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DIREITO PENAL II PARTE GERAL Aula expositiva com conceitos, quadros comparativos e exemplos práticos 26 Resultado agravado Erro de tipo Erro de proibição Excludentes de culpabilidade e ilicitude Direito Penal II 02 A sequência segue a lógica: responsabilidade → erro → afastamento da pena → ilicitude. ⚙ 1. Resultado Art. 19: só há responsabilidade pelo resultado agravador se houver dolo ou culpa. ? 2. Erro Arts. 20 e 21: erro de tipo e erro de proibição mudam dolo, culpa ou pena. ⛓ 3. Culpabilidade Art. 22: coação moral irresistível e obediência hierárquica. 🛡 4. Ilicitude Arts. 23 a 25: causas que tornam o fato lícito. Ideia central A Parte Geral não pergunta apenas “o fato ocorreu?”. Ela também pergunta: o resultado era imputável? o agente compreendia? havia autorização jurídica para agir? 26 Direito Penal II 03 Art. 19 — Crime agravado pelo resultado Não basta existir resultado mais grave: ele precisa ser imputável ao agente. ART. 19 Pelo resultado que agrava especialmente a pena, só responde o agente que o houver causado ao menos culposamente. Tradução para a sala A pena só aumenta quando o resultado mais grave foi causado com, no mínimo, culpa. Sem previsibilidade ou culpa, não se agrava. 👊 Exemplo Agressão física provoca queda e morte. O resultado morte só agrava se era previsível ou causado culposamente. 🚫 Cuidado técnico Evita responsabilidade penal objetiva: ninguém responde só porque o resultado aconteceu. 🔍 Pergunta-chave O agente poderia prever ou evitar o resultado mais grave? 26 Direito Penal II 04 Art. 20 — Erro de tipo O agente se engana sobre elemento que compõe o crime. ART. 20, caput O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite punição por crime culposo, se previsto em lei. Efeito jurídico Erro de tipo essencial exclui o dolo. Se houver previsão de modalidade culposa e o erro for evitável, pode haver punição por culpa. Conduta Erro sobre fato Exclusão do dolo Culpa? só se prevista 🎯 Exemplo Caçador atira pensando ser animal, mas atinge uma pessoa. Analisa-se se o erro era evitável e se há crime culposo. 🧠 Fórmula Erro de tipo = “não sei o que faço” em relação a elemento do tipo penal. 26 Direito Penal II 04 Art. 20 — Erro de tipo O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite punição por crime culposo, se previsto em lei. CONCEITO Erro de tipo é a falsa percepção da realidade acerca do dos elementos constitutivos do tipo penal. – Falsa percepção da realidade Conduta Erro sobre fato Exclusão do dolo Culpa? só se prevista 🎯 Exemplo Caçador atira pensando ser animal, mas atinge uma pessoa. Analisa-se se o erro era evitável e se há crime culposo. 🧠 Fórmula Erro de tipo = “não sei o que faço” em relação a elemento do tipo penal. 26 Direito Penal II 05 Art. 20, §§ 1º a 3º — Desdobramentos O Código Penal trata do erro permissivo e do erro sobre a pessoa. §1º Erro de tipo permissivo O agente imagina uma situação de fato que, se existisse, tornaria a conduta legítima. Se o erro for plenamente justificado, fica isento de pena. Se derivar de culpa, pode responder culposamente quando previsto. §2º Erro determinado por terceiro Quem provoca o erro responde pelo crime. O executor enganado pode ter afastada sua responsabilidade conforme o caso. §3º Erro quanto à pessoa O erro sobre a identidade da vítima não isenta de pena. Consideram-se as condições da pessoa que o agente pretendia atingir. Exemplo-base: “pensei que estava sendo atacado”, “fui induzido a erro”, “confundi a vítima”. 26 Direito Penal II 06 Art. 21 — Erro sobre a ilicitude do fato Aqui o agente sabe o que faz, mas não compreende que aquilo é proibido. ART. 21 O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminuí-la de um sexto a um terço. Erro de proibição Diferente do erro de tipo: o agente conhece a realidade, mas não tem consciência da proibição jurídica. ✅ Inevitável Não era possível exigir consciência da ilicitude. Consequência: isenção de pena. ⚠️ Evitável Era possível atingir essa consciência. Consequência: redução de 1/6 a 1/3. 📌 Atenção Desconhecimento da lei é inescusável; o foco é a compreensão concreta da ilicitude. Exemplo Pessoa acredita, por orientação errada e circunstâncias concretas, que sua conduta é autorizada. O juiz avalia se o erro era evitável. 26 07 Quadro comparativo — erro de tipo x erro de proibição A distinção costuma cair em prova porque muda a consequência jurídica. Critério Erro de tipo Erro de proibição Pergunta O agente errou sobre o fato? O agente errou sobre a proibição? Fórmula “Não sei o que faço.” “Sei o que faço, mas acho permitido.” Efeito Exclui o dolo; culpa se prevista. Isenta pena se inevitável; reduz se evitável. Base Art. 20, caput Art. 21 Memorização Erro de tipo atinge o dolo; erro de proibição atinge a culpabilidade/pena. 26 Situação Erro de tipo Erro de proibição A pessoa sabe o que faz? Não compreende corretamente o fato Sim Sobre o que ela erra? Sobre a realidade Sobre a proibição Pergunta principal “O que estou fazendo?” “Isso é proibido?” Atinge O dolo A culpabilidade Exemplo Pensa atirar em animal, mas atira em pessoa Sabe o que faz, mas acredita que é permitido Macete Erro de tipo: “Eu não sabia o que estava fazendo.” Erro de proibição: “Eu sabia o que estava fazendo, mas não sabia que era proibido.” Imagine que Marcos leva para casa um celular que não é dele. Erro de tipo: Marcos pega o celular acreditando sinceramente que era o seu, pois os aparelhos eram idênticos. Ele errou sobre o fato: não sabia que estava pegando coisa alheia. Erro de proibição: Marcos sabe que o celular pertence a outra pessoa, mas acredita que pode ficar com ele como pagamento de uma dívida. Ele sabe que está pegando coisa alheia, mas acredita que sua conduta é permitida. Portanto: No erro de tipo, falta conhecimento da realidade. No erro de proibição, falta consciência da ilicitude. Erro de tipo: atinge o dolo O erro de tipo ocorre quando o agente se engana sobre um fato ou elemento do crime. Como o dolo exige conhecimento e vontade, o erro impede que o agente compreenda corretamente aquilo que está fazendo. Consequência: exclui o dolo, mas pode haver responsabilização por culpa, se o crime admitir modalidade culposa. Exemplo: o agente atira pensando ser um animal, mas atinge uma pessoa. Macete: erra sobre o fato. Erro de proibição: atinge a culpabilidade O erro de proibição ocorre quando o agente sabe exatamente o que está fazendo, mas acredita que sua conduta é permitida. O dolo permanece, pois o agente conhece os fatos. O erro recai sobre a consciência da ilicitude, elemento da culpabilidade. Consequência: se inevitável, isenta de pena; se evitável, reduz a pena de 1/6 a 1/3. Exemplo: o agente sabe que o bem pertence a outra pessoa, mas acredita que pode retê-lo para cobrar uma dívida. Macete: sabe o que faz, mas pensa que não é proibido. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) já decidiu em alguns casos que o simples fato de haver mais de uma pessoa envolvida na execução do crime pode ser suficiente para caracterizar a qualificadora do concurso de pessoas, mesmo sem vínculo subjetivo prévio. Um exemplo dessa interpretação ocorreu no HC 374.107/MG, em que o STJ entendeu que a cooperação involuntária de um terceiro facilitando o crime pode justificar a qualificadora. Erro de proibição vencível: poderia ter descoberto que era proibido se tivesse tomado os cuidados necessários. Erro de proibição invencível: mesmo tomando os cuidados razoavelmente exigíveis, não teria como saber que sua conduta era ilícita. Exemplo: Erro de tipo proibição vencível - Canadense preso no aeroporto de Guarulhos com sua dose diária de maconha, na crença de que aqui a simples posse de droga para consumo próprio não fosse crime.Obs.: No Canadá, o porte de maconha até 30 gramas para uso pessoal, não é crime. Exemplo Erro de proibição invencível - Um estrangeiro chegaao Brasil vindo de um país onde determinada manifestação cultural é tradicionalmente permitida. Antes da viagem, ele consulta a legislação brasileira disponível no site oficial do governo e também recebe orientação equivocada de um funcionário consular sobre a legalidade da conduta. Ao praticá-la, acredita sinceramente que ela é permitida no Brasil. Posteriormente, descobre-se que a conduta era proibida pela legislação brasileira. 08 Art. 22 — Coação irresistível e obediência hierárquica O fato é praticado sob pressão extrema ou ordem superior não manifestamente ilegal. ART. 22 Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência a ordem, não manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor da coação ou da ordem. Coação moral irresistível A ameaça é tão forte que não se podia exigir conduta diversa. Quem coagiu responde. Obediência hierárquica A ordem vem de superior hierárquico e não é manifestamente ilegal. Quem deu a ordem responde. 🧩 Não confundir Coação física absoluta pode excluir a própria conduta. 🔍 Teste Era possível resistir ou perceber a ilegalidade evidente? ⚖ Efeito Excludente de culpabilidade por inexigibilidade de conduta diversa. 26 09 Art. 23 — Excludentes de ilicitude A conduta é típica, mas o Direito a considera justificada. ART. 23 Não há crime quando o agente pratica o fato em estado de necessidade, legítima defesa, estrito cumprimento de dever legal ou exercício regular de direito. 🌊 Estado de necessidade Conflito de bens jurídicos diante de perigo atual. 🛡 Legítima defesa Reação moderada contra agressão injusta atual ou iminente. 📜 Dever legal Agir autorizado e exigido pela lei. ✅ Direito regular Atuação dentro dos limites de um direito reconhecido. Parágrafo único O agente responde pelo excesso doloso ou culposo. A causa justificante não autoriza abuso. 26 10 Art. 24 — Estado de necessidade Quando o agente sacrifica um bem para salvar outro de perigo atual. ART. 24 Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo atual direito próprio ou alheio, cujo sacrifício não era razoável exigir. Requisitos essenciais Perigo atual • direito próprio ou alheio • inevitabilidade • razoabilidade do sacrifício • ausência de dever legal de enfrentar o perigo 🔥 Perigo atual ❤️ Bem ameaçado ➡ Conduta necessária ⚖ Sacrifício razoável Exemplo Para escapar de enchente, a pessoa arromba a porta de uma casa vazia e se abriga. O juiz avalia necessidade, atualidade do perigo e razoabilidade. 26 11 Art. 25 — Legítima defesa Reação juridicamente permitida contra agressão injusta. ART. 25 Quem, usando moderadamente dos meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem. Requisitos Agressão injusta • atual ou iminente • direito próprio ou de terceiro • meios necessários • moderação. ⚔ Agressão injusta Ataque humano contrário ao Direito. ⏱ Atual/iminente Está ocorrendo ou prestes a ocorrer. 🛠 Meios necessários Escolha adequada diante da situação concreta. ⚖ Moderação Reação proporcional, sem excesso. Parágrafo único Também se considera legítima defesa, observados os requisitos do caput, a atuação de agente de segurança pública que repele agressão ou risco de agressão a vítima refém durante crimes. 26 12 Estado de necessidade x legítima defesa Ambos excluem a ilicitude, mas partem de situações diferentes. Estado de necessidade • Perigo atual, nem sempre causado por pessoa. • Há conflito entre bens jurídicos. • O agente sacrifica um bem para salvar outro. Exemplo: arrombar local para fugir de perigo natural. Legítima defesa • Existe agressão humana injusta. • A reação repele a agressão. • Exige meios necessários e moderação. Exemplo: conter agressor que ataca injustamente. Pergunta prática: havia perigo sem agressor específico ou havia agressão injusta a ser repelida? 26 13 Situação Durante uma confusão, João vê Pedro avançando rapidamente com uma barra de ferro. João empurra Pedro para afastá-lo; Pedro cai, bate a cabeça e sofre lesão grave. Depois, descobre-se que Pedro estava tentando separar a briga. Perguntas 1. Há legítima defesa real ou putativa? 2. O erro de João recai sobre fato ou sobre ilicitude? 3. O resultado mais grave pode ser imputado pelo art. 19? 4. Houve excesso doloso ou culposo? 26 14 Art. 19 Resultado agravado Sem responsabilidade objetiva: resultado agravador exige ao menos culpa. Art. 20 Erro de tipo Exclui dolo; culpa apenas quando prevista e se o erro for evitável. Art. 21 Erro de proibição Inevitável isenta pena; evitável reduz de 1/6 a 1/3. Art. 22 Coação / ordem Inexigibilidade de conduta diversa em hipóteses específicas. Art. 23 Excludentes Estado de necessidade, legítima defesa, dever legal e direito regular. Arts. 24-25 EN e LD Requisitos do estado de necessidade e da legítima defesa. 26 image2.jpeg image3.png image4.png image1.png