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Centro Universitário da Amazônia Curso: Bacharelado em Direito Aula: Pessoa Natural Disciplina: Teoria Geral do Direito Civil Professor Rafael Marques Cohen E-mail: rafaelcohen_stm@hotmail.com • O ser humano individualmente considerado como sujeito de direitos e obrigações; • As expressões pessoa física e pessoa natural são sinônimas, apenas com a ressalva que esta (pessoa natural) foi a locução adotada pelo Código Civil brasileiro, enquanto que pessoa física foi adotada pelas legislações tributárias Pessoa Natural/Física Art. 1o Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil. Personalidade Civil ou Jurídica • A capacidade que as pessoas têm de serem titulares de direitos e deveres. • Personalidade não é um atributo natural, isto é, não está necessariamente vinculado ao ser humano. • Se assim fosse, a pessoa jurídica não teria personalidade. • Por isso se diz que a personalidade é um atributo jurídico. • O início da personalidade civil ocorre a partir do momento em que a pessoa nasce com vida, encerrando-se quando de sua morte. • Portanto, enquanto a pessoa viver terá personalidade. Art. 2º do novo Código Civil • A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; • Do próprio texto da lei temos, então, que são dois os requisitos para a caracterização da personalidade da pessoa natural: • O nascimento e a vida. NASCITURO • Art. 2o A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro. • Não se trata de uma exceção à regra de que a personalidade só começa com o nascimento com vida. • O objetivo do Código é, apenas, resguardar preventivamente os eventuais direitos que possam ser adquiridos, caso o nascituro nasça com vida. • Entretanto, se não ocorrer o nascimento com vida, torna-se inoperante a ressalva contida no Código Civil. • Portanto, o NASCITURO não é pessoa natural, tem apenas uma proteção jurídica. • A Lei busca proteger um ser que pode vir a se tornar pessoa (se nascer com vida). • Tem muita importância no campo do direito sucessório. • Por exemplo: se o pai da criança falecer enquanto sua esposa está grávida. Se a criança nascer com vida, esta terá direito à sucessão. Capacidade Jurídica • Medida limitadora ou delineadora da possibilidade de adquirir direitos e de contrair deveres. • Capacidade significa a aptidão que a pessoa tem de adquirir e exercer direitos. • A capacidade é a regra, ou seja, pelo código civil toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil; • A incapacidade é a exceção, ou seja, são incapazes aqueles elencados pela legislação (menores de 16 anos) • Art. 3o São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil os menores de 16 (dezesseis) anos. Art. 4o São incapazes, relativamente a certos atos ou à maneira de os exercer: I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos; II - os ébrios habituais e os viciados em tóxico; III - aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua vontade; IV - os pródigos. Parágrafo único. A capacidade dos indígenas será regulada por legislação especial. A capacidade divide-se em dois tipos: a) capacidade de direito: em que a pessoa adquire direitos, podendo ou não exercê-los, e b) capacidade de exercício ou de fato: em que a pessoa exerce seu próprio direito. Com isso, podemos concluir que todas as pessoas possuem capacidade de direito, mas nem todas possuem a capacidade de exercício do direito. Art. 5o A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil. Parágrafo único. Cessará, para os menores, a incapacidade (Emancipação): I - pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instrumento público, independentemente de homologação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor tiver dezesseis anos completos; II - pelo casamento; III - pelo exercício de emprego público efetivo; IV - pela colação de grau em curso de ensino superior; V - pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de emprego, desde que, em função deles, o menor com dezesseis anos completos tenha economia própria. Assistência Os assistentes dos incapazes serão: a) os pais ou tutor assistem os maiores de 16 e menores de 18 anos. b) o curador assiste aos pródigos e aos que possuem o discernimento reduzido, se maiores de 18 anos. Art. 6o A existência da pessoa natural termina com a morte; presume-se esta, quanto aos ausentes, nos casos em que a lei autoriza a abertura de sucessão definitiva. Incapacidade e Impedimento A incapacidade não se confunde com o impedimento. No impedimento, ocorre a vedação à realização de certos negócios jurídicos, como por exemplo, fazer contratos, adquirir bens etc. Exemplo: a lei proíbe que o leiloeiro e seus prepostos adquiram, ainda que em hasta pública, os bens de cuja venda estejam encarregados. O NOME CIVIL – REGISTRO CIVIL Pessoas naturais: seres humanos que, enquanto pessoas, têm reconhecida sua personalidade Pessoas jurídicas: entes formados pela associação de indivíduos ou de patrimônio voltadas para determinado fim comum a que o Direito ressalva uma personalidade jurídica, independente das de seus idealizadores. O registro civil do nascimento da pessoa natural dotada de formalidade e publicidade aquele fato jurídico que é o nascimento com vida, início da personalidade civil; Apresenta o indivíduo à sociedade, dando eficácia à sua personalidade. Neste sentido, sua natureza é declaratória, afinal, a pessoa humana não precisa para receber a sua qualidade de pessoa. Assim, a personalidade civil começa do nascimento com vida. A QUESTÃO DO/A TRANSEXUAL Transexualidade • Ocorre que, o transexual, quando do seu nascimento, no registro civil, foi classificado segundo o seu aspecto sexual anatômico externo como pertencente a um dos sexos, ou feminino ou masculino. • Este, assentado em registro público, é o sexo civil. • Porém, a avaliação da fisionomia não é a única para a determinação do sexo de um indivíduo. • A averiguação do status sexual requer a conjugação dos aspectos biológico, psíquico e comportamentais. • Somente o conjunto desses aspectos será capaz de apontar com maior fidelidade e compromisso a qual dos dois sexos pertence a pessoa. • A regra, contudo, é que os três aspectos correspondam revelando uma identidade sexual, mas esta convergência harmônica pode não ocorrer. Transexualidade No caso do transexual operado, que possuía, em primeiro plano aquela inadequação corporal com a psiquê, o sexo civil, determinando comportamento na vida civil, na esfera jurídica e social em geral, imporá barreira para a realização da identidade sexual da pessoa. Existe um interesse juridicamente relevante no gozo da identidade sexual. Transexualidade O conteúdo de tal interesse da pessoa é representado, essencialmente, no reconhecimento, sob todos os aspectos da vida social, privada e pública, como sendo a mesma pertencente ao próprio sexo. Com o transexual isso não acontece. A principal inadequação é a factual com a jurídico-formal. Se o registro tem publicidade, autenticidade, eficácia, não existe reconhecimento social da situação daquele indivíduo, do seu estado. A identidade sexual transcende o aspecto morfológico, encontra-se no campo da identificação psíquica de se pertencer a determinado gênero sexual que se externa com o comportamento. A identidade sexual integra a identidade pessoal. Identidade • O indivíduo possui identidade estática e dinâmica. • “A identidade estática ‘compreende o nome, a identificação física, a imagem. • Isto está protegido pelas leis referentes ao nome, à capacidade e ao estado civil. • Essa é, então, a resguardada pelo direito à identidade. • O direito à identidade sexual como direito à identidade pessoal, constitui direito da personalidade (OLIVEIRA, J. M. Leoni Lopes de. Direito Civil: teoria geral do direito civil. 2ª ed. atual. e amp. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2000). ANALISE A QUESTÃO E DESENVOLVA Luiza ajuizou ação porque, embora há muitos anos se apresente socialmente com esse nome e com aparência feminina, foi registrada no nascimento sob o nome de Luis Roberto, do gênero masculino. Aduz na inicial que, embora nascida com características biológicas e cromossômicas masculinas, desde adolescente compreendeu- se transexual e, ao constatar a incompatibilidade com sua morfologia corporal, passou a adotar a identidade feminina, vestindo-se e apresentando-se socialmente como mulher. Nunca se submeteu à cirurgia de transgenitalização, por receio dos riscos da cirurgia e por entender que isso não a impede de ser mulher. Diante disso, formula pedidos para que seja alterado não somente o seu registro de nome, mas também o registro de gênero, cujo conteúdo lhe causa profundo constrangimento. Demanda que passe a constar o prenome Luiza no lugar de Luis Roberto e o gênero feminino no lugar de masculino. A sentença, contudo, julgou improcedente o pedido, limitando-se a afirmar que o pleito, sem a prévia cirurgia de transgenitalização, fere os bons costumes. Sobre o caso, responda aos itens a seguir. A) A sentença pode ser considerada adequadamente fundamentada? Justifique. B) No mérito, os dois pedidos de Luiza devem ser acolhidos? Justifique.