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UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO METODOLOGIA DE PRÁTICA DA EDUCAÇÃO ESPECIAL ESTUDO DE CASO (Aula: Fundamentos da Educação Especial: Concepções de deficiência e educação inclusiva) A História de Genie “Genie era a quarta criança de sua família. A primeira morreu aos dois meses, de pneumonia: o pai, para não a ouvir chorar, a havia trancado na garagem. A segunda morreu com apenas dois dias, sufocada por seu muco. A terceira cresceu sadia, mas, de acordo com as ordens do marido, a mãe reprimiu-lhe todo choro e todo o movimento, de modo que ela logo mostrou um atraso psicomotor. Genie era normal quando nasceu, em 1957. Cresceu bem nos primeiros meses de vida. Mas, depois de um ano, sofreu uma perda brusca de peso. Com um ano e dois meses, teve pneumonia. Tendo sido examinada por um pediatra que constatou atraso psicomotor. Foi então que o pai condenou Genie ao isolamento mais completo possível, destinando a ela apenas um quartinho. Ali, ela iria permanecer durante anos, presa a uma cadeira, podendo movimentar-se apenas os pés e as mãos. Às vezes, às noites, era posta em uma caminha e, finalmente, podia deitar-se. Mas, ficava em uma espécie de camisa-de-força: a cama não era senão um berço com laterais e “teto” de rede metálica. Ninguém podia entrar no quarto de Genie, a não ser para lhe dá um pouco de comida: papinhas, cereais e, no máximo, um ovo cozido. Devia reinar o silencio mais absoluto em casa. Não havia rádio, nem televisão. Genie ouvia apenas o barulho do banheiro que ficava ao lado do seu quarto e os grunhidos que o pai fazia atrás da porta, para amedrontá-la, imitando um cachorro. Eram paupérrimos também os estímulos visuais. Quando descoberta, aos treze anos, Genie demonstrou ser uma menina curiosa e viva. Mas, não sabia ficar em pé: caminhava mal, oscilando de um lado para o outro. Nunca tendo comido alimentos sólidos, não sabia mastigar. De igual forma, não aprendeu a controlar as fezes e a urina. Genie gostaria de comunicar-se, mas não sabia como fazê-lo, pois não sabia emitir nenhum som com a boca. Usava seu corpo para emiti-los: arranhava os objetos, batia os pés. E, depois, começou a compreender as palavras e, pouco a pouco, a exprimir com elas suas curiosidades e necessidades. Conquistou a linguagem, mas, não a linguagem aprendida com os pais, os professores, quando aprender as palavras corresponde a tecer, pouco a pouco, as relações com os outros, na família e na escola. Conquistou apenas uma linguagem automática, não sendo capaz de expressar o seu mundo interior ou de refletir sobre sua vida e as pessoas que a rodeiam”. Luciano Mecacci. Conhecendo o Cérebro. São Paulo: Ed. Nobel/Instituto Italiano di Cultura di São Paulo/Instituto Cultural Ítalo-Brasileiro, 1987. ATIVIDADE Responda à questão abaixo de forma dissertativa (de 1 a 2 páginas), fundamentando sua resposta nos casos de Victor do Aveyron e Genie e nos conceitos dos pioneiros da Educação Especial estudados. "Diante de privações extremas e da ausência de mediação cultural, o que determina até onde um ser humano pode aprender: a biologia (diagnóstico/natureza) ou a pedagogia (meio/método)?" A partir dessa reflexão, analise como os casos de Victor do Aveyron e Genie evidenciam os limites e as possibilidades da mediação sociocultural, e explique de que modo as contribuições dos pioneiros da Educação Especial (como Pereira, Itard, Séguin e Montessori) sustentam a tese contemporânea de que “Toda criança é capaz de aprender”.