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Introdução
A interação entre os agentes econômicos e o �uxo circular da renda
A contabilidade nacional e os agregados macroeconômicos
Referências
O Olhar Macroeconômico
Se você consultar um jornal de grande circulação, assistir ao noticiário de uma grande rede de TV ou
acessar o site de um provedor de conteúdo na internet, certamente vai encontrar algo sobre economia.
Algumas dessas notícias provavelmente mencionarão ações de alguma empresa, tais como fusão com
outra do mesmo ramo, planos de expansão ou lançamento de um produto. Outras farão referência ao
comportamento da economia como um todo, tratando de variáveis como as taxas de in�ação e
desemprego, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), os níveis da taxa de câmbio, das exportações e
importações ou dos gastos do governo.
 
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Introdução
Fonte: © jojje11 / / Fotolia.
Repare que, nesse segundo caso, o enfoque é mais agregado. Não se trata, por exemplo, do que
determinada empresa importou ou exportou, mas do que o conjunto das empresas importou ou exportou.
Nesse sentido, adota-se um enfoque macroeconômico, com o objetivo de compreender de maneira mais
abrangente o que se passa na economia.
Para Dornbusch e Fischer (1991, p. 3), “a macroeconomia trata do comportamento da economia como um
todo –com períodos de recuperação e recessão, a produção total de bens e serviços da economia e o
crescimento do produto, as taxas de in�ação e desemprego, a balança de pagamentos e as taxas de
câmbio”.
Para Sachs e Larrain (2000, p. 3), “macroeconomia é o estudo agregado de uma economia. Enquanto a vida
econômica de uma nação depende de milhões de ações isoladas, realizadas por empresas, consumidores,
trabalhadores e funcionários do governo, o foco da macroeconomia é a análise das consequências globais
dessas ações individuais”.
O objetivo fundamental da teoria macroeconômica é analisar como as variáveis econômicas são
determinadas, usando, para isso, um enfoque agregado. No nível macroeconômico, não nos interessa, por
exemplo, saber como o preço de um produto especí�co é determinado, como um único consumidor toma
decisões de compra de bens e serviços ou como um produtor isolado toma decisões referentes à oferta
destes bens e serviços.
A macroeconomia trata da interação existente entre quatro grandes grupos de agentes econômicos:
famílias, empresas, governo e o resto do mundo. 
As famílias ou unidades familiares agregam os indivíduos famílias unidades familiares que fornecem sua
força de trabalho para as atividades de produção e aqueles outros que, embora não estejam participando do
processo produtivo, recebem transferências originadas da Previdência Social ou de programas sociais. 
Trata-se, pois, daquelas pessoas que trabalham por conta própria, que são empregados ou empregadores
em todos os setores da atividade econômica e daqueles que, embora não efetivamente empregados,
participam da economia por meio de aposentarias, pensões ou programas de transferência de renda.
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A interação entre os agentes econômicos e o
�uxo circular da renda
Figura 1. Fonte: © Kzenon / / Fotolia.
Desta forma, a origem do rendimento destes agentes está ligada ao trabalho (salários), transferências,
rendimentos de aluguéis, de aplicações �nanceiras (juros), da propriedade de terras, fábricas ou de
empresas prestadoras de serviços (lucros e dividendos).
As empresas são responsáveis por combinar recursos naturais, de trabalho, tecnológicos e de gestão, a �m
de colocar à disposição da sociedade e de outras empresas bens e serviços. Tais empresas podem ser
públicas, privadas ou de economia mista e englobam desde o microempreendedor individual até as grandes
corporações.
As empresas compartilham ao menos três características comuns (Rossetti, 2011):
Figura 2
O governo é constituído pelos órgãos públicos das três esferas de governo (União, Estados e Municípios)
governo e dos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), que têm por objetivo a prestação de
serviços coletivos, destinados à sociedade como um todo. Em geral, tais serviços têm como característica o
fato de que seu uso ou consumo não é rival e excludente.
Não rivalidade signi�ca que o consumo por qualquer indivíduo ou empresa não reduz a quantidade
disponível aos outros indivíduos. Um serviço que seja prestado sem que seja possível excluir aqueles que
não desejam pagar por ele é dito não excludente. Quando um bem é não excludente, seu fornecimento para
um indivíduo implica na provisão para todos os outros sem custo adicional. Um exemplo clássico deste tipo
de bem é a defesa nacional.
Com base na ideia de que o governo é responsável por produzir bens e serviços coletivos úteis para toda a
sociedade, os quais têm como característica não serem rivais e excludentes, �ca claro que as empresas
públicas estão excluídas deste conceito. Aquelas de propriedade estatal ou que têm o Estado como
acionista (controlador ou não) são classi�cadas no mesmo grupo em que se incluem as empresas privadas,
pois produzem bens privados.
Consideramos como resto do mundo unidades familiares, empresas e governos pertencentes resto do
mundo a outros países. Em uma economia globalizada como a atual, não é raro veri�car transações entre
famílias e empresas estrangeiras (você pode comprar facilmente roupas, perfumes ou eletrônicos de
empresas estrangeiras pela internet). Também não é raro que organizações busquem serviços de terceiros
(indivíduos ou famílias) de fora do país. Da mesma maneira, um governo pode adquirir bens ou contratar
serviços de empresas ou indivíduos estrangeiros. 
Desta forma, a existência de um agente econômico chamado de resto do mundo permite compreender as
transações econômicas entre as famílias, as empresas e o governo do país com os mesmos agentes de
outras nações. 
A interação entre as unidades familiares, as empresas e o governo pode ser representada por meio de
diagramas que demonstram os �uxos mais elementares observados em uma economia.
Figura 3. Inter-relações entre os três setores da economia e as unidades familiares em uma
economia fechada e sem a presença do governo.
O modelo representado na �gura “Inter-relações entre os três setores da economia e as unidades
familiares numa economia fechada e sem a presença do governo.”, embora bastante simples, é capaz de
evidenciar o papel das unidades familiares e das empresas. Você pode veri�car, ainda, a característica de
interdependência entre as empresas, estabelecida por uma série de relações intersetoriais, nas quais são
negociados bens e serviços intermediários. Os bens e serviços �nais serão fornecidos às unidades
familiares, as quais pagarão por eles com a remuneração obtida do emprego de seus recursos produtivos.
Lembre-se de que as unidades familiares detêm capacidade de trabalho e de gestão, ativos reais (imóveis,
por exemplo) e poupanças, que, combinados, darão origem aos bens e serviços intermediários e �nais.
Figura 4. Inter-relações entre os três setores da economia e as unidades familiares em uma
economia fechada e com a presença do governo.
A �gura “Inter-relações entre os três setores da economia e as unidades familiares em uma economia
fechada e com a presença do governo” mostra as alterações que ocorrem no modelo inicial após a inclusão
do governo. Perceba que o sistema não é alterado em seu fundamento. As inter-relações entre as unidades
familiares e as empresas ocorrem da mesma forma, no entanto, o governo também vai empregar recursos
oriundos das unidades familiares e adquirir bens e serviços das empresas a �m de ser capaz de realizar suas
atividades. Tais aquisições, bem como o pagamento dos recursos de produção e as transferências realizadas
às famílias, são possíveis com base na receita obtida com os tributos pagos pelas unidades familiares e
empresas.
Figura 5. Inter-relações entre os três setores da economia e as unidades familiares em um modelo
completo.
A �gura “Inter-relações entre os três setores da economia e asunidades familiares
emummodelocompleto”evidenciaastransaçõesrealizadasentreosagenteseconômicosdopaíseosdorestodo
mundo. Você pode observar a exportação de bens realizada pelas empresas do país, bem como a
importação de bens realizada pelas  empresas, pelo governo e pelas unidades familiares. Também
aparecem as transferências entre os agentes econômicos do país e os dores todo mundo, bem como os
pagamentos e recebimentos por serviços prestados, os quais englobam viagens e fretes internacionais,
seguros, rendas de capitais (juros, lucros e dividendos originados de empréstimos, royalties e investimentos
internacionais), entre outros.
Além das inter-relações que se estabelecem entre os agentes econômicos, há outro conjunto de ligações
entre a atividade econômica, particularmente entre os processos de consumo, produção e acumulação.
A produção de bens e serviços (�nais e intermediários) é realizada pelas empresas. É a produção a
responsável pela geração de renda na economia. A rigor, o processo de geração de renda ocorre
paralelamente ao processo de produção, pois, do ponto de vista macroeconômico, o gasto de um agente
econômico é a receita (renda) de outro agente econômico. Como as empresas são responsáveis por
mobilizar diferentes tipos de fatores (reveja a �gura “Inter-relações entre os três setores da economia e as
unidades familiares numa economia fechada e sem a presença do governo.”), elas pagam um conjunto de
remunerações que assumem a forma de salários, aluguéis, juros e lucros. Em resumo, o conceito de renda
corresponde ao custo dos fatores de produção.
Figura 6. O processo de produção, consumo e acumulação.
Mesmo quando consideramos a presença do governo, o conceito permanece. De um lado, ele reduz
compulsoriamente o poder aquisitivo das famílias, mas, de outro, utiliza estes recursos para efetuar
pagamentos a os agentes que mobiliza para realizar suas atividades (veja a �gura “Inter-relações entre os
três setores da economia e as unidades familiares numa economia fechada e com a presença do governo”).
Perceba ainda que, como mostra a �gura “O processo de produção, consumo e acumulação.”, uma parcela
da renda recebida pelas unidades familiares e uma parcela dos tributos recebidos pelo governo podem não
ser destinados a adquirir bens e serviços e servirão de fonte para o processo de acumulação. Repare que o
crescimento econômico de uma economia está ligado, entre outras causas, ao crescimento de seu estoque
de capital. A poupança das famílias e do governo pode ser utilizada para a aquisição de bens de capital
(aquisição de equipamentos industriais, construção de obras de infraestrutura, aquisição de implementos
agrícolas etc.), os quais possibilitarão uma economia crescer.
Os dados estatísticos a respeito do funcionamento da economia, como descrito na seção anterior, são
obtidos das contas nacionais, que têm como objetivo mensurar os agregados econômicos.
De acordo com Feijó e Ramos (2003, p. 1), “as contas nacionais fornecem o insumo em termos de dados
estatísticos que possibilitam a aferição empírica dos modelos teóricos desenvolvidos no campo da
macroeconomia. Nesse sentido, a contabilidade nacional deve ser entendida como um sistema contábil que
permite a avaliação da atividade econômica em um determinado período em seus múltiplos aspectos”.
Figura 7. Fonte: © ktsdesign / / Fotolia.
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A contabilidade nacional e os agregados
macroeconômicos
No Brasil, o Sistema de Conta Nacionais (SCN) é de responsabilidade do Instituto Brasileiro de Geogra�a e
Estatística (IBGE). Segundo o IBGE (2014), o Sistema de Contas Nacionais apresenta informações sobre a
geração, a distribuição e o uso da renda no país. Há, também, dados sobre a acumulação de ativos não
�nanceiros e sobre “as relações entre a economia nacional e o resto do mundo”.
O Produto Interno Bruto (PIB)
estatística-síntese mais importante obtida do SCN é o Produto Interno Bruto (PIB). Ele é a medida
agregada mais conhecida e divulgada. A razão é apontada por Mankiw (2012, p. 490):
Se você fosse julgar a situação econômica de uma pessoa, olharia primeiramente
para a sua renda. Uma pessoa com renda elevada tem mais facilidade para pagar
pelos bens necessários e supér�uos que existem. Não é de surpreender que
pessoas de renda elevada desfrutem de melhor padrão de vida– melhor moradia,
melhor atendimento à saúde, carros mais luxuosos, férias mais opulentas e assim
por diante. A mesma lógica se aplica à economia de um país. Ao julgar se uma
economia vai bem ou mal, é natural examinar a renda total obtida por todos os
membros da economia. Essa é a função do produto interno bruto (PIB).
Note que essa de�nição apresenta alguns pontos em que vale a pena prestar atenção:
 ESCLARECIMENTO
O PIB mede o valor de mercado da totalidade dos bens e serviços �nais
produzidos (por empresas públicas e privadas, prestadores de serviços,
trabalhadores autônomos, governo e outros) em um país em dado intervalo de
tempo.
O PIB mede o valor de mercado.
O PIB contabiliza as transações econômicas que têm valor de mercado, seja ele diretamente observado ou
imputado. Se você paga aluguel, este valor é diretamente observado, mas se você reside em um imóvel
próprio, o cálculo do PIB considera o valor do aluguel que você pagaria por este imóvel.
Figura 8. Fonte: © mouse_md / / Fotolia.
Além disso, ao medir o valor de mercado, estamos resolvendo o problema de somar produtos distintos,
medido sem diferentes unidades. Imagine uma economia que produz apenas um tipo de fruta, a qual deve
ser levada do local de produção até os centros consumidores. A quantidade de frutas pode ser facilmente
contabilizada (em quilos ou em unidades). Mas, que medida deveria ser utilizada para contabilizar o serviço
de transporte? Mais ainda, como somar a produção de frutas e o serviço de transporte? A resposta está em
utilizar uma medida universal, que é simplesmente o valor em unidades monetárias (isto é, dinheiro), tanto
das o valor em unidades monetárias frutas quanto dos transportes. Além disso, o próprio valor de mercado
permite determinar a contribuição de cada produto �nal ou serviço para o PIB total.
O PIB mede a totalidade dos bens e serviços �nais produzidos.
Considere o exemplo de uma montadora de automóveis (�gura “Produção e valor agregado”). Como o
próprio nome indica, ela, a rigor, não produz as peças necessárias à fabricação de um veículo. Seu trabalho é
juntar uma série de itens, como pneus, componentes eletrônicos, peças etc., transformando-os em um
produto �nal.
Figura 9 - O processo de produção. Fonte: © whim_dachs / / Fotolia; © Nataliya Hora // Fotolia; ©
Steve Mann / / Fotolia; © Steve Mann / /Fotolia; © jurra8 / / Fotolia Design Grá�co: Larissa Pires
Figura 10 - Produção e valor agregado. Fonte: © whim_dachs / / Fotolia; © Nataliya Hora // Fotolia;
© Steve Mann / / Fotolia; © Steve Mann / /Fotolia; © jurra8 / / Fotolia Design Grá�co: Larissa Pires
Caso contabilizássemos no PIB a produção dos pneus deste automóvel, e depois, novamente, o valor da
produção da montadora, considerando o valor total do automóvel produzido, estaríamos contando os
mesmos pneus duas vezes. Ao transformar uma série de itens em um automóvel, a montadora está
adicionando valor ao conjunto destes componentes. Neste caso, o valor de mercado do todo é maior que a
soma das partes.
O PIB mede a produção realizada em um país. 
O PIB considera o valor �nal dos bens e serviços �nais produzidos por empresas localizadas no país,
independentemente de quem sejam seus donos. A produção de uma geladeira realizada por uma empresa
de capital estrangeiro é contabilizada no PIB do país onde a produção ocorreu. Do mesmo modo, uma obra
de construção civil realizada por uma empresa de capital nacional em um país vizinho não é contabilizada no
PIB de origem dos proprietários da empresa, e sim no PIB do país vizinho.
Figura 11. Fonte: © paris pao / / Fotolia.
O PIB mede a produção realizada em um intervalo de tempo.Em geral, o PIB é calculado para o intervalo de um ano ou trimestre. Somente a produção que ocorre neste
período é considerada. Se uma imobiliária vende um imóvel construído há dois anos, o valor referente à
corretagem do imóvel entra no cálculo do PIB, mas o valor do imóvel não. 
Podemos medir o PIB partindo de três óticas distintas. Como a �gura “Produção e valor agregado” mostra,
o produto pode ser calculado por meio da soma do valor adicionado de todas as unidades produtoras de
uma economia. Quando fazemos isso, estamos calculando o PIB pela ótica do produto. Você já sabe ótica do
produto que o processo de produção implica na remuneração dos fatores de produção. Logo, podemos
calcular também o PIB por meio da soma dos pagamentos aos fatores de produção utilizados no processo
de produção, ou seja, contabilizamos o PIB pela ótica da renda. 
A �gura “O processo de produção, consumo e acumulação.”, mostra que a produção terá necessariamente
dois destinos. Ela será consumida pelas unidades familiares ou governo (no caso de produtos �nais) ou pelas
empresas(bens intermediários) ou será destinada à formação de capitais e estoques. Logo, a soma dos
gastos em consumo e acumulação constitui o PIB calculado pela ótica da despesa.
Veja o exemplo dessas óticas calculadas pelo IBGE:
Figura 12
1. Instituições que fornecem bens e serviços, gratuitamente ou abaixo dos preços de mercado,
obtêm renda de doações e não são controladas pelo governo, tais como instituições de caridade,
sindicatos e organizações religiosas.
2. Remuneração recebida pelos proprietários de empresas não constituídas – autônomos –, que
não pode ser identi�cada separadamente entre capital e trabalho.
3. Saldo resultante do valor adicionado deduzido das remunerações pagas aos empregados, do
rendimento misto e dos impostos líquidos de subsídios incidentes sobre a produção.
Usualmente, quando duas economias são comparadas, costuma-se utilizar o conceito de PIB per capita. O
mesmo conceito também é utilizado para fazer comparações intertemporais na mesma economia.
Se, como apontou Mankiw (2012), o PIB é uma medida de padrão de vida de um país, podemos ter uma
ideia de como um cidadão típico vive dividindo o PIB pela população residente. Essa medida, no entanto,
deve ser considerada com cautela por alguns motivos. Clique na interação e con�ra.
Qualidade de vida –
O PIB mede o valor agregado resultante da atividade produtiva. Em uma situação na
qual uma economia tenha enfrentado uma catástrofe natural e passado por um
processo de reconstrução, haverá aumento no PIB, embora a qualidade de vida da
população tenha piorado (FEIJÓ; RAMOS, 2003).
Bem-estar –
Se todas as pessoas de uma economia passassem a trabalhar mais, abdicando do lazer,
mais bens e serviços seriam produzidos, e o PIB aumentaria, mas o bem-estar seria
reduzido (MANKIW, 2012).
Outro cuidado necessário é observar a diferença entre o PIB a preços correntes e o PIB a preços de
determinado ano.
A �gura “Valor do PIB do Brasil a preços correntes – 2000-2012” mede a evolução do PIB a preços
correntes do Brasil em um intervalo de 13 anos.
Figura 13. Valor do PIB do Brasil a preços correntes – 2000–2012. Fonte: IPEADATA, 2014.
(Adaptado).
Se consultarmos uma base de dados, tal como o Ipeadata, veri�caremos que, em 2000, o PIB brasileiro foi
de R$1,179 trilhão e, em 2012, foi de R$ 4,392 trilhões, ou seja, apresentou um crescimento de 272,37%.
Essa informação, no entanto, não está tecnicamente correta.
Padrão de vida –
Em países com renda concentrada, a média não representa adequadamente o padrão
devida típico (FEIJÓ; RAMOS, 2003).
Estes números referem-se ao PIB nominal, também conhecido como , PIB nominal PIB a preços correntes
que é calculado se somando a totalidade dos bens e serviços �nais produzidos em dado ano aos preços
daquele ano.
As altas taxas de crescimento do PIB nominal devem-se basicamente a dois fatores: o aumento das
quantidades produzidas e o aumento do preço dos bens e serviços �nais produzidos ao longo do tempo
(BLANCHARD, 2001).
Para obtermos uma medida mais correta da variação do PIB, devemos eliminar o efeito da variação dos
preços ao longo do tempo. Quando isso é feito, obtemos o PIB real. O PIB real é calculado multiplicando-se
as quantidades dos bens e serviços �nais produzidos aos preços de determinado ano-base.
Voltemos ao exemplo da montadora de automóveis. Por simplicidade, suponha que exista apenas uma
montadora em determinado país e que este é o único bem �nal produzido nesta economia.
Figura 14. PIB nominal e PIB real
Com base nos dados da tabela, você pode perceber que o PIB nominal de 2011 aumentou em cerca de 8%
em relação ao ano anterior, sem que a produção tivesse se alterado. Quando consideramos o PIB real
(calculado apreços de 2010), veri�camos que não houve variação. Em outras palavras, o efeito da mudança
dos preços foi �ltrado no cálculo do PIB real. Da mesma maneira, o PIB real de 2012 cresceu no mesmo
percentual do PIB nominal, pois os preços permaneceram constantes em 2011 e 2012.
Para o Brasil, a comparação entre PIB real e PIB nominal é mostrada na �gura “PIB real e nominal do Brasil
(em R$ milhões) – 2000-2012”. Em relação a 2000, o PIB aumentou em 47,8%, ou seja, quase seis vezes
menos do que, a princípio, seríamos levados a acreditar.
Figura 15. PIB real e nominal do Brasil (em R$ milhões) – 2000-2012. Fonte: IPEADATA, 2014.
(Adaptado).
A �gura “PIB real e nominal do Brasil (em R$ milhões) – 2000-2012.” mostra que o PIB real apresentou
uma tendência de crescimento do produto real ao longo do tempo, a qual pode ser decomposta em um
componente de natureza estrutural, conhecida como produto potencial, e em um componente conjuntural,
chamado de hiato do produto.
O produto potencial corresponde ao nível do PIB que pode ser alcançado quando a economia opera no limite
de sua capacidade, empregando plenamente todos os recursos disponíveis. O PIB potencial não é uma
variável observável e tampouco existe uma única metodologia para sua estimativa. Ele é calculado de
diferentes maneiras, utilizando-se teoria econômica e métodos estatísticos.
A diferença entre o PIB potencial e o PIB observado é o hiato do produto. Ele funciona como hiato do
produto uma espécie de guia para a política econômica. Se o hiato é negativo – ou seja, se o produto efetivo
é menor que o produto potencialmente atingível –, há espaço para a economia crescer no curto prazo sem
causar in�ação, e o governo poderia estimular o crescimento da demanda com políticas de juros menores
ou corte de impostos, por exemplo. Já se o hiato do produto é positivo, a atividade econômica tende a
pressionar os preços no curto prazo, e políticas de contenção de demanda devem ser adotadas.
Note ainda que o PIB potencial, assim como o PIB efetivo, tende a crescer ao longo do tempo. O PIB
potencial se eleva à medida que uma economia consegue alcançar níveis mais elevados de quali�cação de
capital humano, obter ganhos de produtividade originados de melhorias tecnológicas e inovações de
processos e aumentar as quantidades disponíveis de fatores básicos de produção. O hiato do PIB está
ligado a outra variável de interesse na economia: a taxa de desemprego.
Essa taxa é obtida da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), realizada mensalmente pelo IBGE. Trata-se de
uma pesquisa feita por meio de uma amostra probabilística de domicílios, planejada para garantir a
representatividade dos resultados. A PME abrange as Regiões Metropolitanas de Recife, Salvador, Belo
Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre.
A Pesquisa Mensal de Emprego adota a pessoa, moradora na unidade domiciliar selecionada, como unidade
de investigação. As características de trabalho são investigadas para todas as pessoas de 10 anos de idade
ou mais na data de referência. Essas pessoas compõem a População em Idade Ativa (PIA). De acordo com o
IBGE (2007), “as pessoas em idade ativa são classi�cadas em três categorias mutuamente exclusivas(pessoas ocupadas, desocupadas e não economicamente ativas)”.
Figura 16. População e desemprego. Fonte: GREMAUD; VASCONCELLOS; TONETO JÚNIOR,
2010, p. 101. (Adaptado).
A taxa de desemprego é a razão entre as pessoas desocupadas em relação à população economicamente
ativa: 
D = Pessoas desocupadas / PEA 
Um exemplo do cálculo da taxa de desemprego nas regiões metropolitanas abrangidas pela PME é
mostrado na �gura a seguir:
Figura 17. Exemplo do cálculo da taxa de desemprego
A rigor, quando fazemos referência ao desemprego originado de uma queda no ritmo da atividade
econômica, estamos falando do desemprego cíclico. Ele, no entanto, não é o único tipo de desemprego,
desemprego cíclico pois há ainda o desemprego friccional e o desemprego estrutural. 
Desemprego friccional
Decorre do tempo necessário para que um trabalhador mude de emprego. Estamos nos referindo ao
período entre o momento em que ele deixou um emprego tendo outro em vista. O conceito também
abrange aquela situação na qual o trabalhador perde seu emprego e demora algum tempo para
encontrar outro. Isso acontece basicamente pela imperfeição das informações. O trabalhador não
conhece com perfeição os empregos disponíveis que podem fazer uso de suas quali�cações e
habilidades. Assim, existirá um lapso temporal entre a saída de um emprego e a recolocação.
Perceba que, nestes casos, mesmo com a diminuição do hiato do PIB, haverá algum desemprego na
medida em que as vagas disponíveis podem não estar localizadas na mesma região ou requerem
alguma habilidade especí�ca não imediatamente disponível, ou ainda simplesmente os postos de
trabalho disponíveis não chegam ao conhecimento de todos os trabalhadores interessados.
Desemprego estrutural
Como o nome indica, tem origem em mudanças mais profundas em determinados setores da
economia, as quais eliminam postos de trabalho. Caso empregos sejam criados em outros setores, a
mão de obra pode migrar sem que seja observado um acréscimo na taxa de desemprego. Se isso não
ocorrer, estamos diante do fenômeno do desemprego estrutural.
Em geral, cada um dos tipos de desemprego exige um conjunto de medidas diferentes para seu combate,
como apontam Gremaud, Vasconcellos e Teneto Júnior (2010, p. 91):
Uma política de fomento ao crescimento econômico pode ser e�ciente para se
enfrentar o desemprego cíclico, porém terá pouco efeito se o desemprego for
friccional ou mesmo estrutural. Para o desemprego friccional, a criação de
organismos de difusão de informações sobre emprego (agências de emprego) é
uma política e�ciente. Também o incentivo à requali�cação da mão de obra tende a
ser uma política e�caz para o desemprego friccional, assim como para o
desemprego estrutural. Quanto a este, os estímulos aos setores que usem
intensivamente mão de obra, como a construção civil, e a utilização de tecnologias
trabalho–intensivas parecem ser as melhores atitudes.
Em resumo, vimos que o PIB mede o total de bens e serviços �nais produzidos por empresas situadas
dentro do país, não importando se essa empresa é de propriedade do capital nacional ou não. Quando o PIB
observado difere do PIB potencial, veri�ca-se um hiato do produto, o qual está ligado ao importante
conceito de taxa de desemprego. 
Nas economias cada vez mais inseridas no processo de globalização, outra medida importante é a obtida do
cálculo da Renda Nacional Bruta, tratada a seguir.
A Renda Nacional Bruta (RNB)
A Renda Nacional Bruta difere do PIB na medida em que considera o valor adicionado total gerado por
fatores de propriedades de residentes, ou seja, a produção realizada no país a partir de fatores de produção
estrangeiros entra no cálculo do PIB, mas não no da RNB. De outro lado, a produção realizada fora do país
por empresas brasileiras entrará no PIB do país estrangeiro, mas também será considerada no cálculo da
RNB no Brasil.
Em países com algum grau de abertura ao comércio, haverá tanto o recebimento de rendas pelo
pagamento de fatores de produção empregados no exterior quanto remessa de recursos para pagamento
dos recursos de produção de propriedade de estrangeiros referentes à produção realizada em território
nacional.
Figura 18. Produto Interno Bruto e Renda Nacional Bruta
Uma vez calculada a RNB, é possível obter outro agregado macroeconômico, conhecido como Renda
Nacional Disponível (RND). A RND é diferente da RNB, porque leva em conta o saldo entre as
transferências Disponível recebidas e enviadas ao exterior. São consideradas como transferências todas as
movimentações �nanceiras em que não há contrapartida com o processo de produção (doações, remessa
�nanceira realizada por uma família para um estudante no exterior, recebimento de uma herança etc.).
Além da diferença entre interno e nacional, também devemos considerar outro ponto. Já vimos
anteriormente que uma parcela da produção se destina à formação de capital. No entanto, não podemos
assumir que este montante, em seu total, vai aumentar o estoque de capital disponível. Parte desse
estoque de capital está sujeita a desgaste, obsolescência, danos e acidentes. Logo, uma fração dele
simplesmente repõe uma parcela do estoque de capital, que é, digamos assim, consumido durante o
processo produtivo. Quando levamos em consideração tal fato, aparecem os conceitos de Produto Interno
Líquido (PIL) e Renda Nacional Líquida (RNL).
Figura 19. Os principais agregados macroeconômicos
As identidades contábeis
Se considerarmos as três óticas de mensuração do produto, chegamos à identidade contábil básica:
Repare que uma identidade não implica em nenhuma relação de causa e efeito. É por isso que não
utilizamos o sinal de igualdade (dois traços horizontais), e sim o símbolo matemático para identidade (três
traços identidade horizontais).Não estamos dizendo, por exemplo, que o volume da despesa determina o
produto ou que uma renda maior causa um produto maior.
O que estamos dizendo é que podemos chegar aos mesmos valores por caminhos diferentes (ou seja, por
óticas diferentes) por conta do �uxo circular da renda, ilustrado nas �guras “Inter-relações entre os três
setores da economia e as unidades familiares numa economia fechada e sem a presença do governo.” a
”Inter-relações entre os três setores da economia e as unidades familiares em um modelo completo”.
A identidade entre produto e despesa, por exemplo, evidencia que a produção será idêntica ao consumo
�nal das unidades familiares residentes ou não residentes, acrescida do aumento do capital produtivo ou da
formação de estoques.    
De igual modo, toda produção tem como contrapartida a geração de renda, a qual será gasta em consumo
ou poupada, e estes recursos poupados vão possibilitar o processo de acumulação. Considere agora uma
economia fechada (sem transações com o resto do mundo) e sem governo. Nessa economia, podemos
escrever:
Isso quer dizer que a renda gerada em dado intervalo de tempo (Y) é resultante da quantidade de bens e
serviços �nais produzidos, ou seja, da quantidade produzida de bens de consumo (C) e de bens de
investimento privado (I).
De outro lado, quanto à utilização dessa renda (Y), ela será gasta em consumo (C) ou será poupada (S):
Y = C+S
Logo, juntando as duas igualdades:
C + I = C + S
I = S
Ou seja, numa economia fechada e sem governo, o investimento necessita ser integralmente �nanciado
pela poupança privada. 
Em uma economia fechada, mas com governo, é necessário ampliar o conceito de Renda Privada, passando
a considerar a ideia de Renda Nacional Disponível, a qual é composta da Renda Privada Disponível
acrescida da Receita Líquida do Governo (RLG).
Nesta economia, a renda gerada é resultado da quantidade produzida de bens de consumo destinados às
famílias (C) e ao governo (G). Estes últimos constituem os Gastos Correntes do Governo e dos bens de
investimento destinados às empresas ou ao governo (I):
Y = C + I + G 
Considerando sua utilização, a renda (Y) será destinada ao consumo das famílias, em um montante iguala
C, e aos gastos do governo, em um montante igual às suas receitas líquidas (Receita Líquida do Governo –
RLG) ou poupada(S):
Y = C + S + RLG
Novamente, juntando as duas identidades: 
C + I + G = C + S + RLGI + G = S + RLG
Se de�nirmos a poupança do governo (Sg) como:
Sg = RLG – G
Teremos:
I + G = S + RLGI = S + (RLG – G)
Isso quer dizer que, se a poupança do governo for negativa (ou seja, RLG for menor que G), parte da
poupança privada deverá ser usada para cobrir os gastos correntes do governo. De igual modo, quando a
poupança do governo é positiva, ela é somada à poupança privada, as quais serão utilizadas para �nanciar
os investimentos públicos e privados. Em uma economia aberta, o produto (PIB) é a soma da Renda
Nacional Bruta (RNB) com a renda líquida enviada ao exterior (RLEE):
PIB = RNB + RLEE
A Renda Nacional Disponível (RND) é dada pela soma da RNB com as transferências líquidas recebidas do
exterior(TLRE), isto é:
RND = RNB + TLRE
Juntando as duas identidades,
PIB = RNB + RLEE
PIB = RND – TLRE + RLEE
Em uma economia aberta, a renda gerada (Y) é resultado da quantidade produzida de bens de consumo
destinados às famílias (C) e ao governo (G), dos bens de investimento destinados às empresas ou ao
governo (I) e das exportações líquidas (X – M), que nada mais são que as exportações menos as
importações.
Y = C + I + G + (X – M)
A renda obtida da produção terá vários destinos. Clique nos ícones e con�ra. 
Uma parcela irá para o consumo das famílias, em um montante igual a C. 
Uma parcela irá para os gastos do governo, em um montante igual às suas receitas líquidas (Receita Líquida
do Governo).
Uma parcela será enviada ao exterior para remunerar os fatores de produção pertencentes a não
residentes, ao mesmo tempo que outra parcela será recebida do exterior com pagamento a fatores de
produção de propriedades de residentes. O saldo líquido constitui a RLEE. 
Uma parcela será enviada ao exterior como transferências, ao mesmo tempo que outra será recebida. O
saldo líquido são as transferências líquidas recebidas do exterior (TLRE).
Finalmente outra parcela da renda será poupada.
Logo,
Y = C + S + RG + RLEE – TRLE
Juntando as duas identidades, teremos:
C + I + G + (X – M) = C + S + RLG + RLEE – TLRE
I + G + ( X – M) = S + RLG + RLEE – TLRE
Reescrevendo essa última identidade, obtemos:
(M – X) + RLEE – TLRE = (I – S) + (G – RLG)
Esta última identidade faz mais sentido se a reescrevermos de modo diferente.
Podemos de�nir a poupança externa como:
Sext = (M – X) + RLEE – TRLE
Logo,
Sext = (I – S) + ( G – RLG)
A poupança externa representa o saldo do Balanço de Pagamentos em transações correntes (com sinal
trocado).
Assim, você pode veri�car várias situações de interesse:
Um país vai experimentar um dé�cit no Balanço de Pagamentos (e, portanto, necessitará de poupança
externa) se houver excesso de investimento (público ou privado) em relação à poupança (pública ou
privada) e um excesso de gastos correntes do governo em relação à sua receita. Clique na interação e
acompanhe.
(G > RLG) –
Se o governo apresentar dé�cit corrente (G > RLG), ele deverá ser sustentado pela poupança privada (I
deverá ser menor que S para compensar a diferença) ou pela poupança externa.
(G G) –
Se o governo pretende aumentar o investimento, as fontes possíveis são o superávit corrente do governo
(RLG > G), a poupança externa ou a redução do investimento privado,
(RLG > G) –
Se o setor privado deseja aumentar o investimento, as fontes possíveis são o superávit corrente do governo
(RLG > G), a poupança externa ou a redução do investimento público.
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Referências
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DORNBUSCH, R.; FISCHER,S. Macroeconomia. 5. ed. São Paulo: Editora
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Janeiro: Campus, 2003.
GREMAUD,A. P.; VASCONCELLOS, M. A. S. de; TONETO JÚNIOR, R.
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IBGE. Pesquisa Mensal de Emprego. 2. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2007.
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IPEA. Ipeadata: Banco de dados do Instituto de Pesquisa em Economia
Aplicada. Ipeadata, 2014. Disponível em: .
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PAULANI L. M. Contabilidade Social. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2007.
ROSSETTI, J. P. Contabilidade Social.7. ed. São Paulo: Atlas, 1995.
.Introdução à Economia. 20.ed. São Paulo: Atlas, 2011.
SACHS, J. ;LARRAÍN, F. Macroeconomia. São Paulo: Pearson, 2000.

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