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HISTÓRIA DA ARTE, DA ARQUITETURA E MOBILIÁRIO PROF.A MA. JEANNE CHRISTINE VERSARI FERREIRA SAPATA Reitor: Prof. Me. Ricardo Benedito de Oliveira Pró-reitor: Prof. Me. Ney Stival Gestão Educacional: Prof.a Ma. Daniela Ferreira Correa PRODUÇÃO DE MATERIAIS Diagramação: Alan Michel Bariani Thiago Bruno Peraro Revisão Textual: Gabriela de Castro Pereira Letícia Toniete Izeppe Bisconcim Mariana Tait Romancini Produção Audiovisual: Heber Acuña Berger Leonardo Mateus Gusmão Lopes Márcio Alexandre Júnior Lara Gestão da Produção: Kamila Ayumi Costa Yoshimura Fotos: Shutterstock © Direitos reservados à UNINGÁ - Reprodução Proibida. - Rodovia PR 317 (Av. Morangueira), n° 6114 Prezado (a) Acadêmico (a), bem-vindo (a) à UNINGÁ – Centro Universitário Ingá. Primeiramente, deixo uma frase de Só- crates para reflexão: “a vida sem desafios não vale a pena ser vivida.” Cada um de nós tem uma grande res- ponsabilidade sobre as escolhas que fazemos, e essas nos guiarão por toda a vida acadêmica e profissional, refletindo diretamente em nossa vida pessoal e em nossas relações com a socie- dade. Hoje em dia, essa sociedade é exigente e busca por tecnologia, informação e conheci- mento advindos de profissionais que possuam novas habilidades para liderança e sobrevivên- cia no mercado de trabalho. De fato, a tecnologia e a comunicação têm nos aproximado cada vez mais de pessoas, diminuindo distâncias, rompendo fronteiras e nos proporcionando momentos inesquecíveis. Assim, a UNINGÁ se dispõe, através do Ensino a Distância, a proporcionar um ensino de quali- dade, capaz de formar cidadãos integrantes de uma sociedade justa, preparados para o mer- cado de trabalho, como planejadores e líderes atuantes. Que esta nova caminhada lhes traga muita experiência, conhecimento e sucesso. Prof. Me. Ricardo Benedito de Oliveira REITOR 33WWW.UNINGA.BR U N I D A D E 01 SUMÁRIO DA UNIDADE INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................................. 4 1 - A PRÉ-HISTÓRIA .................................................................................................................................................. 5 1.1. A ARTE NA IDADE DA PEDRA LASCADA - PALEOLÍTICO INFERIOR E SUPERIOR ....................................... 5 1.2. A ARTE NA IDADE DA PEDRA POLIDA - NEOLÍTICO ........................................................................................ 7 2 - A ANTIGUIDADE .................................................................................................................................................. 10 2.1. A ANTIGUIDADE ORIENTAL .............................................................................................................................. 10 2.1.1. A ARTE EGÍPCIA .............................................................................................................................................. 10 2.1.2. A ARTE MESOPOTÂMICA .............................................................................................................................. 15 2.2. A ANTIGUIDADE CLÁSSICA .............................................................................................................................. 17 2.2.1. ARTE GREGA ................................................................................................................................................... 17 2.2.2. A ARTE ROMANA ........................................................................................................................................... 22 3 - CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................................................. 28 O MUNDO PRÉ-HISTÓRICO E A ANTIGUIDADE PROF.A MA. JEANNE CHRISTINE VERSARI FERREIRA SAPATA ENSINO A DISTÂNCIA DISCIPLINA: HISTÓRIA DA ARTE, DA ARQUITETURA E MOBILIÁRIO 4WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA INTRODUÇÃO A disciplina de História da Arte, da Arquitetura e Mobiliário, assim como qualquer outra que aborde conhecimentos históricos, sujeita-se a limitações, perspectivas e territórios diversos. Nessa apostila adotamos como principal diretriz a história da arte no chamado antigo continente, mas abrimos alguns parênteses para a arte brasileira, que poderia facilmente compor uma única apostila e que, dentro dos limites dessa disciplina, abordamos sinteticamente. A origem da arte e da arquitetura na história da humanidade é um tema em constante discussão. A história da arte, ou ainda as “histórias que dizem respeito a esses objetos” (BELL, 2008, p. 6) buscam compreender a forma e a função dos objetos em períodos históricos distintos do homem. Apesar da impossibilidade de definir uma origem da arte, é no período que denominados pré-história que data, segundo os estudos históricos tradicionais, do início dos tempos até os anos de 3500 a.C., com os primeiros registros da língua escrita, que as primeiras manifestações artísticas que se tem conhecimento começaram a surgir. Nessa unidade, abordamos sobre as primeiras civilizações humanas e suas manifestações artísticas e arquitetônicas. Abrangemos, ainda que brevemente, sobre a arte, a arquitetura e o advento do mobiliário desde o período da pré-história, até as civilizações da Antiguidade Oriental, na Mesopotâmia e no Egito, e da Antiguidade Clássica, na Grécia e em Roma. Abordamos sobre as representações e caracterizações gerais dessas manifestações artísticas. É evidente que há especificidades em cada território, bem como os as datas que situamos para contextualização podem ser distintas em cada lugar do globo terrestre. 5WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA 1 - A PRÉ-HISTÓRIA Os homens primitivos abrigavam-se em lugares que a natureza lhes oferecia, tais como cavernas, aberturas nas rochas e grutas. Apesar do pouco desenvolvimento de técnicas e de estilos de arquitetura no período pré-histórico, é possível traçar as origens do pensamento arquitetônico nessas primeiras construções humanas. A arte na pré-história é em geral dividida em dois períodos: Paleolítica, ou Idade da Pedra Lascada (entre 2.500.000 a.C. e 10.000 a.C.) e Neolítica, ou Idade da Pedra Polida (entre 10.000 a.C. e 3.500 a.C. ano de descoberta da escrita, coincidindo com surgimento das civilizações da Mesopotâmia e do Egito no crescente fértil dos Rios Nilo, Tigre e Eufrates). Entre essas duas fases, há a Mesolítica, que se caracteriza como uma transição entre as culturas paleolítica e neolítica, possuindo traços artísticos de ambas. Ressaltamos que essas subdivisões temporais não são estanques tendo em vista que a arte se desenvolveu em períodos diferentes no mundo oriental e ocidental. 1.1. A Arte na Idade da Pedra Lascada - Paleolítico Inferior e Superior As primeiras manifestações artísticas registradas por pesquisadores ocorreram no Paleolítico, período que ne inicia nos primórdios da humanidade, estimado em 2.500.000 a. C. e que se desenvolve até cerca do período de 10.000 a.C., quando estima-se ter acontecido a Revolução Neolítica que trataremos no tópico a seguir. A Idade de Pedra Lascada é assim denominada devido aos instrumentos elaborados pelo homem feitos com esse material e essa técnica. No período paleolítico, os homens sobreviviam essencialmente da caça e de abrigos naturais, eram nômades, ou seja, se deslocavam conforme as necessidades cotidianas de morar e se alimentar. Em abrigos não-projetados, mas naturais, surgiram as primeiras manifestações de pinturas pré-históricas: as chamadas pinturas rupestres, do latim rupes (rocha). Muitas pinturas foram encontradas em sítios arqueológicos pelo mundo, tais como as cavernas de Niaux e Lascaux, na França, deAltamira, na Espanha e no caso do Brasil, há um dos maiores acervos de arte rupestre das Américas, o Sítios Arqueológico da Serra da Capivara, no Piauí. Uma das principais características das pinturas rupestres é o naturalismo. As imagens de seres humanos caçando animais eram retratadas pela observação direta da natureza com a utilização de materiais como óxidos minerais, ossos carbonizados e sangue de animais (Figuras 1 e 2). Para o historiador Janson (1989), quanto essas pinturas: Escondidas nas entranhas da Terra, fora do alcance de eventuais intrusos, estas imagens devem ter obedecido a um propósito muito mais sério que o simples gosto de decorar. De facto, parece não haver dúvida de que foram executadas para servir um rito mágico destinado, talvez, a assegurar o êxito na caça. (JANSON, 1989, p. 28). 6WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 1 - Caverna de Lascaux, França. Fonte: Nechvatal (2015). Figura 2 - Serra da Capivara, Piauí, Brasil. Fonte: Cancela (2014). 7WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA Os homens paleolíticos realizavam também esculturas com materiais como ossos, chifres ou pedras talhadas com instrumentos de sílex. As figuras femininas eram predominantes, sendo uma das mais conhecidas a Vênus de Willendorf, que estima-se datar entre 24.000 a.C. a 20.000 a.C. (Figura 3). Figura 3 - Vênus de Willendorf, Áustria. Fonte: Google Images (2018). 1.2. A Arte na Idade da Pedra Polida - Neolítico O período Neolítico, ou ainda, a Idade da Pedra Polida, denominado dessa forma devido à construção de armas e instrumentos com pedras polidas mediante atrito, se inicia com a Revolução Neolítica. Essa revolução teve origem no Médio Oriente, quando o homem começou a desenvolver a agricultura e a domesticar animais. Antes, os nômades iam em busca de alimentos pela caça e sobrevivência em abrigos naturais, então, os homens começaram a se fixar em territórios, uma vez que haviam adquirido o aprendizado do cultivo da terra e de criar rebanhos de animais, tornando-se sedentário, segundo Proença (2009). 8WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA Surgia, então, um novo estilo de vida proporcionado pela aglomeração da população e pelo desenvolvimento das primeiras instituições, o que transformou o cotidiano do homem. Essa grande transformação foi determinante na formação das sociedades e refletiu em novas expressões artísticas nessa época. O homem do Neolítico passou a construir moradias fixas, a fabricar cerâmicas, a tecer panos e a representar figuras humanas em situações diárias. As pinturas não eram mais realizadas pela observação direta, mas pela abstração: A revolução estilística ocorrida na Pré-História, isto é, a passagem do figurativismo realista do Paleolítico para o geometrismo de tendência abstrata do Neolítico, não se fez por acaso, nem pela fantasia ou imaginação dos artistas pré-históricos. Refletiu apenas modificações profundas ocorridas na vida do homem, que evoluía na economia de caça e pesca para a economia de agricultura e pecuária. (CAVALCANTI, 1968, p. 10). O sedentarismo proporcionou o desenvolvimento da construção de moradias e monumentos. Há indícios de que os agrupamentos neolíticos orientais deram origem às construções palafíticas, casas de madeira e adobe agrupadas por pátios abertos. Não havia ruas nem portas nas casas. Acredita-se que a entrada era realizada pelos telhados, tal como no exemplo na região de Çatalhüyük, na atual Turquia (Figura 4). Figura 4 - Representação de casas e santuários em terraços em Çatalhüyük. Fonte: Janson (1989). Um outro agrupamento habitacional do final do período neolítico, mas nesse caso, situado na Europa ocidental, é o sítio arqueológico de Skara Brae, na Escócia. Ocupado por volta de 3.100 a 2.500 a. C. O vilarejo foi construído com pedras empilhadas. Dentro do sitio arqueológico, foram identificadas residências. Pode-se afirmar que os elementos de pedra unidos às paredes externas eram mobílias primitivas, tais como assentos, camas e prateleiras, segundo Scotland (2003) (Figura 5). 9WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 5 - Residência em Skara Brae. Fonte: Megalithic (2012). Além dessas construções habitacionais, foram construídos os monumentos megalíticos, que não serviam para habitação, mas para funções religiosas e cultos funerários. Eles são os representantes mais reconhecidos da arquitetura neolítica na Europa a partir de cerca de 3000 a.C., que teve um desenvolvimento mais lento da Revolução Neolítica em relação ao Oriente. Os megalíticos são construções de grandes dimensões de blocos ou lajes de pedra empilhados sem argamassa, técnica que até mesmo nos dias de hoje nos impressionas pela força necessária para construí-la. Eles podem ser classificados em: as antas ou dólmens, que consistem em pedras verticais cobertas com lajes e que se acredita que representavam locais de culto à morte; e os menires, grandes blocos de pedra erguidos verticalmente. Os menires podem ser encontrados em alinhamento, dispostos em uma reta ou em cromeleque, organizados em círculos. O exemplo mais conhecido dessa arquitetura é o Santuário de Stonehenge, na Inglaterra, mas tais construções se espalharam pelo mundo nesse período em diante, explica Janson (1989) e Cavalcanti (1968) (Figura 6). 10WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 6 - Santuário de Stonehenge, Inglaterra. Fonte: Discovering Britain (2018). 2 - A ANTIGUIDADE O desenvolvimento da arte neolítica e a passagem de um figurativismo para um geometrismo atravessa a Idade dos Metais (após a Idade da Pedra) e encontra novas manifestações artísticas, retomando as formas figurativas, nos primeiros povos históricos da Antiguidade Oriental no Crescente Fértil do Rio Nilo, com os egípcios e entre os Rios Tigre e Eufrates, com os mesopotâmicos. No desenvolvimento das civilizações da Antiguidade Clássica na Europa Ocidental, com os gregos e romanos, há o surgimento de novas técnicas artísticas, arquitetônicas e de ornamentos. Portanto, discutimos o período que chamamos de Antiguidade, englobando os povos egípcios, mesopotâmicos, gregos e romanos, considerando o alcance histórico que abrange da invenção da escrita por volta de 3500 a.C. até a queda do Império Romano Ocidental, no ano de 476 d.C. 2.1. A Antiguidade Oriental 2.1.1. A arte egípcia A arquitetura egípcia é reconhecida pelas gigantescas construções de pedras empilhadas: as pirâmides (Figura 7) – eram consideradas muito importantes para a representação do poder dos reis perante seus súditos e refletiam uma sociedade extremamente organizada. “O rei era considerado um ser divino que tinha completo domínio sobre eles e, ao partir deste mundo, voltava a ascender para junto dos deuses donde viera. As pirâmides elevando-se para o céu ajudá- lo-iam provavelmente a fazer sua ascensão” (GOMBRICH, 1993, p. 32-33). 11WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 7 - Pirâmides de Miquerinos (2470 a.C.), Quefren (2500 a.C.) e de Quéops (2530 a.C.) Gizé. Egito. Fonte: Revista Galileu (2018). Junto às pirâmides, eram construídas as tumbas para as múmias de faraós, decoradas com altos relevos e adornos. Havia uma combinação de regularidade geométrica e observação da natureza nesses desenhos esculpidos (Figura 8). “Destaquemos, contudo, que a palavra ‘adornar’ ajusta-se mal a uma arte que devia ser vista apenas pela alma do morto. De fato, essas obras não tinham a finalidade de provocardeleite. A rigor elas se destinavam a ‘manter vivo’” (GOMBRICH, 1993, p. 33). Figura 8 - Tumba de Tutancâmon. Fonte: Antón (2016). 12WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA Esses relevos e pinturas murais representavam a vida do povo egípcio. As figuras planificadas e chapadas seguiam o que os historiadores denominaram Lei da frontalidade e demonstravam um modo diferente de representar a realidade. Isso provavelmente está relacionado à finalidade dos artistas e a função de sua arte. “O que mais importava não era a boniteza, mas a plenitude” (GOMBRICH, 1993, p. 34). O que lhes importava era que a representação da memória de um povo se enquadrasse em um mural com linhas claras, e não o seu retrato fiel, naturalista de uma paisagem observada no mesmo momento. “Não é apenas o seu conhecimento de formas e contornos que o artista consubstancia na pintura, mas também o conhecimento que ele possui do significado dessas formas” (GOMBRICH, 1993, p. 36). O método dos artistas egípcios se assemelhava, portanto, mais ao do cartógrafo, com regras rígidas de representação, do que de um pintor naturalista. Observava-se, por exemplo, olhos, cabeças e pernas humanas ou de outros animais de perfil. Figuras que representavam autoridades eram elaboradas em tamanho maior que o restante dos outros corpos, já que este representava um poder sobre os demais. As cenas retratavam situações cotidianas com hieróglifos (escritas) que descreviam os títulos e honrarias dos faraós, segundo Gombrich (1993). As rigorosas regras de representação eram as seguintes (Figura 9): As estátuas sentadas deviam ter as mãos sobre os joelhos; os homens eram sempre pintados com a pele mais escura do que as mulheres; a aparência de cada deus egípcio era rigorosamente estabelecida: Hórus, o deus-sol, tinha que ser apresentado como um falcão ou com a cabeça de falcão; Anúbis, o deus da morte, como um chacal ou com uma cabeça de chacal. Todo artista precisava aprender a arte da bela escrita. Tinha que recortar na pedra, de maneira clara e precisa, as imagens e os símbolos dos hieróglifos. (GOMBRICH, 1993, p.38-39). Figura 9 - Exemplo de pintura mural egípcia. Fonte: Au magic (2016). 13WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA As habitações egípcias eram elaboradas com barro cozido e divergiam de acordo com a situação econômica das famílias. Nas cabanas das classes trabalhadoras, os móveis eram essencialmente “Bancos de baixa altura, feitos de terra lamacenta, cobertos de esteiras de junco ou de rolos de linho serviam de camas e assentos; talvez houvesse um escabelo trípode ou uma mesa de grosseiro acabamento” (OATES, 1991, p. 9). Já as famílias ricas habitavam casas maiores com paredes grossas de argila cozida e grandes jardins externos e mobílias elaboradas. As principais construções egípcias adotavam ordens de desenho para os pilares: Figura 10 - Ordens arquitetônicas egípcias. Fonte: Ducher (1992). Os primeiros registros de mobiliários elaborados com materiais além das próprias pedras empilhadas nas vilas neolíticas são dos povos egípcios. Os móveis eram encontrados tanto nas habitações das classes mais abastadas quanto nos aposentos da realeza. Entre as principais características observadas nos mobiliários encontrados por escavações arqueológicas nessa época, estão: linhas retas, utilização de madeiras maciças, cores vivas e inspirações na fauna e na flora local. Entre os tipos de móveis elaborados estavam os de apoio, como mesas; os assentos, como bancos, tronos, escabelos; os móveis de armazenagem, como arcas, baús e cestos; e as camas. As matérias primas que tais móveis eram construídos eram essencialmente: madeira, junco, tecidos, cordas, fibras, marfim, metais, pedras, estuque, cerâmica, vidro, resinas, pigmentos naturais, entre outros, conforme Oates (1991). Os egípcios se aperfeiçoaram na marcenaria, inventando uma grande variedade de juntas na madeira. Muitas peças eram gessadas e pintadas, sendo algumas elaboradas com decorações douradas, folheadas a ouro. Entre os móveis talhados, destacavam-se as cadeiras, geralmente elaboradas em dois tipos: de fechar ou rígidas, geralmente ornamentadas com patas de animais em seus pés. As cadeiras geralmente tinham baixa altura, com cerca de 20cm do chão, já que os egípcios se sentavam com pernas cruzadas (Figura 11). 14WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 11 - Exemplos de móveis egípcios. Fonte: Met Museum (2018). PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO MOBILIÁRIO EGÍPCIO Ornamentação com motivos cotidianos e religiosos; Móveis com patas de animais, referência a mitologia, aos deuses; Juntas e encaixes perfeitos; Geralmente de madeira (acácia, cedro, ébano e outros); Ornamentação com metais preciosos como ouro e prata, marfim, pedras preciosas e outros materiais de luxo; Fibras eram utilizadas nos assentos e camas. (PIERONI, 2014). Quadro 1 – Mobília egípcia. Fonte: o autor. 15WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA 2.1.2. A arte mesopotâmica Foi na região mesopotâmica que o homem construiu as primeiras cidades, estruturou o Estado, surgiram os primeiros registros da escrita e onde desenvolveu-se uma economia comercial. A arte mesopotâmica é menos conhecida que a arte egípcia, é provável que isso se deve pelo fato de que não havia pedreiras nos vales da região da Mesopotâmia, diferente do que ocorria no território Egípcio, assim, a arquitetura mesopotâmica era construída com tijolos cozidos que se desintegraram com o passar do tempo, não restando edifícios representantes desses povos. Além disso, outra explicação possível é o fato de que os povos mesopotâmicos não tinham a crença de que, ao decorar as tumbas dos reis mortos, conseguiriam salvaguardar suas almas. Há evidências de que os monumentos eram construídos para perdurar a imagem de um reinado triunfante e de batalhas vencidas com a finalidade de rebelar as forças de povos inimigos, e não pra apenas conservar viva a alma dos seus reis, tais como o Monumento ao Rei Naram-Sim (Figura 12), afirma Gombrich (1993). Embora os artistas da mesopotâmia não fossem chamados a decorar as paredes dos túmulos, também tinham de assegurar, de um modo diferente, que a imagem ajudasse a manter vivos os poderosos. Desde os primeiros tempos, era costume dos reis mesopotâmicos encomendar monumentos para celebrar suas vitórias na guerra, os quais falavam das tribos derrotadas e dos despojos capturados. (GOMBRICH, 1993, p. 43) Figura 12 - Monumento ao Rei Naram-Sin, Mesopotâmia. Fonte: Louvre (2018). 16WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA Os Zigurates são os edifícios que geralmente se apresentam como representantes dessa civilização. Eles eram templos dedicados aos deuses construídos com tijolos de barro queimados em várias camadas que se elevavam verticalmente com a intenção de se “aproximar ao céu”, parecendo-se com pirâmides escalonadas. Um dos exemplos preservados, ainda que parte não esteja completo, é o Zigurate de Ur (Figuras 13 e 14). Figura 13 - Zigurate de Ur. Fonte: Bezerra (2017). Figura 14 - Reconstituição do Zigurate de Ur. Fonte: Gograph, 2018. 17WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA 2.2. A Antiguidade Clássica 2.2.1. Arte grega As civilizações gregas têm origem creto-micênica, povos que se desenvolveram na Ilha de Creta a partir de cerca de 2000 a.C. no período denominado pelos historiadores como pré- homérico e homérico. Apesar de no século XII a.C. a população grega ser formada por distintosgrupos, tais como aqueus, jônios, dórios e eólios, esses povos uniram-se em uma mesma cultura. Por volta de 1.000 a.C., os habitantes da Grécia continental e das ilhas do Mar Egeu, comunicando-se com diversos dialetos, passaram a reunir-se em comunidades que, por sua vez, se tornaram as cidades-estado, ou as denominadas pólis gregas. Cada cidade-estado era independente politicamente uma da outra, o que havia de comum eram a cultura e os valores. A pólis que se destacou na história e hoje é uma das mais conhecidas é Atenas. Para Gombrich (1993), foi em Atenas que houve a maior e mais significativa revolução na história da arte. A história da arte na Grécia pode ser periodizada, de acordo com Proença (2009) em: • Período arcaico (da formação das cidades-estado em 700 a.C. até as Guerras Pérsicas, em 500 a.C.); • Período clássico (de 500 a.C. até a Guerra do Peloponeso, em 400 a.C.); • Período helenístico (de 400 a.C. até o 200 a.C. - em 146 a.C. a Grécia seria dominada pelos romanos). Os gregos experimentaram uma liberdade maior nas manifestações artísticas em relação aos egípcios, apesar de que há indícios de que a arte grega estudou a arte egípcia, a tomou como ponto de partida, evoluindo-a. A arte não era ligada aos cultos religiosos, mas à racionalidade do homem, à harmonia, à perfeição e à beleza, o que refletiu nas diversas experimentações na arquitetura, na pintura, na escultura, na literatura e filosofia, etc. Convictos de que o ser humano ocupava especial lugar no Universo, os gregos não se submeteram a imposições de reis ou sacerdotes. Para eles, o conhecimento, expressado pela razão, estava acima da crença em qualquer divindade (PROENÇA, 2009, p. 30). A partir da observação de esculturas egípcias e da apreciação pela simetria natural do corpo humano, os gregos desenvolveram suas obras com a representação de corpos, sobretudo nos períodos arcaico e clássico, imagens geralmente masculinas, nuas, em posição frontal, distribuindo o peso do corpo igualmente entre as duas pernas, características que assumiam a forma do modelo kouros (homem jovem). Pelo fato da arte grega não possuir regras rígidas como a egípcia, a escultura, por exemplo, evoluiu nos períodos posteriores ao arcaico para novas formas de representação, em novos materiais além do mármore, tal como esculturas com apoio do peso do corpo no eixo de simetria deslocado e não frontalizadas, como as obras de Míron e Policleto (Figura 15). Já no período helenístico, os escultures passam a representar corpus femininos nus, expressões e sentimentos, caracterizando um grande avanço nessa forma artística. “Mas o grande desafio - e a grande conquista - da escultura do período helenístico foi a representação não de uma só figura, mas de grupos de figuras que sugerissem mobilidade e fossem belos de todos os ângulos” (PROENÇA, 2009, p. 39). 18WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA “Simetria: Correspondência, em tamanho, forma e posição, entre partes localiza- das em lados opostos de uma linha ou plano central. Regularidade; proporção” (PROENÇA, 2009, p. 31). Figura 15 - Esculturas clássicas. Padrão kouros (c. 525 a.C.); Cópia romana de Discóbolo de Míron (c. 450 a.C.); Cópia romana do Doríforo de Policleto (c. 440 a.C.). Fonte: o autor. Os representantes da pintura grega mais conhecidos atualmente são as cerâmicas da época. Nos primeiros vasos, há vestígios de métodos egípcios, sobretudo as regras de frontalidade. No entanto, já se percebem diferenças que serão realçadas com o passar do tempo. O pintor grego se atentará à observação da realidade e a representação dos pés, por exemplo, não será mais planificada tal como nas pinturas egípcias, mas desenhada pela descoberta do escorço, ou seja, os pés serão pintados tal como são vistos de frente, informa Gombrich (1993) (Figura 16). 19WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 16 - Vaso grego “A despedida do guerreiro” de Eumetídes (c. 500 a.C.). Fonte: Imagem Expressão (2007). Na arquitetura grega, os templos não tinham compromissos com crenças religiosas, como reunir as pessoas para cultos, mas tinham o intuito de homenagear e proteger as estátuas dos deuses gregos. Em ambos os períodos artísticos da Grécia, a característica mais evidente dos edifícios gregos era a simetria, seja nos templos, quanto nos teatros. No caso dos templos, eles eram formados por um pronau, a naos (onde ficavam as imagens dos deuses) e o opistódomo. A colunata que circundava esses três espaços era chamada de peristilo, que podiam ser compostos por uma ou duas camadas de colunas. Figura 17 - Templo típico grego Fonte: Proença (2009). Os templos eram construídos em blocos de pedra justapostos e sobrepostos sem argamassa, sob uma base de três degraus e sob ela, erguiam-se as colunas que sustentavam um entablamento horizontal, formado pela arquitrave, friso e cornija. As colunas seguiam duas ordens: dórica e jônica; e uma variação do capitel, o coríntio, segundo Janson (1989). 20WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 18 - Ordens de colunas gregas e capitel coríntio. Fonte: Proença (2009). Cobertos por telhados de duas águas, o espaço triangular remanescente entre a cornija e o telhado formavam o frontão, que era ornamentado com esculturas. Talvez, um dos templos mais conhecidos dessas características, seja o Parthenon. Esse templo foi construído no século V a.C. na acrópole de Atenas, como homenagem à deusa grega Atena. A ordem utilizada nas colunas é a dórica e, apesar de estar em ruína, é possível observar que existia um frontão (Figura 19). Figura 19 - Parthenon, Atenas. Fonte: Reed (2018). 21WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA Os ricos espaços interiores e os mobiliários da Grécia antiga não chegaram aos nossos tempos. Assim, o historiador Oates (1991) aponta que os únicos registros de móveis gregos são os contidos na literatura, na filosofia, na escultura e na pintura de vasos cerâmicos, tais como as cadeiras do tipo klismos e a cama kliné (Figura 20). Os textos de Homero falam-nos dos esplendores dos antigos palácios gregos; os de Platão, Aristóteles e Xenofonte referem-se à vida do dia a dia nos lares, às mulheres que por eles circulavam e à atividade mercantil dos homens. A partir das pinturas dos vasos cerâmicos é possível imaginar o mobiliário e os restantes acessórios. (OATES, 1991, p. 20). Na arquitetura cotidiana, as habitações gregas em geral eram construídas com tijolos cozidos ao sol e com fundações sobre pedras. Eram casas intimistas, com pátios centrais. As paredes internas eram ornamentadas com estuque colorido, os pisos eram empedrados com mosaicos e as casas de banho com ladrilhos. Haviam pequenas janelas com persianas, não envidraçadas, explica Oates (1991) (Figura 21). Figura 20 - Desenhos de móveis extraídos de pinturas. Cadeira klismos e Cama kliné. Fonte: Gutenberg (2018). 22WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 21 - Tipologia da casa grega. Fonte: Oates (1991). PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO MOBILIÁRIO GREGO Adaptado às dimensões humanas (ergonomia), influência da cultura humanista; Dimensões menores que os modelos egípcios, proporcionando mais leveza e praticidade; Usavam mármore, bronze, ferro, madeira e eram decorados com entalhações e pinturas; Divide-se em móveis cerimoniais (aqueles utilizados nos eventos ao ar livre) e de uso comum (cama, bancos, cadeiras, mesas, baús e arcas); Assim como na arquitetura, buscavam simetria, harmonia e regularidade no desenho do mobiliário; (PIERONI, 2014). Quadro 2 – MobíliaGrega. Fonte: o autor. 2.2.2. A arte romana A cidade de Roma surgiu em meados do século VII a.C., sendo sua formação influenciada pelos gregos e etruscos. A história romana pode ser dividida nos seguintes períodos: Período Monárquico (de 753 a.C. - ano de formação de Roma até 509 a.C.); Período Republicano (de 509 a.C. até 27 a.C.); e Período Imperial (de 27 a.C. até 476 d.C. - queda do Império Romano do Ocidente, que havia sido dividido no ano de 395 d.C. pelo Imperador Teodósio). A arte romana assimilou muitas características das manifestações artísticas do período grego helenístico. Os romanos tinham uma profunda admiração à arte grega e reproduziam as obras dos artistas com frequência, tal como aconteceu no caso das esculturas. Os escultores romanos, além de reproduzirem as esculturas gregas, deixaram o legado de produzir retratos de seus imperadores. Diferente dos gregos, que buscavam a representação de um homem ideal, os romanos acrescentavam características realistas dos seres retratados (Figura 22). 23WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 22 - 1) Retrato de um Romano (c. 80 a.C.) 2) Retrato do Imperador Constantino, O grande. (c. 312- 325 d.C.). Fonte: Google Images (2018). A arquitetura romana destacou- se pela construção de edifícios públicos, tais como templos, aquedutos, teatros, arcos e banhos públicos. Os escritos de Vitruvius, no final do século I a.C., são testemunhos da riqueza da arquitetura romana. Inspirados na arquitetura grega, os romanos continuaram a construir as colunas segundo as ordens pré-estabelecidas (dórica, jônica e coríntia), e criaram outras duas: a toscana e a composta. A toscana era uma coluna baseada na dórica, só que sem as estrias na fuste, já a composta, tinha um capitel diferenciado com elementos decorativos da ordem jônica e características coríntias (Figura 23). Apesar da criação dessas duas novas ordens, o maior legado dos romanos na arquitetura foi o aperfeiçoamento do uso do arco que, multiplicados em novos arranjos estéticos, foram transformados em abóbadas e cúpulas, ou também chamadas de domos. Esses elementos possibilitaram a construção de maiores vãos nos edifícios sem uma quantidade excessiva de pilares, o que foi um avanço para a história da arquitetura. Figura 23 - Ordens gregas e romanas. Fonte: Google Images (2018). 24WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA Os arcos simples, apoiados em duas extremidades, foram transformados em abóbadas: coberturas côncavas em forma de arcos construídas em pedras ou tijolos que são apoiados entre si e nas paredes ou colunas nas extremidades, cilíndrica/de berço ou de aresta (abordaremos sobre estas quando falarmos da arquitetura româmica); já as cúpulas ou domos: são telhados esféricos (Figura 24), explica Janson (1989) e Proença (2002). Figura 24 - Arco, abóbadas e cúpula. Fonte: O autor. Um dos mais surpreendentes edifícios construídos que ainda é conservado é o Panteão de Roma. Datado do início do século II a.C. e reconstruído após um incêndio no ano 125 d.C. Sua cúpula em concreto aparente, considerada durante um longo período como a maior do mundo, possui um óculo central de 9 metros de largura que permite que os raios do sol e as chuvas permeiem sob o chão do templo (Figura 25). Na arquitetura cênica, diferentemente dos teatros gregos, que eram situados em declives naturais, os teatros romanos eram edificados inseridos nos centros das cidades com estruturas de pilares e abóbadas. Um dos mais conhecidos é o Coliseu de Roma (70- 80 d.C.). Ele é um dos maiores símbolos do Império Romano e sede de grandes espetáculos de luta na Roma antiga, inaugurado em 80 d.C. pelo imperador Tito. O edifício foi construído em cimento natural em arcos que formam uma elipse de 190 x 155m com altura de 48,5m (Figura 26 e 27). Figura 25 - Panteão de Roma. Fonte: O autor. 25WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 26 - Coliseu de Roma. Fonte: O autor. Figura 27 - Coliseu de Roma. Fonte: O autor. 26WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA Na escala habitacional, a arquitetura romana tinha dois tipos que a representavam: a domus, casa independente para uma só família que seguia as plantas tradicionais com um atrium central; e a insula ou bloco habitacional, destinado a mais de uma família. Exemplos dessas edificações podem ainda ser encontrados nas ruínas de Pompeia e Herculano, expõe Janson (1989). Nesses exemplares vivos das habitações romanas é possível observar o que acreditam ser os únicos vestígios das pinturas dessa época. As pinturas murais: Foram executadas no mesmo período, uns escassos duzentos anos (desde os últimos anos do séc. I. a.C. até os finais do séc. I d.C.): do que sucedeu antes e depois, nada sabemos senão por conjectura. E como não dispomos de pinturas murais gregas e clássicas ou helenísticas, o problema de distinguir os elementos de origem grega dos de origem romana é bem mais difícil que na escultura ou na arquitetura. (JANSON, 1989, p. 190). As pinturas eram afrescos com cores vivas, executados em painéis verticais e utilizados como decoração nos espaços internos dos edifícios, podendo ser substituídos pelos mosaicos. Nesses painéis, entre os principais temas retratados, haviam ilusões de janelas abertas e, nessas aberturas, paisagens com animais, além de outras representações de pessoas em cenas cotidianas. Um exemplo vivo das pinturas murais é o painel da Vila dos Mistérios, em Pompeia (Figura 28). Figura 28 - Afresco na Vila dos Mistérios, Pompéia (c. 60 a.C.) Fonte: Vírus da Arte, 2018. Derivados dos móveis gregos, os mobiliários romanos eram de uso comum ou cerimonial. De acordo com o historiador Oates (1991), no geral, as casas romanas eram escassamente decoradas e os móveis existentes eram simples, mas também “[...] nas casas opulentas a decoração era frequentemente cheia de enfeites” (OATES, 1991, p. 26). 27WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA Entre os móveis de uso cerimonial, dos assentos destacam-se os tronos, geralmente construídos de bronze e mármore para oferecer um aspecto de solidez à imagem de poder. Alguns deles possuíam os pés em formato de patas de leão. Já no grupo dos assentos de uso comum, os mais conhecidos são os lectus que, geralmente elaborados em madeira, serviam a funções variadas como refeições ou descanso, sendo agrupados para serem utilizado em salas de estar, formando uma estrutura em “U” com três lectus (Figura 29), segundo The Archeology (2010). Figura 29 - Assento Lectus, madeira e ornamentos em bronze. Fonte: The Archeology (2010). PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO MOBILIÁRIO ROMANO As cadeiras são semelhantes [às gregas], contudo, há ornamentos típicos da cultura de Roma (leão usado nos combates contra os gladiadores); Desenvolveu-se um estilo mais característico principalmente nos tronos, pela necessidade romana de mostrar o seu poder. Até mesmo as cadeiras da população em geral se pareciam com tronos; Materiais nobres como bronze e mármore. Aparência pesada, maciça e luxuosa. Os sofás romanos pareciam camas e eram mais elevados e com apoio para os pés. [...] Mesa e bancos de três pés feito em madeira ou mármore apoiado sobre uma base de mármore entalhado[...] (PIERONI, 2014) Estudamos a arquitetura grega e romana e observamos suas principais caracte- rísticas. Tendo em vista que os romanos inspiraram-se e muitas vezes imitaram a arte dos gregos, podemos dizer que existe ou não um estilo romano? No caso da arquitetura, apesar de as obras arquitetônicas romanasserem resul- tados da simetria e das proporções gregas, é evidente que há novas tecnologias e elementos inovadores tais como os arcos e abóbadas. Quadro 3 – Mobília Romana. Fonte: o autor. 28WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA Para aprofundar sobre as características da arquitetura na antiguidade clássica leia: SUMMERSON. J. A linguagem clássica da arquitetura. São Paulo, WMF Mar- tins Fontes, 2009. 3 - CONSIDERAÇÕES FINAIS Nessa primeira unidade, estudamos, em linhas gerais, as características da arte das primeiras civilizações humanas. Aprendemos sobre a arte, a arquitetura e o mobiliário na pré- história, nos períodos Paleolítico e Neolítico; na antiguidade oriental, no Egito e na Mesopotâmia; e por fim na antiguidade clássica, na Grécia e em Roma. As primeiras manifestações artísticas no período pré-histórico ocorriam nos abrigos naturais que o homem ocupava: as pinturas rupestres. Os homens pintavam animais e seres humanos em cenas de caça com características primeiramente no período Paleolítico naturalistas e, posteriormente no Neolítico, geométricas. Elaboraram esculturas, sobretudo figuras femininas e, a partir do período Neolítico, construíram suas residências primitivas com o empilhamento de pedras e barro, as quais possuíam mobiliários elaborados também em pedra. Construíram também os monumentos megalíticos, construções de grande dimensão de blocos ou lajes de pedra empilhados sem argamassa. Pertencentes ao período que se denomina antiguidade oriental, no Crescente Fértil do delta do Rio Nilo, os egípcios desenvolveram a arquitetura mortuária monumental das pirâmides, construídas com pedras empilhadas para guardar os corpos dos faraós, mas também construíram residências em barro cozido, de escala não monumental, como cabanas. A pintura egípcia, representada pelos murais em painéis e paredes de pedra, retratavam a vida do povo egípcio com regras rígidas de representação, como a Lei da Frontalidade. Os egípcios se especializaram na marcenaria, o que resultou na invenção de vários tipos de mobiliários com traços de design bastante atuais. Já entre os Rios Tigre e Eufrates, a civilização mesopotâmica se destacou pela construção dos Zigurates, um tipo de pirâmide escalonada que abrigavam templos para as divindades. Na antiguidade clássica, os gregos experimentaram mais liberdade no campo artístico que os egípcios. As principais caraterísticas eram a valorização do homem, a perfeição e a simetria. Evoluíram na elaboração de esculturas, que passaram a ter movimento, e nas pinturas, com a representação do corpo do homem a partir da observação, abandonando a lei da frontalidade egípcia. A arquitetura grega dos templos dedicados aos deuses era simétrica e seguia as ordens de colunas dórica, jônica e coríntia. Nos espaços interiores, havia mobiliários que, apesar de os registros físicos serem escassos, eram representados nas pinturas. Os romanos se inspiraram na arte grega, mas desenvolveram um estilo próprio na escultura, pintura e arquitetura. Na escultura retrataram as emoções e as características do homem. Na pintura, utilizaram cores vivas em decorações de interiores. Na arquitetura, representada sobretudo pelos edifícios públicos, inventaram a partir da arquitetura grega e etrusca, o arco e a abóbada, as quais se tornaram o seu maior legado enquanto técnica arquitetônica para a humanidade. 2929WWW.UNINGA.BR U N I D A D E 02 SUMÁRIO DA UNIDADE INTRODUÇÃO ........................................................................................................................................................... 30 1 - A ANTIGUIDADE TARDIA .................................................................................................................................... 31 1.1. ARTE PALEOCRISTÃ .......................................................................................................................................... 31 1.2. ARTE BIZANTINA .............................................................................................................................................. 36 2 - A IDADE MÉDIA .................................................................................................................................................. 43 2.1. ARTE CAROLÍNGIA ........................................................................................................................................... 43 2.2. ARTE ROMÂNICA ............................................................................................................................................. 45 2.3. ARTE GÓTICA .................................................................................................................................................... 48 3 - CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................................................. 55 DA ANTIGUIDADE TARDIA À IDADE MÉDIA PROF.A MA. JEANNE CHRISTINE VERSARI FERREIRA SAPATA ENSINO A DISTÂNCIA DISCIPLINA: HISTÓRIA DA ARTE, DA ARQUITETURA E MOBILIÁRIO 30WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA INTRODUÇÃO Antiguidade Tardia é um termo utilizado pelos historiadores para caracterizar a transição de dois grandes períodos: a Antiguidade Clássica e a Idade Média. Abrangemos nessa unidade a arte produzida no momento tardio entre os séculos III e VIII d. C., período em que há mudanças significativas nos rumos da arte e da arquitetura, tendo em vista o enfraquecimento das ordens clássicas gregas e romanas, e a afirmação da religião cristã enquanto hegemônica na Europa, ascendendo como um poder dentro do Estado. É na Idade Média que todo o poder da igreja transparecerá com o advento das grandes catedrais. Nessa unidade, estudamos, primeiramente, o período que denominamos de Antiguidade Tardia, abordando os aspectos artísticos paleocristãos e bizantinos. Posteriormente, embarcamos nas manifestações artísticas da Idade Média, compreendendo as principais características da arte carolíngia, românica e gótica. 31WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA 1 - A ANTIGUIDADE TARDIA A sede do Império Romano mudou, sob o comando do Imperador Constantino, em 323 d.C., de Roma, para uma cidade grega chamada Bizâncio. A partir desse momento, ela se tornou Constantinopla (atual Istambul). Essa mudança da sede do poder imperial sucedeu uma cisão no Estado romano, que passou a ser dividido em 395 d.C. em Império Romano do Ocidente (sede em Milão) e Império Romano do Oriente (sede em Constantinopla). Nesse contexto, há o florescimento da arte religiosa e monoteísta, arte feita por e para cristãos e que se desenvolverá durante os cinco primeiros séculos depois de Cristo, cita Janson (1989). O período que chamamos de antiguidade tardia nas artes compreende duas principais formas de manifestações artísticas: a Paleocristã e a Bizantina. Para o historiador Janson (1989) não há uma fronteira entre essas duas artes: “Poderia sustentar-se que logo no início do séc. V, quando se deu a cisão efectiva do Império [Romano], se afirma um estilo bizantino (isto é, associado à corte de Constantinopla) dentro de uma arte paleocristã” (JANSON, 1989, p. 217). Portanto, concordamos com a ideia de que a arte paleocristã é toda a arte que advém de um povo cristão, e destacamos o estilo da arte bizantina inserido nesse universo. 1.1. Arte Paleocristã São poucos os vestígios da arte cristã produzida antes do imperador Constantino tomar posse do Império Romano em 306 d.C. já que ele foi o primeiro a professar o cristianismo. Sabe-se que as primeiras manifestações artísticas da religião cristã podem ser identificadas nas decorações pintadas em catacumbas romanas,bem como em cemitérios subterrâneos. Nas imagens pintadas nesses espaços funerários já se encontravam imagens que buscavam representar seres para além da terra, tais como o “Cristo Redentor” e o “Bom Pastor”, afirma Janson (1989) (Figura 30). As religiões monoteístas são as que creem em um só deus (como o cristianismo, judaísmo, islamismo). Já as religiões politeístas são aquelas que têm a crença em vários deuses (como nas civilizações egípcia, grega, romana). 32WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 30 - Tetos pintados da catacumba de São Pedro e Marcelino, Roma. Fonte: Rome and Italy (2018). Até o início do século III d.C., as manifestações cristãs, tais como os cultos, não eram feitas publicamente, mas celebradas às escondidas em residências de fieis. A decisão do Impera- dor Constantino de conceder liberdade religiosa ao Império fez com que a arte cristã se desen- volvesse e, no campo da arquitetura, isso resultou em mudanças significativas pois foi preciso criar um novo espaço público para celebrar a fé cristã. Muitas igrejas cristãs foram construídas com patrocínio imperial em várias cidades do Império Romano, explica Janson (1989). A Igreja se tornou um poder supremo no Estado romano e todo o seu relacionamento com a arte teve que ser reavaliado. Se na antiguidade clássica, politeísta os templos eram locais para abrigar as imagens dos deuses e protege-las das intempéries, agora, na antiguidade tardia, com a ascensão do cristianismo, religião monoteísta, deveriam ser construídas igrejas para reunir as pessoas, comenta Gombrich (1993). Assim, aconteceu que as igrejas não usaram os templos pagãos como seus modelos, mas adotaram o tipo de amplos salões de reunião que, em templos clássicos, eram conhecidos pelo nome de “basílica”, o que significa aproximadamente “pórtico real”. Esses edifícios eram usualmente mercados cobertos e recintos para audiências públicas dos tribunais; consistiam principalmente em vastos salões elípticos, com compartimentos mais estreitos e baixos ao longo das laterais mais espaçosas, divididos do corpo central por colunatas. (GOMBRICH, 1993, p. 94-95). Apesar de as basílicas paleocristãs não permanecerem no seu estado construído orig- inalmente até os dias atuais, há diversos exemplos conhecidos ainda que em planta, como é o caso da primeira Basílica de São Pedro, em Roma. Os espaços arquitetônicos das basílicas cristãs, com o intuito de reunir os fiéis e ao mesmo tempo serem locais sagrados, eram traçados com um novo ponto de convergência no desenho: o altar. 33WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA As primeiras basílicas cristãs possuíam um espaço central, a nave longitudinal, que ficava entre o narthex, um vestíbulo e o transepto, um espaço que configurava o cruzeiro com o altar, no sentido transversal à nave em formato cruciforme. Esses espaços eram rodeados por pórticos com colunatas, o atrium. Podemos observar esses espaços na planta e na perspectiva da versão original da Basílica de São Pedro em Roma (Figura 31). Figura 31 - Planta e desenho de reconstituição da primeira Basílica de São Pedro em Roma. Fonte: Janson (1989). 34WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA Além das características da planta, destacamos a ausência de ornamentação nos espaços externos das igrejas, que expressavam a sua solidez. Isso pode ser observado em um dos exemplares de basílica paleocristã ainda no seu estado original, a Basílica de San Apollinare em Classe, em Ravena (Figuras 32 e 33), que possui as seguintes características que Gombrich (1993) e Janson (1989) apontam: Na maior parte das basílicas, a espaçosa nave era coberta simplesmente por um teto de madeira com vigas expostas. As alas tinham quase sempre um teto plano. As colunas, que separavam a nave das alas eram muitas vezes suntuosamente decoradas (GOMBRICH, 1993, p.95). O exterior, de tijolo simples, foi intencionalmente deixado sem ornatos: é apenas uma carapaça lisa cuja conformação corresponde ao espaço interno - oposto do templo clássico. (JANSON, 1989, p.201). Figura 32 - Basílica de San Apollinare em Classe, Ravena. Fonte: Italy Around (2018). 35WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 33 - Interior da Basílica de San Apollinare em Classe, Ravena. Fonte: Italy Around (2018). Como podemos observar na imagem do interior da Basílica de San Apollinare em Classe e segundo aponta o historiador Cavalcanti (1968), não existiam muitas esculturas dentro dos templos. Os cristãos não queriam correlacionar o uso de imagens de santos, por exemplo, dentro de seus templos com a prática da época das estátuas de deuses gregos e divindades mitológicas da antiguidade clássica. Os escultores, portanto, tinham um papel secundário na arte paleocristã, havia uma “proibição bíblica” pelo uso de imagens. Restringiam-se à ornamentação em alto relevo de sarcófagos de mármore e de retrato de imperadores, afirma Janson (1989). O protagonismo da arquitetura na arte cristã nesses primeiros séculos depois de Cristo levou ao desenvolvimento revolucionário de outra manifestação artística. As superfícies internas das igrejas formariam espaços para uma nova prática que substituiria a pintura mural romana: os mosaicos parietais. Os mosaicos paleocristãos e bizantinos não tinham precedentes na história da arte, apesar dessa técnica já ter sido utilizada por romanos e povos anteriores, foi na arte cristã que novos materiais, como vidros coloridos, proporcionaram tonalidades variadas e intensas. Apesar de parecerem rígidas e primitivas, as figuras plantadas em posição frontal refletem a simplicidade que se queria transmitir: uma imagem com fins didáticos de evangelizar e ajudar a interpretação dos analfabetos, por exemplo, evitando o culto às imagens e aos deuses. Diferente das figuras planificadas egípcias, essas paleocristãs tinham contornos humanos definidos, sombras refletidas no chão, e vestimentas com um movimento, menciona Gombrich (1993) e Janson (1989) (Figura 34). 36WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 34 - Mosaico na Basílica de San Apollinare em Classe, Ravena. Fonte: Gombrich (1993). 1.2. Arte Bizantina Entre a arte paleocristã e a bizantina, não existem fronteiras. A arte bizantina é um estilo de arte cristã que se desenvolveu na cidade de Bizâncio, que passou a ser denominada Constantinopla ao sediar o poder do Império Romano e que, após a sua cisão, tornou-se a sede do Império Romano do Oriente, também denominado Império Bizantino. A cidade sobreviveu ao declínio do Império Romano do Ocidente no século V d.C. e prosperou durante séculos, até sua queda em 1453, quando foi conquistada pelo Império Otomano, ano que alguns historiadores apontam ser o fim da Idade Média. A oficialização do cristianismo, enquanto religião do Império Bizantino, fez com que a arte cristã assumisse um caráter de poder e riqueza. A arte bizantina tinha então o objetivo de expressar a força da Igreja cristã, glorificando o imperador, que era visto como um representante de Deus na terra, segundo Proença (2009). Na chamada “Primeira Idade de Ouro” da arte bizantina, quando se tem o mais rico conjunto de monumentos arquitetônicos, esse estilo não se desenvolve em Constantinopla, mas em Ravena, outra cidade italiana. A igreja que é o principal exemplar que representa esse tempo é a de São Vital, construída entre 526 d.C. e 547 d.C. A planta tem formato octogonal, com o corpo central coberto por uma cúpula. Nos espaços laterais, abóbadas leves permitem a abertura de janelas que preenchemo espaço com luz natural (Figuras 35 e 36). Já podemos perceber que houve mudanças no espaço religioso com relação ao produzido na igreja que citamos, a de San Apollinare em Classe, também em Ravena, expõe Janson (1989). 37WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 35 - Planta Basílica de São Vital. Fonte: Janson (1989). Figura 36 - Corte transversal Basílica de São Vital. Fonte: Janson (1989). 38WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA A basílica conhecida como obra-prima da arquitetura bizantina é a de Santa Sofia, construída na então cidade de Constantinopla, atual Istambul. Já foi uma mesquita e hoje é aberta ao público como um museu. Foi construída no reinado de Justiniano entre os anos de 532 e 537 por Anthemius de Tralles e Isidorus de Mileto, ambos arquitetos construtores da época. O traçado da igreja possui uma combinação inédita de dois elementos: o eixo longitudinal de uma basílica paleocristã e uma nave quadriculada com uma imensa cúpula, apoiada em semicúpulas. A transição entre a grande cúpula e as semicúpulas é feita através de triângulos esféricos, os pendentes (Figuras 37, 38, 39 e 40), expõe Janson (1989). Figura 37 - Planta Basílica de Santa Sofia. Fonte: Janson, 1989. Figura 38 - Corte Basílica de Santa Sofia. Fonte: Janson, 1989. 39WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 39 - Exterior Basílica de Santa Sofia. Fonte: Google Images (2018). Figura 40 - Interior Basílica de Santa Sofia. Fonte: Google Images (2018). 40WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA A basílica de Santa Sofia, tal como as basílicas cristãs primitivas, é repleta de mosaicos que cobrem as paredes e abóbadas com cores intensas e materiais que refletem a luz. Além dos mosaicos, os artistas bizantinos criaram os ícones, novas expressões artísticas na pintura. Os ícones são pinturas de quadros que representam figuras sagradas, tal como Jesus Cristo, Virgem Maria, entre outros santos e apóstolos da religião cristã. Apesar de terem sido proibidas em algum momento do Império Bizantino, tais imagens repercutiram na história da arte cristã, como representações do poder da igreja, estando inseridas nos interiores dos templos e também nas residências dos fieis em oratórios, informa Proença (2009) e Janson (1989). [...] após um século de repressão, as pinturas de igreja não podiam mais ser encaradas como meras ilustrações para uso de analfabetos. Eram consideradas reflexos misteriosos do mundo sobrenatural. Portanto, a Igreja Oriental não pôde continuar permitindo ao artista que seguisse a sua fantasia na criação dessas obras. Por certo, nenhuma bela pintura, apenas porque representava uma mãe com o filho pequeno, podia ser aceita como verdadeira imagem sacra ou “ícone” da Mãe de Deus, mas somente aquelas figuras consagradas por uma tradição de séculos. Assim, os bizantinos passaram a insistir quase tão rigorosamente quanto os egípcios na observância das tradições. (GOMBRICH, 1993, p.98). Os artistas pintavam os ícones utilizando a técnica de têmpera ou da encáustica. A têmpera consiste na mistura de pigmentos a uma goma orgânica, tal como gema de ovo, resultando em um efeito brilhante; já a encáustica era realizada pela diluição de pimentos em cera derretida, gerando um efeito fosco. No acabamento dos quadros, geralmente executados em madeiras ou placas de metal, eram sobrepostas camadas douradas ou até mesmo joias e pedras preciosas para representar vestimentas, rendas e bordados (Figura 41), segundo Proença (2009). Apesar de existirem escassos exemplares dos móveis do Império Bizantino, as pinturas e mosaicos representavam o mobiliário da época. De acordo com Oates (1991), o palácio real era constantemente representado com um mobiliário ostentoso, com mesas de marfim e ouro para os banquetes, já nas casas das famílias comuns as mesas eram de madeira. Os tronos, que naturalmente representavam também o poder do cristianismo, tal como os ícones, eram suntuosos e decorados com materiais nobres, tal como o Trono de Maximiliano coberto de placas esculpidas de marfim (Figura 42). Os tronos eram, dum modo geral, pesadas construções de madeira, com forma arquitectónica e decoração pintada, habitualmente usados com um banquinho para os pés, num estrado e sob um baldaquino. Alguns destes tronos eram verdadeiramente grandiosos - feitos com materiais preciosos, decorados com joias, envolvidos por tecidos sumptuosos e invulgares, e replectos de coxins ornamentados. (OATES, 1991, p.33). 41WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 41 - Nossa Senhora Entronizada com o Menino (cerca de 1280). Fonte: Gombrich (1993). 42WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 42 - Trono de Maximiliano, Ravena, século VI. Fonte: Pinterest, 2018. 43WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA 2 - A IDADE MÉDIA O período entre a queda do Império Romano do Ocidente, com a invasão dos bárbaros em 476 d.C. e o século XV, é o marco para o início da Idade Moderna, que é denominado pelos historiadores como Idade Média. Divide-se ainda esse período em Alta Idade Média (entre os séculos V e IX com o enfraquecimento do sistema feudal) e Baixa Idade Média (entre os séculos IX e XV). Não consideraremos essas duas subclassificações enquanto marcos temporais, tendo em vista de que por vezes há rupturas e, por outras, continuidades dos estilos artísticos. Se observarem os itens que abordamos anteriormente nessa unidade, poderão perceber que o período que compreende a Alta Idade Média se sobrepõe com o advento da arte paleocristã e bizantina. De fato, há historiadores que consideram a arte bizantina como produção artística medieval, mas aqui a consideramos enquanto produção da antiguidade tardia. As invasões ao Império Romano do Ocidente, o domínio dos seus territórios por diversos povos com culturas e expressões artísticas distintas resultaram no quase total desaparecimento da cultura greco-romana na Europa Ocidental e na ascensão de novas manifestações de arte. Os chamados pelos historiadores de bárbaros tinham formas diferentes das representações da antiguidade clássica, por exemplo, não retratavam figuras humanas, mas somente temas decorativos, explica Proença (2009). Nesse período, conforme aponta Gombrich (1993), há o florescimento de não somente um estilo, mas uma grande e conflituosa quantidade de formas arquitetônicas distintas. Destacamos as características mais evidentes da produção artística de três momentos: a arte carolíngia, românica e gótica. 2.1. Arte Carolíngia A arte carolíngia é a desenvolvida durante o Império de Carlos Magno e seus sucessores, entre o século VI e IX. Carlos Magno foi coroado imperador do Ocidente pelo papa Leão III em 800, tornando-se uma espécie de rei protetor do cristianismo. Nesse período, destaca-se a produção artística elaborada nos monastérios, em que se desenvolveram oficinas para produzir objetos de arte e manuscritos. Os manuscritos carolíngios são famosos pelas cópias e reproduções mais bem conservadas da literatura romana. São nos mosteiros e conventos que os humanos buscavam resguardar a admiração pela arte, preservando e resgatando obras da antiguidade clássica, por exemplo, segundo Gombrich (1993) e Janson (1989). Entre as principais características arquitetônicas dos templos religiosos carolíngios estavam: a influência bizantina e paleocristãcom as plantas centradas e uso de cúpulas; exteriores maciços e sóbrios e, em contraponto, interiores decorados com murais, mosaicos e baixos relevos; e por fim, a retomada de elementos clássicos. Um dos exemplos mais conhecidos é a Capela Palatina de Carlos Magno, inspirada na Basílica de São Vital, de Ravena. O historiador Janson (1989) aponta que a fachada frontal monumental seria um dos primeiros exemplares de igrejas a adotar as duas torres típicas de templos medievais posteriores (Figuras 43 e 44). 44WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 43 - Planta Capela Palatina de Carlos Magno. Fonte: Janson (1989, p. 260). Figura 44 -Interior da Capela Palatina de Carlos Magno. Fonte: Travel (2018). 45WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA 2.2. Arte Românica O nome românico remete ao novo estilo, principalmente arquitetônico, mas também presente na pintura e na escultura, aplicado nas igrejas construídas entre os séculos XI e XII na Europa e inspirados nas construções dos antigos romanos. Entre as principais características da arquitetura românica, especialmente nas igrejas, há a retomada do uso das abóbadas e a construção de pilares maciços de pedra com paredes espessas e sólidas e pequenas janelas. Tais templos sóbrios, sólidos, ficaram conhecidos como as “fortalezas de Deus” (PROENÇA, 2009). A novidade nas igrejas românicas, além da maior dimensão em relação às construídas em períodos anteriores, estava na ornamentação externa do edifício, que tinha sua fachada principal decoradas com adornos e esculturas. Apesar disso, a simplicidade das formas geométricas externas traduz a planta interna, que era facilmente reconhecida pela fachada. Mas foi o desenvolvimento das abóbadas de arestas a inovação mais importante da época. Elas foram elaboradas para deixar as coberturas mais leves e conseguir uma melhor iluminação interna. Tais abóbadas consistiam na intersecção de duas abóbadas de berço apoiadas sobre pilares. (Figura 45), coloca Proença (2009). Figura 45 - Abóbada de berço e abóbada de arestas. Fonte: Proença, 2009. Há exemplares românicos em diversos locais da Europa, principalmente em rotas de peregrinação. Cada templo possui elementos singulares, mas que, em geral, possuem tais abóbadas. Como exemplo, destacamos a Catedral de Durham, construída no Reino Unido entre 1093 e 1128. O traçado em planta demonstra a retomada do formato de cruz e da disposição longitudinal da nave central do templo. Nesse edifício foi utilizada a abóbada de arestas o que possibilitou que a cobertura fosse muito mais leve. As nervuras nas ligações das abóbadas formaram uma armação sólida o que permitiu que as superfícies curvas triangulares entre elas fossem preenchidas com alvenarias de espessura mínima (Figura 46). 46WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 46 - Interior da Catedral de Durham, Reino Unido. Fonte: Um olhar sobre a arte (2009). Um exemplo da ornamentação das fachadas românicas é a catedral de Saint-Trophime, construída em Arles no sul da França em cerca de 1180 (Figura 47), explica Gombrich (1993) e Janson (1989). Figura 47 - Fachada da Catedral de Saint-Trophime, Arles. Fonte: Minube (2018). 47WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA Devido a utilização de paredes espessas e as poucas janelas, as igrejas possuíam muitas superfícies a serem decoradas. São nessas superfícies que veremos a manifestação de pinturas e a retomada da prática dos escultores. As três manifestações de artes, quais sejam: arquitetura, pintura e escultura serão integradas e sintetizadas com finalidades estéticas comuns, mostra Cavalcanti (1968). Como vimos na imagem da fachada da Catedral de Saint-Trophime, a escultura que teve sua prática um pouco esquecida nos primeiros momentos da arte cristã pela proibição do culto à imagem, é retomada no repertório dos artistas românicos enquanto parte do edifício. As imagens retratadas nas paredes das igrejas assumem um caráter para além da prática decorativa, mas “[...] incarnam as forças tenebrosas que foram domesticadas e reduzidas à condição de figuras guardiãs” (JANSON, 1989, p. 291). Retratam cenas bíblicas, tais como o “Juízo final” esculpido entre 1130 e 1135 na Catedral de Autun, na França (Figura 48). Figura 48 - O Juízo Final na Catedral de Autun, França. Fonte: Google Images (2018). Outras cenas também eram retratadas nas superfícies internas das igrejas românicas em pinturas, as quais utilizavam a técnica “a fresco”. Nesse tipo de pintura, utilizava-se a parede úmida, com uma camada de reboco à base de cal e outra de gesso, e por cima das duas, o artista executaria sua obra. Essa técnica fazia com que a pintura se incorporasse ao reboco, como parte integrante do edifício, mostra Proença (2009). Entre as principais características da pintura românica e que a diferencia da prática dos artistas anteriores está a deformação da realidade e dos seres retratados, tal como a representação de figuras caricatas com olhos grandes. As cores eram chapadas, ou seja, não havia o cuidado com sombras ou meios tons. Uma dessas pinturas é o Cristo em Majestade, de cerca de 1123 na Igreja de San Clemente de Tahull, na Espanha (Figura 46), mostra Proença (2009). 48WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 49 - Cristo em Majestade (1123). Fonte: História das Artes (2015). Sobre os mobiliários no período românico, tal como no Império Bizantino, os exemplares existentes são raros e os seus desenhos e formatos podem ser identificados em algumas pinturas da época. Galvão (2018) destaca que os móveis eram fabricados em castanho e eram pesados e sóbrios, tal como a arquitetura. A autora destaca a existência dos seguintes mobiliários da época: arcas, elaboradas de madeira com ferro forjado; cadeiras, reforçadas com estruturas em “x”; e mesas simples e robustas. 2.3. Arte Gótica A partir do século XII, o enfraquecimento do sistema feudal e a ascensão de uma burguesia fez com que o centro da vida urbana e das artes deixasse os campos e mosteiros para florescer nas cidades. É no início desse século que surgirá, sobretudo na França e depois em outros países, o estilo que mais tarde chamariam de gótico. A Abadia de Saint-Denis, construída por volta do ano de 1140, foi a pioneira de uma nova maneira de construir igrejas, as quais ficaram conhecidas como as grandiosas e misteriosas catedrais góticas. Posteriormente, cerca do ano 1163, o exemplar mais conhecido dessa arquitetura seria construído: a Catedral de Notre Dame de Paris. 49WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA Nas fachadas de ambas as igrejas, podemos observar algumas das principais características que diferenciam as catedrais góticas: três portais com acesso a três naves (Figura 50), diferente das catedrais românicas possuíam somente uma entrada; uma torre que continuava os pórticos laterais; uma grande abertura central e redonda, chamada rosácea (PROENÇA, 2009) (Figura 51). Figura 50 - Planta da Catedral de Saint Denis (1140) e Planta da Catedral Notre Dame de Paris (1163). Fonte: Google Images (2018). 50WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 51 - Catedral de Saint Denis (1140) e Catedral Notre Dame de Paris (1163). Fonte: Souza (2014). Apesar dessas diferenças significativas na fachada a característica mais importante seria o surgimento da abóbada de nervuras e dos arcobotantes.Diferente das abóbadas de arestas românicas, as de nervuras eram formadas com o encontro de arcos ogivais, sendo que tais abóbadas não eram apoiadas nas paredes, mas sim em pilares (Figura 52). Os pilares tinham reforços que se projetavam para fora dos edifícios, um sistema formado por arcobotantes e contrafortes. Esse sistema possibilitou que as igrejas fossem construídas em alturas muito superiores às já construídas (Figura 53), citam Janson (1989) e Gombrich (1993). Figura 52 - Arco ogival e abóbada de nervuras. Fonte: Concreto em Curva, 2016. 51WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 53 - Seção do sistema estrutural catedrais góticas. Fonte: Concreto em Curva (2016). Com a utilização dessas técnicas construtivas, os interiores das igrejas góticas transpassavam um aspecto de leveza das formas arquitetônicas, ao contrário da solidez que os templos românicos apresentavam. As paredes, sem função estrutural já que tal objetivo já era alcançado com o sistema de arcobotantes, podiam receber grandes superfícies envidraçadas. Nessas grandes janelas, os vitrais protagonizaram a entrada abundante de luz que proporcionava uma sensação de proximidade com Deus (Figura 54). Figura 54 - Interiores da Catedral de Notre Dame de Paris (1163). Fonte: Concreto em Curva (2016). 52WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA As esculturas do período gótico geralmente estavam integradas à arquitetura, seja nas fachadas das catedrais, como também em seus interiores. As esculturas eram feitas diretamente nas pedras, materiais em que eram construídas as igrejas, nos tímpanos dos portais, por exemplo. Os tímpanos eram os espaços acima dos pórticos na fachada, comenta Janson (1989). Comumente são encontradas nos exemplares das esculturas góticas figuras alongadas e separadas entre si, independentes, cada uma em seu próprio eixo, e não mais amontoadas tal como nos painéis esculpidos românicos. Um desses exemplos é o umbral da Catedral de Chartres, na França (Figura 55). Se no início os corpos eram representados com rigidez, pouco a pouco as cabeças começaram a ter um movimento natural humano, com uma maior intensidade dramática, cita Janson (1989). Figura 55 - Esculturas do umbral da Catedral de Chartres, França. Fonte: Medieval Imago (2018). A pintura gótica, desenvolvida entre os séculos XIII e início do século XV, incorporou características que pressagiaram alguns elementos do Renascimento, entre elas, a busca do realismo na representação dos seres, que não são estáticos, mas com movimento. Entre as obras de pintura góticas, destacam-se os afrescos produzidos nos interiores das catedrais, mostra Proença (2009). Entre os pintores conhecidos dessa época, havia Giovanni Gualteri e Ambrogiotto Bondone, mais conhecido como Giotto, que representava os seres divinos e santos com aparência de homens comuns, diferenciando somente as santidades com auréolas ao redor das cabeças. Suas pinturas tinham o efeito de fazer-nos sentir tão próximos do acontecimento que retratava que causavam a ilusão de que poderíamos tomar parte dele também (Figura 56), comenta Janson (1989). 53WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 56 - Entrada de Cristo em Jerusalém. Fresco. Capela de Arena, Pádua. Fonte: Santana (2011). O mobiliário gótico reproduziu os temas religiosos das diversas formas de arte: arquitetura, escultura e pintura: Raríssimos exemplares restaram desse trabalho artesanal, de madeiras entalhadas, tapeçaria de sedas e, principalmente, metais caprichosamente trabalhados. Hoje são encontrados apenas em museus e igrejas, onde o desconforto que parecem propiciar é sublimado pelo prazer visual da riqueza de seus detalhes (GALVÃO, 2018, p. 6). Os interiores dos salões residenciais medievais dos senhores feudais recebiam muitas pessoas e, devido ao fato das famílias se deslocarem para administrar suas propriedades, surgiu o termo que naquela época chamaram de meubles, os móveis, ou seja, algo transportável. Entre os assentos, haviam as cadeiras com baldaquino (colunas esculpidas de madeira que cobriam o assento - um símbolo de alta sociedade) e bancos de madeira e de fechar. Destacavam-se também os buffets, móveis para servir, nossos atuais aparadores, armários e camas. Além desses móveis domésticos, haviam os cerimoniais, para compor as naves e altares das catedrais. Ambos os móveis recebiam motivos decorativos talhados em madeira, assim como outros adornos em alvenaria ou outros materiais como metais e ferro forjado, segundo Oates (1991) (Figura 57). 54WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 57 - Exemplos de mobiliários góticos. Fonte: IS. Design (2015). Quais foram as principais contribuições do estilo gótico para a história da arqui- tetura? Uma das contribuições inovadoras do estilo gótico foi a invenção do sis- tema de arcobotantes e contrapesos que fez com que a ampliação do espaço interior e a verticalização das igrejas fossem possíveis. Para aprofundar sobre as características da arquitetura gótica, leia: PANOFSKY, E. Arquitetura Gótica e Escolástica: Sobre a analogia entre arte, filosofia e teologia na Idade Média. Martins Fontes: São Paulo, 2001. Se você quer saber mais sobre as inovações estruturais e as características das catedrais góticas, assista ao vídeo: O Enigma das Catedrais Góticas (Dublado) Do- cumentário Completo National Geographic. Disponível em: <https://youtu.be/KcgZyRSZoQI>. Acesso em 31 jul. 2018. 55WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA 3 - CONSIDERAÇÕES FINAIS Nessa segunda unidade, abordamos sobre as manifestações artísticas entre o período que denominamos Antiguidade Tardia e a Idade Média. Na antiguidade tardia, entre os séculos III e VIII d.C., estudamos sobre a arte cristã primitiva, também denominada paleocristã, bem como a arte bizantina. No período da Idade Média, a partir do século V até XV, abrangemos três estilos: carolíngio, românico e gótico. A arte paleocristã se desenvolveu no Império Romano e ganhou força a partir do Império de Constantino, no século IV d.C. As manifestações artísticas buscavam demonstrar a ascensão da igreja cristã como um poder supremo no Estado romano. A arquitetura paleocristã foi representada principalmente pelas basílicas, com exteriores sóbrios e sólidos, eram construídas em plantas cruciformes organizadas com o centro de convergência para o altar. As esculturas não eram comuns para evitar o culto às imagens. Nesse período há o surgimento dos mosaicos com imagens evangelizadoras. A arte bizantina baseou-se em muitas características paleocristãs, tendo em vista de que fazia parte do universo cristão. As plantas das igrejas eram mais centralizadas em relação às plantas cruciformes cristãs primitivas e eram cobertas com enormes cúpulas, mas também eram decoradas com mosaicos. Na pintura, destacavam-se os ícones, pinturas de imagens santificadas ornamentadas que foram retomadas nos interiores das igrejas. Foi no Império de Carlos Magno que se desenvolveu a arte carolíngia. Na arquitetura, é evidente a influência bizantina e paleocristã com as plantas centradas e uso de cúpulas e exteriores sóbrios com interiores decorados com murais, mosaicos e baixos relevos. A novidade está na retomada de elementos clássicos. No caso das igrejas românicas, elas se diferenciaram pela ornamentação externa com adornos e esculturas e pelo desenvolvimento das abóbadas de arestas, as quais permitiram a construção de coberturas mais leves. Apesar disso, as paredes ainda eram espessas e as aberturas eram pequenas, espaçosque foram preenchidos com pinturas. O período gótico representou avanços grandiosos na arte, sobretudo na construção das catedrais. O aumento do número de portais de acesso das igrejas, o uso da abóbada de nervuras e o sistema de arcobotantes e contrafortes, a verticalidade e técnica dos vitrais são as principais contribuições desse tempo para a história da arquitetura. Os escassos exemplares ainda existentes de móveis, e as pinturas que continham mobiliários bizantinos, românicos e góticos remetem à representação do poder da religião cristã e do imperador, considerado representante de Deus na terra. Um exemplo disso era a ornamentação dos tronos, que também chegava aos móveis residenciais, como as camas e buffets. 5656WWW.UNINGA.BR U N I D A D E 03 SUMÁRIO DA UNIDADE INTRODUÇÃO ........................................................................................................................................................... 57 1 - A IDADE MODERNA ............................................................................................................................................ 58 1.1. RENASCIMENTO .............................................................................................................................................. 58 1.2. MANEIRISMO .................................................................................................................................................... 65 1.3. BARROCO .......................................................................................................................................................... 68 1.4. ROCOCÓ ............................................................................................................................................................. 79 1.5. NEOCLÁSSICO .................................................................................................................................................. 82 2 - CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................................................................. 87 A IDADE MODERNA PROF.A MA. JEANNE CHRISTINE VERSARI FERREIRA SAPATA ENSINO A DISTÂNCIA DISCIPLINA: HISTÓRIA DA ARTE, DA ARQUITETURA E MOBILIÁRIO 57WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA INTRODUÇÃO O período que os historiadores denominam Idade moderna, compreende desde a queda do Império Romano do Oriente, com a tomada de Constantinopla em 1453, até o início da Revolução Francesa em 1789. Esse foi um momento marcado pela transição do feudalismo para o capitalismo e pelo surgimento de diversas formas de manifestações artísticas. Os estados- nacionais começam a surgir apesar de a Igreja Cristã ainda ter forte influência no poder público. Foi na Idade Moderna que a história da civilização mundial passou por muitas transformações, conviveu com a expansão marítima e a descoberta de novos continentes, além da reforma religiosa, e do renascimento. Nesse período que apontamos que os reis absolutistas ascenderam e, como antecedentes da Revolução Francesa, surgiram as ideias iluministas. Nessa unidade, abordamos cinco momentos da história da arte, da arquitetura e do mobiliário: o renascimento, o maneirismo, o barroco, o rococó e o neoclassicismo. 58WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA 1 - A IDADE MODERNA 1.1. Renascimento O Renascimento compreende o período em que a civilização europeia viveu entre os séculos XIV e XVI, um movimento cultural, político, econômico e científico que surge a partir da Itália. O termo “renascimento” representa o reviver de ideais da cultura greco-romana, mas não somente isso aconteceu. Esse foi um período da história com muitas transformações e progressos na arte, na arquitetura e nas ciências. A valorização do homem e da natureza, como oposição ao divino e ao sobrenatural, foi um dos ideais que regeu essa civilização: o humanismo. Portanto, há dois ideais que se manifestam no Renascimento enquanto guias da arte: o humanismo e o classicismo, que buscam a racionalidade do homem como fim. Na pintura e na arquitetura, a descoberta da perspectiva por meio de experiências dos artistas surgiu como uma nova forma de compreender espaço enquanto algo compreensível e controlável através da razão do homem. É em Florença, na Itália, que se atribui o território da revolução renascentista nas artes e na arquitetura, em que os conhecimentos adquiridos durante o período medieval foram aplicados em novas formas, incorporando os elementos da linguagem clássica, mostra Gombrich (1993) e Janson (1989). A arquitetura renascentista criou espaços que fossem compreensíveis em todos os ângulos visuais, buscando a ordem e a disciplina regidas por relações matemáticas. Filippo Brunelleschi foi um dos arquitetos mais importantes desse período. O artista completo, já que além de arquiteto também era pintor e escultor, construiu uma das obras que se tornariam o símbolo dessa época: a cúpula da Catedral de Florença, também conhecida como igreja de Santa Maria del Fiore (Figuras 58 e 59). Destacamos um trecho do historiador Janson (1989) que descreve a inovação que Brunelleschi trouxera: A grande realização de Brunelleschi foi ter construído a cúpula em dois grandes cascos separados (um dentro do outro), engenhosamente ligados de forma a reforçarem-se mutuamente. Como o peso total da estrutura ficava assim mais leve, ele pôde dispensar a maciça e custosa armação de madeira exigida pelo velho método de construção. [...] Todo o seu projeto reflecte um espírito ousado e analítico, que rejeitou sempre as soluções convencionais quando outras melhores podiam ser concebidas. É esta a nova atitude que distingue Brunelleschi dos mestres de pedraria - arquitectos do Gótico, com os seus processos consagrados por antigas práticas. (JANSON, 1989, p.409). 59WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 58 - Cúpula da Catedral de Florença. Brunelleschi (c. 1419). Fonte: Teatri e Musei (2018). Figura 59 - Cúpula da Catedral de Florença em comparação com a do Panteão de Roma. Fonte: Google Images (2018). 60WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA No Renascimento, percebe-se que os arquitetos e artistas se assumem enquanto profissionais independentes, com estilos próprios. É durante esses séculos que protagonizarão no financiamento das artes e monumentos os chamados mecenas, famílias ricas da burguesia que bancavam os artistas e suas obras. Outros importantes arquitetos da época são Leone Battista Alberti e Donnato Bramante. O Palácio Rucellai, em Florença e a Igreja de Santo André, em Mântua ambos projetados por Alberti, nos remetem ao rigor dos arcos e frontões, elementos da arquitetura greco-romana. O rigor matemático da arquitetura era alcançado por exemplo, pela utilização dos cálculos de proporção pela razão áurea (Figuras 60 e 61), segundo Janson (1989). “A proporção áurea, número de ouro, número áureo ou proporção de ouro é uma constante real algébrica irracional denotada pela letra grega φ (em homenagem ao escultor Fídias, que a teria utilizado para conceber o Parthenon e com o valor arredondado a três casas decimais de 1,618” (GIMENEZ, 2011, s.p.). Figura 60 - Palácio Rucellai, Alberti, Florença, (c.1446-1451). Fonte: Google Images (2018). 61WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 61 - Igreja de Santo André, Alberti, Mântua (c.1470). Fonte: Google Images (2018). Na pintura, esse recurso também era utilizado e, como já mencionamos, há um grande avanço na descoberta daperspectiva. Os pintores da época, tal como os arquitetos, desenvolveram- se de forma individualista, assumindo características próprias. No entanto, de modo geral, ao desvendar a perspectiva, os artistas passaram a retratar o espaço e a luz de maneira mais realista com jogos de claro-escuro. Além disso, a nova técnica de pintura a óleo em quadros desvinculados a superfícies de paredes também era recorrente. Os vários os pintores renascentistas, entre os quais se destacam como principais expoentes: Leonardo da Vinci, Rafael Sânzio, Michelangelo, Donatello, Botticelli, entre outros, segundo Janson (1989) e Gombrich (1993). Entre as pinturas de Leonardo da Vinci, as mais conhecidas são “Santa Ceia”, “Anunciação”, “Gioconda”, e “Santana, a Virgem e o Menino”. Da Vinci expressava com intensidade em suas pinturas o jogo de luz, com os elementos dispostos em equilíbrio dentro do espaço perspectivado do quadro, características que davam profundidade às imagens (Figura 62), cita Proença (2009). Já Rafael Sânzio, era o pintor considerado o que melhor expressava os ideais clássicos de beleza renascentistas como harmonia e regularidade das formas e cores, como podes observar em Escola de Atenas (Figura 63), expõe Proença (2009). 62WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 62 - Santa Ceia, Leonardo da Vinci (c.1494-1497). Fonte: Cunha (2018). Figura 63 - Escola de Atenas, Rafael Sânzio (c.1509-1511). Fonte: História das Artes (2017). 63WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA Michelangelo se destacou tanto pela pintura, que tem seu exemplar mais reconhecido como o teto da Capela Sistina, em Roma, como pela escultura e arquitetura. No campo da arquitetura, o artista se insere na transição do Renascimento e do Maneirismo, já que propõe uma subversão do que se colocava como regra na utilização de elementos clássicos. No campo da escultura, as conhecidas obras Davi e a Pietá de Michelangelo representam o ideal perseguido pelos renascentistas: a importância do homem e sua força perante o mundo, com a busca da harmonia, da perfeição, equilíbrio e movimento realístico (Figura 64). Figura 64 - Pietá (c. 1499-1500); Davi (c.1501-1504), Michelangelo. Fonte: Mazzonetto (2017). A produção do mobiliário no Renascimento acontece em meio aos ideais de racionalismo e resquícios de espiritualidade medievais, resultando na incessante busca pelo ornamento. Quanto aos mobiliários renascentistas a partir do século XV: “[...] era abundante em pormenores e tinha grandes dimensões, mas estava ao dispor de poucos” (OATES, 1991, p. 53). Um dos móveis mais prestigiados na época era o cassone, uma espécie de arca/assento utilizada em casamentos. Essas arcas eram construídas de madeira e decoradas com os brasões das famílias e talhas para representa-las nas cerimônias e com painéis pintados por famosos pintores da época retratando cenas variadas, desde santos cristãos à mitologia clássica. Evoluíram posteriormente para a cassapanca, uma versão polida e entalhada, sem pintura e com o acréscimo de braços (Figura 65). 64WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 65- Cassone Nerli e Cassapanca, Florença, final do século XV. Fonte: Google Images (2018). Foi a partir do Renascimento e da ascensão do absolutismo que surgirão os estilos de mobiliários chamados pelos primeiros nomes dos reis, sobretudo na França. No Século XVI, por exemplo, o estilo denominado Henrique IV dominou os interiores franceses. E já na transição entre o Renascimento e o Barroco, o mobiliário estilo Luís XIII surge como desenvolvimento da marcenaria e da marchetaria, buscando o aproveitamento da madeira (Figura 66). [..] com o estilo denominado Henrique IV, cujos móveis, tratados como autênticos edifícios, são formados por complexas molduras, colunas e pilastras, que delimitam uma série de nichos, conchas, tampos finamente ornamentados com entalhados de difícil elaboração. [...] Os móveis de assento do estilo Luís XIII distinguem-se pelos ângulos retos e pelo apoio sobre pernas torneadas, geralmente em forma de rosário (esferas sobrepostas) ou de balaústre. Aparecem nesta época também os escabelos e tamboretes, de dimensões mais reduzidas (GALVÃO, 2018, p.7). Figura 66 - Assento estilo Luís XIII, Florença, século XVI. Fonte: História e estilo do mobiliário (2018). 65WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA 1.2. Maneirismo O Maneirismo é apontado por alguns historiadores como uma transição entre o Renascimento e o Barroco, sendo que outros acreditam que ele seja um estilo próprio. Independente de considerarmos um argumento ou outro, no período entre cerca de 1520 e 1600 o chamado cinquecento, os movimentos artísticos começam a se distanciar dos modelos da antiguidade clássica, confrontando os ideais tão venerados pelos renascentistas e que então se tornaram decadentes. Esse foi um momento em que o antigo continente sofrera com os movimentos religiosos reformistas e a consolidação dos reis absolutistas. Na arquitetura, como apontamos, Michelangelo foi um dos primeiros artistas que se manifestou por vezes em abandonar as convenções greco-romanas, para criar suas próprias formas, buscando novas formas de expressão. Outros arquitetos atuantes nesse período, entre os quais destacamos Andrea Palladio, Giorgio Vasari, Giulio Romano, Giacomo Vignola e Giacomo dela Porta, buscaram novidades para além das referências clássicas, como novos elementos e ornamentos. Se antes, na alta renascença, o que regia a arquitetura era o equilíbrio e a harmonia, no maneirismo seria o desequilíbrio e a dissonância, mostra Pevsner (1982). Na obra-prima de Michelangelo na arquitetura, a parte posterior e o domo da Catedral de São Pedro, no Vaticano, já se percebem algumas tímidas características subversivas ao estilo clássico (Figura 67): Figura 67 - Plano para o término de São Pedro, Michelangelo (1546). Fonte: Pevsner (1982). 66WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA Miguel Ângelo voltou ao plano central, mas despojou-o do equilíbrio opressor. Manteve os braços da cruz grega mas, ali onde Bramante havia pretendido colocar subcentros que repetiam, em escala menor, o motivo do centro principal, Miguel Ângelo cortou os braços dos subcentros, com isso condensando a composição num núcleo domo central colocado sobre pilares (que Bramante teria recusado por ser colossal, isto é, inumano), e com um deambulatório quadrado em volta desse centro (PEVSNER, 1982, p. 217-218). A igreja de Il Gesù, em Roma, que teve o início de sua construção em 1568 por Giacomo Vignola e depois finalizada sua fachada por Giacomo dela Porta representa claramente as novas características que buscavam se afastar dos ideais greco-romanos. Sua planta combina o esquema central renascentista e o esquema longitudinal medieval. Sua fachada e seu interior recebem ornamentos que serão percussores da arquitetura barroca, tais como as volutas, as curvas laterais da fachada abaixo do frontão, cita Pevsner (1982) e Janson (1989) (Figuras 68 e 69). Figura 68 - Fachada Igreja de Il Gesù, Roma, 1568. Fonte: Google Images (2018). 67WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 69 - Fachada Igreja de Il Gesù, Roma, 1568. Fonte: Google Images (2018). Na pintura, os artistas buscam deformar a realidade, se afastando dos pintores renascentistas. Compunham formas esguias e alongadas amontoadas em espaços pequenos e com expressões melancólicas. Buscavam recursos de ilusão de ótica e múltiplosplanos. Entre os pintores destacamos o trabalho de Domenico Theotocopoulos, mais conhecido como El Greco, bem como Parmigianino, Tintoretto (Figura 70) e Bronzino, segundo Janson (1989). 68WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 70 - A última ceia, Tintoreto, 1592-1594. Fonte: Pevsner (1982). 1.3. Barroco Barroco é o termo utilizado para denominar o estilo dominante nas manifestações artísticas que surgiram na Itália a partir do século XVII e que perduraram até a primeira metade do século XVIII, expandindo-se rapidamente para outros países. Se no maneirismo há uma busca pela subversão dos conceitos clássicos e novas perspectivas artísticas, é no barroco que isso se consolidará como uma nova concepção de espaço. O contexto da época era de conflitos religiosos e consolidação do absolutismo. A Reforma Protestante foi um movimento religioso que teve início na Alemanha e que se expandiu para muitos outros países e, para além de questões de fé, favoreceu o surgimento de Estados nacionais e reis absolutistas, já que propunha a libertação da nação da submissão ao cristianismo e ao governo do papado. A Contrarreforma, foi o movimento contrário, conduzido pela Igreja católica que, com uma série de ordens religiosas para propagar a religião, como a Companhia de Jesus, o catolicismo retoma sua hegemonia. Nesse contexto, a arte novamente se torna um meio de propagar a religião, mas também o poder absoluto dos reis, conforme Proença (2009) e Janson (1989). Historiadores apontam que Michelangelo já havia sido um precursor da arte barroca, tanto no campo da pintura, mas também da arquitetura, no seu projeto para a cúpula da basílica de São Pedro que vimos no item anterior. 69WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 71 - Vocação de São Mateus, Caravaggio, 1599. Fonte: Proença (2009). Destacam-se também no período barroco as pinturas dos tetos das igrejas. Geralmente eram retratadas ilusões de ótica com a continuação das pilastras e uma abertura ao céu que davam uma sensação de profundidade às pinturas, tal como na Igreja de Santo Inácio em Roma, com o afresco de Andrea Pozzo (Figura 72). Essas pinturas são comumente encontradas nas igrejas representantes do barroco brasileiro, entre as quais podem ser representadas pela pintura de Manuel da Costa Ataíde, em especial a Assunção de Nossa Senhora retratada no século XVIII no teto da Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto (Figura 73). 70WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 72 - A Glória de Santo Inácio, Pozzo, Roma, 1691-1694. Fonte: Proença (2009). 71WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 73 - Assunção de Nossa Senhora, Ataíde, séc XVIII, Ouro Preto. Fonte: Turismo Ouro Preto (2016). 72WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA A escultura barroca, em contraponto com o equilíbrio e da harmonia renascentista, dá lugar aos sentimentos expressados na sua mais profunda forma, atingindo uma dramaticidade jamais alcançada. Há o predomínio de linhas curvas, drapeados e uso de adornos dourados, segundo Proença (2009). Um dos mais reconhecidos escultores barrocos era Bernini. Sem dúvida ele foi um dos mais importantes artistas da época, já que também era arquiteto, decorador e pintor. O Baldaquino elaborado para a Catedral de São Pedro e construído entre 1624 e 1633 (Figura 74), bem como a escultura “Êxtase de Santa Teresa” elaborada para a Capela Cornaro de Santa Maria della Vittoria, em Roma, expressam com clareza as características que apontamos para a escultura barroca (Figura 75). Figura 74 - Baldaquino da Catedral de São Pedro, Bernini, (1624-1633), Roma. Fonte: Bronson (2014). 73WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 75 - Êxtase de Santa Teresa, Bernini, (1645-1652), Capela Cornaro, Santa Maria dela Vittoria, Roma. Fonte: Bronson (2014). 74WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA A arquitetura italiana barroca teve seu apogeu em Roma entre 1630 e 1670, e se expandiu, a partir desse período, para o norte da Itália e depois para outros países, como Espanha, Portugal, Alemanha, Áustria e, na França, assumiu como estilo dos reis absolutistas. No Brasil, podemos observar exemplares barrocos a partir do século XVII com características próprias e um pouco distantes do barroco italiano original, explorando os materiais regionais. Os artistas barrocos insistem nos efeitos decorativos na arquitetura e, para além de reavaliar os antigos padrões clássicos, criaram uma nova concepção espacial. Colunas contorcidas e espirais, sinuosidades, contrastes de luz entre cheios e vazios e uso de elementos dourados são as principais características, segundo Gombrich (1993) e Proença (2009). Podemos observar tais características ao observar a Igreja de Santa Inês, na Praça Navona em Roma, uma típica igreja barroca construída pelo arquiteto Francesco Borromini e concluída em 1663. Apesar de seu exterior ainda contemplar formas renascentistas, há detalhes acrescentados, como pilastras duplicadas e outros motivos decorativos (Figura 76). Seu interior é construído nos mínimos detalhes, repleto de motivos decorativos e molduras douradas com cheios e vazios configurados pelas capelas (Figuras 77 e 78). Figura 76 - Igreja de Santa Inês, Borromini, Roma. Fonte: Baltazar (2013). 75WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 77 - Interior da Igreja de Santa Inês, Borromini, Roma. Fonte: Google Images (2018). Figura 78 - Interior da Igreja de Santa Inês, Borromini, Roma. Fonte: Pevsner (1982). 76WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA No período barroco europeu, os arquitetos passam a se preocupar com o entorno dos edifícios e seu empraçamento, tal como a Praça da Basílica de São Pedro, no Vaticano, uma das obras mais importantes da história da arquitetura desenhada por Bernini no século XVII (Figura 79), e também como podemos observar na arquitetura absolutista francesa do Rei Luís XIV, no Palácio de Versalhes e seus jardins (Figura 80), informa Gombrich (1993). Figura 79 - Praça da Basílica de São Pedro, Bernini, Vaticano. Fonte: O autor. Figura 80 - Palácio de Versalhes, França. Fonte: Google Images (2018). 77WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA No período barroco, destacamos os seguintes estilos de mobiliário (Tabela 1). ESTILO Luís XIV Restauração Guilherme e Maria CARACTERISTICAS Amplas dimensões, suntuosidade e simetria. Uso da madeira nogueira com acabamentos em dourado ou natural. Estruturas com linhas em forma de “S” e travessas em forma de “H”, cruzando-se em forma de “X”. Ornamentos entalhados em madeira e marchetaria. Temas decorativos: franjas, pregas, faixas, lambrequins, relacionados à guerra, folhagens, origem animal, origem humana ou antropomórfica e geométricos. Formas semelhantes ao estilo Luís XIII. Pés torneados e em volutas. Ornamentos com esculturas, colunas ou ramagens e com frequência utilizavam palhas. Características que remetem ao estilo renascentista italiano. Pés em forma de esfera achatada ou bolas torneadas e unidas por travessões recurvados. Móveis com numerosasgavetas, envidraçados e com cornijas emolduradas e ornamentadas. TIPOS USUAIS Assentos (tamboretes, cadeirão em confessional, ambos estofados). Mesas (de escritório, mazarino). Camas com baldaquinos (à quenouilles, d’ange e à la duchesse). Armários. Assentos (chaise- longue, cadeirão estofado). Mesas. Armários. Cômodas. Mesas (Escrivaninhas). Vitrines EXEMPLO 78WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA Rainha Ana Simplificação do mobiliário, preferência da forma sobre a ornamentação, apesar de ainda utilizarem os pés dos móveis torneados, além de frontões e volutas. Modelos de maior comodidade e simplicidade. Formas enquadradas em curvas ligeiras e proporções. Supressão de motivos decorativos. Pernas cabriolet (garras de águia). Utilização de laca em armários, escrivaninhas, vitrines e mesas de escritório com fundos vermelhos, verdes ou pretos. Assentos. Mesas. Armários. Vitrines. Quais são as principais diferenças da arte produzida no período do renascimento e no barroco? As principais diferenças estão relacionadas ao humanismo, racio- nalismo em contraponto com a espiritualidade e religiosidade. Para aprofundar sobre as características da arquitetura barroca, leia: PEVSNER, N. Panorama da arquitetura ocidental. Martins Fontes: São Paulo, 1982. Se você quer saber mais sobre a arte barroca no Brasil, assista ao vídeo: HISTÓRIA DO BRASIL: O BARROCO. Disponível em: <https://youtu.be/F7FEbj9jmts>. Acesso em: 07 ago. 2018. Tabela 1 - Estilos do mobiliário barroco. Fonte: Gomez, 2012; Galvão, 2018; Roza, 2018. 79WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA 1.4. Rococó O Estilo Rococó é visto por muitos historiadores como uma variação requintada da arte barroca, quando há uma exaltação dos motivos decorativos. Ele teve início na França, no século XVIII difundindo-se pela Europa como um todo. Segundo Proença (2009) o Rococó foi introduzido no Brasil pelos colonizadores portugueses e se manifestou pelo mobiliário no “estilo Dom João V”. Em meio a um governo autoritário de Luís XIV a França viveu um período mais clássico nas artes e, quando esse rei veio a morrer em 1715, a corte mudou-se de Paris para Versalhes. A partir desse período, a sociedade aristocrata passou a investir em artistas para produzirem obras para os espaços internos de suas casas, bem como objetos de uso doméstico, conforme Proença (2009). Na arquitetura, o estilo rococó foi aplicado sobretudo nos espaços interiores, que recebiam exuberantes ornamentações, tais como paredes cobertas com pinturas de cores claras e suaves e motivos florais de estuque. Já as fachadas dos edifícios são produzidas sem exageros, com elementos mais clássicos ao estilo renascentista italiano. Um exemplo é o Petit Trianon construído no Palácio de Versalhes entre 1762 e 1768 por Jacques-Ange Gabriel, explica Janson (1989) e Proença (2009) (Figuras 81 e 82). Figura 81 - Fachada Petit Trianon, Jacques-Ange Gabriel, (1762-1768), França. Fonte: Château de Versail- les (2018). 80WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 82 - Interior Petit Trianon, Jacques-Ange Gabriel, (1762-1768), França. Fonte: Château de Versailles (2018). No período rococó, destacamos os seguintes estilos de mobiliário (Tabela 2): ESTILO Regência CARACTERISTICAS Falta de simetria, formas torneadas arredondadas e suavizadas. Móveis mais funcionais, além de belos. Motivos decorativos: concha assimétrica, motivos chineses, vegetais e animais. TIPOS USUAIS Assentos (cadeira de braços - bergére e chaise- longue). Mesas (escrivaninha). EXEMPLO 81WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA Luís XV Chippen- dale Móveis mais leves e baixos. Pés com patas de animais ou com cubos e volutas. Motivos decorativos: Conchas recortadas ou perfuradas, flores estilizadas entre outros temas orientais. Ornamentação ligada não à acréscimos mas são esculturas próprias dos móveis. Motivos decorativos: chineses, góticos, geométricos, conchas, folhas, máscaras, patas de leão, garras e esculturas. Assentos. Cômodas. Consoles. Assentos. Camas. 82WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA Dom João V Dom José I Influências no móvel brasileiro. Utilização de madeiras muito escuras e enceradas como pau- santo, pau-preto, nogueira e castanho. Entalhes que substituem os tornos, encurvamento das linhas acentuado. Estofados de veludo e seda. Motivos decorativos: conchas, folhas, volutas, ferragens de bronze. Simplificação do mobiliário produzido anteriormente. Madeiras de cor escura e enceradas com folheados. Motivos decorativos: ornamentos embutidos em cores, estrias e veios da madeira. Assentos. Cômodas. Mesas. Assentos (de fitas e laços entrelaçados e cabriolet). Cômodas (cômodas- papeleiras). Camas. Tabela 2 - Estilos do mobiliário rococó. Fonte: Gomez (2012); Galvão (2018); Roza (2018). 1.5. Neoclássico O movimento neoclássico se desenvolve primeiramente nos países na Europa na transição dos períodos denominados pelos historiadores como Idade Moderna para a Idade Contemporânea. Esse novo espírito historicista da arte se desenvolveu entre as últimas décadas do século XVIII e as três primeiras do século XIX. Durante esse período, há muitos fatos importantes na história mundial. Um deles foi a Revolução Francesa em que, a partir de 1789 a burguesia, guiada pelo espírito iluminista de autores como Voltaire, Montesquieu, Rousseau e Adam Smith, questionou os poderes monárquicos absolutistas. O ano de 1979, a tomada da prisão da Bastilha, em Paris também marca o início da Idade que os historiadores chamam de Contemporânea e, por isso, comentamos que o neoclassicismo se desenvolve na transição da Idade Moderna para a Contemporânea. 83WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA O Neoclassicismo, ou ainda, o academicismo, propôs o retorno aos elementos clássicos greco-romanos nas academias. Para a arte neoclássica ser bela deveria seguir rigorosamente as formas dos artistas gregos e renascentistas italianos. O trabalho de imitação das formas greco- romanas nas academias de belas-artes exigiu técnicas e convenções rigorosas, e que se expressaram sobretudo na pintura e na arquitetura, sendo questionadas posteriormente pela arte modernista, segundo Proença (2009). Começa a surgir a ideia de que a cidade, não sendo mais patrimônio do clero e das grandes famílias, mas instrumento pelo qual uma sociedade realiza e expressa seu ideal de progresso, deve ter um asseio e um aspecto racionais. A técnica dos arquitetos e engenheiros deve estar a serviço da coletividade para realizar grandes obras públicas. Os pintores, também eles com os olhos postos na “perfeição” do antigo, parecem preocupados sobretudo em demonstrar sua modernidade e a socialidade da pessoa; aos quadros mitológicos, em que projetam na evocação do antigo da “sensibilidade” moderna, e aos quadros históricos, em que refletem seus ideais civis. (ARGAN, 2008, p. 22). Portanto, na arquitetura neoclássica, as construções civis e as religiosas, foram construídas seguindo o modelo dos templos greco-romanos e das edificações do Renascimento italiano. Um dos exemplos dessa arquitetura é a igreja de Santa Genoveva, projetada por Jacques-Germain Soufflot em 1756 e transformada depois no Panteão Nacional, em Paris. A planta desse edifício tem forma de uma cruz grega, com um pórtico de seis colunas e um frontão com esculturas (Figuras 83 e 84), cita Proença(2009). Figura 83 - Panteão de Paris, Jacques-Germain Soufflot (c.1764-1790), França. Fonte: Google Images (2018). 84WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 84 - Panteão de Paris, Jacques-Germain Soufflot (c.1764-1790), França. Fonte: Commons, 2006. Inspirados principalmente em Rafael Sânzio e nas descobertas arqueológicas das cidades de Herculano e Pompéia, os pintores neoclássicos buscaram o formalismo e a harmonia na composição, refletindo o racionalismo clássico, com exatidão nos contornos. Entre os temas retratados, percebe-se que há uma maior liberdade na representação de corpos nus, inclusive femininos. Um dos maiores representantes da pintura neoclássica é Jacques-Louis David, uma de suas obras mais conhecidas é Napoleão cruzando os Alpes (Figura 85). Outro pintor reconhecido é Jean Auguste Dominique Ingres, pintor de Banhista de Valpinçon (Figura 86). 85WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 85 - Napoleão cruzando os Alpes, Jacques-Louis David (c.1801-1805), França. Fonte: Musées Na- tionaux (2018). Figura 86 - Banhista de Valpinçon, Ingres (c.1808), França. Fonte: Louvre (2018). 86WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA ESTILO Luís XVI CARACTERISTICAS Pernas dos assentos são bastante característicos - pernas anteriores direitas e estriadas, e posteriores inclinadas para trás. Motivos decorativos: grinaldas de flores, pilastras arquitetônicas, medalhões ovais com faixas, rostos de mulheres e crianças, repetições lineares de elementos clássicos como nós, corações, folhas, flores etc. TIPOS USUAIS Assentos (bergères). Mesas (mesas de secretária). Cômodas (chiffonier). Camas (cama à francesa) EXEMPLO Dos mobiliários produzidos no período neoclássico, destacamos os seguintes estilos (Tabela 3): Adam Hepplewhite Estrutura rigorosa e em proporções, com escassas linhas curvas, que são clássicas e geométricas. Móveis simples e utilitários. Pernas cônicas ou torneadas. Utilização da madeira de mogno. Ornamentação em leque. Motivos decorativos: grinaldas gregas ou formas geométricas. Semelhante ao Adam nos materiais, estrutura e ornamentação, porém com desenhos mais delicados. Encostos dos assentos em coração e em escudo. Motivos decorativos: entalhes de faixas entrelaçadas, hastes e plumas esculpidas. Assentos. Mesas (circulares). Assentos (cadeirões). Mesas (ovais). Consoles. 87WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA Carlos IV Em muitos casos, a fiel transposição do estilo Luís XVI para a Espanha. Introdução de lacas e marchetarias. Sofás com linhas retas. Assentos (peineta, cadeirões). Sofás. Tabela 3 - Estilos do mobiliário neoclássico. Fonte: Abalarte (2018); Galvão (2018); Louvre (2018); Met Museum (2018). 2 - CONSIDERAÇÕES FINAIS Nessa terceira unidade estudamos as manifestações artísticas no período que os historiadores denominam como Idade Moderna. Estudamos sobre a arte renascentista, a maneirista, a barroca, o estio rococó e a arte neoclássica. Sobre a arte renascentista, aprendemos que os artistas se inspiraram na antiguidade clássica, retomando elementos greco-romanos e a racionalidade do homem. Os ideais perseguidos eram do humanismo e classicismo. Uma das maiores contribuições da arte renascentista foi a descoberta da perspectiva e, por consequência, da profundidade. A ideia medieval de frontalidade e planos retos e bidimensionais foram superadas e avançou-se muito em todos os campos artísticos, tanto na arquitetura, como na escultura e na pintura. A arte maneirista, uma transição da arte renascentista para a barroca, começou a se distanciar dos elementos clássicos gregos e romanos para se tornar mais livre nas formas arquitetônicas e nas outras manifestações artísticas. A deformação da realidade, por exemplo, afastou os pintores maneiristas dos renascentistas. A arte barroca se consolidará como uma subversão aos conceitos clássicos como uma nova concepção do espaço, tanto na arquitetura como na pintura e na escultura. O predomínio dos jogos de claro-escuro e contrastes e composições assimétricas com diretrizes diagonais eram as principais características da pintura barroca. Na arquitetura, há a constante utilização de cheios e vazios, colunas retorcidas e sinuosidades nos interiores de templos e das construções dos reis absolutistas. O rococó foi um estilo que se configurou como uma variação rebuscada da arquitetura barroca que se manifestou sobretudo nos espaços interiores franceses. Os mobiliários refletiam a ornamentação exagerada dos estabelecimentos internos. O movimento neoclássico, de caráter historicista, retomou elementos clássicos greco- romanos em normativas rigorosas ensinadas nas academias de belas-artes europeias. 8888WWW.UNINGA.BR U N I D A D E 04 SUMÁRIO DA UNIDADE INTRODUÇÃO ........................................................................................................................................................... 90 1 - AS MANIFESTAÇÕES ARTÍSTICAS NO SÉCULO XIX ....................................................................................... 91 1.1. ROMANTISMO .................................................................................................................................................... 91 1.2. REALISMO ........................................................................................................................................................ 93 1.3. IMPRESSIONISMO ........................................................................................................................................... 95 1.4. PÓS-IMPRESSIONISMO .................................................................................................................................. 97 1.4.1. NEOIMPRESSIONISMO ................................................................................................................................. 97 1.4.2. SIMBOLISMO ................................................................................................................................................. 98 1.4.3. O AUGE PÓS-IMPRESSIONISTA .................................................................................................................. 99 2 - A ARQUITETURA E O DESIGN NO FINAL DO SÉCULO XIX E INÍCIO DO SÉCULO XX ............................... 102 2.1. NEOGÓTICO ..................................................................................................................................................... 102 A IDADE CONTEMPORÂNEA PROF.A MA. JEANNE CHRISTINE VERSARI FERREIRA SAPATA ENSINO A DISTÂNCIA DISCIPLINA: HISTÓRIA DA ARTE, DA ARQUITETURA E MOBILIÁRIO 89WWW.UNINGA.BR 2.2. ARTS AND CRAFTS ........................................................................................................................................ 104 2.3. ART NOUVEAU ................................................................................................................................................ 108 2.4. O MOVIMENTO MODERNISTA CATALÃO ...................................................................................................... 111 3 - AS VANGUARDAS E MOVIMENTOS ARTÍSTICOS NO SÉCULO XX .............................................................. 112 3.1. EXPRESSIONISMO .......................................................................................................................................... 113 3.2. FAUVISMO ........................................................................................................................................................ 115 3.3. CUBISMO......................................................................................................................................................... 116 3.4. ABSTRACIONISMO ......................................................................................................................................... 119 3.5. FUTURISMO .................................................................................................................................................... 120 3.6. DADAÍSMO ....................................................................................................................................................... 122 3.7. SURREALISMO ................................................................................................................................................ 124 3.8. ARTE POP ........................................................................................................................................................ 125 3.9. ARTE OP .......................................................................................................................................................... 126 4 - A ARQUITETURA E O DESIGN NO SÉCULO XX .............................................................................................. 128 4.1. PURISMO ........................................................................................................................................................ 128 4.2. DE STIJL ........................................................................................................................................................... 134 4.3. BAUHAUS ........................................................................................................................................................ 136 4.4. ORGANICISMO ................................................................................................................................................ 139 4.5. PÓS-MODERNISMO ....................................................................................................................................... 144 5 - CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................................................ 149 90WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA INTRODUÇÃO A Idade contemporânea é o período artístico denominado pelos historiadores que tem início na Revolução Francesa em 1789 e se estende até os dias atuais. O final do século XVIII e início do século XIX foi uma era de transformações profundas na sociedade, devido ao advento da Revolução Industrial e a expansão do capitalismo enquanto modo de produção mundial principal. Foram muitos os avanços tecnológicos que mudaram radicalmente as manifestações artísticas durante esses séculos, se destacando os movimentos da arte modernista. Tendo em vista o fato de que nesse período foram muitos os estilos e formas de abordagem da arte e da arquitetura em diversas partes do mundo, estudamos nessa unidade de uma forma sistematizada quais foram as principais características, artistas e obras das pinturas, esculturas, arquiteturas e mobiliários desse período. Sobre a vastidão de temas da arte nesse período que abordamos, Argan (1992 p. 73) aponta que “[...] o estudo da arte contemporânea é quase uma disciplina autônoma em relação à arte antiga: impõe pesquisas diferentes e mais articuladas, outros instrumentos, outros locais de pesquisa, se não outras metodologias”. As manifestações artísticas organizadas em linhas do tempo da arte e da arquitetura por vezes se coincidem, mas por outras não, ou seja, um movimento pode se manifestar somente na pintura, ou na arquitetura por exemplo, ou ainda em ambas incluindo outras formas artísticas. Portanto, elencamos dos vários momentos da história, a partir de referências de vários autores, tais como Dempsey (2005) e Argan (2008), os estilos, movimentos e escolas que consideramos importantes para compreender a arte produzida na idade contemporânea. 91WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA 1 - AS MANIFESTAÇÕES ARTÍSTICAS NO SÉCULO XIX 1.1. Romantismo • A origem: Europa entre 1820 e 1850. • O contexto histórico: Surge como a primeira reação ao neoclassicismo, com a retomada de elementos da arte cristã da Idade Média, como por exemplo o Românico e o Gótico, bem como elementos barrocos. • Principais características: Pinturas com composições em diagonal, instabilidade, dinamismo e realismo. Cores e contrastes de claro-escuro são novamente utilizadas, retomando os efeitos dramáticos e de sentimentos dos corpos retratados. Os temas mais recorrentes eram fatos reais da história e paisagens naturais (PROENÇA, 2009). • Principais artistas e algumas obras: Francisco José Goya, Os fuzilamentos de 3 de maio de 1808 (Figura 87); Eugène Delacroix, Liberdade Guiando o Povo (Figura 88); Joseph Mallord William Turner, O Grande Canal (Figura 89). Figura 87 - Os fuzilamentos de 3 de maio de 1808, Goya (1814-1815) Fonte: Proença (2009). 92WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 88 - Liberdade Guiando o Povo, Goya (1830). Fonte: Proença (2009). Figura 89 - O Grande Canal, Turner (1835). Fonte: Met Museum (2018). 93WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA 1.2. Realismo • A origem: Europa, sobretudo na França, entre 1850 e 1900. • O contexto histórico: A Revolução Industrial, e com ela o desenvolvimento tecnológico e científico fez com que o homem dominasse a observação da natureza, portanto, novos ideais estéticos de realismo manifestaram-se em vários campos das artes. • Principais características: Esculturas que representavam fielmente as expressões humanas e com temas políticos em suas obras. As pinturas deveriam ser representadas com objetividade científica, revelando os aspectos mais expressivos da realidade, portanto, os temas retratados eram reais e não mais mitológicos ou bíblicos, históricos, afirma Proença (2009). • Principais artistas e algumas obras: Auguste Rodin com as esculturas A Idade do Bronze e O Pensador (Figura 91); Gustave Courbet, com as pinturas Moças Peneirando Trigo; Édouard Manet, com Almoço na Relva (Figura 90). Figura 90 - Almoço na relva, Manet, (1863). Fonte: Musée d’Orsay (2018). 94WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 91 - O Pensador, Rodin (1903) Fonte: Musée Rodin (2018). 95WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA 1.3. Impressionismo • A origem: Paris, em 1874, em uma exposição de um grupo de jovens artistas, denominado “Société Anonyme des Artistes Peintres, Sculpteurs, Graveurs, etc”, e traduzindo, “Sociedade Anônima dos Artistas Pintores, Escultores, Gravuristas, etc” no estúdio do fotógrafo Félix Nadar. • O contexto histórico: Os artistas do grupo que expôs no ano de 1874 rejeitavam o establishment, ou ainda o poder hegemônico da arte e o monopólio das exposições que aconteciam em Paris. Assim, promoveram uma exposição independente, sendo modelo para os vanguardistas do século XX, segundo Dempsey (2005) • Principais características: Incorporação de novas técnicas, teorias, práticas e uma maior variedade de temas retratados. Os pintores buscavam captar a impressão visual de cada cena, pintura instantânea, com o que o olho via, e não o conhecimento das formas pelo artista, incluindo, por exemplo, os jogos de luz e cores da natureza. Rejeição do ponto de fuga único, em favor da perspectiva natural.Uso de cores complementares puras. O impacto causado pelo impressionismo não pode ser subestimando. Suas ações e experimentos simbolizaram a rejeição às tradições artísticas e aos julgamentos de valor da crítica. Os futuros movimentos de vanguarda seguiriam seu exemplo e defenderiam a liberdade artística e a inovação. Ao pintar a “visão” - não aquilo que se enxerga, mas o que significa ver - eles foram os arautos do modernismo, iniciando um processo que revolucionaria o conceito e a percepção do objeto artístico. (DEMPSEY, 2005, p. 18). • Principais artistas e algumas obras: Claude Monet, com as pinturas Impressão, nascer do sol (Figura 92), série Catedral de Rouen; Pierre Auguste Renoir, com O Baile no Moulin de la Galantte (Figura 93), Rosa e Azul; Edgar Degas, com Aula de dança, O Absinto; Paul Cézanne com A casa do enforcado em Auvers. No Brasil, temos Eliseu Visconti como representante, uma de suas obras é Moça no Trigal (Figura 94). Figura 92 - Impressão, nascer do sol, Monet (1872) Fonte: Musée Marmottan Monet (2018). 96WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 93 - O Baile no Moulin de la Galantte, Renoir (1876) Fonte: Musée d’Orsay (2018). Figura 94 - Moça no Trigal, Eliseu Visconti (1913-1916) Fonte: Enciclopédia Itaú Cultural (2018). 97WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA 1.4. Pós-Impressionismo Uma série de manifestações artísticas que propõem uma evolução do impressionismo e revisão de suas técnicas e temas retratados sobretudo na pintura. 1.4.1. Neoimpressionismo • A origem: França, a partir da década de 1880. • O contexto histórico: “No começo da década de 1880 muitos impressionistas eram de opinião que o impressionismo tinha ido longe demais ao desmaterializar o objeto, tornando-se por demais efêmero” (DEMPSEY, 2005, p. 27). • Principais características: Reconstituição dos objetos que os impressionistas haviam desmaterializado, mas continuando a utilizar a luminosidade impressionista. Aperfeiçoamento das técnicas para representar a luminosidade, que será não pela mistura das tintas no quadro, mas pela aproximação de pequenos pontos coloridos que criam tons e criando efeitos ópticos. Tal técnica ficou conhecida como “pontilhismo” ou “divisionismo”, afirma Dempsey (2005) e Argan (2008). • Principais artistas e algumas obras: George Seurat, Os banhistas em Asnières, Tarde de domingo na ilha de La Grande Jatte (Figura 95); Paul Signac, Entrada do porto de Marselha, Retrato de Félix Fénéon. Figura 95 - Tarde de domingo na ilha de La Grande Jatte, Seurat, (1883-1886). Fonte: Art Institute Chicago (2018). 98WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA 1.4.2. Simbolismo • A origem: França, a partir de 1886, com o manifesto elaborado pelo poeta Jean Moréas. • O contexto histórico: Reação contra o naturalismo associado ao impressionismo e ao realismo, questionando o fato de que a pintura deveria ser dirigida somente às coisas reais e existentes. • Principais características: Na pintura simbolista, há a representação de valores transcendentes, para além de sensações visuais. Retorno dos temas do espiritualismo e da mitologia, segundo Dempsey (2005) e Argan (2008). • Principais artistas e algumas obras: Gustave Moreau, com A aparição (Figura 96); Pierre Puvis de Chavannes com A guerra e a paz; Odilon Redon, Orfeu, Nascimento de Vênus. Figura 96 - A aparição, Moreau. (sem data) Fonte: Musée National Gustave Moreau (2018). 99WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA 1.4.3. O auge pós-impressionista • Principais características: O auge da nova linguagem estética na pintura, é baseada no uso intenso das cores e formas geométricas simples, contornos definidos e predomínio das representações bidimensionais, segundo Dempsey (2005) e Argan (2008). • Principais artistas e algumas obras: Paul Cézanne, com A montanha de Sainte-Victoire (Figura 97), Madame Cézane; Paul Gauguin com Jacó e o Anjo, Jovens Taitianas com Flores de Manga, Te tamari no atua, Natividade (Figura 98); Vincent van Gogh, com Auto-retrato (Figura 99), Os Girassóis (Figura 100), Os comedores de batata; Henri de Toulouse-Lautrec, com Ivette Guilbert que Saúda o Público, A toalete (Figura 101) entre muitas outras. Figura 97 - A montanha de Sainte-Victoire, Cézanne (1902-1904). Fonte: Dempsey (2005). 100WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 98 - Te tamari no atua, Gauguin (1896) Fonte: Die Pinakotheken (2018). Figura 99 - Auto-retrato, Van Gogh (1889) Fonte: Musée d’Orsay (2018). 101WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 100 - Os girassóis, Van Gogh (1888) Fonte: Die Pinakotheken (2018). Figura 101 - A toalete, Toulouse-Lautrec (1889) Fonte: Musée d’Orsay (2018). 102WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA 2 - A ARQUITETURA E O DESIGN NO FINAL DO SÉCULO XIX E INÍCIO DO SÉCULO XX Até meados do século XIX, o movimento neoclássico ainda estava presente na arquitetura e no design. No entanto, ainda a partir da segunda metade do século XVIII e no século XIX, as inovações trazidas pela Revolução Industrial e as transformações em geral da sociedade resultaram em outros movimentos: neogótico, Arts and Crafts, Art Nouveau e Modernismo Catalão que caracterizaremos brevemente a seguir. 2.1. Neogótico • A origem: Inglaterra, meados do século XVIII e século XIX. • O contexto histórico: O revivalismo da arquitetura gótica está relacionada com o despertar da igreja anglo-católica e a busca pelos elementos góticos medievais, em contraponto com os neoclássicos das academias. Tangencia com o movimento do romantismo histórico nas suas diversas manifestações na pintura. O advento da indústria e da possibilidade de fabricação das peças construtivas repercutirá no estilo revivalista neogótico. • Principais características: Na arquitetura neogótica, observamos a superação dos elementos clássicos copiados pelo neoclassicismo, e repertório voltado às técnicas e aos elementos góticos medievais, que auxiliarão inclusive no restauro de edifícios antigos. As estruturas góticas racionalizadas terão suas seções reduzidas ao mínimo, com o uso do ferro e do vidro. No design as características góticas também serão retomadas no século XIX, por exemplo com o estilo “gótico regência” (ARGAN, 2008). • Principais artistas e algumas obras: François-Christian Gau, com o edifício Basílica de Sainte-Clotilde em Paris (Figura 102); Augustus Pugin & Charles Barry, com a expansão do Palácio da Câmara dos Comuns e Torre do Relógio (Figura 103), o Parlamento Inglês em Londres; Viollet-le-Duc, com o restauro de muitos edifícios góticos, entre os quais a Sainte Chapelle. No Brasil, um dos exemplares mais conhecidos é a Catedral da Sé, em São Paulo, projetada pelo alemão Maximilian Emil Hehl (Figura 104). 103WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 102 - Basílica de Sainte-Clotilde, Paris (c. 1846- 1857). Fonte: Google Images (2018). Figura 103 - Palácio da Câmara dos Comuns e Torre do Relógio, Londres, (final séc. XIX) Fonte: Google Images (2018). Figura 104 - Catedral da Sé, São Paulo (1913-1967) Fonte: Google Images (2018). 104WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA 2.2. Arts and Crafts • A origem: O Arts and Crafts,ou “Movimento de Artes e Ofícios” foi um movimento que teve início na Inglaterra, na segunda metade do século XIX. • O contexto histórico: Diante da crescente industrialização e mecanização dos objetos e da vida cotidiana, os artistas, arquitetos, designers, escritores e artesãos buscaram retomar a importância de suas artes e da qualidade, ao invés da quantidade. Foi um movimento precursor do Art Nouveau. • Principais características: Baseados nas ideias do crítico de arte John Ruskin e de Augustus W. Northmore Pugin, os artistas do Arts and Crafts formaram a base teórica do movimento. Liderados por William Morris, criaram sociedades e associações operárias que elaboraram objetos de design e decoração, tais como papeis de parede, vidros, mobiliário, estampas de tecido e objetos em geral. Na busca de elevar o status do artesão, utilizavam materiais e tradições vernaculares. • Principais artistas e algumas obras: William Morris e Philip Webb com a Casa Vermelha (Figuras 105, 106 e 107), seu projeto e todos os móveis e detalhes, também produziu estampas de tecido e azulejos (Figuras 108 e 109). Gustave Stickley, com a cadeira Canapé (Figura 110); e Charles Francis Annesley Voysey, com papeis de parede (Figura 111). Figura 105 - Casa Vermelha, Londres (1860). Fonte: Archdaily (2018). 105WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 106 - Decorações na Casa Vermelha, Londres (1860). Fonte: Archdaily (2018). Figura 107 - Cabinet St. George, Casa Vermelha, Londres (1861-1862). Fonte: William Morris Tile (2018). 106WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 108 - Estampa Pássaros, Casa Vermelha (1859). Fonte: William Morris Tile (2018). Figura 109 - Estampa Acanthus (1874). Fonte: William Morris Tile (2018). 107WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 110 - Canapé (1905-1907). Fonte: Dempsey (2005). Figura 111 - Estampa Voysey (1889). Fonte: Dempsey (2005). 108WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA 2.3. Art Nouveau • A origem: Europa, na década de 1880, espalhando-se também pelos Estados Unidos e pelo mundo. • O contexto histórico: Em busca de acompanhar a sociedade industrial, a Art Nouveau surge como uma síntese possível entre arte e indústria. Baseado nos princípios de William Morris e suas referências anteriores, promove uma nova arte, unificando suas diversas manifestações possíveis, quais sejam: objetos, texturas, mobiliários, joias, arquitetura, etc., cita Dempsey (2005) e Pevsner (2001; 2002). • Principais características: Design e formas arquitetônicas assimétricas e derivadas de elementos da natureza, “[...] manipuladas com obstinação e vigor, e a recusa em aceitar qualquer ligação com o passado” (PEVSNER, 2001, p. 43). Utilização de materiais popularizados pela industrialização, como o ferro e o vidro. Predomínio das linhas, sejam retas ou sinuosas. A Art Nouveau transforma totalmente o aspecto dos móveis. Os seus móveis de assento caracterizam-se por uma linha sinuosa que se estende desde o espaldar até as pernas. O espaldar é geralmente alto e o assento, estreito. Por vezes o tecido do estofado reveste ambas as partes sem interrupção, acentuando a unidade do móvel. [...] O rico e dinâmico conjunto de motivos decorativos da Art Nouveau baseia-se em formas de inspiração vegetal, como algas e outras plantas aquáticas, lírios, orquídeas e outras flores exóticas, formas animais como pássaros, borboletas, libélulas e por vezes serpentes, inspiradas na pintura japonesa, e figuras femininas, de corpo inteiro, em forma apenas de bustos ou mesmo de lânguidas cabeças. (GALVÃO, 2018, p. 21). • Principais artistas e algumas obras: Victor Horta, com a residência Tassel em Bruxelas (Figura 112) e a Casa Solvay (Figura 113); Henry van de Velde, com sua própria residência Le Bloemenwerf; Hector Guimard, com a residência Castel Beranger e a estação do metrô Bastilha (Figura 114), em Paris; René Lalique, Emile Gallé e Louis Comfort Tiffany com a produção de objetos, joias e vidros; Charles Rennie Mackintosh, com o design de móveis (Figura 115); Alphonse Mucha, com design gráfico e tipografia, entre outros. No Brasil, um dos exemplares é a Vila Penteado em São Paulo de 1902, de Carlos Ekman. 109WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 112 - Interior da Casa Tassel, Bruxelas (1892-1893). Fonte: Archdaily (2018). Figura 113 - Detalhe da escada Casa Solvay, Bruxelas (1898). Fonte: Patrimoine Brussels (2018). 110WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 114 - Estação Bastilha, Paris (1890). Fonte: Archdaily (2018). Figura 115 - Cadeira (1902). Fonte: Dempsey (2005). 111WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA 2.4. O Movimento Modernista Catalão • A origem: Espanha, entre 1880 e 1910. • O contexto histórico: Em meio a produção do Art Nouveau na Europa e no mundo, o principal expoente catalão, Antoni Gaudi, encontrara nas formas de Hector Guimard e os neogóticos, referências para novas formas de experimentação da arquitetura relacionando-as com as tipologias estruturais e materiais locais. Essas novas formas encontrarão terreno fértil para serem desenvolvidas em Barcelona, na Espanha, cidade que estava em processo de renovação pelo plano de Idelfonso Cerdà que estava sendo implantado na segunda metade do século XIX, mostra Contri (2011). • Principais características: Ondulações estruturadas, ornamentos decorativos com mosaicos e orgânicos (em formas naturais), estruturas neogóticas. • Principais artistas e algumas obras: Antoni Gaudi, com as obras Casa Batló (Figuras 116 e 117), Sagrada Família, Parque Güell, Casa Milà. Figura 116 - Fachada Casa Batló (1904-1906). Fonte: Casa Batló (2018). 112WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 117 - Interior Casa Batló (1904-1906). Fonte: Casa Batló (2018). 3 - AS VANGUARDAS E MOVIMENTOS ARTÍSTICOS NO SÉCULO XX As vanguardas artísticas no século XX influenciaram a arte moderna mundialmente em todos os campos: arquitetura, pintura, escultura, cinema, teatro, música, etc. No Brasil, elas tiveram influência direta no movimento modernista, que teve início com a Semana de Arte Moderna de 1922 e repercutiu com artistas tais como Tarsila do Amaral, Anita Malfati, Di Cavalcanti, Victor Brecheret, entre outros. O rompimento com a arte tradicional, o abandono da cópia da natureza com o surgimento da fotografia e as revoluções tecnológicas que ocorriam na Europa no século XIX e XX, formam o contexto comum em que se desenvolvem todos os movimentos que abordamos, que se manifestaram sobretudo na pintura, mas que também repercutiram nas outras artes: expressionismo, fauvismo, cubismo, abstracionismo, futurismo, suprematismo, construtivismo, dadaísmo e surrealismo, op arte e pop arte, explica Proença (2009). 113WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA 3.1. Expressionismo • A origem: Alemanha, nos primeiros anos do século XX. • Principais características: A pintura expressionista vai de encontro a uma reação ao movimento impressionista, buscando não expressar a luz e sombra natural, mas as expressões humanas interiores, as angústias que caracterizavam o homem industrial e a sociedade urbana. Também faziam o uso simbólicodas cores com referências no movimento simbolista e deformavam a realidade. Entre os precursores estavam Van Gogh e Edward Munch, com sua obra O grito (Figura 118), mostra Dempsey (2005) e Proença (2009). • Principais artistas e algumas obras: além dos precursores que citamos, destacamos o grupo Die Brúcke (A ponte): Ernest Ludwig Kirchner, com a pintura Cinco Mulheres na Rua (Figura 119), Os pintores de A ponte, Erick Heckel, com Dois homens à mesa; e Karl Schmidt-Rottluf, além de outros fora do grupo, como Georges Rouault. No Brasil, um dos artistas com influências expressionistas foi Lasar Segall, com as obras Família Enferma (Figura 120) e Os Eternos Caminhantes. Figura 118 - O Grito, Munch (1893). Fonte: Enciclopédia Itaú Cultural (2018). 114WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 119 - Cinco Mulheres na Rua, Kirchner (1913). Fonte: Proença (2009). Figura 120 - Interior de Família Enferma, Segall (1921-1922). Fonte: Enciclopédia Itaú Cultural (2018). 115WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA 3.2. Fauvismo • A origem: Paris, 1905, na exposição dos “fauves”. • Principais características: Pinturas com formas figurativas simples e cores puras. As figuras são sugeridas, e não realísticas, de forma que as cores não resultam de misturas ou gradações, mas são utilizadas na sua tonalidade original. Despreocupavam-se com o realismo, inclusive com relação às cores observadas na natureza, cita Proença (2009). • Principais artistas e algumas obras: Henri Matisse, com A dança (Figura 121) e Natureza-morta com Peixes Vermelhos; André Derain, com Três figuras sentadas na relva (Figura 122); Maurice de Vlaminck, com A casa branca. Figura 121 - A dança, Matisse (1906) Fonte: Argan (2008). 116WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 122 - Três figuras sentadas na relva, Derain (1910) Fonte: Dempsey (2005). 3.3. Cubismo • A origem: Europa, entre os anos de 1908 e 1911, com a fase analítica. • Principais características: Na pintura da fase analítica usava-se poucas cores (preto, cinza e alguns tons de marrons e ocre) e buscava-se retratar o objeto em todos seus lados simultaneamente, uma fragmentação. Na pintura cubista da fase sintética, busca-se trazer as figuras novamente reconhecíveis, sem retornar ao realismo, nessa fase desenvolveu-se o que foi chamado de “colagem” de elementos como letras, palavras, pedaços de materiais como madeira, metal etc. Ambas as fases buscam a destruição da representação harmônica e clássica das figuras, propondo uma deformação da realidade, segundo Dempsey (2005) e Proença (2009) • Principais artistas e algumas obras: na fase analítica, temos Pablo Picasso, com O Poeta (Figura 123) e Georges Braque com Mulher com Violão (Figura 124). Na fase sintética alguns dos exemplos de Picasso são Les Demoiselles d’Avignon (Figura 126) e Guernica (Figura 125). 117WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 123 - O Poeta, Picasso (1911) Fonte: Proença (2009). Figura 124 - Mulher com violão, Braque (1908) Fonte: Proença (2009). Figura 125 - Guernica, Picasso (1937). Fonte: Proença (2009). 118WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 126 - Les Demoiselles d’Avignon, Picasso (1907). Fonte: Proença (2009). 119WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA 3.4. Abstracionismo • A origem: Europa, e, 1910 com a obra A Batalha de Wassily Kandinsky. • Principais características: Nas pinturas abstratas, observa-se a ausência de relações entre o objeto ou o ser com as formas e cores de sua representação. Não se representa nessa arte nada que remeta a alguma forma conhecida historicamente, há uma negação ao figurativismo. A arte abstrata é caracterizada por duas fases: o abstracionismo informal e o geométrico. Na fase informal, há o predomínio dos sentimentos e emoções, com formas e cores criadas mais livremente. Já na fase geométrica, as formas e cores são organizadas em composição puramente geométrica, cita Proença (2009). Esse movimento trará influências para o design e a arquitetura produzida no “De Stijl” que abordaremos posteriormente. • Principais artistas e algumas obras: na fase informal, destacam-se as obras de Wassily Kandinsky, como por exemplo o que já citamos A batalha (Figura 127) e a série Composições, Improvisações e Impressões e Paul Klee, com Senecio. Na fase geométrica, o principal expoente é Piet Mondrian com suas Composições (Figuras 128 e 129). Figura 127 - A Batalha, Kandinsky (1910) Fonte: Tate (2018). 120WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 128 - Composição com vermelho, azul, preto, amarelo, e cinza, Mondrian (1921). Fon- te: MoMa (2018). Figura 129 - Composição com vermelho, azul e amarelo Mon- drian (1937-1942). Fonte: MoMa (2018). 3.5. Futurismo • A origem: em 1910, pelo Manifesto Futurista de Filippo Tommaso Marinetti. • Principais características: Advindo de uma reforma literária, no futurismo o “[...] princípio unificador era a paixão pela velocidade, o poder, novas máquinas e tecnologias e o desejo de transmitir o “dinamismo” da moderna cidade industrial” (DEMPSEY, 2005, p. 88). Portanto, o que se buscava era a expressão do movimento, e não do movimento do corpo. • Principais artistas e algumas obras: Giacomo Balla, com a pintura “Ritmo de um violinista” (Figura 130); Umberto Boccioni, com a escultura “Formas únicas de continuidade no espaço” (Figura 131). 121WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 130 - Ritmo de um violinista, Balla (1912). Fonte: Dempsey (2005). Figura 131 - Formas únicas de continuidade no espaço, Boccioni (1913). Fonte: Dempsey (2005). 122WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA 3.6. Dadaísmo • A origem: o termo “dadá” foi cunhado em Zurique, na Suíça, em 1916, mas a arte se desenvolvia nesse período além da Suíça, em Nova York, Paris, Berlim, Hanover, Colônia e Barcelona. • Principais características: É um fenômeno multidisciplinar, um estado mental e um movimento. É um movimento que questionou as tradições da arte e dos valores da sociedade que vivia entre guerras. Prezavam pelo automatismo psíquico, ao combinar elementos da indústria com a arte, resultando no absurdo, desordem. Alguns desses tipos de obra são as colagens e os ready-mades, objetos que eram escolhidos do cotidiano e após alguma intervenção se transformavam em objetos de arte, afirma Argan (2008) e Dempsey (2005). • Principais artistas e algumas obras: Marcel Duchamp, com a Fonte (Figura 132), um urinol que após ready-made transformou-se em um objeto de arte e também a Roda de bicicleta. Hans Arp, com Colagem feita segundo as leis do acaso, Hannah Höch, com Recorte com faca de bolo (Figura 133); Kurt Schwitters, com Merzbau e Merz, Konstruktion. Figura 132 - Fonte, Duchamp (1917), réplica (1964). Fonte: O autor. 123WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 133 - Recorte com faca de bolo, Höch (1919). Fonte: Dempsey (2005). 124WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA 3.7. Surrealismo • A origem: Manifesto do Surrealismo em 1924pelo poeta francês André Breton. • Principais características: Com inspiração dadaísta, as obras de pinturas e esculturas abordam sentimentos como medo, desejo, erotização. Talvez a influência mais exercida sobre o surrealismo tenha sido a de Freud. O inconsciente, os sonhos e inúmeras teorias freudianas fundamentais foram usados pelos surrealistas como repertórios de imagens reprimidas, a seres exploradas à vontade. Eles se interessavam sobretudo pelas ideias de Freud relativas ao meda da castração, os fetiches e ao sinistro. Os surrealistas inspiravam-se nessas ideias de muitas maneiras: em sua tentativa de criar estranheza quanto ao que era familiar; em suas experiências com a escrita e o desenho automático; em seu uso do acaso e de estranhas justaposições; em seu conceito de mulher devoradora; e na sua ruptura das fronteiras - entre os gêneros, entre o homem e o animal e entre a fantasia e a realidade. (DEMPSEY, 2005, p. 153). • Principais artistas e algumas obras: Salvador Dalí, com as pinturas A persistência da memória (Figura 134), O sono, A tentação de Santo Antônio; Max Ernest, com os quadros O nadador cego e Duas crianças ameaçadas por um rouxinol; Joan Miró, com as pinturas Verão e Noite Esnobe da Princesa; Alberto Giacometti com as esculturas Mulher com a garganta cortada (Figura 135) e O objeto invisível (mãos segurando o vazio). Figura 134 - A persistência da memória, Dalí (1931). Fonte: MoMa (2018). 125WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 135 - Mulher com a garganta cortada, Giacometti (1919). Fonte: Google Images (2017). 3.8. Arte Pop • A origem: Estados Unidos, por volta de 1960. • Principais características: Com inspiração no cotidiano movimentado das grandes cidades norte-americanas, a proposta da arte pop era romper com as fronteiras entre a vida comum e a arte, convertendo a sua produção para as massas, tal como é o cinema, a televisão e a publicidade. Isso era possível pois com o desenvolvimento da indústria, a arte poderia ser reproduzível, ou seja, impressa quantas vezes fosse necessário. Como a arte se desenvolveu sob as bases da cultura popular, os temas mais comuns retratados são símbolos e produtos dirigidos às massas. As obras são realizadas por meio de fotografias, objetos, panfletos, cartazes, mostra Dempsey (2005) e Proença (2009) • Principais artistas e algumas obras: Andy Warhol, com as obras Marilyn Monroe, Latas de Sopa Campbell (Figura 136); Roy Lichtenstein, com diversos cartazes como Mr. Bellamy (Figura 137) e Menina com fita de cabelo. Figura 136 - Latas de Sopa Campbell, Warhol (1962). Fonte: MoMa (2018). 126WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 137 - Mr. Bellamy, Lichtenstein (1961). Fonte: Dempsey, 2005. 3.9. Arte Op • A origem: Estados Unidos, em meados da década de 1960. • Principais características: Na Arte op, buscava-se a simbolizar a constante modificação da realidade em que o homem vive. Tanto as pinturas como as esculturas são construídas com figuras geométricas preto e branco ou coloridas que são combinadas para transmitir aos espectadores sensações de movimento, ilusões ópticas, aponta Dempsey (2005) e Proença (2009). • Principais artistas e algumas obras: Victor Vasarely, com as pinturas Vega-Gyongiy-2 (Figura 138) e Zebra; Alexander Calder, com vários móbiles (Figura 139); Bridget Riley, com a pintura Pausa. 127WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 138 - Vega-Gyongiy-2, Vasarely (1971). Fonte: Dempsey (2005). Figura 139 - Antenas com pontos vermelhos e azuis, Calder (1953). Fonte: Tate (2018). 128WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA 4 - A ARQUITETURA E O DESIGN NO SÉCULO XX A produção arquitetônica hegemonicamente desenvolvida a partir do final do século XIX até a primeira metade do século XX é conhecida como movimento moderno. Apoiados no desenvolvimento do concreto armado e sua flexibilidade, bem como novas tecnologias construtivas, esse movimento revolucionou a forma de projetar edifícios e produzir objetos de design. A partir da segunda metade do século XX, a “crise” do movimento moderno dá origem uma série de movimentos que historiadores denominam como pós-modernos. Entre as principais características comuns para os diversos movimentos da produção arquitetônica moderna, com exceção à arquitetura pós-moderna, estão a rejeição dos estilos passados da história e a repulsa ao ornamento, além da busca pela racionalidade e a funcionalidade das formas geométricas. Adolf Loos, um dos pioneiros da arquitetura moderna já havia publicado em 1908 a obra Ornamento é Crime. Podemos afirmar que os diversos movimentos da arquitetura e do design da primeira metade do século XX, principalmente, o Purismo e a Bauhaus culminaram no que os historiadores denominam Estilo Internacional, o estilo da arquitetura modernista que se disseminou dos centros de origem para o mundo. A seguir abordamos, sinteticamente sobre os principais expoentes desses movimentos. Essas correntes se manifestam também na pintura e escultura, mas privilegiaremos os exemplos arquitetônicos e do design. 4.1. Purismo • A origem: em 1917 com o livro Après le cubisme ou Depois do Cubismo do pintor francês Amedée Ozenfant e do arquiteto Charles-Edouard Jeanneret, mais conhecido pelo seu pseudônimo: Le Corbusier e posteriormente o movimento continua com a fundação da revista L’esprit nouveau, ou O espírito novo na década de 1920, mostra Dempsey (2005). • Principais características: Utilização de formas geométricas puras. A máquina era um modelo, um paradigma a ser seguindo pela arte, que deveria privilegiar a funcionalidade, e não a beleza ou subjetividade. Havia também os cinco pontos da arquitetura moderna, segundo Benevolo (2014) (Figura 140). 1. Uso de Pilotis: para liberar o edifício do térreo para que esse espaço seja público e permitir a livre circulação de pessoas e automóveis; 2. Terraço jardim: coberturas transformadas em terraços funcionais e planos, rejeitando os telhados inclinados das construções tradicionais antigas; 3. Planta livre: desvincular a estrutura e as vedações, fazendo com que o espaço interno seja mais flexível; 4. Fachada livre: devido à separação entre estrutura e vedação, era possível abrir ao máximo as paredes externas. 5. A janela em fita: a independência entre estrutura e vedações, possibilitava janelas compridas que permitem uma iluminação mais uniforme. 129WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 140 - Os cinco pontos da arquitetura moderna, Le Corbusier (1927). Fonte: Google Images (2018). 130WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA • Principais artistas e algumas obras: Le Corbusier, com a obras Ville Savoye (Figuras 141 e 142), o Pavilhão do Espírito Novo (Figura 143). Nesse pavilhão, destacavam-se o design de mobiliário de madeira curvada, a primeira da história, de Michael Thonet, a qual seria posteriormente disseminada pelo mundo (Figura 144). Le Corbusier também produziu móveis conhecidos mundialmente como as cadeiras LC1 e LC2, o sofá LC3 e a chaise LC4 (Figuras 145 e 146). No Brasil, Le Corbusier influenciou as obras e design de objetos de Oscar Niemeyer (Figuras 147 e 148) e de Lucio Costa. Tais arquitetos, entre outros, se apropriaram de técnicas e materiais locais, com o espírito modernista, para conformarem a arquitetura moderna brasileira. Niemeyer muitas vezes é aproximado aos surrealistas pelo uso livre das formas, com uma plasticidade então desconhecidapelos europeus e norte-americanos, menciona Proença (2009). Figura 141 - Ville Savoye, Poissy, Le Corbusier (c. 1929-1931). Fonte: O autor. Figura 142 - Plantas Ville Savoye, Le Corbusier (1929-1931). Fonte: Khan Academy (2018). 131WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 143 - Pavilhão do Espírito Novo, Paris, Le Corbusier (1925). Fonte: López (2017). Figura 144 - Pavilhão do Espírito Novo com as cadeiras de Michael Thonet. Fonte: López (2017). 132WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 145 - Assentos LC1 (1928) e LC2 (1928). Fonte: Fondation Le Corbusier (2018). Figura 146 - Sofá LC3 (1928) e Chaise LC4 (1928). Fonte: Fondation Le Corbusier (2018). 133WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 147 - Palácio do Planalto, Brasília, Oscar Niemeyer, (c. 1958-1960). Fonte: Fundação Oscar Nie- meyer (2018). Figura 148 - Chaise Oscar Niemeyer e Anna Maria Nieyemer (c.1977-1978). Fonte: Fundação Oscar Nie- meyer (2018). 134WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA 4.2. De Stijl • A origem: Uma aliança de artistas (Bart van der Leck, Piet Mondrian- movimento abstracionista, Georges Vantongerloo), arquitetos (Gerrit Rietveld, J.J.Oud, Robert van’t Hoff e Jan Wils) e designers (Vilmos Huszár) formada pelo pintor e arquiteto holandês Theo van Doesburg em 1917. A revista De Stijl ou O Estilo foi lançada no mesmo ano para divulgar as ideias do grupo. • Principais características: Uso de linhas verticais e horizontais, cores primárias e ângulos retos. O pintor Piet Mondrian, que estudamos no item “abstracionismo” definiu esse estilo redutor como “neoplasticismo”: A arquitetura De Stijl evidencia clareza, austeridade e ordem semelhantes à pintura do grupo, e a linguagem geométrica e abstrata da pintura neoplasticista [abstracionismo geométrico] - linhas retas, ângulos retos e superfícies despojadas - se expressou em três dimensões. (DEMPSEY, 2005, p. 123). • Principais artistas e algumas obras: Gerrit Rietveld, com a “Residência Schröder” (Figuras 149 e 150), e a lendária Cadeira Vermelha-Azul (Figura 151). Figura 149 - Residência Schröder, Utrecht, Rietveld (1925). Fonte: Archdaily (2018). 135WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 150 - Interior Residência Schröder, Utrecht, Rietveld (1925). Fonte: Archdaily (2018). Figura 151 - Cadeira Vermelha-Azul, Rietveld (1917). Fonte: Google Images (2018). 136WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA 4.3. Bauhaus • A origem: A Bauhaus foi uma escola fundada por Walter Gropius em Weimar na Alemanha em abril de 1919 a partir da união da Academia de Belas Artes de Weimar e a Escola de Artes e Ofícios. A escola mudou para Dessau, também na Alemanha em 1925 e depois para Berlim em 1933. • Principais características: Na escola Bauhaus, a intenção era formar alunos que pudessem elaborar objetos e projetos arquitetônicos que ao mesmo tempo fossem artísticos e comerciais, racionalizados geometricamente e passíveis de serem reproduzidos pela indústria. Ou seja, deveriam ser funcionais, mas com um design belo, segundo Argan (2008), Benevolo (2014) e Dempsey (2005). A Bauhaus foi a primeira escola de design no mundo que, influenciando até os tempos atuais, tinha o intuito de disseminar o desenho industrial na vida cotidiana da sociedade. Nas obras arquitetônicas eram utilizados elementos racionalizados, tal como perfis metálicos. Muitos artistas foram professores da escola, tais como Kandinsky e Paul Klee, do movimento abstracionista informal que estudamos anteriormente, expõe Dempsey (2005) e Proença (2009). • Principais artistas e algumas obras: Walter Gropius, com o prédio da Bauhaus (Figura 152); Marcel Breuer, com a cadeira Wassily (Figura 153); Mies van der Rohe, com as obras do IIT - Illinois Instituto de Tecnologia em Chicago (Figura 154), e a poltrona Barcelona (Figura 155); Peter Keler, com o berço (Figura 156); William Wagenfeld, com o Abajur Bauhaus (Figura 157); e Marianne Brandt, com o infusor de chá (Figura 158). Figura 152 - Bauhaus, Dessau, Gropius(1926). Fonte: Google Images (2018). 137WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 153 - Cadeira Wassily, Breuer (1925). Fonte: Covert (2012). Figura 154 - IIT Crown Hall, Mies van der Rohe (1925). Fonte: Google Images (2018). 138WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 155 - Poltrona Barcelona, Mies van der Rohe (1929). Fonte: Covert (2012). Figura 156 - Berço, Keler (1922). Fonte: Covert (2012). Figura 157 - Abajur Bauhaus, Wagenfeld (1924). Fonte: Covert (2012). 139WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 158 - Infusor de chá, Brandt (1924). Fonte: Covert (2018). 4.4. Organicismo • A origem: Nos Estados Unidos, com Frank Lloyd Wright no início do século XX, mas também tinha suas origens europeias, como Alvar Aalto. • Principais características: A arquitetura organicista, ou orgânica prevê a integração do edifício com a natureza, permitindo formas mais dinâmicas e não tão dependentes de ordens e proporções geométricas. Há a valorização dos materiais em seus estados originais, como a madeira, a pedra. Diferente da arquitetura purista e da Bauhaus em que a funcionalidade e a racionalidade são as principais premissas e que resultam na “forma segue a função”, no organicismo a forma é resultado do espaço projetado em movimento, conforme a sua integração com a natureza, cita Proença (2009). • Principais artistas e algumas obras: Frank Lloyd Wright, com as chamadas Praire houses, tais como a Robie House (Figura 159) e os móveis e esquadrias produzidos para a casa (Figuras 160 e 161); a “Casa da cascata” (Figura 162) e o Museu Guggenheim; Alvar Aalto, com as obras Villa Mairea (Figura 163 e 164), Maison Louis Carré e os diversos objetos projetados por ele (Figura 164). 140WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 159 - Robie House, Chicago, Wright (1906). Fonte: Frank Lloyd Wright Foundation (2018). Figura 160 - Móveis Robie House, Chicago, Wright (1906). Fonte: Frank Lloyd Wright Trust (2018). Figura 161 - Esquadrias Robie House, Chicago, Wright (1906). Fonte: Frank Lloyd Wright Trust (2018). 141WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 162 - Casa da Cascata, Mill Run, Wright (1935). Fonte: Frank Lloyd Wright Foundation (2018). Figura 163 - Villa Mairea, Noormarkku - Finlândia, Aalto(1937-1939). Fonte: Alvar Aalto (2018). 142WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 164 - Interior Villa Mairea, Noormarkku - Finlândia, Aalto(1937-1939). Fonte: Alvar Aalto (2018). Figura 165 - Objetos e móveis de Alvar Aalto, diversas datas. Fonte: Alvar Aalto (2018). 143WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA A arquitetura e o design do movimento moderno europeu e norte-americano chegaram em terras brasileiras, com novas reformulações, apropriadas ao contexto e aosmateriais e técnicas locais. Como apontamos, não é possível nos limites dessa apostila aprofundar em todos os arquitetos e designers que fizeram a história da arquitetura e do móvel brasileiro. Apontamos aqui alguns nomes, entre os quais já citamos alguns, para pesquisas: • Arquitetura: Oscar Niemeyer, Lúcio Costa, Gregori Warchavchik, Affonso Eduardo Reidy, Vilanova Artigas, Lina Bo Bardi, Paulo Mendes da Rocha, Rino Levi, os irmãos Roberto (Marcelo, Milton e Maurício Roberto), entre outros. • Mobiliário e objetos: Sérgio Rodrigues, Lina Bo Bardi, Paulo Mendes da Rocha, Estúdio Branco e Preto, Joaquim Tenreiro, Geraldo de Barros, Zanini de Zanine, etc. Também não nos aprofundamos em muitos outros nomes importantes da história do mobiliário moderno mundial, tais como os designers Charles e Ray Eames, Eero Saarinen, Arne Jacobsen, mas instigamos a pesquisa de suas obras. Um outro movimento na arquitetura do século XX foi o construtivismo russo: A arquitetura construtivista é mais frequentemente relacionada à escritos e projetos que não saíram do papel. As duas estruturas mais famosas e radicais do movimento, o Monumento à Terceira Internacional de Vladimir Tatlin e o Tributo a Lenin de El Lissitzky nunca foram construídos. Na esteira da Revolução Russa de 1917, o construtivismo foi o resultado de artistas cubis- tas e futuristas combinando suas preocupações com a abstração e o movimento com as questões sociais dos bolcheviques na esperança de usar a arte como uma plataforma para motivar mudanças na sociedade (Ar- chdaily, 2015, n.p.) Quais elementos da arquitetura moderna ainda podemos observar na atualidade? Uma das características ainda presentes é o uso de terraços jardins, com os te- lhados planos. 144WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Para aprofundar sobre as características da arquitetura moderna mundial, leia: BENEVOLO, L. História da Arquitetura Moderna. Perspectiva: São Paulo, 2014. Se você quer saber mais sobre a arquitetura moderna no Brasil, assista ao vídeo: Arquitetura Moderna no Brasil. Disponível em: <https://youtu.be/pfGol4nV7Mo>. Acesso em 19 ago. 2018. 4.5. Pós-modernismo • A origem: Na Europa e nos Estados Unidos a partir da década de 1970. • Principais características: Várias manifestações, em diversos locais do mundo como uma reação crítica ao racionalismo modernista, propondo o retorno da ornamentação e do historicismo. Utilizam estruturas ambíguas e contraditórias, ironias e diversos materiais e técnicas com referências às arquiteturas antigas, além de colagens de elementos diversos como os clássicos. É ao mesmo tempo uma ruptura ao modernismo, pois rompe com o formalismo, e um prolongamento do mesmo, já que propõe a experimentação, tal como faziam os artistas dadaístas e surrealistas, segundo Dempsey (2005). Entre as obras teóricas norteadoras desses movimentos estavam a Arquitetura da Cidade de Aldo Rossi (1966) e o polêmico Complexidade e Contradição na arquitetura de Robert Venturi do mesmo ano. Entre as diversas manifestações da arquitetura denominada pós-moderna, que ainda estão presentes na produção arquitetônica atual, estão: a) Historicista: retomada das tipologias e signos arquitetônicos (tal como os telhados inclinados das residências), além de elementos históricos utilizados geralmente em colagens. b) High tech: exposição dos elementos construtivos e tecnológicos, de todo esqueleto do edifício. c) Desconstrutivismo: desconstrução das formas geométricas puras, fragmentação do processo criativo das formas. 145WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA • Principais artistas e algumas obras: No historicismo, há obras de Rafael Moneo, com a ampliação do Museu do Prado e o Museu Nacional de Arte Romana; Robert Venturi, com Casa Vanna Venturi (Figura 166) e Museu de Arte de Seattle, Charles Moore, com a Piazza d’Italia (Figura 167); Léon Krier; Aldo Rossi, com Cemitério San Cataldo e Bonnefantenmuseum; e Michael Graves com Casa Plocek e Edifício Portland. No estilo High Tech, temos Renzo Piano e Richard Rogers, com o Centro Pompidou (Figura 168); Norman Foster, com Hong Kong e Shanghai Bank (Figura 169). No Desconstrutivismo, destacam-se Peter Eisenman, com Memorial aos judeus; Frank Gehry com o Museu Guggenhein de Bilbao (Figura 170), Zaha Hadid com MAXXI Museu; e Rem Koolhaas com Casa da música No Brasil destacamos a obra pós-moderna de Éolo Maia e Sylvio de Podestá, com o Centro de Apoio Turístico Tancredo Neves (Figura 171). Figura 166 - Casa Vanna Venturi, Venturi (1964). Fonte: Archdaily (2018). Figura 167 - Piazza d’Italia, Nova Orleans Moore (1978). Fonte: Archdaily (2018). 146WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 168 - Centro Pompidou, Paris, Piano e Rogers (1977). Fonte: Archdaily (2018). Figura 169 - Hong Kong e Shanghai Bank, Hong Kong, Foster (1986). Fonte: Archdaily (2018). 147WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 170 - Museu Guggenhein, Bilbao, Gehry (1997). Fonte: Archdaily (2018). Figura 171 - Centro de Apoio Turístico Tancredo Neves, Belo Horizonte, Maia e Podestá (1992). Fonte: Archdaily (2018). 148WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA No campo do desenho de objetos, os designers também se apropriaram do discurso pós-moderno para demonstrar sua insatisfação com a ordem da Bauhaus. Passaram a novas experimentações com texturas e cores e retorno de motivos decorativos. Philippe Starck é um dos designers mais reconhecidos atualmente (Figura 172). No Brasil, destacam-se os trabalhos dos Irmãos Campana (Figura 173). Figura 172 - Cadeira Louis Ghost, Philippe Starck (2000). Fonte: Archdaily (2018). Figura 173 - Coleção Sushi, Irmãos Campana (2002). Fonte: Campanas (2018). 149WWW.UNINGA.BR HI ST ÓR IA D A AR TE , D A AR QU IT ET UR A E M OB IL IÁ RI O | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA 5 - CONSIDERAÇÕES FINAIS Nessa quarta e última unidade da apostila de História da Arte, da Arquitetura e Mobiliário, estudamos as manifestações artísticas no período que os historiadores denominam Idade Contemporânea, a partir do início do século XIX, estendendo-se até os dias atuais. Temos consciência de que não foi possível abordar todos os movimentos artísticos desse período, tampouco conseguimos aprofundar sobre a arte moderna brasileira. Destacamos dentre os diversos movimentos, estilos e escolas de arte, arquitetura e design os que influenciaram a produção no mundo como um todo. Ao nos aproximarmos do nosso tempo, as referências são rarefeitas, tendo em vista de que ainda é uma história inacabada. Portanto, não abordamos algumas tendências da arte contemporânea, tais como: antidesign, instalações, body art, arte performática, GRAV, CoBrA, neopop, neoexpressionismo, entre muitas outras. No século XIX, aprendemos sobre as manifestações artísticas na pintura, mas também na escultura nos períodos do romantismo, realismo, impressionismo, pós-impressionismo, sendo esse último subdividido em neoimpressionismo, simbolismo e o auge pós-impressionista. Já no século XX, estudamos as vanguardas artísticas que revolucionaram a arte no mundo inteiro, inclusive no Brasil, com influências para a Semana de Arte Moderna de 1922. As vanguardas e movimentos do século XX foram o expressionismo, o fauvismo, o cubismo, o abstracionismo, o futurismo, o dadaísmo e o surrealismo. Além desses, incluímos a arte pop e a arte op. A produção arquitetônica e do design no final do século XIX foi abordada pelos períodos denominados como Neogótico, Arts and Crafts, Art Nouveau e ModernismoCatalão. Já no século XIX, o “movimento moderno” nesses campos foi caracterizado pelas principais vertentes: o purismo, o De Stijl, a Escola Bauhaus e o organicismo. O movimento pós-moderno, uma reação crítica ao modernismo, surgiu na década de 1970 nos países centrais e se espalhou posteriormente pelo resto do globo, desestruturando a racionalidade e a ordem da arquitetura e do design modernos. Como apontamos, os temas e assuntos relacionados à história da arte, da arquitetura e mobiliário não se esgotam nessa apostila. Incentivamos a leitura dos livros indicados no texto e nas bibliografias básicas e complementares da disciplina! 150WWW.UNINGA.BR ENSINO A DISTÂNCIA REFERÊNCIAS ABALARTE. Set of sofa and two armchairs Carlos VI. 2018. 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