Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

15
 (
Marcelina Victor dos Santos Tom
á
s 
Tema:
 SEPSE NEONATAL
Instituto politécnico da RHDC
Metuge
Agosto de 2026
)
Marcelina Victor dos Santos Tomás 
Tema: SEPSE NEONATAL
	O presente trabalho reflecte a vivência práctica no Centro de Saúde de Metuge – Sede, servindo como ponte entre os conceitos e a realidade, a ser entregue a tutora para fins de Avaliação
Tutora:_____________________________
Instituto politécnico da RHDC
Metuge
Agosto de 2026
Índice
Introdução	3
1. Tipos de sepsis neonatal	4
1.1. Sepsis neonatal precoce	4
1.1.1 Principais factores de risco materno-fetal para infecção neonatal	4
1.2. Sepsis neonatal tardia	5
1.2.1 Factores de risco neonatal para a sepse neonatal tardia são:	5
1.2.2. Sinais clínicos para o diagnóstico da sepse neonatal tardia	5
1.3. Diagnóstico	6
1.3.1 Avaliação clínica	6
1.3.2. Exames laboratoriais	7
1.3.3 Exames de imagem	8
1.4 Tratamento	8
1.4.1 Profilaxia	9
1.5. Complicações	9
1.6. Agentes causadores da sepse neonatal	10
1.7. Principais sintomas da sepse neonatal	10
1.8. Prevenção	11
1.8.1. Durante a gravidez	11
1.8.2. Durante o parto	12
1.8.3. Cuidados com o recém-nascido	12
1.9. Prevenção das infecções nos serviços de saúde	13
Conclusão	14
Referências bibliográficas	15
Introdução
A sepsis neonatal é uma condição clínica grave que ocorre quando um recém-nascido desenvolve uma resposta sistémica a uma infecção nas primeiras 4 semanas de vida, geralmente de origem bacteriana. Pode evoluir rapidamente para choque séptico, falência de órgãos e morte, sobretudo quando o diagnóstico e o tratamento são atrasados. (OMS, 2017)
A sepse é uma síndrome clínica caracterizada por múltiplas manifestações sistémicas decorrentes da invasão e multiplicação bacteriana na corrente sanguínea. Contrastando com a descrição clínica no adulto, a sepse do RN é de choque frio, caracterizado por palidez, hipotermia, moteamento da pele, vasoconstricção periférica, oligúria e evidência de isquemia orgânica (Meadow et al, 1995).
O recém-nascido é particularmente vulnerável às infecções devido à imaturidade do sistema imunológico, principalmente quando é prematuro ou apresenta baixo peso ao nascer. Por isso, a identificação precoce dos sinais de perigo, a prevenção das infecções e o tratamento adequado são fundamentais.
Considera-se geralmente o período neonatal como os primeiros 28 dias de vida. A apresentação clínica pode ser pouco específica, o que torna necessário manter um elevado grau de suspeita clínica.
1. Tipos de sepsis neonatal
1.1. Sepsis neonatal precoce
Sepse neonatal precoce é a infecção que ocorre nas primeiras 48 horas de vida e está intimamente ligada a factores de risco materno e perinatal para infecção. Os principais agentes são: Estreptococo grupo B; bacilos gram-negativos, principalmente E. coli, Listeriamonocytogenes; enterococos. É importante ressaltar que fator de risco não é sinônimo de infecção/sepse precoce, mas indicativo de uma monitorização para avaliação de presença de infecção.
1.1.1 Principais factores de risco materno-fetal para infecção neonatal 
Os principais factores de risco relacionados à sepse precoce são
· Parto prematuro;
· Ruptura prolongada de membranas ovulares ( > 18 h);
· Corioamnionite;
· Bacteriúria;
· Colonização por Streptococcus do grupo Β (SGB) com indicação para profilaxia intraparto, mas com profilaxia inadequada ou sem profilaxia;
· Baixa idade materna ( 0,4;
· Ventilação Mecânica Invasiva para manter saturação de oxigênio > 90%;
· PaCO2> 60 mmHg com pH 160 bpm
· FR > 60 rpm; 
· Hiperglicemia (> 150 mg/dL)
 1.2. Sepsis neonatal tardia
Ocorre geralmente após as primeiras 72 horas de vida e pode estar relacionada com microrganismos adquiridos no ambiente, na comunidade ou durante a permanência numa unidade hospitalar. No entanto, também pode ser causada por alguns agentes transmitidos por via placentária ou durante o nascimento, pelo canal de parto, com manifestações tardias.
1.2.1 Factores de risco neonatal para a sepse neonatal tardia são:
· Prematuridade extrema;
· Procedimentos invasivos;
· Nutrição parenteral;
· Tempo de permanência na unidade de terapia intensiva neonatal.
1.2.2. Sinais clínicos para o diagnóstico da sepse neonatal tardia 
· Temperatura axilar 37,8°C;
· Batimento de asa de nariz e/ou tiragem intercostal e/ou abdominal e/ou gemência;
· FC 180 bpm;
· FR 60 rpm;
· Hemorragia;
· Apnéia (ausência de respiração por mais de 20 segundos)
· Hipotensão
· Intolerância alimentar;
· Hipoxemia;
· Pele mosqueada e/ou pálida e/ou cianótica.
Tabela 1: Factores de risco para infecção bacteriana neonatal
	Maternos
	Recém-nascido
	Febre materna (> 37,5ºC)
	Taquicardia fetal (> 180 bat/min)
	Infecção urinária no parto
	Prematuridade
	Colonização por Streptococ cus agalactiae
	Apgar 5 min 18 horas)
	Sexo masculine
	Infecção do trato genital (cori amnionite, líquido fétido, leu correia, herpes, etc.)
	Primeiro gemelar
1.3. Diagnóstico
O diagnóstico da sepsis neonatal baseia-se principalmente na avaliação clínica, complementada por exames laboratoriais.
1.3.1 Avaliação clínica
O profissional de saúde deve avaliar:
· Estado geral do bebé;
· Temperatura;
· Frequência respiratória;
· Frequência cardíaca;
· Saturação de oxigénio;
· Alimentação;
· Perfusão e coloração da pele;
· Presença de dificuldade respiratória;
· Presença de sinais de infecção;
· História materna e do parto;
· Factores de risco para infecção.
1.3.2. Exames laboratoriais
Quando disponíveis e clinicamente indicados, podem ser realizados:
· Hemocultura, importante para identificar o microrganismo responsável;
· Hemograma;
· Proteína C reativa (PCR);
· Procalcitonina;
· Glicemia;
· Avaliação da função renal e hepática;
· Gasometria, quando necessária;
· Cultura de outros locais, dependendo da suspeita clínica.
A hemocultura é particularmente importante porque permite identificar o agente causador e orientar a escolha do antibiótico. Marcadores como PCR e procalcitonina podem contribuir para a avaliação, mas devem ser interpretados juntamente com o quadro clínico.
A hemocultura é o exame considerado padrão ouro para o diagnóstico de sepse neonatal. Antes do início da antibioticoterapia empírica, coletam-se duas amostras de dois sítios diferentes, com volume de 1 mL por amostra. Ainda, deve vir acompanhada de antibiograma, de forma a determinar o padrão de sensibilidade e resistência antibiótica do agente etiológico. Deve ser considerado como agente etiológico o patógeno que apresenta crescimento em hemocultura nas primeiras 48 horas de incubação após este período, o crescimento de patógenos pode ser resultado de contaminação da amostra (PROCI ANOY, 2019).
O hemograma e a PCR auxiliam na exclusão do diagnóstico de infecção, entretanto, não são suficientes para confirmar o diagnóstico de sepse neonatal. A contagem de leucócitos no hemograma pode ser influenciada pela idade gestacional ao nascer, sexo e tipo de parto. Achados como a contagem total de leucócitos 0,3 células/mm³ e o número absoluto de neutrófilos 1 mg/dL e, no caso de aumento isolado da PCR, devem ser considera das causas não infecciosas (PROCIANOY, 2019).
1.3.3 Exames de imagem
Em casos de desconforto respiratório, a rádio grafia de tórax pode auxiliar no diagnóstico diferencialde pneumonia. O diagnóstico de pneumonia influencia na duração da antibioticoterapia (PROCI ANOY, 2019).
1.4 Tratamento
Quando existe forte suspeita de sepsis bacteriana, inicia-se geralmente tratamento antibiótico empírico sem esperar pela evolução clínica, enquanto são recolhidas amostras para cultura quando possível.
Os esquemas de primeira linha dependem dos protocolos locais. Um esquema frequentemente utilizado em determinados contextos é a combinação de:
· Ampicilina ou benzilpenicilina, associada a
· Gentamicina.
Em situações específicas, como suspeita de meningite ou determinadas infecções resistentes, o esquema pode ser modificado pelo médico.
A escolha e a duração dos antibióticos devem ser determinadas pela equipa clínica, porque o uso inadequado pode causar resistência antimicrobiana e outros problemas
O tratamento da sepse neonatal é sinônimo de antibioticoterapia. Apesar de ser preferível hemoculturas para a identificação do patógeno sejam feitas antes do começo da terapia, não se deve retar dar o seu início em neonatos severamente debilitados ou em choque séptico (SHANE, 2017).
 Portanto, além dos antibióticos, o recém-nascido pode necessitar de:
· Oxigénio;
· Suporte respiratório;
· Manutenção da temperatura corporal;
· Controlo da glicemia;
· Administração adequada de líquidos;
· Correção de alterações eletrolíticas;
· Alimentação adequada, conforme o estado clínico;
· Tratamento de convulsões;
· Monitorização dos sinais vitais;
Em casos graves podem necessitar de internamento na unidade de cuidados intensivos neonatais.
1.4.1 Profilaxia
A droga de escolha para isso é a penicilina cristalina endovenosa, podendo também ser usada a ampicilina. Para mulheres alérgicas à penicilina, utiliza-se a cefazolina, e em mulheres com histórico de anafilaxia grave faz-se uso da clindamicina (GLASER, 2020).
Esse tratamento deve ser administrado apenas para mães que apresentam risco de transmitir o organismo para o bebé durante o parto, e elas podem ser identificadas por meio do rastreamento para estreptococos do grupo B ou pela identificação de factores de risco clínicos (SHANE, 2017).
Dessa forma, a combinação da triagem universal de gestantes para colonização por estreptococo do grupo B por cultura vaginal e retal (coletada com 36 a 37 semanas de gestação) com a profilaxia intraparto, constitui a estratégia mais efectiva para a prevenção da sepse precoce (PROCIANOY, 2019).
1.5. Complicações
Importa referir que quando não é diagnosticada e tratada rapidamente, a sepsis neonatal pode provocar:
· Choque séptico;
· Insuficiência respiratória;
· Meningite;
· Convulsões;
· Lesão cerebral;
· Insuficiência renal;
· Falência de múltiplos órgãos;
· Alterações da coagulação;
· Problemas do desenvolvimento neurológico;
· Morte.
A evolução pode ser muito rápida, razão pela qual a identificação precoce é fundamental.
1.6. Agentes causadores da sepse neonatal
A sepsis neonatal é causada principalmente por bactérias, embora fungos e vírus também possam estar envolvidos.
Entre os microrganismos frequentemente associados encontram-se:
· Streptococcus do grupo B;
· Escherichia coli (E. coli);
· Klebsiella pneumoniae;
· Staphylococcus aureus;
· Fungos, especialmente em recém-nascidos muito vulneráveis ou submetidos a internamento prolongado.
Os agentes responsáveis podem variar conforme a unidade hospitalar, comunidade e perfil de resistência aos antibióticos. Por isso, os antibióticos devem ser escolhidos de acordo com os protocolos e os padrões locais de resistência.
1.7. Principais sintomas da sepse neonatal
Os sinais de sepsis neonatal podem ser discretos e inespecíficos, por isso qualquer alteração do comportamento ou do estado geral do recém-nascido deve ser valorizada.
Os principais sinais incluem:
· Recusa ou dificuldade para mamar;
· Sucção fraca;
· Sonolência excessiva ou letargia;
· Irritabilidade;
· Redução dos movimentos espontâneos;
· Febre, geralmente ≥ 38 °C;
· Hipotermia, geralmenteda Saúde (OMS). Newborn infections. Genebra: WHO.
Organização Mundial da Saúde (OMS). Essential newborn care course, second edition. 2025.
World Health Organization. Newborns treated for neonatal infection – indicator metadata.
National Center for Biotechnology Information (NCBI). Neonatal Sepsis. Atualização de 22 de janeiro de 2026.
SHANE, A.L. et al. Neonatal sepsis. The Lancet, v. 390, n. 10104, p. 1770–1780, out. 2017. Doi: 10.1016/s0140 6736(17)31002-4.
PROCIANOY, R.S. & SILVEIRA, R.C. The challenges of neonatal sepsis management. Jornal de pediatria, v. 96, n. suppl 1, p. 80-86, 2020. Doi: 10.1016/j.jped.2019
GLASER, M.A. et al. Neonatal Sepsis. Advances in Neonatal Care, v. 21, n. 1, p. 49–60, 12 set. 2020. Disponível em https://doi.org/10.1097
MEADOW, W. & RUDINSKY, B. Inflamatory mediators and neonatal sepsis: rarely has so little been known by so many about so much. Clinics in Perinatology, 22(2): 519-536, 1995
image1.png

Mais conteúdos dessa disciplina