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1 de 2gran.com.br Direitos dos Advogados VI ÉTICA E ESTATUTO DA OAB DIREITOS DOS ADVOGADOS VI Dando continuidade ao estudo dos direitos dos advogados, após a análise do desagravo público, previsto no art. 7º, inciso XVII, § 5º, do Estatuto, e no art. 18 do Regulamento, passa-se ao 17º direito dos advogados, referente aos símbolos privativos da advocacia. São considerados símbolos privativos da advocacia a deusa da justiça, a balança da justiça, a espada, o martelo de madeira, a beca utilizada para sustentação oral, a pena, o livro e o crucifixo. O crucifixo é considerado símbolo privativo da OAB sem qualquer conotação religiosa. Sua utilização como símbolo decorre da ideia de representar o maior erro de julgamento da história da humanidade, consistente na condenação de um inocente à crucificação. Por esse motivo, o crucifixo, assim como a pena, o martelo e a toga, é considerado símbolo privativo da OAB. O 18º direito dos advogados corresponde ao direito ao sigilo profissional, previsto no art. 7º, inciso XIX, do Estatuto da OAB. O advogado deve resguardar o sigilo sobre todas as informações recebidas no exercício profissional da advocacia. Esse dever de sigilo alcança as informações obtidas tanto no exercício da advocacia quanto no desempenho de qualquer cargo ou função exercidos no âmbito da OAB, bem como na atuação como árbitro ou mediador. A quebra do sigilo profissional constitui infração disciplinar. Uma única quebra de sigilo enseja aplicação da penalidade de censura. Em situações de extrema gravidade, como uma divulgação de grandes proporções, poderá haver aplicação da penalidade de exclusão, mediante aprovação por dois terços. Quando o conhecimento dos fatos ocorre fora do exercício da advocacia, não incide o dever de sigilo profissional. Assim, se um advogado presencia um crime como qualquer pessoa do povo e posteriormente é intimado como testemunha, deverá prestar depoimento, pois a informação não foi obtida na qualidade de advogado. Situação diversa ocorre quando o conhecimento dos fatos decorre da atuação profissional. Se, ao se identificar como advogado, prestar consultoria a uma pessoa envolvida em um crime, ainda que não venha a ser contratado, as informações recebidas passam a estar protegidas pelo sigilo profissional. Nessa hipótese, se posteriormente for intimado para depor sobre tais informações, não poderá fazê-lo, pois o dever de sigilo abrange todas as informações recebidas no exercício da advocacia, no desempenho de qualquer cargo ou função na OAB ou na atuação como árbitro ou mediador. O sigilo profissional não possui caráter absoluto. Excepcionalmente, admite-se a quebra do sigilo profissional em situações que envolvam a proteção da vida ou da honra de terceiro ou do próprio advogado. Como exemplo, considera-se a hipótese em que um advogado atua em uma ação de divórcio e, durante atendimento realizado em seu escritório, o cliente informa que contratou https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 2 de 2gran.com.br Direitos dos Advogados VI ÉTICA E ESTATUTO DA OAB um atirador para matar a ex-esposa no dia seguinte, indicando o local e o horário em que o crime será praticado. Nessa hipótese, deve ser rompido o sigilo profissional, pois a proteção da vida da ex- esposa do cliente prevalece sobre o dever de confidencialidade. Nos casos que envolvam a vida ou a honra de terceiro ou do próprio advogado, admite-se a quebra do sigilo profissional. Recomenda-se que essa comunicação esteja registrada, a fim de possibilitar a comprovação posterior dos fatos, caso haja negativa por parte do cliente. O sigilo profissional possui relevância, inclusive, no âmbito do Código Tributário Nacional. O art. 197 do CTN estabelece que o Fisco, compreendendo União, Estados, Distrito Federal e Municípios, mediante procedimento escrito, pode requisitar diretamente à instituição financeira todas as informações relativas à conta bancária do contribuinte, sem necessidade de autorização judicial. O Supremo Tribunal Federal firmou entendimento de que essa medida não configura quebra de sigilo, mas mera transferência do sigilo, sendo a instituição financeira obrigada a fornecer as informações. Entretanto, o parágrafo único do art. 197 do CTN dispõe que essa regra não se aplica às profissões que, por determinação legal, estejam sujeitas ao dever de sigilo, como ocorre com a advocacia. Assim, caso o advogado seja intimado em seu escritório para prestar informações recebidas de cliente no exercício da profissão, deverá resguardar o sigilo, pois possui o direito legal de não revelar essas informações. Na hipótese de atuação em divórcio consensual, é possível divulgar as informações para ambos os cônjuges, pois se trata de homologação da vontade de ambos. Todavia, se o divórcio consensual se transformar em litigioso, com conflito de interesses entre as partes, não será possível continuar representando simultaneamente ambos os clientes, sob pena de caracterização de tergiversação. Nessa situação, deverá ser escolhida a representação de apenas uma das partes, preservando-se o sigilo de todas as informações anteriormente recebidas da parte contrária. Da mesma forma, caso advogados integrantes de uma mesma sociedade de advocacia representem uma empresa e pretendam admitir na sociedade outro advogado que atue em ações contra essa mesma empresa, não será possível manter essa situação. Ao ingressar na sociedade, todos os advogados passam a integrar um único corpo profissional, sendo vedado que a mesma sociedade represente clientes com interesses opostos, sob pena de caracterização de tergiversação e de conflito de interesses. � Este material foi elaborado pela equipe pedagógica do Gran Concursos, de acordo com a aula preparada e ministrada pela professora Maria Christina Barreiros. A presente degravação tem como objetivo auxiliar no acompanhamento e na revisão do conteúdo ministrado na videoaula. Não recomendamos a substituição do estudo em vídeo pela leitura exclusiva deste material. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br