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SEMIOLOGIA INSPEÇÃO GERAL E SINAIS VITAIS SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO .............................................................................................................3 2. PREPARAÇÃO PARA O EXAME ..................................................................................3 3. ECTOSCOPIA ...............................................................................................................5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................................21 REFERÊNCIAS DE IMAGENS ..........................................................................................21 Inspeção geral e sinais vitais 3 1. INTRODUÇÃO O exame físico pode ser dividido em duas etapas: a primeira constitui o que se costuma designar exame físico geral, somatoscopia ou ectoscopia, por meio do qual são obtidos dados gerais, independentemente dos vários sistemas orgânicos ou seg- mentos corporais, o que possibilita uma visão do paciente como um todo; a segunda etapa corresponde ao exame dos diferentes sistemas ou segmentos corporais, com metodologia própria. 2. PREPARAÇÃO PARA O EXAME O exame físico geralmente começa após as queixas e a história do paciente terem sido documentadas na anamnese (ver Super Material Anamnese). Para iniciar o exame físico, coloque os equipamentos (Tabela 1) na mesa de cabeceira ou no suporte da maca do paciente. Ajuste a luz do ambiente. É preferível usar a luz do dia como ilumi- nação, porque alterações na cor da pele podem ser mascaradas pela luz artificial. As cortinas do paciente devem estar fechadas para sua privacidade desde o começo da entrevista. Finalmente, ajuste a maca para uma altura conveniente. Antes de examinar o paciente lave suas mãos. O paciente deve estar vestindo um avental que se abre na frente ou atrás. Pijamas também são aceitáveis. Por convenção, o examinador fica de pé à direita do paciente, com este deitado na maca. O examinador utiliza a mão direita para a maioria das ma- nobras do exame. Embora seja necessário que o paciente fique totalmente desnudo, o exame deve ser realizado expondo somente as áreas que estão sendo examinadas naquele momento, com as demais áreas cobertas. Tabela 1. Principais equipamentos utilizados no exame físico. Equipamentos necessários Estetoscópio, Otoscópio e oftalmoscópio, Lanterna, Martelo para reflexo, Diapasão (128 Hz), Alfinetes de segurança, Fita métrica, Cartão de bolso para acuidade visual. Equipamentos opcionais Iluminador nasal, Espéculo nasal, Diapasão: 512 Hz Disponíveis em muitos serviços de saúde Esfigmomanômetro, Abaixadores de língua, Bastões aplicadores, Compressas de gaze, Luvas, Gel lubrificante, Cartão de guáiaco para sangue oculto, Espéculo vaginal. Fonte: elaborado pelo autor. Inspeção geral e sinais vitais 4 Saiba mais! O paciente precisa vir em primeiro lugar e reduzir a disseminação das infecções é sua responsabilidade como profissional de saúde. Você sempre precisa lavar as suas mãos antes de tocar em um paciente (para protegê-lo) e após completar o seu exame (para proteger você). As diretrizes da Organização Mundial de Saúde (OMS) preconizam que: • Se houver alguma sujeira ou material em suas mãos, use sabão e água, co- brindo todas as superfícies das mãos durante pelo menos 40 segundos. • Se não houver nenhuma sujeira em suas mãos, use um punhado de um pro- duto com base alcoólica (esfregaço de álcool) aplicada durante pelo menos 20 segundos. A sequência correta é esfregar: 1) as mãos palma contra palma; 2) a palma direita sobre o dorso esquerdo com os dedos entrelaçados, e então vice-versa; 3) palma contra palma com os dedos entrelaçados; 4) dorso dos dedos para as palmas opostas com os dedos fechados; 5) cada polegar rotacionalmente– as palmas rotacionalmente. Finalmente, se estiver usando sabão e água, enxague as suas mãos, seque com uma toalha e use a toalha (ou o seu cotovelo) para fechar a torneira. Se estiver usando o esfregaço de álcool deixe secar e prossiga. Figura 1. Higienização correta das mãos. Fonte: elenabsl/Shutterstock.com Não use esfregaço com álcool se suas mãos estiverem sujas ou se houver um surto de infecção pelo Clostridium difficile; use, em vez disso, sabão e água. Inspeção geral e sinais vitais 5 MAPA MENTAL: PREPARAÇÃO PARA O EXAME FÍSICO Ajuste a luz do ambiente Lave as mãos antes e após o exame Garanta vestimenta adequada do paciente (avental, pijama) Separe equipamentos necessários Ajuste a altura da cama Exponha somente as áreas do corpo que estão sendo examinadas no momento Fique à direita do paciente Garanta privacidade do paciente Fonte: elaborado pelo autor. 3. ECTOSCOPIA Ectoscopia ou somatoscopia é a denominação dada à análise geral do paciente. A ectoscopia do aspecto, da altura e do peso de um paciente começa já nos primeiros momentos do contato com ele, porém as observações a respeito da aparência do paciente frequentemente se consolidam quando é iniciado o exame físico. O exame físico geral inclui: avaliação do estado geral, avaliação do estado de hidra- tação, antropometria, avaliação do estado nutricional, desenvolvimento físico/biotipo ou tipo morfológico, fácies, atitude e decúbito preferido no leito, mucosas, marcha. Avaliação do estado geral É uma avaliação subjetiva com base no conjunto de dados exibidos pelo paciente e interpretados de acordo com a experiência de cada um. Para descrever a impressão obtida, usa-se a seguinte nomenclatura: bom estado geral; regular estado geral; ou ruim estado geral. Inspeção geral e sinais vitais 6 Avaliação do estado de hidratação O estado de hidratação do paciente é avaliado tendo-se em conta os seguintes parâmetros: Alteração abrupta do peso; Alterações da pele quanto à umidade, à elas- ticidade e ao turgor; Alterações das mucosas quanto à umidade; Alterações oculares; Estado geral; e Fontanelas (no caso de crianças). • Estado de hidratação normal: a pele possui boa elasticidade e com leve grau de umidade, as mucosas são úmidas, não há alterações oculares nem perda abrupta de peso. No caso de crianças, as fontanelas são planas e normotensas e o peso mantém curva ascendente; a criança se apresenta alegre e comunicativa. • Desidratação: caracteriza-se por sede, diminuição abrupta do peso, pele seca (com elasticidade e turgor diminuídos), mucosas secas, olhos afundados (enoftalmia) e hipotônicos, estado geral comprometido, excitação psíquica ou abatimento, oligúria e fontanelas deprimidas, no caso de crianças. Avaliação do estado nutricional É um processo dinâmico, feito por meio de comparações entre os dados obtidos no paciente e os padrões de referência, sendo importante a reavaliação periódica do estado nutricional no curso da doença. Para avaliação de sobrepeso e obesidade, o IMC é um indicador prático, de baixo custo e com boa validade diagnóstica. Cumpre salientar que o IMC não distingue massa gordurosa de massa magra; assim, um paciente musculoso pode ser classificado com “excesso de peso”. Deve-se ainda estar atento ao biótipo do paciente, um IMC entre 17 e 18,5 não necessariamente é indicativo de desnutrição. Para identificação de desnutrição, faz-se necessária a presença de dois ou mais dos seguintes elementos: ingestão insuficiente de energia; perda de peso; perda de gordura subcutânea; perda de massa muscular; acúmulo de líquido localizado ou ge- neralizado, que, em algumas ocasiões, pode mascarar a perda de peso; e capacidade funcional diminuída, medida pela força do aperto de mão, com uso de dinamômetro. Desenvolvimento físico Uma determinação exata requer um estudo antropométrico rigoroso. Contudo, na prática, é suficiente uma avaliação simplificada, levando-se em conta a idade e o sexo. Para isso, tomam-se como elementos básicos a altura e a estrutura somática. Em primeiro lugar, compara-se a altura encontrada com as medidas constantes das tabelas de valores normais. Para avaliação da estrutura somática, não sedispõe de tabelas. É feita pela inspeção global, acrescida de informações a respeito do de- senvolvimento osteomuscular. Os achados podem ser enquadrados nas seguintes alternativas: (1) Desenvolvimento normal; (2) Hiperdesenvolvimento; (3) Hipodesenvolvimento; (4) Hábito grácil: cons- tituição corporal frágil e delgada, caracterizada por ossatura fina, musculatura pouco desenvolvida, juntamente com uma altura e um peso abaixo dos níveis normais, é uma Inspeção geral e sinais vitais 7 condição constitucional, sem significado patológico; e (5) Infantilismo: persistência anormal das características infantis na idade adulta. Biotipo ou tipo morfológico É o conjunto de características morfológicas apresentadas pelo indivíduo. A determina- ção do biótipo encontra sua principal utilidade para a correta interpretação das variações anatômicas que acompanham cada tipo morfológico, pois há uma relação entre a forma exterior do corpo e a posição das vísceras. Pode ser classificado da seguinte maneira: • Brevilíneo: Pescoço curto e grosso; Tórax alargado e volumoso; Membros curtos em relação ao tronco; Ângulo de Charpy (costal) maior que 90°; Musculatura desenvolvida e panículo adiposo espesso; Tendência para baixa estatura. • Mediolíneo: Equilíbrio entre os membros e o tronco; Desenvolvimento harmônico da musculatura e do panículo adiposo; Ângulo de Charpy (costal) em torno de 90°. • Longilíneo: Pescoço longo e delgado; Tórax afilado e chato; Membros alongados com franco predomínio sobre o tronco; Ângulo de Charpy (costal) menor que 90°; Musculatura delgada e panículo adiposo pouco desenvolvido; Tendência para estatura elevada. A B C Figura 2. Tipos morfológicos. A: Brevilíneo. B: Mediolíneo. C: Longilíneo. Fonte: Acervo Sanar. Inspeção geral e sinais vitais 8 Avaliação antropométrica • Altura/estatura: expressa o crescimento linear. Quando o paciente é capaz de ficar em posição ortostática, a altura é aferida em balança com estadiômetro ou com fita métrica, afixada em superfície lisa, vertical e sem rodapé. Em crianças até 2 anos de idade, recomenda-se medir a altura (comprimento) com ela deitada, utilizando uma régua antropométrica. Após essa faixa etária, mede-se a altura (estatura) da criança em pé, comparado-se a altura obtida com tabelas pediátri- cas para a idade e sexo. Em adultos, não sendo possível aferir a altura, pode-se perguntar se ele sabe a medida, pois alguns estudos já mostraram a validade da altura referida. Há também algumas equações para estimar a altura a partir de medidas de segmentos corporais, tais como altura do joelho, da envergadura ou semienvergadura. • Peso: sua avaliação é útil para determinar e monitorar o estado nutricional, utilizado como marcador indireto da massa proteica e reserva de energia. Para medição do peso atual, utiliza-se uma balança mecânica tipo plataforma ou digital. O paciente deve ser pesado descalço, com a menor quantidade de roupa possível. Em paciente incapacitado de se colocar em posição ortostática ou de deambu- lar, o peso pode ser aferido em cama-balança ou em balança para pesagem em leito, que não é muito usada pelo alto custo. Para recém-nascidos, utiliza-se a balança pediátrica. Em relação à criança, vale o mesmo já mencionado sobre o uso das tabelas pediátricas. • Índice de massa corporal (IMC): amplamente utilizado como indicador do estado nutricional, por ser obtido de forma rápida e de fácil interpretação. É expresso pela fórmula: IMC = peso atual (kg)/altura² (m). O IMC pode ser classificado como: Magro ou baixo peso: 40. • Circunferência da cintura (CC): é utilizada para o diagnóstico de obesidade ab- dominal e reflete o conteúdo de gordura visceral. A medida da CC é determinada com uma fita métrica inextensível posicionada no ponto entre a última costela e a crista ilíaca, sem fazer pressão, em plano horizontal. A classificação é feita da seguinte forma: • Sexo masculino: Normalpode-se dizer que o paciente não tem uma atitude específica ou que ela é indiferente. As atitudes voluntárias compreendem a ortopneica, a genupeitoral, a posição de cócoras, a parkinsoniana e os diferentes decúbitos. As atitudes involuntárias incluem a atitude passiva, o ortótono, o opistótono, o emprostótono, o pleurostótono e a posição em gatilho e torcicolo e mão pêndula da paralisia radial. Exame das mucosas As mucosas facilmente examináveis a olho nu e sem auxílio de qualquer aparelho são as mucosas conjuntivais (olhos) e as mucosas labiobucal, lingual e gengival. O método de exame é a inspeção, coadjuvado por manobras singelas que exponham as mucosas à visão do examinador. Os seguintes parâmetros devem ser analisados: • Coloração: a coloração normal é róseo-avermelhada e a nomenclatura habi- tual é: mucosas coradas. A diminuição ou a perda da cor designa-se como mucosas descoradas ou palidez das mucosas. É um achado semiológico de grande valor prático, pois indica a existência de anemia. Procura-se fazer também uma avaliação quantitativa usando-se a escala de uma a quatro cruzes. Mucosas hipercoradas significam acentuação da coloração normal e traduzem aumento das hemácias naquela área, como ocorre nas inflamações (conjuntivites, glossites, gengivites) e nas policitemias. A cianose consiste na coloração azulada das mucosas. Na icterícia as mucosas tornam-se amarelas ou amarelo-esverdeadas. • Umidade: em condições normais as mucosas são úmidas, traduzindo bom estado de hidratação. As mucosas secas perdem o brilho, os lábios e a língua ficam pardacentos, e todas essas mucosas adquirem aspecto ressequido. • Presença de lesões. Inspeção geral e sinais vitais 14 Postura ou atitude na posição de pé A postura pode ser classificada da seguinte maneira: • Boa postura: Cabeça ereta ou ligeiramente inclinada para diante; Peito erguido, fazendo adiantar ao máximo essa parte do corpo; Abdome inferior achatado ou levemente retraído; Curvas posteriores nos limites normais. • Postura sofrível: Cabeça levemente inclinada para diante; Peito achatado; Abdome algo protruso, passando a ser a parte mais saliente do corpo; Curvas posteriores exageradas. • Má postura: Cabeça acentuadamente inclinada para diante; Peito deprimido; Abdome saliente e relaxado; Curvas posteriores extremamente exageradas. Marcha Deve ser analisada solicitando-se ao paciente que caminhe certa distância, des- calço, de preferência com calção, com olhos abertos e fechados, indo e voltando sob a observação do examinador. A marcha normal pode sofrer variações em relação a particularidades individuais, ou em razão de transtornos do aparelho locomotor. As marchas anormais incluem a marcha helicópode, ceifante ou hemiplégica, a marcha anserina, a marcha parkinso- niana e a marcha claudicante. Na prática! Para facilitar a prática e a memorização, segue abaixo um roteiro pedagógico para exame físico geral: Identificação do paciente: Estado geral (BEG, REG, MEG); Estado de hidratação (hidratado/desidratado); Respiração (eupneico/dispneico); Estado nutricional (nutrido/desnutrido); Fácies (atípica/típica – qual); Desenvolvimento físico (normal/nanismo/gigantismo); Biotipo (brevilíneo, mediolíneo ou longilíneo); Peso: kg; Altura: cm; IMC (índice de massa corporal); CC (circunferência da cintura): cm; Mucosas (coradas/hipoco- radas/hipercoradas); Atitude (ativa/passiva); Postura (boa/sofrível/má); Marcha. Observações: Inspeção geral e sinais vitais 15 Sinais Vitais Os sinais vitais – pressão arterial (PA), frequência cardíaca (FC), frequência respira- tória (FR) e temperatura – fornecem informações críticas iniciais que frequentemente influenciam o tempo e direção de sua avaliação. Comece aferindo a pressão arterial e a frequência cardíaca. Verifique a frequência cardíaca por um minuto pela palpação do pulso radial com os dedos ou pela ausculta do impulso apical com o estetoscópio no ápice cardíaco. Continue a usar uma dessas técnicas enquanto verifica a frequência respiratória sem alertar o paciente – os pa- drões respiratórios podem mudar. A temperatura corporal pode ser aferida em vários locais, dependendo do paciente e do equipamento disponível. Pressão arterial Escolha do tamanho correto de braçadeira para o esfigmomanômetro: a largura normal do manguito da pressão arterial é 12,5 cm. Ela é adequada para o braço de um adulto de tamanho normal. Se a braçadeira for pequena (estreita) demais, os valores aferidos serão elevados; se a braçadeira for muito grande (larga), os valores aferidos serão baixos em um braço magro e elevados em um braço robusto. Etapas para garantir a acurácia da aferição da pressão arterial • O paciente deve evitar tabagismo, consumo de cafeína ou prática de exercícios 30 minutos antes da aferição. • Assegure-se de que a sala de exame seja um local tranquilo e com temperatura agradável. • O paciente deve se sentar tranquilamente durante 5 min em uma cadeira com os pés apoiados no chão, em vez de colocá-los na mesa de exame. • Assegure-se de que o braço escolhido esteja desnudo. Esse braço não deve ter fístulas arteriovenosas para diálise, cicatrizes de dissecção de artéria braquial prévia nem sinais de linfedema. • Palpe a artéria braquial para confirmar que exista pulso viável e posicione o braço do paciente de modo que a artéria braquial, no sulco antecubital, encontre-se no mesmo nível do coração, aproximadamente ao nível do 4º espaço intercostal em sua junção com o esterno. • Se o(a) paciente estiver sentado(a), coloque o braço dele(a) sobre uma mesa um pouco acima da cintura; se estiver em pé, apoie o braço dele(a) no nível do meio do tórax. Inspeção geral e sinais vitais 16 Como aferir a pressão arterial • Posicione o esfigmomanômetro e o braço: com o braço do paciente no nível do coração, coloque a bexiga inflável sobre a artéria braquial. A borda inferior da braçadeira deve estar, aproximadamente, 2,5 cm acima do sulco antecubital. Ajuste bem o esfigmomanômetro. Posicione o braço do paciente de modo que fique discretamente flexionado na altura do cotovelo. • Estime a pressão sistólica e adicione 30 mmHg: palpe a artéria radial com os dedos de uma mão, insufle rapidamente a braçadeira até o pulso radial desa- parecer. Verifique a pressão no manômetro e acrescente 30 mmHg. Usar esse valor para insuflações subsequentes evita o desconforto associado a pressões desnecessariamente elevadas na braçadeira. Isso também evita o erro ocasional causado pelo hiato auscultatório – um intervalo de silêncio que pode ocorrer entre as pressões sistólica e diastólica. Desinfle a braçadeira, de modo rápido e completamente; em seguida, espere de 15 a 30 segundos. Se encontrar um hiato auscultatório, registre seus achados completamente (p. ex., 200/98 com um hiato auscultatório de 170 a 150). Um hiato auscultatório está associado a rigidez arterial e doença aterosclerótica. • Posicione a campânula do estetoscópio na artéria braquial: coloque a campânula do estetoscópio delicadamente sobre a artéria braquial, tomando o cuidado de formar um “selo de ar” com sua borda. Figura 10. A campânula é colocada sobre a artéria braquial. Fonte: Andrey_Popov/Shutterstock.com Inspeção geral e sinais vitais 17 • Identifique a pressão arterial sistólica: mais uma vez, insufle rapidamente o es- figmomanômetro até o nível-alvo e, depois, desinfle lentamente (cerca de 2 a 3 mmHg por segundo). Observe o nível tensional enquanto ausculta os sons de, pelo menos, dois batimentos consecutivos. Essa é a pressão sistólica. • Identifique a pressão arterial diastólica: continue a desinflar a braçadeira lenta- mente até os ruídos se tornarem abafados e desaparecerem. Para confirmar o ponto de desaparecimento, ausculte a pressão cair por outros 10 a 20 mmHg. A seguir, desinfle a braçadeira rapidamente até zero. O ponto de desaparecimento, que, habitualmente, é apenas alguns mmHg abaixo do ponto de abafamento dos ruídos, propicia a melhorestimativa da pressão diastólica verdadeira em adultos. Em algumas pessoas, o ponto de abafamento e o ponto de desaparecimento estão bem afastados. Às vezes, como nos indivíduos com regurgitação aórtica, os ruídos nunca desaparecem. Se a diferença for igual ou superior a 10 mmHg, anote os dois valores (p. ex., 154/80/68). • Faça a média de duas ou mais aferições: arredonde os níveis tensionais (sistólico e diastólico) para os 2 mmHg mais próximos. Espere 2 min e repita o procedimento. Em seguida, faça a média das suas aferições. Se as duas primeiras diferirem em mais de 5 mmHg, faça outras aferições. • Faça a aferição da pressão arterial em ambos os braços pelo menos uma vez: existe normalmente uma diferença tensional de 5 mmHg, e, algumas vezes, es- sa diferença chega a 10 mmHg. As aferições subsequentes devem ser feitas no braço com o nível tensional mais elevado. Inspeção geral e sinais vitais 18 FLUXOGRAMA: COMO AFERIR A PRESSÃO ARTERIAL Escolha o tamanho correto da braçadeira Garanta a acurácia da aferição Posicione o esfigmomanô- metro e o braço • Evitar tabagismo, cafeína e atividade física nos últimos 30 min • Ambiente tranquilo e temperatura agradável • Paciente sentado por ≥ 5 min em cadeira com pés apoiados no chão • Posicione a artéria braquial no mesmo nível do coração • Coloque a bexiga inflável sobre a artéria braquial • A borda inferior da braçadeira deve estar 2,5 cm acima do sulco antecubital Estime a pressão sistólica e adicione 30 Identifique a pressão arterial sistólica Identifique a pressão arterial diastólica Faça a média de 2 ou mais aferições Posicione a campânula do estetoscópio sobre a artéria braquial • Palpe a artéria radial e insufle a braçadeira até o pulso radial desaparecer: verifique a pressão e acrescente 30 mmHg • Insufle até o nível-alvo e desinfle lentamente: observe a pressão enquanto ausculta os sons de, pelo menos, 2 batimentos consecutivos • Continue a desinflar até os ruídos tornarem-se abafados e desaparecerem Fonte: Elaborado pelo autor. Inspeção geral e sinais vitais 19 Frequência e ritmo cardíacos O pulso radial é palpado comumente para a avaliação da frequência cardíaca. Comprima a artéria radial com as polpas dos seus dedos indicador e médio até de- tectar a pulsação máxima. Se o ritmo for regular e a frequência parecer normal, con- te-a durante 30 segundos e multiplique-a por dois. Se a frequência for incomumente rápida ou lenta, conte durante 60 segundos. A variação comum da normalidade é de 60-90-100 bpm. Figura 11. Palpação do pulso radial. Fonte: Midnight Studio TH/Shutterstock.com Para avaliação do ritmo comece pela palpação do pulso radial. Se houver alguma irregularidade, verifique o ritmo de novo auscultando o ápice cardíaco com o estetos- cópio. Extrassístoles de baixa amplitude podem não ser transmitidas para os pulsos periféricos, levando a uma frequência cardíaca subestimada. Se o ritmo for regular, é importante identificar qual o padrão. 1) As extrassístoles surgem de forma rítmica e regular? 2) A irregularidade do ritmo varia em confluência com o ciclo respiratório? 3) Não existe nenhum padrão e o ritmo é completamente irregular? Frequência e ritmo respiratórios É importante contar a frequência respiratória, avaliar o ritmo, a profundidade e expansibilidade do tórax e ciclos respiratórios, assim como a presença de sinais de esforço respiratórios. Conte o número de incursões respiratórias durante um minuto, seja por inspeção visual ou pela ausculta sutil com o estetoscópio pousado na traqueia durante seu exame da cabeça e do pescoço ou do tórax. Normalmente, a frequência Inspeção geral e sinais vitais 20 respiratória normal dos adultos é 20 incursões por minuto em um padrão regular e tranquilo. Um suspiro ocasional é normal. Verifique se a expiração é prolongada. Temperatura A temperatura corporal é verificada por intermédio do termômetro. Pode ser: axi- lar, oral, retal, timpânico, arterial pulmonar, esofágico, nasofaringiano e vesical. No Brasil, o local habitual é o oco axilar. A mensuração da temperatura na cavidade oral, bastante comum em outros países, é feita pela colocação do termômetro na região sublingual. A temperatura retal é feita pela aplicação do termômetro na ampola retal. As referências de normalidade são: • Temperatura axilar: 35,5 a 37°C, com média de 36 a 36,5°C; • Temperatura bucal: 36 a 37,4°C; • Temperatura retal: 36 a 37,5°C, ou seja, 0,5°C maior que a axilar. MAPA MENTAL: INSPEÇÃO GERAL Estado Geral Desenvolvimento Físico Postura ou Atitude na posição ereta Avaliação Antropométrica Estado de Hidratação Marcha Estado Nutricional Exame das Mucosas Atitude e Decúbito Fácies Biotipo ou Tipo Morfológico Fonte: elaborado pelo autor. MAPA MENTAL: SINAIS VITAIS Pressão Arterial Frequência Respiratória Temperatura Frequência Cardíaca Fonte: elaborado pelo autor. Inspeção geral e sinais vitais 21 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Porto, Celmo Celeno. Porto, Arnaldo Lemos. Exame clínico. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. Swartz, Mark H. Tratado de semiologia médica: história e exame clínico. 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015. Bickley, Lynn S. Szilagyi, Peter G. Hoffman, Richard M. Bates, propedêutica médica. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018. Junior, Fernando Veiga Angélico. Souza, Aspásia Basile Gest’eira. Manual de exame físico. 1. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2019. Talley, Nicholas J. O’Connor, Simon. Guia prático de exame clínico: uma introdução às habilidades clínicas (e como passar nos seus exames). 4. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2019. REFERÊNCIAS DE IMAGENS Imagem utilizada sob licença da Shutterstock.com, disponível em: . Acesso em: 14/02/2023 Imagem utilizada sob licença da Shutterstock.com, disponível em: . Acesso em: 14/02/2023 Imagem utilizada sob licença da Shutterstock.com, disponível em: . 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