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Guia de Estudo: Micoses Superficiais,
Cutâneas e Subcutâneas
Guia passo a passo, detalhado e didático de todo o conteúdo das lâminas da aula, organizado
na ordem dos slides e focado nos pontos essenciais para avaliação.
1. Micoses Superficiais (Slides 1 a 10)
Estrutura da Pele e Conceito Inicial
● A Pele (Slide 2): Dividida em Epiderme (camada mais externa, onde fica a queratina e
os pelos), Derme e Hipoderme.
● O que são Micoses Superficiais (Slide 3): São infecções que ficam restritas à camada
mais externa da pele (camada córnea da epiderme) e aos pelos.
○ Ponto de prova: O corpo não gera resposta inflamatória celular significativa (são
assintomáticas/sem coceira). O paciente busca atendimento mais pelo incômodo
estético.
Pitiríase Versicolor ("Pano Branco")
● Tipos de Lesão (Slide 5): Máculas (manchas) ou placas pouco elevadas, descamativas,
assintomáticas e sem prurido (sem coceira). Podem ser hipocrômicas (manchas
brancas) ou hipercrômicas (manchas castanhas/róseas).
● Agente Causal (Slide 6, 8): Leveduras lipofílicas (que gostam de gordura/sebo) do
gênero Malassezia spp. (M. furfur, M. globosa, M. sympodialis). Elas fazem parte da
microbiota normal da pele humana.
● Fatores Predisponentes (Slide 7): Ocorre lesão quando há um desequilíbrio: calor,
sudorese excessiva, uso de óleos/lubrificantes na pele, imunossupressão, gravidez ou
desnutrição.
● Diagnóstico Diferencial (Slide 9): Pode ser confundida com Psoríase (placas
vermelhas em cotovelos/joelhos), Vitiligo (manchas brancas simétricas sem descamação)
ou Tinea corporis (lesão em anel).
Métodos Diagnósticos da Pitiríase Versicolor (Slide 10)
1. Coleta: Raspado/Escarificação com lâmina na lesão ou uso de FITA ADESIVA
transparente (Durex) colada sobre a pele.
2. Exame Direto: Clarificação com KOH 20% (Hidróxido de Potássio).
○ Achado clássico de prova: Aglomerados de leveduras arredondadas juntas com
pseudohifas curtas — Aspecto de "MACARRÃO COM ALMÔNDEGAS".
3. Cultura: Fungo lipodependente e muito exigente. Meio de cultura: Ágar Sabouraud
Dextrose (ASD) OBRIGATORIAMENTE acrescido de uma fonte de lipídeo (ex: AZEITE
DE OLIVA).
2. Micoses Cutâneas — Dermatofitoses / Tineas
(Slides 11 a 41)
O que são Dermatófitos?
Fungos filamentosos hialinos (transparentes) e queratinofílicos (se alimentam de queratina),
que infectam estruturas queratinizadas: pele, pelos e unhas.
Principais Agentes Causais pelos Gêneros (Slide 12)
1. Microsporum spp.: Infecta pele e pelos.
○ Micromorfologia (Cultura): Predomínio de macroconídios grandes, fusiformes
(em formato de fuso/charuto) e de parede espessa.
2. Trichophyton spp.: Infecta pele, pelos e unhas.
○ Micromorfologia (Cultura): Predomínio de microconídios pequenos e
abundantes (macroconídios raros, finos e delicados).
3. Epidermophyton spp. (E. floccosum): Infecta pele e unhas (NUNCA infecta pelos).
○ Micromorfologia (Cultura): Macroconídios agrupados em extremidades com
formato de "dedos de luva" ou clava, sem microconídios.
Classificação Ecológica e Inflamação (Slide 16)
● Antropofílicos (T. rubrum, T. interdigitale, E. floccosum): Adaptados ao ser humano.
Causam infecção crônica, branda/pouco inflamatória, porém muito difícil de eliminar.
● Zoofílicos (M. canis - gatos/cães, T. verrucosum - gado) e Geofílicos (M. gypseum -
solo): Vêm de animais ou da terra. Causam resposta imune/inflamatória exacerbada
(muito vermelha e dolorida), mas respondem rápido e são mais fáceis de curar.
Tipos de Invasão nos Pelos (Slide 15)
● Ectothrix: O fungo forma esporos/hifas na superfície externa do fio de cabelo.
● Endothrix: O fungo invade e preenche o interior da cutícula do fio de cabelo.
● Infecção fávica: Destrói o bulbo capilar (causa alopecia definitiva, é raro).
Tipos de Lesões Clínicas / Tineas (Slides 18 a 26)
Tipo de Tinea Localização Aspecto da Lesão
/ Características
Agentes mais
Frequentes
Tinea unguium
(Onicomicose)
Unhas dos pés e
mãos
Unhas
espessadas,
deformadas,
esfareladas
(friáveis),
descoradas, com
acúmulo de
queratina
embaixo.
T. rubrum, T.
mentagrophytes,
E. floccosum
Tinea pedis (Pé
de atleta)
Pés e espaços
entre os dedos
Agudo: coceira,
vermelhidão e
vesículas (bolhas).
Crônico:
descamação e
fissuras.
T. rubrum, T.
mentagrophytes,
E. floccosum
Tinea corporis Pele lisa/glabra
(tronco, braços,
pernas)
Lesões
circulares/anular
es, secas,
vermelhas, com
descamação e
bordo ativo
bordejado.
M. canis, M.
gypseum, T.
rubrum, T.
mentagrophytes
Tinea capitis Couro cabeludo
(comum em
crianças de 2 a 10
anos)
Queda de cabelo e
áreas de alopecia.
• Microspórica: 1
a 2 placas grandes
de alopecia. Luz
Gêneros
Microsporum e
Trichophyton
Tipo de Tinea Localização Aspecto da Lesão
/ Características
Agentes mais
Frequentes
de Wood (+)
verde-amarelada.
• Tricofítica:
Múltiplas lesões
pequenas
descamativas. Luz
de Wood (-).
Tinea barbae Barba/rosto em
homens
Lesão vermelha,
edemaciada, com
pus (associação
bacteriana).
T. rubrum, T.
mentagrophytes
Tinea cruris Virilha e coxa Placa extensa,
eritematosa,
descamativa e
pruriginosa.
T. rubrum, T.
mentagrophytes,
E. floccosum
Dermatofítides
(Reação 'Id')
Mãos/dedos
(distante do foco
original)
Lesões
vesiculares
pruriginosas SEM
FUNGO presente
na lesão. É uma
reação
alérgica/imunológi
ca à distância.
Reação ao foco
fúngico em outro
local.
Tinea incognito Qualquer local de Lesão modificada
devido ao uso
Dermatófitos mal
Tipo de Tinea Localização Aspecto da Lesão
/ Características
Agentes mais
Frequentes
Tinea inadequado de
corticoides
tópicos. Perde a
borda delimitada e
parece uma
alergia.
diagnosticados.
Métodos Diagnósticos das Dermatofitoses (Slides 21, 27 a 29)
1. Coleta do Material:
○ Pele lisa: Raspar estritamente a BORDA ATIVA da lesão (onde o fungo está se
multiplicando ativamente).
○ Unhas: Raspar o material friável por baixo da unha ou cortar a porção
doída/modificada.
○ Pelos/Cabelos: Usar pinça para ARRANCAR O FIO COM A RAIZ/BULBO (não
basta cortar com tesoura).
2. Exame Direto ao Microscópio:
○ Coloca-se a amostra entre lâmina e lamínula com KOH 10% a 20% (o KOH digere
a queratina da pele/unha e limpa a lâmina).
○ Resultado esperado (Pele/Unha): Presença de filamentos micelianos (hifas)
hialinos, septados e refringentes.
○ Resultado esperado (Pelo): Esporos e/ou hifas organizados de forma Ectothrix ou
Endothrix.
3. Cultura:
○ Meios: Ágar Sabouraud Dextrose (ASD) e Mycosel (contém antibiótico e
antifúngico para inibir bactérias e fungos contaminantes ambientais).
○ Condições: Temperatura ambiente (25°C a 30°C) por 30 a 45 dias.
○ Identificação: Pela macromorfologia da colônia e micromorfologia dos conídios.
Destaque de Atualidade/Epidemiologia: Trichophyton indotineae
(Slides 35 a 41)
● Dermatófito emergente, transmitido por viagens ou contato sexual/próximo.
● Causa dermatofitose disseminada, extensa e altamente resistente à terbinafina e ao
fluconazol.
● Mecanismo de resistência: Mutações pontuais no gene da esqualeno epoxidase (SQLE).
3. Micoses Subcutâneas (Slides 42 a 73)
Conceito Geral
Infecções introduzidas no organismo obrigatoriamente por trauma/inoculação mecânica
(espinho de planta, farpa de madeira, arranhão ou mordida de animal). Atingem a derme, o
tecido subcutâneo e podem chegar aos ossos. Têm curso crônico.
1. Esporotricose (Slides 46 a 58)
● Agente Causal e Biologia (Slide 46, 52): Complexo Sporothrix schenckii (com destaque
para Sporothrix brasiliensis no Brasil).
● Fungo DIMÓRFICO Térmico (Slide 46):
○ No meio ambiente/cultura a 25°C: Apresenta-se como fungo filamentoso (hifas)
com conídios organizados em formato de "margarida".
○ No tecido humano/cultura a 37°C: Transforma-se em levedura (formas em
"charuto").
● Epidemiologia e Transmissão (Slide 48, 52): "Doença do jardineiro" (espinhos de
plantas/terra) e, principalmente, surtozoonótico urbano no Brasil associado a arranhões
e mordidas de gatos infectados.
● Tipos de Lesão e Formas Clínicas (Slide 50, 51):
1. Cutâneo-Linfática (A MAIS COMUM): Inicia com um pápula/nódulo no local do
trauma que ulcera. Em seguida, formam-se múltiplos nódulos que seguem o trajeto
do vaso linfático ("rosário linfático").
2. Cutânea Localizada: Apenas uma lesão fixa no local da inoculação.
3. Disseminada / Extracutânea: Atinge ossos, pulmão e vísceras (ocorre em
imunossuprimidos).
● Fatores de Virulência (Slide 53): Termotolerância (cresce bem a 37°C), Fosfatase ácida
(sobrevive dentro de macrófagos), Proteinases.
Diagnóstico Laboratorial da Esporotricose (Slide 54, 55)
1. Exame Direto: Muito RUIM / POUCO SENSÍVEL em humanos. As leveduras são raras e
escassas nos tecidos humanos.
○ ATENÇÃO: Exame direto negativo NÃO descarta esporotricose!
2. Cultura (Padrão-Ouro): Amostra: Exudato da lesão ou biópsia de pele. Incuba a 25°C
(vê hifas em margarida) e a 37°C para confirmar a conversão em levedura.
3. Histopatologia: Biópsia mostra reação inflamatória granulomatosa. Achado
patognomônico: CORPO ASTEROIDE (deposição de imunocomplexos
antígeno-anticorpo em volta da levedura).
2. Cromoblastomicose / Cromomicose (Slides 59 a 66)
● Agentes Causais (Slide 60): Fungos DEMÁCEOS / DEMATIÁCEOS (fungos escuros,
que possuem melanina na parede celular).
○ Fonsecaea pedrosoi (principal no Sudeste do Brasil).
○ Cladophialophora carrionii (comum em regiões áridas/Nordeste).
● Transmissão e Perfil: Inoculação traumática por espinhos/farpas em trabalhadores
rurais de zona tropical.
● Tipos de Lesão (Slide 62, 63): Doença extremamente crônica (pode levar até 15 anos).
Começa com uma pápula e evolui para placas verrucosas com aspecto vegetal em
"COUVE-FLOR", frequentemente acompanhada de infecção bacteriana secundária com
odor fétido.
● Fator de Virulência (Slide 61): Melanina (protege contra estresse oxidativo dos
macrófagos).
Diagnóstico Laboratorial da Cromoblastomicose (Slide 61, 64, 65)
1. Exame Direto (Padrão-Ouro para Diagnóstico): Amostra: Biópsia macerada ou
raspado da lesão com KOH.
○ ACHADO OBRIGATÓRIO DE PROVA: Presença de CORPOS ESCLERÓTICOS
(também chamados de CORPOS MURIFORMES ou FUMAGOIDES). São
estruturas arredondadas, castanhas/amarronzadas, divididas por septação em
múltiplos planos.
○ REGRA DE PROVA: NO TECIDO NÃO EXISTEM HIFAS. Se tiver hifa no tecido,
NÃO é cromoblastomicose (é feo-hifomicose).
2. Cultura: Fungos de crescimento MUITO LENTO (4 a 6 semanas). Formam colônias
aveludadas de cor escura (verde-escuro a negro).
3. Micetomas (Slides 67 a 73)
Conceito e Tríade Clínica Clássica (Slide 67, 68):
1. Edema (aumento de volume/inchaço indolor no local, geralmente no pé).
2. Fístulas (trajetos/orifícios que se abrem na pele e drenam secreção).
3. GRÃOS PARASITÁRIOS (microcolônias do agente que saem pela fístula).
Classificação Etiológica:
● Eumicetomas (por Fungos Filamentosos):
○ Inoculação por trauma nos pés.
○ Agentes: Madurella grisea, Scedosporium apiospermum.
○ Grãos: O fungo Madurella produz grãos pretos/negros.
● Actinomicetomas Exógenos (por Bactérias Aeróbias Ramificadas):
○ Inoculação por trauma na pele.
○ Agentes: Nocardia brasiliensis, Actinomadura madurae, Streptomyces somaliensis.
● Actinomicetomas Endógenos (por Bactérias Anaeróbias):
○ Origem na microbiota normal oral (não precisa de perfuração externa por espinho).
○ Desencadeado por procedimentos odontológicos, cáries ou má higiene bucal.
○ Agente: Actinomyces israelii (Bacilo Gram-positivo anaeróbio).
○ Atinge a região cervicofacial (pescoço/mandíbula) em lesões fechadas.
Diagnóstico Laboratorial dos Micetomas (Slide 72)
● Coleta: "Pescar" ou aspirar os GRÃOS diretamente das fístulas ou lesões fechadas.
● Exame Direto do Grão ao Microscópio:
○ Se for Eumicetoma: Visualizam-se hifas largas septadas e clamidósporos
agrupados.
○ Se for Actinomicetoma: Visualizam-se filamentos muito finos bacterianos (