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[e-book] Mentoria, discipulado e aconselhamento

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2 
Índice 
 
Introdução .................................................................................... 3 
Primeira parte: Mentoria ............................................................. 5 
Segunda parte: Discipulado ..................................................... 13 
Terceira parte: Aconselhamento .............................................. 14 
Quarta parte: Como controlar minhas habilidades sociais ... 25 
Bibliografia: ............................................................................... 31 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
Introdução 
 
Uma palavra de boas-vindas 
 
“Esforce-se sempre para receber a aprovação do Deus a quem 
você serve. Seja um(a) bom (boa) trabalhador(a), que não tem 
de que se envergonhar e que ensina corretamente a palavra da 
verdade”. 2 Timóteo 2:15 
 
Como ser e formar líderes espirituais para o mundo. 
Precisamos de mais pessoas que se ergam para sonhar por um 
futuro melhor, que sejam adequadas para inspirar outras a irem em 
busca desse sonho e que tenham a coragem e ousadia para ocupar 
os espaços para a transformação da sociedade. 
A liderança espiritual é uma tarefa maravilhosa, mas quanto 
maior sua liderança, maior o risco de isolamento. Quando não há com 
quem conversar sobre as pressões e os pesos do ministério, quando 
se perde os referenciais dos fundamentos bíblicos de mentoria é 
aí que se percebe que há uma necessidade de formar líderes que 
cuidem de líderes! 
É nesse ponto da estrada da vida que o perigo de uma 
derrapagem pode colocar tudo a perder. Ela pode ocorrer de formas 
distintas como alguma enfermidade física ou emocional, problemas 
de relacionamento familiar ou com equipe de ministério e até 
pecados públicos ou ocultos. 
No momento em que há tanto investimento na formação de 
líderes, formar mentoras espirituais que possam servir de referencial 
e orientar os novos líderes espirituais que surgem é extremamente 
útil à igreja e aos pastores. 
O Seminario de mentoria, discipulado e aconselhamento 
para mulheres que servem a Deus como líderes de líderes foi 
exatamente criado para suprir essa lacuna dentro das igrejas 
evangélicas. Mulher que serve aquelas que o Senhor levanta para 
liderar na sua igreja. 
 
 
4 
Vamos juntas aprender princípios e valores eficazes no cuidado 
de líderes, promovendo saúde integral no exercício do ministério. 
Que Deus levante entre nós mentoras segundo o seu coração 
para este tempo tão desafiador. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5 
Primeira parte 
 
Mentoria 
 
Todo cristão necessita de um(a) mentor(a) começando pelo seu 
pastor. 
 
Cristãos mais maduros, também precisam de orientações em 
algum momento de sua caminhada para conseguir lidar com 
determinados desafios que se apresentam durante a jornada terrena 
em busca de santidade, como os desafios do casamento, o serviço 
na igreja, dentre outras demandas ao longo da trajetória de fé rumo 
à vida eterna. 
Esta atitude pode ser traduzida como uma busca por 
desempenhar com excelência as suas tarefas. O bom desempenho 
nos esforços do serviço cristão não pode ser dissociado de uma vida 
que é forjada por Deus. 
O Senhor molda vidas de formas distintas, mas certamente 
uma das maneiras de trabalhar na vida do cristão é o convívio 
relacional, a comunhão da igreja. Nessa comunhão, há troca de 
experiências, conhecimentos, dons espirituais e nessa mutualidade 
há crescimento espiritual das partes e da comunidade da fé como 
todo. 
Provérbios 27:17 diz: “Assim como o ferro afia o ferro, o homem 
afia o seu companheiro”. 
Crentes experientes ensinam e aprendem com os mais novos 
na fé. Pessoas com certa maturidade espiritual ajudam umas às 
outras a permanecerem crescendo diante de Deus. Tudo isso para 
oferecer ao Senhor o que se tem de melhor: a vida dedicada no altar 
de forma agradável a Ele. 
Poder contar com líderes experimentados que compartilham 
histórias e lições aprendidas ao longo da vida ministerial pode ser de 
grande valia aos mais novos que se mantêm abertos ao aprendizado. 
Isso certamente poupa-os de erros já cometidos por outros e leva-os 
 
 
6 
a obtenção de bons resultados em um espaço de tempo menor do 
que outros. 
 
FUNDAMENTOS BÍBLICOS DE MENTORIA 
No Antigo Testamento, em 2 Crônicas 24:2, vê-se a importância 
do sacerdote Joiada na vida do novo rei Joás, ajudando-o a fazer 
aquilo que Deus aprovava em seu reinado. 
Já o texto de Provérbios 27:17 diz: “Assim como o ferro afia o 
ferro, o homem afia o seu companheiro”. 
No Novo Testamento o exemplo maior é o próprio Jesus, que 
escolheu doze, designando-os apóstolos, para que estivessem com 
ele e os enviasse a pregar (Mc 3.14). Ele mesmo afirmou: “mas todo 
aquele que for bem preparado será como o seu mestre” (BÍBLIA 
SAGRADA, Lucas 6:40b). 
O apóstolo Paulo foi profundamente impactado com os 
cuidados que recebeu de Barnabé no início de sua vida cristã, 
conforme nota-se em Atos 11, quando foi buscá-lo em Tarso, 
levando-o a liderar os crentes reunidos na cidade de Antioquia. 
Paulo foi o mentor de Tito, em que se pode notar as várias ações 
e intenções de Paulo para que Tito pudesse avançar em sua 
liderança espiritual. 
• Em Tito 3:12, Paulo desejava passar mais tempo com Tito. 
• Em 2 Coríntios 2:13, Paulo se preocupa com o bem-estar de 
Tito. 
• Em 2 Coríntios 7:5-6, Paulo foi encorajado e consolado com a 
presença de Tito. 
• Em Tito 1:4, Paulo demonstra intimidade com o seu discípulo; 
• Em 2 Coríntios 8:23, fica claro que Paulo e Tito formavam uma 
equipe no ministério de pastorear as igrejas. 
Paulo foi mentor de outros mais no NT como Timóteo, Priscila e 
Áquila. 
 
 
 
 
7 
O RELACIONAMENTO ENTRE MENTORA E MENTORANDA 
O ser humano é social, e depende de outros para estar bem 
emocionalmente e saudável psicologicamente. 
A mentoria cristã, promove um intercâmbio de conhecimento e 
emoções entre a cuidadora e a que está sendo cuidada 
 
CARACTERÍSTICAS DE UMA MENTORA 
Ela distingue possibilidades de crescimento na vida dessa 
pessoa, apoia, nutre, desafia e instiga o desenvolvimento pleno de 
suas potencialidades, sempre dentro dos propósitos de Deus. 
Mentoras cristãs são pessoas que orientam, aconselham, 
ensinam e guiam de forma personalizada e individualizada outros, 
visando o seu crescimento e desenvolvimento pessoal e espiritual. É 
importante lembrar: 
• A mentora não tem que ser necessariamente uma pastora. 
• Ensinar e ajudar no desenvolvimento de pessoas não é um 
dom dado apenas a pastores. 
• É missão da igreja, pois a grande comissão implica em que se 
faça “[...] discípulos de todas as nações, batizando-os em nome 
do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (BÍBLIA SAGRADA, 
Mateus, 28.19). 
• A mentora deve ser uma cristã, mais experiente, que 
voluntariamente se dispõe a acompanhar alguém em sua 
caminhada cristã. Esta deve ser capaz, temente a Deus, digna 
de confiança, de boa índole (Êxodo 18:21); que maneja bem a 
palavra de Deus e não tem do que se envergonhar (2 Timóteo 
2:15). 
Ser uma mentora é influenciar as pessoas a seguir o propósito de 
Deus, é levar a salvação, a paz, a cura, a restauração, o amor e a 
bênção do Espírito Santo para outros, o que agrada a Deus. 
 
TRÊS CARACTERÍSTICAS MARCANTES DE UMA MENTORA. 
1. Busca a proteção de Deus - Nas adversidades as mentoras 
devem buscar sustento em Deus e em sua Palavra. A mentora 
 
 
8 
deverá ter a marca de uma serva temente que busca Deus e 
conhece bem a palavra para que suas cercas de proteção 
espirituais estejam sempre fortalecidas. 
2. Sabe de sua limitação e incapacidade - Saber reconhecer as 
limitações e ter humildade para atender os ensinamentos de 
Deus leva a mentora a compreender que alguém só se torna 
apto para o serviço do Reino a partir da capacitação que o 
próprio Deus dá. A maior lição aqui é que se deve ser humilde 
e dependente das orientações que as Escrituras Sagradas dão. 
3. Tem e deixa marcasespirituais na vida das pessoas - Essas 
marcas foram produzidas ao longo de sua caminhada com 
Deus, experiências vividas que quando contadas impactam a 
vida dos que ouvem produzindo fé, amor, perseverança, 
esperança, compaixão, aprendizado, crescimento espiritual e 
maturidade. Mentoras eficientes se doam em prol de outro ser 
humano. Investem tempo, energia, emoção, confiança e até 
mesmo dinheiro. E são capazes de estabelecer e manter um 
relacionamento saudável e duradouro. 
Como você deve ter percebido, ser uma mentora exige um 
preparo e experiência de vida e com Deus. Ele nos prepara, restaura 
e transforma em canal de benção para que outras pessoas possam 
receber o mesmo ensinamento. 
“Deus não nos deu espírito de covardia, mas de poder, de amor e de 
equilíbrio” (BÍBLIA SAGRADA, 2 Timóteo, 1.7 
É necessário que as mentoras, como líderes na igreja, estejam 
conscientes de que não é possível oferecer às pessoas algo que não 
se tem, ou seja, elas precisam servir de referência, inclusive no 
compromisso de receber ajuda e de ajudar na busca de 
desenvolvimento. 
 
CARACTERÍSTICAS NECESSÁRIAS A UMA MENTORANDA 
Aquela que tem o desejo de ser mentorada deve orar e pedir a 
Deus uma mentora que tenha afinidade com o assunto a ser tratado. 
1. O Senhor irá mostrar a esta pessoa alguém que tenha 
experiência para orientá-la. 
 
 
9 
2. É importante que a mentoranda seja disciplinada e tenha 
objetividade, ordem e responsabilidade. 
3. A mentoria sem esses elementos pode levar a uma falsa 
sensação de autocuidado que mais tarde poderá se 
transformar em um sentimento de culpa e frustação. 
4. É importante que a mentoranda saiba o que pretende com o 
processo de mentoria. 
5. Caso isso não esteja claro, a mentora deverá trabalhar essa 
questão com a mentoranda para evitar frustrações. 
 
A COMPREENSÃO DO OUTRO NO PROCESSO DE MENTORIA 
Certamente não há uma fórmula mágica para se iniciar um 
relacionamento com alguém, seja de amizade, namoro e até mesmo 
de mentoria, cada relacionamento é único. 
É necessário haver envolvimento, compaixão, respeito, 
sinceridade e principalmente a aplicação de princípios bíblicos e a 
orientação do Espírito Santo para a resolução das questões que 
surgirem. 
Destacam-se desses elementos a compaixão, o respeito e a 
sinceridade. 
1. A compaixão acontece quando há uma preocupação com as 
pessoas. Cristo demonstrou compaixão. Ele se compadeceu 
das multidões que estavam aflitas, cansadas e oprimidas, 
providenciou alimento e se importou verdadeiramente. 
2. O respeito pode ser traduzido como considerar o outro digno 
de honra. Cristo mostrou que todos são dignos de ser 
respeitados, curou e salvou inúmeras pessoas consideradas 
desprezíveis pela sociedade de seu tempo. 
3. A sinceridade talvez seja desses elementos o mais importante, 
pois não adianta fingir compaixão e respeito, a má mentora 
pode ser uma “boa atriz”, mas jamais enganará a Deus. Um 
relacionamento sem sinceridade estará condenado ao 
fracasso. 
4. No livro de João capítulo 11, onde há a narração da 
ressurreição de Lázaro, nota-se que Jesus chorou por ver a dor 
das pessoas e por perceber que elas não conseguiam ver a 
 
 
10 
Glória de Deus por meio dele. No versículo 36, alguns Judeus 
perceberam e exclamaram: “vejam como ele o amava!”. Jesus 
não precisou dizer explicitamente que se importava, mas suas 
atitudes e seu comportamento foram suficientes para expressar 
o quanto ele se importava. 
5. 
IDENTIFICANDO OS ALVOS 
• O que você quer? Essa resposta vai depender do sonho da 
mentorada, poderão ser cinco anos ou poucos meses. 
• O que será necessário fazer para alcançar os objetivos? como 
se pretende realizar as etapas, as metas o planejamento de 
estudos, dentre outros. 
 
COMO ENCONTRAR UMA MENTORA 
O primeiro passo é orar. HENDRICKS e HENDRICKS (2011, p. 
77) mostra que os seres humanos podem não levar a sério o poder 
da oração, mas Deus leva. Ele sabe quem é a pessoa ideal para lhe 
mentorear. 
Fique atento ao que Deus irá lhe dizer, porém, para isso, é 
importante ter uma vida de intimidade com Ele. 
Depois, observe as oportunidades que Ele dará a você, 
mantenha-se atento para não as perder. 
 
 IDENTIFICAÇÃO DAS NECESSIDADES DA MENTORANDA 
• Dimensão espiritual é base para cura, crescimento e 
desenvolvimento das potencialidades humanas. 
• Dimensão física - O cuidado do corpo é algo que merece ser 
resgatado como proposta de cuidado dentro da igreja. Uma das 
missões da igreja é levar a cura às pessoas. 
• Dimensão emocional - O cuidado emocional está interligado 
aos demais cuidados ou demais dimensões da vida. Vê-se com 
muita frequência na atualidade pessoas que sofrem na área 
emocional, desenvolvendo enfermidades como ansiedade, 
depressão e burnout. 
 
 
11 
• Dimensão das relações sociais - As relações sociais fazem 
parte da vida de qualquer pessoa. Essa é uma condição natural 
do ser humano. Este é um ser social. 
 
ESTABELECENDO UM ROTEIRO DE AÇÃO 
A mentoria só será eficaz se existir um plano de ação com alvos 
palpáveis e metas mensuráveis. 
Para estabelecer o plano de ação é importante ajustar entre as 
partes ligadas ao processo de mentoria quais são suas expectativas, 
(de curto, médio ou longo prazo) e se os encontros serão feitos mais 
formalmente ou informalmente. 
Aqui destacam-se alguns dos critérios a serem observados para o 
estabelecimento de alvos de crescimento. 
1. Um bom alvo deve ser específico (deve dizer o suficiente para 
que não fique nenhuma dúvida do que se quer alcançar). 
2. Deve ser mensurável (deve conter prazos e quantidades para 
se poder avaliar seu alcance ou não). 
3. Deve indicar ação (ser ativo e não passivo). 
4. Deve ser alcançável (ser realista quanto à possibilidade de ser 
atingido). 
 
DEFININDO A AGENDA 
Todo processo deve ter um início, meio e fim. A mentoria não 
irá acontecer por toda a eternidade, então converse com a sua 
mentora sobre a possibilidade de desenvolver um cronograma, para 
saber quando será o fim dos encontros. 
 
CONCLUSÃO 
Quando estudamos a mentoria como uma base para o 
crescimento espiritual e uma boa relação com Deus, é muito 
importante a mentora ter objetividade, disciplina e humildade. O 
processo de compreensão do outro na mentoria é de fundamental 
importância assim como identificar alvos e objetivos, além de saber 
 
 
12 
quais devem ser os primeiros passos rumo à autodescoberta para 
uma vida próspera em Deus e em seus relacionamentos humanos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
13 
Segunda parte 
 
Discipulado 
 
“Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os 
em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a 
guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu 
estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. 
Amém”. Mateus 28:19,20 
 
Para compreender o conceito de discipulado, é importante 
entender como e quando se iniciava o processo de ensino no 
contexto judaico. 
• Os meninos judeus iniciavam seus estudos da Torah (primeiros 
5 livros do Antigo Testamento) aos 6 anos de idade e aos 10 já 
a tinham decorado. Os que se destacavam eram selecionados, 
se aprofundavam nas Escrituras, na sua interpretação e na 
tradição oral. Aos 14 anos esses meninos já eram considerados 
a elite em Israel e eram chamados de Talmidi ou Talmidim 
(discípulo) e se dedicavam aos estudos sob os cuidados de um 
rabino, posteriormente se tornavam mestres. Provavelmente 
Jesus passou por esse processo (Lucas 2.46-47), pois era 
reconhecido como mestre (João 1.38;20.16). 
• Jesus, como mestre, escolheu doze homens para serem seus 
discípulos diretos, entretanto influenciou muitos outros que o 
seguiram de perto e se tornaram seus discípulos. Discipulado 
é a estratégia utilizada por Cristo, como mestre, para alcançar 
o mundo e proporcionar o avanço do evangelho 
geograficamente por meio das gerações. 
Discipulado é o método que Jesus utilizoupara formar os seus 
discípulos. Ele é o melhor exemplo que temos de discipulador. Jesus 
andou durante anos cuidando dos discípulos e formando cada um 
deles para viver de acordo com o Senhor. 
 
 
 
14 
DIFERENÇA ENTRE DISCIPULADO E MENTORIA 
• O discipulado é uma ação voltada para o início da vida cristã, 
em que princípios básicos da fé cristã são ensinados com vistas 
à preparação de pessoas ao batismo. 
• A mentoria é um processo de orientação espiritual que vem 
após o batismo e visa o desenvolvimento do caráter cristão no 
indivíduo. 
A mentoria espiritual é uma orientação para o desenvolvimento 
do caráter do crente em Cristo. 
“A visão de crescimento integral deve conduzir todos os salvos 
a um estilo de vida comunitário que incentive e promova engajamento 
de cada membro em seu ministério pessoal” (PIRAGINE 2015, p. 
123). 
Embora haja muita semelhança entre o discipulado e a 
mentoria, há algumas distinções entre os dois termos e processos: 
1. O discipulado é realizado numa proposta de relacionamento 
cristão mais informal, não necessariamente com dia e hora 
marcada, ainda que isso possa ocorrer. 
2. Já a mentoria espiritual é um relacionamento que visa ao 
desenvolvimento do cristão, mas que se realiza num processo 
um pouco mais formal, com dia e hora marcados, expectativas 
claras, ferramentas de avaliação de crescimento, podendo ser 
realizada mesmo antes do batismo e não tendo uma data pré-
determinada para seu fim 
 
SIGNIFICADO DE DISCIPULADO 
• substantivo masculino. 
• Reunião de discípulos, alunos ou aqueles que seguiam Jesus. 
• Grupo composto pelos alunos ou pelos estudantes de uma 
escola. 
• O período de tempo em que alguém é discípulo. 
• Aprendizado; estado de quem é discípulo. 
• [Gramática] Substantivo coletivo de discípulo. 
• quem recebe disciplina ou instrução de outra pessoa; aluno. 
• Quem segue as ideias ou imita os exemplos de outro: discípulo 
de Hegel. [Religião] 
 
 
15 
• Cada um dos apóstolos de Jesus que propagaram seus 
ensinamentos. 
• Pessoa que adota uma doutrina, filosofia, ideal: discípulos do 
capitalismo. Aquele que dá continuidade ao trabalho de outra 
pessoa: discípulos de Saussure. 
 
Formar discípulos é um mandamento do Senhor, e assim como 
todo mandamento, deve ser seguido: “Portanto ide, fazei 
discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e 
do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as 
coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco 
todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.” 
 
Ser discípulo de Jesus implica em compreender, viver e ensinar 
os seus mandamentos. Cumprir com excelência esses três aspectos 
torna a mulher uma discípula autêntica de Cristo. 
Ser discípulo exige um preço a ser pago: uma vida em 
santidade, subordinação, comprometimento com Cristo, humildade, 
mansidão e todos os aspectos contidos no fruto do Espírito, além de 
autonegação, como o próprio Jesus disse: Mateus, 10.32-39. 
Ser discípulo implica em perder a própria vida em prol da causa 
de Cristo. Discipulado é ensinar a outros o quanto vale a pena perder 
a própria vida para ser igual a Cristo. E isso não é uma escolha para 
os servos de Cristo, é parte da missão da igreja como representante 
da missão de Deus neste mundo. 
 
E todos os teus filhos serão discípulos do Senhor; e a paz de teus 
filhos será abundante. Isaías 54:13 
 
O que as pessoas buscam em uma discipuladora? Para responder esta indagação, 
primeiro precisamos entender que fazer discípulo é: 
1. Um mandamento do Senhor e que deve ser feito com 
qualidade. 
 
 
16 
2. Um trabalho que deve ser feito com excelência, dedicação e 
testemunho pessoal. 
3. A vida de Cristo sendo gerada em outra vida. 
4. Um compromisso de obediência a Cristo. 
A boa discipuladora domina o conhecimento. Jesus nos deu a 
missão do cuidado, por isso necessitamos ser especialistas e 
executar o discipulado com excelência. É uma obra que não pode ser 
feita de qualquer jeito. Uma formação acadêmica, experiências da 
vida e principalmente o conhecimento bíblico são ferramentas que 
ajudam no processo do discipulado. Por esse motivo o discipulador 
deve fugir dos “achismos”. 
A boa discipuladora tem um bom comportamento. A coerência do 
que ela sabe e a incoerência do seu comportamento pode ser uma 
grande armadilha, pois palavras convencem, contudo é o exemplo 
que “arrasta”. Por isso o discurso da discipuladora deve estar 
alinhado ao seu comportamento. 
A boa discipuladora gera resultados. Fique atenta, pois pessoas 
desejam estar perto de alguém que têm resultados. Grande parte não 
vê nossa oração e consagração, mas enxergam os resultados 
expostos no mundo natural. Sabendo disso, a boa discipuladora 
busca o desenvolvimento pessoal. Para que isso ocorra, é 
necessária uma santificação em diversas áreas da nossa vida (João 
17.19). 
A boa discipuladora torce pela vitória do discípulo. Muitos 
desejam o cuidado de um pai espiritual. A capacidade de amar e se 
importar com pessoas eleva a admiração dos discípulos. A boa 
discipuladora é amorosa no antes, durante e depois. 
É comum que no início do discipulado o liderado admire as 
qualidades do seu líder. Contudo, o maior desafio e o ideal é que a 
discipuladora consiga manter o respeito por parte do discípulo até o 
fim do discipulado (caso se encerre). 
A boa discipuladora é amiga. À medida que o discipulado ocorre, é 
gerado um vínculo de amizade, e quanto mais o discípulo e 
discipulador se conhecem, mais cresce a confiança entre eles. Caso 
a amizade não tenha sido formada, é preciso repensar e ver o que 
não está caminhando dentro do discipulado. 
 
 
17 
COMO É FEITO O DISCIPULADO BÍBLICO. 
Na prática, o discipulado não é algo complexo. 
v Deus o fez de forma simples e direta. 
v A ordem de Jesus em Mateus 28:19 nos aponta duas coisas 
que nós já conhecemos e devemos fazer na prática: 
1- Ir e fazei discípulos. Isso significa que enquanto estamos 
vivendo a nossa vida, “indo” “andando” em nosso dia a dia, devemos 
ser sal e luz para as pessoas (Mateus 5:13), vivendo na prática a vida 
que Jesus deseja para nós e anunciando a boa notícia da salvação 
com o objetivo de que pessoas ouçam a palavra e a recebam em 
seus corações. 
Essa é a semente do discipulado bíblico, ele se baseia única e 
exclusivamente na anunciação da palavra de Deus e no poder dela 
de transformar vidas: “Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e 
mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até 
ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para 
discernir os pensamentos e propósitos do coração” (Hebreus 4:12). 
2- Ensinar os novos discípulos. Um discípulo é alguém que 
está em constante aprendizado. Ele não nasce pronto. Alguém que 
está perdido no mundo e é alcançado por Deus, precisa agora saber 
o que fazer. E é exatamente aqui que entram os discípulos de Cristo. 
Nós, como servas de Jesus, temos a missão de ensinar e 
acompanhar nossos irmãos, mostrando a eles o caminho da vontade 
de Deus, da edificação, do fortalecimento, do conhecimento da 
Palavra do Senhor, da comunhão com os santos, etc. Devemos 
edificar uns aos outros 
COMO REALIZAR O DISCIPULADO BÍBLICO NA PRÁTICA? 
1- Aprenda mais para ensinar mais. Não fique parada no 
tempo. Busque aprender cada vez mais e viver cada vez mais a 
palavra de Deus para que você seja cada vez mais capacitada para 
compartilhar com outros sobre o evangelho de Cristo. Quanto mais 
preparado for o servo, mais Deus o usa. 
2- Não tenha vergonha. Muitas vezes sentimos vergonha de 
falar de nossa fé, por medo de sermos perseguidas, caçoadas ou 
 
 
18 
rejeitadas. Esse é um risco que corremos, mas não tenha medo, pois 
isso é a obra de Deus e agindo Deus quem impedirá? (Isaías 43:13). 
Seja ousada, firme, faça o seu papel sabendo que Deus está no 
controle dessa obra de fazer discípulos. 
3- Convide para congregar. Sempre que possível, convide a 
pessoa para fazer um discipulado bíblicomais profundo na igreja, ou 
mesmo em encontros com o objetivo de estudar a Bíblia. Isso vai 
ajudar a pessoa a se aprofundar nas verdades da Palavra do Senhor 
e irá transformá-la em uma nova “ovelha” discipuladora também. A 
igreja de Deus é um corpo, e trazer as pessoas para perto desse 
corpo fará com que elas sintam como é bom fazer parte dele. 
JESUS PLANEJOU O DISCIPULADO PARA SER EFETIVO. 
Intencional: “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo 
contrário, eu vos escolhi a vós outros […]” (João 15.16a). 
 
Jesus simplesmente não tropeçou em seus discípulos; ele 
tomou uma amorosa e decisiva iniciativa. Ele os escolheu. Foi 
intencional. O amor semelhante ao de Cristo não é passivo; ele toma 
iniciativa. Amar outros cristãos como Cristo nos amou significa tomar 
a iniciativa. 
 
Propositado: “e vos designei para que vades e deis fruto, e o 
vosso fruto permaneça” (João 15.16b). 
 
O amor de Cristo por seus discípulos é propositado. Ele os 
chamou a darem frutos para a glória de Deus. Em outras palavras, o 
seu amor não é meramente sentimental, mas tem o compromisso 
maravilhoso de glorificar a Deus. Se havemos de amar uns aos 
outros como Cristo nos amou, certamente iremos compartilhar os 
objetivos de Jesus para conosco, isto é, o bem espiritual dos nossos 
amigos e a glória de Deus por meio da alegria deles no evangelho. 
 
Humilde: Jesus diz: “Como o Pai me amou, também eu vos 
amei” (João 15.9) e “Já não vos chamo servos, […] mas tenho-vos 
chamado amigos” (João 15.15a). 
 
 
 
19 
Jesus acede em ser nosso amigo, muito embora esteja ele 
infinitamente acima e além de nós em majestade, santidade e honra. 
Certamente, então, nós devemos nos relacionar com toda a 
humildade com nossos irmãos e irmãs. Não devemos tratar o 
discípulo como inferiores a nós, ou um simples projeto de estudo. 
Nós não nos colocamos por cima, antes honramos e cuidamos. 
 
Alegre: “Tenho-vos dito isso para que a minha alegria 
permaneça em vós” (João 15.11, ARC). 
 
Jesus nos ordena a amarmos uns aos outros a fim de 
conhecermos a sua alegria. Cuidar de outros cristãos e encorajar o 
seu crescimento na graça pode ser trabalho árduo. Mas é 
um trabalho maravilhoso e Jesus diz que é um trabalho que traz 
alegria! 
 
Normal: Jesus torna esse tipo de discipulado amoroso pois é 
um mandamento básico para todo o seu povo e, assim sendo, deve 
que ser algo normal para todos os cristãos. Leia novamente: 
“O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim 
como eu vos amei”. Vejamos mais alguns textos: 
 
1. “Exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se 
chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo 
engano do pecado” (Hebreus 3.13). 
2. “Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, 
preferindo-vos em honra uns aos outros” (Romanos 12.10). 
3. “Consolai-vos, pois, uns aos outros e edificai-vos 
reciprocamente, como também estais fazendo” 
(1 Tessalonicenses 5.11). 
 
O Novo Testamento está cheio de tais exortações. Jesus e os 
apóstolos não desejavam que o discipulado entre cristãos fosse 
excepcional, e sim normal. 
 
 
 
20 
COMO CRISTÃ DISCIPULADORA EU DESEJO QUE VOCÊ SEJA: 
v intencional, 
v proposital, 
v humilde 
v e alegre 
 
Nossa missão como discipuladora é formar discípulos em todas 
as nações da terra, começando pelos nossos filhos, à medida que 
nós trabalhamos juntas para tornar normal esse tipo de 
relacionamento entre os irmãos. 
 
Que Deus em Cristo nos abençoe como discipuladoras 
começando pelos nossos filhos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
21 
Terceira parte 
 
Aconselhamento 
 
Pv. 15:22 – “Planos fracassam onde não há conselho, mas têm 
êxito quando há muitos conselheiros”. 
 
RECAPITULANDO O QUE TEMOS VISTO ATÉ AGORA: 
Discipular é seguir e ensinar novos convertidos em sua nova 
vida com Deus, logo após a conversão, em seus primeiros passos na 
fé. 
Já a mentoria é um seguimento de cristãos que já tem uma 
certa caminhada com Jesus, com o propósito de orientá-los, apoiá-
los e incentivá-los em suas vidas e ministérios. A mentoria é para 
todos aqueles que já caminham com Jesus há um pouco mais de 
tempo. 
O aconselhamento cristão visa estimular o crescimento 
espiritual, a confissão de pecados, a entrega total de vida a Cristo e 
o desenvolvimento de princípios e valores fundamentados nos 
ensinamentos bíblicos. 
 
ACONSELHAMENTO 
Quem nunca ouviu um conselho dos pais, amigos ou 
aconselhou alguém que estivesse com dificuldades em uma 
determinada área? 
O aconselhamento cristão é uma ação presente no ato de 
discipular e mentorear pessoas. No entanto, nem todo 
aconselhamento é um discipulado ou mentoria, pois estes dois se 
desenvolvem a longo prazo, com data e hora marcada, e o 
aconselhamento pode ser mais simples e pontual. 
 
 
 
 
22 
O ACONSELHAMENTO TEM POR OBJETIVO: 
• auxiliar as pessoas. 
• Motivar. 
• Orientar. 
• Animar em momentos de dificuldades. 
Acontece por meio do diálogo, do compartilhar com o próximo 
algo importante. Gary Collins diz que ajudar é tarefa de todos. 
Embora existam profissões especializadas nesse assunto, 
como psicólogos, psiquiatras, assistentes sociais, dentre outros, 
todos podem ajudar alguém. 
Muitas vezes, a ajuda que mais irá surtir efeitos é a de alguém 
que está perto da pessoa que tem problemas em uma determinada 
área, um simples amigo e leigo no assunto de aconselhar. 
O aconselhamento cristão se torna único, pois é inteiramente 
orientado pela influência e presença do Espírito Santo (COLLINS, 
2004). 
O desenvolvimento do processo de discipulado e mentoria, 
acontece por meio do aconselhamento cristão. 
 
QUATROS PASSOS PARA A CONSELHEIRA CRISTÃ: 
1. Aconselhamento centrado em Cristo. 
2. Aconselhamento centrado na salvação. 
3. Aconselhamento centrado na Igreja. 
4. Aconselhamento centrado na Bíblia. 
A conselheira cristã tem a experiencia do novo nascimento e 
Cristo vive através dela (Gálatas 2.20) 
Todo discipulado e mentoria tem um momento de 
aconselhamento e orientação como já visto anteriormente, entretanto 
nem todo aconselhamento será essencialmente um discipulado ou 
mentoria. 
O aconselhamento pode ser apenas uma ajuda para uma 
dúvida ou dificuldade momentânea, algo preciso, porém a 
mentoria ou discipulado são métodos mais demorados, exigem um 
 
 
23 
acompanhamento mais planejado, a longo prazo, com data e hora 
marcada e visa chegar um objetivo específico. 
Terminamos com o texto bíblico como regra de fé e pratica na 
vida da conselheira e do aconselhado. 
"Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que 
espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do 
espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e 
intenções do coração" (Hebreus 4:12). 
Ainda que os conselheiros e conselheiras cristãs costumem 
usar as agilidades do campo da psicologia e aconselhamento 
secular, eles reconhecem que a Bíblia, não a psicologia, é a 
autoridade final. 
"Seu divino poder nos deu todas as coisas de que necessitamos para a 
vida e para a piedade, por meio do pleno conhecimento daquele que nos 
chamou para a sua própria glória e virtude”. (2 Pedro 1:3). 
A principal ferramenta de uma conselheira cristã é estar pronta 
para ajudar seus irmãos que se tornaram pacientes, a abandonar o 
erro pela verdade bíblica em suas vidas diárias. Elas compreendem 
que a verdade, quando conhecida, acreditada e obedecida, liberta as 
pessoas. Quando as pessoas são libertas, as conselheiras estão 
cumprindo o seu verdadeiro chamado. 
"E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará". (João 8:32) 
 
A CONSELHEIRA CRISTÃ VÊ A BÍBLIA COMO A FONTE DE TODA VERDADE. 
2 Timóteo 3:16-17 diz: "Toda a Escritura é inspirada por Deus 
e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a 
instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e 
plenamente preparado para toda boa obra." 
A conselheira secular não tem tal padrão, mas em vez disso, 
elasutilizam as mais recentes descobertas psicológicas ou norma 
social, as quais mudam com o avanço do tempo. 
As conselheiras cristãs entendem que a Bíblia é a fonte de 
sabedoria prática sobre a natureza humana, casamento e família, o 
sofrimento humano e muito mais. Ao utilizar conceitos bíblicos de 
 
 
24 
aconselhamento, elas podem ensinar as pessoas na forma correta 
em que devem conduzir a vida e ser responsáveis por suas ações. 
Salmo 119:24 diz: "Sim, os teus testemunhos são o meu prazer; 
eles são os meus conselheiros”. 
Deus abençoe vocês. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
25 
Quarta parte 
 
Como controlar minhas habilidades sociais 
 
 Podemos definir habilidades sociais como um conjunto de 
hábitos no nosso comportamento, mas também nos nossos 
pensamentos e emoções que permitem comunicar-nos com outras 
pessoas de forma eficaz, manter relacionamentos interpessoais 
satisfatórios, sentir-nos bem, conseguir o que queremos. 
 
 A aprendizagem ou desenvolvimento de habilidades sociais é 
um tema de grande interesse para qualquer um de nós, pois a maior 
parte dos nossos problemas e satisfações têm a ver com nossos 
relacionamentos interpessoais. Por tanto, qualquer melhoria nesta 
área significará um aumento importante no nosso bem-estar e na 
nossa qualidade de vida. Nosso objetivo é ajudar vocês a melhorar 
suas capacidades de se comunicar e se relacionar efetivamente com 
os outros. 
 
 Neste material explico alguns conceitos e técnicas que são 
comumente usadas na hora de aprender habilidades sociais, 
principalmente aquelas que são apoiadas por pesquisas científicas. 
 
 Os relacionamentos com outras pessoas são nossa principal 
fonte de bem-estar; mas eles também podem se tornar a maior causa 
de estresse e desconforto, especialmente quando temos déficits de 
habilidades sociais. Manter relacionamentos interpessoais 
satisfatórios facilita a autoestima, mas a falta dela nos leva a sentir 
frequentemente emoções negativas, como frustração ou raiva e 
sentimento de rejeição, desvalorização ou negligência pelos demais, 
tudo isso pode nos levar a padecer distúrbios psicológicos como 
ansiedade ou depressão e certas doenças psicossomáticas. 
 
 
 
26 
 Em quais situações temos que ter habilidades sociais? Nos 
nossos relacionamentos, na igreja, no trabalho, em casa, com os 
amigos, vizinhos. Elas estão ao alcance de todas nós. 
 
VOCÊ JÁ ESTEVE EM UMA SITUAÇÃO COMO ESTA? 
1. Você está na fila para entrar no ônibus e alguém esbarra em 
você. Você fica com raiva, mas não ousa dizer nada a ele. 
2. Uma amiga pergunta se você pode buscá-lo no 
aeroporto. Mesmo que você esteja muito ocupada com trabalho 
ou outra coisa, você diz que sim. Você não quer que ele fique 
triste com você. 
Talvez você tenha se sentido identificada com alguns dos 
exemplos acima. Em qualquer um desses casos, você deveria ter 
dito o que pensou, mas não disse! 
Felizmente, a assertividade é um comportamento que pode ser 
aprendido e aprimorado. É uma forma consciente de comunicar os 
seus sentimentos sem se deixar levar pelas emoções e que se baseia 
na autoestima e na autoconfiança. 
Espero que você também não ache que ser assertivo resolverá 
todos os seus problemas na vida, porque não resolverá. Também 
não será apropriado em todas as situações porque cada contexto é 
diferente. No entanto, posso garantir que você se sentirá mais 
confiante e se comunicará com mais eficácia quando precisar. 
Expressar seus verdadeiros sentimentos e defender seus 
direitos pode ser maravilhosamente reconfortante. Quando você diz 
o que quer, independentemente de conseguir ou não, você consegue 
viver de forma mais autêntica e feliz. Você se sente livre. No entanto, 
sendo assertivo, você não fará com que as pessoas o amem, ou que 
nunca fiquem com raiva de você ou concedam tudo o que você 
deseja. Por mais assertivo que você seja, sempre haverá pessoas 
que vão continuar lhe dando não como resposta se você pedir a eles 
algo que vai contra seus interesses ou valores. Também haverá 
 
 
27 
aqueles que podem entendê-lo mal e interpretar sua mensagem 
como um ataque pessoal. Nada é infalível. 
EXISTEM 3 ESTILOS DE COMPORTAMENTOS: 
1. Estilo passivo 
 
É uma forma de comportamento caracterizado por submissão, 
passividade, retraimento e tendência a se adaptar 
excessivamente a regras externas ou os desejos de outros, 
sem levar suficientemente em conta os próprios interesses, 
sentimentos, direitos, opiniões e desejos. 
 
2. Estilo Agressivo 
 
Consiste em não respeitar os direitos, sentimentos e interesses 
dos outros, eles mostram estar seguros de si, sinceros e 
diretos, mas de uma forma inadequada. Tom de voz elevado, 
contato ocular desafiador. Só importa a sua opinião. 
 
3. Estilo Assertivo 
 
Conhecem os seus direitos e os dos outros, se defende sem 
agressão, sabem dizer não, seguros de si mesmos, têm uma 
autoestima equilibrada, não se sentem superior nem inferior 
aos outros. Se respeitam a si mesmos. 
 
COM QUAL DESSES ESTILOS DE COMPORTAMENTO VOCÊ SE IDENTIFICA? 
 
 A inteligência nas pessoas se define por saber identificar qual 
opção vai nos dar melhores resultados em nós mesmos e em nosso 
entorno. Então, o que temos que saber é escolher quando 
deveríamos ser passivos, quando deveríamos ser agressivos 
(lembrando que quando falo de estilo agressivo não falo de ser 
violento, falo de impor nosso ponto de vista sem tomar em conta a 
opinião da outra pessoa) e quando deveríamos ser assertivos. 
 
 
 
28 
MAS O QUE PODERÍAMOS FAZER, PARA DE FORMA PRATICA, TREINAR NOSSO 
COMPORTAMENTO ASSERTIVO? 
 
Técnica do Sanduiche. 
 
 É uma técnica que nos ajuda a expressar uma crítica ou 
algo negativo sem ser mal recebido pela outra pessoa. Todos nós 
tendemos a ficar na defensiva quando ouvimos algo que não 
gostamos, então essa técnica prepara o terreno para a pessoa adotar 
uma predisposição positiva. Para conseguir isso, use uma sequência 
precisa: 
 
• Formule um elogio sincero à outra pessoa. Isso deve ser 
expresso de forma clara e concisa e deve ser um verdadeiro 
elogio. Comece pelo ponto de vista da pessoa. 
• Comunique críticas ou negações. Neste caso, devemos 
desenvolver e explicar as informações negativas que 
desejamos transmitir. 
• Termine com uma mensagem ou proposta positiva. 
 
Exemplo 
Digamos que queremos comunicar ao nosso 
parceiro/cônjuge que não gostamos do tom que ele usa 
quando discutimos sobre algo. Essa técnica pode nos ajudar a não 
gerar um novo conflito. Veja: 
• Você sabe o quanto eu te amo e o quão importante você e pra 
mim. 
• No entanto, quando discutimos, você levanta sua voz para mim 
e eu não gosto disso, então peço que fale sobre as coisas em 
um tom mais respeitoso 
• Embora eu aprecie que você tenha a confiança de me dizer o 
que você não gosta, acho que esse tom de voz não é saudável 
para o nosso relacionamento. 
 
Como podemos ver, a técnica do sanduíche é uma 
ferramenta muito simples de colocar em prática e que pode ser 
 
 
29 
muito eficaz. Em todas as comunicações com outras pessoas, 
devemos lembrar que os direitos do próximo são tão importantes 
quanto os nossos. 
 
HABILIDADES SOCIAIS NA COMUNICAÇÃO INTERPESSOAL 
A comunicação não verbal é um componente básico e 
essencial para as habilidades sociais; as primeiras impressões são 
dadas pela aparência física da pessoa, de acordo com sua postura, 
expressão facial, seu olhar, seu sorriso, se falarmos rápido ou 
devagar, em alto ou baixo volume, isso diz muito sobre como é 
aquela pessoa e o que ela pode estar sentindo. 
Quando queremos que os outros ouçam e valorizem uma 
reclamação, por exemplo, temos que levar em consideração não 
apenas as palavras (componentes verbais), mas o tom e a atitude 
que usamos (componentes não verbais). A comunicação não verbal 
nos permite enfatizar nossa fala, mas às vezes também contradiz o 
que estamos dizendo. 
 
Expressão facial: É importante que corresponda à mensagem 
verbal. Diante da ambiguidade,o ouvinte fica com a informação não 
verbal. 
 
Olhar: Dá informações sobre a atitude do interlocutor, mas 
acima de tudo serve de suporte para a fala. Quando você estiver 
conversando com alguém, sempre mantenha o contato ocular 
evitando distrações. 
 
Sorriso: É essencial para iniciar uma interação. Ao longo de 
uma conversa, é apropriado transmitir compreensão. 
 
Postura corporal: Mostra muitas informações extras sobre 
nós mesmos. As mudanças de postura contribuem para o fluxo da 
conversa. 
 
 
 
30 
Gestos: Têm um objetivo claramente informativo e são muito 
dependentes do contexto social. São ações, com um claro 
componente cultural, que fazem sentido na medida em que são vistos 
pelo interlocutor. 
 
Shakespeare disse: “Se você quiser adquirir uma virtude que não possui, 
imagine que você já a tem e comece a agir de acordo com as 
consequências de tê-la. Assim você vai acabar adquirindo-a”. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
31 
Bibliografia 
 
HENDRICKS, Howard D.; HENDRICKS, William G. Como o ferro afia 
o ferro: a formação do caráter por meio do mentoreamento. São 
Paulo: Shedd, 2011. 
 KORNFIELD, David. O líder que brilha. São Paulo: Editora Vida, 
2007. 
 MACARTHUR, John F. et al. Introdução ao aconselhamento bíblico: 
um guia básico de princípios e práticas de aconselhamento. São 
Paulo: Hagnos, 2004. 
Discipulado e Mentoria – FABAPAR – Faculdade Batista do Paraná, 
2019. 
GARY R, Collins. Aconselhamento Cristão: Edições Nova Vida – São 
Paulo 1984. 
Elia Roca, 2018 “Programa de assertividade, autoestima e 
inteligência emocional” 
Pau Fonte 2014. “10 hábitos inteligentes que te harán mas 
carismáticos”. https://habilidadsocial.com/sabes-escuchar-como-
resolver-problemas-con-tus-orejas/

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