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Direitos Reais sobre Coisas Alheias Espécies: Superfície e Servidão Prof. Tayana Tapajós Introdução Conceito: Direitos sobre coisas alheias são aqueles em que o titular exerce poderes sobre um bem que não lhe pertence, mas cuja utilização lhe é juridicamente assegurada. Diferente da propriedade (plena), aqui há um desmembramento do domínio. Base legal: Código Civil (arts. 1.369 a 1.510) Espécies: Servidão Usufruto Uso Habitação Superfície Direito de Superfície - Conceito O proprietário pode conceder a outrem o direito de construir ou plantar em seu terreno, ou seja, o dono do terreno (fundieiro) permite que outra pessoa (superficiário). Base legal: Art. 1.369 do Código Civil Sem registro – apenas direito obrigacional - contrato Com registro – direito real – cartório de imóveis e registro Superfície -Características Direito real - Ela não gera apenas uma relação entre pessoas (como ocorre nos contratos), mas sim uma relação direta entre o titular e a coisa. Isso significa que o superficiário exerce poderes sobre o imóvel independentemente da vontade de terceiros. Consequências : Possui oponibilidade erga omnes → vale contra todos Pode ser defendido por ações reais (ex: reintegração de posse) Exige registro no cartório de imóveis para existir plenamente Aqui não estamos diante de um simples contrato — estamos diante de um direito que acompanha o imóvel. TEMPORÁRIO A superfície, diferentemente da propriedade, não é definitiva. Ela nasce com um prazo determinado. Por que é temporário? Porque o objetivo é permitir o aproveitamento econômico do solo sem transferir a propriedade de forma permanente. Consequência: Ao final do prazo: A construção ou plantação retorna ao proprietário do terreno Exemplo: você pode usar, construir, explorar… mas por um tempÉ como se o dono dissesse: Exceção: Pode haver previsão contratual de renovação. PODE SER ONEROSO OU GRATUITO O direito de superfície pode ser: *Oneroso Quando o superficiário paga uma contraprestação: Valor fixo Parcelas periódicas Participação econômica Muito comum em empreendimentos urbanos. *Gratuito Quando não há pagamento. Exemplo: Doação de uso para finalidade social Projetos públicos (habitação popular) TRANSMISSIVEL O direito de superfície não é personalíssimo, ou seja, ele pode ser transferido. Formas de transmissão: Inter vivos (entre pessoas vivas) Venda Doação Causa mortis Herança Consequência importante: O novo titular passa a ter exatamente os mesmos direitos e deveres. Atenção: A transmissão: Deve respeitar o contrato original Não pode alterar a finalidade do uso Quem compra o direito de superfície não compra o terreno… mas compra o poder de usar aquele terreno como o contrato permite. Superfície - Sujeitos PROPRIETÁRIO DO SOLO (FUNDIEIRO) É o titular do direito de propriedade sobre o terreno. O proprietário: concede o direito de superfície permite que outra pessoa utilize o terreno mantém a titularidade do bem Limitações impostas ao proprietário: Não pode usar o terreno livremente Não pode impedir a construção/plantação Deve respeitar o contrato de superfície Superfície - Direitos e Deveres Direitos do superficiário - pode utilizar o terreno como se fosse seu, dentro dos limites do contrato. ocupar construir plantar Mas, atenção: esse uso deve respeitar a finalidade estabelecida. Dever de respeitar finalidade Dever de conservação Direito de construir ou plantar Esse é o núcleo do direito de superfície. O superficiário pode: construir edificações realizar obras desenvolver atividades econômicas Esse direito pode ser: amplo (ex: empreendimento) limitado (ex: construção específica) Direito de exploração econômica O superficiário pode retirar proveito econômico do imóvel. Exemplos: alugar o imóvel explorar atividade comercial vender unidades construídas Aqui está a função econômica da superfície. Direito de disposição (transferir o direito) O superficiário pode: vender ceder doar Ou seja, o direito de superfície circula, desde que respeite o contrato Direito de transmissão causa mortis Se o superficiário falecer: o direito pode ser herdado limitado ao prazo da superfície DEVERES DO SUPERFICIARIO Respeitar a finalidade do contrato Ele não pode usar o imóvel de forma diversa do que foi pactuado. Exemplo: autorizado: construir residência proibido: instalar indústria Pagar contraprestação (se oneroso) Se a superfície for onerosa: deve pagar: valor fixo parcelas remuneração acordada Conservar o imóvel O superficiário deve manter o bem em bom estado. Não pode: degradar abandonar causar danos Não alterar substancialmente o bem sem autorização Alterações relevantes devem respeitar: ✔ contrato ✔ limites legais Cumprir o prazo O direito é temporário Ao final: deve devolver o imóvel Responsabilidade por encargos Dependendo do contrato: pode ser responsável por: tributos taxas despesas DIREITOS DO PROPRIETÁRIO 1. Manter a propriedade 2. Receber remuneração (se oneroso). 3. Fiscalizar o cumprimento Reaver o imóvel ao final DEVERES DO PROPRIETÁRIO Respeitar o direito do superficiário Não perturbar o exercício do direito Cumprir o contrato Superfície - Extinção Hipóteses de término do prazo Descumprimento contratual – desvia sua finalidade, não paga, causa degradação. Desapropriação – quando o poder publico retira o imóvel em prol do interesse público. Retorno ao proprietário OBS.: “O direito de superfície se extingue pelo decurso do prazo, descumprimento das obrigações ou perda da finalidade, retornando o imóvel ao proprietário, em regra com as construções incorporadas.” Servidão - Conceito Conceito: é um direito real onde um imóvel (prédio serviente) sofre um ônus para beneficiar outro imóvel (prédio dominante) de proprietário diferente. É um vínculo que gera utilidade ao prédio dominante, limitando parcialmente o serviente, garantindo, por exemplo, passagem, luz ou escoamento de água. Base Legal: Art. 1.378 do Código Civil Servidão - Estrutura Prédio dominante (beneficiado) – (É o imóvel beneficiado pela servidão). Recebe a utilidade É favorecido juridicamente Possui o direito de exigir o cumprimento Exemplo: Uma casa que não tem saída para a rua. Ela depende da passagem por outro imóvel. Esse é o prédio dominante. Prédio serviente (onerado) - É o imóvel que suporta o ônus. Sofre a limitação Deve tolerar o uso Tem sua propriedade restringida Exemplo: O terreno vizinho por onde passa o caminho (Esse é o prédio serviente). Servidão - Características Direito real – eficácia erga omnes Exemplo: se o imóvel serviente for vendido – o novo proprietário será obrigado a respeitar a servidão. Acessório ao imóvel – ela depende de outro direito principal – o prédio dominante – ela não tem existência autônoma. Em regra permanente – não tem prazo pré-fixado na lei, porque sua função é garantir uma utilidade contínua ao imóvel dominante. Indivisível - porque sua finalidade é atender à utilidade do imóvel dominante como um todo, mantendo-se íntegra mesmo que os imóveis envolvidos sejam divididos. Servidão - Tipos Legal e convencional Contínua e descontínua Aparente e não aparente Servidão - Constituição Contrato Testamento Usucapião Lei Registro obrigatório Servidão de Passagem Conceito: é um direito real que permite ao proprietário de um imóvel passar pelo terreno de outro, quando isso é necessário para garantir o acesso ou a utilidade do seu imóvel. Direito do imóvel encravado Art. 1.285 do Código Civil Mediante indenização Exemplo: Uma casa está no meio de outros terrenos e não tem acesso à rua. Para sair ou entrar, o dono precisa passar pelo terreno vizinho. Diferença: Superfície x Servidão Elemento Servidão Superfície Relação Imóvel x imóvel Pessoa x imóvel Uso Limitado Amplo Posse Não transfere Transfere Prazo Permanente Temporário Finalidade Utilidade específica Exploração econômica Intensidade Baixa Alta image2.png