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GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL SECRETARIA DE SISTEMAS PENAL E SOCIOEDUCATIVO SUPERINTENDÊNCIA DOS SERVIÇOS PENITENCIÁRIOS ESCOLA DO SERVIÇO PENITENCIÁRIO Curso de Formação Profissional da Escola do Serviço Penitenciário - 2024 Disciplina: Direitos Humanos. Carga Horária: 10 horas/aula. Objetivo da Disciplina: refletir sobre a principal legislação vigente dos Direitos Humanos que ampara a importância da dimensão da igualdade e dignidade de todos os sujeitos envolvidos no sistema prisional, bem como auxiliar na compreensão prática dos direitos humanos no cotidiano das funções estatais, em perspectiva ampla e especialmente no âmbito da Superintendência dos Serviços Penitenciários. Direitos Humanos – Introdução O conceito e a natureza dos direitos humanos é variável, porém podemos afirmar que sua natureza contemporânea decorre da concepção de que homem é a fonte prioritária do Direito, ou seja, é portador de direitos fundamentais inalienáveis e que não dependem da sua posição social e política, mas de sua própria natureza. Conceito - Segundo as Nações Unidas (ONU), os direitos humanos são direitos inerentes a todos os seres humanos, independentemente da sua raça, sexo, nacionalidade, etnia, idioma, religião ou qualquer outra condição. Os direitos humanos incluem o direito à vida e à liberdade, liberdade de opinião e expressão, o direito ao trabalho e à educação, entre outros. Todos têm direito a estes direitos, sem discriminação. Principais Direitos Humanos na Contemporaneidade GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL SECRETARIA DE SISTEMAS PENAL E SOCIOEDUCATIVO SUPERINTENDÊNCIA DOS SERVIÇOS PENITENCIÁRIOS ESCOLA DO SERVIÇO PENITENCIÁRIO Características dos Direitos Humanos Historicidade: revela o caráter histórico dos direitos humanos, que decorre do reconhecimento de que sua afirmação – enquanto consagração dos valores mais caros à sociedade a que se destinam – e dá-se como produto do contexto histórico, que influencia sua enunciação, sua interpretação, sua aplicação e até mesmo sua exclusão. Universalidade: denota o propósito de alcance da proteção conferida a todo e qualquer ser humano, sem distinção. Claro que determinados direitos humanos incidem sobre comunidade específica, como os direitos trabalhistas, os direitos das mulheres, os direitos dos migrantes, os direitos das crianças e os direitos das pessoas com deficiência, direito dos presos, entre outros. Relatividade: saída teórica para uma insustentável (do ponto de vista prático) concepção intransigente acerca das características da universalidade e da irrenunciabilidade. Irrenunciabilidade ou inalienabilidade: impede o titular de direito humano de renunciá-lo. Fundamenta-se esta característica na impossibilidade de o sujeito despir-se de sua dignidade. Imprescritibilidade: parte da premissa segundo a qual prescrição, na essência, aplica-se apenas a direitos patrimoniais, não alcançando, portanto, os direitos humanos, ante sua natureza personalíssima, alta relevância e escopo de salvaguarda da dignidade da pessoa humana. Sendo assim, a prevenção, a repressão ou a reparação de violação a qualquer direito humano jamais poderá deixar de ser levada a efeito por decurso de prazo. Unidade, Indivisibilidade e Interdependência: aponta para o fato de que direitos humanos são passíveis de exercício concomitante, como ocorre com a liberdade de expressão e a liberdade de religião, quando dos discursos proferidos em cerimônias e cultos, e com a liberdade de reunião e o direito de greve, no caso das assembleias grevistas. A indivisibilidade é inclusive intrínseca a certos direitos humanos, nos casos em que um deriva do outro ou nele encontra suporte (interdependência), como, por exemplo, direito à vida/direito à saúde, direito à educação/direito à cultura, liberdade de ir e vir/habeas corpus, direito à privacidade/sigilo de comunicações, liberdade de associação/direito à representação por sindicato etc. GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL SECRETARIA DE SISTEMAS PENAL E SOCIOEDUCATIVO SUPERINTENDÊNCIA DOS SERVIÇOS PENITENCIÁRIOS ESCOLA DO SERVIÇO PENITENCIÁRIO Conteúdo dos Direitos Humanos Os direitos humanos precisam de um conteúdo político-jurídico. Logo, não são direitos de humanos em natureza e não são direitos de humanos ineficazes. Direitos Humanos ≠ Direitos Fundamentais Direitos fundamentais são direitos reconhecidos nas Constituições, no plano interno. Direitos humanos são aqueles reconhecidos no plano internacional, em tratados e declarações internacionais. Observação: a proteção dos fundamentais também será interna e a dos humanos será internacional. Fundamentação Histórica dos Direitos Humanos Comumente, defende-se que o receio de que as atrocidades nazistas voltassem a acontecer e a certeza de que elas poderiam ter sido evitadas – se houvesse, anteriormente, um engajamento internacional no sentido de defenderem-se, de forma global, os direitos humanos – fez nascer o que se chama de o contemporâneo direito dos direitos humanos, que visa a proteção do ser humano não apenas no âmbito interno dos países, mas também, aonde quer que ele vá. É facilmente identificável o descaso pela proteção dos direitos humanos antes da Segunda Guerra, verificável no fato de que muitos judeus pediram, antes de 1939, refúgio em muitos dos Estados Aliados, reconhecidos depois como os vitoriosos na batalha, certo que tais pedidos foram, na grande parte das vezes, negados, até mesmo pelos EUA, o que indica, quando comparada com o jogo geopolítico, pouca preocupação com a proteção das pessoas, inclusive por parte dos fundadores do Direito Internacional dos Direitos Humanos pós 1945. Não houve, durante a Segunda Guerra, a tentativa dos aliados de minimizarem os massacres. De fato, não foi sequer aventada a hipótese de se atacarem as linhas férreas que serviam de caminho para se levarem milhares de judeus a campos de concentração, como Auschwitz. O mundo, principalmente a Europa, foi extremamente modificado em um curto espaço de tempo, como consequência das duas grandes guerras. As duas guerras GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL SECRETARIA DE SISTEMAS PENAL E SOCIOEDUCATIVO SUPERINTENDÊNCIA DOS SERVIÇOS PENITENCIÁRIOS ESCOLA DO SERVIÇO PENITENCIÁRIO mundiais dentro de uma geração e as potencialidades de uma nova guerra mundial transformaram o estabelecimento de uma ordem internacional e a preservação da paz internacional nos principais objetivos da civilização ocidental. E isso não poderia deixar de lado a proteção aos direitos humanos. Assim, o sentido da elaboração dos direitos humanos contemporâneos é histórica. O Estado é o grande violador de direitos, pois promovia uma política de violação da dignidade humana, acobertado pela soberania nacional e pela jurisdição doméstica exclusiva. A resposta para a Segunda Guerra Mundial foi a criação de um sistema efetivo de proteção internacional de direitos. Preocupação Internacional com os Direitos Humanos Estrutura normativa que poderia responsabilizar os Estados; e Soberania estatal não poderia ser absoluta, estaria limitada à proteção dos direitos humanos. Qual a importância de refletirmos sobre a perspectiva prisional dos direitos humanos? A SUSEPE trata da segurança e execução da pena, bem como do tratamento penal, assim, visa assegurar tanto o efetivo cumprimento da pena como a manutenção de direitos mínimos às pessoas privadas de liberdade. Nesse sentido, os direitos humanos estão inseridos na missão da SUSEPE, ou seja, promover a inclusão social das pessoas privadas de liberdade. Além disso, existe uma dissociação coletiva entre noções de cidadania e da própria finalidadeda existência do sistema prisional. Pessoas Privadas de Liberdade em um contexto social com: Criminalidade; Sociabilidade violenta; Vitimização de negros e pardos; Crime organizado; Violência doméstica; Condição dos presídios. GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL SECRETARIA DE SISTEMAS PENAL E SOCIOEDUCATIVO SUPERINTENDÊNCIA DOS SERVIÇOS PENITENCIÁRIOS ESCOLA DO SERVIÇO PENITENCIÁRIO Declaração Universal dos Direitos Humanos Em 10/12/1948, em Paris, foi adotada e proclamada a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Este instrumento é considerado o marco inicial do Direito Internacional dos Direitos Humanos, e consequentemente, da tutela universal dos direitos humanos, que visa a proteção de todos os seres humanos, independente de quaisquer condições. A Declaração de 1948 é composta de um preâmbulo, com sete considerandos, 30 artigos e uma estrutura dividida em duas grandes matérias: do art. I ao XXI, estabelece os direitos civis e políticos; do art. XXII ao XXX, reproduz os direitos econômicos, sociais e culturais. Já a terceira dimensão aparece esparsamente, como nos considerandos, nos arts. I, VIII etc. Fundamentos da DUDH O indivíduo é protegido pelo fato de ser um ser humano, portanto, sujeito de Direito Internacional; Cidadão de seu país e cidadão do mundo; Todos os homens são livres e iguais de direitos; Direitos Humanos derivam da dignidade humana; Características A DUDH não é um tratado internacional. Mas sim uma Resolução da Assembleia Geral da ONU, sem força de lei. A DUDH ganhou força política em âmbito internacional, porém foi insuficiente para efetivar direitos. Assim, uma série de convenções e tratados foram realizados para fins de implementação. Em 16 de dezembro de 1966, foram assinados o Pacto Internacional Sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais e o Pacto Internacional Sobre Direitos Civis e Políticos, que entraram em vigor, após a 35ª ratificação, respectivamente, em 03 de janeiro de 1976 e em 23 de março de 1976. Assim, a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), o Pacto Internacional Sobre Direitos Civis e Políticos (PIDCP) e o Pacto Internacional Sobre GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL SECRETARIA DE SISTEMAS PENAL E SOCIOEDUCATIVO SUPERINTENDÊNCIA DOS SERVIÇOS PENITENCIÁRIOS ESCOLA DO SERVIÇO PENITENCIÁRIO Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (PIDESC), em conjunto, formam a chamada de Carta Internacional de Direitos Humanos, que reconhece os seguintes direitos: GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL SECRETARIA DE SISTEMAS PENAL E SOCIOEDUCATIVO SUPERINTENDÊNCIA DOS SERVIÇOS PENITENCIÁRIOS ESCOLA DO SERVIÇO PENITENCIÁRIO Declaração Universal dos Direitos Humanos Destaques Sistema Prisional Artigo 5° Ninguém será submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes. Artigo 9° Ninguém pode ser arbitrariamente preso, detido ou exilado. Artigo 10° Toda a pessoa tem direito, em plena igualdade, a que a sua causa seja equitativa e publicamente julgada por um tribunal independente e imparcial que decida dos seus direitos e obrigações ou das razões de qualquer acusação em matéria penal que contra ela seja deduzida. Artigo 11° 1. Toda a pessoa acusada de um ato delituoso presume-se inocente até que a sua culpabilidade fique legalmente provada no decurso de um processo público em que todas as garantias necessárias de defesa lhe sejam asseguradas. 2. Ninguém será condenado por ações ou omissões que, no momento da sua prática, não constituíam ato delituoso à face do direito interno ou internacional. Do mesmo modo, não será infligida pena mais grave do que a que era aplicável no momento em que o acto delituoso foi cometido. Constituição Federal de 1988 e os Direitos Humanos É o grande marco jurídico dos Direitos Humanos no Brasil: Contexto histórico: transição democrática e necessidade de direitos; Justificativa: inovações jurídicas. Dignidade da Pessoa Humana como Fundamento do Estado Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: III - a dignidade da pessoa humana; Significado: dignidade é o parâmetro orientador das condutas estatais Consequência: releitura de toda ordem jurídica para proteção da pessoa GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL SECRETARIA DE SISTEMAS PENAL E SOCIOEDUCATIVO SUPERINTENDÊNCIA DOS SERVIÇOS PENITENCIÁRIOS ESCOLA DO SERVIÇO PENITENCIÁRIO Prevalência dos direitos humanos como princípio das relações internacionais Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios: II - prevalência dos direitos humanos; Consequência: o Brasil está proibido de adotar, no plano internacional, qualquer postura que atente contra a dignidade da pessoa humana. Aplicação imediata dos direitos e garantias fundamentais Art. 5º, § 1º As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata. Consequência: a validade normativa e aplicação de direitos independe de outros fatores. A legislação brasileira é mais avançada que a legislação internacional. Catálogo de direitos e reconhecimento de tratados internacionais Art. 5º, § 2º Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. Consequência: significa que os direitos reconhecidos pelo Brasil no cenário internacional possuem aplicação no plano interno. GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL SECRETARIA DE SISTEMAS PENAL E SOCIOEDUCATIVO SUPERINTENDÊNCIA DOS SERVIÇOS PENITENCIÁRIOS ESCOLA DO SERVIÇO PENITENCIÁRIO Constituição Federal 1988 - Destaques Sistema Prisional Art. 5º - III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante; XLV - nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido; XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes: a) privação ou restrição da liberdade; b) perda de bens; c) multa; d) prestação social alternativa; e) suspensão ou interdição de direitos; XLVII - não haverá penas: a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX; b) de caráter perpétuo; c) de trabalhos forçados; d) de banimento; e) cruéis; XLVIII - a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado; XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral; L - às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer com seus filhos durante o período de amamentação; LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente; LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada; GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL SECRETARIA DE SISTEMAS PENAL E SOCIOEDUCATIVO SUPERINTENDÊNCIA DOS SERVIÇOS PENITENCIÁRIOS ESCOLA DO SERVIÇO PENITENCIÁRIO Conjunto de Princípios para a Proteção de Todas as Pessoas Sujeitas a Qualquer forma de Detenção ou Prisão (1988) Anexo da Resolução 43/173, da Assembleia Geral. PRINCÍPIO 1 A pessoa sujeita a qualquer forma de detenção ou prisão deve ser tratada com humanidade e com respeito da dignidade inerente ao ser humano. PRINCÍPIO 3 No caso de sujeiçãode uma pessoa a qualquer forma de detenção ou prisão, nenhuma restrição ou derrogação pode ser admitida aos direitos do homem reconhecidos ou em vigor num Estado ao abrigo de leis, convenções, regulamentos ou costumes, sob o pretexto de que o presente Conjunto de Princípios não reconhece esses direitos ou os reconhece em menor grau. PRINCÍPIO 6 Nenhuma pessoa sujeita a qualquer forma de detenção ou prisão será submetida a tortura ou a penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes. Nenhuma circunstância seja ela qual for, poderá ser invocada para justificar a tortura ou outras penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes. PRINCÍPIO 8 A pessoa detida deve beneficiar de um tratamento adequado à sua condição de pessoa condenada. Desta forma, sempre que possível será separada das pessoas presas. PRINCÍPIO 16 Imediatamente após a captura e após cada transferência de um local de detenção ou de prisão para outro, a pessoa detida ou presa poderá avisar ou requerer à autoridade competente que avise os membros da sua família ou outras pessoas por si designadas, se for esse o caso, da sua captura, detenção ou prisão, ou da sua transferência e do local em que se encontra detida. PRINCÍPIO 17 1. A pessoa detida pode beneficiar da assistência de um advogado. 2. A pessoa detida que não tenha advogado da sua escolha, tem direito a que uma autoridade judiciária ou outra autoridade lhe designem um defensor oficioso sempre que o interesse da justiça o exigir e a título gratuito no caso de insuficiência de meios para o remunerar GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL SECRETARIA DE SISTEMAS PENAL E SOCIOEDUCATIVO SUPERINTENDÊNCIA DOS SERVIÇOS PENITENCIÁRIOS ESCOLA DO SERVIÇO PENITENCIÁRIO PRINCÍPIO 19 A pessoa detida ou presa tem o direito de receber visitas, nomeadamente dos membros de sua família, e de se corresponder, nomeadamente com eles, e deve dispor de oportunidades adequadas para comunicar com o mundo exterior sem prejuízo das condições e restrições razoáveis, previstas por lei ou por regulamento adotados nos termos da lei. PRINCÍPIO 20 Se a pessoa detida ou presa o solicitar, é se possível, colocada num local de atenção ou prisão relativamente próximo do seu local de residência habitual. PRINCÍPIO 21 1. É proibido abusar da situação da pessoa detida ou presa para a coagir a confessar, a incriminar-se por qualquer outro modo ou a testemunhar contra outra pessoa. PRINCÍPIO 22 Nenhuma pessoa detida ou presa pode, ainda que com o seu consentimento, ser submetida a experiências médicas ou científicas suscetíveis de prejudicar a sua saúde. PRINCÍPIO 24 A pessoa detida ou presa deve beneficiar de um exame médico adequado, em prazo tão breve. quanto possível após o seu ingresso no local de detenção ou prisão; posteriormente deve beneficiar cuidados e tratamentos médicos sempre que tal se mostre necessário. Esses cuidados e tratamentos são gratuitos. PRINCÍPIO 29 1. A fim de assegurar a estrita observância das leis e regulamentos pertinentes, os lugares de detenção devem ser inspecionados regularmente por pessoas qualificadas e experientes, nomeadas por uma autoridade competente diferente da autoridade diretamente encarregada da administração do local de detenção ou de prisão, e responsáveis perante ela. Exemplos: Ministério Público, Defensoria Pública e Poder Judiciário. PRINCÍPIO 30 1. Os tipos de comportamento da pessoa detida ou presa que constituam infrações disciplinares durante a detenção ou prisão, o tipo e a duração das sanções disciplinares aplicáveis e as autoridades com competência para impor essas sanções GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL SECRETARIA DE SISTEMAS PENAL E SOCIOEDUCATIVO SUPERINTENDÊNCIA DOS SERVIÇOS PENITENCIÁRIOS ESCOLA DO SERVIÇO PENITENCIÁRIO devem ser especificados por lei ou por regulamentos adotados nos termos da lei e devidamente publicados. PRINCÍPIO 33 1. A pessoa detida ou presa, ou o seu advogado, têm o direito de apresentar um pedido ou queixa relativos ao seu tratamento, nomeadamente no caso de tortura ou de tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes, perante as autoridades responsáveis pela administração do local de detenção e a autoridades superiores e, se necessário, para autoridades competentes de controle ou de recurso. PRINCÍPIO 37 A pessoa detida pela prática de uma infração penal deve ser presente a uma autoridade judiciária ou outra autoridade prevista por lei, prontamente após sua captura. Essa autoridade decidirá sem demora da legalidade e necessidade da detenção. Ninguém pode ser mantido em detenção aguardando a abertura da instrução ou julgamento salvo por ordem escrita de referida autoridade. A pessoa detida quando presente a essa autoridade, tem o direito de fazer uma declaração sobre a forma como foi tratada enquanto detenção. Exemplo: Núcleo de Gestão Estratégica do Sistema Prisional (NUGESP) Convenção Contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes (1984). A Convenção contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes foi adotada pela Organização das Nações Unidas, mediante a Resolução nº 39/1946, em 10 de dezembro de 1984. No entanto, entrou em vigor internacional somente em 26 de junho de 1987, quando foram completados 30 dias contados da data em que o vigésimo instrumento de ratificação foi depositado junto ao Secretário-Geral, foi ratificada pelo Brasil em 1989. Destaques Sistema Prisional Art. 2 1. Cada Estado Parte tomará medidas eficazes de caráter legislativo, administrativo, judicial ou de outra natureza, a fim de impedir a prática de atos de tortura em qualquer território sob sua jurisdição. GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL SECRETARIA DE SISTEMAS PENAL E SOCIOEDUCATIVO SUPERINTENDÊNCIA DOS SERVIÇOS PENITENCIÁRIOS ESCOLA DO SERVIÇO PENITENCIÁRIO 2. Em nenhum caso poderão invocar-se circunstâncias excepcionais tais como ameaça ou estado de guerra, instabilidade política interna ou qualquer outra emergência pública como justificação para tortura. 3. A ordem de um funcionário superior ou de uma autoridade pública não poderá ser invocada como justificação para a tortura. Art. 4 1. Cada Estado Parte assegurará que todos os atos de tortura sejam considerados crimes segundo a sua legislação penal. O mesmo aplicar-se-á à tentativa de tortura e a todo ato de qualquer pessoa que constitua cumplicidade ou participação na tortura. Exemplo: Lei nº 9.455, de 7 de abril de 1997 - Define os crimes de tortura e dá outras providências. Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos (1966) O Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos começou a ser elaborado em 1949 pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, mas foi finalizado somente em 19 de dezembro de 1966, adotado na sua XXI Sessão. Foi ratificado apenas em 1976. O Pacto reconhece direitos e deveres da Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), detalhando-a e estendendo seu rol. Foi aprovado pelo Decreto Legislativo nº 226, de 12 de dezembro de 1991, e promulgado pelo Decreto nº 592, de 6 de julho de 1992. É um diploma voltado aos indivíduos. No que é pertinente à disposição dos artigos, o Pacto pode ser dividido, precipuamente, em duas seções. A primeira elenca direitos fundamentais, limitados aos âmbitos civil e político, que são denominados de primeira dimensão; A segunda seção estabelece os dispositivos do Pacto referentes à estrutura normativa, que é de monitoramento à sua implementação. Destaques Sistema Prisional ARTIGO 7 Ninguém poderá ser submetido à tortura, nem a penas ou tratamento cruéis, desumanos ou degradantes. Será proibido, sobretudo, submeter uma pessoa, sem seu livre consentimento,a experiências médicas ou científicas. ARTIGO 9 GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL SECRETARIA DE SISTEMAS PENAL E SOCIOEDUCATIVO SUPERINTENDÊNCIA DOS SERVIÇOS PENITENCIÁRIOS ESCOLA DO SERVIÇO PENITENCIÁRIO 1. Toda pessoa tem direito à liberdade e à segurança pessoais. Ninguém poderá ser preso ou encarcerado arbitrariamente. Ninguém poderá ser privado de sua liberdade, salvo pelos motivos previstos em lei e em conformidade com os procedimentos nela estabelecidos. 3. Qualquer pessoa presa ou encarcerada em virtude de infração penal deverá ser conduzida, sem demora, à presença do juiz ou de outra autoridade habilitada por lei a exercer funções judiciais e terá o direito de ser julgada em prazo razoável ou de ser posta em liberdade. ARTIGO 10 1.Toda pessoa privada de sua liberdade deverá ser tratada com humanidade e respeito à dignidade inerente à pessoa humana. 2.a) As pessoas processadas deverão ser separadas, salvo em circunstâncias excepcionais, das pessoas condenadas e receber tratamento distinto, condizente com sua condição de pessoa não-condenada. b) As pessoas processadas, jovens, deverão ser separadas das adultas e julgadas o mais rápido possível. Regras de Bangkok (2010) - Regras das nações unidas para o tratamento de mulheres presas e medidas não privativas de liberdade para mulheres infratoras É o principal marco normativo internacional a abordar a problemática o encarceramento das mulheres. As regras propõem olhar diferenciado para as especificidades de gênero, tanto no campo da execução penal, como também na priorização de medidas não privativas de liberdade. • Divididas em 4 seções, as 70 regras compreendem indicações de administração geral das instituições prisionais. • Compromisso internacional assumido pelo Brasil. Formato 1. A seção I compreende a administração geral das instituições. 2. A seção II contém regras aplicáveis apenas a categorias especiais. 3. A seção III contém regras que contemplam a aplicação de sanções não privativas de liberdade e medidas para mulheres adultas infratoras e adolescentes em conflito com a lei. GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL SECRETARIA DE SISTEMAS PENAL E SOCIOEDUCATIVO SUPERINTENDÊNCIA DOS SERVIÇOS PENITENCIÁRIOS ESCOLA DO SERVIÇO PENITENCIÁRIO 4. A seção IV contém regras sobre pesquisa, planejamento, avaliação, sensibilização pública e compartilhamento de informações. Conteúdos • A primeira parte é dividida em: ingresso, registro, alocação, higiene pessoal, serviços de saúde, segurança, funcionários penitenciários e unidades para adolescentes; • A segunda parte é dividida em: presas condenadas, regime prisional, relações sociais e assistência da egressa, estrangeiras, minorias, presas provisórias; • A terceira parte é dividida em: medidas não restritivas de liberdade, pós- condenação, mulheres gestantes e com filhos, adolescentes; • A quarta parte é dividida em: pesquisa, planejamento e avaliação, sensibilização pública, troca de informações e capacitação. Regras de Bangkok (2010) Exemplos – seção I Registro Regra 3 - No momento do ingresso, deverão ser registrados o número e os dados pessoais dos/as filhos/as das mulheres que ingressam nas prisões. Exemplo: INFOPEN Higiene Pessoal Regra 5 - A acomodação de mulheres presas deverá conter instalações e materiais exigidos para satisfazer as necessidades de higiene específicas das mulheres, incluindo absorventes higiênicos gratuitos e um suprimento regular de água disponível para cuidados pessoais das mulheres e crianças, em particular mulheres que realizam tarefas na cozinha e mulheres gestantes, lactantes ou durante o período da menstruação. Exemplo: Projeto Revolucione Seu Ciclo; Lei de Dignidade Menstrual e celas adequadas para gestantes – Cacequi e Madre Pelletier Exemplos – seção II Regime Prisional GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL SECRETARIA DE SISTEMAS PENAL E SOCIOEDUCATIVO SUPERINTENDÊNCIA DOS SERVIÇOS PENITENCIÁRIOS ESCOLA DO SERVIÇO PENITENCIÁRIO Regra 42 - Mulheres presas deverão ter acesso a um programa amplo e equilibrado de atividades que considerem as necessidades específicas de gênero. Exemplo: políticas de saúde, educação e trabalho prisional. Exemplos – seção III Relações sociais e assistência posterior ao encarceramento Regra 47 - Após sua saída da prisão, deverá ser oferecido às mulheres egressas apoio psicológico, médico, jurídico e ajuda prática para assegurar sua reintegração social exitosa, em cooperação com serviços da comunidade Exemplo: Escritório Social Patronato Porto Alegre. Plano Estadual de Atenção às Mulheres Privadas de Liberdade e Egressas do Sistema Prisional – 2022/2023 Documento orientador e indutor da política estadual para mulheres presas e egressas, levando em consideração tanto as singularidades de cada unidade federativa, como os avanços e retrocessos, as iniciativas bem sucedidas e os obstáculos para a instituição da política. Regras mínimas das Nações Unidas para o tratamento de pessoas presas – Regras de Mandela (2015) Em 22 de maio de 2015, as Nações Unidas oficializaram novo quadro de normas, incorporando novas doutrinas de direitos humanos para tomá-las como parâmetros na reestruturação do atual modelo de sistema penal e percepção do papel do encarceramento para a sociedade. Editaram-se, pois, as chamadas Regras de Mandela. As 122 regras não pretendem descrever em detalhes um modelo de sistema prisional. Procuram estabelecer o que se aceita como sendo bons princípios e práticas no tratamento dos reclusos e na gestão dos estabelecimentos. Formato da Norma A primeira parte das regras trata da administração geral dos estabelecimentos prisionais e aplica-se a todas as categorias de presos, criminais ou civis, em prisão preventiva ou condenados, inclusive os que estejam em medidas de segurança ou medidas corretivas ordenadas pelo juiz. GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL SECRETARIA DE SISTEMAS PENAL E SOCIOEDUCATIVO SUPERINTENDÊNCIA DOS SERVIÇOS PENITENCIÁRIOS ESCOLA DO SERVIÇO PENITENCIÁRIO A segunda parte contém regras aplicáveis somente às categorias especiais tratadas em cada Seção: presos sentenciados, presos com transtornos mentais e problemas de saúde, presos sob custódia e aguardando julgamento e presos civis. Primeira parte é dividida em: registros, separação de categorias, alojamento, higiene pessoal, vestuário e cama, alimentação, exercício e desporto, serviços médicos, restrições, disciplina e sanções, instrumentos de coação, revistas aos reclusos e inspeção de celas, informação de direitos e reclamação, contatos com o mundo exterior, biblioteca, religião, depósito de pertences, notificações, investigações, transferências, pessoal do estabelecimento, inspeções externas e internas. Regras de Mandela Exemplos – administração geral Registros Regra 6 Deverá existir um sistema padronizado de gerenciamento dos registros dos presos em todos os locais de encarceramento. Tal sistema pode ser um banco de dados ou um livro de registro, com páginas numeradas e assinadas. Devem existir procedimentos que garantam um sistema seguro de trilhas de auditoria e que impeçam o acesso não autorizado ou a modificação de qualquer informação contida no sistema. Exemplo: INFOPEN Alimentação Regra 22 Todo preso deve receber da administração prisional, em horários regulares, alimento com valor nutricional adequado à sua saúde e resistência, de qualidade, bem preparada e bem servida. 2. Todo preso deve ter acesso a água potável sempre que necessitar. Exemplo: Departamento de Tratamento Penal – Divisão de Nutrição Transferência Regra 73 2. Deve ser proibido o transporte de reclusos em veículos comdeficiente ventilação ou iluminação ou que, de qualquer outro modo, os possa sujeitar a sacrifícios físicos desnecessários. Exemplo: Viaturas GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL SECRETARIA DE SISTEMAS PENAL E SOCIOEDUCATIVO SUPERINTENDÊNCIA DOS SERVIÇOS PENITENCIÁRIOS ESCOLA DO SERVIÇO PENITENCIÁRIO Segunda parte é dividida em: Condenados – princípios, tratamento, classificação e individualização, privilégios, trabalho, educação e lazer, relações sociais e assistência pós- prisional; Reclusos com transtornos mentais e/ou com problemas de saúde; Reclusos detidos ou a aguardar julgamento; Presos civis; Pessoas presas ou detidas sem acusação. Regras de Mandela Exemplos – categorias especiais Trabalho Regra 96 1. Todos os reclusos condenados devem ter a oportunidade de trabalhar e/ou participar ativamente na sua reabilitação, em conformidade com as suas aptidões física e mental, de acordo com a determinação do médico ou de outro profissional de saúde qualificado. Exemplo: Trabalho Prisional por meio de Termos de Cooperação e Ligas laborais. Educação Regra 104 2. Tanto quanto for possível, a educação dos reclusos deve estar integrada no sistema educacional do país, para que depois da sua libertação possam continuar, sem dificuldades, os seus estudos. Exemplo: NEEJA, ECCEJA, ENEM e Ensino Superior Saúde Regra 109 3. O serviço médico ou psiquiátrico dos estabelecimentos prisionais deve proporcionar tratamento psiquiátrico a todos os reclusos que o necessitem. Exemplo: Centro de Custódia Hospitalar Vila Nova