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Direitos e deveres individuais e coletivos
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## Resumo sobre Direitos e Deveres Individuais e Coletivos (Art. 5º, CF/88)O artigo 5º da Constituição Federal de 1988 é um dos dispositivos mais importantes e frequentemente cobrados em concursos públicos, especialmente para cargos como Escrivão, Agente e Investigador. Ele estabelece os direitos e deveres individuais e coletivos, garantindo a inviolabilidade dos direitos à vida, liberdade, igualdade, segurança e propriedade a todos que estejam em território nacional, incluindo brasileiros, estrangeiros residentes e até mesmo estrangeiros em trânsito, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF).### Direitos Fundamentais e TitularidadeO caput do artigo 5º enumera cinco direitos fundamentais que servem de base para os demais incisos: direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade. A doutrina entende que os demais direitos listados são desdobramentos desses direitos principais. Importante destacar que os direitos fundamentais não se restringem apenas às pessoas físicas, mas também abrangem pessoas jurídicas e o próprio Estado, conforme decisões do STF. Por exemplo, estrangeiros, mesmo sem domicílio no Brasil, têm direito a habeas corpus e à proteção do devido processo legal. Além disso, estrangeiros residentes podem ser beneficiários da assistência social, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC).No que tange ao direito à vida, o Estado tem o dever de garanti-lo em sua dupla dimensão: o direito de continuar vivo e o direito a uma vida digna. O STF reconhece que o direito à vida inclui a proteção da vida intrauterina, com exceções específicas, como nos casos de aborto legal (gravidez resultante de estupro ou risco à vida da gestante). Um caso emblemático julgado pelo STF foi a interrupção da gravidez de feto anencéfalo, que, por ser inviável, não detém proteção jurídica, permitindo a antecipação terapêutica do parto sem necessidade de autorização judicial. O direito à vida, contudo, não é absoluto: a Constituição admite a pena de morte apenas em caso de guerra declarada, sendo vedada sua ampliação por emenda constitucional ou nova Constituição, em respeito à cláusula pétrea.Outro aspecto relevante é a decisão da ADPF 635, que regula o uso da força letal por agentes do Estado, condicionando-o a situações extremas, como a proteção da vida diante de ameaça concreta e iminente, e exigindo investigação imparcial para apurar a necessidade da ação. Essa decisão reforça a proteção constitucional ao direito à vida e a responsabilidade do Estado em sua preservação.### Princípio da Igualdade e suas ImplicaçõesO inciso I do artigo 5º consagra o princípio da igualdade, que impõe tratamento igualitário a pessoas em situações equivalentes e permite tratamento desigual para corrigir desigualdades reais, respeitando o princípio da razoabilidade. O STF tem reconhecido a constitucionalidade de ações afirmativas, como cotas raciais em universidades públicas e concursos públicos, e programas de bolsas para grupos sociais vulneráveis, como negros, indígenas e pessoas com deficiência. Essas medidas buscam a efetivação da igualdade material, ou seja, a superação das desigualdades históricas e sociais.O princípio da isonomia é autoaplicável e vincula todos os poderes públicos, impedindo discriminações injustificadas. A jurisprudência do STF também admite limites razoáveis, como restrições de idade em concursos públicos, desde que justificadas pela natureza do cargo, e distinções entre homens e mulheres em certas promoções militares, visando a igualdade material. Importante destacar que apenas a lei ou a Constituição podem estabelecer discriminações; atos infralegais, como editais, não podem criar limitações sem respaldo legal.Além disso, o STF tem ampliado a proteção contra discriminações baseadas em identidade de gênero e orientação sexual, reconhecendo, por exemplo, o direito de pessoas transgênero alterarem nome e gênero no registro civil sem necessidade de cirurgia ou tratamento hormonal. Também foi firmada a inconstitucionalidade da tese da "legítima defesa da honra" em casos de violência contra a mulher, reforçando a proteção à dignidade humana e à igualdade de gênero.Por fim, o STF ressalta que o princípio da isonomia não autoriza o Judiciário a criar vantagens para grupos não contemplados pela lei, sob pena de violar a separação dos poderes, conforme a Súmula Vinculante nº 37, que proíbe o aumento de vencimentos de servidores públicos pelo Judiciário com base na isonomia.### Liberdade de Expressão, Manifestação do Pensamento e Liberdade ReligiosaO inciso IV do artigo 5º assegura a liberdade de manifestação do pensamento, vedando o anonimato para garantir a responsabilização por abusos. O STF proíbe o uso exclusivo de denúncias anônimas para instauração de processos, embora permita investigações preliminares para verificar a verossimilhança das alegações. A liberdade de expressão é ampla, incluindo a defesa da legalização de drogas e do aborto, mas não é absoluta: discursos de ódio, incitação ao racismo, ataques à democracia e à ordem constitucional são vedados e podem ser punidos.O direito de resposta (inciso V) assegura a reparação proporcional a ofensas, aplicável a pessoas físicas e jurídicas, e pode ser cumulativo com indenizações por danos materiais, morais ou à imagem. O STF também entende que órgãos como o Tribunal de Contas da União não podem manter sigilo sobre a autoria de denúncias contra administradores públicos, garantindo o direito à ampla defesa.Quanto à liberdade religiosa (incisos VI e VII), a Constituição garante a liberdade de consciência e crença, o livre exercício dos cultos e a proteção aos locais de culto, além da prestação de assistência religiosa em entidades civis e militares de internação coletiva, que é de responsabilidade privada, respeitando o caráter laico do Estado. O STF tem decisões importantes sobre o tema, como a permissão do ensino religioso confessional em escolas públicas, a constitucionalidade do sacrifício ritual de animais em cultos de religiões de matriz africana, e a proteção contra discursos que desmereçam crenças alheias.O direito à escusa de consciência (inciso VIII) protege indivíduos que, por convicções religiosas, filosóficas ou políticas, se recusam a cumprir obrigações legais, desde que cumpram prestação alternativa prevista em lei. Caso recusem também a prestação alternativa, poderão sofrer restrição de direitos, como a perda dos direitos políticos. Um exemplo prático é o serviço militar obrigatório e a vacinação compulsória, que o STF entende ser legítima, mesmo diante de convicções filosóficas contrárias, desde que respeitados critérios científicos e legais.Por fim, o inciso IX assegura a liberdade da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, vedando a censura, exceto em situações extremas e mediante decisão judicial. A liberdade de imprensa é ampla, mas sujeita a responsabilidade civil e penal por abusos, e não protege discursos criminosos ou de ódio. O STF tem reafirmado que a liberdade de expressão é um pilar do Estado democrático de direito, mas com limites claros para proteger a dignidade, a honra e a ordem constitucional.---## Destaques- O artigo 5º da CF/88 garante direitos fundamentais à vida, liberdade, igualdade, segurança e propriedade a todos em território nacional, incluindo estrangeiros em trânsito.- O princípio da igualdade permite tratamento desigual para corrigir desigualdades históricas, legitimando ações afirmativas e políticas públicas específicas.- A liberdade de expressão é ampla, mas vedada ao anonimato e a discursos de ódio, com direito de resposta e indenizações proporcionais a ofensas.- A liberdade religiosa é protegida, incluindo o ensino religioso confessional e a escusa de consciência, que admite prestação alternativa para obrigações legais.- O direito à vida é protegido em sua dimensão física e digna, com exceções legais para aborto e pena de morte em guerra declarada, e o uso da força letal pelo Estado é estritamente regulado.

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