Prévia do material em texto
APOSTILA DE AGRICULTURA GERAL Prof. Daniela Teles Danyelateles27@gmail.com Curso técnico em Agropecuária Nome:____________________________ Turma: 1 TERRITÓRIO QUILOMBOLA DE JAMBUAÇU 1.1 O que é agricultura? É o cultivo do solo, por meio de procedimentos, métodos e técnicas próprias. Que buscam produzir alimentos para o consumo humano, como legumes, cereais, frutas e verduras, ou para serem usados como matérias-primas na indústria. 1.2 Mas o que vem da agricultura? A produção agrícola tornou-se essencial para abastecer inúmeros outros segmentos. Como bebidas, fibras, energia, tecidos, medicamentos, construção, dentre outros.A palavra “agricultura” vem do latim e é composta pelos termos “agru”, que significa “terra cultivada ou cultivável”, e “colere” (cultura), que corresponde a “cultivo”. 1.3 Origem da agricultura A origem da agricultura remonta ao início do período neolítico (10.000 – 6.000 AC), época em que o Homem doméstica a natureza (vegetal e animal) deixando de ser caçador - coletor, tornando-se agricultor. Este acontecimento teve uma importância crucial para a mudança do estilo de vida das populações, passando de nômades a sedentários. O Homem desenvolve a agricultura, a criação de animais e surgem as primeiras aldeias primitivas. Estes acontecimentos ocorreram um pouco por todo o mundo e situa-se o seu início numa região do Médio Oriente conhecida por “Crescente Fértil”, situada entre os rios Nilo, Tigre e Eufrates. As primeiras culturas a serem domesticadas nesta zona foram os cereais: trigo, ervilhas, aveia, lentilhas e o linho, e os primeiros animais foram: o cão, o porco, as cabras, as ovelhas e as vacas. Com o domínio do fogo e a descoberta e fabrico do ferro inicia-se uma nova etapa, desta vez de natureza técnica. Entre 4.000 – 3.500 AC desenvolveram-se invenções que tiveram uma contribuição decisiva para a expansão e evolução da agricultura: o arado, na Mesopotâmia, e a roda que revolucionou não só a agricultura como a própria civilização. A agricultura foi evoluindo gradualmente por todo o mundo. No período que decorreu entre 3.000 AC e 500 DC houve um especial desenvolvimento a 2 https://agropos.com.br/2020/01/o-que-e-fertilidade-do-solo/ nível técnico, diversificação das culturas e domesticação de novas espécies animais. Nesta época destacam-se os seguintes acontecimentos: Após a I Guerra Mundial houve uma nova explosão demográfica que levou a um incremento na procura de alimentos. O aumento da produção obteve-se temporariamente com a Revolução Verde, que envolveu o cultivo seletivo de colheitas, a introdução de novos híbridos e métodos de cultura intensivos. "A Revolução Verde foi uma das profundas transformações pelas quais o mundo passou após a Segunda Guerra Mundial. Essa inovação ficou conhecida por melhorar a produção agrícola e aumentar a produção de alimentos a partir das décadas de 1960 e 1970." Consistiu na modernização da agricultura em escala global, efetivada por meio da incorporação de inovações tecnológicas na produção. Teve como base as sementes geneticamente modificadas, os maquinários agrícolas e os insumos químicos, como fertilizantes e agrotóxicos. No Brasil, a incorporação técnica foi feita por meio de incentivos governamentais concomitantemente à expansão das fronteiras agrícolas para as regiões de Cerrado. O propósito da Revolução Verde era, inicialmente, o aumento da produção de alimentos em escala mundial como forma de garantia de segurança alimentar. Embora tenha se registrado ganhos produtivos em diversos países, a Revolução Verde trouxe consigo consequências para os pequenos produtores, para o ordenamento do território e para o meio ambiente. 2.1 Sistema Intensivo alta produtividade, grandes extensões de terra (latifúndios), utilização de técnicas modernas e mecanização. 2.2 Sistema extensivo Baixa produtividade, pequenas extensões de terra (minifúndios), utilização de técnica simples ou mais rudimentares. Sabemos que a agricultura existe desde os primórdios e com o passar do tempo foi se desenvolvendo foram surgindo novas formas de cultivar a terra. Correspondem a diferentes maneiras de produção agrícola que diferencia pelas suas características que pode ser quanto a finalidade: subsistência e 3 Capítulo 3- Tipos de Agricultura Capítulo 2. Sistemas Agrícolas comercial; quanto a técnica: Tradicional, moderna e orgânica; quanto a mão de obra: Patronal ou familiar. 3.1 Agricultura de Subsistência Também chamada de “agricultura tradicional”, a agricultura de subsistência é marcada por uma economia agrícola fechada, de autoconsumo. O cultivo é baseado na policultura e realizado a partir de técnicas rudimentares em pequenas propriedades e sem auxílio de máquinas ou de processo de adubação. Dessa maneira, os pequenos produtores ficam encarregados de cuidar, cultivar e colher os alimentos. 3.2 Agricultura Comercial ou Moderna Chamada de "agricultura moderna" ou de mercado, nesse tipo de atividade pratica-se a monocultura (cultivo de um tipo de alimento). Além de utilizar técnicas modernas de cultivo, manipulação genética de sementes e máquinas, utilizam mão-de-obra especializada, como engenheiros, agrônomos e técnicos agrícolas Está voltada essencialmente, para a comercialização dos produtos cultivados, sendo produzida em larga escala, executada em grandes propriedades com a utilização de substâncias, como adubos, fertilizantes químicos, agrotóxicos e inseticidas. . 3.5 Agricultura Orgânica Constitui uma produção que se preocupa com o uso do solo, bem como a sua manutenção. Não utiliza agrotóxicos visando a um produto de qualidade e nutritivo garantindo a saúde e bem-estar de quem a consome. Os recursos hídricos são usados de maneira racional, evitando o desperdício. Assim, não há contaminação do solo ou lençol freático por meio de produtos químicos e não há esgotamento dos recursos hídricos. O comprometimento com a sustentabilidade é uma das premissas desse tipo de agricultura. A produção geralmente apresenta um valor maior no mercado dada a maior garantia em relação à manutenção da saúde. 3.6 Agricultura Familiar É um tipo de sistema agrícola em que pessoas da mesma família trabalham na terra. Apesar de também ser utilizado para a subsistência, esse tipo de agricultura também é o principal responsável pelo abastecimento do mercado interno brasileiro de alimentos. 4 https://www.todamateria.com.br/agrotoxicos/ https://www.todamateria.com.br/agricultura-de-subsistencia/ De acordo com dados do Censo Agropecuário realizado pelo IBGE em 2017, 77% das propriedades agrícolas do país utilizam o sistema de agricultura familiar. Esse é um sistema tão importante para o país que existem várias políticas públicas voltadas para o fortalecimento da agricultura familiar, oferecendo apoio técnico e de financiamento. 3.7 Agricultura Patronal Diferente ao sistema anterior, na agricultura patronal (ou empresarial) a produção não é voltada para o consumo da família, e sim para o mercado interno e para a exportação. Para isso, existe um alto investimento em otimização da gestão da lavoura, com contratação de trabalhadores qualificados e utilização de diferentes insumos, manejos e tecnologias que assegurem a rentabilidade do negócio. Assim, é possível aumentar a produtividade do campo. Esse modelo é utilizado em médias e grandes propriedades e que possuem um grande potencial produtivo. A distribuição das principais culturas no nosso país é fortemente influenciada por factores físicos, ou seja, pelo clima, topografia do terreno e solos, e também por económicos, particularmente no que diz respeito aos custos dotransporte, compra de insumos e tecnologia. Qual o papel do clima, dos solos, da declividade do terreno no rendimento agrícola? 4.1 Clima O clima é um fator extremamente importante pela relação que tem com as culturas da região. As características climáticas de um lugar definem o tipo de culturas dessa região e o momento do seu cultivo. Os principais elementos para a definição de um clima são: temperatura e precipitação que influenciam decisivamente o desenvolvimento das plantas. Geralmente, a atividade agrícola tem dois inimigos: o frio e a seca. Vamos analisar de que forma, tanto a temperatura como a precipitação, exercem influência na agricultura? O crescimento de uma planta depende da quantidade de calor que ela recebe ao longo do ciclo vegetativo. Esta quantidade de calor varia de planta para planta e ao longo do seu crescimento, isto significa que os tipos de plantas se diferenciam segundo a variação da temperatura no globo: zonas quentes, temperadas e frias, assim como regiões montanhosas. O período quente e chuvoso é a melhor época para o cultivo porque, embora as temperaturas sejam altas, é nesta época que geralmente chove muito, o que resulta num balanço hídrico positivo. A água no solo depende da quantidade de precipitação (chuva) caída e da temperatura (que provoca a evaporação), e permite conhecer o grau de umidade do solo. 5 Capítulo 4- Fatores condicionantes da atividade agrícola https://www.embrapa.br/tema-agricultura-familiar/politicas-publicas https://sidra.ibge.gov.br/pesquisa/censo-agropecuario/censo-agropecuario-2017 A existência de uma estação seca muito marcante é prejudicial para a agricultura, pois o crescimento das plantas depende também, como vimos, da quantidade de água existente no solo durante o ciclo vegetativo. À semelhança da temperatura, também neste caso as necessidades totais de água no solo, bem como a variação de exigência ao longo do período vegetativo, variam de planta para planta. 4.2 Relevo É também um factor muito relevante para a prática agrícola: pela altitude, que influencia a temperatura, condicionando a escolha das espécies a cultivar. Pelo declive, que influencia a fertilidade dos solos e limita a utilização de máquinas. Nas áreas menos acidentadas ou de planície, os solos são mais férteis, pois dá-se acumulação de materiais rochosos finos e nutrientes resultantes de materiais orgânicos, de origem animal e vegetal. Além disso, há maior facilidade de utilização de máquinas e sistemas de rega. 6 4.3 Solo Ele é um recurso natural vital para a agricultura e ecossistemas, desempenhando um papel crucial na sustentação das plantas, no ciclo da água e na manutenção da biodiversidade. O solo é formado por uma mistura complexa de minerais, matéria orgânica, água, ar e microrganismos. A combinação desses componentes confere ao solo suas propriedades físicas, químicas e biológicas. A compreensão de cada tipo de solo presente no país, é crucial para os agricultores entenderem como podem otimizar suas práticas e alavancar sua produtividade de forma sustentável. Cada solo possui características, recomendações e manejos específicos. Culminando em desafios e oportunidades distintos. Os principais tipos de solos brasileiros incluem os latossolos, argissolos, neossolo, Cambissolo e Gleissolo. O preparo do solo dos primeiros tempos da agricultura não passava de uma operação bem rústica, muito trabalhosa e demorada. Sistemas mais aperfeiçoados teriam suas origens quando o arado de aiveca de metal foi inventado em 1760, na Escócia. A função do arado foi a de enterrar e eliminar as ervas daninhas e os restos culturais, deixando o solo vem evoluindo, com implementos cada vez maiores e tratores cada vez mais pesados e possantes, possibilitando o preparo de grandes extensões com menor esforço físico. Objetivos do preparo do solo: Eliminação de plantas não desejáveis, diminuindo a concorrência com a cultura implantada. Obtenção de condições favoráveis para a colocação de sementes ou partes de plantas no solo, permitindo a sua boa germinação e emergência, além de bom desenvolvimento. Manutenção da fertilidade e da produtividade ao longo do tempo, preservando a matéria orgânica do solo. Eliminação de camadas compactadas para aumento da infiltração de água no solo e aeração. Incorporação e mistura no solo de calcário, fertilizantes e produtos agroquímicos. Enterrio de restos vegetais e restevas agrícolas. Nivelamento do terreno para conseguir uma boa performance das máquinas e equipamentos, desde o plantio até a colheita. Preparo da superfície do terreno (diques, canais, nivelamento, sulcos) para usar a irrigação nas lavouras. 7 Capítulo 5- Sistemas de cultivo 5.1 Formas de Preparo do Solo O preparo do solo divide-se em três categorias bem distintas: Preparo primário do solo (aração e/ou escarificaçao) Preparo secundário do solo (gradagem, nivelamento) Tratos culturais após plantio conforme o grau de movimentação do solo, Os sistemas de cultivo são classificados em: 1) Convencional 2) Mínimo ou Reduzido 3) Plantio Direto ou Semeadura Direta 5.2 Sistema convencional Consiste na aração, gradagem, semeadura e cultivos subseqüentes necessários para o controle de ervas daninhas. A aração, normalmente é feita a profundidade de 15 ou 20 cm com o arado de discos. A gradagem tem por finalidade o destorroamento do solo e nivelamento após o preparo primário (aração). Geralmente é feita com grade leve (niveladora) em duas passadas. A semeadura é efetuada manualmente ou com máquinas próprias para este fim (semeadeiras) ou que semeiam e adubam simultaneamente (semeadeiras – adubadeiras). Requisitos A principal exigência para adoção desse sistema é a disponibilidade de máquinas e implementos para execução das duas etapas. Vantagens: O revolvimento dos solos aumenta a mineralização dos componentes orgânicos pelos microrganismos o que contribui para tornar os elementos minerais disponíveis para as plantas. - Aumento da aeração do solo Aumento da infiltração de água no solo Destruição de ervas daninhas e sementeiras O nivelamento da superfície do solo facilita as operações de semeadura, cultivo e colheita. Incorporação de fertilizantes, corretivos e matéria orgânica (maior decomposição de adubos orgânicos e restos vegetais) Desvantagens: O revolvimento intensivo diminui a fertilidade do solo devido às perdas por lixiviação principalmente em solos de baixo poder de retenção (solos arenosos). Pode haver mistura das partículas dos horizontes pela aração efetuada profundamente o que poderá causar uma infertilizarão temporária do solo. Excepcionalmente poderá ser permanente. Favorece a erosão em solos declivosos. Necessidade de efetuar tratos culturais, principalmente capinas o que aumenta o custo de produção da cultura. Formas de descompactação: Aração: as camadas compactadas podem ser perfeitamente quebradas usando o arado de discos ou aivecas a uma maior profundidade que aquela praticada na área, com umidade do solo adequada. 8 Escarificação: Consiste no rompimento da camada arada do solo, até o máximo 25 a 30 cm. O custo do serviço é menor que na aração, além de ser mais rápida sua execução. Subsolagem: tem como objetivo único romper camadas compactadas de solo abaixo da camada arável (profundidade maior que 30 ou 35 cm), utilizando subsoladores. Não deve ser executada no mesmo local antes de 3 anos. É pouco eficiente na eliminação de plantas daninhas e soltas apenas em faixas. Queimada ou enterrio da resteva: em algumas culturas como no caso do algodão, a prática da queimada é muito importante para controlar a grande incidência de pragas remanescentes da cultura anterior. O enterrio tem a vantagem de aumentar o teor de matéria orgânica no solo e consequentemente a disponibilidade de nutrientesàs plantas. 9 5.3 Cultivo Mínimo ou reduzido Refere-se à redução de uma ou mais operações do preparo do solo, comparado com o sistema convencional. Neste caso, esta prática é chamada de preparo reduzido do solo. A gradagem pesada pode realizar em uma única operação todas as operações de preparo do solo. Neste caso está prática é chamada de preparo reduzido do solo. É frequente o uso excessivo e indiscriminado de grades pesadas para revolver o solo, principalmente para culturas mecanizadas tradicionais (Soja, Trigo, Cana-de-açúcar, Algodão etc). Vantagens e Desvantagens: Generalizando, podemos dizer que neste sistema, tanto as vantagens como as desvantagens são as mesmas que as do Sistema Convencional, por motivo deste método, se aproximar muito as técnicas utilizadas no cultivo mínimo. Porém, este sistema oferece maiores problemas de perdas de solo por erosão que o sistema convencional. As rodas do tratos compactam o sub solo e a grade deixa a superfície muito pulverizada, acarretando graves danos de erosão, pois sua ação é mais superficial que a do arado. Quando empregados outros métodos, este sistema se apresenta como intermediário entre o preparo convencional e plantio direto no que diz respeito à erosão do solo. 5.4 Plantio Direto É um sistema de semeadura no qual a semente é colocada diretamente no solo não revolvido, sobre a palha, usando-se máquinas especiais. Somente é aberto um pequeno sulco, de profundidade e largura suficiente para garantir uma boa cobertura e contato da semente com o solo. O sistema prepara no máximo 25 a 30 % da superfície do solo. O extermínio de ervas daninhas, antes e depois do plantio, é geralmente feito com herbicidas. Requisitos: Preparo do agricultor e mão-de-obra; Conhecimento e domínio por parte do agricultor de todas as fases do sistema.; gerenciamento e mão-de-obra devem ser treinados. Preparo da área: - Drenagem em solos úmidos - Descompactação do solo antes do inicio do sistema - Superfície do terreno deve estar nivelada (eliminar sulcos de erosão) - Correção da acidez antes de iniciar o plantio direto -Níveis de fertilidade na faixa média ou alta. Correção de fósforo antes de iniciar o sistema. Manejo das ervas daninhas e herbicidas. Vantagens Palha em cobertura evita o impacto direto da gota da chuva regula a temperatura do solo conserva a umidade do solo Podução de ácido poliurónico (auxilia na estruturação do solo) Melhoramento da estrutura do solo reduz a compactação do solo fonte de energia para os microrganismos do solo aumenta a atividade microbiológica do solo diminui a lixiviação aumentando a CTC aumenta o teor de N no solo diminui a infestação de ervas daninhas aumenta a disponibilidade de P no solo diminui as taxas de perdas por erosão e da água disponível às plantas. 10 Desvantagens Aumento da relação C/N, pelo excesso de matéria orgânica (principalmente após gramíneas) aumento da umidade pode prejudicar as culturas em locais de clima úmido ou em solos de pouca permeabilidade. facilita a formação de geadas pelo aumento de N pode causar acamamento da cultura aumento da incidência de pragas e doenças alto custo de herbicidas uso de maquinas especificas para o sistema É a capacidade do solo de ceder elementos essenciais às plantas“, segundo a Embrapa. Um vegetal não se desenvolve normalmente em um ambiente com ausência de nutrientes necessários para o seu crescimento. Os elementos minerais essenciais para as plantas são: nitrogênio , fósforo, potássio, cálcio, magnésio, enxofre, boro, cloro, ferro, manganês, zinco, cobre, molibdênio e níquel. Já os elementos não minerais essenciais, (elementos captados como gás ou água) são: hidrogênio , oxigênio e carbono. Os nutrientes indispensáveis são absorvidos pelas plantas em quantidades específicas e necessárias para o seu desenvolvimento e podem ser divididos de acordo com a concentração relativa nos tecidos da planta em micro e macronutrientes. Os macronutrientes N, K, Ca, Mg, P, e S fazem parte de moléculas essenciais, são necessários em grandes quantidades e têm função estrutural. Os micronutrientes Co, Fe, B, Mn, Zn, Cu, e Mo fazem parte das enzimas e têm função reguladora, sendo necessários em quantidades menores. Esta divisão não significa que um nutriente seja mais importante do que outro, apenas que eles são necessários em quantidades e concentrações diferentes. IDENTIFICANDO SOLOS FERTEIS: Conteúdo De Húmus A fertilidade de um terreno é proporcional à quantidade de húmus que ele contém. O húmus contém nutrientes, especialmente nitrogênio e fósforo, que são essenciais para a maioria das plantas. O húmus aumenta a fertilidade do solo ao criar um microclima ideal para o desenvolvimento da cultura, com temperaturas favoráveis, umidade e ar suficientes. O teor de húmus está intimamente relacionado aos tipos de solo. Textura Do Solo O tamanho das partículas e sua proporção no terreno determinam sua textura. O terreno com partículas finas, como a argila, tem uma estrutura densa que funciona como um recipiente para os nutrientes. Ao mesmo tempo, essa estrutura pode dificultar o acesso das raízes das plantas aos nutrientes dissolvidos na água. Temperatura Do Solo A temperatura do solo influencia a atividade das bactérias benéficas, a solubilidade dos nutrientes e a absorção pelas plantas. As temperaturas que variam de 18 a 24°C (65 a 75°F) são ideais para a maioria das plantas. Todos os processos ficam mais lentos com a baixa temperatura do solo, enquanto 11 Capítulo 6- Fertilidade, Correção e adubação https://eos.com/pt/blog/temperatura-do-solo/ https://eos.com/pt/blog/tipos-de-solo/ https://www.ecycle.com.br/celula-de-hidrogenio/ https://www.ecycle.com.br/ferro/ https://www.ecycle.com.br/alimentos-ricos-em-enxofre/ https://www.ecycle.com.br/magnesio/ https://www.ecycle.com.br/alimentos-ricos-em-calcio/ https://www.ecycle.com.br/fosforo/ https://www.ecycle.com.br/ciclo-do-nitrogenio/ https://www.ecycle.com.br/plantas/ https://www.ecycle.com.br/solo/ as altas temperaturas fazem com que os patógenos e as pragas se reproduzam rapidamente e as plantas sequem. Biota Do Solo A biota do solo é extremamente diversificada e inclui vírus, bactérias, fungos e líquens. Os micróbios podem ser tanto patógenos quanto promover o crescimento das plantas. Então, como os micróbios afetam a fertilidade do solo? Os microrganismos aumentam a fertilidade do solo, principalmente ajudando as plantas a assimilar compostos minerais e participando da decomposição e da decomposição da matéria orgânica. CORREÇÃO DO SOLO A correção do solo é fundamental para manter as boas características físico-químicas da terra, com a finalidade de cultivar plantas saudáveis e a sua boa produtividade. COMO É FEITA A CORREÇÃO DO SOLO? A correção do solo é a técnica que adotamos antes do plantio visando preparar a terra para o recebimento das sementes. Ela ocorre por meio da gessagem e/ou calagem, a qual consiste em aplicar substâncias que aumentem o teor de cálcio e enxofre, a fim de haver mais interação e absorção de nutrientes, equilibrando as substâncias presentes na terra, garantindo o bom desenvolvimento das plantas. a calagem aumenta a disponibilidade de substâncias essenciais, como os já citados (potássio, fósforo e nitrogênio) e também fornece cálcio, magnésio, além de outros específicos para cada tipo de cultura. CORREÇÃO DA ACIDEZ DO SOLO A acidez do solo resulta em uma grande concentração de íons Al+3 e H+. Como resultado dessa característica natural, as plantas têm o seu crescimento prejudicado. Entretanto, não necessariamente em função do pH reduzido, mas porque isso implica em uma alta concentração de alumínio. A correção da acidez minimiza a presença desse metal. COMO CALCULAR A NECESSIDADE DE CALAGEM? As propriedades da área de plantio variam bastante não apenas entre regiões ou cidades, mastambém entre propriedades vizinhas. Isso porque o plantio de uma cultura anterior também provoca as alterações no solo. Então, cada produtor precisa analisar as necessidades da sua terra e, assim, fazer o cálculo da calagem. Tudo se inicia com a coleta de uma amostra para análise química. Ela determinará a quantidade de calcário ideal no sentido de fazer a correção do solo, bem como outras características que precisam ser corrigidas e, assim sendo, viabilizar o plantio. Para fazer esse cálculo serão necessárias algumas variáveis: A saturação de bases do solo (V1); A saturação desejada, entre 50 e 60% (V2); A CTC (capacidade de troca de cátions) no PH neutro; 100/PRNT do calcário (f). Você descobrirá a quantidade de toneladas necessária por hectare para fazer a correção. Jogando na fórmula, teríamos a seguinte estrutura: 12 https://blog.mfrural.com.br/analise-de-solo/ https://blog.mfrural.com.br/plantio-consorciado/ https://blog.mfrural.com.br/calagem-x-gessagem/ https://blog.mfrural.com.br/frutiferas-em-vasos-como-cultivar/ NC=[(V2-V1) x T x f/100 Perceba que, além dos valores obtidos na análise química do solo, temos que considerar o PRNT (Poder Relativo de Neutralização Total) do produto escolhido. Você encontrará com o distribuidor de calcário produtos com um percentual mais alto ou mais baixo. Quanto maior for o percentual de PRNT, mais rápido o produto atua no solo. Todavia, seu cálculo de necessidade de calagem mostrará a quantidade de calcário necessária por hectare e deve considerar esse valor e, dessa maneira, conhecer a dose do produto. A fórmula a ser utilizada nesse caso é: (t ha-1) x 100/PRNT Em relação ao custo, para saber qual é mais vantajoso à sua propriedade, é interessante fazer um cálculo utilizando o valor do PRNT e o custo do produto. A fórmula é simples, sendo que você só precisa dividir o preço pelo PRNT. O valor obtido é multiplicado por 100. O produto que alcançar um resultado menor é aquele que apresenta melhor custo-benefício. É válido lembrar que a correção do solo não pode ser feita poucos dias antes da semeadura. Isso porque, enquanto está agindo, o calcário deixa a terra mais quente, tornando-se prejudicial ao plantio nesse momento. Assim, a calagem deve ser realizada, no mínimo, três meses antes da semeadura. ADUBAÇÃO A adubação é a prática agrícola de repor os nutrientes do solo, e é fundamental para garantir a qualidade das plantas. Através dos fertilizantes ou adubos, as culturas são nutridas com as substâncias essenciais para terem um crescimento satisfatório, o que impacta diretamente na sua produção e nos seus lucros. A análise de solo é a ferramenta utilizada para quantificar os nutrientes presentes no solo. Além disso, ela fornece informações que influenciam nas disponibilidades dos nutrientes para as plantas, como o pH e a presença de alumínio. É importante ressaltar que toda recomendação de adubação deve ser orientada pelo resultado da análise de solo. TIPOS DE ADUBOS Os adubos ou fertilizantes são os insumos utilizados na nutrição das plantas. Eles podem ser orgânicos, minerais ou organominerais. Veja as diferenças entre eles: ADUBO ORGÂNICO Têm como matéria-prima os resíduos de origem vegetal e/ou animal. Eles atuam como condicionadores do solo, melhorando as suas propriedades físico-químicas. Podem ser adubos o esterco animal, folhas secas, grama, vinhaça, torta de filtro ou mamona, etc. Eles aumentam o teor de matéria orgânica e, consequentemente, aumentam a CTC do solo. O fertilizante orgânico também melhora a agregação do solo e a capacidade de retenção de água. Eles também contribuem para a redução da oscilação térmica do solo, porque a matéria orgânica é má condutora de temperatura. Isso garante que as plantas não sofram estresse térmico nas horas mais quentes do dia. Esses fertilizantes também reduzem o impacto ambiental pelo aproveitamento dos resíduos. A adubação verde é um bom exemplo disso. 13 https://blog.aegro.com.br/adubacao-verde/ https://blog.aegro.com.br/estresse-termico-nas-plantas/ https://blog.aegro.com.br/agregacao-do-solo/ https://blog.aegro.com.br/ctc-do-solo/ https://blog.aegro.com.br/analise-de-solo/ https://blog.aegro.com.br/fertilizantes-para-plantas/ https://blog.mfrural.com.br/equipamentos-de-semeadura/ https://www.mfrural.com.br/busca/distribuidor-calcario Apesar de orgânicos, eles não devem ser utilizados de forma indiscriminada. É fundamental conhecer a composição química dos fertilizantes para estabelecer a melhor dosagem, considerando a espécie cultivada e o tipo de solo. ADUBO MINERAL O adubo inorgânico ou adubo mineral é o mais utilizado na produção agrícola em larga escala. Eles têm as rochas como matérias-primas, e são obtidos a partir de processos físicos, químicos e físico- químicos. Alguns exemplos são a ureia, nitrogênio, potássio e fosfatados. Os fertilizantes minerais são concentrados. Quando entram em contato com a solução do solo, liberam rapidamente os nutrientes para as plantas. Por se tratar de um produto concentrado, eles devem ser utilizados com moderação. ADUBO ORGANOMINERAL Os adubos organominerais são produzidos a partir da combinação de fertilizantes minerais e orgânicos. Isso quer dizer que eles são um adubo orgânico enriquecido com fontes minerais. Além de fornecer nutrientes para as plantas, esse tipo de adubo contribui para a redução dos impactos ambientais. Afinal, eles são produzidos a partir de resíduos animais e vegetais. Os fertilizantes organominerais favorecem a microbiota do solo e o desenvolvimento das plantas. PRINCIPAIS MÉTODOS DE APLICAÇÃO DOS FERTILIZANTES Os fertilizantes podem ser aplicados na lavoura de diferentes formas: via solo, via foliar ou via fertirrigação. Cada um desses métodos possui particularidades que você deve conhecer. VIA SOLO Nesse método, os fertilizantes são aplicados diretamente no solo. Eles podem ser incorporados ou não com o auxílio de um arado ou grade. A adubação a lanço também pode ser feita, de forma manual ou com máquinas distribuidoras. Nesse caso, ela é realizada antes da implantação da lavoura. Quando a cultura está sendo implantada, pode ser feita a adubação de semeadura. Ela ocorre pela deposição dos fertilizantes na linha de plantio. Nesse caso, os adubos são depositados abaixo e nas laterais das sementes. ADUBAÇÃO FOLIAR Os fertilizantes são dissolvidos em água e pulverizados sobre as folhas das plantas. Os nutrientes são absorvidos pela parte aérea das plantas, e não pelas raízes.Trata-se de uma prática complementar na nutrição vegetal. É uma estratégia bastante comum na aplicação de micronutrientes, e acontece através de pulverizações. Na aplicação foliar, as condições climáticas têm grande influência na eficiência da adubação. Além disso, os adubos aplicados nas folhas são assimilados mais rapidamente, em comparação aos aplicados no solo. Porém, a desvantagem é que o aproveitamento desses nutrientes é curto. VIA FERTIRRIGAÇÃO É uma prática agrícola em que é utilizado o sistema de irrigação para aplicação dos adubos. Ela pode ser feita através da micro-irrigação, da aspersão, da microaspersão e do gotejamento, por exemplo. Trata-se de um método eficiente e econômico na nutrição das plantas, que economiza o uso dos adubos na lavoura. Como a fertirrigação acontece junto da irrigação, a absorção dos nutrientes pelas plantas é melhor. Para esse tipo de adubação, opte pelos adubos líquidos. 14 https://blog.aegro.com.br/micronutrientes/ https://blog.aegro.com.br/fertilizantes-organominerais/ https://blog.aegro.com.br/fertilizantes-organominerais/ https://blog.aegro.com.br/fertilizantes-fosfatados/ https://blog.aegro.com.br/potassio-nas-plantas https://blog.aegro.com.br/adubacao-nitrogenada/ https://blog.aegro.com.br/ureia-agricola/ PRÁTICAS CULTURAIS São práticas culturais que proporcionam as melhores condições de desenvolvimento da cultura.São necessários para manter o terreno como um meio adequado ao crescimento e desenvolvimento das plantas, porém, estão associadas as condições ambientais, principalmente os fatores climáticos. 1 - TRATOS CULTURAIS RELATIVOS AO SOLO A necessidade de manutenção das culturas sem competição com outras plantas estranhas, obriga o agricultor lançar mão de recursos manuais ou mecânicos, para livrar-se das plantas invasoras. 1.1 – CAPINAS Esta operação é válida em situações restritas como pequenas lavouras, com ferramentas manuais ou de tração animal. Ultimamente esta operação é feita com equipamentos de tração mecanizada nas grandes culturas (cultivadores). Com o conhecimento da biologia há tentativas na aplicação do controle biológico. Práticas agronômicas como rotação de culturas, cobertura morta, etc; também tem sua aplicação na eliminação de invasoras. 1.2 - PODA A poda é uma técnica que consiste em retirar ramos de uma planta com o propósito de melhorar sua produtividade, promover uma boa produção de frutos ou flores e conservar sua forma. No processo de poda, partes supérfluas das plantas são removidas, visando estimular seu crescimento e frutificação com mais vigor. 1.3 – IRRIGAÇÃO É de grande importância para o desenvolvimento das culturas, já que sem água é impossível obter colheitas. É usado com mais frequência onde as chuvas não são regulares e as culturas exigentes e rentáveis. No norte do Brasil, na região do cerrado, é mais presente a irrigação com pivot central, e no Rio Grande do Sul, na cultura do arroz irrigado, o sistema de inundação, que serve também como controle de plantas daninhas. 1.4 ADUBAÇÃO EM COBERTURA A adubação em cobertura além de proporcionar melhor aspecto e sanidade também consegue um incremento de produção. O caso mais típico é a adubação nitrogenada no milho e trigo principalmente, que respondem consideravelmente a este trato. Em culturas perenes são feitas adubação - COLHEITA: É a retirada manual ou mecânica dos produtos agrícolas dos campos de produção, maduros ou não, com a finalidade de consumo “in natura” ou industrial. Sendo a colheita, um dos últimos estágios da produção agrícola, esta operação de campo reveste-se de grande importância e requer um planejamento criterioso, para que os esforços desenvolvidos em todas as etapas da produção sejam compensados e não ocorram perdas que levem a um baixo rendimento econômico. É sem dúvida o momento mais importante da produção agrícola. SECAGEM DE SEMENTES E GRÃOS 15 A secagem de grãos é um processo importante na agricultura que envolve a remoção da umidade dos grãos colhidos para garantir sua preservação e armazenamento adequados. A umidade nos grãos pode levar ao crescimento de fungos, mofo e deterioração, o que prejudica a qualidade dos alimentos e pode causar perdas significativas para os agricultores. O processo de secagem ajuda a reduzir a umidade dos grãos a níveis seguros para o armazenamento a longo prazo, evitando assim o desenvolvimento de microrganismos indesejados. ARMAZENAMENTO E BENEFICIAMENTO Ele pode ser considerado como todas as etapas de processamento das sementes depois da colheita no campo até o empacotamento e armazenamento. O beneficiamento é uma das últimas etapas da produção de grãos e sementes, e procura melhorar as características de um lote. Isso é feito através da eliminação de impurezas; matérias estranhas como pedra, sementes de plantas daninhas, sementes ou grãos imaturose outros contaminantes); e também danos leves e graves, até que se alcancem os limites tolerados pela legislação. O armazenmaneto é o processo de armazenar os grãos produzidos com o intuito de preservar suas qualidades físicas e químicas, desde a colheita até a distribuição. De modo geral, esse processo é composto por uma sequência de operações como limpeza, secagem, tratamento fitossanitário, transporte, classificação, entre outros. 16 https://agriq.com.br/tratamento-fitossanitario/ Curso técnico em Agropecuária 1.1 O que é agricultura? 1.2 Mas o que vem da agricultura? 1.3 Origem da agricultura 3.1 Agricultura de Subsistência NC=[(V2-V1) x T x f/100 (t ha-1) x 100/PRNT