Prévia do material em texto
TEORIA DO CRIME Aula para Direito Penal I Conceito • Fato típico • Conduta • Causalidade • Tentativa Terça-feira 19h15–20h45 | Quarta-feira 20h00–22h15 Teoria do Crime • 1 1 Roteiro da aula 2 encontros Teoria do Crime • 2 1 Noções iniciais: conceito, sujeitos, objeto e punibilidade 2 Crime e contravenção penal; classificações dos crimes 3 Fato típico, tipo penal, conduta e omissões 4 Causalidade, resultado, consumação, tentativa e iter criminis Ideia central entender quando um fato da vida se transforma em crime para o Direito Penal 2 O que é crime? conceitos Teoria do Crime • 3 Crime pode ser explicado por três lentes: Material Conduta que ofende ou coloca em perigo um bem jurídico relevante. Vida, patrimônio, liberdade Formal Fato definido como crime pela lei penal. Legalidade penal Analítico Fato típico, ilícito e culpável. Estrutura técnica Nesta aula, o foco será especialmente o fato típico. 3 Estrutura analítica do crime mapa mental Teoria do Crime • 4 Fato típico Conduta prevista no tipo penal Ilicitude Contrariedade ao Direito Culpabilidade Reprovação pessoal do agente Crime = fato típico + ilícito + culpável 4 Sujeitos do crime quem pratica e quem sofre Teoria do Crime • 5 Sujeito ativo Sujeito passivo • Quem pratica a infração penal • Em regra, pessoa física • Alguns crimes exigem qualidade especial • Ex.: peculato exige funcionário público • Pessoa jurídica pode responder em hipóteses legais, como crimes ambientais • Titular do bem jurídico atingido • Pode ser pessoa física ou jurídica • Pode ser o Estado • Pode ser a coletividade • Ex.: vítima de furto, Administração Pública, meio ambiente 5 Capacidade penal, objeto e punibilidade noções iniciais Teoria do Crime • 6 Tema Ideia essencial Exemplo Capacidade penal Possibilidade de responsabilização penal Menor de 18 anos pratica ato infracional Objeto jurídico Bem protegido pela norma penal Vida, patrimônio, liberdade Objeto material Pessoa ou coisa sobre a qual recai a conduta Celular subtraído no furto Punibilidade Possibilidade concreta de aplicação da pena Prescrição extingue a punibilidade A punibilidade não é o crime em si: é a possibilidade de o Estado aplicar a sanção penal. 6 Crime e contravenção penal infração penal Teoria do Crime • 7 CRIME CONTRAVENÇÃO PENAL Infração penal mais grave Pena de reclusão ou detenção Ex.: furto, roubo, homicídio Tentativa pode ser punida Infração penal menos grave Pena de prisão simples ou multa Ex.: vias de fato Tentativa não é punida Ambas são espécies de infração penal. 7 Classificação dos crimes visão geral Teoria do Crime • 8 Classificação Ideia Exemplo Comum Pode ser praticado por qualquer pessoa Furto Próprio Exige qualidade especial do agente Peculato Material Exige resultado naturalístico Homicídio Formal Consuma antes ou independentemente do resultado Extorsão mediante sequestro Mera conduta Não exige resultado naturalístico Violação de domicílio Permanente Consumação se prolonga no tempo Sequestro 8 Fato típico primeiro elemento do crime Teoria do Crime • 9 Fato típico é o fato humano que se encaixa na descrição da lei penal. Conduta ação ou omissão Resultado quando exigido Nexo causal ligação conduta–resultado Tipicidade encaixe no tipo penal Exemplo: no homicídio, a conduta de atirar causa a morte da vítima, enquadrando-se no art. 121 do Código Penal. 9 Teoria do tipo penal descrição abstrata Teoria do Crime • 10 Tipo penal é o modelo legal da conduta proibida ou imposta. “Matar alguém” Núcleo verbo do tipo Objeto pessoa/coisa atingida Elementos objetivos circunstâncias externas Elementos subjetivos dolo, culpa ou finalidade especial No furto, por exemplo, há elemento subjetivo especial: “para si ou para outrem”. 10 Conflito aparente de normas qual norma aplicar? Teoria do Crime • 11 Quando mais de uma norma parece incidir sobre o mesmo fato, usa-se uma regra de solução. Princípio Como resolve Exemplo didático Especialidade Norma especial prevalece sobre a geral Infanticídio x homicídio Subsidiariedade Norma menos grave cede à mais grave Perigo cede à lesão Consunção Crime-meio é absorvido pelo crime-fim Falso pode ser absorvido pelo estelionato Alternatividade Várias condutas no mesmo tipo geram crime único Tráfico: vender, guardar, transportar Atenção: é “aparente” porque, no final, apenas uma solução normativa deve prevalecer. 11 Conduta ação e omissão Teoria do Crime • 12 • Conduta é o comportamento humano voluntário com relevância penal. • Pode ocorrer por ação ou por omissão. • Pode ser dolosa: o agente quer ou assume o risco do resultado. • Pode ser culposa: imprudência, negligência ou imperícia. • Sem voluntariedade, não há conduta penalmente relevante. 12 Crimes omissivos próprios e impróprios Teoria do Crime • 13 Omissivo próprio Omissivo impróprio ou comissivo por omissão • O tipo penal já descreve a omissão • A simples omissão é punida • Não exige produção de resultado naturalístico • Ex.: omissão de socorro • O agente tinha dever jurídico de agir • A omissão equivale à causação do resultado • Exige possibilidade de agir • Ex.: mãe que deixa filho morrer de fome Regra-chave: a omissão é penalmente relevante quando o agente devia e podia agir para evitar o resultado. 13 Caso fortuito e força maior limites da responsabilidade Teoria do Crime • 14 não há controle real do agente sobre o fato Caso fortuito Evento imprevisível. Ex.: falha mecânica súbita e inevitável. Força maior Evento inevitável, ligado a força externa. Ex.: pessoa arremessada por multidão. Consequência: pode afastar a responsabilidade penal pelo resultado. 14 Nexo de causalidade art. 13 do CP Teoria do Crime • 15 É a ligação entre a conduta do agente e o resultado produzido. Conduta Nexo causal Resultado Pergunta da teoria da equivalência dos antecedentes: “Se retirarmos mentalmente a conduta, o resultado ainda teria ocorrido?” 15 Superveniência causal causa posterior Teoria do Crime • 16 Quando surge uma causa posterior ao comportamento inicial, é preciso verificar se ela produziu sozinha o resultado. Conduta inicial Causa superveniente Resultado Exemplo: lesão leve → hospital → incêndio independente → morte. Se a causa superveniente, relativamente independente, produziu por si só o resultado, a morte não é imputada à conduta anterior. 16 Resultado e crime qualificado pelo resultado art. 19 do CP Teoria do Crime • 17 Resultado Crime qualificado pelo resultado • Naturalístico: modificação no mundo exterior • Jurídico: lesão ou perigo ao bem jurídico • Nem todo crime exige resultado naturalístico • Homicídio exige morte; violação de domicílio não • Crime inicial + resultado mais grave • O resultado agrava especialmente a pena • O agente só responde se causou o resultado ao menos culposamente • Ex.: lesão corporal seguida de morte 17 Crime consumado e crime tentado art. 14 do CP Teoria do Crime • 18 Consumado Tentado Reúne todos os elementos da definição legal. Ex.: no homicídio, a vítima morre. A execução começa, mas a consumação não ocorre por circunstâncias alheias à vontade do agente. Ex.: agente atira para matar, mas a vítima sobrevive. 18 Iter criminis o caminho do crime Teoria do Crime • 19 1 Cogitação pensamento 2 Preparação meios 3 Execução início do tipo 4 Consumação tipo completo 5 Exaurimento efeitos posteriores Em regra: cogitação não é punida; atos preparatórios não são punidos, salvo se forem crime autônomo. 19 Preparação, execução e tentativa linha divisória Teoria do Crime • 20 Atos preparatórios Atos de execução • Comprar instrumentos • Estudar rotina da vítima • Separar veículo ou ferramentas • Em regra, não geram tentativa • Podem ser crime autônomo, conforme o caso • Início da realização do tipo penal • Já ingressam na zona de punibilidade • Permitem a tentativa • Ex.: disparar contra a vítima • Ex.: iniciar a subtração da coisa Tentativa exige: início da execução + não consumação + circunstância alheia à vontade do agente. 20 Espécies de tentativa formas principais Teoria do Crime • 21 Espécie Ideia ExemploPerfeita ou acabada Agente faz tudo o que pretendia, mas o resultado não ocorre Dispara todos os tiros; vítima sobrevive Imperfeita ou inacabada Agente é interrompido antes de completar os atos executórios É contido antes de novos disparos Branca ou incruenta A vítima não é atingida Disparo erra a vítima Cruenta A vítima é atingida, mas o crime não se consuma Vítima é ferida, mas sobrevive 21 Pena da tentativa redução de 1/3 a 2/3 Teoria do Crime • 22 Regra geral: pena do crime consumado, diminuída de um a dois terços. Menor proximidade da consumação maior redução Maior proximidade da consumação menor redução Exemplo: se o agente quase consuma o delito, a redução tende a ser menor; se ficou longe da consumação, tende a ser maior. 22 Caso prático para discussão fixação Teoria do Crime • 23 João decide matar Pedro. Compra uma arma, espera Pedro sair do trabalho e dispara três vezes. Pedro é atingido, levado ao hospital e sobrevive por intervenção médica rápida. 1. Houve cogitação? 2. Houve ato preparatório? 3. Houve ato de execução? 4. O crime foi consumado ou tentado? 5. Qual espécie de tentativa aparece? 6. Aplica-se redução de pena? Resposta esperada: tentativa de homicídio; cogitação, preparação e execução; tentativa cruenta; possível tentativa acabada; redução de 1/3 a 2/3. 23 Atividade rápida de fixação slide final Teoria do Crime • 24 Responda em dupla ou individualmente: 1. Qual a diferença entre crime e contravenção penal? 2. O que é sujeito ativo e sujeito passivo? 3. Qual a diferença entre objeto jurídico e objeto material? 4. Quais são os elementos do fato típico? 5. O que é nexo causal? 6. O que é crime omissivo impróprio? 7. Qual a diferença entre crime consumado e tentado? 8. Quais são as fases do iter criminis? 9. Quais são os elementos da tentativa? 10. Como se calcula a pena da tentativa? Objetivo: revisar os conceitos centrais antes de avançar para ilicitude e culpabilidade. 24