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CURSO DE DIREITO UNI7 DIREITO PROCESSUAL PENAL II Professora Jeovânia Holanda — Aula 02 (17/08/2026) — Turma Manhã Resumo da Aula: Prisão em Flagrante 1. Ementa e Planejamento da Disciplina A disciplina de Direito Processual Penal II tem como eixo central o estudo das prisões processuais e das etapas que conduzem à formação da ação penal. A ementa apresentada contempla as prisões processuais em suas modalidades de prisão em flagrante, prisão preventiva, prisão temporária e prisão domiciliar, além da audiência de custódia e da liberdade provisória. Complementam o programa o acordo de não persecução penal, a ação penal, o procedimento do tribunal do júri e, por fim, o estudo da sentença. Para o semestre 2026.2, foi definida a criação de um grupo de WhatsApp da turma (Direito Processual Penal II — 2026.2/Manhã) como canal oficial de comunicação. A metodologia adotada será ativa, combinando pesquisa e apresentação de trabalhos, resolução de questões e participação em sala de aula. A avaliação seguirá o critério de avaliação permanente in bonam partem, somada à assiduidade dos estudantes. 2. Prisão em Flagrante: Conceito e Fundamentos O estudo da prisão em flagrante parte da análise da própria expressão "flagrante", que remete à ideia de um delito que está sendo cometido ou que acabou de ser cometido, permitindo a atuação imediata do Estado ou de particulares independentemente de ordem judicial prévia. Essa possibilidade de prisão sem mandado judicial é analisada à luz da cláusula de reserva de jurisdição, que, em regra, exige a intervenção de um juiz para a restrição da liberdade, mas comporta exceções — sendo a prisão em flagrante uma delas. Entre as funções da prisão em flagrante destacam-se a interrupção da prática delituosa, a preservação de provas e a garantia da futura aplicação da lei penal, funcionando como instrumento de captura imediata do agente surpreendido em situação de flagrância. 3. Fases da Prisão em Flagrante A prisão em flagrante se desenvolve em quatro fases sucessivas, cada uma com fundamento legal próprio e peculiaridades relevantes para a compreensão do instituto. Fase Descrição Fundamento / Observações 1. Captura Apreensão do agente em situação de flagrância Art. 301 do CPP 2. Condução coercitiva Encaminhamento do capturado à autoridade policial Discussão sobre quem realizou a captura em confronto com o art. 301 do CPP 3. Lavratura do Auto de Prisão em Flagrante (APF) Formalização documental da prisão pela autoridade policial Art. 69 da Lei 9.099/95; Lei 11.340/06 (Maria da Penha); possibilidade de conversão do TCO em APF nos casos de ação penal pública condicionada 4. Recolhimento à prisão Destinação do preso após a lavratura do auto Questiona-se a possibilidade de TCO (Termo Circunstanciado de Ocorrência) ou de fiança, a depender da infração No que se refere à fiança, o art. 322 do CPP estabelece critérios de competência entre a autoridade policial e o juiz, conforme a gravidade da infração, medida pela pena privativa de liberdade máxima cominada. Autoridade Competente (Art. 322, CPP) Critério Delegado de Polícia Infração com pena privativa de liberdade máxima de até 4 (quatro) anos Juiz Infração com pena privativa de liberdade máxima superior a 4 (quatro) anos Ainda sobre o Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), o art. 69 da Lei 9.099/95 determina que a autoridade policial que tomar conhecimento da ocorrência lavrará termo circunstanciado, encaminhando-o imediatamente ao Juizado, junto com o autor do fato e a vítima, providenciando as requisições de exames periciais necessários. Nos termos do parágrafo único do mesmo dispositivo, ao autor do fato que, após a lavratura do termo, for imediatamente encaminhado ao juizado ou assumir o compromisso de comparecimento, não se imporá prisão em flagrante nem se exigirá fiança; em caso de violência doméstica, o juiz poderá determinar, como medida cautelar, o afastamento do agressor do lar, domicílio ou local de convivência com a vítima. Nesse contexto de violência doméstica, destaca-se decisão do Supremo Tribunal Federal que, por unanimidade, ampliou a proteção da Lei Maria da Penha para mulheres vítimas de violência de gênero, admitindo sua aplicação mesmo quando inexistente relação doméstica, familiar ou afetiva com o agressor. 4. Sujeitos Ativos da Prisão em Flagrante Com fundamento no art. 301 do CPP, a doutrina distingue duas modalidades quanto aos sujeitos ativos da prisão em flagrante: o flagrante obrigatório, dever imposto às autoridades policiais e seus agentes, e o flagrante facultativo, faculdade atribuída a qualquer pessoa do povo. Discute-se, ainda, se há mitigação dessa obrigatoriedade nas hipóteses do art. 8º da Lei 12.850/2013, que trata da ação controlada em investigações envolvendo organizações criminosas, permitindo o retardamento da intervenção policial para maior eficácia da investigação. Uma questão prática recorrente envolve o policial que se encontra de férias ou de folga: nessa situação, discute-se se a atuação diante de um flagrante configura flagrante obrigatório — por sua condição permanente de agente de segurança pública — ou flagrante facultativo, equiparável à atuação de qualquer cidadão. Quanto à natureza jurídica da prisão em flagrante, a doutrina prevalente debate sua classificação, tema que é frequentemente cobrado em provas de concursos e exames de ordem, exigindo do aluno a compreensão dos fundamentos teóricos que sustentam cada corrente. 5. Jurisprudência sobre os Sujeitos Ativos Tema relevante na jurisprudência é a possibilidade de guardas municipais realizarem prisão em flagrante. O Superior Tribunal de Justiça já decidiu, no julgamento do HC 421.954/SP (22/03/2018), que, nos termos do art. 301 do CPP, qualquer pessoa pode prender quem esteja em flagrante delito, de modo que inexiste óbice à realização do referido procedimento por guardas municipais, não havendo, portanto, que se falar em prova ilícita no caso. O Supremo Tribunal Federal, por sua vez, entende que o guarda municipal é agente auxiliar de segurança pública e, nessa condição, deve prender quem estiver em flagrante delito, tratando-se, portanto, de flagrante obrigatório. Esse entendimento foi também explorado em questão do 33º Exame de Ordem Unificado (FGV, 2021), que tratou da distinção, prevista no art. 301 do CPP, entre o flagrante facultativo (atribuído a qualquer do povo) e o flagrante compulsório ou obrigatório (dever das autoridades policiais e seus agentes), reforçando a diferença de regime jurídico entre o particular e o agente público diante de uma situação de flagrância. 6. Sujeitos Passivos da Prisão em Flagrante Como regra geral, qualquer pessoa pode ser sujeito passivo da prisão em flagrante. Contudo, a ordem jurídica prevê exceções relevantes, vinculadas a determinados cargos, funções ou condições pessoais, que afastam ou modulam a incidência do instituto. O Presidente da República é a primeira dessas exceções: discute-se se pode ser preso em flagrante, tema relacionado à prerrogativa de foro e ao juízo de admissibilidade prévio para o processamento de determinadas autoridades. Nas anotações de aula, distinguiu-se, quanto ao Presidente da República, o regime dos crimes de responsabilidade (infrações político-administrativas, sujeitas a penas como a perda do cargo e a inabilitação para o exercício de função pública pelo prazo de oito anos) do regime dos crimes comuns, que somente admitem a prisão após sentença condenatória transitada em julgado. Outra exceção relevante é a imunidade diplomática, sobre a qual a aula suscitou uma série de questionamentos: se se trata de imunidade penal absoluta; a quem essa imunidade se estende; o que ocorre quando um diplomata comete um crime; se o Estado acreditado pode realizar investigação de natureza puramente informativa quanto a atos envolvendo agentes estrangeiros; o instituto da persona non grata, previsto no art. 9º da Convenção de Viena de 1961; e a possibilidade de o diplomata vir a ser processado e julgado pelas autoridades competentes doEstado acreditante, ainda que tenha violado as leis locais do Estado acreditado. A partir dessas discussões, foi construído em aula um quadro com diversas hipóteses de possíveis exceções aos sujeitos passivos da prisão em flagrante, submetidas à reflexão da turma quanto à sua efetiva configuração como regra ou exceção. Hipótese Hipótese Hipótese Hipótese Hipótese Presidente da República? Diplomatas estrangeiros? Deputado Federal? Senador? Promotor de Justiça? Menores de 18 anos? Motorista que socorre a vítima em acidente de trânsito por ele provocado? Autor de infração penal de menor potencial ofensivo? Deputado Estadual? / Juiz? Advogado? Vale registrar que o material de aula trouxe ainda uma questão de prova envolvendo a cláusula de reserva de jurisdição e suas exceções, abordando alternativas sobre a exigência (ou não) de prévia ordem judicial escrita para a prisão em flagrante, os limites da atuação da autoridade policial na lavratura do auto e na conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva, e a compatibilidade entre a lavratura do termo circunstanciado, nas infrações de menor potencial ofensivo, e a cláusula de reserva de jurisdição. 7. Mapa Mental — Prisão em Flagrante O esquema a seguir sintetiza, de forma visual, a estrutura geral do conteúdo estudado, organizando o instituto da prisão em flagrante em seus principais eixos temáticos: conceito e fundamentos, fases, sujeitos ativos, sujeitos passivos, natureza jurídica, jurisprudência, consequências (TCO e fiança) e o planejamento do semestre letivo. 8. Considerações Finais O conteúdo estudado na aula demonstra que a prisão em flagrante, embora seja uma medida restritiva de liberdade que dispensa, em regra, prévia ordem judicial, está sujeita a um conjunto rigoroso de fases, requisitos e exceções, tanto no que diz respeito a quem pode efetuar a prisão (sujeitos ativos) quanto a quem pode ser preso (sujeitos passivos). A análise conjunta da legislação processual penal, da doutrina e da jurisprudência dos tribunais superiores é indispensável para a correta compreensão do instituto, especialmente diante de sua relevância recorrente em exames de ordem e concursos públicos. Página cd1f7d0422e5afeb8d5a3c3f333af8592a4ad1fa.png