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ENTRE A SOCIOLOGIA DO CONTROLE E A CRIMINOLOGIA MARGINAL: INSURGÊNCIA (AFRO)EPISTÊMICA SOBRE O SISTEMA DE CONTROLE RACIAL/SOCIAL BRASILEIRO. “A nossa escrevivência não pode ser lida como 'canções para ninar os da casa grande', mas sim para incomodá-los em seus sonhos injustos”. (Conceição Evaristo) INTRODUÇÃO Na década de 1980, travou-se uma importante discussão sobre a (des)orientação epistemológica da criminologia latino-americana envolvendo, principalmente, Eduardo Novoa Monreal (“¿Desorientacion epistemológica em La criminologia critica?” e “Lo que hay al lado no es um jardim: mi réplica a L. Aniyar”) e Lola Aniyar de Castro (“„El jardin de al lado‟, o repondiendo a Novoa sobre la criminologia critica”), em torno de sua “síndrome de identidade”, sugestionando, inclusive, que o próprio nome “criminologia” fosse substituído. Lola Aniyar de Castro defendeu que a Criminologia se refere a um movimento pelo qual o Estado legitimou seu controle e dominação (remetendo-se à Criminologia Positivista inaugurada por Cesare Lombroso a partir da construção do paradigma racista/etiológico insculpida em seu primeiro livro L’uomo bianco e l’uomo do colore: letture sull’origine e la varietà delle razze umane, e consolidado no mundialmente conhecido L'Uomo Delinquente), a manutenção da nomenclatura, assim, se torna estratégia política de confronto ao não abandonarmos um campo construído com vistas ao controle dos indesejáveis. Para superarmos o espistemicídio sistêmico que consolida nosso sistema de controle, Vera Andrade defende uma Sociologia do Controle Social, fincando as bases para a construção de uma Criminologia brasileira ao apontar para a imprescindível “escutatória” dos invisibilizados, permitindo o afloramento de outras criminologias, não a partir do lugar de fala ilegítimo dos guardiões da estrutura colonial através da secular colonialidade, o(a)s intérpretes e tradutore(a)s dos silenciados, obrigados apenas a ouvir (SPIVAK, 2010), mas por heranças epistemológicas que (re)nascem a partir de suas próprias raízes e epistemes. Nesse sentido, surge a Criminologia Marginal brasileira, na qual a questão racial é radical, fundada em pactos inaugurados muito antes do nosso “descobrimento”, seguidos de diversas legitimações que estabeleceram a supremacia branca como “natural” a partir do racismo que restou negado após 1888, enquanto mantém intactos os lugares raciais pré- definidos em nossa dicotomia geopolítica mais básica: Casa Grande versus Senzala, lócus que determina, ainda, a inumanização negra sob a branquidade e os infindáveis privilégios insculpidos na branquitude. Provocar fissuras críticas no solo (ainda que “crítico”) brasileiro, para se pensar a brasilidade, é o objetivo destas linhas, enfrentando o domínio e a opressão raciais escamoteadas na farsa abolicionista que sedimentou o conto infantil do “país das maravilhas raciais”. O RACISMO ENQUANTO PROGRAMAÇÃO NO CONTROLE RACIAL/SOCIAL “Assumimos uma luta que nos vincula aos abolicionistas que se opuseram à escravidão. As instituições da prisão e da pena de morte são os exemplos mais óbvios de como a escravidão continua a assombrar nossa sociedade.” (Angela Davis) Países estruturados no racismo demandam um sistema de controle racial/social como condição da sua manutenção e existência, programando, racialmente, seus instrumentos de domínio, opressão e violência. Estes são direcionados a corpos objetificados, em plena conformidade com o racismo fundado a partir do olhar, autointitulado “superior”, que atravessou o negro sem vê-lo, ignorando sua humanidade, estabelecendo sua inferioridade por quem deixou de sê-lo e, negando sua ascendência mais remota: o branco (MOORE, 2007). O sistema de controle no Brasil, assim, foi esboçado antes mesmo de seu “descobrimento”, no final do século VX na Península Ibérica, onde a humanidade do índio foi reconhecida e a animalidade do negro determinada a partir do termo “mulato” (POLIAKOV, 1974). A inumanização racista logo foi ratificada pela Igreja Católica, legitimando a invasão e a escravidão na África e inaugurando a diáspora objetificante, base do colonialismo que transformou a ideologia racial em política genocida imprescindível à inauguração da ordem mundial ocidental: a necro-política, ideário que sustenta a soberania como poder, direito e gestão inquestionável sobre a vida e a morte. Um poder que não é unicamente estatal, se (re)legitimando e se reforçando no discurso da criação de urgências (potencializadas pela manipulação do medo e a necessidade sempre crescente de segurança), construção de outros como inimigos, e criação de exceções (MBEMBE, 2011). O racismo radical interiorizou em cada colonizado o sonho senhorial, fruto do paradigma objetificante, de obter o poder “absoluto” sobre o corpo negro coisificado, a condição basilar do reconhecimento social na periferia. Instrumentalizando toda a violência aprendida em sua vivência, cada colonizado torna-se a “quintessência do mal” (FANON, 1968). Transmutado em sinhô, toda e qualquer manipulação sobre (e a partir do) objeto negro é autorizada, sua vida, morte ou morte em vida, é um ato que prescinde de qualquer justificativa. A “abolição da escravatura” finda a legalidade do sistema de controle racial brasileiro, abalando os pilares da ordem racial e, com ela, a hegemonia e exclusividades da raça branca. Nesse contexto, a Criminologia positivista, fundada com o paradigma racista-etiológico lombrosiano, transformado após a “tradução”, processo complexo que determina uma verdadeira metamorfose tendo em vista sua funcionalidade (SOZZO, 2014) em rodrigueano, foi a legitimação que manteve o status quo hierárquico-racial, senão em termos de políticas públicas para a formalização do apartheid brasileiro, em concretização prática de um controle racial segregacionista que permitiu a ininterruptibilidade do genocídio negro (GÓES, 2016). Assim foi inaugurado o “encarceramento em massa” brasileiro, ou melhor, da massa negra, um projeto político de redemarcação dos lugares raciais com a adoção da prisão como “única” resposta estatal face ao crime (substituindo às senzalas), e o trabalho obrigatório como instrumento disciplinador (característica do sistema de controle social central que vinculou prisão e fábrica (MELOSSI; PAVARINI, 2010; FOUCAULT, 1999), explicitando o objetivo de remontar o sistema escravagista sob novos fundamentos, conforme o art. 45 do Código Penal de 1890: A pena de prisão cellular será cumprida em estabelecimento especial com isolamento cellular e trabalho obrigatorio, observadas as seguintes regras: a) si não exceder de um anno, com isolamento cellular pela quinta parte de sua duração; b) si exceder desse prazo, por um periodo igual a 4ª parte da duração da pena e que não poderá exceder de dous annos; e nos periodos sucessivos, com trabalho em commum, segregação nocturna e silencio durante o dia. [sic]. O racismo, “modernizado” sob o véu cientifizado criminológico oitocentista, foi o salva-guarda da estrutura racial brasileira mesmo em solo “democrático”, mantendo seguras a branquidade, a “supremacia” e a dominação pela legitimação inquestionável da metamorfose do escravo recém-liberto, em (sub)cidadãos, e estes em criminosos natos. Angela Davis nos mostra como o Direito Penal alterou, automaticamente, a prisão da escravidão em escravidão da prisão no sul estadunidense, desfazendo a ilusão democrática que, para os negros: “fora contida no mesmo momento em que fora prometida: na abolição da escravidão. Com a abolição da escravidão, os negros deixaram de ser escravos, mas imediatamente se tornaram criminosos – e, como criminosos, tornaram-se escravos do Estado” (DAVIS, 2009). Em seu livro “Black Reconstruction”, de 1935, W. E. B. Du Bois demonstra a vinculação visceral entre sistema criminal, com imprescindívelfundamentação criminológica/racista, e racismo, contendo a animalidade negra com o aprisionamento pelo trabalho forçado e locação aos seus ex-senhores. A “tradução”, em solo estadunidense, do paradigma racista/etiológico lombrosiano estabeleceu o marco fundacional para o Jim Crow e do encarceramento negro em massa. No Brasil, onde a punição e disciplina sempre orbitaram sobre o corpo objetificado pelo racismo, nosso sistema punitivista de viés doméstico (BATISTA, 2002) ultrapassou os limites fazendários, seguindo os passos dos ex-escravos (tática dos capitães do mato), com fins de manter a ordem e a estrutura intacta em meio ao caos racial provocado pela ruptura do sistema de controle legal escravagista. Ademais, as características desumanizantes foram escamoteadas, mantendo intacto nosso modelo de disciplinamento: a inscrição da violência sobre o corpo coisificado de uma “quase gente”, cujo único “direito” é (ainda) ser violentada. O recrudescimento cautelar do nosso sistema de controle refletiu os objetivos e ideais de uma sociedade racista que tinha como problema maior a questão negra, cuja solução estava calcada no genocídio como manutenção da branquitude (SCHUCMAN, 2014). Contexto que impôs uma cisão em nosso Direito penal: ao lado do Direito Penal declarado para os cidadãos, alicerçado no Direito Penal do fato construído às luzes do Classicismo, o Direito penal paralelo para os “sub-cidadãos”, legitimado no Direito Penal do autor consolidado pela tradução marginal do paradigma racial-etiológico, que por sua vez, situa seu fundamento na periculosidade, um sistema outrora identificado como “subterrâneo” (CASTRO, 2005) que aqui jamais se ocultou. O ATUAL SISTEMA DE CONTROLE RACIAL/SOCIAL BRASILEIRO Na contemporaneidade, a programação racista de nosso sistema de controle racial/social é demonstrada, no Direito Penal declarado, pelos dados oficiais do que expõem a “clientela” da terceira maior população em situação de cárcere do mundo, identificada racialmente de antemão, enquanto o racismo permanece inominável e “sem relação” alguma com o encarceramento (negro) em massa: pretos e pardos representam quase 70% da população encarcerada, o que significa que dois em cada três presos são negros, porcentagem que se mantém no encarceramento feminino. O aprisionamento massivo de corpos negros não é um fato sem razão de ser, é resultado positivo da política histórica nacional de exclusão negra que modernizou as senzalas e transformou o cárcere no segundo lugar do negro. Essa massificação antecipa a privatização do sistema carcerário brasileiro, nos moldes do sistema atuarial estadunidense que moderniza o paradigma racista/etiológico ao consolidar a periculosidade como eixo central da dogmática penal. Em nosso Direito Penal Paralelo, limitado apenas em termos territoriais favelizados, construídos com o primeiro lugar do negro (SANTOS, 2010), suas práticas recortam todo e qualquer quadro teórico, com estribo constitucional, tornando-o um dos mais mortíferos do mundo pela postura policial responsável, em 2016, pela morte de 4.424 pessoas, 76,2% das vítimas eram negros, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, vítimas do racismo institucional(izado) que continua (des)velado. Assim “legitimado”, o Estado brasileiro extermina os jovens negros antes que estes representem qualquer risco à estrutura estatal, manipulando o genocídio com viés neutralizante/acautelatório de quem mais tem motivos para desconstruí-lo, culminando com o assassinato de um jovem negro a cada 23 minutos, segundo o relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o assassinato de jovens, do Senado Federal em 2016. Ou seja, a cada 100 pessoas assassinadas no Brasil, 71 são negras, muitas, alvejadas pelas balas (nunca) perdidas que sempre acertam seu alvo (quase) exclusivo. Engendrando nesse “Direito Penal” e escamoteado nos discursos de um “Ornitorrinco punitivo” (ANDRADE, 2012), a continuidade da política pública de desnegrecimento do país foi assegurada pela declaração de “guerra às drogas” pré-anunciada no Brasil em 1830, o primeiro país do mundo a editar uma lei contra a maconha, quando a prisão se destinava aos escravos e usuários do “pito de pango”, enquanto o vendedor era multado, demonstrando a seletividade racial (BARROS; PERES, 2011). A declaração de guerra veio após a abolição (ao contrário do que induz a ideia de “coligação” à política de guerra estadunidense), com o combate ao “comércio” e uso do “fumo de negro” (maconha) na década de 1930, que reprogramou o sistema de controle racial sob o discurso de “saúde pública”, e uniu nossos direitos penais para manter o domínio e opressão da população negra, atualizando genocídio negro, intra ou extramuros pelos quais o Brasil continua aumentar sua cifra negra. Uma estratégia política que ganha cores vivas do nosso racismo ao colocarmos luz na construção dos “campos de batalha”, dos inimigos de sempre e no fundamento real explicitado pela guerra racial chancelada pelo Estado. Se o projeto de embranquecimento possibilitou a redenção de Cam, o Estado brasileiro substituiu aquela maldição pela do conde Drácula, sob a qual a “saúde pública” necessita, diariamente, de sangue (negro). A lógica (in)constitucional exterminante de nossa “guerra contra às drogas” é endossada pelo Judiciário, que autoriza, desde a priori, a ignorância do bem jurídico mais valioso (?), legitimada pelo discurso do “inimigo” construído racialmente, demonstrando que nossa “justiça” não possui qualquer obstáculo em seu olhar apurado, deslocando o fiel da balança de acordo com a pigmentocracia. Essa guerra resta, irrefutavelmente, perdida, se (e apenas se) correlacionarmos seu fundamento declarado à estratégia adotada, porém, em seu objetivo latente (?) o sucesso é absoluto: o extermínio do “traficante”, demônio incorporado por corpos facilmente encontrados em toda e qualquer esquina marginal(izada). Nosso sistema de controle racial/social se embasa na presunção de periculosidade que exala pelos poros de corpos negros e na pena de morte paralela, avalizada constitucionalmente. Regras de um Estado de exceção permanente, nas margens da margem, fantasiado pelo conto infantil “Brasil: o país das maravilhas raciais” que seduz grande parte de nossa “elite crítica”. Uma posição que fortalece nosso racismo pelo não enfrentamento, expondo seus efeitos sem causa “aparente”, enquanto possibilita o fácil reconhecimento de sua “clientela”, heranças marcadas a ferro em uma população desarmada politicamente. Raça, no Brasil, é fator criminógeno e exterminante, mantenedores da nossa (sempre viva) gênese escravocrata que se arvora no sistema sócio-educativo, transformando-o em um Sistema Penal para menores na prática, explicitando a falência do sistema prisional, pois é incapaz de ressocializar quem nem ao menos foi socializado, re-educar quem nunca foi educado, reintegrar quem jamais foi integrado em uma sociedade excludente. Um ideário que não pode ser compelido pelos Direitos Humanos que resta repelido pela animalidade tornada signo negro, imiscuída em sua construção e sinônimo de risco à humanidade, eis que: “o direito é [...] uma maneira de fundar juridicamente uma certa ideia de Humanidade enquanto estiver dividida entre uma raça de conquistadores e uma raça de servos. Só a raça de conquistadores é legítima para ter a qualidade humana.” (MBEMBE, 2014, p. 111.) CONSIDERAÇÕES FINAIS O sistema de controle racial/social brasileiro somente se mantém pelo racismo, condição existencial do país. Arquitetados pelo racismo, devemos desvelá-lo como ideologia originária de violências e que, por suas características atemporais e aterritoriais, hoje prescinde de qualquer legitimação, abrindo caminho para o seu (re)conhecimento sob o risco de “modernizar” nosso velho sistema de controle racial/social,dotando-o de novos instrumentos e discursos, mantendo, novamente, intacto o apartheid brasileiro. Deslocando-nos ao centro panorâmico para a conservação da ordem racista, da periculosidade cientificazada emerge outro conceito fundamental: a antissocialidade negra. A resistência, luta por (sobre)vivência e busca por (re)conhecimento de direitos e raízes, contrariava e desafiava a “ordem natural” e o lugar estabelecido ao negro, a submissão, resignação e embranquecimento como instrumento de docilização/domestificação. O ativismo do negro, então, etiquetado de “antissocial” por não aceitar os padrões e condições que uma sociedade racista lhe impôs, foi criminalizado por suas características “primatas ontológicas” transmitidas geracionalmente, quer pelo atavismo que pela hereditariedade. A ordem em sociedades racistas pressupõe a paz racial conseguida somente com o controle e domínio completo do mundo negro, para o qual, o mundo branco é extremamente hostil. A passividade dos corpos negros, sua resiliência face às violências vivenciadas todos os dias (sobre o passado, presente e futuro), suportam, estruturam e mantém o mundo monocromático (quase) perfeito da branquidade. A liberdade negra pressupõe, assim, a restrição da liberdade branca, ruptura dos seus meios de controle e, por fim, demolição do seu mundo. A luta antirracista impõe a população branca, como condição basilar, o reconhecimento dos presentes que possui pela branquitude, já que muitos privilégios não podem, por mais que se queira (e de boa vontade, o inferno, para quem acredita nele, está cheio!), ser renunciados, como a vida, o maior deles, já que seus corpos “alvos e belos” dificilmente são confundidos com o do traficante. Luciano Góes é Mestre em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC (2015). Professor/bolsista do Programa Pesquisa Produtividade do Centro Universitário Estácio de Santa Catarina, Coordenador-Geral e responsável pelo núcleo jurídico do projeto de extensão Vicente do Espírito Santo - S.O.S Racismo. Professor de Direitos Humanos e Direito Penal do curso Pós-Graduação Lato Sensu em Direito Penal e Processual Penal, do Centro Universitário Católica de Santa Catarina. Vice-presidente da Comissão de Igualdade Racial da OAB/SC-Subseção de São José, e Secretário-Geral da Comissão da Verdade sobre a Escravidão Negra no Brasil da OAB/SC. Pesquisador/membro do projeto de Pesquisa e Extensão “Universidade Sem Muros” (UFSC), do Grupo de Pesquisa Brasilidade Criminológica (UFSC/CNPq), e do Núcleo de Estudos Afro- Brasileiros do Centro Universitário Estácio de Santa Catarina (NEAB - Estácio). Advogado Criminal. 2º lugar, na categoria “Direito”, do 59º Prêmio Jabuti (2017). REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANDRADE, Vera Regina Pereira de. Pelas mãos da criminologia: o controle penal para além da (des)ilusão. Rio de Janeiro: Revan, 2012. BARROS, André; PERES, Marta. Proibição da maconha no Brasil e suas raízes históricas escravocratas. Revista Periferia, Vol. III, n. 2, 2011. BATISTA, Nilo. Matrizes ibéricas do sistema penal brasileiro. 2ª ed. Rio de Janeiro: Revan, ICC, 2002, vol. 1. CASTRO, Lola Aniyar de. Criminologia da libertação. Tradução de Sylvia Moretzsohn. 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