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Teoria Geral dos Recursos
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Direito Processual Civil ExatasExatas

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## Resumo sobre Teoria Geral dos RecursosA Teoria Geral dos Recursos trata dos meios legais para impugnar decisões judiciais dentro do mesmo processo, com o objetivo de reformar, anular, esclarecer ou integrar tais decisões. O recurso é um instrumento previsto em lei, caracterizado pela voluntariedade, previsão expressa em lei federal, desenvolvimento no próprio processo, e possibilidade de manejo pelas partes, terceiros prejudicados e Ministério Público. A finalidade principal é corrigir erros ou omissões na decisão judicial, garantindo a efetividade do direito ao contraditório e à ampla defesa.### Tipos de pedidos em recursos judiciaisOs recursos podem ser classificados conforme o pedido que fazem ao tribunal:- **Reforma (error in judicando):** visa corrigir o conteúdo jurídico da decisão, alegando que ela está errada ou injusta.- **Invalidação (error in procedendo):** busca anular a decisão por vícios formais que comprometem a validade do processo, sem questionar o mérito.- **Esclarecimento:** quando a decisão apresenta obscuridade ou contradição, cabendo embargos de declaração para sanar essas falhas.- **Integração:** quando há omissão na decisão, requerendo que ela seja completada, também por meio de embargos de declaração.Essa classificação é fundamental para entender a causa de pedir e o pedido específico em cada recurso, facilitando a correta interposição e análise.### Jurisprudência defensiva e a nova sistemática do CPCA jurisprudência defensiva refere-se à prática dos tribunais de supervalorizar requisitos formais para impedir o julgamento do mérito dos recursos. O Novo Código de Processo Civil (CPC) combate essa prática, valorizando os princípios da cooperação e da primazia do julgamento do mérito, conforme os artigos 6º e 139, inciso IX, do CPC. Assim, os tribunais devem priorizar o exame do mérito, evitando a inadmissibilidade por vícios formais que possam ser corrigidos.Alguns dispositivos importantes do CPC reforçam essa orientação:- **Correção de vícios antes da inadmissibilidade:** o relator deve conceder prazo de 5 dias para que o recorrente sane vícios formais, como ausência de procuração ou assinatura (art. 932, parágrafo único; art. 1.017, § 3º).- **Suprimento de vícios sanáveis:** o tribunal deve buscar corrigir vícios sanáveis para evitar anulação de atos processuais (art. 938, § 1º; art. 1.024, § 5º).- **Correção de equívocos no preenchimento da guia de custas:** o relator pode intimar o recorrente para sanar o vício, sem aplicar penalidade de deserção (art. 1.007, § 7º).- **Admissão do recurso prematuro:** recursos interpostos antes do prazo inicial são considerados tempestivos, desde que dentro do prazo recursal (art. 218, § 4º).- **Desconsideração de vícios formais em RE e REsp:** o STF e o STJ podem desconsiderar vícios formais não graves em recursos de interesse social (art. 1.029, § 3º).Essas normas reforçam a ideia de que o processo deve buscar a solução do mérito, evitando formalismos excessivos que prejudiquem a efetividade da justiça.### Pronunciamentos judiciais sujeitos a recursoNem todo ato judicial é passível de recurso. O CPC estabelece que não cabem recursos contra despachos ou atos meramente administrativos do juízo, mas apenas contra decisões judiciais que efetivamente resolvam questões no processo. Os principais pronunciamentos recorríveis são:- **Sentenças:** decisões que encerram a fase cognitiva do processo ou extinguem a execução. Contra elas cabe apelação e embargos de declaração.- **Decisões interlocutórias:** decisões que resolvem questões incidentais sem encerrar o processo. Contra elas cabe agravo de instrumento ou apelação, dependendo do caso e do tribunal.- **Decisões unipessoais:** proferidas por um único magistrado do tribunal, impugnáveis por agravo interno ou recursos específicos.- **Acórdãos:** decisões colegiadas que podem ser objeto de recursos especiais, extraordinários, ordinários constitucionais e embargos de divergência.No âmbito dos Juizados Especiais, há particularidades, como a inexistência de agravo contra interlocutórias, salvo em algumas exceções, e o uso do recurso inominado contra sentenças.### Meios de impugnação das decisões judiciaisOs meios para contestar decisões judiciais dividem-se em três grupos principais:1. **Recursos:** meios previstos para impugnar decisões dentro do mesmo processo, como apelação, agravo de instrumento, embargos de declaração, entre outros.2. **Ações autônomas de impugnação:** originam um novo processo para contestar decisões, como a ação rescisória e a reclamação constitucional.3. **Sucedâneos recursais:** instrumentos que não são recursos nem ações autônomas, mas que têm função similar, como o reexame necessário e a correição parcial.### Classificação dos recursosOs recursos podem ser classificados segundo diferentes critérios:- **Quanto à extensão da matéria:** - *Recurso total:* impugna toda a decisão. - *Recurso parcial:* impugna apenas parte da decisão, por opção do recorrente.- **Quanto à fundamentação:** - *Recurso de fundamentação livre:* permite alegar qualquer motivo para impugnar a decisão (ex.: apelação, agravo de instrumento). - *Recurso de fundamentação vinculada:* só permite alegar motivos específicos previstos em lei (ex.: embargos de declaração, recursos especial e extraordinário).- **Quanto à (in)subordinação:** - *Recurso não subordinado:* interposto independentemente de recurso da parte contrária. - *Recurso subordinado:* depende da existência e, em alguns casos, do provimento do recurso principal. Exemplo clássico é o recurso adesivo.### Juízo de admissibilidade e juízo de mérito dos recursosO juízo de admissibilidade verifica se o recurso preenche os requisitos formais para ser examinado, enquanto o juízo de mérito analisa o conteúdo do pedido para decidir se ele deve ser acolhido. Com o Novo CPC, ambos os juízos devem ser feitos pelo tribunal ad quem (órgão que julga o recurso), salvo exceções como recursos especial e extraordinário, que ainda passam por juízo duplo.Os requisitos de admissibilidade incluem:- **Cabimento:** o recurso deve estar previsto em lei.- **Legitimidade:** quem pode recorrer (parte vencida, terceiro prejudicado, Ministério Público).- **Interesse:** necessidade de que o recurso possa modificar a situação da parte recorrente.- **Ausência de fatos impeditivos:** como renúncia, aquiescência ou desistência do recurso.O Ministério Público pode recorrer como parte ou fiscal da ordem jurídica, e a lei estadual pode atribuir ao Procurador-Geral de Justiça a competência exclusiva para interpor recursos ao STF e STJ, sem violar princípios constitucionais.### Princípios e efeitos dos recursosO material também aborda princípios fundamentais que regem os recursos, como:- **Taxatividade:** o rol de recursos é taxativo, ou seja, só são admitidos os previstos em lei.- **Fungibilidade recursal:** possibilidade de converter um recurso em outro quando houver erro na sua interposição.- **Proibição da reformatio in pejus:** o recurso não pode piorar a situação do recorrente.- **Singularidade:** em regra, só cabe um recurso por decisão.- **Primazia do julgamento do mérito:** o tribunal deve priorizar o exame do mérito do recurso.Quanto aos efeitos, os recursos podem ter:- **Efeito devolutivo:** o tribunal recebe o conhecimento da matéria impugnada.- **Efeito suspensivo:** suspende os efeitos da decisão recorrida.- **Efeito translativo:** o tribunal pode conhecer de questões não suscitadas pelas partes.- **Efeito expansivo:** o tribunal pode ampliar o alcance da decisão.- **Efeito regressivo:** o juízo a quo pode rever sua decisão.- **Efeito substitutivo:** o tribunal substitui a decisão recorrida.### Técnicas de julgamento e atualizações jurisprudenciaisO Novo CPC introduziu a técnica de julgamento ampliado (art. 942), que substitui os embargos infringentes, permitindo que, em caso de decisão colegiada não unânime, sejam convocados mais julgadores para reavaliar o caso, assegurando maior uniformidade e estabilidade jurisprudencial.Além disso, a jurisprudência do STF e STJ
tem consolidado entendimentos importantes, como a admissão de recursos prematuros, a correção de vícios formais sanáveis, e a possibilidade de o Ministério Público estadual ter competência exclusiva para interpor recursos aos tribunais superiores.---## Destaques- O recurso é meio legal para reformar, anular, esclarecer ou integrar decisões judiciais dentro do mesmo processo.- O Novo CPC prioriza o julgamento do mérito, combatendo a jurisprudência defensiva e exigindo correção de vícios formais antes da inadmissibilidade.- Recursos são cabíveis contra sentenças, decisões interlocutórias, decisões unipessoais e acórdãos, com regras específicas para cada caso.- Classificação dos recursos abrange extensão da matéria, fundamentação e subordinação, influenciando sua interposição e análise.- Juízo de admissibilidade e juízo de mérito são etapas distintas, sendo o primeiro preliminar e o segundo decisório sobre o pedido recursal.- Princípios como taxatividade, fungibilidade e proibição da reformatio in pejus orientam a aplicação dos recursos.- A técnica de julgamento ampliado do art. 942 do CPC substitui embargos infringentes, ampliando o colegiado para garantir decisões mais uniformes.- Jurisprudência atual reconhece a legitimidade do Ministério Público estadual para interpor recursos aos tribunais superiores, respeitando a autonomia funcional dos membros.Este resumo oferece uma visão abrangente e didática da Teoria Geral dos Recursos, essencial para estudantes e profissionais do Direito que buscam compreender os fundamentos e a aplicação prática dos recursos no processo civil brasileiro.

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