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Universidade Regional de Blumenau - FURB Curso _________________________ Disciplina ___________________________ Professora: Roberta Andressa Pereira FLOR: MORFOLOGIA E TENDÊNCIAS EVOLUTIVAS O avanço das Angiospermas em relação às Gimnospermas está intimamente relacionado ao aparecimento de uma estrutura nova, a flor. A flor começa o seu desenvolvimento da mesma forma que as folhas, ou seja, por divisões periclinais de células meristemáticas situadas abaixo das camadas do ápice da gema. Por crescimento contínuo e diferenciação das protuberâncias formadas, os vários órgãos florais se originam. Entretanto, diferentemente das gemas vegetativas que se desenvolvem em um ramo com nós e entrenós, cada flor individual é um ramo curto cujas várias partes, quando totalmente desenvolvidas, não são separadas por entrenós. A flor é um órgão constituído por um eixo caulinar de crescimento limitado (receptáculo) que porta verticilos estéreis (cálice com sépalas e/ou corola com pétalas) e verticilos férteis: androceu com estames e/ou gineceu com carpelos. O receptáculo é geralmente plano porém, em algumas famílias, pode ser côncavo ou convexo. A flor é sustentada pelo pedicelo (ou pedúnculo), que é um eixo caulinar que nasce na axila de uma ou mais brácteas (folha modificada associada às flores ou inflorescência). GENERALIDADES DA FLOR: 1 - FLOR QUANTO A DISPOSIÇÃO DO RECEPTÁCULO: a. CÍCLICA: todos os verticilos formam círculos concêntricos; flores mais evoluídas do reino vegetal possuem o número de estames e carpelos mais constante. Ex: rosa, azaléia, maçã. b. HEMICÍCLICA: cálice e corola formam círculos concêntricos e o gineceu e o androceu uma espiral. O número de estames e carpelos não é constante. Ex: fruta-de-conde. c. ACÍCLICA: tanto cálice, corola, gineceu e androceu formam espirais e não têm número definido de elementos. Ex: baguaçu, magnólia. 2 - FLOR QUANTO AO NÚMERO DE PEÇAS NOS VERTICILOS: a. ISÔMERA: número igual de peças nos verticilos A) quanto ao perianto: - trímera. ex: palma-de-Santa-Rita. - tetrâmera. ex: cruz-de-malta. - pentâmera. ex: rosa-silvestre. - polímera. B) quanto ao androceu e gineceu C) total. Ex: Café. b. HETERÔMERA: número diferente de peças nos verticilos. 3 - FLOR QUANTO À PRESENÇA DE VERTICILOS PROTETORES: a. ACLAMIDEA ou Aperiantada - sem perianto, sem cálice e sem corola. b. MONOCLAMÍDEA ou Monoperiantada – geralmente apenas com cálice. c. DICLAMÍDEA ou Diperiantada – com cálice e corola. * HETEROCLAMÍDEA (perianto) - cálice e corola distintos, na forma, tamanho e/ou cor. Ex: Rosa. * HOMOCLAMÍDEA (perigônio) - cálice e corola semelhantes na forma, tamanho e/ou cor . Ex: Orquídeas. 4 - FLOR QUANTO À SIMETRIA: a. ACTINOMORFA: flor com simetria radial - disposição igual de todas peças, com diversos planos de simetria. b. ZIGOMORFA: flor com simetria bilateral - apresenta apenas um plano de simetria. Ex.: orquídea. c. ASSIMÉTRICA: não apresenta plano de simetria. Ex.: cana-da-índia. 5 - FLOR QUANTO AOS VERTICILOS REPRODUTORES: a. BISSEXUADA ou Monóclina – androceu e gineceu na mesma flor. Ex: laranja. b. UNISSEXUADA ou Díclina – androceu ou gineceu na flor. Ex: mamão, abóbora. c. ASSEXUADA - neutra. 6 - VEGETAL QUANTO AS FLORES: a. MONÓICO COM FLORES PERFEITAS: planta com flores monóclinas na mesma planta. Ex.: goiaba, laranja, rosa. b. MONÓICO COM FLORES IMPERFEITAS: planta com flores díclinas na mesma planta. Ex.: milho, pepino, abóbora, chuchu. c. DIÓICO: vegetal com flores díclinas em plantas diferentes. Ex.: mamão, mangue-de-formiga (abaneiro branco). d. POLÍGAMO: vegetal com flores monóclinas e díclinas. Ex.: alguns tipos de mamão. PERIANTO/PERIGÔNIO Os verticilos florais mais externos são estéreis e constituem o perianto, formado pelo CÁLICE, constituído por sépalas e pela COROLA, constituída pelas pétalas ou o perigônio, constituído por tépalas. CÁLICE O verticilo mais externo e inferior das flores, constituído por sépalas. 1 - QUANTO AO NÚMERO DE SÉPALAS: - MONOSSÉPALO ou monômero - 1 sépala - DISSÉPALO ou dímero - 2 sépalas - TRISSÉPALO ou trímero - 3 sépalas - TETRASSÉPALO ou tetrâmero - 4 sépalas - PENTASSÉPALO ou pentâmero - 5 sépalas - POLISSÉPALO ou polímero - mais de cinco sépalas 2 - CÁLICE QUANTO À UNIÃO DAS SÉPALAS: - DIALISSÉPALO (Corissépalo).- sépalas não concrescidas, livres. - GAMOSSÉPALO (Sinssépalo) - sépalas concrescidas parcial ou totalmente. 3. MODALIDADES DE CÁLICE GAMOSSÉPALO: - inteiro - lobado - fendido - denteado 4. CÁLICE QUANTO À SIMETRIA: - ACTINOMORFO: com simetria radial. Ex: rosa, laranjeira. - ZIGOMORFO: com simetria bilateral. Ex: espatódia. 5. CÁLICE QUANTO À DURAÇÃO: - CADUCO - se desprende antes da antese (abertura da flor). - DECÍDUO - se desprende logo depois da antese. - PERSISTENTE - permanece na flor antes e depois da abertura, podendo ser: - MARCESCENTE – permanece mas seco - ACRESCENTE – permanece, verde e cresce junto com o fruto. 6. TIPOS ESPECIAIS DE CÁLICES: - CALCARADO - provido de esporão. Ex: esporinha - APENDICULADO - provido de apêndice. Ex: violeta. - GLANDULOSO - provido de glândulas. Ex: malpiguiáceas. - PAPILOSO - transformado em pequenos filetes. Compostas: margarida, girassol. 7. PSEUDOCÁLICES - brácteas - CALÍCULO - sépalas acompanhadas de brácteas formando um cálice menor. Ex: hibisco. - PERICLÍNIO - conjunto de brácteas que formam o envólucro do capítulo das compostas. COROLA - Constitui geralmente o 2º verticilo protetor formado por pétalas. 1. QUANTO AO NÚMERO DE PÉTALAS: - MONOPÉTALA - monômera - 1 pétala - DIPÉTALA - dímera - 2 pétalas - TRIPÉTALA - trímera - 3 pétalas - TETRAPÉTALA - tetrâmero - 4 pétalas - PENTAPÉTALA - pentâmera - 5 pétalas - POLIPÉTALA – polímera – mais de 5 pétalas 2. QUANTO A UNIÃO DAS PEÇAS: - DIALIPÉTALA – ARQUICLAMÍDEA (Coripétala) – pétalas separadas. Ex: roseira - GAMOPÉTALA - METACLAMÍDEA (Simpétalas) – pét. concrescidas. Ex: azaléia 3. TIPOS DE COROLA: 3a. TIPOS DE COROLA DIALIPÉTALA ACTINOMORFA: - CRUCÍFERA - em forma de cruz. Ex: cruz-de-malta, couve, nabo, repolho. - ROSÁCEA - 5 pétalas. Ex: rosa-silvestre, goiaba, maçã. - CARIOFILÁCEA - 5 pétalas providas de unhas. Ex.: cravo 3b. TIPOS DE COROLA DIALIPÉTALA ZIGOMORFA: - VEXILAR - 5 pétalas irregulares. Ex: leguminosas (feijão, soja, amendoim). - CARENAL - carena, asas, vexilo. - ORQUIDÁCEA - 1 labelo, 2 asas. 3c. TIPOS DE COROLA GAMOPÉTALA ACTINOMORFA: - AFUNILADA (infundibuliforme) - forma de funil - CAMPANULADA - forma de sino - CIATIFORME (hipocrateriforme) - forma de taça de champagne - RUTÁCEA - lembra eixos de uma roda. Ex: vinca. - TUBULADA - em forma de tubo. Ex: tabaco. - URCEOLADA – c/ diâmetro maior na região mediana e abertura estreita. Ex: ericáceas. 3d. TIPOS DE COROLA GAMOPÉTALA ZIGOMORFA: - DIGITALIFORME - em forma de dedo de luva. Ex: dedaleira. - LIGULADA - em forma de língua. Ex.: margarida (flores do raio) - LABIADA ou BILABIADA - Ex: rubi, sálvia. - PERSONADA - Ex: boca-de-leão. 4. PREFLORAÇÃO: disposição das sépalas e pétalas antes da flor se abrir, no botão floral. Durante a maturação da flor, essa passa do estágio de botão para antese, que pode ser definida como o momento de abertura do botão floral. A flor jovem encontra-se no estágio de botão floral. Nesta fase é possível a análise da prefloração do cálice e/ou da corola. Pode ser: - VALVAR- As sépalas apenas se tocam. Ex.: foice-de-anjo. - IMBRICATIVA - uma sépala recobre a outra: CONTORCIDA - cada sépala recobre a seguinte e é recoberta pela anterior IMBRICADA - se existe uma das sépalas totalmente interna e outra sépala totalmente externa e as restantes se recobrem e são recobertas - ESPIRALADA - sépalas dispostas em espiral. ANDROCEU Internamente ao perianto, desenvolve-se o ANDROCEU, formado pelos estames. Estes se distribuem em um ou mais ciclos ou espiraladamente entre o perianto e o gineceu. O número de estames por flor é variável, existindo flores com um só estame como no gênero Euphorbia até flores com mais de 100 estames como em certas espécies de Myrtaceae. Apesar dessa variação, pode-se fazer uma relação do número de estames com o número de pétalas. Individualmente, cada estame é formado pelo filete, antera e o conectivo. Classicamente o estame é interpretado como um androsporófilo (=microsporófilo) que porta os androsporângios (= microsporângios = sacos polínicos). O filete é a parte estéril do estame, geralmente de forma alongada e que porta em sua porção apical a antera, que tem forma globosa e contém em seu interior geralmente quatro sacos polínicos, sendo um anterior e outro posterior, que juntos formam uma teca. A porção estéril, que se situa entre as duas tecas, é o conectivo. 1 – NÚMERO DE ESTAMES NUMA FLOR: - DEFINIDO – de 1 a 12 estames (monostêmone, bistêmone, tristêmone, tetrastêmone, pentastêmone, decastêmone ...) Ex.: lírio, violeta. - INDEFINIDO – 12 ou + estames. Ex.: eucalipto, goiaba, rosa. 2 – N O DE ESTAMES VERSUS N O DE PEÇAS NOS VERTICILOS PROTETORES: - OLIGOSTÊMONE – quando o nº de estames é menor que o número de pétalas. - ISOSTÊMONE – quando o nº de estames é igual ao número de pétalas. - DIPLOSTÊMONE – quando o n o de estames é igual ao dobro do n o de pétalas. - POLISTÊMONE – quando o nº de estames é maior que o nº de pétalas, porém diferente do dobro. 3 – ESTAMES QUANTO À UNIÃO: - DIALISTÊMONE (LIVRES) – estames livres entre si. Ex.: goiaba, rosa. - GAMOSTÊMONE – estames unidos formando um ou vários grupos. - MERISTÊMONE – androceu ramificado. Ex.: mamona 4 – O ANDROCEU COM ESTAMES LIVRES PODE SER: - REGULAR – estames do mesmo tamanho e igual tipo de antera. Ex.: maracujá. - IRREGULAR – estames de tamanhos diferentes: a) DIDINAMIA – 4 estames: 2 maiores e 2 menores. Ex.: ipê. b) TETRADINAMIA – 6 estames: 4 maiores e 2 menores. Ex.: Crucíferas (couve, nabo,) 5 – ESTAMES UNIDOS: - PELAS ANTERAS – SINANTERIA (SINGENESIA) – anteras concrescidas. Ex.: buzina (trombeteira ou saia branca, Solanaceae), margarida (Asteraceae). - PELOS FILETES – ADELFIA - unidos através dos filetes formando um ou vários grupos (grupos irmãos). - MONADELFIA - um só grupo de filetes. Ex.: cajú - DIADELFIA – estames unidos em dois grupos de filetes. - TRIADELFIA – estames unidos em três grupos de filetes. - TETRADELFIA - estames unidos em quatro grupos de filetes. - POLIADELFIA – estames unidos formando vários grupos de filetes. - PELOS FILETES À UM PEDÍCULO – ANDRÓFORO. Ex.: Mimo-de-vênus (hibisco) - DOS ESTAMES AO ESTILETE – GINOSTÊNIO. Ex.: orquídeas - ANDROGINÓFORO. Ex.: maracujá 6 - ESTAMES QUANTO A UNIÃO COM AS PÉTALAS: - LIVRES - os estames estão presos apenas ao receptáculo, sendo livres desde a base - EPIPÉTALOS – os estames estão presos às pétalas. 7 – ESTAMES QUANTO À FIXAÇÃO DA ANTERA AO FILETE: - ANTERA BASIFIXA - o filete une-se à antera pela base. - ANTERA DORSIFIXA - o filete une-se à antera pelo dorso. - ANTERA APICEFIXA - o filete une-se à antera pelo ápice (mais raro). 8 – ESTAMES QUANTO AO COMPRIMENTO DO FILETE: - INSSERTOS – filetes menores que o tubo da corola. - EXERTOS – filetes maiores que o tubo da corola. 9 – ANTERAS QUANTO A POSIÇÃO: - INTRORSAS – anteras voltadas para dentro. - EXTRORSAS – anteras voltadas para fora. Como já foi dito, o interior das anteras é ocupado geralmente por 4 sacos polínicos (androsporângios). No início do desenvolvimento dos androsporângios forma-se, abaixo da epiderme, o tapetum que é um tecido associado com a nutrição das células mães de grãos de pólen e dos andrósporos (= micrósporos = pólen em estado unicelular) jovens. Mais internamente, forma-se a camada de células mães de grãos de pólen que, após sofrerem divisão reducional (meiose), vão originar uma tétrade de andrósporos haplóides e cada um deles forma a sua própria parede, a esporoderme. O andrófito (= microgametófito = gametófito masculino) começa a se formar a partir da divisão do andrósporo por mitose, dando origem a duas células: a célula do tubo polínico e a célula geradora. Em muitas espécies, os grãos de pólen são liberados nesta condição e, após a formação do tubo polínico, a célula geradora penetra no tubo e sofre uma divisão mitótica dando lugar a duas células que portam os gametas masculinos. Esta é a fase do andrófito desenvolvido. Em outras espécies, no entanto, a formação dos dois gametas é anterior à liberação do grão de pólen. 10 – QUANTO À DEISCÊNCIA (ABERTURA) DA ANTERA PARA LIBERAÇÃO DOS GRÃOS DE PÓLEM: - LONGITUDINAL ou RIMOSA- a liberação do grão de pólen ocorre através da deiscência das tecas por uma fenda longitudinal. Ex.: lírio amarelo. - PORICIDA - a liberação do grão de pólen ocorre através de poros no ápice da antera. Ex.: azaleia, quaresmeira. - VALVAR (mais rara) - a liberação do grão de pólen ocorre através de uma ou duas valvas em cada teca. Ex.: famílias Lauraceae e Monimiaceae. PÓLEN Os grãos de pólen encontram-se normalmente livres nos sacos polínicos sendo esses grãos denominados mônades; em algumas como Ericaceae, os grãos de pólen permanecem em tétrades mesmo quando maduros; em Mimosoideae, por exemplo, as tétrades podem se unir em grupos maiores formando as políades, como ocorre em Asclepiadaceae e Orchidaceae. O grão de pólen maduro é internamente bicelular e apresenta uma composição química rica em proteínas, carboidratos (em maior concentração), gorduras e água. O grão de pólen é rodeado por uma fina camada de celulose, a intina e externamente por outra camada, a exina. A exina confere uma grande resistência ao grão de pólen e o seu principal componente é a esporopolenina, cuja natureza química é ainda obscura. Alguns autores consideram a possibilidade de tratar-se de polímeros de carotenóides ou de ésteres de carotenóides. A exina geralmente consiste de uma porção esculturada, a sexina, e uma porção geralmente lisa, que está em contato direto com a intina, que é a nexina. A escultura da sexina resulta de projeções radiais, as báculas, que geralmente se alargam para o ápice. Em muitos gêneros, as báculas se unem pelos ápices formando um teto que pode ser novamente perfurado ou esculturado. A formação dos sacos de ar, típicos nos grãos de pólen de Pinus, ocorre pela separação entre a sexina e a nexina. Em alguns gêneros de Angiospermas marinhas, como Zostera e Halodule, os grãos de pólen são filamentos e falta a esporopolenina. O tamanho dos grãos de pólen varia consideravelmente, existindo grãos muito pequenos, com menos de 10µm, até muito grandes, como os de Cucurbita pepo (pepino) com 230 µm. Os grãos filamentosos das Angiospermas marinhas podem atingir até 2 mm de comprimento. O estudo do pólen, especialmente da exina, fornece uma série de características importantes para a identificação do material estudado. Essas características são, além do tamanho e unidade polínica já discutidas anteriormente, as seguintes: forma, abertura e ornamentação. A forma do grão de pólen esta relacionada com a simetria, polaridade e unidade polínica. Geralmente os grãos de pólen possuem simetria radial (com mais de dois planos de simetria),como a maioria das Dicotiledôneas, ou simetria bilateral (com um plano de simetria), como as Liliidae (Monocotiledôneas). Geralmente é possível distinguir no grão de pólen dois eixos (polar e equatorial) e os pólos (proximal e distal). A maioria dos pólens conhecidos é isopolar, quando o plano equatorial o divide em duas metades iguais. Ao contrário, os polens heteropolares possuem as duas faces bem distintas com respeito a aberturas, esculturas, etc. De modo geral, a forma do grão é definida em vista equatorial, pela relação entre o eixo polar (P) e o diâmetro equatorial (E). Desse modo, têm-se as seguintes denominações mais gerais: esférico: P/E= 0,75-1,33; oblato: P/E= 0,50-0,75; prolato: P/E= +1,33-2,00. Em vista polar, tem-se a forma do contorno do grão. As aberturas são áreas delimitadas no grão do pólen, geralmente de parede fina. Podem ser circulares (poro), alongadas (colpo, sulco) ou em forma de anel. As aberturas podem ser simples ou os colpos podem estar associados aos poros, originando aberturas compostas (colporos). Geralmente, as Dicotiledôneas têm 3 aberturas enquanto nas Monocotiledôneas predomina 1 só abertura. A ornamentação da exina pode ser bem variada, sendo os tipos mais comuns: psilada (lisa), espinhosa, estriada e reticulada. A importância do estudo do grão de pólen está associada a vários aspectos. O pólen é importante para a taxonomia (palinotaxonomia), sendo as diferentes famílias reunidas em euripalinológicas, que apresentam diferenças marcantes aos níveis de gêneros e espécies com grãos de pólen muito similares caracterizando a família como um todo, como por exemplo Poaceae e Myrtaceae. O estudo do pólen também é importante no controle da origem e qualidade do mel, em pesquisas de arqueologia, geologia e na medicina (alergias). GINECEU Internamente ao androceu, desenvolve-se o gineceu formado pelos carpelos. A maioria dos autores considera esta estrutura homóloga à folha. De acordo com a teoria clássica, o carpelo é derivado de uma folha fértil, que possui óvulos na margem. As margens dobraram-se para dentro e uniram-se entre si e com as margens de outros carpelos; desta maneira, os óvulos ficaram encerrados no lóculo, que é o espaço no interior no carpelo Morfologicamente, o gineceu compreende as seguintes partes: ovário, estilete e estigma. O ovário é a porção basal, dilatada que contém um ou mais óvulos em uma ou mais cavidades internas, os lóculos. É constituído pôr uma epiderme externa, que no fruto será o ectocarpo, uma zona parenquimática intermediária, que no fruto será o mesocarpo e uma epiderme interna, que no fruto será a placenta ou o endocarpo. O estilete é uma porção geralmente alongada e cilíndrica que une o ovário ao estigma. O estigma é a porção receptiva do grão de pólen, tendo geralmente uma superfície pilosa ou rugosa, podendo exudar substâncias que facilitam a aderência do pólen. 1 – GINECEU QUANTO ÀS PARTES; - COMPLETO – com estigma, estilete e ovário. - INCOMPLETO – ASTIGMÁTICO – sem estigma. Ex.: abacateiro. SÉSSIL – sem estilete. Ex.: mamoeiro, Clusia sp. 2 – GINECEU QUANTO AO NÚMERO DE CARPELOS; - UNICARPELAR – SIMPLES: com um só carpelo. Ex.: Leguminosas. - MULTICARPELAR – COMPOSTO: com mais carpelos. - BICARPELAR - 2 carpelos - TRICARPELAR - 3 carpelos - TETRACARPELAR - 4 carpelos - PENTACARPELAR - 5 carpelos 3 – GINECEU MULTICARPELAR QUANTO À UNIÃO DOS CARPELOS: - DIALICARPELAR (apocárpico) – todos os carpelos separados. Ex.: magnólia, anona, morango. Vários pistilos. - GAMOCARPELAR (sincárpico) – todos os carpelos concrescidos. Ex.: mamão, maracujá. Um só pistilo. 4 – TIPOS DE ESTIGMA: - SÉSSIL – estigma diretamente afixado sobre o ovário. Ex.: mamoeiro. - VISCOSO – com substância gelatinosa que prende o grão de pólen. - BILOBADO – apresentando 2 lóbulos. Ex.: ipê. - GLOBOSO – em forma de globo. Ex.: goiaba. - BÍFIDO – quando amadurece, se divide em duas pontas. Ex.: café. - PLUMULOSO – em forma de pluma. Ex.: gramíneas. 5 – ESTILETE QUANTO À SUA POSIÇÃO NO OVÁRIO: - TERMINAL – afixado no ápice do ovário - LATERAL – afixado na lateral do ovário - BASAL ou GINOBÁSICO – afixado na base do ovário. Ex.: Labiatae (rubi, hortelã) 6 – OVÁRIO QUANTO À FORMA: - OVAL - ACHATADO - DISCÓIDE - ALONGADO 7 – OVÁRIO QUANTO AO NÚMERO DE LÓCULOS: - UNILOCULAR – com apenas um lóculo. Ex.: mamão, maracujá. - BILOCULAR – com dois lóculos. Ex.: tomate. - TRILOCULAR – com três lóculos. Ex.: lírio, pepino, banana. - TETRALOCULAR – com quatro lóculos. Ex.: goiaba. - PENTALOCULAR – com cinco lóculos. Ex.: quaresmeira. - PLURILOCULAR – com vários lóculos. Ex.: laranja. A cavidade onde estão encerrados os óvulos é o lóculo e todo gineceu apocárpico é sempre unilocular. No gineceu sincárpico, geralmente o número de carpelos corresponde ao número de lóculos, porém podem existir casos de gineceu com vários carpelos e com um só lóculo, como no mamão e maracujá. O número de óvulos por lóculo do ovário é geralmente um caráter de valor taxonômico, principalmente ao nível de família ou subfamília. Assim, por exemplo, as Asteraceae e Poaceae têm sempre um óvulo por lóculo do ovário e as Acanthaceae e Scrophulariaceae, famílias muitos próximas filogeneticamente, podem ser diferenciadas pelo pequeno número de óvulos em Acanthaceae e grande número em Scrophulariaceae. 8 – LOCALIZAÇÃO DO OVÁRIO E DOS VERTICILOS PROTETORES: - SÚPERO ou livre – situado acima da inserção de cálice e corola. Ex.: lírio, feijão. - INFERO ou aderente – situado abaixo da inserção dos verticilos protetores. Ex.: pepino, abóbora, chuchu. A posição do ovário na flor é um importante caráter taxonômico, especialmente ao nível de ordens ou famílias. Dentro das Asteridae, por exemplo, existem nitidamente dois grandes grupos de famílias: as de ovário súpero, como Loganiaceae, Bignoniaceae e Lamiacea, e as de ovário ínfero, como Rubiaceae e Asteraceae. 9 – FLOR QUANTO À POSIÇÃO DO OVÁRIO: - HIPÓGINA – com ovário súpero, cálice e corola afixadas abaixo do ovário, sem hipanto. Ex.: feijão, hibisco. - PERÍGINA - a parede do ovário está livre, porém ocorre hipanto apendicular. Ex.: rosa, lírio. - EPÍGINA - a parede do ovário ínfero está soldada á parede do hipanto receptacular. Ex.: pepino, chuchu. 10 – HIPANTO - uma estrutura em forma de urna ou taça que circunda o ovário. - APENDICULAR - originado pela fusão de sépalas, pétalas e estames. Ex.: Lírio, rosa. - RECEPTACULAR - originado do próprio receptáculo em forma de taça, aderido ao ovário. Ex.: pepino, chuchu, abóbora. Existem plantas cujas flores têm ambos os tipos de hipanto. Ex.: brinco-de-princesa. 11 – PLACENTAÇÃO: maneira como estão afixados os óvulos na placenta do ovário (cada carpelo tem tipicamente duas placentas) - AXIAL - Quando os carpelos se unem formando um gineceu bi-multilocular, as placentas se arranjam na porção central. - PARIETAL - Se os óvulos estão presos à parede do ovário ou às suas expansões, em um gineceu sincárpico. - LAMINAR - quando a placenta se localiza ao longo da nervura do carpelo de um ovário unilocular. - CENTRAL LIVRE - exclusiva de ovários uniloculares, quando a placenta se localiza na região apical de um ovário unilocular. - MARGINAL - quando a placenta se localiza ao longo da margem do carpelo de um ovário unilocular. Ovários monocarpelares monoloculares Marginal Laminar Central livre Ovários tricarpelares triloculares Axial Parietal Ovários tricarpelares monoloculares Axial Marginal Parietal No interior do ovário estão os óvulos, que nas Angiospermasconsiste do ginosporângio (= megaspoângio), rodeado por 1-2 tegumentos e ligados à placenta pelo funículo. A porção superior do tegumento é aberta formada a micrópila. O ginófito é o saco embrionário, que consta de três células situadas próximo á micrópila, as sinérgides (2, laterais) e a oosfera (central); três células no extremo oposto (antípodas) e no centro os dois núcleos polares. 12 – QUANTO AO NÚMERO DE ÓVULOS: - UNIOVULADO – ovário que apresenta apenas um óvulo. Ex.: azeitona, pêssego. - PLURIOVULADO – ovário que apresenta + de 1 óvulo. E.: tomate, pepino, mamão. 13 – TIPOS DE ÓVULOS: - ORTÓTROPO ou reto - quando a micrópila está em linha reta com o funículo. - ANÁTROPO ou invertido - quando micrópila e funículo têm posições paralelas - CAMPILÓTROPO ou curvo – quando micrópila e funículo estão em ângulo de 90 o . Reto ou ortótropo Inverso ou anátropo Curvo ou campilótropo A organização morfológica da flor pode ser mostrada através da fórmula floral e do diagrama floral. A fórmula floral é representada pelos seguintes símbolos: K = Cálice A= Androceu = peças adnatas (de verticilos diferentes) C = Corola G = Gineceu ( ) = peças unidas (do mesmo verticilo floral) – em cima = ovário ínfero – embaixo = ovário súpero * - simetria radial X – simetria bilateral HA – Hipanto apendicular HP – Hipanto Receptacular ≠ - peças diferentes ≈ - peças semelhantes Ex.: Palma-de-santa-rita: X K3 ≈ C3 A6 G(3) Hibisco: * K(5) ≠ C5 A(n) G(5) Diagramas florais: Flor hetroclamídea pentâmera Flor homoclamídea trímera REFERÊNCIAS BIIBLIOGRÁFICAS 1 GIULIETTI, A. M. et al. 1994. Morfologia de fanerógamas I. São Paulo, IB-USP. Apostila de curso teórico. 2 HICKEY, Michael e KING, Clive. 1997. Common families of flowering plants. Cambridge University Press. 3 JUDD, Walter S. et al. 1999. Plant systematics: a phylogenetic approach. Massachusetts, Sinauer Associates.