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Aula 03 - Pessoa Natural - 2023 2

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Centro Universitário da 
Amazônia 
Curso: Bacharelado em Direito 
Aula: Pessoa Natural 
Disciplina: Teoria Geral do Direito Civil 
Professor Rafael Marques Cohen 
E-mail: rafaelcohen_stm@hotmail.com 
• O ser humano individualmente considerado como sujeito de direitos e 
obrigações; 
• As expressões pessoa física e pessoa natural são sinônimas, apenas com a 
ressalva que esta (pessoa natural) foi a locução adotada pelo Código Civil 
brasileiro, enquanto que pessoa física foi adotada pelas legislações tributárias 
Pessoa 
Natural/Física 
Art. 1o Toda pessoa é capaz de 
direitos e deveres na ordem civil. 
Personalidade Civil ou Jurídica 
• A capacidade que as pessoas têm de serem titulares de 
direitos e deveres. 
• Personalidade não é um atributo natural, isto é, não 
está necessariamente vinculado ao ser humano. 
• Se assim fosse, a pessoa jurídica não teria 
personalidade. 
• Por isso se diz que a personalidade é um atributo 
jurídico. 
• O início da personalidade civil ocorre a partir do 
momento em que a pessoa nasce com vida, 
encerrando-se quando de sua morte. 
• Portanto, enquanto a pessoa viver terá personalidade. 
Art. 2º do novo 
Código Civil 
• A personalidade civil da pessoa começa do 
nascimento com vida; 
• Do próprio texto da lei temos, então, que 
são dois os requisitos para a caracterização 
da personalidade da pessoa natural: 
• O nascimento e a vida. 
NASCITURO 
• Art. 2o A personalidade civil da pessoa começa do 
nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a 
concepção, os direitos do nascituro. 
• Não se trata de uma exceção à regra de que a 
personalidade só começa com o nascimento com 
vida. 
• O objetivo do Código é, apenas, resguardar 
preventivamente os eventuais direitos que possam 
ser adquiridos, caso o nascituro nasça com vida. 
• Entretanto, se não ocorrer o nascimento com vida, 
torna-se inoperante a ressalva contida no Código 
Civil. 
• Portanto, o NASCITURO não é pessoa natural, tem 
apenas uma proteção jurídica. 
 
• A Lei busca proteger um ser que 
pode vir a se tornar pessoa (se 
nascer com vida). 
 
• Tem muita importância no 
campo do direito sucessório. 
 
• Por exemplo: se o pai da criança 
falecer enquanto sua esposa 
está grávida. Se a criança nascer 
com vida, esta terá direito à 
sucessão. 
Capacidade Jurídica 
• Medida limitadora ou delineadora 
da possibilidade de adquirir direitos 
e de contrair deveres. 
 
• Capacidade significa a aptidão que a 
pessoa tem de adquirir e exercer 
direitos. 
 
• A capacidade é a regra, ou seja, pelo 
código civil toda pessoa é capaz de 
direitos e deveres na ordem civil; 
 
• A incapacidade é a exceção, ou seja, 
são incapazes aqueles elencados 
pela legislação (menores de 16 
anos) 
• Art. 3o São absolutamente 
incapazes de exercer 
pessoalmente os atos da 
vida civil os menores de 16 
(dezesseis) anos. 
Art. 4o São incapazes, relativamente a certos atos ou à 
maneira de os exercer: 
I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos; 
 II - os ébrios habituais e os viciados em tóxico; 
 III - aqueles que, por causa transitória ou permanente, 
não puderem exprimir sua vontade; 
IV - os pródigos. 
Parágrafo único. A capacidade dos indígenas será 
regulada por legislação especial. 
 
 A capacidade divide-se em dois tipos: 
 
a) capacidade de direito: em que a 
pessoa adquire direitos, podendo ou 
não exercê-los, e 
 
b) capacidade de exercício ou de fato: em 
que a pessoa exerce seu próprio direito. 
Com isso, podemos concluir que todas as 
pessoas possuem capacidade de direito, 
mas nem todas possuem a capacidade de 
exercício do direito. 
Art. 5o A menoridade cessa aos dezoito anos 
completos, quando a pessoa fica habilitada à 
prática de todos os atos da vida civil. 
 
Parágrafo único. Cessará, para os menores, a 
incapacidade (Emancipação): 
I - pela concessão dos pais, ou de um deles na falta 
do outro, mediante instrumento público, 
independentemente de homologação judicial, ou 
por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor 
tiver dezesseis anos completos; 
II - pelo casamento; 
III - pelo exercício de emprego público efetivo; 
IV - pela colação de grau em curso de ensino 
superior; 
V - pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela 
existência de relação de emprego, desde que, em 
função deles, o menor com dezesseis anos 
completos tenha economia própria. 
Assistência 
Os assistentes dos incapazes serão: 
 
a) os pais ou tutor assistem os maiores 
de 16 e menores de 18 anos. 
 
b) o curador assiste aos pródigos e aos 
que possuem o discernimento reduzido, 
se maiores de 18 anos. 
Art. 6o A existência da 
pessoa natural termina 
com a morte; presume-se 
esta, quanto aos ausentes, 
nos casos em que a lei 
autoriza a abertura de 
sucessão definitiva. 
Incapacidade e 
Impedimento 
A incapacidade não se confunde com o 
impedimento. 
 
No impedimento, ocorre a vedação à 
realização de certos negócios jurídicos, 
como por exemplo, fazer contratos, 
adquirir bens etc. 
 
Exemplo: a lei proíbe que o leiloeiro e 
seus prepostos adquiram, ainda que em 
hasta pública, os bens de cuja venda 
estejam encarregados. 
O NOME 
CIVIL – 
REGISTRO 
CIVIL 
Pessoas naturais: seres humanos que, 
enquanto pessoas, têm reconhecida sua 
personalidade 
Pessoas jurídicas: entes formados pela 
associação de indivíduos ou de patrimônio 
voltadas para determinado fim comum a que 
o Direito ressalva uma personalidade 
jurídica, independente das de seus 
idealizadores. 
O registro civil do nascimento da pessoa 
natural dotada de formalidade e 
publicidade aquele fato jurídico que é o 
nascimento com vida, início da 
personalidade civil; 
 
Apresenta o indivíduo à sociedade, 
dando eficácia à sua personalidade. 
 
Neste sentido, sua natureza é 
declaratória, afinal, a pessoa humana 
não precisa para receber a sua 
qualidade de pessoa. Assim, a 
personalidade civil começa do 
nascimento com vida. 
A QUESTÃO DO/A 
TRANSEXUAL 
Transexualidade 
• Ocorre que, o transexual, quando do seu nascimento, no 
registro civil, foi classificado segundo o seu aspecto 
sexual anatômico externo como pertencente a um dos 
sexos, ou feminino ou masculino. 
• Este, assentado em registro público, é o sexo civil. 
• Porém, a avaliação da fisionomia não é a única para a 
determinação do sexo de um indivíduo. 
• A averiguação do status sexual requer a conjugação dos 
aspectos biológico, psíquico e comportamentais. 
• Somente o conjunto desses aspectos será capaz de 
apontar com maior fidelidade e compromisso a qual dos 
dois sexos pertence a pessoa. 
• A regra, contudo, é que os três aspectos correspondam 
revelando uma identidade sexual, mas esta convergência 
harmônica pode não ocorrer. 
Transexualidade 
No caso do transexual operado, que 
possuía, em primeiro plano aquela 
inadequação corporal com a psiquê, o 
sexo civil, determinando comportamento 
na vida civil, na esfera jurídica e social 
em geral, imporá barreira para a 
realização da identidade sexual da 
pessoa. 
 
Existe um interesse juridicamente 
relevante no gozo da identidade sexual. 
Transexualidade 
 O conteúdo de tal interesse da pessoa é representado, 
essencialmente, no reconhecimento, sob todos os 
aspectos da vida social, privada e pública, como sendo a 
mesma pertencente ao próprio sexo. 
 
Com o transexual isso não acontece. A principal 
inadequação é a factual com a jurídico-formal. 
 
Se o registro tem publicidade, autenticidade, eficácia, não 
existe reconhecimento social da situação daquele 
indivíduo, do seu estado. 
 
A identidade sexual transcende o aspecto morfológico, 
encontra-se no campo da identificação psíquica de se 
pertencer a determinado gênero sexual que se externa 
com o comportamento. 
 
A identidade sexual integra a identidade pessoal. 
Identidade 
• O indivíduo possui identidade estática e 
dinâmica. 
 
• “A identidade estática ‘compreende o 
nome, a identificação física, a imagem.
• Isto está protegido pelas leis referentes ao 
nome, à capacidade e ao estado civil. 
 
• Essa é, então, a resguardada pelo direito à 
identidade. 
 
• O direito à identidade sexual como direito 
à identidade pessoal, constitui direito da 
personalidade (OLIVEIRA, J. M. Leoni Lopes de. Direito 
Civil: teoria geral do direito civil. 2ª ed. atual. e amp. Rio de Janeiro: 
Lumen Juris, 2000). 
 
ANALISE A QUESTÃO E DESENVOLVA 
Luiza ajuizou ação porque, embora há muitos anos se apresente socialmente com esse nome e com aparência 
feminina, foi registrada no nascimento sob o nome de Luis Roberto, do gênero masculino. Aduz na inicial que, 
embora nascida com características biológicas e cromossômicas masculinas, desde adolescente compreendeu-
se transexual e, ao constatar a incompatibilidade com sua morfologia corporal, passou a adotar a identidade 
feminina, vestindo-se e apresentando-se socialmente como mulher. Nunca se submeteu à cirurgia de 
transgenitalização, por receio dos riscos da cirurgia e por entender que isso não a impede de ser mulher. 
Diante disso, formula pedidos para que seja alterado não somente o seu registro de nome, mas também o 
registro de gênero, cujo conteúdo lhe causa profundo constrangimento. Demanda que passe a constar o 
prenome Luiza no lugar de Luis Roberto e o gênero feminino no lugar de masculino. A sentença, contudo, 
julgou improcedente o pedido, limitando-se a afirmar que o pleito, sem a prévia cirurgia de transgenitalização, 
fere os bons costumes. Sobre o caso, responda aos itens a seguir. 
 
A) A sentença pode ser considerada adequadamente fundamentada? Justifique. 
 
B) No mérito, os dois pedidos de Luiza devem ser acolhidos? Justifique.

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