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GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
SECRETARIA DE SISTEMAS PENAL E SOCIOEDUCATIVO
SUPERINTENDÊNCIA DOS SERVIÇOS PENITENCIÁRIOS
ESCOLA DO SERVIÇO PENITENCIÁRIO
Curso de Formação Profissional da Escola do Serviço Penitenciário - 2024
Disciplina: Direitos Humanos.
Carga Horária: 10 horas/aula.
Objetivo da Disciplina: refletir sobre a principal legislação vigente dos Direitos
Humanos que ampara a importância da dimensão da igualdade e dignidade de todos os
sujeitos envolvidos no sistema prisional, bem como auxiliar na compreensão prática dos
direitos humanos no cotidiano das funções estatais, em perspectiva ampla e
especialmente no âmbito da Superintendência dos Serviços Penitenciários.
Direitos Humanos – Introdução
O conceito e a natureza dos direitos humanos é variável, porém podemos
afirmar que sua natureza contemporânea decorre da concepção de que homem é a fonte
prioritária do Direito, ou seja, é portador de direitos fundamentais inalienáveis e que não
dependem da sua posição social e política, mas de sua própria natureza. 
Conceito - Segundo as Nações Unidas (ONU), os direitos humanos são direitos
inerentes a todos os seres humanos, independentemente da sua raça, sexo,
nacionalidade, etnia, idioma, religião ou qualquer outra condição. Os direitos humanos
incluem o direito à vida e à liberdade, liberdade de opinião e expressão, o direito ao
trabalho e à educação, entre outros. Todos têm direito a estes direitos, sem
discriminação.
Principais Direitos Humanos na Contemporaneidade
 
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Características dos Direitos Humanos
 Historicidade: revela o caráter histórico dos direitos humanos, que decorre do
reconhecimento de que sua afirmação – enquanto consagração dos valores mais
caros à sociedade a que se destinam – e dá-se como produto do contexto
histórico, que influencia sua enunciação, sua interpretação, sua aplicação e até
mesmo sua exclusão.
 Universalidade: denota o propósito de alcance da proteção conferida a todo e
qualquer ser humano, sem distinção. Claro que determinados direitos humanos
incidem sobre comunidade específica, como os direitos trabalhistas, os direitos
das mulheres, os direitos dos migrantes, os direitos das crianças e os direitos das
pessoas com deficiência, direito dos presos, entre outros.
 Relatividade: saída teórica para uma insustentável (do ponto de vista prático)
concepção intransigente acerca das características da universalidade e da
irrenunciabilidade.
 Irrenunciabilidade ou inalienabilidade: impede o titular de direito humano de
renunciá-lo. Fundamenta-se esta característica na impossibilidade de o sujeito
despir-se de sua dignidade.
 Imprescritibilidade: parte da premissa segundo a qual prescrição, na essência,
aplica-se apenas a direitos patrimoniais, não alcançando, portanto, os direitos
humanos, ante sua natureza personalíssima, alta relevância e escopo de
salvaguarda da dignidade da pessoa humana. Sendo assim, a prevenção, a
repressão ou a reparação de violação a qualquer direito humano jamais poderá
deixar de ser levada a efeito por decurso de prazo.
 Unidade, Indivisibilidade e Interdependência: aponta para o fato de que
direitos humanos são passíveis de exercício concomitante, como ocorre com a
liberdade de expressão e a liberdade de religião, quando dos discursos proferidos
em cerimônias e cultos, e com a liberdade de reunião e o direito de greve, no
caso das assembleias grevistas. A indivisibilidade é inclusive intrínseca a certos
direitos humanos, nos casos em que um deriva do outro ou nele encontra suporte
(interdependência), como, por exemplo, direito à vida/direito à saúde, direito à
educação/direito à cultura, liberdade de ir e vir/habeas corpus, direito à
privacidade/sigilo de comunicações, liberdade de associação/direito à
representação por sindicato etc.
 
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Conteúdo dos Direitos Humanos
Os direitos humanos precisam de um conteúdo político-jurídico. Logo, não são
direitos de humanos em natureza e não são direitos de humanos ineficazes.
Direitos Humanos ≠ Direitos Fundamentais
 Direitos fundamentais são direitos reconhecidos nas Constituições, no plano
interno.
 Direitos humanos são aqueles reconhecidos no plano internacional, em tratados
e declarações internacionais. 
Observação: a proteção dos fundamentais também será interna e a dos humanos
será internacional.
Fundamentação Histórica dos Direitos Humanos
Comumente, defende-se que o receio de que as atrocidades nazistas voltassem a
acontecer e a certeza de que elas poderiam ter sido evitadas – se houvesse,
anteriormente, um engajamento internacional no sentido de defenderem-se, de forma
global, os direitos humanos – fez nascer o que se chama de o contemporâneo direito dos
direitos humanos, que visa a proteção do ser humano não apenas no âmbito interno dos
países, mas também, aonde quer que ele vá.
É facilmente identificável o descaso pela proteção dos direitos humanos antes da
Segunda Guerra, verificável no fato de que muitos judeus pediram, antes de 1939,
refúgio em muitos dos Estados Aliados, reconhecidos depois como os vitoriosos na
batalha, certo que tais pedidos foram, na grande parte das vezes, negados, até mesmo
pelos EUA, o que indica, quando comparada com o jogo geopolítico, pouca
preocupação com a proteção das pessoas, inclusive por parte dos fundadores do Direito
Internacional dos Direitos Humanos pós 1945.
Não houve, durante a Segunda Guerra, a tentativa dos aliados de minimizarem
os massacres. De fato, não foi sequer aventada a hipótese de se atacarem as linhas
férreas que serviam de caminho para se levarem milhares de judeus a campos de
concentração, como Auschwitz.
O mundo, principalmente a Europa, foi extremamente modificado em um curto
espaço de tempo, como consequência das duas grandes guerras. As duas guerras
 
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mundiais dentro de uma geração e as potencialidades de uma nova guerra mundial
transformaram o estabelecimento de uma ordem internacional e a preservação da paz
internacional nos principais objetivos da civilização ocidental. E isso não poderia deixar
de lado a proteção aos direitos humanos.
Assim, o sentido da elaboração dos direitos humanos contemporâneos é
histórica. O Estado é o grande violador de direitos, pois promovia uma política de
violação da dignidade humana, acobertado pela soberania nacional e pela jurisdição
doméstica exclusiva. A resposta para a Segunda Guerra Mundial foi a criação de um
sistema efetivo de proteção internacional de direitos.
Preocupação Internacional com os Direitos Humanos
 Estrutura normativa que poderia responsabilizar os Estados; e
 Soberania estatal não poderia ser absoluta, estaria limitada à proteção dos
direitos humanos.
Qual a importância de refletirmos sobre a perspectiva prisional dos direitos
humanos? 
A SUSEPE trata da segurança e execução da pena, bem como do tratamento
penal, assim, visa assegurar tanto o efetivo cumprimento da pena como a manutenção
de direitos mínimos às pessoas privadas de liberdade.
Nesse sentido, os direitos humanos estão inseridos na missão da SUSEPE, ou
seja, promover a inclusão social das pessoas privadas de liberdade. Além disso, existe
uma dissociação coletiva entre noções de cidadania e da própria finalidadeda existência
do sistema prisional.
Pessoas Privadas de Liberdade em um contexto social com:
 Criminalidade;
 Sociabilidade violenta;
 Vitimização de negros e pardos;
 Crime organizado;
 Violência doméstica;
 Condição dos presídios.
 
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Declaração Universal dos Direitos Humanos
Em 10/12/1948, em Paris, foi adotada e proclamada a Declaração Universal
dos Direitos Humanos. Este instrumento é considerado o marco inicial do Direito
Internacional dos Direitos Humanos, e consequentemente, da tutela universal dos
direitos humanos, que visa a proteção de todos os seres humanos, independente de
quaisquer condições.
A Declaração de 1948 é composta de um preâmbulo, com sete considerandos,
30 artigos e uma estrutura dividida em duas grandes matérias: do art. I ao XXI,
estabelece os direitos civis e políticos; do art. XXII ao XXX, reproduz os direitos
econômicos, sociais e culturais. Já a terceira dimensão aparece esparsamente, como nos
considerandos, nos arts. I, VIII etc.
Fundamentos da DUDH
 O indivíduo é protegido pelo fato de ser um ser humano, portanto, sujeito de
Direito Internacional;
 Cidadão de seu país e cidadão do mundo;
 Todos os homens são livres e iguais de direitos;
 Direitos Humanos derivam da dignidade humana;
Características
 A DUDH não é um tratado internacional. Mas sim uma Resolução da
Assembleia Geral da ONU, sem força de lei.
 A DUDH ganhou força política em âmbito internacional, porém foi insuficiente
para efetivar direitos. Assim, uma série de convenções e tratados foram
realizados para fins de implementação.
Em 16 de dezembro de 1966, foram assinados o Pacto Internacional Sobre
Direitos Econômicos, Sociais e Culturais e o Pacto Internacional Sobre Direitos Civis e
Políticos, que entraram em vigor, após a 35ª ratificação, respectivamente, em 03 de
janeiro de 1976 e em 23 de março de 1976.
Assim, a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), o Pacto
Internacional Sobre Direitos Civis e Políticos (PIDCP) e o Pacto Internacional Sobre
 
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Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (PIDESC), em conjunto, formam a chamada
de Carta Internacional de Direitos Humanos, que reconhece os seguintes direitos:
 
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Declaração Universal dos Direitos Humanos
Destaques Sistema Prisional
 Artigo 5° Ninguém será submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis,
desumanos ou degradantes.
 Artigo 9° Ninguém pode ser arbitrariamente preso, detido ou exilado.
 Artigo 10° Toda a pessoa tem direito, em plena igualdade, a que a sua causa
seja equitativa e publicamente julgada por um tribunal independente e imparcial
que decida dos seus direitos e obrigações ou das razões de qualquer acusação em
matéria penal que contra ela seja deduzida.
 Artigo 11°
1. Toda a pessoa acusada de um ato delituoso presume-se inocente até que a sua
culpabilidade fique legalmente provada no decurso de um processo público em
que todas as garantias necessárias de defesa lhe sejam asseguradas.
2. Ninguém será condenado por ações ou omissões que, no momento da sua
prática, não constituíam ato delituoso à face do direito interno ou internacional.
Do mesmo modo, não será infligida pena mais grave do que a que era aplicável
no momento em que o acto delituoso foi cometido.
Constituição Federal de 1988 e os Direitos Humanos
É o grande marco jurídico dos Direitos Humanos no Brasil:
 Contexto histórico: transição democrática e necessidade de direitos;
 Justificativa: inovações jurídicas.
Dignidade da Pessoa Humana como Fundamento do Estado
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos 
Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de 
Direito e tem como fundamentos: III - a dignidade da pessoa humana;
 Significado: dignidade é o parâmetro orientador das condutas estatais
 Consequência: releitura de toda ordem jurídica para proteção da pessoa
 
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Prevalência dos direitos humanos como princípio das relações internacionais
Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais
pelos seguintes princípios: II - prevalência dos direitos humanos;
 Consequência: o Brasil está proibido de adotar, no plano internacional, 
qualquer postura que atente contra a dignidade da pessoa humana.
Aplicação imediata dos direitos e garantias fundamentais
Art. 5º, § 1º As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação
imediata.
 Consequência: a validade normativa e aplicação de direitos independe de outros
fatores. A legislação brasileira é mais avançada que a legislação internacional.
Catálogo de direitos e reconhecimento de tratados internacionais
Art. 5º, § 2º Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros
decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais
em que a República Federativa do Brasil seja parte.
 Consequência: significa que os direitos reconhecidos pelo Brasil no cenário
internacional possuem aplicação no plano interno.
 
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Constituição Federal 1988 - Destaques Sistema Prisional
Art. 5º - III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou
degradante;
XLV - nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de
reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas
aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido;
XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as
seguintes:
a) privação ou restrição da liberdade;
b) perda de bens;
c) multa;
d) prestação social alternativa;
e) suspensão ou interdição de direitos;
XLVII - não haverá penas:
a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX;
b) de caráter perpétuo;
c) de trabalhos forçados;
d) de banimento;
e) cruéis;
XLVIII - a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a
natureza do delito, a idade e o sexo do apenado;
XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral;
L - às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer
com seus filhos durante o período de amamentação;
LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade
competente;
LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados
imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada;
 
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Conjunto de Princípios para a Proteção de Todas as Pessoas Sujeitas a
Qualquer forma de Detenção ou Prisão (1988)
 Anexo da Resolução 43/173, da Assembleia Geral.
PRINCÍPIO 1
A pessoa sujeita a qualquer forma de detenção ou prisão deve ser tratada com
humanidade e com respeito da dignidade inerente ao ser humano.
PRINCÍPIO 3
No caso de sujeiçãode uma pessoa a qualquer forma de detenção ou prisão,
nenhuma restrição ou derrogação pode ser admitida aos direitos do homem
reconhecidos ou em vigor num Estado ao abrigo de leis, convenções, regulamentos ou
costumes, sob o pretexto de que o presente Conjunto de Princípios não reconhece esses
direitos ou os reconhece em menor grau.
PRINCÍPIO 6
Nenhuma pessoa sujeita a qualquer forma de detenção ou prisão será submetida
a tortura ou a penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes. Nenhuma
circunstância seja ela qual for, poderá ser invocada para justificar a tortura ou outras
penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes.
PRINCÍPIO 8
A pessoa detida deve beneficiar de um tratamento adequado à sua condição de
pessoa condenada. Desta forma, sempre que possível será separada das pessoas presas.
PRINCÍPIO 16
Imediatamente após a captura e após cada transferência de um local de detenção
ou de prisão para outro, a pessoa detida ou presa poderá avisar ou requerer à autoridade
competente que avise os membros da sua família ou outras pessoas por si designadas, se
for esse o caso, da sua captura, detenção ou prisão, ou da sua transferência e do local em
que se encontra detida.
PRINCÍPIO 17
1. A pessoa detida pode beneficiar da assistência de um advogado.
2. A pessoa detida que não tenha advogado da sua escolha, tem direito a que
uma autoridade judiciária ou outra autoridade lhe designem um defensor oficioso
sempre que o interesse da justiça o exigir e a título gratuito no caso de insuficiência de
meios para o remunerar
 
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PRINCÍPIO 19
A pessoa detida ou presa tem o direito de receber visitas, nomeadamente dos
membros de sua família, e de se corresponder, nomeadamente com eles, e deve dispor
de oportunidades adequadas para comunicar com o mundo exterior sem prejuízo das
condições e restrições razoáveis, previstas por lei ou por regulamento adotados nos
termos da lei.
PRINCÍPIO 20
Se a pessoa detida ou presa o solicitar, é se possível, colocada num local de
atenção ou prisão relativamente próximo do seu local de residência habitual.
PRINCÍPIO 21
1. É proibido abusar da situação da pessoa detida ou presa para a coagir a
confessar, a incriminar-se por qualquer outro modo ou a testemunhar contra outra
pessoa.
PRINCÍPIO 22
Nenhuma pessoa detida ou presa pode, ainda que com o seu consentimento, ser
submetida a experiências médicas ou científicas suscetíveis de prejudicar a sua saúde.
PRINCÍPIO 24
A pessoa detida ou presa deve beneficiar de um exame médico adequado, em
prazo tão breve. quanto possível após o seu ingresso no local de detenção ou prisão;
posteriormente deve beneficiar cuidados e tratamentos médicos sempre que tal se
mostre necessário. Esses cuidados e tratamentos são gratuitos.
PRINCÍPIO 29
1. A fim de assegurar a estrita observância das leis e regulamentos pertinentes,
os lugares de detenção devem ser inspecionados regularmente por pessoas qualificadas
e experientes, nomeadas por uma autoridade competente diferente da autoridade
diretamente encarregada da administração do local de detenção ou de prisão, e
responsáveis perante ela.
Exemplos: Ministério Público, Defensoria Pública e Poder Judiciário.
PRINCÍPIO 30
1. Os tipos de comportamento da pessoa detida ou presa que constituam
infrações disciplinares durante a detenção ou prisão, o tipo e a duração das sanções
disciplinares aplicáveis e as autoridades com competência para impor essas sanções
 
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devem ser especificados por lei ou por regulamentos adotados nos termos da lei e
devidamente publicados.
PRINCÍPIO 33
1. A pessoa detida ou presa, ou o seu advogado, têm o direito de apresentar um
pedido ou queixa relativos ao seu tratamento, nomeadamente no caso de tortura ou de
tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes, perante as autoridades responsáveis pela
administração do local de detenção e a autoridades superiores e, se necessário, para
autoridades competentes de controle ou de recurso.
PRINCÍPIO 37
A pessoa detida pela prática de uma infração penal deve ser presente a uma
autoridade judiciária ou outra autoridade prevista por lei, prontamente após sua captura.
Essa autoridade decidirá sem demora da legalidade e necessidade da detenção. Ninguém
pode ser mantido em detenção aguardando a abertura da instrução ou julgamento salvo
por ordem escrita de referida autoridade. A pessoa detida quando presente a essa
autoridade, tem o direito de fazer uma declaração sobre a forma como foi tratada
enquanto detenção.
Exemplo: Núcleo de Gestão Estratégica do Sistema Prisional (NUGESP)
Convenção Contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis,
Desumanos ou Degradantes (1984). 
A Convenção contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis,
Desumanos ou Degradantes foi adotada pela Organização das Nações Unidas, mediante
a Resolução nº 39/1946, em 10 de dezembro de 1984. 
No entanto, entrou em vigor internacional somente em 26 de junho de 1987,
quando foram completados 30 dias contados da data em que o vigésimo instrumento de
ratificação foi depositado junto ao Secretário-Geral, foi ratificada pelo Brasil em 1989.
Destaques Sistema Prisional
Art. 2
1. Cada Estado Parte tomará medidas eficazes de caráter legislativo,
administrativo, judicial ou de outra natureza, a fim de impedir a prática de atos de
tortura em qualquer território sob sua jurisdição.
 
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2. Em nenhum caso poderão invocar-se circunstâncias excepcionais tais como
ameaça ou estado de guerra, instabilidade política interna ou qualquer outra emergência
pública como justificação para tortura.
3. A ordem de um funcionário superior ou de uma autoridade pública não
poderá ser invocada como justificação para a tortura.
Art. 4
1. Cada Estado Parte assegurará que todos os atos de tortura sejam considerados
crimes segundo a sua legislação penal. O mesmo aplicar-se-á à tentativa de tortura e a
todo ato de qualquer pessoa que constitua cumplicidade ou participação na tortura.
Exemplo: Lei nº 9.455, de 7 de abril de 1997 - Define os crimes de tortura e dá
outras providências.
Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos (1966)
O Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos começou a ser elaborado em
1949 pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, mas foi finalizado
somente em 19 de dezembro de 1966, adotado na sua XXI Sessão.
Foi ratificado apenas em 1976. O Pacto reconhece direitos e deveres da
Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), detalhando-a e estendendo seu rol.
Foi aprovado pelo Decreto Legislativo nº 226, de 12 de dezembro de 1991, e
promulgado pelo Decreto nº 592, de 6 de julho de 1992.
É um diploma voltado aos indivíduos. No que é pertinente à disposição dos
artigos, o Pacto pode ser dividido, precipuamente, em duas seções. 
A primeira elenca direitos fundamentais, limitados aos âmbitos civil e político,
que são denominados de primeira dimensão;
A segunda seção estabelece os dispositivos do Pacto referentes à estrutura
normativa, que é de monitoramento à sua implementação.
Destaques Sistema Prisional
ARTIGO 7
Ninguém poderá ser submetido à tortura, nem a penas ou tratamento cruéis,
desumanos ou degradantes. Será proibido, sobretudo, submeter uma pessoa, sem seu
livre consentimento,a experiências médicas ou científicas.
ARTIGO 9
 
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1. Toda pessoa tem direito à liberdade e à segurança pessoais. Ninguém poderá
ser preso ou encarcerado arbitrariamente. Ninguém poderá ser privado de sua liberdade,
salvo pelos motivos previstos em lei e em conformidade com os procedimentos nela
estabelecidos.
3. Qualquer pessoa presa ou encarcerada em virtude de infração penal deverá ser
conduzida, sem demora, à presença do juiz ou de outra autoridade habilitada por lei a
exercer funções judiciais e terá o direito de ser julgada em prazo razoável ou de ser
posta em liberdade.
ARTIGO 10
1.Toda pessoa privada de sua liberdade deverá ser tratada com humanidade e
respeito à dignidade inerente à pessoa humana.
2.a) As pessoas processadas deverão ser separadas, salvo em circunstâncias
excepcionais, das pessoas condenadas e receber tratamento distinto, condizente com sua
condição de pessoa não-condenada.
b) As pessoas processadas, jovens, deverão ser separadas das adultas e julgadas
o mais rápido possível.
Regras de Bangkok (2010) - Regras das nações unidas para o tratamento de
mulheres presas e medidas não privativas de liberdade para mulheres infratoras
É o principal marco normativo internacional a abordar a problemática o
encarceramento das mulheres. As regras propõem olhar diferenciado para as
especificidades de gênero, tanto no campo da execução penal, como também na
priorização de medidas não privativas de liberdade.
• Divididas em 4 seções, as 70 regras compreendem indicações de administração
geral das instituições prisionais.
• Compromisso internacional assumido pelo Brasil.
Formato
1. A seção I compreende a administração geral das instituições.
2. A seção II contém regras aplicáveis apenas a categorias especiais.
3. A seção III contém regras que contemplam a aplicação de sanções não privativas
de liberdade e medidas para mulheres adultas infratoras e adolescentes em
conflito com a lei.
 
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4. A seção IV contém regras sobre pesquisa, planejamento, avaliação,
sensibilização pública e compartilhamento de informações.
Conteúdos
• A primeira parte é dividida em: ingresso, registro, alocação, higiene pessoal,
serviços de saúde, segurança, funcionários penitenciários e unidades para
adolescentes;
• A segunda parte é dividida em: presas condenadas, regime prisional, relações
sociais e assistência da egressa, estrangeiras, minorias, presas provisórias;
• A terceira parte é dividida em: medidas não restritivas de liberdade, pós-
condenação, mulheres gestantes e com filhos, adolescentes;
• A quarta parte é dividida em: pesquisa, planejamento e avaliação, sensibilização
pública, troca de informações e capacitação.
Regras de Bangkok (2010)
Exemplos – seção I
Registro
Regra 3 - No momento do ingresso, deverão ser registrados o número e os
dados pessoais dos/as filhos/as das mulheres que ingressam nas prisões.
Exemplo: INFOPEN
Higiene Pessoal
Regra 5 - A acomodação de mulheres presas deverá conter instalações e
materiais exigidos para satisfazer as necessidades de higiene específicas das mulheres,
incluindo absorventes higiênicos gratuitos e um suprimento regular de água disponível
para cuidados pessoais das mulheres e crianças, em particular mulheres que realizam
tarefas na cozinha e mulheres gestantes, lactantes ou durante o período da menstruação.
Exemplo: Projeto Revolucione Seu Ciclo; Lei de Dignidade Menstrual e celas
adequadas para gestantes – Cacequi e Madre Pelletier
Exemplos – seção II
Regime Prisional
 
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Regra 42 - Mulheres presas deverão ter acesso a um programa amplo e
equilibrado de atividades que considerem as necessidades específicas de gênero.
Exemplo: políticas de saúde, educação e trabalho prisional.
Exemplos – seção III
Relações sociais e assistência posterior ao encarceramento
Regra 47 - Após sua saída da prisão, deverá ser oferecido às mulheres egressas
apoio psicológico, médico, jurídico e ajuda prática para assegurar sua reintegração
social exitosa, em cooperação com serviços da comunidade
Exemplo: Escritório Social Patronato Porto Alegre.
Plano Estadual de Atenção às Mulheres Privadas de Liberdade e 
Egressas do Sistema Prisional – 2022/2023
Documento orientador e indutor da política estadual para mulheres presas e
egressas, levando em consideração tanto as singularidades de cada unidade federativa,
como os avanços e retrocessos, as iniciativas bem sucedidas e os obstáculos para a
instituição da política.
Regras mínimas das Nações Unidas para o tratamento de pessoas presas –
Regras de Mandela (2015)
Em 22 de maio de 2015, as Nações Unidas oficializaram novo quadro de
normas, incorporando novas doutrinas de direitos humanos para tomá-las como
parâmetros na reestruturação do atual modelo de sistema penal e percepção do papel do
encarceramento para a sociedade. Editaram-se, pois, as chamadas Regras de Mandela.
As 122 regras não pretendem descrever em detalhes um modelo de sistema
prisional. Procuram estabelecer o que se aceita como sendo bons princípios e práticas no
tratamento dos reclusos e na gestão dos estabelecimentos.
Formato da Norma
A primeira parte das regras trata da administração geral dos estabelecimentos
prisionais e aplica-se a todas as categorias de presos, criminais ou civis, em prisão
preventiva ou condenados, inclusive os que estejam em medidas de segurança ou
medidas corretivas ordenadas pelo juiz. 
 
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A segunda parte contém regras aplicáveis somente às categorias especiais
tratadas em cada Seção: presos sentenciados, presos com transtornos mentais e
problemas de saúde, presos sob custódia e aguardando julgamento e presos civis.
Primeira parte é dividida em: registros, separação de categorias, alojamento,
higiene pessoal, vestuário e cama, alimentação, exercício e desporto, serviços médicos,
restrições, disciplina e sanções, instrumentos de coação, revistas aos reclusos e inspeção
de celas, informação de direitos e reclamação, contatos com o mundo exterior,
biblioteca, religião, depósito de pertences, notificações, investigações, transferências,
pessoal do estabelecimento, inspeções externas e internas. 
Regras de Mandela
Exemplos – administração geral
Registros
Regra 6 Deverá existir um sistema padronizado de gerenciamento dos registros
dos presos em todos os locais de encarceramento. Tal sistema pode ser um banco de
dados ou um livro de registro, com páginas numeradas e assinadas. Devem existir
procedimentos que garantam um sistema seguro de trilhas de auditoria e que impeçam o
acesso não autorizado ou a modificação de qualquer informação contida no sistema.
Exemplo: INFOPEN
Alimentação
Regra 22
Todo preso deve receber da administração prisional, em horários regulares,
alimento com valor nutricional adequado à sua saúde e resistência, de qualidade, bem
preparada e bem servida. 
2. Todo preso deve ter acesso a água potável sempre que necessitar.
Exemplo: Departamento de Tratamento Penal – Divisão de Nutrição
Transferência
Regra 73
2. Deve ser proibido o transporte de reclusos em veículos comdeficiente
ventilação ou iluminação ou que, de qualquer outro modo, os possa sujeitar a sacrifícios
físicos desnecessários. Exemplo: Viaturas
 
GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
SECRETARIA DE SISTEMAS PENAL E SOCIOEDUCATIVO
SUPERINTENDÊNCIA DOS SERVIÇOS PENITENCIÁRIOS
ESCOLA DO SERVIÇO PENITENCIÁRIO
Segunda parte é dividida em: 
 Condenados – princípios, tratamento, classificação e individualização,
privilégios, trabalho, educação e lazer, relações sociais e assistência pós-
prisional;
 Reclusos com transtornos mentais e/ou com problemas de saúde;
 Reclusos detidos ou a aguardar julgamento;
 Presos civis;
 Pessoas presas ou detidas sem acusação.
Regras de Mandela
Exemplos – categorias especiais
Trabalho
Regra 96 
1. Todos os reclusos condenados devem ter a oportunidade de trabalhar e/ou participar
ativamente na sua reabilitação, em conformidade com as suas aptidões física e mental,
de acordo com a determinação do médico ou de outro profissional de saúde qualificado.
Exemplo: Trabalho Prisional por meio de Termos de Cooperação e Ligas laborais.
Educação
Regra 104
2. Tanto quanto for possível, a educação dos reclusos deve estar integrada no sistema
educacional do país, para que depois da sua libertação possam continuar, sem
dificuldades, os seus estudos.
Exemplo: NEEJA, ECCEJA, ENEM e Ensino Superior
Saúde
Regra 109
3. O serviço médico ou psiquiátrico dos estabelecimentos prisionais deve proporcionar
tratamento psiquiátrico a todos os reclusos que o necessitem.
Exemplo: Centro de Custódia Hospitalar Vila Nova

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