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ROTEIRO DA APA PARA O ALUNO PRÁTICA: INTRODUÇÃO A AVALIAÇÃO AUDIOLÓGICA BÁSICA Professor: Ana Paula dos Santos 2 ROTEIRO DA APA PARA O DISCENTE INTRODUÇÃO À AVALIAÇÃO AUDIOLÓGICA BÁSICA O Projeto Integrador está dividido em atividades destinadas ao aprendizado da avaliação audiológica básica. Com isso, inicialmente você terá acesso ao embasamento teórico para conhecimento e melhor correlação com a prática. Na primeira etapa, você terá acesso a uma ficha de anamnese audiológica e um caso clínico para realizar o preenchimento do documento. Em seguida, você realizará a meatoscopia para aprender a visualizar o conduto auditivo e dar seguimento aos demais exames. Na segunda etapa, você terá conhecimento sobre como realizar uma audiometria por via aérea e via óssea, treinando como registrar os resultados de sua avaliação e elaborar um parecer audiológico. Por fim, você irá treinar a interpretação de exames com simulação de cada tipo e diferentes graus de perda auditiva, para melhor compreensão. 1. Todos os campos do Formulário Padrão deverão ser devidamente preenchidos. 2. Esta é uma atividade individual. Caso seja identificado plágio, inclusive de colegas, a atividade será zerada. 3. Cópias de terceiros como livros e internet, sem citar a fonte, caracterizam-se como plágio, sendo o trabalho zerado. 4. Ao utilizar autores para fundamentar seu Projeto Integrador, os mesmos devem ser refe- renciados conforme as normas da ABNT. 5. Ao realizar sua atividade, renomeie o arquivo, salve em seu computador, anexe no campo indicado, clique em responder e finalize a atividade. 6. Procure argumentar de forma clara e objetiva, de acordo com o conteúdo da disciplina. ORIENTAÇÕES GERAIS 3 POR QUE PRECISO APRENDER ISSO ? A Audiologia é uma especialidade da Fonoaudiologia que se destaca pela grande impor- tância no atendimento, promoção e prevenção dos distúrbios da audição. Para inserção no ambiente de trabalho, é necessário que o (a) fonoaudiólogo (a) tenha compreensão da anatomia e fisiologia (funcionamento) das vias auditivas e vestibulares com uma abordagem voltada a sua aplicação na prática clínica. Ademais, é importante que você compreenda sobre a realização dos exames audiológicos e como interpretá-los, pois, são utilizados diariamente na prática clínica. Nesse Projeto Integrador, traremos as informações mais relevantes para seu conhecimento. Entretanto, dentro da disciplina de Avaliação Audiológica Básica você terá acesso a uma maior detalhamento do conteúdo, podendo relacionar e aprimorar seus conhecimentos, adquirindo habilidades específicas que contribuirão com sua formação acadêmica como profissional. Sendo assim, você aluno (a), terá conhecimento sobre a anamnese audiológica com os principais e mais relevantes dados, bem como as etapas da avaliação audiológica, no intuito de desenvolver seu raciocínio clínico. Objetivos: 1. Conhecer a anamnese audiológica e quais dados são mais relevantes. 2. Conhecer os tipos de perda auditiva e os exames básicos realizados na avaliação audiológica. 3 .Capacitar o aluno a realizar uma audiometria básica. 4. Capacitar o aluno a interpretar uma audiometria básica. 4 AMBIENTE NA PRÁTICA Caro estudante, A atividade prática deverá ser realizada em domicílio, garantindo que os objetivos propos- tos sejam alcançados de maneira adequada. Para isso, é essencial que o aluno providencie um ambiente apropriado, garantindo as condições necessárias para a execução segura e eficaz da atividade. Além disso, o aluno será responsável pela aquisição dos materiais previamente solicitados, seguindo as especificações indicadas. A correta organização e preparação do espaço contribuirão para uma melhor assimilação dos conteúdos e um desempenho satisfatório na atividade prática. O cumprimento dessas orientações é fundamental para o êxito da prática, assegurando a aplicação dos conhecimentos adquiridos e promovendo um aprendizado mais efetivo. Para a realização desta atividade prática, será indispensável contar com a participação de uma pessoa que atuará como modelo. Essa pessoa servirá como referência para a aplicação dos procedimentos necessários, possibilitando a coleta de dados e a execução correta das téc- nicas propostas. É importante que o modelo esteja ciente da atividade, cooperando de maneira adequada para garantir a precisão dos resultados e a eficácia do aprendizado. Nesta atividade prática você terá contato com a ficha de anamnese e com as formas de avaliação audiológica básica, nas quais simularemos os tipos de perdas auditivas existentes para treinar sua compreensão e prática clínica. Você também irá utilizar um Otoscópio para inspeção e visualização do conduto auditivo. Boa Prática! 5 EMBASAMENTO TEÓRICO A audição permite que possamos conhecer o mundo dos sons. Além da função de nos fazer ouvir, ela também possui funções importantes como: fornecer SEGURANÇA e EQUILÍBRIO. Ao cruzarmos uma rua, por exemplo, além do sentido da visão, utilizamos a audição para saber se podemos atravessá-la com segurança. Outro exemplo é que, por meio da audição, desenvolve- mos a fala e a linguagem, que nos permite interagir e socializar com o mundo. Com a integridade do sistema auditivo periférico, cóclea e nervo auditivo, a habilidade de detectar sons externos já está presente a partir do terceiro mês de vida intrauterina de um bebê. Do nascimento até os dois anos de idade, as habilidades auditivas evoluem até a compreensão auditiva - etapa em que é possível entender falas e recontar histórias. Todavia, é necessário que haja estimulação durante o processo de maturação e plasticidade, para reforçar as vias neurais específicas e auxiliar no bom desenvolvimento da linguagem (Bevilacqua et al., 2011). O som é um tipo de energia mecânica formado por partículas de ar que se propaga por meio da vibração da onda sonora. A altura do som pode ser grave, médio ou agudo, depen- dendo da frequência sonora - expressa em Hertz (Hz) ou ciclos por segundo que se refere à quantidade de oscilação de ondas por segundo. As frequências podem ser altas, baixas e médias, ou, grave, aguda ou média. Podemos citar a frequência da fala humana como uma ampla faixa de frequências, que variam entre 300 e 3000 Hz. Entretanto, o ser humano consegue detectar o som na faixa de frequências de 20 e 20.000Hz. Outra característica importante do som é a intensidade. A intensidade sonora corresponde à amplitude das vibrações periódicas das partículas de ar, associada à pressão e energia, ou seja, sons é expressa em decibéis (dB). Intensidade sonora corresponde à e está associada à pressão e energia sonora (som fraco e forte), e é expressa em decibéis, a unidade de sensação sonora. O timbre ou qualidade do som é dado pelas diferenças de amplitude dos sons harmônicos, que são sons de frequências múltiplas em relação à frequência do som fundamental. Vídeo Embasamento Prática https://youtu.be/5RifbSeiH-Q?si=BXBs0Bt_B8K830-U https://youtu.be/5RifbSeiH-Q?si=BXBs0Bt_B8K830-U https://youtu.be/5RifbSeiH-Q?si=BXBs0Bt_B8K830-U 6 1.1 Estrutura e função do Sistema Auditivo Periférico O Sistema auditivo é dividido em Sistema Auditivo Central e Periférico, ambos relaciona- dos entre si. A porção periférica refere-se às estruturas das orelhas externa, média e interna e do nervo vestibulococlear, com a função de captar, transmitir e realizar transdução da onda sonora e seu processamento na cóclea e porção coclear do nervo vestibulococlear. Já o Sistema Auditivo Central refere-se as vias auditivas localizadas no Tronco Encefálico e nas áreas corticais que transmitirá a informação para o processamento final da mensagem (Bevilacqua et al., 2011). Basicamente, podemos dividir a orelha em três partes, sendo: orelha externa, orelha média e orelha interna. A orelha externa é formada pelo pavilhão auricular e meato acústico externo. O pavilhão auricular capta os sons e repassa para orelha média por meio do meato acústico externo. Possuia função de amplificar o som, auxiliar na localização da fonte sonora, porém, sua principal função é proteger a membrana do tímpano e manter equilíbrio de temperatura e umidade (juntamente com as glândulas ceruminosas produtoras de cerúmen, os pelos, e a migração epitelial da região interna para a externa) necessários à preservação da elasticidade da membrana (Bevilacqua et al., 2011). A orelha média é formada pela membrana timpânica, cadeia ossicular, composta por: martelo (em contato direto com a membrana timpânica); bigorna e estribo (em contato com a cóclea por meio da janela oval). Sua função principal é equalizar as impedâncias da orelha média (vibrações aéreas que invadem a membrana timpânica) e da interna (variações de pressão nos compartimentos líquidos da orelha interna (Bevilacqua et al., 2011). A orelha interna é formada pela cóclea e sistema vestibular. A cóclea é responsável por transformar vibrações sonoras em sinais elétricos que são enviados ao cérebro por meio do nervo auditivo. Já o sistema vestibular é responsável pelo equilíbrio. Dessa forma, pacientes com altera- ções de orelha interna podem, também, apresentar queixas de vertigem (Bevilacqua et al., 2011). FIGURA 01: ANATOMIA DA ORELHA EXTERNA, MÉDIA E INTERNA Fonte: De Jesus (2022, p. 13). 7 2. ANAMNESE AUDIOLÓGICA A anamnese é a entrevista inicial para levantamento da história clínica do paciente. Nesta ficha, são levantados os dados de identificação e história pregressa da queixa, dados de saúde, rotina, ambiente de trabalho e outras informações relevantes para o caso. É um procedimento importante que deve constar no prontuário e lhe auxiliará no levantamento da hipótese fonoau- diológica. Pode ser realizada em qualquer faixa etária (Frota, 2003), porém, caso o paciente não consiga responder ou apresente alguma dificuldade de compreensão, o acompanhante e/ ou responsável poderá auxiliar nas respostas. Entretanto, as perguntas devem sempre ser dire- cionadas ao paciente, bem como, deve-se buscar a resposta do mesmo, visto que é ele quem convive com a queixa e sabe a respeito da sua audição. Os dados de identificação devem conter: nome, sexo, idade, data de nascimento, profissão, escolaridade, endereço e a queixa (deverá ser transcrita exatamente como o paciente redigiu, em itálico e entre aspas) que o fez procurar atendimento (FROTA, 2011). A queixa norteará as próximas questões da anamnese e, em conjunto com os demais exames, auxiliará no levan- tamento de uma possível hipótese fonoaudiológica. Outros dados importantes da anamnese são: histórico audiológico (otalgia, cirurgias otológicas, zumbido, tontura), exames anteriores e resultado, uso de aparelhos de amplificação sonora individual (marca, modelo, uso unilateral ou bilateral, tempo de uso em anos e diário), dados de saúde geral (internamentos, uso de medicamentos), entre outros. Durante a anamnese, atente-se a tudo que o paciente relatar, pois, cada paciente trará um sentimento único e um grau de impacto na qualidade de vida, por conviver com uma determinada queixa. Um outro fator a ser considerado é que, durante a anamnese, você deve observar o comportamento auditivo do paciente (Frota, 2011), ou seja, se ele olha no seu rosto tentando fazer leitura labial ou, se pede para repetir o que foi dito várias vezes, se faz expressão de desentendimento ou outros. Isso lhe auxiliará a entender melhor o caso e como está sendo a comunicação social desse paciente. 3. AVALIAÇÃO AUDIOLÓGICA BÁSICA A avaliação audiológica é realizada por meio de diferentes testes e exames validados e reconhecidos cientificamente e, tem por objetivo verificar a integridade do sistema auditivo e realizar diagnóstico, a partir da verificação do tipo, grau e configuração da perda auditiva (quan- do houver) e encaminhamentos necessários para os tratamentos indicados (Lopes, Munhoz e Bozza, 2015). Os exames utilizados na Avaliação Audiológica Básica são: audiometria tonal e vocal, medi- das de imitância acústica (também conhecida como impedanciometria) e logoaudiometria (Asha (2020).). Entretanto, antes desses exames é preciso realizar a meatoscopia, impreterivelmente. 8 3.1 Meatoscopia - inspeção do meato acústico externo A Meatoscopia é a inspeção/visualização do meato acústico externo. Uma ação imprescin- dível, que indicará se há possibilidade ou impedimento para realização da audiometria. Pode ser realizada em qualquer faixa etária, desde bebês, RN a idosos. FIGURA 02: INSPEÇÃO DO CONDUTO AUDITIVO EXTERNO POR MEIO DA MEATOSCOPIA Fonte: Designed by Freepik Na figura 03, vemos uma membrana timpânica íntegra, decorrente de um conduto auditivo sem impedimentos, ou seja, o som irá se propagar e chegará até a orelha média. FIGURA 03: MEMBRANA TIMPÂNICA ÍNTEGRA, SEM IMPEDIMENTOS Fonte: UFRGS 9 Na figura 04, presenciamos um conduto auditivo com presença de excesso de cerúmen, não sendo possível a realização da membrana timpânica. FIGURA 04: EXCESSO DE CERÚMEN Fonte: INSPEÇÃO do Meato Acústico Externo (Meatoscopia). Avaliação Audiológica Básica, s.d. Disponível em: https://lume- re-demonstracao.ufrgs.br/avaliacaoaudiologica/meato.html. Acesso em: 06 jun. 2024. Nos casos em que houver impedimento na passagem do som por excesso de cerúmen ou corpo estranho no conduto auditivo, não será possível realizar a audiometria (Frota 2011)., pois, o exame poderá apresentar alterações decorrentes desse impedimento. Dessa forma, o paciente deve ser encaminhado ao médico otorrinolaringologista para avaliação. 3.2 Audiometria Tonal Limiar A audiometria tonal é realizada para determinar o nível de audição e obter os limiares auditivos por via aérea e por via óssea. Na presença de perda auditiva, possui a função de determinar qual o tipo e grau da perda, avaliada por meio de respostas comportamentais e subjetivas do paciente aos estímulos acústicos (UFRGS (s. d.); Lopes, Munhoz e Bozza, 2015). 3.2.1 Audiometria Tonal Limiar por Via Aérea Para realização da audiometria, serão necessários os seguintes equipamentos: audiôme- tro com cabo de energia, fones – transdutores acoplados no audiômetro, uma pêra de resposta e cabine acústica. A audiometria tonal limiar por via aérea é realizada por meio de um audiômetro no qual estão acoplados transdutores (fones de ouvido) em cabine acústica para que não haja interferên- cias de sons externos. 10 FIGURA 05: AUDIÔMETRO MANUAL Fonte: AUDIOMETRIA tonal liminar. Blog Avaliação Audiológica Básica, (s. d.). Disponível em: https://lume-re-demonstracao. ufrgs.br/avaliacaoaudiologica/audiotonal.html Acesso em: 10 jul. 2024. Você convidará o paciente a entrar na cabine acústica, sentar confortavelmente em uma cadeira e, então, posicionará os fones em suas orelhas. Os fones devem ser colocados de forma adequada, para que não haja escape do som ou interferência por mal posicionamento. Atente-se sempre quanto à colocação do fone de ouvido que, possui cores azuis para orelha esquerda (OE) e vermelho para orelha direita (OD) do paciente – conforme imagem abaixo. Você deverá reproduzir as respostas do paciente no audiograma da mesma forma. Todas as respostas da orelha esquerda deverão ser preenchidas no audiograma pela cor azul e, na orelha direita, pela cor vermelha. FIGURA 06: TRANSDUTORES - FONES DE OUVIDO (MODELO TDH39) Fonte: AUDIOMETRIA tonal liminar. Blog Avaliação Audiológica Básica, (s. d.). Disponível em: https://lume-re- demonstracao.ufrgs.br/avaliacaoaudiologica/audiotonal.html Acesso em: 10 jul. 2024. Em seguida, o paciente receberá uma pêra de resposta. A pêra de resposta é uma “chave” que possui um botão no qual o paciente aperta para indicar quando houve a percepção do https://lume-re-demonstracao.ufrgs.br/avaliacaoaudiologica/audiotonal.html https://lume-re-demonstracao.ufrgs.br/avaliacaoaudiologica/audiotonal.html https://lume-re-demonstracao.ufrgs.br/avaliacaoaudiologica/audiotonal.html https://lume-re-demonstracao.ufrgs.br/avaliacaoaudiologica/audiotonal.html 11 estímulosonoro. Quando o botão é pressionado acende um led no painel do audiômetro, ou, o fonoaudiólogo ouve um “bip” por meio do seu fone, indicando que houve resposta do paciente. FIGURA 07: PÊRA DE RESPOSTA Fonte: PÊRA de Resposta do Paciente. Vibrashop, (s.d.). Disponível em: https://www.vibrashop.com.br/audiometria. Acesso em: 21 maio. 2024. Na ausência da pêra de resposta, você poderá solicitar ao paciente que levante a mão direita nos momentos em que ouvir som na orelha direita e/ou, levante a mão esquerda, nos momentos em que ouvir o som na orelha esquerda. É importante ressaltar que, em alguns mo- mentos, o som será muito baixo, mas, caso ouça, ele deverá levantar a mão. Por último, feche a porta da cabine para evitar interferências sonoras externas. O fonoaudiólogo também coloca um fone e senta-se posicionado fora da cabine, em frente ao paciente, para conseguir perceber quanto às suas respostas. Nesse fone, você ouvirá caso o paciente necessite de algo. Normalmente, a audiometria é iniciada pela melhor orelha. Por isso, na anamnese, ou antes, de iniciar o exame, pergunte ao paciente se ele percebe que escuta melhor em alguma das orelhas. Caso ele não saiba relatar ou não tenha uma melhor orelha, você pode iniciar pela orelha direita ou pode testar o tom puro de 1000Hz em ambas as orelhas para verificar qual a melhor. Essa frequência é utilizada por ser a frequência da fala e neutra. Após a identificação dos limiares auditivos deve-se avaliar as outras frequências, na seguinte ordem: 2000Hz, 3000Hz, 4000Hz, 6000Hz, 8000Hz, 1000Hz, 500Hz e 250Hz (Frota, 2003, Russo; Santos, 2011). Em relação à intensidade, podemos relacionar o início do exame com a queixa e anamnese do paciente. Apresentamos um som audível para verificar se o paciente entendeu o comando de apertar a pêra ou levantar a mão quando ouvir e, a partir da resposta do paciente, a intensidade é diminuída de 10 dB em 10dB até que não seja mais audível. Caso o paciente não responda mais por não ouvir o som, aumente de 10dB em 10 dB. Se ele ouvir, diminua de 5dB em 5dB, para identificar qual a menor intensidade ele é capaz de perceber (Russo; Santos, 2011).. Consideramos como limiar auditivo a intensidade em que o paciente percebe o som 50% das vezes em que foi apresentado (RUSSO; SANTOS, 2011). Dessa forma, é importante ressal- tar que precisa ser testada e retestada a frequência e a intensidade para considerar como limiar. https://www.vibrashop.com.br/audiometria 12 Por exemplo: se você colocar a intensidade de 30dB e o paciente responder, você vai diminuir 10 dB e vai testar a intensidade de 20dB. Se ele responder em 20 dB você vai diminuir para 10 dB. Caso ele não escute em 10 dB você vai retestar e, se isso se mantiver, você vai aumentar 10dB confirmando a intensidade de 20dB. Se ele novamente responder, você diminui 5 dB, testando o limiar em 15 dB. Caso ele ouça, você refaz o teste e anota que o limiar desse paciente é de 15dB. Isso te auxiliará a continuar o exame nas demais frequências. 3.2.2 Audiometria Tonal Limiar por Via Óssea Para realização da audiometria por via óssea, serão necessários os seguintes equipa- mentos: audiômetro com cabo de energia, um vibrador ósseo acoplado a um arco, que deve ser posicionado na mastóide (Frota, 2003, Russo; Santos, 2011) e a pera para captação da resposta do paciente. Esse exame é realizado sempre que a audiometria por via aérea apresentar limiares acima de 20dB. São testadas as frequências de 500Hz, 1000Hz, 2000Hz, 3000Hz e 4000Hz, diferentemente da audiometria por via aérea (Frota, 2003). A comparação dos limiares auditivos por via aérea e via óssea permite que seja definido o tipo de perda auditiva. A marcação dos limiares auditivos deve ser feita em um gráfico, chamado de audiograma. Esse gráfico contém as possibilidades de resposta do paciente em relação à intensidade da au- dibilidade na faixa vertical, à esquerda e, as frequências testadas, na faixa horizontal, localizadas abaixo do quadro. FIGURA 08: AUDIOGRAMA RECOMENDADO PELA AMERICAN SPEECH-LANGUAGE-HEARING ASSOCIATION Fonte: Asha (1990, s.d.) 13 Os símbolos mais utilizados em exames sem alterações são: Símbolo (OD) Símbolo (OE) Via Aérea o x Via óssea No audiograma, estarão dispostos da seguinte forma: Existe uma simbologia internacional que deve ser obedecida e utilizada em todos os exa- mes, contendo todos os símbolos para qualquer tipo de resposta (Sistemas de Conselhos de Fonoaudiologia (2023), p. 13 e 14, adaptado de Asha, 1990)., p. 13 e 14, adaptado de ASHA, 1990). FIGURA 09: SIMBOLOGIA INTERNACIONAL DOS EXAMES Fonte: Sistemas de Conselhos de Fonoaudiologia (2023, p. 13 e 14), adaptado de Asha, (1990, s. d.) 14 Os limiares auditivos por via aérea permitem que se verifique se o paciente apresenta limiares auditivos normais ou perda auditiva (ANDRADE, 2022), bem como calcular o grau da perda. De acordo com os Sistemas de Conselhos de Fonoaudiologia (2023), devemos elaborar o parecer da seguinte forma: RESULTADO DESCRIÇÃO Todos os limiares auditivos estiverem normais Limiares auditivos dentro do padrão de normalidade (Citar a referência adotada) Perda auditiva em uma ou mais frequências/ qualquer alteração auditiva Descrever tipo, grau, configuração e lateralidade (Citar a referência adotada) Classificação quanto ao: a. tipo da perda auditiva A classificação do tipo da perda auditiva, permite realizar o topodiagnóstico da alteração. Sugerimos que você siga os autores Silman e Silverman (1997), conforme recomendado pelos Sistemas de Conselhos de Fonoaudiologia (2020). FIGURA 10: CLASSIFICAÇÃO DO TIPO DE PERDA AUDITIVA Fonte: Silman e Silverman (1997) in Sistemas de Conselhos de Fonoaudiologia (2020), p. 14 Observação: “Para a classificação do tipo da perda auditiva, devem ser analisados os limiares auditivos testados e não a média de frequências” (SISTEMAS DE CONSELHOS DE FONOAUDIOLOGIA, 2020, p. 16). b. Grau da perda auditiva Existem várias classificações de perdas auditivas, a depender do autor. Todavia, nesse material, seguiremos a classificação da Organização Mundial da Saúde (Sistemas de Conselhos de Fonoaudiologia, 2020, p. 16).. Por meio da média entre as frequências 500kHz, 1kHz, 2kHz e 4kHz, verificamos o grau da perda auditiva. 15 FIGURA 11: CLASSIFICAÇÃO DO GRAU DA PERDA AUDITIVA Fonte: OMS (2021, p. 30) e Sistemas de Conselhos de Fonoaudiologia (2023, p.23 e 24) 16 c) Configuração audiométrica A configuração audiométrica diz respeito à configuração dos limiares auditivos de via aérea de cada orelha. No Quadro abaixo, encontra-se a classificação de Silman e Silverman (1997) apud Sistemas de Conselhos de Fonoaudiologia (2023). FIGURA 12: CRITÉRIO PARA CLASSIFICAÇÃO DA CONFIGURAÇÃO AUDIOMÉTRICA Fonte: Silman e Silverman (1997 apud Carhart, 1945; Lloyd; Kaplan, 1978) in Sistemas de Conselhos de Fonoaudiologia (2023), p. 25 d) Lateralidade da perda auditiva Descrição e classificação de acordo com a lateralidade da perda auditiva, em unilateral ou bilateral. 17 e) Simetria da perda auditiva A perda auditiva pode ser considerada: • Simétrica: quando possui o mesmo grau e a mesma configuração audiométrica em cada orelha. • Assimétrica: quando possui grau e configuração audiométrica diferentes em cada orelha (Asha, 2015). Por meio das informações acima, você conseguirá descrever o resultado da sua avaliação audiológica. Dica ao fonoaudiólogo: Com o ganho de experiência, é importante olhar sempre para o paciente enquanto realiza o exame, pois, caso você olhe para o paciente e depois apresente o estímulo no equipamento, ele poderá seguir seus movimentos e responder por meio deles, inviabilizando a fidedignidade do exame. 3.3 Audiometria Vocal ou Logoaudiometria A Logoaudiometria é um teste que avalia a detecção e o reconhecimento de fala. Assim como a audiometria tonal, é um exame subjetivo que depende da resposta do paciente. Por meio do teste, é possível determinar o Limiar de Reconhecimentode Fala (LRF), o Limiar de Detecção de Voz (LDV) e o Índice (Percentual) de Reconhecimento de Fala (IPRF ou IRF). Os resultados da análise são classificados em porcentagem, conforme quadro abaixo, sugerido por Schoepflin (2012) apud Sistemas de Conselhos de Fonoaudiologia (2023). 3.4 Medidas de imitância acústica As medidas de imitância acústica são testes objetivos que não dependem da resposta do paciente. Basicamente, consistem nos procedimentos de: timpanometria e reflexos acústicos (contra e ipsilaterais). Os resultados indicarão sobre a mobilidade do sistema tímpano-ossicular e a integridade da via auditiva. 3.4.1 Timpanometria A timpanometria é a medida da variação que ocorre com a passagem do som, seja por impedância (oposição) ou admitância (facilitação). É utilizada para avaliar o funcionamento e a integridade da orelha média e, os resultados indicam uma curva formada a partir da complacência do sistema com as alterações de pressões (GAMA, 2001). Para o resultado da timpanometria, sugerimos a classificação de Jerger, Jerger e Mauldin (1972), para sonda de 220 Hz. Entretanto, o fonoaudiólogo pode escolher quais valores de referência seguir, desde que esteja descrito no exame e que seja validado cientificamente. 18 FIGURA 13: CLASSIFICAÇÃO DO TIMPANOGRAMA Fonte: Jerger, Jerger e Mauldin (1972) in Sistemas de Conselhos de Fonoaudiologia (2023). 3.4.2 Reflexos Acústicos O Reflexo Acústico é realizado por meio de um estímulo de forte intensidade, que possi- bilita a contração dos músculos da orelha média, principalmente o estapédio (Jerger, 1970). A pesquisa do limiar do reflexo pode ser realizada de forma ipsilateral (na mesma orelha ou lado em que foi apresentado o estímulo) ou contralateral (no lado oposto à orelha testada) (Pereira; Anastasio, 2015). O quadro abaixo indica as classificações que podem ser encontradas, de acordo com Jerger, Jerger e Mauldin (1972). 19 FIGURA 14: CLASSIFICAÇÃO DO REFLEXO ACÚSTICO CONTRALATERAL Fonte: Adaptado de Jerger, Jerger e Mauldin (1972) in Sistemas de Conselhos de Fonoaudiologia (2023, p. 33) 20 RECURSOS UTILIZADOS Cada aluno (a) deverá ter impresso a anamnese e as fichas com audiogramas, uma pran- cheta para realizar anotações (opcional), juntamente com lápis, borracha, caneta de cor azul e vermelha. Materiais de consumo: Descrição Observação 1 Lápis Material de responsabilidade do aluno para a execução da atividade. 1 borracha Material de responsabilidade do aluno para a execução da atividade. 1 caneta esferográfica azul Material de responsabilidade do aluno para a execução da atividade. 1 caneta esferográfica vermelha Material de responsabilidade do aluno para a execução da atividade. 1 calculadora (ou celular com essa função) Material de responsabilidade do aluno para a execução da atividade. Anamnese Impressa Material de responsabilidade do aluno para a execução da atividade. Ficha com Audiogramas Impressos Material de responsabilidade do aluno para a execução da atividade. Luvas de procedimentos Material de responsabilidade do aluno para a execução da atividade. 1 otoscópio de led Material de responsabilidade do aluno para a execução da atividade. SUGESTÃO: o aluno poderá requisitar o empréstimo deste equipamento a um profissional da área para a realização da aula. Álcool 70 Material de responsabilidade do aluno para a execução da atividade. Gaze ou Algodão para desinfecção Material de responsabilidade do aluno para a execução da atividade. 21 ATENÇÃO: SAÚDE E SEGURANÇA Cada aluno (a) precisa estar com vestimentas adequadas, vestindo jaleco branco e calçado fechado. 22 O QUE PRECISO FAZER NESSA ATIVIDADE PRÁTICA Para a realização desta atividade prática, será indispensável contar com a participação de uma pessoa que atuará como modelo. Essa pessoa servirá como referência para a aplicação dos procedimentos necessários, possibilitando a coleta de dados e a execução correta das téc- nicas propostas. É importante que o modelo esteja ciente da atividade, cooperando de maneira adequada para garantir a precisão dos resultados e a eficácia do aprendizado. Ao final dessa prática você precisará construir um relatório para sistematização do conteú- do aprendido, com todos os dados apresentados, explanando sobre a anamnese e avaliação audiológica. 23 RELATÓRIO Caro aluno (a), Você deverá entregar o Relatório tipo Apresentação Simples (Power point). Para isso, faça o download do template, disponibilizado junto a este roteiro, e siga as instruções contidas no mesmo. 24 MATERIAISMATERIAIS COMPLEMENTARES COMPLEMENTARES SISTEMA DE CONSELHOS DE FONOAUDIOLOGIA. Guia de Orientações na Avaliação Audio- lógica. 2023. Disponível em: http://fonoaudiologia.org.br/wp-content/uploads/2023/11/Guia-de- -Orientacao-na-Avaliacao-Audiologica-DIGITAL-COMPLETO-FINAL.pdf. Acesso em 27 de maio de 2024. BALEN, S. A.; BRAZOROTTO, J. S. Uso do Sistema de FM no ambiente escolar [recurso ele- trônico], 1. ed. p. 67-98, Natal : SEDIS-UFRN, 2019. Disponível em: https://audiologiabrasil.org. br/portal2018/pdf/aba-ebook-sistema_fm_amb_escolar.pdf . Acesso em 31 de maio de 2024. http://fonoaudiologia.org.br/wp-content/uploads/2023/11/Guia-de-Orientacao-na-Avaliacao-Audiologica-DIGITAL-COMPLETO-FINAL.pdf http://fonoaudiologia.org.br/wp-content/uploads/2023/11/Guia-de-Orientacao-na-Avaliacao-Audiologica-DIGITAL-COMPLETO-FINAL.pdf https://audiologiabrasil.org.br/portal2018/pdf/aba-ebook-sistema_fm_amb_escolar.pdf https://audiologiabrasil.org.br/portal2018/pdf/aba-ebook-sistema_fm_amb_escolar.pdf 25 REFERÊNCIASREFERÊNCIAS ASHA, Audiometric symbols [Guidelines] - Figura 08. 1990. Disponível em http://www.asha.org/ policy/GL1990-00006/. Acesso em 06/06/2024. BEVILACQUA, M. C et al. Tratado de audiologia. São Paulo: Santos, 2011. p. 475-93. CREFONO 6 - CONSELHO REGIONAL DE FONOAUDIOLOGIA – 6ª Região. Banana da Fala - Au- diograma de sons familiares. Disponível em: https://crefono6.org.br/wpcontent/uploads/2022/04/ banana-da-fala-para-grafica.pdf Acesso em: 10 de maio de 2024. DC Estúdio, Freepik. Figura 2 - Close do médico otologista afro-americando, verificando a orelha do paciente mulher usando o otoscópio médico, descobrindo a infecção de otologia durante o exame clínico. Terapeuta trabalhando em escritório de hospital. Disponível em:https://br.freepik. com/fotos-gratis/close-do-medico-otologista-afro-americano-verificando-a-orelha-do-paciente- -mulher-usando-o-otoscopio-medico-descobrindo-a-infeccao-de-otologia-durante-o-exame-clini- co-terapeuta-trabalhando-em-escritorio-de-hospital_20762126.htm#f. Acesso em: 06 de junho de 2024. GAMA, Marcia Regina. Resolvendo casos em Audiologia. São Paulo: Summus, 2001. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. Basic ear and hearing care resource, 2020. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/basic-ear-and-hearing-care-resource. Acesso em: 28 de maio. 2024. LOPES, A.C.; MUNHOZ, G.S.; BOZZA, A. Audiometria tonal liminar e de Altas Frequências. In: BOÉCHAT, E. M., et al., Tratado de audiologia. 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