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A aula aborda a evolução do Direito Penal desde o isolamento humano na pré-história até a formação do Estado Democrático de Direito moderno. Inicialmente, o ser humano vivia isolado, focado apenas na sobrevivência individual, e não havia necessidade de sistemas regulatórios. A necessidade de regulação surge apenas quando os indivíduos passam a viver em sociedade, movidos pelo interesse e pela necessidade de suprir carências que sozinhos não conseguiriam, como proteção e reprodução, o que gera o primeiro núcleo social: a família. Com a convivência, surgem os conflitos de interesses, tecnicamente chamados no direito processual de lide. No início da história humana, esses conflitos eram resolvidos pela força bruta, onde o mais forte impunha sua vontade. Esse sistema era instável, pois gerava ciclos intermináveis de revide e violência, levando os grupos a se unirem em clãs e, posteriormente, em cidades-estado para buscar uma gestão comum dos problemas. A criminologia identifica três fases históricas da vingança. A primeira é a vingança privada, onde a sanção era aplicada diretamente pelo ofendido ou seu grupo, marcada pela desproporcionalidade e violência extrema. Um marco importante para tentar limitar esse excesso foi a Lei de Talião (filosofia do "olho por olho"), que, embora brutal para os padrões atuais, representou um avanço ao estabelecer que a retribuição deveria ser equivalente à ofensa, impedindo a aniquilação total do agressor e de sua família. A segunda fase é a vingança divina, na qual as penas eram aplicadas para satisfazer divindades, já que o homem pré-histórico via fenômenos da natureza como manifestações sobrenaturais. Nessa fase, crimes eram vistos como pecados e a punição visava o sacrifício ou a purificação. Por fim, surge a vingança pública, onde o fundamento da punição passa a ser a manutenção do poder do governante. Em regimes absolutistas, o monarca era o próprio Estado e aplicava penas cruéis e arbitrárias para evitar ameaças ao seu governo. O Iluminismo, no século XVIII, surge como uma reação a esse estado autoritário e às trevas da vingança pública, tendo em Cesare Beccaria (obra "Dos Delitos e das Penas") um dos seus maiores expoentes. Esse movimento estabeleceu pilares que fundamentam o Direito Penal moderno: o Estado de Direito (o governante deve seguir as leis e não estar acima delas), a separação dos poderes (executivo, legislativo e judiciário fiscalizando-se mutuamente) e o contrato social, onde a sociedade cede parte de sua liberdade ao Estado em troca de proteção e respeito à dignidade da pessoa humana. Por fim, a aula diferencia o Estado Liberal do Estado Social. No modelo liberal, o foco era limitar o poder do Estado para garantir liberdades individuais, baseando-se na proibição do excesso (o Estado não pode agir além do necessário). Com a Revolução Industrial e o aumento dos riscos sociais, surge o Estado Social, que impõe ao Estado o dever de ser ativo na proteção dos cidadãos. Nesse contexto, além de não poder se exceder, o Estado também sofre a proibição de proteção deficiente, tendo a obrigação de agir e aplicar o Direito Penal para garantir a segurança e a dignidade da sociedade.