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151 ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRAUnidade III Unidade III 7 MERCADO DE VALORES MOBILIÁRIOS – PARTE II Este tópico trata do mercado de futuros, abordando as operações de commodities e derivativos. O Brasil é um dos maiores produtores agrícolas e de commodities do mundo. O mercado de futuros é a ferramenta necessária para todos aqueles que participam dessa cadeia produtiva. O crescimento e desenvolvimento do mercado de futuros no Brasil têm gerado demanda por conhecimento que até então se encontrava nas mãos de poucas pessoas. Foi criado para produtores, cooperativas, indústrias, bancos, financeiras, exportadores, importadores, entre outros, poderem utilizá‑lo como ferramenta de proteção para oscilação de preços de commodities, moedas, índices financeiros etc. Também vale ressaltar que o mercado de futuros é atraente para aqueles que desejam utilizá‑lo como forma de investir e aproveitar as oscilações de preços para obter ganhos financeiros (OPEREFUTUROS, [s.d.]). 7.1 Conceito de mercado de futuros O conceito de mercado de futuros refere‑se a um tipo de mercado financeiro em que são negociados contratos de compra ou venda de ativos financeiros ou commodities para entrega e liquidação em uma data futura específica. Esses contratos são chamados de contratos futuros. O funcionamento básico desse mercado envolve duas partes principais: • Compradores (ou investidores de posição comprada): eles concordam em comprar um ativo em uma data futura específica a um preço predeterminado. • Vendedores (ou investidores de posição vendida): eles concordam em vender o mesmo ativo ao comprador na mesma data futura a um preço predeterminado. Os contratos futuros são padronizados, o que significa que eles têm regras, especificações e tamanhos predefinidos, tornando‑os mais líquidos e facilmente negociáveis no mercado. Eles são negociados em bolsas de valores e regulados por autoridades financeiras para garantir sua integridade e transparência. Um dos principais objetivos do mercado de futuros é ajudar a diminuir o risco de flutuações de preços para os participantes do mercado. Por exemplo, agricultores podem usar contratos futuros a fim de garantir preços para suas colheitas, mesmo antes de plantá‑las, evitando incertezas sobre os preços futuros. 152 Unidade IIIADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA Da mesma forma, empresas podem utilizar contratos futuros para proteger‑se contra variações adversas nos preços de moedas estrangeiras, que são essenciais para suas operações. É importante ressaltar que o mercado de futuros possui alto nível de alavancagem financeira, o que significa que é possível movimentar grandes quantidades de ativos com um capital relativamente menor. Porém, isso também implica em maior risco. Os investidores devem estar cientes dos riscos envolvidos antes de participar desse tipo de mercado. 7.1.1 Conceito de commodities Commodities, no contexto financeiro e comercial, referem‑se a produtos físicos básicos e homogêneos amplamente negociados em mercados globais. Esses produtos podem ser extraídos, cultivados ou produzidos e são geralmente usados como insumos para a fabricação de outros bens ou para consumo direto. Figura 58 – Exemplo de commodities Disponível em: https://tinyurl.com/3vjz3hc7. Acesso em: 25 set. 2023. As commodities têm algumas características essenciais: • Homogeneidade: cada unidade de uma commodity é considerada idêntica a qualquer outra unidade do mesmo tipo. Por exemplo, um barril de petróleo bruto de uma determinada qualidade é indistinguível de outro barril do mesmo tipo. • Negociabilidade: as commodities são altamente líquidas e podem ser negociadas em mercados organizados, como bolsas de valores, facilitando a compra e venda por investidores e empresas. 153 ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA • Padronização: as commodities geralmente têm especificações e padrões definidos, garantindo a uniformidade dos produtos. Isso é especialmente importante no mercado de futuros, onde os contratos são padronizados. As commodities são divididas em duas categorias principais: • Commodities agrícolas: incluem produtos como trigo, milho, soja, algodão, café, cacau, entre outros. Esses produtos são geralmente cultivados em fazendas e afetados por fatores climáticos e safras. • Commodities minerais ou energéticas: englobam recursos naturais, como petróleo, gás natural, ouro, prata, cobre, alumínio e assim por diante. Esses produtos são extraídos de reservas naturais e estão sujeitos a fatores geopolíticos, oferta e demanda, além de eventos do setor. Figura 59 – Exemplo de commodities Disponível em: https://l1nq.com/3GHo8. Acesso em: 19 set. 2023. A negociação de commodities desempenha um papel essencial nas economias globais, pois esses produtos são importantes na produção de bens e no abastecimento de necessidades básicas. Além disso, os mercados de commodities são usados por produtores e compradores para gerenciar riscos de preço através do uso de contratos futuros e opções. Esses instrumentos financeiros permitem que empresas se protejam contra a variação dos preços das commodities, garantindo mais estabilidade para suas operações. 154 Unidade III Destaque Perguntas e respostas sobre commodities Uma saca de trigo é uma commodity que posso negociar? Não. Para um dos produtos citados ser uma commodity, isto é, uma forma de investimento, é necessário que exista uma estrutura de mercado onde vendedores e compradores se encontram e onde torna‑se possível essa forma de investimento. Mas como funciona um investimento em commodities? Um investimento em commodities se faz por meio do mercado de futuros que funciona da seguinte maneira: você compra no mercado de futuros um contrato com um grande produtor de laranjas, estipulando que ele se compromete a entregar daqui a sete meses 400 toneladas de laranjas, pelas quais você se compromete a pagar R$ 140,00 por tonelada. Nessa transação você espera poder vender esse contrato de laranjas para algum interessado, antes da sua data de vencimento, por um preço maior por tonelada do que pagou, obtendo lucro na transação. Como qualquer tipo de investimento, a opção de investir em commodities será analisada pelos seguintes parâmetros: • retorno: ganho percentual sobre o capital investido que se espera ganhar em comparação com outras formas de investimento; • risco: incerteza quanto a investir em uma opção de investimento. Na análise quanto ao risco e ao retorno de um investimento, a escolha varia de pessoa para pessoa, já que alguns aceitam riscos maiores em troca de retornos maiores, enquanto outras pessoas preferem retornos menores, mas com riscos também menores. Mas o que fazer com tantas laranjas se eu não conseguir vendê‑las? Como investidor, ou melhor, como especulador, você não vai ter nenhuma posse física das commodities que negocia, você somente vai comprar e vender contratos, como outros tantos investidores, antes da data de vencimento dos contratos. 155 ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA Assim, pode ser que daqui a cinco dias você ache que o preço por tonelada de laranjas está satisfatório em R$145,00 e a venda para outro especulador. Pronto, você fez a operação no mercado de futuros e nem por isso teve de se preocupar em onde colocar 400 toneladas de laranja. Então commodities são iguais às ações da bolsa de valores? Não. O mercado de ações e o mercado de futuros têm diferenças. No mercado de ações, negociam‑se tanto ações velhas, emitidas há vários anos, quanto ações novas, emitidas por uma empresa nova, por exemplo. No mercado de ações ocorre a distribuição de dividendos, que é uma participação nos lucros das empresas aos acionistas possuidores de ações. No mercado de futuros somente se negociam produtos disponíveis para consumo imediato ou futuro. Não se pode negociar o trigo consumido há cinco anos, por exemplo. Nesse mercado, não há distribuição de dividendos. Então no mercado de futuros somente circulam especuladores atrás de lucros? Quase sempre, pois cerca deempresarial que busca apresentar uma visão holística e integrada do desempenho de uma organização em diversos aspectos – financeiro, social, ambiental e de governança. Em vez de divulgar informações separadas em relatórios financeiros, relatórios de sustentabilidade e outros documentos, o relato integrado procura unificar essas informações em um único relatório. O objetivo do relato integrado é proporcionar uma visão mais completa e equilibrada do desempenho de uma empresa, refletindo não apenas suas finanças, mas também seu impacto nas comunidades em que opera, suas práticas de sustentabilidade ambiental, sua abordagem de governança corporativa e seu relacionamento com seus stakeholders, ou seja, partes interessadas, como funcionários, clientes, fornecedores, investidores e a sociedade. Ao adotar o relato integrado, as empresas buscam aumentar a transparência, a responsabilidade e a prestação de contas, bem como melhorar sua capacidade de tomar decisões estratégicas com base em uma compreensão mais ampla de seu desempenho e riscos. Essa abordagem também pode ajudar as empresas a identificar oportunidades para melhorar sua sustentabilidade e valor em longo prazo. O relato integrado é frequentemente promovido por organizações como o International Integrated Reporting Council (IIRC) e ganhou atenção e reconhecimento em todo o mundo como uma prática de comunicação empresarial que visa ir além das métricas financeiras tradicionais e considerar o impacto mais amplo da empresa em seu ambiente operacional e social. Saiba mais O link a seguir disponibiliza o manual que contém a estrutura internacional para o relato integrado. INTEGRATED REPORTING. A estrutura internacional para relato integrado. IIRC, 2014. Disponível em: https://tinyurl.com/yvvj3wry. Acesso em: 25 set. 2023. 184 Unidade III Resumo Nesta unidade, composta pelos tópicos 7 e 8, você aprendeu conceitos e aplicações práticas sobre operações no mercado de futuros, derivativos, fundos de investimentos imobiliários (FII) e as tendências de investimentos para empresas de capital aberto. No tópico 7, você conheceu os conceitos e fundamentos das operações no mercado de futuros, de commodities, de operações com derivativos, incluindo as principais modalidades: swap cambial, hedge cambial e non deliverable foward (NDF). Em seguida, detalhamos as operações de estruturação de fundos de investimentos imobiliários, tanto a partir da desmobilização de ativos como de imóveis construídos para essa finalidade. O tópico terminou destacando os direitos e deveres dos investidores e vantagens dos FII sobre outros investimentos. No tópico 8, você conheceu as principais tendências de investimentos para empresas de capital aberto, participantes do grupo de empresas inovadoras que se destacam das demais por seus objetivos estratégicos, voltados para as questões emergentes no mundo globalizado. Entre os temas emergentes, destacamos a neutralidade de carbono, economia circular, justiça climática, pegada ecológica, descarbonização, bioeconomia e conservação baseada na natureza. Em seguida, apresentamos um breve resumo sobre as principais ações globais que vêm sendo promovidas desde a década de 1990, iniciando com o Protocolo de Kioto, o Acordo de Paris e o Fundo da Amazônia. Por fim, você estudou os conceitos de ativos e passivos ambientais, que são gerenciados nos balanços patrimoniais, o conceito internacional de GRI (Global Report Initiative) e o conceito de relato integrado, que vem sendo adotado pelas grandes empresas de capital aberto no Brasil. 185 ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA Exercícios Questão 1. (Enade 2018) Leia o texto a seguir. Se a saída de dólares for superior ao ingresso de recursos no País por vários meses seguidos, a retirada consecutiva de divisas afetará o preço do dólar. Caso o Banco Central decida evitar a flutuação no preço da moeda estrangeira, poderia realizar operações de swap cambial, que funcionam como uma venda futura de dólares, ou mesmo operar no mercado à vista com leilões de moeda estrangeira. Disponível em: http://www.g1.globo.com. Acesso em: 21 set. 2023. Considerando a tendência à equalização das taxas de juros, um regime de taxa de câmbio flutuante, com livre mobilidade de capitais e expectativas racionais, avalie as asserções e a relação proposta entre elas. I – Se o diferencial de juros e os riscos mantêm‑se inalterados, um anúncio da autoridade monetária de não realizar o programa de oferta diária de swaps afeta a cotação do dólar no período presente, caracterizando uma relação positiva entre a cotação futura e a cotação presente da moeda norte‑americana. porque II – A expectativa de menor rentabilidade em dólares no futuro resulta em retirada de divisas da economia brasileira, com prejuízo para as exportações do País. A respeito dessas asserções, assinale a opção correta. A) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a asserção II justifica a I. B) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a asserção II não justifica a I. C) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. D) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. E) As asserções I e II são proposições falsas. Resposta correta: alternativa C. 186 Unidade III Análise das asserções I – Asserção verdadeira. Justificativa: a não realização de swaps no presente indica que o Bacen deixará que o mercado estabeleça a cotação do dólar. Isso sugere estabilidade no mercado e, portanto, uma relação positiva entre a cotação futura e a cotação presente dessa moeda. II – Asserção falsa. Justificativa: a retirada de divisas pode desvalorizar o Real perante o dólar e permitir que o exportador receba mais pelas mercadorias exportadas. Questão 2. (Enade 2012) Uma empresa importadora analisou seu fluxo de caixa e verificou uma posição futura (em 90 dias) na qual havia uma grande concentração de pagamentos assumidos com os fornecedores, em moeda estrangeira (US$), e as entradas de recursos destinadas para saldar essas obrigações (para o mesmo período) eram em moeda nacional (R$). Constatou‑se que não havia recursos disponíveis no caixa, pois a política de administração da empresa sempre objetivou uma situação superavitária, embora próxima de um equilíbrio entre as entradas e saídas. A análise do fluxo de caixa ainda mostrou que, nas condições atuais de conversibilidade de moedas entre o dólar americano (US$) e o real (R$), não havia motivos para se preocupar. No entanto, os analistas do setor financeiro alertaram para um cenário de instabilidade muito provável da economia internacional que poderia descapitalizar a empresa com a elevação do valor do US$ frente ao R$. A diretoria da empresa decidiu realizar uma estratégia de proteção cambial para diminuir o risco da oscilação nas cotações de conversibilidade entre as moedas. Na situação descrita acima, qual das seguintes estratégias deveria ser adotada pela empresa? A) Comprar imediatamente uma posição em US$ em valores suficientes para honrar seus compromissos futuros, aproveitando as condições atuais de conversibilidade de moedas entre o US$ e o R$. B) Vender contratos futuros de US$, com valores suficientes e vencimentos compatíveis para honrar seus compromissos futuros. C) Comprar contratos de opções de venda de US$ futuro, com valores suficientes e vencimento compatíveis para honrar seus compromissos futuros. D) Vender contratos de opções de compra de US$ futuro, com valores suficientes e vencimentos compatíveis para honrar seus compromissos futuros. 187 ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA E) Realizar um contrato de SWAP, no qual trocaria sua posição futura em R$ por uma posição futura em US$, com valores suficientes e vencimentos compatíveis para honrar seus compromissos futuros. Resposta correta: alternativa E. Análise das alternativas A e C) Alternativas incorretas. Justificativa: conforme dito no enunciado, a empresa não tem recursos disponíveis no caixapara comprar uma posição em dólar nem contratos de opções de venda de US$ futuro. B e D) Alternativas incorretas. Justificativa: a empresa não tem contratos futuros nem contratos de opções de compra de US$ futuro que possam ser vendidos. E) Alternativa correta. Justificativa: realizar um contrato de swap é a melhor alternativa para a empresa. Se ela realizar esse contrato com um banco, por exemplo, pagará certo valor em reais a esse banco, e ele terá de pagar o equivalente em dólar ao valor contratado no swap. 188 REFERÊNCIAS Audiovisual AULA 4 – Sistema Financeiro Nacional: Comissão de Valores Mobiliários (CPA10, CPA20, CEA e CFP®). 2022. 1 vídeo (16 min). Publicado pelo canal T2 Educação. Disponível em: https://tinyurl.com/yc22tjjb. Acesso em: 25 set. 2023. COMO funciona o Mercado de Balcão: Jornada do Investidor – Aula 32. 2020. 1 vídeo (11 min). Publicado pelo canal Eu quero investir. Disponível em: https://tinyurl.com/24f66cnw. Acesso em: 25 set. 2023. COMO funciona um padrão ouro? 2020. 1 vídeo (8 min). Publicado pelo canal EconoFácil. Disponível em: https://l1nq.com/0l3YZ. Acesso em: 25 set. 2023. COMO levantar passivos ambientais l Due Diligence Ambiental (EDD). 2020. 1 vídeo (6 min 12 seg). Publicado pelo canal Valor Ambiental. Disponível em: https://l1nq.com/cosjO. Acesso em: 25 set. 2023. 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Outra vantagem para os consumidores finais das commodities é o ganho com a eliminação dos custos de estocagem e manuseio da produção. E se o produtor de uma commodity que faz um contrato futuro sofre uma quebra de produção, não podendo mais honrar o contrato? Nesse caso, o produtor terá que comprar um outro contrato no mercado, na mesma proporção que o seu, seja mais caro ou mais barato, de modo que, quando chegar a data do término do seu contrato, o que ele comprou, vencerá. Assim, ele cumprirá o contrato com a produção de outro produtor. O produtor, na verdade, anula seu contrato. É por esse motivo que os produtores de commodities tratam com tanta discrição as informações sobre a produção, para poderem realizar operações de anulação se necessário. Por exemplo, o relatório sobre a produção de laranjas nos Estados Unidos tem data marcada para ser apresentado para o público. 156 Unidade III O que um especulador faz se o preço da commodity da qual tem um contrato começa a cair? Nesse caso, se o especulador não acredita na alta de preços daquela commodity ou se prefere anulá‑lo naquele momento, temendo perdas maiores, então realiza um processo de anulação igual ao que o produtor faria se houvesse quebra de sua produção, pagando a diferença entre os contratos, sendo este seu prejuízo. Esse tipo de contrato é chamado de short position. Também pode ocorrer de o especulador acreditar que o preço da commodity subirá antes do final do contrato que possui. Assim, ele pode decidir entre duas alternativas: manter o contrato ou comprar de alguém que esteja “passando para frente”, como um short position. Esse contrato será, então, um contrato de long position para esse especulador. Onde são negociados esses contratos futuros? Nas Bolsas de Mercadoria e Futuros, como a B3 no Brasil, nas bolsas de Chicago, de Londres, de Nova York, entre outras. É o próprio especulador que faz os contratos com o produtor? Não. Como nas bolsas de valores, os negócios são realizados através de corretoras que recebem remunerações em porcentagem dos contratos, e se os ganhos em um contrato são grandes, ganham também participação nos lucros. Adaptado de: Komoditas (2022, tradução nossa). 7.2 Conceito de derivativos Derivativos são aplicações financeiras que derivam de outros valores. No mercado de câmbio, por exemplo, os derivativos são aplicações que derivam do valor do dólar. Há vários tipos de operações, mas três são mais conhecidas: mercado a termo, mercado futuro e mercado de opções. • Mercado a termo: duas pessoas assumem compromisso de compra ou venda de dólares em determinada data futura a um preço preestabelecido. O compromisso é cumprido na data combinada. • Mercado futuro: um investidor pode comprar um contrato de venda ou de compra de dólar a determinado preço, em determinada data, mas pode vendê‑lo a outro investidor antes do prazo estabelecido, o que aumenta o número de negócios e, portanto, a liquidez desse mercado. 157 ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA • Mercado de opções: esse mercado surgiu com os seguros de vida, seguros de veículos, seguros de saúde, entre outros. Quando fazemos um seguro de veículos, pagamos um prêmio mensal para nos proteger de perdas originadas em casos de sinistros. Se não ocorrerem sinistros, a seguradora não precisa devolver os prêmios pagos. No caso do mercado de opções, o investidor compra o direito de comprar ou vender ativos, por exemplo, dólares norte‑americanos, por um determinado preço em determinada data. Ele paga uma quantia por esse direito, mas não é obrigado a exercê‑lo. Por outro lado, quem vendeu a opção é obrigado a cumprir o acordo, caso o comprador queira executar a operação. Observe o esquema do professor Doalcei Santana: Agricultores Indústria produtora de café solúvel Solução: contrato futuro de café Se o preço do café sofre uma queda, há um ganho para a indústria. Porém, se o café tem um aumento no preço, a indústria perde Se o café tem um aumento, há um ganho para os agricultores; porém, se o café tem uma queda no preço, eles perdem x Figura 60 – Situação envolvendo as partes interessadas em contrato no mercado futuro de café A ilustração demonstra uma situação em que o contrato no mercado futuro é útil tanto para os agricultores de café quanto para a indústria produtora de café solúvel. Ambos estabelecem um contrato futuro sobre o preço do café, pois a variação de preços provoca a perda financeira para um ou para o outro. A seguir, um exemplo de aplicação sobre o mercado de opções cambial. Exemplo de aplicação Uma pessoa compra a opção de compra de dólar a R$ 5,00 daqui a três meses e paga R$ 0,05 por esse direito. No prazo final, se o dólar estiver custando mais que R$ 5,05, ela exerce o seu direito e compra a moeda por R$ 5,00. Se, por outro lado, o dólar estiver valendo R$ 4,90, ela desiste da sua opção de compra. Nesse caso, perde os R$ 0,05 que já pagou para assegurar o direito. Os derivativos são negociados principalmente com duas funções: proteger‑se de uma variação no preço de um ativo ou simplesmente obter lucros, o que se costuma chamar de especulação. 158 Unidade III Uma empresa com dívidas em dólar a serem pagas em seis meses pode garantir, desde já, a cotação do dólar, comprando um contrato no mercado futuro por um valor que lhe seja favorável. Suponhamos que o valor desse contrato seja R$ 5,00 por dólar. Mesmo que a moeda esteja valendo R$ 5,20 no prazo final, essa empresa terá, na prática, assegurada a compra de dólares pelo preço do contrato, ou seja, R$ 5,00 por dólar. Se um investidor estima que o dólar vai custar R$ 5,10 daqui a seis meses, ele pode comprar um contrato no mercado futuro que lhe garanta a venda de dólares a R$ 5,20, mesmo sem ter a moeda. No prazo final, se sua previsão se realizar, basta que ele compre os dólares a R$ 5,10 e venda pelo preço de R$ 5,20 para obter lucro (ENTENDA..., 2013). Os derivativos são frequentemente utilizados por investidores institucionais, empresas e negociadores (traders) profissionais para fins diversos, incluindo a busca de retornos adicionais ou proteção contra flutuações de preços e variações de moedas estrangeiras. Contudo, devido à sua natureza, o uso de derivativos requer conhecimento e compreensão aprofundada de suas características e riscos antes de serem incorporados em uma estratégia de investimento. 7.2.1 Swap cambial Swap é uma modalidade de derivativo. O termo swap é uma expressão inglesa que, em tradução literal, significa troca. Na teoria, swaps cambiais enquadram‑se na categoria de derivativos, que são instrumentos financeiros estabelecidos mediante contratos cujos preços são determinados e variam em função do preço de outro ativo. Na prática, swap cambial é um dos instrumentos que o Banco Central utiliza para acalmar o mercado quando os investidores começam a fugir do Brasil para investir em outros países que apresentam menores riscos econômicos ou políticos. Um cenário político‑econômico de crescente incerteza aumentou os riscos associados ao Brasil e ao real (R$), afugentando investidores e levando o US$ (dólar norte‑americano) a registrar o maior valor nominal em mais de 10 anos. Nessa década, a variação acumulada da moeda norte‑americana em relação à brasileira foi de mais de 100%. A tabela a seguir apresenta a evolução da cotação do dólar entre 2010 e 2020, tomando‑se como base o valor do dólar no último dia de janeiro de cada ano. 159 ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA Tabela 28 – Variação do dólar norte‑americano entre 2010 e 2020 Ano Câmbio (1 US$)Variação ano (%) Variação acm (%) 2010 R$ 1,8850 ‑ ‑ 2011 R$ 1,6675 ‑11,54% ‑11,54% 2012 R$ 1,7472 4,78% ‑6,76% 2013 R$ 1,9908 13,94% 7,18% 2014 R$ 2,4127 21,19% 28,38% 2015 R$ 2,6824 11,18% 39,55% 2016 R$ 3,9988 49,08% 88,63% 2017 R$ 3,1509 ‑21,20% 67,43% 2018 R$ 3,1859 1,11% 68,54% 2019 R$ 3,6440 14,38% 82,92% 2020 R$ 4,2824 17,52% 100,43% Fonte: Investing (s.d.). Observação Em 2018, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou as taxas de juros para atrair investidores. Os investidores estrangeiros retiraram seus investimentos dos países emergentes (grupo do qual o Brasil faz parte) para aplicar nos Estados Unidos, levando em conta principalmente o fator risco, ou seja, o fato de o dinheiro nos Estados Unidos ter menor risco do que no Brasil. A dinâmica é simples: ao sair do país, investidores trocam seus reais por dólares, diminuindo a quantidade de moeda estrangeira em circulação; ao mesmo tempo, a maior demanda por dólares eleva seu valor em moeda nacional, no caso, o real. Diante desse quadro, o Banco Central do Brasil intervém no mercado cambial para conter a fuga de capitais. A saída de dólares do país provoca uma acentuada e rápida desvalorização do real. É aí que entram os swaps cambiais. Ao estabelecer tais contratos, o Banco Central se compromete a pagar ao investidor o diferencial de valor observado na moeda estrangeira em relação ao real, seja ele de valorização ou desvalorização, somado a uma taxa de juros efetiva. Em troca, o investidor paga ao Banco Central o valor da taxa Selic corrente. Dessa forma, os swaps funcionam como um seguro para quem quer se proteger de uma forte alta do dólar, desestimulando a procura pela moeda e, assim, impedindo que ela suba mais. Mas e aquela história de que os contratos de swap cambial ofertados pelo Banco Central funcionam como uma venda de dólares no futuro? 160 Unidade III Essa explicação é usada porque, na prática, é isso que ocorre em caso de queda na taxa de câmbio. Uma vez que o Banco Central se compromete a restituir o investidor com o valor equivalente à desvalorização do real em determinado período, ao atingir o vencimento do contrato, os dólares usados em tal transação serão análogos a uma operação de venda da moeda estrangeira. No futuro, serão pagos pelo Banco Central para o investidor. Agora, resta entender como tais operações complexas no mercado financeiro afetam a vida de todos nós. Primeiro, as más notícias. Quanto maior a oferta de contratos de swap, maior parte de nossa reserva cambial estará potencialmente comprometida. Isso acontece porque, ao atingirem seu vencimento, os contratos de swap podem ter seu diferencial pago em dólares ou reais, dependendo da opção do investidor. Caso optem por receber em dólares, o montante usado no pagamento de tais papéis tem origem no volume de reservas em dólares, estocado pelo país. Essas reservas em dólares servem para superar períodos de adversidade e também para aumentar a autonomia monetária do Brasil em um sistema financeiro internacional de câmbio flutuante. Tais títulos, ofertados pelo Banco Central, costumam ser eficazes para conter movimentos especulativos no mercado de câmbio, evitando um período de instabilidade financeira. Por fim, vale destacar que, apesar de colocarem as reservas cambiais em risco no longo prazo, os swaps cambiais permitem que o Banco Central as proteja pelo menos no curto prazo, uma vez que até os títulos atingirem seu vencimento, toda a operação ocorrerá em reais. O passo a passo de um swap cambial funciona da forma descrita a seguir. O Banco Central oferece contratos de swap cambial no mercado. Os participantes interessados, como bancos e investidores institucionais, compram esses contratos. No início do contrato, o comprador paga ao vendedor a taxa de câmbio acordada entre as duas moedas. Durante a vigência do contrato, os fluxos de pagamento são realizados periodicamente entre as partes, em geral, mensalmente, conforme o acordo estabelecido. No vencimento do contrato, as partes revertem a operação, ou seja, trocam os fluxos de pagamento novamente, revertendo a posição cambial original. A principal finalidade do swap cambial é proteger os investidores e as instituições financeiras contra flutuações indesejadas nas taxas de câmbio, o que pode afetar negativamente seus investimentos e operações comerciais. No caso específico do Banco Central do Brasil, o swap cambial pode ser utilizado para influenciar a oferta e demanda de moeda estrangeira no país, controlando assim a taxa de câmbio do real (R$) em relação ao dólar (US$), por exemplo. 161 ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA Destaque BC tem ganho de R$ 7,820 bilhões com swap cambial em julho, até dia 14 Pelo conceito de competência, houve ganho de R$ 1,570 bilhão. Após obter lucro de R$ 20,462 bilhões com sua posição em swap cambial pelo critério de caixa em junho, o Banco Central registrou resultado positivo de R$ 7,820 bilhões com esses contratos em julho, até o dia 14. Pelo conceito de competência, houve ganho de R$ 1,570 bilhão. O resultado pelo critério de competência inclui ganhos e perdas ocorridos no mês, independentemente da data de liquidação financeira. A liquidação financeira desse resultado, no conceito de caixa, ocorre no dia seguinte, em D+1. Com a rentabilidade na administração das reservas internacionais, houve lucro de R$ 8,319 bilhões. Entram no cálculo ganhos e prejuízos com a correção. Já o resultado líquido das reservas, que é a rentabilidade menos o custo de captação, ficou positivo em R$ 940 milhões até 14 de julho. O resultado das operações cambiais mostrou ganho de R$ 2,511 bilhões. O BC sempre destaca que, tanto em relação às operações de swap cambial quanto à administração das reservas internacionais, não visa ao lucro, mas fornecer hedge ao mercado em tempos de volatilidade e manter um colchão de liquidez para momentos de crise. Acumulado do ano No acumulado de 2023 até o dia 14 de julho, o resultado com a posição de swaps cambiais do BC é positivo em R$ 62,719 bilhões no critério caixa e em R$ 66,339 bilhões no conceito de competência. Com a rentabilidade na administração das reservas internacionais, há perda de R$ 94,874 bilhões. O resultado líquido das reservas ficou negativo em R$ 179,630 bilhões. Já o resultado das operações cambiais mostrou prejuízo de R$ 113,291 bilhões. Fonte: InfoMoney (2023). 162 Unidade III Vale destacar que apesar de as operações de swap cambial promovidas pelo Banco Central do Brasil colocarem as reservas em moeda estrangeira em risco no longo prazo, os swaps permitem que o Banco Central as proteja pelo menos no curto prazo, uma vez que até que os títulos atingirem seu vencimento, toda a operação ocorrerá em reais. 7.2.2 Hedge cambial Assim como o swap, o hedge cambial é também uma modalidade de derivativo. O termo hedge é uma expressão inglesa que, em tradução literal, significa proteção. A instabilidade econômico‑política de um país pode afetar as operações das empresas brasileiras, principalmente aquelas que atuam no mercado internacional. As operações de exportação ou importação de bens e serviços têm seus preços contratados e cotados na moeda norte‑americana (US$), prática adotada no Brasil em quase todas as operações internacionais. No Brasil, não é possível uma empresa manter uma conta‑corrente em qualquer moeda que não seja o real (R$). Desse modo, quando uma empresa vende seus produtos ou serviços para outros países, as receitas provenientes dessas vendas chegam ao Brasil em dólares norte‑americanos (US$); porém, os bancos convertem esses dólares em reais (R$) antes de creditar os valores na conta‑corrente da empresa por meio de uma operação de câmbio. O gráfico a seguir mostra a variação do dólar no primeiro semestre de 2023. A publicação é do site Bora Investir: 12/04 R$ 4,91 Dólar comercial 2023 29/06 R$ 4,76 02/01 R$ 5,36 5,6 5,4 5,2 5 4,8 4,6 4,4 02 .0 1. 20 23 06 .0 3. 20 23 07 .0 4. 20 23 05.0 1. 20 23 09 .0 3. 20 23 03 .0 2. 20 23 12 .0 4. 20 23 11 .0 5. 20 23 10 .0 1. 20 23 14 .0 3. 20 23 08 .0 2. 20 23 17 .0 4. 20 23 16 .0 5. 20 23 13 .0 1. 20 23 17 .0 3. 20 23 13 .0 2. 20 23 20 .0 4. 20 23 19 .0 5. 20 23 18 .0 1. 20 23 22 .0 3. 20 23 16 .0 2. 20 23 25 .0 4. 20 23 24 .0 5. 20 23 23 .0 1. 20 23 27 .0 3. 20 23 21 .0 2. 20 23 28 .0 4. 20 23 29 .0 5. 20 23 26 .0 1. 20 23 30 .0 3. 20 23 24 .0 2. 20 23 03 .0 5. 20 23 01 .0 6. 20 23 12 .0 6. 20 23 20 .0 6. 20 23 31 .0 1. 20 23 04 .0 4. 20 23 01 .0 3. 20 23 08 .0 5. 20 23 06 .0 6. 20 23 15 .0 6. 20 23 23 .0 6. 20 23 Disponível em: https://tinyurl.com/2x2w4tfs. Acesso em: 23 set. 2023. Figura 61 – Variação do dólar norte‑americano entre janeiro e junho de 2023 163 ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA Se uma empresa exportou US$ 1.000 em produtos em janeiro de 2023, ela recebeu R$ 5.360,00. Por outro lado, se essa mesma operação ocorreu em junho de 2023, a empresa recebeu R$ 4.760,00. A variação do dólar norte‑americano (US$) entre janeiro e junho de 2023 foi negativa em 12%, o que representa uma diminuição nas receitas da empresa. Quando as receitas são calculadas sobre valores elevados, podem ocasionar até a falência da empresa, pois todas as suas despesas com fornecedores, empregados, encargos trabalhistas, impostos e outras contas precisam ser pagas em reais. Com base nessas cotações apresentadas, uma empresa que pretende exportar produtos para entrega futura pode comprar a opção de compra de dólar, por exemplo, a R$ 5,00 para daqui um ano. Porém, ela deve pagar R$ 0,24 para cada dólar norte‑americano, por esse direito ao investidor. No prazo final, se o dólar estiver custando menos que R$ 5,00, ela exerce o seu direito que já pagou para assegurar a compra do dólar a R$ 5,00 e preservar seu fluxo de caixa, acrescentando o custo de R$ 0,24 que ela já desembolsou. Se, por outro lado, o dólar estiver valendo mais que R$ 5,00, ela desiste da sua opção de compra. Nesse caso, perde os R$ 0,24 que já pagou para assegurar o direito. Nesse exemplo, a empresa possui compromissos em reais a serem pagos em um ano e pode garantir, desde já, a cotação do dólar, comprando um contrato no mercado futuro por um valor que lhe seja favorável. Isso é conhecido como hedge cambial. A volatilidade nas taxas de câmbio pode afetar negativamente empresas que importam ou exportam bens e serviços, bem como investidores que possuem ativos em moedas estrangeiras. O objetivo do contrato de hedge cambial é proteger contra essas flutuações, reduzindo ou eliminando a exposição ao risco cambial. Esses contratos permitem que as empresas ou investidores tenham mais previsibilidade sobre seus fluxos de caixa em moeda estrangeira, garantindo que o valor das transações ou investimentos não seja significativamente afetado pelas flutuações cambiais. A seguir, um exemplo de hedge cambial em empresas exportadoras. Exemplo de aplicação Uma empresa assinou um contrato de exportação de grãos com uma multinacional chinesa em janeiro de 2023 no valor de US$ 3 milhões de dólares americanos para entregá‑los em junho de 2023, quando ocorre o pagamento para a empresa brasileira exportadora. No fechamento do contrato de exportação, o valor em reais era de R$ 16 milhões, se considerarmos o valor do dólar de R$ 5,36, como aponta o gráfico. Valor em reais = US$ 3.000.000 x R$ 5,36 = R$ 16.080.000,00 164 Unidade III No entanto, no semestre, o dólar norte‑americano se desvalorizou em relação ao real (R$) para R$ 4,76, o que representa uma variação negativa de, aproximadamente, 12% no período. A conversão do valor da exportação de US$ 3 milhões após seis meses vale apenas R$ 14 milhões: Valor em reais = US$ 3.000.000 x R$ 4,76 = R$ 14.280.000,00 A empresa brasileira tem todos os seus custos em reais (R$) e ela perdeu praticamente R$ 2 milhões da sua receita por fatores que independem da gestão da empresa. Esse é um caso em que a empresa exportadora deve buscar uma operação de hedge cambial para garantir os retornos esperados no fechamento do contrato. É importante observar que os contratos de hedge cambial são instrumentos financeiros sofisticados e envolvem custos e riscos próprios. A decisão de utilizar esses contratos deve ser baseada em uma análise cuidadosa das circunstâncias específicas da empresa ou investidor. É aconselhável buscar orientação de especialistas financeiros antes de entrar em qualquer operação de hedge cambial. 7.2.3 Non Deliverable Foward (NDF) O Non‑Deliverable Forward (NDF), no idioma inglês, pode ser traduzido para o português como contrato a termo não entregável. Como vimos anteriormente, é um tipo de derivativo classificado como mercado a termo: duas pessoas assumem compromisso de compra ou venda de dólares em determinada data futura a um preço preestabelecido. O compromisso é cumprido na data combinada. Esse contrato financeiro é usado em mercados de câmbio para fixar uma taxa de câmbio entre duas moedas em uma data futura específica. Geralmente os contratos são efetuados entre a moeda local (no Brasil, em reais – R$) e o dólar norte‑americano (US$). A principal característica do NDF é que ele não envolve a entrega física das moedas acordadas na data de vencimento. Em vez disso, a liquidação é feita em dinheiro com base na diferença entre a taxa de câmbio acordada no contrato e a taxa de câmbio do mercado na data de vencimento. A finalidade do NDF é permitir que as partes envolvidas se protejam contra a volatilidade cambial ou especulem sobre movimentos futuros nas taxas de câmbio, sem a necessidade de efetuar a conversão real das moedas. Os NDFs são mais comuns em países emergentes ou em desenvolvimento, onde as moedas podem ser menos líquidas ou têm restrições para negociação em mercados internacionais. Bancos, instituições financeiras, empresas multinacionais e investidores que operam em países com essas condições frequentemente recorrem a esse tipo de contrato para gerenciar seus riscos cambiais. 165 ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA Exemplo de aplicação Observe a tabela a seguir, sobre a variação do dólar norte‑americano no período de maio a setembro de 2022. Tabela 29 – Variação do dólar norte‑americano entre maio e setembro de 2022 Data Último Abertura Máxima Mínima Var % 01/09/2022 5,4154 5,1833 5,4300 5,0766 +4,48% 01/08/2022 5,1831 5,1759 5,3163 5,0076 +0,19% 01/07/2022 5,1734 5,2569 5,5152 5,1448 ‑1,58% 01/06/2022 5,2562 4,7319 5,2792 4,7218 +11,09% 01/05/2022 4,7315 4,9692 5,2102 4,6904 ‑4,84% Alta: 5,5152 Baixa: 4,6904 Diferença: 0,8248 Média: 5,1519 Var %: 8,9158 Fonte: Investing ([s.d.]b). Uma empresa farmacêutica efetuou uma compra de insumos para produção de medicamentos em 1º de maio de 2022. O valor da compra foi de US$ 350 mil e o pagamento foi combinado para 30 dias, ou seja, em 1º de junho de 2022. Com base na cotação do dólar norte‑americano em 1º de maio de 2022, esse pagamento equivale a: Valor em reais (R$) = US$ 350.000 x R$ 4,7315 = R$ 1.656.025,00 O valor do dólar norte‑americano após 30 dias, em 1º de junho de 2023, valia 5,2562. Com base na cotação dessa data, o pagamento equivale a: Valor em reais (R$) = US$ 350.000 x R$ 5,2562 = R$ 1.839.670,00 Ocorreu um aumento no valor da importação de 11% em apenas um mês. A empresa importadora negociou no mercado de balcão, em 1º de maio de 2022, um contrato de NDF que estabelece a cotação do dólar norte‑americano em R$ 4,7315 por 30 dias. No dia da liquidação do contrato, em 1º de junho de 2023, o investidor e a empresa importadora fizeram o cálculo apresentado. Como a moeda norte‑americana se valorizou, o investidor pagou a diferença de R$ 183.645,00 para a empresa farmacêutica. Diferença = R$ 1.839.670,00 – R$ 1.656.025,00 = R$ 183.645,00 Você deve estar perguntando: então o investidor perdeu dinheiro? 166 Unidade III Nessa operação ele perdeu dinheiro, porém os investidores operamcom empresas exportadoras e importadoras e as flutuações tanto podem aumentar quanto diminuir o valor da moeda norte‑americana. Se a variação tivesse ocorrido para diminuir a cotação do dólar norte‑americano para R$ 4,50, por exemplo, quem pagaria a diferença seria a empresa farmacêutica. A equação para o cálculo do NDF é a seguinte: NDF = valor do contrato x (valor da moeda no vencimento – valor negociado) As vantagens em usar ou investir em NDF trazem muitos benefícios para exportadores e importadores. Veja alguns: • Proteger empresas da volatilidade de moedas estrangeiras. • Ser mais flexível que outros contratos a termo, pois a data de fixação e o valor são definidos pelas partes. • Ser mais detalhado do que outros contratos a termo. • Não serem efetuados ajustes diários nos valores. • A liquidação só acontecer no dia do vencimento. Por que é interessante que os investidores entendam esse conceito? Entender o NDF é muito importante para os investidores que querem aplicar no mercado cambial. Afinal, esse tipo de contrato oferece mais opções e flexibilidade para investir na oscilação de moedas. No entanto, trata‑se de uma aplicação de alto risco. Afinal, a duração média do NDF é de 6 meses, sendo impossível prever a oscilação cambial nesse período. Portanto, é um negócio que deve ser abordado com muito planejamento e cuidado. Saiba mais Veja o vídeo sobre derivativos e hedge: O QUE são #derivativos e #hedge? 2020. 1 vídeo (17 min). Publicado pelo Canal Suno. Disponível em: https://l1nq.com/wuJWE. Acesso em: 25 set. 2023. 167 ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA 7.3 Desmobilização de ativos e Fundos de Investimentos Imobiliários (FII) A desmobilização de ativos tem sido muito utilizada por empresas que possuem um grande patrimônio imobiliário. Exemplos são hospitais, clínicas, universidades privadas, galpões logísticos, centros de distribuição, entre outros. Os ativos podem ser vendidos para capitalizar a empresa e aumentar a liquidez. Existem muitos FII interessados em imóveis para compor carteiras de FII para investidores que desejam diversificar seus investimentos. Em qualquer fase do ciclo de vida da empresa, ela poderá reduzir seu valor patrimonial pela venda dos ativos imobilizados e pagar aluguel para continuar utilizando suas instalações. Lembrete Uma das formas de as empresas obterem recursos financeiros é por desmobilização do patrimônio líquido: as empresas vendem parte dos ativos imobilizados e alugam aqueles que necessitam para operar. Além de melhorar o índice de imobilização contábil e gerar capital de giro para inovações no seu modelo de negócio, ela poderá se beneficiar da redução de impostos, abatendo as despesas com aluguéis no cálculo do imposto de renda. Isso é possível com a estruturação de FII, negociados no mercado de capitais. Assim, cabe aos intermediários financeiros fazer a aproximação entre empresas que tenham interesse em desmobilizar seus ativos e investidores que desejam investir seus recursos em fundos de investimentos. Para as empresas que têm interesse em desmobilizar seus ativos, o esquema seguinte ilustra os lançamentos contábeis: Ativo (direitos) Ativo circulante Disponibilidades Ativo não circulante Investimentos Imobilizado Intangível Patrimônio líquido Capital social Reservas de lucros Ativo circulante Fornecedores Salários e encargos Empréstimos de curto prazo Impostos a pagar Ativo não circulante Exigível a longo prazo Realizável a curto prazo Contas a receber Estoques Passivo (obrigações) Figura 62 – Migração do ativo imobilizado para o ativo circulante (disponibilidades) na venda de imóveis 168 Unidade III Com a venda dos imobilizados, os recursos financeiros obtidos vão para a conta de disponibilidades, que a empresa pode utilizar para promover inovações do seu modelo de negócios, ampliar a produção, entre outros. Como a empresa vai continuar utilizando as instalações vendidas, ela vai celebrar um contrato de locação com o FII, que será constituído para as suas instalações. O aluguel mensal será adicionado na conta de despesas administrativas das Demonstrações de Resultados Mensais e consolidadas na DRE em despesas administrativas. Desse modo, essa despesa beneficia a empresa no imposto de renda. Quadro 17 – Inclusão do aluguel nas despesas administrativas na DRE Demonstração do resultado do exercício (DRE) Ano 20XX (+) Receita bruta (‑) Impostos (=) Receita líquida (‑) Custo das mercadorias vendidas (CMV) (=) Lucro bruto (‑) Despesas comerciais (‑) Despesas administrativas (incluir o valor do aluguel) (‑) Despesas financeiras (=) Lucro operacional (‑) IR (15%) e CSLL (9%) (=) Lucro líquido Para o investidor, a rentabilidade ocorrerá de duas maneiras: a primeira delas é a valorização imobiliária, que será incorporada no valor das cotas; e a segunda é o recebimento mensal dos aluguéis. Saiba mais O Clube FII Educação disponibiliza diversas modalidades de cursos para iniciantes. Eles podem ser acessados no link a seguir. CLUBE FII. Cursos de fundos imobiliários. [s.d.]. Disponível em: https://l1nq.com/3VvHF. Acesso em: 25 set. 2023. 7.3.1 Conceito e estrutura dos FII Os FII é uma comunhão de recursos de inúmeros investidores destinados à aplicação em empreendimentos imobiliários, como a construção e a aquisição de imóveis para posterior locação ou arrendamento. 169 ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA Os FII são constituídos, regulados e fiscalizados pela CVM com o objetivo de promover a aplicação coletiva dos recursos de seus participantes. Você já deve ter investido ou conhece alguém que investiu em um fundo de investimento, distribuído por bancos e outras instituições financeiras, como os das categorias renda fixa, referenciado DI e ações. É importante ressaltar que, ao contrário do fundo de investimento no qual você está acostumado a investir, o FII é constituído sob a forma de condomínio fechado, o que significa que as suas cotas não podem ser resgatadas a pedido dos investidores. O investidor tem que comprar e vender suas cotas na bolsa de valores (B3) ou participando de uma oferta pública. Na prática, esses fundos, principalmente os listados em bolsa de valores, permitem um acesso democrático às oportunidades de investimentos imobiliários de grande porte, como lajes corporativas, shopping centers e galpões logísticos (CLUBE FII, [s.d.]a). Os FII possuem estruturas independentes. Cada FII possui sua própria estrutura, composta por um administrador e um gestor. O administrador é responsável pelo funcionamento e manutenção do fundo. Ele contrata outros prestadores de serviço para ajudá‑lo na administração dos FII. A instituição financeira, que é a administradora do fundo, possui diversas obrigações perante a CVM e os cotistas. Por sua vez, o gestor é responsável pelos investimentos realizados pelo fundo, ou seja, é quem escolhe os imóveis, empreendimentos ou títulos que vão compor a carteira, mas sempre respeitando a política de investimento e as regras definidas no regulamento do fundo imobiliário. O patrimônio do fundo imobiliário é de propriedade dos cotistas. O administrador e o gestor prestam serviços para o fundo e recebem uma taxa pelos serviços prestados. Dessa forma, a possível falência dos administradores ou gestores não afeta o patrimônio do fundo. Nesse caso, os próprios cotistas vão escolher um novo administrador ou gestor para o fundo. O importante é que seu patrimônio esteja protegido. Outros prestadores de serviços também garantem o bom funcionamento e a segurança jurídica e operacional dos FII, como a auditoria externa, possíveis consultores imobiliários e o custodiante. 7.3.2 Direitos e deveres dos investidores em FII Os FII foram criados pela Lei n. 8.668/1993 e são regulamentados pela Instrução CVM n. 472/2008. O lançamento de um novo fundo no mercado, ou mesmo a emissão de novas cotas de um fundo já listado, depende de prévio registro e aprovação da CVM, que é o órgão responsável pela regulamentação e fiscalizaçãodo mercado de capitais no Brasil. 170 Unidade III Os cotistas investidores são os donos das cotas dos FII. Ao contrário do investidor, que compra diretamente um imóvel, o cotista de um FII não poderá exercer qualquer direito real sobre os imóveis e empreendimentos integrantes da carteira do fundo. Entretanto, o cotista também não responde pessoalmente por qualquer obrigação legal ou contratual relativa aos imóveis integrantes do fundo (CLUBE FII, [s.d.]a). Todo FII possui um regulamento que, entre outras disposições, determina a política de investimento do fundo. A política pode ser específica e estabelecer, por exemplo, que o FII invista apenas em imóveis prontos destinados ao aluguel de salas comerciais ou ser genérica e permitir ao fundo adquirir imóveis prontos em geral ou em construção, os quais poderão ser alugados ou vendidos. Com a aquisição dos imóveis, o fundo obterá renda com sua locação, venda ou arrendamento. Caso aplique em títulos e valores mobiliários, a renda se originará dos rendimentos distribuídos por esses ativos ou ainda pela diferença entre o seu preço de compra e de venda. Os rendimentos auferidos pelo FII são distribuídos periodicamente aos seus cotistas. O FII é constituído sob a forma de condomínio fechado, em que não é permitido ao investidor resgatar as cotas antes de decorrido o prazo de duração do fundo. A maior parte dos FIIs tem prazo de duração indeterminado, ou seja, não é estabelecida uma data para a sua liquidação. Nesse caso, se o investidor decidir sair do investimento, somente poderá fazê‑lo através da venda de suas cotas no mercado secundário (Bora Investir, 2022). 7.3.3 Categorias de FII e vantagens sobre outros investimentos O investidor individual, normalmente, só tem acesso no mercado imobiliário aos investimentos em imóveis residenciais (casa, apartamento ou terreno) e corporativos (salas comerciais de pequeno porte). No mercado de fundos imobiliários, o investidor terá acesso a um leque grande de possibilidades e diversificação setorial. Os tipos de fundos podem ser hotéis, hospitais, shopping centers, instituições educacionais, agências bancárias, lajes corporativas, logística, híbridos e recebíveis imobiliários. Dentro dessas categorias, o investidor pode encontrar fundos com uma gestão passiva ou gestão ativa. Os fundos com gestão passiva têm como objetivo único a obtenção de renda. Os fundos com gestão ativa possuem uma política de investimentos cujo objetivo é gerar ganhos de capital na compra ou venda de imóveis, incorporação de imóveis e emissão de títulos lastreados em operações imobiliárias, como os Certificados de Recebível Imobiliário (CLUBE FII,[s.d.]a). A principal vantagem dos FII sobre outros investimentos é o fato de permitir ao investidor aplicar em ativos relacionados ao mercado imobiliário sem, de fato, precisar comprar um imóvel. Assim, não há a necessidade de desembolsar todo o valor normalmente exigido para investimento em um imóvel. Permite ao investidor, ainda, uma diversificação em diferentes tipos de ativos do mercado imobiliário (exemplos: shopping centers, hotéis, residências etc.). 171 ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA As receitas geradas pelos imóveis ou ativos detidos pelo fundo são periodicamente distribuídas para os cotistas. O aumento nos preços dos imóveis do fundo gera aumento do patrimônio do fundo e, consequentemente, valorização do valor das suas cotas. Todo o conjunto de tarefas ligadas à administração de um imóvel fica a cargo dos profissionais responsáveis pelo fundo: a busca dos imóveis, os trâmites de compra e venda, a procura de inquilinos, a manutenção do imóvel, o controle dos impostos, entre outros (B3, s.d.). Um dos grandes atrativos dos fundos imobiliários em relação às demais alternativas de investimentos financeiros, bem como no próprio investimento direto em imóveis, é a isenção de imposto de renda. A Lei n. 11.196 (BRASIL, 2005) determina que os rendimentos recebidos pelos cotistas pessoas físicas sejam isentos de imposto de renda quando as condições seguintes forem atendidas (praticamente todos os FII listados em bolsas de valores cumprem essas exigências): • O cotista beneficiado tem menos do que 10% das cotas. • O fundo imobiliário tem no mínimo 50 cotistas. • As cotas do fundo são negociadas exclusivamente em bolsa de valores ou mercado de balcão organizado. Vale ressaltar que a isenção de IR para pessoas físicas só é válida para os valores recebidos a título de dividendos. Nos ganhos de capital obtidos na venda de cotas dos fundos, o investidor paga uma alíquota de 20% sobre esse ganho. Além da já mencionada isenção de imposto de renda para pessoas físicas nos dividendos, podemos destacar as seguintes vantagens no investimento em fundos imobiliários: • Começar a investir em renda variável com menor risco que os demais ativos dessa categoria. • Possibilidade de acesso a empreendimentos imobiliários de qualidade e grande porte. • Possibilidade de diversificação de carteira, mesmo com poucos recursos. • Rentabilidade líquida superior à dos aluguéis (investimentos imobiliários diretos com o objetivo de obtenção de renda). • Proteção contra inflação no longo prazo. • Liquidez elevada em comparação ao mercado imobiliário tradicional, pois as cotas são negociadas em bolsa. 172 Unidade III • Fracionamento, ou seja, o investidor pode vender apenas uma parcela do investimento imobiliário, ao contrário do imóvel físico, pois os FII são negociados em cotas. • Facilidade e comodidade para investir, pois não existe a necessidade de corretor, pagamentos de taxas e demais burocracias que envolvem a compra e a gestão de um imóvel (CLUBE FII, [s.d.]a). Investir em fundos imobiliários é fácil, rápido e de custo baixo em comparação ao investimento direto em imóveis. O primeiro passo é abrir uma conta em uma corretora de valores, pois, para comprar ou vender cotas na bolsa de valores (B3) ou participar de uma oferta pública, é obrigatório realizar essas operações via corretora. Existem no mercado várias corretoras que têm como foco o atendimento ao varejo, ou seja, pessoas físicas. O processo de abertura de conta é simples e rápido. Em poucos dias, você está apto a iniciar suas operações através do home broker ou via assessor de investimentos. É necessário transferir os recursos da conta corrente bancária para a conta na corretora. Toda a custódia dos investidores pessoas físicas que compram ativos na B3 é centralizada em um setor específico. O registro e as movimentações dos ativos são feitos eletronicamente, ou seja, não existem mais documentos físicos de propriedade. Cada investidor tem uma conta individual em seu nome e CPF. Todos os FII e demais ativos que você comprar na B3 ficam creditados nessa conta. A segregação de contas é um mecanismo adicional de proteção do investidor. A corretora é apenas seu agente de custódia. Assim, você não corre risco algum com uma possível quebra da sua corretora de valores (algo improvável de acontecer, mas que ainda preocupa alguns investidores iniciantes que não conhecem o sistema de custódia seguro). O investidor recebe os dividendos mensais dos fundos imobiliários de sua carteira na conta de sua corretora. Você consegue visualizá‑los no extrato mensal (CLUBE FII, [s.d.]a). Saiba mais Veja o vídeo sobre fundos imobiliários para iniciantes: GUIA básico de fundos imobiliários para iniciantes! 2020. 1 vídeo (12 min). Publicado pelo canal Jovens na Bolsa. Disponível em: https://l1nq.com/doDht. Acesso em: 25 set. 2023. 173 ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA 8 TENDÊNCIAS DE INVESTIMENTOS EM EMPRESAS DE CAPITAL ABERTO As tendências de investimentos em empresas de capital aberto podem ser influenciadas por diversos fatores econômicos, sociais e tecnológicos. É importante notar que as tendências de investimento estão em constante evolução e o cenário pode mudar significativamente ao longo do tempo. Algumas das principais tendências de investimentos em empresas de capital aberto incluem:• Sustentabilidade e responsabilidade social: investidores têm demonstrado maior interesse em empresas que adotam práticas sustentáveis e têm responsabilidade social corporativa. Empresas que priorizam questões ambientais, sociais e de governança (ESG) têm atraído investidores conscientes, que desejam aliar seus investimentos ao impacto positivo no mundo. • Tecnologia e inovação: empresas de capital aberto que estão na vanguarda da inovação tecnológica costumam ser alvo de investidores, especialmente aquelas que estão em setores disruptivos, como inteligência artificial, blockchain, tecnologia de saúde e energias renováveis. A inovação é vista como um motor de crescimento no longo prazo e pode impulsionar o desempenho das ações. • Setores de crescimento acelerado: investidores tendem a buscar empresas em áreas que experimentam um rápido crescimento. Isso pode incluir empresas em setores emergentes, como cannabis, biotecnologia, inteligência artificial, energia limpa, entre outros. Esses setores promissores atraem investidores em busca de retornos potencialmente elevados. • Investimentos baseados em dados: com o avanço da tecnologia, a análise de dados tornou‑se uma parte fundamental do processo de tomada de decisão de investimentos. Investidores estão cada vez mais utilizando dados quantitativos e análises estatísticas para avaliar o desempenho das empresas e tomar decisões informadas. • Dividendos e retornos constantes: investidores, especialmente os de perfil mais conservador, têm procurado empresas que pagam dividendos consistentes e oferecem retornos estáveis ao longo do tempo. Essas empresas são frequentemente vistas como investimentos de baixo risco e podem ser atraentes para aqueles que buscam renda de investimentos. • Investimentos em mercados emergentes: à medida que a globalização continua a evoluir, investidores têm buscado oportunidades em mercados emergentes que apresentam um potencial de crescimento significativo. Esses mercados podem oferecer oportunidades de investimento atraentes, mas também podem envolver riscos adicionais. • Investimentos temáticos: investidores têm mostrado interesse crescente em investimentos temáticos, como empresas que se concentram em saúde e bem‑estar, educação, tecnologia limpa, entre outros. Essas temáticas podem refletir as tendências sociais e comportamentais predominantes em determinado momento. 174 Unidade III O gráfico a seguir apresenta o aumento dos retornos versus os riscos das carteiras de ações entre os anos de 2015 a 2022. Podemos observar o crescimento do interesse de investidores em fundos de investimentos temáticos quando comparamos com os investimentos tradicionais. A seguir, gráfico publicado no site Bora Investir: Retorno vs risco do portfólio Volatilidade anualizada Data Base: dez 2015 ‑ jun 2022 Renda Fixa: LEGATRUU Index / Ações: MXWD Index / Temático: MSEXPONU Index Re to rn o an ua liz ad o 5,50% 5,45% 5,55% 5,65% 5,75% 5,00% 4,00% 4,50% 3,50% Renda fixa 40% Renda fixa 40% Ações 50% Temático 10% Ações 60% Disponível em: https://tinyurl.com/3mczwdst. Acesso em: 23 set. 2023. Figura 63 – Interesse dos investidores em fundos de investimentos temáticos entre 2015 e 2022 8.1 Conceitos emergentes sobre meio ambiente e mudanças climáticas Entre os temas apresentados, o debate sobre meio ambiente e mudanças climáticas continua evoluindo, com novos conceitos emergentes e abordagens desenvolvidas para enfrentar os desafios ambientais globais. Alguns desses conceitos incluem: • Neutralidade de carbono: também conhecida como zero líquido de carbono, refere‑se ao equilíbrio entre as emissões de gases de efeito estufa liberadas na atmosfera e as emissões removidas ou compensadas por meio de ações como reflorestamento, captura de carbono ou tecnologias de remoção de CO2. O objetivo é alcançar um estado onde as emissões humanas líquidas de carbono sejam reduzidas a zero para evitar um aumento significativo da temperatura global. • Economia circular: conceito que se opõe ao modelo linear tradicional de produção, consumo e descarte, visa criar um sistema sustentável onde os recursos são reutilizados, reciclados e regenerados. Ao aplicar a economia circular, as empresas e a sociedade podem reduzir o desperdício, a poluição e a degradação ambiental. 175 ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA • Justiça climática: abordagem que enfatiza a equidade e a inclusão nas respostas às mudanças climáticas. Reconhece que os impactos negativos das mudanças climáticas são desproporcionalmente sentidos por comunidades vulneráveis, como populações de baixa renda, povos indígenas e países em desenvolvimento. A justiça climática busca garantir que as políticas e medidas de adaptação e mitigação considerem e atendam às necessidades dessas comunidades. • Pegada ecológica: medida do impacto ambiental de uma pessoa, comunidade ou país, expressa em termos de área de terra e recursos necessários para sustentar o seu estilo de vida ou atividades. Ferramenta para entender a pressão que a humanidade exerce sobre os recursos naturais que também ajuda a conscientizar sobre a importância da sustentabilidade e da redução do consumo excessivo. • Descarbonização: refere‑se ao processo de redução das emissões de carbono, especialmente no setor de energia, substituindo fontes de energia baseadas em combustíveis fósseis por alternativas de baixo carbono, como energia renovável e tecnologias de baixa emissão de carbono. • Bioeconomia: abrange um conjunto de atividades econômicas que utilizam recursos biológicos renováveis, como agricultura, florestas e aquicultura, para produzir alimentos, energia, materiais e produtos de base biológica. A bioeconomia promove a utilização sustentável de recursos naturais e pode contribuir para a transição para uma economia mais verde e de baixo carbono. • Conservação baseada em natureza: essa abordagem coloca a natureza como uma parte central da solução para os desafios ambientais e climáticos. A conservação baseada em natureza envolve a proteção, restauração e uso sustentável dos ecossistemas naturais para mitigar as mudanças climáticas, conservar a biodiversidade e promover a resiliência às alterações climáticas. Esses conceitos emergentes refletem a crescente conscientização global sobre a urgência das questões ambientais e climáticas. À medida que a ciência avança e novas pesquisas são realizadas, é provável que surjam mais conceitos e abordagens para enfrentar os desafios ambientais do nosso tempo. Saiba mais Veja o vídeo sobre investimentos temáticos: O QUE É investimento temático? 2020. 1 vídeo (11 min). Publicado pelo canal EconomicaMENTE. Disponível em: https://tinyurl.com/yhvpefm3. Acesso em: 25 set. 2023. 176 Unidade III 8.1.1 Protocolo de Kioto O Protocolo de Kioto é um acordo internacional estabelecido em 1997 na cidade de Kioto, no Japão, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP3). Seu objetivo principal é combater as mudanças climáticas e reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) que contribuem para o aquecimento global. Os gases de efeito estufa, como dióxido de carbono (CO2), metano (CH4), óxido nitroso (N2O) e outros, são liberados principalmente pelas atividades humanas, por exemplo, queima de combustíveis fósseis, desmatamento, agricultura intensiva e processos industriais. Esses gases ficam retidos na atmosfera e criam uma espécie de cobertor ao redor do planeta, retendo o calor do sol e levando ao aquecimento global. O Protocolo de Kioto estabeleceu metas de redução das emissões de GEE para os países industrializados, que são os principais responsáveis pelas emissões históricas. Essas metas foram fixadas para o período de 2008 a 2012 com base nos níveis de emissões em 1990. O acordo foi a primeira tentativa significativa de estabelecer compromissos legais vinculantes para a redução de emissões em nível global. As principais características do Protocolo de Kioto são: • Metas de redução deemissões: os países industrializados que ratificaram o acordo se comprometeram a reduzir suas emissões de gases de efeito estufa em relação aos níveis de 1990. As metas variavam entre eles, considerando suas capacidades econômicas e industriais. • Mecanismos de flexibilização: o Protocolo de Kioto incluiu mecanismos de flexibilização para ajudar os países a atingirem suas metas. Esses mecanismos abrangem o comércio de emissões, permitindo que países com reduções excedentes vendam créditos de carbono para aqueles com dificuldades em cumprir suas metas. • Implementação em duas fases: o Protocolo foi dividido em duas fases de compromisso. A primeira fase foi de 2008 a 2012, enquanto a segunda fase estava prevista para 2013 a 2020. No entanto, durante a Conferência COP18 em Doha, no Catar, em 2012, foi acordado que um segundo período de compromisso seria negociado. • Participação de países em desenvolvimento: embora os países em desenvolvimento não tivessem metas de redução obrigatórias sob o Protocolo de Kioto, o acordo incentivou sua participação em projetos de redução de emissões através do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). Esse mecanismo permitia que países desenvolvidos financiassem projetos de redução de emissões em países em desenvolvimento e recebessem créditos de carbono em troca. No entanto, apesar de ser um marco importante no combate às mudanças climáticas, o Protocolo de Kioto também enfrentou desafios significativos. Um dos principais problemas foi a ausência de alguns países importantes, como os Estados Unidos, que optaram por não ratificar o acordo devido a preocupações sobre o impacto econômico. Além disso, algumas das metas estabelecidas pelos países 177 ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA participantes não foram suficientemente ambiciosas para reverter significativamente a tendência crescente das emissões globais. Em 2015, durante a COP21 em Paris, foi adotado o Acordo de Paris, que buscou substituir o Protocolo de Kioto e estabelecer metas mais abrangentes e ambiciosas para limitar o aquecimento global. O Acordo de Paris contou com uma maior adesão de países, incluindo os Estados Unidos, e reforçou a importância do compromisso global para combater as mudanças climáticas. Mesmo assim, o Protocolo de Kioto representou um marco significativo na luta contra as mudanças climáticas, demonstrando a necessidade de cooperação internacional para enfrentar esse desafio global e estimulando o desenvolvimento de acordos posteriores, como o Acordo de Paris. 8.1.2 Acordo de Paris O Acordo de Paris é um tratado internacional no âmbito da Convenção‑Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CQNUMC), adotado em dezembro de 2015 durante a 21ª Conferência das Partes (COP21) em Paris, França. O principal objetivo do acordo é combater as mudanças climáticas, limitando o aumento da temperatura global e fortalecendo a capacidade de os países lidarem com os impactos das mudanças climáticas. Os países signatários do Acordo de Paris concordaram em tomar medidas concretas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) e limitar o aquecimento global a menos de 2 graus Celsius acima dos níveis pré‑industriais, com esforços para limitar o aumento a 1,5 graus Celsius. Para alcançar esse objetivo, os países apresentam Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), que são planos específicos de redução de emissões adaptados às suas realidades e capacidades nacionais. O Acordo de Paris foi um marco significativo no combate às mudanças climáticas, pois foi o primeiro tratado global que envolveu praticamente todos os países do mundo. Antes disso, tratados anteriores, como o Protocolo de Kioto, não conseguiram obter a participação de importantes emissores de gases de efeito estufa, como os Estados Unidos e a China. A assinatura do Acordo de Paris trouxe consigo um sentimento de esperança e cooperação internacional no enfrentamento do desafio global das mudanças climáticas. No entanto, seu sucesso depende da implementação efetiva dos compromissos assumidos por cada país. Atualmente, muitos especialistas e ativistas climáticos destacam a necessidade de aumentar a ambição das ações climáticas para o objetivo de limitar o aquecimento global ser alcançado. 178 Unidade III Desde a adoção do acordo, os esforços para combater as mudanças climáticas têm sido variados em diferentes países. Alguns têm mostrado progresso significativo, investindo em energia renovável, aumentando a eficiência energética, adotando políticas de proteção ambiental e reduzindo suas emissões. Outros enfrentam desafios políticos e econômicos para cumprir suas metas. Um dos principais pontos do Acordo de Paris é a revisão e o aumento periódico das NDCs por cada país para garantir a progressão das ações climáticas. Isso deve incentivar uma trajetória crescente de ambição para lidar com as mudanças climáticas ao longo do tempo. Em 2021, na COP26 realizada em Glasgow, Escócia, os países revisaram o progresso e a implementação do Acordo de Paris, buscando aprimorar a ação coletiva para enfrentar as mudanças climáticas. A COP26 representou um momento crítico para reforçar os compromissos dos países em suas NDCs e mobilizar recursos para apoiar os países em desenvolvimento na transição para uma economia de baixo carbono e na adaptação aos impactos das mudanças climáticas. A ilustração seguinte apresenta os países que aderiram, ou não, ao Acordo de Paris. EUA está no processo para deixar o acordo Fonte: Espíndola e Ribeiro (2020, p. 366). Figura 64 – Posição dos países que assinaram, ratificaram ou abandonaram o Acordo de Paris Observação Os Estados Unidos, a Síria e a Nicarágua se opõem ao Acordo de Paris. Já os países em cor verde na imagem assinaram e/ou ratificaram o Acordo de Paris em 1º de junho de 2017. 179 ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA Em resumo, o Acordo de Paris é um tratado histórico que representa a vontade coletiva da comunidade internacional em combater as mudanças climáticas e proteger o nosso planeta para as gerações futuras. O desafio agora é garantir que as ações concretas e efetivas sejam tomadas para cumprir os compromissos assumidos e limitar os efeitos prejudiciais das mudanças climáticas em escala global. 8.1.3 Fundo da Amazônia O Fundo da Amazônia é um mecanismo de financiamento importante para a preservar e conservar a Amazônia brasileira. Foi criado em 2008 pelo governo brasileiro com o objetivo de captar recursos para apoiar projetos de combate ao desmatamento, possibilitar o desenvolvimento sustentável e conservar o bioma amazônico. O Fundo da Amazônia é gerido pelo BNDES e recebe doações de países, organizações internacionais e empresas interessadas em contribuir para a proteção da Amazônia. Importantes doadores incluem a Noruega e a Alemanha, sendo que ambos contribuíram significativamente para o fundo. Os projetos financiados pelo Fundo da Amazônia abrangem várias áreas, como o fortalecimento da fiscalização e monitoramento das atividades ilegais, o incentivo a atividades econômicas sustentáveis para as comunidades locais, o manejo florestal sustentável e o desenvolvimento de pesquisas científicas voltadas para a conservação da biodiversidade da Amazônia. Infelizmente, ao longo dos anos, houve desafios relacionados a implementação e direcionamento dos recursos do fundo. Em 2019, o governo brasileiro anunciou que suspenderia a captação de recursos estrangeiros para o Fundo da Amazônia, o que gerou controvérsias e preocupações sobre o futuro da preservação da Amazônia. No atual governo (2023‑2026), ocorreram desenvolvimentos adicionais, especialmente no discurso de posse do presidente Luíz Inácio Lula da Silva, que nomeou Marina Silva como ministra do meio ambiente. 8.2 Conceito de fundos ESG (environmental, social and governance) Os fundos ESG (environmental, social and governance) são veículos de investimento que buscam incorporar critérios ambientais, sociais e de governança corporativa em suas estratégias deseleção de ativos. Esses critérios são usados para avaliar o desempenho das empresas em relação a questões ambientais, sociais e de governança, permitindo que os investidores considerem não apenas o retorno financeiro, mas também o impacto social e ambiental de suas escolhas de investimento. • Environmental (ambiental): os critérios ambientais analisam o impacto das empresas nas questões ambientais, como emissões de gases de efeito estufa, consumo de energia, gestão de resíduos, uso sustentável dos recursos naturais, entre outros. Empresas que demonstram um compromisso com a sustentabilidade ambiental são mais propensas a serem selecionadas por fundos ESG. 180 Unidade III • Social (social): os critérios sociais examinam como as empresas interagem com suas partes interessadas, como funcionários, comunidades locais, clientes e fornecedores. Questões como tratamento justo dos funcionários, diversidade e inclusão, relações com a comunidade e práticas comerciais éticas são consideradas. Empresas que têm políticas e práticas sociais positivas têm mais chance de serem incluídas em fundos ESG. • Governance (governança): os critérios de governança analisam como as empresas são gerenciadas e controladas, incluindo a estrutura de governança, o papel dos acionistas, a transparência nas operações e a prestação de contas da administração. Empresas com altos padrões de governança e gestão responsável têm maior probabilidade de serem consideradas em fundos ESG. O objetivo dos Fundos ESG é investir em empresas que atendam a esses critérios, buscando não apenas o desempenho financeiro em curto prazo, mas também o impacto positivo no longo prazo em relação a questões ambientais e sociais. Além disso, muitos investidores acreditam que empresas com uma abordagem sustentável e responsável têm mais chances de serem bem‑sucedidas no futuro, gerando retornos mais consistentes ao longo do tempo. Os Fundos ESG têm ganhado popularidade nos últimos anos, refletindo uma crescente conscientização sobre questões ambientais e sociais, bem como a importância de uma governança corporativa sólida. Essa tendência também é impulsionada por investidores que desejam alinhar seus valores pessoais com suas decisões de investimento, buscando, ao mesmo tempo, obter um retorno financeiro sólido. É essencial notar que os critérios ESG podem variar entre diferentes fundos e gestoras de investimento. Alguns fundos podem ter critérios mais rigorosos e focar exclusivamente em empresas que atendam a altos padrões ESG, enquanto outros podem adotar uma abordagem mais flexível e inclusiva, buscando empresas em processo de melhoria nesses aspectos. Em resumo, os Fundos ESG representam uma abordagem de investimento que valoriza não apenas o retorno financeiro, mas também o impacto ambiental, social e a qualidade da governança das empresas em que investem. Essa abordagem tem sido uma força importante na promoção de práticas de negócios mais sustentáveis e responsáveis em todo o mundo. Saiba mais Veja o vídeo sobre ESG e como ele afeta o mundo dos investimentos: O QUE É ESG e como afeta o mundo dos investimentos. 2020. 1 vídeo (4 min). Publicado pelo canal InfoMoney. Disponível em: https://l1nq.com/3YB2t. Acesso em: 25 set. 2023. 181 ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA 8.3 Conceito de ativos e passivos ambientais Ativos e passivos ambientais são conceitos contábeis e financeiros relacionados aos impactos ambientais que uma empresa pode ter em suas atividades. Eles são uma parte importante da contabilidade ambiental e podem influenciar o balanço patrimonial e as demonstrações financeiras das empresas. Ativos ambientais Ativos ambientais referem‑se aos recursos e bens que uma empresa possui e que têm valor econômico relacionado às questões ambientais. Esses ativos geralmente são representados por investimentos em tecnologias, equipamentos, instalações e outros recursos que visam a preservação ou melhoria do meio ambiente. Alguns exemplos de ativos ambientais incluem: • Tecnologias de controle de poluição, como filtros de ar, sistemas de tratamento de água e estações de tratamento de efluentes. • Investimentos em fontes de energia renovável, como painéis solares e turbinas eólicas. • Áreas de conservação e proteção ambiental, como reservas naturais e áreas verdes em torno de instalações industriais. Esses ativos são geralmente registrados no balanço patrimonial e podem ser amortizados ou depreciados ao longo do tempo, dependendo de sua vida útil. Passivos ambientais Passivos ambientais, por outro lado, representam obrigações financeiras ou responsabilidades que uma empresa pode ter devido a impactos ambientais passados ou presentes. São os custos associados a reparação, mitigação ou compensação de danos ambientais causados pelas atividades da empresa. Alguns exemplos de passivos ambientais incluem: • Custos de descontaminação de um terreno poluído. • Indenizações ou multas devidas a infrações ambientais. • Custos de monitoramento e acompanhamento de impactos ambientais ao longo do tempo. Os passivos ambientais são registrados no balanço patrimonial e devem ser adequadamente provisionados para garantir que a empresa possa cumprir suas obrigações ambientais. É importante destacar que a contabilização de ativos e passivos ambientais pode variar de acordo com as normas contábeis e regulamentações específicas de cada país ou região. 182 Unidade III Lembrete Ativos ambientais referem‑se aos recursos e bens que uma empresa possui e que têm valor econômico relacionado às questões ambientais. Passivos ambientais representam obrigações financeiras ou responsabilidades que uma empresa pode ter devido a impactos ambientais passados ou presentes. As empresas devem seguir as diretrizes contábeis adequadas para garantir a transparência e a responsabilidade em relação a suas atividades ambientais. Além disso, a adoção de práticas sustentáveis e a gestão adequada dos ativos e passivos ambientais são cruciais para promover a responsabilidade socioambiental e a sustentabilidade corporativa. Saiba mais Veja o vídeo sobre como levantar passivos ambientais: COMO levantar passivos ambientais l Due Diligence Ambiental (EDD). 2020. 1 vídeo (6 min 12 seg). Publicado pelo canal Valor Ambiental. Disponível em: https://l1nq.com/cosjO. Acesso em: 25 set. 2023. 8.4 Conceito de GRI (Global Report Initiative) O conceito de GRI refere‑se à Global Reporting Initiative, que, em português, pode ser traduzido como Iniciativa de Relatórios Globais. A GRI é uma organização independente, fundada em 1997, que desenvolveu um conjunto de diretrizes amplamente reconhecidas para elaborar relatórios de sustentabilidade. Os relatórios de sustentabilidade GRI fornecem uma estrutura abrangente para que as organizações comuniquem suas práticas e seu desempenho em relação a questões ambientais, sociais e de governança (ESG). Essas questões geralmente abrangem áreas como impacto ambiental, responsabilidade social, direitos humanos, diversidade, ética, governança corporativa e outras dimensões relevantes para a sustentabilidade e a responsabilidade corporativa. As diretrizes da GRI são usadas por empresas, organizações não governamentais e outras entidades em todo o mundo como um padrão comum para relatórios de sustentabilidade. Elas fornecem uma estrutura consistente para coletar dados, medir o desempenho e comunicar o progresso em relação a metas e objetivos de sustentabilidade. 183 ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA Ao seguir as diretrizes da GRI, as organizações podem aumentar a transparência e a responsabilidade, permitindo que partes interessadas, como investidores, clientes, funcionários, comunidades e reguladores, compreendam melhor o impacto das operações da empresa no meio ambiente e na sociedade. Isso ajuda a promover a responsabilidade corporativa e contribui para um desenvolvimento mais sustentável. 8.5 Conceito de relato integrado O conceito de relato integrado se refere a uma abordagem de comunicação