Prévia do material em texto
Ivoney da Silva Oliveira Simone Helen Drumond Ischkanian Gladys Nogueira Cabral Silvana Nascimento de Carvalho António Manuel Domingos Caba Gabriel Nascimento de Carvalho Sygride Nascimento de Carvalho Sandro Garabed Ischkanian INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. São Paulo - SP Clube de Autores e Pesquisadores. SHDrumond Ischkanian – Publicações Independentes. Filiada à Câmara Brasileira do Livro (CBL) 2026 Todo o conteúdo apresentado neste livro é de responsabilidade do(s) autor(es). Esta publicação está licenciada sob CC BY-NC-ND 4.0 © 2026 Edição brasileira by Clube de Autores e Pesquisadores Ed. Independetes. Declaração de Registro do ISBN - DECISBN-26090910034 CBL Pedido #1094769 © 2026 Texto by Autores Publicação independente com ISBN Câmara Brasileira do Livro (CBL) Site: https://clubedeautoresepesquisadores.blogspot.com/ Editoração e formatação científica © 2026 SHDrumond Ischkanian – Publicações Independentes Design da capa e do livro © 2026 SHDrumond Ischkanian – Publicações Independentes Imagens da capa Imagem gerada por inteligência artificial (IA), por meio do DALL·E, com base em solicitação personalizada realizada no ChatGPT/OpenAI. Revisão de texto Os autores © 2026 – Todos os direitos reservados. DADOS INTERNACIONAIS DE CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO (CIP) Ivoney da Silva Oliveira; Simone Helen Drumond Ischkanian; Gladys Nogueira Cabral; Silvana Nascimento de Carvalho; António Manuel Domingos Caba; Gabriel Nascimento de Carvalho; Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian. Inteligência artificial na educação: possibilidades, limites e impactos na aprendizagem e autonomia dos estudantes. São Paulo, SP: Clube de Autores e Pesquisadores – Publicações Independentes, Câmara Brasileira do Livro, 2026. E-book – Recurso eletrônico (PDF), 101 p. ISBN: 978-65-977483-7-2 CAPPI 01/2026 – Obra com ISBN/CBL #1094769 Declaração de Registro do ISBN - DECISBN-26090910034 - CBL Pedido #1094769 1. Inteligência artificial. 2. Educação. 3. Tecnologias educacionais. 4. Aprendizagem. 5. Autonomia dos estudantes. 6. Educação e tecnologia. I. Oliveira, Ivoney da Silva et al I I. Título. Índice para catálogo sistemático: 1. Inteligência artificial na educação. 2. Tecnologias educacionais. 3. Aprendizagem e autonomia estudantil. RESPONSABILIDADE EDITORIAL © 2026 - Clube de Autores e Pesquisadores – Publicações Independentes. Simone Helen Drumond Ischkanian. Equipe: © 2026 SHDrumond Ischkanian – Publicações Independentes. Publicação registrada sob ISBN atribuído pela Câmara Brasileira do Livro (CBL). © 2026 – Todos os direitos reservados. PREFÁCIO 07 APRESENTAÇÃO 10 1. INTRODUÇÃO 15 2. DESENVOLVIMENTO 22 rrrd2.1. Inteligência Artificial na educação: conceitos, evolução e fundamentos. 22 2.2. Possibilidades da Inteligência Artificial para a aprendizagem dos estudantes. 27 2.3. Inteligência Artificial e personalização dos processos de ensino e aprendizagem. 30 2.4. Impactos da Inteligência Artificial no desenvolvimento da autonomia dos estudantes. 34 2.5. Inteligência Artificial, pensamento crítico e construção do conhecimento. 37 2.6. Tecnologias generativas e novas práticas pedagógicas no contexto educacional. 40 2.7. Limites, riscos e desafios do uso da Inteligência Artificial na educação. 47 2.8. Ética, privacidade, autoria e responsabilidade no uso da Inteligência Artificial. 50 2.9. O papel do professor diante da expansão da Inteligência Artificial na educação. 52 2.10. Inteligência Artificial e o futuro da aprendizagem: perspectivas para uma educação humanizada e autônoma. 55 3. REFERENCIAL TEÓRICO 62 4. METODOLOGIA 77 5. APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS 82 CONCLUSÃO 89 REFERÊNCIAS 90 AGRADECIMENTOS AOS AUTORES 93 POSFÁCIO 98 S U M Á R IO file:///C:/Users/home/Documents/ARTIGOS%202026/CBL%20LIVROS/10%20INTELIGÊNCIA%20ARTIFICIAL%20NA%20EDUCAÇÃO.doc%23_bookmark0 file:///C:/Users/home/Documents/ARTIGOS%202026/CBL%20LIVROS/10%20INTELIGÊNCIA%20ARTIFICIAL%20NA%20EDUCAÇÃO.doc%23_bookmark1 file:///C:/Users/home/Documents/ARTIGOS%202026/CBL%20LIVROS/10%20INTELIGÊNCIA%20ARTIFICIAL%20NA%20EDUCAÇÃO.doc%23_bookmark13 file:///C:/Users/home/Documents/ARTIGOS%202026/CBL%20LIVROS/10%20INTELIGÊNCIA%20ARTIFICIAL%20NA%20EDUCAÇÃO.doc%23_bookmark13 INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. . 7 PREFÁCIO A inteligência artificial vem ocupando um espaço cada vez mais significativo na sociedade contemporânea e, consequentemente, no campo educacional. Sua presença nas escolas, universidades e diferentes espaços de aprendizagem amplia possibilidades de acesso à informação, produção de conhecimentos, personalização de estratégias pedagógicas e desenvolvimento de novas formas de interação entre estudantes, professores e tecnologias. Entretanto, ao mesmo tempo em que apresenta oportunidades relevantes, a inteligência artificial também suscita questionamentos relacionados à ética, à autoria, à privacidade, à qualidade das informações, à dependência tecnológica e à própria autonomia dos estudantes. É nesse contexto de transformações que se insere a obra Inteligência artificial na educação: possibilidades, limites e impactos na aprendizagem e autonomia dos estudantes, uma produção que busca contribuir para a reflexão crítica sobre os caminhos que a educação vem percorrendo diante da expansão das tecnologias inteligentes. A utilização da inteligência artificial no ambiente educacional não deve ser compreendida apenas como uma inovação tecnológica ou como substituição de práticas pedagógicas tradicionalmente estabelecidas. Trata-se de uma transformação que envolve dimensões pedagógicas, sociais, éticas e culturais. Quando utilizada de maneira responsável e planejada, a inteligência artificial pode auxiliar na elaboração de atividades, na organização de informações, na adaptação de recursos às diferentes necessidades de aprendizagem e na ampliação das possibilidades de investigação e produção intelectual. Todavia, a presença dessas ferramentas também exige cautela. O acesso rápido a respostas e conteúdos não significa, necessariamente, aprendizagem efetiva. A educação continua dependendo da capacidade humana de questionar, interpretar, estabelecer relações, argumentar, criar, tomar decisões e atribuir significado ao conhecimento. Nesse sentido, a tecnologia deve atuar como recurso de apoio ao processo educativo, e não como substituta da reflexão, da mediação pedagógica e da participação ativa do estudante. Um dos aspectos centrais abordados pela presente obra é justamente a relação entre inteligência artificial e autonomia. O estudante precisa permanecer como sujeito do próprio processo de aprendizagem, utilizando os recursos tecnológicos de maneira consciente, crítica e responsável. A facilidade proporcionada pelas ferramentas de inteligência artificial não pode resultar em passividade intelectual ou dependência permanente de respostas prontas. Ao contrário, sua utilização pedagógica deve favorecer a curiosidade, a investigação, a criatividade, a resolução de problemas e o desenvolvimento do pensamento crítico. Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba, Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian. 8 Da mesma forma, cabe ao professor um papel essencial nesse cenário. A incorporação da inteligência artificial à educação demandaGladys Nogueira Cabral, Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba, Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian. 28 problemas. O valor pedagógico desse processo está na capacidade de transformar a informação inicial em conhecimento construído mediante análise, interpretação e reflexão. A aprendizagem pode ser favorecida quando a tecnologia é articulada a metodologias ativas que colocam o estudante em posição de participação. Góes et al. (2025) discutem a aprendizagem baseada em projetos associada a práticas inclusivas, tecnologia e acessibilidade, demonstrando a relevância de propostas que envolvem o estudante em situações concretas de investigação e produção. Nesse contexto, a IA pode ser utilizada como ferramenta de apoio durante diferentes etapas de um projeto, desde a formulação de questões até a organização de informações e elaboração de produtos, preservando a autoria e a participação ativa dos estudantes. A gamificação e os recursos tecnológicos também podem contribuir para tornar as experiências de aprendizagem mais envolventes. Bezerra et al. (2024) relacionam estudos mediados por tecnologia a dimensões como engajamento e motivação no ambiente educacional. Essa perspectiva permite compreender que a utilização de recursos tecnológicos pode favorecer experiências mais interativas, nas quais o estudante encontra diferentes estímulos para participar das atividades. A IA pode integrar esse conjunto de possibilidades ao auxiliar na criação de situações-problema, atividades diferenciadas, exercícios e experiências que dialoguem com os objetivos de aprendizagem. A criatividade constitui outra possibilidade relevante. Silva et al. (2026), ao abordarem as brincadeiras digitais e as tecnologias criativas, evidenciam a aproximação entre ludicidade, tecnologia e experiências educativas. Essa contribuição permite relacionar a IA à criação de atividades que estimulem imaginação, autoria, experimentação e resolução criativa de problemas. Quando utilizada com intencionalidade pedagógica, a tecnologia pode oferecer recursos para que os estudantes não sejam apenas consumidores de informações, mas também produtores de conteúdos e conhecimentos. No processo de aprendizagem da linguagem, os recursos tecnológicos podem ampliar as oportunidades de leitura, escrita, interpretação e produção textual. Vieira (2026), ao discutir estratégias de letramento literário no Ensino Fundamental, destaca a importância de práticas pedagógicas que favoreçam a relação dos estudantes com a leitura e a construção de sentidos. A IA pode apoiar atividades de exploração textual, criação de perguntas, comparação entre diferentes interpretações e produção de textos, desde que o estudante seja incentivado a desenvolver sua própria compreensão e autoria. Também é possível relacionar a IA à aprendizagem de diferentes componentes curriculares. Sousa (2026), ao discutir métodos de ensino de Matemática no Ensino Médio em Tempo Integral, contribui para compreender a importância da diversidade metodológica no desenvolvimento dos estudantes. A tecnologia pode apoiar a apresentação de situações- INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. . 29 problema, a exploração de diferentes estratégias de resolução e a organização de atividades, favorecendo experiências que aproximem os conteúdos de situações significativas para os estudantes. A integração entre tecnologia, currículo e desenvolvimento do pensamento computacional amplia ainda mais essas possibilidades. Azevedo (2026) discute a relação entre currículo, práticas pedagógicas e BNCC Computação, ressaltando a importância do pensamento computacional na educação básica. A IA pode ser inserida nesse contexto como recurso para estimular raciocínio lógico, identificação de padrões, resolução de problemas e elaboração de estratégias, contribuindo para o desenvolvimento de competências necessárias à participação crítica na sociedade contemporânea. As possibilidades de aprendizagem também podem alcançar a dimensão da inclusão e da acessibilidade. Almeida et al. (2025) analisam o uso das tecnologias no processo de inclusão educacional, evidenciando desafios e possibilidades relacionados à integração desses recursos às práticas educativas. Góes et al. (2025) aproximam tecnologia, acessibilidade e práticas inclusivas, permitindo compreender que ferramentas digitais podem contribuir para ampliar as oportunidades de participação. A IA pode favorecer essa perspectiva ao possibilitar diferentes formas de apresentação dos conteúdos, apoiar recursos de acessibilidade e diversificar as maneiras pelas quais o estudante interage com o conhecimento. A perspectiva inclusiva precisa considerar o estudante em sua singularidade e reconhecer que diferentes sujeitos podem necessitar de diferentes estratégias para aprender. Oliveira (2026) aborda a relação entre Inteligência Artificial humanizada, educação inclusiva, subjetividades e construção do conhecimento, oferecendo fundamentos para uma compreensão mais centrada nas pessoas. Nessa perspectiva, a tecnologia pode ser utilizada para apoiar experiências educacionais mais flexíveis, acessíveis e humanizadas, sem substituir a relação pedagógica estabelecida entre professor, estudante e conhecimento. A aprendizagem também possui uma dimensão cultural que precisa ser preservada na utilização das tecnologias. Freitas (2026) discute o letramento cultural na formação docente e a consolidação de práticas pedagógicas antirracistas, contribuindo para uma educação que reconheça diferentes identidades, experiências e conhecimentos. Silva e Bacury (2026), ao abordarem a Etnomatemática indígena e os saberes tradicionais, reforçam a importância da valorização dos conhecimentos produzidos em diferentes contextos culturais. A utilização da IA pode contribuir para ampliar o contato com diferentes fontes e perspectivas, desde que orientada por uma seleção crítica e pela valorização da diversidade. A Inteligência Artificial pode contribuir para uma aprendizagem que ultrapasse a simples memorização de informações. Almeida (2026) relaciona prática pedagógica e formação docente a uma educação crítica e emancipadora, perspectiva que permite compreender a Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba, Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian. 30 aprendizagem como processo de participação, reflexão e construção de conhecimentos. O estudante pode utilizar a IA para levantar hipóteses, comparar informações, elaborar perguntas e desenvolver produções próprias, assumindo uma posição mais ativa diante do conhecimento. A avaliação também pode ser apoiada por ferramentas de Inteligência Artificial. Sousa et al. (2025) discutem as potencialidades e limitações da IA na avaliação educacional, indicando a necessidade de compreender esses recursos em articulação com os objetivos pedagógicos. Ferramentas tecnológicas podem auxiliar na organização de atividades, elaboração de questões e identificação de determinados padrões nas produções dos estudantes, enquanto a interpretação pedagógica permanece vinculada ao professor e ao conhecimento sobre o percurso de aprendizagem de cada estudante. A formação docente constitui condição importante para que essas possibilidades sejam efetivamente incorporadas ao cotidiano escolar. Teodoro et al. (2024) discutem os desafios e perspectivas relacionados à utilização das tecnologias pelos professores, evidenciando a importância da preparação profissional diante das transformações tecnológicas. A utilização consciente da IA requer professores capazes de selecionar recursos,orientar pesquisas, verificar informações e estabelecer critérios para o uso pedagógico dessas ferramentas. As possibilidades apresentadas demonstram que a Inteligência Artificial pode ampliar o repertório de estratégias disponíveis para a aprendizagem dos estudantes, favorecendo pesquisa, criatividade, participação, acessibilidade, resolução de problemas e produção de conhecimentos. A tecnologia assume maior relevância educacional quando integrada ao currículo, às metodologias de ensino e às necessidades concretas dos estudantes, mantendo a mediação docente como elemento fundamental para orientar o processo formativo. 2.3. Inteligência Artificial e personalização dos processos de ensino e aprendizagem A personalização dos processos de ensino e aprendizagem constitui uma das possibilidades mais relevantes associadas ao desenvolvimento das tecnologias inteligentes, especialmente pela capacidade de oferecer diferentes recursos, linguagens e estratégias para atender à diversidade presente nos espaços educacionais. De Abreu Pestana dos Santos (2023) apresenta a Inteligência Artificial como recurso que reúne potencialidades para o campo educacional, permitindo discutir sua utilização como apoio à organização de experiências de aprendizagem mais adequadas aos diferentes contextos e necessidades dos estudantes. A personalização não significa estabelecer um ensino isolado para cada estudante, mas ampliar as possibilidades de adaptação das estratégias pedagógicas. Vieira et al. (2025) discutem os impactos e as potencialidades da IA na educação, contribuindo para compreender como essas ferramentas podem apoiar diferentes etapas do processo educativo. A tecnologia pode auxiliar na organização de atividades com diferentes níveis de complexidade, na apresentação de conteúdos INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. . 31 por múltiplas linguagens e na elaboração de propostas que considerem ritmos e formas diversificadas de aprendizagem. A personalização pode ser relacionada à inclusão educacional, uma vez que os estudantes apresentam diferentes formas de participar, compreender e expressar seus conhecimentos. Almeida et al. (2025) discutem as tecnologias no processo de inclusão educacional, destacando possibilidades de utilização desses recursos para favorecer a participação dos estudantes. A IA pode colaborar nesse processo ao apoiar a produção de materiais diferenciados, recursos acessíveis e estratégias pedagógicas que ampliem as oportunidades de interação com os conteúdos. A aprendizagem baseada em projetos constitui uma possibilidade de articulação entre personalização, participação e tecnologia. Góes et al. (2025) apresentam essa abordagem como estratégia ativa associada a práticas inclusivas, tecnologia e acessibilidade. Em propostas dessa natureza, os estudantes podem participar de diferentes etapas do trabalho, assumindo funções, pesquisando temas, produzindo materiais e solucionando problemas. A IA pode apoiar essas experiências ao oferecer recursos que auxiliem na pesquisa e na organização das produções, preservando a participação e a autoria dos estudantes. A personalização também pode favorecer o engajamento. Bezerra et al. (2024) discutem a relação entre tecnologias, gamificação, motivação e participação no ambiente educacional. Recursos tecnológicos podem contribuir para diversificar as experiências oferecidas aos estudantes e criar situações de aprendizagem mais interativas. A IA pode ser incorporada a essas estratégias para apoiar a criação de atividades, desafios e propostas diferenciadas, sempre de acordo com os objetivos definidos pelo professor. A dimensão curricular precisa permanecer presente nesse processo. Azevedo (2026) discute currículo, práticas pedagógicas e BNCC Computação, destacando a integração do pensamento computacional à educação básica. A personalização apoiada por tecnologia deve, portanto, manter relação com as competências e habilidades previstas no currículo, evitando que a utilização da IA se transforme em uma prática desvinculada das finalidades educacionais. A ferramenta tecnológica ganha sentido quando contribui para que os estudantes avancem na compreensão dos conteúdos e no desenvolvimento de competências. A personalização também pode contemplar diferentes áreas do conhecimento. Sousa (2026) aborda métodos de ensino de Matemática no Ensino Médio em Tempo Integral, contribuindo para a compreensão da necessidade de estratégias metodológicas diversificadas. A IA pode apoiar esse processo mediante a elaboração de situações-problema, explicações alternativas e atividades com diferentes níveis de complexidade, permitindo que o professor disponha de um repertório mais amplo para organizar suas práticas pedagógicas. Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba, Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian. 32 No ensino de línguas, a diversificação metodológica igualmente pode favorecer a aprendizagem. Cabral (2026), ao apresentar a técnica de Total Physical Response no ensino da língua inglesa para crianças, demonstra a relevância de estratégias que considerem as características dos estudantes e a natureza do processo de aprendizagem. A IA pode complementar essas práticas mediante recursos digitais, atividades interativas e diferentes possibilidades de exploração linguística, sem substituir as estratégias pedagógicas escolhidas pelo professor. A personalização também pode contemplar leitura e letramento. Vieira (2026) discute estratégias de letramento literário no Ensino Fundamental, ressaltando a importância de práticas que favoreçam a aproximação dos estudantes com a leitura. Ferramentas de IA podem auxiliar na seleção e organização de atividades de leitura, na elaboração de perguntas interpretativas e na criação de propostas adequadas a diferentes níveis de desenvolvimento. O objetivo pedagógico permanece centrado na formação do leitor e na construção autônoma de sentidos. A criatividade constitui elemento importante na personalização das experiências educativas. Silva et al. (2026) discutem brincadeiras digitais e tecnologias criativas como possibilidades de integração entre ludicidade e mundo contemporâneo. Essa perspectiva permite compreender que personalizar também significa ampliar as formas pelas quais os estudantes podem aprender e demonstrar aquilo que aprenderam, utilizando diferentes linguagens, recursos e estratégias de produção. A dimensão cultural deve igualmente ser considerada. Freitas (2026) destaca a importância do letramento cultural na formação docente e de práticas pedagógicas comprometidas com a diversidade. Silva e Bacury (2026) contribuem para essa discussão ao valorizarem a Etnomatemática indígena e os saberes tradicionais na educação básica. Uma personalização verdadeiramente inclusiva precisa considerar diferentes repertórios culturais e evitar que a tecnologia reproduza uma única perspectiva de conhecimento. Oliveira (2026) contribui para essa compreensão ao relacionar Inteligência Artificial humanizada, educação inclusiva, subjetividades e construção do conhecimento. A personalização, nesse sentido, deve estar associada à valorização do estudante enquanto sujeito, considerando suas formas de participação, seus contextos e suas necessidades educacionais. A tecnologia pode apoiar esse processo, mas a decisão pedagógica continua dependente da análise e da mediação do professor. A autonomia também está diretamente relacionada à personalização. Almeida (2026) associa formação docente e prática pedagógica a uma educação crítica e emancipadora, perspectiva que reforça a importância de permitir que o estudante participe dasdecisões e desenvolva estratégias próprias para aprender. A IA pode oferecer possibilidades de consulta, pesquisa, organização e criação, porém sua utilização torna-se pedagogicamente significativa INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. . 33 quando estimula o estudante a refletir, fazer escolhas e assumir responsabilidade por sua aprendizagem. A avaliação pode contribuir para acompanhar processos personalizados de aprendizagem. Sousa et al. (2025) discutem a utilização da IA na avaliação educacional, permitindo considerar ferramentas tecnológicas como apoio à organização de informações e ao acompanhamento de determinadas atividades. O professor, entretanto, permanece responsável pela interpretação pedagógica dos resultados e pela definição das estratégias que podem favorecer o desenvolvimento do estudante. A formação profissional é igualmente necessária para que a personalização mediada por IA seja realizada com intencionalidade. Teodoro et al. (2024) destacam a importância da preparação dos professores para o uso das tecnologias em sala de aula, enquanto Ischkanian (2026) aborda processos de capacitação e desenvolvimento de competências. Esses aportes reforçam que o domínio técnico precisa estar acompanhado de conhecimentos pedagógicos capazes de orientar escolhas, selecionar ferramentas e organizar experiências coerentes com os objetivos educacionais. A perspectiva humanizada também envolve a garantia de direitos e o reconhecimento das singularidades dos estudantes. Ischkanian e Ischkanian (2026), ao abordarem a dignidade da pessoa humana e os direitos das pessoas com deficiência no contexto da legislação PCD, contribuem para uma compreensão da inclusão fundamentada no respeito às diferenças. Nesse sentido, a personalização apoiada por IA pode favorecer acessibilidade e participação quando orientada pela valorização da pessoa e pela busca de condições educacionais mais equitativas. A personalização dos processos de ensino e aprendizagem, portanto, representa uma possibilidade de ampliar a diversidade de estratégias pedagógicas disponíveis no contexto educacional. A Inteligência Artificial pode apoiar professores na elaboração de atividades, organização de recursos e diversificação das experiências de aprendizagem, enquanto os estudantes podem encontrar novas formas de pesquisar, criar, interagir e construir conhecimentos. O resultado esperado não é substituir a ação docente, mas fortalecer uma prática pedagógica capaz de reconhecer diferentes necessidades, promover participação e favorecer o desenvolvimento da autonomia. A personalização mediada por Inteligência Artificial precisa ser compreendida como apoio à prática pedagógica, e não como substituição da relação entre professor, estudante e conhecimento. A integração equilibrada entre tecnologia, currículo, inclusão, criatividade, formação docente e participação estudantil possibilita construir experiências educativas mais diversificadas e humanizadas, nas quais os recursos tecnológicos estejam a serviço da aprendizagem e do desenvolvimento integral dos estudantes. Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba, Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian. 34 2.4. Impactos da Inteligência Artificial no desenvolvimento da autonomia dos estudantes A autonomia dos estudantes constitui uma dimensão essencial do processo educativo, especialmente em uma realidade na qual o acesso às informações ocorre de maneira rápida e diversificada. A presença da Inteligência Artificial nesse cenário amplia as possibilidades de pesquisa, interação e produção de conhecimentos, permitindo que os estudantes assumam participação mais ativa em seus percursos de aprendizagem. De Abreu Pestana dos Santos (2023), ao analisar as potencialidades e os desafios da IA na educação, contribui para compreender que essas tecnologias podem apoiar diferentes atividades educacionais, desde que utilizadas de maneira articulada às finalidades pedagógicas. O desenvolvimento da autonomia está relacionado à capacidade de o estudante buscar informações, formular perguntas, estabelecer relações entre diferentes conhecimentos e tomar decisões durante sua aprendizagem. Almeida (2026) associa a prática pedagógica e a formação docente a uma educação crítica e emancipadora, perspectiva que permite compreender a autonomia como uma construção progressiva, vinculada à participação consciente do estudante. Nesse contexto, a IA pode oferecer recursos para que o estudante explore conteúdos, organize informações e desenvolva produções próprias, ampliando as oportunidades de protagonismo no processo educativo. A disponibilidade de ferramentas capazes de responder perguntas e auxiliar na organização de informações pode favorecer a iniciativa dos estudantes. Vieira et al. (2025) discutem as potencialidades da Inteligência Artificial na educação e sua relação com diferentes dimensões dos processos educativos. O estudante pode recorrer a esses recursos para levantar hipóteses, buscar explicações, comparar conceitos e aprofundar determinados conteúdos. O impacto positivo sobre a autonomia ocorre quando a ferramenta é utilizada como ponto de partida para investigação e reflexão, e não como substituta da elaboração intelectual do próprio estudante. A aprendizagem baseada em projetos oferece um ambiente favorável ao desenvolvimento dessa autonomia. Góes et al. (2025) relacionam essa abordagem a práticas ativas, inclusivas, mediadas por tecnologia e acessibilidade. Em atividades dessa natureza, os estudantes podem participar da definição de questões, selecionar informações, organizar etapas, produzir materiais e apresentar resultados. A IA pode apoiar essas diferentes fases, contribuindo para a pesquisa e a organização das ideias, enquanto as decisões e a autoria permanecem vinculadas aos estudantes. O engajamento também possui relação direta com o desenvolvimento da autonomia. Bezerra et al. (2024), ao discutirem gamificação e estudos mediados por tecnologia, abordam dimensões relacionadas à motivação e ao envolvimento dos estudantes. Recursos tecnológicos podem criar situações nas quais o estudante participa de maneira mais ativa, experimenta INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. . 35 diferentes possibilidades e acompanha seu próprio percurso de aprendizagem. A IA pode integrar esse conjunto de estratégias ao favorecer atividades interativas e possibilidades diversificadas de exploração dos conteúdos. A autonomia, entretanto, não se limita à capacidade de utilizar ferramentas digitais. Ela envolve também a formação de sujeitos capazes de analisar informações, reconhecer diferentes perspectivas e realizar escolhas fundamentadas. Azevedo (2026), ao discutir currículo, práticas pedagógicas e pensamento computacional, contribui para relacionar o desenvolvimento de competências tecnológicas à resolução de problemas e à tomada de decisões. A utilização educacional da IA pode fortalecer essas competências quando o estudante é estimulado a questionar as respostas recebidas, verificar informações e construir suas próprias conclusões. A relação entre autonomia e inclusão também merece atenção. Almeida et al. (2025) discutem as possibilidades do uso das tecnologias no processo de inclusão educacional, mostrando que os recursos tecnológicos podem ampliar oportunidades de participação. Uma ferramenta de IA pode contribuir para disponibilizar diferentes formas de acesso aos conteúdos e apoiar estudantes com necessidades educacionais diversas. Nesse sentido, a autonomia pode ser fortalecida quando o estudanteencontra recursos que favoreçam sua participação e possibilitem maior independência na realização de determinadas atividades. A perspectiva da educação inclusiva precisa considerar a singularidade dos sujeitos. Oliveira (2026) discute a relação entre Inteligência Artificial humanizada, subjetividades, inclusão e construção do conhecimento, contribuindo para uma compreensão centrada nas pessoas. A autonomia não deve ser entendida como independência absoluta, mas como possibilidade de participar, escolher, expressar conhecimentos e desenvolver estratégias próprias, contando com os apoios necessários ao seu processo educativo. A criatividade também pode favorecer a autonomia estudantil. Silva et al. (2026), ao abordarem as brincadeiras digitais e as tecnologias criativas, apresentam possibilidades de integração entre ludicidade, recursos digitais e produção educativa. A IA pode apoiar processos criativos relacionados à elaboração de textos, projetos, apresentações, propostas artísticas e diferentes formas de expressão. Quando o estudante transforma os recursos tecnológicos em instrumentos para desenvolver ideias próprias, amplia-se sua participação autoral. A autonomia também pode ser fortalecida pela valorização da diversidade cultural. Freitas (2026) discute o letramento cultural na formação docente e a importância de práticas pedagógicas comprometidas com a diversidade. Silva e Bacury (2026), ao tratarem dos saberes tradicionais e da Etnomatemática indígena, evidenciam a relevância de reconhecer diferentes formas de produção do conhecimento. A utilização da IA pode favorecer pesquisas sobre diferentes culturas e saberes, desde que o estudante seja orientado a reconhecer a pluralidade das fontes e a analisar criticamente as informações disponíveis. Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba, Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian. 36 A leitura e a interpretação constituem competências importantes para a autonomia intelectual. Vieira (2026), ao discutir estratégias de letramento literário, contribui para compreender a importância da formação de leitores capazes de produzir sentidos a partir dos textos. Em atividades mediadas por IA, o estudante pode comparar interpretações, elaborar perguntas e explorar diferentes possibilidades de leitura. O processo torna-se formativo quando a tecnologia estimula a compreensão e a autoria, mantendo o estudante como sujeito da interpretação. A avaliação também pode contribuir para o desenvolvimento da autonomia quando deixa de ser compreendida apenas como verificação de resultados e passa a acompanhar o percurso de aprendizagem. Sousa et al. (2025) discutem as potencialidades da IA na avaliação educacional, permitindo considerar ferramentas tecnológicas como apoio a determinadas etapas desse processo. Recursos digitais podem auxiliar estudantes e professores na organização de atividades e no acompanhamento de produções, favorecendo momentos de reflexão sobre aquilo que foi aprendido e sobre os aspectos que ainda podem ser desenvolvidos. A formação docente permanece fundamental para que a IA contribua efetivamente para a autonomia. Teodoro et al. (2024) destacam a importância da preparação dos professores diante da utilização das tecnologias em sala de aula. Cabe ao professor estabelecer situações em que o estudante possa investigar, questionar, produzir e avaliar suas próprias aprendizagens. A autonomia, portanto, não resulta simplesmente da disponibilidade de uma ferramenta tecnológica, mas das oportunidades pedagógicas criadas para que o estudante desenvolva responsabilidade, iniciativa e capacidade de decisão. A formação continuada também contribui para esse processo. Ischkanian (2026), ao discutir capacitação e desenvolvimento de competências, oferece elementos para compreender a importância de processos formativos organizados. No contexto educacional, professores preparados podem utilizar a IA de maneira mais consciente, definindo atividades que estimulem a participação e evitando práticas que reduzam o estudante à reprodução de respostas produzidas automaticamente. A autonomia estudantil também precisa estar associada à dignidade, à inclusão e ao respeito às características individuais. Ischkanian e Ischkanian (2026), ao discutirem a dignidade da pessoa humana e os direitos das pessoas com deficiência, reforçam a importância de uma perspectiva educacional comprometida com o reconhecimento dos sujeitos. A IA pode contribuir para ampliar possibilidades de participação e acessibilidade, fortalecendo condições para que diferentes estudantes desenvolvam suas potencialidades. Os impactos da Inteligência Artificial sobre a autonomia, portanto, podem ser compreendidos principalmente a partir das oportunidades que a tecnologia oferece para pesquisa, criação, participação, resolução de problemas e organização da aprendizagem. A utilização INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. . 37 pedagógica da IA pode favorecer estudantes mais participativos e capazes de buscar caminhos próprios para aprender, desde que as atividades sejam planejadas para estimular reflexão, autoria e responsabilidade. A autonomia não significa aprender sozinho ou dispensar a presença do professor. Ela representa a possibilidade de o estudante participar ativamente de sua formação, desenvolver iniciativa, fazer escolhas e construir conhecimentos com o apoio de diferentes recursos. A Inteligência Artificial pode fortalecer esse processo ao ampliar o repertório de ferramentas disponíveis, enquanto a mediação docente assegura intencionalidade pedagógica, orientação crítica e valorização da dimensão humana da educação. 2.5. Inteligência Artificial, pensamento crítico e construção do conhecimento A utilização da Inteligência Artificial na educação também produz importantes possibilidades para o desenvolvimento do pensamento crítico e para a construção do conhecimento. Em um contexto marcado pela grande circulação de informações, torna-se necessário desenvolver nos estudantes competências relacionadas à análise, interpretação, comparação e avaliação de conteúdos. De Abreu Pestana dos Santos (2023) evidencia que a presença da IA na educação envolve potencialidades que precisam ser compreendidas em articulação com as finalidades formativas, permitindo situar essas tecnologias como recursos que podem apoiar processos de investigação e aprendizagem. O pensamento crítico está relacionado à capacidade de questionar informações, identificar diferentes perspectivas, estabelecer relações e construir posicionamentos fundamentados. Almeida (2026), ao discutir uma educação crítica e emancipadora, oferece fundamentos para compreender a importância de práticas pedagógicas que ultrapassem a transmissão de informações. Nesse cenário, a IA pode ser utilizada como recurso para provocar questionamentos, apresentar diferentes possibilidades de resposta e estimular os estudantes a analisar os conteúdos antes de formular suas próprias conclusões. A própria natureza das ferramentas de IA pode favorecer situações de investigação. Vieira et al. (2025) discutem os impactos, limites e potencialidades da Inteligência Artificial na educação, possibilitando compreender que sua utilização precisa estar relacionada ao desenvolvimento das aprendizagens. Quando o estudante recebe uma resposta produzida por uma ferramenta, pode ser orientado a verificar sua coerência, buscar outras fontes, identificar possíveis inconsistências e comparar diferentes explicações. O recurso tecnológico, nesse processo, passa a funcionar como objeto de análise e não apenas como fonte imediata de respostas. A construçãodo conhecimento ocorre por meio da relação ativa do estudante com informações, experiências e conhecimentos socialmente produzidos. Góes et al. (2025) Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba, Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian. 38 apresentam a aprendizagem baseada em projetos como abordagem que promove práticas ativas, inclusivas e mediadas por tecnologia. Projetos pedagógicos podem utilizar a IA para apoiar pesquisas, organizar informações e desenvolver produtos, enquanto os estudantes são estimulados a interpretar dados, solucionar problemas e justificar suas escolhas. Essa dinâmica favorece uma aprendizagem na qual o conhecimento é construído mediante participação e investigação. O pensamento crítico também pode ser estimulado por atividades que envolvam problemas e desafios. Azevedo (2026), ao abordar o pensamento computacional no contexto curricular, contribui para compreender a importância de competências relacionadas à resolução de problemas, identificação de padrões e elaboração de estratégias. A IA pode integrar essas atividades ao oferecer situações que desafiem os estudantes a avaliar diferentes alternativas e selecionar respostas fundamentadas, desenvolvendo raciocínio e capacidade de decisão. As tecnologias digitais podem ainda favorecer experiências mais participativas. Bezerra et al. (2024), ao discutirem gamificação e estudos mediados por tecnologia, destacam elementos relacionados ao engajamento e à motivação. Quando atividades interativas são estruturadas para exigir justificativas, escolhas e resolução de problemas, o envolvimento do estudante pode estar associado ao desenvolvimento de processos cognitivos mais complexos. A IA pode contribuir para ampliar essas experiências mediante propostas diferenciadas e situações de investigação. A construção crítica do conhecimento também exige atenção à diversidade cultural. Freitas (2026) discute o letramento cultural na formação docente e a necessidade de práticas pedagógicas antirracistas, permitindo compreender que o conhecimento não pode ser apresentado de maneira descontextualizada ou limitada a uma única perspectiva. Silva e Bacury (2026), ao abordarem saberes tradicionais e Etnomatemática indígena, reforçam a relevância da valorização de diferentes formas de produzir e interpretar conhecimentos. A utilização da IA pode ampliar o acesso a essas perspectivas, enquanto o pensamento crítico permite analisá-las em seus contextos. A reflexão sobre cultura e conhecimento também pode ser ampliada pela discussão das formas históricas de circulação e silenciamento de saberes. Oliveira (2026), ao abordar políticas editoriais e censura cultural relacionadas às línguas, histórias e saberes dos povos indígenas, oferece subsídios para compreender a importância da diversidade na produção do conhecimento. Em ambientes mediados por IA, essa discussão torna-se relevante porque os estudantes podem ser estimulados a perguntar quais conhecimentos estão presentes, quais perspectivas são valorizadas e como diferentes fontes representam determinados grupos sociais. A literatura e a leitura também constituem espaços privilegiados para o desenvolvimento do pensamento crítico. Santos (2026), ao discutir debates contemporâneos relacionados à obra de Monteiro Lobato e à literatura infantil brasileira, demonstra a importância INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. . 39 da análise crítica das produções culturais. Vieira (2026), ao abordar o letramento literário, contribui para compreender a leitura como prática de construção de sentidos. A IA pode apoiar atividades de comparação entre textos e interpretações, enquanto o estudante desenvolve a capacidade de formular posicionamentos próprios diante das obras analisadas. A produção criativa representa outra possibilidade de construção do conhecimento. Silva et al. (2026) discutem a integração entre brincadeiras digitais e tecnologias criativas, evidenciando a importância da participação ativa em experiências mediadas por recursos contemporâneos. A IA pode ser utilizada na elaboração de histórias, projetos, atividades, apresentações e diferentes produtos educacionais, desde que o estudante participe das decisões e desenvolva uma produção autoral. A criatividade, nesse sentido, relaciona-se ao pensamento crítico porque envolve escolhas, reorganização de informações e elaboração de novas possibilidades. A aprendizagem em diferentes áreas do conhecimento também pode ser organizada a partir de situações que estimulem análise e resolução de problemas. Sousa (2026), ao discutir métodos de ensino da Matemática, oferece elementos para compreender a importância da diversidade de estratégias no processo educativo. A IA pode auxiliar na apresentação de diferentes caminhos para uma solução, cabendo ao estudante comparar procedimentos, identificar vantagens e justificar aquele que considera mais adequado. No ensino de línguas, estratégias diversificadas também podem contribuir para a construção do conhecimento. Cabral (2026), ao apresentar a técnica de Total Physical Response para o aprendizado da língua inglesa, evidencia a importância da adequação metodológica às características dos estudantes. A IA pode complementar propostas dessa natureza mediante atividades de produção e interação linguística, favorecendo situações em que os estudantes possam experimentar diferentes formas de utilização da linguagem. O pensamento crítico também se relaciona à capacidade de avaliar os próprios processos de aprendizagem. Sousa et al. (2025) discutem a Inteligência Artificial na avaliação educacional, possibilitando refletir sobre o uso de tecnologias para apoiar processos avaliativos. Quando os estudantes são convidados a analisar suas produções, identificar avanços, reconhecer dificuldades e estabelecer estratégias de melhoria, desenvolvem uma postura mais reflexiva diante da própria aprendizagem. A mediação docente é indispensável. Teodoro et al. (2024) discutem os desafios relacionados à utilização das tecnologias pelos professores, enquanto Almeida (2026) enfatiza a importância da formação docente para uma educação crítica e emancipadora. O professor exerce função essencial na elaboração de situações pedagógicas que transformem o uso da IA em oportunidade de investigação. A orientação docente ajuda os estudantes a formular perguntas, selecionar fontes, comparar informações e construir argumentos. Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba, Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian. 40 A formação profissional também precisa acompanhar essas transformações. Ischkanian (2026), ao abordar capacitação e desenvolvimento de competências, contribui para reforçar a importância da formação continuada. Professores preparados para trabalhar com tecnologias inteligentes podem desenvolver propostas que valorizem análise, criatividade, autoria e participação, transformando a IA em instrumento pedagógico integrado ao currículo. A dimensão humana da construção do conhecimento permanece central. Oliveira (2026) propõe uma perspectiva de Inteligência Artificial humanizada relacionada à educação inclusiva, às subjetividades e à construção do conhecimento. Essa abordagem reforça que a tecnologia deve estar subordinada às finalidades formativas e às necessidades dos sujeitos. O pensamento crítico não pode ser automatizado, pois envolve interpretação, julgamento, argumentação, posicionamento e reflexão sobre questões concretas. A inclusão também integra esseprocesso de construção crítica. Almeida et al. (2025) discutem o potencial das tecnologias para apoiar processos inclusivos, enquanto Ischkanian e Ischkanian (2026) contribuem para uma compreensão fundamentada na dignidade e nos direitos das pessoas com deficiência. O uso da IA pode ampliar as possibilidades de participação e expressão de estudantes com diferentes necessidades, criando condições para que mais sujeitos estejam envolvidos na construção e compartilhamento do conhecimento. A Inteligência Artificial, portanto, pode contribuir para o desenvolvimento do pensamento crítico quando utilizada como instrumento de investigação, comparação, criação e reflexão. Seu potencial educacional não está apenas na capacidade de produzir respostas, mas nas possibilidades de gerar perguntas, estimular análises e favorecer processos de construção de conhecimentos. O estudante pode utilizar a tecnologia para explorar diferentes perspectivas, enquanto desenvolve critérios próprios para avaliar informações e elaborar posicionamentos. O pensamento crítico e a Inteligência Artificial podem estabelecer uma relação produtiva quando a tecnologia é integrada a práticas pedagógicas que valorizam a autoria, a investigação e a reflexão. A construção do conhecimento permanece como processo humano, social e educativo, no qual professores e estudantes desempenham papéis fundamentais. A IA pode ampliar os recursos disponíveis para esse processo, contribuindo para uma educação mais dinâmica, participativa, inclusiva e alinhada às demandas contemporâneas. 2.6. Tecnologias generativas e novas práticas pedagógicas no contexto educacional As tecnologias generativas representam uma transformação significativa no modo como informações, textos, imagens, atividades e diferentes recursos digitais podem ser produzidos no contexto educacional. Sua presença amplia o repertório disponível para professores e estudantes e cria novas possibilidades de planejamento, interação, criação e aprendizagem. De Abreu Pestana dos Santos (2023), ao discutir as potencialidades da Inteligência Artificial na educação, INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. . 41 contribui para compreender que esses recursos podem integrar diferentes práticas pedagógicas, especialmente quando utilizados de maneira articulada aos objetivos formativos e às necessidades dos estudantes. As tecnologias generativas caracterizam-se pela capacidade de produzir novos conteúdos a partir de comandos e informações fornecidas pelos usuários, possibilitando a elaboração de textos, sínteses, questões, exemplos, propostas de atividades e outros materiais. Vieira et al. (2025) discutem os impactos e as potencialidades da IA no campo educacional, permitindo compreender que essas ferramentas podem ampliar as possibilidades de interação com os conteúdos. No ambiente escolar, sua utilização pode apoiar tanto o planejamento docente quanto atividades de pesquisa e produção realizadas pelos estudantes. A incorporação dessas tecnologias pode favorecer práticas pedagógicas mais diversificadas. Costa e Araújo (2025), ao analisarem os impactos das tecnologias no ensino e na aprendizagem, evidenciam a ampliação das possibilidades proporcionadas pelos recursos digitais. A tecnologia generativa pode auxiliar o professor na elaboração de situações-problema, roteiros de estudos, atividades diferenciadas e materiais complementares, contribuindo para ampliar o repertório metodológico e tornar as experiências educativas mais dinâmicas. Essa transformação também pode ser relacionada ao desenvolvimento de metodologias ativas. Góes et al. (2025) discutem a aprendizagem baseada em projetos como abordagem que integra participação estudantil, tecnologia, acessibilidade e inclusão. As tecnologias generativas podem apoiar projetos desde a etapa de levantamento de ideias até a organização das informações e elaboração de produtos. O estudante, entretanto, permanece responsável pelas escolhas, pela análise dos conteúdos e pela produção final, fortalecendo a autoria e a participação no processo educativo. A gamificação constitui outra possibilidade de articulação entre tecnologias e práticas pedagógicas inovadoras. Bezerra et al. (2024) relacionam estudos mediados por tecnologia a aspectos como engajamento e motivação. A IA generativa pode contribuir para a elaboração de desafios, perguntas, narrativas, situações-problema e atividades interativas, criando experiências diversificadas. A relevância pedagógica dessas ferramentas está na possibilidade de integrá-las a estratégias que estimulem participação e envolvimento com os conteúdos. A criatividade assume papel central nesse novo cenário. Silva et al. (2026), ao discutirem brincadeiras digitais e tecnologias criativas, demonstram a importância de aproximar práticas educativas dos recursos tecnológicos presentes na sociedade contemporânea. As tecnologias generativas podem favorecer processos de criação nos quais estudantes desenvolvem histórias, propostas, apresentações, projetos e diferentes formas de expressão. A ferramenta pode ampliar as possibilidades de produção, enquanto a autoria pedagógica continua relacionada às escolhas e interpretações dos sujeitos envolvidos. Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba, Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian. 42 A integração das tecnologias generativas ao currículo exige planejamento e intencionalidade. Azevedo (2026) discute a articulação entre currículo, práticas pedagógicas e BNCC Computação, ressaltando a importância do desenvolvimento do pensamento computacional na educação básica. Conforme a tabela 1, a utilização da IA pode ser relacionada a atividades que estimulem resolução de problemas, identificação de padrões, elaboração de estratégias e reflexão sobre processos tecnológicos. A ferramenta, nesse sentido, integra o currículo quando contribui efetivamente para o desenvolvimento das competências previstas no processo formativo. Tabela 1: Integração das tecnologias generativas ao currículo: ideias dos autores e possibilidades de atividades. Autor(es) 2026 Ideia central relacionada ao currículo e às tecnologias Articulação com práticas pedagógicas e BNCC Exemplos de atividades com tecnologias generativas Ivoney da Silva Oliveira A Inteligência Artificial precisa ser integrada à educação de maneira planejada, considerando suas possibilidades, seus impactos e a construção do conhecimento. Relacionar o uso da IA aos objetivos de aprendizagem, evitando a utilização da tecnologia como recurso isolado ou sem finalidade pedagógica. Produção orientada de textos; elaboração de perguntas para investigação; comparação entre respostas produzidas pela IA e fontes estudadas em sala. Simone Helen Drumond Ischkanian A educação mediada por tecnologia deve preservar a dimensão humana, a inclusão, a subjetividade e a participação ativa do estudante. Articular IA, currículo e práticas inclusivas, considerando diferentes formas de aprender, comunicar-se e participar. Criar uma atividade em diferentes formatos, como texto, imagem, áudio ou sequência visual; adaptar uma proposta curricular para diferentes perfis de aprendizagem. Gladys Nogueira Cabral Estratégias diversificadas favorecem experiências de aprendizagem mais significativas, especialmente quando envolvem interação, linguagem e participação. Integrar tecnologias generativas às metodologias de ensino de línguas e às habilidades previstas no currículo. Criar diálogos em língua inglesa; elaborar situações comunicativas;produzir histórias curtas e posteriormente realizar dramatização ou leitura compartilhada. Silvana Nascimento de Carvalho As tecnologias criativas podem ampliar experiências pedagógicas e favorecer novas formas de participação e produção, estimulando a criatividade, a colaboração e o protagonismo dos estudantes. Utilizar recursos digitais articulados aos objetivos curriculares, valorizando criatividade, ludicidade e autoria. Criar histórias digitais; elaborar desafios interativos; produzir personagens fictícios, cenários e situações- problema relacionados aos conteúdos curriculares. INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. . 43 António Manuel Domingos Caba A tecnologia pode ampliar possibilidades de acesso, comunicação e construção do conhecimento quando inserida em propostas pedagógicas contextualizadas. Relacionar ferramentas digitais aos conteúdos curriculares e às experiências socioculturais dos estudantes. Pesquisa orientada sobre determinado conteúdo; elaboração de mapas conceituais; produção coletiva de materiais digitais a partir de informações pesquisadas. Gabriel Nascimento de Carvalho O uso educacional das tecnologias pode favorecer estratégias diversificadas de aprendizagem e participação, respeitando diferentes formas de interação com o conhecimento. Planejar atividades que permitam diferentes caminhos para alcançar os objetivos curriculares. Transformar um conteúdo em quiz, roteiro de estudo, jogo de perguntas e respostas ou atividade de revisão utilizando IA como ferramenta de apoio. Sygride Nascimento de Carvalho As tecnologias contemporâneas podem aproximar práticas pedagógicas, criatividade e experiências de aprendizagem mais dinâmicas. Integrar ferramentas generativas às atividades curriculares sem retirar do estudante a autoria e a capacidade de criação. Elaborar uma campanha educativa sobre meio ambiente; criar slogans, textos e imagens e, posteriormente, analisar coletivamente a qualidade e a pertinência das produções. Sandro Garabed Ischkanian A formação e o desenvolvimento de competências são fundamentais para que o uso tecnológico produza resultados educacionais significativos. Associar o uso da IA ao planejamento, à formação e ao desenvolvimento de competências, considerando objetivos previamente definidos. Elaborar um plano de estudo; criar situações- problema; utilizar IA para gerar possibilidades de solução e solicitar ao estudante que selecione, justifique e aperfeiçoe a melhor alternativa. Fonte: Elaborado pelos autores (2026), com base nas contribuições de Oliveira, Ischkanian, Cabral, Carvalho, Caba, Carvalho, Carvalho e Ischkanian e nas referências utilizadas no estudo. A tabela 2 evidencia que a integração das tecnologias generativas ao currículo exige planejamento, intencionalidade pedagógica e articulação com os objetivos de aprendizagem. As contribuições dos autores analisados convergem para uma perspectiva na qual a Inteligência Artificial não constitui uma finalidade em si mesma, mas um recurso que pode ampliar estratégias de ensino, criação, investigação, inclusão e participação. Nesse sentido, a articulação entre currículo, práticas pedagógicas e BNCC, incluindo as competências relacionadas à Computação, permite que o uso das tecnologias generativas seja orientado por finalidades educacionais concretas. A proposta também reforça que a tecnologia pode participar de diferentes etapas da atividade pedagógica, desde a formulação de perguntas e levantamento de possibilidades até a produção, revisão, comparação e apresentação dos conhecimentos construídos. A autoria, entretanto, permanece vinculada ao estudante, que precisa interpretar, selecionar, justificar e Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba, Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian. 44 transformar as informações encontradas. O professor exerce a função de planejar, mediar e avaliar esse percurso, garantindo que a tecnologia esteja efetivamente a serviço da aprendizagem. Tabela 2: Síntese das possibilidades de integração curricular Eixo curricular Intencionalidade pedagógica Tecnologia generativa como apoio Exemplo de atividade Linguagens Desenvolver leitura, interpretação, oralidade e produção textual. Geração e revisão de textos, diálogos, perguntas e situações comunicativas. Solicitar à IA uma história curta, identificar problemas no texto e produzir uma versão revisada pelos estudantes. Matemática Desenvolver raciocínio lógico, resolução de problemas e argumentação matemática. Criação de situações- problema e diferentes estratégias de resolução. Comparar duas soluções produzidas pela IA e justificar qual apresenta procedimento matemático mais adequado. Ciências Estimular investigação, formulação de hipóteses e compreensão de fenômenos. Organização de perguntas, hipóteses e explicações iniciais. Criar hipóteses sobre determinado fenômeno, pesquisar fontes confiáveis e confrontar os resultados com a resposta da IA. História e Geografia Desenvolver compreensão histórica, espacial e sociocultural. Organização de informações, linhas do tempo e diferentes perspectivas. Construir uma linha do tempo com apoio da IA e conferir cada informação em fontes históricas. Arte e cultura Estimular criatividade, expressão e valorização da diversidade cultural. Geração de propostas visuais, narrativas e possibilidades criativas. Criar uma proposta artística inspirada em manifestações culturais locais e discutir autoria, representação e diversidade. Computação/tecnologia Desenvolver pensamento computacional e compreensão crítica das tecnologias. Exploração de comandos, problemas, padrões e processos de criação. Solicitar à IA diferentes soluções para um problema e analisar quais apresentam melhor lógica e justificativa. Educação inclusiva Reduzir barreiras e ampliar as possibilidades de participação. Adaptação de linguagem, formatos e recursos didáticos. Transformar um conteúdo em texto simplificado, roteiro visual, áudio ou sequência de atividades, mantendo o mesmo objetivo curricular. INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. . 45 Educação ambiental Desenvolver consciência socioambiental e participação. Geração de campanhas, propostas e materiais educativos. Criar uma campanha sobre preservação ambiental e avaliar criticamente as informações produzidas pela IA. Literatura Desenvolver leitura, interpretação, argumentação e formação do leitor. Comparação de interpretações e elaboração de perguntas sobre obras literárias. Comparar uma interpretação produzida pela IA com a interpretação dos estudantes e construir uma análise própria. Projeto interdisciplinar Integrar diferentes áreas do conhecimento em torno de um problema real. Pesquisa, organização de ideias, produção e revisão de materiais. Desenvolver um projeto sobre um problema da comunidade, utilizando IA para levantar possibilidades e os estudantes para pesquisar, selecionar, criar e apresentar soluções. Fonte: Elaborado pelos autores (2026), com base nas contribuições de Oliveira, Ischkanian, Cabral, Carvalho, Caba, Carvalho,Carvalho e Ischkanian e nas referências utilizadas no estudo As tecnologias generativas também podem ampliar as possibilidades de inclusão. Almeida et al. (2025) discutem o uso das tecnologias no processo de inclusão educacional, destacando possibilidades de utilização desses recursos para favorecer diferentes formas de participação. A geração de conteúdos em diferentes formatos pode apoiar a elaboração de materiais mais acessíveis e diversificados, permitindo que professores disponham de alternativas para apresentar determinados conteúdos e organizar experiências de aprendizagem. A perspectiva humanizada da Inteligência Artificial amplia essa discussão. Oliveira (2026) relaciona IA, educação inclusiva, subjetividades e construção do conhecimento, contribuindo para compreender que a inovação tecnológica precisa permanecer vinculada às necessidades humanas. O uso de tecnologias generativas pode favorecer práticas mais flexíveis, porém sua contribuição educativa depende da capacidade de professores e instituições de estabelecer objetivos que valorizem aprendizagem, inclusão, criatividade e desenvolvimento integral. A formação docente torna-se ainda mais importante diante da expansão dessas ferramentas. Almeida (2026) relaciona prática pedagógica e formação docente a uma educação crítica e emancipadora. O professor precisa compreender as possibilidades das tecnologias generativas para selecionar aquelas que efetivamente contribuem para seus objetivos pedagógicos. Teodoro et al. (2024) reforçam a importância da preparação profissional diante da Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba, Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian. 46 presença crescente das tecnologias no espaço escolar, indicando a necessidade de conhecimentos que permitam utilizar esses recursos de maneira consciente e pedagogicamente orientada. As tecnologias generativas também podem ser articuladas ao ensino de diferentes áreas. Cabral (2026), ao apresentar a técnica de Total Physical Response no ensino da língua inglesa, evidencia a relevância de estratégias diversificadas para favorecer a aprendizagem. A IA generativa pode complementar práticas dessa natureza mediante a criação de exercícios, diálogos, situações comunicativas e materiais linguísticos, ampliando as oportunidades de interação com o idioma. Na Matemática, a diversificação das estratégias igualmente pode ser favorecida. Sousa (2026) aborda métodos de ensino da Matemática no Ensino Médio em Tempo Integral, oferecendo subsídios para pensar práticas que valorizem diferentes caminhos de aprendizagem. Tecnologias generativas podem auxiliar na criação de situações-problema, exemplos e exercícios com diferentes níveis de complexidade, permitindo ao professor organizar propostas mais diversificadas. Na área da leitura e da literatura, as possibilidades também são amplas. Vieira (2026) discute estratégias de letramento literário no Ensino Fundamental, destacando a importância da formação leitora. Recursos generativos podem apoiar a elaboração de questões interpretativas, propostas de leitura, atividades de produção textual e exploração de diferentes perspectivas sobre uma obra. A leitura crítica, entretanto, permanece como atividade intelectual do estudante, que precisa interpretar e produzir sentidos a partir dos textos. A dimensão cultural precisa acompanhar a utilização dessas tecnologias. Freitas (2026) destaca a importância do letramento cultural e de práticas pedagógicas antirracistas, enquanto Silva e Bacury (2026) valorizam os saberes tradicionais e a Etnomatemática indígena. As tecnologias generativas podem ampliar o acesso a diferentes conhecimentos e manifestações culturais, contribuindo para experiências educativas mais plurais quando utilizadas com critérios de seleção e valorização da diversidade. Oliveira (2026), ao discutir o silenciamento de línguas, saberes e histórias dos povos indígenas, oferece uma contribuição importante para refletir sobre a circulação dos conhecimentos em ambientes mediados por tecnologias. A utilização da IA generativa precisa estimular os estudantes a reconhecerem diferentes fontes, perspectivas e contextos culturais. A inovação tecnológica torna-se pedagogicamente mais significativa quando contribui para ampliar, e não reduzir, a diversidade de conhecimentos presentes no processo educativo. A literatura também pode constituir espaço para atividades de análise e criação. Santos (2026), ao discutir debates contemporâneos sobre a obra de Monteiro Lobato, demonstra a importância de abordar produções literárias a partir de diferentes perspectivas. Tecnologias INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. . 47 generativas podem auxiliar na elaboração de perguntas, comparações e propostas de produção, favorecendo atividades que estimulem interpretação e posicionamento crítico. As tecnologias generativas, portanto, podem contribuir para novas práticas pedagógicas ao ampliar recursos de criação, planejamento, interação e produção de conhecimentos. Sua utilização pode favorecer metodologias ativas, práticas inclusivas, experiências criativas e diferentes formas de acesso aos conteúdos. O principal desafio pedagógico consiste em transformar a disponibilidade tecnológica em experiências educativas significativas, mantendo a intencionalidade docente e a participação dos estudantes como elementos centrais. 2.7. Limites, riscos e desafios do uso da Inteligência Artificial na educação A expansão da Inteligência Artificial no contexto educacional amplia oportunidades de aprendizagem, mas também exige atenção aos limites, riscos e desafios associados à sua utilização. A discussão desses elementos não representa uma rejeição da tecnologia, mas uma condição para que suas possibilidades sejam aproveitadas de maneira responsável, crítica e pedagogicamente adequada. De Abreu Pestana dos Santos (2023) destaca justamente a necessidade de analisar as potencialidades da IA juntamente com os desafios que acompanham sua inserção na educação, contribuindo para uma compreensão equilibrada do fenômeno. Um dos principais desafios está relacionado à qualidade e à confiabilidade das informações produzidas pelas ferramentas de IA. Vieira et al. (2025), ao analisarem impactos, limites e potencialidades da Inteligência Artificial na educação, contribuem para compreender a necessidade de uma postura crítica diante dos conteúdos produzidos por essas tecnologias. Uma resposta gerada automaticamente pode apresentar informações incompletas, inadequadas ao contexto ou que necessitem de confirmação. Por esse motivo, o uso educacional da IA precisa estar associado à consulta de fontes, comparação de informações e orientação docente. A necessidade de verificar informações também se relaciona diretamente ao desenvolvimento do pensamento crítico. Almeida (2026), ao defender práticas pedagógicas voltadas a uma educação crítica e emancipadora, oferece fundamentos para compreender que o estudante não deve assumir uma resposta tecnológica como conhecimento definitivo. O contato com a IA pode constituir uma oportunidade para analisar, questionar e comparar informações, desenvolvendo competências de avaliação e argumentação. Costa e Araújo (2025) discutem os impactos das tecnologias no ensino e na aprendizagem, mostrando que a incorporação de recursos digitais exige reflexão sobre sua função no processo educativo. A presença de uma ferramenta tecnológica, por si só, não garante melhoria da aprendizagem. Seu valor está relacionado ao modo como ela é integrada ao currículo, às metodologias utilizadas e aos objetivos estabelecidos pelo professor. Ivoney da SilvaOliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba, Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian. 48 A formação docente ocupa posição central nesse processo. Teodoro et al. (2024) discutem desafios e perspectivas relacionados ao uso das tecnologias pelos professores em sala de aula, evidenciando a importância da preparação profissional. O professor precisa desenvolver conhecimentos para selecionar ferramentas, avaliar resultados, orientar estudantes e estabelecer estratégias de utilização. A formação continuada contribui para que a tecnologia seja incorporada de maneira consciente e coerente com as necessidades educacionais. A autonomia dos estudantes também precisa ser considerada. A facilidade de obtenção de respostas pode ser pedagogicamente produtiva quando estimula pesquisa e reflexão, mas requer orientação para que o estudante continue envolvido na construção do conhecimento. Almeida (2026) relaciona educação crítica e emancipadora ao desenvolvimento da participação dos sujeitos. A utilização da IA deve favorecer investigação, criatividade e autoria, evitando que o processo educativo seja reduzido à reprodução de respostas prontas. A avaliação constitui outro campo que exige atenção. Sousa et al. (2025) analisam as potencialidades e limitações da Inteligência Artificial na avaliação educacional, contribuindo para compreender a necessidade de critérios pedagógicos na utilização dessas ferramentas. A IA pode apoiar determinadas atividades avaliativas, mas a interpretação da aprendizagem envolve aspectos cognitivos, sociais, culturais e pedagógicos que exigem acompanhamento profissional. O professor permanece fundamental para compreender o percurso do estudante e orientar seu desenvolvimento. A questão da inclusão também apresenta desafios específicos. Almeida et al. (2025) discutem o uso das tecnologias no processo de inclusão educacional, destacando possibilidades e desafios. Uma tecnologia pode ampliar acessibilidade, mas precisa estar disponível e ser adequada às diferentes necessidades dos estudantes. A inclusão não se limita à existência do recurso, envolvendo condições de acesso, utilização, acompanhamento e participação efetiva no processo educativo. A perspectiva humanizada da IA reforça essa preocupação. Oliveira (2026) discute as relações entre Inteligência Artificial, educação inclusiva, subjetividades e construção do conhecimento, permitindo compreender que as tecnologias devem ser avaliadas também a partir de seus efeitos sobre as experiências humanas. O estudante não pode ser reduzido a dados, respostas ou resultados produzidos por sistemas tecnológicos. A educação permanece vinculada às relações, à comunicação, à criatividade, à convivência e à formação integral. A diversidade cultural constitui outro elemento que precisa ser considerado. Freitas (2026) destaca a importância do letramento cultural e das práticas pedagógicas antirracistas, enquanto Silva e Bacury (2026) valorizam os saberes tradicionais e indígenas. O uso da IA exige atenção à diversidade de conhecimentos e perspectivas, especialmente porque os conteúdos disponibilizados pelas tecnologias precisam ser analisados em seus contextos. A prática INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. . 49 pedagógica pode utilizar a tecnologia para ampliar repertórios, estimulando os estudantes a comparar diferentes fontes e reconhecer múltiplas formas de produção do conhecimento. A reflexão sobre diversidade também pode ser relacionada à circulação histórica de conhecimentos. Oliveira (2026), ao abordar processos de silenciamento de línguas, saberes e histórias indígenas, contribui para compreender a importância de uma educação atenta à pluralidade cultural. No uso da IA, esse cuidado pode ser convertido em oportunidade pedagógica para discutir representação, diversidade, memória e valorização dos conhecimentos de diferentes grupos sociais. A utilização da Inteligência Artificial em atividades de leitura e literatura também requer mediação. Vieira (2026) discute o letramento literário e a importância de estratégias que favoreçam a formação do leitor, enquanto Santos (2026) aborda debates contemporâneos relacionados à literatura infantil brasileira. As tecnologias podem auxiliar na elaboração de atividades e na exploração de diferentes interpretações, mas a experiência de leitura não deve ser substituída por respostas automáticas. O estudante precisa permanecer envolvido com o texto, com a interpretação e com a produção de sentidos. A criatividade pode igualmente ser preservada diante da expansão das tecnologias generativas. Silva et al. (2026) demonstram a relevância das tecnologias criativas e das brincadeiras digitais no contexto contemporâneo. O desafio consiste em utilizar os recursos generativos como instrumentos de criação, permitindo que o estudante desenvolva ideias, faça escolhas e produza conteúdos próprios. A ferramenta deve ampliar a criatividade, e não eliminar o processo criativo. No currículo, os desafios envolvem estabelecer relações coerentes entre tecnologia e aprendizagem. Azevedo (2026) discute currículo, práticas pedagógicas e BNCC Computação, destacando a importância do pensamento computacional na educação básica. A utilização da IA precisa estar vinculada às competências e habilidades que se pretende desenvolver, evitando o uso meramente instrumental. Quando integrada ao currículo de maneira planejada, a tecnologia pode favorecer atividades relacionadas à resolução de problemas, análise, criação e pensamento computacional. As metodologias específicas de cada área também precisam ser respeitadas. Sousa (2026) apresenta diferentes métodos de ensino da Matemática, enquanto Cabral (2026) discute estratégias voltadas ao ensino da língua inglesa. Essas contribuições permitem compreender que a IA não deve padronizar as práticas pedagógicas. Cada área possui objetivos, linguagens e metodologias próprias, que podem ser enriquecidas pelos recursos tecnológicos sem perder suas características fundamentais. A formação profissional constitui uma estratégia importante para enfrentar esses desafios. Ischkanian (2026), ao abordar capacitação e desenvolvimento de competências, reforça Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba, Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian. 50 a importância de processos formativos planejados. No contexto educacional, professores e demais profissionais podem desenvolver conhecimentos técnicos e pedagógicos que favoreçam escolhas mais conscientes, permitindo identificar quando, como e para que utilizar ferramentas de IA. Também é necessário considerar os princípios relacionados à dignidade e aos direitos dos estudantes. Ischkanian e Ischkanian (2026), ao discutirem a dignidade da pessoa humana e os direitos das pessoas com deficiência, contribuem para reforçar que toda inovação educacional deve respeitar as singularidades e os direitos dos sujeitos. O uso da IA precisa estar orientado pela inclusão, pela acessibilidade, pelo respeito e pela valorização da pessoa humana. Os limites e desafios da Inteligência Artificial na educação, portanto, não diminuem suas possibilidades pedagógicas. Eles indicam a necessidade de estabelecer critérios para que a tecnologia seja utilizada com responsabilidade e intencionalidade. A qualidade das informações, a formação docente, a autonomia estudantil, a avaliação, a inclusão, a diversidade cultural e a integração curricular constituem dimensões que precisam ser consideradas no planejamento das práticasmediadas por IA. A análise desses desafios permite compreender que a utilização responsável da Inteligência Artificial depende de uma relação equilibrada entre inovação tecnológica e princípios educacionais. A tecnologia pode ampliar recursos, favorecer novas experiências e apoiar professores e estudantes, enquanto a mediação humana garante sentido pedagógico, pensamento crítico, inclusão e valorização da autonomia. Nesse equilíbrio encontra-se uma das principais condições para que a IA contribua efetivamente para uma educação contemporânea, crítica, inclusiva e humanizada. 2.8. Ética, privacidade, autoria e responsabilidade no uso da Inteligência Artificial A incorporação da Inteligência Artificial ao contexto educacional amplia possibilidades de acesso à informação, produção de conteúdos, personalização das atividades e apoio ao desenvolvimento da aprendizagem, mas também exige atenção aos princípios éticos que orientam as relações pedagógicas. O uso responsável dessas tecnologias pressupõe que estudantes e professores compreendam que os recursos produzidos por sistemas de IA precisam ser analisados, contextualizados e utilizados de acordo com objetivos educacionais definidos. De Abreu Pestana dos Santos (2023) destaca que a presença da Inteligência Artificial na educação envolve potencialidades acompanhadas de desafios que requerem reflexão sobre suas formas de utilização, especialmente quando a tecnologia passa a participar de processos relacionados à aprendizagem. A privacidade constitui uma dimensão relevante nesse processo, principalmente porque determinados sistemas de Inteligência Artificial podem operar a partir do processamento de INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. . 51 informações inseridas pelos usuários. No ambiente educacional, a utilização de dados relacionados aos estudantes deve considerar critérios de segurança, finalidade pedagógica, responsabilidade e respeito às informações pessoais. Almeida et al. (2025), ao discutirem as tecnologias no processo de inclusão educacional, contribuem para compreender que a adoção de recursos tecnológicos precisa estar articulada à garantia de direitos e à construção de ambientes educacionais acessíveis e seguros. A tecnologia, portanto, deve favorecer a aprendizagem sem transformar o estudante em simples fonte de dados. A possibilidade de gerar textos, imagens, atividades e outros materiais em poucos segundos modifica as formas tradicionais de produção acadêmica e exige maior atenção à identificação das contribuições humanas e tecnológicas. A utilização de uma ferramenta de IA não elimina a responsabilidade do estudante ou do professor pelo conteúdo apresentado, pois a produção acadêmica continua exigindo compreensão, revisão, análise e posicionamento próprio. Almeida (2026), ao abordar a formação docente voltada para uma educação crítica e emancipadora, permite compreender que a tecnologia precisa ser incorporada a práticas que valorizem a capacidade humana de interpretar, decidir e produzir conhecimento. A autoria não deve ser compreendida apenas como a elaboração material de um texto, mas como a capacidade de construir uma produção intelectual marcada por compreensão, escolhas, argumentação e responsabilidade. O estudante pode utilizar a Inteligência Artificial como recurso de apoio para organizar ideias, levantar possibilidades, revisar uma produção ou explorar diferentes perspectivas, mas precisa participar ativamente do processo de construção do conhecimento. Silva et al. (2026), ao discutirem brincadeiras digitais e tecnologias criativas, evidenciam possibilidades de integração entre recursos tecnológicos, criatividade e participação ativa, perspectiva que pode ser ampliada para práticas educacionais nas quais a tecnologia funciona como suporte à criação, e não como substituta da autoria estudantil. A responsabilidade também se relaciona à necessidade de verificar informações produzidas por sistemas de Inteligência Artificial. Respostas apresentadas de maneira organizada e convincente não devem ser automaticamente consideradas corretas. O estudante precisa desenvolver procedimentos de conferência, comparação de fontes e análise da coerência das informações, enquanto o professor assume papel importante na orientação dessas práticas. Sousa et al. (2025), ao analisarem a Inteligência Artificial na avaliação educacional, demonstram a necessidade de considerar criteriosamente as potencialidades e os desafios envolvidos na utilização desses recursos, reforçando a importância da análise pedagógica e da intervenção humana. A dimensão ética alcança também a inclusão educacional. A utilização da Inteligência Artificial pode contribuir para ampliar possibilidades de acesso, comunicação, adaptação de materiais e participação de estudantes com diferentes necessidades educacionais. Almeida et al. Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba, Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian. 52 (2025) relacionam o uso das tecnologias às possibilidades de inclusão, enquanto Ischkanian e Ischkanian (2026) destacam a importância da dignidade humana e dos direitos das pessoas com deficiência. Nesse sentido, a inovação tecnológica adquire maior significado quando contribui para reduzir barreiras e ampliar a participação dos estudantes, respeitando suas singularidades e evitando práticas discriminatórias. A responsabilidade ética envolve, ainda, a preservação da diversidade cultural e dos diferentes modos de produção do conhecimento. Os sistemas tecnológicos podem reproduzir informações predominantes e apresentar determinadas perspectivas como se fossem universais. Freitas (2026), ao discutir o letramento cultural e a formação docente para práticas pedagógicas antirracistas, oferece subsídios para compreender a importância de uma educação capaz de reconhecer diferentes experiências culturais. Silva e Bacury (2026), ao tratarem da Etnomatemática indígena e dos saberes tradicionais, ampliam essa compreensão ao valorizar conhecimentos produzidos em diferentes contextos socioculturais. O uso ético da Inteligência Artificial não significa restringir sua presença na educação, mas desenvolver critérios para que sua utilização esteja vinculada à responsabilidade, à autoria, à privacidade, à inclusão, à diversidade e à formação crítica. Oliveira (2026) propõe a perspectiva de uma Inteligência Artificial humanizada, permitindo compreender que os avanços tecnológicos podem estar associados à valorização das subjetividades e à construção do conhecimento. A tecnologia alcança maior relevância pedagógica quando permanece subordinada às finalidades humanas e educacionais, preservando a capacidade dos sujeitos de pensar, criar, questionar e decidir. 2.9. O papel do professor diante da expansão da Inteligência Artificial na educação A expansão da Inteligência Artificial modifica as formas de ensinar, aprender, pesquisar, produzir materiais e avaliar conhecimentos, atribuindo novas responsabilidades ao professor. A presença dessas tecnologias não significa a substituição da função docente, mas a necessidade de ressignificar práticas pedagógicas diante de novos recursos e possibilidades. Teodoro et al. (2024), ao analisarem os desafios e perspectivas relacionados ao uso das tecnologias da informação e comunicação pelos professores, evidenciam a importância da preparação profissional para que os recursos tecnológicos sejam integrados de maneira consciente ao cotidiano escolar. O professor permanece responsável pela definição das intencionalidades pedagógicas, pela seleção dos recursos, pela organização das experiências de aprendizagem e pela mediaçãoprofissionais capazes de compreender suas potencialidades e limitações, selecionar recursos adequados, orientar os estudantes quanto ao uso ético das tecnologias e desenvolver propostas pedagógicas que preservem a centralidade do conhecimento e da formação humana. A tecnologia pode transformar práticas, mas é a intencionalidade educativa que determina o sentido de sua utilização. A expansão da inteligência artificial não ocorre de maneira uniforme entre estudantes, escolas e diferentes contextos sociais. Portanto, discutir sua presença na educação também significa refletir sobre inclusão digital, infraestrutura, formação docente e democratização do acesso às tecnologias. Uma educação mediada por recursos tecnológicos somente poderá contribuir para a equidade quando considerar as diferentes condições de acesso, participação e aprendizagem existentes na sociedade. Esta obra, portanto, convida o leitor a ultrapassar uma visão meramente entusiasta ou pessimista acerca da inteligência artificial. Entre a promessa de uma educação altamente personalizada e o risco de uma aprendizagem excessivamente automatizada, existe um amplo espaço para o diálogo, a investigação e a construção de práticas responsáveis. O desafio contemporâneo consiste em encontrar um equilíbrio no qual a inovação tecnológica esteja articulada aos princípios educacionais, à ética, à autonomia, à inclusão e à valorização do ser humano. Mais do que apresentar respostas definitivas, esta publicação pretende estimular perguntas e reflexões. Como utilizar a inteligência artificial sem comprometer a autonomia intelectual? Como garantir que os estudantes continuem desenvolvendo pensamento crítico em meio à abundância de respostas automatizadas? Quais são os limites éticos de sua utilização? Como preparar professores e instituições para essa nova realidade? Essas questões demonstram que a discussão sobre inteligência artificial na educação está em permanente construção. Assim, esta obra constitui uma contribuição para professores, pesquisadores, estudantes, gestores educacionais e demais leitores interessados nas relações entre educação e tecnologia. Ao reunir reflexões sobre a presença da inteligência artificial no campo educacional, busca ampliar a compreensão acerca das transformações que essas tecnologias podem produzir nos processos de ensino e aprendizagem. Seu propósito é fortalecer uma perspectiva crítica, consciente e humanizada, na qual a inteligência artificial seja compreendida como um instrumento capaz de ampliar possibilidades pedagógicas, favorecer novas formas de acesso ao conhecimento e apoiar diferentes estratégias de aprendizagem. Entretanto, sua utilização deve permanecer vinculada aos objetivos educacionais, à responsabilidade ética e aos valores que sustentam uma formação integral. INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. . 9 Espera-se que esta leitura contribua para o desenvolvimento de novos debates, pesquisas e práticas pedagógicas, estimulando professores e estudantes a refletirem sobre as possibilidades e os limites da inteligência artificial. Mais do que incorporar tecnologias ao cotidiano educacional, torna-se necessário compreender como utilizá-las de maneira responsável, crítica, inclusiva e comprometida com a aprendizagem e a autonomia dos estudantes. Que esta obra possa colaborar para a construção de uma educação capaz de dialogar com as tecnologias emergentes sem perder de vista aquilo que permanece essencial: a capacidade humana de aprender, pensar, criar, questionar, conviver e transformar a realidade. Nesse processo, a inteligência artificial pode oferecer novas possibilidades para a organização do conhecimento, a personalização das experiências de aprendizagem, a produção de recursos educacionais e o desenvolvimento de estratégias pedagógicas mais diversificadas. A presença da inteligência artificial no cotidiano educacional também representa uma oportunidade para repensar práticas, metodologias e formas de interação com o conhecimento. Seu uso responsável pode favorecer ambientes de aprendizagem mais dinâmicos, investigativos e colaborativos, desde que professores e estudantes estejam preparados para compreender tanto seus benefícios quanto seus limites. A inteligência artificial na educação significa, sobretudo, pensar no futuro da própria educação. Significa reconhecer que as tecnologias continuarão avançando e que novas ferramentas serão incorporadas aos espaços educativos, mas também compreender que o progresso tecnológico precisa estar acompanhado de reflexão pedagógica e compromisso humano. Que os leitores desta obra encontrem nestas páginas elementos para questionar, dialogar, pesquisar e construir novas possibilidades, contribuindo para uma educação em que a inteligência artificial não seja um fim em si mesma, mas um recurso colocado a serviço da aprendizagem, da autonomia, da inclusão e da formação de sujeitos capazes de compreender e transformar o mundo em que vivem. Os Autores Ivoney da Silva Oliveira Simone Helen Drumond Ischkanian Gladys Nogueira Cabral Silvana Nascimento de Carvalho António Manuel Domingos Caba Gabriel Nascimento de Carvalho Sygride Nascimento de Carvalho Sandro Garabed Ischkanian Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba, Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian. 10 APRESENTAÇÃO A inteligência artificial vem transformando diferentes dimensões da sociedade contemporânea e, de maneira cada vez mais evidente, os espaços destinados à educação. Sua presença nas práticas pedagógicas, nos processos de pesquisa e nas experiências de aprendizagem tem provocado mudanças na forma como estudantes e professores acessam, produzem, organizam e compartilham conhecimentos. Compreender a inteligência artificial para além de sua dimensão tecnológica tornou-se uma necessidade educacional, especialmente diante das oportunidades e dos desafios que sua utilização apresenta para a formação dos estudantes. A obra Inteligência artificial na educação: possibilidades, limites e impactos na aprendizagem e autonomia dos estudantes surge nesse contexto de profundas transformações, propondo uma reflexão sobre as relações entre tecnologia, educação e desenvolvimento humano. A discussão não se limita às potencialidades das ferramentas de inteligência artificial, mas considera também os cuidados necessários para que sua utilização não comprometa a construção do pensamento crítico, a autoria, a criatividade e a autonomia intelectual dos estudantes. A incorporação da inteligência artificial aos processos educacionais pode oferecer importantes possibilidades. Ferramentas baseadas nessa tecnologia podem apoiar a elaboração de atividades, ampliar o acesso a diferentes fontes de informação, auxiliar na organização de conteúdos, favorecer experiências de aprendizagem mais diversificadas e contribuir para que professores desenvolvam estratégias pedagógicas ajustadas a diferentes necessidades. Quando utilizada com intencionalidade pedagógica, a tecnologia pode tornar-se uma aliada na construção de ambientes educativos mais dinâmicos, investigativos e interativos. Entretanto, reconhecer essas possibilidades não significa ignorar seus limites. A utilização indiscriminada de ferramentas de inteligência artificial pode favorecer a dependência de respostas prontas, reduzir o envolvimento do estudante com processos de investigação e comprometer o desenvolvimento de habilidades fundamentais, como argumentação, interpretação, criatividade e resolução de problemas. Por essa razão, a presença da inteligência artificial na educação precisa ser acompanhada de orientação, critériosdas relações estabelecidas com o conhecimento. A Inteligência Artificial pode produzir respostas, sugestões e materiais, porém não substitui a capacidade docente de conhecer o contexto da turma, reconhecer necessidades específicas, estabelecer relações humanas e tomar INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. . 53 decisões pedagógicas fundamentadas. Almeida (2026) relaciona a formação docente à construção de uma educação crítica e emancipadora, perspectiva especialmente relevante diante da expansão de tecnologias capazes de participar de diferentes etapas do processo educativo. A mediação docente torna-se particularmente importante para orientar os estudantes quanto ao uso crítico da Inteligência Artificial. Em vez de simplesmente proibir ou permitir indiscriminadamente essas ferramentas, o professor pode transformar sua utilização em objeto de aprendizagem. Uma atividade pode envolver a produção de uma resposta por IA, seguida da análise de sua qualidade, identificação de possíveis inconsistências, comparação com fontes acadêmicas e elaboração de uma versão construída pelo próprio estudante. Nesse processo, a tecnologia deixa de ser apenas instrumento de obtenção de respostas e passa a constituir recurso para investigação, argumentação e desenvolvimento do pensamento crítico. A atuação docente também se relaciona à construção da autonomia estudantil. A autonomia não significa deixar o estudante sozinho diante da tecnologia, mas criar condições para que ele aprenda a pesquisar, selecionar informações, formular perguntas, avaliar respostas e tomar decisões fundamentadas. Góes et al. (2025), ao discutirem a aprendizagem baseada em projetos mediada por tecnologia e acessibilidade, contribuem para compreender o potencial de práticas nas quais os estudantes participam ativamente da construção de soluções e conhecimentos. A Inteligência Artificial pode integrar essas experiências quando utilizada como recurso de investigação e criação orientada. A formação continuada dos professores assume, nesse cenário, papel estratégico. O domínio pedagógico da Inteligência Artificial envolve mais do que conhecer comandos ou ferramentas específicas. É necessário compreender suas possibilidades educacionais, reconhecer situações em que seu uso é pertinente, estabelecer critérios de avaliação das respostas produzidas e orientar os estudantes quanto à autoria e à responsabilidade acadêmica. Ischkanian (2026), ao abordar capacitação, avaliação de desempenho e planejamento de lideranças na formação de adultos, oferece elementos para refletir sobre a necessidade de processos formativos voltados ao desenvolvimento de competências profissionais diante das transformações tecnológicas. A formação docente também precisa contemplar diferentes áreas do conhecimento. No ensino de Matemática, por exemplo, Sousa (2026) discute métodos de ensino que podem ser relacionados a estratégias tecnológicas, enquanto Azevedo (2026) aborda a integração do pensamento computacional ao currículo da educação básica. No campo da linguagem, Vieira (2026) discute estratégias de letramento literário, mostrando a importância de práticas que preservem leitura, interpretação e construção de sentidos. A Inteligência Artificial pode apoiar essas experiências, desde que o professor mantenha a intencionalidade curricular e a centralidade do processo de aprendizagem. Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba, Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian. 54 Os recursos de IA podem favorecer adaptações, diferentes formas de apresentação de conteúdos e estratégias de participação, contribuindo para que estudantes com diferentes necessidades tenham maiores possibilidades de acesso ao conhecimento. Almeida et al. (2025) relacionam tecnologia e inclusão educacional, enquanto Ischkanian e Ischkanian (2026) reforçam a importância da dignidade e dos direitos das pessoas com deficiência. Cabe ao professor avaliar quais recursos realmente contribuem para eliminar barreiras e ampliar a participação, evitando uma utilização meramente tecnológica que não produza acessibilidade pedagógica. O professor também exerce importante função na preservação da dimensão humana da educação. Oliveira (2026), ao discutir a Inteligência Artificial humanizada e a educação inclusiva, aproxima tecnologia, subjetividade e construção do conhecimento. Essa perspectiva reforça que ensinar envolve relações, escuta, acompanhamento, sensibilidade, diálogo e compreensão das experiências dos estudantes, dimensões que permanecem fundamentais mesmo diante da crescente automação de determinadas tarefas. A avaliação constitui outra dimensão que requer reorganização das práticas docentes. Com a possibilidade de sistemas de IA produzirem textos, respostas e atividades, torna-se cada vez mais importante avaliar processos de aprendizagem, argumentação, interpretação, resolução de problemas, participação e capacidade de criação. Sousa et al. (2025) discutem as potencialidades e os desafios da IA na avaliação educacional, indicando a necessidade de práticas avaliativas coerentes com as transformações provocadas pelas tecnologias. Nesse contexto, o professor pode utilizar instrumentos diversificados, incluindo projetos, apresentações, registros de aprendizagem, atividades práticas, debates e processos de revisão. A expansão da Inteligência Artificial, portanto, fortalece a necessidade de um professor pesquisador, mediador e formador de sujeitos críticos. A tecnologia pode ampliar recursos e possibilidades didáticas, mas a qualidade de sua utilização depende das decisões pedagógicas que orientam sua inserção no cotidiano educacional. Teodoro et al. (2024) reforçam a relevância da preparação docente para o uso das tecnologias, enquanto Almeida (2026) aproxima formação profissional, criticidade e emancipação. O papel do professor diante da Inteligência Artificial não perde relevância, mas ganha novas dimensões. Cabe-lhe organizar experiências de aprendizagem, orientar pesquisas, estimular a autoria, promover o pensamento crítico, garantir a inclusão, discutir princípios éticos e ajudar os estudantes a compreender que utilizar tecnologia não significa abdicar da responsabilidade intelectual. A expansão da IA pode, portanto, contribuir para uma educação mais criativa, participativa e personalizada quando integrada a práticas pedagógicas humanizadas, nas quais o professor permanece como mediador fundamental da construção do conhecimento. INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. . 55 2.10. Inteligência Artificial e o futuro da aprendizagem: perspectivas para uma educação humanizada e autônoma Pensar o futuro da aprendizagem diante da expansão da Inteligência Artificial implica compreender que as transformações tecnológicas não dizem respeito apenas à incorporação de novas ferramentas ao ambiente educacional, mas à maneira como estudantes e professores produzem, acessam, interpretam e compartilham conhecimentos. De Abreu Pestana dos Santos (2023) identifica potencialidades importantes da Inteligência Artificial na educação, enquanto Vieira et al. (2025) destacam que seus impactos precisam ser analisados considerando simultaneamente possibilidades, limites e condições de utilização. O futuro da aprendizagem, portanto, tende a ser marcado por uma relação mais integrada entre recursos digitais, práticas pedagógicas e desenvolvimento das capacidades humanas. A presença crescente da tecnologia também modifica a compreensão sobre o próprio processo de aprendizagem. Costa e Araújo (2025) discutem os impactos das tecnologiasno ensino e na aprendizagem, evidenciando que sua inserção pode produzir novas possibilidades para as práticas educacionais. Nesse cenário, a Inteligência Artificial pode auxiliar na organização de informações, elaboração de materiais, exploração de conteúdos e criação de diferentes estratégias de estudo. A aprendizagem, entretanto, permanece vinculada à participação intelectual do estudante, à mediação pedagógica e à construção de significados. A perspectiva de uma educação futura mais humanizada encontra respaldo na concepção de Inteligência Artificial humanizada apresentada por Oliveira (2026), que aproxima tecnologia, subjetividades e construção do conhecimento. Essa compreensão desloca o debate de uma visão centrada exclusivamente na eficiência tecnológica para uma perspectiva que considera as necessidades, experiências, emoções, singularidades e potencialidades dos sujeitos. A educação humanizada não rejeita a inovação, mas estabelece que o desenvolvimento tecnológico deve estar a serviço da formação humana. A autonomia dos estudantes assume posição fundamental. Almeida (2026), ao relacionar prática pedagógica, formação docente, criticidade e emancipação, contribui para compreender que uma educação comprometida com a autonomia precisa favorecer sujeitos capazes de pensar, questionar, argumentar e tomar decisões. A Inteligência Artificial pode apoiar esse percurso ao oferecer possibilidades de pesquisa, exploração de ideias e experimentação, desde que o estudante não seja reduzido a um consumidor passivo das respostas produzidas pelas ferramentas. As ideias apresentadas pelos autores são particularmente importantes para esta pesquisa porque convergem para uma compreensão da Inteligência Artificial como recurso pedagógico de apoio à aprendizagem, e não como substituta do professor ou da capacidade intelectual dos estudantes. Góes et al. (2025) contribuem para essa discussão ao evidenciar a relevância de Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba, Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian. 56 práticas ativas, mediadas por tecnologia e acessibilidade, nas quais o estudante participa da investigação e da construção de soluções. Essa perspectiva dialoga diretamente com Caba (2026), que enfatiza a necessidade de formar estudantes capazes de questionar resultados, reconhecer limites, avaliar informações e tomar decisões conscientes. Para a presente pesquisa, essa contribuição é fundamental porque permite compreender que o potencial da IA não está somente na rapidez com que produz informações, mas na possibilidade de favorecer investigação, reflexão, participação e aprendizagem permanente. As contribuições de Carvalho (2026), Cabral (2026) e Oliveira (2026) ampliam essa compreensão ao relacionarem a IA à criatividade, à diversificação das estratégias de aprendizagem, à pesquisa e à personalização das experiências educativas. Essas ideias sustentam a análise das possibilidades da IA para tornar as práticas pedagógicas mais flexíveis e significativas, desde que exista planejamento e orientação pedagógica. Ischkanian (2026), por sua vez, reforça uma dimensão central desta pesquisa ao relacionar a utilização da IA à inclusão, à autonomia, à criatividade e à superação de barreiras, preservando a dimensão humana do processo educativo. Essa perspectiva é complementada por Sandro Garabed Ischkanian (2026), ao destacar que nenhuma tecnologia substitui a capacidade humana de interpretar contextos, estabelecer relações e atribuir significado ao conhecimento, e por Silvana Nascimento de Carvalho (2026), que ressalta a importância das relações humanas no processo de ensinar e aprender. Sygride Nascimento de Carvalho (2026) acrescenta que a IA deve favorecer a autonomia, evitando a dependência dos recursos automatizados. Em conjunto, essas contribuições fundamentam a pesquisa ao estabelecerem uma relação equilibrada entre inovação tecnológica, mediação docente, protagonismo estudantil, pensamento crítico, inclusão e autonomia, elementos essenciais para analisar as possibilidades, os limites e os impactos da Inteligência Artificial na educação. Ainda nesse sentido, os autores (2026) destacam, em suas reflexões, diferentes possibilidades e desafios relacionados à inserção da IA no contexto educacional, enfatizando a necessidade de uma utilização crítica, ética, planejada e pedagogicamente orientada: “A Inteligência Artificial apresenta novas perspectivas para a formação educacional e para o desenvolvimento de práticas pedagógicas alinhadas às transformações do mundo contemporâneo. Sua utilização pode favorecer o acesso a informações, apoiar processos de investigação, ampliar recursos destinados ao ensino e contribuir para experiências de aprendizagem mais flexíveis. Entretanto, para que essas possibilidades sejam efetivamente transformadoras, é necessário investir na formação de professores e estudantes para o uso crítico e responsável das tecnologias. A educação precisa preparar sujeitos capazes não apenas de utilizar ferramentas de Inteligência Artificial, mas também de questionar seus resultados, reconhecer seus limites, avaliar informações e tomar decisões conscientes, fortalecendo uma cultura de aprendizagem permanente e de participação ativa na sociedade.” (António Manuel Domingos Caba, 2026, grifo nosso). INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. . 57 “As tecnologias digitais e a Inteligência Artificial estão modificando significativamente as experiências de aprendizagem e as formas pelas quais os estudantes estabelecem contato com informações e conhecimentos. Nesse cenário, surgem oportunidades para ampliar a participação, estimular a criatividade e desenvolver novas estratégias de aprendizagem, especialmente quando os estudantes são incentivados a utilizar os recursos tecnológicos de maneira investigativa e consciente. O desafio consiste em transformar o acesso às tecnologias em oportunidades reais de construção do conhecimento, evitando uma utilização passiva ou dependente dos recursos digitais. A educação contemporânea deve, portanto, promover o equilíbrio entre inovação tecnológica, participação humana, pensamento crítico e autonomia intelectual.” (Gabriel Nascimento de Carvalho, grifo nosso). “A utilização da Inteligência Artificial na educação abre possibilidades para repensar práticas pedagógicas, metodologias de ensino e formas de interação com o conhecimento. Sua contribuição pode ser especialmente relevante quando os recursos tecnológicos são utilizados de maneira consciente, permitindo que professores e estudantes explorem diferentes fontes, linguagens e estratégias de aprendizagem. Contudo, a presença da IA exige uma postura educativa que ultrapasse o domínio técnico das ferramentas, envolvendo também ética, responsabilidade, capacidade de análise e compreensão dos impactos sociais decorrentes de seu uso. Assim, a inovação educacional somente alcança significado quando está associada à construção de conhecimentos, à participação dos estudantes e ao compromisso com uma educação capaz de responder positivamente às transformações da sociedade.” (Gladys Nogueira Cabral, 2026, grifo nosso). “A inserção da Inteligência Artificial no campo educacional representa uma transformação significativa nas formas de produzir, acessar e compartilhar conhecimentos. Quando utilizada de maneira planejada e pedagogicamente orientada, a IA pode ampliar as possibilidades de aprendizagem, oferecer novos caminhos para a pesquisa, favorecer a personalização das experiências educativas e apoiar professores e estudantes diante das demandas de uma sociedade cada vez mais tecnológica.Entretanto, sua presença na educação precisa estar acompanhada de responsabilidade, reflexão crítica e compromisso com a formação integral do estudante, para que a inovação tecnológica não seja compreendida apenas como avanço instrumental, mas como oportunidade de promover uma educação mais significativa, participativa e conectada às necessidades humanas e sociais.” (Ivoney da Silva Oliveira, 2026, grifo nosso). “A Inteligência Artificial na educação deve ser compreendida como parte de um processo mais amplo de transformação social e cultural, no qual as tecnologias passam a influenciar diferentes formas de comunicação, trabalho, produção de conhecimento e aprendizagem. Sua utilização no ambiente educacional apresenta potencial para apoiar professores, ampliar recursos pedagógicos e criar novas possibilidades de interação com o conhecimento. Entretanto, os benefícios da IA dependem da forma como ela é incorporada às práticas educativas. É necessário estabelecer uma relação equilibrada entre inovação e responsabilidade, reconhecendo que nenhuma tecnologia, por mais avançada que seja, substitui a capacidade humana de estabelecer relações, interpretar contextos, formular valores, desenvolver pensamento crítico e atribuir significado ao conhecimento.” (Sandro Garabed Ischkanian, 2026, grifo nosso). “A presença crescente da Inteligência Artificial nos espaços educacionais demonstra que as escolas e os profissionais da educação estão diante de novas possibilidades e, simultaneamente, de novos desafios. A utilização desses recursos pode contribuir para diversificar estratégias de ensino, apoiar o planejamento pedagógico, estimular a criatividade e ampliar as oportunidades de aprendizagem. Entretanto, é necessário que sua incorporação ocorra de forma responsável, considerando as características dos estudantes, os objetivos educacionais e os princípios éticos que orientam a formação humana. A tecnologia deve ser compreendida como recurso de apoio à educação e não como substituta das relações humanas que constituem o processo de ensinar e aprender.” (Silvana Nascimento de Carvalho, 2026, grifo nosso). Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba, Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian. 58 “A Inteligência Artificial pode constituir uma importante aliada da educação contemporânea quando sua utilização está vinculada à mediação pedagógica, à inclusão, à criatividade, ao pensamento crítico e à autonomia dos estudantes. A tecnologia, entretanto, não substitui a sensibilidade, a intencionalidade e a capacidade de mediação do professor, tampouco deve retirar do estudante a oportunidade de pensar, questionar, criar, experimentar e construir seus próprios conhecimentos. Nesse sentido, incorporar a IA à educação significa desenvolver novas possibilidades de ensinar e aprender, preservando a dimensão humana do processo educativo e garantindo que os recursos tecnológicos sejam utilizados para ampliar oportunidades, superar barreiras, respeitar diferentes formas de aprendizagem e favorecer o protagonismo dos estudantes.” (Simone Helen Drumond Ischkanian, 2026, grifo nosso). “A Inteligência Artificial pode contribuir para uma educação mais dinâmica e diversificada ao oferecer recursos capazes de apoiar diferentes experiências de aprendizagem. Sua utilização responsável pode favorecer a exploração de conteúdos, a elaboração de estratégias pedagógicas e o desenvolvimento de atividades que estimulem a participação dos estudantes. Todavia, a inovação tecnológica precisa estar associada ao desenvolvimento da autonomia e não à dependência dos recursos automatizados. É fundamental que o estudante continue ocupando posição ativa diante do conhecimento, utilizando a Inteligência Artificial como instrumento para pesquisar, comparar, questionar, produzir e refletir. Dessa maneira, a tecnologia pode deixar de ser apenas uma ferramenta e tornar-se um recurso educativo capaz de apoiar processos de aprendizagem mais significativos e socialmente relevantes.” (Sygride Nascimento de Carvalho, 2026, grifo nosso). A análise das citações autorais (2026, grifo nosso), reunidas neste contexto evidenciam que a gamificação também pode integrar o cenário de transformação das práticas educacionais, especialmente quando articulada às possibilidades oferecidas pelas tecnologias digitais da IA. Bezerra et al. (2024) em consonância com Oliveira, Ischkanian, Cabral, Carvalho, Caba, Carvalho, Carvalho e Ischkanian (2026), relacionam práticas mediadas por tecnologia ao engajamento e à motivação no ambiente educacional, indicando que estratégias interativas podem favorecer maior participação dos estudantes no processo de aprendizagem. Nessa perspectiva, a integração entre recursos de Inteligência Artificial e estratégias lúdicas pode proporcionar experiências mais dinâmicas, nas quais os estudantes são estimulados a enfrentar desafios, resolver problemas, acompanhar seu próprio desenvolvimento e participar ativamente da construção do conhecimento. A tecnologia, nesse contexto, assume função pedagógica quando utilizada de maneira intencional, contribuindo para diversificar as experiências de aprendizagem sem reduzir o processo educativo à simples utilização de recursos digitais. A criatividade representa outra dimensão importante do futuro educacional. Silva et al. (2026), ao abordarem as brincadeiras digitais e as tecnologias criativas, mostram possibilidades de integração entre ludicidade, produção e recursos tecnológicos. As tecnologias generativas podem ampliar essas experiências ao possibilitar a criação de textos, imagens, propostas didáticas e diferentes formas de expressão. O valor pedagógico dessa produção, contudo, está na capacidade do estudante de escolher, transformar, combinar e atribuir significado ao que é produzido. INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. . 59 A aprendizagem também precisa considerar as diferentes formas de comunicação e expressão. Cabral (2026), ao apresentar a técnica de Total Physical Response no ensino da língua inglesa para crianças, demonstra a importância de estratégias metodológicas diversificadas para favorecer a aprendizagem. A expansão da Inteligência Artificial pode ampliar esse repertório ao permitir a elaboração de atividades que articulem linguagem, imagem, áudio, movimento e interação. O futuro da educação tende a valorizar cada vez mais experiências multimodais, nas quais diferentes caminhos podem conduzir à construção do conhecimento. No campo da linguagem, a Inteligência Artificial também pode contribuir para práticas de leitura, interpretação e produção textual. Vieira (2026), ao discutir o eixo leitura e estratégias de letramento literário nos anos iniciais, evidencia a importância de práticas que favoreçam a construção de sentidos. A IA pode ser utilizada para apresentar diferentes possibilidades de interpretação, comparar versões de textos, formular perguntas e estimular debates, mas a leitura crítica continua dependendo da capacidade humana de interpretar contextos, reconhecer sentidos e construir posicionamentos próprios. Essa perspectiva também se aplica à literatura e à formação cultural. Santos (2026), ao abordar os debates contemporâneos relacionados à obra de Monteiro Lobato, demonstra que o trabalho pedagógico com textos literários pode envolver análise, contextualização e reflexão crítica. Com a Inteligência Artificial, os estudantes podem comparar interpretações, investigar diferentes perspectivas e questionar representações presentes nas obras. O recurso tecnológico, portanto, pode ampliar a investigação literária quando utilizado como ponto departida para reflexão e não como resposta definitiva. A dimensão cultural será igualmente determinante para o futuro da aprendizagem. Freitas (2026) relaciona letramento cultural, formação docente e práticas pedagógicas antirracistas, indicando a importância de reconhecer diferentes experiências e conhecimentos na educação. Silva e Bacury (2026), ao discutirem a Etnomatemática indígena e os saberes tradicionais, ampliam essa compreensão ao evidenciar a relevância dos conhecimentos produzidos por diferentes povos e comunidades. Uma educação mediada por Inteligência Artificial precisa preservar essa pluralidade, evitando que sistemas tecnológicos reproduzam somente perspectivas culturais predominantes. A preservação da diversidade de saberes também pode ser relacionada às discussões de Oliveira (2026), que aproxima tecnologia, subjetividade e construção do conhecimento, e de Oliveira (2026) em sua análise sobre políticas editoriais e censura cultural, ao evidenciar processos históricos de silenciamento de línguas, histórias e saberes dos povos indígenas. O futuro da aprendizagem precisa utilizar a tecnologia para ampliar vozes, registros e possibilidades de conhecimento, reconhecendo que a produção intelectual humana é plural e construída em diferentes contextos históricos e culturais. Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba, Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian. 60 No ensino da Matemática, Sousa (2026) contribui para pensar a diversidade de métodos e estratégias pedagógicas, enquanto Silva e Bacury (2026) demonstram que o conhecimento matemático também pode ser compreendido a partir de referências culturais e saberes tradicionais. A Inteligência Artificial pode oferecer apoio à resolução de problemas, criação de situações didáticas e exploração de diferentes estratégias, mas o desenvolvimento matemático exige compreensão dos procedimentos, raciocínio e capacidade de justificar as respostas encontradas. O futuro da aprendizagem matemática tende a valorizar menos a repetição mecânica e mais a capacidade de interpretar, solucionar, explicar e criar. A integração da Inteligência Artificial ao currículo também exige planejamento pedagógico. Azevedo (2026), ao discutir currículo, práticas pedagógicas e BNCC Computação, evidencia a importância de inserir o pensamento computacional de maneira articulada às experiências educacionais. Isso significa que o futuro da aprendizagem não depende apenas de ensinar os estudantes a utilizar ferramentas de IA, mas de desenvolver competências que lhes permitam compreender processos, solucionar problemas, identificar padrões, avaliar informações e utilizar tecnologias com intencionalidade. A inclusão educacional constitui outra dimensão indispensável. Almeida et al. (2025) discutem as possibilidades e os desafios das tecnologias no processo de inclusão, enquanto Góes et al. (2025) aproximam tecnologia, acessibilidade e práticas inclusivas. Nesse horizonte, a Inteligência Artificial pode colaborar para diversificar materiais, adaptar atividades e ampliar formas de participação. A inclusão, contudo, precisa permanecer vinculada à garantia de direitos e ao reconhecimento das singularidades dos estudantes, perspectiva reforçada por Ischkanian e Ischkanian (2026) ao relacionarem dignidade humana e direitos das pessoas com deficiência. A formação dos profissionais da educação será decisiva para que essas possibilidades sejam concretizadas. Teodoro et al. (2024) evidenciam a importância da preparação dos professores diante da utilização das tecnologias em sala de aula, enquanto Ischkanian (2026) relaciona capacitação, avaliação e desenvolvimento de competências profissionais. O futuro da educação exigirá professores capazes de compreender os recursos de Inteligência Artificial, selecionar aqueles que apresentam pertinência pedagógica, orientar os estudantes e avaliar criticamente os resultados produzidos pelas ferramentas. A responsabilidade docente também estará diretamente relacionada à avaliação da aprendizagem. Sousa et al. (2025) discutem as potencialidades e limitações da Inteligência Artificial na avaliação educacional, indicando a necessidade de repensar práticas avaliativas diante das novas possibilidades tecnológicas. Em um cenário no qual sistemas podem produzir respostas, textos e atividades, será cada vez mais importante valorizar processos, argumentação, autoria, criatividade, resolução de problemas, participação e capacidade de revisão. A avaliação INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. . 61 poderá tornar-se mais diversificada e centrada naquilo que o estudante efetivamente compreende e consegue construir. A ética continuará sendo um fundamento indispensável. O futuro da aprendizagem não pode ser orientado exclusivamente pela velocidade de produção de conteúdos ou pela automação de tarefas. Questões relacionadas à privacidade, autoria, responsabilidade, segurança das informações, transparência e uso consciente precisam integrar a formação dos estudantes e dos professores. Vieira et al. (2025) e Sousa et al. (2025) contribuem para esse debate ao evidenciarem que o potencial da Inteligência Artificial precisa ser acompanhado por análise criteriosa de suas formas de utilização. A autoria humana tende, inclusive, a adquirir maior importância em um cenário de crescente produção automatizada. Silva et al. (2026) permitem aproximar tecnologias criativas, ludicidade e produção, enquanto Almeida (2026) contribui para compreender a importância de práticas educativas voltadas à criticidade e à emancipação. Quando o estudante utiliza a Inteligência Artificial para gerar uma ideia inicial, revisar uma produção ou explorar possibilidades, a aprendizagem pode ocorrer no processo de seleção, transformação, argumentação e criação. O protagonismo permanece humano, mesmo quando a tecnologia participa do percurso. A Inteligência Artificial pode favorecer uma concepção de aprendizagem mais personalizada, inclusiva e participativa. Almeida et al. (2025) mostram possibilidades de utilização tecnológica associadas à inclusão, Bezerra et al. (2024) destacam engajamento e motivação, e Góes et al. (2025) ressaltam experiências ativas mediadas por tecnologia. Essas contribuições convergem para uma educação na qual diferentes estudantes possam encontrar caminhos diversificados para acessar, compreender e produzir conhecimentos. O futuro da aprendizagem também dependerá da capacidade de preservar o equilíbrio entre inovação e humanização. Oliveira (2026) oferece uma referência importante ao propor uma Inteligência Artificial humanizada, enquanto Almeida (2026) enfatiza uma prática pedagógica associada à formação crítica e emancipadora. A tecnologia pode ampliar as possibilidades de ensinar e aprender, mas não substitui o diálogo, a escuta, a criatividade, a sensibilidade, a experiência e a capacidade humana de atribuir significado ao conhecimento. O professor continuará ocupando posição estratégica. Sua função poderá ser ainda mais centrada na mediação, orientação, problematização e acompanhamento das aprendizagens. A Inteligência Artificial poderá assumir determinadas tarefas operacionais, permitindo ao docente dedicar maior atenção à interação pedagógica, à personalização das experiências e ao desenvolvimento das competências intelectuais e socioeducacionais dos estudantes. Teodoro et al. (2024) e Ischkanian (2026) reforçam a importância da formação profissional para acompanhar transformações dessa natureza. Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel DomingosCaba, Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian. 62 A perspectiva de futuro apresentada neste estudo, portanto, não compreende a Inteligência Artificial como substituta da escola, do professor ou do estudante. Trata-se de reconhecê-la como recurso tecnológico capaz de ampliar possibilidades de pesquisa, criação, interação, acessibilidade, personalização e produção de conhecimentos. A contribuição de diferentes autores analisados ao longo deste estudo converge para a compreensão de que a inovação alcança maior significado quando articulada à inclusão, à diversidade cultural, à criatividade, à criticidade, à ética e à autonomia. A educação do futuro poderá ser mais tecnológica sem deixar de ser humana, mais personalizada sem perder o caráter coletivo, mais automatizada em determinadas tarefas sem retirar do estudante a responsabilidade pela própria aprendizagem. A Inteligência Artificial poderá ampliar caminhos para aprender, mas a construção de sentidos, valores, escolhas e conhecimentos continuará dependendo da ação humana. Uma educação humanizada e autônoma será aquela capaz de utilizar as possibilidades da tecnologia para fortalecer sujeitos críticos, criativos, participativos e conscientes de seu papel na construção do conhecimento e da sociedade. 3. REFERENCIAL TEÓRICO O avanço das tecnologias digitais tem provocado mudanças nas práticas educacionais e nas formas de acesso, produção e compartilhamento do conhecimento. A Inteligência Artificial (IA) passou a ocupar espaço significativo nas discussões sobre educação, principalmente em razão da expansão de ferramentas capazes de auxiliar na produção textual, pesquisa, organização de informações, resolução de problemas, elaboração de atividades e acompanhamento da aprendizagem. A inserção desses recursos modifica as relações entre professores, estudantes e conhecimento, exigindo uma análise que ultrapasse a dimensão instrumental da tecnologia. A utilização da Inteligência Artificial no campo educacional envolve possibilidades relacionadas à personalização da aprendizagem, ampliação do acesso à informação, diversificação das estratégias pedagógicas e apoio às atividades docentes e discentes. Ao mesmo tempo, apresenta limites relacionados à confiabilidade das informações, autoria, dependência tecnológica, privacidade, ética, avaliação e preservação da autonomia intelectual. De Abreu Pestana dos Santos (2023) destaca que a Inteligência Artificial apresenta potencialidades relevantes para a educação, mas sua utilização também envolve desafios que precisam ser considerados na organização do processo educativo. O referencial teórico desta pesquisa está organizado em cinco dimensões articuladas. Inicialmente, aborda-se a fundamentação conceitual da Inteligência Artificial no campo educacional. Em seguida, discutem-se abordagens pedagógicas e modelos de utilização das tecnologias relacionados à aprendizagem. Posteriormente, são analisadas as contribuições da IA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. . 63 para a aprendizagem e para a autonomia dos estudantes. Na sequência, são apresentados os limites, desafios e implicações éticas de sua utilização. Por fim, discute-se o papel do professor, da formação docente e da inclusão educacional diante da expansão dessas tecnologias. 3.1. Fundamentação conceitual do objeto de estudo A Inteligência Artificial pode ser compreendida como um conjunto de tecnologias e sistemas computacionais desenvolvidos para realizar tarefas que envolvem capacidades associadas à inteligência humana, como processamento de informações, reconhecimento de padrões, produção de respostas, classificação de dados e resolução de determinados problemas. No campo educacional, sua presença assume características particulares porque passa a interagir diretamente com processos de ensino, aprendizagem, avaliação e produção do conhecimento. A inserção da IA na educação representa uma transformação que não se limita à substituição de ferramentas tradicionais por recursos digitais. Trata-se de uma mudança nas possibilidades de interação com o conhecimento e nas formas de organização das atividades educacionais. Vieira et al. (2025) analisam a Inteligência Artificial na educação a partir de seus impactos, limites e potencialidades, evidenciando a necessidade de compreender o fenômeno considerando as diferentes funções que essas tecnologias podem assumir no ambiente educacional. A utilização da IA pode ocorrer em diferentes etapas do processo educativo. O estudante pode recorrer a ferramentas inteligentes para pesquisar conceitos, obter explicações, organizar informações, revisar conteúdos, elaborar perguntas e explorar diferentes perspectivas sobre determinado assunto. O professor, por sua vez, pode utilizar recursos tecnológicos para planejar atividades, produzir materiais, diversificar estratégias de ensino e oferecer formas complementares de acompanhamento da aprendizagem. A presença da tecnologia não determina automaticamente a qualidade do processo educativo. A aprendizagem continua dependendo da participação ativa do estudante, da mediação pedagógica e da capacidade de estabelecer relações significativas com os conhecimentos estudados. A tecnologia constitui um recurso, enquanto a finalidade permanece vinculada à formação humana, intelectual e social do estudante. A perspectiva de uma Inteligência Artificial humanizada amplia essa compreensão ao considerar que o desenvolvimento tecnológico deve estar articulado às necessidades humanas e educacionais. Oliveira (2026) discute a relação entre inteligência artificial, educação inclusiva, subjetividades e construção do conhecimento, contribuindo para uma perspectiva na qual a tecnologia não ocupa o lugar central da experiência educativa, mas funciona como instrumento de apoio à formação. Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba, Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian. 64 A concepção de tecnologia educacional, portanto, precisa estar associada a objetivos pedagógicos. O recurso tecnológico somente adquire significado educacional quando é utilizado de maneira planejada e coerente com aquilo que se pretende desenvolver. Uma ferramenta de IA pode fornecer uma resposta rapidamente, mas cabe ao processo educativo promover a compreensão, a análise, a argumentação e a capacidade de questionamento do estudante. Essa perspectiva também permite compreender que a Inteligência Artificial não deve ser apresentada como solução universal para os desafios da educação. Seu potencial depende das condições de utilização, da preparação dos profissionais, da infraestrutura disponível, da acessibilidade e das características dos estudantes. Almeida et al. (2025) ressaltam que as tecnologias podem contribuir para o processo de inclusão educacional, mas também apresentam desafios que precisam ser enfrentados para que sua utilização efetivamente favoreça a participação e a aprendizagem. 3.2. Abordagens teóricas e modelos analíticos relacionados ao tema A discussão sobre Inteligência Artificial na educação está relacionada às transformações das práticas pedagógicas e à necessidade de compreender o estudante como participante ativo do processo de aprendizagem. As tecnologias digitais podem favorecer metodologias que estimulam investigação, colaboração, resolução de problemas, criatividade e participação. Nesse cenário, a utilização da IA pode ser articulada a práticas pedagógicas que valorizem o protagonismo discente. A aprendizagem baseada em projetos constitui uma possibilidade de integração entre tecnologia, participaçãoe construção do conhecimento. Góes et al. (2025) discutem essa abordagem como estratégia ativa capaz de promover práticas inclusivas mediadas por tecnologia e acessibilidade. A perspectiva apresentada permite compreender que o recurso tecnológico possui maior significado pedagógico quando inserido em situações nas quais o estudante precisa investigar, elaborar hipóteses, tomar decisões e produzir conhecimentos. A gamificação também demonstra como os recursos tecnológicos podem ser articulados a estratégias destinadas a ampliar o envolvimento dos estudantes. Bezerra et al. (2024) discutem a relação entre gamificação, tecnologia, engajamento e motivação no ambiente educacional. Essa abordagem demonstra que o uso da tecnologia pode modificar a dinâmica das atividades pedagógicas e criar experiências capazes de estimular a participação dos estudantes. A utilização de tecnologias, entretanto, precisa estar acompanhada de intencionalidade pedagógica. Costa e Araújo (2025) discutem os impactos das tecnologias no ensino e na aprendizagem e destacam a existência de desafios e possibilidades associados à incorporação desses recursos ao contexto educacional. A tecnologia, quando utilizada sem planejamento, pode INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. . 65 não produzir os resultados esperados e pode até ampliar dificuldades já existentes no processo de ensino. A discussão sobre o pensamento computacional também contribui para compreender as transformações curriculares provocadas pela expansão das tecnologias. Azevedo (2026) aborda a relação entre currículo, práticas pedagógicas e BNCC Computação, destacando desafios e possibilidades relacionados à integração do pensamento computacional na educação básica. Essa discussão demonstra que a educação contemporânea necessita preparar os estudantes não apenas para utilizar tecnologias, mas também para compreender processos, solucionar problemas e desenvolver formas estruturadas de pensamento. A Inteligencia Artificial pode ser inserida em modelos pedagógicos centrados na investigação e na resolução de problemas. Seu uso pode contribuir para levantar possibilidades, comparar informações, produzir hipóteses e apoiar processos de pesquisa. Contudo, a ferramenta não deve substituir a atividade intelectual do estudante. A abordagem pedagógica precisa estimular o estudante a analisar criticamente as respostas produzidas e a construir suas próprias conclusões. A perspectiva crítica da formação também é relevante para essa discussão. Almeida (2026) relaciona prática pedagógica e formação docente a uma educação crítica e emancipadora. Essa concepção permite compreender que a incorporação de tecnologias precisa contribuir para o desenvolvimento da capacidade de pensar e agir dos sujeitos, e não apenas para tornar determinadas tarefas mais rápidas. A educação mediada por IA, portanto, precisa articular inovação tecnológica e intencionalidade pedagógica. O valor educacional de uma ferramenta não está somente em sua capacidade técnica, mas na maneira como ela é incorporada ao processo de aprendizagem. Quanto mais a tecnologia estiver associada à investigação, reflexão, criatividade, colaboração e resolução de problemas, maiores serão as possibilidades de contribuir para uma formação ativa. 3.3. Inteligência Artificial, aprendizagem e autonomia dos estudantes A aprendizagem constitui uma das principais dimensões para analisar os impactos da Inteligência Artificial na educação. A possibilidade de acessar informações rapidamente pode facilitar o contato dos estudantes com diferentes conteúdos e perspectivas. Ferramentas de IA também podem auxiliar na organização dos estudos, na revisão de conceitos, na produção de perguntas e na exploração de temas de interesse. Entretanto, acesso à informação não pode ser confundido com construção do conhecimento. Aprender envolve interpretar, relacionar, questionar, selecionar e utilizar informações de maneira significativa. Nesse sentido, o uso da IA precisa favorecer processos cognitivos que ultrapassem a simples obtenção de respostas. O estudante deve ser estimulado a Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba, Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian. 66 compreender como uma resposta foi construída, verificar sua consistência e relacioná-la aos conhecimentos desenvolvidos no processo educativo. De Abreu Pestana dos Santos (2023) evidencia que as potencialidades da Inteligência Artificial na educação precisam ser analisadas juntamente com os desafios decorrentes de sua utilização. Essa compreensão é importante porque a tecnologia pode apresentar respostas rápidas e aparentemente completas, mas nem sempre essas respostas correspondem às necessidades específicas da aprendizagem ou apresentam informações suficientemente contextualizadas. A autonomia dos estudantes está diretamente relacionada a essa questão. Um estudante autônomo não é aquele que simplesmente realiza atividades sozinho, mas aquele que desenvolve capacidade de tomar decisões, formular perguntas, buscar informações, avaliar diferentes possibilidades e assumir responsabilidade pelo próprio processo de aprendizagem. A IA pode apoiar essas competências quando utilizada como ferramenta de investigação e reflexão. A utilização inadequada pode produzir dependência. Quando o estudante utiliza a IA exclusivamente para obter respostas prontas, existe o risco de reduzir sua participação intelectual e enfraquecer habilidades relacionadas à leitura, escrita, argumentação, interpretação e resolução de problemas. A questão central não está, portanto, na utilização da ferramenta em si, mas na finalidade atribuída ao seu uso. Vieira et al. (2025) contribuem para essa discussão ao analisarem os impactos, limites e potencialidades da Inteligência Artificial na educação. A análise permite compreender que a tecnologia pode assumir diferentes funções no processo educativo e que seus resultados dependem das formas de utilização e das condições pedagógicas nas quais está inserida. A autonomia também está relacionada à capacidade de avaliar criticamente as informações produzidas por sistemas de IA. O estudante precisa compreender que uma resposta automatizada não deve ser aceita de maneira absoluta. A consulta a fontes, a comparação de informações e a análise crítica constituem procedimentos essenciais para a construção de conhecimentos confiáveis. A utilização pedagógica da IA pode, portanto, favorecer uma autonomia orientada. O professor apresenta condições, critérios e objetivos, enquanto o estudante desenvolve progressivamente a capacidade de utilizar os recursos disponíveis com responsabilidade. Nesse modelo, a tecnologia não elimina a mediação docente, mas pode ampliar os espaços de investigação e aprendizagem. As metodologias ativas contribuem para esse processo porque colocam o estudante diante de situações que exigem participação e tomada de decisão. Góes et al. (2025) demonstram a importância de práticas baseadas em projetos e mediadas por tecnologia para promover experiências de aprendizagem mais participativas. Bezerra et al. (2024) também evidenciam a relevância de estratégias tecnológicas para engajamento e motivação. INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. . 67 A autonomia, portanto, deve ser compreendida como uma competência construída progressivamente. A Inteligência Artificial pode contribuir para esse desenvolvimento quando utilizada para estimular perguntas, pesquisas, comparações, criação e reflexão. Seu uso torna-se problemático quando passa a substituir as etapasfundamentais do raciocínio que deveriam ser desenvolvidas pelo próprio estudante. 3.4. Limites, desafios e implicações éticas da utilização da Inteligência Artificial Apesar de suas possibilidades, a utilização da Inteligência Artificial no campo educacional apresenta limites que precisam ser considerados. Entre eles estão a possibilidade de informações incorretas, a dependência tecnológica, a redução da autoria, a utilização inadequada de conteúdos produzidos automaticamente, os desafios relacionados à avaliação e as questões éticas envolvendo dados e privacidade. Um dos principais desafios está relacionado à autoria acadêmica. A facilidade para produzir textos e respostas pode levar estudantes a utilizar conteúdos gerados por IA sem compreender ou participar efetivamente de sua elaboração. Essa situação exige novas formas de orientação pedagógica e avaliação, capazes de valorizar o processo de construção do conhecimento e não apenas o produto final. A avaliação educacional constitui outro campo diretamente afetado pela expansão da IA. Sousa et al. (2025) analisam as potencialidades e limitações da Inteligência Artificial na avaliação educacional, mostrando que esses recursos podem apoiar determinados processos, mas também exigem cautela. A utilização de sistemas automatizados não elimina a necessidade de avaliação humana, especialmente quando estão em análise aspectos como argumentação, criatividade, compreensão, autoria e desenvolvimento intelectual. A avaliação precisa, portanto, acompanhar as transformações provocadas pela tecnologia. Atividades que valorizem produção própria, resolução de problemas, apresentação oral, discussão, projetos, análise crítica e aplicação prática dos conhecimentos podem contribuir para verificar de maneira mais adequada o desenvolvimento dos estudantes. Sistemas de IA podem produzir respostas linguisticamente bem estruturadas, mas isso não significa que todas as informações apresentadas sejam necessariamente corretas ou adequadas ao contexto. Por essa razão, o letramento digital e a capacidade de verificar fontes tornam-se componentes importantes da formação educacional. A questão ética também envolve a proteção de dados e a utilização responsável das ferramentas digitais. As instituições educacionais precisam estabelecer orientações que considerem segurança, privacidade, transparência e responsabilidade. A utilização de tecnologias deve respeitar os direitos dos estudantes e garantir que a inovação não ocorra em detrimento da proteção dos sujeitos envolvidos. Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba, Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian. 68 Teodoro et al. (2024) discutem desafios e perspectivas relacionados à utilização das tecnologias de informação e comunicação pelos professores em sala de aula. Essa discussão permanece pertinente diante da expansão da IA, uma vez que o professor precisa lidar com ferramentas cada vez mais sofisticadas sem perder de vista os objetivos pedagógicos e formativos. A desigualdade de acesso também constitui um limite importante. Nem todos os estudantes possuem as mesmas condições de acesso à internet, dispositivos e ferramentas tecnológicas. A utilização da IA sem considerar essas diferenças pode ampliar desigualdades educacionais. Almeida et al. (2025) demonstram que as tecnologias podem apresentar contribuições para a inclusão, mas sua efetividade depende das condições concretas de acesso e utilização. A inclusão educacional exige que as ferramentas tecnológicas sejam acessíveis e articuladas às necessidades dos diferentes estudantes. Recursos digitais podem ampliar possibilidades de comunicação, participação e acesso aos conteúdos, mas isso depende de planejamento e mediação. A tecnologia, por si só, não garante uma educação inclusiva. Diante desses desafios, a utilização da Inteligência Artificial precisa ser acompanhada por princípios éticos e pedagógicos. A tecnologia deve ser utilizada para ampliar possibilidades educacionais, e não para eliminar a responsabilidade humana pelo processo de ensino e aprendizagem. 3.5. Formação docente, mediação pedagógica e educação inclusiva na era da IA A expansão da Inteligência Artificial modifica também o papel do professor. A presença de ferramentas capazes de produzir conteúdos, responder perguntas e apoiar atividades não significa redução da importância docente. Pelo contrário, amplia a necessidade de professores preparados para orientar o uso crítico e responsável dessas tecnologias. A mediação pedagógica permanece fundamental porque o professor é responsável por estabelecer objetivos de aprendizagem, selecionar estratégias, acompanhar o desenvolvimento dos estudantes e criar situações que estimulem reflexão. A tecnologia pode auxiliar essas atividades, mas não substitui a dimensão humana da relação educativa. Almeida (2026) destaca a importância da prática pedagógica e da formação docente para uma educação crítica e emancipadora. Essa perspectiva é particularmente relevante diante da IA, pois a formação de professores precisa contemplar não somente competências técnicas, mas também conhecimentos relacionados à ética, autoria, avaliação, pensamento crítico e utilização pedagógica dos recursos tecnológicos. A formação continuada torna-se necessária diante da velocidade das transformações tecnológicas. Os professores precisam compreender as possibilidades e limitações das INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. . 69 ferramentas utilizadas pelos estudantes e desenvolver estratégias para integrá-las aos objetivos curriculares. O conhecimento tecnológico, isoladamente, não garante uma prática pedagógica qualificada. É necessário saber quando utilizar determinado recurso, para qual finalidade e com quais critérios. A relação entre currículo e tecnologia também precisa ser considerada. Azevedo (2026) demonstra que a integração do pensamento computacional à educação básica envolve desafios curriculares e pedagógicos. A presença da IA amplia essa discussão ao exigir que os currículos contemplem competências relacionadas à utilização crítica das tecnologias, à análise de informações e à resolução de problemas. A educação inclusiva constitui outra dimensão essencial. Almeida et al. (2025) mostram que as tecnologias podem apresentar possibilidades relevantes para o processo de inclusão educacional, especialmente quando articuladas a estratégias de acessibilidade e participação. Nesse sentido, ferramentas de IA podem contribuir para diversificar formas de acesso aos conteúdos e apoiar diferentes necessidades de aprendizagem. A perspectiva inclusiva exige, entretanto, que o estudante seja compreendido em sua singularidade. Oliveira (2026), ao discutir inteligência artificial humanizada e educação inclusiva, contribui para uma compreensão na qual as tecnologias devem estar subordinadas às necessidades humanas e às finalidades educativas. A inovação tecnológica precisa ampliar oportunidades sem transformar as diferenças individuais em obstáculos à participação. A mediação docente torna-se, portanto, elemento de equilíbrio entre autonomia e orientação. O professor não deve controlar todas as etapas do uso da tecnologia, mas também não pode abandonar o estudante diante de ferramentas capazes de produzir grande quantidade de informações. É necessário construir orientações que permitam ao estudante utilizar a IA com responsabilidade, desenvolver critérios de análise e compreender seus próprios limites. A formação docente e a autonomia discente estão diretamente relacionadas. Professores preparados podem criar situações em que a IA seja utilizada para estimularinvestigação, criatividade, pensamento crítico e resolução de problemas. Estudantes orientados podem aprender a utilizar essas ferramentas sem transferir para elas a responsabilidade pelo próprio processo intelectual. A educação na era da Inteligência Artificial exige, portanto, uma concepção de inovação vinculada à formação humana. A tecnologia deve contribuir para ampliar as possibilidades de ensinar e aprender, preservando a autoria, a criatividade, a interação, a inclusão e a autonomia. O desafio contemporâneo consiste em utilizar os avanços tecnológicos sem permitir que eles substituam os processos humanos que conferem sentido à educação. A partir das discussões apresentadas, compreende-se que a Inteligência Artificial possui potencial para contribuir significativamente com a educação, mas seus efeitos não são Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba, Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian. 70 determinados exclusivamente pela tecnologia. Eles dependem das práticas pedagógicas, da formação dos professores, das condições de acesso, das características dos estudantes e dos critérios estabelecidos para sua utilização. A IA pode apoiar a aprendizagem e favorecer a autonomia quando utilizada como instrumento de investigação, reflexão e produção, mas pode produzir dependência e passividade quando utilizada como substituta da atividade intelectual. O desafio educacional contemporâneo não consiste simplesmente em incorporar ou rejeitar a Inteligência Artificial, mas em construir formas responsáveis, críticas, inclusivas e pedagogicamente fundamentadas de utilização. A centralidade deve permanecer no estudante como sujeito da aprendizagem e no professor como mediador do processo educativo, utilizando a tecnologia como recurso para ampliar possibilidades sem comprometer a construção autônoma e significativa do conhecimento. 3.6. Contendas teóricas sobre a delimitação do estudo A presente pesquisa tem como tema Inteligência Artificial na Educação: possibilidades, limites e impactos na aprendizagem e autonomia dos estudantes, delimitando sua análise às contribuições, aos desafios e às repercussões educacionais decorrentes da utilização de ferramentas de Inteligência Artificial nos processos de ensino e aprendizagem. A investigação busca compreender o fenômeno a partir de uma perspectiva educacional, considerando a relação entre inovação tecnológica, práticas pedagógicas, aprendizagem, autonomia intelectual, inclusão, formação docente e construção do conhecimento. De Abreu Pestana dos Santos (2023), ao analisar as potencialidades e os desafios da Inteligência Artificial na educação, oferece uma base importante para compreender que a presença da IA pode ampliar recursos e estratégias educacionais, desde que sua utilização esteja vinculada a objetivos pedagógicos definidos. A delimitação do estudo considera, portanto, a Inteligência Artificial como uma tecnologia que pode atuar de maneira complementar às práticas educativas. Os achados da análise bibliográfica e documental evidenciam possibilidades relacionadas à produção e organização de informações, apoio à pesquisa, elaboração de materiais, personalização de atividades, desenvolvimento de estratégias de aprendizagem, estímulo à criatividade e ampliação de recursos pedagógicos. Vieira et al. (2025), ao discutir impactos, limites e potencialidades da IA na educação, contribuem para uma compreensão mais abrangente desse fenômeno, permitindo observar que sua presença não representa apenas uma inovação técnica, mas uma transformação que alcança diferentes dimensões da experiência educacional. A análise das fontes selecionadas demonstra que a tecnologia pode adquirir maior significado pedagógico quando utilizada de maneira planejada e articulada às necessidades dos estudantes. Costa e Araújo (2025) discutem os impactos das tecnologias nos processos de ensino e aprendizagem e evidenciam a existência de novas possibilidades para a organização das INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. . 71 experiências educativas. Nesse sentido, os achados desta pesquisa apontam que a IA pode favorecer práticas mais diversificadas, interativas e contextualizadas, especialmente quando o professor estabelece objetivos claros para sua utilização e orienta os estudantes quanto à maneira de explorar os recursos disponíveis. Entre as possibilidades identificadas encontra-se a ampliação do engajamento e da participação dos estudantes. Bezerra et al. (2024), ao analisarem a gamificação e os estudos mediados por tecnologia, demonstram que recursos digitais podem favorecer motivação e envolvimento no ambiente educacional. Esse achado pode ser relacionado à utilização da IA em atividades que estimulem investigação, produção, resolução de problemas e exploração de diferentes possibilidades de resposta. A tecnologia, nesse contexto, deixa de ser apenas instrumento de acesso à informação e pode assumir função de apoio à construção de experiências educativas mais dinâmicas. Outro resultado positivo identificado na literatura refere-se à possibilidade de articulação entre tecnologia, criatividade e ludicidade. Silva et al. (2026), ao discutirem brincadeiras digitais e tecnologias criativas, demonstram que os recursos contemporâneos podem estabelecer novas relações entre aprendizagem, criação e participação. Essa contribuição permite compreender que a IA pode ser integrada a práticas pedagógicas que estimulem produção de ideias, elaboração de conteúdos, criação de diferentes representações e desenvolvimento de atividades que valorizem a participação ativa do estudante. A delimitação do estudo também contempla a dimensão curricular. Azevedo (2026), ao analisar currículo, práticas pedagógicas e BNCC Computação, evidencia a importância de integrar competências relacionadas ao universo tecnológico às finalidades da educação básica. Os achados da pesquisa indicam que a utilização da IA apresenta maior potencial quando inserida em propostas curriculares planejadas, nas quais o recurso tecnológico esteja relacionado às competências e aprendizagens que se pretende desenvolver. A tecnologia, portanto, não constitui finalidade em si mesma, mas instrumento que pode contribuir para objetivos educacionais previamente estabelecidos. A perspectiva inclusiva constitui igualmente uma dimensão importante da delimitação. Almeida et al. (2025) identificam desafios e possibilidades relacionados ao uso das tecnologias no processo de inclusão educacional, demonstrando que os recursos tecnológicos podem favorecer acesso, participação e aprendizagem. Góes et al. (2025), ao relacionarem aprendizagem baseada em projetos, práticas inclusivas, tecnologia e acessibilidade, reforçam a possibilidade de utilizar recursos tecnológicos em propostas que valorizem diferentes formas de participação. Os achados analisados indicam que a IA pode contribuir para ampliar oportunidades educacionais quando associada à acessibilidade, à mediação pedagógica e ao reconhecimento das necessidades dos estudantes. Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba, Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian. 72 A pesquisa também delimita sua análise à relação entre tecnologia e formação humana. Oliveira (2026) discute uma perspectiva de Inteligência Artificial humanizada articulada à educação inclusiva, subjetividades e construção do conhecimento. Essa abordagem é importante porque permite compreender que a inovação tecnológica precisa permanecer vinculadaàs pessoas que participam do processo educativo. Os resultados da análise bibliográfica e documental apontam, nesse sentido, que a utilização da IA pode apresentar contribuições relevantes quando preserva a interação humana, a autoria, a autonomia, a criatividade e a capacidade crítica dos estudantes. A dimensão cultural integra essa compreensão. Freitas (2026), ao abordar o letramento cultural e a formação docente para práticas pedagógicas antirracistas, demonstra a importância de reconhecer diferentes experiências e perspectivas culturais na educação. Silva e Bacury (2026), ao discutirem a etnomatemática indígena e os saberes tradicionais, reforçam a valorização da pluralidade dos conhecimentos. Os achados desta pesquisa permitem relacionar essas contribuições ao uso da IA, indicando a necessidade de incentivar estudantes e professores a analisar criticamente os conteúdos produzidos pelas ferramentas e reconhecer a diversidade de saberes que compõe a sociedade. 3.7. Discussões teóricas sobre o problema de pesquisa O problema de pesquisa que orienta este estudo é: quais são as possibilidades, os limites e os impactos do uso da Inteligência Artificial na educação, especialmente em relação à aprendizagem e à autonomia dos estudantes? A formulação do problema decorre dos achados identificados na análise bibliográfica e documental, que apontam para um cenário de ampliação das possibilidades de utilização das tecnologias no processo educativo. De Abreu Pestana dos Santos (2023) evidencia potencialidades da Inteligência Artificial na educação, enquanto Vieira et al. (2025) destacam a necessidade de compreender conjuntamente os impactos, limites e potencialidades dessa tecnologia. A questão investigativa surge, portanto, da necessidade de compreender como os recursos de IA podem ser utilizados para favorecer experiências educacionais significativas. O problema não parte de uma concepção negativa da Inteligência Artificial. Pelo contrário, a análise das fontes evidencia diversas possibilidades de contribuição para a educação, incluindo apoio à aprendizagem, ampliação de recursos didáticos, diversificação das estratégias pedagógicas, estímulo à criatividade e favorecimento da participação. Almeida et al. (2025), ao analisarem as tecnologias no processo de inclusão educacional, demonstram que recursos tecnológicos podem ampliar oportunidades quando associados a práticas pedagógicas adequadas. A investigação busca compreender como essas possibilidades podem ser potencializadas no contexto da IA. INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. . 73 A aprendizagem constitui uma das dimensões centrais do problema porque a tecnologia precisa produzir significado pedagógico. Costa e Araújo (2025) demonstram que as tecnologias vêm provocando mudanças nas formas de ensinar e aprender, enquanto Bezerra et al. (2024) evidenciam relações entre recursos tecnológicos, engajamento e motivação. Esses achados sustentam a necessidade de investigar de que maneira a Inteligência Artificial pode ser integrada a práticas que favoreçam participação, interação e construção do conhecimento. A autonomia dos estudantes constitui outra dimensão essencial do problema. A utilização de ferramentas capazes de fornecer respostas rapidamente pode representar uma oportunidade para ampliar a pesquisa e o aprofundamento de conteúdos, mas a formação educacional requer participação intelectual do estudante. Almeida (2026), ao discutir práticas pedagógicas e formação docente voltadas a uma educação crítica e emancipadora, oferece fundamentos para compreender que o uso da tecnologia deve contribuir para o desenvolvimento da capacidade de pensar, questionar, escolher e produzir conhecimentos. A questão da autonomia também se relaciona à autoria e ao pensamento crítico. Os achados da literatura indicam que o estudante pode utilizar a IA para formular perguntas, comparar informações, revisar conteúdos e explorar novas possibilidades, desde que permaneça responsável pela interpretação e pela produção de seus conhecimentos. Sousa et al. (2025), ao analisarem a utilização da IA na avaliação educacional, evidenciam que esses recursos apresentam possibilidades importantes, mas requerem critérios que preservem a qualidade do processo educativo. O problema de pesquisa, portanto, procura compreender como aproveitar os recursos tecnológicos sem enfraquecer a autoria e a participação intelectual. O problema também envolve a atuação dos professores. Teodoro et al. (2024) discutem desafios relacionados à utilização das tecnologias de informação e comunicação pelos docentes e evidenciam a importância da preparação profissional. Almeida (2026) reforça que a formação docente constitui elemento essencial para uma prática pedagógica crítica. A investigação considera, portanto, que compreender os impactos da IA sobre a aprendizagem e a autonomia exige analisar também a capacidade dos professores de orientar, contextualizar e mediar a utilização dessas ferramentas. A inclusão amplia o alcance do problema investigado. Góes et al. (2025) relacionam tecnologia, acessibilidade e práticas inclusivas, enquanto Ischkanian e Ischkanian (2026) enfatizam a dignidade e os direitos das pessoas com deficiência. Esses achados permitem compreender que a utilização da IA precisa ser analisada também pela possibilidade de ampliar formas de acesso, participação e aprendizagem. A questão investigativa incorpora essa dimensão ao considerar uma educação que utilize a tecnologia para ampliar oportunidades e respeitar a diversidade dos estudantes. Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba, Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian. 74 A dimensão cultural também integra o problema porque o conhecimento produzido e disponibilizado pelas tecnologias não deve ser analisado de maneira descontextualizada. Oliveira (2026), ao discutir políticas editoriais e processos de silenciamento de línguas, saberes e histórias dos povos indígenas, demonstra a importância de preservar a diversidade cultural. Silva e Bacury (2026) reforçam essa perspectiva ao valorizarem os saberes tradicionais na educação básica. Nesse sentido, investigar a IA significa também refletir sobre a necessidade de utilizar seus recursos de maneira crítica, valorizando diferentes perspectivas e formas de produção do conhecimento. 3.8. Fundamentação teórica dos objetivos da pesquisa O objetivo geral consiste em analisar as possibilidades, os limites e os impactos da utilização da Inteligência Artificial no contexto educacional, com ênfase em suas implicações para a aprendizagem e a autonomia dos estudantes. A definição desse objetivo está diretamente relacionada aos achados da análise bibliográfica e documental, que evidenciam a expansão das tecnologias no ambiente educacional e suas diferentes possibilidades de utilização. De Abreu Pestana dos Santos (2023) apresenta potencialidades da IA na educação, enquanto Vieira et al. (2025) contribuem para uma compreensão dos impactos e limites associados à tecnologia. O objetivo geral busca reunir essas diferentes dimensões em uma análise que valorize as contribuições da IA sem deixar de considerar as condições necessárias para seu uso responsável. Como objetivos específicos, pretende-se: a) identificar as principais possibilidades pedagógicas proporcionadas pela Inteligência Artificial, considerando recursos que podem apoiar pesquisa, produção de conhecimentos, organização de informações, criatividade e diversificação das estratégias de ensino. A análise de Bezerra et al. (2024), ao relacionar tecnologia, gamificação, engajamento e motivação, e de Silva etal. (2026), ao abordar tecnologias criativas e ludicidade, oferece fundamentos para reconhecer que os recursos digitais podem ampliar experiências de aprendizagem e participação; b) discutir os limites e desafios relacionados à utilização dessas tecnologias no processo educativo, considerando questões relacionadas à autoria, qualidade das informações, responsabilidade, avaliação e formação dos usuários. Sousa et al. (2025) demonstram a importância de analisar potencialidades e limitações da IA na avaliação educacional, enquanto Vieira et al. (2025) ampliam essa discussão ao abordar os impactos e limites da Inteligência Artificial na educação; c) analisar suas possíveis contribuições e implicações para a aprendizagem, considerando estratégias capazes de favorecer participação, motivação, criatividade, INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. . 75 acessibilidade e construção ativa do conhecimento. Góes et al. (2025) relacionam aprendizagem baseada em projetos, tecnologia e práticas inclusivas, enquanto Costa e Araújo (2025) evidenciam transformações provocadas pelas tecnologias nos processos de ensino e aprendizagem; d) refletir sobre os efeitos da IA no desenvolvimento da autonomia, do pensamento crítico e da participação ativa dos estudantes, compreendendo a tecnologia como recurso de apoio à investigação e à construção do conhecimento. Almeida (2026) contribui para essa perspectiva ao discutir práticas pedagógicas orientadas para uma educação crítica e emancipadora, enquanto Vieira (2026), ao abordar estratégias de letramento literário, reforça a importância de formar estudantes capazes de interpretar, produzir sentidos e participar ativamente dos processos de aprendizagem; e) discutir a importância da mediação e da formação docente para o uso ético, crítico e pedagogicamente adequado dessas ferramentas, reconhecendo que a presença da tecnologia amplia a necessidade de profissionais preparados para orientar sua utilização. Teodoro et al. (2024) evidenciam desafios relacionados ao uso das tecnologias pelos professores, Almeida (2026) destaca a importância da formação docente e Ischkanian (2026) contribui para a compreensão da capacitação como processo voltado ao desenvolvimento de competências profissionais. Os objetivos específicos também contemplam a dimensão curricular e tecnológica da educação. Azevedo (2026) destaca a importância da integração entre currículo, práticas pedagógicas e pensamento computacional, indicando que a utilização das tecnologias precisa estar vinculada às competências e aos conhecimentos previstos no processo formativo. A análise realizada nesta pesquisa incorpora essa perspectiva ao considerar que a IA pode ser utilizada em diferentes componentes curriculares, desde que exista planejamento pedagógico e clareza quanto às aprendizagens pretendidas. A dimensão inclusiva também está presente nos objetivos definidos. Almeida et al. (2025) evidenciam possibilidades relacionadas ao uso das tecnologias na inclusão educacional, enquanto Góes et al. (2025) relacionam tecnologia, acessibilidade e práticas inclusivas. Ischkanian e Ischkanian (2026), ao discutirem dignidade e direitos das pessoas com deficiência, ampliam essa compreensão. Os objetivos da pesquisa procuram, portanto, identificar como a Inteligência Artificial pode contribuir para uma educação que reconheça diferenças, amplie possibilidades de participação e favoreça condições mais acessíveis de aprendizagem. A diversidade cultural também integra os objetivos porque a educação contemporânea precisa reconhecer diferentes saberes, experiências e perspectivas. Freitas (2026) discute a importância do letramento cultural e da formação docente para práticas pedagógicas antirracistas, enquanto Silva e Bacury (2026) valorizam conhecimentos indígenas e saberes tradicionais. Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba, Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian. 76 Oliveira (2026) contribui para essa discussão ao problematizar processos de silenciamento cultural. A pesquisa considera que o uso da IA deve estimular uma postura crítica diante das informações e valorizar a pluralidade cultural presente na construção do conhecimento. Os objetivos contemplam ainda a diversificação das práticas pedagógicas. Cabral (2026), ao apresentar possibilidades metodológicas para o ensino de língua inglesa, e Sousa (2026), ao discutir métodos de ensino de Matemática, demonstram que diferentes estratégias podem ser mobilizadas para favorecer a aprendizagem. A IA pode integrar esse conjunto de possibilidades ao apoiar atividades de pesquisa, elaboração, revisão, resolução de problemas e produção de materiais, contribuindo para práticas mais diversificadas e contextualizadas. A dimensão da leitura e da produção de conhecimento também integra o percurso investigativo. Vieira (2026) evidencia a importância de estratégias de letramento literário no desenvolvimento da leitura, enquanto Santos (2026), ao discutir debates contemporâneos relacionados à literatura infantil, contribui para compreender a importância da análise crítica das produções culturais. No contexto da Inteligência Artificial, essas contribuições permitem refletir sobre a necessidade de formar estudantes capazes de interpretar conteúdos produzidos ou mediados por tecnologias, reconhecer diferentes perspectivas e desenvolver posicionamentos próprios. A análise dos objetivos evidencia, portanto, que a pesquisa não pretende apenas verificar a presença da Inteligência Artificial na educação, mas compreender seu potencial de contribuição para uma educação mais dinâmica, inclusiva, criativa e participativa. Os achados bibliográficos e documentais apontam possibilidades relacionadas à aprendizagem, ao engajamento, à acessibilidade, à criatividade e à diversificação metodológica, enquanto as discussões sobre formação docente, currículo, avaliação, cultura e autonomia indicam as condições necessárias para que essas possibilidades sejam pedagogicamente aproveitadas. A pesquisa assume uma perspectiva predominantemente construtiva sobre a presença da Inteligência Artificial na educação, sem ignorar a necessidade de análise crítica. A tecnologia pode apoiar professores e estudantes, ampliar recursos educacionais e favorecer novas experiências de aprendizagem, especialmente quando articulada a metodologias ativas, práticas inclusivas e processos formativos. Oliveira (2026) sintetiza essa perspectiva ao relacionar Inteligência Artificial humanizada, educação inclusiva, subjetividades e construção do conhecimento, reforçando a compreensão de que a inovação tecnológica adquire maior significado quando permanece comprometida com o desenvolvimento humano. Os objetivos estabelecidos convergem, finalmente, para a compreensão de que a Inteligência Artificial pode constituir uma importante ferramenta de apoio à educação contemporânea. Sua contribuição pode ser percebida na ampliação de recursos, na diversificação das estratégias pedagógicas, no apoio à aprendizagem, no estímulo à criatividade, na INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. . 77 acessibilidade e na possibilidade de fortalecer a participação dos estudantes. O propósito da pesquisa é evidenciar, a partir da análise bibliográfica e documental, que esses benefícios podem ser potencializados quando a IA é utilizada com planejamento, mediação docente, formação adequada, responsabilidade ética e compromisso com a autonomia intelectual dos estudantes. 4. METODOLOGIA A presente pesquisa caracteriza-se como um estudo de abordagem qualitativa,pedagógicos e reflexão crítica, considerando os objetivos de aprendizagem e as características dos sujeitos envolvidos. O papel do professor permanece fundamental. A inteligência artificial pode fornecer informações, sugestões e recursos, mas não substitui a mediação pedagógica, a experiência profissional, a sensibilidade diante das necessidades dos estudantes e a capacidade de compreender as particularidades de cada contexto educativo. Cabe ao professor orientar o uso consciente das tecnologias, estimular a análise das informações produzidas e criar situações nas INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. . 11 quais os estudantes sejam convidados a questionar, comparar, interpretar, produzir e construir conhecimentos de forma ativa. A autonomia dos estudantes constitui, portanto, uma dimensão central desta discussão. Utilizar inteligência artificial não deve significar simplesmente receber respostas, mas desenvolver a capacidade de utilizar recursos tecnológicos para ampliar a investigação e fortalecer a própria aprendizagem. O estudante autônomo é aquele que consegue formular perguntas, avaliar informações, reconhecer limites, tomar decisões, assumir responsabilidade por suas produções e utilizar diferentes ferramentas de maneira ética e consciente. Outro aspecto indispensável refere-se à ética. A expansão da inteligência artificial na educação suscita questões relacionadas à autoria, à privacidade, à proteção de dados, à confiabilidade das informações, à integridade acadêmica e às desigualdades de acesso. Essas questões precisam integrar o debate educacional, pois formar estudantes para a sociedade contemporânea também significa prepará-los para utilizar tecnologias de maneira responsável, respeitando direitos, diferenças e princípios de convivência social. A discussão sobre inteligência artificial também precisa considerar a inclusão e a democratização do acesso às tecnologias. Nem todos os estudantes possuem as mesmas condições de acesso à internet, aos dispositivos digitais ou às ferramentas mais avançadas. Dessa forma, a incorporação da inteligência artificial às práticas educacionais deve estar associada à preocupação com a equidade, evitando que as diferenças tecnológicas ampliem desigualdades já existentes no processo educacional. Esta obra propõe, assim, um olhar equilibrado sobre a inteligência artificial na educação. Nem a tecnologia deve ser compreendida como solução automática para os desafios educacionais, nem seus riscos devem impedir a exploração de suas possibilidades. O caminho mais consistente está na construção de práticas pedagógicas capazes de integrar inovação tecnológica, conhecimento científico, ética, pensamento crítico, criatividade e valorização da experiência humana. Ao longo desta publicação, busca-se estimular professores, pesquisadores, estudantes, gestores e demais interessados na educação a refletirem sobre os impactos que a inteligência artificial pode produzir nos processos de ensino e aprendizagem. Mais do que aprender a utilizar ferramentas, torna-se necessário compreender quando, por que e para que utilizá-las, garantindo que a tecnologia esteja subordinada às finalidades educativas e contribua efetivamente para o desenvolvimento dos estudantes. A expectativa é que esta obra contribua para ampliar o debate sobre os caminhos da educação diante das transformações tecnológicas contemporâneas. Que suas reflexões possam estimular novas pesquisas, experiências pedagógicas e discussões sobre o papel da inteligência Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba, Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian. 12 artificial na construção de uma educação mais consciente, inclusiva e inovadora, sem perder de vista a centralidade do ser humano. Em uma sociedade marcada pela rápida expansão das tecnologias inteligentes, educar significa também preparar para lidar criticamente com aquilo que ainda está em transformação. A inteligência artificial pode ampliar possibilidades, facilitar processos e abrir novos caminhos para a aprendizagem, mas o sentido da educação continua relacionado à formação de sujeitos capazes de pensar, criar, questionar, dialogar, decidir e transformar a realidade. É nessa perspectiva que esta obra é apresentada ao leitor, reconhecendo que a inovação tecnológica somente adquire verdadeiro significado educacional quando está articulada a objetivos formativos, princípios éticos e compromisso com o desenvolvimento integral dos estudantes. Nesse contexto, torna-se indispensável compreender que o avanço tecnológico não deve conduzir à diminuição da participação humana nos processos educativos. Pelo contrário, quanto mais sofisticadas se tornam as ferramentas de inteligência artificial, maior é a necessidade de desenvolver estudantes capazes de interpretar criticamente as informações, identificar possíveis erros, avaliar diferentes perspectivas e utilizar os recursos disponíveis com responsabilidade. A formação para o uso consciente da inteligência artificial exige, portanto, uma aproximação entre inovação e responsabilidade social, envolvendo professores, estudantes, famílias, instituições educacionais e pesquisadores na construção de práticas seguras, éticas, inclusivas e pedagogicamente significativas. Assim, esta obra convida o leitor a refletir sobre a inteligência artificial não apenas como uma tecnologia de seu tempo, mas como um fenômeno que interfere nas formas de ensinar, aprender, pesquisar, produzir conhecimentos e estabelecer relações com o mundo. Que as reflexões apresentadas possam contribuir para uma educação capaz de acolher as transformações tecnológicas sem abandonar seus fundamentos humanos, fortalecendo a autonomia, a criatividade, o pensamento crítico, a ética e a capacidade de participação dos estudantes. Afinal, preparar para o futuro não significa apenas ensinar a utilizar novas tecnologias, mas formar pessoas capazes de utilizá-las para aprender, criar, colaborar e transformar a sociedade de maneira consciente e responsável. Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira Silvia Drumond de Carvalho INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. . 13 INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. ARTIFICIAL INTELLIGENCE IN EDUCATION: POSSIBILITIES, LIMITS, AND IMPACTS ON STUDENT LEARNING AND AUTONOMY. INTELIGENCIA ARTIFICIAL EN LA EDUCACIÓN: POSIBILIDADES, LÍMITES E IMPACTOS EN EL APRENDIZAJE Y LA AUTONOMÍA DE LOS ESTUDIANTES. Ivoney da Silva Oliveira Simone Helen Drumond Ischkanian Gladys Nogueira Cabral Silvana Nascimento de Carvalho António Manuel Domingos Caba Gabriel Nascimento de Carvalho Sygride Nascimento de Carvalho Sandro Garabed Ischkanian RESUMO A inteligência artificial (IA) vem assumindo crescente relevância no campo educacional, modificando formas de ensinar, aprender, pesquisar e produzir conhecimentos. Nesse contexto, sua utilização apresenta possibilidades relacionadas à personalização da aprendizagem, à ampliação do acesso à informação, à criação de recursos pedagógicos, ao apoio ao trabalho docente e ao desenvolvimento de estratégias educacionais mais diversificadas. Entretanto, a incorporação dessas tecnologias também envolve limites e desafios, especialmente no que se refere à dependência tecnológica, à confiabilidade das informações, à autoria, à privacidade, à proteção de dados, à integridade acadêmica e às desigualdades de acesso. Este estudo caracteriza-se como uma pesquisa bibliográfica e documental, de abordagem qualitativa,de natureza bibliográfica e documental, desenvolvido com o propósito de analisar as possibilidades, os limites e os impactos da Inteligência Artificial no contexto educacional, com especial atenção às suas relações com a aprendizagem e a autonomia dos estudantes. A escolha da abordagem qualitativa justifica-se pela necessidade de interpretar diferentes concepções, argumentos e perspectivas presentes na produção científica sobre o tema, considerando suas dimensões pedagógicas, tecnológicas, sociais e éticas. A pesquisa bibliográfica possibilita reunir e analisar conhecimentos já produzidos sobre determinado objeto de estudo, permitindo estabelecer relações entre diferentes contribuições teóricas. Gil (2008) destaca a importância da organização sistemática das etapas da pesquisa para a construção de um percurso investigativo coerente. Nesse sentido, o estudo foi estruturado a partir da identificação, seleção, leitura, organização e análise de produções relacionadas à Inteligência Artificial, tecnologias educacionais, aprendizagem, autonomia discente, formação docente, avaliação e inclusão educacional. A pesquisa também possui caráter documental, considerando a consulta a documentos, publicações institucionais, materiais educacionais e outras fontes pertinentes à compreensão da inserção das tecnologias digitais e da Inteligência Artificial na educação. A articulação entre pesquisa bibliográfica e documental permite ampliar a compreensão do objeto investigado, relacionando as discussões teóricas às transformações observadas no contexto educacional contemporâneo. 4.1. Abordagem, natureza e tipo de pesquisa Quanto à abordagem, a pesquisa é qualitativa, pois busca compreender e interpretar o fenômeno investigado a partir dos significados, argumentos e perspectivas presentes nas fontes selecionadas. Não se pretende estabelecer mensurações estatísticas ou generalizações numéricas, mas analisar criticamente como a Inteligência Artificial vem sendo compreendida em relação aos processos de ensino e aprendizagem. Quanto à natureza, trata-se de uma pesquisa de caráter exploratório e analítico. O caráter exploratório está relacionado à necessidade de ampliar a compreensão sobre um fenômeno relativamente recente e em constante transformação no campo educacional. O caráter analítico Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba, Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian. 78 decorre da comparação e interpretação das diferentes contribuições encontradas nas fontes selecionadas. Quanto aos procedimentos, caracteriza-se como pesquisa bibliográfica e documental. A pesquisa bibliográfica foi desenvolvida mediante levantamento de artigos científicos, livros, capítulos de livros e outras produções acadêmicas relacionadas ao objeto de estudo. A pesquisa documental contemplou documentos e materiais pertinentes à utilização das tecnologias e da Inteligência Artificial na educação. 4.2. Procedimentos técnicos e fontes de dados Os procedimentos técnicos envolveram levantamento, seleção, leitura e análise de fontes relacionadas ao tema da pesquisa. Foram priorizadas produções acadêmicas que apresentassem discussões sobre Inteligência Artificial na educação, tecnologias digitais, aprendizagem, autonomia dos estudantes, avaliação educacional, formação docente, inclusão e práticas pedagógicas. Entre as fontes utilizadas encontram-se estudos como o de de Abreu Pestana dos Santos (2023), que aborda as potencialidades e os desafios da Inteligência Artificial na educação; Bezerra et al. (2024), que discutem o uso de tecnologias e estratégias de gamificação no ambiente educacional; Teodoro et al. (2024), que analisam desafios relacionados à utilização das tecnologias de informação e comunicação pelos professores; Costa e Araújo (2025), que discutem impactos das tecnologias no ensino e na aprendizagem; Sousa et al. (2025), que abordam as potencialidades e limitações da Inteligência Artificial na avaliação educacional; e Vieira et al. (2025), que analisam impactos, limites e potencialidades da Inteligência Artificial na educação. Também foram consideradas contribuições publicadas em 2026 relacionadas à formação docente, educação inclusiva, currículo, práticas pedagógicas e humanização da Inteligência Artificial. Almeida (2026) contribui para a compreensão da relação entre prática pedagógica, formação docente e educação crítica e emancipadora. Azevedo (2026) aborda currículo, práticas pedagógicas e pensamento computacional, enquanto Oliveira (2026) discute interfaces entre inteligência artificial, educação inclusiva, subjetividades e construção do conhecimento. As fontes foram selecionadas em razão de sua pertinência temática e de sua contribuição para a compreensão das categorias centrais da investigação. A seleção procurou contemplar diferentes perspectivas, evitando restringir a análise à dimensão exclusivamente tecnológica da Inteligência Artificial. INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. . 79 4.3. Universo, amostra e critérios de seleção Por se tratar de uma pesquisa bibliográfica e documental, o universo da investigação é constituído pela produção acadêmica e documental relacionada à Inteligência Artificial e sua utilização no campo educacional. Não houve aplicação de questionários, realização de entrevistas ou participação direta de estudantes, professores ou outros sujeitos. Nesse tipo de investigação, a seleção das fontes funciona como procedimento de delimitação do material analisado. Foram priorizadas publicações que apresentassem relação direta ou complementar com as categorias centrais da pesquisa: Inteligência Artificial na educação, aprendizagem, autonomia dos estudantes, práticas pedagógicas, formação docente, avaliação, inclusão e desafios éticos. Como critérios de inclusão, foram consideradas publicações que apresentassem pertinência temática, identificação de autoria e informações bibliográficas suficientes para sua utilização acadêmica. Também foram priorizadas produções recentes, especialmente aquelas publicadas entre 2023 e 2026, sem excluir referências metodológicas ou conceituais anteriores consideradas relevantes para a construção do estudo. Como critérios de exclusão, foram desconsideradas produções sem relação suficiente com o objeto de estudo, materiais sem informações bibliográficas adequadas e conteúdos que não contribuíssem diretamente para a discussão proposta. Dessa maneira, buscou-se constituir um conjunto de fontes capaz de sustentar a análise das possibilidades, dos limites e dos impactos da IA na aprendizagem e na autonomia dos estudantes. 4.4. Coleta, tratamento e análise dos dados A coleta das informações ocorreu mediante levantamento bibliográfico e documental das fontes selecionadas. Inicialmente, foram identificadas produções relacionadas às palavras- chave e categorias centrais do estudo, tais como Inteligência Artificial na educação, aprendizagem, autonomia dos estudantes, tecnologias educacionais, formação docente, avaliação educacional e inclusão. Após o levantamento, realizou-se uma leitura inicial das fontes para verificar sua pertinência em relação ao problema e aos objetivos da pesquisa. Em seguida, foram selecionados os conteúdos diretamente relacionados ao objeto investigado, com atenção às concepções de Inteligência Artificial, às possibilidades pedagógicas, aos impactos na aprendizagem, às relações com a autonomia e aos desafios decorrentes de sua utilização. O tratamento das informações ocorreu mediante organização temática dos conteúdos encontrados. As contribuições dos diferentes autores foram agrupadas de acordo com as categoriasanalíticas estabelecidas no estudo, permitindo identificar aproximações, diferenças, possibilidades e limitações presentes na literatura. Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba, Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian. 80 A análise foi realizada de maneira interpretativa e crítica, buscando estabelecer relações entre as diferentes fontes. Foram consideradas especialmente as discussões relacionadas às possibilidades de personalização da aprendizagem, ampliação do acesso ao conhecimento, diversificação das estratégias pedagógicas, apoio ao trabalho docente, desenvolvimento da autonomia e promoção de práticas inclusivas. Também foram analisados os desafios associados ao uso da IA, incluindo dependência tecnológica, autoria, confiabilidade das informações, avaliação, privacidade, desigualdade de acesso e necessidade de formação docente. Sousa et al. (2025) constituem uma referência importante para a análise das potencialidades e limitações da IA na avaliação, enquanto Almeida et al. (2025) contribuem para a compreensão das possibilidades e desafios relacionados ao uso das tecnologias no processo de inclusão educacional. A análise procurou estabelecer uma relação entre os resultados encontrados na literatura e o problema de pesquisa, permitindo compreender em que condições a Inteligência Artificial pode contribuir para o desenvolvimento educacional e em quais situações seu uso pode comprometer a participação ativa, o pensamento crítico e a autonomia dos estudantes. 4.5. Aspectos éticos e contribuições da pesquisa Por utilizar exclusivamente fontes bibliográficas e documentais disponíveis para consulta acadêmica, a pesquisa não envolveu intervenção direta com seres humanos, aplicação de instrumentos de coleta junto a participantes ou acesso a informações pessoais de indivíduos. Os procedimentos adotados concentraram-se na análise de produções científicas, livros, capítulos e documentos relacionados ao uso da Inteligência Artificial na educação, respeitando os princípios de reconhecimento da autoria, integridade acadêmica e utilização adequada das fontes. A pesquisa observou a necessidade de apresentar corretamente as contribuições dos autores consultados, evitando apropriação indevida de ideias e assegurando a identificação das fontes utilizadas na construção das discussões. A utilização responsável das informações constitui requisito essencial para a produção científica, fortalecendo a credibilidade do estudo e contribuindo para a construção de conhecimentos comprometidos com a ética, a responsabilidade e a transformação social. No campo educacional, a pesquisa apresenta relevância por reunir e analisar conhecimentos que favorecem uma compreensão mais consciente das possibilidades oferecidas pela Inteligência Artificial. A discussão desenvolvida contribui para que professores, estudantes, instituições de ensino e demais agentes educacionais reconheçam a IA como recurso capaz de ampliar estratégias pedagógicas, favorecer diferentes formas de acesso ao conhecimento, apoiar processos de aprendizagem e estimular práticas educativas mais dinâmicas, inclusivas e contextualizadas. Almeida et al. (2025) destacam a importância das tecnologias no processo de INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. . 81 inclusão educacional, reforçando a necessidade de compreender os recursos tecnológicos a partir de suas possibilidades pedagógicas e sociais. A contribuição da pesquisa também alcança a sociedade, considerando que a Inteligência Artificial está transformando as formas de produzir, acessar, compartilhar e utilizar informações. Ao abordar aprendizagem, autonomia, pensamento crítico, inclusão e mediação docente, o estudo favorece uma reflexão sobre a formação de sujeitos preparados para utilizar as tecnologias de maneira consciente, ética e responsável. De Abreu Pestana dos Santos (2023) evidencia potencialidades importantes da Inteligência Artificial para a educação, contribuindo para a compreensão de seu papel no desenvolvimento de novas práticas e experiências de aprendizagem. A investigação contribui, ainda, para o fortalecimento da autonomia dos estudantes, compreendida como capacidade de pesquisar, analisar, questionar, selecionar informações, produzir conhecimentos e tomar decisões de maneira responsável. Nesse contexto, a Inteligência Artificial pode atuar como instrumento de apoio ao processo educativo, ampliando possibilidades de pesquisa, criação, resolução de problemas e construção do conhecimento, sem substituir a participação ativa do estudante ou a mediação pedagógica do professor. A utilização da Inteligência Artificial também pode favorecer práticas educacionais mais inclusivas, especialmente quando seus recursos são empregados para atender diferentes formas e ritmos de aprendizagem. Almeida et al. (2025) relacionam o uso das tecnologias às possibilidades de inclusão educacional, enquanto Góes et al. (2025) evidenciam a importância das práticas pedagógicas mediadas por tecnologia e acessibilidade para promover experiências educativas mais participativas. A pesquisa possui, portanto, contribuição acadêmica, educacional e social ao ampliar a compreensão sobre a presença da Inteligência Artificial no cenário contemporâneo. O estudo favorece o debate sobre uma utilização tecnológica orientada por princípios pedagógicos, éticos e humanos, valorizando a aprendizagem significativa, a autonomia, a criatividade, o pensamento crítico e a participação dos estudantes. A metodologia adotada encontra-se diretamente articulada ao problema e aos objetivos da pesquisa. Ao analisar criticamente a produção existente, o estudo compreende a Inteligência Artificial não apenas como recurso tecnológico, mas como elemento capaz de participar das transformações das práticas pedagógicas, das formas de aprendizagem, da atuação docente e da construção da autonomia dos estudantes. A pesquisa busca contribuir para uma educação preparada para as transformações contemporâneas, na qual a inovação tecnológica esteja associada à valorização do conhecimento, da inclusão, da ética, da responsabilidade e do desenvolvimento humano. Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba, Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian. 82 5. APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS A análise das fontes bibliográficas e documentais selecionadas permitiu identificar que a Inteligência Artificial vem assumindo papel crescente no cenário educacional, produzindo possibilidades relacionadas à aprendizagem, à personalização das experiências educativas, à inclusão, à criatividade, à avaliação e à ampliação do acesso ao conhecimento. Os resultados também evidenciam que a presença da IA não deve ser compreendida apenas pela perspectiva tecnológica, pois sua utilização interfere nas práticas pedagógicas, na formação docente, na participação dos estudantes e nas formas de construção do conhecimento. A literatura analisada demonstra que os recursos tecnológicos podem ampliar experiências educativas quando articulados a objetivos pedagógicos definidos. Costa e Araújo (2025) destacam que as tecnologias modificam as relações estabelecidas no processo de ensino e aprendizagem, enquanto Teodoro et al. (2024) chamam atenção para a necessidade de preparação dos professores para utilizar os recursos tecnológicos de maneira adequada em sala de aula. Nesse contexto, os resultados da pesquisa apontam para uma relação direta entre inovação tecnológica, intencionalidade pedagógica e qualidadedas experiências de aprendizagem. 5.1. Análise e interpretação dos resultados à luz do referencial teórico A análise das produções selecionadas revela que a Inteligência Artificial apresenta potencial para ampliar as possibilidades de ensino e aprendizagem, especialmente quando utilizada como recurso de apoio à ação pedagógica. De Abreu Pestana dos Santos (2023) identifica potencialidades da IA no campo educacional, permitindo compreender que suas aplicações podem contribuir para novas formas de interação com conteúdos, informações e atividades de aprendizagem. Vieira et al. (2025) também evidenciam que os impactos da Inteligência Artificial na educação precisam ser analisados considerando simultaneamente suas potencialidades e seus limites. Os resultados demonstram que a tecnologia, por si só, não garante melhoria na aprendizagem. A efetividade de sua utilização depende da maneira como os recursos são incorporados às práticas educativas. Almeida (2026), ao discutir a prática pedagógica e a formação docente, contribui para essa compreensão ao valorizar uma educação crítica e emancipadora. A utilização da IA, portanto, apresenta melhores possibilidades quando integrada a propostas que estimulem reflexão, participação, criatividade e construção ativa do conhecimento. Essa perspectiva também pode ser relacionada às experiências de aprendizagem mediadas por diferentes recursos tecnológicos. Bezerra et al. (2024) evidenciam que a gamificação e os estudos mediados por tecnologia podem favorecer o engajamento e a motivação INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. . 83 dos estudantes. Embora a gamificação não seja equivalente à Inteligência Artificial, seus resultados contribuem para compreender que recursos digitais podem ampliar o interesse e a participação dos estudantes quando empregados com finalidade pedagógica. A análise permite identificar, ainda, que as tecnologias podem contribuir para diversificar as experiências educativas. Silva et al. (2026), ao abordarem as brincadeiras digitais e as tecnologias criativas, demonstram a aproximação entre ludicidade, criatividade e recursos contemporâneos. Esse resultado amplia a compreensão sobre as possibilidades da IA, indicando que sua utilização pode integrar diferentes linguagens, estratégias e formas de expressão no processo educativo. O currículo também aparece como elemento fundamental para que as tecnologias sejam utilizadas de maneira significativa. Azevedo (2026), ao discutir a integração do pensamento computacional na educação básica, evidencia a necessidade de articulação entre currículo, práticas pedagógicas e competências relacionadas ao universo digital. Os resultados da presente pesquisa reforçam essa compreensão, indicando que a IA deve estar vinculada às finalidades educativas e não ser incorporada apenas pela novidade tecnológica. 5.2. Possibilidades da Inteligência Artificial para a aprendizagem e o desenvolvimento dos estudantes Entre os principais resultados identificados encontra-se o potencial da Inteligência Artificial para ampliar estratégias de aprendizagem e diversificar as formas de acesso aos conteúdos. A utilização de ferramentas inteligentes pode auxiliar na pesquisa, organização de informações, produção textual, resolução de problemas, elaboração de atividades e exploração de diferentes possibilidades de aprendizagem. De Abreu Pestana dos Santos (2023) demonstra que a IA possui potencialidades educacionais relevantes, especialmente quando sua utilização é acompanhada por objetivos pedagógicos claros. A aprendizagem mediada por tecnologia pode também favorecer maior envolvimento dos estudantes. Bezerra et al. (2024) relacionam recursos tecnológicos ao engajamento e à motivação, enquanto Góes et al. (2025) apresentam a aprendizagem baseada em projetos como possibilidade de articulação entre metodologias ativas, inclusão, tecnologia e acessibilidade. Esses resultados indicam que a IA pode assumir função complementar em propostas que colocam o estudante em posição mais participativa diante do conhecimento. A dimensão criativa constitui outra possibilidade identificada. Silva et al. (2026) demonstram que as tecnologias criativas podem aproximar práticas educativas do universo contemporâneo dos estudantes. Quando empregada de maneira orientada, a Inteligência Artificial pode apoiar processos de criação, elaboração de hipóteses, produção de diferentes materiais e Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba, Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian. 84 exploração de soluções para problemas, favorecendo experiências que ultrapassam a simples reprodução de informações. A relação entre tecnologia e aprendizagem também pode ser observada em áreas específicas do currículo. Sousa (2026), ao discutir métodos de ensino de Matemática no Ensino Médio em Tempo Integral, contribui para evidenciar a importância da diversificação metodológica no desenvolvimento da aprendizagem. A IA pode integrar esse movimento ao oferecer possibilidades de simulação, resolução de problemas, produção de exemplos e apoio à compreensão de conceitos, desde que sua utilização permaneça subordinada às finalidades educacionais. Na área da linguagem, Vieira (2026) discute estratégias de letramento literário relacionadas ao eixo da leitura e à BNCC. Essa contribuição permite compreender que as tecnologias digitais podem ampliar as formas de interação dos estudantes com textos e conhecimentos. A IA pode apoiar atividades de leitura, interpretação, produção e revisão textual, mas precisa ser utilizada para estimular a compreensão e a autoria do estudante, e não para substituir sua experiência intelectual. A análise também evidencia que a aprendizagem pode ser relacionada à valorização de diferentes saberes culturais. Silva e Bacury (2026), ao tratarem da etnomatemática indígena e dos saberes tradicionais, demonstram a importância de reconhecer conhecimentos produzidos em diferentes contextos socioculturais. A utilização da Inteligência Artificial na educação precisa considerar essa diversidade, evitando a reprodução de perspectivas únicas e favorecendo o contato dos estudantes com múltiplas formas de produção do conhecimento. 5.3. Inteligência Artificial, autonomia, pensamento crítico e participação estudantil Os resultados indicam que a autonomia dos estudantes constitui uma das dimensões mais relevantes para a análise da Inteligência Artificial na educação. A tecnologia pode facilitar o acesso às informações e apoiar diferentes etapas da aprendizagem, mas a autonomia depende da capacidade do estudante de questionar, selecionar, comparar, interpretar e utilizar criticamente aquilo que encontra. Almeida (2026) contribui para essa perspectiva ao defender práticas pedagógicas orientadas para uma educação crítica e emancipadora. A Inteligência Artificial pode favorecer a autonomia quando utilizada como instrumento de investigação e apoio à construção do conhecimento. Nesse cenário, o estudante deixa de ocupar posição exclusivamente receptiva e passa a participar de processos de pesquisa, formulação de perguntas, comparação de respostas, revisão de informações e elaboração de produções próprias. Vieira et al. (2025) contribuem para essa discussão ao evidenciarem que os impactos da IA na educação precisam ser compreendidos de maneira ampla, considerando as transformações provocadas nas relações entre tecnologia, ensino e aprendizagem. INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. . 85 A autonomia também se relaciona à capacidade de utilizar criticamenteos recursos tecnológicos. O acesso rápido a respostas não significa, necessariamente, aprendizagem ou desenvolvimento intelectual. Os resultados demonstram que a utilização da IA deve estimular o estudante a verificar informações, reconhecer diferentes perspectivas, identificar possíveis erros e construir posicionamentos próprios. A avaliação assume importância significativa. Sousa et al. (2025) analisam as potencialidades e limitações da Inteligência Artificial na avaliação educacional, contribuindo para a compreensão de que os recursos automatizados podem apoiar determinadas práticas avaliativas, mas não substituem o olhar pedagógico sobre o processo de aprendizagem. A avaliação precisa considerar conhecimentos, habilidades, desenvolvimento individual, participação e capacidade de reflexão do estudante. A participação estudantil também pode ser fortalecida por estratégias que aproximem tecnologia, criatividade e ludicidade. Silva et al. (2026) demonstram que as brincadeiras digitais e as tecnologias criativas podem favorecer novas experiências educativas, enquanto Bezerra et al. (2024) relacionam práticas mediadas por tecnologia ao engajamento e à motivação. Os resultados permitem estabelecer uma relação entre esses elementos e o uso da IA, especialmente em atividades que valorizem investigação, criação e participação ativa. A formação da autonomia não pode ignorar as dimensões culturais e sociais da educação. Freitas (2026), ao discutir o letramento cultural na formação docente e a construção de práticas pedagógicas antirracistas, reforça a necessidade de uma educação atenta à diversidade. O desenvolvimento do pensamento crítico diante da IA também envolve a capacidade de reconhecer diferentes culturas, histórias, saberes e perspectivas sociais. 5.4. Inclusão educacional, personalização da aprendizagem e práticas pedagógicas mediadas por tecnologia Os resultados da pesquisa evidenciam que a Inteligência Artificial apresenta possibilidades relevantes para a educação inclusiva. Almeida et al. (2025) discutem os desafios e possibilidades do uso das tecnologias no processo de inclusão educacional, demonstrando que os recursos tecnológicos podem contribuir para ampliar formas de participação e acesso ao conhecimento. Essa perspectiva é especialmente importante diante da diversidade existente nos espaços escolares. A inclusão, entretanto, não deve ser compreendida apenas como disponibilização de uma ferramenta tecnológica. É necessário considerar as necessidades educacionais, as características dos estudantes, as condições de acessibilidade e os objetivos de aprendizagem. Góes et al. (2025) demonstram que práticas inclusivas mediadas por tecnologia podem ser fortalecidas quando associadas a metodologias ativas e estratégias de acessibilidade. Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba, Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian. 86 A análise também permite compreender que a personalização proporcionada por recursos tecnológicos pode favorecer diferentes percursos de aprendizagem. A IA pode auxiliar na apresentação de explicações alternativas, elaboração de atividades diferenciadas e organização de materiais adequados a determinados objetivos pedagógicos. Essa possibilidade dialoga com a discussão apresentada por Azevedo (2026) sobre currículo, práticas pedagógicas e pensamento computacional, reforçando que a integração tecnológica precisa ocorrer de maneira planejada. As diferentes formas de aprendizagem também podem ser contempladas por estratégias lúdicas e criativas. Cabral (2026), ao apresentar a técnica de Total Physical Response como possibilidade para o ensino da língua inglesa com crianças, evidencia a importância de metodologias que considerem diferentes formas de interação com o conteúdo. Embora a técnica não esteja diretamente relacionada à IA, sua contribuição demonstra que a inovação pedagógica envolve diversificação metodológica e atenção às características dos estudantes. A inclusão educacional também exige respeito à dignidade, à diversidade e às condições específicas dos sujeitos. Ischkanian e Ischkanian (2026), ao discutirem os direitos das pessoas com deficiência no contexto da legislação PCD, contribuem para uma compreensão ampliada da inclusão como direito e como compromisso social. A Inteligência Artificial, nesse contexto, pode constituir recurso de acessibilidade e apoio pedagógico, desde que utilizada em consonância com os direitos dos estudantes e com práticas educativas humanizadas. Oliveira (2026) amplia essa discussão ao abordar a relação entre Inteligência Artificial humanizada, educação inclusiva, subjetividades e construção do conhecimento. Os resultados analisados indicam que a tecnologia educacional precisa preservar a centralidade humana do processo educativo. A Inteligencia Artificial deve servir ao desenvolvimento dos estudantes, contribuindo para ampliar possibilidades de aprendizagem sem reduzir a educação a procedimentos automatizados. A valorização da diversidade cultural também integra uma perspectiva inclusiva. Oliveira (2026), ao discutir as interfaces entre tecnologia, subjetividades e construção do conhecimento, permite compreender que a incorporação da IA precisa considerar os diferentes sujeitos presentes no espaço educacional. Oliveira (2026), em sua análise sobre políticas editoriais e censura cultural, também evidencia a importância de preservar línguas, saberes e histórias que podem ser invisibilizados por determinadas formas de produção e circulação de informação. A utilização da IA deve, portanto, favorecer a diversidade e não reproduzir processos de silenciamento cultural. INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. . 87 5.5. Mediação docente, formação profissional e uso ético da Inteligência Artificial na educação Os resultados demonstram que o professor permanece como elemento fundamental no processo educativo mesmo diante da expansão da Inteligência Artificial. A tecnologia pode apoiar atividades, produzir materiais, organizar informações e oferecer diferentes possibilidades de interação com os conteúdos, mas a definição dos objetivos educacionais, a contextualização das atividades, o acompanhamento da aprendizagem e a mediação das relações pedagógicas continuam dependendo da ação profissional docente. Teodoro et al. (2024) evidenciam os desafios enfrentados pelos professores na utilização das tecnologias de informação e comunicação, indicando a importância da formação para o uso adequado dos recursos digitais. Almeida (2026) reforça essa necessidade ao relacionar formação docente, prática pedagógica e construção de uma educação crítica e emancipadora. Os resultados desta pesquisa convergem para a compreensão de que a formação continuada constitui condição importante para que os professores utilizem a IA com segurança, criticidade e intencionalidade pedagógica. A formação profissional também envolve desenvolvimento de competências. Ischkanian (2026), ao abordar capacitação, avaliação de desempenho e planejamento de lideranças, contribui para compreender a importância de processos formativos organizados para o desenvolvimento de competências. Embora seu enfoque esteja relacionado à formação de adultos e ao desenvolvimento profissional, seus pressupostos podem dialogar com a necessidade de preparar educadores para lidar com novas tecnologias e com as transformações provocadas pela Inteligência Artificial. A dimensão ética constitui outro resultado importante. A utilização de ferramentas de IA exige atenção à autoria, à qualidade das informações, à privacidade, à responsabilidade pelo conteúdo produzidoe à formação do estudante para o uso consciente das tecnologias. Sousa et al. (2025), ao analisarem a IA na avaliação educacional, reforçam a necessidade de reconhecer as potencialidades e os limites desses recursos antes de incorporá-los a processos que envolvem decisões pedagógicas. A formação docente precisa contemplar também a dimensão cultural da utilização tecnológica. Freitas (2026) demonstra a importância do letramento cultural para a consolidação de práticas pedagógicas antirracistas. No contexto da Inteligência Artificial, essa perspectiva contribui para que os professores estejam atentos às diferentes representações culturais presentes nos conteúdos produzidos pelas tecnologias e desenvolvam estratégias para estimular uma leitura crítica dessas informações. A relação entre tecnologia e currículo igualmente depende da atuação docente. Azevedo (2026) destaca a integração do pensamento computacional às práticas curriculares, enquanto Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba, Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian. 88 Vieira (2026) evidencia a importância de estratégias de letramento literário no desenvolvimento da leitura. Esses estudos demonstram que diferentes recursos tecnológicos podem ser incorporados ao currículo quando existe planejamento pedagógico e clareza quanto às aprendizagens pretendidas. Os resultados também evidenciam que a tecnologia pode ampliar experiências de aprendizagem sem eliminar metodologias já consolidadas. Cabral (2026), Sousa (2026), Bezerra et al. (2024) e Silva et al. (2026) apresentam diferentes possibilidades metodológicas relacionadas ao ensino de línguas, Matemática, gamificação, ludicidade e tecnologias criativas. A análise conjunta dessas contribuições permite compreender que a Inteligência Artificial pode integrar um conjunto mais amplo de estratégias pedagógicas, funcionando como recurso complementar à ação docente. A perspectiva inclusiva reforça essa necessidade de mediação humana. Almeida et al. (2025) e Góes et al. (2025) demonstram que a tecnologia pode contribuir para práticas educacionais mais acessíveis e participativas, enquanto Ischkanian e Ischkanian (2026) reforçam a importância da garantia de direitos e dignidade das pessoas com deficiência. A utilização da IA precisa, portanto, estar comprometida com uma educação que reconheça as diferenças e promova oportunidades de participação. A análise das referências permite identificar, finalmente, que a Inteligência Artificial não deve ser compreendida como substituta do professor, do estudante ou das relações humanas que constituem a educação. Seu potencial está relacionado à capacidade de ampliar recursos, apoiar práticas pedagógicas, favorecer novas experiências de aprendizagem e contribuir para a construção de ambientes educacionais mais acessíveis e criativos. Oliveira (2026) sintetiza essa perspectiva ao aproximar Inteligência Artificial humanizada, educação inclusiva e construção do conhecimento. Oliveira (2026) destaca que a inserção da Inteligência Artificial no campo educacional pode ampliar as possibilidades de aprendizagem quando acompanhada de planejamento e orientação pedagógica. Essa perspectiva permite compreender a gamificação não apenas como utilização de jogos ou recompensas, mas como uma estratégia capaz de organizar desafios, estimular a participação e favorecer a construção progressiva do conhecimento. A articulação entre IA e elementos gamificados pode contribuir para experiências mais diversificadas, nas quais os estudantes sejam incentivados a pesquisar, experimentar, resolver problemas e acompanhar seu próprio percurso de aprendizagem. Para esta pesquisa, essa contribuição é relevante porque evidencia que a inovação tecnológica adquire significado pedagógico quando está vinculada a objetivos educacionais claros e às necessidades concretas dos estudantes. Ischkanian (2026) amplia essa compreensão ao defender que a Inteligência Artificial pode atuar como aliada da educação quando articulada à mediação pedagógica, à inclusão, à INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. . 89 criatividade, ao pensamento crítico e à autonomia dos estudantes. Sob essa perspectiva, estratégias gamificadas apoiadas por IA podem criar situações de aprendizagem mais participativas, sem retirar do estudante a oportunidade de pensar, questionar, criar e construir seus próprios conhecimentos. A contribuição da autora é especialmente significativa para esta pesquisa porque reforça a necessidade de preservar a dimensão humana da educação, utilizando a tecnologia para ampliar oportunidades e superar barreiras, e não para substituir as relações pedagógicas. Assim, a integração entre IA e gamificação pode favorecer uma aprendizagem mais significativa, inclusiva e interativa, desde que permaneça orientada pela intencionalidade docente e pelo protagonismo do estudante. CONCLUSÃO A pesquisa Inteligência Artificial na educação: possibilidades, limites e impactos na aprendizagem e autonomia dos estudantes evidencia que a incorporação das tecnologias de Inteligência Artificial ao contexto educacional representa uma oportunidade significativa para ampliar e diversificar as experiências de aprendizagem. Os resultados da análise demonstram que a IA pode contribuir para o acesso ao conhecimento, a pesquisa, a criatividade, a resolução de problemas, a personalização das atividades e a participação mais ativa dos estudantes. Quando integrada ao currículo de maneira planejada e vinculada a objetivos pedagógicos, a tecnologia pode favorecer práticas educativas mais dinâmicas, inclusivas e conectadas às demandas da sociedade contemporânea. A pesquisa também evidencia que a contribuição da IA para a autonomia dos estudantes está relacionada à forma como seus recursos são utilizados. A autonomia não significa deixar o estudante sozinho diante da tecnologia, mas possibilitar que ele desenvolva condições para pesquisar, comparar informações, formular perguntas, avaliar respostas, produzir conhecimentos e tomar decisões de maneira consciente. Nesse processo, a mediação docente permanece indispensável, pois é o professor quem atribui intencionalidade pedagógica às ferramentas, contextualiza os conhecimentos, estimula o pensamento crítico e acompanha o desenvolvimento dos estudantes. A IA, portanto, pode atuar como recurso de apoio, ampliando possibilidades sem substituir a ação educativa humana. Os limites identificados não diminuem o potencial transformador da Inteligência Artificial. Questões relacionadas à confiabilidade das informações, à privacidade e proteção de dados, à autoria, à integridade acadêmica, à dependência tecnológica e às desigualdades de acesso demonstram a necessidade de formação continuada de professores e estudantes para o uso ético, crítico e responsável desses recursos. A presença dessas questões reforça que a inovação educacional não deve ser avaliada apenas pela quantidade de tecnologias utilizadas, mas pela qualidade das experiências de aprendizagem que elas possibilitam. Nesse sentido, o uso Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba, Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian. 90 consciente da IA pode contribuir para uma cultura educacional pautada pela reflexão, pela responsabilidade, pela inclusão e pela participação. Conclui-se, portanto, que a Inteligência Artificial apresenta potencial positivo para fortalecer a aprendizagem e a autonomia dos estudantes, especialmente quando articulada à mediaçãodocente, à intencionalidade pedagógica, à criatividade, à inclusão e ao pensamento crítico. A tecnologia pode ampliar caminhos para ensinar e aprender, oferecer novos recursos para a investigação e favorecer experiências educacionais mais flexíveis e significativas. Seu maior potencial não está em substituir práticas ou relações humanas, mas em ampliar as possibilidades de atuação de professores e estudantes, criando condições para uma educação mais participativa, inovadora e humanizada. Diante dessas evidências, a pesquisa aponta para a necessidade de compreender a Inteligência Artificial como parte de um processo contínuo de transformação educacional. O desafio futuro consiste em aprofundar práticas pedagógicas que integrem inovação tecnológica e formação humana, garantindo que os estudantes sejam preparados não apenas para utilizar ferramentas de IA, mas para compreender seus impactos, questionar seus resultados, produzir conhecimentos e participar de forma responsável da sociedade. Novos estudos poderão ampliar essa discussão por meio de investigações empíricas em diferentes níveis e contextos educacionais, contribuindo para o desenvolvimento de práticas que utilizem a Inteligência Artificial de maneira cada vez mais ética, inclusiva, crítica, criativa e humanizada. REFERÊNCIAS ALMEIDA, A. C; TIMOTEO, A L. A; MELO, I. A. de; RESENDE, M. I. de C; OLIVEIRA, S. B de. O uso das tecnologias no processo de inclusão educacional: desafios e possibilidades: The use of technology in the educational inclusion process: challenges and possibilities. RCMOS - Revista Científica Multidisciplinar O Saber, v. 1, n. 1, 2025. DOI: https://doi.org/10.51473/rcmos.v1i1.2025.1060. ALMEIDA, Wandra Carla Silva. Prática pedagógica e formação docente: caminhos para uma educação crítica e emancipadora. In: OLIVEIRA, Mara Lúcia Nunes de Lima et al. Inteligência artificial humanizada e educação inclusiva: interfaces entre tecnologias, subjetividades e construção do conhecimento no século XXI. Belém: Worges, 2026. p. 62-73. DOI: 10.46898/worges.9786551301582. AZEVEDO, Celine Maria de Sousa. Currículo, práticas pedagógicas e BNCC Computação: desafios e possibilidades para a integração do pensamento computacional na educação básica. In: OLIVEIRA, Mara Lúcia Nunes de Lima et al. Inteligência artificial humanizada e educação inclusiva: interfaces entre tecnologias, subjetividades e construção do conhecimento no século XXI. Belém: Worges, 2026. p. 87-99. DOI: 10.46898/worges.9786551301582. INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. . 91 BEZERRA, E. T.; DAMACENA, R.; LIMA, I. F. dos S.; LISBOA, A. de O. C.; FERREIRA, M. de O.; FREITAS, A. Q. de; SOUSA, D. B.; SCABENI, R. S.; VIEIRA, A. J. F. Gamificação e estudos mediados por tecnologia: engajamento e motivação no ambiente educacional. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 10, n. 7, p. 3102–3117, 2024. DOI: https://doi.org/10.51891/rease.v10i7.15012. CABRAL, Gladys Nogueira. A técnica de Total Physical Response (TPR): exemplos do método que favorece o aprendizado da língua inglesa para crianças de 7 a 8 anos. In: OLIVEIRA, Mara Lúcia Nunes de Lima et al. Inteligência artificial humanizada e educação inclusiva: interfaces entre tecnologias, subjetividades e construção do conhecimento no século XXI. Belém: Worges, 2026. p. 50-61. DOI: 10.46898/worges.9786551301582. COSTA, L. A. S.; ARAÚJO, F. R. D. O impacto das tecnologias no ensino e na aprendizagem: desafios e possibilidades no contexto do novo ensino médio. Revista Ibero- Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 11, n. 10, p. 5786–5789, 2025. DOI: https://doi.org/10.51891/rease. v11i10.21823. DE ABREU PESTANA DOS SANTOS, D. M. A. Inteligência artificial na educação: potencialidades e desafios. SCIAS – Educação, Comunicação e Tecnologia, v. 5, n. 2, p. 74–89, 2023. DOI: https://doi.org/10.36704/sciaseducomtec. v5i2.7692. FREITAS, Marcos Aurelio dos Santos. Letramento cultural na formação docente: caminhos para a consolidação de práticas pedagógicas antirracistas. In: OLIVEIRA, Mara Lúcia Nunes de Lima et al. Inteligência artificial humanizada e educação inclusiva: interfaces entre tecnologias, subjetividades e construção do conhecimento no século XXI. Belém: Worges, 2026. p. 74-86. DOI: 10.46898/worges.9786551301582. GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2008. GÓES, M. S. et al. Aprendizagem baseada em projetos: uma abordagem ativa para promover práticas inclusivas mediadas por tecnologia e acessibilidade. Revista Ibero- Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 11, n. 11, p. 4147–4169, 2025. DOI: https://doi.org/10.51891/rease.v11i11.22215. ISCHKANIAN, Sandro Garabed. Capacitação, avaliação de desempenho e planejamento de lideranças: etapas da formação de adultos para o desenvolvimento de competências. In: OLIVEIRA, Mara Lúcia Nunes de Lima et al. Inteligência artificial humanizada e educação inclusiva: interfaces entre tecnologias, subjetividades e construção do conhecimento no século XXI. Belém: Worges, 2026. p. 174-? DOI: 10.46898/worges.9786551301582. ISCHKANIAN, Simone Helen Drumond; ISCHKANIAN, Sandro Garabed. A dignidade da pessoa humana e os direitos das pessoas com fibromialgia no contexto da legislação PCD. In: OLIVEIRA, Mara Lúcia Nunes de Lima et al. Inteligência artificial humanizada e educação inclusiva: interfaces entre tecnologias, subjetividades e construção do conhecimento no século XXI. Belém: Worges, 2026. p. 34-49. DOI: 10.46898/worges.9786551301582. OLIVEIRA, Mara Lúcia Nunes de Lima. Inteligência artificial humanizada e educação inclusiva: interfaces entre tecnologias, subjetividades e construção do conhecimento no século XXI. In: OLIVEIRA, Mara Lúcia Nunes de Lima et al. Inteligência artificial humanizada e educação inclusiva: interfaces entre tecnologias, subjetividades e construção do conhecimento no século XXI. Belém: Worges, 2026. p. 12-33. DOI: 10.46898/worges.9786551301582. https://doi.org/10.51891/rease.v10i7.15012 https://doi.org/10.51891/rease https://doi.org/10.36704/sciaseducomtec Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba, Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian. 92 OLIVEIRA, Pedro Eduardo Pires de. Políticas editoriais e censura cultural: como os impressos oficiais silenciaram línguas, saberes e histórias dos povos indígenas. In: OLIVEIRA, Mara Lúcia Nunes de Lima et al. Inteligência artificial humanizada e educação inclusiva: interfaces entre tecnologias, subjetividades e construção do conhecimento no século XXI. Belém: Worges, 2026. p. 113-126. DOI: 10.46898/worges.9786551301582. SANTOS, Cíntia Aparecida Nogueira dos. Monteiro Lobato e a literatura infantil brasileira: debates contemporâneos sobre sua obra. In: OLIVEIRA, Mara Lúcia Nunes de Lima et al. Inteligência artificial humanizada e educação inclusiva: interfaces entre tecnologias, subjetividades e construção do conhecimento no século XXI. Belém: Worges, 2026. p. 127-140. DOI: 10.46898/worges.9786551301582. SILVA, Francisca Araújo da; ISCHKANIAN, Simone Helen Drumond; CABRAL, Gladys Nogueira; BATISTA, Maria Gleicy Gurgel Correia; CARVALHO, Silvana Nascimento de; CARVALHO, Sygride Nascimento de; CARVALHO, Gabriel Nascimento de; ISCHKANIAN, Sandro Garabed. Brincadeiras digitais e tecnologias criativas: integração do lúdico com o mundo contemporâneo. Clube de Autores e Pesquisadores. São Paulo: LivroZilla, 2026. Disponível em: https://livrozilla.com/doc/1752797/brincadeiras-digitais-e-tecnologias-criativas. Acesso em: 6 set. 2026. SILVA, Lucas Serrão da; BACURY, Gerson Ribeiro. Etnomatemática indígenae saberes tradicionais na educação básica. In: OLIVEIRA, Mara Lúcia Nunes de Lima et al. Inteligência artificial humanizada e educação inclusiva: interfaces entre tecnologias, subjetividades e construção do conhecimento no século XXI. Belém: Worges, 2026. p. 156-173. DOI: 10.46898/worges.9786551301582. SOUSA, L. A. de; SOUZA, A. S.; MUÑOZ, D. R.; PONTES JUNIOR, J. A. de F. Inteligência artificial na avaliação educacional: potencialidades e limitações. Práxis Educacional, v. 21, n. 52, p. e17106, 2025. DOI: https://doi.org/10.22481/praxisedu.v21i52.17106. SOUSA, Maria Aparecida de Moura Amorim. Métodos de ensino de Matemática no Ensino Médio em Tempo Integral. In: OLIVEIRA, Mara Lúcia Nunes de Lima et al. Inteligência artificial humanizada e educação inclusiva: interfaces entre tecnologias, subjetividades e construção do conhecimento no século XXI. Belém: Worges, 2026. p. 100-112. DOI: 10.46898/worges.9786551301582. TEODORO, F. C. A. et al. Desafios e perspectivas na utilização das tecnologias de informação e comunicação pelos professores em sala de aula. Caderno Pedagógico, v. 21, n. 5, p. e4066, 2024. DOI: https://doi.org/10.54033/cadpedv21n5-099. VIEIRA, Adelson de Matos et al. Inteligência Artificial na Educação: Impactos, Limites e Potencialidades. Aurum Editora (e-books), [S. l.], p. 426–442, 2025. DOI: 10.63330/aurumpub.028-036. VIEIRA, Nivea Maria Costa. BNCC e o eixo leitura: estratégias de letramento literário no Ensino Fundamental Anos Iniciais. In: OLIVEIRA, Mara Lúcia Nunes de Lima et al. Inteligência artificial humanizada e educação inclusiva: interfaces entre tecnologias, subjetividades e construção do conhecimento no século XXI. Belém: Worges, 2026. p. 141-155. DOI: 10.46898/worges.9786551301582. https://livrozilla.com/doc/1752797/brincadeiras-digitais-e-tecnologias-criativas?utm_source=chatgpt.com https://doi.org/10.22481/praxisedu.v21i52.17106 https://doi.org/10.54033/cadpedv21n5-099 https://doi.org/10.63330/aurumpub.028-036 INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. . 93 Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba, Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian. 94 INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. Ivoney da Silva Oliveira Simone Helen Drumond Ischkanian Gladys Nogueira Cabral Silvana Nascimento de Carvalho António Manuel Domingos Caba Gabriel Nascimento de Carvalho Sygride Nascimento de Carvalho Sandro Garabed Ischkanian A construção da pesquisa Inteligência Artificial na educação: possibilidades, limites e impactos na aprendizagem e autonomia dos estudantes representa um esforço coletivo de reflexão, investigação e compromisso com os desafios educacionais do presente e do futuro. Aos autores Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba, Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian, expressamos nosso profundo agradecimento pela dedicação, pela contribuição intelectual e pela disposição em participar de uma discussão de extraordinária relevância para a educação e para a sociedade global. A contribuição coletiva dos autores ultrapassa a análise da Inteligência Artificial enquanto recurso tecnológico. A pesquisa evidencia a necessidade de compreender a IA como parte de uma transformação educacional que envolve aprendizagem, autonomia, inclusão, criatividade, pensamento crítico, ética, autoria, responsabilidade e relações humanas. Ao reunirem diferentes perspectivas em torno de uma mesma temática, os autores fortalecem uma reflexão necessária sobre as mudanças de postura que precisam acompanhar a expansão das tecnologias inteligentes. A obra demonstra que a inovação educacional não consiste simplesmente em utilizar novas ferramentas, mas em repensar práticas, ampliar possibilidades e preparar professores e estudantes para participar de maneira consciente das transformações sociais e tecnológicas. A relevância desta pesquisa também se manifesta em sua dimensão social. A Inteligência Artificial já influencia diferentes campos da vida contemporânea, modificando formas de INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. . 95 comunicação, produção, trabalho, acesso à informação e construção do conhecimento. Nesse cenário, discutir seus impactos na educação significa contribuir para que crianças, jovens e adultos desenvolvam condições de utilizar essas tecnologias sem abrir mão da capacidade de pensar, questionar, criar, decidir e produzir conhecimento. O trabalho dos autores, portanto, contribui para uma perspectiva de educação capaz de acompanhar as transformações do mundo sem abandonar os princípios de humanização, inclusão, responsabilidade e valorização da pessoa. Ivoney da Silva Oliveira, nosso reconhecimento e agradecimento pela contribuição para a compreensão da Inteligência Artificial como possibilidade de transformação das práticas educacionais. Sua participação fortalece a perspectiva de que a tecnologia pode ampliar caminhos para a aprendizagem, apoiar a pesquisa, favorecer novas estratégias pedagógicas e aproximar a educação das demandas de uma sociedade em constante transformação. Sua contribuição é significativa para a construção de uma visão de inovação que esteja associada à responsabilidade e à formação integral dos estudantes. Simone Helen Drumond Ischkanian, expressamos nosso especial agradecimento pela contribuição voltada à dimensão humana, inclusiva, criativa e pedagógica da Inteligência Artificial. Sua participação reforça a importância de compreender a tecnologia como recurso capaz de ampliar oportunidades, superar barreiras e favorecer o protagonismo dos estudantes, sem substituir a sensibilidade, a intencionalidade e a mediação do professor. Sua contribuição fortalece a defesa de uma educação na qual inovação e humanização caminhem juntas. Gladys Nogueira Cabral, recebemos com reconhecimento sua contribuição para a reflexão sobre inovação, responsabilidade e transformação das práticas pedagógicas. Sua participação evidencia que a presença da Inteligência Artificial na educação precisa ultrapassar o domínio técnico das ferramentas, envolvendo ética, análise crítica, participação e compreensão dos impactos sociais decorrentes de sua utilização. Seu olhar contribui para que a pesquisa valorize uma inovação comprometida com a construção do conhecimento e com as necessidades da sociedade. Silvana Nascimento de Carvalho, expressamos nosso agradecimento pela importante contribuição relacionada à presença da Inteligência Artificial no cotidiano educacional e às possibilidades de diversificação das estratégias de ensino. Sua participação destaca a necessidade de considerar as características dos estudantes, os objetivos educacionais e os princípios éticos que orientam a formação humana. Sua contribuição reafirma que a tecnologia deve atuar como recurso de apoio à educação, preservando as relações humanas que constituem o processo de ensinar e aprender. António Manuel Domingos Caba, nosso sincero agradecimento por sua contribuição para a compreensão da necessidade de formar sujeitos capazes de utilizar a Inteligência Artificial de Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba, Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian. 96 maneira crítica e responsável. Sua reflexãoamplia a discussão ao destacar a importância de questionar resultados, reconhecer limites, avaliar informações e tomar decisões conscientes. Sua participação fortalece uma das dimensões essenciais desta pesquisa: a preparação de estudantes e professores para uma sociedade na qual aprender continuamente e participar criticamente serão competências cada vez mais necessárias. Gabriel Nascimento de Carvalho, agradecemos sua contribuição para a análise das transformações provocadas pelas tecnologias digitais nas experiências de aprendizagem. Sua participação valoriza a criatividade, a participação e a construção do conhecimento, chamando atenção para a necessidade de evitar uma utilização passiva ou dependente dos recursos tecnológicos. Sua contribuição reforça a compreensão de que o acesso à tecnologia somente alcança verdadeiro significado educacional quando se transforma em oportunidade de investigação, reflexão e produção de conhecimentos. Sygride Nascimento de Carvalho, expressamos nosso reconhecimento pela contribuição relacionada à autonomia e à participação ativa dos estudantes. Sua perspectiva evidencia que a Inteligência Artificial pode apoiar processos de aprendizagem mais dinâmicos e diversificados, desde que seja utilizada como instrumento para pesquisar, comparar, questionar, produzir e refletir. Sua participação fortalece a compreensão de que a inovação tecnológica deve estimular a autonomia intelectual, e não criar dependência dos recursos automatizados. Sandro Garabed Ischkanian, nosso agradecimento pela contribuição para uma compreensão ampla da Inteligência Artificial como fenômeno social, cultural e educacional. Sua participação evidencia que os benefícios da tecnologia dependem da maneira como ela é incorporada às práticas educativas e que nenhuma ferramenta tecnológica substitui a capacidade humana de interpretar contextos, estabelecer relações, formular valores e atribuir significado ao conhecimento. Sua contribuição amplia a pesquisa ao situar a IA dentro de um processo maior de transformação da sociedade. A cada autor, individualmente, expressamos nossa gratidão pela dedicação, pelas ideias compartilhadas e pelo compromisso com a construção do conhecimento. Coletivamente, agradecemos por transformarem diferentes perspectivas em uma produção que busca contribuir para os debates contemporâneos sobre educação, tecnologia e formação humana. A força desta pesquisa encontra-se justamente na possibilidade de reunir diferentes olhares em torno de uma questão que não pertence apenas ao presente, mas que terá profundas implicações para as próximas gerações. Que esta obra alcance professores, estudantes, pesquisadores, gestores educacionais, famílias e demais sujeitos envolvidos com a educação, estimulando novas reflexões e mudanças de postura diante da Inteligência Artificial. Que suas contribuições possam inspirar práticas INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. . 97 pedagógicas mais conscientes, inclusivas, criativas e humanizadas e incentivar novas pesquisas capazes de aprofundar os caminhos para uma utilização responsável das tecnologias inteligentes. Nosso agradecimento coletivo e individual aos autores representa, portanto, o reconhecimento de uma contribuição que ultrapassa os limites desta publicação. Pesquisar a Inteligência Artificial na educação é participar de uma discussão que envolve o futuro da aprendizagem, da autonomia, do trabalho, da cidadania e da própria sociedade. Ao contribuir para essa reflexão, os autores ajudam a construir possibilidades para que a inovação tecnológica seja acompanhada por consciência, ética, pensamento crítico, inclusão, criatividade e valorização da dimensão humana, reafirmando que o futuro da educação não depende apenas de tecnologias mais avançadas, mas de pessoas preparadas para utilizá-las com responsabilidade e propósito. Essa contribuição torna-se ainda mais significativa diante da velocidade com que a Inteligência Artificial vem modificando as formas de aprender, ensinar, produzir e compartilhar conhecimentos. A pesquisa possibilita compreender que as transformações tecnológicas precisam ser acompanhadas por mudanças de postura, formação continuada e compromisso com uma educação capaz de preparar sujeitos para lidar criticamente com novos cenários. Nesse sentido, o trabalho dos autores não apenas registra um momento de transformação educacional, mas também incentiva professores, estudantes e pesquisadores a assumirem uma participação ativa na construção de práticas mais conscientes, inclusivas e inovadoras. Reconhecemos, ainda, que uma pesquisa dessa natureza possui potencial para alcançar diferentes contextos educacionais e sociais, contribuindo para ampliar o diálogo sobre os benefícios, os limites e as responsabilidades relacionadas ao uso da Inteligência Artificial. Ao colocar a aprendizagem e a autonomia dos estudantes no centro dessa discussão, os autores fortalecem uma perspectiva de futuro na qual a tecnologia esteja a serviço das pessoas e das possibilidades de desenvolvimento humano. Trata-se de uma contribuição que estimula novas investigações, novas práticas pedagógicas e novas formas de compreender a relação entre conhecimento, tecnologia e sociedade. Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba, Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian. 98 POSFÁCIO A presente obra chega ao leitor em um momento histórico no qual a Inteligência Artificial deixou de representar apenas uma possibilidade tecnológica e passou a integrar, de maneira crescente, diferentes dimensões da vida social, profissional e educacional. Nesse cenário, Inteligência Artificial na educação: possibilidades, limites e impactos na aprendizagem e autonomia dos estudantes apresenta uma contribuição relevante ao reunir reflexões sobre as possibilidades, os limites e os impactos dessa tecnologia nos processos de aprendizagem e no desenvolvimento da autonomia dos estudantes. A temática ultrapassa o entusiasmo tecnológico e também se distancia de perspectivas excessivamente restritivas, propondo uma compreensão da IA fundamentada na responsabilidade, na criticidade, no planejamento pedagógico e no compromisso com a formação humana. Na condição de autores deste posfácio, Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian e Sandro Garabed Ischkanian apresentam uma leitura reflexiva sobre as contribuições discutidas ao longo da obra, valorizando as possibilidades oferecidas pela Inteligência Artificial sem desconsiderar os desafios que acompanham sua presença na educação. Essa perspectiva é particularmente importante porque a expansão da IA nos espaços educacionais exige novas formas de pensar o ensino, a aprendizagem, a autoria, a pesquisa, a avaliação e a autonomia dos estudantes. A tecnologia pode ampliar recursos e experiências, mas seu significado educacional depende das finalidades que orientam sua utilização e das relações pedagógicas estabelecidas ao longo desse processo. Um dos aspectos que merece destaque na obra é a compreensão de que a Inteligência Artificial pode favorecer novas possibilidades de aprendizagem quando associada à intencionalidade pedagógica. Recursos tecnológicos podem apoiar pesquisas, organizar informações, estimular a criatividade, favorecer diferentes linguagens e contribuir para experiências educacionais mais flexíveis. Contudo, a utilização da IA não deve conduzir à substituição da reflexão e do esforço intelectual. Aprender envolve questionar, interpretar, comparar, produzir, argumentar, experimentar e atribuir significado ao conhecimento. A tecnologia pode apoiar essasações, mas é a participação ativa do estudante que confere sentido ao processo formativo. A autonomia dos estudantes ocupa, igualmente, posição central nessa discussão. A utilização responsável da IA pode contribuir para desenvolver maior capacidade de investigação, participação e tomada de decisões, desde que a tecnologia não seja transformada em substituta da atividade intelectual. A autonomia pressupõe capacidade de formular perguntas, avaliar informações, reconhecer limitações, comparar diferentes perspectivas e assumir responsabilidade pelo próprio percurso formativo. Nessa perspectiva, a IA pode constituir uma importante aliada INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. . 99 da aprendizagem, desde que seja utilizada como instrumento de apoio à construção do conhecimento e não como mecanismo de dependência. Outro aspecto fundamental diz respeito à mediação docente. Em uma educação marcada pela expansão das tecnologias inteligentes, o professor continua exercendo uma função indispensável na seleção de estratégias, na contextualização dos conteúdos, na orientação das pesquisas e no desenvolvimento do pensamento crítico. A inovação tecnológica não diminui a relevância do professor; ao contrário, amplia a necessidade de profissionais preparados para transformar recursos tecnológicos em experiências efetivamente educativas. A mediação humana permanece essencial para que a tecnologia seja utilizada com sentido, propósito, responsabilidade e compromisso com a aprendizagem. A dimensão inclusiva também merece atenção. A Inteligência Artificial pode contribuir para ampliar oportunidades de aprendizagem, diversificar recursos e apoiar estudantes com diferentes necessidades e formas de aprender. Entretanto, inclusão não se resume ao acesso à tecnologia. É necessário considerar acessibilidade, condições de participação, acompanhamento pedagógico, respeito às singularidades e valorização das diferentes formas de aprendizagem. A tecnologia alcança seu maior potencial educativo quando contribui para reduzir barreiras, ampliar oportunidades e favorecer a participação efetiva dos estudantes. Ao considerar os limites da Inteligência Artificial, a obra demonstra maturidade diante das transformações contemporâneas. Questões relacionadas à confiabilidade das informações, à privacidade, à proteção de dados, à autoria, à integridade acadêmica e à dependência tecnológica precisam integrar permanentemente o debate educacional. Reconhecer esses desafios não significa rejeitar a inovação, mas estabelecer condições para que ela aconteça de maneira ética, consciente e responsável. A educação precisa preparar sujeitos capazes de utilizar a tecnologia e, simultaneamente, de questionar seus resultados, compreender seus limites e avaliar criticamente seus impactos. Por essa razão, esta obra não deve ser compreendida apenas como uma análise sobre uma tecnologia emergente. Trata-se de uma reflexão sobre posturas diante do conhecimento e do futuro da educação. A presença da IA convida professores, estudantes, pesquisadores e instituições a reconsiderarem práticas consolidadas e a construírem novas formas de ensinar e aprender. Essa transformação exige abertura ao novo, mas também capacidade de preservar princípios fundamentais da educação, como diálogo, responsabilidade, criatividade, pensamento crítico, cooperação, inclusão e valorização da pessoa. A relevância da temática apresentada nesta obra ultrapassa fronteiras geográficas e institucionais. Diferentes países, sistemas educacionais e comunidades estão diante de desafios relacionados à expansão das tecnologias de Inteligência Artificial. Nesse contexto, reflexões que aproximam inovação tecnológica e formação humana contribuem para um debate necessário Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba, Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian. 100 sobre os caminhos que a educação pode seguir diante das profundas transformações sociais e culturais em curso. Pensar a IA na educação significa também pensar sobre o tipo de estudante, professor e sociedade que se deseja formar. Ao finalizar este posfácio, permanece uma mensagem essencial: a tecnologia pode transformar a educação, mas são as escolhas humanas que determinam o sentido dessa transformação. A Inteligência Artificial pode ampliar possibilidades, favorecer novas experiências e apoiar processos de aprendizagem, mas seu valor educacional estará relacionado à maneira como professores, estudantes e instituições decidem utilizá-la. O uso consciente da tecnologia exige responsabilidade, conhecimento, criticidade e compromisso com a formação integral. Como autores deste posfácio, Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian e Sandro Garabed Ischkanian registram nosso reconhecimento pela relevância das discussões reunidas nesta obra e pela oportunidade de contribuir para esse diálogo. Nossa participação neste posfácio busca ampliar a reflexão sobre uma temática que já influencia o presente e terá papel significativo na construção do futuro educacional. Consideramos fundamental que a expansão da Inteligência Artificial seja acompanhada por uma mudança de postura diante do conhecimento, pela valorização da mediação humana e pela formação de sujeitos capazes de utilizar as tecnologias com consciência e responsabilidade. Que esta leitura não represente um ponto final, mas um convite à continuidade. Que professores encontrem novas possibilidades para suas práticas, que estudantes fortaleçam sua autonomia, que pesquisadores ampliem as investigações e que instituições educacionais desenvolvam políticas e estratégias capazes de acompanhar as transformações tecnológicas com responsabilidade. Mais do que compreender o que a Inteligência Artificial pode fazer, torna-se necessário refletir sobre o que queremos fazer com ela e para quem queremos construir essa nova educação. Esse é um dos sentidos mais relevantes desta obra: contribuir para que o futuro da educação não seja definido apenas pelo avanço das tecnologias, mas pela capacidade humana de utilizá-las para construir conhecimento, ampliar oportunidades, superar barreiras e promover uma sociedade mais crítica, participativa, inclusiva e humanizada. A Inteligência Artificial pode abrir novos caminhos, mas cabe à sociedade decidir quais caminhos deseja percorrer e quais valores pretende preservar nessa jornada. Ivoney da Silva Oliveira Simone Helen Drumond Ischkanian Sandro Garabed Ischkaniandesenvolvida a partir do levantamento, da seleção, da análise e da interpretação de produções científicas e documentos relacionados à inteligência artificial na educação, à aprendizagem e à autonomia dos estudantes. A investigação discute as possibilidades, os limites e os impactos da inteligência artificial na aprendizagem e na autonomia dos estudantes, considerando a necessidade de uma utilização crítica, ética, responsável e pedagogicamente orientada. Ressalta- se que a IA não deve substituir a mediação docente nem o protagonismo dos estudantes, mas atuar como recurso complementar capaz de favorecer a investigação, a criatividade, o pensamento crítico e a construção de conhecimentos. Conclui-se que a integração da inteligência artificial à educação exige formação adequada de professores e estudantes, definição de critérios éticos e pedagógicos e valorização da dimensão humana da educação, de modo que os avanços tecnológicos contribuam efetivamente para uma aprendizagem significativa e para o fortalecimento da autonomia estudantil. Palavras-chave: Inteligência artificial; educação; tecnologias educacionais; aprendizagem; autonomia dos estudantes; pensamento crítico. Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba, Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian. 14 ABSTRACT Artificial intelligence (AI) has been gaining increasing relevance in the educational field, transforming ways of teaching, learning, researching, and producing knowledge. In this context, its use offers possibilities related to personalized learning, expanded access to information, the creation of educational resources, support for teaching practices, and the development of more diversified educational strategies. However, the incorporation of these technologies also involves limitations and challenges, particularly regarding technological dependence, information reliability, authorship, privacy, data protection, academic integrity, and inequalities in access. This study is characterized as a bibliographic and documentary research study with a qualitative approach, developed through the collection, selection, analysis, and interpretation of scientific publications and documents related to artificial intelligence in education, learning, and student autonomy. The research discusses the possibilities, limitations, and impacts of artificial intelligence on student learning and autonomy, considering the need for critical, ethical, responsible, and pedagogically guided use. It emphasizes that AI should not replace teacher mediation or student protagonism, but rather function as a complementary resource capable of fostering inquiry, creativity, critical thinking, and knowledge construction. It is concluded that the integration of artificial intelligence into education requires adequate training for teachers and students, the establishment of ethical and pedagogical criteria, and the appreciation of the human dimension of education, so that technological advances can effectively contribute to meaningful learning and the strengthening of student autonomy. Keywords: Artificial intelligence; education; educational technologies; learning; student autonomy; critical thinking. RESUMEN La inteligencia artificial (IA) ha adquirido una relevancia creciente en el ámbito educativo, transformando las formas de enseñar, aprender, investigar y producir conocimientos. En este contexto, su utilización presenta posibilidades relacionadas con la personalización del aprendizaje, la ampliación del acceso a la información, la creación de recursos pedagógicos, el apoyo a la labor docente y el desarrollo de estrategias educativas más diversificadas. Sin embargo, la incorporación de estas tecnologías también implica límites y desafíos, especialmente en lo que respecta a la dependencia tecnológica, la confiabilidad de la información, la autoría, la privacidad, la protección de datos, la integridad académica y las desigualdades de acceso. Este estudio se caracteriza como una investigación bibliográfica y documental, de enfoque cualitativo, desarrollada a partir de la recopilación, selección, análisis e interpretación de publicaciones científicas y documentos relacionados con la inteligencia artificial en la educación, el aprendizaje y la autonomía de los estudiantes. La investigación analiza las posibilidades, los límites y los impactos de la inteligencia artificial en el aprendizaje y en la autonomía de los estudiantes, considerando la necesidad de un uso crítico, ético, responsable y orientado pedagógicamente. Se destaca que la IA no debe sustituir la mediación docente ni el protagonismo de los estudiantes, sino actuar como un recurso complementario capaz de favorecer la investigación, la creatividad, el pensamiento crítico y la construcción de conocimientos. Se concluye que la integración de la inteligencia artificial en la educación requiere una formación adecuada de docentes y estudiantes, la definición de criterios éticos y pedagógicos y la valoración de la dimensión humana de la educación, de modo que los avances tecnológicos contribuyan efectivamente a un aprendizaje significativo y al fortalecimiento de la autonomía estudiantil. Palabras clave: Inteligencia artificial; educación; tecnologías educativas; aprendizaje; autonomía de los estudiantes; pensamiento crítico. INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. . 15 INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. Ivoney da Silva Oliveira Simone Helen Drumond Ischkanian Gladys Nogueira Cabral Silvana Nascimento de Carvalho António Manuel Domingos Caba Gabriel Nascimento de Carvalho Sygride Nascimento de Carvalho Sandro Garabed Ischkanian 1. INTRODUÇÃO A transformação digital tem provocado mudanças significativas na sociedade e, particularmente, no campo educacional, modificando as formas de ensinar, aprender, avaliar e produzir conhecimento. Nesse cenário, a Inteligência Artificial (IA) assume posição de crescente relevância, especialmente com a expansão de ferramentas capazes de produzir textos, imagens, respostas, sínteses, traduções, recomendações e diferentes formas de apoio às atividades acadêmicas. De Abreu Pestana dos Santos (2023) identifica potencialidades da Inteligência Artificial para a educação, destacando que sua incorporação ao ambiente educacional amplia possibilidades, mas também exige atenção aos desafios decorrentes de sua utilização. Vieira et al. (2025) complementam essa perspectiva ao analisarem os impactos, limites e potencialidades da IA no campo educacional. A presença dessas tecnologias nas instituições de ensino, portanto, amplia possibilidades pedagógicas e, simultaneamente, suscita discussões sobre qualidade da aprendizagem, autonomia intelectual, formação docente, ética, autoria e responsabilidade no uso de recursos automatizados. A incorporação da IA ao contexto educacional não deve ser compreendida apenas como uma atualização tecnológica, pois envolve transformações pedagógicas, cognitivas, sociais e culturais. Costa e Araújo (2025) evidenciam que a expansão das tecnologias interfere diretamente nas relações estabelecidas entre ensino e aprendizagem, exigindo novas formas de organização das práticas educativas. Almeida et al. (2025), ao discutirem o uso das tecnologias no processo de inclusão educacional, destacam possibilidades relacionadas à ampliação do acesso e da participação dos estudantes, ao mesmo tempo em que apontam a necessidade de considerar as condições concretas de utilização desses recursos. A tecnologia, portanto, adquire significado educacionalquando articulada às necessidades dos estudantes, às finalidades curriculares e aos objetivos formativos estabelecidos pela instituição de ensino. Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba, Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian. 16 A aprendizagem constitui um dos principais eixos dessa discussão. A utilização de recursos tecnológicos pode contribuir para tornar determinadas experiências educacionais mais interativas, dinâmicas e diversificadas, principalmente quando associada a metodologias que favoreçam a participação ativa dos estudantes. Bezerra et al. (2024) demonstram que a gamificação e os estudos mediados por tecnologia podem favorecer o engajamento e a motivação no ambiente educacional, indicando que recursos digitais podem contribuir para experiências mais participativas. Góes et al. (2025), ao abordarem a aprendizagem baseada em projetos, relacionam metodologias ativas, práticas inclusivas, tecnologia e acessibilidade, evidenciando a possibilidade de utilizar recursos tecnológicos em propostas que valorizem a participação e a construção ativa do conhecimento. Esses resultados contribuem para compreender que a IA pode integrar um conjunto mais amplo de estratégias pedagógicas voltadas à aprendizagem. A ampliação das possibilidades tecnológicas também pode ser observada na utilização de recursos digitais para atividades lúdicas e criativas. Silva et al. (2026) discutem a integração entre brincadeiras digitais e tecnologias criativas, demonstrando que o universo tecnológico pode estabelecer relações significativas com práticas educativas voltadas à criatividade e à participação dos estudantes. Cabral (2026), ao abordar a técnica de Total Physical Response no ensino de língua inglesa, evidencia a importância de metodologias que considerem diferentes formas de interação do estudante com o conhecimento. Embora essas experiências não correspondam diretamente à utilização de Inteligência Artificial, suas contribuições permitem compreender que a inovação educacional está relacionada à diversificação das estratégias de ensino e à criação de experiências compatíveis com diferentes formas de aprender. A IA amplia esse cenário ao disponibilizar respostas e conteúdos de maneira rápida, podendo funcionar como recurso complementar às práticas pedagógicas. Entretanto, a disponibilidade imediata de informações não significa, por si só, aprendizagem significativa. Vieira et al. (2025) ressaltam que os impactos da Inteligência Artificial na educação precisam ser analisados considerando suas potencialidades e seus limites, enquanto De Abreu Pestana dos Santos (2023) evidencia que o aproveitamento das possibilidades da IA depende da maneira como essas ferramentas são inseridas no processo educacional. O estudante precisa desenvolver capacidade de questionar, selecionar, comparar, interpretar e utilizar criticamente aquilo que recebe das ferramentas digitais, transformando a informação disponível em conhecimento construído por meio da reflexão e da participação ativa. A autonomia dos estudantes constitui uma dimensão fundamental da pesquisa. A educação não pode limitar-se à transmissão ou ao fornecimento de respostas prontas, pois envolve a formação de sujeitos capazes de pensar, tomar decisões, resolver problemas, posicionar-se criticamente e construir conhecimentos de maneira responsável. Almeida (2026), ao discutir prática pedagógica e formação docente, relaciona o trabalho educativo à construção INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. . 17 de uma educação crítica e emancipadora. Nessa perspectiva, a IA pode contribuir para a autonomia quando utilizada para auxiliar na organização dos estudos, exploração de conteúdos, revisão de conhecimentos, formulação de perguntas e aprofundamento de temas. O resultado educacional esperado não está na dependência da ferramenta, mas na capacidade do estudante de utilizá-la como instrumento para ampliar sua própria atividade intelectual. A relação entre tecnologia e autonomia também precisa considerar a participação do estudante na construção do conhecimento. Góes et al. (2025) demonstram a importância de metodologias ativas que envolvam os estudantes em processos de investigação e produção, enquanto Bezerra et al. (2024) relacionam estratégias mediadas por tecnologia ao engajamento e à motivação. Esses estudos permitem compreender que a utilização da IA pode assumir caráter educativo quando estimula a investigação, a criação e a resolução de problemas. Quando empregada exclusivamente para oferecer respostas prontas e substituir o esforço intelectual, entretanto, a ferramenta deixa de favorecer o protagonismo e pode reduzir a participação cognitiva do estudante. O desafio educacional consiste, portanto, em estabelecer uma relação equilibrada entre tecnologia e desenvolvimento da capacidade humana de aprender e pensar. Sousa et al. (2025), ao analisarem a Inteligência Artificial na avaliação educacional, demonstram que esses recursos apresentam potencialidades, mas também requerem critérios de utilização que preservem a qualidade dos processos pedagógicos. A utilização da IA precisa estar subordinada às finalidades educativas, permitindo que o estudante permaneça responsável pela elaboração, interpretação e apropriação do conhecimento. A tecnologia pode apoiar a investigação e o aprofundamento dos conteúdos, mas a aprendizagem continua dependendo da participação ativa e reflexiva do sujeito. A discussão também envolve o papel do professor. A expansão da IA não elimina a necessidade da atuação docente, mas amplia a necessidade de novas competências profissionais. Teodoro et al. (2024) discutem os desafios relacionados à utilização das tecnologias de informação e comunicação pelos professores em sala de aula, evidenciando a importância da preparação profissional para uma integração pedagógica adequada dos recursos tecnológicos. Almeida (2026) reforça essa perspectiva ao relacionar formação docente e práticas pedagógicas críticas e emancipadoras. O professor permanece responsável pela mediação do processo educativo, pela definição dos objetivos de aprendizagem, pela seleção das estratégias didáticas e pela criação de situações que favoreçam reflexão, participação e construção do conhecimento. A formação docente torna-se, portanto, indispensável para que os profissionais compreendam as potencialidades das tecnologias e desenvolvam critérios para sua utilização pedagógica. Teodoro et al. (2024) evidenciam que a presença das tecnologias em sala de aula apresenta desafios para os professores, enquanto Almeida (2026) enfatiza a necessidade de práticas formativas capazes de sustentar uma educação crítica. Ischkanian (2026), ao discutir Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba, Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian. 18 capacitação, avaliação de desempenho e desenvolvimento de competências na formação de adultos, contribui para compreender que processos formativos precisam ser planejados de maneira sistemática e vinculados às necessidades profissionais. No contexto da IA, essa formação precisa contemplar competências tecnológicas, pedagógicas, éticas e críticas. Ferramentas de IA também podem oferecer possibilidades para produção de feedback, organização de respostas, análise de atividades e apoio a diferentes processos avaliativos. Sousa et al. (2025) demonstram que a IA aplicada à avaliação educacional apresenta potencial para apoiar determinadas práticas, mas sua utilização exige atençãoaos critérios empregados para analisar o desenvolvimento dos estudantes. A avaliação não pode limitar-se à verificação de respostas produzidas por sistemas automatizados, pois precisa considerar aprendizagem, autoria, raciocínio, participação e capacidade de elaboração própria. A mediação docente permanece necessária para interpretar os resultados e compreender o percurso formativo do estudante. A utilização da Inteligência Artificial também precisa ser analisada sob a perspectiva da inclusão educacional. Almeida et al. (2025) destacam que as tecnologias podem contribuir para ampliar possibilidades de participação e acesso ao conhecimento, especialmente quando associadas a práticas inclusivas. Góes et al. (2025) também relacionam tecnologia, acessibilidade e aprendizagem baseada em projetos, demonstrando que os recursos tecnológicos podem favorecer experiências educativas mais participativas quando planejados de acordo com as necessidades dos estudantes. A (IA), nesse cenário, pode apoiar diferentes formas de aprendizagem, comunicação, produção e acesso aos conteúdos. A inclusão, entretanto, não depende exclusivamente da disponibilização de recursos tecnológicos. É necessário considerar acessibilidade, condições de utilização, diversidade dos estudantes, planejamento institucional e formação dos profissionais. Ischkanian e Ischkanian (2026), ao discutirem a dignidade da pessoa humana e os direitos das pessoas com deficiência, contribuem para compreender que a inclusão educacional deve estar fundamentada no reconhecimento dos sujeitos e na garantia de direitos. A tecnologia pode constituir instrumento de apoio à inclusão quando utilizada de maneira responsável, acessível e articulada às necessidades educacionais, mas não substitui políticas, práticas pedagógicas e condições institucionais necessárias à participação de todos. A relação entre tecnologia, subjetividade e construção do conhecimento também merece atenção. Oliveira (2026) apresenta a perspectiva de uma Inteligência Artificial humanizada articulada à educação inclusiva, destacando a importância das dimensões humanas diante das transformações tecnológicas. Essa abordagem permite compreender que a inovação educacional não deve ser avaliada somente pela velocidade ou eficiência das ferramentas, mas também pelos efeitos produzidos sobre os sujeitos, suas experiências, relações e formas de aprender. A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. . 19 centralidade humana constitui elemento essencial para que a tecnologia permaneça vinculada às finalidades educativas. A dimensão cultural também precisa integrar essa discussão. Freitas (2026), ao abordar o letramento cultural na formação docente e a consolidação de práticas pedagógicas antirracistas, evidencia a importância de reconhecer diferentes experiências e perspectivas culturais no processo educativo. Oliveira (2026), ao discutir políticas editoriais e censura cultural, chama atenção para processos históricos de silenciamento de línguas, saberes e histórias dos povos indígenas. Silva e Bacury (2026), por sua vez, destacam a relevância da etnomatemática indígena e dos saberes tradicionais na educação básica. Essas contribuições permitem compreender que a utilização da IA precisa considerar a diversidade cultural e evitar a reprodução automática de conteúdos que possam invisibilizar conhecimentos, identidades e diferentes formas de produção do saber. A utilização da Inteligência Artificial deve, portanto, ser orientada por princípios que preservem a centralidade do ser humano no processo educativo. Oliveira (2026) contribui para essa compreensão ao aproximar IA humanizada, educação inclusiva, subjetividades e construção do conhecimento. A tecnologia pode apoiar o trabalho pedagógico, ampliar recursos e criar novas oportunidades de aprendizagem, mas não deve substituir a interação, a mediação docente, a experiência educacional ou a capacidade intelectual dos estudantes. A utilização humanizada da IA pressupõe respeito à diversidade, valorização da autonomia, preservação da autoria e compromisso com a construção responsável do conhecimento. A discussão sobre autonomia também pode ser relacionada à capacidade de leitura, interpretação e produção de conhecimentos. Vieira (2026), ao abordar a BNCC e estratégias de letramento literário no Ensino Fundamental, evidencia a importância de práticas que favoreçam a relação ativa dos estudantes com os textos e com os processos de construção de sentidos. No contexto da IA, essa perspectiva ganha relevância porque o acesso facilitado a conteúdos exige que o estudante desenvolva capacidade de interpretar, confrontar informações e produzir posicionamentos próprios. A tecnologia pode apoiar o processo, mas a formação intelectual depende da atividade crítica do sujeito. A diversidade de áreas e estratégias pedagógicas também demonstra que a IA pode ser integrada a diferentes componentes curriculares. Sousa (2026), ao discutir métodos de ensino de Matemática no Ensino Médio em Tempo Integral, contribui para compreender a importância da diversificação metodológica e da utilização de estratégias adequadas aos objetivos de aprendizagem. Azevedo (2026), ao tratar do currículo, das práticas pedagógicas e da BNCC Computação, amplia essa discussão ao relacionar currículo e desenvolvimento do pensamento computacional. Esses estudos indicam que a utilização da IA precisa estar vinculada ao planejamento curricular e às competências que se pretende desenvolver. Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba, Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian. 20 A presença das tecnologias no cotidiano educacional também exige atenção à criatividade e à autoria. Silva et al. (2026) demonstram que as tecnologias criativas podem estabelecer novas relações entre práticas lúdicas, produção e aprendizagem. A IA pode ampliar essas possibilidades ao auxiliar na elaboração de ideias, na exploração de alternativas e na produção de diferentes materiais. Entretanto, o valor pedagógico dessas ferramentas depende da participação intelectual do estudante, que deve compreender, selecionar, modificar e desenvolver as informações obtidas, mantendo sua autoria no processo de aprendizagem. A partir dessas considerações, esta pesquisa tem como tema Inteligência Artificial na Educação: possibilidades, limites e impactos na aprendizagem e autonomia dos estudantes, buscando compreender como a inserção de ferramentas de IA no contexto educacional pode interferir nos processos de ensino e aprendizagem e no desenvolvimento da autonomia intelectual. O estudo parte do entendimento de que a IA apresenta potencial para contribuir com práticas pedagógicas inovadoras, inclusivas e diversificadas, mas sua utilização precisa ser analisada de maneira crítica, considerando suas implicações para estudantes, professores e instituições educacionais. O problema de pesquisa que orienta este estudo é: quais são as possibilidades, os limites e os impactos do uso da Inteligência Artificial na educação, especialmente em relação à aprendizagem e à autonomia dos estudantes? A questão busca compreender em que condições a IA pode constituir um recurso favorável ao desenvolvimento educacional e quais situações podem comprometer a participação ativa, o pensamento crítico e a construção autônoma do conhecimento. O objetivo geral consiste em analisar as possibilidades, os limites e os impactos da utilização da Inteligência Artificial no contexto educacional, com ênfase em suas implicações para a aprendizagem e a autonomia dos estudantes. Como objetivos específicos, pretende-se: identificar as principais possibilidadespedagógicas proporcionadas pela Inteligência Artificial; discutir os limites e desafios relacionados à utilização dessas tecnologias no processo educativo; analisar suas possíveis contribuições e implicações para a aprendizagem; refletir sobre os efeitos da IA no desenvolvimento da autonomia, do pensamento crítico e da participação ativa dos estudantes; e discutir a importância da mediação e da formação docente para o uso ético, crítico e pedagogicamente adequado dessas ferramentas. A relevância desta pesquisa está relacionada à expansão acelerada das tecnologias de Inteligência Artificial no cotidiano educacional. A presença dessas ferramentas exige que escolas, professores, estudantes e demais sujeitos envolvidos na educação desenvolvam critérios para utilizá-las de maneira consciente e pedagogicamente orientada. A pesquisa mostra-se pertinente porque a discussão não deve se restringir à possibilidade de utilizar ou não utilizar IA, INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. . 21 mas precisa considerar como, por que, para quê e sob quais condições essas tecnologias podem ser incorporadas às práticas educacionais. A questão central está em garantir que a inovação tecnológica esteja subordinada aos objetivos da educação e ao desenvolvimento integral dos estudantes. O uso da IA precisa contribuir para a aprendizagem sem comprometer a autoria, a criatividade, a reflexão e a capacidade de construção própria do conhecimento. A autonomia, nesse contexto, deve permanecer como um dos principais resultados esperados da formação educacional, pois o acesso às tecnologias somente adquire significado formativo quando contribui para ampliar a capacidade do estudante de compreender, questionar e produzir conhecimentos. Quanto à abordagem metodológica, a pesquisa caracteriza-se como qualitativa, de natureza bibliográfica e documental, desenvolvida a partir da análise e interpretação de produções científicas, livros, capítulos, artigos e documentos relacionados à Inteligência Artificial, tecnologias educacionais, aprendizagem, autonomia discente, formação docente, inclusão e avaliação educacional. Gil (2008) destaca a importância da organização sistemática das etapas da pesquisa, contribuindo para o planejamento e o desenvolvimento do percurso investigativo. A escolha dessa abordagem permite reunir diferentes perspectivas e construir uma interpretação fundamentada sobre o fenômeno investigado. A pesquisa bibliográfica possibilita reunir diferentes perspectivas teóricas sobre o objeto investigado, enquanto a análise documental contribui para compreender discussões e transformações relacionadas à utilização das tecnologias no campo educacional. Gil (2008) contribui para a compreensão da pesquisa como processo organizado de investigação, no qual a definição do problema, a seleção das fontes e a análise das informações devem estar articuladas aos objetivos estabelecidos. Essa perspectiva sustenta o percurso metodológico adotado neste estudo. A pesquisa parte da compreensão de que a Inteligência Artificial não deve ser analisada de maneira exclusivamente positiva ou negativa. Suas contribuições dependem das finalidades, das estratégias e das condições em que é utilizada. De Abreu Pestana dos Santos (2023) evidencia potencialidades e desafios da IA na educação, enquanto Vieira et al. (2025) ressaltam a necessidade de considerar seus impactos, limites e potencialidades. A análise equilibrada desses elementos permite compreender a tecnologia como fenômeno complexo, cujo significado educacional está relacionado às práticas nas quais é inserida. Investigar a Inteligência Artificial na educação significa analisar uma realidade em transformação, na qual oportunidades e desafios coexistem. Costa e Araújo (2025) evidenciam mudanças provocadas pelas tecnologias nos processos de ensino e aprendizagem, enquanto Teodoro et al. (2024) demonstram que sua utilização também exige preparação dos profissionais da educação. A pesquisa, portanto, considera que a incorporação da IA envolve transformações Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba, Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian. 22 que alcançam práticas pedagógicas, formação profissional, aprendizagem, inclusão e relações com o conhecimento. A educação precisa estabelecer uma relação equilibrada entre inovação tecnológica e formação humana. Almeida (2026) contribui para essa perspectiva ao defender práticas pedagógicas associadas a uma educação crítica e emancipadora, enquanto Oliveira (2026) enfatiza a importância de uma abordagem humanizada da Inteligência Artificial no contexto educacional. A utilização consciente da IA requer professores preparados, estudantes orientados, critérios de utilização, responsabilidade ética e valorização da autoria e do pensamento crítico. O objetivo não é impedir o contato dos estudantes com a tecnologia, mas favorecer uma relação consciente, responsável e produtiva com os recursos que integram a sociedade contemporânea. A pesquisa está organizada de modo a contemplar inicialmente a contextualização da Inteligência Artificial e sua inserção no campo educacional. Em seguida, são discutidas suas principais possibilidades pedagógicas, considerando as contribuições das tecnologias para o ensino, a aprendizagem, a inclusão e o engajamento. Posteriormente, são analisados os limites e desafios relacionados ao uso da IA, com atenção às questões éticas, à autoria, à avaliação e à formação docente. Na sequência, discute-se a relação entre Inteligência Artificial, aprendizagem e autonomia dos estudantes, destacando a necessidade de preservar o protagonismo discente e a mediação pedagógica. São apresentadas as considerações decorrentes da análise realizada, enfatizando a importância de uma utilização crítica, responsável, inclusiva e humanizada da Inteligência Artificial no contexto educacional. 2. DESENVOLVIMENTO A inserção da Inteligência Artificial no campo educacional tem ampliado as possibilidades de utilização das tecnologias digitais nos processos de ensino e aprendizagem, exigindo uma compreensão que considere seus conceitos, sua evolução, seus fundamentos e suas implicações pedagógicas. A literatura selecionada evidencia que a IA não deve ser compreendida apenas como recurso tecnológico, mas como elemento capaz de dialogar com práticas pedagógicas, processos de inclusão, produção do conhecimento, autonomia estudantil e formação docente. A discussão teórica permite compreender as transformações provocadas pela presença crescente da IA na educação e estabelecer relações entre inovação tecnológica, aprendizagem significativa e mediação humana. 2.1. Inteligência Artificial na educação: conceitos, evolução e fundamentos A Inteligência Artificial pode ser compreendida, no contexto educacional, como um conjunto de tecnologias capazes de processar informações, reconhecer padrões, produzir respostas e apoiar determinadas atividades relacionadas à aprendizagem e à organização do INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. . 23 conhecimento. De Abreu Pestana dos Santos (2023) destaca que a presença da IA na educação envolve potencialidades e desafios que precisam ser analisados de maneira articulada às finalidades educacionais. Essa perspectiva permite compreender que a tecnologia assume diferentes funções conforme os objetivos pedagógicos, os recursos disponíveis e a forma como professores e estudantes participam de sua utilização. A evolução das tecnologias digitais contribuiu para modificar as formas de acesso, produção, circulação e organizaçãodas informações, criando novas possibilidades para o trabalho pedagógico. Costa e Araújo (2025) discutem que as tecnologias vêm produzindo impactos no ensino e na aprendizagem, enquanto Teodoro et al. (2024) evidenciam a necessidade de compreender a utilização desses recursos a partir das práticas desenvolvidas pelos professores. As ciências digitais (IA) representam uma etapa mais avançada desse processo tecnológico, especialmente pela capacidade de oferecer respostas, organizar informações, auxiliar na produção de conteúdos e favorecer diferentes formas de interação com o conhecimento. No campo educacional, a utilização da IA pode contribuir para ampliar as possibilidades de aprendizagem quando integrada a objetivos pedagógicos previamente definidos. Vieira et al. (2025) discutem os impactos, limites e potencialidades da Inteligência Artificial na educação, indicando a necessidade de uma utilização consciente e relacionada às necessidades do processo educativo. A tecnologia, portanto, pode funcionar como recurso complementar às estratégias de ensino, oferecendo possibilidades de pesquisa, organização de ideias, produção textual, resolução de problemas e exploração de diferentes linguagens. A relação entre tecnologia e aprendizagem também pode ser compreendida a partir de metodologias que valorizam o envolvimento ativo dos estudantes. Bezerra et al. (2024), ao abordarem a gamificação e os estudos mediados por tecnologia, destacam dimensões relacionadas ao engajamento e à motivação no ambiente educacional. Góes et al. (2025), por sua vez, apresentam a aprendizagem baseada em projetos como abordagem ativa associada a práticas inclusivas, tecnologia e acessibilidade. Essas contribuições ajudam a compreender que a IA pode integrar propostas pedagógicas nas quais o estudante participa da construção do conhecimento, pesquisa, cria, experimenta e desenvolve estratégias para solucionar situações de aprendizagem. Os fundamentos da IA aplicada à educação também se relacionam à organização curricular e ao desenvolvimento de competências necessárias à sociedade contemporânea. Azevedo (2026) aborda a articulação entre currículo, práticas pedagógicas e BNCC Computação, ressaltando a importância da integração do pensamento computacional na educação básica. Essa abordagem permite aproximar o uso de tecnologias inteligentes de processos educativos que favorecem a resolução de problemas, o raciocínio, a criatividade e a compreensão crítica das Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba, Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian. 24 tecnologias, evitando que a presença de recursos digitais seja reduzida ao simples uso instrumental. A dimensão pedagógica da Inteligência Artificial está diretamente relacionada à formação e à atuação docente. Almeida (2026) enfatiza a importância da prática pedagógica e da formação docente para a construção de uma educação crítica e emancipadora. A presença da IA, nesse sentido, não elimina a função do professor, mas amplia a necessidade de profissionais capazes de selecionar recursos, avaliar informações, orientar estudantes e estabelecer objetivos pedagógicos coerentes. Teodoro et al. (2024) contribuem para essa discussão ao evidenciarem a importância da preparação dos professores diante das transformações decorrentes da utilização das tecnologias de informação e comunicação em sala de aula. A compreensão dos fundamentos da IA na educação também envolve a perspectiva de uma tecnologia humanizada e articulada às necessidades dos sujeitos. Oliveira (2026) discute as interfaces entre Inteligência Artificial humanizada, educação inclusiva, subjetividades e construção do conhecimento, possibilitando compreender a tecnologia para além de uma perspectiva exclusivamente técnica. O uso educacional da IA pode ser orientado para favorecer experiências de aprendizagem mais acessíveis, diversificadas e sensíveis às características dos estudantes, desde que permaneça vinculado aos princípios pedagógicos e à mediação humana. A inclusão educacional constitui outra dimensão relevante dessa discussão. Almeida et al. (2025) analisam o uso das tecnologias no processo de inclusão educacional, destacando desafios e possibilidades relacionados à presença desses recursos no contexto escolar. Góes et al. (2025) também aproximam tecnologia, acessibilidade e práticas inclusivas, mostrando que recursos tecnológicos podem integrar propostas capazes de ampliar a participação dos estudantes. Nessa perspectiva, a IA pode contribuir para diversificar materiais, linguagens e formas de interação com os conteúdos, favorecendo experiências educacionais que considerem diferentes necessidades e modos de aprender. A utilização da Inteligência Artificial também pode dialogar com práticas pedagógicas específicas e com diferentes áreas do conhecimento. Cabral (2026), ao abordar a técnica de Total Physical Response no aprendizado da língua inglesa, contribui para compreender a importância da utilização de estratégias metodológicas adequadas às características dos estudantes. Sousa (2026), ao discutir métodos de ensino de Matemática no Ensino Médio em Tempo Integral, reforça a relevância da diversidade metodológica no desenvolvimento das aprendizagens. Essas contribuições permitem compreender a IA como recurso que pode apoiar diferentes práticas, sem substituir os fundamentos metodológicos próprios de cada área. No campo da linguagem e da leitura, Vieira (2026) discute estratégias de letramento literário no Ensino Fundamental, evidenciando a importância de práticas que aproximem os estudantes da leitura e da construção de sentidos. A integração de ferramentas digitais e de IA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. . 25 pode ampliar as possibilidades de acesso a textos, produção de atividades e exploração de diferentes linguagens, desde que o estudante seja incentivado a interpretar, questionar e produzir conhecimento. A tecnologia, nesse caso, pode atuar como mediadora de experiências, enquanto a compreensão crítica permanece como finalidade essencial do processo educativo. A criatividade e o caráter lúdico também integram as possibilidades contemporâneas de utilização das tecnologias. Silva et al. (2026), ao discutirem as brincadeiras digitais e as tecnologias criativas, apresentam uma perspectiva que aproxima ludicidade, recursos tecnológicos e experiências educativas. Essa contribuição permite relacionar a IA a práticas que valorizam a criatividade, a experimentação e a autoria estudantil, ampliando o repertório de estratégias disponíveis para professores e estudantes. A dimensão cultural igualmente precisa integrar a compreensão da Inteligência Artificial na educação. Freitas (2026) aborda o letramento cultural na formação docente e a consolidação de práticas pedagógicas antirracistas, contribuindo para pensar uma educação comprometida com a diversidade e com a valorização dos diferentes sujeitos. Silva e Bacury (2026), ao discutirem a Etnomatemática indígena e os saberes tradicionais na educação básica, reforçam a importância de reconhecer conhecimentos produzidos em diferentes contextos culturais. A utilização da IA deve, portanto, estar vinculada a práticas que valorizem a pluralidade de saberes, evitando a homogeneização das experiências educativas. Essa preocupação com a diversidade cultural também pode ser relacionada à preservação de diferentes histórias, línguas e conhecimentos. Oliveira (2026), ao analisar políticas editoriais e processos de silenciamento de saberes indígenas, contribui para compreender a importância da valorização da diversidade na produção e circulação do conhecimento.Santos (2026), ao discutir os debates contemporâneos relacionados à literatura infantil brasileira, evidencia que os conteúdos educativos podem envolver diferentes perspectivas históricas, culturais e literárias. A IA pode ampliar o acesso a fontes e conteúdos, mas sua utilização pedagógica requer seleção crítica e atenção à diversidade de perspectivas. A autonomia dos estudantes constitui uma dimensão central dos fundamentos educacionais relacionados à IA. Almeida (2026) relaciona formação docente e prática pedagógica a uma educação crítica e emancipadora, perspectiva que permite compreender a autonomia como capacidade de participar ativamente da construção do conhecimento. A IA pode apoiar pesquisas, estimular perguntas, auxiliar na organização de informações e favorecer processos de criação, porém sua contribuição educacional torna-se mais significativa quando o estudante interpreta, verifica, compara e reelabora as informações obtidas. A avaliação educacional também integra as discussões contemporâneas sobre IA. Sousa et al. (2025) analisam suas potencialidades e limitações nesse campo, indicando a necessidade de considerar os processos avaliativos de maneira pedagogicamente orientada. A utilização de Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral, Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba, Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian. 26 ferramentas de IA pode apoiar determinadas etapas da avaliação e fornecer recursos para organização de informações, mas a análise da aprendizagem exige critérios educacionais, acompanhamento docente e compreensão do percurso desenvolvido pelo estudante. A formação de adultos e o desenvolvimento de competências também oferecem elementos para compreender a relação entre tecnologia e aprendizagem ao longo da vida. Ischkanian (2026), ao abordar capacitação, avaliação de desempenho e planejamento de lideranças, evidencia a importância de processos formativos organizados para o desenvolvimento de competências. Essa perspectiva pode ser aproximada da necessidade de formação continuada para o uso educacional das tecnologias, considerando que professores e demais profissionais precisam desenvolver conhecimentos para utilizar recursos digitais de maneira consciente, responsável e alinhada aos objetivos institucionais. A dimensão humana permanece fundamental quando se analisa a utilização da IA na educação. Ischkanian e Ischkanian (2026), ao discutirem a dignidade da pessoa humana e os direitos das pessoas com deficiência no contexto da legislação PCD, contribuem para reforçar a importância de colocar os direitos, a dignidade e as necessidades dos sujeitos no centro das práticas inclusivas. A tecnologia pode favorecer acessibilidade e participação, porém seu valor educacional está relacionado à capacidade de contribuir para uma experiência formativa que respeite as singularidades e promova oportunidades de aprendizagem. Nesse conjunto de fundamentos, a Inteligência Artificial apresenta-se como uma tecnologia que pode ampliar o repertório pedagógico, favorecer novas formas de interação com o conhecimento e apoiar práticas voltadas à aprendizagem, à inclusão, à criatividade e à autonomia. De Abreu Pestana dos Santos (2023) e Vieira et al. (2025) ajudam a situar essa discussão a partir das potencialidades e dos desafios da IA na educação, enquanto os demais estudos selecionados permitem relacioná-la a dimensões como currículo, formação docente, acessibilidade, cultura, ludicidade, leitura, matemática e participação estudantil. A compreensão conceitual e histórica da Inteligência Artificial, portanto, constitui fundamento para analisar suas possibilidades, seus limites e seus impactos na aprendizagem e na autonomia dos estudantes. De Abreu Pestana dos Santos (2023) e Vieira et al. (2025) também destacam que a discussão não se restringe à presença da tecnologia no espaço educacional, mas envolve a maneira como ela é integrada às práticas pedagógicas, aos objetivos curriculares e às necessidades dos estudantes. Compreender a trajetória de desenvolvimento da IA permite reconhecer que suas aplicações educacionais não são neutras, pois estão relacionadas às concepções de ensino, aprendizagem, conhecimento e participação que orientam cada prática pedagógica. A utilização de sistemas generativos, ferramentas adaptativas e recursos digitais pode favorecer a personalização das experiências de aprendizagem, ampliar o acesso a diferentes fontes de informação e apoiar a elaboração de atividades, desde que esses recursos sejam INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES. . 27 utilizados de maneira consciente e coerente com as finalidades educativas. A tecnologia, por si só, não garante avanços na aprendizagem; seus resultados dependem das condições de uso, da qualidade das propostas pedagógicas e da capacidade dos estudantes de compreender, avaliar e utilizar criticamente as informações produzidas pelos sistemas de IA. O desenvolvimento desta pesquisa parte de uma perspectiva segundo a qual a IA pode contribuir para uma educação inovadora, inclusiva, crítica e humanizada, desde que sua utilização esteja articulada à intencionalidade pedagógica e à mediação docente. Góes et al. (2025) discutem que a autonomia dos estudantes não deve ser compreendida como substituição da orientação do professor pela tecnologia, mas como ampliação da capacidade de pesquisar, questionar, produzir, argumentar, tomar decisões e assumir responsabilidade pelo próprio processo de aprendizagem. A mediação docente permanece essencial para contextualizar os conteúdos, estimular o pensamento crítico, verificar a confiabilidade das informações e promover situações nas quais o estudante seja protagonista de sua formação. A integração responsável da IA ao currículo exige, portanto, planejamento, formação dos professores, definição de objetivos de aprendizagem e atenção aos princípios éticos relacionados à autoria, à privacidade, à proteção de dados e à integridade acadêmica. Sob essa perspectiva, a IA pode constituir um recurso pedagógico relevante para enfrentar diferentes necessidades educacionais e favorecer práticas mais flexíveis e inclusivas, sem perder de vista que a educação envolve dimensões humanas, sociais e relacionais que não podem ser reduzidas ao funcionamento de uma tecnologia. 2.2. Possibilidades da Inteligência Artificial para a aprendizagem dos estudantes A Inteligência Artificial apresenta possibilidades significativas para a aprendizagem dos estudantes ao ampliar o acesso a informações, diversificar estratégias pedagógicas e favorecer diferentes formas de interação com os conteúdos escolares. De Abreu Pestana dos Santos (2023) destaca as potencialidades da IA no campo educacional, permitindo compreender que sua utilização pode apoiar processos de pesquisa, produção de conhecimentos e desenvolvimento de atividades. A presença desses recursos no ambiente educativo amplia o repertório metodológico disponível para professores e estudantes, especialmente quando sua utilização está vinculada a objetivos pedagógicos claramente definidos. Entre as possibilidades proporcionadas pela IA encontra-se o apoio à pesquisa e à organização das informações. Vieira et al. (2025) discutem os impactos e as potencialidades da Inteligência Artificial na educação, destacando a relevância de compreender esses recursos dentro das finalidades do processo educativo. Para o estudante, ferramentas baseadas em IA podem auxiliar na localização de informações, sistematização de ideias, elaboração de perguntas, comparação de conceitos e exploração de diferentes possibilidades para a resolução de Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian,