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Coesão x Coerência
INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS
COESÃO X COERÊNCIA
COERÊNCIA VERSUS COESÃO
• Coerência consiste em adequada articulação entre os sentidos das partes de um 
texto, e/ou adequação entre significados do texto e dados da realidade.
Isso significa que as frases mantêm harmonia entre si e seguem uma mesma linha de 
raciocínio, sem contradições. Em uma explicação simplificada, a coerência corresponde à 
ausência de contradição textual.
A coerência também pode ser entendida como uma adequação entre os significados 
do texto e os dados da realidade. Nesse contexto, observam-se dois aspectos: a coerência 
interna e a coerência externa. A coerência interna corresponde à ausência de contradição 
entre as frases do próprio texto. Já a coerência externa diz respeito à correspondência entre 
aquilo que o texto afirma e a realidade, ou seja, o texto não pode contradizer a realidade. 
Esse aspecto também recebe o nome de coerência pragmática.
Por exemplo, ao afirmar que “o gato é branco”, mas o gato observado é preto, a afirmação 
não corresponde à realidade. Nesse caso, ocorre uma incoerência pragmática, pois o texto 
apresenta uma informação que se opõe aos dados reais.
• Coesão consiste em estabelecer referência de um trecho a outro do texto, e/ou 
estabelecer conexão/sequência entre orações/frases/parágrafos. Além disso, a coesão 
pode levar em conta elementos da situação comunicativa entre emissor e receptor 
(coesão exofórica e emprego de elementos dêiticos).
A coesão possui base gramatical no emprego de pronomes utilizados para realizar 
referências, no emprego de verbos que também podem exercer essa função, bem como no 
uso de sinônimos, entre outros processos. Além disso, a coesão manifesta-se pelo emprego 
de conectores, como conjunções e locuções conjuntivas.
Ademais, a coesão pode levar em conta elementos da situação comunicativa entre 
emissor e receptor, como ocorre na coesão exofórica. Nesse caso, o texto faz referência a 
elementos presentes na cena vivenciada pelos interlocutores, durante uma conversa em 
determinado contexto, com menção a objetos situados ao redor. Trata-se de uma coesão 
referente a objetos externos à fala. Assim, podem ser feitas referências à mesa em que 
alguém está sentado, à tela do notebook, do tablet ou ao celular utilizado naquele momento. 
Essa referência a objetos presentes no ambiente caracteriza a coesão exofórica. O mesmo 
ocorre com o emprego de elementos dêiticos. 
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Coesão x Coerência
INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS
O texto apresentado a seguir é considerado relevante por permitir a observação 
simultânea dos processos de coerência e de coesão textual. Trata-se de um poema de 
Oswald de Andrade:
INFÂNCIA
O camisolão
O jarro
O passarinho
O oceano
A visita na casa que a
gente sentava no sofá
ADOLESCÊNCIA
Aquele amor
Nem me fale
MATURIDADE
O Sr. e Sr. a Amadeu
Participam a V. Exa.
O feliz nascimento
De sua filha Gilberta
VELHICE
O netinho jogou os
óculos
Na latrina
(Oswald de Andrade)
• Latrina: vaso sanitário, privada.
Observa-se, inicialmente, o uso de letras minúsculas nos títulos “infância”, “adolescência”, 
“maturidade” e “velhice”, que correspondem aos títulos das quatro estrofes do poema. 
Esse emprego das letras minúsculas integra também um processo significativo dentro da 
construção textual.
Na representação da infância, percebe-se a predominância de palavras isoladas: 
“camisolão”, “jarro”, “passarinho”, “oceano”. Posteriormente, inicia-se uma conexão entre 
palavras na construção “visita na casa que a gente sentava no sofá”. Entretanto, essa conexão 
ainda não se realiza de forma plenamente adequada ao padrão gramatical.
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Coesão x Coerência
INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS
Rigorosamente, a construção correta seria “visita à casa”, e não “visita na casa”, uma 
vez que se trata de visita realizada a alguém ou a algum lugar. Além disso, a estrutura “casa 
que a gente sentava no sofá” exigiria a preposição “em”, formando “casa em que a gente 
sentava no sofá”. Soma-se a isso o emprego da expressão informal “a gente”.
No texto literário e poético, contudo, tais desvios podem ocorrer de maneira intencional. 
Nesse caso, há adequação entre o conteúdo tratado – a infância – e a forma utilizada para 
representá-lo. As palavras isoladas remetem à linguagem de uma criança em processo 
inicial de fala, enquanto as frases incompletas ou estruturalmente simples reproduzem 
um modo infantil de expressão. Essa relação harmoniosa entre tema e forma constitui um 
exemplo de coerência textual.
Ao abordar a adolescência, o poema apresenta a frase “aquele amor nem me fale”. 
Também nesse caso a construção não segue integralmente o padrão gramatical. Em ordem 
direta, seria possível formular “nem me fale daquele amor”, exigindo o emprego da preposição 
“de”. Entretanto, o texto omite essa ligação e fragmenta a frase ao separá-la em linhas 
distintas.
Essa fragmentação relaciona-se ao próprio tema tratado: as descobertas amorosas e 
as memórias afetivas da adolescência. A expressão “nem me fale” costuma ser utilizada em 
referência a lembranças marcantes de determinada época. Assim, o conteúdo e a forma 
continuam articulados de maneira coerente, pois a informalidade da construção acompanha 
o universo temático da adolescência. 
Na estrofe da maturidade, a linguagem passa a apresentar estrutura plenamente 
formal e gramaticalmente organizada: “o Sr. e a Sra. Amadeu participam a V. Exa. o feliz 
nascimento de sua filha Gilberta”. Há identificação clara do sujeito – “o Sr. e a Sra. Amadeu” 
– e o verbo “participar” é empregado no sentido de comunicar algo a alguém, funcionando 
como verbo transitivo direto e indireto.
Nesse contexto, “a V. Exa.” exerce a função de objeto indireto, indicando o destinatário 
da comunicação, enquanto “o feliz nascimento de sua filha Gilberta” corresponde ao objeto 
direto, isto é, ao conteúdo comunicado. A construção apresenta formalidade linguística, 
tratamento cerimonioso e referências a vínculos sociais e hierárquicos, como no uso da 
expressão “vossa excelência”. Esses elementos são associados à maturidade, reforçando 
novamente a coerência entre forma e conteúdo.
Na velhice, o poema apresenta a frase “o netinho jogou os óculos na latrina”. O termo 
“netinho” remete imediatamente à figura de um avô ou de uma avó. O episódio narrado 
refere-se a uma travessura infantil, consistente em jogar os óculos do avô ou da avó na 
latrina. Mais uma vez, há coerência entre o tema da velhice e os elementos utilizados na 
construção textual.
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Coesão x Coerência
INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS
Assim, a coerência consiste na adequada articulação entre os sentidos das partes de 
um texto. Não significa simplesmente igualdade de sentido. O aspecto central está na 
existência de harmonia lógica entre as partes textuais.
 Obs.: Em questões de prova, por exemplo, quando se pergunta se a substituição de uma 
palavra “preserva a coerência”, não se indaga apenas se o sentido permanece igual. 
A questão busca verificar se, após a substituição, continua existindo uma relação 
lógica e harmoniosa entre as partes do texto.
Quanto à coesão presente no texto, observa-se a articulação estabelecida entre as 
palavras e estruturas textuais. O autor inicia conexões entre os elementos do texto, ainda 
que haja inadequações gramaticais. Mesmo existindo erros relacionados ao uso da crase 
ou à ausência de determinadas preposições, a coesão permanece estabelecida.
Embora a coesão esteja relacionada a aspectos gramaticais, isso não significa que 
qualquer erro gramatical comprometa necessariamente a coesão textual. A coesão utiliza 
recursos gramaticais, como conjunções, pronomes, sinônimos e advérbios, responsáveis 
pela criação de referências e conexõesentre partes do texto. Portanto, sua relação com a 
gramática decorre do uso desses recursos estruturais.
Entretanto, a presença de erros gramaticais não implica, obrigatoriamente, ausência 
de coesão. A literatura de cordel, por exemplo, representada por autores como Patativa do 
Assaré, frequentemente apresenta desvios gramaticais, ausência de conectivos, falhas de 
pontuação e grafias não padronizadas. Ainda assim, a coesão textual permanece preservada, 
pois continuam existindo referências, retomadas de ideias e conexões mínimas entre frases 
e palavras. 
 Obs.: Perguntas sobre coesão não correspondem a perguntas sobre correção gramatical. 
Questões relativas à pontuação, concordância, regência ou ortografia pertencem 
ao campo da análise gramatical, e não propriamente ao da coesão textual.
A frase “a visita na casa que a gente sentava no sofá”, mesmo apresentando inadequações 
gramaticais, mantém coesão textual. Há conexões estabelecidas entre os termos: “visita na 
casa”, “casa que a gente sentava” e “sentava no sofá”. Portanto, existem vínculos estruturais 
entre as partes da frase.
Do ponto de vista gramatical, contudo, a construção não está adequada. O correto seria 
“a visita à casa”, com emprego de crase. Além disso, a estrutura “casa que a gente sentava” 
exigiria a preposição “em”, formando “casa em que a gente sentava”. Essas observações 
pertencem à análise gramatical relacionada à regência e à transitividade.
Dessa forma, é necessário distinguir três tipos de análise:
1. A análise da coerência, relacionada à harmonia entre as partes do texto e à ausência 
de contradição.
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Coesão x Coerência
INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS
2. A análise da coesão, relacionada à existência de vínculos e conexões entre palavras, 
frases e períodos, frequentemente por meio do emprego de conjunções e outros mecanismos 
referenciais.
3. A análise gramatical, relacionada ao respeito às normas de crase, pontuação, ortografia, 
concordância e regência.
 Obs.: Em provas, é fundamental distinguir exatamente o que a banca examinadora está 
solicitando em cada questão, a fim de evitar interpretações equivocadas.
A COERÊNCIA TEXTUAL
• A COERÊNCIA pode ocorrer internamente ao texto, ou pode ocorrer entre o texto e 
a realidade.
− A coerência interna (ou coerência textual) significa adequação entre os sentidos 
das partes do texto.
− A coerência entre o texto e a realidade significa que o sentido produzido no texto 
equivale a um dado do mundo real. É chamada também de coerência pragmática.
 ◦ No exemplo em que se afirma que “o gato é branco”, enquanto o animal observado 
é preto, verifica-se ausência de coerência pragmática, pois a afirmação textual 
não corresponde à realidade.
Exemplos:
1) Diante do perigo, só tinha medo de ter coragem. → Frase claramente sem coerência 
interna. A construção produz estranhamento, pois expressa medo da própria coragem.
Questões desse tipo aparecem com frequência em provas, especialmente em itens que 
analisam se determinada frase apresenta coerência interna ou não. A banca Fundação 
Getúlio Vargas costuma explorar amplamente esse modelo de questão.
Já a Fundação Carlos Chagas costuma enfatizar o emprego adequado de conectivos, 
verificando se estabelecem relações coerentes entre as frases.
A banca Cebraspe trabalha frequentemente com reescritas de frases, avaliando se a nova 
formulação mantém relações lógicas adequadas e preserva a coerência textual.
2) Ana gosta de acordar bem cedo para ver o sol nascer no oeste. → Frase sem 
coerência pragmática (não corresponde ao dado do mundo real, em que o sol nasce no 
leste, e não no oeste).
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Coesão x Coerência
INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS
ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS
As orações subordinadas adjetivas podem ser explicativas ou restritivas. A oração 
subordinada adjetiva explicativa apresenta sentido de generalização, enquanto a oração 
subordinada adjetiva restritiva limita a afirmação a apenas parte do conjunto. 
Além disso, a oração subordinada adjetiva explicativa aparece isolada por vírgulas, 
enquanto a oração subordinada adjetiva restritiva ocorre sem vírgulas.
Contudo, as bancas examinadoras costumam explorar situações em que a oração 
subordinada adjetiva, do ponto de vista lógico, somente pode ser explicativa. Há casos em 
que apenas a forma explicativa é coerente.
Considere-se o seguinte exemplo: “O Brasil, que se destacou no futebol mundial, sediou 
a Copa em 2014.” Nesse caso, o termo “Brasil” refere-se a uma entidade única. Não existe 
outro país denominado Brasil. Assim, qualquer informação acrescentada sobre o Brasil 
necessariamente se refere ao país como um todo.
Por essa razão, a oração adjetiva deve aparecer entre vírgulas, caracterizando-se como 
explicativa. A retirada das vírgulas produziria incoerência. Sem as vírgulas, a oração passaria 
a ter valor restritivo, sugerindo a existência de mais de um “Brasil”: um que se destacou 
no futebol e outro que não se destacou. Como isso não corresponde à realidade, haveria 
incoerência pragmática.
Também existem situações em que a oração subordinada adjetiva somente faz sentido 
se for restritiva. Observe-se o exemplo: “Os aposentados que não tiverem moradia ganham 
casa da prefeitura.”.
Nesse caso, não se pode afirmar que todos os aposentados não possuem moradia. Existem 
aposentados que possuem residência e outros que não possuem. Portanto, a oração “que 
não tiverem moradia” restringe o grupo dos aposentados apenas à parcela que se encontra 
nessa condição. Assim, a oração deve ocorrer sem vírgulas, mantendo caráter restritivo.
Caso fossem empregadas vírgulas – “Os aposentados, que não possuem moradia, vão 
ganhar casa da prefeitura” – o sentido produzido seria o de que todos os aposentados 
não possuem moradia. Essa generalização não corresponde à realidade e gera incoerência 
pragmática.
Esse tipo de análise é frequentemente explorado pelas bancas examinadoras, inclusive 
na correção de redações. O emprego inadequado de vírgulas em orações subordinadas 
adjetivas pode produzir incoerências e ocasionar perda de pontos na avaliação textual.
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Coesão x Coerência
INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS
01. (FGV/SEFAZ-RS) As marcas mais visíveis da textualidade são a coesão, a coerência e a 
intertextualidade. Entre as frases a seguir, assinale aquela que não mostra coerência.
a) O amor se parece com a sede: um pouco de comida o sustenta.
b) Charme é conseguir a resposta sem ter feito nenhuma pergunta clara.
c) Posso bem perdoar, mas esquecer é outra coisa.
d) Ninguém escreve em seu caderno de notas os favores recebidos de outrem.
e) Eu e meu pai, nossas semelhanças são diferentes.
a) Inicialmente, espera-se que a comparação estabelecida entre o amor e a sede seja 
desenvolvida com elementos semanticamente relacionados à sede, como água ou bebida. 
Entretanto, a frase utiliza o termo “comida”, pertencente a outro campo semântico. Isso 
produz certo estranhamento. Contudo, a frase não chega a configurar contradição lógica 
propriamente dita. Há apenas aproximação entre campos semânticos distintos. 
b) A frase permanece coerente, pois existe possibilidade lógica de alguém obter uma resposta 
adequada mesmo sem formular uma pergunta clara. Trata-se de situação plenamente 
possível na realidade.
c) Também não há incoerência. É perfeitamente possível perdoar alguém e, ainda assim, 
manter a lembrança do ocorrido. O contrário de esquecer é lembrar, enquanto o contrário 
de perdoar é não perdoar.
d) A frase apresenta coerência e se aproxima de um ditado popular relacionado ao 
comportamento humano. Frequentemente, as pessoas tendem a recordar os acontecimentos 
negativos e esquecem os favores ou benefícios recebidos. Portanto, há lógica interna e 
correspondência com situações observáveis da realidade.e) Nesse caso, verifica-se contradição direta. O termo “semelhanças” é qualificado por 
“diferentes”, isto é, pela ideia oposta à própria noção de semelhança. O contrário de 
semelhança é diferença. Assim, a frase aproxima elementos contraditórios dentro da 
mesma construção, produzindo incoerência.
 Obs.: É importante distinguir situações de oposição lógica de simples diferenças semânticas. 
Na letra “a”, por exemplo, há apenas aproximação entre campos semânticos distintos 
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Coesão x Coerência
INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS
– “sede” e “comida” –, mas não oposição direta. O contrário de comida seria, por 
exemplo, fome, e não sede. 
Já na letra “e” há efetivamente choque entre contrários: “semelhanças” e “diferentes”. Por 
isso, a incoerência exigida pela questão encontra-se nessa alternativa. Esse tipo de análise 
demonstra como a Fundação Getúlio Vargas costuma trabalhar de forma bastante sutil as 
relações de coerência textual.
COERÊNCIA TEXTUAL
 Obs.: A coerência NÃO é a mesma coisa que SENTIDO.
• A coerência vai além do mero significado das palavras e frases.
• É preciso observar a articulação das ideias no texto. EXEMPLO, na Constituição Federal:
Art. 7º. São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria 
de sua condição social: […]
Observa-se que:
A expressão “são direitos” aparece sem artigo definido. Caso fosse empregado o 
artigo definido, formando “são os direitos”, haveria alteração de sentido. A construção 
com artigo definido produziria a ideia de totalidade, isto é, de que aqueles seriam todos 
os direitos existentes. Entretanto, o próprio texto constitucional afirma posteriormente: 
“além de outros”. Assim, o caput já deixa claro que existem outros direitos além daqueles 
expressamente mencionados. Por essa razão, o emprego sem artigo definido é coerente 
com o restante do texto, pois transmite a ideia de alguns direitos, e não de todos os direitos 
possíveis.
Conclusão:
• É coerente NÃO empregar o artigo definido. Sua ausência indica palavra em sentido 
geral.
• Caso seja empregado o artigo definido, com a construção “São os direitos dos 
trabalhadores urbanos e rurais…”, haverá incoerência. MAS a incoerência não decorrerá 
APENAS da alteração de sentido. A incoerência ocorrerá porque o NOVO sentido 
definido NÃO será adequado no texto constitucional.
Outro exemplo:
TEXTO. Durante muitos anos discutiu-se apaixonadamente se as empresas multinacionais 
(EMNs) iam dominar o mundo, ou se serviam aos interesses imperialistas de seus países-sede, 
mas esses debates foram murchando, seja porque não fazia sentido econômico hostilizar as 
EMNs, seja porque elas pareciam, ao menos nas grandes questões, alheias e inofensivas ao 
mundo da política.
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Coesão x Coerência
INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS
• A substituição das formas verbais “iam” e “serviam” por “iriam” e “serviriam” preserva 
a coerência e a correção textual? 
− Nesse caso, a substituição preserva tanto a coerência quanto a correção textual. As 
formas “iriam” e “serviriam” pertencem ao futuro do pretérito, tempo verbal que 
expressa hipótese ou possibilidade. Como o texto já se encontra inserido em um 
contexto de dúvida e discussão, o emprego desse tempo verbal mantém harmonia 
com o sentido geral do trecho.
− Assim, as formas “iriam dominar o mundo” e “serviriam aos interesses imperialistas” 
permanecem coerentes com a ideia de hipótese presente no texto, preservando 
adequadamente as relações lógicas e semânticas estabelecidas.
02. (CEBRASPE/TCU) Suposta esta primeira verdade, certa e infalível; a segunda cousa que 
suponho com a mesma certeza é que a restituição do alheio sob pena da salvação não só 
obriga aos súditos e particulares, senão também aos cetros e às coroas. Cuidam, ou devem 
cuidar alguns príncipes que, assim como são superiores a todos, assim são senhores de 
tudo, e é engano. A lei da restituição é lei natural e lei divina. Enquanto lei natural, obriga 
aos reis, porque a natureza fez iguais a todos; e enquanto lei divina, também os obriga, 
porque Deus, que os fez maiores que os outros, é maior que eles. Esta verdade só tem 
contra si a prática e o uso. Mas por parte deste mesmo uso argumenta assim São Tomás, 
o qual é hoje o meu doutor, e nestas matérias o de maior autoridade: a rapina, ou roubo, 
é tomar o alheio violentamente contra vontade de seu dono: “os príncipes tomam muitas 
cousas a seus vassalos violentamente, e contra sua vontade; logo, parece que o roubo é 
lícito em alguns casos, porque se dissermos que os príncipes pecam nisto, todos eles, ou 
quase todos se condenariam”. Oh que terrível e temerosa consequência e quão digna de 
que a considerem profundamente os príncipes, e os que têm parte em suas resoluções e 
conselhos! Responde ao seu argumento o mesmo Doutor angélico […]. Respondo (diz S. 
Tomás) que, se os príncipes tiram dos súbditos o que segundo justiça lhes é devido para 
conservação do bem comum, ainda que o executem com violência, não é rapina ou roubo. 
Porém, se os príncipes tomarem por violência o que se lhes não deve, é rapina e latrocínio. 
Donde se segue que estão obrigados à restituição como os ladrões, e que pecam tanto mais 
gravemente que os mesmos ladrões, quanto mais perigoso e mais comum o dano com que 
ofendem a justiça pública, de que eles estão postos por defensores.
Padre António Vieira. Sermão do bom ladrão. Pregado na Igreja da Misericórdia de Lisboa, 
no ano de 1655. Internet: (com adaptações).
Julgue o item a seguir, referente a ideias e aspectos gramaticais do texto precedente.
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Coesão x Coerência
INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS
No quarto período, a supressão das vírgulas que isolam a oração “que os fez maiores que os 
outros” prejudicaria a coerência das ideias que sustentam o texto, baseadas na fé católica.
A oração “que os fez maiores que os outros” aparece isolada por vírgulas, caracterizando-
se como oração subordinada adjetiva explicativa.
O texto apresenta uma concepção fundamentada na fé católica. O próprio autor é um padre, 
e o conteúdo textual apoia-se em princípios religiosos ligados ao catolicismo. Entre esses 
princípios encontra-se a ideia da unicidade de Deus, isto é, a existência de um único Deus.
Quando o referente é único, a oração subordinada adjetiva somente pode assumir valor 
explicativo. O mesmo raciocínio já havia sido aplicado anteriormente ao exemplo do Brasil: 
por se tratar de entidade única, não é possível estabelecer restrição.
Assim, ao se afirmar “Deus, que os fez maiores que os outros”, a oração explicativa acrescenta 
uma informação sobre Deus como entidade única.
Entretanto, caso as vírgulas fossem retiradas, a oração passaria a ter valor restritivo: “Deus 
que os fez maiores que os outros”. Nesse caso, o sentido produzido seria o de que existiriam 
vários deuses, e apenas um deles teria feito os homens maiores que os outros.
Esse novo sentido contradiz os princípios da fé católica presentes no texto, produzindo 
incoerência textual. A retirada das vírgulas comprometeria a harmonia lógica das ideias 
defendidas pelo autor. 
A análise demonstra como a coerência textual depende da relação lógica entre as informações 
do texto, dos conhecimentos pressupostos e dos sentidos produzidos pelas estruturas 
linguísticas. Questões desse tipo são comuns em provas mais exigentes e demandam 
atenção cuidadosa à articulação entre gramática, interpretação e construção de sentido.
GABARITO
1. e
2. C
� Este material foi elaborado pela equipe pedagógica do Gran Concursos, de acordo com a aula 
preparada e ministrada pelo professor Márcio Wesley.
A presente degravação tem como objetivo auxiliar no acompanhamento e na revisão do conteúdo 
ministrado na videoaula. Não recomendamos a substituição do estudo em vídeo pela leituraexclusiva deste material.
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