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15 FACULDADE DE EDUCAÇÃO DA IBIAPABA - FAEDI ESPECIALIZAÇÃO EM TEA: UMA PERSPECTIVA MULTIDISCIPLINAR ALUNO TÍTULO IPU – CEARÁ 2026 ALUNO TÍTULO Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Especialização em TEA: uma Perspectiva Multidisciplinar da Faculdade de Educação da Ibiapaba – FAEDI, como requisito à obtenção do título de Especialista. Orientador: Prof.º Me. José Antônio dos Santos Filho IPU - CEARÁ 2026 ALUNO TÍTULO Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Especialização em TEA: uma Perspectiva Multidisciplinar da Faculdade de Educação da Ibiapaba – FAEDI, como requisito à obtenção do título de Especialista. Orientador: Prof.º Me. José Antônio dos Santos Filho Artigo aprovado em: ___/___/2026. BANCA EXAMINADORA: _____________________________________ Prof. Me. José Antônio dos Santos Filho Orientador Faculdade de Educação da Ibiapaba – FAEDI _____________________________________ Prof. Me. José Antônio dos Santos Filho Coordenação de Trabalho de Conclusão de Curso Faculdade de Educação da Ibiapaba – FAEDI AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus, por me conceder força, sabedoria e perseverança para chegar até aqui e concluir mais uma etapa importante da minha formação. Aos meus familiares, pelo apoio, incentivo, compreensão e carinho durante toda essa caminhada. A presença e o apoio de vocês foram fundamentais para que eu pudesse superar as dificuldades e continuar seguindo em frente. Aos professores, pelos conhecimentos compartilhados, pelas experiências proporcionadas e pelas contribuições para minha formação acadêmica e profissional. Ao meu orientador, Prof.º Me. José Antônio dos Santos Filho, pelas orientações, contribuições e acompanhamento durante a elaboração deste Trabalho de Conclusão de Curso. A todos os colegas que fizeram parte dessa trajetória, pelo companheirismo, pelas trocas de experiências e pelo apoio durante o período de formação. Por fim, agradeço a todas as pessoas que, direta ou indiretamente, contribuíram para a realização deste trabalho e para a conclusão desta especialização. A todos, meus sinceros agradecimentos. RESUMO A inclusão de alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no ensino regular representa um importante desafio para a educação brasileira, uma vez que garantir a matrícula não assegura, por si só, condições efetivas de participação, aprendizagem e desenvolvimento. Este estudo teve como objetivo analisar os principais desafios e as possibilidades relacionados à inclusão escolar de alunos com Transtorno do Espectro Autista no ensino regular. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter bibliográfico e documental, fundamentada em produções científicas e documentos legais brasileiros relacionados à educação inclusiva, à educação especial e aos direitos das pessoas com TEA. A análise demonstrou que os principais desafios envolvem a formação dos professores, a disponibilidade de recursos pedagógicos e de acessibilidade, o planejamento educacional, a avaliação da aprendizagem, a articulação entre os professores da sala comum e o Atendimento Educacional Especializado, a participação da família e a organização do ambiente escolar. Também foram identificadas possibilidades de fortalecimento da inclusão, como a formação continuada dos professores, o planejamento colaborativo, o planejamento educacional individualizado, a utilização de estratégias pedagógicas diversificadas, recursos de acessibilidade, tecnologias assistivas e uma maior aproximação entre escola, família e demais profissionais envolvidos no processo educacional do estudante. Verificou-se que a inclusão efetiva dos alunos com TEA exige uma atuação coletiva e contínua, capaz de superar sua simples presença física no ambiente escolar. Dessa forma, a educação inclusiva deve proporcionar oportunidades reais para que esses estudantes possam participar, aprender, desenvolver sua autonomia, interagir com os colegas e desenvolver suas potencialidades no ensino regular. Palavras-chave: Transtorno do Espectro Autista; Educação Inclusiva; Inclusão Escolar; Ensino Regular; Formação Docente. ABSTRACT The inclusion of students with Autism Spectrum Disorder (ASD) in regular education represents an important challenge for Brazilian education, since ensuring enrollment alone does not guarantee effective conditions for participation, learning and development. This study aimed to analyze the main challenges and possibilities related to the school inclusion of students with Autism Spectrum Disorder in regular education. This is a qualitative, bibliographic and documentary study based on scientific publications and Brazilian legal documents concerning inclusive education, special education and the rights of people with ASD. The analysis showed that the main challenges involve teacher training, the availability of pedagogical and accessibility resources, educational planning, assessment of learning, collaboration between regular classroom teachers and Specialized Educational Assistance, family participation and the organization of the school environment. The study also identified possibilities for strengthening inclusion, such as continuing teacher education, collaborative planning, individualized educational planning, the use of diversified teaching strategies, accessibility resources, assistive technologies and closer cooperation between school, family and other professionals involved in the student's educational process. It was found that the effective inclusion of students with ASD requires collective and continuous action capable of going beyond their mere physical presence in the school environment. Therefore, inclusive education should provide real opportunities for students to participate, learn, develop autonomy, interact with their peers and develop their potential within the regular school system. Keywords: Autism Spectrum Disorder; Inclusive Education; School Inclusion; Regular Education; Teacher Training. SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO................................................................................................... .......8 2. METODOLOGIA.......................................................................................................10 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO................................................................................11 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS......................................................................................19 REFERÊNCIAS..........................................................................................................20 1 INTRODUÇÃO A educação constitui um direito fundamental e ocupa posição central no desenvolvimento individual e social. Entretanto, para que esse direito seja efetivamente garantido, não basta assegurar o acesso formal à escola. É necessário criar condições para que os estudantes possam permanecer no ambiente educacional, participar das atividades, aprender, desenvolver autonomia e estabelecer relações sociais. Essa compreensão ganha especial importância quando se trata da escolarização de estudantes que apresentam necessidades específicas, entre eles os alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O processo de inclusão escolar de pessoas com TEA vem adquirindo maior visibilidade no Brasil, acompanhado pela ampliação das matrículas desses estudantes em escolas regulares e pelo fortalecimento de normas destinadas à garantia de seus direitos. A Lei nº 12.764, de 27 de dezembro de 2012, instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista e estabeleceu que a pessoa com TEA é considerada pessoa com deficiência para todos os efeitos legais. A mesma legislação reconhece o direito ao acesso à educação e estabelece que, em casos de comprovada necessidade, a pessoa com TEA incluída em classe comum do ensino regular tem direitoa acompanhante especializado. Outro marco relevante é a Lei nº 13.146/2015, conhecida como Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência. A legislação determina que a educação da pessoa com deficiência deve ocorrer em sistema educacional inclusivo e estabelece que os sistemas de ensino devem buscar condições de acesso, permanência, participação e aprendizagem. Além disso, prevê medidas individualizadas e coletivas, recursos de acessibilidade, atendimento educacional especializado, práticas pedagógicas inclusivas e formação continuada dos professores. A legislação mais recente também reforça essa perspectiva. O Decreto nº 12.686/2025 instituiu a Política Nacional de Educação Especial Inclusiva e incluiu expressamente os estudantes com TEA entre aqueles contemplados pela política. O documento estabelece que a educação especial deve oferecer apoio ao processo de escolarização e que os estudantes público-alvo devem ser incluídos em classes e escolas comuns com os apoios necessários à participação, permanência e aprendizagem. Apesar desse conjunto de garantias, a existência de legislação não significa que a inclusão aconteça de maneira automática. A realidade das instituições de ensino envolve desafios relacionados à formação dos professores, ao planejamento pedagógico, aos recursos disponíveis, às condições físicas e organizacionais da escola e à articulação entre os diferentes profissionais que participam da escolarização. Nesse sentido, torna-se necessário distinguir a inclusão da simples inserção do estudante no espaço físico da escola. Um aluno pode estar matriculado em uma turma regular e, ainda assim, encontrar dificuldades para participar das atividades propostas, compreender as instruções, estabelecer relações com os colegas ou demonstrar aquilo que aprendeu. Por essa razão, a inclusão precisa ser analisada considerando o conjunto de condições oferecidas pela escola. A literatura recente confirma essa preocupação. Castelar e Garcia (2024), ao investigarem a inclusão de educandos com TEA no ensino regular a partir da percepção de professores da sala comum e da sala de recursos multifuncionais, identificaram que o processo inclusivo representa um desafio significativo e não pode ser entendido como responsabilidade exclusiva do professor. Os autores destacam a necessidade de considerar a comunidade escolar como um todo e de desenvolver estratégias inclusivas que favoreçam o desenvolvimento dos estudantes. Melo e Souza (2024) também destacam que a presença de estudantes com TEA nas escolas regulares exige dos educadores conhecimentos relacionados às características desses alunos e às formas de favorecer sua aprendizagem. A pesquisa desenvolvida pelas autoras discutiu justamente a formação dos professores e as práticas pedagógicas utilizadas no processo de alfabetização de estudantes com TEA. Outro aspecto importante refere-se à formação dos profissionais que atuam no Atendimento Educacional Especializado. Estudo publicado na Educação em Revista verificou lacunas de conhecimento entre professores do AEE em relação às manifestações do TEA e identificou dificuldades relacionadas à avaliação individualizada, à elaboração de planos de desenvolvimento e à definição de estratégias pedagógicas. Diante disso, a inclusão escolar de alunos com TEA precisa ser pensada a partir de uma perspectiva que considere simultaneamente os direitos assegurados pela legislação e as condições concretas encontradas nas escolas. O problema que orienta esta pesquisa pode ser apresentado pela seguinte questão: quais são os principais desafios enfrentados para a inclusão de alunos com Transtorno do Espectro Autista no ensino regular e quais possibilidades podem contribuir para a construção de práticas escolares mais inclusivas? A escolha desse tema justifica-se pela necessidade de compreender os obstáculos que ainda dificultam a efetivação da inclusão escolar e, ao mesmo tempo, identificar caminhos que possam contribuir para melhorar as práticas educacionais. A discussão apresenta relevância acadêmica por ampliar a reflexão sobre a relação entre TEA e educação inclusiva; relevância social por tratar de um direito fundamental; e relevância pedagógica por abordar estratégias que podem favorecer o trabalho dos profissionais da educação. O objetivo geral deste trabalho é analisar os principais desafios e as possibilidades relacionadas à inclusão escolar de alunos com Transtorno do Espectro Autista no ensino regular. Como objetivos específicos, busca-se: compreender os fundamentos da educação inclusiva relacionados à escolarização de estudantes com TEA; identificar os principais desafios presentes no processo de inclusão; discutir a importância da formação dos professores e do trabalho colaborativo; analisar possibilidades pedagógicas que favoreçam a participação e a aprendizagem; e refletir sobre a importância da parceria entre escola, família e demais profissionais envolvidos no acompanhamento do estudante. A pesquisa foi desenvolvida por meio de revisão bibliográfica e documental. Foram analisadas produções acadêmicas recentes relacionadas à inclusão de estudantes com TEA, além de documentos legais brasileiros. A escolha dessa abordagem permitiu reunir diferentes perspectivas sobre o tema e organizar os resultados em categorias de análise. O trabalho está estruturado em cinco capítulos. O primeiro apresenta a introdução, o problema, a justificativa e os objetivos. O segundo desenvolve o referencial teórico, abordando a educação inclusiva, o TEA, a legislação, a formação docente, as práticas pedagógicas, o Atendimento Educacional Especializado e a relação entre família e escola. O terceiro apresenta os procedimentos metodológicos. O quarto reúne os resultados da revisão e a discussão das principais evidências encontradas. Por fim, o quinto capítulo apresenta as considerações finais. 2 REFERÊNCIAL TEÓRICO A educação inclusiva fundamenta-se no reconhecimento de que todos os estudantes possuem direito à educação e devem ter asseguradas condições adequadas para o acesso, a permanência, a participação e a aprendizagem. Essa perspectiva implica compreender a escola como um espaço destinado à diversidade, no qual as diferenças entre os estudantes não devem constituir obstáculos para sua escolarização. Dessa forma, a inclusão não pode ser entendida somente como a presença física do aluno na instituição de ensino, mas como um processo que envolve a construção de condições pedagógicas, sociais e institucionais capazes de favorecer seu desenvolvimento. No contexto brasileiro, a educação inclusiva encontra respaldo em diferentes dispositivos legais. Entre eles, destaca-se a Lei nº 12.764/2012, que instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. A legislação reconhece a pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA) como pessoa com deficiência para todos os efeitos legais e assegura, entre outros direitos, o acesso à educação. A lei também estabelece que, quando houver comprovada necessidade, o estudante com TEA incluído em classe comum do ensino regular possui direito a acompanhante especializado. Lei nº 12.764/2012 – Planalto Outro importante marco é a Lei nº 13.146/2015, conhecida como Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência. Esse dispositivo determina que a educação da pessoa com deficiência deve ocorrer em sistema educacional inclusivo em todos os níveis e modalidades. A legislação também estabelece a necessidade de garantir condições de acesso, permanência, participação e aprendizagem, além da oferta de recursos de acessibilidade, medidas individualizadas e coletivas, atendimento educacional especializado e formação dos profissionais da educação. Lei Brasileira de Inclusão – Planalto A legislação mais recente também reforça essa concepção. O Decreto nº 12.686/2025 instituiu a Política Nacional de Educação Especial Inclusiva e estabeleceu princípios relacionados à igualdade de oportunidades, à equidade, à valorização da diversidade humana, à acessibilidade e aoenfrentamento do capacitismo. A política contempla os estudantes com Transtorno do Espectro Autista e prevê medidas destinadas a favorecer sua participação, permanência e aprendizagem nas classes e escolas comuns. Decreto nº 12.686/2025 – Planalto Apesar dos avanços legais, a efetivação da inclusão escolar ainda representa um desafio para as instituições de ensino. A matrícula do estudante com TEA em uma turma regular não garante automaticamente sua participação nas atividades ou seu desenvolvimento acadêmico e social. Para que a inclusão aconteça de maneira efetiva, é necessário considerar as características individuais do estudante e identificar as barreiras que podem dificultar sua aprendizagem e participação no ambiente escolar. O Transtorno do Espectro Autista apresenta manifestações variadas, principalmente relacionadas à comunicação e à interação social, além da presença de comportamentos, interesses ou atividades restritos e repetitivos. A diversidade existente dentro do espectro faz com que os estudantes apresentem diferentes necessidades de apoio. Por essa razão, não é adequado estabelecer uma única forma de ensinar todos os alunos com TEA. O planejamento pedagógico precisa considerar as características, habilidades, interesses, formas de comunicação e necessidades educacionais de cada estudante. No ambiente escolar, essa diversidade pode exigir modificações na maneira como os conteúdos são apresentados, como as atividades são organizadas e como a aprendizagem é avaliada. Alguns estudantes podem apresentar maior facilidade quando as orientações são acompanhadas por imagens, sequências visuais ou exemplos concretos. Outros podem necessitar de maior tempo para realizar determinadas tarefas, de atividades divididas em etapas ou de ambientes com menor quantidade de estímulos. Essas estratégias, entretanto, não devem ser utilizadas de maneira padronizada apenas pelo fato de o estudante possuir diagnóstico de TEA. Sua utilização precisa estar relacionada às necessidades observadas em cada caso. Nesse sentido, a inclusão exige uma mudança na compreensão do papel da escola. Em vez de esperar que o estudante se adapte sozinho às práticas já existentes, é necessário que a instituição também seja capaz de modificar suas estratégias e formas de organização. A diversidade deve ser considerada no planejamento pedagógico, permitindo que diferentes estudantes tenham oportunidades de alcançar os objetivos educacionais. Castelar e Garcia (2024), ao analisarem a inclusão de estudantes com TEA no ensino regular a partir da percepção de professores, destacam que o processo inclusivo apresenta desafios para a prática docente e não deve ser considerado responsabilidade exclusiva do professor. Os autores ressaltam a importância da participação da comunidade escolar e da construção de estratégias que favoreçam o desenvolvimento dos estudantes. A formação dos professores constitui, nesse contexto, uma questão fundamental. O professor da sala regular precisa possuir conhecimentos que possibilitem compreender as diferentes formas de aprendizagem e identificar estratégias adequadas para favorecer a participação dos estudantes com TEA. Entretanto, a formação não deve limitar-se a conhecimentos teóricos sobre o transtorno. É importante que também contemple situações práticas relacionadas ao planejamento, à comunicação, à avaliação, à organização da rotina, aos recursos de acessibilidade e às estratégias pedagógicas. Melo e Souza (2024) discutem a formação dos professores do ensino regular para o trabalho com crianças público-alvo da educação especial com TEA e destacam a necessidade de conhecimentos que contribuam para a construção de práticas pedagógicas voltadas à aprendizagem desses estudantes. A formação docente, portanto, constitui um elemento importante para que o professor possa enfrentar as situações encontradas no cotidiano escolar de maneira mais consciente e planejada. A formação continuada também precisa ser considerada como parte da política de inclusão. A Lei Brasileira de Inclusão estabelece a necessidade de formação e disponibilização de professores para o atendimento educacional especializado, de tradutores e intérpretes, de profissionais de apoio e de outros profissionais necessários à inclusão. A legislação também prevê práticas pedagógicas inclusivas nos programas de formação inicial e continuada dos professores. Lei Brasileira de Inclusão – Planalto Entretanto, a formação do professor não pode ser vista como única solução para os problemas encontrados na inclusão. As condições oferecidas pela própria instituição de ensino também interferem diretamente nesse processo. A falta de recursos pedagógicos, a ausência de profissionais de apoio quando necessários, as dificuldades de articulação entre os profissionais e a falta de tempo destinado ao planejamento coletivo podem dificultar a construção de práticas inclusivas. Nesse cenário, o trabalho colaborativo assume grande importância. A inclusão do estudante com TEA envolve diferentes profissionais, entre eles o professor da sala comum, o profissional do Atendimento Educacional Especializado (AEE), a coordenação pedagógica e, quando necessário, outros profissionais que acompanham o estudante. A articulação entre esses sujeitos permite compartilhar informações, discutir dificuldades e construir estratégias mais adequadas. O Atendimento Educacional Especializado constitui um importante apoio ao processo de escolarização. Sua função não deve ser compreendida como substituição da escolarização regular, mas como um conjunto de ações destinadas a favorecer a participação e a aprendizagem do estudante. O trabalho realizado no AEE pode contribuir para identificar recursos de acessibilidade, tecnologias assistivas e estratégias que também podem ser articuladas às atividades desenvolvidas na sala de aula comum. Estudo publicado na Educação em Revista sobre conhecimentos e saberes de professores do Atendimento Educacional Especializado em relação ao TEA identificou dificuldades relacionadas à compreensão de algumas manifestações do transtorno, à avaliação individualizada, à elaboração de planos de desenvolvimento e à definição de estratégias pedagógicas. Esse resultado reforça a importância da formação dos profissionais que atuam diretamente no atendimento educacional especializado. Outro aspecto relevante para a inclusão é o planejamento individualizado. O Plano Educacional Individualizado (PEI) pode contribuir para organizar objetivos, estratégias, recursos e formas de acompanhamento de acordo com as necessidades educacionais do estudante. Sua utilização permite que a escola registre informações importantes sobre o processo de aprendizagem e acompanhe a evolução do aluno ao longo do tempo. Pesquisa publicada na Revista Brasileira de Educação, em 2023, analisou a implementação do Plano Educacional Individualizado para estudantes com autismo e sua relação com o trabalho colaborativo. O estudo evidencia a importância do planejamento individualizado como instrumento de organização das práticas pedagógicas e de articulação entre os diferentes sujeitos envolvidos no processo educativo. O PEI, entretanto, não deve ser tratado apenas como documento burocrático. Para que cumpra sua função, é necessário que as informações registradas sejam utilizadas efetivamente no planejamento das atividades e no acompanhamento do estudante. Também é importante que o documento possa ser revisado conforme novas necessidades e avanços sejam identificados. A utilização de estratégias pedagógicas diversificadas também pode favorecer a inclusão. Recursos visuais, materiais concretos, jogos, tecnologias assistivas, organização da rotina, divisão das tarefas em pequenas etapas e diferentes formas de apresentação dos conteúdos são possibilidades que podem ser utilizadas de acordo com as características de cada estudante. A escolha das estratégias deve considerar aquilo que realmente facilita a compreensão e a participação do aluno. A avaliação da aprendizagem também precisa ser analisada sobuma perspectiva inclusiva. Quando a escola utiliza apenas uma forma de avaliação, pode acabar criando barreiras para estudantes que apresentam diferentes maneiras de se comunicar e demonstrar seus conhecimentos. Por isso, podem ser utilizadas estratégias diversificadas de avaliação, desde que estejam relacionadas aos objetivos pedagógicos estabelecidos. A flexibilização das atividades não significa retirar do estudante o direito de acesso aos conhecimentos previstos no currículo. O objetivo deve ser criar diferentes caminhos para que ele possa alcançar os objetivos de aprendizagem. Dessa forma, adaptar uma atividade pode significar modificar sua apresentação, utilizar recursos visuais, ampliar o tempo de realização ou oferecer formas diferentes de resposta. A participação dos colegas também constitui uma dimensão importante da inclusão. A escola é um espaço de aprendizagem, mas também de convivência e desenvolvimento social. Por esse motivo, estudantes com TEA precisam ter oportunidades de participar de atividades coletivas e estabelecer relações com os demais alunos. Atividades em duplas, grupos, projetos coletivos e situações de cooperação podem contribuir para ampliar essas oportunidades. Nesse processo, o professor possui papel importante na mediação das relações. É necessário criar um ambiente em que as diferenças sejam respeitadas e em que o estudante com TEA não seja isolado ou tratado como alguém incapaz de participar das atividades coletivas. A construção de uma cultura de respeito à diversidade beneficia não apenas o estudante com deficiência, mas toda a comunidade escolar. A família também representa um elemento importante no processo de inclusão. Os familiares possuem conhecimentos sobre a história, os interesses, as formas de comunicação e as necessidades do estudante que podem contribuir para o planejamento escolar. Ao mesmo tempo, a escola pode compartilhar informações sobre a aprendizagem e o desenvolvimento do aluno. A parceria entre família e escola deve ocorrer de maneira contínua, e não somente quando surgem dificuldades. O diálogo permite que os diferentes ambientes nos quais o estudante está inserido possam trabalhar de maneira mais articulada. A Lei Brasileira de Inclusão reconhece a importância da participação da pessoa com deficiência e de sua família na comunidade escolar. Lei Brasileira de Inclusão – Planalto Dessa maneira, a inclusão escolar de alunos com TEA deve ser compreendida como um processo que envolve diferentes dimensões. Não se trata somente de garantir a matrícula, mas de criar condições para que o estudante participe, aprenda, desenvolva autonomia e estabeleça relações sociais. Os desafios encontrados estão relacionados à formação dos profissionais, à disponibilidade de recursos, ao planejamento pedagógico, à avaliação, à articulação entre os profissionais e à participação da família. Ao mesmo tempo, existem possibilidades concretas de fortalecimento da inclusão, como a formação continuada, o planejamento colaborativo, o uso do PEI, a atuação articulada do AEE, a utilização de recursos de acessibilidade, a diversificação das estratégias pedagógicas e a construção de relações mais próximas entre escola e família. Assim, a efetivação da inclusão escolar de estudantes com TEA depende de uma responsabilidade compartilhada. O professor possui papel essencial, mas não pode ser responsabilizado isoladamente por um processo que envolve a organização da escola, a gestão educacional, as políticas públicas, a família e os demais profissionais. A construção de uma escola verdadeiramente inclusiva exige compromisso coletivo e permanente com o direito de todos os estudantes à aprendizagem e à participação. Essa compreensão permite afirmar que a inclusão não deve ser vista apenas como uma obrigação legal, mas como um princípio educacional que reconhece a diversidade como parte da própria realidade escolar. No caso dos estudantes com TEA, isso significa superar práticas que os mantenham à margem das experiências escolares e construir condições para que possam participar efetivamente da vida acadêmica e social da escola. 3 METODOLOGIA O presente trabalho foi desenvolvido por meio de uma pesquisa de abordagem qualitativa, de natureza bibliográfica e documental, tendo como objeto de estudo a inclusão escolar de alunos com Transtorno do Espectro Autista no ensino regular. A escolha da abordagem qualitativa ocorreu em razão do interesse em compreender e interpretar os principais desafios e possibilidades relacionados ao processo de inclusão, considerando os significados e discussões presentes na literatura científica e nos documentos normativos. A pesquisa bibliográfica foi realizada a partir da consulta a artigos científicos, trabalhos acadêmicos e demais produções relacionadas à inclusão de estudantes com TEA no ensino regular, à formação docente, às práticas pedagógicas, ao Atendimento Educacional Especializado e ao planejamento individualizado. Também foi realizada pesquisa documental, especialmente em legislação brasileira relacionada aos direitos das pessoas com TEA e das pessoas com deficiência. Entre os documentos analisados estão a Lei nº 12.764/2012, a Lei nº 13.146/2015 e o Decreto nº 12.686/2025, que instituiu a Política Nacional de Educação Especial Inclusiva. O levantamento das produções científicas priorizou estudos publicados nos últimos cinco anos, conforme orientação estabelecida para o desenvolvimento do TCC. Foram utilizados como descritores de busca termos relacionados ao tema, tais como “Transtorno do Espectro Autista”, “inclusão escolar”, “ensino regular”, “educação inclusiva”, “formação docente”, “Atendimento Educacional Especializado” e “práticas pedagógicas”. Foram considerados como critérios de inclusão trabalhos que apresentassem relação direta com a escolarização de estudantes com TEA no ensino regular; estudos que abordassem aspectos pedagógicos, formação docente, inclusão, AEE ou planejamento; publicações acadêmicas com autoria e procedência identificadas; e documentos legais brasileiros pertinentes ao tema. Foram excluídos materiais sem relação direta com a questão de pesquisa, textos cujo foco estivesse exclusivamente em aspectos clínicos do TEA sem relação com educação e materiais sem identificação adequada de autoria ou procedência. Após o levantamento, foi realizada leitura exploratória dos materiais selecionados. Em seguida, os conteúdos relevantes foram organizados de acordo com os objetivos da pesquisa. Para a análise, foram estabelecidas cinco categorias principais: a) direito à educação inclusiva; b) desafios da inclusão no ensino regular; c) formação dos profissionais da educação; d) estratégias e possibilidades pedagógicas; e) trabalho colaborativo entre escola, família e profissionais. Os resultados foram posteriormente confrontados entre si, buscando identificar pontos de aproximação, diferenças e aspectos recorrentes. O estudo não realizou entrevistas, questionários, observações ou qualquer forma de coleta de dados diretamente com estudantes, professores ou familiares. Portanto, trata-se de uma pesquisa bibliográfica e documental, sem participação direta de seres humanos. A metodologia adotada encontra-se de acordo com a orientação do modelo de TCC apresentado pela instituição, que indica a necessidade de descrever o delineamento, o tipo de pesquisa, os materiais utilizados, os critérios de inclusão e exclusão e os procedimentos de análise. 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO A análise realizada a partir das produções científicas e dos documentos legais selecionados permitiu compreender que a inclusão de alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no ensino regular ainda apresenta diferentes desafios, embora o Brasil tenha avançado na criação de políticas e normas destinadas à garantia do direito à educação inclusiva. Os materiais analisados demonstram que a inclusão não deve ser compreendida apenas como a matrícula do estudante em uma escola regular, mas como um processo que precisa garantir sua participação nas atividades, acesso aosconteúdos, desenvolvimento da aprendizagem, convivência com os colegas e construção de autonomia. A legislação brasileira apresenta importantes garantias nesse sentido. A Lei nº 12.764/2012 reconhece a pessoa com TEA como pessoa com deficiência para todos os efeitos legais e assegura seu direito à educação. A Lei Brasileira de Inclusão, por sua vez, estabelece que os sistemas educacionais devem garantir condições de acesso, permanência, participação e aprendizagem, além de recursos de acessibilidade e medidas individualizadas quando necessárias. Mais recentemente, o Decreto nº 12.686/2025 reforçou a perspectiva da educação especial inclusiva e estabeleceu medidas voltadas à participação, permanência e aprendizagem dos estudantes público-alvo da educação especial nas classes e escolas comuns. Mesmo diante dessas garantias, os estudos analisados indicam que ainda existe uma distância entre aquilo que está estabelecido legalmente e aquilo que é efetivamente realizado no cotidiano das escolas. Essa distância pode ser percebida nas dificuldades encontradas pelos professores para adaptar atividades, utilizar estratégias diferenciadas, realizar avaliações adequadas e compreender determinadas características apresentadas pelos estudantes com TEA. Castelar e Garcia (2024), ao analisarem a inclusão de educandos com TEA no ensino regular a partir da percepção de professores da sala comum e da sala de recursos multifuncionais, identificaram que o processo de inclusão representa um desafio significativo para os profissionais da educação. Os autores ressaltam ainda que a responsabilidade pela inclusão não deve ser atribuída somente ao professor, mas compartilhada por toda a comunidade escolar. Esse entendimento é importante porque demonstra que as dificuldades enfrentadas pelo docente também estão relacionadas às condições oferecidas pela própria instituição. A formação dos professores aparece como uma das questões mais relevantes identificadas na análise. O professor que recebe um aluno com TEA pode se deparar com situações para as quais não se sente suficientemente preparado, principalmente quando precisa definir estratégias de comunicação, organizar atividades, adaptar materiais ou avaliar a aprendizagem. Melo e Souza (2024), ao discutirem a formação de professores do ensino regular para o trabalho com crianças público-alvo da educação especial com TEA, destacam a importância da preparação docente para o desenvolvimento de práticas pedagógicas capazes de favorecer a aprendizagem desses estudantes. Os resultados indicam, portanto, que a formação continuada deve ser fortalecida. Entretanto, essa formação não deve se limitar à apresentação de conceitos gerais sobre o autismo. É necessário que os professores tenham oportunidades de discutir situações concretas encontradas na escola e de conhecer possibilidades pedagógicas que possam ser utilizadas de acordo com as necessidades de cada estudante. A formação precisa contribuir para que o professor desenvolva maior segurança para observar, planejar, avaliar e modificar suas estratégias quando necessário. Outro aspecto identificado foi a importância do planejamento pedagógico. O estudante com TEA não deve receber atividades sem relação com o currículo ou ser mantido permanentemente ocupado com tarefas simplificadas apenas para permanecer em sala. A inclusão exige que ele tenha acesso às experiências de aprendizagem oferecidas aos demais estudantes, com as adaptações necessárias para que possa participar. Nesse sentido, o planejamento individualizado apresenta-se como uma possibilidade importante. O Plano Educacional Individualizado pode auxiliar na definição de objetivos, estratégias, recursos e formas de acompanhamento do estudante. Estudo publicado na Revista Brasileira de Educação, em 2023, analisou a implementação do Plano Educacional Individualizado para estudantes com autismo e sua influência sobre o trabalho colaborativo, evidenciando a importância desse instrumento para a organização das práticas pedagógicas e para a articulação entre os diferentes sujeitos envolvidos na escolarização. O planejamento individualizado também permite que a escola acompanhe a evolução do aluno. Ao registrar os objetivos estabelecidos e as estratégias utilizadas, os profissionais podem identificar quais recursos apresentam melhores resultados e quais precisam ser modificados. Dessa maneira, o planejamento deixa de ser apenas uma exigência administrativa e passa a funcionar como instrumento de acompanhamento da aprendizagem. A análise também evidenciou a importância do Atendimento Educacional Especializado (AEE). O AEE pode contribuir para identificar recursos, estratégias e formas de acessibilidade que favoreçam a participação do estudante. Entretanto, seu trabalho precisa estar articulado à sala de aula comum. Quando os profissionais trabalham de maneira isolada, existe o risco de que as estratégias utilizadas no atendimento especializado não sejam incorporadas ao cotidiano da turma. Estudo publicado na Educação em Revista sobre os conhecimentos e saberes de professores do Atendimento Educacional Especializado em relação ao TEA identificou dificuldades relacionadas à compreensão das manifestações do transtorno, à avaliação individualizada, à elaboração de planos e à definição de estratégias pedagógicas. Esse resultado reforça que a formação e o apoio aos profissionais do AEE também são necessários para a efetivação da inclusão. Outro resultado importante está relacionado à utilização de estratégias pedagógicas diversificadas. Os estudantes com TEA podem apresentar diferentes formas de compreender informações, comunicar-se e demonstrar aquilo que aprenderam. Por isso, a utilização de apenas uma metodologia pode criar barreiras desnecessárias à participação de alguns alunos. Recursos visuais, imagens, materiais concretos, jogos, tecnologias assistivas, organização da rotina e divisão das atividades em etapas podem representar possibilidades para determinados estudantes. A utilização desses recursos, contudo, precisa ser individualizada. Não existe uma estratégia única que possa ser aplicada a todos os alunos com TEA, pois as características e necessidades educacionais variam consideravelmente. A organização da rotina pode ser especialmente relevante para estudantes que apresentam dificuldades diante de mudanças ou situações pouco previsíveis. A apresentação antecipada das atividades e a utilização de recursos visuais podem facilitar a compreensão do que acontecerá durante determinado período. Da mesma forma, dividir uma atividade extensa em pequenas etapas pode ajudar o estudante a compreender melhor o que precisa fazer. A avaliação da aprendizagem também representa um desafio. Quando a escola utiliza somente provas escritas ou respostas verbais, pode dificultar que determinados estudantes demonstrem seus conhecimentos. Por isso, é importante considerar diferentes formas de avaliação, sempre mantendo relação com os objetivos pedagógicos. A adaptação da avaliação não deve significar reduzir automaticamente as expectativas em relação ao estudante, mas possibilitar que ele tenha condições adequadas para demonstrar aquilo que aprendeu. Os resultados também evidenciam a importância da interação social. A inclusão não pode ficar restrita ao desenvolvimento acadêmico, pois a escola também constitui um espaço de convivência. Estudantes com TEA precisam ter oportunidades de participar de atividades coletivas, estabelecer relações com os colegas e desenvolver habilidades sociais dentro de situações reais de convivência. Nesse processo, o professor pode atuar como mediador, organizando atividades em duplas ou grupos e incentivando a colaboração entre os estudantes. É importante evitar situações em que o aluno com TEA permaneça constantemente isolado dos demais colegas ou realize todas as atividades separado da turma. A adaptação pedagógica deve buscar preservar sua participação no grupo sempre que possível. A participação da família também apareceu como elemento relevante para a inclusão.Os familiares podem fornecer informações importantes sobre as formas de comunicação do estudante, seus interesses, suas preferências e suas dificuldades. Essas informações podem contribuir para que a escola compreenda melhor o aluno e planeje estratégias mais adequadas. A parceria entre família e escola também pode favorecer a continuidade do acompanhamento. Quando existe comunicação frequente, torna-se possível compartilhar avanços, dificuldades e estratégias que apresentam resultados positivos. Essa relação, entretanto, precisa ocorrer de forma colaborativa, evitando que a família seja responsabilizada pelas dificuldades encontradas pela escola ou que o professor seja considerado o único responsável pelo desenvolvimento do estudante. Outro aspecto identificado é a necessidade de articulação entre os diferentes profissionais. A inclusão de um aluno com TEA pode envolver professor regente, professor do AEE, coordenação pedagógica, gestão escolar, profissional de apoio quando necessário e, em determinadas situações, profissionais de outras áreas. A troca de informações entre esses sujeitos pode contribuir para que as decisões pedagógicas sejam mais coerentes. Dessa forma, os resultados demonstram que a inclusão escolar é uma responsabilidade coletiva. A escola precisa organizar condições para que os profissionais possam planejar, avaliar e discutir estratégias. A gestão possui papel importante nesse processo, pois precisa favorecer a formação, a articulação entre os profissionais e a disponibilização dos recursos necessários. Também é necessário considerar que algumas dificuldades não dependem exclusivamente da escola. Questões relacionadas às políticas públicas, à disponibilidade de profissionais, aos recursos financeiros e às condições estruturais da rede de ensino podem interferir diretamente na qualidade do processo inclusivo. Por esse motivo, não seria adequado atribuir todas as dificuldades ao professor. A partir da análise realizada, percebe-se que os principais desafios estão relacionados à formação dos profissionais, à disponibilidade de recursos pedagógicos e de acessibilidade, ao planejamento individualizado, à avaliação da aprendizagem, à articulação entre professor da sala comum e AEE, à participação da família e à organização institucional da escola. Ao mesmo tempo, foram identificadas diversas possibilidades de fortalecimento da inclusão. Entre elas estão a formação continuada dos profissionais, o planejamento colaborativo, a utilização do Plano Educacional Individualizado, a articulação entre o AEE e a sala comum, a diversificação das estratégias pedagógicas, a utilização de recursos visuais e tecnológicos, a flexibilização das formas de avaliação e o fortalecimento da parceria entre família e escola. Os resultados encontrados estão de acordo com a compreensão de que a inclusão deve ultrapassar a simples presença do estudante no espaço escolar. A efetivação do direito à educação depende de condições que permitam ao aluno participar das atividades, aprender, desenvolver autonomia e estabelecer relações com seus colegas. Assim, pode-se compreender que a inclusão de estudantes com TEA no ensino regular é um processo contínuo e que envolve mudanças na organização das práticas pedagógicas e na própria cultura escolar. A escola inclusiva precisa reconhecer as diferenças existentes entre os estudantes e buscar estratégias para que essas diferenças não se transformem em barreiras à aprendizagem. Diante dos resultados analisados, entende-se que os desafios são significativos, mas existem possibilidades concretas de enfrentamento. O fortalecimento da formação docente, o trabalho colaborativo, o planejamento individualizado, a atuação articulada do AEE, a participação da família e a adoção de práticas pedagógicas diversificadas podem contribuir para tornar o ambiente escolar mais acessível e inclusivo. Portanto, a inclusão escolar de alunos com TEA deve ser compreendida como um compromisso coletivo. Não basta garantir que o estudante esteja matriculado e presente na escola; é necessário assegurar que ele seja reconhecido como sujeito do processo educativo e tenha oportunidades reais de aprender, participar, conviver e desenvolver suas potencialidades. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Este trabalho teve como objetivo analisar os principais desafios e as possibilidades relacionadas à inclusão escolar de alunos com Transtorno do Espectro Autista no ensino regular. A partir da pesquisa bibliográfica e documental realizada, foi possível identificar que o Brasil possui um conjunto significativo de normas destinadas a garantir o direito à educação das pessoas com TEA. A Lei nº 12.764/2012 reconhece a pessoa com TEA como pessoa com deficiência e assegura o acesso à educação. A Lei Brasileira de Inclusão estabelece a necessidade de garantir acesso, permanência, participação e aprendizagem. Mais recentemente, o Decreto nº 12.686/2025 instituiu a Política Nacional de Educação Especial Inclusiva e reforçou a necessidade de apoio para que estudantes com TEA participem e aprendam em escolas comuns. Apesar desses avanços, os resultados demonstram que ainda existem desafios para a efetivação da inclusão no cotidiano escolar. A formação dos professores aparece como uma das principais dificuldades. Os estudos analisados indicam que muitos profissionais precisam de maior preparação para compreender as especificidades do TEA, planejar atividades, avaliar a aprendizagem e utilizar recursos pedagógicos adequados. Entretanto, também foi possível perceber que a responsabilidade não pode ser atribuída somente aos professores. A inclusão depende de condições institucionais, recursos, apoio pedagógico, atuação do AEE, participação da família e políticas públicas. O planejamento individualizado constitui uma das possibilidades identificadas. O PEI pode contribuir para organizar objetivos, estratégias e formas de acompanhamento, especialmente quando elaborado e utilizado de maneira colaborativa. Outra possibilidade consiste na diversificação das práticas pedagógicas. Recursos visuais, organização da rotina, divisão das tarefas em etapas, materiais concretos, tecnologias assistivas e formas variadas de avaliação podem favorecer a participação de determinados estudantes. É importante ressaltar que nenhuma estratégia deve ser aplicada de forma automática. O estudante com TEA precisa ser compreendido em sua individualidade, considerando suas características, habilidades, interesses e necessidades de apoio. A relação entre escola e família também se mostrou importante. A participação familiar pode contribuir para ampliar o conhecimento sobre o estudante e favorecer maior continuidade entre diferentes ambientes. Diante dos resultados encontrados, entende-se que a inclusão escolar efetiva não deve ser definida somente pela presença do estudante na sala de aula. É necessário garantir participação, aprendizagem, convivência, autonomia e pertencimento. O objetivo geral da pesquisa foi alcançado, uma vez que foi possível identificar os principais desafios e possibilidades relacionados à inclusão de estudantes com TEA no ensino regular. Os desafios estão relacionados principalmente à formação profissional, aos recursos, ao planejamento, à avaliação, à articulação entre profissionais e às condições institucionais. As possibilidades envolvem formação continuada, trabalho colaborativo, planejamento individualizado, recursos de acessibilidade, participação familiar e construção de uma cultura escolar inclusiva. Como limitação, destaca-se que o estudo foi realizado por meio de pesquisa bibliográfica e documental, sem investigação direta em uma escola específica. Portanto, os resultados não representam a realidade particular de todas as instituições de ensino. Pesquisas futuras podem ampliar essa discussão por meio de estudos de campo que envolvam professores, gestores, profissionais do AEE, famílias e estudantes, buscando compreender como as políticas inclusivas são concretizadas em diferentes contextos escolares. Conclui-se que a inclusão escolarde alunos com TEA constitui um processo permanente, que exige planejamento, conhecimento, recursos e compromisso coletivo. A escola inclusiva não é aquela que apenas recebe o estudante, mas aquela que modifica suas práticas para garantir que ele tenha condições reais de aprender, participar, conviver e desenvolver suas potencialidades. Nesse sentido, garantir a inclusão significa reconhecer que a diversidade faz parte da realidade escolar e que cabe à instituição criar condições para que todos os estudantes possam ocupar seu lugar como sujeitos ativos do processo educativo. REFERÊNCIAS BRASIL. 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