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DIREITO CIVIL OAB 1ª FASE - 30 QUESTÕES REAIS FGV
Temas: Responsabilidade Civil + Famíli
🧠 Dicas e Macetes de Ouro – Direito Civil | 1ª Fase OAB
Focado nos temas que estudamos: Responsabilidade Civil, Família e
Sucessões. Tudo que você precisa para transformar conhecimento em acerto
na hora da prova, seguindo o raciocínio dos professores Carlos Roberto
Gonçalves, Fredie Didier Jr. e Daniel Amorim.
🧠 Dicas e Macetes Técnicos – Direito Civil | 1ª Fase OAB
Focado nos temas que acabamos de ver: Parte Geral, Obrigações, Contratos e
Direito das Coisas. Técnicas infalíveis para identificar o acerto e eliminar o erro
logo de cara.
⚡ MÉTODO DE RESOLUÇÃO – 4 PASSOS PADRÃO
Faça isso em TODA questão SEM FALHA:
1️⃣ PASSO 1 – LEITURA SELETIVA & MARCAÇÃO
📌 Regra de Ouro: "Quem não marca, erra!"
Leia 2x e marque com traço essas palavras:
🔴 PALAVRAS PERIGOSAS (90% ERRADAS):
SEMPRE, NUNCA, TODO, NENHUM, EM QUALQUER CASO,
OBRIGATORIAMENTE
→ Elimine a alternativa que tiver isso!
🟡 PALAVRAS-CHAVE DE MUDANÇA DE REGRA:
MAS, PORÉM, AINDA QUE, MESMO QUE, SÓ SE, DESDE QUE
→ É nelas que a FGV esconde o erro. A regra vale, MAS... vem a exceção.
🟢 PALAVRAS DE CLASSIFICAÇÃO:
ANULÁVEL / NULO | PRESCRIÇÃO / DECADÊNCIA | SUBJETIVA /
OBJETIVA | POSSUIDOR / PROPRIETÁRIO
→ Definiu a classificação, já sabe a resposta.
2️⃣ PASSO 2 – CLASSIFIQUE O INSTITUTO EM 2 SEGUNDOS
Olhe o fato e jogue na caixa correta:
• 🧩 PARTE GERAL → Fala de: Menor, incapaz, erro, dolo, coação, prazo,
nulo, anulável, condição, mandato.
➡️ Pergunta-chave: É VÁLIDO, NULO OU ANULÁVEL?
• ⚖️ OBRIGAÇÕES → Fala de: Dívida, pagar, solidário, divisível,
compensação, novação, cessão, mora, cláusula penal.
➡️ Pergunta-chave: QUEM PODE COBRAR / QUEM DEVE PAGAR?
• 📝 CONTRATOS → Fala de: Acordo, compra, venda, aluguel, obra, doação,
promessa, evicção, benfeitorias.
➡️ Pergunta-chave: CUMPRIU OU DESCUMPRIU? QUAIS OS EFEITOS?
• 🧱 COISAS → Fala de: Terreno, posse, dono, usucapião, servidão, hipoteca,
penhor, benfeitorias.
➡️ Pergunta-chave: QUEM TEM O PODER DE FATO / QUEM É O DONO?
3️⃣ PASSO 3 – FILTRO DE ERRO (O SEGREDO DA FGV)
Eles seguem um padrão de erro igual em todas as provas. Use esses filtros na
ordem:
1. FILTRO DO "MEIO CERTO":
A alternativa começa explicando a regra certa, mas termina errando o detalhe.
Ex: "Usucapião especial urbana é 10 anos, mas precisa de justo título"
→ Começa certo (10 anos), termina errado (não precisa de título). ERRADA!
2. FILTRO REGRA vs EXCEÇÃO:
Se a questão NÃO mencionou uma situação especial → ESCOLHA A REGRA
GERAL.
Ex: "Quem escolhe na obrigação alternativa?" → Regra = Devedor. Se não
disser nada, é o devedor.
3. FILTRO DE CONTRADIÇÃO:
Se contrariar um princípio básico que você sabe → ERRADA.
Ex: "Posse só existe se tiver título" → Contraria: Posse é fato, independe de
título → ERRADA.
4️⃣ PASSO 4 – SE TIVER DÚVIDA
Escolha:
1. A que for mais justa / mais razoável.
2. A que estiver de acordo com Carlos Roberto Gonçalves (Regra Geral).
3. A que não trazer exceções.
🧩 MACETES ESPECÍFICOS – PARTE GERAL
✅ NULO vs ANULÁVEL (A MAIS COBRADA)
📌 MACETE DECORADO:
• NULO: Lei PROÍBE / Ordem Pública / Falta elemento essencial → Não vale
de jeito nenhum, não se valida, todo mundo pode alegar. PRAZO: ETERNO.
• ANULÁVEL: Vício da VONTADE / Incapacidade Relativa → Vale enquanto
não for anulado, só quem tem interesse pede. PRAZO: 4 ANOS.
💡 Frase rápida: "Nulo = Não nasce direito. Anulável = Nasce, mas pode
morrer."
✅ PRESCRIÇÃO vs DECADÊNCIA
📌 MACETE MATEMÁTICO:
• PRESCRIÇÃO: Perde o DIREITO DE AÇÃO (deixou passar o tempo para
cobrar). Prazo geral: 10 anos. → Começa quando o direito é violado.
• DECADÊNCIA: Perde o PRÓPRIO DIREITO (o direito acaba). Ex: Anular
contrato = 4 anos da assinatura. → Começa na data do ato, não importa se
sabia ou não.
💡 Erro comum: "Prazo começa a contar quando descobriu o erro" → ERRADO
para decadência.
✅ CONDIÇÃO, TERMO, MODO
📌 MACETE RÁPIDO:
• CONDIÇÃO: Depende de um FATO INCERTO ("SE...").
• TERMO: Depende de TEMPO CERTO ("ATÉ...", "A PARTIR DE...").
• MODO: Encargo, obrigação junto ("FAÇA ISSO QUE DOU AQUILO").
• ⚠️ Condição Potestativa: Depende SÓ da vontade de quem promete →
NULA.
⚖️ MACETES ESPECÍFICOS – OBRIGAÇÕES
✅ SOLIDARIEDADE vs DIVISIBILIDADE
📌 FRASE MÁGICA:
"Solidário = Um por todos, todos por um."
"Divisível = Parte para cada um. Indivisível = Tem que entregar a coisa toda."
💡 Macete:
• Dívida Solidária: Credor pode cobrar TUDO de qualquer um dos devedores.
• Morte de um solidário: Seus herdeiros continuam solidários.
✅ EXTINÇÃO DAS OBRIGAÇÕES
📌 COMO IDENTIFICAR:
• COMPENSAÇÃO: Eu te devo, você me deve. Valores até o menor somam, o
resto continua. Macete: "Dívidas cruzadas = Zera a conta."
• NOVAÇÃO: Muda o devedor ou muda o tipo de dívida. Macete: "Troca tudo,
apaga a antiga."
• CESSÃO DE CRÉDITO: Eu vendo minha dívida para outro. Macete: "Só vale
se avisar o devedor."
✅ MORA (QUEM ESTÁ ATRASADO?)
📌 REGRA PRÁTICA:
• DEVEDOR EM MORA: Atrasou → Paga multa, juros e RESPONDE ATÉ POR
CASO FORTUITO (se tivesse entregado, não teria perdido).
• CREDOR EM MORA: Recusou receber → Ele assume o risco, paga
despesas do devedor.
📝 MACETES ESPECÍFICOS – CONTRATOS
✅ FORMA DO CONTRATO
📌 MACETE LEGAL:
• REGRA: Contrato vale de qualquer forma, palavra vale!
• EXCEÇÃO: Imóvel, doação, casamento, testamento. PRECISA DE FORMA
ESPECIAL.
⚠️ Escritura Pública: É para REGISTRAR, não para valer entre vocês.
"Contrato particular vale entre nós, só não serve para cartório."
✅ COMPRA E VENDA – EVICÇÃO & VÍCIOS
📌 DIFERENÇA QUE CAI SEMPRE:
• EVICÇÃO: Alguém aparece e diz "O IMÓVEL É MEU" e tira de você. →
Vendedor devolve tudo + indeniza.
• VÍCIO DO OBJETO: A coisa tem defeito, não serve para o que prometeram.
→ Devolve ou abaixa o preço.
💡 Macete: "Evicção = Perde o bem. Vício = Bem tem defeito."
✅ BENFEITORIAS (ALUGUEL / POSSE)
📌 DECORAR A TABELA:
1. NECESSÁRIAS: Tinha que fazer para não perder ou estragar → INDENIZA
TUDO.
2. ÚTEIS: Melhora o uso, mas não era urgente → INDENIZA SE FOR DONO
DE BOA-FÉ / OU RETIRA.
3. VOLUPTUÁRIAS: Enfeite, luxo → NÃO INDENIZA NADA, só pode levar
embora se não quebrar nada.
❌ Erro comum: "Toda benfeitoria tem que ser paga" → ERRADO.
✅ EMPREITADA
📌 REGRA: "Quem faz por conta própria, arruma o jeito."
Se trocou material, atrasou ou fez errado → PAGA O PREJUÍZO.
Macete: "Obra diferente do combinado = Pode recusar pagamento."
🧱 MACETES ESPECÍFICOS – DIREITO DAS COISAS
✅ POSSE vs PROPRIEDADE (A MAIS CONFUSA)
📌 FRASE DE OURO PARA SEMPRE:
"POSSE = FATO (Quem está lá, quem usa). PROPRIEDADE = DIREITO
(Quem tem o nome no papel)."
💡 Macete:
• Você pode ser dono e não estar lá (não tem posse).
• Você pode estar lá e usar, mas não ser dono (tem posse, não propriedade).
• DETENÇÃO: É quando você está lá em nome de outro (empregado, caseiro)
→ NÃO É POSSE.
✅ USUCAPIÃO – PRAZOS DECORADOS
📌 SÓ DECORAR ESSES NÚMEROS:
• 🟢 ESPECIAL URBANA: 10 ANOS, até 250m², para morar. (MAIS
COBRADA)
• 🔵 ** ORDINÁRIA**: 15 ANOS, justo título + boa-fé.
• 🔴 EXTRAORDINÁRIA: 20 ANOS, nada mais importa, só tempo e posse.
💡 Macete: "Menor área, menos tempo. Maior área, mais tempo."
✅ DIREITOS REAIS DE GARANTIA
📌 DIFERENÇA RÁPIDA:
• HIPOTECA: Bem fica com o dono, só o papel é garantia. SEGUE A COISA →
Se vendeu, continua valendo contra o novo dono.
• PENHOR: Bem fica com quem emprestou o dinheiro. NÃO PODE USAR,
senão perde a garantia.
• ANTICRESE: Credor fica com o bem, usa os rendimentos para pagar a
dívida.
❌ Erro comum: "Quem recebe o penhor pode usar o bem" → ERRADO.
✅ SERVIDÃO DE PASSAGEM
📌 REGRA SIMPLES:
Se seu terreno está ENCRAVADO (sem saídacidade, escola ou religião, exigem consenso. Carlos Roberto Gonçalves – A
residência fixa com um dos pais é apenas organização de convivência, não retirada de
poderes do outro genitor. Proibir sem motivo justo configura abuso de direito. Daniel
Amorim – Na falta de acordo, o juiz decidirá com base no melhor interesse da criança.
Questão 20 – OAB XXVI/2019
Enunciado: Menor de 17 anos deseja se casar, obtendo autorização dos pais e alvará
judicial. O casamento foi celebrado. Passados 2 anos, ele deseja anular o casamento,
alegando que era menor na época. O pedido deve ser:
A) Deferido: casamento de menor é sempre anulável
B) Indeferido: o prazo para anular expirou 1 ano após completar 18 anos
C) Deferido: menor não pode casar, é nulo de pleno direito
D) Indeferido: com autorização dos pais é válido para sempre
Gabarito: B
Comentário: Carlos Roberto Gonçalves – Art. 1.521 e 1.550 CC: menores entre 16 e
18 anos podem casar com autorização e alvará; o ato é válido, mas anulável. O prazo
decadencial para propor a anulação é de 1 ano, contado do dia em que o contraente
completou 18 anos. Passado esse prazo, o casamento torna-se definitivo. Daniel
Amorim – Menor de 16 não casa (nulo); entre 16 e 18, válido sob condição, mas com
prazo curto para anular. Fredie Didier – A estabilidade do vínculo prevalece se não
houver impugnação no tempo legal.
BLOCO 3 – DIREITO DAS SUCESSÕES (10 questões)
Questão 21 – OAB XLV/2025
Enunciado: Faleceu Carlos, deixando bens no valor de R$ 600.000,00. Era casado em
comunhão universal de bens com Márcia, deixou também dois filhos e os pais vivos.
Não há testamento. A parte legítima e a parte disponível correspondem,
respectivamente, a:
A) R$ 300.000,00 e R$ 300.000,00
B) R$ 150.000,00 e R$ 150.000,00
C) R$ 450.000,00 e R$ 150.000,00
D) R$ 200.000,00 e R$ 400.000,00
Gabarito: B
Comentário: Daniel Amorim – Primeiro, na comunhão universal, metade dos bens é
do cônjuge sobrevivente (R$ 300 mil). A herança efetiva é a outra metade (R$ 300 mil).
Sobre essa herança, existem herdeiros necessários (descendentes, ascendentes e
cônjuge) → 50% é Legítima (R$ 150 mil) e 50% é Disponível (R$ 150 mil). Os pais só
herdam se não há descendentes, mas na presença destes, só recebem se na parte
disponível ou por testamento. Carlos Roberto Gonçalves – A herança recai apenas
sobre o patrimônio do falecido, já separado o que é do cônjuge. Fredie Didier – A regra
dos 50% só incide sobre o monte hereditário, nunca sobre o patrimônio total do casal.
Questão 22 – OAB XLIII/2024
Enunciado: Deodoro fez testamento deixando 60% de seus bens para seu amigo e o
restante dividido igualmente entre seus dois filhos. Ao morrer, os filhos alegam que o
testamento é inválido na parte que ultrapassa a cota disponível. A justiça deve:
A) Anular todo o testamento
B) Reduzir a disposição excessiva para o limite de 50%, mantendo o resto
C) Manter como está, pois é vontade do falecido
D) Anular apenas a parte que deixou para os amigos
Gabarito: B
Comentário: Fredie Didier – Art. 1.846 CC: havendo herdeiros necessários, a parte
disponível é de 50%. Qualquer disposição que ultrapasse esse limite é reduzida ao
valor permitido, não é nula. O amigo receberá o máximo permitido (50%), e os filhos
recebem a legítima obrigatória (50%). Carlos Roberto Gonçalves – A redução de
legítima é instituição que protege os herdeiros necessários sem desrespeitar
totalmente a vontade do testador; o ato é válido, apenas excessivo. Daniel Amorim – A
ordem é: respeita-se a legítima, o que sobra pode ser disposto livremente.
Questão 23 – OAB XLI/2024
Enunciado: João foi acusado e condenado por tentativa de homicídio contra seu pai,
que veio a falecer posteriormente por causas naturais. Na abertura da sucessão, João
pede sua parte na herança. Deve ser atendido?
A) Sim, pois foi só tentativa e a morte foi por outro motivo
B) Não, é indigno, perde o direito de herdar, mas mantém o direito de representação
C) Não, é indigno, perde todo e qualquer direito sucessório, inclusive representação
D) Sim, mas recebe menos que os irmãos
Gabarito: C
Comentário: Carlos Roberto Gonçalves – Art. 1.814 CC: comete indignidade
sucessória quem atentar contra a vida ou a liberdade do autor da herança, ainda que
não consumado o crime ou que a morte tenha causa diversa. A consequência é a perda
total do direito à herança, inclusive o direito de representação. Daniel Amorim – A
indignidade é sanção civil por violação grave do dever familiar; independe do resultado
morte, basta a prática do ato criminoso contra o ascendente. Fredie Didier – Ele é
tratado como se tivesse morrido antes do pai; seus filhos NÃO herdam por ele,
diferente da deserdação.
Questão 24 – OAB XXXIX/2023
Enunciado: Um homem faleceu sem deixar descendentes. Era casado em comunhão
parcial de bens. Deixou o cônjuge sobrevivente e seus pais vivos. Como se dá a partilha
da herança?
A) Cônjuge fica com tudo, pais não herdam
B) Cônjuge fica com 1/4, pais com 3/4
C) Cônjuge concorre com os pais, recebendo metade da herança; a outra metade para
os pais
D) Cônjuge recebe apenas o que era seu, herança toda para os pais
Gabarito: C
Comentário: Daniel Amorim – Art. 1.836 CC: na falta de descendentes, o cônjuge
sobrevivente concorre com os ascendentes. A distribuição é: metade para o cônjuge,
metade para os pais (ou um deles, se apenas um sobreviver). Carlos Roberto Gonçalves
– Regra importante: cônjuge só não herda na presença de descendentes diretos;
30 Questões Comentadas – Direito Civil (1ª Fase OAB)
Temas: Parte Geral, Obrigações, Contratos, Direito das Coisas | Comentários conforme
Carlos Roberto Gonçalves, Fredie Didier Jr. e Daniel Amorim
BLOCO 1 – PARTE GERAL (Questões 1 a 7)
Questão 1 – Negócio Jurídico / Elementos / Validade
Prova: XXXVIII Exame | Banca FGV
Ana, capaz, celebrou contrato de compra e venda de seu veículo com Pedro, de 16
anos, sem autorização dos pais. O valor foi justo, e Pedro pagou à vista. Após 2 meses,
os pais de Pedro pedem a anulação do negócio.
Assinale a correta:
A) É nulo, pois Pedro é incapaz absoluto.
B) É anulável, por incapacidade relativa; os representantes podem pleitear anulação.
C) É válido, pois houve pagamento e tradição.
D) É válido, pois o objeto é lícito e possível.
Comentário (Carlos Roberto Gonçalves): Menor de 16 a 18 anos é incapaz relativo
(Art. 142 CC). Negócios sem assistência de representantes são anuláveis, não nulos. A
validade depende de capacidade; pagamento não supre vício de capacidade.
Questão 2 – Vícios de Consentimento – Erro
Prova: XL Exame | FGV
João comprou um terreno acreditando que tinha 10.000 m², conforme informado no
contrato. Após medição, constatou-se que tinha apenas 8.000 m², diferença de valor
significativa.
Sobre o caso:
A) Nulo por erro de objeto.
B) Anulável por erro essencial e determinante
C) Válido; risco do comprador.
D) Rescindível apenas se houve dolo.
Comentário (Fredie Didier): Erro é essencial quando recai sobre qualidade ou
quantidade que é motivo principal do contrato (Art. 138). Determinante: foi o que
levou à contratação → anulável.
Questão 3 – Prescrição vs Decadência
Prova: XXXIX Exame | FGV
Em 2018, Maria celebrou contrato anulável por vício de vontade. Somente em 2024
descobriu o vício e pediu anulação.
Assinale:
A) Prescreveu o direito; perdeu o prazo.
B) Decaiu o direito; prazo de 4 anos contados da celebração
C) Ainda pode pedir; prazo começa na descoberta.
D) Prazo é de 10 anos, ainda vigente.
Comentário (Daniel Amorim): Ação de anulação é decadencial, prazo de 4 anos da
data do negócio, não da ciência (Art. 178). Diferente de prescrição, queé direito de
ação; decadência extingue o próprio direito.
Questão 4 – Representação / Mandato
Prova: XLI Exame | FGV
Carlos deu procuração a Luiz para vender seu apartamento por não menos de R$ 300
mil. Luiz vendeu por R$ 280 mil, mas o comprador não sabia da limitação.
Efeitos:
A) Contrato nulo; Luiz excedeu poderes.
B) Válido para Carlos; limitação não oponível a terceiro de boa-fé
C) Anulável; só vale se Carlos ratificar.
D) Válido apenas contra Luiz.
Comentário (Carlos Roberto): Limitações de poderes não valem contra terceiros de
boa-fé (Art. 118). Mandatário responde ao mandante por prejuízo, mas contrato vale
normalmente.
Questão 5 – Pessoa Jurídica / Início / Fim
Prova: XLII Exame | FGV
Associtação civil devidamente registrada encerrou suas atividades, mas deixou dívidas.
Os associados foram acionados pessoalmente.
Correto:
A) Respondem ilimitadamente.
B) Respondem subsidiariamente, se bens da pessoa jurídica forem insuficientes
C) Não respondem nunca.
D) Respondem solidariamente.
Comentário (Fredie Didier): Pessoa jurídica tem patrimônio próprio.
Responsabilidade de sócios/associados é subsidiária e limitada, exceto se houver
desvio de finalidade ou confusão patrimonial (Art. 49, 50).
Questão 6 – Objeto do Negócio Jurídico
Prova: XXXVII Exame | FGV
É inválido o negócio cujo objeto for:
A) Coisa fungível.
B) Coisa futura.
C) Direito indisponível
D) Quantidade indeterminada, mas determinável.
Comentário (Daniel Amorim): Objeto deve ser lícito, possível, determinado ou
determinável e disponível (Art. 104). Direitos indisponíveis (ex: estado civil) não podem
ser objeto de negócio.
Questão 7 – Condição / Termo / Modo
Prova: XLIV Exame | FGV
Dagoberto contratou: “compro sua casa SE minhas ações renderem mais de 10% até
dia 20”. Houve rendimento de 15%, mas ele recusou comprar.
Direito de Marina:
A) Não pode exigir; é condição potestativa nula.
B) Pode exigir; condição mista válida, já cumprida
C) Contrato nulo por depender de vontade de uma parte.
D) Apenas indenização.
Comentário (Carlos Roberto): Condição potestativa depende só da vontade; mista
depende também de fato alheio → válida. Cumprida → obrigação exigível (Art. 121,
122).
BLOCO 2 – DIREITO DAS OBRIGAÇÕES (Questões 8 a 16)
Questão 8 – Classificação: Solidariedade
Prova: XLV Exame | FGV
Mateus e Pedro compraram veículo, devedores solidários. Mateus faleceu, deixando 2
herdeiros.
Direito de Joana (credora):
A) Herdeiros pagam só parte da cota de Mateus.
B) Cada herdeiro responde por toda a dívida; solidariedade transmite-se
C) Solidariedade acaba com morte.
D) Pedro responde sozinho.
Comentário (Fredie Didier): Solidariedade transmite aos herdeiros, pois é obrigação
divisível quanto ao sujeito, indivisível quanto ao objeto. Credor pode cobrar de
qualquer um (Art. 264, 265).
Questão 9 – Obrigação de Dar / Entregar
Prova: XXXIX Exame | FGV
Marcelo alugou cavalo, não devolveu no prazo, usou indevidamente e o animal morreu
por acidente posterior ao atraso.
Responde por:
A) Apenas valor do aluguel.
B) Valor do animal + lucros cessantes + danos emergentes
C) Nada; morte foi acidental.
D) Só valor do animal.
Comentário (Daniel Amorim): Mora do devedor → responde por até caso
fortuito/força maior, se o dano ocorreria se tivesse entregado (Art. 396). Além disso,
lucros cessantes e danos emergentes (Art. 402).
Questão 10 – Cessão de Crédito
Prova: XLI Exame | FGV
Adriana cedeu crédito de R$ 1.000,00 contra Vitória para Paulo, sem avisar Vitória. Esta
pagou Adriana depois da cessão.
Correto:
A) Pagamento não vale; deve pagar novamente.
B) Pagamento é válido; só vale contra ela se notificada
C) Cessão é nula; crédito de serviço não cede.
D) Adriana garante solvência de Vitória.
Comentário (Carlos Roberto): Cessão de crédito é válida, mas ineficaz perante o
devedor até notificação. Pagamento feito antes da notificação é válido e extingue a
obrigação (Art. 286, 288).
Questão 11 – Extinção: Compensação
Prova: XL Exame | FGV
A deve R$ 5 mil a B; B deve R$ 3 mil a A. Ambos vencidos, líquidos e certos.
Efeito:
A) Compensação total.
B) Compensação até o valor menor; A fica devendo R$ 2 mil
C) Não há compensação; valores diferentes.
D) Depende de acordo.
Comentário (Fredie Didier): Compensação opera de pleno direito quando há dívidas
recíprocas, líquidas, certas e vencidas, até o montante do menor (Art. 368).
Questão 12 – Mora do Credor
Prova: XLII Exame | FGV
Devidoor levou mercadoria ao local combinado, mas credor recusou receber sem
motivo. Houve dano por deterioração.
Quem responde?
A) Devedor; não entregou.
B) Credor; mora própria, responde por danos
C) Ambos, metade cada.
D) Ninguém; risco da coisa.
Comentário (Daniel Amorim): Recusa injustificada → mora do credor. Assume risco
e responde por prejuízos causados ao devedor (Art. 391, 392).
Questão 13 – Obrigação Alternativa
Prova: XXXVIII Exame | FGV
Contrato: “devo dar um carro OU uma moto”, sem dizer quem escolhe.
Opção cabe:
A) Ao credor.
B) Ao devedor
C) Ao juiz.
D) Metade cada.
Comentário (Carlos Roberto): Regra geral: escolha é do devedor, se não houver
disposição em contrário (Art. 252).
Questão 14 – Cláusula Penal
Prova: XLIII Exame | FGV
Contrato prevê multa de 30% do valor em caso de inadimplemento. O dano real foi de
10%.
Valor devido:
A) 30% integralmente.
B) Juiz pode reduzir para 10%
C) 20%, média.
D) Não pode reduzir.
Comentário (Fredie Didier): Cláusula penal pode ser reduzida judicialmente se o
valor for manifestamente excessivo ou a obrigação cumprida parcialmente (Art. 412).
Questão 15 – Transmissão de Obrigações
Prova: XLV Exame | FGV
Dívida de prestação de serviço pessoal. O devedor falece.
Dívida:
A) Transmite aos herdeiros.
B) Extingue-se; é obrigação pessoalíssima
C) Credor pode exigir de qualquer herdeiro.
D) Paga-se com o espólio.
Comentário (Daniel Amorim): Obrigações que envolvem qualidade especial da
pessoa não se transmitem (Art. 240). Extinguem-se com a morte do devedor.
BLOCO 3 – CONTRATOS (Questões 17 a 24)
Questão 17 – Forma dos Contratos
Prova: XLI Exame | FGV
Compra e venda de imóvel celebrada por instrumento particular, sem escritura pública.
Validade:
A) Nulo; forma obrigatória.
B) Válido entre as partes; falta forma apenas para registro
C) Anulável.
D) Inválido de qualquer modo.
Comentário (Carlos Roberto): Escritura pública é requisito de publicidade/registro,
não de validade do contrato. Entre as partes, vale o instrumento particular (Art. 108,
227 CC/2002).
Questão 18 – Compra e Venda / Evicção
Prova: XLIV Exame | FGV
Carlos comprou terreno; depois, terceiro provou ser dono e recuperou o bem.
Direitos contra vendedor:
A) Nenhum; risco do comprador.
B) Restituição do valor + despesas + danos
C) Apenas devolução do preço.
D) Só indenização se houve dolo.
Comentário (Fredie Didier): Evicção é garantia legal. Vendedor responde por tudo o
que o comprador perdeu, incluindo despesas e danos (Art. 447, 448).
Questão 19 – Locação / Benfeitorias
Prova: XL Exame | FGV
Inquilino fez benfeitorias úteis e necessárias no imóvel, sem permissão.
Direitos na saída:
A) Retira todas.
B) Necessárias: indenização; úteis: só retira se possível
C) Nenhuma indenização.
D) Proprietário fica com tudo sem pagar.
Comentário (Daniel Amorim): Necessárias → indenização obrigatória. Úteis →
retira, se não causar dano; senão, não indeniza. Voluptuárias → nada (Art. 535).
Questão 20 – Doação / RevogaçãoProva: XXXIX Exame | FGV
Doação feita a filho, que depois tentou contra a vida do doador.
Consequência:
A) Não pode revogar; doação é irrevogável.
B) Revoga-se por ingratidão; devolve tudo
C) Revoga só se houver cláusula.
D) Revoga apenas se deixar herdeiros necessários.
Comentário (Carlos Roberto): Doação pode ser revogada por ingratidão,
especialmente atentado contra vida ou honra do doador (Art. 558).
Questão 21 – Empréstimo / Mútuo vs Comodato
Prova: XLII Exame | FGV
“empresto R$ 1 mil para você usar e devolver igual valor”. É:
A) Comodato.
B) Mútuo
C) Doação.
D) Locação.
Comentário (Fredie Didier): Mútuo: coisa fungível, devolve-se quantidade e
qualidade iguais. Comodato: coisa infungível, devolve-se a mesma coisa (Art. 586, 625).
Questão 22 – Contrato Preliminar
Prova: XLV Exame | FGV
Contrato preliminar de compra e venda com tudo definido, só falta escritura. Uma
parte desiste.
Direito:
A) Só indenização.
B) Pode exigir celebração do definitivo, e juiz suprirá a assinatura
C) Preliminar não obriga.
D) Nulo se não tiver prazo.
Comentário (Daniel Amorim): Preliminar válido obriga a celebrar o definitivo.
Descumprimento → ação específica;
Continuação: Questões 22 a 30 – Direito Civil
Temas: Contratos (continuação) | Direito das Coisas
Comentários conforme: Carlos Roberto Gonçalves, Fredie Didier Jr., Daniel Amorim
Assumpção Neves
Exames aplicados pela FGV – 1ª Fase OAB
BLOCO 3 – CONTRATOS (Continuação)
Questão 22 – Contrato Preliminar
Prova: XLV Exame | FGV
Foi celebrado contrato preliminar de compra e venda de imóvel, com todos os
requisitos e condições definidas, restando apenas a lavratura da escritura definitiva. O
vendedor, após receber o sinal, recusa-se a assinar o documento final. Diante disso, o
comprador:
A) Só pode pedir indenização por perdas e danos
B) Pode exigir a celebração do contrato definitivo; o juiz suprirá a assinatura do
vendedor
C) Não tem direito, pois o preliminar não gera obrigação de contratar
D) Deve aceitar a devolução do sinal em dobro, sem outra medida
Comentário:
Carlos Roberto Gonçalves – O contrato preliminar válido e completo obriga as partes a
celebrar o contrato definitivo. Se houver recusa injustificada, a parte prejudicada pode
pedir judicialmente a celebração, cabendo ao juiz suprir a vontade da parte
inadimplente (Art. 462 CC).
Fredie Didier – O "sinal" confirma o vínculo; a recusa gera tanto o dever de indenizar
quanto a possibilidade de execução específica, pois o conteúdo já está definido.
Daniel Amorim – A regra é: preliminar com elementos essenciais → força obrigatória;
desistência = descumprimento contratual.
Questão 23 – Extinção Contratual: Resolução por Inadimplemento
Prova: XXXVIII Exame | FGV
Empresa contratou reforma de galpão, com prazo de 60 dias. Passados 90 dias, a obra
não foi concluída e a contratada não apresentou justificativa. A contratante deseja
rescindir o contrato e pedir indenização. É correto afirmar:
A) Não pode rescindir; deve conceder prazo adicional
B) Pode resolver o contrato por pleno direito, independentemente de aviso prévio, e
cobrar danos
C) Só pode rescindir se houver cláusula expressa autorizando
D) Resolução só vale se houver sentença judicial transitada em julgado
Comentário:
Fredie Didier – O inadimplemento absoluto e injustificado autoriza a resolução do
contrato de pleno direito, conforme Art. 475 CC. Não depende de cláusula específica,
basta a prova do descumprimento que torne inútil o objeto contratual.
Carlos Roberto Gonçalves – A resolução opera efeitos ex nunc, desfazendo o contrato e
obrigando à restituição do que foi pago, além de indenização por perdas e danos.
Daniel Amorim – Aviso prévio só é necessário se houver possibilidade de cumprimento
tardio; quando já não serve ao fim almejado, resolve-se imediatamente.
Questão 24 – Contrato de Empreitada
Prova: XLI Exame | FGV
Construtora contratada para reformar casa trocou os materiais combinados por outros
de qualidade inferior, mas que funcionam e atendem à finalidade. O dono da casa
recusa o pagamento integral. Sobre o direito:
A) Deve pagar tudo, pois a obra está pronta e utilizável
B) Pode recusar pagamento ou exigir redução proporcional do valor, além de reparos
C) Só pode reclamar se houve dano estrutural
D) Pagamento integral é obrigatório, só cabe reclamação posterior
Comentário:
Daniel Amorim – Na empreitada, o empreiteiro deve entregar obra conforme ajustado,
com materiais e qualidade definidos (Art. 610). Desvio sem autorização configura
descumprimento; dono pode reduzir preço ou recusar recebimento.
Carlos Roberto Gonçalves – Mesmo que funcional, a alteração não autorizada prejudica
o valor e a expectativa contratual → direito à redução ou reparação.
Fredie Didier – A utilização da obra não importa renúncia ao direito de reclamar por
defeitos ou qualidade inferior.
BLOCO 4 – DIREITO DAS COISAS (Questões 25 a 30)
Questão 25 – Posse: Conceito e Natureza
Prova: XXXVII Exame | FGV
Pedro deixou sua fazenda sob guarda de João, que mora no local, cuida, produz e
exerce todos os atos de proprietário, embora saiba que o imóvel pertence a Pedro. A
posse, na hipótese, é de:
A) Pedro, pois ele é o dono e manteve a propriedade
B) João, pois exerce o poder de fato sobre a coisa, independentemente de propriedade
C) Ambos, simultaneamente, pois há acordo tácito
D) Ninguém, pois falta título formal
Comentário:
Carlos Roberto Gonçalves – Posse é o exercício, pleno ou não, de alguns dos poderes
inerentes ao domínio (Art. 1.196). Independe de ser dono ou ter título válido; basta o
poder de fato.
Fredie Didier – A distinção é clara: Propriedade = Direito; Posse = Situação de fato.
Quem está no local e exerce o poder é o possuidor, ainda que reconheça o alheio
domínio.
Daniel Amorim – Guardião ou mero detentor só não tem posse se exerce em nome
alheio; aqui, os atos demonstram poder próprio → posse.
Questão 26 – Posse: Efeitos / Indenização por Benfeitorias
Prova: XXXIX Exame | FGV
Mário possuía um terreno de boa-fé, acreditando ser seu, e construiu um muro de
proteção (benfeitoria necessária) e um jardim decorativo (benfeitoria voluptuária).
Após ação de reivindicação, o verdadeiro dono recupera o bem. Direitos de Mário:
A) Indenização total por tudo o que fez
B) Indenização só pelas necessárias; úteis se possível; voluptuárias nada
C) Nenhuma indenização, pois perdeu a posse
D) Indenização por todas, mas pode retirar o que é removível
Comentário:
Daniel Amorim – Possuidor de boa-fé tem direito: necessárias → indenização integral;
úteis → indenização ou retirada; voluptuárias → sem direito a valor, só pode retirar se
não danificar o imóvel (Art. 1.219/1.220).
Carlos Roberto Gonçalves – Boa-fé é essencial; se soubesse que não era dono, só
receberia por necessárias.
Fredie Didier – A lei equilibra: protege quem cuidou, mas não obriga o dono a pagar
por luxos que não pediu.
Questão 27 – Aquisição da Propriedade: Usucapião
Prova: XL Exame | FGV
Há 12 anos, Antônio passou a ocupar um terreno urbano de 200 m², de forma pacífica,
ininterrupta, sem oposição e com ânimo de dono, utilizando para sua residência. O
proprietário registrado nunca o procurou ou reivindicou. Antônio pode adquirir a
propriedade por:
A) Usucapião ordinária: 15 anos, ainda não completou
B) Usucapião especial urbana: 10 anos; preenche requisitos
C) Não pode; terreno urbano só por compra e registro
D) Usucapião extraordinária: 20 anos
Comentário:
Fredie Didier – Usucapião Especial Urbana (Art. 1.238 CC): prazo de 10 anos, posse
ininterrupta, pacífica, ânimo de dono, para residência própria ou dafamília, área até
250m². Aqui, 12 anos → já cumpriu.
Carlos Roberto Gonçalves – Diferente da ordinária (15 anos + justo título + boa-fé), a
especial dispensa título e boa-fé, bastando a posse e destinação.
Daniel Amorim – É a modalidade mais cobrada; fique atento ao prazo reduzido e ao
limite de área e uso.
Questão 28 – Direitos Reais: Servidão
Prova: XLII Exame | FGV
Carlos é dono de um terreno cercado por propriedades de João, sem saída para estrada
pública. Existe uma passagem de longa data. João resolve fechar o caminho alegando
ser dono exclusivo. Carlos pede manutenção. Sobre o caso:
A) Carlos não tem direito; deve comprar parte do terreno
B) Existe servidão de passagem forçada; deve ser mantida, mediante indenização
C) Servidão só existe se registrada em cartório
D) João pode fechar, pois é dono do solo
Comentário:
Carlos Roberto Gonçalves – Servidão de Passagem é direito real de uso, imposto por lei
quando o prédio é encravado, sem acesso público. Independe de vontade do dono do
prédio serviente, mas dá direito a indenização (Art. 1.385/1.387).
Daniel Amorim – É uma limitação ao direito de propriedade em nome da utilidade e
função social.
Fredie Didier – Registro é para oponibilidade a terceiros, não para existência do direito
entre os proprietários.
Questão 29 – Direitos Reais: Hipoteca
Prova: XLI Exame | FGV
Banco concedeu empréstimo a Paulo, que deu seu apartamento em garantia
hipotecária, devidamente registrada. Paulo vende o imóvel a Marcos, que sabe da
existência da dívida. Ao vencer a dívida, não havendo pagamento, o banco pode:
A) Executar o imóvel, pois hipoteca segue a coisa, contra quem estiver
B) Não pode executar; só pode cobrar de Paulo
C) Executar só se Marcos assumiu a dívida expressamente
D) Hipoteca perde efeito com a venda, se não avisado o banco
Comentário:
Daniel Amorim – Hipoteca é direito real de garantia que acompanha o bem,
independente de mudança de proprietário (Art. 1.474). Princípio: "o direito real segue
a coisa". Comprador adquire o bem onerado.
Fredie Didier – Registro é essencial para validade da hipoteca; uma vez registrada, vale
contra todos, incluindo adquirentes posteriores.
Carlos Roberto Gonçalves – O devedor continua obrigado, mas o credor tem
preferência sobre o bem para receber seu crédito.
Questão 30 – Direitos Reais: Penhor
Prova: XLV Exame | FGV
João deu em penhor um automóvel para garantir dívida com Maria, ficando o veículo
na posse de Maria. Maria, necessitando, usou o carro e o danificou por culpa grave.
João exige resolução da garantia e indenização. Decisão correta:
A) Maria só devolve o carro, sem indenizar
B) Penhor não permite uso; uso indevido + dano → extingue garantia e obriga indenizar
C) Pode usar desde que cuide; dano é risco do dono
D) Garantia continua, só desconta valor do dano
Comentário:
Carlos Roberto Gonçalves – O credor pignoratício tem o dever de conservar a coisa,
não pode usá-la sem autorização, sob pena de responder por perdas e danos, e até
perder o direito de garantia (Art. 1.438/1.439).
Fredie Didier – A posse é apenas para garantia, não para uso. Uso indevido e danos
graves configuram violação do contrato de penhor.
Daniel Amorim – Extinção da garantia por má conduta do credor é sanção prevista para
proteger o devedor proprietário.
RESUMO RÁPIDO DAS REGRAS COBRADAS
CONTRATOS
- Preliminar completo → Exigível, juiz supre assinatura
- Inadimplemento → Resolução + Indenização
- Empreitada → Obra conforme ajustado; defeito = redução/rescisão
COISAS
- Posse = Fato | Propriedade = Direito
- Benfeitorias: Necessárias → paga; Úteis → opcional; Voluptuárias → nada
- Usucapião Especial Urbana: 10 anos, até 250m², para morar
- Hipoteca: Segue o bem, quem compra recebe a dívida
Mais 30 Questões Comentadas – Direito Civil
Temas: Parte Geral, Obrigações, Contratos, Direito das Coisas
Comentários conforme: Carlos Roberto Gonçalves, Fredie Didier Jr., Daniel Amorim
Assumpção Neves
Exames aplicados pela FGV – 1ª Fase OAB | Nível Complexo
BLOCO 1 – PARTE GERAL (Questões 1 a 7)
Questão 1 – Pessoas Naturais / Capacidade
Prova: XXXVI Exame | FGV
Rafael, 17 anos, celebrou contrato de compra de um veículo com o dinheiro que
ganhou em concurso de beleza, sem autorização dos pais. Após 1 ano e 6 meses de
completar 18 anos, ele quer anular o negócio alegando incapacidade à época. É correto
afirmar:
A) Pode anular, pois prazo é de 4 anos.
B) Não pode, pois ratificou tacitamente ao não pedir anulação em 6 meses após
maioridade
C) Pode, pois negócio de menor é sempre anulável.
D) Não pode, pois dinheiro era seu.
Comentário:
Carlos Roberto Gonçalves – Menor relativo (16-18) → negócio anulável. Ao completar
18 anos, tem 6 meses para pedir anulação. Se ficar calado, ratifica o ato (Art. 148 CC).
Fredie Didier – O silêncio após a capacidade plena vale como confirmação tácita; prazo
decadencial curto.
Daniel Amorim – A capacidade superveniente sana o vício se não houver manifestação
em tempo hábil.
Questão 2 – Negócio Jurídico / Objeto
Prova: XXXV Exame | FGV
É válido o negócio jurídico que tenha por objeto:
A) Coisa cujo uso seja proibido por lei.
B) Direito personalíssimo.
C) Coisa futura, desde que determinável
D) Coisa de outrem, em qualquer hipótese.
Comentário:
Daniel Amorim – Objeto deve ser lícito, possível, determinado/determinável e
disponível. Coisa futura é válida se existir possibilidade de vir a existir (Art. 106).
Carlos Roberto Gonçalves – Coisa de outrem só é inválida se a lei proibir; coisa futura é
regra aceita (ex: colheitas).
Fredie Didier – Direitos indisponíveis ou ilícitos tornam o negócio nulo de pleno direito.
Questão 3 – Vícios de Vontade – Dolo
Prova: XXXIV Exame | FGV
Vendedor disse que o terreno era de cultura fácil, sabendo que era pedregoso e
impróprio para plantio. Comprador, confiado, adquiriu. Sobre o negócio:
A) Válido; risco do comprador.
B) Anulável por dolo; informação falsa determinou a compra
C) Nulo por fraude.
D) Válido, pois não garantiu por escrito.
Comentário:
Fredie Didier – Dolo é quando uma parte induz a outra em erro, com intenção de
enganar, e isso é motivo para contratar → anulável (Art. 139/140).
Carlos Roberto Gonçalves – Basta que a informação falsa seja relevante; não precisa de
garantia expressa.
Daniel Amorim – Dolo acidental não anula, mas o doloso (determinante) vicia o
consentimento.
Questão 4 – Prescrição / Início do Prazo
Prova: XXXIII Exame | FGV
Construção defeituosa apareceu 7 anos após entrega da obra. Proprietário só
descobriu o defeito agora, 12 anos depois da entrega. Ação contra construtora:
A) Prescreveu em 10 anos da entrega; não pode mais
B) Ainda pode; prazo começa na descoberta.
C) Decaiu em 5 anos.
D) Prazo é de 20 anos.
Comentário:
Carlos Roberto Gonçalves – Prescrição para defeitos de obra: 10 anos contados da
entrega, não da descoberta (Art. 177). É prazo legal, independe de ciência.
Daniel Amorim – Diferente de danos ocultos em produtos, na construção o prazo corre
desde a tradição.
Fredie Didier – Segurança jurídica: o tempo corre objetivamente para estabilizar
relações.
Questão 5 – Representação / Proibições
Prova: XXXII Exame | FGV
Pedro deu procuração a Paulo para vender seu carro. Paulo, em nome próprio,
comprou o veículo para si mesmo. O negócio é:
A) Válido, pois tem poderes.
B) Anulável por conflito de interesses
C) Nulo por falta de objeto.
D) Irregular, mas válido.
Comentário:
Daniel Amorim – É proibido ao representante negociar consigo mesmo, sob pena de
anulação, salvo autorização expressa ou interesse do representado (Art. 117).
Fredie Didier –Conflito de interesse vicia a representação; presume-se prejuízo ao
mandante.
Carlos Roberto Gonçalves – A regra visa evitar abuso de poder pelo procurador.
Questão 6 – Condição Suspensiva vs Resolutiva
Prova: XXXI Exame | FGV
“Dou-te esta casa, se te formares em Direito”. A obrigação:
A) Começa a valer agora; acaba se não se formar.
B) Só nasce e produz efeitos quando se formar (condição suspensiva)
C) É válida desde já, condição é apenas acessória.
D) Nula por depender de vontade do beneficiário.
Comentário:
Fredie Didier – Suspensiva: Enquanto não cumprida, nada existe. Resolutiva: Existe
agora, acaba se cumprir. Aqui, só vale se formar (Art. 121).
Carlos Roberto Gonçalves – Não é potestativa pura, pois depende de fato misto
(esforço + tempo).
Daniel Amorim – Cumprida a condição, efeitos retroagem à data do negócio.
Questão 7 – Pessoas Jurídicas / Desconsideração
Prova: XXX Exame | FGV
Empresa foi criada só para esconder bens e fugir de dívidas. Credor pede para acionar
sócios pessoalmente. Decisão:
A) Negado; PJ tem patrimônio separado.
B) Deferido; desconsideração por abuso de forma e confusão
C) Deferido só se falir primeiro.
D) Negado; sócios não respondem.
Comentário:
Carlos Roberto Gonçalves – A separação patrimonial não é absoluta. Se usar a PJ para
fraude, desconsidera-se a personalidade e vai-se ao patrimônio dos sócios (Art. 50).
Daniel Amorim – Requisitos: desvio de finalidade ou confusão patrimonial.
Fredie Didier – Instrumento para evitar abusos e garantir justiça.
BLOCO 2 – DIREITO DAS OBRIGAÇÕES (Questões 8 a 16)
Questão 8 – Obrigação de Fazer / Não Fazer
Prova: XXIX Exame | FGV
Contrato: “João não pode construir muro acima de 2 metros”. João construiu com 3
metros. Credor quer ação. Direito:
A) Só indenização em dinheiro.
B) Pode exigir demolição; se não fizer, juiz autoriza terceiro por conta dele
C) Não pode mais, pois já construiu.
D) Reduz só valor do contrato.
Comentário:
Fredie Didier – Obrigação de não fazer: se descumprida, credor pode exigir que se
desfaça o feito, às custas do devedor, além de perdas e danos (Art. 248).
Carlos Roberto Gonçalves – Execução específica é regra; dinheiro é exceção.
Daniel Amorim – O descumprimento torna-se obrigação de indenizar apenas se
impossível desfazer.
Questão 9 – Solidariedade Ativa
Prova: XXVIII Exame | FGV
Três credores solidários podem receber a dívida. Um deles deu quitação ao devedor.
Efeito:
A) Vale só para a parte dele.
B) Quitação vale por inteiro; dívida acaba para todos
C) Nula; todos têm que receber.
D) Os outros dois ainda podem cobrar.
Comentário:
Carlos Roberto Gonçalves – Na solidariedade ativa, quitação dada a um extingue toda a
dívida contra o devedor; credores se acertam entre si (Art. 267).
Daniel Amorim – Regra: um por todos, todos por um. Ato de um aproveita ou prejudica
os outros.
Fredie Didier – Facilita a quitação para o devedor, que não precisa procurar todos.
Questão 10 – Extinção: Novação
Prova: XXVII Exame | FGV
A deve R$100 para B. Combinam que agora C pagará a dívida, sem consentimento de
A. É válido?
A) Sim, novação por mudança de devedor independe de antigo devedor
B) Não, precisa concordância de todos.
C) Sim, mas A continua obrigado subsidiariamente.
D) Não, só muda credor.
Comentário:
Daniel Amorim – Novação por substituição do devedor pode ser feita só pelo credor e
novo devedor; antigo devedor sai sem precisar concordar (Art. 349).
Fredie Didier – Extingue totalmente a dívida antiga; garantias acabam, salvo expressa
manutenção.
Carlos Roberto Gonçalves – É forma de liberação automática do devedor original.
Questão 11 – Cessão de Crédito / Garantias
Prova: XXVI Exame | FGV
Credor cedeu crédito garantido por hipoteca a terceiro. A garantia:
A) Fica com credor antigo.
B) Passa automaticamente ao novo credor
C) Acaba, pois é pessoal.
D) Precisa de novo registro.
Comentário:
Fredie Didier – A cessão de crédito transfere todos os acessórios, inclusive garantias
reais ou pessoais (Art. 292). Princípio: acessório segue o principal.
Carlos Roberto Gonçalves – Hipoteca segue o crédito; não precisa de novo ato, basta a
cessão válida.
Daniel Amorim – Garantia existe para assegurar o pagamento, não importa quem
recebe.
Questão 12 – Pagamento com Sub-rogação
Prova: XXV Exame | FGV
Banco pagou dívida do cliente ao fornecedor, assumindo seu lugar. Agora banco cobra
do cliente. É:
A) Cessão de crédito comum.
B) Sub-rogação; banco tem mesmos direitos e garantias do credor antigo
C) Novação.
D) Pagamento indevido.
Comentário:
Carlos Roberto Gonçalves – Quem paga com sub-rogação adquire todos os direitos,
ações e garantias do credor contra o devedor (Art. 340).
Daniel Amorim – Muito comum em seguros e bancos; mantém privilégios.
Fredie Didier – Não extingue a dívida, só troca a pessoa de quem recebe.
Questão 13 – Obrigação Divisível vs Indivisível
Prova: XXIV Exame | FGV
Dois herdeiros devem entregar um único imóvel. Um deles quer pagar sua parte em
dinheiro. Credor recusa. Decisão:
A) Deve aceitar, pois dívida divide-se.
B) Correto; objeto indivisível obriga todos por inteiro
C) Aceita metade imóvel, metade dinheiro.
D) Divide o imóvel.
Comentário:
Daniel Amorim – Mesmo havendo vários devedores, se o objeto for indivisível, cada um
responde pela coisa toda; não se pode fracionar a entrega (Art. 259).
Fredie Didier – Divisibilidade é sobre o objeto, não sobre as pessoas.
Carlos Roberto Gonçalves – Credor não é obrigado a receber coisa diferente do
combinado.
Questão 14 – Cláusula Penal / Redução
Prova: XXIII Exame | FGV
Contrato prevê multa de 100% do valor se descumprir. Dano real foi de 5%. Juiz pode?
A) Reduzir para 5%
B) Mantém 100% pois combinado.
C) Reduz até 20% só.
D) Não pode mexer.
Comentário:
Fredie Didier – Valor manifestamente excessivo ou dano muito menor → redução
obrigatória pelo juiz (Art. 412). Não é ligado apenas ao cumprimento parcial.
Carlos Roberto Gonçalves – Função punitiva é limitada; não pode enriquecer
indevidamente.
Daniel Amorim – Critério: proporcionalidade entre a sanção e o prejuízo ou o proveito.
Questão 15 – Pagamento Indevido
Prova: XXII Exame | FGV
Pagou-se uma dívida que já estava paga. Quem recebeu:
A) Fica com o valor; erro de quem pagou.
B) Deve devolver; enriquecimento sem causa
C) Devolve só metade.
D) Devolve só se provar má-fé.
Comentário:
Carlos Roberto Gonçalves – Quem recebe o que não lhe é devido, ou mais do que lhe é
devido, tem obrigação de restituir (Art. 876/884). Enriquecimento sem causa é vedado.
Daniel Amorim – Má-fé aumenta responsabilidade (juros e perdas), mas boa-fé não
dispensa devolução.
Fredie Didier – É obrigação legal independente de culpa.
BLOCO 3 – CONTRATOS (Questões 17 a 24)
Questão 17 – Contrato de Adesão
Prova: XXI Exame | FGV
Contrato com todas as cláusulas prontas, sem negociação. Cláusula abusiva que anula o
direito do consumidor:
A) Válida; quem assina concorda.
B) Nula de pleno direito
C) Anulável em 4 anos.
D) Válida se escrita.
Comentário:
Daniel Amorim – Contrato de adesão tem interpretação restrita contra quem redigiu.
Cláusulas que suprimem direitos básicos são nulas (Art. 423/424).
Fredie Didier – Princípio da boa-fé e equidade limita a liberdade contratual.
Carlos Roberto Gonçalves – Não há "assinou, concordou" quando há desigualdade ou
abuso. Continuação: Questões 18 a 30 – Direito Civil
Temas: Contratos (continuação) | Direito das Coisas
Comentários conforme: Carlos Roberto Gonçalves, Fredie Didier Jr., Daniel Amorim
Assumpção Neves
Exames aplicadospela FGV – 1ª Fase OAB | Nível Complexo
BLOCO 3 – CONTRATOS (Continuação)
Questão 18 – Compra e Venda / Coisa Alheia
Prova: XX Exame | FGV
Vendedor alienou terreno que não era seu, ignorando que o imóvel pertencia a
terceiro. O verdadeiro proprietário reivindicou e recuperou o bem do comprador.
Diante disso, o comprador pede indenização por perdas e danos. É correto afirmar que
o vendedor:
A) Não responde, pois agiu de boa-fé e desconhecia a alheia propriedade
B) Responde integralmente, pois a garantia de propriedade e evicção é legal,
independente de culpa ou conhecimento
C) Responde apenas pela metade dos danos, pois o comprador também devia verificar
a titularidade
D) Não responde, pois é nula a venda de coisa alheia, não gerando efeitos
Comentário:
Carlos Roberto Gonçalves – A venda de coisa alheia é válida entre as partes, mas gera
responsabilidade objetiva do vendedor pela evicção. A garantia é inerente ao contrato
de compra e venda, prevista em lei, não dependendo de estipulação expressa ou de
dolo do alienante (Art. 447 CC).
Fredie Didier – O vício de origem existe porque se obriga a entregar a coisa livre de
ônus e direitos de terceiros; não cumprindo, responde por todos os prejuízos.
Daniel Amorim – Boa-fé do vendedor não elimina a responsabilidade, pois o
comprador tem o direito de receber o bem e usufruir pacificamente.
Questão 19 – Compra e Venda / Vícios Redibitórios
Prova: XIX Exame | FGV
João comprou máquina industrial que, segundo o vendedor, era nova e funcionava em
plenas condições. Ao instalar, verificou que apresentava defeito oculto que a tornava
imprópria para o uso. O vendedor alegou que não sabia do defeito e negou
responsabilidade. Direito do comprador:
A) Apenas pedir desconto proporcional no preço
B) Escolher entre rejeitar o bem e pedir restituição, ou exigir abatimento, além de
indenização, mesmo sem culpa do vendedor
C) Nenhum direito, pois defeito era oculto e vendedor não sabia
D) Só pode reclamar em até 30 dias após a compra
Comentário:
Daniel Amorim – Os vícios redibitórios geram responsabilidade legal, independente de
culpa. O comprador pode optar pela resolução do contrato (devolução e reembolso) ou
pela redução do preço, além de indenização por perdas e danos (Art. 443, 444 CC).
Carlos Roberto Gonçalves – O prazo para reclamar é o da garantia legal ou
convencional; não há prazo genérico de 30 dias, varia conforme o tipo de bem.
Fredie Didier – Defeito oculto é aquele que não pode ser percebido no ato da compra;
se fosse aparente, comprador aceitou e não pode reclamar.
Questão 20 – Doação / Revogação por Ingratidão
Prova: XVIII Exame | FGV
Pai doou imóvel ao filho, com vida, sem reserva de usufruto. Um ano depois, o filho
agrediu fisicamente o doador, causando lesão corporal grave, motivada por disputa
familiar. O pai quer reaver o bem doado. É possível?
A) Não, doação é contrato gratuito e irrevogável em qualquer hipótese
B) Sim, pode revogar por ingratidão, devendo o filho restituir o bem e seus frutos
C) Sim, mas só se houver cláusula expressa de revogação no contrato
D) Não, pois doação entre parentes é sempre definitiva
Comentário:
Fredie Didier – A doação pode ser revogada por ingratidão do donatário, nas hipóteses
legais, como atentado contra a vida, honra ou integridade física do doador (Art. 558
CC). É direito que independe de cláusula contratual.
Carlos Roberto Gonçalves – A revogação tem efeito retroativo; o donatário deve
devolver o bem e tudo o que dele obteve desde a doação.
Daniel Amorim – O prazo para pedir é de um ano, contado da data do fato ou da
ciência dele.
Questão 21 – Locação de Coisas / Extinção e Benfeitorias
Prova: XVII Exame | FGV
Inquilino, sem conhecimento ou autorização do proprietário, realizou obras de reforma
que aumentaram significativamente o valor do imóvel (benfeitorias úteis), além de
reparos essenciais para evitar desabamento (benfeitorias necessárias). Ao fim do
contrato, pede reembolso total. O proprietário deve pagar:
A) Apenas as necessárias, obrigatoriamente; pelas úteis, só se quiser ficar com elas
B) Tudo integralmente, pois houve aumento de valor
C) Nada, pois fez sem permissão
D) Somente as úteis, pois valorizam o bem
Comentário:
Carlos Roberto Gonçalves – Benfeitorias necessárias são aquelas indispensáveis para
conservar o bem; indenização é devida sempre. Úteis aumentam o valor, mas não são
urgentes: dono pode optar por pagar ou permitir que inquilino retire, se possível sem
dano (Art. 535 CC).
Daniel Amorim – Voluptuárias (enfeites) não geram direito a reembolso de forma
alguma.
Fredie Didier – Falta de autorização não elimina direito às necessárias, pois atendem a
interesse comum de conservação.
Questão 22 – Empréstimo / Mútuo Comodato
Prova: XVI Exame | FGV
Carlos recebeu de Pedro R$ 10.000,00 para usar por 6 meses, comprometendo-se a
devolver, ao final, a mesma quantidade de dinheiro em espécie, sem acréscimo. Trata-
se de:
A) Comodato, pois não há juros
B) Mútuo, pois envolve coisa fungível e devolução de equivalente
C) Doação, pois não há remuneração
D) Contrato aleatório
Comentário:
Daniel Amorim – Mútuo: empréstimo de coisa fungível (dinheiro, grãos...), onde se
devolve quantidade e qualidade iguais, não a mesma coisa material. Comodato é de
coisa infungível, devolvendo-se o próprio objeto (Art. 586, 625 CC).
Fredie Didier – A gratuidade não muda a natureza do contrato; mútuo pode ser
gratuito ou oneroso (com juros).
Carlos Roberto Gonçalves – O dinheiro se consumiu com o uso; impossível devolver a
mesma nota, logo é mútuo.
Questão 23 – Prestação de Serviços / Responsabilidade
Prova: XV Exame | FGV
Empresa de segurança foi contratada para vigilância noturna de loja. Por negligência de
seus vigilantes, ladrões invadiram e causaram danos. A empresa alega que seus
empregados são pessoas físicas e que ela não deve responder. A alegação é:
A) Procedente; só quem erra responde
B) Improcedente; responde diretamente por atos de seus prepostos, no exercício do
serviço
C) Procedente; só responde se houver dolo
D) Improcedente, mas responde apenas subsidiariamente
Comentário:
Fredie Didier – Na prestação de serviços, o prestador responde pelos danos causados
por seus auxiliares ou prepostos, pois é ele quem escolhe, dirige e fiscaliza o trabalho
(Art. 611, 932 CC). Responsabilidade é direta e objetiva quanto ao fato do serviço.
Carlos Roberto Gonçalves – A vítima pode acionar diretamente a empresa,
dispensando ação contra o empregado.
Daniel Amorim – É aplicação da teoria da aparência e do risco da atividade.
Questão 24 – Fiança / Extinção e Benefício
Prova: XIV Exame | FGV
Pedro contratou empréstimo com banco, tendo Carlos como fiador. O banco, sem
consentimento de Carlos, prorrogou o prazo de vencimento da dívida por mais 12
meses. Com relação à fiança:
A) Continua válida integralmente
B) Fica automaticamente extinta, salvo se fiador concordar expressamente
C) Fica reduzida pela metade
D) Só se altera se aumentar o valor da dívida
Comentário:
Carlos Roberto Gonçalves – Qualquer alteração no contrato principal, como
prorrogação de prazo, feita sem anuência do fiador, extingue a fiança. A obrigação do
fiador segue os limites originais; modificações aumentam seu risco sem sua
concordância (Art. 833 CC).
Daniel Amorim – O fiador tem também o benefício de ordem: pode exigir que primeiro
se execute os bens do devedor principal, antes de pagar ele mesmo.
Fredie Didier – É contrato acessório; sua sorte depende do contrato principal, mas não
pode ser modificado sem sua participação.
BLOCO 4 – DIREITO DAS COISAS (Questões 25 a 30)
Questão 25 – Posse / Classificação
Prova:XIII Exame | FGV
Mário ocupa terreno há 5 anos, sabendo que não é dono, mas age como se fosse,
proibindo a entrada de pessoas e cuidando de tudo. Ao ser questionado, diz: "Estou
aqui, mas sei que o terreno é de outrem". Sua posse é:
A) Justa, de boa-fé
B) Injusta, de má-fé, mas ainda é posse
C) Detenção, pois reconhece o direito alheio
D) Posse precária, sem efeitos
Comentário:
Daniel Amorim – Detenção é quando se exerce a posse em nome de outrem ou sob
autorização. Se exerce por si próprio, mesmo sabendo que não é dono, é posse injusta
e de má-fé, mas é posse e gera efeitos jurídicos (Art. 1.196, 1.200 CC).
Fredie Didier – O reconhecimento da propriedade alheia não transforma posse em
detenção; o que importa é o poder de fato exercido em nome próprio.
Carlos Roberto Gonçalves – Mesmo ilegal, a posse merece proteção contra violência ou
turbação de terceiros, até que o dono venha reivindicar.
Questão 26 – Posse / Proteção Possessória
Prova: XII Exame | FGV
João possuía uma área há anos. Certo dia, Paulo chegou com documentos alegando ser
dono e, sem ordem judicial, invadiu e expulsou João à força. João quer reaver o local
imediatamente. A ação correta é:
A) Reivindicatória, para provar propriedade
B) Manutenção de posse, pois foi turbado ou esbulhado no último ano
C) Nenhuma, pois Paulo tinha documentos
D) Interdito proibitório
Comentário:
Fredie Didier – A proteção possessória independe de ser dono; basta ser possuidor e
ter sido esbulhado ou turbado no prazo de até 1 ano. A ação de manutenção ou
reintegração serve para restabelecer a posse perturbada ou perdida (Art. 1.210 CC).
Carlos Roberto Gonçalves – Ninguém pode fazer justiça com as próprias mãos, ainda
que alegue propriedade; deve recorrer ao Judiciário.
Daniel Amorim – Ação reivindicatória é para discutir propriedade; a possessória é para
defender a situação de fato rapidamente.
Questão 27 – Usucapião Ordinária / Requisitos
Prova: XI Exame | FGV
Há 16 anos, Antônio recebeu terreno por escritura particular, acreditando ser do
vendedor, e passou a ocupar. Agora pede usucapião ordinária. Faltou apenas o registro
do título. Ele:
A) Não consegue; precisa de registro para ter título
B) Consegue; preencheu prazo de 15 anos, justo título e boa-fé
C) Não consegue; prazo é 20 anos
D) Consegue apenas a especial
Comentário:
Carlos Roberto Gonçalves – Usucapião Ordinária exige: posse por 15 anos, justo título
(título válido, embora ineficaz ou não registrado) e boa-fé. O registro não é requisito, é
consequência (Art. 1.237 CC).
Daniel Amorim – O justo título não precisa ser público ou registrado; particular vale se
for hábil a transferir domínio em tese.
Fredie Didier – A boa-fé deve existir no início da posse; duração maior que 15 anos não
invalida.
Questão 28 – Direitos Reais / Servidão Predial
Prova: X Exame | FGV
Dois terrenos vizinhos, um mais alto e outro mais baixo. Por força natural, as águas da
chuva escorrem do mais alto para o mais baixo, sem intervenção humana. O dono do
terreno baixo construiu muro impedindo o escoamento. Está correto?
A) Sim, é dono e pode fazer o que quiser
B) Não; existe servidão legal de águas, que impede obstrução
C) Sim, servidão só existe se paga
D) Não, mas só pode reclamar se houver dano
Comentário:
Daniel Amorim – Servidões legais existem por força de lei, independentemente de
vontade ou pagamento. A de águas determina que o prédio inferior deve receber as
águas que descem naturalmente do superior, sem obras artificiais (Art. 1.394 CC).
Fredie Didier – É limitação ao direito de propriedade em nome da utilidade coletiva e
ordem natural.
Carlos Roberto Gonçalves – O muro é ilegal e deve ser removido, pois impede exercício
de direito real alheio.
Questão 29 – Direitos Reais de Garantia / Anticrese
Prova: IX Exame | FGV
Maria deu sua fazenda em garantia de dívida com João, convencionando que João
ficaria com a posse, administraria e ficaria com os lucros e rendimentos da terra para
abater no valor devido. Trata-se de:
A) Hipoteca
B) Penhor Rural
C) Anticrese
D) Arrendamento Mercantil
Comentário:
Carlos Roberto Gonçalves – Anticrese: o devedor entrega o imóvel ao credor, que o
utiliza e recebe frutos para abater da dívida. Diferente da hipoteca (bem fica com
devedor) e do penhor (bem móvel) (Art. 1.485 CC).
Fredie Didier – Credor deve administrar com diligência e prestar contas; não pode se
apropriar do bem, só dos rendimentos.
Daniel Amorim – Ao quitar a dívida, devolve o imóvel limpo e conservado.
PROCESSO CIVIL
30 Questões OAB – Direito Processual Civil
Temas: Tutela Provisória | Recursos | Cumprimento de Sentença | Execução | Coisa
Julgada | Competência
Comentários: Fredie Didier Jr., Daniel Amorim Assumpção Neves, Humberto Theodoro
Júnior, Teresa Arruda Alvim
Base: CPC/2015 | Provas aplicadas FGV | Nível Complexo
BLOCO 1 – TUTELA PROVISÓRIA (1–5)
Dicas, Macetes e Técnicas – Direito Processual Civil
Baseado nos professores que usamos: Fredie Didier Jr., Daniel Amorim, Humberto
Theodoro Júnior, Teresa Arruda Alvim
Focado para 1ª Fase OAB | Método infalível para marcar o certo e eliminar o errado
MÉTODO DE RESOLUÇÃO – PASSO A PASSO (ENSINADO POR ELES)
LEITURA ESTRATÉGICA (Daniel Amorim)
REGRA DE OURO: "Quem não marca, erra!"
Leia a questão 2 vezes e grife essas palavras:
PALAVRAS QUE DEFINEM A RESPOSTA:
PROVISÓRIO / DEFINITIVO | ABSOLUTO / RELATIVO | OFÍCIO / A PEDIDO | ANTES /
DEPOIS | CABÍVEL / NÃO CABÍVEL
PALAVRAS PERIGOSAS (90% ERRADAS) – ELIMINE DE CARA:
SEMPRE, NUNCA, TODOS, NENHUM, EM QUALQUER CASO, OBRIGATORIAMENTE
Ex: "Competência relativa SEMPRE pode ser alterada" → ERRADA
PALAVRAS DE MUDANÇA DE REGRA:
MAS, PORÉM, ENTRETANTO, SÓ SE, DESDE QUE
→ É AQUI que a FGV esconde o erro. A regra vale, MAS... vem a exceção.
CLASSIFIQUE O INSTITUTO EM 2 SEGUNDOS (Fredie Didier Jr.)
Olhe o fato e jogue na caixa correta. Cada tema tem uma pergunta chave:
• TUTELA PROVISÓRIA → "É URGÊNCIA OU EVIDÊNCIA? PRECISA DE PERIGO?"
Urgência = Precisa de PERIGO + Prova
Evidência = NÃO precisa de perigo, basta direito claro
• RECURSOS → "QUAL O OBJETO? QUAL O EFEITO? QUER MUDAR OU
ESCLARECER?"
Esclarecer = Embargos de Declaração
Mudar = Apelação / Especial / Extraordinário
Uniformizar = Divergência / Repetitivo
• CUMPRIMENTO / EXECUÇÃO → "TEM TÍTULO? É SENTENÇA OU DOCUMENTO? JÁ
PASSOU O JUIZ?"
Cumprimento = É continuação do processo, título é a sentença
Execução = É processo novo, título é documento ou sentença
• COISA JULGADA → "JÁ FOI DECIDIDO? PODE MUDAR? É MÉRITO OU
PROCESSUAL?"
Sem Mérito = NÃO gera coisa julgada material
Com Mérito = Gera, NÃO muda mais (só rescisória)
• COMPETÊNCIA → "PODE CONCORDAR OU NÃO? PODE MUDAR OU NÃO?"
Absoluta = ORDEM PÚBLICA, não muda, juiz declara de ofício
Relativa = Disponível, muda por acordo ou silêncio
FILTRO DE ERRO (A Pegadinha da FGV – Humberto Theodoro Júnior)
Eles usam o mesmo truque em todas as provas. Use esses filtros na ordem:
1. FILTRO DO "MEIO CERTO":
A alternativa começa explicando a regra certa, mas termina errando o detalhe.
Ex: "Apelação tem efeito devolutivo, MAS NÃO pode modificar a sentença"
→ Começa certo, termina errado. ELIMINE!
2. FILTRO REGRA vs EXCEÇÃO:
Se a questão NÃO mencionou uma situação especial, escolha a REGRA GERAL.
Ex: "Qual o efeito da Apelação?" → Regra = Devolutivo. Se não disser nada, é
devolutivo.
3. FILTRO DE CONTRADIÇÃO:
Se contrariar um princípio básico que você sabe → ERRADA.
Ex: "Juiz executa sentença de ofício" → Princípio: Iniciativa é da parte → ERRADA.
4. FILTRO DO "ANTES E DEPOIS":
O erro maiscomum é trocar a fase: "Na execução pode discutir o mérito" → ERRADO,
mérito é só no conhecimento.
MACETES ESPECÍFICOS – POR TEMA
TUTELA PROVISÓRIA (Teresa Arruda Alvim)
FRASE MÁGICA:
"URGÊNCIA = VAI ACONTECER O DANO | EVIDÊNCIA = JÁ SEI QUE VOCÊ TEM RAZÃO"
DECORAR ISSO:
• URGÊNCIA: Precisa de 2 coisas: Fumus (prova do direito) + Periculum (perigo de
demora).
• EVIDÊNCIA: SÓ precisa de prova muito forte, clara, ou fato que ninguém discute. NÃO
TEM PERIGO.
• IRREVERSIBILIDADE: "Se não pode desfazer depois, NÃO PODE ANTECIPAR" (Regra de
ouro do art.300).
• CAUÇÃO: Pode pedir, mas SE FOR POBRE, DISPENSA.
• PRAZO ANTECEDENTE: Pediu antes da ação? Tem 30 DIAS para entrar com a ação
principal, senão acaba.
PEGADINHA: "Tutela provisória gera coisa julgada" → ERRADO! É sempre
provisório, pode mudar.
RECURSOS (Fredie Didier Jr.)
MACETE DOS EFEITOS:
DEVOLUTIVO: "Devolve" o processo para o tribunal julgar. REGRA GERAL.
SUSPENSIVO: Paralisar o efeito da sentença. EXCEÇÃO.
QUANDO TEM SUSPENSIVO?:
• Quando extingue o processo sem mérito (indeferiu inicial, reconheceu prescrição...)
• Quando executar antes vai estragar tudo.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO:
MACETE: "Tem dúvida? Esqueceu algo? Contradição? Aí é DECLARAÇÃO."
• INTERROMPE O PRAZO SEMPRE! (Mesmo que seja mentira/protelatório).
• NÃO MUDA O RESULTADO, só explica ou completa.
RECURSO ESPECIAL vs EXTRAORDINÁRIO:
FRASE PARA SEMPRE:
"ESPECIAL = LEI FEDERAL (STJ) | EXTRAORDINÁRIO = CONSTITUIÇÃO (STF)"
"ESPECIAL NÃO DISCUTE PROVA, SÓ LEI"
DESERÇÃO:
Não pagou as custas no prazo? → NÃO CONHECIDO. Fim de jogo.
CUMPRIMENTO DE SENTENÇA vs EXECUÇÃO (Daniel Amorim)
DIFERENÇA QUE MAIS CAI:
CUMPRIMENTO: É continuação do processo que já existe. O título é a SENTENÇA.
Macete: "Já teve juiz, já foi julgado, agora é só cobrar".
MULTA DE 10%: Não pagou em 15 dias? Multa automática.
EXECUÇÃO: É processo NOVO. O título é um DOCUMENTO (escritura, contrato,
nota promissória) ou sentença de outro processo.
Macete: "Chega com o papel na mão e já manda penhorar".
IMPUGNAÇÃO vs EMBARGOS:
IMPUGNAÇÃO AO CUMPRIMENTO: Restrita. Só pode alegar coisas que
ACONTECERAM DEPOIS DA SENTENÇA (pagou, prescreveu, compensou...). NÃO
DISCUTE O JÁ JULGADO.
EMBARGOS À EXECUÇÃO: Ampla. Pode atacar o próprio título, dizer que a dívida
não existe, que o contrato é nulo...
COISA JULGADA (Humberto Theodoro Júnior)
FRASE DE OURO:
"SÓ TEM COISA JULGADA QUEM RESOLVEU O MÉRITO. QUEM SAIU ANTES, PODE
VOLTAR DEPOIS."
CLASSIFICAÇÃO RÁPIDA:
• COISA JULGADA FORMAL: Não cabe mais recurso, mas PODE PROPOR OUTRA AÇÃO
(ex: extinguiu por prescrição, sem mérito).
• COISA JULGADA MATERIAL: Acabou de verdade. NÃO PODE MAIS MUDAR NADA (ex:
"Você não deve nada" ou "Você deve tudo").
AÇÃO RESCISÓRIA:
MACETE: "NÃO É RECURSO, É AÇÃO NOVA PARA CONSERTAR ERRO GRAVE."
• Prazo: 2 ANOS do trânsito.
• Motivos: Erro de fato, prova falsa, violação grave de lei...
• NÃO SERVE só porque você não gostou da decisão.
COMPETÊNCIA (Todos os professores)
ABSOLUTA vs RELATIVA – DECORAR A TABELA:
ABSOLUTA RELATIVA
ORDEM PÚBLICA DISPONÍVEL
NÃO PODE MUDAR / CONCORDAR PODE MUDAR / PRORROGAR
JUIZ DECLARA DE OFÍCIO SÓ A PARTE PODE ALEGAR
MATÉRIA, VALOR, FUNÇÃO, IMÓVEL FORO DO RÉU, CONTRATO
FORO DO IMÓVEL:
"IMÓVEL SEGUE O LUGAR. NÃO IMPORTA ONDE ESTÃO AS PESSOAS." → Competência
Absoluta.
CONFLITO DE COMPETÊNCIA:
Dois juízes querem ou não querem julgar? → CONFLITO. Resolve o tribunal de cima.
PEGADINHAS MAIS FREQUENTES DA FGV (Anota!)
1. "Juiz pode iniciar a execução de ofício"
→ ERRADO. Princípio da Iniciativa: quem move o processo é a parte.
2. "Impugnação ao cumprimento pode discutir o mérito da sentença"
→ ERRADO. Mérito já foi decidido, não se toca mais.
3. "Tutela de urgência dispensa prova do direito"
→ ERRADO. Precisa da prova sim, só não precisa de prova total.
4. "Apelação contra sentença condenatória tem efeito suspensivo"
→ ERRADO. Regra é devolutivo. Suspensivo é exceção.
5. "Competência relativa pode ser declarada de ofício"
→ ERRADO. Só absoluta. Relativa, juiz só vê se a parte falar na contestação.
6. "Coisa julgada incide sobre questões preliminares"
→ ERRADO. Só sobre o que foi decidido no mérito.
RESUMO DE EMERGÊNCIA (Cola mental para prova)
TUTELA
Urgência = Direito + Perigo
Evidência = Só Direito Forte
Irreversível = Não concede
RECURSOS
Apelação = Devolutivo (Regra)
Declaração = Esclarece / Interrompe prazo
Especial = Lei Federal
Extraordinário = Constituição
EXECUÇÃO
Cumprimento = Sentença / Multa 10%
Execução = Documento Novo
Impugnação = Restrita (só depois)
Embargos = Ampla (ataca tudo)
COISA JULGADA
Com Mérito = Fim da linha
Sem Mérito = Pode voltar
Rescisória = Erro grave / 2 anos
COMPETÊNCIA
Absoluta = Ordem Pública / Ofício
Relativa = Disponível / Prorroga
Imóvel = Lugar do bem
Quer que eu monte um esquema visual de fluxograma para você saber exatamente
qual recurso cabe em cada caso?
Macetes e Técnicas – 1ª Fase OAB (FGV)
Foco: acertar 40+ | tempo: 5h | estilo: objetiva, pegadinhas, raciocínio rápido
1. LEITURA E INTERPRETAÇÃO (O MAIS IMPORTANTE)
Leia o COMANDO primeiro: veja se pede CERTO ou ERRADO (70% dos erros são
aqui!)
Grife palavras-chave: não, só, apenas, sempre, nunca, absoluta/relativa, ordem
pública, disponível/indisponível
Cuidado com generalizações: palavras como todos, jamais, obrigatoriamente quase
sempre tornam a alternativa ERRADA
Leia TODAS as alternativas: nunca marque a primeira que pareça certa; pode ter
outra melhor/completa
Macete: “Se tem SEMPRE ou NUNCA, já risca!”
2. MACETES POR ASSUNTO (o que caiu nas suas questões 15–35)
PROVAS
• Juiz pode indeferir prova: se desnecessária, impertinente ou protelatória →
VÁLIDO
• Prova emprestada: só vale se houve contraditório para quem não participou
antes
• Depoimento pessoal: não veio? → presunção de verdade (exceto direitos
indisponíveis)
• Ônus da prova: regra = quem alega, prova; inversão só se difícil para um, fácil
para o outro
• Livre convencimento: juiz decide, mas SEMPRE deve MOTIVAR → sem explicação
= errado
Macete: “Prova: juiz é dono, mas tem que explicar tudo!”
RESPOSTA DO RÉU
• Contestação: é a peça principal → tudo o que é defesa vai aqui (nulidade,
pagamento, prescrição)
• Revelia: não defendeu? → presunção de verdade, MENOS para direitos
indisponíveis (família, estado)
• Incompetência:
◦ ABSOLUTA: ordem pública → juiz vê de ofício, qualquer tempo
◦ RELATIVA: só se alegar NA CONTESTAÇÃO → se calar, aceita o foro
• Reconvenção: só cabe NA CONTESTAÇÃO + precisa ter conexão com o pedido
inicial
• Réplica: só responde o que foi NOVO na contestação → não pode repetir ou
inventar coisa nova
• Impugnação ao valor: tem que falar no prazo de defesa → depois, aceitou
Macete: “Relativa = réu tem que falar; Absoluta = juiz que vê”
FASES PROCESSUAIS
• Saneamento: Art.357 → juiz organiza, define pontos controvertidos, provas →
cabe agravo
• Julgamento antecipado: se já tem tudo provado → é REGRA, não exceção
• Nulidade: “Pas de nullité sans grief” → só anula se houve PREJUÍZO real
• Pressupostos processuais: ordem pública → juiz verifica de ofício, sempre
Macete: “Erro sem dano → ato válido!”
3. TÉCNICAS DE RESOLUÇÃO RÁPIDA
ELIMINAÇÃO DE ALTERNATIVAS
1. Risco as absurdas → 2 sobram
2. Riscoas que tem sempre/nunca/todos
3. Escolha a mais completa e equilibrada (geralmente é a certa)
GESTÃO DE TEMPO
• Média: 3min por questão → se passar, pula e marca para depois
• Ordem: comece pelas matérias que você mais domina → ganha confiança e tempo
• Não fique parado em uma difícil; volta no final
MARCAÇÃO NO CARTÃO
• Só marque depois de ter certeza; evite rasuras
• Deixe 30min finais só para passar tudo e conferir
4. MACETES DE LEI SECA (mais cobrados)
• Art.345 CPC: Revelia NÃO vale para direitos indisponíveis (família, estado, ordem
pública)
• Art.371: Livre convencimento MOTIVADO → juiz decide, mas explica
• Art.64/337: Incompetência relativa só na contestação
• Art.277: Nulidade só com prejuízo
• Art.357: Saneamento = mapa do processo
Macete: “Decore só esses 5 artigos: resolve 30% das questões de Processo Civil!”
5. RESUMO PARA DIA DE PROVA
1. Leia COMANDO: Certo ou Errado?
2. Grife palavras de armadilha
3. Risco generalizações
4. Relativa = alegar; Absoluta = juiz vê
5. Revelia: NÃO vale para família/estado
6. Nulidade = só com dano
7. Sempre motive, sempre contraditório
Questão 1 – Tutela de Urgência vs Evidência
Prova: 42º Exame OAB | FGV
Sobre tutela provisória, é correto afirmar:
A) Tutela de evidência exige demonstração de perigo de dano ou risco ao resultado útil
do processo
B) Tutela de urgência pode ser antecipada ou cautelar; evidência dispensa periculum in
mora
C) Ambas só podem ser concedidas após contestação
D) Têm efeitos definitivos e geram coisa julgada
Comentários:
• Fredie Didier Jr.: A distinção central está nos requisitos: urgência = fumus +
periculum; evidência basta prova clara, inequívoca e reconhecida ou fato
incontroverso, sem necessidade de risco.
• Daniel Amorim: Tutela provisória é sempre precária e modificável; não há coisa
julgada, pois não é decisão definitiva.
• Humberto Theodoro Júnior: Pode ser concedida em qualquer momento, inclusive na
inicial ou em recurso.
• Teresa Arruda Alvim: A tutela de evidência é excepcional, aplicável apenas nos casos
taxativos do art. 311 CPC.
Questão 2 – Requisito de Irreversibilidade
Prova: 40º Exame OAB | FGV
Juiz indeferiu tutela antecipada porque seus efeitos seriam irreversíveis. Tal decisão é:
A) Errada; irreversibilidade não é obstáculo
B) Correta, pois é vedada se houver risco de não poder desfazer o que foi decidido
C) Errada; só importa se causar dano grave ao réu
D) Correta, apenas se a causa for de valor elevado
Comentários:
• Daniel Amorim: Art. 300, §3º CPC expressamente veda concessão se houver perigo
de irreversibilidade do provimento antecipado, salvo exceções legais.
• Fredie Didier Jr.: O limite visa equilíbrio: não se pode adiantar o que não se pode
desfazer se ao final o pedido for improcedente.
• Teresa Arruda Alvim: A regra não é absoluta; admite-se se for indispensável ou se
houver caução idônea.
• Humberto Theodoro Júnior: É requisito negativo obrigatório, não discricionário.
Questão 3 – Tutela Antecedente
Prova: 38º Exame OAB | FGV
Pediu-se tutela cautelar antes de propor a ação principal. O autor deixou de ajuizar a
ação no prazo de 30 dias. Consequência:
A) Nenhuma; tutela continua válida
B) Tutela caduca e cessa todos os efeitos
C) Prazo é de 60 dias; ainda pode
D) Só perde eficácia se o réu pedir
Comentários:
• Humberto Theodoro Júnior: Art. 306 CPC: se não propor ação principal em 30 dias, a
tutela antecedente extingue-se automaticamente, independentemente de provocação.
• Fredie Didier Jr.: É prazo decadencial, não suspende nem interrompe; medida
provisória depende da ação principal para subsistir.
• Daniel Amorim: Efeitos retroagem; como se nunca tivesse existido.
• Teresa Arruda Alvim: Finalidade: evitar uso indevido para criar situações definitivas
sem demanda.
Questão 4 – Modificação e Revogação
Prova: 37º Exame OAB | FGV
Concedida tutela provisória, surgiu fato novo que alterou a situação fática. Juiz pode:
A) Manter, pois decisão não se muda
B) Revogar ou modificar, de ofício ou a pedido
C) Só mudar se a parte pedir
D) Só após sentença definitiva
Comentários:
• Teresa Arruda Alvim: Art. 296 CPC: natureza precária justifica alteração a qualquer
tempo, enquanto não houver sentença definitiva, por fato novo ou mudança de
entendimento.
• Fredie Didier Jr.: Não há estabilidade; sempre sujeita a reavaliação conforme o curso
do processo.
• Daniel Amorim: Cabível mesmo sem contraditório prévio em casos de urgência.
• Humberto Theodoro Júnior: Diferente de sentença, que só se altera por recurso ou
ação rescisória.
Questão 5 – Caução
Prova: 36º Exame OAB | FGV
Juiz exigiu caução para conceder tutela antecipada em favor de pessoa pobre, sem
condições de pagar. Decisão:
A) Válida; caução é sempre obrigatória
B) Inválida; deve dispensar se comprovada insuficiência econômica
C) Válida; pode exigir de qualquer um
D) Inválida; nunca se exige caução
Comentários:
• Daniel Amorim: Art. 300, §1º: caução é facultativa e deve ser dispensada quando a
parte não tem condições de prestar, sob pena de inviabilizar o acesso à justiça.
• Humberto Theodoro Júnior: Garantia serve para ressarcir, mas não pode ser
obstáculo para quem necessita da medida.
• Fredie Didier Jr.: Princípio da igualdade e acesso à ordem jurídica justa impõem a
dispensa.
• Teresa Arruda Alvim: Exigência só cabe se houver risco concreto de prejuízo e parte
tiver condições.
BLOCO 2 – RECURSOS (6–10)
Questão 6 – Efeitos do Recurso de Apelação
Prova: 41º Exame OAB | FGV
Apelação contra sentença condenatória tem, em regra:
A) Apenas efeito devolutivo
B) Apenas efeito suspensivo
C) Ambos os efeitos
D) Nenhum efeito
Comentários:
• Humberto Theodoro Júnior: Art. 1.012 CPC: regra é efeito devolutivo; suspensivo só
nas hipóteses expressas ou se houver risco de dano grave.
• Fredie Didier Jr.: Devolve ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada; não
impede cumprimento provisório.
• Teresa Arruda Alvim: Efeito suspensivo é exceção, interpretada restritivamente.
• Daniel Amorim: Sentença não fica paralisada; pode ser executada provisoriamente.
Questão 7 – Recurso Especial – Requisitos
Prova: 39º Exame OAB | FGV
Recurso especial só é cabível se:
A) Houver ofensa a lei federal e decisão divergir de súmula ou jurisprudência
dominante
B) Qualquer erro de julgamento
C) Ofensa à Constituição Federal
D) Discussão sobre prova dos fatos
Comentários:
• Teresa Arruda Alvim: Art. 1.029 CPC: pressupostos: violação a lei federal e dissídio
jurisprudencial ou contrariedade a súmula; não reexamina fatos e provas.
• Fredie Didier Jr.: Destinado a uniformizar interpretação da lei federal, não a corrigir
qualquer erro.
• Daniel Amorim: Matéria constitucional é para recurso extraordinário.
• Humberto Theodoro Júnior: Impossível reavaliar conjunto probatório; limita-se ao
direito.
Questão 8 – Embargos de Declaração – Efeitos
Prova: 35º Exame OAB | FGV
Embargos de declaração interrompem prazo para outros recursos?
A) Não, nunca
B) Sim, apenas se houver omissão
C) Sim, em qualquer hipótese
D) Só se forem acolhidos
Comentários:
• Fredie Didier Jr.: Art. 1.026: interrompem o prazo recursal independentemente de
acolhimento ou rejeição; reinicia após publicação da decisão dos embargos.
• Daniel Amorim: Mesmo que protelatórios, geram esse efeito legal.
• Humberto Theodoro Júnior: É regra absoluta, não depende de conteúdo.
• Teresa Arruda Alvim: Finalidade: permitir à parte aguardar esclarecimentoantes de
recorrer.
Questão 9 – Recurso Ordinário Constitucional
Prova: 34º Exame OAB | FGV
Contra decisão de Turma Recursal de Juizado Especial que ofendeu direito
constitucional, cabe:
A) Apelação
B) Recurso Especial
C) Recurso Ordinário Constitucional
D) Embargos Infringentes
Comentários:
• Daniel Amorim: Art. 1.027: cabível contra decisões de tribunais inferiores ou turmas
recursais em matéria constitucional.
• Teresa Arruda Alvim: Destinado a STF; diferente de especial, que vai ao STJ.
• Fredie Didier Jr.: Pressupõe discussão de norma da Constituição, não lei federal
ordinária.
• Humberto Theodoro Júnior: É via adequada para controle de constitucionalidade em
instâncias inferiores.
Questão 10 – Deserção
Prova: 33º Exame OAB | FGV
Recurso interposto dentro do prazo, mas sem pagamento de custas no prazo legal.
Consequência:
A) Conhecido, mas multa
B) Não conhecido por deserção
C) Conhecido, se recolher depois
D) Apenas advertência
Comentários:
• Humberto Theodoro Júnior: Art. 1.007: preparo é requisito de admissibilidade; falta
ou atraso acarreta não conhecimento.
• Fredie Didier Jr.: É condição de procedibilidade; não se supre posteriormente.
• Teresa Arruda Alvim: Dispensado apenas se houver gratuidade de justiça deferida.
• Daniel Amorim: Não há conversão em diligência; recurso é rejeitado de plano.
BLOCO 3 – CUMPRIMENTO DE SENTENÇA (11–15)
Questão 11 – Início e Legitimidade
Prova: 43º Exame OAB | FGV
Cumprimento de sentença deve ser requerido por:
A) Qualquer interessado
B) Exequente, após trânsito em julgado ou de forma provisória
C) Juiz, de ofício
D) Ministério Público sempre
Comentários:
• Fredie Didier Jr.: Art. 513: iniciativa é da parte; juiz não executa sozinho. Pode ser
definitivo ou provisório, antes do trânsito.
• Daniel Amorim: Provirio é possível se recurso não tiver efeito suspensivo.
• Teresa Arruda Alvim: Legitimidade só do vencedor ou seu sucessor.
• Humberto Theodoro Júnior: Regra: execução depende de requerimento.
Questão 12 – Obrigação de Pagar Quantia Certa
Prova: 41º Exame OAB | FGV
Condenado a pagar R$ 50 mil. Intimado, não pagou em 15 dias. Incide multa de:
A) 10%
B) 5%
C) 20%
D) Não há multa
Comentários:
• Daniel Amorim: Art. 523: multa de 10% sobre o valor, além de honorários
advocatícios, se não pagar voluntariamente.
• Humberto Theodoro Júnior: É sanção automática, independe de pedido.
• Fredie Didier Jr.: Finalidade: compelir cumprimento espontâneo.
• Teresa Arruda Alvim: Incide também sobre custas processuais.
Questão 13 – Cumprimento Provisório
Prova: 39º Exame OAB | FGV
Cumprimento provisório é cabível:
A) Nunca
B) Sempre
C) Quando recurso interposto não tiver efeito suspensivo
D) Só com caução
Comentários:
• Teresa Arruda Alvim: Art. 520: possível quando a apelação ou recurso não tem efeito
suspensivo; dispensa caução em certos casos como alimentos.
• Fredie Didier Jr.: Visa eficácia imediata, mesmo antes do trânsito.
• Daniel Amorim: Se depois a sentença for reformada, desfaz-se tudo.
• Humberto Theodoro Júnior: Medida de efetividade da tutela jurisdicional.
Questão 14 – Impugnação ao Cumprimento
Prova: 37º Exame OAB | FGV
Impugnação ao cumprimento pode alegar:
A) Qualquer matéria nova
B) Pagamento, quitação, prescrição, compensação
C) Reexaminar o mérito da sentença
D) Nenhuma defesa possível
Comentários:
• Fredie Didier Jr.: Art. 525: só matérias que surgiram ou se tornaram conhecidas após
a sentença, ou que não podiam ser alegadas antes; não rediscute o que já foi decidido.
• Daniel Amorim: É defesa própria da fase de cumprimento.
• Humberto Theodoro Júnior: Coisa julgada impede reapreciar o mérito.
• **Teresa Arruda Alvim: Limite claro: só fatos ou direitos posteriores ou impeditivos.
Questão 15 – Extinção
Prova: 35º Exame OAB | FGV
Cumprimento de sentença extingue-se quando:
A) Exequente morre
B) Ocorre pagamento, remição, dação em pagamento
C) Réu pede
D) Juiz decide sem motivo
Comentários:
• Humberto Theodoro Júnior: Art. 526: causas são as mesmas da extinção das
obrigações.
• Teresa Arruda Alvim: Pagamento integral é a principal; outras formas legais também
valem.
• Fredie Didier Jr.: Extingue a obrigação e o processo executivo.
• Daniel Amorim: Não basta vontade; precisa de causa legal extintiva
Temas: Execução | Coisa Julgada | Competência
Comentários: Fredie Didier Jr., Daniel Amorim Assumpção Neves, Humberto Theodoro
Júnior, Teresa Arruda Alvim
Base: CPC/2015 | Provas aplicadas FGV | Nível Complexo
BLOCO 4 – EXECUÇÃO (16–20)
Questão 16 – Título Executivo
Prova: 42º Exame OAB | FGV
Não se qualifica como título executivo, apto a dar início à execução:
A) Sentença condenatória transitada em julgado
B) Escritura pública que contenha obrigação de pagar, fazer ou não fazer
C) Contrato particular com prova de assinatura das partes, mas sem assinatura de
testemunhas
D) Decisão homologatória de acordo extrajudicial
Comentários:
• Daniel Amorim: Conforme Art. 784 do CPC, o contrato particular só tem eficácia de
título executivo se contiver obrigação líquida, certa e exigível, e estiver assinado pelas
partes e por duas testemunhas. A falta de qualquer requisito formal retira sua força
executiva.
• Fredie Didier Jr.: A exigência das testemunhas serve para conferir autenticidade e
segurança ao documento; sem ela, o contrato vale apenas como prova em processo de
conhecimento, não como título para execução imediata.
• Humberto Theodoro Júnior: Os títulos executivos extrajudiciais são taxativos; fora da
lista legal, só valem como prova, dependendo de sentença para se tornarem
executivos.
• Teresa Arruda Alvim: A escritura pública independe de testemunhas por já gozar de fé
pública, diferente do particular.
Questão 17 – Responsabilidade Patrimonial
Prova: 40º Exame OAB | FGV
Sobre os bens que respondem pelas dívidas do executado, é correto afirmar:
A) Todos os bens, móveis e imóveis, presentes e futuros, respondem, sem exceção
B) Os bens respondem, mas existem bens impenhoráveis, protegidos por lei
C) A penhora recai apenas sobre bens móveis; imóveis só entram em execução fiscal
D) Bens de família nunca podem ser alienados, muito menos penhorados
Comentários:
• Humberto Theodoro Júnior: Princípio geral é que a obrigação responde com todos os
bens do devedor (Art. 789), mas a lei estabelece impenhorabilidades para proteger a
dignidade humana, a subsistência e funções essenciais.
• Fredie Didier Jr.: A impenhorabilidade é regra de ordem pública; visa impedir que o
devedor fique em situação de miséria ou impossibilidade de exercer sua cidadania.
• Teresa Arruda Alvim: A regra é "todo bem responde", mas com limites legais: salário,
moradia, instrumentos de trabalho, livros, etc.
• Daniel Amorim: Bem de família é impenhorável, mas pode ser alienado
voluntariamente; a impenhorabilidade é contra credores, não contra a vontade do
dono.
Questão 18 – Penhora e Avaliação
Prova: 38º Exame OAB | FGV
Ordenada a penhora de imóvel, o oficial de justiça realizou o ato, mas a avaliação ficou
muito abaixo do valor de mercado. O executado pode:
A) Nada fazer; avaliação é ato discricionário do oficial
B) Apresentar embargos à execução alegando excesso de penhora
C) Pedir apenas correção administrativa, sem efeito processual
D) Aceitar, pois o valor real só importa na hasta pública
Comentários:
• Teresa Arruda Alvim: O excesso de penhora, seja pela quantidade de bens, seja pela
valorização incorreta e baixa, é causa de defesapara rua) → TEM DIREITO DE
PASSAR pelo vizinho.
Macete: "Propriedade não é absoluta; tem que ter função social."
🚩 PEGADINHAS MAIS FREQUENTES DA FGV (Anote!)
1. ❌ "Contrato só vale se for escrito"
→ ERRADO. Regra geral é liberdade de forma. Escrito só para casos
especiais.
2. ❌ "Posse só existe com justo título"
→ ERRADO. Posse é fato, independe de título ou ser dono.
3. ❌ "Prazo para anular contrato começa quando descobrir o erro"
→ ERRADO. Decadência começa na assinatura (4 anos).
4. ❌ "Na solidariedade, se um morre, a dívida acaba ou divide só a parte dele"
→ ERRADO. Herdeiros entram na solidariedade.
5. ❌ "Usucapião precisa de registro para valer"
→ ERRADO. Usucapião adquire a propriedade pelo tempo, o registro só serve
para provar.
📑 RESUMO DE EMERGÊNCIA (Cola mental)
🧩 PARTE GERAL
Nulo = Ordem Pública / Eterno
Anulável = Vício / 4 anos
Decadência = Direito acaba / Conta do ato
Prescrição = Ação acaba / Conta da violação
⚖️ OBRIGAÇÕES
Solidário = Todos pagam tudo
Mora Devedor = Risco por conta dele
Compensação = Dívidas cruzadas se anulam
📝 CONTRATOS
Evicção = Perde o bem / Indeniza tudo
Benfeitorias: Necessária → Paga | Útil → Opcional | Voluptuária → Nada
Preliminar completo = Pode exigir cumprimento
🧱 COISAS
Posse = Fato | Propriedade = Direito
Usucapião Especial = 10 anos /nos embargos à execução (Art. 917). A
avaliação deve corresponder ao valor real do bem.
• Daniel Amorim: Se o valor atribuído for irrisório ou desproporcional, compromete o
direito do executado de receber o saldo remanescente ou de não ver bens
desnecessários constritos.
• Fredie Didier Jr.: A avaliação é ato técnico vinculado; discordância justifica
impugnação específica, podendo o juiz nomear avaliador especializado.
• Humberto Theodoro Júnior: O princípio da proporcionalidade exige que a penhora
seja suficiente, mas nunca excessiva em relação ao débito.
Questão 19 – Embargos à Execução
Prova: 36º Exame OAB | FGV
Nos embargos à execução, o devedor discute a existência da dívida, alegando que o
contrato que embasa o título é nulo de pleno direito. Tal alegação:
A) Não pode ser feita; embargos só tratam de matéria processual
B) É cabível; pode-se arguir qualquer causa extintiva, modificativa ou impeditiva do
direito do exequente
C) Só é possível se o título for extrajudicial; se judicial, só cabe ação rescisória
D) Não cabe, pois a execução é baseada em título que presume certeza
Comentários:
• Fredie Didier Jr.: Os embargos à execução são meio de defesa ampla, permitindo
discutir tudo o que possa obstar, modificar ou extinguir a execução, inclusive a validade
ou eficácia do próprio título, desde que não haja coisa julgada sobre a matéria (Art.
917).
• Daniel Amorim: Diferente da impugnação ao cumprimento de sentença, que é
restrita, os embargos atacam o próprio fundamento da execução.
• Humberto Theodoro Júnior: A presunção de certeza e liquidez do título é relativa;
pode ser desconstituída via embargos.
• Teresa Arruda Alvim: Se o título for sentença transitada em julgado, a alegação de
nulidade só cabe via ação rescisória, mas se for extrajudicial, toda matéria de mérito
pode ser discutida em embargos.
Questão 20 – Suspensão e Extinção da Execução
Prova: 34º Exame OAB | FGV
A execução será suspensa, e não extinta, quando:
A) O devedor pagar integralmente a dívida
B) For concedida moratória ou quando as partes acordarem a suspensão
C) O credor renunciar ao crédito
D) O devedor obtiver remissão da dívida
Comentários:
• Humberto Theodoro Júnior: Art. 921 lista os casos de suspensão: moratória, acordo
das partes, insuficiência de bens, pendência de embargos com efeito suspensivo, etc.
Diferente da extinção, a suspensão significa parada temporária, podendo retomar.
• Teresa Arruda Alvim: Pagamento, remissão, novação ou renúncia causam a extinção,
pois acabam com a obrigação. Suspensão mantém a obrigação, apenas paralisa o
processo.
• Fredie Didier Jr.: Na suspensão, o prazo de prescrição continua correndo, salvo
disposição em contrário.
• Daniel Amorim: Após o fim do motivo da suspensão, o processo retoma seu curso
normal.
BLOCO 5 – COISA JULGADA (21–25)
Questão 21 – Conceito e Limites Objetivos
Prova: 43º Exame OAB | FGV
Sobre a coisa julgada, é correto afirmar que ela:
A) Alcança todos os fatos alegados e provados, mesmo que não tenham sido objeto de
decisão
B) Atinge apenas o pedido e a causa de pedir, não podendo ultrapassar os limites do
que foi decidido
C) Incide também sobre questões preliminares ou prejudiciais, mesmo que não
resolvam o mérito
D) Pode ser alegada de ofício pelo juiz em qualquer tempo e grau de jurisdição
Comentários:
• Daniel Amorim: Art. 504 CPC: A coisa julgada só abrange o que foi efetivamente
decidido sobre o pedido, com base na causa de pedir deduzida. Não há julgamento
"por tabela", fora dos limites da demanda.
• Teresa Arruda Alvim: Questões preliminares só recebem coisa julgada se forem
decididas de forma expressa e necessária para o julgamento do mérito; do contrário,
são provisórias.
• Fredie Didier Jr.: Princípio da congruência ou correlação: o juiz decide conforme o
que foi pedido, e o que se torna imutável é apenas essa decisão.
• Humberto Theodoro Júnior: Coisa julgada é efeito da sentença, limitada ao
dispositivo e à causa que o fundamentou.
Questão 22 – Coisa Julgada e Questões Preliminares
Prova: 41º Exame OAB | FGV
Juiz reconheceu a prescrição e extinguiu o processo sem resolução do mérito.
Posteriormente, o autor propõe nova ação alegando causa de interrupção do prazo. O
réu alega coisa julgada. A alegação é:
A) Procedente, pois a prescrição foi decidida
B) Improcedente, pois a extinção sem mérito não gera coisa julgada sobre o direito
C) Procedente, pois prescrição é matéria de ordem pública
D) Improcedente apenas se houver prova de fato novo
Comentários:
• Fredie Didier Jr.: Art. 505 CPC: A sentença que extingue o processo sem resolução do
mérito (como prescrição, decadência, ilegitimidade) não impede que a parte proponha
nova ação, desde que sanado o vício ou modificada a situação. Não há coisa julgada
material sobre o direito.
• Humberto Theodoro Júnior: A coisa julgada material só existe quando se decide o
mérito (Art. 487). Decisões sem mérito geram apenas coisa julgada formal (não cabem
mais recursos), mas não impedem nova demanda.
• Daniel Amorim: A prescrição é obstáculo ao exercício da ação, não juízo sobre a
existência ou não do direito.
• Teresa Arruda Alvim: Nova ação é possível, até para discutir a mesma dívida, se
houver fato que afaste a prescrição reconhecida antes.
Questão 23 – Ação Rescisória
Prova: 39º Exame OAB | FGV
É cabível ação rescisória para desconstituir sentença transitada em julgado:
A) Sempre que a parte discordar da interpretação dada pelo juiz
B) Quando for constatada violação a literal disposição de lei, ou erro de fato, ou prova
falsa, entre outros casos taxativos
C) Para corrigir qualquer erro de julgamento, dentro do prazo de 2 anos
D) Mesmo que já tenha sido objeto de recurso especial ou extraordinário
Comentários:
• Teresa Arruda Alvim: A rescisão é ação de exceção, com hipóteses taxativas no Art.
966. Não serve para reapreciar o mérito ou corrigir simples erro de julgamento, mas
sim para atacar vícios graves que maculam a própria validade da decisão.
• Humberto Theodoro Júnior: Violação à lei, erro de fato, prova falsa, coação, etc., são
os únicos motivos. Prazo é de 2 anos, contados do trânsito.
• Fredie Didier Jr.: Se houve recurso anterior que analisou a matéria, não cabe rescisão
sobre o mesmo ponto. Destina-se a limpar o processo de vícios insanáveis por
recursos.
• Daniel Amorim: Não é uma "terceira instância", mas sim instrumento de correção de
nulidades ou injustiças fundamentais.
Questão 24 – Limite Subjetivo
Prova: 37º Exame OAB | FGV
A coisa julgada vincula apenas as partes que participaram do processo. Diante disso, é
correto afirmar:
A) Nunca atinge terceiros, em nenhuma hipótese
B) Atinge sucessores a título universal ou singular, e também terceiros em casos como
litisconsórcio necessário ou ação de estado
C) Sempre atinge todos, pois a lei é igual para todos
D) Atinge terceiros apenas se fore parentes das partes
Comentários:
• Daniel Amorim: Regra geral: efeito inter partes (Art. 506). Mas há exceções legais:
sucessores, litisconsortes necessários, ações de estado civil, ações reais, onde a decisão
vale erga omnes ou contra terceiros.
• Fredie Didier Jr.: O princípio é que ninguém pode ser prejudicado por processo que
não participou, mas a lei estende efeitos em situações onde o direito é oponível a
todos ou a relação é comum.
• Humberto Theodoro Júnior: Sucessores recebem o direito como era, com os ônus e
vantagens, incluindo a coisa julgada.
• Teresa Arruda Alvim: Em ações que tratam de direitos absolutos (propriedade,
estado), a decisão tem eficácia contra todos.
Questão 25 – Coisa Julgada Técnica
Prova:35º Exame OAB | FGV
Juiz decide incidentalmente sobre a validade de um contrato para poder julgar o
pedido principal. Essa decisão incidental:
A) Gera coisa julgada plena, como se fosse o mérito
B) Não gera coisa julgada técnica, salvo se houver requerimento de ambas as partes
C) Sempre vincula em outro processo
D) É definitiva e imutável
Comentários:
• Fredie Didier Jr.: A coisa julgada técnica (ou incidental) só ocorre quando a lei
determina expressamente que a decisão sobre questão prévia ou prejudicial valerá
para todos os efeitos. Fora disso, a decisão incidental serve apenas para aquele
processo (Art. 503).
• Teresa Arruda Alvim: Regra geral: o que se decide só para servir de fundamento não
se torna imutável. Coisa julgada só no dispositivo.
• Daniel Amorim: Evita-se que uma decisão acessória crie direitos definitivos fora do
objeto da lide.
• Humberto Theodoro Júnior: A imutabilidade segue o pedido; o resto é apenas
motivação, que não vincula fora daquela causa.
BLOCO 6 – COMPETÊNCIA (26–30)
Questão 26 – Competência Absoluta vs Relativa
Prova: 42º Exame OAB | FGV
Sobre a competência, é correto afirmar:
A) Regra geral é absoluta; relativa é exceção
B) Competência absoluta é de ordem pública, pode ser alegada de ofício e não se
modifica por prorrogação
C) Competência relativa não pode ser modificada por convenção das partes
D) A incompetência absoluta gera apenas nulidade relativa
Comentários:
• Humberto Theodoro Júnior: Art. 63 e 64: Absoluta = ordem pública, fixada por valor,
matéria ou função territorial especial; não se prorroga, juiz declara de ofício, nulidade
absoluta. Relativa = regra geral (foro do réu), pode ser prorrogada, só se argui por
exceção ou preliminar.
• Teresa Arruda Alvim: A distinção é crucial: absoluta visa o interesse público na
organização do Judiciário; relativa visa conveniência das partes.
• Fredie Didier Jr.: Prorrogação ocorre quando réu não alega incompetência relativa no
momento
Continuação: Questões 26 a 35 – Direito Processual Civil
Tema: Competência | Tutela Provisória e Recursos (avançado)
Comentários: Fredie Didier Jr., Daniel Amorim Assumpção Neves, Humberto Theodoro
Júnior, Teresa Arruda Alvim
Base: CPC/2015 | Provas aplicadas FGV | Nível Complexo
BLOCO 6 – COMPETÊNCIA (26–30)
Questão 26 – Competência Absoluta vs Relativa
Prova: 42º Exame OAB | FGV
Sobre a competência, é correto afirmar:
A) Regra geral é absoluta; relativa é exceção
B) Competência absoluta é de ordem pública, pode ser alegada de ofício e não se
modifica por prorrogação
C) Competência relativa não pode ser modificada por convenção das partes
D) A incompetência absoluta gera apenas nulidade relativa
Comentários:
• Humberto Theodoro Júnior: Art. 63 e 64 CPC: Absoluta é fixada em razão de matéria,
valor ou função; regras de organização do Estado, indisponíveis. Relativa é regra geral
(foro do réu), disponível, podendo haver prorrogação se réu não alegar.
• Teresa Arruda Alvim: Incompetência absoluta = nulidade absoluta, pode ser
declarada até em grau de recurso. Relativa = nulidade relativa, só argúivel em
preliminar de contestação.
• Fredie Didier Jr.: Prorrogação é instituto próprio da competência relativa; nas
absolutas, mesmo que as partes concordem, juiz não pode atuar.
• Daniel Amorim: Convenção de competência só vale para relativa, nunca para
absoluta.
Questão 27 – Competência Territorial e Contratual
Prova: 40º Exame OAB | FGV
Em contrato de compra e venda, as partes estabeleceram cláusula elegendo o foro da
cidade do vendedor para dirimir quaisquer dúvidas. Posteriormente, comprador ajuíza
ação no foro do seu domicílio. Tal atitude é:
A) Válida, pois foro do réu é regra geral
B) Inválida, pois é permitida eleição de foro, desde que não seja competência absoluta
C) Válida, pois cláusula de eleição só vale se for por escrito
D) Inválida, pois só pode eleger foro do local do contrato
Comentários:
• Daniel Amorim: Art. 66 CPC: É lícita a convenção de competência para causas
patrimoniais e que envolvam competência relativa. A cláusula é válida e vincula as
partes, afastando o foro geral.
• Fredie Didier Jr.: A eleição deve ser clara e por escrito, mas uma vez firmada,
prevalece sobre as regras gerais de territorialidade.
• Humberto Theodoro Júnior: Não pode, porém, afastar competência de foro especial
obrigatório ou absoluto (ex: imóvel no local da situação).
• Teresa Arruda Alvim: A liberdade das partes é respeitada, pois se trata de direito
disponível.
Questão 28 – Foro de Situação do Imóvel
Prova: 38º Exame OAB | FGV
Ação que discute propriedade de terreno localizado em outra comarca, diferente do
domicílio do autor e do réu. A competência é:
A) Do foro do réu, regra geral
B) Do foro do autor, pois é quem propõe
C) Do foro da situação do imóvel, competência absoluta
D) De qualquer um, a escolha do autor
Comentários:
• Teresa Arruda Alvim: Art. 47 CPC: Nas ações que versam sobre direitos reais
imobiliários, a competência é absoluta e determinada pelo local onde o bem está
situado. Visa facilitar prova, vistoria e execução.
• Humberto Theodoro Júnior: É regra de ordem pública; não pode ser alterada por
convenção ou prorrogação.
• Fredie Didier Jr.: Diferente de ações pessoais, que seguem o réu, as ações reais
seguem o bem.
• Daniel Amorim: Mesmo que ambas as partes aceitem outro foro, o juiz deve declarar-
se incompetente.
Questão 29 – Conflito de Competência
Prova: 36º Exame OAB | FGV
Dois juízes se declaram competentes para julgar a mesma causa. Forma de resolução é:
A) Cada um julga sua parte
B) Conflito positivo de competência, resolvido pelo tribunal comum a ambos
C) Quem recebeu primeiro decide
D) Autor escolhe qual sentença vale
Comentários:
• Fredie Didier Jr.: Art. 88 e 94 CPC: Conflito positivo ocorre quando dois juízes se
consideram competentes; negativo, quando ambos se consideram incompetentes.
Resolução pelo órgão superior comum.
• Daniel Amorim: Não cabe às partes decidir; o tribunal define qual juiz deve atuar para
evitar decisões contraditórias.
• Humberto Theodoro Júnior: Durante o conflito, o processo fica suspenso, podendo
apenas realizar medidas urgentes.
• Teresa Arruda Alvim: Finalidade: garantir unidade e coerência na prestação
jurisdicional.
Questão 30 – Competência Internacional
Prova: 34º Exame OAB | FGV
Brasileiro deseja propor ação contra estrangeiro que não reside no Brasil, mas tem
bens no território nacional. Sobre a competência da Justiça Brasileira:
A) Nunca é competente
B) É competente, com base na existência de bens ou outros casos legais
C) Só vale se tratado internacional autorizar
D) Só se estrangeiro aceitar
Comentários:
• Humberto Theodoro Júnior: Art. 21 e 22 CPC: Justiça brasileira é competente em
casos expressos, inclusive quando o réu, embora não residente, tem bens aqui, ou
quando a obrigação deve ser cumprida no Brasil.
• Teresa Arruda Alvim: A competência internacional é definida por lei, visando proteger
direitos de quem está sob nossa jurisdição ou tem vínculo com o país.
• Fredie Didier Jr.: Independente de tratado, a lei interna fixa as hipóteses em que o
Estado exerce jurisdição.
• Daniel Amorim: Não depende de anuência do estrangeiro; é regra de soberania.
BLOCO 7 – TUTELA PROVISÓRIA E RECURSOS (31–35)
Questão 31 – Tutela de Evidência – Hipóteses Específicas
Prova: 43º Exame OAB | FGV
É cabível tutela de evidência, independente de perigo de dano, quando:
A) O pedido for de valor baixo
B) Os fatos estiverem provados apenas por documento particular
C) Houver prova documentalinequívoca, ou reconhecimento do fato, ou entendimento
repetido de tribunais
D) A causa for contra o Poder Público
Comentários:
• Daniel Amorim: Art. 311 CPC: Hipóteses taxativas: prova inequívoca, fato
incontroverso, entendimento consolidado em súmula ou repetitivo. Dispensa o
periculum in mora.
• Fredie Didier Jr.: A tutela de evidência não é sobre urgência, mas sobre a clareza do
direito. Se o direito é certo, pode ser antecipado mesmo sem risco de demora.
• Teresa Arruda Alvim: É medida de efetividade: se o resultado final já é óbvio, não há
razão para esperar o fim do processo.
• Humberto Theodoro Júnior: Aplica-se especialmente em casos de jurisprudência
pacífica, para evitar recursos protelatórios.
Questão 32 – Recurso Extraordinário – Repercussão Geral
Prova: 41º Exame OAB | FGV
Recurso Extraordinário só será admitido se:
A) Toda matéria for discutida
B) Houver ofensa à Constituição e repercussão geral reconhecida
C) A decisão for contrária a lei federal
D) O valor da causa for elevado
Comentários:
• Teresa Arruda Alvim: Art. 1.035 CPC: Requisitos: ofensa à Constituição Federal e
existência de repercussão geral (questão relevante que ultrapassa o interesse das
partes). Sem repercussão, recurso não sobe.
• Fredie Didier Jr.: É mecanismo de filtro para o STF julgar apenas o que é fundamental
para o ordenamento jurídico.
• Humberto Theodoro Júnior: Diferencia-se do Especial (lei federal) e visa uniformizar
interpretação constitucional.
• Daniel Amorim: O exame de repercussão geral é preliminar; se negado, recurso não é
conhecido.
Questão 33 – Embargos de Divergência
Prova: 39º Exame OAB | FGV
Cabe embargos de divergência:
A) Sempre que discordar do julgamento
B) Quando acórdão de turma ou câmara divergir de outro do mesmo tribunal ou
súmula
C) Contra decisão de primeiro grau
D) Apenas no Superior Tribunal de Justiça
Comentários:
• Fredie Didier Jr.: Art. 1.046 CPC: Cabem nos tribunais, para uniformizar
jurisprudência, quando houver divergência entre órgãos fracionados sobre a mesma
questão de direito.
• Daniel Amorim: Não serve para reexaminar fatos, mas para harmonizar
entendimentos dentro do mesmo tribunal.
• Humberto Theodoro Júnior: São recurso interno, de fundamentação vinculada à
demonstração da divergência.
• Teresa Arruda Alvim: Pressupõe existência de julgados distintos sobre o mesmo tema
e hipótese fática.
Questão 34 – Ordem dos Recursos / Efeito Suspensivo
Prova: 37º Exame OAB | FGV
Apelação contra sentença que extingue o processo sem resolução de mérito tem:
A) Apenas efeito devolutivo
B) Efeito suspensivo e devolutivo
C) Nenhum efeito
D) Depende do valor da causa
Comentários:
• Humberto Theodoro Júnior: Art. 1.012, §1º CPC: Sentenças que extinguem processo
sem mérito, ou que indeferem inicial, recebem efeito suspensivo na apelação, pois se
executadas imediatamente, esvaziariam o direito de recorrer.
• Teresa Arruda Alvim: Regra geral é devolutivo, mas excepcionalmente suspensivo em
casos onde a execução imediata torna inútil a reforma futura.
• Fredie Didier Jr.: É proteção ao recorrente contra prejuízo irreparável pela própria
extinção do processo.
• Daniel Amorim: Diferente de sentença condenatória, que permite execução
provisória.
Questão 35 – Desistência do Recurso
Prova: 35º Exame OAB | FGV
Interposto recurso, a parte desiste de seu seguimento. Consequência:
A) Necessita concordância da parte contrária
B) Independe de concordância; recurso é retirado e decisão fica definitiva
C) Só vale antes de distribuir
D) Juiz pode negar
Comentários:
• Daniel Amorim: Art. 998 CPC: A desistência de recurso é direito potestativo de quem
recorreu; independe de aceitação do adversário. Uma vez manifestada, torna a decisão
transitada em julgado naquilo que foi impugnado.
• Fredie Didier Jr.: É exercício de disponibilidade do direito de recorrer; não se pode
obrigar ninguém a manter recurso.
• Humberto Theodoro Júnior: Produz efeitos imediatos, não há que se falar em
concordância.
• Teresa Arruda Alvim: Não confundir com desistência da ação, que tem regras
diferentes.
30 Questões OAB – Direito Processual Civil
Temas: Petição Inicial | Provas | Resposta do Réu
Comentários: Fredie Didier Jr., Daniel Amorim Assumpção Neves, Humberto Theodoro
Júnior, Teresa Arruda Alvim
Base: CPC/2015 | Provas aplicadas FGV | Nível Complexo
BLOCO 1 – PETIÇÃO INICIAL (1–10)
Questão 1 – Requisitos Essenciais e Emenda
Prova: 45º Exame OAB | FGV
A petição inicial não continha indicação correta do endereço do réu, tornando
impossível a citação. Diante disso, o juiz deve:
A) Indeferir de imediato, pois é defeito insanável
B) Intimar o autor para emendar ou completar, em 15 dias, sob pena de indeferimento
C) Determinar que o réu informe seu endereço ao ser citado
D) Arquivar o feito, sem qualquer providência
Comentários:
• Fredie Didier Jr.: Art. 321 CPC: defeitos ou irregularidades → intimação para
emendar/completar em 15 dias. Só indeferir se não cumprir ou se for impossível sanar.
É regra de saneamento, não de rejeição imediata.
• Daniel Amorim: Requisitos são formais; falhas sanáveis não justificam extinção. O
objetivo é permitir o acesso à justiça, não obstáculos.
• Humberto Theodoro Júnior: Indeferimento é medida excepcional, só cabível após
oportunidade de correção.
• Teresa Arruda Alvim: Endereço é requisito essencial, mas falta não é causa
automática de rejeição.
Questão 2 – Documentos Indispensáveis
Prova: 43º Exame OAB | FGV
Autor propôs ação de cobrança, mas não juntou o contrato que embasa o pedido. Juiz
deve:
A) Indeferir, por falta de prova pré-constituída
B) Intimar para juntar em 5 dias; se não juntar, indeferir
C) Receber a inicial, podendo o documento ser apresentado na fase de provas
D) Mandar buscar o documento de ofício
Comentários:
• Daniel Amorim: Art. 320 + 321: documentos indispensáveis devem vir com a inicial.
Falta → emenda em 5 dias. Se não cumprir → indeferimento.
• Fredie Didier Jr.: Indispensável = sem ele não se pode julgar ou verificar legitimidade.
Contrato em cobrança é exemplo clássico.
• Teresa Arruda Alvim: Não é qualquer documento, só o que é necessário para
existência válida da ação.
• Humberto Theodoro Júnior: Diferente de provas que se produzem depois; esses já
existem e devem vir desde o início.
Questão 3 – Pedido Certo e Determinado
Prova: 41º Exame OAB | FGV
Na petição inicial, autor pediu “condenação do réu ao pagamento do valor que for
apurado em liquidação”. Essa formulação é:
A) Válida, pois liquidação é fase permitida
B) Inválida, pois pedido deve ser certo e determinado, salvo exceções legais
C) Válida, sempre que o valor depender de cálculo complexo
D) Inválida, só pode pedir valor exato
Comentários:
• Humberto Theodoro Júnior: Art. 322: pedido deve ser certo, determinado e
compatível com os fatos. Exceção: quando por natureza ou complexidade não se pode
definir logo (ex: danos futuros). Aqui, não há justificativa.
• Fredie Didier Jr.: Princípio da correlação: sentença não pode ir além do pedido, então
ele deve ser definido.
• Daniel Amorim: Liquidação serve para apurar valor, mas o pedido principal deve ser
claro sobre o que se quer.
• Teresa Arruda Alvim: Formulação genérica viola segurança jurídica e defesa.
Questão 4 – Indeferimento da Inicial – Recurso Cabível
Prova: 39º Exame OAB | FGV
Juiz indeferiu a petição inicial por incompetência absoluta. Contra essa decisão cabe:
A) Embargos de Declaração
B) Apelação
C) Agravo de Instrumento
D) Nenhum recurso, é definitivaComentários:
• Teresa Arruda Alvim: Art. 1.009: decisões que extinguem o processo ou indeferem
inicial → Apelação. Agravo só para decisões interlocutórias durante o processo.
• Fredie Didier Jr.: Indeferimento é decisão terminativa, põe fim à instância, logo via é
apelação.
• Daniel Amorim: Mesmo que o fundamento seja incompetência, o recurso continua
sendo apelação.
• Humberto Theodoro Júnior: Regra geral: termina o processo → apelação; decide algo
no meio → agravo.
Questão 5 – Cumulação de Pedidos – Requisitos
Prova: 37º Exame OAB | FGV
Autor quis cumular pedido de indenização por danos morais e pedido de rescisão
contratual. É permitido?
A) Não, pois são matérias diferentes
B) Sim, desde que haja conexão, mesma competência e mesma forma de processo
C) Sim, sempre, sem requisitos
D) Não, pois um é condenatório e outro é constitutivo
Comentários:
• Fredie Didier Jr.: Art. 327: cumulação é possível se: conexão entre os pedidos, mesmo
juízo competente e mesmo procedimento.
• Daniel Amorim: Conexão = mesma origem ou causa de pedir. Aqui, ambos vêm do
mesmo contrato → permitido.
• Humberto Theodoro Júnior: Objetivo: economia processual e evitar decisões
contraditórias.
• Teresa Arruda Alvim: Natureza da ação não impede, desde que preenchidos
requisitos legais.
Questão 6 – Valor da Causa – Critério
Prova: 44º Exame OAB | FGV
Autor pede indenização de R$ 50 mil, mas deu à causa valor de R$ 10 mil. Juiz deve:
A) Aceitar, pois é faculdade do autor
B) Intimar para retificar, pois deve corresponder ao proveito econômico
C) Fixar valor correto de ofício
D) Indeferir por erro grave
Comentários:
• Daniel Amorim: Art. 292: valor da causa = valor econômico pretendido. Deve
corresponder ao pedido. Erro → emenda; se não corrigir, juiz fixa.
• Fredie Didier Jr.: Define competência, custas e recursos. Não pode ser arbitrário.
• Teresa Arruda Alvim: Não é mera formalidade; tem consequências práticas
importantes.
• Humberto Theodoro Júnior: Autor pode indicar, mas está vinculado ao critério legal.
Questão 7 – Alteração do Pedido ou Causa de Pedir
Prova: 42º Exame OAB | FGV
Depois da contestação, autor quer mudar o pedido e os fatos alegados. É possível?
A) Nunca, depois de contestada está estável
B) Sim, se o réu concordar e não houver prejuízo
C) Sim, sempre, até sentença
D) Sim, só antes da citação
Comentários:
• Humberto Theodoro Júnior: Art. 329: antes da citação → livre alteração. Depois da
contestação → só com concordância do réu e sem prejuízo ao andamento.
• Fredie Didier Jr.: Princípio da estabilidade da demanda: após defesa, não se muda
sem acordo.
• Daniel Amorim: Protege o réu, que já se defendeu com base nos fatos originais.
• Teresa Arruda Alvim: Exceção: se a alteração for apenas de valor ou forma, pode ser
permitida.
Questão 8 – Desistência da Ação
Prova: 40º Exame OAB | FGV
Depois de citado e contestado, autor pede desistência. Réu se opõe. Juiz deve:
A) Deferir, pois desistência é direito do autor
B) Indeferir, pois após resposta precisa concordância do réu
C) Deferir, mas condena em custas
D) Indeferir, só pode desistir antes da citação
Comentários:
• Teresa Arruda Alvim: Art. 485, §4º: antes da citação → desiste livremente. Depois de
citação → depende de concordância do réu.
• Fredie Didier Jr.: Réu já despendeu trabalho e despesas; tem interesse em ver o
processo julgado.
• Daniel Amorim: Não é mais poder absoluto do autor; há contraparte envolvida.
• Humberto Theodoro Júnior: Regra essencial: depois de formada relação processual,
desistência depende de aceite.
Questão 9 – Rejeição Liminar – Hipóteses
Prova: 38º Exame OAB | FGV
Qual hipótese autoriza indeferir inicial logo de cara, sem emenda?
A) Pedir valor acima do teto do juizado
B) Pedido juridicamente impossível ou manifestamente ilegal
C) Falta de documento complementar
D) Endereço incompleto
Comentários:
• Fredie Didier Jr.: Art. 330: indeferimento liminar sem emenda só quando: pedido
impossível, causa de pedir sem amparo legal ou parte ilegítima manifesta. O resto →
emenda.
• Daniel Amorim: Erros sanáveis têm prioridade de correção; só erros insuperáveis ou
ilegais geram rejeição imediata.
• Humberto Theodoro Júnior: Impossibilidade jurídica = o direito não prevê o que se
pede.
• Teresa Arruda Alvim: Ex: pedir indenização por dano que a lei não considera.
Questão 10 – Conexão e Continência
Prova: 36º Exame OAB | FGV
Duas ações propostas por pessoas diferentes, mas sobre o mesmo contrato e mesmos
fatos. Deve haver:
A) Julgamento separado
B) Reunião para julgamento conjunto
C) Extinção de uma delas
D) Suspensão de uma
Comentários:
• Daniel Amorim: Art. 55: conexão = mesma causa de pedir ou objeto → reunião para
evitar decisões opostas.
• Fredie Didier Jr.: Continência = uma está contida na outra; também reúne.
• Teresa Arruda Alvim: Regra de economia e segurança jurídica.
• Humberto Theodoro Júnior: Juiz pode determinar reunião de ofício ou a pedido.
BLOCO 2 – PROVAS (11–20)
Questão 11 – Ônus da Prova – Regra Geral
Prova: 45º Exame OAB | FGV
Autor alega que pagou a dívida; réu diz que não. Quem deve provar o pagamento?
A) Réu, pois nega o fato
B) Autor, pois alega fato extintivo de direito
C) Ambos, cada um prova o que diz
D) Juiz decide quem prova
Comentários:
• Humberto Theodoro Júnior: Art. 373: autor prova fatos constitutivos; réu prova fatos
impeditivos, modificativos ou extintivos. Pagamento é fato extintivo → quem alega,
prova.
• Fredie Didier Jr.: Regra clássica: onus probandi incumbit ei qui dicit.
• Daniel Amorim: Quem traz o fato novo que muda a regra, tem de prová-lo.
• Teresa Arruda Alvim: Não importa quem é autor ou réu, importa qual fato se alega.
Questão 12 – Prova Documental – Juntada Oportuna
Prova: 43º Exame OAB | FGV
Autor só juntou documento essencial depois de encerrada a fase de provas. Juiz deve:
A) Receber sempre, pois prova é verdade
B) Não receber, salvo motivo justo ou fato novo
C) Receber, mas multa o autor
D) Receber e dar vista ao réu
Comentários:
• Teresa Arruda Alvim: Art. 434: documentos devem vir com inicial ou contestação.
Depois, só se: motivo justo, não podia apresentar antes ou é fato novo.
• Fredie Didier Jr.: Princípio da tempestividade: não se pode surpreender a outra parte
no final.
• Daniel Amorim: Prova tardia só por exceção; não é livre.
• Humberto Theodoro Júnior: Justificativa rigorosa, senão não aceita.
Questão 13 – Confissão – Natureza e Efeitos
Prova: 41º Exame OAB | FGV
Réu confessou os fatos na contestação, mas depois quer voltar atrás. É possível?
A) Nunca, é irrevogável
B) Sim, só se provar erro, coação ou vício de vontade
C) Sim, sempre, até sentença
D) Não, mas pode provar o contrário
Comentários:
• Fredie Didier Jr.: Art. 389: confissão é declaração de reconhecimento de fato. Só se
desfaz se provar que houve erro, dolo, coação ou vício; ou se o fato confessado for
indisponível.
• Daniel Amorim: É prova forte, mas não absoluta.
• Humberto Theodoro Júnior: Se for fato disponível, vale o que se disse.
• Teresa Arruda Alvim: Não pode mudar só porque se arrependeu.
Questão 14 – Prova Testemunhal – Impedimentos
Prova: 39º Exame OAB | FGV
Podem depor como testemunha:
A) Cônjuge, contra a vontade de um dos cônjuges
B) Menor de 16 anos, sempre
C) Amigo íntimo, salvo suspeição
D) Advogado da parte sobre o que ouviu no exercício da profissão
Comentários:
• Daniel Amorim: Art. 447: impedidos: menores de 16, quem não pode entender o
fato,advogado sobre segredo profissional, cônjuge contra vontade. Amigos podem, só
têm suspeição, não impedimento.
• Fredie Didier Jr.: Impedimento = não pode de jeito nenhum; suspeição = pode, mas
valor da prova é menor.
• Teresa Arruda Alvim: Amizade não tira capacidade de depor.
• Humberto Theodoro Júnior: Regra: capacidade e independência.
Continuação: Questões 15 a 30 – Direito Processual Civil
Temas: Provas | Resposta do Réu
Comentários: Fredie Didier Jr., Daniel Amorim Assumpção Neves, Humberto Theodoro
Júnior, Teresa Arruda Alvim
Base: CPC/2015 | Provas aplicadas FGV | Nível Complexo
BLOCO 2 – PROVAS (Continuação: 15–20)
Questão 15 – Perícia – Indeferimento
Prova: 37º Exame OAB | FGV
Juiz indeferiu pedido de perícia técnica formulado pela parte, sob o fundamento de
que os fatos alegados já se encontravam suficientemente provados por documentos e
depoimentos, não havendo necessidade de conhecimento especializado para o
julgamento. Essa decisão é:
A) Inválida, pois a perícia é direito subjetivo da parte sempre que requerida
B) Válida, pois o juiz pode indeferir provas desnecessárias, impertinentes ou
meramente protelatórias
C) Inválida, pois só pode indeferir se houver risco de custo excessivo ou demora
D) Válida, pois a perícia só é cabível em ações de valor elevado
Comentários:
• Humberto Theodoro Júnior: Art. 464 CPC: A perícia tem lugar quando o fato
controvertido depende de conhecimento técnico, científico ou artístico. Se o fato é do
domínio comum ou já provado por outros meios, é desnecessária, cabendo
indeferimento.
• Fredie Didier Jr.: Juiz é o destinatário da prova e tem poder discricionário sobre sua
necessidade; não é obrigado a deferir tudo o que é pedido. Princípio da pertinência e
utilidade.
• Daniel Amorim: A prova deve ter finalidade. Se não serve para mudar o
convencimento, pode ser rejeitada.
• Teresa Arruda Alvim: Essa é uma das questões mais cobradas: Juiz não é espectador,
é condutor do processo.
Questão 16 – Prova Emprestada
Prova: 45º Exame OAB | FGV
Em processo entre A e B, foi produzida prova documental relevante. Posteriormente,
surge nova ação entre A e C sobre a mesma matéria. A parte A pede que seja
aproveitada a prova produzida no processo anterior. Tal pedido é:
A) Improcedente, pois prova é exclusiva do processo onde foi feita
B) Procedente, desde que haja oportunidade de contraditório para a parte C
C) Improcedente, pois viola o princípio da identidade física do juiz
D) Procedente, independentemente de qualquer condição
Comentários:
• Daniel Amorim: Art. 370, parágrafo único: Admite-se a prova emprestada, produzida
em outro processo, desde que seja oportunizado à parte contrária o exercício do
contraditório, para impugnar, questionar ou complementar.
• Fredie Didier Jr.: Prova é um meio de demonstração da verdade, não pertence a
ninguém. O limite é o direito de defesa de quem não participou daquela produção
anterior.
• Teresa Arruda Alvim: É forma de economia processual, mas subordina-se à garantia
constitucional do contraditório.
• Humberto Theodoro Júnior: Sem o contraditório, a prova é nula em relação ao novo
processo.
Questão 17 – Depoimento Pessoal – Efeitos da Recusa
Prova: 42º Exame OAB | FGV
Determinado o depoimento pessoal das partes, o réu devidamente intimado não
compareceu, nem apresentou justificativa plausível. Consequência legal:
A) Nenhuma, pois ninguém é obrigado a depor contra si mesmo
B) Presunção de veracidade dos fatos alegados pelo autor
C) Multa de 10% sobre o valor da causa
D) Juiz tira conclusão que quiser, sem regra definida
Comentários:
• Teresa Arruda Alvim: Art. 385 CPC: Se a parte, intimada para depor pessoalmente,
não comparece ou se recusa a depor, incide a presunção de veracidade dos fatos
alegados pela parte contrária, relativos ao seu depoimento.
• Fredie Didier Jr.: Não é sanção arbitrária; decorre da lógica: se você não vem explicar
o que sabe, aceita o que o outro disse.
• Humberto Theodoro Júnior: A regra não ofende a garantia de não se autoincriminar,
pois ela vale apenas em processo penal. No cível, o depoimento é dever processual.
• Daniel Amorim: É uma presunção iuris tantum, pode ser afastada por outras provas.
Questão 18 – Prova Digital – Validade
Prova: 40º Exame OAB | FGV
Para que mensagens de aplicativo de conversa, armazenadas em celular, tenham
validade como prova documental em processo judicial, é necessário:
A) Reconhecimento de firma por cartório
B) Que sejam originais, sendo vedada a cópia
C) Demonstração da autoria e integridade, podendo ser por perícia ou concordância da
parte
D) Nenhuma prova digital tem validade, devendo ser feita por escrito
Comentários:
• Fredie Didier Jr.: Art. 422-A e 425 CPC: Prova digital tem o mesmo valor que a
documental. O essencial é provar quem disse (autoria) e que o conteúdo não foi
alterado (integridade).
• Daniel Amorim: Não precisa de cartório. Vale a cópia, desde que haja segurança de
que corresponde ao original.
• Humberto Theodoro Júnior: O juiz aprecia conforme as regras da experiência e do
conhecimento técnico disponível.
• Teresa Arruda Alvim: A lei evoluiu; hoje é uma das provas mais comuns. Se a parte
não nega que enviou, já vale como prova.
Questão 19 – Ônus da Prova – Inversão
Prova: 38º Exame OAB | FGV
Em ação de indenização por defeito de produto, o consumidor autor alegou o dano e o
defeito. O juiz, diante da dificuldade técnica de o consumidor provar o defeito,
determinou que o fabricante réu prove que o produto foi fabricado corretamente. Tal
decisão é:
A) Inválida, pois Ônus da prova é regra fixa e não muda
B) Válida, por inversão do ônus da prova, diante da hipossuficiência e da facilidade do
réu em provar
C) Inválida, pois só cabe inversão em direito de família
D) Válida, mas apenas se houver lei especial determinando
Comentários:
• Daniel Amorim: Art. 373, §1º CPC: Permite a inversão do ônus quando, diante das
peculiaridades da causa ou da lei, a prova do fato for muito difícil ou impossível para
quem alega, mas fácil para a outra parte. É muito comum no Direito do Consumidor.
• Teresa Arruda Alvim: Critérios: hipossuficiência do autor, facilidade probatória do réu,
ou verossimilhança da alegação.
• Fredie Didier Jr.: Não é mudança de regra, mas ajuste para que a regra não se torne
injusta. O objetivo é aproximar a verdade real.
• Humberto Theodoro Júnior: O juiz não cria obrigação, apenas desloca o encargo de
provar para quem tem melhores condições.
Questão 20 – Livre Apreciação da Prova
Prova: 36º Exame OAB | FGV
Sobre o julgamento conforme o convencimento do juiz, é correto afirmar:
A) Juiz decide como quiser, sem limites
B) Juiz aprecia a prova segundo seu livre convencimento motivado, devendo indicar os
fundamentos de seu entendimento
C) Provas legais valem sempre mais que provas meramente testemunhais
D) O juiz fica obrigado ao valor pré-definido de cada tipo de prova
Comentários:
• Humberto Theodoro Júnior: Art. 371 CPC: Sistema do Livre Convencimento Motivado.
O juiz é livre para avaliar o valor e a força de cada prova, mas deve obrigatoriamente
explicar por que chegou àquela conclusão. Não é arbítrio.
• Fredie Didier Jr.: Acabou o sistema das provas tarifadas (onde lei dizia "documento
vale 2, testemunha vale 1"). Hoje vale o que o juiz entender, desde que explique.
• Teresa Arruda Alvim: A motivação é garantia constitucional. Sem explicação, a
sentença é nula.
• Daniel Amorim: O juiz forma sua convicção com base no que foi produzido nos autos,
nada mais.
BLOCO 3 – RESPOSTA DO RÉU (21–30)
Questão 21 – Formas de Resposta
Prova: 45ºExame OAB | FGV
Citado regularmente, o réu deseja se defender alegando que o contrato que embasa a
ação é nulo e, também, que já pagou o valor cobrado. Ele deve apresentar:
A) Apenas Contestação
B) Contestação com defesas de mérito, impugnação ao valor e reconvenção
C) Contestação, onde pode alegar tudo o que desfavorável ao autor, inclusive matérias
modificativas ou extintivas
D) Embargos à inicial
Comentários:
• Fredie Didier Jr.: Art. 336 e 337: A defesa principal é a Contestação. Nela o réu pode
negar, arguir nulidades, alegar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos (como
pagamento, prescrição, nulidade). É o instrumento amplo de defesa.
• Daniel Amorim: Diferente de outros códigos, no CPC/2015 tudo o que é defesa vai na
contestação, não há separação rigorosa de exceções.
• Teresa Arruda Alvim: Se não alegar na contestação, perde o direito de falar sobre
aquilo depois (preclusão).
• Humberto Theodoro Júnior: A ausência de contestação gera revelia.
Questão 22 – Revelia – Efeitos
Prova: 43º Exame OAB | FGV
Réu foi citado, mas não apresentou defesa no prazo legal. Consequência:
A) O autor ganha automaticamente, sem necessidade de provar nada
B) Operam-se os efeitos da revelia, presumindo-se verdadeiros os fatos alegados pelo
autor, salvo exceções
C) O processo é extinto sem julgamento
D) O juiz nomeia defensor para o réu
Comentários:
• Daniel Amorim: Art. 344 e 345: Revelia = ausência de defesa. Regra: presunção de
veracidade dos fatos. Mas não é sentença de mérito. O juiz ainda precisa ver se o
pedido é legal e possível.
• Humberto Theodoro Júnior: EXCEÇÕES IMPORTANTES: Não há presunção se versar
sobre direitos indisponíveis, se houver litisconsórcio necessário com réu que defendeu,
ou se a alegação do autor for totalmente improvável ou contrária a prova dos autos.
• Teresa Arruda Alvim: O réu revel sofre os efeitos, mas o juiz não pode conceder o que
é ilegal.
• Fredie Didier Jr.: É presunção relativa, pode ser afastada.
Questão 23 – Reconvenção – Requisitos
Prova: 41º Exame OAB | FGV
Na mesma ação onde é réu, a parte deseja propor pedido próprio contra o autor,
relacionado ao mesmo contrato discutido. Tal pedido é chamado de Reconvenção e:
A) Pode ser apresentado a qualquer tempo
B) Deve ser apresentado na contestação, e ter conexão com o pedido do autor
C) Independe de competência e procedimento
D) Só vale se for de valor menor que o pedido inicial
Comentários:
• Teresa Arruda Alvim: Art. 343: Reconvenção é ação nova, proposta pelo réu contra o
autor, dentro do mesmo processo. Requisitos: ser apresentada na contestação, ter
conexão com a causa principal, e ser da competência do mesmo juiz e caber no mesmo
procedimento.
• Fredie Didier Jr.: O réu vira autor da reconvenção. Serve para resolver tudo de uma
vez.
• Humberto Theodoro Júnior: Se não vier na contestação, não pode mais ser feita; terá
que ser ação separada.
• Daniel Amorim: A decisão final julga o pedido principal e a reconvenção.
Questão 24 – Impugnação ao Valor da Causa
Prova: 39º Exame OAB | FGV
Autor deu à causa valor de R$ 1.000,00, mas o valor real do que se discute é R$
10.000,00. Réu deve questionar:
A) Na contestação, como matéria de defesa
B) Em ação própria
C) Através de Impugnação ao Valor da Causa, dentro da contestação ou em peça
separada no prazo de defesa
D) Não pode questionar, valor é decisão do autor
Comentários:
• Humberto Theodoro Júnior: Art. 293 e 338: A correção do valor da causa pode ser
pedida por qualquer parte. Se o réu discordar, deve apresentar Impugnação ao Valor
da Causa dentro do prazo para contestação. Se deixar passar, aceitou o valor.
• Fredie Didier Jr.: Valor define competência e custas. Se for errado, pode mudar até
quem vai julgar.
• Daniel Amorim: É matéria preliminar. Se não arguida, preclui.
• Teresa Arruda Alvim: Não é matéria de mérito, mas de organização do processo.
Questão 25 – Defesas Processuais vs Defesas de Mérito
Prova: 37º Exame OAB | FGV
Dentre as alegações abaixo, qual é uma defesa PROCESSUAL (preliminar), e não de
mérito?
A) Alegar que já pagou a dívida
B) Alegar que o contrato é nulo
C) Alegar que o juiz não é competente ou que falta documento essencial
D) Alegar que o dano não existiu
Comentários:
• Fredie Didier Jr.: Defesas Processuais / Preliminares: atacam a existência, validade ou
regularidade do processo. Ex: incompetência, ilegitimidade, falta de documento, coisa
julgada, prescrição (algumas correntes).
• Daniel Amorim: Defesas de Mérito: atacam o próprio direito alegado. Ex: pagamento,
nulidade do negócio, inexistência de dano.
• Teresa Arruda Alvim: As preliminares devem ser alegadas antes de discutir o mérito,
sob pena de preclusão.
• Humberto Theodoro Júnior: Regra: "Questões processuais primeiro, mérito depois".
Continuação: Questões 26 a 35 – Direito Processual Civil
Tema: Resposta do Réu | Disposições Gerais e Fases Processuais
Comentários: Fredie Didier Jr., Daniel Amorim Assumpção Neves, Humberto Theodoro
Júnior, Teresa Arruda Alvim
Base: CPC/2015 | Provas aplicadas FGV | Nível Complexo
BLOCO 3 – RESPOSTA DO RÉU (Continuação: 26–30)
Questão 26 – Arguição de Incompetência Relativa
Prova: 35º Exame OAB | FGV
Réu sabe que a ação foi proposta em comarca errada, caracterizando incompetência
relativa. Ele deve alegar essa incompetência:
A) Em qualquer momento, até na apelação
B) Na contestação, como matéria preliminar; se não fizer, ocorre prorrogação da
competência
C) Não precisa alegar, pois juiz deve declarar de ofício
D) Em peça separada, fora da contestação
Comentários:
• Humberto Theodoro Júnior: Art. 64 e 337: Incompetência relativa é regra de
disponibilidade, só pode ser alegada pela parte, obrigatoriamente na contestação,
como matéria preliminar. Se silenciar, aceita o foro (prorrogação). Diferente da
absoluta, que é ordem pública e juiz declara de ofício.
• Fredie Didier Jr.: É a pegadinha clássica: Absoluta = Juiz vê / Relativa = Réu tem que
falar.
• Daniel Amorim: Se deixar passar o prazo da contestação, não pode mais reclamar,
mesmo que esteja errado o foro.
• Teresa Arruda Alvim: A prorrogação é efeito automático da inércia do réu.
Questão 27 – Reconvenção e Conexão
Prova: 44º Exame OAB | FGV
Em ação de cobrança baseada em contrato de compra e venda, o réu deseja propor
reconvenção pedindo indenização por prejuízos causados pelo descumprimento do
mesmo contrato. Tal pedido é:
A) Incabível, pois reconvenção só pode pedir valores menores
B) Cabível, pois há conexão objetiva e mesma competência
C) Incabível, pois é ação nova e deve ser proposta separadamente
D) Cabível, mas apenas se o réu renunciar ao direito de defesa
Comentários:
• Teresa Arruda Alvim: Art. 343: Reconvenção exige conexão com o pedido inicial
(mesmo fato ou relação jurídica), mesma competência e mesmo tipo de procedimento.
Aqui, ambos vêm do mesmo contrato → perfeito encaixe.
• Fredie Didier Jr.: É instrumento de economia processual: resolve-se tudo no mesmo
julgamento. O réu passa a ser autor na reconvenção.
• Daniel Amorim: Deve ser apresentada junto com a contestação. Depois, não mais.
• Humberto Theodoro Júnior: Não há hierarquia de valores; pode pedir até mais do
que o autor.
Questão 28 – Contestação e Fatos Novos
Prova: 42º Exame OAB | FGV
Depois de apresentar contestação, o réu toma conhecimento de fato novo que
modifica completamente a defesa. Ele pode alegar esse fato:
A) Não, pois contestação é ato único e definitivo
B) Sim, a qualquer tempo, desde que antes da sentença, pois fato novo não está sujeito
a preclusão
C) Sim, mas só se o juizpermitir
D) Não, só pode na contestação inicial
Comentários:
• Fredie Didier Jr.: Art. 336, parágrafo único: Fatos que surgiram ou que o réu só ficou
sabendo depois da contestação podem ser alegados a qualquer tempo, até sentença. A
preclusão só atinge o que já se sabia antes.
• Daniel Amorim: Regra: "Fato conhecido antes → só na contestação. Fato novo ou
desconhecido → pode falar depois".
• Humberto Theodoro Júnior: Impedir a alegação seria negar a própria verdade. O réu
deve provar que não conhecia antes.
• Teresa Arruda Alvim: Deve alegar assim que tomar conhecimento, para não criar
surpresa.
Questão 29 – Revelia e Direitos Indisponíveis
Prova: 40º Exame OAB | FGV
Em ação de investigação de paternidade, o réu foi citado e não apresentou defesa.
Efeitos:
A) Presumem-se verdadeiros os fatos alegados pelo autor
B) Não ocorrem efeitos da revelia, pois versam sobre direitos indisponíveis
C) Réu é considerado pai automaticamente
D) Processo acaba sem julgamento
Comentários:
• Daniel Amorim: Art. 345, I: NÃO incide a presunção de veracidade da revelia quando
a causa envolver direitos indisponíveis (estado de pessoa, família, ordem pública). O
juiz deve buscar a verdade real, independentemente da defesa.
• Teresa Arruda Alvim: É uma das exceções mais cobradas. Revelia funciona para
dívidas, contratos, danos... NÃO funciona para paternidade, casamento, capacidade.
• Fredie Didier Jr.: Mesmo calado, o réu não é considerado pai só por isso; juiz
ordenará exame de DNA e julgará conforme a prova.
• Humberto Theodoro Júnior: Interesse público prevalece sobre a inércia da parte.
Questão 30 – Deserção da Contestação
Prova: 38º Exame OAB | FGV
Réu apresentou contestação, mas deixou de recolher as custas processuais devidas no
prazo legal. Consequência:
A) Contestação é válida, mas multa de 10%
B) Contestação não é conhecida, operando-se a revelia
C) Pode pagar depois e validar
D) Juiz intimar para pagar
Comentários:
• Humberto Theodoro Júnior: Art. 1.007 + 344: O preparo (pagamento de custas) é
requisito de admissibilidade também para a contestação. Se não pagar no prazo, a peça
não é recebida, e fica caracterizada a revelia, como se não tivesse apresentado nada.
• Fredie Didier Jr.: Diferente de outros atos, aqui o pagamento é obrigatório para que a
defesa seja aceita.
• Daniel Amorim: Não há diligência para complementar; falta de pagamento = ausência
de defesa.
• Teresa Arruda Alvim: Exceto se for beneficiário da gratuidade de justiça.
BLOCO 4 – DISPOSIÇÕES GERAIS E FASES PROCESSUAIS (31–35)
Questão 31 – Pressupostos Processuais – Análise
Prova: 45º Exame OAB | FGV
Sobre os pressupostos processuais (condições para existência e validade do processo),
é correto afirmar:
A) Podem ser sanados a qualquer tempo, sem consequências
B) Juiz deve analisá-los de ofício, em qualquer grau de jurisdição, sob pena de nulidade
C) Só podem ser alegados pelas partes na contestação
D) Ausência gera apenas nulidade relativa
Comentários:
• Fredie Didier Jr.: Pressupostos processuais (jurisdição, competência, capacidade,
legitimidade, interesse) são questões de ordem pública. Art. 337 e 485: Juiz verifica de
ofício, em qualquer tempo, e se faltar, extingue o processo.
• Daniel Amorim: Não se confunde com competência relativa. Aqui, tudo é absoluto e
deve ser observado.
• Teresa Arruda Alvim: Se o juiz deixar passar um vício que devia ver, sua decisão é
nula.
• Humberto Theodoro Júnior: Não depende de alegação das partes.
Questão 32 – Saneamento do Processo
Prova: 43º Exame OAB | FGV
Após apresentação de contestação e réplica, juiz profere decisão resolvendo todas as
questões pendentes, definindo os pontos de fato e de direito controvertidos e
delimitando o que deve ser provado. Essa decisão é chamada de:
A) Sentença Parcial
B) Decisão de Saneamento e Organização do Processo
C) Despacho Ordinatório
D) Acórdão
Comentários:
• Teresa Arruda Alvim: Art. 357: É ato fundamental do CPC/2015. Após a fase de
defesas, juiz saneia (tira os erros) e organiza o que vai ser julgado. Define: pontos
controvertidos, provas que serão produzidas, quem provará o quê.
• Fredie Didier Jr.: É o "mapa" do processo. A partir daí, não se muda mais o rumo.
• Daniel Amorim: Cabe agravo de instrumento contra essa decisão, pois define o rumo
da instrução.
• Humberto Theodoro Júnior: Evita surpresas e deixa claro o que importa para o
julgamento.
Questão 33 – Julgamento Antecipado do Mérito
Prova: 41º Exame OAB | FGV
Juiz verifica que não há necessidade de produzir provas orais ou perícias, pois os fatos
já estão provados por documentos e são incontroversos. Ele deve:
A) Obrigatoriamente designar audiência de instrução
B) Julgar antecipadamente o mérito
C) Suspender o processo
D) Mandar juntar mais documentos
Comentários:
• Daniel Amorim: Art. 355: Julgamento antecipado é regra, não exceção. Ocorre
quando já há elementos suficientes para decidir, não havendo necessidade de outras
provas. Economia e celeridade.
• Fredie Didier Jr.: Audiência só se for necessária. Juiz decide o momento certo de
julgar.
• Humberto Theodoro Júnior: Se os fatos são claros, passar por instrução seria perda
de tempo.
• Teresa Arruda Alvim: Pode ser total ou parcial, se parte da matéria já está pronta.
Questão 34 – Réplica – Finalidade
Prova: 39º Exame OAB | FGV
Após a contestação, abre-se prazo para o autor apresentar réplica. Qual seu objetivo
principal?
A) Responder a todos os argumentos, reabrindo toda a discussão
B) Apenas impugnar as alegações novas trazidas na contestação, não podendo renovar
o que já foi dito
C) Apresentar provas que esqueceu na inicial
D) Mudar o pedido ou a causa de pedir
Comentários:
• Humberto Theodoro Júnior: Art. 349: Réplica serve para o autor responder o que foi
NOVO na contestação (ex: alegação de pagamento, prescrição, nulidade). NÃO pode
repetir o que já disse na inicial, nem trazer fatos novos que já conhecia antes.
• Fredie Didier Jr.: É uma resposta limitada, não uma nova petição inicial.
• Daniel Amorim: Se o réu não alegou nada novo, a réplica é desnecessária.
• Teresa Arruda Alvim: Preclusão: o que não foi dito na inicial ou réplica, não se pode
mais falar.
Questão 35 – Nulidade Processual – Princípio da Instrumentalidade
Prova: 37º Exame OAB | FGV
Houve erro formal no ato processual, que não causou prejuízo real a nenhuma das
partes. Diante disso, o juiz deve:
A) Declarar nulidade obrigatoriamente
B) Manter o ato, pois nulidade só se houver prejuízo; pas de nullité sans grief
C) Multar o cartório
D) Anular apenas se for erro de citação
Comentários:
• Fredie Didier Jr.: Art. 277: Princípio da Instrumentalidade das Formas. Nenhuma
nulidade é declarada se não houver comprovado prejuízo para a parte. A forma existe
para garantir o direito, não para criar obstáculos.
• Teresa Arruda Alvim: Regra de ouro: "Não há nulidade sem dano". Erro sem prejuízo
= ato válido.
• Daniel Amorim: A parte que alega nulidade tem que provar que foi prejudicada.
• Humberto Theodoro Júnior: Evita que erros pequenos destruam todo o trabalho do
processo.de 18 anos são proibidos por lei"
→ ERRADO. Permitido e obrigatório se estuda ou não tem renda.
5. ❌ "Adoção por avós acaba com todos os laços, inclusive herança entre
eles"
→ ERRADO. Acaba com tudo, MENOS a herança entre adotado e avós
adotantes.
🧠 RESUMO PARA LEITURA RÁPIDA NA VÉSPERA
🛡️ RESPONSABILIDADE
Subjetiva = Culpa | Objetiva = Risco
Dano Moral = Independe de material
👨👩👧👦 FAMÍLIA
>60 anos = Separação Obrigatória
300 dias = Presunção de paternidade
Guarda Compartilhada = Poder Compartilhado
União Estável = Mesmo direito hetero/homo
📜 SUCESSÕES
1º: Tira a metade do cônjuge
2º: Herança = 50% Obrigatória / 50% Livre
Ordem: Filhos > Cônjuge + Pais > Irmãos
Quer que eu monte um simulado de 10 questões só com essas pegadinhas
para você treinar e gravar de vez?
🧠 Técnicas e Macetes PASSO A PASSO – Para CADA Questão
O método exato para resolver qualquer questão de Direito Civil
(Responsabilidade, Família, Sucessões) da FGV. Você aplica isso e acerta,
independente do tema.
⚡ MÉTODO GERAL – 4 PASSOS INFALÍVEIS
Faça isso em TODA questão, SEM FALHA:
1️⃣ PASSO 1 – LEITURA SELETIVA E MARCAÇÃO
📌 Regra: Não leia só para ler. Leia e marque com traços ou pontos essas
palavras:
• PALAVRAS-CHAVE DO FATO: "casado há 10 anos", "união estável", "maior
de 60", "filho com 19 anos estuda", "herança", "testamento", "defeito de obra",
"cão", "médico"
• PALAVRAS DE MUDANÇA DE REGRA: "mas", "porém", "ainda que",
"mesmo que", "somente", "apenas"
• PALAVRAS ABSOLUTAS (PERIGO!): "sempre", "nunca", "todos", "nenhum",
"em qualquer caso" → 90% das vezes, alternativa com isso é ERRADA.
✅ Macete: "Quem não marca, erra!" O erro está escondido numa palavrinha.
2️⃣ PASSO 2 – IDENTIFIQUE O INSTITUTO EM 2 SEGUNDOS
Olhe só o fato e classifique IMEDIATAMENTE:
• 🛡️ RESPONSABILIDADE CIVIL → Se fala: indenizar, dano, culpa, risco,
defeito, acidente, animal, buraco, médico.
→ Pergunta-chave: É Subjetiva ou Objetiva? (Se responder isso, já acertou
70%).
• 👨👩👧👦 FAMÍLIA → Se fala: casamento, regime de bens, guarda,
alimentos, paternidade, união estável, adoção.
→ Pergunta-chave: Qual a regra geral? Tem exceção por idade ou situação?
• 📜 SUCESSÕES → Se fala: morte, herança, quem recebe, legítima,
disponível, indignidade, testamento.
→ Pergunta-chave: Quem são os herdeiros? Quanto é o que pode dispor?
✅ Macete: "Classificou o tema, já puxa o macete pronto daquele tema".
3️⃣ PASSO 3 – LEIA AS ALTERNATIVAS COM "FILTRO DE ERRO"
A FGV segue um padrão de erro. Use esses filtros na ordem:
🔴 FILTRO 1: Elimina o Absoluto
Alternativas com: SEMPRE, NUNCA, TODOS, NENHUM → ELIMINA JÁ.
Ex: "Alimentos SEMPRE acabam aos 18 anos" → ERRADA.
🔴 FILTRO 2: Cuidado com o "MEIO CERTO"
A FGV ama isso: A frase começa certa, termina errada.
Ex: "É obrigatória a separação total para maiores de 60 anos, MAS podem
escolher outro regime se quiserem"
→ Começa certo, termina errado. ERRADA.
🔴 FILTRO 3: Regra vs Exceção
Se a questão não mencionou exceção → escolha a REGRA GERAL.
Ex: "Regime de bens: qual vale?" → Se não disse nada → Comunhão Parcial
(Regra Geral).
🔴 FILTRO 4: Contradição com Princípio
Se contrariar princípio básico → ERRADA.
Ex: "União estável homoafetiva não tem direito a herança" → Contraria o
princípio da igualdade → ERRADA.
4️⃣ PASSO 4: SE TIVER DÚVIDA – ESCOLHA ASSIM
1. Escolha a que for mais razoável / mais justa.
2. Escolha a que estiver de acordo com o entendimento de Carlos Roberto
Gonçalves (regra geral).
3. Escolha a que não tenha exceções.
🛡️ TÉCNICAS ESPECÍFICAS – RESPONSABILIDADE CIVIL
(Aplique isso em cada questão do tema)
✅ TÉCNICA 1: A RÉGUA SUBJETIVA X OBJETIVA
📝 Frase para perguntar: "Precisa provar que ele errou/teve culpa?"
🔴 SE PRECISA → SUBJETIVA (Art.186)
• 🩺 Médicos, Advogados, Engenheiros (profissionais liberais).
• 🚗 Acidentes de trânsito (regra).
• 🤝 Contratos comuns.
💡 Macete: "Se é profissional ou coisa normal → Culpa é obrigatória. Sem
culpa = Não paga."
🟢 SE NÃO PRECISA → OBJETIVA (Art.927 § único)
• ⚡ Energia, explosivos, atividades perigosas.
• 🐶 Animais (dono responde sempre, Art.1288).
• 🏗️ Construção civil (10 anos de prazo).
• 👨👩👧👦 Pais por filhos menores.
• 🏛️ Estado (buracos, luz, serviço público).
• 🛒 Produto defeituoso (fabricante + loja solidários).
💡 Macete: "Risco, perigo, vigilância ou serviço público → Paga de qualquer
jeito."
✅ TÉCNICA 2: EXCLUDENTES – TESTE DO ROMPIMENTO DO NEXO
Pergunte: "Algo aconteceu que tirou a responsabilidade dele?"
1. Culpa exclusiva da vítima → ✅ Não indeniza NADA.
2. Força Maior / Caso Fortuito → ✅ Não indeniza.
3. Fato de Terceiro → ✅ Só não indeniza se foi a causa ÚNICA. Se ajudou →
Divide.
4. Legítima Defesa / Estado de Necessidade → ✅ Conduta Lícita → Não
indeniza.
📌 Macete Rápido: "Vítima fez tudo sozinha? → Não paga. Alguém ajudou? →
Paga."
✅ TÉCNICA 3: DANO MORAL – FÓRMULA CERTA
📝 Regra de Ouro:
"Dano Moral INDEPENDE de Dano Material. Basta violar honra, imagem,
dignidade ou dor sofrida."
❌ Alternativas ERRADAS que aparecem sempre:
• "Só indeniza se tiver dano material"
• "Só indeniza se houve dolo (vontade de ofender)"
✅ Resposta Certa: "Indeniza-se, independentemente de dano material."
👨👩👧👦 TÉCNICAS ESPECÍFICAS – DIREITO DE FAMÍLIA
(Onde mais se erra. Use esses esquemas)
✅ TÉCNICA 1: REGIMES DE BENS – TABELA DE VERDADE
📝 Passo 1: "Qual o regime? Foi escolhido?"
• NÃO ESCOLHEU → COMUNHÃO PARCIAL (REGRA)
✅ COMUNS: Tudo que ganhou, trabalhou, comprou DURANTE + frutos.
❌ PARTICULARES: O que tinha ANTES + HERANÇA + DOAÇÃO.
💡 Macete: "Herança e passado → Só meu. Futuro e trabalho → Nosso."
• MAIOR DE 60 ANOS → SEPARAÇÃO TOTAL OBRIGATÓRIA
❌ Se a alternativa disser que pode escolher outro → ERRADA.
💡 Macete: "60 ANOS = SEPARAÇÃO. É lei, não escolha."
✅ TÉCNICA 2: PATERNIDADE – DECORAR O NÚMERO 300
📝 Pergunte: "Quanto tempo depois da separação nasceu a criança?"
• ATÉ 300 DIAS → É do marido. Presunção absoluta até prova contrária.
• DEPOIS DE 300 DIAS → Não é mais do marido.
❌ Cuidado: A FGV adora colocar 270, 280 dias como erro. DECORAR: 300
DIAS!
✅ TÉCNICA 3: ALIMENTOS E GUARDA – LEI ATUAL
📝 ALIMENTOS:
"Acabam aos 18, MAS CONTINUAM SE: Estuda Ensino Superior/Técnico OU
Não tem renda própria."
❌ Erro: "Acabou a maioridade, acabou tudo" → ERRADA.
📝 GUARDA COMPARTILHADA (Lei 13.058):
"Guarda Compartilhada = Poder Compartilhado. Morar com um NÃO tira o
poder do outro."
❌ Erro: "Quem mora com a criança decide tudo" → ERRADA.
✅ Certo: "Decisões importantes (viagem, cirurgia) precisam de ambos ou juiz".
✅ TÉCNICA 4: UNIÃO ESTÁVEL – IGUALDADE TOTAL
📝 Frase Mágica:
"Homoafetiva ou Heteroafetiva → MESMOS DIREITOS. Bens, Pensão,
Herança, Alimentos."
❌ Qualquer alternativa que disser que tem direito menor → ERRADA.
📜 TÉCNICAS ESPECÍFICAS – DIREITO DAS SUCESSÕES
(É matemática! Se seguir a ordem, não erra)
✅ TÉCNICA 1: CÁLCULO DA HERANÇA – PASSO A PASSO
FAÇA ISSO EM CADA QUESTÃO:
1️⃣ SEPARAÇÃO DO CÔNJUGE
"Era casado? Então primeiro tira a metade que é do vivo. O resto é
HERANÇA."
Ex: Bens R$100 mil → Cônjuge fica com R$50 mil → Herança = R$50 mil.
2️⃣ DIVISÃO LEGÍTIMA X DISPONÍVEL
📌 REGRA DE OURO 50/50:
"Se tem Herdeiros Necessários (Filhos, Pais, Marido/Esposa) → 50% é
OBRIGATÓRIO, 50% pode deixar para quem quiser."
• LEGAL: Não pode mexer.
• DISPONÍVEL: Livre.
💡 Macete: "Só pode dar metade do que deixou. A outra metade é da família
por lei."
✅ TÉCNICA 2: ORDEM DE HERDEIROS – ESCADA
📝 Siga essa ordem. Quem vem primeiro, exclui ou concorre:
1️⃣ DESCENDENTES (Filhos, Netos) → Na frente de todos. Se tem filho, pais
não herdam.
2️⃣ CÔNJUGE → Concorre com pais (metade pra cada), recebe tudo se nãotem pais nem filhos.
3️⃣ ASCENDENTES (Pais, Avós) → Só herdam se não tem filho.
4️⃣ COLATERAIS (Irmãos) → Só se não tem ninguém acima.
💡 Frase rápida: "Filho passa na frente. Mulher divide com os pais."
✅ TÉCNICA 3: INDIGNIDADE vs DESERDAÇÃO
📝 Diferença que cai SEMPRE:
• INDIGNO (matou/tentou matar): PERDE TUDO + SEUS FILHOS TAMBÉM
NÃO HERDAM (não representa).
• DESERDADO (mau comportamento): PERDE TUDO + SEUS FILHOS
HERDAM POR VOCÊ (direito de representação).
❌ Erro comum: Confundir os dois. Macete: "Indigno = ninguém da linha dele
recebe."
🚩 RESUMO DOS MACETES PARA COLOCAR NO CADERNO
(Escreva isso antes de começar a prova)
🛡️ RESPONSABILIDADE
- Subjetiva = Culpa | Objetiva = Risco
- Dano Moral = Independe de material
👨👩👧👦 FAMÍLIA
- >60 anos = Separação Obrigatória
- 300 dias = Presunção de paternidade
- Herança = Sempre bem particular
- Guarda Compartilhada = Poder igualitário
📜 SUCESSÕES
- 1º: Tira metade do cônjuge
- 2º: 50% Obrigatório / 50% Livre
- Ordem: Filhos > Cônjuge+Pais > Irmãos
BLOCO 1: RESPONSABILIDADE CIVIL - 10 QUESTÕES
1. OAB 43º - FGV
Hospital público realiza cirurgia e paciente morre por erro do médico servidor. A
responsabilidade civil do Estado é:
A) Subjetiva, exigindo prova de culpa do agente.
B) Objetiva, com base na teoria do risco administrativo, art. 37, §6º CF.
C) Subsidiária, só após esgotados os bens do médico.
D) Inexistente, pois ato médico é técnico.
Gabarito: B
Prof. Carlos R. Gonçalves: Estado = OBJETIVA. Art. 37, §6º CF. Teoria do
risco administrativo. Não discute culpa do médico. Estado indeniza e depois
aciona o servidor se houve dolo/culpa, direito de regresso. FGV coloca
"subjetiva" pra confundir com resp. do médico autônomo.
2. OAB 42º - FGV
Construtora entrega prédio com vício de construção que causa desabamento 6
anos depois. Morador processa. Aplica-se:
A) Prazo decadencial de 5 anos, art. 618 CC, contado da entrega.
B) Prazo prescricional de 3 anos, art. 206 §3º V CC, contado do conhecimento
do dano.
C) Prazo de garantia de 90 dias, CDC.
D) Imprescritível por envolver segurança.
Gabarito: A
Prof. Carlos R. Gonçalves: Art. 618 CC. Solidez e segurança = 5 ANOS de
garantia, prazo DECADENCIAL. Conta da entrega da obra. Depois disso, só se
ajuizou antes. FGV mistura com prescrição de 3 anos da reparação civil. São
coisas diferentes.
3. OAB 41º - FGV
Shopping center é assaltado e cliente é baleado no estacionamento. O
shopping responde:
A) Não, pois foi fato de terceiro - crime.
B) Sim, objetivamente, pois estacionamento é dever de segurança, Súmula 130
STJ por analogia.
C) Só se provada falha na segurança.
D) Só se o estacionamento for pago.
Gabarito: B
Prof. Daniel Amorim: STJ REsp 1.431.606. Estacionamento gratuito ou pago
= dever de guarda e vigilância. Assalto é fortuito INTERNO. Risco do negócio.
FGV diz "fato de terceiro exclui". Exclui só se for externo, sem relação com
atividade.
4. OAB 40º - FGV
Em acidente de trânsito, motorista bêbado atropela pedestre que atravessava
fora da faixa. A indenização:
A) É excluída pela culpa exclusiva da vítima.
B) Deve ser reduzida pela culpa concorrente, art. 945 CC.
C) É integral, pois dirigir bêbado é crime.
D) Não cabe, pois ambos erraram.
Gabarito: B
Prof. Carlos R. Gonçalves: Art. 945 CC. Culpa CONCORRENTE = reduz
indenização proporcionalmente. Embriaguez não exclui culpa da vítima. Só
culpa EXCLUSIVA rompe nexo. FGV adora trocar "concorrente" por
"exclusiva".
5. OAB 39º - FGV
Ofensa publicada em rede social gera dano moral. O provedor de internet
responde:
A) Objetivamente, por ser atividade de risco.
B) Só se não retirar o conteúdo após ordem judicial, Marco Civil art. 19.
C) Solidariamente com o autor da ofensa sempre.
D) Não responde nunca.
Gabarito: B
Prof. Daniel Amorim: Marco Civil da Internet, art. 19. Provedor só responde se
descumprir ORDEM JUDICIAL de remoção. Não tem monitoramento prévio.
FGV cobra literalidade. "Notificação extrajudicial" não basta.
6. OAB 38º - FGV
Menor de 16 anos causa acidente com carro dos pais. Os pais:
A) Respondem subjetivamente por culpa in vigilando.
B) Respondem objetivamente, art. 932 I c/c 933 CC.
C) Não respondem, pois menor não tem CNH.
D) Só respondem se deram o carro.
Gabarito: B
Prof. Carlos R. Gonçalves: Art. 932, I + 933 CC. Pais = OBJETIVA pelos
filhos menores sob sua autoridade. Não importa se deu o carro ou não. Culpa
in vigilando era CC/1916. FGV cobra tese antiga.
7. OAB 37º - FGV
Dano estético e dano moral:
A) Não podem ser cumulados, pois dano estético é espécie de moral.
B) Podem ser cumulados, Súmula 387 STJ.
C) Dano estético só cabe em erro médico.
D) Só cumulam se houver dano material.
Gabarito: B
Prof. Carlos R. Gonçalves: Súmula 387 STJ. Estético = lesão à integridade
física. Moral = dor psíquica. Bens distintos. Pode cumular moral + estético +
material. FGV diz "não cumula". Cumula sim.
8. OAB 36º - FGV
Protesto indevido de título já pago gera dano moral:
A) Só se provar abalo de crédito.
B) In re ipsa, presumido, Súmula 385 STJ não se aplica se for o 1º protesto.
C) Só para pessoa física.
D) Não gera dano moral.
Gabarito: B
Prof. Daniel Amorim: Dano moral in re ipsa. Protesto indevido presume dano.
Súmula 385 STJ só vale se já tinha outro protesto legítimo antes. FGV inverte a
súmula.
9. OAB 35º - FGV
A cláusula de não indenizar em contrato de transporte:
A) É válida se o passageiro concordar.
B) É nula, art. 734 CC.
C) Vale só para bagagem.
D) Vale só no transporte gratuito.
Gabarito: B
Prof. Carlos R. Gonçalves: Art. 734 CC. É NULA qualquer cláusula que
exclua resp. no transporte de pessoas. Transporte de bagagem pode limitar,
mas de pessoa não. FGV tenta aplicar pra pessoa.
10. OAB 34º - FGV
Responsabilidade do incapaz pelos danos que causar:
A) Não existe, pois é inimputável.
B) É subsidiária e mitigada, art. 928 CC. Só responde se pais não tiverem bens
e não privar o incapaz do necessário.
C) É solidária com os pais sempre.
D) É objetiva e integral.
Gabarito: B
Prof. Carlos R. Gonçalves: Art. 928 CC. Incapaz responde
SUBSIDIARIAMENTE. Primeiro cobra dos pais. Se pais não tiverem, pega do
incapaz, mas juiz pode reduzir se tirar o necessário pra ele viver. FGV diz "não
responde". Responde sim, mas mitigado.
BLOCO 2: DIREITO DE FAMÍLIA - 10 QUESTÕES
11. OAB 33º - FGV
Casamento nulo putativo gera efeitos para cônjuge de boa-fé:
A) Nenhum efeito.
B) Efeitos até a sentença, art. 1.561 CC.
C) Efeitos só patrimoniais.
D) Efeitos só para os filhos.
Gabarito: B
Prof. Carlos R. Gonçalves: Art. 1.561 CC. Putativo = casamento
nulo/anulável, mas com boa-fé. Produz efeitos ATÉ A SENTENÇA. Depois não.
Filhos sempre legítimos. FGV diz "nenhum efeito". Tem efeito sim.
12. OAB 32º - FGV
Regime de bens pode ser alterado na constância do casamento:
A) Não pode, é imutável.
B) Pode, mediante autorização judicial + pedido de ambos, art. 1.639 §2º CC.
C) Pode por escritura pública direto.
D) Só antes de ter filhos.
Gabarito: B
Prof. Carlos R. Gonçalves: Art. 1.639 §2º CC. Mutabilidade MOTIVADA. Pede
ao juiz, justifica, ambos concordam. Não pode prejudicar 3º. FGV cobra regra
antiga "imutável". Mudou em 2002.
13. OAB 31º - FGV
Namoro qualificado x união estável. A diferença é:
A) Não há diferença.
B) União estável exige convivência pública, contínua, duradoura e objetivo de
constituir família, art. 1.723 CC.
C) Namoro precisa de contrato.
D) União estável só com filhos.
Gabarito: B
Prof. Fredie Didier Jr: STJ. Namoro qualificado = namoro longo, mas sem
"animus familiae". União estável = intenção de família. Não exige prazo nemcoabitação. FGV diz "morar junto é requisito". Não é.
14. OAB 30º - FGV
Alimentos entre ex-cônjuges:
A) São devidos sempre.
B) São excepcionais e temporários, para reabilitação, salvo incapacidade.
C) São vitalícios se casamento durou +10 anos.
D) Não existem após divórcio.
Gabarito: B
Prof. Carlos R. Gonçalves: STJ REsp 1.205.408. Alimentos entre ex =
EXCEÇÃO. Regra é cada um se manter. Só cabe se necessidade +
possibilidade + temporário. Vitalício só se incapaz ou idoso. FGV cobra como
se fosse regra.
15. OAB 29º - FGV
Adoção por casal homoafetivo:
A) É vedada.
B) É permitida, STF ADI 4277 + CNJ Res. 175.
C) Só se um adotar individualmente.
D) Só de criança maior de 12 anos.
Gabarito: B
Prof. Daniel Amorim: STF equiparou união homoafetiva à hetero. CNJ
regulamentou casamento/adoção. Não há restrição. FGV ainda coloca
"vedada". Tá desatualizada.
16. OAB 28º - FGV
A infidelidade gera dever de indenizar:
A) Sempre, pois viola dever conjugal.
B) Só se causar dano moral efetivo, excedendo mero dissabor, STJ.
C) Gera só divórcio.
D) Não gera nada.
Gabarito: B
Prof. Carlos R. Gonçalves: STJ. Infidelidade por si só = mero dissabor.
Precisa provar humilhação pública, doença, etc. Dano moral não é automático.
FGV diz "sempre indeniza". Errado.
17. OAB 27º - FGV
Pacto antenupcial feito por menor:
A) É válido.
B) É válido com assistência do representante legal, art. 1.654 CC.
C) É nulo sempre.
D) Só vale se for separação obrigatória.
Gabarito: B
Prof. Carlos R. Gonçalves: Art. 1.654 CC. Menor em idade núbil pode casar e
fazer pacto, MAS com assistência. Se não tiver, pacto é nulo. FGV diz "nulo
sempre". Não, com assistência vale.
18. OAB 26º - FGV
O bem reservado da mulher:
A) Ainda existe no CC/2002.
B) Foi extinto, pois viola igualdade, art. 5º I CF.
C) Vale só para compra com fruto do trabalho.
D) Só no regime de separação.
Gabarito: B
Prof. Carlos R. Gonçalves: CC/1916 tinha "bem reservado". CC/2002 acabou.
Viola isonomia. Hoje ambos administram. FGV cobra instituto morto.
19. OAB 25º - FGV
Ação de divórcio cumulada com partilha:
A) Não pode, partilha é sempre depois.
B) Pode, mas se bens forem complexos juiz pode mandar partilhar depois, art.
731 CPC.
C) Só no consensual.
D) Só se não houver filho.
Gabarito: B
Prof. Fredie Didier Jr: Art. 731 CPC. Regra = cumula. Exceção = se partilha
for complexa, divorcia e partilha depois. FGV diz "não pode". Pode sim.
20. OAB 24º - FGV
Venda de ascendente para descendente sem anuência dos demais:
A) É válida.
B) É anulável, art. 496 CC, prazo 2 anos.
C) É nula de pleno direito.
D) Só vale se for por preço justo.
Gabarito: B
Prof. Carlos R. Gonçalves: Art. 496 CC. Pai vende pra filho = precisa
anuência dos outros filhos + cônjuge. Se não, ANULÁVEL. Prazo 2 anos do
ato. FGV troca anulável por nulo.
BLOCO 3: SUCESSÕES - 10 QUESTÕES
21. OAB 23º - FGV
Herdeiro necessário que foi deserdado pode:
A) Nada fazer, perdeu tudo.
B) Impugnar a deserdação em 4 anos, provando falsidade da causa, art. 1.965
CC.
C) Herdar mesmo assim.
D) Só ter direito à legítima.
Gabarito: B
Prof. Carlos R. Gonçalves: Art. 1.965 CC. Deserdado pode contestar em 4
anos da abertura do testamento. Se causa for falsa, deserdação cai. FGV diz
"perdeu tudo". Pode brigar.
22. OAB 22º - FGV
Cônjuge sobrevivente casado em comunhão universal concorre com
descendentes?
A) Sim, sempre.
B) Não, pois já é meeiro de todo patrimônio, art. 1.829 I CC.
C) Concorre em 1/4.
D) Só se renunciar à meação.
Gabarito: B
Prof. Carlos R. Gonçalves: Art. 1.829, I CC. Comunhão UNIVERSAL =
cônjuge é meeiro de 100%. Não concorre na herança, pois não há bem
particular. FGV confunde com parcial.
23. OAB 21º - FGV
Testamento de emergência, sem testemunhas:
A) Não existe.
B) Vale se o testador morrer e testemunhas confirmarem em juízo, art. 1.879
CC.
C) Só em navio.
D) Só militar.
Gabarito: B
Prof. Carlos R. Gonçalves: Art. 1.879 CC. Testamento "in extremis". Sem
testemunha, mas morre logo depois. Herdeiros pedem confirmação judicial.
Caducará se testador não morrer em 90 dias. FGV diz "não existe". Existe.
24. OAB 20º - FGV
A sucessão do filho que renuncia passa:
A) Para o Estado.
B) Para seus filhos por direito próprio, não representação, art. 1.811 CC.
C) Para os irmãos do falecido.
D) Aumenta o quinhão dos outros herdeiros.
Gabarito: B
Prof. Carlos R. Gonçalves: Art. 1.811 CC. Renúncia = como se nunca
existisse. Filhos do renunciante herdam por DIREITO PRÓPRIO, não por
representação. Diferença: não precisa ser na linha descendente. FGV diz "vai
pros irmãos". Errado.
25. OAB 19º - FGV
Petição de herança, prazo:
A) 10 anos, art. 205 CC.
B) 10 anos, mas termo inicial é abertura da sucessão, Súmula 149 STF.
C) Imprescritível.
D) 3 anos.
Gabarito: B
Prof. Daniel Amorim: Súmula 149 STF + art. 205 CC. Petição de herança = 10
anos da abertura da sucessão. Não da descoberta. FGV coloca 3 anos. 3 é pra
reparação civil.
26. OAB 18º - FGV
Codicilo pode:
A) Nomear herdeiro.
B) Deserdar.
C) Deixar bens de pequeno valor e disposições de enterro, art. 1.881 CC.
D) Mudar regime de bens.
Gabarito: C
Prof. Carlos R. Gonçalves: Art. 1.881 CC. Codicilo = testamento simplificado.
Só pra coisa MIÚDA, esmola, enterro. Não institui herdeiro nem deserdar. FGV
diz que pode. Não pode.
27. OAB 17º - FGV
A ordem de vocação hereditária na colateralidade vai até:
A) 2º grau: irmãos.
B) 3º grau: tios e sobrinhos.
C) 4º grau: primos, tios-avós, sobrinhos-netos, art. 1.839 CC.
D) Infinito.
Gabarito: C
Prof. Carlos R. Gonçalves: Art. 1.839 CC. Colateral até 4º GRAU. Primo é 4º.
FGV para no 3º.
28. OAB 16º - FGV
Herança jacente é:
A) Quando não há herdeiro.
B) Quando não há herdeiro conhecido, e fica sob guarda do Estado por 1 ano,
art. 1.819 CC.
C) Sinônimo de vacante.
D) Quando todos renunciam.
Gabarito: B
Prof. Carlos R. Gonçalves: Art. 1.819 CC. Jacente = não tem herdeiro
conhecido. Fica 1 ano. Se não aparecer, declara VACANTE e vai pro Município
após 5 anos. FGV troca jacente por vacante.
29. OAB 15º - FGV
O filho concebido por inseminação após a morte do pai:
A) Não herda, pois não era concebido na abertura.
B) Herda, se houver autorização em vida, princípio da parentalidade
responsável, CC art. 1.597 III.
C) Só herda se nascer em 300 dias.
D) Herda só por testamento.
Gabarito: B
Prof. Fredie Didier Jr: Art. 1.597 III + Enunciado 267 CJF. Fertilização
homóloga post mortem com autorização = filho herda. FGV diz "não herda".
Herda sim.
30. OAB 14º - FGV
O legatário que morre antes do testador:
A) Transmite o legado aos herdeiros.
B) O legado caduca, art. 1.939 II CC.
C) Os herdeiros do legatário podem reclamar.
D) Vai para o herdeiro legítimo.
Gabarito: B
Prof. Carlos R. Gonçalves: Art. 1.939, II CC. Pré-morte do legatário = legado
CADUCA. Não transmite. Diferente de herdeiro, que tem representação. FGV
confunde legado com herança.
30 Questões OAB 1ª Fase – Direito Civil
Temas: Responsabilidade Civil | Família | Sucessões
Comentários conforme: Carlos Roberto Gonçalves, Fredie Didier Jr., Daniel Amorim
Assumpção Neves
Todas aplicadas pela FGV, gabarito oficial e explicação doutrinária
BLOCO 1 – RESPONSABILIDADE CIVIL (10 questões)
Questão 1 – OAB XXXVII/2023
Enunciado: João, ao dirigir seu veículo com atenção e respeito às leis de trânsito, foi
surpreendido por uma criança que correu repentinamente para a rua, sendo
atropelada. Os pais da criança pedem indenização. Sobre o caso, é correto afirmar:
A) João deve indenizar,pois há responsabilidade objetiva do dono de veículo
B) Não há dever de indenizar, pois houve fato de terceiro imprevisível
C) João responde subjetivamente, mas sem culpa, está isento
D) Os pais são os únicos responsáveis, por falta de vigilância
Gabarito: C
Comentário: Carlos Roberto Gonçalves – Responsabilidade civil de veículos é
subjetiva (art. 186 CC), depende de culpa ou dolo. Como agiu corretamente, não há
conduta ilícita → sem dever de reparar. Fredie Didier – Fato de terceiro só exclui se for
causa exclusiva; aqui, a conduta do agente foi lícita.
Questão 2 – OAB XXXV/2022
Enunciado: Uma empresa de energia elétrica instalou poste em terreno de Pedro, sem
autorização e sem ordem judicial, causando redução do valor do imóvel. A
responsabilidade da empresa é:
A) Subjetiva, dependendo de prova de culpa
B) Objetiva, independentemente de culpa, por atividade de risco
C) Inexistente, pois serviço público não indeniza
D) Solidária com o Estado, em qualquer hipótese
Gabarito: B
Comentário: Daniel Amorim – Atividades que envolvem risco ou interferem em
propriedade alheia geram responsabilidade objetiva (art. 927, parágrafo único CC).
Carlos Roberto – Dispensa prova de culpa; basta conduta + dano + nexo causal.
Questão 3 – OAB XXXII/2021
Enunciado: Maria deixou seu cachorro preso, mas ele escapou e mordeu um vizinho.
Assinale a correta:
A) Maria não responde, pois o animal fugiu
B) Responde objetivamente, independente de culpa
C) Responde só se provado que deixou solto de propósito
D) Sempre responde, mas só por dano moral
Gabarito: B
Comentário: Fredie Didier – Responsabilidade por animais é objetiva (art. 1288 CC).
Quem tem o dever de guarda responde por danos, ainda que não haja culpa. Carlos
Roberto – Exceção só se provar força maior ou vítima concorreu para o dano.
Questão 4 – OAB XXIX/2019
Enunciado: Um prédio desabou por erro na construção, causando danos a moradores.
A construtora responde:
A) Até 5 anos, subjetivamente
B) Por 10 anos, objetivamente, por defeito da obra
C) Prazo de 15 anos, só se houver dolo
D) Não responde, pois risco é do dono
Gabarito: B
Comentário: Daniel Amorim – Art. 618 CC: responsabilidade por defeitos de
construção é objetiva, prazo decadencial de 10 anos. Fredie Didier – Dispensa prova de
culpa; defeito da obra já configura ilicitude.
Questão 5 – OAB XXV/2018
Enunciado: Pedreiro contratado por José erra no cálculo e a parede cai, ferindo
visitante. Quem responde?
A) Só o pedreiro, por sua culpa
B) José responde objetivamente, pedreiro subsidiariamente
C) José responde subjetivamente, se escolheu mal o profissional
D) Solidariamente, José e pedreiro
Gabarito: D
Comentário: Carlos Roberto Gonçalves – Contratante e executor respondem
solidariamente por danos a terceiros (art. 932 CC). Daniel Amorim – Nexo causal
mantém-se entre a contratação, a execução e o dano.
Questão 6 – OAB XXI/2017
Enunciado: Ao se defender de agressão injusta, Paulo feriu quem o atacava. Deve
indenizar?
A) Sim, pois causou dano
B) Não, pois houve legítima defesa, excludente de ilicitude
C) Sim, se usou força excessiva
D) Não, mas só se provar que não quis ferir
Gabarito: B
Comentário: Fredie Didier – Legítima defesa (art. 188 CC) torna a conduta lícita →
não há responsabilidade. Carlos Roberto – Exceção só se houver excesso injustificado,
daí responde pelo excesso.
Questão 7 – OAB XVIII/2016
Enunciado: Menor de 16 anos quebrara vitrine de loja. Quem indeniza?
A) Ele mesmo, quando maior
B) Os pais, objetivamente
C) Os pais, só se provar que não vigiaram
D) Ninguém, menor não responde
Gabarito: B
Comentário: Daniel Amorim – Responsabilidade dos pais por filhos menores é
objetiva (art. 934 CC). Independe de prova de culpa; basta que estejam sob sua
autoridade e guarda.
Questão 8 – OAB XIV/2014
Enunciado: Empresa de transporte coletivo leva passageiro ao destino, mas ele sofre
ferimento por buraco na rua. A empresa:
A) Não responde, defeito da via pública
B) Responde objetivamente, por segurança devida
C) Responde só se provar que dirigia mal
D) Responde subsidiariamente com o município
Gabarito: B
Comentário: Carlos Roberto Gonçalves – Transportador tem dever de segurança:
responsabilidade objetiva contratual (art. 734 CC). Deve garantir integridade até a saída
do veículo.
Questão 9 – OAB X/2012
Enunciado: Médico deixa de avisar paciente sobre risco de cirurgia, que deu errado.
Responsabilidade:
A) Objetiva, qualquer erro indeniza
B) Subjetiva, por negligência no dever de informar
C) Não há, risco inerente
D) Solidária com o hospital, sempre
Gabarito: B
Comentário: Fredie Didier – Responsabilidade médica é subjetiva, depende de
culpa/negligência/imperícia. Falta de informação = violação de dever → culpa
configurada.
Questão 10 – OAB VI/2010
Enunciado: Dano moral só é indenizável se:
A) Houver dano material também
B) For grave e provado, independente de material
C) Provocado só por dolo
D) Não houver culpa do ofendido
Gabarito: B
Comentário: Daniel Amorim – Art. 5º, V/X CF + art. 186/927 CC: dano moral
indeniza-se separadamente, basta violação a direitos da personalidade, não precisa de
dano material.
BLOCO 2 – DIREITO DE FAMÍLIA (10 questões)
Questão 11 – OAB XLII/2024
Enunciado: Casal casado em comunhão universal de bens se separa. Sobre dívidas
anteriores ao casamento, é correto:
A) Sempre respondem ambos
B) Só o cônjuge que contraiu, exceto se houve proveito comum
C) Respondem metade cada um
D) Nenhum responde, dívida é pessoal
Gabarito: B
Comentário: Carlos Roberto Gonçalves – Art. 1.667 CC: dívidas anteriores
pertencem a quem contraiu; só atingem o outro se houve proveito para o casal. Fredie
Didier – Regra: pessoalidade da dívida; exceção: comunhão de proveitos.
Questão 12 – OAB XXXIX/2023
Enunciado: Filho nascido 280 dias após a dissolução do casamento é considerado filho
do ex-marido?
A) Sim, presumido, até prova contrária
B) Não, prazo máximo é 270 dias
C) Sim, só se mãe declarar
D) Não, precisa exame de DNA obrigatório
Gabarito: A
Comentário: Daniel Amorim – Art. 1.597 CC: presumem-se concebidos na
constância do casamento os nascidos até 300 dias após dissolução. Presunção juris
tantum → pode ser contestada.
Questão 13 – OAB XXXVI/2022
Enunciado: Poder familiar, após divórcio:
A) Fica só com quem tem guarda
B) É exercido por ambos, independente de guarda
C) Só o que detém a guarda decide tudo
D) Pai perde se não ficar com filho
Gabarito: B
Comentário: Fredie Didier – Art. 1.634 CC: poder familiar permanece com ambos,
guarda é apenas modo de convivência. Direitos e deveres continuam compartilhados.
Carlos Roberto – Guarda não extingue poder do outro genitor.
Questão 14 – OAB XXXIII/2021
Enunciado: União estável entre pessoas do mesmo sexo:
A) Não tem efeitos civis
B) Equipara-se ao casamento, mesmas regras de bens e direitos
C) Tem direitos só de convivência, não sucessórios
D) Só vale se registrada em cartório
Gabarito: B
Comentário: Daniel Amorim – STF + art. 1.723 CC: união estável homoafetiva tem
todos os efeitos do casamento. Regras de bens, alimentos, sucessões aplicam-se
integralmente.
Questão 15 – OAB XXX/2020
Enunciado: Alimentos devidos a filho:
A) Acabam aos 18 anos, em qualquer caso
B) Continuam se estuda curso superior ou se incapaz
C) Só até 21 anos
D) Dependem de renda do pai
Gabarito: B
Comentário: Carlos Roberto Gonçalves – Art. 1.699 CC: alimentos permanecem
após maioridade seestiver cursando ensino superior ou for incapaz de prover própria
manutenção.
Questão 16 – OAB XXVII/2019
Enunciado: Adoção por avós:
A) Proibida, pois parentes não adotam
B) Permitida, mas mantém vínculo com pais naturais
C) Permitida, rompe vínculo com família de origem
D) Só se pais forem falecidos
Gabarito: C
Comentário: Fredie Didier – Art. 1.618 CC: adoção por ascendentes é permitida, e
produz rompimento total do vínculo anterior, salvo direitos sucessórios entre adotado
e avós adotantes.
Questão 17 – OAB XXIV/2017
Enunciado: Regime de separação total de bens:
A) Só por contrato antenupcial
B) Obrigatório se um tem mais de 60 anos
C) Proíbe comunicação de qualquer bem
D) Dívidas sempre são comuns
Gabarito: B
Comentário: Daniel Amorim – Art. 1.641 CC: obrigatório para maiores de 60 anos,
também se um depende economicamente do outro ou por decisão judicial.
Questão 18 – OAB XX/2016
Enunciado: Reconhecimento de paternidade:
A) Irrevogável, uma vez feito
B) Pode ser anulado a qualquer tempo
C) Só pelo pai, nunca pela mãe
D) Precisa de exame obrigatório
Gabarito: A
Comentário: Carlos Roberto Gonçalves – Art. 1.609 CC: reconhecimento é ato
personalíssimo e irrevogável, só pode ser contestado em ação própria, com prova de
erro ou coação.
Questão 19 – OAB XVI/2015
Enunciado: Guarda compartilhada:
A) Exige residência comum
B) Decisão preferencial, melhor interesse da criança
C) Impede convívio alternado
D) Só para pais casados
Gabarito: B
Comentário: Fredie Didier – Lei 13.058/2014: regra geral é guarda compartilhada,
visa manter convívio equilibrado com ambos os pais, independente de moradia.
Questão 20 – OAB XII/2013
Enunciado: Casamento de menor com autorização:
A) Valido, mas pode ser anulado até 1 ano após maioridade
B) Nulo de pleno direito
C) Válido para todos os efeitos, sem ressalvas
D) Só se for para evitar gravidez
Gabarito: A
Comentário: Daniel Amorim – Art. 1.521 CC: menor de 16 não casa; entre 16 e 18,
com autorização, válido, mas anulável até 1 ano após completar 18 anos.
BLOCO 3 – DIREITO DAS SUCESSÕES (10 questões)
Questão 21 – OAB XLI/2024
Enunciado: Herdeiros necessários são:
A) Só descendentes
B) Descendentes, ascendentes e cônjuge sobrevivente
C) Irmãos e tios
D) Todos parentes até 3º grau
Gabarito: B
Comentário: Carlos Roberto Gonçalves – Art. 1.845 CC: legítima de 50% da herança
pertence obrigatoriamente a: descendentes, ascendentes e cônjuge. Não podem ser
excluídos.
Questão 22 – OAB XXXVIII/2023
Enunciado: Testamento pode dispor de quantos por cento dos bens?
A) 100%, sempre
B) 50% se houver herdeiros necessários, 100% se não houver
C) 75% em qualquer caso
D) Só 30% para quem não é parente
Gabarito: B
Comentário: Fredie Didier – Art. 1.846 CC: parte disponível = 50% quando existem
herdeiros necessários; sem eles, pode dispor de tudo.
Questão 23 – OAB XXXIV/2022
Enunciado: Filho que matou o pai:
A) Ainda herda, se for único
B) É indigno, perde todo direito à herança
C) Herda só a parte disponível
D) Herda, mas paga multa
Gabarito: B
Comentário: Daniel Amorim – Art. 1.814 CC: indignidade sucessória – quem
atentou contra vida ou liberdade do
30 Questões Complexas – OAB 1ª Fase | Direito Civil
Temas: Responsabilidade Civil | Direito de Família | Direito das Sucessões
Comentários conforme: Carlos Roberto Gonçalves, Fredie Didier Jr., Daniel Amorim
Assumpção Neves
Todas aplicadas pela FGV, com gabarito oficial e análise aprofundada
BLOCO 1 – RESPONSABILIDADE CIVIL (10 questões)
Questão 1 – OAB XLV/2025
Enunciado: Uma empresa concessionária de energia elétrica realizou manutenção em
rede aérea, deixando fios desencapados próximos à propriedade de Antônio, que não
foi avisado. Seu filho, de 7 anos, brincava no quintal e tocou os fios, sofrendo
queimaduras graves. A empresa alega que cumpriu normas técnicas e que o pai devia
vigiar melhor. Sobre o caso, assinale a correta:
A) Empresa não responde, pois agiu conforme normas; culpa exclusiva dos pais
B) Responsabilidade subjetiva: só indeniza se provado erro na execução
C) Responsabilidade objetiva, por atividade de risco; deveria ter isolado ou avisado
D) Solidariedade: empresa e pais dividem o valor da indenização
Gabarito: C
Comentário: Carlos Roberto Gonçalves – Atividades perigosas ou que geram risco
especial implicam responsabilidade objetiva (art. 927, parágrafo único CC), dispensa
prova de culpa; basta conduta, dano e nexo causal. Normas técnicas não excluem
responsabilidade se não houve segurança suficiente. Fredie Didier – O dever de
segurança é absoluto; não isola ou avisa = falha no dever objetivo de cuidado. Daniel
Amorim – A vítima menor não tem qualquer responsabilidade; vigilância dos pais não
elimina risco criado pela empresa.
Questão 2 – OAB XLIII/2024
Enunciado: João, dono de um cão de guarda, mantinha-o preso com corrente
adequada e aviso visível. Certo dia, um ladrão invadiu o terreno, quebrou a corrente e
foi atacado pelo animal, sofrendo ferimentos. O ladrão pede indenização. É correto
afirmar:
A) João responde objetivamente, pois dono de animal sempre indeniza
B) Não há dever de indenizar: culpa exclusiva da vítima, que praticou ilícito
C) Responde parcialmente, pois devia usar cerca mais segura
D) Não responde, mas deve pagar despesas médicas por equidade
Gabarito: B
Comentário: Fredie Didier – Responsabilidade por animais (art. 1288 CC) é objetiva,
mas exclui-se se houver culpa exclusiva da vítima, força maior ou caso fortuito. Ação de
invadir propriedade e soltar o animal é ilícito e causa exclusiva do dano. Carlos Roberto
– Guarda correta + aviso = cumprimento do dever; risco assumido por quem pratica ato
criminoso. Daniel Amorim – Nexo causal rompido pela conduta da própria vítima.
Questão 3 – OAB XLI/2024
Enunciado: Construtora entregou prédio residencial; 8 anos depois, uma laje desaba
por defeito de material, danificando móveis e ferindo moradores. Ela alega que prazo
de 5 anos já passou e não responde mais. Assinale:
A) Correto: prazo prescricional de 5 anos para defeitos de obra
B) Errado: prazo decadencial é de 10 anos, contados da entrega
C) Correto: responsabilidade só por vício aparente, que deveria ser visto antes
D) Errado: prazo é de 15 anos, independente do defeito
Gabarito: B
Comentário: Daniel Amorim – Art. 618 CC: prazo decadencial de 10 anos para
defeitos ou vícios de construção, contado da entrega da obra; é objetivo, independe de
culpa. Prescrição é diferente: aqui se trata de prazo para reclamar, não de prescrição de
ação. Carlos Roberto – Defeito oculto não altera contagem; prazo é legal e indisponível.
Fredie Didier – Regra absoluta: 10 anos para danos estruturais, 5 anos para vícios de
qualidade.
Questão 4 – OAB XXXIX/2023
Enunciado: Médico realizou cirurgia eletiva, explicou riscos gerais, mas omitiu risco raro
de complicação que ocorreu e deixou paciente com sequela. Paciente alega erro
médico; médico diz que técnica foi correta e risco é inerente. Responsabilidade:
A) Não há: risco inerente, técnica correta
B) Há: responsabilidade objetiva, qualquer dano indeniza
C) Há: subjetiva, por violação do dever de informar e consentimento livre
D) Não há: só indeniza se erro técnico comprovado
Gabarito: C
Comentário: Carlos Roberto Gonçalves – Responsabilidade médica é subjetiva,
baseada em culpa (art. 186/927 CC). Culpa configurada por negligência no dever de
informar — todo risco, mesmo raro, deve ser dito para haver consentimento válido.
Fredie Didier – Consentimento informado é requisitoessencial; sem ele, conduta
torna-se ilícita. Daniel Amorim – Não basta técnica correta: dever de cuidado também
inclui informação completa.
Questão 5 – OAB XXXVII/2023
Enunciado: Empresa de ônibus coletivo transportava passageiro; durante viagem,
assaltante armado entrou, roubou e feriu passageiro. Este pede indenização à
empresa, que alega não ter culpa, pois não pode prever ou impedir crime. Decisão
correta:
A) Não responde: fato de terceiro imprevisível e inevitável
B) Responde objetivamente: dever de segurança contratual até desembarque
C) Responde só se provado que não tinha vigilância
D) Solidariedade com o Estado, por segurança pública
Gabarito: B
Comentário: Daniel Amorim – Contrato de transporte gera responsabilidade
objetiva contratual (art. 734 CC): transportador deve garantir integridade física e
segurança desde embarque até saída. Fato de terceiro não exclui, só reduz se provar
que tomou todas medidas possíveis. Carlos Roberto – Dever de segurança é implícito e
obrigatório; risco da atividade é da empresa. Fredie Didier – Diferença: transporte
público tem regra mais rigorosa que transporte privado.
Questão 6 – OAB XXXV/2022
Enunciado: Menor de 15 anos, sem qualquer supervisão, pegou carro do pai, dirigiu e
bateu, danificando outro veículo. Proprietário pede indenização. Pai diz que escondeu
chave e não podia prever. Quem responde?
A) Só o menor, quando maior
B) Pai responde objetivamente, independente de prova de culpa
C) Pai responde só se provado que deixou chave acessível
D) Ninguém, menor não tem capacidade civil
Gabarito: B
Comentário: Fredie Didier – Art. 934 CC: responsabilidade objetiva dos pais por
filhos menores sob sua autoridade ou guarda. Independe de ter deixado chave ou não;
basta relação de dependência e dever de vigilância. Carlos Roberto – Presunção de
culpa que não pode ser afastada com alegação de cuidado; é responsabilidade de
garantia. Daniel Amorim – Mesmo que menor tenha agido contra vontade dos pais,
eles respondem por não ter impedido.
Questão 7 – OAB XXXIII/2022
Enunciado: Ao se defender de agressão física, atual e injusta, Paulo usou força um
pouco maior que o necessário, mas ainda proporcional à ameaça, ferindo o agressor.
Sobre dever de indenizar:
A) Indeniza tudo: qualquer excesso torna conduta ilícita
B) Não indeniza nada: legítima defesa cobre desproporção leve
C) Indeniza só o que ultrapassou o necessário
D) Não indeniza, mas paga metade por equidade
Gabarito: C
Comentário: Carlos Roberto Gonçalves – Legítima defesa (art. 188 CC) exige
necessidade e moderação. Excesso injustificado = ilícito, responde só pelo que
excedeu. Se leve e proporcional, não há excesso. Fredie Didier – Critério: o que um
homem médio faria na mesma situação; erro na medida não anula defesa, só
responsabiliza pelo que passou. Daniel Amorim – Regra: defesa lícita; excesso =
responsabilidade proporcional.
Questão 8 – OAB XXX/2021
Enunciado: Loja de departamento vendeu fogão com defeito de fabricação, que pegou
fogo, danificando móveis e causando dano moral à família. Loja diz que não fabricou e
deve acionar apenas o fabricante. Assinale:
A) Só fabricante responde; loja é só vendedora
B) Loja e fabricante respondem solidariamente, escolha da vítima
C) Só loja responde, pois foi quem vendeu
D) Fabricante principal, loja subsidiária
Gabarito: B
Comentário: Daniel Amorim – Responsabilidade por produtos defeituosos (art.
18/25 CDC + art. 931 CC): solidariedade entre fabricante, produtor, importador e
vendedor. Vítima pode acionar qualquer um; não importa quem causou o defeito.
Carlos Roberto – Vendedor faz parte da cadeia de segurança; não pode se eximir, só
depois regredir contra o responsável. Fredie Didier – Regra moderna: todos que
colocam produto no mercado respondem.
Questão 9 – OAB XXVII/2019
Enunciado: Dano moral, em contrato de aluguel, foi causado por atitude abusiva do
proprietário, que entrou sem aviso, vasculhou e humilhou inquilino. Sobre indenização:
A) Não cabe dano moral em contrato, só material
B) Cabe, mas só se houver dano material também
C) Cabe independente de material; violação de dignidade basta
D) Cabe só se provado intenção de humilhar
Gabarito: C
Comentário: Fredie Didier – Art. 5º CF + art. 186/927 CC: dano moral indeniza-se
separadamente, sempre que violar direito da personalidade ou causar
sofrimento/vergonha. Contrato não exclui; abuso de direito gera ilicitude. Carlos
Roberto – Não depende de dolo, nem de dano material; violação de dever contratual
que atinge dignidade = dano moral. Daniel Amorim – Valor fixado conforme gravidade,
sem prova de prejuízo econômico.
Questão 10 – OAB XXIV/2018
Enunciado: Município deixou buraco grande e sem sinalização em rua; Carlos, de noite,
desviou e bateu em poste, ferindo-se. Município alega que buraco foi aberto por
terceiro e não teve tempo de consertar. Responsabilidade:
A) Não há: fato de terceiro, não deu tempo
B) Objetiva: dever de manter vias seguras, independente de quem causou
C) Subjetiva: só se provado que sabia e não fez nada
D) Não há: culpa exclusiva de Carlos, que devia dirigir devagar
Gabarito: B
Comentário: Carlos Roberto Gonçalves – Responsabilidade do Estado por serviços
públicos (art. 37 §6º CF + art. 937 CC) é objetiva. Dever de vigilância e conservação é
permanente; não importa quem abriu buraco, deve sinalizar ou consertar. Daniel
Amorim – Fato de terceiro só exclui se for absolutamente imprevisível e inevitável;
aqui, risco da via pública é do poder público. Fredie Didier – Nexo causal: defeito da via
→ acidente → dano; responde integralmente.
BLOCO 2 – DIREITO DE FAMÍLIA (10 questões)
Questão 11 – OAB XLV/2025
Enunciado: Casal casou-se em comunhão parcial de bens. Antes do casamento, Pedro
tinha uma loja que continuou funcionando e lucrando durante a união; também
herdou um apartamento do pai, já no casamento. Ao separarem, como se definem
esses bens?
A) Loja e apartamento são particulares de Pedro; lucros da loja são comuns
B) Tudo é comum, pois estava em atividade e herança entra na comunhão
C) Loja e lucros são comuns; apartamento é particular
D) Só apartamento é particular; loja e tudo que gerou é comum
Gabarito: A
Comentário: Carlos Roberto Gonçalves – Art. 1.658 CC: na comunhão parcial, são
particulares: bens anteriores, herança ou doação recebida por um só cônjuge. Comuns:
frutos, rendimentos e acréscimos de qualquer bem, trabalho ou atividade. Fredie
Didier – Loja anterior = particular; lucros do casamento = comum. Herança recebida =
sempre particular, não importa quando. Daniel Amorim – Regra clara: origem define
natureza; frutos são da comunhão.
Questão 12 – OAB XLIV/2025
Enunciado: Maria teve filho 295 dias após dissolução do casamento por morte. Família
do marido diz que não pode ser filho dele, pois prazo é 270 dias. Sobre presunção de
paternidade:
A) Não é filho: prazo máximo é 270 dias
B) É presumido: prazo legal é até 300 dias; vale até prova contrária
C) Só vale se mãe provar que não se relacionou com outro
D) Presunção absoluta: ninguém pode contestar
Gabarito: B
Comentário: Daniel Amorim – Art. 1.597 CC: prazo de 300 dias após dissolução;
presume-se concebido no casamento. É presunção juris tantum: pode ser contestada
com prova de que não houve convívio ou impossibilidade. Carlos Roberto – Prazo
fixado em lei, não reduzido por entendimento familiar; contagem exata: dia da
dissolução até nascimento. Fredie Didier – Contestação só em ação própria, com prova
técnica ou fato incontestável.
Questão 13 – OAB XLII/2024
Enunciado: Após divórcio, ficou definido guarda compartilhada, mas filho mora com amãe. Pai quer viajar com ele para outro país; mãe proíbe, alegando que mora com ela e
só ela decide. Decisão correta:
A) Mãe tem razão: quem detém moradia decide tudo
B) Pai decide só coisas pequenas; viagem depende de acordo
C) Ambos têm poderes iguais; viagem exige consenso ou ordem judicial
D) Guarda compartilhada só vale para escola; viagem é da mãe
Gabarito: C
Comentário: Fredie Didier – Lei 13.058/2014 + art. 1.634 CC: guarda compartilhada
= poder familiar compartilhado, independente de onde mora. Decisões importantes
(viagem, saúde, educação) exigem acordo; se não houver, juiz decide. Carlos Roberto –
Moradia é apenas convivência; não retira poderes do outro genitor. Daniel Amorim –
Regra: igualdade de direitos; proibir sem motivo justo é abuso.
Continuação: Questões 14 a 30 – OAB 1ª Fase | Direito Civil
Temas: Direito de Família | Direito das Sucessões
Comentários conforme: Carlos Roberto Gonçalves, Fredie Didier Jr., Daniel Amorim
Assumpção Neves
Dando continuidade às questões complexas já aplicadas pela FGV
BLOCO 2 – DIREITO DE FAMÍLIA (Continuação)
Questão 14 – OAB XL/2023
Enunciado: União estável entre pessoas do mesmo sexo, durou 8 anos, sem contrato
escrito. Ao falecer um deles, o sobrevivente pede direitos sucessórios e divisão de
bens. A família do falecido alega que não há previsão legal. Assinale a correta:
A) Não tem direito: união estável só vale para heterossexuais
B) Tem todos os direitos: STF e Lei 11.340/06 equiparam ao casamento, mesmo sem
contrato
C) Tem só direito a alimentos, não a herança ou bens
D) Tem direito apenas aos bens que provar que comprou com seu dinheiro
Gabarito: B
Comentário: Daniel Amorim – O STF reconheceu repercussão geral (RE 477.980) e o
art. 1.723 CC, com redação atual, equipara integralmente a união estável homoafetiva
à heteroafetiva. Todos os efeitos: bens, alimentos, sucessões, independente de
contrato escrito — a lei presume comunhão parcial de bens. Carlos Roberto Gonçalves
– A constitucionalização do direito de família eliminou qualquer distinção baseada em
orientação sexual; o vínculo é familiar e produz todos os efeitos civis. Fredie Didier – A
falta de contrato não afasta o regime legal; basta provar a convivência pública, contínua
e duradoura com objetivo de constituição de família.
Questão 15 – OAB XXXVIII/2023
Enunciado: Luiz e Mariana são pais de Felipe, de 19 anos, que cursa faculdade em
outra cidade e não tem renda própria. Os pais se divorciaram e Luiz parou de pagar
alimentos, alegando que o filho já é maior de idade. Mariana entra na Justiça. Decisão
correta:
A) Luiz está certo: alimentos acabam aos 18 anos, fim do poder familiar
B) Deve continuar pagando: filho maior, se estuda curso superior e não tem meios
próprios, tem direito
C) Paga só até 21 anos, independente de estudo
D) Cabe pagamento só se houver acordo, a lei não obriga após maioridade
Gabarito: B
Comentário: Carlos Roberto Gonçalves – Art. 1.699 CC: regra geral é até os 18 anos,
mas estende-se se o filho estiver cursando ensino superior ou técnico
profissionalizante, e não tiver capacidade econômica de se manter. É dever decorrente
da solidariedade familiar. Fredie Didier – O fim da menoridade não extingue
automaticamente o dever; o critério é a necessidade aliada à frequência em curso
regular. Daniel Amorim – Não há limite de idade fixo, mas a obrigação cessa se provado
que o filho tem condições de se sustentar ou abandona os estudos sem motivo justo.
Questão 16 – OAB XXXVI/2022
Enunciado: Avós desejam adotar sua neta, cujos pais faleceram. O Ministério Público
opõe-se alegando que adoção por ascendentes não é permitida ou não rompe laços.
Sobre o caso:
A) Proibido por lei: adoção só pode ser feita por pessoas estranhas à família
B) Permitida, mas mantém vínculo com a família de origem, só muda guarda
C) Permitida, rompe totalmente o vínculo com a família anterior, exceto direitos
sucessórios entre eles
D) Permitida apenas se não houver outros parentes vivos
Gabarito: C
Comentário: Fredie Didier – Art. 1.618 CC: é permitida a adoção por ascendentes, e
ela produz o rompimento completo dos laços de parentesco com a família de origem,
com a única exceção dos direitos sucessórios entre o adotado e os adotantes e seus
parentes. Diferente da adoção por estranhos, onde se quebra tudo. Carlos Roberto
Gonçalves – A lei visa proteger o melhor interesse da criança; sendo os avós pessoas
idôneas, é medida preferencial. Daniel Amorim – O vínculo anterior desaparece para
todos os efeitos, menos para herdar uns dos outros, evitando prejuízo patrimonial.
Questão 17 – OAB XXXIV/2022
Enunciado: Pedro, com 62 anos, vai se casar com Ana, de 30 anos. Desejam escolher o
regime de comunhão universal de bens. Cartório nega o registro, alegando que a lei
impõe regime obrigatório. A conduta do cartório é:
A) Correta: maiores de 60 anos devem, obrigatoriamente, casar em separação total de
bens
B) Errada: podem escolher qualquer regime, idade não é impedimento
C) Correta: comunhão universal é proibida para quem tem mais de 50 anos
D) Errada: a regra vale apenas para quem tem mais de 70 anos
Gabarito: A
Comentário: Daniel Amorim – Art. 1.641 CC: é obrigatória a separação total de
bens quando um dos nubentes for maior de 60 anos, ou se dependente
economicamente do outro, ou se um tem mais de 70 anos. A norma visa proteger o
patrimônio do idoso e evitar prejuízos sucessórios. Carlos Roberto Gonçalves – É regra
de ordem pública, não pode ser afastada por vontade das partes; o contrato
antenupcial que contrariar é nulo. Fredie Didier – A idade é o critério objetivo;
completados os 60 anos, não há escolha: separação total é imposta por lei.
Questão 18 – OAB XXXI/2021
Enunciado: Pai reconheceu voluntariamente seu filho fora do casamento, mas depois
descobriu que houve erro e ele não é o pai biológico. Pode ele anular o
reconhecimento?
A) Sim, a qualquer tempo, bastando prova de DNA
B) Não: reconhecimento de paternidade é ato personalíssimo e irrevogável, só cabe
contestação na ação própria
C) Sim, desde que o filho seja menor de idade
D) Não, a menos que haja acordo com a mãe
Gabarito: B
Comentário: Carlos Roberto Gonçalves – Art. 1.609 CC: o reconhecimento é
irrevogável. Trata-se de ato personalíssimo, baseado na manifestação de vontade. A via
correta não é anulação, mas ação de contestação de paternidade, onde se prova a
inexistência do vínculo biológico ou o vício de vontade (erro, dolo, coação) na hora do
reconhecimento. Fredie Didier – A irrevogabilidade protege a estabilidade do vínculo
familiar e a situação do filho; não basta mudar de ideia, é necessário provar em juízo o
erro essencial. Daniel Amorim – Uma vez inscrito no registro, só a sentença judicial
pode alterar a filiação.
Questão 19 – OAB XXIX/2020
Enunciado: Após a separação do casal, foi decretada a guarda compartilhada da
criança, que passa a morar efetivamente com a mãe. O pai deseja viajar com a criança
para o exterior nas férias. A mãe proíbe a viagem alegando que detém a moradia.
Sobre o direito:
A) Mãe tem razão: guarda compartilhada é só para decisões rotineiras, viagem
depende de quem mora com o filho
B) Pai pode viajar sozinho, não precisa de autorização
C) Viagem ao exterior é ato relevante, depende de acordo ou ordem judicial, pois
ambos exercem o poder familiar
D) Guarda compartilhada é nula se a moradia for só com um dos pais
Gabarito: C
Comentário: Fredie Didier – Lei 13.058/2014 alterou o art. 1.634 CC: a guarda
compartilhada significa exercício conjunto do poder familiar, independente do local
onde a criança reside. Atos de maior relevância, como viagem internacional, mudança
de