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ESTUDO DO NÍVEL DE CONDIÇÃO NAS DIFERENTES ZONAS DAS FACHADAS DE 
EDIFÍCIOS 
 
MARINA JÚLIO MENDES 
 
 
MONOGRAFIA DE PROJETO FINAL EM ENGENHARIA 
CIVIL 
 
FACULDADE DE TECNOLOGIA 
UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA 
 
 
ii 
 
UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA 
FACULDADE DE TECNOLOGIA 
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E AMBIENTAL 
 
 
 
 
 
 
 
ESTUDO DO NÍVEL DE CONDIÇÃO NAS DIFERENTES ZONAS DAS 
FACHADAS DE EDIFÍCIOS 
 
 
 
 
 
MARINA JÚLIO MENDES 
 
 
 
 
 
 
 
 
MONOGRAFIA DE PROJETO FINAL EM ENGENHARIA 
CIVIL 
 
 
 
 
BRASÍLIA/DF: SETEMBRO/2022 
 
 
 
iii 
 
UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA 
FACULDADE DE TECNOLOGIA 
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E AMBIENTAL 
 
 
ESTUDO DO NÍVEL DE CONDIÇÃO NAS DIFERENTES ZONAS DAS 
FACHADAS DE EDIFÍCIOS 
 
 
MARINA JÚLIO MENDES 
 
 
MONOGRAFIA DE PROJETO FINAL SUBMETIDA AO DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA 
CIVIL E AMBIENTAL DA UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA COMO PARTE DOS REQUISITOS 
NECESSÁRIOS PARA A OBTENÇÃO DO GRAU DE BACHAREL EM ENGENHARIA CIVIL. 
 
APROVADA POR: 
 
_________________________________________________________ 
Profª. Jéssica Siqueira de Souza, Drª. (ENC - UnB) 
(Orientadora) 
 
_________________________________________________________ 
Prof. João Henrique da Silva Rêgo, Dr. (ENC - UnB) 
(Examinador Interno) 
 
_________________________________________________________ 
Carla Bozzi Piazzarollo, M.a. – Engefoto DNIT 
(Examinador Externo) 
 
 
 
 
 
 
BRASÍLIA/DF, 29 DE SETEMBRO DE 2022 
 
 
iv 
 
FICHA CATALOGRÁFICA 
 MENDES, MARINA JÚLIO 
 ESTUDO DO NÍVEL DE CONDIÇÃO NAS DIFERENTES ZONAS DAS 
FACHADAS DE EDIFÍCIOS. 
 ix, 45p. 210 x 297 mm (ENC/FT/UnB, Bacharel, Engenharia Civil, 2022) 
 Monografia de Projeto Final – Universidade de Brasília, Faculdade de Tecnologia. 
 Departamento de Engenharia Civil e Ambiental. 
 1. FACHADAS 2. ZONAS 
 3. CRITICIDADE 4. NÍVEL DE CONDIÇÃO 
 5. DEGRADAÇÃO 
 I. ENC/FT/UnB II. Bacharel 
 
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA 
MENDES, M.J. (2022). ESTUDO DO NÍVEL DE CONDIÇÃO NAS DIFERENTES ZONAS 
DAS FACHADAS DE EDIFÍCIOS. Monografia de Projeto Final, Departamento de 
Engenharia Civil e Ambiental, Universidade de Brasília, Brasília, DF, 45 p. 
 
CESSÃO DE DIREITOS 
 
NOME DO AUTOR: Marina Júlio Mendes 
TÍTULO DA MONOGRAFIA DE PROJETO FINAL: Estudo do Nível de Condição nas 
Diferentes Zonas das Fachadas de Edifícios 
GRAU / ANO: Bacharel em Engenharia Civil / 2022 
 
É concedida à Universidade de Brasília a permissão para reproduzir cópias desta monografia 
de Projeto Final e para emprestar ou vender tais cópias somente para propósitos acadêmicos e 
científicos. O autor reserva outros direitos de publicação e nenhuma parte desta monografia 
de Projeto Final pode ser reproduzida sem a autorização por escrito do autor. 
 
 
_______________________________ 
MARINA JÚLIO MENDES 
marinajuliomendes@gmail.com 
 
 
 
mailto:MARINAJULIOMENDES@GMAIL.COM
 
 
v 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
À minha avó Sinira. 
 
 
vi 
 
AGRADECIMENTOS 
 
Aos meus pais, Mágda e Elian, que sempre colocaram o meu crescimento como prioridade, 
que sempre se dedicaram para que eu pudesse alcançar todos os meus sonhos. Que, mesmo de 
longe, se fizeram presentes a cada passo dessa jornada e não mediram esforços para eu 
chegasse a essa conquista. Serei sempre profundamente grata por todo o apoio, carinho, 
incentivo, cobranças e preocupações durante todos esses anos de graduação, e durante toda a 
vida. 
À minha avó Sinira, que me acolheu em sua casa, e que eu sei que sempre estará de portas 
abertas para me receber. Por me ensinar a importância da paciência, a aproveitar os bons 
momentos e as boas companhias e a valorizar aqueles que amo. Por ser o principal motivo de 
eu ter escolhido a UnB, e a quem dedico este trabalho. 
À minha irmã Elisa, que é a minha maior cúmplice e parceira, por ter cuidado de mim sempre 
que precisei. Por fazer parte de quem sou hoje. 
Aos meus familiares, em especial aos meus padrinhos Mári e Dalmo, que me receberam e 
cuidaram como filha. Ao meu tio Giuliano, por todo cuidado e apoio. Aos meus primos 
Leonardo, Bárbara, Rafael, Aline, Gabriel e Giovanna, por tornarem a caminhada, em seus 
momentos mais difíceis, mais leve e divertida. 
À minha namorada, Lorrayne, por ter acreditado em mim quando eu desacreditava. Sua 
presença foi fundamental para que eu começasse a enxergar a mim mesma. 
Aos colegas de curso, em especial à Daruick Fagundes, Gustavo Primo, Marianna Alvarenga, 
Maria Eduarda Almeida, Maria Eduarda Reis, Maria Luisa Duran, Marina Siqueira e Thamiris 
Lima, amigos onde encontrei apoio dentro e fora da universidade. 
Agradeço aos pesquisadores do c que está inserido no Programa de Pós-graduação em 
Estruturas e Construção Civil da Universidade de Brasília pela disponibilização dos dados. 
À minha orientadora, Jéssica Siqueira, pelo apoio, paciência e por ter me direcionado nos 
momentos de desespero ao longo da elaboração do meu projeto final. 
Sem vocês eu não teria chegado até aqui. 
 
 
vii 
 
RESUMO 
 
As fachadas dos edifícios atuam como o invólucro do edifício, protegendo toda a estrutura e o 
ambiente interno dos agentes de degradação, agregando qualidade de vida aos usuários. Desse 
modo, é de extrema importância a mensuração da degradação das fachadas, para que sejam 
tomadas as medidas adequadas de manutenção e reparo. Essa mensuração se dá a partir de 
vários indicadores, sendo um deles a criticidade. A criticidade é um indicador de desempenho 
obtido através dos critérios determinados pelo Método de Análise do Modo de Falha, Efeito e 
Criticidade, sendo eles a frequência e severidade para cada anomalia em cada uma das zonas. 
Dessa forma, este estudo tem como objetivo analisar e determinar o nível de condição para as 
diferentes zonas componentes das fachadas de edifícios com revestimento cerâmico utilizando 
a criticidade. Além disso, o estudo busca determinar a existência de uma relação matemática 
entre a criticidade e o índice de gravidade relativa, por meio de regressões simples lineares, 
para cada zona. Desse modo, foi possível determinar o nível de condição das zonas das 
fachadas utilizando a criticidade de forma satisfatória, bem como relacionar a piora da 
criticidade com a idade das amostras. O estudo também possibilitou a percepção de que a 
proposta de regressão linear não é a mais adequada para o modelo da relação entre os 
indicadores propostos, sendo necessário o aprimoramento do modelo matemático. 
 
 
 
Palavras-chave: Fachadas; Degradação; Zonas; Criticidade; Nível de Condição. 
 
 
 
viii 
 
SUMÁRIO 
1. INTRODUÇÃO .................................................................................................. 1 
2. OBJETIVO ......................................................................................................... 3 
2.1. OBJETIVOS ESPECÍFICOS .................................................................................... 3 
3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ........................................................................... 4 
3.1. REVESTIMENTO CERÂMICO DE FACHADAS ................................................. 4 
3.2. ANOMALIAS EM SISTEMAS DE REVESTIMENTO CERÂMICO .................... 6 
3.3. DESEMPENHO ...................................................................................................... 10 
3.4. AGENTES DE DEGRADAÇÃO ............................................................................ 11 
3.5. MÉTODO DE ANÁLISE DE MODO DE FALHA, EFEITO E CRITICIDADE .. 13 
3.6. MÉTODO DE MENSURAÇÃO DA DEGRADAÇÃO (MMD) ........................... 15 
4. METODOLOGIA ............................................................................................. 23 
4.1. CRITICIDADE (CR) ...............................................................................................não é o mais adequado para a análise. Isso pode ocorrer devido 
aos dois indicadores partirem de parâmetros diferentes, com Cr levando em conta parâmetros 
que consideram a gravidade da anomalia e possuindo pesos distintos para cada anomalia 
presente, enquanto que IGR baseia-se somente parâmetros diretamente relacionados à área de 
ocorrência. 
Também não se observa um padrão entre os gráficos obtidos para as zonas analisadas, o que 
pode ocorrer pela disparidade entre tipos de anomalia mais presentes em cada zona, que 
impacta nos pesos utilizados para obtenção da severidade. Os dados estatísticos da regressão 
são expressos na Tabela 14. 
 
Tabela 14 - Dados de estatística de regressão Cr x IGR para zona CE 
ESTATÍSTICA DE REGRESSÃO 
R² 0,581 
R² ajustado 0,580 
Erro padrão 0,378 
Observações 345 
 
A relação entre Cr e IGR dada pelo modelo linear previsto apresentou um ajuste à amostra de 
apenas 58% e um erro padrão igual a 37,8%, não sendo adequado à variância apresentada 
pelas amostras. 
A Figura 17 (a) apresenta o histograma obtido para Cr e a Figura 17 (b) o histograma para 
IGR para as amostras referentes à zona de transição de pavimentos. Além disso, a Figura 17 
(c) apresenta o gráfico obtido para Cr em função de IGR, com ajuste feito por regressão 
simples linear para esta mesma zona. 
 
 
 
35 
 
 (a) 
 (b) 
 
 (c) 
 
Figura 17 - Histograma Cr (a); Histograma IGR (b); Relação Cr x IGR para zona TP 
 
Analisando os histogramas, em geral, as amostras apresentaram valores de Cr que variam 
entre 2,00 e 4,75 e de IGR entre 0,000 e 0,170, em maioria indicando nível de condição com 
degradação pontual na zona. A incidência de alguns pontos de com índices de Cr mais altos, 
com nível de condição em estado limite de serviço, pode ser justificada devido à zona de 
transição de pavimentos estar sujeita a uma maior influência das cargas do edifício, estando 
mais sujeita a trincas devido ao trabalho da estrutura. Além disso, podem também existir 
y = 18,912x + 2,2002
R² = 0,6703
2,000
2,500
3,000
3,500
4,000
4,500
5,000
5,500
6,000
0,000 0,050 0,100 0,150 0,200
C
r
IGR
Cr
 
 
36 
 
falhas de execução, bem como falha ou inexistência de processos de manutenção, que 
favorecem no surgimento e agravamento de anomalias. 
Através do gráfico de Cr em função de IGR, observa-se que os índices Cr e IGR não 
apresentam uma relação diretamente proporcional, uma vez que para um mesmo IGR temos 
vários valores de Cr diferentes e valores distintos de IGR convergem mais um mesmo valor de 
Cr, indicando que o modelo linear não é o mais adequado para a análise. Isso pode ocorrer 
devido aos dois indicadores partirem de parâmetros diferentes, com Cr levando em conta 
parâmetros que consideram a gravidade da anomalia e possuindo pesos distintos para cada 
anomalia presente, enquanto que IGR baseia-se somente parâmetros diretamente relacionados 
à área de ocorrência. 
Através do gráfico de Cr em função de IGR, observa-se que os índices Cr e IGR apresentam 
uma relação mais próxima do que para as zonas anteriores, assim como a zona de cantos e 
extremidades. Para um mesmo IGR temos vários níveis de Cr e o maior valor de Cr não se 
refere ao maior valor de IGR (0,116;4,75). Isso pode ser justificado pelo modelo linear não 
ser o mais adequado para a análise, visto que os dois indicadores partem de parâmetros 
diferentes, com Cr levando em conta parâmetros que consideram a gravidade da anomalia e 
IGR somente parâmetros relacionados a área de ocorrência. 
 
Além disso, comparando com o resultado observado para cantos e extremidades, observa-se 
certa semelhança na disposição da nuvem de pontos obtidas para as duas zonas, o que pode 
ocorrer por alguma semelhança entre tipos de anomalia mais presentes em cada zona, que 
impacta nos pesos utilizados para obtenção da severidade, tornando-os parecidos. Os dados 
estatísticos da regressão são expressos na Tabela 15. 
 
Tabela 15 - Dados de estatística de regressão Cr x IGR para zona TP 
ESTATÍSTICA DE REGRESSÃO 
R² 0,670 
R² ajustado 0,669 
Erro padrão 0,347 
Observações 345 
 
A relação entre Cr e IGR dada pelo modelo linear previsto apresentou um ajuste à amostra de 
apenas 58% e um erro padrão igual a 37,8%, não sendo adequado à variância apresentada 
pelas amostras. 
 
 
37 
 
A Figura 18 (a) apresenta o histograma obtido para Cr e a Figura 18 (b) o histograma para 
IGR para as amostras referentes à zona de topo. Além disso, a Figura 18 (c) apresenta o 
gráfico obtido para Cr em função de IGR, com ajuste feito por regressão simples linear para 
esta mesma zona. 
 (a) 
 (b) 
 
 (c) 
 
Figura 18 - Histograma Cr (a); Histograma IGR (b); Relação Cr x IGR para zona TO 
Analisando os histogramas, em geral, as amostras apresentaram valores de Cr que variam 
entre 2,00 e 4,25 e de IGR entre 0,000 e 0,135, em grande maioria indicando nível de 
condição com degradação pontual na zona. A zona apresenta a maior quantidade de amostras 
y = 18,03x + 2,2403
R² = 0,3242
2,000
2,500
3,000
3,500
4,000
4,500
5,000
5,500
0,000 0,050 0,100 0,150
C
r
IGR
Cr
Linear (Cr)
 
 
38 
 
com índices de Cr superior a 4, denotando nível de condição em estado limite de serviço, o 
que pode ser justificado devido à zona de topo ser uma região sujeita a grande exposição aos 
agentes de degradação, o que se soma à possibilidade de falhas de execução e especificação, 
favorecendo o aparecimento de anomalias. Além disso, podem também existir falhas ou 
inexistência de processos de manutenção, que favorecem no surgimento e agravamento de 
anomalias. 
Através do gráfico de Cr em função de IGR, observa-se que os índices Cr e IGR não 
apresentam uma relação diretamente proporcional, uma vez que para um mesmo IGR temos 
vários valores de Cr diferentes e valores distintos de IGR convergem mais um mesmo valor de 
Cr. Além disso o máximo valor de Cr não se refere ao máximo valor de IGR (0,0,92;5,25) 
indicando que o modelo linear não é o mais adequado para a análise. Isso pode ocorrer devido 
aos dois indicadores partirem de parâmetros diferentes, com Cr levando em conta parâmetros 
que consideram a gravidade da anomalia e possuindo pesos distintos para cada anomalia 
presente, enquanto que IGR baseia-se somente parâmetros diretamente relacionados à área de 
ocorrência. 
Além disso, comparando com o resultado observado para as zonas de paredes contínuas e 
aberturas, observa-se certa semelhança na disposição da nuvem de pontos obtidas para as duas 
zonas, o que pode ocorrer por alguma semelhança entre tipos de anomalia mais presentes em 
cada zona, que impacta nos pesos utilizados para obtenção da severidade, tornando-os 
parecidos. Os dados estatísticos da regressão são expressos na Tabela 16. 
Tabela 16 - Dados de estatística de regressão Cr x IGR para zona TO 
ESTATÍSTICA DE REGRESSÃO 
R² 0,324 
R² ajustado 0,322 
Erro padrão 0,558 
Observações 345 
 
A relação entre Cr e IGR dada pelo modelo linear previsto apresentou um ajuste à amostra de 
apenas 32,4% e um erro padrão igual a 55,8%, não sendo adequado à variância apresentada 
pelas amostras. 
A partir da base de dados e dos resultados obtidos, outra análise pode ser feita, verificando a 
tendência da criticidade em relação ao envelhecimento das edificações. A Figura 19 
 
 
39 
 
representa as quantidades de ocorrência dos níveis de criticidade para cada idade presente na 
base de dados. 
 
Figura 19 - Quantidade de amostras por idade para os valores de Cr 
Analisando o gráfico de barra, os edifícios mais jovens, até os 15 anos, apresentam amostras 
com criticidade com valores até 4, com 42,97% das amostras indicando boa condição e 
57,03% com ocorrência pontual de degradação. Os edifícios com idade entre 15 e 30 anos 
também possuem uma criticidade máxima de 4, com 45,52% das amostras indicando boa 
condição, um percentual mais alto que os edifícios mais jovens, e54,48% com ocorrência 
pontual de degradação. Já para os edifícios mais velhos, com idade entre 30 e 48 anos, a 
criticidade atinge seu valor máximo em 5,25, com 32,52% das amostras indicando boa 
condição, 64,92% com ocorrência pontual de degradação e 2,56% apresentando estado limite 
de serviço. 
A criticidade tende a crescer com o envelhecimento dos edifícios, uma vez que estes passaram 
por um maior período de exposição à degradação sem os devidos cuidados de manutenção. A 
proporção de amostras com criticidade até 2,00 é menor nos edifícios com idade até 15 anos 
do que nos edifícios com até 30 anos, podendo indicar uma maior presença de falhas de 
execução nos mais jovens ou até mesmo uma combinação de falhas ou inexistência de 
manutenção nesses edifícios ao mesmo tempo em que mais medidas de manutenção 
adequadas foram tomadas nos mais velhos. 
Além disso, também foi determinado o nível de condição de para cada zona conforme a 
criticidade. Os resultados podem ser observados na Tabela 17. 
214
325
279284
389
557
0 0
22
0 0 0
0
100
200
300
400
500
600
0 a 15 15 a 30 30 a 48
O
co
rr
ên
ci
as
Idade
Cr = 0 - 2
Cr = 2 - 4
Cr = 4 - 6
Cr = 6 - 8
 
 
40 
 
Tabela 17 – Quantidade de amostras por zona para cada nível de condição conforme Cr 
 NÍVEL DE CONDIÇÃO POR ZONA 
Nível de 
Condição 
Classificação PC AB SC CE TP TO 
1 Condição boa (aceitável) 63 156 253 210 123 95 
2 
Condição de Degradação 
Pontual 
268 187 92 123 209 228 
3 
Condição de Estado 
Limite de Serviço 
14 2 0 12 13 22 
4 
Condição de Estado 
Limite Último 
0 0 0 0 0 0 
 
A partir desses resultados, é possível constatar que a maioria das amostras apresenta nível de 
condição igual a 2, apresentando degradação pontual. Para o nível de condição 1, destacam-se 
as zonas de sacadas e cantos e extremidades com maior quantidade de amostras, e a zona de 
paredes contínuas e topo com as menores quantidades. Isso pode ser justificado pela maior 
exposição aos agentes de degradação aos quais as zona de paredes contínuas é sujeita. 
Para o nível de condição 2, destacam-se as zonas de paredes contínuas e topo com maior 
quantidade de amostras, e a zona de sacadas com a menor quantidade. Isso pode ser 
justificado pela maior exposição aos agentes de degradação aos quais as zonas de paredes 
contínuas e topo estão sujeitas. 
Para o nível de condição 3, destacam-se as zonas de paredes contínuas, cantos e extremidades 
e topo com maior quantidade de amostras, e as zonas de abertura e sacadas com as menores 
quantidade. Isso pode ser justificado pela maior exposição aos agentes de degradação aos 
quais as zonas de paredes contínuas e topo estão sujeitas, e à maior fragilidade da zona de 
cantos e extremidades. Por fim, nenhuma das amostras atingiu nível de condição igual a 4. 
 
 
 
41 
 
6. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES 
A classificação do nível de condição das zonas das amostras disponibilizadas na base de 
dados a partir da criticidade, utilizando o FMECA, ocorreu de forma satisfatória. As zonas de 
transição de pavimentos e topo apresentaram os piores resultados de criticidade, com as 
maiores proporções de amostras com criticidade superior a 4. Isso pode ocorrer pela zona de 
transição de pavimentos estar mais suscetível anomalias causadas pelo trabalho das estruturas, 
e pela zona de topo estar mais exposta à ação dos agentes de degradação. 
Os índices de gravidade relativa, em sua maioria, apresentaram valores numéricos muito 
baixos, uma vez que varia num intervalo de 0 a 1 e os resultados obtidos apresentaram um 
máximo de 0,164. Isso pode ter ocorrido devido à utilização de amostras com idades bastante 
discrepantes, e à não separação das amostras em classes de idade para cálculo de IGR. 
Os modelos matemáticos propostos utilizando regressão simples linear para análise da relação 
entre Cr e IGR não alcançaram seus objetivos, uma vez que não foram adequados à variância 
observada nas amostras. 
A criticidade tende a aumentar conforme o envelhecimento do edifício, devido ao aumento de 
tempo em exposição aos agentes de degradação, desde que nenhuma intervenção para 
manutenção ocorra. Criticidades altas em edifícios de pouca idade tendem a indicar falhas de 
execução. 
As amostras apresentaram, em sua maioria, resultados que indicavam nível de condição com 
ocorrência pontual de degradação. Nenhuma amostra apresentou condição em estado limite 
último. 
6.1. SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS 
• Verificar a validade da escala de frequência utilizada para o cálculo da criticidade. 
• Verificar a validade da escala de níveis de condição pela criticidade proposta. 
• Utilizar classes de idade para determinação de IGR. 
• Aplicação de outras formas de regressão para obtenção de um modelo matemático 
capaz de relacionar Cr e IGR de forma eficaz. 
 
 
 
 
42 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
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Associação Brasileira de Normas Técnicas. Rio de Janeiro, Brasil. 2021. 
ABNT NBR 15575-2. Edificações habitacionais - Desempenho. Parte 2: Requisitos para os 
Sistemas Estruturais. Associação Brasileira de Normas Técnicas. Rio de Janeiro, Brasil. 
2021. 
ABNT NBR 15575-4. Edificações habitacionais - Desempenho. Parte 4 : Sistemas de 
vedações verticais internas e externas. Associação Brasileira de Normas Técnicas. Rio de 
Janeiro, Brasil. 2021. 
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Especialização. Escola de Engenharia, Universidade Federal de Minas Gerais.Belo Horizonte, 
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Diferentes Zonas Componentes da Fachada. Tese de Mestrado. Universidade de Brasília. 
Brasília, Brasil. 152p. 2019. 
PINHEIRO, P. I. S. Aplicação do Método de Mensuração da Degradação (MMD) ao 
Estudo das Fachadas de Edifícios em Brasília. Monografia de Projeto Final, Universidade 
de Brasília. Brasília, Brasil. 83p. 2017. 
POTIGUARA, L. G. P. Fachadas Cortina: Processo Construtivo E Patologias Associadas. 
Monografia de Projeto Final. Escola Politécnica, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio 
de Janeiro, Brasil. 63p. 2017. 
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Cerâmicos de Fachadas. 1aed. São Paulo: Editora Pini LTDA, 2010. 
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Fachada - Aplicação ao Caso de Brasília/DF. Tese de Doutorado. Universidade de Brasília. 
Brasília, Brasil, 198p. 2014. 
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SOUZA, J. S. de. Evolução da Degradação de Fachadas - Efeito dos Agentes de 
Degradação e dos Elementos Constituintes. Dissertação de Mestrado. Universidade de 
Brasília. Brasília, Brasil. 114p. 2016. 
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Edifícios. Tese de Doutorado. Universidade de Brasília. Brasília, Brasil. 139p. 2019. 
SOUZA, J. S. de; BAUER, E.; NASCIMENTO, M. L. M.; CAPUZZO, V. M. S.; ZANONI, 
 
 
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TALON, A.; BOISSER, D.; HANS, J.; LACASSE, M. A.; CHORIER, J. FMECA and 
Management of Building Components. 11th International Conference on the Durability of 
Building Materials and Components. Istambul, Turquia. p. 1 - 9, 2008.24 
 4.1.1. SEVERIDADE DA ANOMALIA ................................................................ 24 
 4.1.2. FREQUÊNCIA DA ANOMALIA ................................................................ 25 
4.2. NÍVEL DE CONDIÇÃO PELA CRITICIDADE ................................................... 26 
4.3. ÍNDICE DE GRAVIDADE RELATIVA................................................................ 26 
4.4. RELAÇÃO CR X IGR .............................................................................................. 26 
5. RESULTADOS ................................................................................................. 27 
6. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES ........................................................ 41 
 6.1. SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS ............................................ 41 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................... 42 
3.2.1. Descolamento ou Desplacamento .................................................................... 7 
3.2.2. Fissuras ............................................................................................................. 8 
3.2.3. Falhas de Rejunte e de Vedação ....................................................................... 9 
3.2.4. Eflorescência .................................................................................................... 9 
3.6.1. Inspeção de Fachada ....................................................................................... 15 
3.6.2. Mapeamento de Danos ................................................................................... 16 
3.6.3. Quantificação da Degradação ......................................................................... 20 
3.6.3.1. Fator de Danos (FD) ................................................................................ 20 
3.6.3.2. Fator Geral de Danos (FGD) ................................................................... 21 
3.6.3.3. Fator de Danos Ponderado (FDw) ............................................................ 21 
3.6.3.4. Índice de Gravidade Relativa (IGR) ........................................................ 22 
 
 
ix 
 
LISTA DE FIGURAS 
 
Figura 1 – Esquema das camadas do sistema de revestimento cerâmico (Souza, 2019) ........... 5 
Figura 2 – Descolamento de revestimento cerâmico (Silvestre; Brito, 2004) ............................ 7 
Figura 3 – Descolamento (a) e desplacamento (b) de revestimento cerâmico em fachadas 
(Antunes, 2010) .......................................................................................................................... 8 
Figura 4 – Fissuração em fachadas (adaptado de Nascimento, 2016) ........................................ 8 
Figura 5 – Falha de rejunte em revestimento cerâmico (Souza, 2019) ...................................... 9 
Figura 6 – Eflorescência em fachada (Nascimento, 2016) ....................................................... 10 
Figura 7 – Solicitações em sistema de vedação vertical (Kazmierczak et al., 2016) ............... 12 
Figura 8 – Esquema de aplicação do FMECA (adaptado de Talon et al., 2008) ..................... 14 
Figura 9 – Definição das amostras de fachada (Piazzarollo, 2019).......................................... 16 
Figura 10 - Exemplo de edifício com malha sobreposta e divisão em zonas (Pinheiro, 2017) .... 
 .................................................................................................................................................. 17 
Figura 11 - Esquema ilustrativo de registro de anomalias sobre malha sobreposta (Piazzarollo, 
2019) ......................................................................................................................................... 19 
Figura 12 – Estrutura da metodologia de pesquisa ................................................................... 23 
Figura 13 - Histograma Cr (a); Histograma IGR (b); Relação Cr x IGR para zona PC (c) ..... 27 
Figura 14 - Histograma Cr (a); Histograma IGR (b); Relação Cr x IGR para zona AB (c) ..... 29 
Figura 15 - Histograma Cr (a); Histograma IGR (b); Relação Cr x IGR para zona SC (c) ..... 31 
Figura 16 - Histograma Cr (a); Histograma IGR (b); Relação Cr x IGR para zona CE (c) ..... 33 
Figura 17 - Histograma Cr (a); Histograma IGR (b); Relação Cr x IGR para zona TP ........... 35 
Figura 18 - Histograma Cr (a); Histograma IGR (b); Relação Cr x IGR para zona TO .......... 37 
Figura 19 - Quantidade de amostras por idade para os valores de Cr ...................................... 39 
 
 
 
 
x 
 
LISTA DE TABELAS 
 
Tabela 1 – Classificação das anomalias quanto às causas (Flores-Colen et al., 2010) .............. 6 
Tabela 2 - Vida útil de projeto e níveis de desempenho mínimo e superior de sistema de 
revestimento (adaptado da ABNT NBR 15575-1, 2021) ......................................................... 11 
Tabela 3 – Agentes de degradação em função da natureza (adaptado da ASTM E632:1996 e 
ISO 15686-2:2012) ................................................................................................................... 13 
Tabela 4 - Instruções para divisão das amostras de fachadas (Piazzarollo, 2019) ................... 17 
Tabela 5 - Especificações e definições das zonas de fachadas (Piazzarollo, 2019) ................. 18 
Tabela 5 - Especificações e definições das zonas de fachadas (Piazzarollo, 2019) 
(continuação) ............................................................................................................................ 19 
Tabela 6 - Etapas para a quantificação de danos por MMD ( Piazzarollo, 2019) .................... 19 
Tabela 6 - Etapas para a quantificação de danos por MMD ( Piazzarollo, 2019) (continuação)
 .................................................................................................................................................. 20 
Tabela 7 - Descrição dos níveis de condição (Souza, 2019) .................................................... 24 
Tabela 8 - Severidade das anomalias conforme kn (Souza, 2019) ............................................ 25 
Tabela 9 – Classificação do índice de frequência de anomalia ................................................ 25 
Tabela 10 – Proposta de distribuição em níveis de condição para a criticidade ...................... 26 
Tabela 11 - Dados de estatística de regressão Cr x IGR para zona PC .................................... 28 
Tabela 12 - Dados de estatística de regressão Cr x IGR para zona AB .................................... 30 
Tabela 13 - Dados de estatística de regressão Cr x IGR para zona SC .................................... 32 
Tabela 14 - Dados de estatística de regressão Cr x IGR para zona CE .................................... 34 
Tabela 15 - Dados de estatística de regressão Cr x IGR para zona TP ..................................... 36 
Tabela 16 - Dados de estatística de regressão Cr x IGR para zona TO .................................... 38 
Tabela 17 – Quantidade de amostras por zona para cada nível de condição conforme Cr ...... 40 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
xi 
 
LISTA DE ABREVIAÇÕES, SIGLAS E SÍMBOLOS 
 
ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas 
Cr Criticidade por Anomalia por Amostra 
Crt Criticidade Total por Amostra 
FD Fator de Danos 
FDw Fator de Danos Ponderado 
FGD Fator Geral de Degradação 
FMECA Método de Análise de Falha, Efeito e Criticidade 
IGR Índice de Gravidade Relativa 
ISO InternationalOrganization for Standardization 
MMD Método de Mensuração da Degradação 
NBR Norma Brasileira Registrada no INMETRO 
Qi Frequência de Ocorrência da Anomalia 
Si Severidade da Anomalia 
 
 
 
1 
 
1. INTRODUÇÃO 
Os sistemas de vedação vertical externos, também denominados fachadas, são responsáveis 
por compartimentar e definir os ambientes internos dos externos, de forma a controlar a ação 
de agentesindesejáveis. As fachadas atuam como o invólucro do edifício e geram ganho de 
qualidade de vida e satisfação para os usuários. Além disso, contribuem também para a 
qualidade do ambiente urbano, por ser a parte mais visível e caracterizar a estética do edifício 
(Flores; Brito; Freitas, 2004; Oliveira, 2009; Potiguara, 2017). 
No Brasil, devido à predominância do clima tropical, o revestimento cerâmico ocupa uma 
posição de destaque no acabamento de fachadas de edifícios e é a opção mais interessante 
para aplicação devido aos aspectos de desempenho e durabilidade. Além disso, possuem 
maior valorização estética, facilidade de limpeza, possibilidades de composição harmônica, 
melhor estanqueidade da vedação, conforto térmico e acústico da fachada e maior valorização 
econômica do empreendimento (Medeiros, 1999). 
As fachadas atuam como limitadores verticais da edificação (ABNT NBR 15575-4, 2021), 
possuindo também funções estéticas e de estilo, bem como de proteção contra intempéries, de 
modo a proporcionar conforto e segurança aos usuários e um melhor desempenho e 
durabilidade do edifício (Piazzarollo, 2019). Devido a isso, as fachadas são constantemente 
afetadas pelos efeitos do clima e da poluição urbana e demais agentes, o que eleva as taxas de 
degradação e a frequência da ocorrência de falhas, que podem ter consequências graves na 
segurança e conforto dos usuários (Flores-Colen; De Brito; Freitas, 2010; Bauer et al., 2014). 
Os agentes de degradação são todos os fatores que afetam o desempenho dos componentes 
dos edifícios, principalmente das fachadas. Esses agentes podem estar relacionados ao clima, 
a agentes biológicos, esforços mecânicos, incompatibilidades e, também, a fatores 
relacionados ao uso da edificação (Nascimento, 2016). 
A ocorrência desses agentes pode acarretar surgimento de anomalias nas fachadas, que tem 
como consequência a perda de desempenho da edificação. Essas anomalias são identificadas a 
partir da avaliação do estado de conservação da fachada. Esse estado é entendido como o 
nível de condição da fachada, que leva em conta os tipos de anomalias presentes e o grau de 
manifestação (De Oliveira et al., 2018). 
 
 
2 
 
O estudo do nível de condição das fachadas é o ponto de partida para a implementação, 
planejamento e gestão de intervenções de manutenção, reparação, reabilitação e outras. Isso 
pois identificam as anomalias existentes nos elementos funcionais e comparam as 
características atuais com as características que o edifício deveria apresentar. Com os 
resultados obtidos, é permitida uma análise que permite a identificação da urgência de 
intervenção e a determinação da técnica mais adequada de reparo (De Oliveira et al., 2018). 
Por ser a camada externa da edificação, e estar sob constante ação de fatores de degradação, é 
necessário estudo e desenvolvimento de metodologias que permitam determinar o nível de 
degradação das fachadas, para que sejam identificadas e classificadas as anomalias, de forma 
a permitir adequada manutenção e restauração da integridade da fachada e que garanta o 
pleno desempenho de suas funções. 
Uma dessas metodologias é o Método de Análise do Modo de Falha, Efeito e Criticidade 
(FMECA), que originalmente era utilizado para determinação de desempenho em sistemas da 
aeronáutica norte-americana, e possibilita que todos os modos de falhas possíveis de um 
sistema e seus efeitos no desempenho da edificação sejam identificados. Possui como 
indicador final a criticidade e para anomalias de fachada, o FMECA leva em conta a 
severidade e a frequência de ocorrência da anomalia por zona estudada (Lee, 2018). 
Outra metodologia é o Método de Mensuração de Degradação (MMD), que traduz o 
comportamento da degradação em indicadores quantitativos, com o objetivo mensurar a 
degradação de fachadas de edifícios (Souza, 2019). O MMD possui vários indicadores 
resultantes da aplicação do seu método, de forma que, neste trabalho, é utilizado o índice de 
gravidade relativa, voltado para a análise da degradação nas zonas das fachadas. 
Este trabalho consiste no estudo do nível de condição das zonas das fachadas de edifícios 
revestidos com revestimento cerâmico na cidade de Brasília, Distrito Federal, utilizando o 
método de análise do modo de falha, efeito e criticidade, buscando uma relação matemática 
entre a criticidade e o índice de gravidade relativa, a fim de relacionar as duas metodologias. 
 
 
 
 
3 
 
2. OBJETIVO 
O objetivo geral do estudo é analisar o nível de condição nas diferentes zonas componentes 
dos sistemas de vedação vertical de edifícios com revestimento cerâmico a partir do Método 
de Análise do Modo de Falha, Efeito e Criticidade. 
2.1. OBJETIVOS ESPECÍFICOS 
• Analisar a criticidade dos defeitos para cada zona das fachadas selecionadas, segundo 
o Método de Análise de Modo de Falha, Efeito e Criticidade; 
• Averiguar o índice de gravidade relativa para cada zona das fachadas selecionadas, 
segundo o Método de Mensuração de Degradação; 
• Verificar a existência de uma relação entre a criticidade e o índice de gravidade 
relativa; 
• Constatar a existência de uma relação entre a criticidade da zona e a idade do edifício; 
• Determinar a classificação da condição das zonas das fachadas selecionadas a partir da 
criticidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
 
3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 
3.1. REVESTIMENTO CERÂMICO DE FACHADAS 
A cerâmica é um material resultante de um processo de produção a partir da argila e outras 
matérias primas inorgânicas, não metálicas, como quartzo, feldspato e materiais sintéticos. 
Esse material é moldado e submetido a altas temperaturas, conferindo-o rigidez e resistência, 
podendo ser utilizado para revestimento de pisos e paredes internos e externos (Pezzato, 
2010). 
Os revestimentos de fachada devem cumprir as funções e atender os requisitos de 
desempenho expressos pela norma ABNT NBR 15575:2021 (Ribeiro; Barros, 2010). De 
acordo com Medeiros (1999), devem cumprir as funções de: 
• Proteger a edificação: proteger os vedos e a estrutura contra a ação de agentes 
agressivos, evitando a degradação precoce, aumentar a durabilidade e reduzir os custos 
de manutenção do edifício; 
• Auxiliar as funções da vedação: auxiliar as vedações a proporcionar à edificação 
estanqueidade ao ar e à água e o adequado desempenho termoacústico e contra a ação 
de fogo e intrusões; 
• Acabamento: definir as características estéticas do edifício, participando do 
estabelecimento do seu valor econômico; 
• Integrar-se à base: acomodar pequenos movimentos diferenciais entre a alvenaria e a 
estrutura, de forma a manter a perfeita interação com a base. 
Os revestimentos cerâmicos de fachada podem ser classificados em revestimentos aderidos, 
quando trabalham completamente aderidos sobre bases e substratos que lhes servem de 
suporte, ou revestimentos não aderidos, quando precisam ser fixados por meio de dispositivos 
especiais em função da presença de camadas de isolamento térmico, acústico ou 
impermeabilização que não permitem a aderência entre as camadas (Medeiros, 1999). Para 
este trabalho, serão considerados somente revestimentos cerâmicos aderidos. 
É definido como o conjunto monolítico de camadas aderidas à base suportante da fachada do 
edifício (alvenaria ou estrutura), cuja capa exterior é constituída de placas cerâmicas, 
assentadas e rejuntadas com argamassa ou material adesivo (Medeiros, 1999), conforme o 
esquema apresentado na Figura 1. 
 
 
5 
 
 
Figura 1 – Esquema das camadas do sistema de revestimento cerâmico (Souza, 2019) 
A base ou substrato é constituída por uma superfície plana de parede, podendo ser a própria 
estrutura concreto armado e alvenaria de blocos cerâmicos, de concreto, concreto celular ou 
sílico-calcários. O substrato pode influenciar no desempenho dos revestimentos no que diz 
respeito à ancoragem física, químicaou mecânica do revestimento, podendo ser 
comprometida caso ocorram contaminações que impeçam o contato da argamassa com a 
superfície ou reduzam a área de contato (Costa, 2013). 
O chapisco é a etapa de preparo da base que objetiva torná-la mais rugosa e homogênea 
quanto à absorção de água, sendo necessária uma vez que a base possui baixa capacidade de 
aderência, por apresentar superfície muito lisa, porosidade inadequada e/ou capacidade de 
sucção incompatíveis para uma boa colagem (Almeida, 2012; Costa, 2013). 
O emboço é o componente responsável por cobrir e regularizar a superfície da base ou 
chapisco, é a primeira camada do revestimento e deve apresentar resistência de aderência 
compatível com os esforços solicitantes, uma vez que deverá suportar a camada de 
revestimento cerâmico aderida sobre ele sem que ocorra descolamento (Antunes, 2010; Costa, 
2013). 
A argamassa colante representa a camada de fixação, sendo ela responsável por unir e manter 
a fixação das placas cerâmicas ao emboço. Para isso, deve resistir às tensões de tração e 
cisalhamento que ocorrem nas interfaces emboço-argamassa colante e argamassa colante-
cerâmica (Almeida, 2012). 
 
 
 
6 
 
A placa cerâmica, as juntas e o rejunte continuem a camada de acabamento, que é a camada 
final do sistema de revestimento cerâmico. Por ser a camada mais externa, está exposta à ação 
das intempéries e é a mais afetada por variações térmicas e de umidade, sendo responsável, 
portanto, por resistir às variações de dimensões ocasionadas pela expansão e retração às quais 
estará sujeita. O revestimento cerâmico também possui funções arquitetônicas e participa da 
definição estética do edifício (Almeida, 2012). 
3.2. ANOMALIAS EM SISTEMAS DE REVESTIMENTO CERÂMICO 
Anomalias são manifestações físicas das patologias, que levam à perda precoce de 
desempenho do sistema, podendo ser classificadas como congênitas, construtivas, adquiridas 
ou acidentais, a depender das causas, conforme observado na Tabela 1 ((Flores-Colen et al., 
2010). 
Tabela 1 – Classificação das anomalias quanto às causas (Flores-Colen et al., 2010) 
CAUSA DAS ANOMALIAS DESCRIÇÃO 
 
 
(i) Congênitas 
 
 
(ii) Construtivas 
 
 
(iii) Adquiridas 
 
 
(iv) Acidentais 
 
Originadas nas etapas que precede a execução, isto é, etapa de projeto e 
definição dos materiais; 
 
Resultantes da fase de execução, isto é, qualidade de mão-de-obra e 
ausência de fiscalização de controle de qualidade; 
 
Decorrentes da ação humana, isto é, uso incorreto do sistema de 
revestimento ou manutenção inadequada ou inexistente, ou da ação da 
natureza, tais como chuva, radiação solar e vento; 
 
Relacionadas à ocorrência de algum fenômeno atípico, tais como, 
terremoto, recalques e incêndios, isto é, esforços imprevisíveis da natureza. 
 
 
As anomalias geralmente são resultantes da combinação de vários fatores, podendo ser 
sucedidas por uma sobreposição de efeitos que se acumulam até a manifestação de um dano 
maior (Antunes, 2010). Ciclos de umedecimento e secagem do sistema de revestimento, 
mudanças químicas e físicas na estrutura, mudanças de temperatura, radiação e transferência 
de sais são alguns desses fatores a serem considerados (Antunes, 2010; Piazzarollo, 2019). 
As principais anomalias em sistemas de revestimento cerâmico de fachadas observados em 
Brasília são o descolamento ou desplacamento cerâmico, fissuração, falhas de rejunte, falhas 
de vedação e eflorescência (Bauer et al., 2015). 
 
 
7 
 
3.2.1. Descolamento ou Desplacamento 
O descolamento ocorre pelo afastamento das placas de sua base de ancoragem, devido à perda 
de aderência parcial ou total entre as camadas constituintes do sistema de revestimento, 
caracterizado pela ausência de contato entre o revestimento e a argamassa de emboço ou 
colante, que aumenta ao longo do tempo (Bauer et al., 2015; Nascimento, 2016; Piazzarollo, 
2019). Essa anomalia pode ser observada na Figura 2. 
 
Figura 2 – Descolamento de revestimento cerâmico (Silvestre; Brito, 2004) 
A ocorrência do descolamento normalmente está associada a um conjunto de fatores, entre 
eles à movimentação excessiva do edifício, à expansão por umidade e dilatação térmica das 
placas cerâmicas, aos erros de especificação e execução da argamassa colante e à falta de 
manutenção (Flores-Colen et al., 2011). 
O descolamento (Figura 3a) não está associado ao desplacamento (Figura 3b) imediato das 
placas cerâmicas, porém, mais cedo ou mais tarde, esse desplacamento ocorrerá. Os 
desplacamentos gradual e imediato apresentam as mesmas consequências para o sistema de 
revestimento e a mesma necessidade de reparo. Por apresentar possibilidade de queda, o 
descolamento é considerado uma anomalia bastante grave para revestimentos cerâmicos de 
fachada, uma vez que acarreta riscos à integridade física dos usuários (Silvestre; Brito, 2004). 
 
 
8 
 
 
(a) 
 
(b) 
Figura 3 – Descolamento (a) e desplacamento (b) de revestimento cerâmico em fachadas 
(Antunes, 2010) 
3.2.2. Fissuras 
Fissura, conforme apresentado na Figura 4, é um seccionamento na superfície ou em toda 
seção transversal de um componente, com abertura capilar, provocado por tensões normais ou 
tangenciais. As fissuras podem ocorrer na superfície sobre a interface de dois materiais 
distintos, em situações em que ocorram deformações excessivas, retração de materiais 
cimentícios, variações bruscas de temperatura, recalques de fundações, sobrecargas, variações 
higroscópicas ou alterações químicas (ABNT NBR 15575-2, 2021; Nascimento, 2016). 
 
(a) 
 
(b) 
Figura 4 – Fissuração em fachadas (adaptado de Nascimento, 2016) 
As aberturas presentes na fachada podem dar origem a outras anomalias, como eflorescências, 
manchas de umidade, bolor, corrosão de armaduras e descolamento de placas cerâmicas, por 
permitir a penetração de agentes agressivos externos (Antunes, 2010). 
 
 
9 
 
3.2.3. Falhas de Rejunte e de Vedação 
A falha de rejunte, observada na Figura 5, consiste no surgimento no fissuramento ou 
desprendimento do rejunte entre as placas cerâmicas, que ocorrem devido à ação de 
intempéries no decorrer do tempo, pela fadiga por ciclagem higrotérmica, infiltração de água 
e outros produtos potencialmente agressivos, e envelhecimento da resina, erros de 
especificação ou da própria aplicação do rejunte (Antunes, 2010; Bauer et al., 2015; 
Piazzarollo, 2019). 
 
Figura 5 – Falha de rejunte em revestimento cerâmico (Souza, 2019) 
As falhas de vedação ocorrem devido à queda do rejunte, pela má aplicação ou falta de 
manutenção, e à corrosão das esquadrias metálicas, se manifestando mais frequentemente 
entorno do vão das esquadrias, o que permite que a água percole pela abertura e leve ao 
surgimento de infiltrações (Antunes, 2010; Nascimento, 2016). 
As falhas de rejunte e vedação podem implicar na fissuração do revestimento, uma vez que a 
falta do rejunte reduz a capacidade do sistema de absorver as deformações, e no surgimento 
de outras anomalias relacionadas à infiltração, por resultarem na perda de estanqueidade e 
permitirem o ingresso de umidade no sistema de revestimento (Nascimento, 2016; 
Piazzarollo, 2019; Souza, 2019). 
3.2.4. Eflorescência 
A eflorescência, apresentada na Figura 6, é a aparição de manchas brancas formadas pela 
deposição de sais oriundos da alvenaria ou do próprio revestimento. É uma anomalia que 
ocorre pela percolação de água através de materiais porosos, carregando substâncias solúveis 
que serão depositadas na superfície do revestimento cerâmico após a evaporação da água 
(Almeida, 2012; Bauer et al., 2015). 
 
 
10 
 
 
Figura 6 – Eflorescência em fachada (Nascimento, 2016) 
Quando a fachada permanece umedecida por longos períodos, alguns sais, hidróxidos e 
carbonatos presentes na argamassa ou na alvenaria são dissolvidos e depositados nosporos 
dos materiais, sendo levados para a superfície por difusão e evaporação, o que resulta em um 
depósito salino na superfície do revestimento, que comumente apresenta coloração 
esbranquiçada (Antunes, 2010; Nascimento, 2016; Souza, 2016). 
Para que ocorra, é necessária a presença simultânea de três fatores: o teor de sais solúveis 
presentes nos materiais ou componentes, água e a diferença de pressão para que os sais 
migrem para a superfície. Normalmente não causa falhas significativas, mas leva a 
desconforto estético (Antunes, 2010). 
3.3. DESEMPENHO 
Desempenho é definido como o comportamento em uso de uma edificação e de seus sistemas, 
associado às condições de uso de projeto, ao atendimento às normas e uso de materiais e 
elementos adequados durante o processo construtivo. Além disso, também é levado em conta 
a implementação de programas de manutenção corretiva e preventiva durante a operação e ao 
longo da vida útil da edificação (ABNT NBR 15575-1, 2021). 
Segundo a norma ABNT NBR 15575 (2021), o sistema de vedação vertical externa tem sua 
vida útil de projeto estimada em 40 anos, enquanto o revestimento aderido de fachadas deve 
estar projetado para um período mínimo de 20 anos. Por estarem expostas a condições 
adversas, e possuírem extrema importância para a conservação do edifício, as fachadas devem 
ser preservadas a fim de evitar a ocorrência de infiltrações internas e deterioração de 
elementos construtivos (Pinheiro, 2017). 
 
 
11 
 
Esse cuidado é necessário para que o edifício tenha seu nível de desempenho e sua estética 
mantidos, configurando uma grande importância às manutenções periódicas, que têm o intuito 
de estabilizar e prolongar a vida útil da edificação, prevenindo ou corrigindo a perda de 
desempenho pelo dano aos componentes ou pela atualização das necessidades dos usuários 
(Silva, 2014; Pinheiro, 2017). 
Os níveis de desempenho mínimos (M) são constituídos essencialmente de condições da 
análise do projeto. Para se ter uma melhor qualidade da edificação, faz-se uma pesquisa de 
valor da relação custo-benefício dos sistemas, e determina-se o nível de desempenho superior 
(S), demonstrando um limite de exigência para atendimento de desempenho conforme a 
ABNT NBR 15575-1:2021, como apresenta a Tabela 2. 
 
Tabela 2 - Vida útil de projeto e níveis de desempenho mínimo e superior de sistema de 
revestimento (adaptado da ABNT NBR 15575-1, 2021) 
SISTEMAS, ELEMENTOS OU COMPONENTES 
VUP (Anos) 
M S 
Paredes de vedação externas, painéis de fachada, fachadas, cortina. ≥ 40 ≥ 60 
Revestimento de fachada aderido e não aderido, revestimento, molduras, 
componentes decorativos e cobre muros. 
≥ 20 ≥ 30 
Componentes de juntas e rejuntamentos; mata-juntas, sancas, golas, rodapés e 
demais componentes de arremate. 
≥ 4 ≥ 6 
Janelas (componentes fixos e móveis), portas-balcão, gradis, grades de proteção, 
cobogós, brises. Inclusos complementos de acabamento como peitoris, soleiras, 
pingadeiras e ferragens de manobra e fechamento. 
≥ 20 ≥ 30 
 
O desempenho da fachada pode ser analisado através de vários métodos de determinação do 
nível de degradação, que relacionam, de forma quantitativa, a perda de desempenho dos 
elementos às condições de idade ou serviço por meio de indicadores de degradação (Silva, 
2014). Alguns desses métodos são a Metodologia de Avaliação do Estado de Degradação do 
Edificado, o Método de Avaliação do Estado de Conservação, o Método de Mensuração de 
Degradação, o Método de Análise do Modo de Falha, Efeito e Criticidade, entre outros. 
3.4. AGENTES DE DEGRADAÇÃO 
É importante que seja dada a devida atenção à qualidade dos revestimentos de fachada, para 
que desempenhem as suas funções e satisfaçam as necessidades dos usuários. Isso, pois, as 
fachadas interagem com os demais componentes do edifício e com o próprio ambiente, 
necessitando capacidade de suporte a esforços. Além disso, devem garantir a proteção do 
 
 
12 
 
edifício quanto aos agentes de degradação externos, exercendo funções como estanqueidade à 
água, isolamento térmico e acústico, entre outros (ABNT NBR 15575-1, 2021). 
A degradação pode ser entendida como qualquer ação que cause deterioração de uma ou mais 
propriedades do componente do edifício, prejudicando o seu desempenho (ABNT NBR 
15575-1, 2021; ISO 15686-2, 2012). 
Por isso, é necessário que os agentes responsáveis pela degradação sejam classificados para 
que seja possível a execução de um projeto de fachadas adequado às solicitações, particulares 
de cada agente atuante, algumas estão presentes na Figura 7. 
 
Figura 7 – Solicitações em sistema de vedação vertical (Kazmierczak et al., 2016) 
Os agentes de degradação podem ser classificados, conforme a natureza, em climatológicos, 
biológicos, mecânicos, eletromagnéticos, químicos e biológicos, conforme as especificidades 
contidas na Tabela 3. 
 
 
 
13 
 
Tabela 3 – Agentes de degradação em função da natureza (adaptado da ASTM E632:1996 
e ISO 15686-2:2012) 
NATUREZA CLASSE 
 
Agentes mecânicos 
 
Gravidade 
Esforços e deformações impostas ou restringidas 
Energia cinética 
Vibrações e ruídos 
 
Agentes eletromagnéticos 
 
Radiações 
Eletricidade 
Magnetismo 
Agentes térmicos Níveis extremos ou variações muito rápidas de temperatura 
 
 
 
Agentes químicos 
 
 
Água e solventes 
Agentes oxidantes 
Agentes redutores 
Ácidos 
Bases 
Sais 
Quimicamente neutros 
Agentes biológicos 
Vegetais e microrganismos 
Animais 
 
3.5. MÉTODO DE ANÁLISE DE MODO DE FALHA, EFEITO E CRITICIDADE 
O método de análise de modo de falha, efeito e criticidade (Failure Mode, Effect, and 
Criticality Analysis – FMECA) é um método relativamente simples e sistemático para 
identificação e classificação de falhas, capaz de identificar todos os modos de falhas possíveis 
de um sistema e seus efeitos no desempenho da edificação (Lee, 2018; Talon et al., 2008). 
Permite determinar uma série de fenômenos de degradação associados a componentes 
particulares e ao ambiente, de forma a identificar as causas, consequências e relacionar aos 
componentes danificados do edifício (Talon et al., 2008). 
O FMECA surgiu por volta de 1950, sendo denominado apenadas Análise do modo de Falha 
e Efeito (failure mode and effect analysis – FMEA), no escritório de aeronáutica da marinha 
dos EUA, juntamente com o desenvolvimento dos sistemas de controle de voos da 
aeronáutica norte-americana. Essa metodologia de análise tinha o objetivo de estabelecer um 
mecanismo de controle de confiabilidade dos sistemas. Depois disso, a Administração 
Nacional da Aeronáutica e Espaço (NASA) passou a utilizar a metodologia na categorização 
dos efeitos de cada falha em potencial de acordo com a sua severidade, dando origem ao 
FMECA (Dhillon, 2006). 
A NASA atribuiu sete passos para aplicação do FMECA (Dhillon, 2006): 
1. Defina os limites do sistema e os requisitos associados em detalhes. 
2. Liste todas as partes e componentes do sistema e subsistemas. 
 
 
14 
 
3. Liste todos os modos de falha possíveis e descreva e identifique o componente ou 
parte em consideração. 
4. Atribuir taxa ou probabilidade de falha apropriada a cada modo de falha para 
componente ou peça. 
5. Liste os efeitos de cada modo de falha nos subsistemas e na planta. 
6. Insira as observações apropriadas para cada modo de falha. 
7. Revise cada modo de falha crítica e tome as medidas apropriadas. 
 
O FMECA foi aprimorado em 1970 com o desenvolvimento do setor de armas nucleares, e 
desde então tem sido amplamente aplicado em diversas áreas industriais, como aeroespacial, 
química, automotiva e projeto de usinas nucleares (Talon et al., 2008). 
A aplicação dessa metodologia apresenta várias vantagens, dentre elas ser um método 
sistemático de fácil compreensão para classificação de falhas, ser uma ferramenta visual que 
agrega a possibilidade de comparação entre alternativas, permitira análise eficaz de sistemas 
simples ou complexos, possibilitar a geração de dados de entrada aplicáveis durante o 
planejamento do sistema, entre outras (Das; Chew, 2011). 
O FMECA pode ser descrito como uma abordagem para a análise do modo de falha de cada 
sistema e seus efeitos no sistema total, categorizando o efeito de cada falha com base na sua 
criticidade (Dhillon, 2006). 
O processo de análise consiste na seleção de um sistema para estudo e no levantamento dos 
dados relacionados às anomalias desse sistema. Depois, os dados passam pela análise de 
desempenho FMECA, da qual é extraída a criticidade do sistema. 
 
Figura 8 – Esquema de aplicação do FMECA (adaptado de Talon et al., 2008) 
A criticidade é definida como o nível da anomalia obtido a partir da sua frequência e 
severidade. A severidade da anomalia (Si) relaciona o grau mais ou menos elevado da 
degradação e a sua reparação, enquanto índice de frequência das anomalias (Qi) na fachada é 
razão entre a área ocupada por determinada anomalia em relação à área total da fachada. 
 
 
15 
 
A criticidade pode ser utilizada para análise do sistema como um todo ou para estudo de 
setores em separado, representando o somatório das criticidades de cada anomalia presentes 
no sistema ou zona estudados, e é calculada a partir da Equação 1 (Lee, 2018). 
 
𝐶𝑟𝑡 = ∑
𝑆𝑖
5
+
𝑄𝑖
5
𝑛
1
 Equação 1 
 
Sendo: 
Crt = criticidade total do sistema; 
Si = severidade da anomalia; 
Qi = frequência da anomalia; 
n = número de anomalias. 
Para cálculo da criticidade, tanto a severidade quanto a frequência das anomalias são dadas 
em escala Likert, com intervalos de 1 a 5. 
3.6. MÉTODO DE MENSURAÇÃO DA DEGRADAÇÃO (MMD) 
O Método de Mensuração da Degradação (MMD) é uma metodologia desenvolvida por 
pesquisadores da Universidade de Brasília, orientados pelo Professor Bauer e colaboradores 
(Antunes, 2010; Silva, 2014; Pinheiro, 2016; Souza, 2016; Piazzarollo, 2019; e demais 
pesquisadores do DMM Project do PECC/UnB). Consiste em um método de avaliação do 
comportamento da degradação, que a traduz em indicadores quantitativos, e tem por objetivo 
mensurar a degradação de fachadas de edifícios. A aplicação do MMD proporciona a 
obtenção de diversos indicadores de degradação, o que permite diversas análises 
comportamentais da degradação, viabiliza a reprodução de modelos matemáticos de 
degradação e possibilita a estimativa de vida útil das fachadas. Essa metodologia é 
desenvolvida em etapas que envolvem a inspeção de fachada, mapeamento e quantificação da 
degradação (Souza, 2019). 
3.6.1. Inspeção de Fachada 
A inspeção de fachada diz respeito à etapa de observação da fachada e identificação das 
anomalias nela presentes. Para isso, é necessária a utilização de equipamentos que 
possibilitem o registro do maior nível de detalhamento, como câmeras fotográficas de alta 
definição e trenas a laser, priorizando o emprego de técnicas não destrutivas para que a 
integridade da fachada seja mantida. Além disso, são utilizadas câmeras termográficas, que 
 
 
16 
 
auxiliam na identificação de anomalias que passariam desapercebidas na inspeção visual e 
fotográfica (Souza, 2019). 
3.6.2. Mapeamento de Danos 
A etapa de mapeamento de danos consiste na elaboração de desenhos esquemáticos 
responsáveis por indicar as anomalias identificadas na inspeção. Para isso, é necessário que, 
primeiro, as amostras de fachada sejam definidas (Souza, 2019). 
O processo de degradação de fachadas não ocorre de maneira uniforme, isso pois cada região 
da fachada está exposta a solicitações e fatores de degradação diferentes, de forma que cada 
região da fachada deve ser analisada de forma independente (Souza et al., 2016). 
As amostras de fachada são trechos ou prumadas inspecionados, que são definidas conforme o 
critério de limitação da amostra. A amostra é limitada quando há juntas de movimentação 
vertical, quando há descontinuidades do plano de fachada (reentrâncias ou avanços) ou 
quando são áreas ou muito pequenas ou muito grandes, considerando-se áreas mínimas de 
50m² e máximas de 500m² (Souza, 2019). A Figura 9 apresenta um exemplo de divisão da 
fachada em amostras. 
 
 
Figura 9 – Definição das amostras de fachada (Piazzarollo, 2019) 
No MMD, para determinação a fachada deve ser dividida de forma a obedecer às instruções 
presentes na Tabela 4. 
 
 
17 
 
Tabela 4 - Instruções para divisão das amostras de fachadas (Piazzarollo, 2019) 
Onde fazer 
a divisão 
Em juntas de movimentações verticais. 
Em descontinuidades. 
Em caso de a fachada ser interrompida por reentrâncias ou por uma quebra no plano de 
avanços. 
Instruções para 
a divisão das 
amostras 
Uma amostra não deve apresentar diferenças de orientação em sua área. 
Áreas revestidas sobre elementos não habitáveis acima da cobertura devem ser divididas em 
suas próprias amostras, que terão suas áreas inteiramente consideradas zona de topo na fase 
de mapeamento. É o caso caixas d’água, casas de máquinas de elevadores, depósitos de 
materiais, cercado de jardins, entre outros. 
Na existência de uma caixa de escada deve-se dividir os lados da caixa em amostras 
diferentes, assim como em outros planos que causem uma descontinuidade em um dos lados 
do edifício. 
Caso exista uma reentrância no edifício que se estenda por todos os andares, deve-se dividir 
as fachadas nessa região em amostras diferentes, de acordo com as suas orientações. 
Elementos revestidos do prédio que se projetam para fora do plano das fachadas, como 
sacadas, devem ter os seus lados contabilizados em amostras. 
Nomenclatura 
Para a identificação de cada amostra do edifício adota-se um prefixo "A", seguido de um 
número para identificar o edifício inspecionado, um ponto e, por fim, o número da amostra 
da fachada inspecionada (ex: A1.4). 
 
Para a obtenção dos indicadores de degradação, uma malha com dimensões 0,50m x 0,50m e 
área 0,25m² é sobreposta ao mapeamento da fachada, definindo as unidades de malha. Feito 
isso, são definidos os andares e, sem seguida, as zonas constituintes da fachada, conforme 
exemplificado na Figura 10, em que se observam as aberturas, sacadas, cantos e extremidades, 
transição entre pavimentos, paredes contínuas e topo. 
 
 
Figura 10 - Exemplo de edifício com malha sobreposta e divisão em zonas (Pinheiro, 2017) 
 
 
 
18 
 
As especificações e definições utilizadas para identificação e denominação das zonas estão 
apresentadas na Tabela 5. 
Tabela 5 - Especificações e definições das zonas de fachadas (Piazzarollo, 2019) 
ZONA DEFINIÇÃO CLASSIFICAÇÃO OBSERVAÇÃO 
Sacadas 
(SC) 
Áreas de paredes 
que se 
sobressaem do 
plano de fachada. 
Unidades diretamente 
sobrepostas à guarda-corpos e 
parapeitos de sacadas em 
balanço, unidades sobre 
marquises ou outros elementos 
que se sobressaiam a fachada, 
incluindo as unidades que 
estiverem sobre as 
extremidades desses 
elementos. A particularidade 
dessa zona é o balanço do 
elemento do edifício. 
Guarda-corpos de varandas que 
existirem internamente ao edifício, 
sem se sobressair ao plano da 
fachada, não são classificados nessa 
zona. Podem ser classificados como 
parede contínua e suas extremidades 
como cantos e extremidades, ou 
como outras zonas que as podem 
definir. Se não possuírem esquadrias 
não devem ser consideradas zonas de 
abertura. 
Topo (TO) 
Áreas acima do 
último pavimento 
Unidades em áreas revestidas 
acima da laje de cobertura do 
último pavimento tipo. 
Unidades que estiverem sobre 
platibandas, paredes ou outro 
tipo de proteção, que se ergam 
acima da cobertura ou terraço 
do prédio. 
Prédios escalonados, com coberturas 
a diferentes níveis, também devem 
ter unidades classificadas como topo 
sobre as platibandas de cada 
cobertura. Áreas revestidas sobre 
elementos não habitáveis acima da 
cobertura, como caixasd'água, casas 
de máquina de elevadores,depósitos 
de materiais, cercado de jardins, 
entre outros, também devem ser 
consideradas como topo. A transição 
entre o último pavimento tipo e a 
cobertura deve ser considerada como 
transição entre pavimentos. 
Abertura 
(AB) 
Áreas em torno 
de janelas e 
portas. 
Unidades de fachada que 
estiverem contornando 
aberturas, sobre as suas 
esquadrias, caixilhos ou 
extremidades. 
Unidades sobre trilhos e conexões de 
fechamentos de vidro sobre sacadas 
ou varandas também são 
consideradas unidades de abertura. 
Unidades que não estiverem 
contornando as extremidades e 
estiverem sobre a parte interior das 
aberturas não são classificadas em 
nenhuma zona e não entram no 
somatório de área total. 
Transição de 
Pavimentos 
(TP) 
Áreas entre os 
andares a cada pé 
direito. 
Unidades que estiverem 
diretamente sobre a divisão 
entre dois pavimentos 
sequenciais, seja essa divisão 
visível por juntas horizontais 
ou não. 
Em um edifício com pilotis, a 
primeira linha inferior de unidades, 
sobre a laje do primeiro pavimento, 
deve ser considerada como uma zona 
de cantos e extremidade. 
Cantos e 
Extremidades 
(CE) 
Áreas de 
contorno do 
plano da fachada 
e de 
descontinuidades. 
Unidades que estiverem 
diretamente ligadas as 
extremidades da fachada até 
uma unidade de distância 
destas. Unidades no limite de 
reentrâncias ou projeções, 
também devem ser 
consideradas nessa 
classificação. 
Unidades que estiverem sobre 
descontinuidades no plano da 
fachada devem ser consideradas 
como em zonas de cantos e 
extremidades caso o elemento não 
esteja em balanço, como por 
exemplo, a transição entre a fachada 
e uma caixa de escadas que se 
estende a todos os andares do prédio. 
 
 
 
19 
 
Tabela 5 - Especificações e definições das zonas de fachadas (Piazzarollo, 2019) 
(continuação) 
ZONA DEFINIÇÃO CLASSIFICAÇÃO OBSERVAÇÃO 
Paredes 
Contínuas 
(PC) 
Áreas contínuas 
do plano. 
Unidades sobre extensões sem 
descontinuidades da fachada. 
Unidades sobre planos contínuos de 
revestimentos da amostra de fachada, 
sem peculiaridades, que não foram 
classificadas em nenhuma das outras 
zonas. 
 
A Figura 11 apresenta um exemplo de esquema ilustrativo de registro de anomalias em uma 
fachada com as zonas delimitadas e a malha sobreposta. 
 
Figura 11 - Esquema ilustrativo de registro de anomalias sobre malha sobreposta (Piazzarollo, 
2019) 
 
A Tabela 6 apresenta o resumo dos procedimentos que devem ser adotados para a 
quantificação de danos em fachadas utilizando o MMD. 
Tabela 6 - Etapas para a quantificação de danos por MMD ( Piazzarollo, 2019) 
ETAPA PROCEDIMENTO 
Sobreposição da malha sobre as 
amostras 
Sobreposição da malha com unidades nas 
dimensões de 0,50m x 0,50m, sobre a amostra, 
partindo do ponto inferior esquerdo do mapeamento 
Divisão da malha por andares e 
por zonas 
Divisão da fachada por andares e, em seguida, 
classificação de cada unidade em zonas, que serão 
determinantes nos cálculos dos índices de 
 
 
20 
 
Tabela 6 - Etapas para a quantificação de danos por MMD ( Piazzarollo, 
2019) (continuação) 
ETAPA PROCEDIMENTO 
Divisão da malha por andares e 
por zonas 
degradação. Esta divisão permite a verificação da 
intensidade e/ou gravidade da degradação da 
fachada em análise, associada à importância das 
zonas incidentes e sua frequência de ocorrência. 
Contabilização dos danos e 
preenchimento da ficha de 
quantificação 
Avaliação da presença de descolamento de peças 
cerâmicas (DC), falha de rejunte (FR), fissuração 
(FI) e eflorescência (EF) e contagem das unidades 
de malha com anomalias em cada amostra de 
fachada, registrando informações de identificação e, 
a partir uma contagem simples de unidades de 
malha, o valor da área da total e da área danificada, 
de forma a classificar o tipo, o andar e a zona do 
dano identificado. 
 
Aplicada a metodologia, e de posse da quantificação da ocorrência das anomalias, é possível 
proceder para a avaliação da degradação da fachada. 
3.6.3. Quantificação da Degradação 
A degradação de uma fachada é quantificada através da utilização de indicadores de 
degradação, que, posteriormente, são utilizados na avaliação da degradação. Isso, pois, estes 
indicadores quantificam fisicamente propriedades críticas da fachada, medindo a deficiência 
de desempenho e comparando-a com as exigências e requisitos dos usuários. Através do 
MMD podem ser obtidos o fator de danos (FD), o fator geral de danos (FGD), o fator de 
danos ponderado (FDW) e o índice de gravidade relativa (IGR). 
3.6.3.1. Fator de Danos (FD) 
O fator de danos é o índice utilizado para que seja feito um diagnóstico inicial da fachada, e, 
representa a extensão de área degradada em determinada amostra em função da área total da 
fachada. Permite determinar a degradação para análises mais complexas e é dado pela 
Equação 2 (Pinheiro, 2016; Piazzarollo, 2019; Souza, 2019). 
 
 
21 
 
𝐹𝐷 = 
∑ 𝐴𝑑(𝑛)
𝐴𝑡
 Equação 2 
 
Sendo: 
FD = fator de dano total da fachada; 
Ad(n)= área danificada de determinada anomalia (n) em m²; 
At = área total da amostra de fachada em m². 
As fachadas que apresentam maior FD são aquelas em que é observado um processo maior de 
degradação. Além disso, o índice não considera a influência e a importância de cada tipo de 
anomalia presente na amostra, sendo, por isso, utilizado como análise preliminar do estudo de 
degradação (Pinheiro, 2016; Silva, 2014). 
3.6.3.2. Fator Geral de Danos (FGD) 
O FGD é um indicador de degradação que permite identificar a tendência de comportamento 
da degradação considerando a influência e a importância de cada tipo de anomalia presente na 
amostra, sendo mais aplicável às condições de construção, exposição e uso de edifícios. Isso é 
possível pois permite o cálculo da degradação ponderando pesos relativos a cada anomalia, o 
que possibilita estabelecer o estágio de degradação total dos edifícios, sendo descrito pela 
Equação 3 (Piazzarollo, 2019; Souza, 2019). 
 
FGD = 
∑ 𝐴𝑑(𝑛) × 𝑘𝑛𝐴 × 𝑘𝑐𝑛
𝐴𝑡 × ∑ 𝑘𝑚𝑎𝑥
 Equação 3 
 
Sendo: 
FGD = fator geral de danos; 
Ad(n)= área danificada de determinada anomalia (n) em m²; 
knA = constante de ponderação para cada anomalia em função do nível de condição; 
kc(n) = constante de ponderação de importância relativa para cada anomalia (n); 
At = área total da amostra de fachada em m²; 
kmáx = constante de ponderação equivalente ao pior nível de condição para cada anomalia (n). 
3.6.3.3. Fator de Danos Ponderado (FDw) 
O FDW é o indicador utilizado para a avaliação da intensidade de degradação nas zonas das 
amostras. Esse indicador torna possível a comparação direta entre o efeito da degradação das 
 
 
22 
 
anomalias por zonas dentro de uma mesma amosta. É a razão entre a área afetada da zona pela 
área total da zona, para cada amostra, dada pela Equação 4 (Piazzarollo, 2019; Souza, 2019). 
𝐹𝐷𝑤 = 
𝐴𝑑𝑧
𝐴𝑧
 Equação 4 
 
Sendo: 
FDW = fator de danos ponderado; 
Adz = área danificada da zona analisada na amostra em m²; 
Az = área total da zona na amostra em m². 
3.6.3.4. Índice de Gravidade Relativa (IGR) 
O IGR é um indicador aplicado às zonas das fachadas com o intuito de verificar a gravidade 
da degradação, presente de maneira pontual ou generalizada. Consiste no produto da média de 
FDW pela frequência de ocorrência das anomalias na zona, dada pela Equação 5 (Piazzarollo, 
2019; Souza, 2019). 
𝐼𝐺𝑅 = FDW̅̅ ̅̅ ̅̅ ̅(x) × 𝑓𝑥 Equação 5 
Sendo: 
IGR = índice de gravidade relativa; 
𝐹𝐷𝑊̅̅ ̅̅ ̅̅ ̅(𝑥)= média do indicador de degradação na classe x; 
fx= frequência de ocorrência de FD na classe, variando de 0 a 1. 
 
 
23 
 
4. METODOLOGIA 
Este capítulo apresenta os processos metodológicos utilizados. Inicialmente, é obtida a 
criticidade, por zona da fachada, através do método FMECA, utilizando a frequência e a 
severidade dasanomalias por zona. Em seguida, é determinado o nível de condição para cada 
zona da fachada a partir da criticidade. Depois, é obtido o fator de danos ponderado. Por fim, 
é determinado o índice de gravidade relativa, para análise de uma relação entre este indicador 
e a criticidade. A Figura 12, a seguir, apresenta a metodologia proposta. 
 
Figura 12 – Estrutura da metodologia de pesquisa 
O estudo é direcionado para análise de anomalias de edificações residenciais com sistema de 
vedação revestidos com revestimento cerâmico. As informações acerca das fachadas dos 
edifícios estudados foram obtidas a partir da base de dados desenvolvida por pesquisadores do 
Projeto “Degradação, Mensuração e Modelação (DMM)” do PECC/UnB. A base de dados 
compreende um total de 46 edifícios, localizados na cidade de Brasília, Distrito Federal, que 
juntos totalizam 345 amostras, com diferentes idades, cada qual dividida conforme cinco 
zonas: paredes contínuas, aberturas, sacadas, cantos e extremidades e topo. 
 
 
24 
 
4.1. CRITICIDADE (Cr) 
A criticidade é obtida para cada zona das amostras e é determinada conforme a severidade e a 
frequência de cada anomalia presente na zona. Para este estudo, é utilizada uma adaptação da 
equação de Lee (2018), uma vez que as escalas utilizadas para a severidade e a frequência são 
distribuídas em 4 níveis, conforme a Equação 6. 
𝐶𝑟 = ∑
𝑆𝑖
4
+
𝑄𝑖
4
𝑛
1
 Equação 6 
 
A partir dos resultados obtidos é feita uma regressão linear para verificar a relação entre Cr e a 
idade das amostras por zona da fachada, de forma a buscar o modelo matemático que melhor 
se ajusta a amostra. 
4.1.1. Severidade da Anomalia 
Nesta pesquisa, é feito um paralelo entre a severidade e o nível de ponderação kn (Souza, 
2019), que representa o nível de condição de degradação e classifica a extensão da degradação 
em uma escala hierárquica, conforme a sua ocorrência. Os níveis de condição são 
classificados em quatro categorias, conforme apresentado na Tabela 7. 
Tabela 7 - Descrição dos níveis de condição (Souza, 2019) 
NÍVEL DE 
PONDERAÇÃO 
(kn) 
CLASSIFICAÇÃO DESCRIÇÃO 
1 
Condição boa 
(aceitável) 
Apresenta boas condições, em que a ocorrência de anomalias 
não prejudica a funcionalidade e durabilidade do sistema. Não 
causa riscos à segurança dos usuários - manutenção preventiva 
2 
Condição de 
Degradação Pontual 
Presença de anomalias pontuais que não prejudicam a 
funcionalidade do sistema de vedação, porém prejudicam a 
durabilidade e segurança dos usuários - manutenção periódica 
3 
Condição de Estado 
Limite de Serviço 
Presença generalizada e simultânea de anomalias que 
prejudicam funcionalidade e durabilidade do sistema de 
vedação, causando impacto visual que podem gerar insegurança 
e transtornos psicológicos aos usuários - manutenção corretiva 
4 
Condição de Estado 
Limite Último 
Presença generalizada de anomalias que prejudicam 
funcionalidade e durabilidade do sistema de vedação, reduzindo 
significativamente os níveis de segurança e apresentando risco 
de colapso ou ruína do sistema – restauração ou reabilitação 
 
 
25 
 
Para determinação da severidade é utilizada a correspondência entre a área degradada e seu 
nível de condição característico, para cada anomalia. A severidade é dada em escala que varia 
de 1 (baixa) a 4 (extremamente alta). Dessa forma, os intervalos utilizados para determinação 
de Si estão discriminados na Tabela 8. 
Tabela 8 - Severidade das anomalias conforme kn (Souza, 2019) 
 
4.1.2. Frequência da Anomalia 
A frequência é dada em uma escala de 1 (raro) a 4 (muito frequente), como mostrado na 
Tabela 9. Os intervalos da escala são determinados a partir da distribuição da área afetada por 
cada anomalia. 
Tabela 9 – Classificação do índice de frequência de anomalia 
ÍNDICE DE FREQUÊNCIA (Qi) ÁREA AFETADA [%] CLASSIFICAÇÃO 
1 0 – 5 Rara 
2 5 – 50 Média 
3 50 – 80 Frequente 
4 80 – 100 Muito Frequente 
 
Anomalias consideradas de ocorrência rara são aquelas que ocupam até 5% de toda a área da 
fachada, isso pois, eventos raros apresentam uma pequena probabilidade ocorrência. 
Anomalias com ocorrência média, têm um intervalo de aparição de 5% a 50% da área total da 
fachada, determinando uma classificação de frequência média para eventos que tenham até 
50% de probabilidade de ocorrência. São classificadas como anomalias de ocorrência 
frequente aquelas que ocupam de 50% a 80% da área total da fachada e, como muito 
frequentes, aquelas que ocupam a partir de 80% da área total da fachada. 
 
NÍVEL DE 
CONDIÇÃO 
(kn) 
SEVERIDADE 
(Si) 
ÁREA DEGRADADA [%] 
DESCOLAMENTO 
CERÂMICO 
FISSURAÇÃO 
FALHA 
NAS 
JUNTAS 
EFLORESCÊNCIA 
1 1 10% 10% 
2 2 5% 20% 30% 30% 
3 3 30% 50% 
maior 
que 30% 
maior que 30% 
4 4 maior que 30% maior que 50% 
 
 
26 
 
4.2. NÍVEL DE CONDIÇÃO PELA CRITICIDADE 
Para determinação do nível de condição da zona, é utilizada a distribuição em quatro níveis, 
conforme a Tabela 7. Levando em consideração que criticidade varia no intervalo de 2 a 8, é 
proposta a distribuição apresentada na Tabela 10. 
Tabela 10 – Proposta de distribuição em níveis de condição para a criticidade 
NÍVEL DE 
CONDIÇÃO 
CLASSIFICAÇÃO CRITICIDADE (Cr) 
1 Condição Boa (aceitável) 2 
2 
Condição de Degradação 
Pontual 
2 – 4 
3 
Condição de Estado Limite 
de Serviço 
4 – 6 
4 
Condição de Estado Limite 
Último 
6 – 8 
 
4.3. ÍNDICE DE GRAVIDADE RELATIVA 
O índice de gravidade relativa é determinado para cada amostra, conforme a média dos fatores 
de danos ponderados calculados para cada anomalia e a frequência de ocorrência desse fator 
de danos para cada zona. Para este trabalho, os fatores de danos não foram divididos em 
classes, dessa forma, a frequência para cada fator de danos é determinada para a quantidade 
total de amostras para uma mesma zona. 
4.4. RELAÇÃO Cr x IGR 
A partir dos resultados obtidos para Cr e IGR, é verificada a existência de relação entre os dois 
indicadores para cada zona da amostra e feita uma regressão simples linear de forma a buscar 
o modelo matemático que melhor se ajusta a amostra. 
 
 
 
27 
 
5. RESULTADOS 
A Figura 13 (a) apresenta o histograma obtido para Cr e a Figura 13 (b) o histograma para 
IGR para as amostras referentes à zona de paredes contínuas. Além disso, a Figura 13 (c) 
apresenta o gráfico obtido para Cr em função de IGR, com ajuste feito por regressão simples 
linear para esta mesma zona. 
 
 (a) 
 (b) 
 (c) 
 
Figura 13 - Histograma Cr (a); Histograma IGR (b); Relação Cr x IGR para zona PC (c) 
Analisando os histogramas, em geral, as amostras apresentaram valores de Cr que variam 
entre 2,00 e 4,75 e de IGR entre 0,000 e 0,051, em grande maioria indicando nível de 
y = 33,607x + 2,1274
R² = 0,583
2,00
2,50
3,00
3,50
4,00
4,50
5,00
0,000 0,010 0,020 0,030 0,040 0,050 0,060
C
r
IGR
Cr
Linear (Cr)
 
 
28 
 
condição com degradação pontual na zona. A incidência de alguns pontos de com índices de 
Cr mais altos, com nível de condição em estado limite de serviço, pode ser justificada devido 
à zona de paredes contínuas estar sujeita a uma maior exposição aos agentes de degradação, 
uma vez que ocupa a maior parte das fachadas dos edifícios. A zona de paredes contínuas 
também sofre influência das cargas do edifício, estando sujeita a trincas devido ao trabalho da 
estrutura. Além disso, podem também existir falhas de especificação de materiais, como 
especificação de argamassa e rejuntes inadequada às solicitações, ou de execução, como 
execução inapropriada do substrato, com lançamento de argamassa com energia insuficiente 
para adequada fixação, ou a não quebra dos cordões de argamassa no momento de 
assentamento do revestimento, que favorecem o aparecimento de anomalias, bem como falha 
ou inexistência de processos de manutenção. 
Através do gráfico de Cr em função de IGR, observa-se que os índicesCr e IGR não 
apresentam uma relação diretamente proporcional, uma vez que para um mesmo IGR temos 
vários valores de Cr diferentes e valores distintos de IGR convergem mais um mesmo valor de 
Cr. Além disso o máximo valor de Cr não se refere ao máximo valor de IGR (0,042;4,75), 
indicando que o modelo linear não é o mais adequado para a análise. Isso pode ocorrer devido 
aos dois indicadores partirem de parâmetros diferentes, com Cr levando em conta parâmetros 
que consideram a gravidade da anomalia e possuindo pesos distintos para cada anomalia 
presente, enquanto que IGR baseia-se somente parâmetros diretamente relacionados à área de 
ocorrência. O dados estatísticos da regressão simples linear obtida são expressos na Tabela 
11. 
Tabela 11 - Dados de estatística de regressão Cr x IGR para zona PC 
ESTATÍSTICA DE REGRESSÃO 
R² 0,583 
R² ajustado 0,582 
Erro padrão 0,389 
Observações 345 
 
A relação entre Cr e IGR dada pelo modelo linear previsto apresentou um ajuste à amostra de 
58,2% e um erro padrão igual a 38,9%, não sendo adequado à variância apresentada pelas 
amostras. 
 
 
29 
 
A Figura 14 (a) apresenta o histograma obtido para Cr e a Figura 14 (b) o histograma para 
IGR para as amostras referentes à zona de aberturas. Além disso, a Figura 14 (c) apresenta o 
gráfico obtido para Cr em função de IGR, com ajuste feito por regressão simples linear para 
esta mesma zona. 
 (a) 
 (b) 
 (c) 
 
Figura 14 - Histograma Cr (a); Histograma IGR (b); Relação Cr x IGR para zona AB (c) 
Analisando os histogramas, em geral, as amostras apresentaram valores de Cr que variam 
entre 2,00 e 4,50 e de IGR entre 0,000 e 0,061, com uma grande parte das amostras 
apresentando condição boa. Apesar de grande parte das amostras apresentar um bom nível de 
y = 21,538x + 2,18
R² = 0,429
2,00
2,50
3,00
3,50
4,00
4,50
5,00
0,000 0,010 0,020 0,030 0,040 0,050 0,060 0,070
C
r
IGR
Cr
Linear (Cr)
 
 
30 
 
condição, a maioria das amostras apresenta nível de condição com degradação pontual na 
zona. Além disso, a ocorrência de apenas 1 amostra com de com nível de condição em estado 
limite de serviço pode ser justificada por alguma ocorrência particular de falha executiva ou 
de manutenção ou até mesmo uma maior exposição a algum agende de degradação mais 
agressivo sobre essa amostra. 
Através do gráfico de Cr em função de IGR, observa-se que os índices Cr e IGR não 
apresentam uma relação diretamente proporcional, uma vez que para um mesmo IGR temos 
vários valores de Cr diferentes e valores distintos de IGR convergem mais um mesmo valor de 
Cr. Além disso o máximo valor de Cr não se refere ao máximo valor de IGR (0,026;4,50), 
indicando que o modelo linear não é o mais adequado para a análise. Isso pode ocorrer devido 
aos dois indicadores partirem de parâmetros diferentes, com Cr levando em conta parâmetros 
que consideram a gravidade da anomalia e possuindo pesos distintos para cada anomalia 
presente, enquanto que IGR baseia-se somente parâmetros diretamente relacionados à área de 
ocorrência. 
Além disso, comparando com o resultado observado para paredes contínuas, observa-se certa 
semelhança na disposição da nuvem de pontos obtidas para as duas zonas, o que pode ocorrer 
por alguma semelhança entre tipos de anomalia mais presentes em cada zona, que impacta nos 
pesos utilizados para obtenção da severidade, tornando-os parecidos. Os dados estatísticos da 
regressão são expressos na Tabela 12. 
Tabela 12 - Dados de estatística de regressão Cr x IGR para zona AB 
ESTATÍSTICA DE REGRESSÃO 
R² 0,429 
R² ajustado 0,427 
Erro padrão 0,400 
Observações 345 
 
A relação entre Cr e IGR dada pelo modelo linear previsto apresentou um ajuste à amostra de 
somente 42,7% e um erro padrão igual a 40%, não sendo adequado à variância apresentada 
pelas amostras. 
A Figura 15 (a) apresenta o histograma obtido para Cr e a Figura 15 (b) o histograma para 
IGR para as amostras referentes à zona de sacadas. Além disso, a Figura 15 (c) apresenta o 
 
 
31 
 
gráfico obtido para Cr em função de IGR, com ajuste feito por regressão simples linear para 
esta mesma zona. 
 (a) 
 (b) 
 
 (c) 
Figura 15 - Histograma Cr (a); Histograma IGR (b); Relação Cr x IGR para zona SC (c) 
Analisando os histogramas, em geral, as amostras apresentaram valores de Cr que variam 
entre 2,00 e 3,25 e de IGR entre 0,000 e 0,087, em grande maioria indicando nível de 
condição boa, com algumas amostras apresentando nível de condição com degradação pontual 
na zona, podendo resultar tanto de falhas executivas como de falhas ou ausência de 
manutenção. 
y = 8,7626x + 2,0941
R² = 0,1798
2,000
2,500
3,000
3,500
4,000
4,500
5,000
0,000 0,020 0,040 0,060 0,080 0,100
C
r
IGR
Cr
Linear (Cr)
 
 
32 
 
Através do gráfico de Cr em função de IGR, observa-se que os índices Cr e IGR não 
apresentam uma relação diretamente proporcional, uma vez que para um mesmo IGR temos 
vários valores de Cr diferentes e valores distintos de IGR convergem mais um mesmo valor de 
Cr. Além disso o máximo valor de Cr não se refere ao máximo valor de IGR (0,006;3,25), 
indicando que o modelo linear não é o mais adequado para a análise. Isso pode ocorrer devido 
aos dois indicadores partirem de parâmetros diferentes, com Cr levando em conta parâmetros 
que consideram a gravidade da anomalia e possuindo pesos distintos para cada anomalia 
presente, enquanto que IGR baseia-se somente parâmetros diretamente relacionados à área de 
ocorrência. 
Além disso, observa-se graficamente que IGR cresce bastante, em comparação com as demais 
zonas, mesmo com a estabilidade de Cr em valores numericamente mais baixos. Também não 
se observa um padrão entre os gráficos obtidos para as zonas analisadas, o que pode ocorrer 
pela disparidade entre tipos de anomalia mais presentes em cada zona, que impacta nos pesos 
utilizados para obtenção da severidade. Os dados estatísticos da regressão são expressos na 
Tabela 13. 
Tabela 13 - Dados de estatística de regressão Cr x IGR para zona SC 
ESTATÍSTICA DE REGRESSÃO 
R² 0,180 
R² ajustado 0,177 
Erro padrão 0,269 
Observações 345 
A relação entre Cr e IGR dada pelo modelo linear previsto apresentou um ajuste à amostra de 
apenas 17,7% e um erro padrão igual a 26,9%, não sendo adequado à variância apresentada 
pelas amostras. 
A Figura 16 (a) apresenta o histograma obtido para Cr e a Figura 16 (b) o histograma para 
IGR para as amostras referentes à zona de cantos e extremidades. Além disso, a Figura 16 (c) 
apresenta o gráfico obtido para Cr em função de IGR, com ajuste feito por regressão simples 
linear para esta mesma zona. 
 
 
 
 
33 
 
 (a) 
 (b) 
 
 (c) 
Figura 16 - Histograma Cr (a); Histograma IGR (b); Relação Cr x IGR para zona CE (c) 
Analisando os histogramas, observa-se que as amostras apresentaram valores de Cr que 
variam entre 2,00 e 5,00 e de IGR entre 0,000 e 0,164, em maioria indicando nível de 
condição com degradação pontual na zona. A incidência de alguns pontos de com índices de 
Cr mais altos, com nível de condição em estado limite de serviço, pode ser justificada devido 
à zona de cantos e extremidades ser uma região de fragilidade na estrutura, com presença de 
quinas que podem dificultar que o sistema de revestimento da fachada e os serviços de 
manutenção sejam executados de forma adequada, favorecendo o aparecimento de anomalias. 
y = 22,28x + 2,1815
R² = 0,5808
2,000
2,500
3,000
3,500
4,000
4,500
5,000
0,000 0,050 0,100 0,150 0,200
C
r
IGR
Cr
Linear
(Cr)
 
 
34 
 
Através do gráfico de Cr em função de IGR, observa-se que os índices Cr e IGR não 
apresentam uma relação diretamente proporcional, uma vez que para um mesmo IGR temos 
vários valores de Cr diferentes e valores distintos de IGR convergem mais um mesmo valor de 
Cr. Além disso o máximo valor de Cr não se refere ao máximo valor de IGR (0,164;5,00) 
indicando que o modelo linear

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