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CENTRO UNIVERSITÁRIO FAVENI ... PRÁTICAS EM TERAPIA OCUPACIONAL ICENTRO UNIVERSITÁRIO FAVENI AULA 4 OBSERVAÇÃO DO AMBIENTE Abertura Olá! Como dito nas aulas anteriores, a observação antecede conhecimento científico, uma vez que, para compreender um objeto e/ou fenômeno, é possível voltar uma observação cuidadosa para compreendê-lo. objetivo da ciência é fazer descobertas sobre a natureza, suas relações e suas formas de funcionamento, por isso existem diversos métodos e técnicas para este fim, cujo ponto de partida é a observação. Nesta aula, serão abordados os principais tópicos relacionados com a observação do ambiente, de forma a captar os principais eventos e comportamentos que ocorrem no lugar escolhido para a pesquisa. Bons estudos!4 OBSERVAÇÃO DO AMBIENTE Cozby (2003) afirma que a observação exige que observador mergulhe na situação para analisar tudo: ambiente, os padrões de relacionamentos e as reações das pessoas aos diferentes tipos de eventos, em vista a construir um panorama completo e preciso do momento. Para obter esse panorama completo, será preciso entender as relações entre os eventos em uma observação, para ter um encadeamento não só cronológico, como também dos padrões que podem ser descobertos. entendimento das relações entre as ocorrências serve aos quatro objetivos listados abaixo: Descrição do comportamento: ao relacionar os acontecimentos, pode-se compreender melhor e com maior precisão o comportamento estudado. Cozby explana que: Os pesquisadores estão frequentemente interessados em descrever a maneira pela qual os eventos estão sistematicamente relacionados uns aos outros. Jurados julgam réus atraentes com menor severidade do que réus pouco atraentes? As pessoas são mais facilmente persuadidas por locutores de alta credibilidade? Estudantes que estudam com a televisão ligada têm notas mais baixas em comparação com que estudam em ambiente calmo? (Cozby, 2003, 21). Predição do comportamento: quando é possível observar dois eventos com alguma regularidade, pode-se prever que uma determinada forma de se comportar vai acontecer, isso permite a antecipação dos eventos para intervir neles. A título de exemplo, comportamentos aditivos em determinadas situações (como aquelas que geram tristeza ou decepção) viram gatilhos para indivíduo usar a substância em que está viciado, como brigas de relacionamentos, que podem se tornar preditivas do comportamento de abuso de substâncias. Definição das causas do comportamento: quando se associam os eventos, pode-se identificar suas causas, com intuito de saber como modificar os comportamentos. Desse modo, ao modificar as causas, a conduta resultante também é alterada. Ainda no exemplo do vício em substâncias, é possívelintervir nela mediante terapia e outras intervenções, em vista a modificar o comportamento do paciente. Explicação do comportamento: com a associação entre os eventos, fica aberta a possibilidade de explicar um comportamento de fato. Como exemplo, Cozby cita o seguinte fato: Considere a relação entre violência na televisão e agressão; mesmo sabendo que a violência na TV é uma causa da agressividade, precisamos explicar essa relação. Ela é devida a imitação ou "modelação" da violência vista na TV? Resulta de uma dessensibilização psicológica em relação à violência e a seus efeitos ou ver violência na TV gera a crença de que a agressão é uma resposta normal à frustração e ao conflito? Pesquisas adicionais são necessárias para esclarecer as explicações possíveis sobre o que foi observado. Em geral, pesquisas adicionais são realizadas para testar teorias desenvolvidas para explicar comportamentos particulares (Cozby, 2003, 22). Vale ressaltar que a predição, a descrição, a definição da causa e a explicação dos comportamentos estão relacionadas e podem ser interdependentes. Como exemplo, a definição da causa e a explicação se associam, pois as causas do modo de agir podem ser mais aprofundadas com outras pesquisas e se identificar outras causas. Nesse contexto, é mediante a observação cuidadosa que é possível descobrir as relações entre os eventos. A ordem cronológica entre os eventos pode ser primordial para compreender a relação entre eles, já que é por meio dessa ordem que poderá ser identificada que é a causa e o que é o efeito. Caso a ordem seja observada e registrada de modo incorreto, a compreensão da relação entre os eventos será prejudicada, portanto, essa ordem deve ser registrada com extrema cautela durante a observação. Ademais, é fundamental que o observador seja flexível e esteja atento a possíveis adições e modificações nos eventos para se adaptar a eles durante a pesquisa ou a observação. 4.1 Contingência A contingência é uma forma fundamental para analisar um comportamento, ela diz respeito às regras que descrevem as relações entre os eventos, não importa tipo(evento ambiental ou comportamental). Consiste no famoso "se... então...", isto é, o se pode representar algum evento específico que desencadeia então, que é outro evento, por exemplo: "se você fizer uma tarefa, então pode tomar sorvete". O papel da contingência é descrever a relação funcional de dependência entre determinados eventos, ela se apresenta como uma regra que especifica a relação entre os acontecimentos. Nesse contexto, os eventos que fazem parte da contingência ocorrem somente por meio da regra, como no seguinte caso: "se passageiro comprou a passagem, então poderá passar para a área de embarque". No entanto, existem exemplos como: "quando a moça abriu a janela, relampejou", que não é uma contingência, já que relâmpago apareceria até mesmo se a moça não abrisse a janela. Com isso, a contingência pressupõe as condições sob as quais uma consequência é produzida por uma resposta, ou seja, a consequência só poderá ocorrer se a resposta acontecer. Segundo Moreira e Medeiros (2006), outra relação funcional entre eventos que passa pela contingência é esquema de reforço contínuo, que envolve uma relação de dependência. Sendo assim, em dada ocasião, toda vez que a resposta ocorre, também acontece a sua consequência. As interpelações entre essas três instâncias (uma ocasião, uma resposta e uma consequência reforçadora) geram o que se denomina contingências de reforço ou contingência tríplice. Além disso, destaca-se a importância de examinar as contingências das ocorrências para verificar se existe uma relação de dependência entre elas. Caso tenha, será preciso identificar o tipo de relação existente, pois diferentes relações vão desencadear diferentes processos e padrões de comportamento. As relações de contingência fazem parte do ambiente e são construídas pelo comportamento humano. Souza (2001) explana que as tarefas do observador, além de identificar as relações de contingência, também envolve propor, criar e estabelecer outras relações de contingência para desenvolvimento de outros processos comportamentais para realizar a intervenção. Mediante a manipulação de contingências, é possível alterar e desenvolver padrões, bem como enfraquecer, reduzir ou extinguir comportamentos.4.2 Contiguidade A contiguidade consiste em uma relação funcional entre dois eventos que podem ou não ser dependentes, ou seja, ela implica simplesmente na sobreposição de eventos no tempo ou no espaço, independente da causa. Portanto, a contiguidade se difere da contingência, mas pode ser essencial na relação de contingência por reforçar a resposta, pois ela ocorre simultaneamente. Os eventos reforçadores contíguos podem aumentar a probabilidade de repetição de uma resposta, tais eventos podem ser dependentes de resposta (portanto, contingentes) ou não dependentes, que podem estimular respostas inadequadas ou um comportamento supersticioso. É possível encontrar comportamentos supersticiosos em várias situações, como usar uma "camisa da sorte" por causa da seguinte crença: "se eu usar uma camisa da sorte, então passarei na prova", um comportamento resultante de uma situação onde esse indivíduo teve uma boa nota ao usar a camisa em questão, o que leva ao instalamento do comportamento supersticioso de sempre usar a mesma camisa em provas. Entender as relações entre os eventos é crucial, já que permite identificar as interações na situação observada, que podem ser entre indivíduo e ambiente e vice-versa, isto é, se configura em uma via de mão dupla. Ao considerar os objetivos de prever, descrever, identificar as causas e explicar comportamentos mediante relações, deve-se ter em mente que esse processo sempre está em movimento e pode afetar ou ser afetado por acontecimentos no sujeito e no ambiente. Desse modo, foca-se em determinados eventos e em seus desencantamentos para compreender as situações. 4.3 Eventos ambientais e comportamentais Pode-se classificar os eventos em dois tipos: ambientais e comportamentais. Os eventos ambientais incluem as estruturas ou alterações no contexto que podem anteceder (eventos ambientais antecedentes) ou proceder (eventos ambientais consequentes) a eventos comportamentais no tempo e no espaço. Por sua vez, os eventos comportamentais são as ações do organismo, isto é, ações, respostas e modos de se comportar que o observador procura observar e explicar.A classificação de um evento em ambiental ou comportamental dependerá de quem será foco da observação. A título de exemplo, quando se observa um professor, o comportamento do aluno é ambiental e o do professor é comportamental, no entanto, se foco for toda a turma de alunos, os eventos ambientais vão envolver os indivíduos que adentram nessa "cena", como professores e os secretários. Nos tópicos seguintes, os eventos ambientais e comportamentais serão aprofundados, além de verificar suas subcategorias. 4.3.1 Eventos comportamentais Os eventos comportamentais podem ser definidos como as ações do sujeito. Sendo assim, existem algumas considerações a serem feitas sobre que chega a ser uma "ação do sujeito". Primeiro, consiste em uma ação que envolve um comportamento motor, ou seja, comportamentos que resultam no estabelecimento de contato físico do organismo com o ambiente ou com ele mesmo, bem como comportamentos que mudam contato físico existente e comportamentos que alteram a relação espacial que organismo mantém com ele mesmo ou com ambiente. Exemplos: Ela tomou um remédio. Ele se levantou do sofá. Eles se aproximaram e riram. Além disso, os comportamentos motores envolvem o estabelecimento ou a alteração de contato físico, tal como colocar uma boneca sobre a cama ou passar a mão no cabelo. Outro exemplo está na mudança de postura ou de posição, como na frase "ela se levantou do sofá", que também são comportamentos motores, semelhante a todo e qualquer tipo de locomoção, como correr, andar, subir, engatinhar, saltar, descer, entre outros. Também se incluem nessa categoria as mudanças de expressões faciais, como franzir as sobrancelhas, enrugar a testa, piscar OS olhos, sorrir, olhar para cima ou, inclusive, olhar fixamente para uma pessoa. Comportamentos vocais também fazem parte dela, não importa se são sons articulados, como sentenças e palavras, ou sons não articulados, como um grito. A observação desse evento também deve considerara localização do indivíduo, além de sua posição e postura. 4.3.2 Eventos ambientais Os eventos ambientais envolvem mudanças no ambiente da observação. Pode- se subdividir esse tipo de evento em dois: físicos e sociais. Os eventos físicos dizem respeito a mudanças no ambiente físico da observação, como uma batida na porta, um telefone que toca, algo que cai no chão e uma bola na trave. Por sua vez, os eventos sociais incluem comportamentos de outras pessoas no ambiente que não estejam no foco da observação. Assim, é fundamental saber quem ou o que é foco da observação para diferenciar o que é comportamental e o que é ambiental. Dentre os exemplos de eventos sociais, pode-se citar o menino que jogou a bola em direção a X (o foco da observação), a professora que se aproximou de X, um aluno que entrou na sala de aula, entre outros. Também é preciso se atentar para a localização, postura e posição nos eventos ambientais, ou seja, dos personagens que compõem a cena ou contexto físico em si, por serem detalhes capazes de enriquecer e trazer vida à observação, sem desconsiderar que o ambiente é repleto de estímulos, isso exige que observador seja seletivo para perceber se o evento ambiental afeta o comportamento do sujeito observado ou não. Além disso, vale se atentar mais para os eventos ambientais que mantêm um intercâmbio com a ação comportamental do sujeito observado, pois estes são estímulos de respostas para ele. 4.3.3 Classificação por natureza, disponibilidade e localização Os eventos não se classificam apenas em ambientais e comportamentais, Galvão e Barros (2001) colocam também a classificação dos eventos conforme sua localização, sua disponibilidade e sua natureza, como se pode ver abaixo: Localização: Os eventos podem ser externos ou internos, ou seja, podem ocorrer dentro ou fora do corpo do indivíduo a ser observado. Exemplo: depois de tomar um medicamento para dor de cabeça (evento ambiental externo),Júlia começou a se sentir melhor e a dor passou (evento comportamental interno). No caso, tomar o medicamento foi uma ação externa, enquanto o efeito dele, cuja consequência foi o bem-estar de Júlia, foi uma ação interna. Disponibilidade: envolve a possibilidade do evento ser observado, isto é, pode ser público ou privado. Segundo Moore (2017), os eventos privados são aqueles onde a estimulação que gera a resposta de um indivíduo não está disponível para outra pessoa observar, enquanto os eventos públicos estão visíveis e disponíveis para mais de um observador. A importância de conhecer essa classificação e a da localização reside no fato de um evento poder ser interno e público ou ser externo e privado e vice-versa. Natureza: envolve a possibilidade de afetar alguém fisicamente ou por meio de seus aspectos culturais e sociais. Desse modo, uma música pode afetar alguém tanto fisicamente, já que tímpanos do ouvinte a percebem, como psicologicamente, uma vez que a letra ou a melodia da música podem resultar em afeição social, por exemplo. A classificação dos eventos nessas classes pode ajudar pesquisador a entender os comportamentos, conforme tanto às suas causas quanto às suas possíveis consequências. 4.4 A importância dos eventos na análise comportamental. A identificação e classificação das relações funcionais em eventos de uma observação são essenciais para a análise comportamental, pois é mediante esses processos que se pode avançar no entendimento do comportamento e de seus padrões. Não é possível entender um comportamento isoladamente sem considerar os estímulos que causaram anteriormente, nem suas consequências e a probabilidade de repetição por meio de outros eventos. Com isso, os eventos servem à análise comportamental em seu objetivo de procurar entender ser humano com base em sua interação com ambiente. Pode- se dizer que essa interação ocorre por meio dos eventos, tanto os comportamentais quanto os ambientais, conforme quem observa. conceito de ambiente é mais amplo na análise do comportamento, poisenvolve o mundo físico, o mundo social, os aspectos históricos contextuais e a interação com os participantes. Desse modo, quando um profissional observa eventos e os analisa, ele procura traçar as interações para entender a relação sujeito-ambiente e, assim, entender como os indivíduos interagem com seus ambientes. Conforme os conceitos de condicionamento e esquemas de reforçamento, a análise procura prever comportamento, ou seja, saber sob quais circunstâncias o comportamento tem maior probabilidade de acontecer. Sendo assim, em decorrência de interações passadas, as formas atuais de se comportar podem ser previstas e controladas. Geralmente, termo controle é rechaçado devido à crença de que se refere a um controle social ou algo do tipo, mas isso não é caso da análise de comportamento. Nesse contexto, o controle remete ao começo dessa análise e às suas pesquisas realizadas em laboratório, que envolvem a experimentação e o controle com os estímulos ou eventos antecedentes e consequentes. Isso permite a intervenção no comportamento e o rompimento com padrões comportamentais, algo que ajuda muitas pessoas. Vale destacar também que a análise de comportamento não é o mesmo que behaviorismo social, ainda que ambos os conceitos tenham uma relação bem estreita. Enquanto a análise de comportamento é uma abordagem de cunho psicológico, behaviorismo consiste em um tipo de filosofia da ciência do comportamento. A análise de comportamento foca na investigação empírica, conceitual e aplicada ao comportamento, ela pode ser usada em diversas práticas que envolvem a observação, que a torna muito importante. Outro ponto a ser destacado é a forma pela qual a observação será feita, tanto em um ambiente controlado, como um laboratório ou salas espelhadas, quanto no contexto da realidade como ela se apresenta. Ademais, ela pode ser feita somente pelo observador in loco ou por outras formas, como câmera de vídeo ou fotográfica, para registro de observação. Outras tecnologias que são detalhistas na observação facial, por exemplo, também podem ser usadas. Finalmente, deve-se deixar claro quanto as observações dos eventos comportamentais e ambientais são primordiais não apenas para a ciência, mas para a terapia ocupacional, pois possibilita reconhecimento de relações específicas entre eventos para prever comportamentos e intervir neles para auxiliar os pacientes nasmais diversas situações ocupacionais de sua vida.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS COZBY, P. Métodos de pesquisa em ciências do comportamento. São Paulo: Atlas, 2003. GALVÃO, O. F.; BARROS, R.S. Curso de introdução à análise experimental do comportamento. São Paulo: CopyMarket, 2001. MOORE, J. Eventos comportamentais privados. Revista Brasileira de Análise do Comportamento. 13, n. 2, 62-67, 2017. MOREIRA, M. B.; MEDEIROS, C. A. Princípios básicos da análise do comportamento. Porto Alegre: Artmed, 2006. SOUZA, D. G. O que é contingência. In: BANACO, R. A. (Org.). Sobre comportamento e cognição: aspectos teóricos, metodológicos e de formação em análise do comportamento e terapia cognitivista. Santo André: ESETec Editores Associados, 2001.CENTRO UNIVERSITÁRIO FAVENI Anotações CENTRO UNIVERSITÁRIO FAVENI 00000000