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Fatores de Risco Ocupacional

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Júlia

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Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga 
de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para 
sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge. 
Tema 4 
Identificação de fatores de risco ocupacional e 
suas implicações para a saúde do trabalhado 
 
 
Como a identificação estratégica dos riscos 
ocupacionais pode transformar ambientes de trabalho 
comuns em espaços que preservam a vida e a 
dignidade do trabalhador? 
 
Você já parou para pensar no que realmente protege quem trabalha todos os 
dias nos mais diferentes ambientes? 
 
A identificação de fatores de risco ocupacional, prevista na NR-1, não é mera 
formalidade técnica, pois representa o primeiro passo legal e ético para criar espaços 
laborais que: 
• Respeitem a vida. 
• Preservem a capacidade produtiva. 
• Atendam ao artigo 200, inciso VIII, da Constituição Federal. 
 
 
Para refletir 
Cada atividade profissional carrega condições que podem comprometer 
corpo e mente. Reconhecê-las estrategicamente, conforme o 
Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) da NR-1, permite evitar 
acidentes, prevenir doenças e construir ambientes equilibrados e 
sustentáveis. 
 
Conceitue antes de agir: o que são esses fatores? 
 
Considere o ambiente laboral como um ecossistema dinâmico, no qual cada elemento 
interage com o trabalhador de modo singular. 
 
Os fatores de risco ocupacional, classificados pela NR-9 (antigo PPRA, atual PGR), 
englobam agentes: 
• Físicos (ruído acima de 85dB, vibração segmentar, temperaturas extremas). 
• Químicos (poeiras inaláveis, vapores orgânicos, solventes). 
• Biológicos (vírus, bactérias, fungos). 
• Ergonômicos (posturas forçadas, repetitividade acima de 15min/hora, 
levantamento de peso >25kg) 
• De acidente (máquinas sem proteções conforme NR-12, pisos escorregadios, 
falta de sinalização). 
 
 
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• Psicossociais, como pressão por metas irreais (NR-17), jornadas exaustivas 
(>44h/semana, CLT art. 58) e baixa autonomia decisória. 
 
 
Cada setor apresenta sua própria "assinatura" de riscos. Em indústrias 
metalúrgicas, o zumbido constante das máquinas e a nuvem de partículas 
metálicas são ameaças diárias. Já em hospitais, o contato com secreções 
e agulhas perfurocortantes exige vigilância redobrada. E nos escritórios, 
que parecem inofensivos, horas intermináveis diante de telas mal 
posicionadas geram uma silenciosa epidemia de dores cervicais e fadiga 
mental. 
 
Você percebe como nenhum ambiente escapa dessa realidade? 
 
Olhos atentos: como reconhecer esses perigos? 
 
A identificação vai além de vistorias superficiais. Conforme NR-1, item 1.5.4, exige: 
• Observação sistemática. 
• Escuta ativa dos trabalhadores. 
• Mapeamento real das tarefas. 
 
Qual a origem desse perigo? Sua frequência? Impacto potencial? 
 
Vamos a exemplos concretos que ajudam a visualizar isso: 
• Ruído persistente em uma linha de montagem não causa só surdez 
progressiva, mas também eleva o cortisol, gerando estresse crônico e erros de 
atenção. 
• Manipulação inadequada de desinfetantes em serviços de limpeza provoca não 
só irritações cutâneas imediatas, mas sensibilização respiratória ao longo dos 
meses. 
• Postura estática prolongada no atendimento bancário desencadeia tensões 
lombares que evoluem para hérnias de disco. 
 
Nota 
A chave está na análise multidimensional: não se trata apenas de medir decibéis ou de 
analisar laudos químicos, mas de compreender como esses elementos se combinam 
na rotina do trabalhador. 
 
Consequências reais: o preço do descuido 
 
Os efeitos desses riscos se manifestam em dois horizontes temporais. 
• No curto prazo, acidentes como quedas, cortes e intoxicações demandam 
atendimento imediato. 
• No longo prazo, surgem patologias silenciosas: pneumoconioses por inalação 
crônica de poeiras, neurites por vibração segmentar, LER/DORT por 
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sobrecarga repetitiva, ou mesmo transtornos ansioso-depressivos por desgaste 
emocional acumulado. 
 
Para refletir 
Porém, o impacto vai além do indivíduo. Empresas enfrentam 
absenteísmo, elevação de custos previdenciários, rotatividade elevada e 
queda na qualidade produtiva. Você já viu como um único afastamento por 
lesão ergonômica pode desestabilizar uma equipe inteira? É um ciclo 
vicioso que só se rompe com prevenção consciente. 
 
Estratégias de enfrentamento: da teoria à prática concreta 
 
Prevenir exige hierarquia de controles, um conceito que organiza as ações por 
ordem de eficácia: 
1. Eliminação do risco na fonte: remover completamente o risco da atividade. 
2. Substituição: trocar agente perigoso por alternativa menos nociva. 
3. Controles de engenharia ((média-alta eficácia): implementar modificações 
físicas no ambiente/processo. 
4. Medidas administrativas: realizar mudanças na forma de organizar o trabalho 
(rotação de tarefas, pausas ativas, treinamentos). 
5. Equipamentos de Proteção Individual (como última barreira): desenvolver 
proteção individual quando outros controles falham. 
 
Ergonomia 
 
A ergonomia (NR-17) adapta o humano ao trabalho: cadeiras reguláveis (altura 40-
50cm), monitores na linha dos olhos, pausas 10min/90min. Capacitação (NR-1) 
empodera: quem conhece riscos protege a si e ao time. 
 
A ergonomia surge como aliada indispensável, adaptando o trabalho ao ser humano. 
Cadeiras reguláveis, suportes para monitor na altura dos olhos, técnicas de 
levantamento de peso e intervalos programados transformam postos de trabalho em 
espaços funcionais. E não se esqueça da capacitação transformadora: 
 
O trabalhador que compreende os riscos de sua atividade protege a si mesmo e aos 
colegas. 
 
Vigilância em ação: monitorando para proteger 
 
A vigilância da saúde ocupacional fecha o ciclo preventivo. Exames admissionais, 
periódicos e demissionais, aliados ao registro sistemático de queixas, permitem 
detectar desvios precocemente. Um audiograma alterado sinaliza necessidade 
imediata de controle acústico. Dores lombares recorrentes exigem reavaliação 
ergonômica. 
 
 
 
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É a prevenção ativa, que intervém antes da doença se instalar. 
 
Construindo seu PPRA prático: um guia passo a passo 
 
Você quer saber como operacionalizar isso tudo? O Programa de Prevenção de 
Riscos Ambientais (PPRA), agora evoluindo para o Programa de Gerenciamento 
de Riscos (PGR) conforme a NR-1, é sua ferramenta. Veja como estruturá-lo de 
forma simples e eficaz:Cinco etapas fundamentais: 
1. Mapeamento setorial: liste todos os ambientes e descreva suas atividades 
principais. 
2. Inventário de riscos: observe e registre todos os agentes presentes. 
3. Avaliação crítica: estime probabilidade e gravidade de cada exposição. 
4. Plano de ação: defina prioridades e cronograma de intervenções. 
5. Monitoramento evolutivo: revise anualmente ou sempre que houver 
mudanças. 
 
Identificação de riscos e intervenções prioritárias no ambiente de trabalho 
 
Setor Risco Principal Efeito Esperado Intervenção 
Prioritária 
Produção Ruído >85dB Surdez + estresse Enclausuramento 
+ manutenção + 
protetores 
Expedição Postura viciada + 
peso 
Lombalgia + hérnia Carrinhos 
ergonômicos + 
treinamento 
Administração Videoterminal + 
sedentarismo 
Fadiga visual + 
DORT 
Suporte monitor + 
pausas ativas 
 
O seu PPRA deve respirar a realidade da empresa, ele não é um documento para ficar 
na gaveta, mas um mapa vivo que guia decisões diárias. 
 
Eficácia preventiva 
 
A verdadeira eficácia preventiva nasce na origem do risco, nunca apenas em seus 
sintomas. Corrigir o ambiente sempre supera esperar que o trabalhador se adapte 
sozinho às suas falhas. A proteção integral exige harmonia entre estrutura física, 
gestão de processos e comportamento consciente. A falta de um desses pilares 
desmorona toda a estratégia. 
 
Identificar riscos ocupacionais é, acima de tudo, reconhecer a dignidade do trabalho 
humano. 
 
 
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Quando você aprende a enxergar esses perigos e a enfrentá-los com método, não 
está apenas cumprindo normas, está construindo um futuro em que o trabalho 
preserva a vida, não a compromete. 
 
 
 
 
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Encerramento 
 
 
O que é higiene do trabalho e quais são as 
características das condições físicas de trabalho? 
 
Higiene do trabalho é o termo que se usa para caracterizar a importância de se reduzir 
o número de acidentes de trabalho e de doenças ocupacionais, adotando a prevenção 
como medida de reconhecimento dos fatores de risco para uma ação eficaz no 
combate às doenças físicas ou psicológicas no trabalho. 
 
Também podemos conceituar como sendo as normas e procedimentos que preservam 
os trabalhadores de riscos de saúde oriundos das tarefas desempenhadas no 
cotidiano laboral e do ambiente ao qual são expostos. 
 
Em relação ao ambiente físico do trabalho, podemos citar alguns aspectos importantes 
que devem constar nos programas de higiene do trabalho para que sejam analisados 
e posteriormente serem passíveis de controle, já que produzem um grande impacto na 
saúde do trabalhador. São eles: temperatura, ventilação, iluminação e ruídos, entre 
outros. 
 
 
Quais são as atuais abordagens sobre ergonomia? 
 
As principais abordagens em ergonomia podem ser classificadas quanto à 
abrangência, à aplicação, à conscientização e à interdisciplinaridade e são dos 
seguintes tipos: 
 
Quanto à abrangência: 
• Abordagem microergonômica - Ergonomia do objeto 
• Abordagem macroergonômica – Ergonomia de sistemas 
 
Quanto à aplicação: 
• Ergonomia de concepção – Normas e especificações de projeto 
• Ergonomia de correção – Modificação de situações existentes 
• Ergonomia de arranjo físico – Melhoria de layouts e fluxos de produção 
• Ergonomia de conscientização – Capacitação em ergonomia 
 
Quanto à interdisciplinaridade: 
• A ergonomia conta com a colaboração de diversas áreas do conhecimento, 
como engenharia, design, psicologia, medicina, enfermagem e administração. 
 
 
 
 
 
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Que aspectos são relevantes para a saúde física e 
mental no trabalho? 
 
São inúmeros os aspectos importantes para a promoção da saúde física e mental, tais 
como controlar os fatores de risco de acidentes no ambiente físico e psicológico, 
relações sociais saudáveis, satisfação no trabalho, ambiente de trabalho agradável, 
organização do trabalho, as interações dentro do ambiente de trabalho relacionadas 
ao conteúdo da tarefa, das condições organizacionais, das habilidades do trabalhador 
ou qualquer outro que possa influenciar no desempenho da saúde e do bem-estar do 
trabalhador. 
 
 
Como a identificação estratégica dos riscos 
ocupacionais pode transformar ambientes de trabalho 
comuns em espaços que preservam a vida e a 
dignidade do trabalhador? 
 
Mapeando perigos setoriais específicos. 
 
 
Resumo da Unidade 
 
O principal objetivo desta unidade foi compreender a higiene do trabalho, a saúde 
ocupacional seus fatores inerentes. Para tanto, ressaltamos a importância da 
implantação de medidas de segurança no ambiente de trabalho. 
 
Sua função é adotar medidas de prevenção e redução das doenças laborais, 
identificando e reconhecendo os fatores de riscos existentes. 
 
Vimos que toda empresa deve possuir um programa de higiene do trabalho que 
envolva o ambiente físico e psicológico. 
 
A ergonomia estuda esses ambientes de forma interdisciplinar para encontrar a 
melhor maneira de adaptação da máquina ao homem, envolvendo fatores 
fisiológicos, anatômicos e psicológicos para preservar a saúde física e mental do 
trabalhador. 
 
 
Referências da Unidade 
 
• ALI, Salim Amed. Dermatoses relacionadas com o trabalho. In: MENDES, 
Renê (org.). Patologia do trabalho. Rio de Janeiro: Atheneu, 2013. p. 1341-
1425. Disponível em: Biblioteca Virtual. 
 
 
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• BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento 
de Ações Programáticas Estratégicas. Perda auditiva induzida por ruído 
(Pair). Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2006. 40 p. (Saúde do Trabalhador: 
Protocolos de Complexidade Diferenciada, n. 5; Série A. Normas e Manuais 
Técnicos). ISBN 85-334-1144-8. 
 
• FALZON, Pierre. Ergonomia. São Paulo: Editora Blucher, 2015. Disponível 
em: Minha Biblioteca. 
 
• KANAANE, Roberto. Comportamento humano nas organizações: o desafio 
dos líderes no relacionamento intergeracional. São Paulo : Atlas, 2017. 
Disponível em: Minha Biblioteca. 
 
• OLIVEIRA, Otávio de. Gestão da qualidade, higiene e segurança na 
empresa. São Paulo: Cengage, 2016. Disponível em: Minha Biblioteca. 
 
• SOUSA, Lucila Medeiros Minichello de; MINICHELLO, Moacyr 
Medeiros. Saúde Ocupacional. São Paulo: Editora Érica, 2014. Disponível em: 
Minha Biblioteca. 
 
• BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do 
Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República,[2026]. 
 
• SERIQUE, M. A. B. (org.). Saúde do trabalhador: estratégias para promoção, 
prevenção e qualidade de vida no trabalho. Belém: Neurus, 2025. Biblioteca 
Virtual Pearson. 
 
• TELMO, R. de L.; SLAVUTZKI, L. C. Segurança e Saúde no Trabalho: um Guia 
de Princípios Essenciais. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 2024. Biblioteca 
Virtual 
 
• TOLEDO, F. de (org.); OLIVEIRA, C. L. de; PIZA. Segurança e saúde no 
trabalho (História da Segurança do Trabalho - Princípios da Administração e 
Gestão Empresarial - Segurança do trabalho - Equipamento de Proteção 
Individual (EPI) - Ergonomia - Ética profissional e empreendedorismo - 
Programas da Área de SST). São Caetano do Sul: Difusão, 2016. Biblioteca 
Virtual Pearson. 
 
 
Para aprofundar e aprimorar os seus conhecimentos sobre os assuntos 
abordados nessa unidade, não deixe de consultar as referências 
bibliográficas básicas e complementares disponíveis no plano de ensino 
publicado na página inicial da disciplina. 
 
http://renastonline.ensp.fiocruz.br/recursos/protocolo-perda-auditiva-induzida-ruido-pair
http://renastonline.ensp.fiocruz.br/recursos/protocolo-perda-auditiva-induzida-ruido-pair
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm

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