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AVALIAÇÃO DO USO COMBINADO DE ATRIBUTOS ÓPTICOS E SAR NA CLASSIFICAÇÃO DE VEGETAÇÃO DE MANGUE Vinícius D’Lucas Bezerra e Queiroz 1, Fabio Furlan Gama 1, Ana Lúcia Bezerra Candeias2 e Sidnei João Siqueira Sant’Anna 1 1Programa de Pós-Graduação em Sensoriamento Remoto - PGSER, Divisão de Observação da Terra e Geoinformática - DIOTG, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE; 2 Departamento de Engenharia Cartográfica - DeCART, Centro de Tecnologia e Geociências – CTG, Universidade Federal de Pernambuco – UFPE 1vinicius.queiroz@inpe.br, 1fabio.furlan@inpe.br, 1sidnei.santanna@inpe.br, 2ana.candeias@ufpe.br RESUMO Os manguezais são ecossistemas importantes devido às suas contribuições ambientais e serviços ecossistêmicos. Entretanto, apresentam-se como ambientes bastante vulneráveis, pois sofrem com a pressão das atividades antrópicas relacionadas ao crescimento da população costeira. Estudos utilizando dados de Sensoriamento Remoto avaliam a capacidade de integração de atributos ópticos com atributos de radar de abertura sintética (SAR) para melhorar o resultado de classificações. Partindo deste ponto, este trabalho tem como objetivo analisar a contribuição da combinação de dados ópticos com SAR para classificação de bosques de mangue em diferentes cenários. Como resultados, para o estudo de caso proposto, observa-se um pequeno aumento da acurácia global, entretanto as exatidões do produtor e do usuário para classe mangue não tiveram mudanças significativas. Palavras-chave — Mangue, Sensoriamento Remoto, Óptico, SAR, classificação. ABSTRACT Mangroves are important ecosystems due to their environmental contributions and ecosystem services. However, they are vulnerable, suffering with the pressure of anthropic activities related to coastal population growth. Studies using Remote Sensing data evaluate the ability to integrate attributes of optical and synthetic aperture radar (SAR) data to improve the result of classifications. Based on this point, this work aims to analyze the contribution of combining optical data with SAR for classification of mangrove forests in different scenarios. As results, for the proposed case study, a small increase in the global accuracy is observed, however the producer and user accuracy for mangrove class did not have significant changes. Key words — Mangroves, remote sensing, optical, SAR, classification. 1. INTRODUÇÃO O manguezal pode ser definido como um ecossistema de transição entre os ambientes terrestre e marinho, onde ocorre o encontro de águas de rios com a água do mar [1], se apresentando como um continuum de feições distintas, sendo elas: (1) O lavado, (2) O mangue - que é sua vegetação característica - e (3) o apicum [2, 3, 4]. Seu mapeamento é importante por causa do seu valor ambiental e socioeconômico. Ele desempenha papel de exportador de matéria orgânica para os estuários, além de reter sedimentos e servir como berço e refúgio para várias espécies de animais [5]. Além disso, seu valor socioeconômico está relacionado com as comunidades que tiram seu sustento por meio da pesca artesanal e autoconsumo [6]. Dentre suas feições características, os bosques de mangue possuem uma contribuição fundamental para o meio ambiente, aprisionando sedimentos entre suas raízes e troncos (além de poluentes, prevenindo contaminação das águas), atenuando efeitos de tempestades (protegendo a linha de costa), transformando nutrientes minerais em matéria orgânica vegetal, sendo assim um importante produtor primário do ambiente marinho e gerando bens e serviços para as comunidades [4]. Em contraste com sua importância, os manguezais são ambientes vulneráveis, sofrendo pressão devido ao aumento da população costeira e suas atividades como: desmatamento e aterro, lançamento de esgoto e lixo e intensa exploração dos seus recursos naturais (principalmente relacionados a extração de madeira, a fauna e o desmatamento para criação de áreas de cultivo de camarão) [1]. Nessa perspectiva, em razão da sua relevância e fragilidade, verifica-se a importância do uso de técnicas que tenham a finalidade de monitorar esse ecossistema [7]. Assim, as imagens de Sensoriamento Remoto (SR) podem ser um recurso para adquirir informações sobre esse ambiente, permitindo auxílio na tomada de decisão para mitigação de problemas e gerenciamento ambiental. Historicamente, o mapeamento da extensão e tipos de vegetação de mangue teve foco na utilização de dados ópticos pois eles permitem uma boa distinção de áreas de mangue e https://proceedings.science/p/164721?lang=pt-br 2565 https://proceedings.science/p/164721?lang=pt-br não-mangue [8]. Entretanto, estudos mostram que imagens SAR podem ser utilizados de maneira complementar [9, 10], sendo capazes de fornecer melhor desempenho em classificações desse ecossistema [11]. Dessa forma, e levando em consideração a aplicação de dados SAR na classificação de manguezais, este artigo tem como objetivo avaliar a contribuição de atributos polarimétricos banda-L em combinação com atributos ópticos no desempenho da classificação de bosques de mangue utilizando Random Forest. 2. MATERIAL E MÉTODOS A área de estudo engloba os manguezais do estuário do Rio Paraíba, localizado entre os municípios de Bayeux, Cabedelo, Lucena, João Pessoa e Santa Rita, no Estado da Paraíba, coordenadas aproximadas do retângulo envolvente de 279521mE, 9237812mN; 306259mE, 9202230mN [EPSG:31985]. Segundo [12], este estuário possui uma extensa área de manguezais (5500 ha) que sofre grande pressão das atividades antrópicas, pois se localiza em uma região metropolitana com grande adensamento populacional e de intensa atividade social. [12] ainda citam as principais atividades que impactam esse ambiente estuarino: comércio, estradas de ferro, depósito de combustíveis, indústrias, atividades turísticas, empreendimentos imobiliários e de carcinicultura, além da presença de populações tradicionais que residem em regiões limítrofes e utilizam o ecossistema para autoconsumo e subsistência. Desta forma, é possível observar a pressão existente sobre o ecossistema o que justifica o seu monitoramento e a busca por alternativas para melhorar a acurácia das classificações. A metodologia do trabalho consistiu na classificação de 3 cenários diferentes de atributos, utilizando imagem óptica do sensor TM/Landsat-5 coleção-2, level-2, datada de 08/10/2010 e uma imagem de Radar de Abertura Sintética (SAR) do sensor PALSAR/ALOS, modo full-polarimetric, datada de 14/04/2009. Os procedimentos metodológicos executados podem ser observados na figura 1. Figura 1. Fluxograma geral dos procedimentos metodológicos A diferença temporal entre as imagens está relacionada com a disponibilidade nos catálogos e a presença de nuvens nas imagens ópticas. Foram coletados também dados maregráficos da área de estudo para as datas de aquisição citadas pela tábua de marés fornecida pela Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN) da marinha brasileira. Observou-se que, para ambas as imagens, a maré se encontrava baixa (em vazante). As imagens foram pré-processadas de forma independente e, posteriormente, os atributos de classificação foram calculados. Para os dados ópticos, no pré- processamento foram realizadas as etapas de: conversão radiométrica, empilhamento, recorte e reprojeção. Os atributos utilizados foram os valores de reflectância de superfície por banda e os índices físicos NDVI e NDWI. Já para os dados SAR, foram executadas as etapas de: multilooking, calibração, filtragem speckle e correção do terreno para obter os valores retroespalhamento em cada polarização; e multilooking e filtragem polarimétrica para gerar as decomposições polarimétricas de Freeman-Durden (FD) (double-bounce-dbl,volumétrico-vol e superficial-surf) e H-A-alpha (HA), dados esses corrigidos geometricamente e reamostrados para mesmo tamanho de pixel da imagem óptica. Os cenários de classificação criados utilizando a combinação desses atributos, pode ser observado na tabela 1. Cenário Nome Atributos n° de atributos 1 Dataset Óptico TM1-6,7; NDVI, NDWI 8 2 Dataset SAR ALOS/PALSAR HH, HV, VH, VV; HH/HV; DF_bdl; DF_vol; DF_surf; HA_entropia 9 3 Dataset Híbrido TM1-6,7; NDVI, NDWI +ALOS/PALSAR HH, HV, VH, V V; HH/HV; DF_bdl; DF_vol; DF_surf; HA_entropia 17 Tabela 1. Descrição dos atributos dos cenários de classificação A classificação foi realizada por meio do algoritmo Random Forest, executada por meio de script confeccionado na linguagem de programação R. Uma das vantagens desse algoritmo é fornecer estimativas de quais variáveis são importantes na classificação por meio do índice de Gini. Foram coletadas 320 amostras, distribuídas em 11 classes na forma de polígonos, sendo elas: mangue, outras formações florestais, área urbana, área antropizada, areia, solo exposto, corpos hídricos, Oceano e nuvens e sombras (para dados ópticos). As amostras foram particionadas em amostras de treinamento (70%) e validação (30%) para avaliação do https://proceedings.science/p/164721?lang=pt-br 2566 https://proceedings.science/p/164721?lang=pt-br modelo preditivo. Em relação aos hiperparâmetros do random forest, para todas as classificações foram utilizadas 500 árvores de classificação (Ntree) e a raiz quadrada do número de variáveis (Mtry). Por fim, realizou-se a etapa de pós-classificação, em que as imagens classificadas foram filtradas para redução de erros de classificação e generalização das classes, utilizando filtro da moda. Para a avaliação da acurácia, foi construída uma matriz de confusão utilizando 275 amostras de validação para cada classificação, coletadas de forma aleatória estratificada e independente na área de estudo. A validação foi feita utilizando as classes de uso e cobertura da terra do MapBiomas em conjunto com a séries históricas de imagens do Google Earth Pro. 3. RESULTADOS E DISCUSSÕES Os resultados das classificações podem ser observados na figura 2. Esses resultados foram discutidos separadamente por cenário. A classificação do dataset óptico apresentou acurácia 77%. Visualmente é possível perceber uma grande confusão existente entre as classes Área Urbana e Solo Exposto, e mesmo com a filtragem com o filtro da moda, ainda se verificam vários erros de classificação. As bandas que foram mais efetivas para separabilidade das classes no modelo preditivo foram as do SWIR2 (B07), SWIR1(B05) e logo em seguida os índices NDWI e NDVI. Já para a classificação do dataset SAR, percebe-se uma grande quantidade de erros de classificação e confusões em todas as classes. Isso é corroborado pelo valor da acurácia global de 48%. Apesar disso, é possível perceber que algumas regiões de mangue que estão próximas do rio Paraíba ainda assim foram classificadas corretamente e que outras formações florestais foram confundidas com o manguezal. O ranking de importância de variáveis para este modelo mostra que as variáveis mais importantes para separação das classes foram o espalhamento volumétrico e a entropia, que também se mostrou sendo a variável que traz a maior acurácia para este modelo. Por fim, a classificação do dataset híbrido foi a que trouxe os melhores resultados visuais e estatísticos com acurácia global de 80%. Percebe-se ainda confusões entre área urbana e solo exposto, entretanto, os atributos de Radar parecem ajudar a separar melhor as classes em relação as outras classificações. Apesar de ser o melhor resultado, observa-se que as variáveis mais importantes para separação das classes ainda foram as dos dados ópticos (B07, B05, NDWI e NDVI). Analisando o desempenho das classificações apenas para a classe mangue, por meio da tabela 2, é possível notar que mesmo com um pouco de ganho de acurácia global na classificação, as métricas de acurácia do usuário e do produtor entre o dataset óptico e o híbrido não possuem grandes alterações. Sugere-se, portanto, um estudo cuidadoso sobre os mecanismos de interação da energia eletromagnética com os bosques de mangue para entender os motivos pelos quais, nesse caso, os atributos SAR sozinhos não foram capazes de discriminá-los. Dataset OA PA (mangue) UA (mangue) Óptico 0,76 0,91 0,94 SAR 0,48 0,59 0,52 Híbrido 0,80 0,89 0,93 Tabela 2. Acurácia Global (AO) e acurácias do produtor (PA) e usuário (UA) para classe mangue. Figura 2. Classificações dos datasets óptico (esquerda), SAR (Centro) e híbrido(direita). https://proceedings.science/p/164721?lang=pt-br 2567 https://proceedings.science/p/164721?lang=pt-br 4. CONCLUSÕES Diferentes técnicas, combinações de dados, classificadores e metodologias vem sendo estudadas para aprimorar a detecção e mapeamento do ecossistema manguezal. A literatura mostra que os dados SAR podem fornecer informações complementares importantes sobre a paisagem, principalmente quando se tratam de atributos polarimétricos - resultando numa maior probabilidade de melhora da separabilidade das classes e, consequentemente, da acurácia da classificação das florestas de mangue. Entretanto, após toda a execução das etapas de pré- processamento, classificação e validação, a classificação resultante da união de dados ópticos com radar não alterou significativamente o resultado da classificação apenas com dados ópticos. Apesar do aumento em acurácia global, as acurácias do produtor e do usuário não tiveram uma mudança significativa, o que corrobora o fato de que o dado óptico já é suficientemente independente para classificação do mangue. Entretanto, há de se notar que foram realizados vários pré- processamentos que influenciam no dado utilizado. Sugere- se aqui que se realizem outros estudos com diferentes pre- processamentos: diferentes filtros e tamanhos de máscara, avaliação de corregistro, outros índices físicos incorporados no dataset, outras decomposições polarimétricas, utilização de um modelo digital de elevação de melhor qualidade, a construção de diferentes cenários de classificação mais heterogêneos. Além disso, seria importante a aplicação de classificações com diferentes alturas de marés, verificando sua influência na classificação. Também é importante a utilização de dados com datas próximas, visto a dinâmica de regiões agrícolas o que pode trazer mudanças no sinal registrado pelos sensores. Um outro tópico importante é analisar os dados pluviométricos da região no período da aquisição das imagens, pois isso pode impactar a resposta espectral dos alvos. Por fim, mesmo com todas as ressalvas, percebe-se uma melhora visual nos resultados com dados de diversas fontes. E incentiva-se aqui o estudo de diferentes metodologias e classificadores que possam entregar resultados melhores. AGRADECIMENTOS Os autores agradecem a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). 5. REFERÊNCIAS [1] L. A. Krug, C. Leão, S. Amaral. Dinâmica espaço temporal de manguezais no Complexo Estuarino de Paranaguá e relação entre decréscimo de áreas de manguezal e dados sócio-econômicos da região urbana do município de Paranaguá – Paraná. In: SIMPÓSIO BRASILEIRO DE SENSORIAMENTO REMOTO, 13., 2007, Florianópolis. Anais eletrônicos... São José dos Campos: INPE, pp. 2753-2760, 2007. [2] Y. Schaeffer-Novelli. Manguezal: ecossistema que ultrapassa suas próprias fronteiras. In: CONGRESSO NACIONAL DE BOTÂNICA, 53., 2002, Recife. Anais...pp. 34-37. 2002. [3] Y. schaeffer-Novelli, C. C. Vale, G Cintrón. 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Territorialidade da pesca no estuário de Itapessoca- PE: técnicas, petrechos, espécies e impactos ambientais. 2006. 103 f. Dissertação (Mestrado em Geografia), Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2006. [7] C. A. de Araújo. Aplicações de técnicas de Sensoriamento Remoto na análise multitemporal do ecossistema manguezal na Baixada Santista, SP. Orientador: Dr. Luis Américo Conti. 2010. 113 f. Dissertação (Mestrado em Oceanografia Química e Geológica), Universidade de São Paulo, São Paulo, 2010. [8] R. M. Lucas, P. J. Bunting, D. Clewley, C. Proisy, et al. Characterisation and Monitoring of Mangroves Using ALOS PALSAR Data; The ALOS Kyoto & Carbon Initiative Science Team Reports Phase 1 (2006–2008), v. 1, pp. 158-169, JAXA: Ibaraki, Japan, 2009. [9] P. A. Townsend. Estimating Forest structure in wetlands using multitemporal SAR. Remote Sensing of Environment, v. 79, n. 2-3, pp. 288–304, 2002. [10] R. M. Lucas, A. L. Mitchell, A. Rosenqvist, C. Proisy, et al. 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