se dá de forma automatizada e sem intervenção humana.
Finalmente, os Smart Contracts são contratos mistos na sua forma, isto é, entendemos que tal modalidade de
contratação pode ser denominada como de característica mista entre os contratos intersistêmicos e os
contratos interativos (REBOUÇAS, 2018).
CONTRATAÇÃO ELETRÔNICA E SMART CONTRACTS
Você sabe o que é um Smart Contract, ou contrato inteligente?
Conforme você viu no primeiro bloco, os contratos eletrônicos são divididos em quatro categorias: (i)
interpessoais; (ii) interativos; (iii) intersistêmicos; (iv) Smart Contracts.
Neste bloco você entenderá mais especi�camente o conceito de Smart Contracts que muito tem sido debatido
no direito cibernético e no mundo, especialmente a partir das redes distribuídas, tal como se dá com a rede
blockchain. De acordo com Rebouças (2018),
Correia (2017) de�ne essa modalidade de contrato da seguinte maneira:
[…] o contrato eletrônico deve ser conceituado como o negócio jurídico contratual
realizado pela manifestação de vontade, das posições jurídicas ativa e passiva,
expressada por meio (= forma) eletrônico no momento de sua formação. Portanto, a
manifestação de vontade por meio eletrônico sobrepõe a sua instrumentalização, de
maneira que não é uma nova categoria contratual, mas sim, forma de contratação por
manifestação da vontade expressada pelo meio eletrônico. 
— (REBOUÇAS, 2018, p. 28)
Os Smart Contracts são caracterizados por uma prévia programação de dados,
atualmente utilizando linguagens de programação que possam garantir a
inviolabilidade por um sistema de criptogra�a e veri�cação pública, tal como se dá
com o Blockchain […].
— (REBOUÇAS, 2018, [s. p.])
[…] tecnologia descentralizada de registro de dados […] atualmente considerada com
uma das tecnologias mais promissoras no sector �nanceiro, sendo habitualmente
sublinhada a possibilidade de viabilizar alterações muito consideráveis nas
estruturas, métodos operacionais e até modelos de negócio existentes.
— (CORREIA, 2017, p. 69)
Embora o contrato inteligente – Smart Contract – ganhe maior relevância em redes distribuídas, o fato é que,
pelo seu conceito e no nosso entendimento, para a sua caracterização, basta que se tenha um contrato ou
parte dele, como se dá com as cláusulas de garantia obrigacional, para que seja convertido em linguagem de
programação universal (linguagem de máquina) e passe a ser autoexecutável sem a intervenção humana.
Assim é possível termos um Smart Contract em qualquer linguagem de programação e em qualquer
plataforma.
Por qual motivo o Smart Contract ganha maior relevância com a rede distribuída?
Sem dúvida as redes distribuídas no padrão blockchain e seus equivalentes representam uma evolução para
a aplicação dos Smart Contracts, uma vez que nestas redes é possível contar com a segurança fática e jurídica
de imutabilidade dos registros de transações comerciais e relações jurídicas, além da certi�cação garantida
pela rede. Somado a este fator que já é extremamente relevante, as redes distribuídas permitem a utilização
de meios de pagamentos diversos, muito além do dinheiro tradicionalmente conhecido.
Em uma rede distribuída, as transações comerciais e negócios jurídicos poderão ter o pagamento feito por
meio de criptomoedas, NFTs e diversas outras formas de monetização de bens e direitos materiais ou
imateriais, ou, ainda, com bens e direitos materiais e imateriais do universo físico ou do universo digital
(FiGital).
A IMPORTÂNCIA DO LEGAL DESIGN E VISUAL LAW ÀS RELAÇÕES CONTRATUAIS
ELETRÔNICAS
Você sabe o que são Legal Design e Visual Law?
Legal Design e Visual Law são técnicas utilizadas para melhorar a experiência do usuário com os serviços
jurídicos, com ênfase na experiência do usuário, afastando os jargões da área e simpli�cando a linguagem,
porém, sem abrir mão da técnica jurídica.
O Legal Design é gênero do qual o Visual Law é espécie.
Pelo Legal Design deve-se analisar toda a jornada do destinatário do futuro documento jurídico. Ou seja, pela
empatiacom o destinatário �nal, entende-se toda a jornada e como esta jornada por ser aperfeiçoada para a
melhor compreensão do documento jurídico, seja um contrato, uma correspondência, uma opinião legal, um
parecer ou peças de um processo.
Podem ser utilizadas, no Legal Design, as mais diversas técnicas, como design thinking, ciência de dados e
jurimetria, entre outras.
Já o Visual Law tem por foco a melhor compreensão do documento �nal (petição, contrato, procuração etc.).
Podem ser utilizadas técnicas que vão desde um texto mais claro e direto, até a utilização de imagens,
grá�cos, desenhos, elementos de design e estética, com o propósito de simpli�car a comunicação e elevar a
possibilidade de que o documento seja lido e entendido por seus destinatários.
Qual é a relação entre Legal Design, Visual Law e contratação por meio eletrônico?
Quando pensamos em um contrato eletrônico, a maioria dos pro�ssionais do direito simplesmente faz uma
transposição do documento físico para o documento eletrônico, e segue elaborando documentos formatados
em blocos de texto.
O meio eletrônico viabiliza a utilização de inúmeros recursos e elementos estéticos, áudio e visuais. É possível
trabalharmos mais facilmente com cores, elementos de design e mesmo com vídeos.
O pro�ssional do direito deve utilizar tais soluções tecnológicas com parcimônia e bom senso, com o
propósito de melhorar o processo comunicacional.
No entanto, sempre que possível, é recomendado que o trabalho �nal seja realizado em conjunto com um
especialista em design.
A única certeza que temos é que o presente tema deverá sempre ser atualizado e
estará em contínua e ininterrupta evolução. Conforme sustentam os estudiosos de
tecnologia, a civilização ainda não consegue identi�car todas as novidades que serão
vivenciadas nos próximos anos, chegando a realizar a seguinte comparação: a atual
Revolução Tecnológica vivenciada neste início do século XXI, pode ser comparada
com a primeira fase da Revolução Industrial e suas máquinas à vapor d´água. Ainda
estamos por ver o futuro que nos aguarda, tal como representou os avanços obtidos
com a chegada da energia elétrica durante a Revolução Industrial. Ainda temos muito
para vivenciar e ser surpreendido com a Revolução Tecnológica.
— (REBOUÇAS, 2018)
Igualmente importante é iniciar a utilização de qualquer trabalho de Visual Law com a clara e precisa
compreensão do motivo. Deve-se perguntar o que se deseja comunicar e para qual objetivo. Não se utiliza do
Visual Law só por modismo ou por estética. A estética, neste caso, não é uma razão em si mesma; o objetivo é
a melhoria do processo comunicacional.
Se estamos utilizando uma plataforma eletrônica para a celebração de contratos igualmente eletrônicos, é
possível se valer da tecnologia em nosso favor e bene�ciar o cliente �nal
VÍDEO RESUMO
Caro estudante, bem-vindo à Unidade 4 e à Aula 13 da disciplina Direito Cibernético.
Ao longo desta videoaula você compreenderá os conceitos, a formação e a validade dos contratos eletrônicos,
suas características e e�cácia, além de saber mais a respeito do conceito e aplicação dos chamados contratos
inteligentes (Smart Contracts).
Conforme regra geral do direito contratual brasileiro, os contratos podem ser formados e são válidos pela
forma livre, ou seja, podem ser verbais ou escritos, físicos ou eletrônicos. Somente será necessária uma forma
especial quando a lei determinar ou quando as partes assim pactuarem.
Você também analisará os conceitos e aplicação de Legal Design e Visual Law e em que medida estas técnicas
têm mais relevância nos ambientes de contratação eletrônica do direito cibernético.
Aproveite!
 Saiba mais
Recomendamos o artigo “Contratos Eletrônicos e sua Força Executiva” publicado na Revista Cientí�ca
Virtual da Escola Superior da Advocacia, nº 35, de 2020 (Direito, Inovação e Tecnologia: desa�os da
economia 4.0).
Também indicamos o livro Contratos Eletrônicos: forma e validade – aspectos práticos, de Rodrigo R.
Rebouças, disponível na base eletrônica da Minha Biblioteca.
Em ambos os textos você terá a oportunidade de observar aspectos práticos e com sólida fundamentação
legal e jurisprudencial acerca da formação, validade e e�cácia dos contratos eletrônicos, além de temas
como blockchain e Smart Contracts.
INTRODUÇÃO
Nesta aula vamos debater a temática transversal do direito cibernético que envolve uma grande gama de
relações jurídicas pelo mundo todo: as relações de consumo.
O direito do consumidor é um direito relacional, principiológico e protetivo do sujeito de direito – no caso, o
consumidor – e as relações de consumo.
Muito se debate quanto às relações de consumo e o direito cibernético, especialmente em relação à
atualização das normas do Código de Defesa do Consumidor à realidade do direito cibernético, já que,
conforme vimos no decorrer de nossas aulas, a internet em escala comercial no Brasil, isto é, acessível ao
cidadão comum, iniciou entre os anos de 1995 e 1996. Já o Código de Defesa do Consumidor (CDC) é um
microssistema previsto originalmente na nossa Constituição Federal de 1988 e materializado em 1990 pela Lei
nº 8.078/1990.
Considerando que o CDC é anterior à realidade da internet, estaria este sistema preparado para esta nova
realidade social? O consumidor efetivamente detém a respectiva proteção? Há uma premente necessidade de
atualização do sistema legal?
Essas e muitas outras questões serão tratadas ao longo da nossa aula. Vamos lá!
RELAÇÕES CONSUMERISTAS NA ERA DIGITAL
Aula 2
RELAÇÕES CONSUMERISTAS NA ERA DIGITAL
Nesta aula vamos debater a temática transversal do direito cibernético que envolve uma
grande gama de relações jurídicas pelo mundo todo: as relações de consumo.
33 minutos
https://issuu.com/esa_oabsp/docs/revista_completa
Ao longo das duas primeiras décadas do século XXI, podemos veri�car uma grande mudança na forma como
as pessoas se relacionam com a questão de consumo. Aos poucos o movimento conhecido como “uberização”
ou economia compartilhada foi tomando forma e tornando-se de uso comum de todos.
A economia compartilhada mudou a nossa cultura em relação à forma do consumo. Estamos, como
sociedade, substituindo a constante aquisição de produtos (sociedade de consumo) por uma nova realidade
de utilização de serviços.
Os aplicativos de mobilidade, especialmente nos grandes centros, representam a substituição de um serviço
caro e restrito de táxi por um serviço mais acessível e ilimitado de aplicativo de mobilidade. Com isso, é
possível constatar pessoas que não têm mais um automóvel, e que optaram por usar um carro compartilhado.
Ao mesmo tempo, isso signi�ca que a indústria automotiva não voltará a vender tantos automóveis como
vendia antes, uma vez que grande parte da frota será destinada ao uso compartilhado.
No mesmo sentido são os serviços de entregas por aplicativos que mudou por completo o segmento de
motoboy ou moto-frete, cozinhas compartilhadas (dark kitchens), escritórios compartilhados, hospedagem
compartilhada, residência compartilhada e muito mais.
O movimento da economia compartilhada mudou por completo a forma de consumo de produtos, resultando
no crescimento exponencial do consumo de serviços e serviços compartilhados. Esta é uma das grandes
novas realidades das relações de consumo impactadas pela inovação tecnológica e com re�exos no direito
cibernético.
Outro movimento que podemos veri�car é o próprio comércio eletrônico, o chamado e-commerce, que
representa uma substituição da forma de aquisição de produtos e serviços, reduzindo o consumo no comércio
físico de lojas em centros comerciais, ruas e shopping centers. Este movimento vem tomando maior
relevância com a entrada de grandes plataformas internacionais e até mesmo como efeito da pandemia da
covid-19.
Uma relação de consumo vai muito além da simples compra e venda de um produto, apesar de essa
abrangência não ser tão perceptível. A era digital está cada vez mais veloz e interativa, mudando a vida dosconsumidores. Nela nos posicionamos acerca de nossas escolhas, gostos e opiniões, e com isso deixamos
rastros digitais armazenados em forma de cookies, fazendo com que a empresa que estamos pesquisando nos
conheça melhor. E nesse ritmo as empresas passam a nos conhecer melhor, relacionando de maneira mais
assertiva por meio do data mining, que é o processo de mineração de dados.
Segundo Domingues (2019),
Já Carvalho (2018), avalia que 
A era digital exige propositividade e capacidade constante de inovação nos negócios,
aproveitando e potencializando todas as oportunidades que surgem dessas novas
relações de consumo em articulação com as novas tecnologias. Ser uma empresa
propositiva no mundo digital é ser capaz de antever mudanças, predizer
comportamentos e ofertar soluções que favoreçam e facilitem cada vez mais a vida
dos seus públicos. 
— (DOMINGUES, 2019, [s. p.])
A autora canadense Naomi Klein (2009) destaca que a globalização econômica
contribuiu para a formação de militantes investigativos tão globalizados e high-tech
quanto as empresas que eles investigam. 
— (DOMINGUES, 2019, [s. p.])
O lado do consumidor tem sido o mais frágil, mas o direito do consumidor, como
qualquer outra área do Direito, não para. Cresce em possibilidades, recua, avança,
novos produtos, novos serviços, novas (e até inimagináveis) formas de consumir. Com
esse vasto material e apoio da diretoria dou prosseguimento a garantia de inclusão do
direito do consumidor na política e na sociedade brasileira, pois o conhecimento é a
chave da liberdade e independência de um povo. 
— (CARVALHO, 2018, [s. p.])
ELEMENTOS DA RELAÇÃO DE CONSUMO
Como caracterizar uma relação de consumo?
O Código de Defesa do Consumidor traz quatro de�nições de consumidor, uma de�nição de consumidor
direto e três outras, por equiparação.
Encontramos essas de�nições no artigo 2º caput, artigo 2º parágrafo único, e artigos 17 e 29. O parágrafo
único do artigo 2º cria a �gura dos direitos metaindividuais, proporcionando a utilização das ações coletivas
para a proteção e defesa dos direitos dos consumidores. Já o artigo 17 aborda a situação de equiparação pelas
vítimas do fato do serviço ou produto, basicamente os acidentes de consumo, e o artigo 29 trata da
equiparação contra práticas publicitárias e comerciais abusivas. Apenas o artigo 2º caput apresenta a
de�nição direta da relação de consumo.
Mesmo neste artigo 2º ainda temos pelo menos três teorias para a de�nição do que é um consumidor. São
elas:
• Teoria maximalista: será considerado o destinatário �nal de um produto ou serviço o simples fato da
retirada (aquisição, serviço ou locação) de um produto ou serviço do comércio sem o propósito de revenda
direta.
• Teoria �nalista: será considerado o destinatário �nal de um produto ou serviço quem o retira do comércio,
porém, para uso próprio e sem a intenção de lucro, de forma direta ou indireta. Ou seja, o produto ou serviço
não é implementado em seu processo econômico. Somente nesta hipótese (ausência de interesse econômico-
lucro), será considerada uma relação de consumo.
• Teoria �nalista mitigada ou aprofundada: segue a mesma de�nição da teoria �nalista, porém, identi�cada
qualquer hipótese de vulnerabilidade do consumidor, haverá a incidência do CDC.
Para que haja uma relação de consumo, é necessário a coexistência de três �guras: um consumidor, um
fornecedor e um produto ou serviço. A ligação de uns aos outros, formando um tripé, caracterizará a relação
de consumo e, portanto, a incidência das normas do Código de Defesa do Consumidor, devendo então todas as
relações de consumo observarem a legislação pertinente. Conforme o aumento de demandas por mercadorias
e serviços, tornou-se necessário entender como realmente funcionam essas interações.
Quais os elementos da relação de consumo?
1. Consumidor: Código de Defesa do Consumidor (BRASIL, 1990, [s. p.]).
•  Art. 2º, caput, do CDC: “consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou
serviço como destinatário �nal”.
•  Art. 2º, parágrafo único, CDC, traz o conceito de consumidor por equiparação: “a coletividade de pessoas,
ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas relações de consumo”.
•  Art. 17, CDC, prevê a hipótese de consumidor por equiparação nas situações de vítimas de um fato do
produto ou serviço: são os chamados acidentes de consumo. “Para os efeitos desta Seção, equiparam-se aos
consumidores todas as vítimas do evento. ”
•  Art. 29 do CDC: todas as pessoas determináveis ou não, expostas às práticas de comércio e, obviamente,
fazem jus à proteção do contrato.
2.  Fornecedor: prevista no Código de Defesa do Consumidor Art. 3º, caput.
•  Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes
despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção, montagem, criação, construção, transformação,
importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços.
3.  Produto ou serviço: qualquer bem na relação de consumo é um produto. Art. 3º, § 1º, do CDC (BRASIL,
1990, [s. p.]: 
•  “Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial.”
O CDC traz a de�nição de cada um desses elementos e, no capítulo II, ainda explica a
Política Nacional de Relações de Consumo […] o art. 2º explica que se trata de “toda
pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário
�nal”. 
— (SEU DIREITO PROTESTE, 2021, [s. p.])
Código de Defesa do Consumidor, no art. 3º, § 2º: “Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de
consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, �nanceira, de crédito e securitária,
salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista”.
Para melhor entender quais são os elementos da relação de consumo, segue entendimento dado por Cláudio
Bonatto (2004, p. 19)
PERSPECTIVAS DE DIREITOS NO E-COMMERCE
O e-commerce é uma modalidade de negócio em que as transações comerciais são feitas totalmente on-line,
baseado na divulgação e promoção de seus produtos ou serviços por meio de portais com tal objetivo.
Podemos veri�car a oferta por meio eletrônico dos mais variados produtos ou serviços, que vão desde
compras de alimentos, vestuário e livros até a oferta de serviços de treinamentos, dos mais variados. 
O mercado de e-commerce cresce exponencialmente em todo o mundo, com maior destaque a partir da
pandemia da covid-19, quando seu crescimento superou toda e qualquer expectativa. Em interessante
monitoramento do que acontece na internet a cada 60 segundos (levantamento mundial), podemos identi�car
que a venda por e-commerce em 2020 representava mais de 1,1 milhões de dólares norte-americanos, e em
2021, esse valor saltou para mais de 1,6 milhões de dólares norte-americanos. Veja:
Figura 1 |Comparativo do uso da internet
Fonte: Austin (2021, [s. p.]).
Esse comparativo entre os movimentos veri�cados nos anos 2020 e 2021. Observe, por exemplo, a informação
constante na parte verde escuro, com a representação ilustrada de um carrinho de supermercado: temos os
valores gastos no comércio eletrônico entre os anos de 2020 e 2021, sendo: 2020 = 1,1 milhão de dólares Norte
Americanos; e, 2021 = 1,6 milhão de dólares Norte Americanos.
São elementos da relação de consumo, segundo o Estatuto Protetivo: a) como sujeitos:
o consumidor e o fornecedor; b) como objeto: produto ou serviço; c) como �nalidade,
caracterizando-se como elemento teleológico das relações de consumo: a aquisição ou
a utilização do produto ou serviço, por parte do consumidor, como destinatário �nal.
Em 2011, o montante faturado com o e-commerce, no Brasil, atingiu 18,7 bilhões de
reais, um aumento de 26% em relação ao faturamento do ano anterior.” […] Ao
contrário do que muita gente pensa, um negócio na Internet não é juridicamente
diferente de um negócio tradicional. Você terá de abrir uma empresa legalmente
constituída, terá de contratar um contador para elaboraras demonstrações contábeis
exigidas e deverá pagar os tributos decorrentes dessa atividade comercial. Exceções
temporárias a essa regra são os sites de conteúdo que não vendem mercadorias,
apenas oferecem um conteúdo quali�cado em determinado assunto, geram um
grande volume de tráfego e buscam receitas advindas de anúncios e comissões sobre
indicações. Um segmento que, aliás, está se tornando cada vez mais atrativo.
— (FELIPINI, 2012, p. 7 e 8)
Os elementos de uma relação de consumo virtual são os mesmos da relação de consumo, entretanto o
contrato e a sua formação são realizados eletronicamente. Nesse sentido, o comércio virtual não altera o
consumidor e fornecedor, e sim o meio da contratação, sendo aplicável o Código de Defesa do Consumidor.
Por este motivo entendemos que o Código de Defesa do Consumidor segue sendo plenamente aplicável às
relações de consumo, sem a necessidade de sua atualização, uma vez que seu sistema é principiológico,
portanto, �exível e adaptável às novas realidades da economia compartilhada e do direito cibernético.
No entanto, devemos observar posicionamentos contrários à nossa opinião: de acordo com a Comissão jurista
do Anteprojeto de atualização do Código de Defesa do Consumidor:
VÍDEO RESUMO
Nesta videoaula você terá a oportunidade de conhecer melhor as relações jurídicas de consumo e o seu
vínculo e desa�os com o direito cibernético. 
Você poderá re�etir acerca da necessidade ou não de atualização do Código de Defesa do Consumidor para a
nova forma das relações jurídicas de consumo na sociedade da informação, uma vez que, entre a publicação
do Código de Defesa do Consumidor em 1990 e a atual realidade das relações de consumo neste primeiro
quarto do século XXI muita coisa mudou. A internet não era uma realidade e muito menos o meio para a
forma de consumo por plataformas de e-commerce, ou da economia compartilhada por meio do consumo de
produtos e serviços por aplicativos. 
Para iniciar nossa jornada, veri�caremos os conceitos de consumidor e a caracterização de uma relação de
consumo, para depois enfrentar os desa�os de sua aplicação no direito cibernético.
Aproveite!
 Saiba mais
Indicamos a leitura e estudo do seguinte artigo disponível na base eletrônica da RT Online, acessível pela
Biblioteca Digital:
MIRAGEM, B. Novo paradigma tecnológico, mercado de consumo digital e o direito do consumidor.
Revista de Direito do Consumidor, v. 125, p. 17-62, set.-out. 2019, DTR\2019\40949.
No artigo em análise, você verá os desa�os da aplicação do Código de Defesa do Consumidor à realidade
dos avanços tecnológicos e o posicionamento do seu autor em relação a alguns dos pontos que entende
que sejam necessários de uma atualização do sistema legislativo. É uma excelente oportunidade para
aprofundar os seus conhecimentos e, principalmente, uma re�exão crítica dos pontos destacados pelo
autor.
[…] As normas projetadas visam a preparar o mercado e a sociedade brasileira para a
evolução tecnológica dos próximos anos, respeitando as condições estruturais e
culturais brasileiras. Reforçam, a exemplo do que já foi feito na Europa, os direitos de
informação, transparência, lealdade, cooperação e segurança nas relações do
comércio eletrônico, complementando as normas já trazidas pelo Código Civil de
2002, doravante reforçadas para a proteção dos consumidores. A proposta atualiza as
normas já existentes no CDC, em matéria de oferta, assegurando maior informação,
acesso e possibilidade de perenização das manifestações e dos contratos eletrônicos
realizados com consumidores. Lista novas práticas abusivas já existentes no mercado,
consolidando o direito de arrependimento nesses contratos, assim como regula e
facilita a possibilidade de reti�cação de erros na contratação. Trata, igualmente, de
temas conexos, como os contratos coligados de crédito e o pagamento pelo produto ou
serviço fornecido a distância; a proteção dos dados do consumidor e de sua
privacidade, instituindo e reforçando a possibilidade de o consumidor optar por não
receber spam e telemarketing. A evolução do uso comercial da internet, se, por um
lado, traz inúmeros benefícios, por outro, amplia a vulnerabilidade do consumidor.
Assim, é essencial que se cumpra o comando constitucional do art. 5º, XXXII, e do art.
170, V, da Constituição Federal, e se criem regras que, efetivamente, ampliem a sua
proteção no comércio eletrônico, a �m de que a evolução tecnológica alcance os
objetivos que todos desejam: o desenvolvimento social e econômico e o
aperfeiçoamento das relações de consumo. 
— (Anteprojeto de Atualização do Código de Defesa do Consumidor [s.d.])
https://revistadedireitodoconsumidor.emnuvens.com.br/rdc/article/view/1243
INTRODUÇÃO
Nesta aula você conhecerá alguns aspectos do direito criminal derivado das relações cibernéticas.
Toda evolução tecnológica ao longo da história resulta em novas realidades, novos negócios jurídicos, novas
atitudes e novas práticas realizadas pela sociedade.
Sob a ótica jurídica, conforme é veri�cado pela teoria tridimensional do direito (fato, valor e norma), novos
fatos sociais em cada momento da história geram novos comportamentos sociais que podem ou não ser
aceitos pela sociedade conforme valores reconhecidos naquele momento histórico e cultural. Com base nos
valores reconhecidos pela sociedade haverá a incidência da norma, seja para aceitar novos fatos sociais ou
para refutá-los.
É exatamente este movimento que veri�camos em relação aos potenciais crimes cibernéticos. Se pensarmos
em um ataque hacker, antes da internet tal delito somente era viável pelo ataque interno dentro de cada
empresa, já que os computadores não eram interligados pela internet. Ou, ainda, práticas como o
cyberbullying e o stalking somente passaram a existir a partir da popularização da internet, especialmente
com sua disseminação por aplicativos e telefones celulares.
Essas práticas, por não serem aceitas socialmente, merecem a atenção do direito.
CENÁRIO CIBERNÉTICO: QUESTÕES CRIMINAIS
Você certamente já ouviu a história de alguma personalidade pública que teve fotogra�as íntimas divulgadas
indevidamente na internet, seja por um aproveitador ou por alguém buscando difamar a personalidade pelos
mais variados motivos.
Também há as situações de empresas e pessoas que sofreram ataques de hackers com invasão de sistemas
e/ou ataques de ransomware com o sequestro de dados e informações de uma empresa, de um Estado ou de
um órgão estatal.
Estas práticas delitivas não eram reconhecidas pelo direito como fatos típicos penais, uma vez que a norma
não tinha a previsão de algo que até então não existia no mundo fático.
Isso leva a uma necessidade de adaptação dos sistemas penais às novas realidades.
O desenvolvimento da tecnologia é ágil, e a dependência da tecnologia pelas pessoas alcançou a sociedade
moderna em diversas áreas. Consequentemente há pessoas mal-intencionadas, que exploram essa
vulnerabilidade das ferramentas com malware, ransomware, spyware. “O tratado do conselho europeu sobre
crime cibernético usa o termo “cibercrime” para de�nir delitos que vão desde atividades criminosas contra
dados até infrações de conteúdo e de copyright” (KRONE, 2005).
De acordo com Canongia e Junior (2009), é marcante a presença da alta tecnologia atrelada a constantes
inovações com o domínio das empresas de países desenvolvidos. Esta convergência tecnológica vem nos
bombardeando com novidades inimagináveis, como o acesso à internet pelo celular, permitindo envio de e-
mails e realização de transações �nanceiras, além de múltiplas aplicações, serviços e negócios que as TICs
vêm proporcionando, e que são crescentes mundialmente.
Uma pesquisa da Norton Cyber Security Insights Repor apresenta alguns resultados realizando comparações
referente ao impacto dos crimes virtuais do Brasil com outros 21 países:
Principais resultados Brasil Global (21 países)
Usuários afetados pelo cibercrime em 2016 42,4 milhões (39%) 389,4 milhões (31%)
Prejuízo�nanceiro gerado pelo cibercrime em 2016 US$ 10,3 bilhões  US$ 125,9 milhões
Tempo gasto lidando com consequências do
cibercrime em 2016
16,9 horas 19,7 horas
Aula 3
CENÁRIO PENAL CIBERNÉTICO
Nesta aula você conhecerá alguns aspectos do direito criminal derivado das relações
cibernéticas.
36 minutos
Principais resultados Brasil Global (21 países)
Cibercrime mais comum Roubo de dispositivo
móvel: 25%
Senha comprometida:
18%
Entrevistados capazes de detectar corretamente os
e-mails de pishing
68% 72%
Entrevistados capazes de avaliar se a rede wi-� é
segura
59% 48%
Fonte: Cyber Security Insigths Report Brasil (2016).
Sob a ótica de crimes cibernéticos à pessoa, especialmente quanto à divulgação sem autorização de imagens
íntimas, foi editada a Lei nº 12.737/2012 conhecida como Lei Carolina Dieckmann (BRASIL, 2012, [s. d.]):
Antes do ano de 2012, sem uma legislação especí�ca era mais difícil apurar e punir os chamados crimes
cibernéticos em relação à divulgação de imagens e informações íntimas de pessoas, assim como a
identi�cação dos sujeitos e dos meios de obter as provas para a condenação. Nesse sentido, para Silveira
(2015) é importante destacar o Art. 154-A do Código Penal, que trouxe para o ordenamento jurídico o crime de
“Invasão de Dispositivo Informático”, consistente na conduta de
A pena prevista para o crime simples é de detenção de três meses a um ano e multa, havendo, entretanto, a
previsão das formas quali�cadas e causas de aumento de pena.
DELITOS: CRIMES PRATICADOS POR MEIO ELETRÔNICO, A CRIANÇA E O
ADOLESCENTE NO MEIO DIGITAL – CYBERBULLYING E STALKING
Sob a ótica da criança e do adolescente, desde a promulgação da Constituição Federal de 1988 e
posteriormente do Estatuto da Criança e do Adolescente, todo o sistema legal passou a tratar com mais
cautela das relações jurídicas que envolvam tais pessoas (crianças e adolescentes), considerados
presumivelmente vulneráveis.
Diante de tal realidade, toda a matéria que trata de práticas comerciais e publicitárias em qualquer veículo de
comunicação – incluindo a internet – não pode resultar em práticas abusivas e/ou ofensivas à criança e ao
adolescente, resultando em responsabilidade civil, administrativa e criminal de seus infratores. Neste sentido
não vemos qualquer di�culdade em investigar e punir criminalmente quem realizar tais práticas comerciais
abusivas.
No mesmo sentido são os crimes contra o direito de personalidade, intimidade e sexualidade de uma criança
e/ou adolescente, os quais encontram a respectiva previsão no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA, Lei
nº 8.069/1990), em seus artigos 240 e 241-E, os quais preveem, entre outros, crime de produção de pornogra�a
infantil; crime de venda de pornogra�a infantil; crime de divulgação de pornogra�a infantil; crime de posse
de pornogra�a infantil; crime de montagem de pornogra�a infantil; e crime de aliciamento de criança, entre
outros.
Art. 154-A. Invadir dispositivo informático alheio, conectado ou não à rede de
computadores, mediante violação indevida de mecanismo de segurança e com o �m
de obter, adulterar ou destruir dados ou informações sem autorização expressa ou
tácita do titular do dispositivo ou instalar vulnerabilidades para obter vantagem
ilícita.
Ação penal – detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa.
[…] invadir dispositivo informático alheio, conectado ou não à rede de computadores,
mediante violação indevida de mecanismo de segurança e com �m de obter, adulterar
ou destruir dados ou informações sem autorização expressa ou tácita do titular do
dispositivo ou instalar vulnerabilidades para obter vantagem ilícita. 
— (SILVEIRA, 2015, [s. p.]).
O bullying é uma forma de agressão física, verbal e psicológica de forma contínua, com ataques a um
indivíduo com base em sua aparência ou comportamento. O cyberbullying é a extensão da prática ao plano
virtual.
Ações que são consideradas cyberbullying são:
• Exposição de fotogra�as ou montagens constrangedoras.
• Divulgação de fotogra�as íntimas.
• Críticas à aparência física, à opinião e ao comportamento social de indivíduos repetitivamente.
Temos no cyberbullying alguns conceitos para nomear determinadas práticas:
• Hater: seria aquele que odeia, pessoas que atacam com ofensas.
• Sexting: consiste na prática de trocar mensagens de cunho sexual.
• Revenge porn: de acordo com sua expressão – vingança pornográ�ca –, é o ato de divulgar imagens eróticas
e de nudez de outra pessoa, como forma de vingança e punição.
Cyberbullying e a lei
A prática é passível de punição por meio do Código Penal, veja alguns exemplos:
• Artigo 140, §3º do Código Penal Brasileiro: crime de injúria racial.
• Artigo 216-B do Código Penal Brasileiro: exposição de imagens de conteúdo íntimo, erótico ou sexual.
• Artigo 218-C do Código Penal Brasileiro incluído pela Lei nº 13.718, de 2018: crime de divulgação de cena de
estupro ou de cena de estupro de vulnerável, de cena de sexo ou de pornogra�a.
Pesquisa conduzida pela Intel Security entrevistou 507 crianças e adolescentes com idades que variam entre
8 e 16 anos e revelou os seguintes dados sobre o cyberbullying no Brasil (CANALTECH, 2015, [s. p.]):
• 66% dos entrevistados presenciaram casos de agressão na internet;
• 21% a�rmam ter sofrido cyberbullying;
• 24% realizaram atividades consideradas cyberbullying. Desse grupo:
- 14% admitiram falar mal de uma pessoa para outra;
- 13% a�rmaram zombar de alguém por sua aparência;
- 7% marcaram alguém em fotos vexatórias;
- 3% ameaçaram alguém;
- 3% alguém de por conta de sua sexualidade;
- 2% postaram intencionalmente eventos em que um colega foi excluído para ele ver que foi excluído.
Stalking é um termo que signi�ca perseguição obsessiva ou incessante, e tornou-se crime pela Lei nº
14.132/21, de 31 de março de 2021.
A deputada Sheridan (PSDB/RR) destaca que esse delito causa inúmeros transtornos à vítima, que passa a ter
a vida controlada pelo delinquente, vivendo com medo de todas as pessoas em todos os lugares que
frequenta, o que caracteriza um verdadeiro tormento psicológico.[1]
 [1] Câmara Federal. Notícias. Disponível em: https://www.camara.leg.br/noticias/714712-CAMARA-APROVA-
CRIMINALIZACAO-DA-PERSEGUICAO-OBSESSIVA-OU-STALKING Acesso em 09.dez.2022
As atitudes de um stalker podem envolver, ligações telefônicas, mensagens, e-mails, comentários nas redes
sociais, além de frequentar os mesmos lugares que a vítima frequenta. O crime é caracterizado pelo fato de
ser repetitivo, obsessivo e intimidador.
CENÁRIO CIBERNÉTICO: RISCOS E FRAUDES, PERÍCIA COMPUTACIONAL E
METODOLOGIA PARA OBTENÇÃO DE EVIDÊNCIAS, PROVAS ELETRÔNICAS E
TIPIFICAÇÃO EXISTENTE 
A internet como meio de comunicação resultou na massi�cação de dados, conexões e acessos aos
computadores, aparelhos celulares e todos os tipos de potenciais delitos cibernéticos em uma escala sem
precedentes da história. Tais fatores elevam consideravelmente a gestão de risco cibernético, e as empresas
devem praticar programas estruturados e e�cientes de segurança da informação (SI), controle de processos,
treinamento de pessoas e testes contínuos e repetitivos. Mesmo assim, os desa�os são grandes e o direito
ainda precisa se adaptar a inúmeras realidades sociais advindas da internet.
De acordo com Silva (2003), o aparecimento da informática no meio social ocorreu de forma rápida, e passou
a exigir, com a mesma rapidez, soluções que o direito não estava preparado para oferecer. Com isso, a
necessidade social aparenta estar desprovida da tutela de direito.
Segundo o conceito de Maurício Tamer (RODRIGUES; TAMER, 2021, p. 291), “pode ser entendida como a
demonstração de um fato ocorrido nos meios digitais” e que “a demonstração de sua ocorrência pode se dar
por meios digitais”. Como exemplo de provas digitais podemos citar o “envio de um e-mail, envio de uma
mensagem por aplicativo de mensagens (WhatsApp, Telegram, entre outros), cópia ou desvio de base de
dados, cópia de software, disponibilizaçãode um vídeo na internet (conteúdo íntimo ou difamador), dentre
outros”.
A prova digital tem capacidade de veri�car a veracidade das provas através da chave ICP Brasil, em que há
uma cadeia de custódia de prova que está prevista no Art. 158-A do Código de Processo Penal :
Os dados em um celular muitas vezes se tornam uma fonte valiosa de provas, contando com as características
de memória, processador e câmera, entre outras. A aquisição de dados pode ser física ou lógica. Conforme
descrevem Jansen e Aures (2015), a aquisição física tem vantagens sobre a aquisição lógica, uma vez que
permite que os arquivos apagados e alguns dados restantes possam ser examinados, por exemplo, na
memória não alocada ou em espaço do sistema de arquivos. As ferramentas forenses adquirem informações
dos dispositivos sem alterar o conteúdo, ou seja, em modo somente de leitura, utilizando equipamentos
denominados Write Blocker (ou bloqueadores de escrita). E, ainda, fazendo a geração de hash de modo a
garantir a integridade dos dados coletados. Tal característica é muito importante perante um juiz, e cabe ao
perito garantir a integridade das provas digitais por ele coletadas ou a ele con�adas.
Segundo ISFS (2009), o objetivo de ter um conjunto de melhores práticas e metodologias é estabelecer
parâmetros e princípios de qualidade e abordagens para obtenção, identi�cação, preservação, recuperação,
exame, análise e uso das evidências digitais. Altos padrões de qualidade e consistência são vitais para manter
o valor probatório dos elementos encontrados em uma investigação digital.
VÍDEO RESUMO
Caro estudante, nesta aula você terá a oportunidade de conhecer melhor as relações jurídicas que podem
resultar na prática de atos criminosos e suas consequências. 
Para tanto, você compreenderá a evolução do direito neste aspecto, bem como as di�culdades de adequação
da norma, a qual normalmente é derivada de atos praticados pela sociedade os quais são entendidos como
não aceitos, portanto, ilícitos civis, administrativos e penais. 
A disseminação de redes sociais, o acesso à internet por crianças e adolescentes e a prática de atos de abuso
psicológico como o bullying passaram a ser preocupação do direito penal, já que cada dia se tornam mais
frequentes, sendo necessária uma ação do Estado para coibir tais práticas. 
Aproveite!
 Saiba mais
Com o objetivo de aprofundar na temática das provas e respectivas medida cautelares em relação aos
crimes cibernéticos, indicamos a leitura e estudo do seguinte artigo disponível na base eletrônica da RT
Online acessível pela Biblioteca Digital:
Em 2021, no Brasil, o estudo Device Fraud Scan 2022 da AllowMe constatou que ao
menos 500 mil contas falsas foram criadas com e-mails vazados. Ou seja, uma média
de 3,7 tentativas de fraude virtual por minuto e cerca de 63,7% dos casos frequentes
de vazamento de dados acontecem no momento em que o usuário realiza o login.
Art. 158-A. Considera-se cadeia de custódia o conjunto de todos os procedimentos
utilizados para manter e documentar a história cronológica do vestígio coletado em
locais ou em vítimas de crimes, para rastrear sua posse e manuseio a partir de seu
reconhecimento até o descarte.
FULLER; G. P.; PEDROSA, J. M. B. F. Medidas cautelares e meios de prova nos crimes cibernéticos. Revista
dos Tribunais, v. 1031, p. 207- 224, set. 2021, DTR\2021\45755. Disponível em Revista dos Tribunais
Online.
No artigo em análise, você verá os desa�os da produção da prova em face dos crimes cibernéticos, bem
como conhecerá as medidas cautelares que nosso sistema prevê, viabilizando a proteção da integridade
das provas e eventual condenação dos criminosos de práticas cibernéticas ilícitas.
INTRODUÇÃO
Chegamos à nossa 16ª aula, última aula da disciplina Direito Cibernético. Esperamos que você tenha
aproveitado!
Nesta nossa última aula você terá a oportunidade de conhecer mais algumas iniciativas interessantes de
soluções alternativas de con�itos com ênfase na democratização de acesso à justiça.
Nesta linha de análise, será interessante conhecer as potenciais soluções adequadas (ou alternativas) de
con�itos com o uso de NFTs e criptomedas.
Na sequência, abordaremos a busca por uma e�ciência econômica com a mudança da cultura judicial que
tradicionalmente é focada no litígio, iniciativa que não condiz com as melhores práticas do capitalismo
consciente e da agenda ESG (Environment, Social and Governance – em tradução livre: Meio ambiente, Social
e Governança Corporativa).
Por �m, abordaremos alguns temas desa�adores ao direito ao tratar das relações jurídicas com gamers.
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Podemos dizer que um dos principais problemas do judiciário é a morosidade na resposta da justiça. Com o
intuito de reduzir essa potencial frustração da sociedade, estão surgindo medidas tecnológicas para o
judiciário ser mais e�ciente: trata-se das resoluções on-line de con�itos, ou ODRs (Online Dispute
Resolutions).
As ODRs “são os sistemas ou ferramentas focadas em solução (e prevenção) de con�itos por meio de
tecnologia informática, softwares e utilização da internet, utilizando-se inclusive de inteligência arti�cial”
(MAIA; FERRARI, 2018, p. 1).
Em 1999 foi lançado o primeiro sistema da empresa de ODR pela plataforma de e-commerce eBa”. O sistema
foi chamado de “Modria”, e tinha o objetivo de solucionar con�itos com o uso de e-mails. Naquela época foi
atingida uma taxa de solução e e�ciência equivalente a 50% dos con�itos das relações jurídicas.
A resolução on-line de con�itos (ODR) é a transposição dos métodos adequados de resolução de con�ito para
plataformas on-line, assim como a criação de novas formas de resolver litígios (design de sistemas). Entende-
se que por meio dessas plataformas seria possível atender a demandas especí�cas, hoje não atendidas pelos
tribunais tradicionais. Isso devido aos recursos oferecidos pelo meio digital e pela combinação de métodos
ADR, ou seja, uma completa revolução da dinâmica presencial de resolução de con�itos (RULE, 2002, p. 13
apud MOURÃO, 2017, p. 1.)
Alguns exemplos de ODRs são Rechtwijzer (Holanda), focada em divórcios, e o TurboTax, um software
americano que auxilia cidadãos a fazerem declaração de imposto de renda por meio de perguntas simples.
Interessante observar a solução realizada pela plataforma Kleros, que busca uma solução de ODR por meio
da blockchain e uso de NFTs ou criptomoedas.
No Brasil temos um grande caso de sucesso da iniciativa pública pelo portal www.consumidor.gov.br, que
oferece um espaço para soluções de disputas entre empresas e consumidores, e que apresenta uma taxa de
e�cácia superior a 90%. Outro caso muito interessante é a solução adotada pelo Mercado Livre: a plataforma
Aula 4
SOLUÇÕES ALTERNATIVAS DE CONFLITOS. RELAÇÕES
JURÍDICAS DOS GAMERS
Nesta nossa última aula você terá a oportunidade de conhecer mais algumas iniciativas
interessantes de soluções alternativas de con�itos com ênfase na democratização de acesso à
justiça.
32 minutos
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faz a própria intermediação e já resolve os problemas de seus consumidores com uma taxa de efetividade
superior a 95%.
Além das iniciativas destacadas, é possível identi�car algumas startups jurídicas (legaltech ou lawtech) com
ênfase na solução adequada de con�itos, conforme �guras a seguir. Você encontrará uma série de outras
soluções no site da Associação Brasileira de Legaltechs e Lawtechs (AB2L).
Algumas pessoas entendem que esse tipo de iniciativa acaba por retirar trabalho dos advogados. Porém,
entendemos de maneira diferente: normalmente os con�itos de menor valor são direcionados para este tipo
de solução, atendendo às reais necessidades do consumidor de forma rápida e com um custo
expressivamente inferior. Esse tipo de solução representa uma verdadeira democratização de acesso à justiça,
uma vezque além de garantir uma solução rápida e barata ao jurisdicionado, ainda acaba por desafogar o
Poder Judiciário, permitindo que juízes tenham mais tempo disponível para se dedicarem aos processos que
efetivamente precisam de uma solução judicial.
Se olharmos os dados da Justiça em Números publicado pelo CNJ ([s. d.]), constatamos que atualmente temos
em tramitação no Brasil, em média, um processo para cada dois cidadãos. Um custo anual superior a 100
bilhões de reais, custeados pelo Estado em mais de 90% de seu valor. Ou seja, somado com outros custos, o
Poder Judiciário tem um orçamento superior ao Ministério da Educação e ao Ministério da Saúde. Precisamos
rever essa cultura com extrema urgência.
Além de todos estes argumentos, o próprio advogado poderá prestar seus serviços no aconselhamento, na
consultoria e no preventivo, em vez de dedicar a maior parte de seu tempo para demandas que não
representarão um ganho efetivo de honorários.
EFICIÊNCIA ECONÔMICA E CONSCIENTIZAÇÃO PELO NÃO CONFLITO JUDICIAL
EM TEMPOS DE REDES SOCIAIS E ESG
Outro ponto interessante ao pro�ssional do direito que busca uma atuação na área do direito cibernético é
justamente a busca pela e�ciência econômica e conscientização pelo não con�ito judicial em tempos de redes
sociais e ESG (Environment, Social and Governance – em tradução livre: Meio ambiente, Social e Governança
Corporativa).
O que isso quer dizer?
Em 2017 os professores americanos Richard H, Thaler e Cass R. Sunstein ganharam o Prêmio Nobel de
economia com a obra Nudge, que abre os estudos da chamada economia comportamental. Um dos seus focos
de estudo é como criar motivação emocional para uma maior e�ciência econômica das transações negociais.
Ou seja, é a junção da neurociência, da inteligência emocional e das teorias econômicas.
Com esses estudos, chegou-se à conclusão de que certas motivações emocionais tem maior poder de persuadir
o cidadão a tomar determinadas atitudes. A teoria também estuda as consequências reputacionais em relação
a produtos, serviços, marcas etc.
Esses estudos mostraram que, se um Estado busca ser mais e�ciente no procedimento de arrecadação de
tributos, evitando que o contribuinte �que inadimplente, será muito mais barato e e�ciente ao Estado criar
um programa de premiação para quem recolhe tributos em dia ou solicita a emissão da nota �scal do que
efetivamente punir quem não paga tributos de forma pontual. Veja-se o exemplo que começou no Estado de
São Paulo e depois foi repetido em todo o território nacional, com a premiação das pessoas físicas que
solicitam a emissão de notas �scais com a indicação do número do CPF do consumidor.
Na mesma linha, concluiu-se que as pessoas buscam concentrar suas compras com marcas, lojas do comércio
e prestadores de serviços que estão constantemente preocupados com a sua boa reputação no mercado.
Certamente você já fez buscas para saber a respeito de uma determinada loja que ainda não conhece antes de
realizar a compra em sites como “Reclame Aqui”, “Procon” e o próprio Poder Judiciário. Se a empresa não
tem boa reputação, ou se tem muitos processos, você tendencialmente não comprará dela. O mesmo
movimento é realizado por grande parcela dos consumidores.
Na mesma linha é o que ocorre com empresas que estão envolvidas em questões que resultam em crimes
ambientais, violência a animais, discriminação racial, discriminação de gênero ou de orientação sexual. Os
consumidores tendencialmente deixarão de realizar compras em tais empresas, uma vez que elas não têm
um olhar para o ESG, não demonstram preocupação com regras mínimas de sustentabilidade ambientação,
social e de governança corporativa.
Em tempos de redes sociais e de massi�cação do processo comunicacional, em que uma ação discriminatória,
por exemplo, é instantaneamente transmitida para a internet e em menos de uma hora viraliza, esses fatores
podem representar o fechamento de uma empresa ou uma loja, além de poderem arruinar a reputação de
uma pessoa.
Daí a premente importância de mudança cultural dos pro�ssionais do direito e dos empresários. Deve-se
buscar evitar os con�itos judiciais e agir de forma coerente e sustentável empresarialmente e pessoalmente.
Isso representa a nova realidade econômica e do capitalismo consciente, formado por quatro pilares:
• Orientação para os stakeholders.
• Liderança consciente.
• Cultura consciente.
• Propósito maior.
AS RELAÇÕES JURÍDICAS DOS GAMERS 
São claramente visíveis a evolução tecnológica e o desenvolvimento dos meios de comunicação. Os jogos
eletrônicos cada vez mais representam uma importante indústria do entretenimento e do esporte,
movimentando grandes investimentos e assumindo novos patamares de disputas, cenário que hoje alguns
chamam de cybercultura gamer.
A legislação brasileira de�ne esporte como prática pro�ssional. Porém, a mesma legislação não menciona os
esportes eletrônicos – mas isso não impede que o e-sport se desenvolva, a�nal, a ausência de uma norma não
pode impedir uma prática da atividade esportiva. A Lei nº 9.615/98, que institui normas gerais sobre desporto
e dá outras providências, conta com elementos adaptáveis à prática do e-sports, conseguindo suprir boa parte
das lacunas jurídicas.
A Lei nº 9.615/98 trata de normas gerais do desporto no Brasil, e os jogos eletrônicos, por serem considerados
esporte, são regidos pelas disposições desse artigo. Assim, é estabelecido entre as partes um contrato de
trabalho desportivo.
Atualmente, a Lei nº 8.078/90 (CDC), referente às relações de consumo, também é aplicada nas relações de
consumo virtuais, sendo o player de jogos on-line o consumidor, a depender da teoria que seja adotada
conforme a �nalidade. Ou seja, se o jogo eletrônico é realizado para pura diversão e entretenimento, será
uma relação de consumo; no entanto, se o mesmo jogo é aplicado com o objetivo de uma prática esportiva
pro�ssional e com intenção de lucro, não há o que se falar na incidência do CDC.
Outro ponto importante é o direito de personalidade e a defesa das pessoas que estão realizando a prática
esportiva, as quais têm seus nomes e imagens divulgadas e associadas a determinados times ou jogos. A
respeito da personalidade seguimos o pensamento do professor Gustavo Tepedino, que instrui o seguinte:
Os enunciados 278 da IV Jornada de Direito Civil e 587 da VII Jornada de Direito Civil do CJF consistem na
violação da publicidade e personalidade se houver divulgação sem autorização da pessoa. Portanto, a
associação do nome e imagem de um jogador deve ser precedida da respectiva autorização e/ou cessão de
direito de imagem e voz com propósitos especí�cos, como para �nalidades publicitárias. 
Os pro�ssionais gamers, quando participam de campeonatos, streaming e lives, têm sua imagem utilizada
para �ns comerciais e econômicos – nestes casos, o jogador previamente autoriza o uso e cede alguns direitos
da personalidade. Considerando que tais práticas estão associadas a uma cessão por contrato por adesão, há
um claro ponto de desa�o ao direito, seja quanto à sua validade, bem como quanto à sua e�cácia e alcance da
respectiva cessão de direitos.
Importante ressaltarmos que o gamer normalmente tem uma relação pro�ssional com alguma equipe
determinada, obtendo remuneração. Para que isso ocorra de forma correta é necessário estabelecer um
contrato de prestação de serviços, com a �xação de um valor mensal como pagamento. Portanto, havendo a
caracterização dos elementos de um contrato de trabalho, deverão ser previstos os respectivos direitos
trabalhistas, como décimo terceiro salário, FGTS, férias e jornada de trabalho. 
Por �m, deve-se levar em conta que muitos jogadores são pessoas que ainda não atingiram a maioridade civil
– são crianças ou adolescentes. As normas especí�cas aos contratos desportivos contam com tais previsões em
conjunto com o Estatuto da Criança e do Adolescente. Mas para a sua aplicação, devemos considerar que os
jogos eletrônicos estão inseridos na realidade detal norma, fato que ainda é controverso diante da falta de
adaptação legislativa a essa realidade. 
[…] como especi�cação analítica da cláusula geral de tutela da personalidade prevista
no Texto Constitucional e contida nos Arts. 1.º, III (dignidade da pessoa humana como
valor fundamental da República), 3º, III (igualdade substancial) e 5º, §2º
— (mecanismo de expansão do rol dos direitos fundamentais).
VÍDEO RESUMO
Caro estudante, nesta videoaula você terá a oportunidade de conhecer as mais modernas técnicas de soluções
adequadas (ou alternativas) de con�itos por meio das chamadas ODRs (soluções on-line de con�itos). Além
disso, vai analisar a relação das ODRs com os conceitos vistos em redes distribuídas de criptomoedas e NFTs.
São soluções que buscam e�ciência na solução de con�itos e na própria democratização na solução de
problemas do cidadão.
Na linha da e�ciência, você estudará uma importante mudança de comportamento e, ao mesmo tempo, uma
mudança cultural esperada do pro�ssional do direito, especialmente para aquele que trabalha no ramo do
direito cibernético. Tal mudança resulta em práticas que evitam o con�ito, além de boas práticas com o
objetivo de melhoria reputacional das empresas e pessoas. Reputação, em tempos de redes sociais e
massi�cação do processo comunicacional, é fundamental. Tais teses tem como pano de fundo a Teoria da
Economia Comportamental, que rendeu um Prêmio Nobel em 2017 aos professores Richard H. Taler e Cass R.
Sunstein com a obra Nudge.
Fechando a disciplina, veremos as relações jurídicas com os gamers, temática contemporânea e que traz
grandes desa�os ao pro�ssional do direito.
Aproveite!
 Saiba mais
Para aprofundar a temática das soluções on-line de con�itos e a sua importância como instrumento de
desjudicialização, indicamos a leitura e estudo do seguinte artigo do Ministro do Superior Tribunal de
Justiça, Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, disponível na base eletrônica da Biblioteca Digital, base de
dados da Revista dos Tribunais Online.
CUEVA, R. V. B. Resolução de disputas on-line (ODR) e desjudicialização. Boletim Revista dos Tribunais
Online, v. 27, maio 2022, DTR\2022\6229.
No artigo em análise, você verá as principais características dos meios adequados de soluções de
con�itos, com ênfase a ODR (Online Dispute Resolutions – soluções on-line de con�itos). O Ministro
destaca o importante papel das ODRs na desjudicialização dos con�itos de menor valor e/ou
complexidade, bem como o importante papel para a democratização do acesso à justiça com a redução
do número de processos em tramitação.
Bons estudos!
Aula 1
CORREIA, F. M. A tecnologia descentralizada de registro de dados (Blockchain) no sector �nanceiro. In:
MENEZES CORDEIRO, A.; OLIVERIA, A. P. de.; DUARTE, D. P. FinTech: desa�os da tecnologia �nanceira.
Coimbra: Almedina, 2017.
REBOUÇAS, R. F. Contratos eletrônicos: formação e validade – aspectos práticos. 2 ed. São Paulo: Almedina,
2018.
REBOUÇAS, R. F. Contratos Eletrônicos e sua Força Executiva. Revista Cientí�ca Virtual da Escola Superior da
Advocacia, nº 35, 2020 (Direito, Inovação e Tecnologia: desa�os da economia 4.0). Disponível em:
https://issuu.com/esa_oabsp/docs/revista_completa. Acesso em: 23 nov. 2022.
Aula 2
AUSTIN, D. 2021 This is what happens in an internet minute. eDiscovery Today, 16 abr. 2021. Disponível em:
https://ediscoverytoday.com/2021/04/16/here-is-your-2021-internet-minute-infographic-ediscovery-trends/ .
Acesso em: 23 nov. 2022.
BONATTO, C. Código de defesa do consumidor: cláusulas abusivas nas relações contratuais de consumo. 2. ed.
rev. atual. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2004.
BRASIL. Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990. Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras
providências. Brasília/DF: Presidência da República, 1990. Disponível em:
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8078compilado.htm. Acesso em: 23 nov. 2022.
REFERÊNCIAS
10 minutos
https://issuu.com/esa_oabsp/docs/revista_completa
https://ediscoverytoday.com/2021/04/16/here-is-your-2021-internet-minute-infographic-ediscovery-trends/
about:blank

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