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O Direito Penal atual apresenta diversas características fundamentais que o definem como 
um instrumento do Estado Democrático de Direito voltado à regulação da convivência 
social. as principais características são: 
● Ramo do Direito Público e Monopólio Estatal: O Direito Penal é um ramo do direito 
público, pautado por normas obrigatórias e coercitivas. Atualmente, o Estado detém 
o monopólio da resolução de conflitos criminais, sendo o único ente com o direito e o 
dever de criar e aplicar normas penais, proibindo-se, em regra, a justiça com as 
próprias mãos. A única exceção é a legítima defesa e estado de necessidade, com a 
única finalidade de defesa própria de direito . 
● Finalidade de Proteção Social: Sua função primordial é a proteção da sociedade, da 
vítima e dos valores mais importantes para o ser humano, conhecidos como bens 
jurídicos (como a vida, a liberdade e o patrimônio). Ele busca restabelecer a paz 
social que foi abalada pela prática de um crime. 
● Poder Limitado e Garantista: O Direito Penal atual não é um poder absoluto; ele 
possui limites específicos impostos pelo próprio Estado e pelos conceitos de 
liberdades individuais. Ele deve ser utilizado apenas para proteger a sociedade 
contra as condutas mais graves, evitando excessos estatais que poderiam lesionar 
os indivíduos que o Estado deveria proteger. 
● Base Constitucional e Devido Processo: A definição moderna de Direito Penal o 
descreve como um conjunto de princípios e valores fixados pela Constituição, 
representados por normas que devem respeitar o devido processo legal. 
● Natureza Coercitiva: O Estado utiliza a sanção penal (penas ou medidas de 
segurança) como forma de coação para garantir que os cidadãos se submetam ao 
modelo de conduta estabelecido, servindo como um mecanismo de controle 
social. 
 
Divisão Estrutural: O ordenamento jurídico penal divide-se em Direito Penal Objetivo (o 
conjunto de normas postas) e Direito Penal Subjetivo (o poder-dever de punir do Estado, ou 
jus puniendi). Além disso, subdivide-se em Parte Geral (princípios e normas aplicáveis a 
todos os crimes) e Parte Especial (definição de crimes específicos e suas respectivas 
penas). 
Direito Penal do Fato: O modelo moderno é um Direito Penal do Fato, o que significa que o 
indivíduo é punido pelo que ele fez (sua conduta) e não por quem ele é. Punir alguém 
por suas características pessoais, cor da pele ou escolhas (Direito Penal do Autor) é 
considerado discriminatório e rejeitado em sociedades democráticas. No entanto, após a 
decisão pela punição baseada no fato, as condições pessoais do autor podem ser 
consideradas para ajustar a quantidade da pena em busca de justiça. 
Embora o Direito Penal atual seja majoritariamente “do fato”, O Santa Terra explica que as 
características do autor ainda possuem um papel importante após a decisão de punir: 
Fundamento da Punição (Fato): O Estado decide punir o indivíduo exclusivamente porque 
ele realizou uma conduta considerada crime. 
Ajuste da Pena (Autor): Após essa decisão, o juiz deve olhar para a pessoa do réu (quem 
ele é) para garantir que a pena seja justa e proporcional. Isso é uma aplicação do princípio 
da igualdade, que prevê tratar os desiguais de maneira diferente na medida de sua 
desigualdade. 
Exemplos de agravantes: Um reincidente pode receber uma pena maior que um réu 
primário. Da mesma forma, matar um irmão é considerado mais grave do que matar um 
desconhecido devido ao rompimento do laço de confiança. 
Exemplos de atenuantes: O sistema pode prever redução de pena para um pai que mata o 
estuprador de sua filha, considerando sua condição pessoal e o contexto emocional 
(sentimento de família), em vez de tratá-lo como um homicida comum.

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