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Art nouveau 
Linba determinante, linba enfåtica, linbha delicada, linba 
expressiva, linba controladora e unificadora. 
WALTER CRANE, I889 
Art nouveau éo nome dado ao movimento internacional gue 
se espalhou pela Europa e os Estados Unidos desde o final 
da década de 188o até a Primeira Guerra Mundial. Após os 
excessos e a preocupação vitoriana com estilos históricos, foi 
uma obstinada e bem-sucedida tentativa de criar uma arte 
verdadeiramente moderna, caracterizada pela ênfase na li 
nha - fosse ela ondulante, figurativa, abstrata ou geométri 
ca- tratada com ousadia e simplicidade. O estilo seria en 
contrado em meios muito diferentes e um dos objetivos dos 
adeptos do art nouveau era apagar as distinções entre as be 
las-artes e as artes aplicadas. 
O art nouveau foi designado por diferentes nomes em di 
ferentes países: "Jugendstil ("estilo da juventude"), na Ale 
manha, "modernisme, na Catalunha; Sezessionstil, na Áustria 
Hector Guimard, estação do metrô da Bastilha, Paris, ferro fundido 
e vidro, c. 1900 
Guimard participou de um concurso em 1896, cuja finalidade era 
projetar as estações do metrô de Paris. Apesar de nâo ganhar, o 
presidente da companhia, admirador do estilo art nouveau, contratou-0. 
A construção de suas estações estendeu-se até 1913. 
CTROTOLTAN 
(referênciaà "Secessão Vienense); paling stijl ("estilo enguia") 
e style des vingt (de "Os Vinte), na Bélgica; stil' modern, na 
Rússia; e, na Itália, stile nouille ("estilo macarrão"), stile flo 
reale e stile liberty - referência à loja de departamentos Li 
berty, de Londres, que ajudou bastante a popularizar o mo 
vimento com a estamparia de seus tecidos. A designação 
internacional se deveu à galeria La Maison de l'Art Nou 
veau, aberta por Siegfried Bing (I838-1905) em Paris com a 
finalidade de pôr à disposição do público a nova produção 
européia do setor de artese artesanatos. 
Fenômeno verdadeiramente internacional, difundiu-se 
rapidamente pela Europa e os Estados Unidos, ajudado por 
inúmeras publicações novas, que surgiram em vários países 
- The Studio, The Yellow Book, The Savoy LArt Moderne, Ju 
gend, Pan, Art et Décoration, Deutsche Kunst und Dekoration, 
Ver Sacrum, The Chap-book e Mir Iskustva (ver *Mundo da 
Arte). Exposições internacionais, tais como as realizadas por 
Os Vinte em Bruxelas (1884-93), pelos secessionistas em Vie 
na (1898-19os), a Exposition Universelle em Paris (1900), a 
Esposizione Internazionale d'Arte Decorative em Turim 
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(1002) e a St. Louis World's Fair (19o2), levaram o art nou 
veau a um público ávido. 
Emborao art nouveau fosse um estilo explicitamente mo 
derno, que rejeitava o historicismo acad�mico do século XX, 
ainda assim buscava inspirar-se em modelos passados, so 
bretudo os desconsiderados e os exóticos, tais como a arte e 
a decoração japonesa, iluminuras e ourivesaria céltica e sa 
xônica e a arquitetura gótica. A influência exercida pela ciên 
cia foi igualmente importante. Com o impacto das desco 
bertas científicas, sobretudo as de Charles Darwin, o emprego 
de formas naturais já não era mais visto como algo român 
tico e escapista, mas modernoe progressista. Progressos con 
temporâneos na pintura também foram importantes e os ar 
tistas e designers do art nouveau estavam em íntimo contato 
com as tendências de vanguarda da época. A expressividade 
e erotismo dos *simbolistas Odilon Redon e Edvard Munch, 
a linha delicada e a decadência hedonista de Aubrey Beards 
ley (ver *Movimento decadentista) e os ousados esboços dos 
*Neo-impressionistas, os *Nabis, Paul Gauguin (ver *Sinte 
tismo) e Henri de Toulouse-Lautrec (ver *Pós-impressionis 
mo), tudo isso está presente nas obras do art nouveau. 
As origens do art nouveau podem ser buscadas no movi 
mento inglês *arts and crafts, sobretudo na crença evangeli 
zadora de William Morris, relativa à importância e dignida 
de do artesanato de qualidade e sua determinação de eliminar 
a distinção entre as belas-artes e as artes decorativas. Assim 
como o arts and crafts, o art nouveau englobava todas as artes. 
Suas manifestações mais bem-Sucedidas se deram na arquite 
tura e nas artes gráficas e aplicadas, nas quais adotaram no 
vos materiais e tecnologias. A partir daí desenvolveram-se 
duas tendências principais: uma baseada na linha intricada, 
assimétrica, sinuosa (França, Bélgica) e outra que adotava 
uma abordagem mais retilínea (Escócia, Austria). 
Muitos designers da segunda geração do movimento arts 
and crafts, tais como C. R. Ashbee, Charles Voysey, M. H. 
Baillie Scott, Walter Crane e Arthur Mackmurdo, são figu 
ras de transição entre esse movimento eo art nouveau. O en 
costo da cadeira de Mackmurdo e a página de rosto de Wrens 
City Churches (1883) são os exemplos mais antigos de uma 
obra que exibia as características que eram sinÑnimo do art 
nouveau - simplicidade linear, linhas alongadas, assimétricas 
e curvas, cores ousadamente contrastantes, formas orgânicas 
abstratas e um sentido rítmico do movimento. 
Se o estilo floral do art nouveau originou-se da obra de 
Mackmurdo, o estilo singular dos Quatro de Glasgow -Char 
Ao lado: Victor Horta, escadaria de ferro forjado para a residência 
Tassel, Bruxelas, 1893 
Horta teve total liberdade de projetar a casa de seu amigo Emile Tassel, 
prospero industrial belga, o que "Ihe permitiu realizar o sonho que o 
perseguia, de obter o efeito de monumentalidade em uma residência 
particular" 
Art nouveau 
les Rennie Mackintosh (1868-1928), sua mulher, Margaret 
Macdonald (1865-1933), a irmã dela, Frances Macdonald 
(1874-1921), e seu marido, Herbert McNair (1870-1945) -
exerceu papel central na versão posterior e mais geométrica 
do art nouveau. Os quatro trabalharam com os mais variados 
meios de expresão: pintura, artes gráficas, arquitetura, deco 
ração de interiores, mobiliário, vidro, artefatos de metal, ilus 
tração de livros e ferro forjado. Sua ornamentação sóbria, as 
cores suaves, linhas verticais encurvadas e motivos estilizados 
de rosas, ovos e folhas exerceram imensa influência. 
O designere arquiteto Mackintosh foi o mais prolífico 
dos quatro. Seus métodos de trabalho em grupo, tanto quan 
to seu estilo linear de grades e de linhas e curvas verticais 
alongadas, exerceram enorme impacto sobre os secessionis 
tas vienenses. De fato, não seria exagero dizer que seus inte 
riores integrados e seu estilo puro e geométrico de mobiliá 
rio e arquitetura inspiraram muitas descobertas na arte, na 
arquitetura e no design do século xx. 
O art nouveau floresceu rapidamente na Bélgica, onde Os 
Vinte, grupo artístico progressista, promovia um clima artís 
tico e intelectual experimental, e foi em Bruxelas que o novo 
estilo encontrou seus primeiros grandes expoentes nas pessoas 
de Victor Horta (1861-1947) e Henry van de Velde (1863-1957). 
Horta, o "pai da arquitetura art nouveau', é famoso pela li 
nha "belga" ou "Horta, a característica curva de chicotada" 
que se vê, por exemplo, na Casa Tassel (1892-3), em Bruxelas, 
um marco no design arquitetônico art nouveau. Foi a primei 
ra residência particular onde o ferro forjado foi empregado 
extensivamente, tendo em vista objetivos estruturais e o de 
sign de interiores. Embora o exterior aparente certo comedi 
mento, cada elemento do interior de Horta é uma expressão 
de superficies curvas, exuberantes e complexas, desde as jane 
las com vitrais, passando pelos ladrilhos de mosaico, até che 
gar à escadaria e balaustrada de ferro forjado. 
Henry van de Velde foi outra figura da maior importân 
cia no art nouveau europeu, não só por seu estilo curvilíneo, 
abstrato e fluido, aplicado aos interiores, ao mobiliário e às 
ferragens, mas também por promover conceitos próprios, que 
estavam por trás do movimento. A exemplo de Morris (cuja 
teoria havia estudado), Van de Velde apregoava os benefícios 
Sociais de um relacionamento mais estreito entre a arte e a in 
dústria e acreditava apaixonadamente no princípio de uma 
obra de arte total: "Podemos tornar nossos lares o reflexo direto de nossos desejos, nossos gostos, se simplesmente fizer 
mos nossas escolhas". Ao construir sua própria casa nos ar 
redores de Bruxelas, em 1895, ele deu vida a esse conceito, 
projetando tudo, desde a edificação até o aparelho de jantar. 
Em 1900 Van de Velde mudou-se para a Alemanha, onde foi 
diretor da Escola de Artes e Oficios em Weimar (1902-I4), 
tornando-se, em 1907, membro fundador do *Deutscher 
Werkbund. Foi a primeira figura influente a tentar realizar a 
35 
Att noUveau 
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síntese dos ideais do arts and crafis conn a produção mecâni-
ca, um empreendimento incrementado por seu sucessor, Wal. 
ter Gropius, com a formação da escola "Bauhaus. 
Um ramo mais exuberante e espetacular do nouveau Aloresceu na França, cujos exemplos são as estações de me. 
tro de Paris projetadas por Hector Guimard (1867-1942). a. 
jóias e vidros de René Lalique (1860-194s) e os vidros da 
Emile Gallé (r846-19g04). Af o art nouveau era encontrado 
em dois centros principais: em Nancy, em torno de Gall4 e 
em Paris, em torno da galeria de Bing. 
As produções da Escola de Nancy eram luxuriantes e ca 
ras, incorporavam estruturas curvilíneas e uma decoracãn 
realista, que consistia em motivos inspirados em plantas e 
insetos. Além de Gallé, outros membros importantes do gru 
po incluíam dois fabricantes de vidros, os irmãos Auguste 
(1853-1909) e Antonin (1864-1930) Daum; os fabricantes de 
móveis Louis Majorelle (1859-1929) e Eugène Vallin (18s6 
1923) e o designer Victor Prouvé (1858-1943). 
Em Paris, os projetos arquitetônicos de Guimard para as 
estações de metrô e um prédio de apartamentos, o Castel Bé 
ranger (1894-7), exibiram uma interpretação dinâmica e pes 
soal dos princípios do art nouveau. Ainda que, a exemplo dos 
artistas da Escola de Nancy, Guimard se inspirasse na natu 
reza para criar seu repertório de imagens, o uso que fazia de 
la era mais eclético, refletindo a influência de Horta, que ele 
conheceu em 1895. A visibilidade e a popularidade de suas es 
tações contribuíram para outra designação do art nouvean, o 
style métro. No campo da vidraria e da joalheria, o prolífico 
Lalique foi igualmente famoso. Sua obra, imaginativae in 
ventiva, reflete os estilos do art nowveau e do *art déco. 
Um dos mais festejados artistas gráficos do art nouveau 
foi o pintor e designer tcheco Alphonse Mucha (1860-1939). 
residente em Paris, cujos cartazes retratavam mulheres sen 
suais em luxuriantes cenários florais, a exemplo daquele em 
que figura a célebre atriz Sarah Bernhardt, e eram muito 
apreciados pelo público. A forma feminina foi um motivo 
preponderante para muitos designers do art nouveau, do 
mesmo modo que para os simbolistas, esteticistas e deca 
dentistas, embora essas mulheres fossem, em geral, mais fi 
guras alegóricas, de contos de fadas, do que mulheres fatais. 
A encantadora Loie Fuller, dançarina americana que se apre 
A esquerda: Charles Rennie Mackintosh, cadeira, c. 1902 
A obra de Mackintosh gozou de uma reputação favorável no exterior, ao 
passo que na Inglaterra obras em estilo art nouveau continental eram 
consideradas de mau gosto. Sua cadeira foi criada no ano da Exposição 
de Turim, da qual ele participou. 
Ao lado: Alphonse Mucha, Gismonda, 1894 
O cartaz, quase em tamanho natural, concebido para a peça Gismonda, 
em que trabalhava Sara Bernhardt, provocou comoção ao ser mostrado 
em Paris. A própria atriz ficou de tal forma impressionada que assinou 
um contrato de seis anos com Mucha para que ele criasse mais 
cartazes, cenários e figurinos para suas peças. 
KheATRE 
NAISSA AINCE 
IMPRIMERIES LEMERCIER, PARIs. 
sentava em Paris, foi um tema especialmente popular e ins 
piração para muitas ilustrações e esculturas. 
Nos Estados Unidos quem mais popularizou o estilo art 
nouveau foi Louis Comfort Tiffany (1848-1933). Seus obje 
tos de vidro suntuosos, de um rico colorido � lâmpadas, ti 
gelas, vitrais, vasos etc. -o tornaram famoso tanto na Euro 
pa quanto nos Estados Unidos. Pierre Bonnard, Edouard 
Vuillard e Toulouse-Lautrec incluíam-se entre os pintores 
que executaram desenhos para que ele os transtormasse em 
vidraria. Outros seguidores nos Estados Unidos incluíam o 
artista gráfico William Bradley (1868-1962); o escultor Elic 
Nadelman, nascido na Polônia (1885-1946); o escultor fran 
cês Gaston Lachaise (1882-1935) eo escultor Paul Manship 
(1885-1966). Embora os edificios de Louis Sullivan (ver "Es 
cola de Chicago) não fossem no estilo art nouveau, ele com 
partilhava com os arquitetos desse movimento o amor pela 
ornamentação detalhada, vegetal. 
Durante certa época parecia que nada podia deter o esti 
lo art nouveau, que se disseminou também na Rússia, na Es 
candinávia e na Itália. Na Dinamarca, o ourives Georg Jen 
sen (1866-1935) é muito conhecido por suas jóias e objetos 
ornamentais, vários dos quais ainda são produzidos atual 
mente. Na Itália, os edificios de Raimondo d'Aronco (1857 
1932), Giuseppe Sommaruga (t867-1917) e Ernesto Basile 
(1857-1932) permanecem como obras fundamentais. 
No entanto, a popularidade do art nouveau acabaria con 
duzindo-o à sua queda. A proliferação de imitadores de se 
gunda e terceira categoria criou uma saturação no mercado. 
Os gostos mudaram e uma nova era exigia um novo tipo de 
arte decorativa para expressara modernidade - o art déco. 
Já em 1903, Walter Crane se distanciava do art nouveau, des 
crevendo-0 como esta estranha doença decorativa" e Char 
les Voysey o depreciava, opinando que "ele era a obra de 
muitos imitadores que tinham, como guia, nada além de 
uma louca excentricidade". 
A difusão inicial do art nouveau havia sido medida pela 
proliferaç�o de suas denominações. Na década de 20, entre 
tanto, os únicos nomes que lhe foranm dados eram pejorati 
vos - estilo branche de persil ("ramo de salsa") e guimauve 
("malvaísco") na França e Bandwurmstil ("estilo tênia") na 
Alemanha. Somente no final da década de 60, devido ao re 
novado interesse pelas artes decorativas, o art nouveau seria 
reavaliado e voltaria a ser novamente apreciado. 
Principais coleções 
Coleção Mackintosh, Glasgow, Escócia 
Morse Museum of American Art, Winter Park, Flórida 
Musée de I'Ecole de Nancy, França 
Museu Mucha, Praga, República Tcheca 
Victoria & Albert Museum, Londres 
Art nouveau 
Principais livros 
L.V. Masini. Art Nouveau (1984) 
A. Duncan. Art Nouveau (1994) 
J. Howard. Art NoUveau (1996) 
P Greenhalgh. Art Nouveau, 1890-19 14 (2000) 
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At n0UreaU 
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