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O PACIENTE NEUROLOGICO
A avaliação neurológica,
permite definir o tipo de alteração de
consciência e inferir a etiologia.
Permite localizar
topograficamente a lesão neurológica,
através da análise do nível de
consistência, pares cranianos, avaliação
motora e padrão respiratório
Importante: diferenciação entre lesão
estrutural e uma alteração metabólica
como causa do coma
● Lesão estrutural: determina déficits
unilaterais e progressão rostro-
caudal das funções do tronco-
cerebral
● Causas metabólicas: presença de
movimentos involuntários
(asterixis: tremor no pulso quando
estendido; convulsão; mioclonia:
contrações repentinas,
incontroláveis e involuntárias de
um músculo ou grupo de músculos),
principalmente quando ocorrem
bilateralmente
A avaliação neurológica deve abordar:
● Estado de consciência e de cognição
Função cerebelosa
● Nervos Cranianos
● Irritação meníngea
● Força e tônus muscular
● Coordenação
● Sensibilidade
● Marcha e equilíbrio
● Reflexos
A avaliação neurológica deve ser
realizada no início do tratamento,
mensalmente, quando possível ou, no
mínimo, de 6 em 6 meses.
Na Alta.
Com maior frequência durante neurites
e reações, ou quando houver suspeita
destas; durante ou após tratamento. E
quando houver queixas do paciente.
SEMIOTÉCNICA DO EXAME NEUROLÓGICO
Anamnese:
● Queixa e duração
● História da moléstia atual
● Início: súbito ou insidioso:
Súbito: ruptura de aneurisma
Insidioso: lesão expansiva, Doença de
Parkinson e Doença de Alzheimer
● Evolução: estacionária, regressiva,
progressiva, paroxística,
recidivante, ondulante
Evolução Estacionária: doença que
deixou sequela, como trauma medular
ou hemorragia cerebral
Evolução Progressiva: patologias que
aumentam com o tempo, como
doenças degenerativas e as lesões
expansivas
Evolução Ondulante: caracteriza
algumas doenças que sofrem influência
de fatores internos, como hipo ou
hiperglicemia, uremia, amonemia...
● Tratamentos anteriores
● Interrogatório Sintomatológico
● Antecedentes Pessoais
● Antecedentes Familiares
Exame Físico/Psíquico:
● Estado de Consciência: coma,
confusão mental, delírio e excitação
psicomotora
● Estado Mental: orientação auto e
alopsíquica, atenção, memória
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(fixação, conservação e evocação),
afetividade, associação de idéias,
raciocínio, alucinação e ilusão
● Estado Emocional: apatia,
depressão, ansiedade e
hipermotividade
O paciente pode estar inconsciente.
Poderá estar deitado, no leito de olhos
fechados, diferindo do sono por não ser
possível despertá-lo. Neste caso o
paciente está em coma
O paciente inconsciente poderá
estar acordado, deambulando ou
agitado. Neste caso poderá não
obedecer as ordens, não conseguir
manter diálogo coerente ou apresentar
alucinações, ilusões ou delírios. Estes
casos chamados de estados
confusionais
Exame Neurológico: tem como
objetivo ajudar na determinação da causa,
ter um parâmetro para o seguimento
evolutivo e para ajudar na determinação
do prognóstico do paciente
Dados importantes do Exame
Neurológico:
● Nível de consciência
● Padrão Respiratório
● Tamanho e resposta pupilar a luz
● Motricidade ocular espontânea ou
reflexa
● Resposta motora esquelética
NÍVEL DE CONSCIÊNCIA E COGNIÇÃO
Consciência: capacidade do
indivíduo de reconhecer a si mesmo e
aos estímulos do ambiente
Refere ao estado de alerta e
consciência (conhecimento que temos
de nós mesmos e do mundo) do
indivíduo em relação ao meio ambiente
ALTERAÇÕES QUALITATIVAS:
Confusão: respostas
inapropriadas; diminuição da atenção e
memória. Caracteriza por um
embotamento sensório, dificuldade de
compreensão, atordoamento e
perplexibilidade, juntamente com
desorientação, distúrbios das funções
associtivas e pobreza ideativa. O
paciente demora a responder os
estímulo e tem desinteresse no
ambiente. A face apresenta uma
expressão ansiosa, enigmática e as
vezes surpresa
Obnubilação: alterada a
capacidade de pensar claramente, para
perceber, responder e recordar
estímulos comuns, com a rapidez
habitual. O paciente tende a cair no
sono enquanto não é estimulado
Letargia: sonolência marcada;
respostas adequadas quando acordado,
de estímulos brandos
Delírio: confusão com
percepção inadequada e diminuição da
atenção; ansiedade marcada com
hiperatividade motora e sensitiva
Estupor: despertável por curtos
períodos a estímulos verbais, visuais ou
dolorosos; respostas motoras simples e
lentas. Ausência ou profunda
diminuição dos movimentos
espontâneos
Coma: não despertável;
descerebração a estímulos dolorosos.
Hiperalerta: estado na qual o
paciente encontra-se ansioso, com
hiperatividade autonômica e respostas
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aumentadas aos estímulos. Pode
ocorrer em consequencia ao uso de
drogas (anfetamina, cocaína),
abstinência (benzodiazepínicos) ou
stress pós-traumático
Demência: quadro de perda
permanente e progressiva, em geral,
evoluindo em meses a anos, das funções
cognitivas, sem alteração do estado de
alerta ou nível de consciência
Abulia: comportamento em que há
uma grave apatia com diminuição ou
ausência do comportamento emocional ou
mental, em que paciente nem fala ou se
movimenta espontaneamente, embora
esteja alerta e reconheça estímulos do
ambiente. Geralmente ocorre em
pacientes com lesões frontais bilaterais
Catatonia: estado em que o
indivíduo pode ficar mudo, e com
diminuição acentuada da atividade motora,
geralmente associado a quadros
psiquiátricos
O que separa o estado de coma do
diagnóstico de morte encefálica é a
irreversibilidade do último, com
repercussões sistêmicas sobre a
homeostase de órgãos vitais
Transtornos mais comuns:
Obnubilação: pacientes que
sofrem TCE e processos infecciosos
agudos, pode ser efeitos colateral de
alcool e drogas
Confusão: ocorre na fase aguda
de algumas doenças mentais, nas
doenças associadas a fatores tóxicos,
infecciosos ou traumáticos, na elipepsia
e em situações de stress emocional
Esturpor: esquizofrenia, em
intoxicação, doenças orgânicas,
depressão profunda, reações epiléticas
e histéricas
A ESCALA DE GLASGOW
Desenvolvida para avaliação e
seguimento de trauma encefálico,
porém ganhou uso irrestrito para
pacientes com alterações agudas da
consciência
Tem boa sensibilidade na
predição da mortalidade e do
prognóstico neurológico em várias
condições, como: coma não
traumático, AVC, meningites e
pacientes críticos. No entanto, existem
limitações para seu uso, pois alterações
de pares cranianos e alterações súbitas
da consciência podem passar
despercebidas
A Escala de Coma deGlasgow
(ECGl) e a Escala de Coma de Jouvet
(ECJ), são duas escalas usadas na
avaliação da consciência em nosso
meio.
Escola de Jouvet: é ideal para o
acompanhamento de pacientes em
recuperação funcional após quadros
neurológicos graves
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Capacidade Cognitiva:
● Orientação T/E
● Analogias
● Pensamento abstracto
● Cálculos aritméticos
● Capacidade de escrita
● Capacidade motora (praxis)
● Reconhecimento de objetos (gnosia)
● Memória
● Atenção: é a capacidade de se
concentrar a atividade psíquica
durante um certo período, numa tarefa
ou atividade
● Juízo crítico
● Distorções de percepção
Aparência e Comortamento:
● Asseio e cuidado com aparência
● Estado emocional
● Linguagem corporal
Discurso e Linguagem:
● Qualidade da voz
● Articulação das palavras
● Compreensão
● Coerência
● Afasia
SENSIBILIDADE
● Superficial: tátil, térmica e dolorosa
● Proprioceptiva ou profunda: cinético-
postural ou vibratória
● Disestesia: sensação alterada em
relação ao estímulo
MOTRICIDADE
● Os movimentos podem ser
classificados como intensionais,
voluntários ou reflexos
● Avaliar a marcha: com e sem apoio
● Verificar paresias e plegias
● Movimentos involutários anormais
● observar movimentos anormais;
● trofismo;
● tônus muscular (palpar o músculo,
movimentar passivamente as
articulações, balanço distal das
extremidades);
● força muscular (provas comparativas
contra a força da gravidade e provas
contra-resistência - escala do MRC
graus 0 a 5)
Força Muscular:
0 - sem contração
1 - detecta-se ligeira contração
2 - movimento é eliminado pela gravidade
3 - move-se contra a gravidade
4 - move-se contra pequena resistência
5 - move-se contra forte resistência
Métodos: abdução do braço, extensão do
punho, flexão do punho, abdução e adução dos
dedos, flexão e extensão do joelho
COORDENAÇÃO:
● Equilíbrio estático
● Se o equilíbrio surgir ou aumentar de
olhos fechado: Sinal de Romberg
(labirintopatias)
● Taxia cinética:
● Observar continuidade do movimento
e metria
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● Observar se piora com os olhos
fechado (retirada do controle visual
requer integridade do controle
proprioceptivo
● Nistagmo: são oscilações repetidas e
involuntárias rítmicas de um ou ambos
os olhos em algumas ou todas as
posições de mirada, podendo ser
originarias de labirintites,
maculopatias, catarata congênita, e
outras causas neurológicas
É o melhor exame na semiologia
otoneurológica
Nistagmo uniocular: sempre de origem
central
Nistagmo multidirecional: em geral de
origem central
● Movimentos oculares incoordenados,
ora mais rápidos ora mais lentos, mas
sem caracterizar um nistagmo típico, é
de origem cereberal
● Habilidade: escrever, vestir-se,
abotoar-se
REFLEXOS PROFUNDOS
● Limiar de elicitação da resposta
● Latência da resposta
● Amplitude da resposta
● Tamanho da área reflexógena
● Número de resposta
● Tipos: peitoral, triciptal, biciptal,
estilorradial, flexor dos dedos, costo-
abdominal, médio-púbico, adutor da
coxa, patelar, aquileu, flexor dos dedos
Observações:
Reflexos assimétricos são sempre
anormais;
Presença de clônus caracteriza a
hiper-reflexia máxima;
No estiramento sustentado o
normal é não haver resposta, o anormal é
ocorrer múltiplas contrações e
relaxamentos do músculo estudado;
Arreflexia deve ser estudada junto
com os demais achados, visto que o reflexo
pode estar ausente em indivíduos normais;
A hiper-reflexia sempre identifica a
presença de uma lesão na via piramidal. A
razão disso deve-se ao fato da via piramidal
exercer efeito inibitório sobre o
motoneuronio gama, estes controlando a
tensão da fibra muscular, ou seja,
provocando relaxamento das fibras.
REFLEXOS SUPERFICIAIS
● Cutâneoabdominais: retração da
cicatriz umbilical para o lado
estimulado. Pode estar ausente no
abdome muito flácido. Importante
avaliar simetria da resposta, pois
assimetrias devem ser patológicas.
● Cremasteriano: patológico se ausente.
● Córneopalpebral: ver em pares
cranianos.
● Cutaneoplantar: o mais relevante
reflexo a ser pesquisado. Se há flexão
do grande artelhos se diz reflexo
plantar normal. Quando a manobra
provoca a extensão do grande artelho
com abertura em leque dos demais
podáctilos estamos diante de um
reflexo plantar anormal, ou Sinal de
Babinski. Outras monobras podem
evidenciar o Sinal de Babinski, como:
Manobra de Oppenheim, de Gordon,
de Schaeffer, ou Chaddock.
O Sinal de Babinski esta presente em
crianças até 12 meses de vida, devido a
mielinização incompleta do SNC.
FUNÇÃO CEREBELOSA
• Prova dedo-nariz
• Prova calcanhar-joelho
• Movimentos alternantes rápidos
• Prova de Romberg
• Marcha
PADRÃO RESPIRATÓRIO
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O coma tem sido relacionado a
alterações respiratórias por acometimento
dos centros respiratórios em tronco
cerebral ou por interferência na região
suprabulbar destes centros
Fatores como sedação, anestesia,
intoxicação exógena, ventilação mecânica
e outros podem interferir no padrão
respiratório
A hiperventilação tem sido
relacionada com lesão pontina, porém é
mais frequentemente desencadeada por
choque, insuficiência respiratória, febre,
sepse e distúrbios psiquiátricos.
1. Respiração de Cheyne-Stokes: oscilação
lenta entre hiperventilação e hipoventilação
intercalados por períodos de apnéia. Pode ser
encontrada em pacientes com lesões
hemisféricas bilaterais ou insultos
diencefálicos. Paciente com ICC grave
2. Respiração tipo neurogênica central:
caracterizada por um quadro de
hiperventilação rápida e sustentada, em geral
com FR entre 40-70/min
Observada em pacientes com
lesões do tegumento pontino
3. Respiração apnêustica: respiração profunda
com pausa de 2-3 segundos no final
Observada em pacientes com
lesões encefálicas
4. Respiração do tipo salvas: caracteriza-se por
movimentos respiratórios periódicos de
amplitude e frequencia irregulares,
intercalados por pausas respiratórias
Pacientes com lesões encefálicas
5. Respiração tipo atáxica: padrão irregular de
frequencia, ritmo e amplitude
Pacientes com lesões geralmente
acometendo bulbo
AVALIAÇÃO DE PARES CRANIANOS
REFLEXOS PUPILARES A avaliação dos
movimentos oculares e do reflexo pupilar
fornece informações importantes sobre a
localização da alteração do tronco
encefálico
Dilatação pupilar unilateral é
evidência de compressão de nervo
oculomotor e ruptura de aneurisma
Midríase bilateral e ausência de reflexo
fotomotor são sinais de lesões extensas de
mesencéfalo, intoxicação exógena
(antidepressivo tricíclico, carbamazepina)
ou morte encefálica
Miose unilateral sugere síndrome de
Hoener (deservação simpática ipsilateral)
Miose bilateral é encontrada em lesões de
ponte, intoxicação por opióide e na
toxidade colinérgica
Avaliamos o tamanho e a simetria
das pupilas, bem como a sua reação à luz,
que permitem inferir sobre compressões
do terceiro e quartonervos.
● Pupilas dilatadas e arreativas indicam
lesão bilateral do tronco.
● Assimetria (anisocoria) indica lesão
unilateral de tronco por herniação de
porção do lobo temporal (uncus).
A presença de posturas motoras
anômalas decorticação (flexão de membros
superiores e extensão de membros
inferiores) e descerebração (extensão de
membros superiores e inferiores) indica
progressiva lesão de tronco.
Estes sinais aparecem tardiamente,
sendo insuficientes para permitir bons
resultados.
FISIOPATOLOGIA
As estruturas capazes de manter o
indivíduo alerta ou desperto, estão
localizadas na formação reticular e outras
estruturas entre a região ponto-
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mesencefálica e o diencéfalo (tálamo e
hipotálamo) chamada de sistema ativador
reticular ascendentes
O sistema ativador reticular
ascendente (SARA) intervém na regulação
do estado de vigilância. Isso significa que as
percepções apenas se tornam conscientes
quando a córtex é estimulada por impulsos
contínuos procedentes da formação
reticular
Lesões nestas estruturas ou que
acometem os hemisférios cerebrais de
foram difusa ou multifocal podem levar a
alterações do nível de consciência ou até
mesmo o coma
CAUSAS: Alterações simétricas não
estruturais: intoxicação, uso de drogas,
distúrbios metabólicos (hiponatremia,
hipernatremia, hipóxia, hiperglicemia,
hipoglicemia, uremia, encefalopatia hepática),
infecções (meningite), quadros psíquicos
Alterações estruturais: oclusão
bilateral de carótida interna, hemorragia
subaracnóidea, hidrocefalia, tumores...
ABORDAGEM DIAGNÓSTICA: O manuseio
inicial do paciente em coma deve enfatizar
os cuidados básicos para manter via aérea
e ventilação adequada, estabilidade
hemodinâmica e outras medidas para
minimizar os danos ao encéfalo e outros
órgãos vitais
A identificação da causa deve se
iniciar pela coleta de informações com
familiares e pessoas que possam ter
presenciado a evolução clínica
Importante: obter dados com
relação à forma de instalação e evolução
do quadro, possível uso de drogas ou
substâncias tóxicas, presença de febre,
história de trauma, doenças prévias e
antecedentes psiquiátricos
Exame Clínico Geral: Devem-se obter
sinais vitais, PA, pulso, FR, temperatura e
nunca esquecer de obter a glicemia, já que
a hipoglicemia uma vez identificada deve
ser prontamente revertida com infusão de
glicose a 50%, para evitar danos
irreversíveis ao encéfalo
CAUSAS DE ALTERAÇÃO DE NÍVEL
DE CONSCIÊNCIA E COMA
TRAUMATISMO CRANIOENCEFÁLICO
É importante causa de morte e de
deficiência física e mental, superado
apenas pelo acidente vascular cerebral
(AVC)
As informações sobre o evento
traumático devem ser colhidas de
observadores. Deve-se procurar saber
sobre a causa do traumatismo, a
intensidade do impacto, a presença de
sintomas neurológicos, convulsões,
diminuição de força, alteração da
linguagem, e, sobretudo, deve-se
documentar qualquer relato de perda de
consciência
A amnésia para o evento é comum
nas concussões. Pode haver, também,
perda de memória retrógrada (para
eventos ocorridos antes do trauma) ou
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anterógrada (para os eventos que se
sucederam logo após o trauma). A amnésia
é característica dos TCEs que cursam com
perda de consciência
Radiografia de crânio nas
incidências ântero-posterior e lateral. As
fraturas da convexidade são geralmente
bem visíveis, mas as fraturas da base
podem ser vistas em menos de 10% dos
casos.
A tomografia computadorizada de
crânio pode demonstrar fraturas,
hematomas intra e extra-cerebrais, áreas
de contusão, edema cerebral, hidrocefalia,
e sinais de herniação cerebral.
A ressonância magnética permite
verificar a presença de lesões de difícil
visualização à tomografia
computadorizada, como hematomas
subdurais, além de definir melhor a
presença de edema. Entretanto, é um
exame prolongado, o que dificulta a sua
realização de rotina em pacientes com TCE.
A angiografia cerebral é indicada para
avaliar lesões vasculares no pescoço ou na
base do crânio.
Alteração da consciência. O coma
pode ser mais prolongado, durando várias
horas, dias ou semanas quando há
tumefação, hemorragia, LAD ou contusão
ou laceração do córtex. Quando os
pacientes saem do coma podem
apresentar cefaléia por mais de 12 horas,
confusão mental
Transtorno da função
neuromuscular: aumento do tônus (centros
superiores do encéfalo), tremor (gânglios
da base ou o cerebelo), hipotonia
(transecção da medula cervical), ataxia,
perturbações das reações de
endireitamento e equilíbrio (lesão do
tálamo)
Transtorno da linguagem,
comunicação e audição: afasia
Paralisias de nervos cranianos
ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO
Caracterizado pela perda rápida de
função neurológica, decorrente do
obstrução (isquemia) ou rompimento
(hemorragia) de vasos sanguíneos
cerebrais.
É uma doença de início súbito na
qual o paciente pode apresentar
paralisação ou dificuldade de
movimentação dos membros de um
mesmo lado do corpo, dificuldade na fala
ou articulação das palavras e déficit visual
súbito de uma parte do campo visual. Pode
ainda evoluir com coma e outros sinais.
Perda ou dificuldade súbita do
movimento dos membros de um mesmo
lado do corpo sugere fortemente AVC
A tomografia pode ser o exame
inicial de escolha por sua disponibilidade e
rapidez. Serve principalmente para
diferenciar o AVC por
entupimento/isquemia do hemorrágico, o
que muda radicalmente a conduta médica.
HIPERTENSÃO INTRACRANIANA
Deve ser sempre suspeitada em
pacientes com alteração mental. A suspeita
aumenta nas seguintes condições: História
de trauma, tumor ou infecção
Exame físico: sinais de trauma
craniano, papiledema (inchaço do disco
óptico), sinais de herniação (ocorre quando
algo dentro do crânio gera pressão que
move tecidos cerebrais. Isso geralmente é
o resultado do inchaço do cérebro de um
ferimento na cabeça, o paciente apresenta
pulso irregular, perda de todos os reflexos
do tronco cerebral, perda progressiva da
consciência...), reflexo de Cushing
(hipertensão arterial e bradicardia)
ENCEFALOPATIA HEPÁTICA
É uma manifestação de doenças no
fígado, aonde há um excesso de produtos
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tóxicos provenientes da alimentação e do
próprio fígado, que deveria eliminá-las
Cirrose: fígado torna-se incapaz de
eliminar ou transformar esses tóxicos pela
destruição das suas células e/ou porque o
sangue que vem do sistema digestivo é
desviado do seu caminho normal e vai
direto para a circulação geral (incluindo a
do cérebro) sem passar pelo fígado antes
A maioria das teorias baseia-se na
comprovação de que a concentração
de amônia no sangue está aumentada nos
cirróticos, especialmente naqueles com
encefalopatia. A amônia é produzida
principalmente no intestino e deveria ser
transformada em uréia (ou glutamina, a
partir de glutamato) pelo fígado e
eliminada pelas fezes e urina. Essa amônia
em excesso, no cérebro, afeta os
neurotransmissores e portanto o
funcionamento cerebralA grande maioria dos cirróticos
portadores de encefalopatia hepática não
apresenta nenhuma queixa. Há apenas
uma discreta lentificação e redução da
atenção, que podem ser detectados com
exames específicos
Com a progressão da doença, há
graus progressivos de encefalopatia, que
pode cursar com alterações no
comportamento (palavras inapropriadas,
agitação, agressividade, comportamento
bizarro), mudança no ciclo sono-vigília
(sono de dia, insônia à noite), fala
arrastada, sonolência e, por fim, coma.
Geralmente há alguns sinais durante esse
processo, como tremores e um hálito
adocicado característico
DESORDENS PSIQUIÁTRICAS
Surtos de esquizofrenia ou de
mania podem simular um delirium, mas em
geral provocam alterações cognitivas
menos expressivas
Presença de alucinações e ilusões
são mais frequentes
ESTADO CONFUSIONAL AGUDO OU DELIRIUM
Constituem um problema
psiquiátrico frequente em hospitais gerais,
ocorrendo em 10-50% dos pacientes
internados
Caracterizam por sintomas de
início agudo e de caráter flutuante
Incluem: inatenção,
desorganização do pensamento e alteração
do estado de despertar
Desorientação em relação ao lugar
e ao tempo são comuns e pode haver
distúrbios de memória
Critérios Diagnósticos:
● Início agudo, tendência a flutuação dos
sintomas
● Inatenção
● Desorganização do pensamento
Pelo menos 2 dos seguintes itens:
● Redução do nível de consciência
● Alteração de percepção
● Distúrbio do ciclo sono-vigília
● Aumento ou redução da atividade
psicomotora
● Desorientação
● Distúrbio de memória
E um dos seguintes sintomas:
● Evidência de fator orgânico que possa
ser a causa do distúrbio
● Ausência de doença mental que possa
explicar os sintomas
Fatores de risco:
Disfunção cognitiva prévia: os
pacientes com demência tem história de
disfunção cognitiva de início insidioso e
piora progressiva, com meses ou anos de
evolução
Idade: pacientes idosos são
particularmente mais propensos
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Fatores associados a vulnerabilidade:
disfunção hepática e renal (disfunção na
metabolização), aumento da toxidade de
drogas, diminuição da perfusão cerebral,
redução da eficiência de neurotransmissores
Drogas: atenção especial a neurotoxidade
dos medicamentos em pacientes internados
Doença Sistêmica grave, Imobilidade,
desidratação e disfunção sensorial
DISTÚRBIOS METABÓLICOS
1. HIPONATREMIA: concentração de
sódio menor que 135
Diarréia ou vômito, ou quando
água em excesso se acumula no corpo em
uma taxa maior do que pode ser excretada
Manifestações clínicas: fraqueza,
adinamia, anorexia, náusea, vômito,
manifestações neurológicas costumam ser
progressivas e dependem do valor de sódio
Uma hiponatremia grave ou
rapidamente progressiva pode resultar em
inchaço do cérebro (edema cerebral),
sendo os sintomas da hiponatremia
principalmente neurológicos.
2. HIPERNATREMIA
Concentração de sódio maio que
145, a consequencia é a hiperosmolaridade
com desidratação celular
Achado dominante: profunda
desidratação com mucosas ressecadas
Sede intensa, fraqueza muscular, confusão,
convulsões, coma
As alterações osmóticas no SNC
podem desencadear ruptura vascular,
sangramento cerebral, hemorragia
subaracnóidea e sequela neurológica
permanente
3. HIPOCALEMIA
Concentração de potássio menor
que 3,5
Pequenas alterações no potássio
podem implicar em profundas alterações
na condução e excitabilidade do coração,
podendo alterar a funcão, o ritmo e causar
uma PCR
4. HIPOGLICEMIA
Cefaléia, sonolência, tontura,
astenia, dificuldade de concentração,
lentificação do pensamento, confusão,
irritabilidade, déficits neurológicos focais,
convulsão, coma
Qualquer paciente que chegue no
PS com agitação, confusão, coma ou
mesmo déficit neurológico deve
imediatamente verificar-se a glicemia
Nos casos de hiperglicemia:
presença de rebaixamento de nível de
consciência em apenas 25%, geralmente o
paciente chega em estado de alerta
SÍNDROMES DE ABSTINÊNCIA: Abstinência
alcoolica é a causa mais comum de estado
confusional agudo
Deve-se suspeitar em pacientes com
uso prolongado de alcool
Sistomas sistêmicos exuberantes:
tremor de extremidade, taquicardia,
hipertensão, febre e sudorese
Sintomas neurológicos:
hiperexcitabilidade, alucinações, crises
epiléticas, caracterizando um quadro
clássico de delirium tremens
Benzodiazepínicos constituem o
tratamento de escolha
PRIORIDADES NO ATENDIMENTO DE
PACIENTES COM ALTERAÇÃO DO ESTADO
MENTAL
1. Considerar possibilidade de trauma
cervical, não manupular o pescoço
2. Airway:Proteger vias aéreas (intubar se
Glasgow < 9)
3. Breathing: evitar hipoxemia, manter
normocapnia
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4. Circulatin: evitar e tratar hipotensão
5. D-Diabetes: Determinação da glicemia
Se a glicemia < 60 e o paciente possui risco
para desenvolver encefalopatia de
Wernicke (desnutrido e alcoolista):
prescrever TIAMINA (100mg EV) junto
com a glicose
6. Considerar intoxicação exógena por
drogas
7. História e fatores de risco para epilepsia
(sinal de mordedura, escoriação)
8. Sinais de infecção do SNC
9. Glasgow
10. Verificar sinais de herniação cerebral
11. Investigar diagnósticos diferenciais
EXAMES COMPLEMENTARES
Avaliação Metabólica: São úteis no
rastreamento de distúrbios metabólicos e
disfunções orgânicas, sobretudo no
atendimento de urgência de um paciente
com alteração no estado mental
INCLUEM: sódio, potássio, uréia,
cálcio, glicose, creatinina, transaminases,
bilirrubinas, amônia
Em pacientes já internados a
avaliação laboratorial pode ser mais
dirigido
Neuroimagem: Indicado sempre que
houver sinal neurológico focal ou forte
suspeita de processo expansivo craniano,
como tumores e hematomas
Pacientes em coma sem causa
evidente também devem realizar exame de
neuroimagem o mais rapidamente
possível, mesmo que não haja sinal focal
Líquor: Realizar em suspeita de infecção do
SNC. Contra-indicado em suspeita de
processo expansivo
Rastreamento toxicológico: Realizado em
situações em que há suspeita de uso ou
abuso de drogas
Eletroencefalograma: Importante na
confirmação diagnóstica e no manuseio do
estado de mal convulsivo e não convulsivo
Útil para diagnosticar e quantificar
encefalopatia metabólica
CONDIÇOES DE VIDA INFANTIL: Situação social,
jurídica e econômica da família: Abandono de
lar, separação, trabalho dos pais, situação
econômica, habitação, alimentação e vestuário.
Relações Afetivas e Atitudes dos Pais:
Relacionamento dos pais, postura dos pais com
relação aos filhos (mimos, indiferença, rigidez,
disciplina, castigos físicos)
Ajustamento durante a infância:
Temperamento, relação com outras crianças e
com os adultos (isolamento, sociabilidade,
liderança, submissão, brigas e conflitos
habituais, ciúme, inveja), brinquedos e
brincadeiras preferidas, manifestação de
distúrbios emocionais ( tiques, gagueira, fobias,
crises de birra, timidez, roer unhas, chupar
dedos, enurese, chamar a atenção, postura de
vítima)
ESCOLARIDADE: Pré-escola, idade de
alfabetização, dificuldades de aprendizado,
comportamentona escola, relacionamento
com colegas e professores, reprovações,
expulsões, quando e porque parou de estudar
VIDA PROFISSIONAL: Idade com que começou
a trabalhar, empregos e funções,
relacionamento com superiores e
subordinados, frustrações profissionais,
projetos para o futuro.
PSICOSEXUALIDADE: Primeiras informações
sobre sexo, gestação, parto, coito, masturbação
reações frente a elas, experiências
homossexuais, coito com animais, condutas
masturbatórias, primeiras experiências sexuais,
namoros, frustrações, atitude diante do sexo
oposto, disfunções sexuais, métodos
contraceptivos, casamentos
PADRÕES DE AJUSTAMENTO ANTERIORES À
DOENÇA E ATUAIS: Situação econômica,
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
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hábitos sociais, traços de personalidade antes
de adoecer;
O que mudou: Impacto da doença
sobre sua pessoa, relacionamentos, trabalho,
família. Perspectivas futuras
DMA – DIAGNOSTICO MEDICO AMPLIADO
ANTROPOLOGICO CULTURAL – denotando a
trajetória do individuo ate o seu estado atual.
● cor
● cultura (grupos Etnicos, religião, restrição
social)
● influencia multi-cultural com ou sem
predomínio de uma ou mais culturas
especificas, ex:
URBANA/METROPOLITANA/INTERIORANA/
RURAL. multicultural), origem nacional o
regional
● espiritualidade: intrínseca/extrínseca/não-
desenvolvida/ateu ou agnóstico
● sexualidade: IDENTIDA DO
GENERO:Homem/mulher/transgenero:
travesti ou transex.
● ORIENTAÇAO SEXUAL:
Heterosexual/homossexual/bissexual
● Satisfaçao afetiva e sexual
● Escolaridade
SOCIO-ECONOMICO
● Tipologia familiar
NUCLEAR:Casal com ou sem filhos sem
parentes e não parentes; Chefe
Mulher ou homem com filhos sem
parentes e não parentes
ESTENDIDO: Casal com ou sem filhos
com parentes e sem não parentes/
Chefe Mulher ou Homem com ou sem
filhos com parentes e sem não
parentes/
UNIPESSOAL: Unipessoal
feminino/Unipessoal masculino
COMPOSTO:Casal sem filhos sem
parentes e com não parentes
● Classe social (a19,7 mil – a2 6,5mil – b1
3,5mil – b2 2mil – c1 1,2mil – c2 700 –d
500 – e 270) em RENDA per capta
● Condição moradia (própria, aluguel,
condições...)
● Ocupação profissão
● Lazer
● Atividades sociais( relações com amigos,
familiares e comunidade)
● integraçao social
● Vulerabilidade = acesso a serviços básicos,
saneamento,saúde, segurança, educação,
renda, fragilização de vínculos afetivos,
idade, gênero, deficiências, orientação
sexual,
● RISCO SOCIAL: vinculo rompido e direito
violado (abandono, maus tratos, trabalho
infantil, abuso, drogas, prostituição,
situação de rua...) encaminha p/ proteção
social
PSICO-EMOCIONAL
Fala, Expressões cronologiacas
Relações familiares
EXPRESSAO FACIAL EM RELAÇAO A VIDA
EXAME MENTAL
Avaliação e perguntas introdutórias
1. Providenciar local com privacidade e
conforto para a entrevista (no caso de
pacientes muito irritados, potencialmente
agressivos, evitar lugares trancados e de difícil
acesso ou evasão).
2. Apresentar-se ao paciente e depois explicar
brevemente o objetivo da entrevista.
3. Buscando estabelecer um contato empático
4. Qual seu problema? Tem alguma
dificuldade? Sente que algo não vai bem?
5. Como começaram seus problemas?
6. Quais os tratamentos que fez até hoje? Quais
foram os resultados desses tratamentos?
7. De onde vem seus problemas? A que o(a)
senhor(a) atribui os seus problemas?.
8. Observe desde o início da entrevista a
postura e vestimenta (incluindo adornos e
maquiagem) do paciente, seus
comportamentos não-verbais. a mímica, a
aparência física geral.
9. Verificar o impacto que os sentimentos da
entrevista produz (pena, medo, curiosidade,
chateação, confusão, dúvidas, tédio, irritação,
etc.). Perguntar-se: o paciente é repulsivo ou
atraente, simpático ou antipático, produz em
mim o desejo de ajudá-lo ou de querer não
mais vê-lo, etc.
10. Utilize uma linguagem e um vocabulário
compatível com o nível intelectual do paciente.
11. É conveniente utilizar perguntas mais
abertas para os pacientes com bom nível
intelectual. Para os pacientes com déficit
intelectual, com quadros demenciais ou muito
desestruturados deve-se preferir perguntas
mais fechadas, mais estruturadas, que
permitam respostas do tipo sim ou não.
SEMIOTÉCNICA DA CONSCIÊNCIA
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
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Qualquer alteração do nível de
consciência repercute no funcionamento global
do psiquismo. Ele deve ser avaliado em
primeiro lugar.
Observar pela fácies e atitude do
paciente se é possível notar que ele está
desperto ou sonolento!
Lembrar que é pela orientação
(principalmente têmporo-espacial) que muitas
vezes podemos avaliar o nível de consciência!
Teste da parede ou do papel branco:
Pedir ao paciente que olhe atenta e fixamente
em uma parede branca (ou papel grande
branco): O paciente com leve rebaixamento do
nível de consciência poderá ao fazer isso
apresentar alucinações visuais simples ou
complexas.
SEMIOTÉCNICA SIMPLIFICADA DA ATENÇÃO
A avaliação mais simples e prática da
atenção é pedir ao paciente que olhe os
objetos que estão no quarto da entrevista e
que logo em seguida repita de cabeça o que
viu.
Prova de repetição de dígitos (dígito span):
Pede-se ao paciente que repita uma série de
dígitos que pronunciamos em voz alta.
SEMIOTÉCNICA DA ORIENTAÇÃO
(Orientação temporal) Que dia é hoje? Qual o
dia da semana? Qual o dia do mês? Em que
mês estamos? Em que ano estamos? Qual a
época do ano (começo, meio ou final do ano)?
Aproximadamente, que horas do dia são agora?
(Orientação espacial) Onde estamos? Como se
chama a cidade onde estamos? E o bairro? Qual
o caminho e quanto tempo leva para vir de sua
casa até aqui? Que edifício é este (hospital,
ambulatório, consultório, etc.) onde estamos?
Em que andar estamos?
(Orientação autopsíquica) Quem é o(a)
senhor(a)? Qual o seu nome? O que faz? Qual
sua profissão? Quem são os seus pais? Qual a
sua idade? (verificar a idade real do paciente).
SEMIOTÉCNICA DA SENSOPERCEPÇÃO
Alucinações auditivas Tem observado
coisas que não consegue explicar? Tem ouvido
vozes de pessoas estranhas ou desconhecidas?
Ouve vozes sem saber de onde vêm? Entende o
que dizem as vozes? Elas falam de perto ou de
longe? Falam alto ou baixo? São pessoas
conhecidas ou desconhecidas? São vozes de
homens, de mulheres ou de crianças? As vozes
vêm de dentro da cabeça ou de fora do corpo?
Por favor, repita-me textualmente o que dizem
as vozes! As vozes são reais ou produtos de um
transtorno ou doença? Acredita que eu
também possa ouvir essas vozes? Ouviu as
vozes durante a entrevista?
Alucinações visuais Tem visto algo
estranho, que lhe chamou a atenção? Talvez
tenha visto visões, animais, homens, figuras,
sombras, fogo, fantasmas, demônios, ou coisas
do tipo? Essas visões se mexiam ou eram fixas?
Assustou-se com tais visões? Tem as visões
apenas de noite ou também de dia? Apenas
quando está acordando ou adormecendo ou a
qualquer hora? O que vê? Descreva para mim!
Alucinações olfativas e gustativas Tem
notado um sabor ou um cheiro ruim na
comida? Alguém tem querido envenená-lo? Os
cheiros eram agradáveis ou desagradáveis?
Alucinações táteis e cenestésicas
Sente em seu corpo algo estranho?
Incomodam-no correntes elétricas ou
influências estranhas? Sente como se lhe
tocassem o corpo, lhe beliscassem, o batessem,
ou beijassem? Essas sensações são agradáveis
ou desagradáveis? Tem a sensação que tocam
nos seus genitais? Sente como se tivesseum
animal ou inseto dentro de seu corpo?
Alucinações cinestésicas Tem feito
movimentos contra sua vontade? Sente como
se levantassem seu corpo no ar? Sente como se
o chão oscilasse? Como se levasse um
empurrão?
SEMIOTÉCNICA DA AFETIVIDADE
Humor ansioso: Sente-se nervoso(a)?
Sente-se agoniado(a)? Com uma inquietação
interna? Sente angústia ou ansiedade? Sente
medos ou temores? Sente-se tenso(a)? Tem
dificuldades para relaxar? Tem dificuldades
para se concentrar? Tem insônia? Sente dores
de cabeça, dores nas costas? falta de ar?
Humor irritado: Você tem se irritado
com mais facilidade que antes? Os ruídos (da
televisão, de pessoas falando, de buzinas, etc.)
o(a) incomodam muito? As crianças o(a)
incomodam? Tem discutido ou brigado com
facilidade? Às vezes acha que vai explodir? Os
nervos estão à flor da pele? Tem, às vezes,
vontade de matar ou esganar alguém?
Humor triste, apático ou inibido: Você
tem se sentido triste ou melancólico(a)?
Desanimado (a)? As coisas que lhe davam
prazer agora lhe são indiferentes? Sente-se
cansado(a), sem energia? Sente-se fraco(a)?
Não se alegra com mais nada? Perdeu (ou
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aumentou) o apetite ou o sono? Perdeu o
interesse pelas coisas? Tem vontade de sumir
ou morrer? Sente que não tem mais saída
(desesperança)? Sente tédio? Realizar as
tarefas rotineiras passou a ser um grande fardo
para você? Prefere se isolar, não receber
visitas? Sente um vazio por dentro? Às vezes
sente-se como se estivesse morto(a)?
Humor hipertímico (alegre): Sente-se
mais alegre do que o comum? Mais
disposto(a)? Tem, nos últimos dias, mais
vontade de falar e andar do que geralmente?
Sente-se mais forte? Mais poderoso(a)? Sente o
tempo passar mais rápido? Tem muitos
amigos? Eles são importantes? Tem
propriedades ou é uma pessoa influente? Você
se acha inteligente? Acha-se uma pessoa
especial?
Emoções e sentimentos: Verificar
como é o padrão de reações emocionais do
paciente (reações emocionais intensas ou
atenuadas, fáceis ou difíceis de serem
desencadeadas, rápidas e superficiais ou
profundas e duradouras, etc.). Investigar que
sentimentos predominantes o paciente tem
pelas pessoas significativas de seu convívio.
Perguntar, por exemplo: você tem muitos
amigos? Você os vê com que freqüência? Como
você se dá com seus familiares? Você tem
relacionamentos íntimos com amigos ou
parentes? Como são esses relacionamentos?
Tem inimigos ou pessoas que odeia? Como isto
se iniciou?
SEMIOTÉCNICA DA IDEAÇÃO E IMPULSO
SUICIDAS : Após um contato inicial, deve-se
inquirir de modo que seja mais fácil para o
paciente falar sobre o tema, começando a
perguntar sobre o desejo de "desaparecer", de
"sair de cena", de "dormir para sempre" até o
desejo definido de se matar. O paciente
potencialmente suicida sente-se, muitas vezes,
aliviado de poder falar sobre o tema.
1. Tentaram o suicídio recentemente
(nos últimos meses ou anos) e continuam com
sérios problemas.
2. Que estavam muito deprimidos e
"melhoram" subitamente (pois tal "melhora"
pode resultar de ter, finalmente, decidido-se a
cometer o suicídio e assim livrar-se do
sofrimento).
3. Pessoas que, embora neguem o
impulso suicida, comportam-se de forma muito
auto-destrutiva, revelando o seu potencial
suicida.
4. Pessoas que "resolvem" seus
negócios (vendem pertences, fazem
testamento, etc.) sem um motivo aparente.
SEMIOTÉCNICA RESUMIDA DA PRAXIA
Pesquisa-se as apraxias solicitando-se ao
paciente comandos simples como feche os
olhos, lamba os seus lábios. Pede-se ao
paciente que realize com a mão direita (e
depois com a esquerda) ações como fazer de
conta que irá pentear os cabelos, escovar os
dentes, cortar as unhas, etc. Pode-se também
pesquisar o uso de objetos, pedindo-se que o
paciente imite o ato de "acender um fósforo"
ou "usar um telefone". Peça ao paciente que
desenhe um cubo, que tire e vista novamente
sua camisa e seus sapatos.
SEMIOTÉCNICA DA VOLIÇÃO E DA
PSICOMOTRICIDADE
O paciente vem a consulta por sua iniciativa ou
é trazido por alguém? A atitude geral do
paciente é passiva ou ativa? Colabora com o
entrevistador, é indiferente ou se opõe a ele?
Como são os seus movimentos espontâneos?
Seus gestos são lentos e "difíceis" ou rápidos e
"fáceis"? Anda de um lado para outro? Esfrega
as mãos? Mexe as pernas inquietamente?
Como é sua mímica de repouso? O tom da voz
é alto, baixo ou estridente? Fala
espontaneamente ou apenas quando
perguntado? Mostra-se hostil, contrariado,
agressivo? Parece ter dificuldades em controlar
seus impulsos? O paciente parece estar pronto
a explodir a qualquer momento? Faz
movimentos inadequados? Faz movimentos ou
gestos bizarros? O paciente parece ter
dificuldade em controlar suas emoções?
Pragmatismo: O que você tem feito
nos últimos dias e semanas? Você tem sido
capaz de trabalhar ou estudar no último mês?
O que você tem sido capaz de fazer? Você tem
dificuldade em terminar o que começa? O que
você faz para se divertir?
SEMIOTÉCNICA DO PENSAMENTO
Ao longo da entrevista, verificar: Como flui o
pensamento do paciente; seu curso
(velocidade, ritmo), forma e conteúdos. O
pensamento é lento e difícil ou rápido e fácil? O
raciocínio alcança o seu objetivo, chega a um
ponto final, ou fica "rodando" em volta de
temas secundários?
A forma e o tipo de pensamento. O
pensamento é coerente e bem compreensível?
Ou é algo vago, com trechos incompreensíveis?
O pensamento é predominantemente
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incompreensível, muito incoerente? Há
associações por assonância? Há fuga de idéias?
É concreto ou revela capacidade de abstração e
uso de símbolos e categorias de generalização?
O pensamento "respeita a realidade" ou segue
os desígnios dos desejos e temores do
paciente?
Caso trata-se de pensamento
desorganizado, incoerente, tal desorganização
é do tipo confusional (alteração da
consciência), demencial (alteração da cognição)
ou deficitária (pobreza homogênea)? Estão
presentes alterações características da
esquizofrenia
SEMIOTÉCNICA DA INTELIGÊNCIA
Qual a escolaridade do paciente?
Repetiu-se na escola, quantos anos de
repetência? Quais os motivos aparentes? (fugia
da escola, brigava muito, faltava, tinha medo da
professora, "não conseguia aprender", etc.)
Perguntar então (ao paciente ou a um familiar)
se ele sabe fazer contas, se sabe lidar com
dinheiro (conferir os trocos), se veste sozinho,
se é capaz de ir sozinho de ônibus ao centro da
cidade, se vê televisão e entende o que
acontece nas novelas ou filmes.
Após essa triagem inicial, verificar a
extensão do vocabulário do paciente, se sabe
ler e escrever, se. em algum período de sua
vida, leu gibis, revistas, livros ou jornais, se
soube escrever seu nome, bilhetes e cartas.
Tentar então verificar a capacidade de
abstração, generalização e sofisticação da
inteligência, perguntando: Que aves (pássaros)
você conhece? O que é uma fera? O que é um
monstro? O que é um homem covarde? Qual a
diferença entre fé e conhecimento? De onde se
obtém o açúcar? E o mel? E a gasolina? E o
álcool?
Testes simplificados de inteligência: Teste de
Wilson (Othmer e Othmer, 1994): Baseado na
capacidade de cálculo de multiplicação, este
teste simplesmente solicita ao paciente que
faça mentalmente multiplicações por 2,
progressivamente: 2 x 3; 2 x 6: 2 x 12; 2 x 24, e
assim por diante.
SEMIOTÉCNICA DE EPISÓDIOS DEPRESSIVOS
NO PASSADO
Você teve períodos em que se sentiu
muito triste, desanimado, perdeu o interesse,o
prazer pelas coisas? O apetite diminuiu ou
aumentou? Emagreceu ou engordou? Sentia-se
também irritado? Tinha insônia ou dormia de
mais? Sentia-se mais cansado que o habitual?
Perdeu o "pique"? Tinha dificuldade para
trabalhar, estudar? Sentia dificuldades para se
concentrar, tomar decisões? Tinha idéias
negativas, como pensar em morrer? Sentia-se
culpado ou arrependido?
Caso positivo: Quando foi que isto
aconteceu pela primeira vez? Ocorreu mais de
uma vez? Quanto tempo durava? Quanto foi o
último período? O que ajudou você a
melhorar? O que fazia piorar?
SEMIOTÉCNICA DE EPISÓDIOS MANÍACOS NO
PASSADO
Você teve períodos em que se sentiu
muito bem ou acelerado, seus familiares ou
amigos acharam que era “algo mais” que “estar
legal”? Teve períodos em que se sentiu muito
irritado? Nesses períodos sentia pouca
necessidade de dormir? Sentia-se mais forte,
poderoso? Teve períodos em que esteve bem
mais ativo que o comum, envolvendo-se em
muitas atividades? Vinham-lhe muitas idéias à
cabeça? Sentia-se especialmente auto-
confiante? Distraía-se muito?
Caso positivo: Quando foi que isso
aconteceu pela primeira vez? Ocorreu mais de
uma vez? Quanto tempo durava? Quando foi o
último episódio? Algo o ajudou a sair desse
estado, a ficar mais calmo?
SEMIOTÉCNICA DE SÍNDROMES ANSIOSAS E
NEURÓTICAS
Ataques de pânico: Você já teve
ataques ou crises de medo intenso, nos quais
se sentiu muito mal? Teve crises intensas de
ansiedade? Sentia falta de ar, formigamentos,
sensação de que iria morrer, perder o controle?
Duravam quanto tempo? Quando foi a primeira
crise? Quantas crises têm no mês?
Agorafobia: Tem medo de lugares
muito amplos, como supermercados, estádios,
cinemas, etc. Tem medo de ter um ataque de
ansiedade nesses lugares, ou de não poder
"escapar" deles?
Fobias simples: Tem medo de alguma
coisa, de algum animal, de sangue, facas, de
avião?
Fobia social: Você se acha uma pessoa
tímida? Você tem medo de falar em público, de
dar aulas? Tem medo de ir a festas, conhecer
gente nova? Tem receio de falar com pessoas
"mais importantes" que você? Tem medo ou
sente desconforto em comer na frente de
desconhecidos?
Idéias obsessivas: Você tem idéias ou
pensamentos que não saem de sua cabeça?
Que voltam sem parar e lhe incomodam? Quais
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
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são esses pensamentos? O que acha deles? São
absurdos ou reais?
Atos compulsivos: Você realiza algum
tipo de ato ou "ritual" de forma repetitiva? Tem
"manias" como lavar as mãos muitas vezes,
checar muitas vezes se as janelas da casa estão
realmente fechadas? Demora muito tempo no
banho? Os atos servem para "neutralizar"
algum pensamento ou idéia?
Crises dissociativas: Já teve desmaios
ou crises nervosas em que "desligou" (perdeu a
consciência)? Quando ocorreram? Quanto
tempo duravam? Com que freqüência? Algo
facilita que as crises ocorram (discussões,
brigas, etc.)? Você tem algum grau de controle
sobre esses “desmaios”?
Sintomas conversivos: Já teve
paralisias ou anestesias de partes do corpo?
Como surgiram? Tiveram a ver com algum
problema pessoal? Você ficou assustada? Teve
outros problemas no corpo (perder a voz, a
visão, por exemplo) relacionados com períodos
de nervosismo ou com brigas?
Sintomas hipocondríacos: Sente-se
muito preocupada com sua saúde física? Acha
que tem alguma doença? Pode ser grave?
Apesar dos exames darem negativos, acha que
realmente tem algo grave?
Caso positivo: Quando foi que estes problemas
(sintomas) começaram a acontecer? Houve
períodos nos quais estiveram melhores ou
pior? Algo ajudou você a melhorar desses
problemas?
ESCALA DE GOLDBERG PARA DETECÇÃO DE
DEPRESSÃO: Sim para três ou mais:
Sensibilidade = 85%. Especificidade = 90%
MINI EXAME DO ESTADO MENTAL (FOLSTEIN
et al)
Instruções para a administração do
Mini Exame do Estado Mental (MMSE):
Deixe o paciente confortável e
estabeleça um bom relacionamento com ele.
Faça as perguntas na ordem listada. A
pontuação máxima possível é de 30 pontos.
ORIENTAÇÃO: Pergunte pela data. Se alguma
parte for omitida, faça a pergunta específica (p.
ex., qual é o dia da semana? {qual é o mês,
estação do ano, etc.}). Marque 01 ponto para
cada resposta correta.
Em seguida pergunte, “você sabe o
nome desse hospital?” (cidade, estado, etc.). 01
para cada resposta certa.
MEMÓRIA IMEDIATA: Pergunte ao paciente se
você pode testar a memória dele (a). mencione
então, 03 (três) objetos não relacionados entre
si, lentamente e de forma clara (cerca de 01
segundo para cada). Após você dizer os três
objetos, peça ao paciente para repeti-los. A
primeira repetição determinará a pontuação do
(a) paciente (de 0 até 3, um ponto para cada
acerto). Continue repetindo os objetos, até que
o (a) possa repetir todos os três (até 05
tentativas). Se o (a) paciente não conseguir
memorizar os três objetos, a evocação não
poderá ser, confiavelmente, testada.
ATENÇÃO E CÁLCULO: Peça ao paciente para,
começando por 100, subtrair 07 pontos (p. ex.,
100 menos 07 = 93; 93-7=86, e assim por
diante). Interrompa após cinco subtrações (93,
86, 79, 72, 65). Some o número total de
respostas corretas (01 ponto para cada).
Alternativamente, peça para o (a)
soletrar a palavra MUNDO de trás para frente.
Dê 01 ponto para cada letra na posição correta.
EVOCAÇÃO: Pergunte ao paciente se ele (a) se
lembra das três palavras que você pediu,
anteriormente, para ele se lembrar. Um ponto
para cada resposta certa.
LINGUAGEM: Aplicar conforme orientado no
próprio exame.
O DELIRIUM TREMENS
É uma síndrome mental orgânica
transitória e flutuante de início agudo,
caracterizada por transtorno global das
funções cognitivas, reduzido nível de
consciência, anormalidades atencionais,
atividade psicomotora aumentada ou
diminuída, e desordem no ciclo vigília–
sono. Maior risco para mortalidade intra-
hospitalar e após alta, complicações
adicionais, estadia hospitalar prolongada e
pior declínio funcional, bem como maior
taxa de institucionalização.
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
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No envelhecimento normal, o
cérebro sofre alterações morfológicas,
hormonais e neuroquímicas. A diminuição
do volume cerebral e de seu peso, a
redução do número e do volume de
neurônios, declínio de 28% no fluxo
sanguíneo cerebral e perda neuronal em
muitas áreas, incluindo o neocórtex e o
hipocampo, a perda de dendritos e
sinapses são compensados por
mecanismos como o aumento de seu
metabolismo e o aumento na produção de
neurotransmissores (embora sua liberação
esteja reduzida), além do aumento no
tamanho dos terminais nervosos,
assumindo assim, a função da perda dos
terminais vizinhos.
O lócus cerúleo, Rafe e a
substância nigra, responsáveis pelos
mecanismos de excitação e inibição do SNC
via sistema reticular, diminuem as
concentrações de norepinefrina,
acetilcolina, dopamina, e GABA com o
avanço da idade. Logo, o resultado da
deficiência cerebral em compensar o
estresse neurológico de uma droga ou
doença pode levar ao delirium.
Além desses mecanismos, também
o aumento na sensibilidade dos receptores
ajudam a manter as respostas cerebrais
adequadas até que ocorra grande redução
de neurônios e exaustão dos mecanismos
compensatórios, surgindo assim, os
sintomas de insuficiência como o delirium
e a disfunção cognitiva.
Acredita-se que mais de um
mecanismo possa estar envolvido.
EPIDEMIOLOGIA: incluem fatorespredisponentes tais como preexistência de
demência, idade avançada e precipitantes
comuns. tais como infecção, drogas e
evento cirúrgico de grande porte.
O SISTEMA COLINERGICO: O
sistema colinérgico está relacionado a
funções conhecidas como a atenção,
processo de memória, despertar e o sono
REM. Portanto, alterações nesse sistema
acarretam o comprometimento dessas
funções, que estão presentes e alteradas
no delirium.
O grupo acetil da acetil-colina e de
sua precursora, a acetil-coenzima A, são
derivados da oxidação da glicose e
piruvato, através do catabolismo dos
carboidratos. Assim, ocorre síntese
reduzida de acetilcolina devido a hipóxia e
hipoglicemia. Também há diminuição de
sua síntese na deficiência de colina e
niacina.
A deficiência da tiamina afeta
negativamente o turnover da acetilcolina e
interfere com o metabolismo oxidativo
cerebral, ocasionando a morte celular em
animais.
Drogas anti-colinérgicas que
atravessam a barreira hematoencefálica
são capazes de induzir o delirium. A
atividade colinérgica reduzida tem sido
sugerida como a via final comum do
delirium, pelo fato do sistema colinérgico
ser particularmente vulnerável às
alterações metabólicas como a falta de
glicose e oxigênio, além de ser afetado
pelo bloqueio da liberação de acetilcolina
por efeito de drogas.
Também a dopamina, a
norepinefrina e a serotonina (relacionada
ao humor, alerta e cognição) estão
implicados no delirium, pelo fato desses
neurotransmissores serem relacionados
com o ciclo sono vigília e com o despertar,
alterações estas também presentes nesse
estado.
Os neurônios serotoninérgicos são
projetados do núcleo da rafe, para o córtex
cerebral e envolvidos nas funções de
agressividade, impulsividade, atividade
motora, humor, bem como psicose
(agonistas da dopamina e da serotonina
podem induzir psicose). A elevada
atividade serotoninérgica devido ao uso de
inibidor de recaptação de serotonina ou
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triptofano, podem produzir delirium.
Produz a “síndrome serotoninérgica”,
caracterizada por confusão, agitação,
tremor e sudorese.
Já os neurônios noradrenérgicos
projetados do locus ceruleus para o córtex
cerebral, tálamo e hipotálamo, estão
implicados na modulação da atenção,
ansiedade e humor. A síntese e a
degradação requerem oxigênio, mas a
hipóxia “per si” não altera fortemente a
liberação de noradrenalina e serotonina,
mas aumenta a dopamina extra-celular. O
excesso de dopamina extra-celular pode
levar a morte celular e causar os sintomas
psicóticos do delirium.
Drogas não tipicamente
classificadas como anticolinérgicas
(furosemida, cimetidine, e digoxina),
podem ligar-se ao receptor muscarínico
colinérgico in vitro. Algumas drogas beta-
adrenérgicas e dopaminérgicas agonistas,
opióides e barbitúricos também podem
interferir com neurotransmissores através
da inibição da liberação pré-sináptica da
acetilcolina, como atropina.
NEUROTRANSMISSORES: Os mais
prevalentes neurotransmissores cerebrais são o
GABA(inibitório), seu aminoácido precursor, o
glutamato(excitatório).
Como apenas uma pouca proporção
de neurônios cerebrais são colinérgicos e
monoaminérgicos, tanto glutamato quanto o
GABA, atuam em quase todos os neurônios
cerebrais e dependem de energia produzida
através do:
O glutamato tem sido associado a
fenômenos psicóticos. Na sua presença, os
canais de cálcio abrem, permitindo sua entrada
na célula. Nesse momento, o neurônio está
preparado para a neurotransmissão. O
aumento de glutamato induz a um aumento de
fluxo de cálcio intra-celular, que ativa enzimas
produtoras de radicais livres que destroem
componentes químicos e celulares levando a
mecanismos de neurodegeneração.
TEORIA INFLAMATORIA: uma vez que
o delirium surge em situações de infecção,
inflamação, cirurgia e em outras situações de
estresse. Aquí as citoquinas teriam uma maior
participação na patogênese do delirium. Elas
são polipeptídeos secretadas por macrófagos e
transportadas para o SNC, ativadas pelas
células da glia para produzir citoquinas,
liberadas sob circunstâncias de grande estresse
(IL-1, a IL-2, a IL-6, o interferon-alfa, TNF_a). As
citoquinas podem interferir direta ou
indiretamente na regulação hormonal através
do eixo hipotálamo-hipofisário, e nos
neurotransmissores cerebrais, influenciando a
atividade das catecolaminas, serotonina, GABA,
acetilcolina, podendo causar aumento na
liberação de dopamina e norepinefrina e
reduzir a liberação de acetilcolina.
DSM – MANUAL DIAGNOSTICO E ESTATISTICO
DE TRANSTORNOS MENTAIS
Esses problemas devem acontecer de
maneira recorrente, durante o mesmo período
de 12 meses.
À diferença dos critérios para
dependência de substância, os critérios para
abuso de substância não incluem tolerância,
abstinência ou um padrão de uso compulsivo,
incluindo, ao invés disso, apenas as
conseqüências prejudiciais do uso repetido
A categoria abuso de substância não se
aplica à nicotina e à cafeína.
CRITERIOS PARA ABUSO DE SUBSTANCIAS
a. Um padrão mal-adaptativo de uso
de substância levando a prejuízo ou sofrimento
clinicamente significativo, manifestado por um
(ou mais) dos seguintes aspectos, ocorrendo
dentro de um período de 12 meses:
(1) uso recorrente da substância
resultando em um fracasso em cumprir
obrigações importantes relativas a seu papel no
trabalho, na escola ou em casa (por ex.,
repetidas ausências ou fraco desempenho
ocupacional relacionados ao uso de substância;
ausências, suspensões ou expulsões da escola
relacionadas a substância; negligência dos
filhos ou dos afazeres domésticos)
(2) uso recorrente da substância em
situações nas quais isto representa perigo físico
(por ex., dirigir um veículo ou operar uma
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máquina quando prejudicado pelo uso da
substância)
(3) problemas legais recorrentes
relacionados à substância (por ex., detenções
por conduta desordeira relacionada a
substância)
(4) uso continuado da substância,
apesar de problemas sociais ou interpessoais
persistentes ou recorrentes causados ou
exacerbados pelos efeitos da substância (por
ex., discussões com o cônjuge acerca das
conseqüências da intoxicação, lutas corporais)
b. Os sintomas jamais satisfizeram os
critérios para dependência de substância para
esta classe de substância.
CRITERIOS PARA DEPENDENCIA DE
SUBSTANCIA: Um padrão mal-adaptativo de
uso de substância, levando a prejuízo ou
sofrimento clinicamente significativo,
manifestado por três (ou mais) dos seguintes
critérios, ocorrendo a qualquer momento no
mesmo período de 12 meses:
(1) tolerância, definida por qualquer um dos
seguintes aspectos:
(a) uma necessidade de quantidades
progressivamente maiores da substância para
adquirir a intoxicação ou efeito desejado
(b) acentuada redução do efeito com o
uso continuado da mesma quantidade de
substância
(2) abstinência, manifestada por qualquer dos
seguintes aspectos:
(a) síndrome de abstinência
característica para a substância
(b) a mesma substância (ou uma
substância estreitamente relacionada) é
consumida para aliviar ou evitar sintomas de
abstinência
(3) a substância é freqüentemente consumida
em maiores quantidades ou porum período
mais longo do que o pretendido
(4) existe um desejo persistente ou esforços
mal-sucedidos no sentido de reduzir ou
controlar o uso da substância
(5) muito tempo é gasto em atividades
necessárias para a obtenção da substância (por
ex., consultas a múltiplos médicos ou fazer
longas viagens de automóvel), na utilização da
substância (por ex., fumar em grupo) ou na
recuperação de seus efeitos
(6) importantes atividades sociais, ocupacionais
ou recreativas são abandonadas ou reduzidas
em virtude do uso da substância
(7) o uso da substância continua, apesar da
consciência de ter um problema físico ou
psicológico persistente ou recorrente que
tende a ser causado ou exacerbado pela
substância (por ex., uso atual de cocaína,
embora o indivíduo reconheça que sua
depressão é induzida por ela, ou consumo
continuado de bebidas alcoólicas, embora o
indivíduo reconheça que uma úlcera piorou
pelo consumo do álcool)
Um diagnóstico de dependência de
substância pode ser aplicado a qualquer classe
de substâncias, exceto cafeína.
Defini-se abuso de álcool quando existe
uma padrão desadaptado do consumo, levando
a prejuízo ou problema clinicamente
significativo, manifestados por 12 meses por
um dos seguintes motivos:
1. Falha em realizar obrigações do trabalho,
em casa ou na escola
2. Uso recorrente em situações perigosas
3. Problemas legais relacionados ao álcool
4. Uso contínuo a despeito de problemas
pessoais ou sociais relacionados ao álcool
Dependência do álcool: existe uma padrão
desadaptado do consumo, levando a prejuízo
ou problema clinicamente significativo,
manifestados em 12 meses por 3 ou mais dos
seguintes motivos:
1. Tolerância (uso de doses progressivamente
maiores ou efeito reduzido da mesma
dose)
2. Abstinência (sintomas de abstinência ou
uso para aliviar ou evitar os sintomas)
3. Uso de doses maiores por períodos mais
prolongados
4. Desejo persistente ou tentativas sem
sucesso de parar ou reduzir o uso
5. Grande tempo despendido na obtenção,
no uso ou na recuperação do uso
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6. Deixar de realizar ou reduzir atividades
sociais, recreacionais ou ocupacionais
importantes
7. Uso continuado a despeito do
conhecimento dos problemas físicos e
psicológicos associados ao álcool
• Não é uma enfermidade estática que se
define em termos absolutos, mas um
transtorno que se constitui ao longo da
vida.
• É um fenômeno que depende da interação
de fatores biológicos e culturais
SINDROME DE ABSTINECIA ALCOLICA
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TRATAMENTO AMBULATORIAL: ao
receber o paciente, a atitude do
profissional de saúde deve ser :
Acolhedora, Empática e sem
preconceitos.
O tratamento da saa (quadro
agudo) é um momento privilegiado
para motivar o paciente para o
tratamento da dependência (quadro
crônico).
Deve-se esclarecer a família e,
sempre que possível, o próprio
paciente sobre os sintomas
apresentados, sobre os procedimentos
a serem adotados e sobre as possíveis
evoluções do quadro.
Deve ser propiciado ao paciente e à
família o acesso facilitado a níveis mais
intensivos de cuidados (serviço de
emergência, internação) em casos de
evolução desfavorável do quadro.
É importante ainda reforçar a
necessidade de comparecimento nas
consultas remarcadas, que serão tão
freqüentes quanto possível, nos
primeiros 15 dias do tratamento.
Abordagem não farmacológica
● Orientação da família e do
paciente quanto à natureza do
problema, tratamento e
possível evolução do quadro;
● Propiciar ambiente calmo,
confortável e com pouca
estimulação audiovisual;
● A dieta é livre, com atenção
especial à hidratação;
● O paciente e a família devem
ser orientados sobre a proibição
do ato de dirigir veículos;
● As consultas devem ser
marcadas o mais brevemente
possível para reavaliação.
Abordagem farmacológica
● Reposição vitamínica
● Benzodizepínicos (bdzs): a
prescrição deve ser baseada em
sintomas.
● Ocorrendo falha (recaída ou
evolução esfavorável) dessas
abordagens, a indicação de
ambulatório deve ser revista, com
encaminhamento para modalidades
de tratamento mais intensivas e
estruturadas.
INTERNAÇÂO DOMICILIAR: o paciente
deve permanecer restrito em sua
moradia, com a assistência dos
familiares. Idealmente,
Paciente deverá receber visitas
freqüentes de profissionais de saúde da
equipe de tratamento.
Deve ser propiciado ao paciente e à
família o acesso facilitado a níveis mais
intensivos de cuidados (serviço de
emergência, internação) em casos de
evolução desfavorável do quadro.
Abordagem não farmacológica
● A orientação da família deve ter
ênfase especial em questões
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relacionadas à orientação têmporo-
espacial e pessoal, níveis de
consciência, tremores e sudorese;
● propiciar ambiente calmo,
confortável e com pouca
estimulação audiovisual;
● A dieta é leve, desde que tolerada,
com atenção especial à hidratação;
● Visitas devem ser restritas, assim
como a circulação do paciente.
Abordagem farmacológica
● Reposição vitamínica
● Benzodizepínicos (bdzs): a
prescrição deve ser baseada em
sintomas.
● O paciente e os familiares devem
ser informados a
Respeito dos sintomas a serem
monitorados e orientados sobre a
conveniência de utilizar a maior
dosagem da medicação à noite.
Na recaída ou evolução
desfavorável, está indicado o
tratamento hospitalar.
TRATAMENTO HOSIPITALAR:
reservada aos casos mais graves, que
requerem cuidados mais intensivos.
Doses mais elevadas de bzds são
geralmente necessárias e sua
prescrição deve ser baseada em
sintomas avaliados de hora em hora.
Deve ser dada atenção especial à
hidratação e correção de distúrbios
metabólicos (eletrólitos, glicemia,
reposição vitamínica).
Em alguns casos, a internação
parcial (hospital dia ou noite) pode ser
indicada, e, nesses casos, a orientação
familiar sobre a necessidade de
comparecimento diário deve ser
reforçada e a retaguarda para
emergências deve ser bem esclarecida.
A utilização de “bafômetro”,
quando esse recurso está disponível,
pode ser feita na chegada do paciente
na unidade.
Abordagem não farmacológica
● Monitoramento do paciente deve
ser freqüente, com aplicação da
escala clinical institute withdrawal
assessment for alcohol, revised –
ciwa-ar, que orienta a avaliação do
paciente em relação à gravidade da
saa e a necessidade de
administração de medicamentos.
● A locomoção do paciente deve se
restrita;
● As visitas devem ser limitadas, pois
o ambiente de tratamento deve ser
calmo, com relativo isolamento, de
modo a ser propiciada uma redução
nos estímulos audiovisuais;
● A dieta deve ser leve, quando
aceita.
● Pacientes com confusão mental
devem permanecer em jejum, pois
existe o risco de aspiração e
complicações respiratórias. Nesses
casos,deve ser utilizada a
hidratação parenteral
Contenção física
● Os pacientes agitados que
ameaçam violência devem ser
contidos, se não forem suscetíveis à
intervenção verbal.
● A contenção deve ser feita por
pessoas treinadas, preferivelmente
com quatro ou cinco pessoas.
● É muito importante explicar ao
paciente o motivo da contenção.
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
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● A contenção deve ser feita de modo
que as medicações possam ser
administradas.
● Todo procecimento deve ser
documentado no prontuário
Abordagem farmacológica
● Reposição vitamínica
● Benzodizepínicos (bdzs): a
prescrição deve ser baseada em
sintomas.
COCAINA
A cocaína é considerada uma
droga com potencial estimulante, que
induz o corpo e o cérebro do indivíduo
a trabalharem intensamente, causando
taquicardia, aumento da pressão
arterial e da temperatura corporal.
Após o uso intenso e repetitivo,
o usuário experimenta sensações muito
desagradáveis, como cansaço e intensa
depressão, o que faz com que ele
procure a droga novamente para alívio
dessas sensações e dessa forma cria um
ciclo vicioso.
A ação da cocaína no organismo
consiste em aumentar a liberação e
prolongar o tempo de atuação dos
neurotransmissores dopamina,
noradrenalina e serotonina, os quais
são atuantes no cérebro.
A cocaína atua bloqueando o
transportador de dopamina (Figura 2)
e, quando em concentrações maiores,
os transportadores de serotonina e
noradrenalina. Devido a este bloqueio,
a cocaína reduz a recaptação,
aumentando a concentração desses
neurotransmissores na fenda sináptica,
potencializando a neurotransmissão.
A dopamina é o
neurotransmissor que se relaciona à
dependência, visto que é este
responsável pela sensação de prazer
associada ao consumo da droga, bem
como a outros comportamentos
naturalmente gratificantes como
comer, fazer sexo e saciar a sede.
A inibição da recaptação de
dopamina é responsável por causar os
efeitos desejáveis pelo usuário, porém
relaciona-se ainda com os efeitos
indesejáveis tais como: a paranóia,
alucinação ou disforia. E através da
inibição da recaptação de
noradrenalina obtém-se como
respostas a vasoconstrição, midríase,
hipertensão, taquipnéia, taquicardia,
diaforese e tremores.
A cocaína ainda pode causar
vasoespasmo, ocasionando a acidente
vascular cerebral, infarto do miocárdio
ou dissecção aórtica.
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
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Os efeitos após ambas as formas
de consumo duram de 20 a 45 minutos.
A ação da cocaína no cérebro ocasiona
em seus usuários, sensação de
autocontrole, autoconfiança, estado de
alerta, fazendo com que os usuários
sintam-se cheios de energia.
Mecanismo de ação se dá
principalmente pela inibição da
recaptação de dopamina, mas há
também bloqueio da recaptação da
noradrenalina e da serotonina
Dsm-iv para intoxicação com cocaina
A. Uso recente de cocaína
B. Alterações comportamentais ou
psicológicas mal adaptativas e
clinicamente significativas
• Euforia ou embotamento afetivo
• Alterações na sociabilidade
• Hipervigilância
• Sensibilidade interpessoal
• Ansiedade
• Tensão ou raiva
• Comportamentos estereotipados
• Julgamento prejudicado
• Comprometicmento no
funcionamento social ou
ocupacional
C. No mínimo dois dos seguintes
sintomas, desenvolvendo-se
durante ou logo após o uso da
cocaína:
• Taquicardia ou bradicardia
• Midríase
• Hipertensão ou hipotensão arterial
• Sudorese ou calafrios
• Náuseas e vômitos
• Evidências de perda de peso
• Agitação ou retardo psicomotor
• Fraqueza muscular, depressão
respiratória, dor torácica ou
arritmias cardíacas
• Confusão, convulsões, discinesias,
distonias ou coma
D. Os sintomas não se devem a uma
condição médiga geral, nem são
melhor explicados por outro
transtorno mental
CRITERIOS PARA DIAGNOSTICO DE
ABSTINECIA -DSM-IV
A. Cessação (ou redução) do uso
pesado e prolongado de cocaína
B. Humor disfórico e no mínimo duas
das seguintes alterações
fisiológicas, desenvolvidas de
algumas horas a alguns dias após o
critério a:
• Fadiga
• Sonhos vívidos e desagradáveis
• Insônia ou hiperinsônia
• Aumento de apetite
• Retardo ou agitação psicomotores
C. Os sintomas no cirtério b causam
sofrimento clinicamente
significativo ou prejuízo no
desenvolimento social, ocupacional
ou em outras áreas importantes do
funcionamento \\
D. Os sintomas não se devem a uma
condição médica geral, nem são
melhores explicados por outro
transtorno mental
DIAZEPAM
Os benzodiazepínicos
pertencem ao grupo de substâncias
que têm limitada capacidade de
depressão central profunda.
Agonistas gabaenergicos
(diazepan) ou antagonistas
gabaenergicos (Flumazenil) –
ANTIDOTO DO DIAZEPAN.
Usados isoladamente, podem
até instituir o coma. São normalmente
usados como sedativos.
Farmacodinâmica do Diazepam:
diazepam no, sistema nervoso central
liga-se ao receptor de
neurotransmissores inibitórios
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diretamente ativados GABA, que são
proteínas ligadas à membrana e que
se dividem em GABA A e GABA B.
O primeiro é composto de cinco
subunidades que se organizam para
formar um canal cloreto integral, sendo
que, apenas nesse receptor, o
diazepam atua através de uma ligação
em local específico, diferente do local
onde o GABA age. Portando, o
diazepam é um modulador de ação
GABA e não um ativador direto do
receptor GABA A. Em síntese, aumenta
a corrente de cloreto gerada pela
ativação dos ativadores GABA A, com
elevação da freqüência de abertura
deste canal de cloreto. O aumento do
influxo de íons cloro e hiper-polarização
celular produzem menos geração de
potencial de ação. Produzindo um
efeito agonista gabaenergico.
As ações periféricas do
diazepam praticamente se restringem à
ação no aparelho cardiovascular e
relaxamento muscular.
Ação no Sistema Nervoso
Central: Dependendo da dose, o
diazepam varia da sedação à hipnose,
podendo chegar ao estupor, sem, no
entanto, produzir efeitos anestésicos.
Em relação a seu efeito
anticonvulsivante, o diazepam possui
atividade menos seletiva, quando
comparado a outros benzodiazepínicos
como o clonazepam, nitrazepam e
nordazepam, podendo, inclusive,
desenvolver tolerância, com o uso
prolongado.
• DIAZEPAN- VO, IM, EV, Retal –
Dose Sedativa-hipnotica: 5-10 mg
3Xdia.
Protótipo benzodiazepínico,
indicado para controle da ansiedade,
status epiléptico, relaxamento
muscular esquelético e pré-anestesico.
O CAPS: Serviços de saúde
municipais, abertos, comunitários, que
oferecem atendimento diário às
pessoas com transtornos mentais
severos e persistentes, realizando
acompanhamento clínico e a reinserção
social destas pessoas através do acesso
ao trabalho, lazer exercício dos direitos
civis e fortalecimento dos laços
familiares e comunitários
CAPS I
• MENOR PORTE
• COBERTURA A MUNICÍPIOS COM
20.000 – 50.000 HABITANTES
• EQUIPE MÍNIMA: 9 PROFISSIONAIS
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
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• CLIENTELA ADULTOS COM
TRANSTORNOS MENTIA SEVEROS E
PERSISTENTES E TRANSTORNOS
DECORRENTES DO USO DE ÁLCOOL
E OUTRAS DROGAS
• FUNCIONAM DURANTE 5 DIAS
ÚTEIS DA SEMANA
• CAPACIDADE PARA
ACOMPANHAMENTO DE CERCA DE
240 PESSOAS/MÊS
CAPS II
• MÉDIO PORTE
• COBERTURA A MUNICÍPIOS >
50.000 HABITANTES
• EQUIPE MÍNIMA: 12 PROFISSIONAIS
• CLIENTELA ADULTOS COM
TRANSTORNOS MENTIA SEVEROS E
PERSISTENTES
• FUNCIONAM DURANTE 5 DIAS
ÚTEIS DA SEMANA
• CAPACIDADE PARA
ACOMPANHAMENTO DE CERCA DE
360 PESSOAS/MÊS
CAPS III
• ALTA COMPLEXIDADE – MAIOR
PORTE DA REDE CAPS
• COBERTURA A MUNICÍPIOS >
200.000 HABITANTES
• EQUIPE MÍNIMA: 16 PROFISSIONAIS
(EQUIPE NOTURNA E DE FINAIS DE
SEMANA)
• MÁXIMO 5 LEITOS – QUANDO
NECESSÁRIO, RELAIZAM
ACOLHIMENTO NOTURNO (
INTERNAÇÃO CURTA – HORAS
MAX. 7 DIAS)
• FUNCIONAM 24H – TODOS OS DIAS
DA SEMANA E FERIADOS
• CAPACIDADE PARA
ACOMPANHAMENTO DE CERCA DE
450 PESSOAS/MÊS
CAPS i
• ESPECIALIZADA NO ATENDIMENTO
DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES
COM TRANSTORNOS MENTAIS
• COBERTURA A MUNICÍPIOS >
200.000 HABITANTES
• EQUIPE MÍNIMA: 11 PROFISSIONAIS
• FUNCIONAM DURANTE 5 DIAS
ÚTEIS DA SEMANA
• CAPACIDADE PARA
ACOMPANHAMENTO DE CERCA DE
180 CRIANÇAS E
ADOLESCENTES/MÊS
CAPS ad
• ATENDIMENTO DE PESSOAS QUE
FAZEM O USO PREJUDICIAL DE
ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS
• COBERTURA A MUNICÍPIOS >
200.000 HABITANTES
• EQUIPE MÍNIMA: 13PROFISSIONAIS
• FUNCIONAM DURANTE OS 5 DIAS
UTEIS DA SEMANA
• CAPACIDADE PARA
ACOMPANHAMENTO DE CERCA DE
240 PESSOAS/MÊS
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
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TRANSTORNOS PSICOTICOS
Psicose engloba uma avaliação
incorreta, por parte do paciente, da
acuidade de suas percepções e
pensamentos, com consequente formação
de inferências incorretas sobre a realidade
externa, mesmo em face de evidências
contrárias.
O paciente tem uma falta total de
discernimento da natureza patológica dos
sintomas, o que costuma ser o aspecto
mais proeminente.
O paciente acredita que seus
pensamentos e fantasias são
acontecimentos reais, independente da
verificação objetiva.
O comprometimento grave do
estado mental aparece por meio de
alterações importantes no funcionamento
social e pessoal, com retraimento social e
incapacidade de desempenhar os papéis
ocupacionais e domésticos habituais, as
demandas da vida cotidiana.
Há uma desorganização ampla do
comportamento geral, muitas vezes
resultando em comportamentos bizarros.
Na doença não tratada, a história natural
mostra, em pacientes crônicos, uma
vivência em um mundo próprio, com
aspectos singulares e únicos.
Engloba um grande número de
alterações nas funções mentais, sendo
descritas as mais características:
alucinações e delírios.
Considera-se a psicose como uma
síndrome cujos sintomas podem estar
presentes dentro de um contexto de um
transtorno orgânico ou psiquiátrico, assim,
podem ocorrer em transtornos psicóticos
primários (p.e. esquizofrenia), em
pacientes com outros transtornos mentais
(p.e. transtorno bipolar, transtorno
depressivo maior) ou em pacientes com
transtornos psicorgânicos (p.e. estados
confusionais agudos, demência ou
transtornos induzidos por condições
clínicas).
ALUCINAÇÕES: Os transtornos de
sensopercepção incluem alterações na
maneira como o indivíduo toma
conhecimento do ambiente e do próprio
corpo, geralmente envolvendo alterações
relacionadas à percepção de órgãos dos
sentidos (visão, audição, olfato...), além de
sensações viscerais e sentido de
movimento.
As alucinações são a vivência de
percepção de um objeto, de forma clara e
definida, sem o estímulo sensorial
respectivo, ou seja, sem a presença real do
objeto. Isto é, para o paciente, a
experiência sensorial é normal, já para o
médico, uma alucinação.
TIPOS DE ALUCINAÇOES:
• Auditivas: é o tipo mais comum.
Podem constituir-se de palavras
simples, sons não estruturados
(alucinações elementares) ou
fenômenos mais complexos, como
vozes acusatórias, de comando, que
comentam as ações. Podem ser
compostas por duas ou mais vozes
conversando entre si ou musicais.
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
Página 29
• Visuais: o paciente afirma ver imagens
nítidas, como pequenos pontos
brilhantes (fotopsia), ou complexos,
com imagens de figuras, corpos, etc.
podem compreender cenas completas
(cenográficas), visão de personagens
diminutos ou minúsculos (liliputianas)
ou pessoas com dimensões exageradas
(gulliverianas).
• Podem envolver outros órgãos dos
sentidos: táteis, olfativas e gustativas.
• Alucinose: o paciente percebe a
alucinação como estranha, tendo
crítica parcial de sua irrealidade.
• Hipnopômpicas e hipnagógicas:
ocorrem no período de transição sono-
vigília, respectivamente no despertar e
ao adormecer.
• Cinestésicas: sensações alteradas de
movimento do corpo.
• Cenestésicas: sensações alteradas de
órgãos viscerais.
DELÍRIOS: Os transtornos do pensamento
incluem os delírios, que são uma visão
distorcida da realidade, sustentada de
forma incorrigível, em que o doente
apresenta uma convicção e uma certeza
subjetiva absoluta. Não se consegue
modifica-la pela experiência objetiva, além
de haver dissociação do contexto cultural
do paciente.
TIPOS DE DELIRIOS:
• Persecutório: mais comum. A pessoa
acredita estar sendo atormentada,
seguida, enganada, espionada ou
ridicularizada.
• Referência: o paciente interpreta fatos
cotidianos banais como referências a
sua pessoa.
• Infidelidade: crença de ser vitima da
infidelidade do parceiro.
• Amor (erotomania): afirmação de que
uma pessoa, geralmente de
importância social, está apaixonada
pelo paciente e vai casar-se com ele.
• Grandiosos: crença de ter poderes
especiais ou origem nobre.
• Religiosos: relacionados a tema de
crenças e religião.
• Culpa: afirmação, sem base real, de ser
culpado por todas as coisas ruins que
acontecem.
• Niilista (ruína): afirmação de que tudo
é miséria, desgraça, infelicidade, sem
possibilidade de mudança. Pode
evoluir para ideia de que se está morto
ou negação de órgãos internos.
• Hipocondríaco: crença de que tem
doença grave e incurável.
• Bizarros: são claramente implausíveis e
incompreensíveis e não derivam de
experiências comuns da vida. Um
exemplo de delírio bizarro é a crença
de uma pessoa de que um estranho
retirou seus órgãos internos e os
substituiu pelos de outra, sem deixar
quaisquer cicatrizes ou ferimentos. Um
exemplo de delírio não-bizarro é a falsa
crença de estar sob vigilância policial.
OUTROS SINTOMAS ENCONTRADOS EM
SÍNDROMES PSICÓTICAS
1. Mudança marcante de personalidade:
perda/falta de emoção ou expressão
inapropriada da emoção, apatia,
desinteresse, falta de motivação,
hostilidade inesperada, humor
embotado, instável ou incongruente.
2. Mudanças de capacidade:
incapacidade de concentrar-se ou lidar
com pequenos problemas,
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
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incapacidade de sentir prazer
(anedonia), queda de desempenho naescola ou no trabalho.
3. Distanciamento social: isolamento ou
reclusão, absorção de si mesmo.
4. Transtornos de pensamento e fala:
pensamentos vagos e obscuros,
pensamento e voz alta, dificuldade de
tomada de decisões simples,
dificuldades de linguagem, discurso
ilógico/irracional, incoerência.
5. Falta de sono e agitação ou sono
excessivo.
6. Mudanças de comportamento:
excitação, maneirismos/posturas,
hiperatividade, irritabilidade ao ser
tocado por outras pessoas, recusa em
tocar pessoas ou objetos.
PSICOSES DE ORIGEM ORGÂNICA: Deve-se
suspeitar em várias situações, como:
● Todos os pacientes no primeiro
episódio após 40 anos.
● Início abrupto dos sintomas, sem
pródromos, duração de dias.
● Alterações não compatíveis com
quadros psiquiátricos primários, como
sinais neurológicos focais, alterações
no nível de consciência, déficit
cognitivo, cefaleia, convulsão, febre,
perda de peso, alterações nos exames
laboratoriais. Podendo sugerir doenças
infecciosas (neurossífilis, AIDS,
meningite), inflamatórias (lúpus),
endócrinas (Cushing), epilepsia de lobo
temporal, demência e lesões em região
frontal e temporal (sistema límbico) do
cérebro, decorrentes de tumor, trauma
ou hemorragias.
● Uso de medicações: drogas
anticolinérgicas (antidepressivos
tricíclicos, antipsicóticos fenotiazídicos,
anti-histamínicos, antieméticos),
cardiotônicos (digoxina, captopril),
hormônios (ACTH, corticoides),
isoniazida, agonistas dopaminérgicos
(bupropiona).
● Uso de SPA. (substancias psicoativas)
● Histórico familiar: história negativa
para esquizofrenia, positiva para
doenças neurológicas e metabólicas
(doença de Huntington, Wilson,
porfiria).
DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS
● Transtorno esquizofrênico – transtorno
mental de natureza psicótica, que
surge entre a adolescência e o início da
vida adulta, com evolução grave,
levando a invalidez parcial ou
completa, ficando o paciente na
dependência de familiares e sociedade.
Apresenta início precoce e evolução
mais grave nos homens.
● Transtorno esquizoafetivo - deve
haver um episódio de humor
concomitante com os sintomas da fase
ativa da Esquizofrenia.
● Transtorno de personalidade –
apresenta um padrão persistente de
vivência íntima e comportamento que
se desvia acentuadamente das
experiências da cultura do indivíduo, se
manifestando em pelo menos duas das
seguintes áreas: cognição, afetividade,
funcionamento interpessoal ou
controle dos impulsos. Esse padrão é
estável e de longa duração, podendo
seu início remontar pelo menos à
adolescência ou começo da idade
adulta, não sendo melhor explicado
por outro transtorno mental, nem
decorrente dos efeitos fisiológicos
diretos de uma substância ou condição
médica geral.
● Transtorno mental orgânico – em
virtude de uma condição médica geral.
● Transtornos endócrinos.
● Abuso de SPA. (substancias
psicoativas)
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
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● - Exames complementares úteis: TC e
RM, para DD.
ESQUIZOFRENIA
CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS:
1. Sintomas característicos: dois (ou
mais) dos seguintes, cada qual
presente por uma porção significativa
de tempo durante o período de 1 mês
(ou menos, se tratados com sucesso):
a. Delírios;
b. Alucinações;
c. Discurso desorganizado (por
ex., frequente descarrilamento
ou incoerência);
d. Comportamento amplamente
desorganizado ou catatônico;
e. Sintomas negativos, isto é,
embotamento afetivo, alogia
ou avolição;
Nota: Apenas um sintoma do
Critério (1) é necessário se os
delírios são bizarros ou as
alucinações consistem de vozes
que comentam o comportamento
ou os pensamentos da pessoa, ou
duas ou mais vozes conversando
entre si.
2. Disfunção social/ocupacional: por uma
porção significativa do tempo desde o
início da perturbação, uma ou mais
áreas importantes do funcionamento,
tais como trabalho, relações
interpessoais ou cuidados pessoais,
estão acentuadamente abaixo do nível
alcançado antes do início (ou, quando
o início dá-se na infância ou
adolescência, fracasso em atingir o
nível esperado de aquisição
interpessoal, acadêmica ou
ocupacional).
3. Duração: sinais contínuos da
perturbação persistem por pelo menos
seis meses. Este período de seis meses
deve incluir pelo menos um mês de
sintomas (ou menos, se tratados com
sucesso) que satisfazem o Critério (1)
(isto é, sintomas da fase ativa) e pode
incluir períodos de sintomas
prodrômicos ou residuais. Durante
esses períodos prodrômicos ou
residuais, os sinais da perturbação
podem ser manifestados apenas por
sintomas negativos ou por dois ou mais
sintomas relacionados no Critério (1)
presentes de uma forma atenuada (por
ex., crenças estranhas, experiências
perceptuais incomuns).
4. Exclusão de Transtorno Esquizoafetivo
e Transtorno do Humor: O Transtorno
Esquizoafetivo e o Transtorno do
Humor com Aspectos Psicóticos foram
descartados, porque (1) nenhum
Episódio Depressivo Maior, Maníaco
ou Misto ocorreu concomitantemente
aos sintomas da fase ativa; ou (2) se os
episódios de humor ocorreram durante
os sintomas da fase ativa, sua duração
total foi breve relativamente à duração
dos períodos ativo e residual.
5. Exclusão de substância/condição
médica geral: a perturbação não se
deve aos efeitos fisiológicos diretos de
uma substância (por ex., uma droga de
abuso, um medicamento) ou a uma
condição médica geral.
6. Relação com um Transtorno Invasivo
do Desenvolvimento: se existe uma
história de Transtorno Autista ou outro
Transtorno Invasivo do
Desenvolvimento, o diagnóstico
adicional de Esquizofrenia é feito
apenas se delírios ou alucinações
proeminentes também estão presentes
por pelo menos um mês (ou menos, se
tratados com sucesso).
CARACTERÍSTICAS GERAIS: Disfunções
cognitivas e emocionais que acometem a
percepção, o pensamento inferencial, a
linguagem e a comunicação, o
monitoramento comportamental, o afeto,
a fluência e produtividade do pensamento
e do discurso, a capacidade hedônica
(prazer), a volição (vontade), o impulso e a
atenção.
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
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Nenhum sintoma isolado é
patognomônico de Esquizofrenia.
Os sintomas característicos
(Critério 1) :
● Os sintomas positivos parecem refletir
um excesso ou distorção de funções
normais, enquanto os sintomas
negativos parecem refletir uma
diminuição ou perda de funções
normais (Critérios 1a-1d).
● Os sintomas negativos (Critério 1e)
incluem restrições na amplitude e
intensidade da expressão emocional
(embotamento do afeto), na fluência e
produtividade do pensamento (alogia)
e na iniciação de comportamentos
dirigidos a um objetivo (avolição).
A desorganização do pensamento é
defendida por alguns autores como o
aspecto mais importante da Esquizofrenia.
As inferências sobre o pensamento estão
baseadas primariamente no discurso do
indivíduo.
A pessoa pode "sair dos trilhos",
saltando de um assunto para outro
("descarrilamento" ou "associações
frouxas"); as respostas podem estar
obliquamente relacionadas ou não ter
relação alguma com as perguntas
("tangencialidade").
Um comportamento amplamente
desorganizado (Critério 1d) pode
manifestar-se de variadas maneiras, indo
desde o comportamento tolo e pueril até a
agitação imprevisível. Podem ser notadosproblemas em qualquer forma de
comportamento dirigido a um objetivo,
acarretando dificuldades no desempenho
de atividades da vida diária, tais como
organizar as refeições ou manter a higiene.
A pessoa pode parecer mostrar-se
acentuadamente desleixada, vestir-se de
modo incomum (por ex., usar casacos
sobrepostos, cachecóis e luvas em um dia
quente), pode exibir um comportamento
sexual nitidamente inadequado (por ex.,
masturbar-se em público) ou uma agitação
imprevisível e sem um desencadeante (por
ex., gritar ou praguejar).
O indivíduo com alogia parece ter uma
diminuição dos pensamentos, refletida em
uma redução da fluência e produtividade
do discurso. A alogia deve ser diferenciada
da recusa a falar, um discernimento clínico
que pode exigir uma observação
prolongada em uma variedade de
situações. A avolição caracteriza-se por
incapacidade de iniciar e persistir em
atividades dirigidas a um objetivo. A pessoa
pode ficar sentada por longos períodos de
tempo e demonstrar pouco interesse em
participar de atividades profissionais ou
sociais.
CARACTERÍSTICAS E TRANSTORNOS
ASSOCIADOS:
O indivíduo com Esquizofrenia
pode apresentar um afeto inadequado (por
ex., sorriso, riso ou expressão facial tola na
ausência de um estímulo adequado), que é
um dos aspectos definidores do Tipo
Desorganizado.
A anedonia é comum e se
manifesta por uma perda de interesse ou
prazer.
O humor disfórico pode assumir a
forma de depressão, ansiedade ou raiva.
Pode haver perturbações no padrão de
sono (por ex., dormir durante o dia e
permanecer ativo ou inquieto à noite). O
indivíduo pode demonstrar falta de
interesse por alimentar-se ou recusar
alimentos como consequência de crenças
delirantes.
Anormalidades motoras (por ex.,
trejeitos faciais, posturas, maneirismos
estranhos, comportamento ritualístico ou
estereotipado) às vezes estão presentes.
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
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A expectativa de vida para
indivíduos com Esquizofrenia é menor que
para a população em geral, por uma
variedade de razões. O suicídio é um
importante fator, uma vez que
aproximadamente 10% dos indivíduos com
Esquizofrenia o cometem.
ACHADOS LABORATORIAIS: Anormalidades
estruturais do cérebro têm sido demonstradas
consistentemente em indivíduos com
Esquizofrenia como um grupo; as
anormalidades estruturais mais comuns
incluem aumento do sistema ventricular e
sulcos proeminentes no córtex.
Diversas outras anormalidades
também foram notadas com o uso de técnicas
de imagens estruturais (por ex., tamanho
temporal e hipocampal diminuído, aumento no
tamanho dos gânglios basais, diminuição do
tamanho do cérebro).
Achados neurofisiológicos incluem
uma lentificação nos tempos de reação,
anormalidades no acompanhamento visual ou
prejuízos nas comportas sensoriais.
CURSO DA DOENÇA: As estimativas da
prevalência têm variado de 0,2 a 2,0%.
A idade média de início do primeiro
episódio psicótico de Esquizofrenia situa-se
na primeira metade da casa dos 20 anos
para homens e final da casa dos 20 para as
mulheres.
● Os indivíduos com início precoce são,
mais frequentemente, do sexo
masculino, mais evidências de
anormalidades estruturais do cérebro,
sinais e sintomas negativos mais
proeminentes, mais evidências de
prejuízo cognitivo, avaliado com testes
neuropsicológicos, e um pior resultado.
● Indivíduos com um início mais tardio
frequentemente são do sexo feminino,
têm menos evidências de
anormalidades estruturais do cérebro
ou prejuízo cognitivo e apresentam um
melhor resultado.
A remissão completa (isto é, um
retorno ao pleno funcionamento pré-
mórbido) provavelmente não é comum
neste transtorno.
Os parentes biológicos em primeiro
grau de indivíduos com Esquizofrenia estão
em risco dez vezes maior para a
Esquizofrenia do que a população geral.
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
● Transtorno Psicótico Devido a uma
Condição Médica Geral, delirium ou
demência são diagnosticados quando
existem evidências, a partir da história,
de exame físico ou testes (por ex.,
síndrome de Cushing, tumor cerebral).
● Transtorno Psicótico Induzido por
Substância, Delirium Induzido por
Substância e Demência Persistente
Induzida por Substância são
diferenciados da Esquizofrenia pelo
fato de que uma substância (por ex.,
uma droga de abuso, um medicamento
ou exposição a uma toxina)
Em uma situação ideal, o profissional
deveria tentar observar o indivíduo
durante um período prolongado (por ex., 4
semanas) de abstinência.
FISIOPATOLOGIA
TEORIA DOPAMINÉRGICA: Em 2004,
demonstrou-se que o haloperidol e a
clorpromazina aumentavam os níveis de
metabólitos da dopamina em certas
regiões do cérebro de ratos ricas em
dopamina, embora tivessem efeitos
inconsistentes em outros
neurotransmissores.
A partir dessa observação, propôs-
se que os antipsicóticos agiriam por
intermédio do antagonismo de receptores
dopaminérgicos, o que causaria um
aumento compensatório nos níveis de
dopamina.
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
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As anfetaminas são utilizadas como
drogas de abuso e podem induzir quadros
psicóticos em indivíduos sem patologia
psiquiátrica prévia e precipitar crises em
pacientes com esquizofrenia, atuando por
meio da inibição do transportador de
dopamina e do transportador vesicular de
monoaminas, levando à liberação de
dopamina armazenada nos neurônios pré-
sinápticos.
Observou-se também que os
antipsicóticos eram capazes de inibir a
ativação e os movimentos estereotipados
induzidos por anfetaminas em roedores.
Atualmente, sabemos que todos os
antipsicóticos bloqueiam receptores D2,
mas com diferentes graus de afinidade.
Há uma relação entre o grau de
ocupação dos receptores D2, a resposta
clínica e os sintomas extrapiramidais.
Essas observações constituem a
base da hipótese segundo a qual alterações
nos níveis de dopamina seriam
responsáveis pelos sintomas observados na
esquizofrenia.
Numa formulação mais recente,
uma hipofunção dopaminérgica no córtex
pré-frontal seria responsável pelos
sintomas negativos e um evento primário
na esquizofrenia, levando a uma
hiperfunção dopaminérgica secundária no
estriado, o que, por sua vez, levaria ao
surgimento dos sintomas positivos.
No entanto, a teoria
dopaminérgica, vista isoladamente, é falha
em explicar algumas questões, tais como: o
porquê de o início dos sintomas ocorrer
usualmente na adolescência e no começo
da vida adulta, como se dão as alterações
estruturais cerebrais e os prejuízos
cognitivos e o motivo de os antipsicóticos
não serem igualmente eficazes sobre
sintomas negativos.
TEORIA SEROTONINÉRGICA: O uso de LSD
causa sintomas como desrealização,
despersonalização e alucinações visuais,
experiências semelhantes a alguns
sintomas da esquizofrenia. Esses efeitos se
dão por intermédio do antagonismo de
receptores serotoninérgicos.
Os antipsicóticos atípicos
apresentavam ação antipsicótica com baixa
capacidade de induzir sintomas
extrapiramidais e uma afinidade maior por
receptores serotoninérgicos do que por
receptores dopaminérgicos.
Acreditava-se que a ação
serotoninérgica seria responsável por um
melhor efeito sobre sintomas negativos eteria reações protetoras sobre a indução
de sintomas extrapiramidais.
Antipsicóticos típicos, como a
loxapina e a clorpromazina, mostram grau
comparáveis aos atípicos de ocupação 5-
HT2A; a ocupação máxima 5-HT2A é obtida
com doses de atípicos que não são
antipsicóticas e os atípicos só se tornam
efetivos quando a ocupação de D2 excede
65%, limiar que não difere do necessário
para a ação do haloperidol.
Dessa forma, a teoria
serotoninérgica como modelo explicativo
da esquizofrenia é controversa e carece de
evidências mais consistentes.
TEORIA GLUTAMATÉRGICA: A fenciclidina
é uma substância inicialmente utilizada
como anestésico e que teve o uso clínico
abolido após relatos que associavam o
medicamento a sintomas psicóticos, ao uso
abusivo (angel dust) e à neurotoxicidade.
Atua como antagonista não
competitivo de receptor glutamatérgico
tipo NMDA.
A ketamina é um anestésico
quimicamente relacionado, utilizado em
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
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crianças e que apresenta afinidade entre
10 e 50 vezes menor por esse receptor.
A infusão intravenosa de ketamina
em indivíduos normais induz delírios,
desorganização, ilusões visuais e auditivas
e um estado amotivacional marcado por
embotamento afetivo, isolamento e
retardo psicomotor.
Os sintomas psicóticos são menos
frequentes em crianças do que em adultos,
sugerindo uma dependência da idade
semelhante para a ação dos antagonistas
NMDA e o início da esquizofrenia.
A administração crônica de
fenciclidina reduz o turnover de dopamina
no córtex frontal e aumenta a liberação de
dopamina em regiões subcorticais,
particularmente no núcleo accumbens.
Essa e outras evidências demonstram a
interligação dos sistemas glutamatérgico e
dopaminérgico, deixando claro que são
conceitos complementares na
compreensão da patogênese da
esquizofrenia.
O glutamato tem um papel
importante na migração neuronal, no
desenvolvimento de neurites, na
sinaptogênese e na poda neuronal por
apoptose. Há uma grande diversidade de
subtipos de receptores glutamatérgicos
que são codificados geneticamente, mas
cuja expressão pode ser alterada por
fatores ambientais durante o
desenvolvimento cerebral, criando um
modelo de disfunção glutamatérgica para a
interação de fatores de risco genéticos e
ambientais observados na esquizofrenia.
HIPÓTESE NEURODESENVOLVIMENTAL: A
proliferação neuronal e das células da glia,
a migração celular, a diferenciação
morfológica e bioquímica e a formação de
sinapses dependem de complexas
interações intracelulares com o ambiente
celular, as quais determinam cada fase do
processo de desenvolvimento cerebral.
Esses eventos são definidos pela
carga genética individual, mas podem ser
modulados por fatores ambientais.
Uma variação genética ou um fator
ambiental podem levar a uma cadeia de
eventos, em que ocorrendo numa fase
sensível, por sua vez, podem determinar
um desenvolvimento cerebral alterado,
eliciando uma estrutura mais vulnerável ao
surgimento e perpetuação da psicose e/ou
de outros sintomas que compõem a
esquizofrenia.
FATORES DE RISCO PARA A
ESQUIZOFRENIA
Associação genética:
● A prevalência da esquizofrenia em
diferentes populações é estimada em
torno de 1%. Entre parentes de
primeiro grau de um paciente
esquizofrênico, o índice gira em torno
de 10%. A taxa de concordância para
gêmeos monozigóticos é de 44%, o que
implica o fato de que ser gêmeo
monozigótico de um paciente
esquizofrênico constitui o maior fator
de risco isolado para esquizofrenia.
● A herdabilidade para esquizofrenia é
uma das mais altas taxas entre todas as
doenças psiquiátricas.
Fatores de risco precoces:
● Complicações obstétricas: Entre
indivíduos do sexo masculino que
apresentaram retardo no crescimento
uterino, foi relatado um risco três
vezes maior de desenvolver
esquizofrenia. Por outro lado, 97% dos
indivíduos que sofreram complicações
no parto não desenvolveram
esquizofrenia. A ideia central é de que
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essas complicações levariam a um
dano ao cérebro que predisporia ao
desenvolvimento da esquizofrenia,
sobretudo por meio de insultos
hipóxico/isquêmicos.
● Fatores de risco na infância: Estudos
neuropsicológicos apontam valores de
QI menores nas crianças que,
posteriormente, desenvolvem
esquizofrenia. Também foram descritas
maior prevalência de alterações
comportamentais, como ansiedade
social e retraimento, e outras
características esquizotípicas.
Fatores de risco tardios:
● Uso de maconha: A hipótese da
automedicação considera que o uso de
maconha pelos pacientes visaria aliviar
sintomas negativos, como ansiedade,
depressão ou efeitos adversos dos
antipsicóticos. Já a hipótese de
vulnerabilidade considera que a
maconha funcionaria como fator de
risco para o desenvolvimento da
esquizofrenia.
A maconha é um fator de risco, com seu
uso aumentando em cerca de três vezes a
chance de desenvolver esquizofrenia ou
transtorno esquizofreniforme.
NEURODESENVOLVIMENTO OU
NEURODEGENERAÇÃO?
Predisposições genéticas
determinariam uma maior predisposição a
fatores ambientais precoces, por exemplo,
complicações obstétricas, que causariam
alterações neurofisiológicas, entre elas:
alterações na arborização neuronal,
resposta dopaminérgica exacerbada e
diminuição do volume de estruturas
cerebrais.
Essas alterações neurofisiológicas
vulnerabilizariam os indivíduos a fatores
ambientais tardios, tais como: abuso de
drogas, evento traumático, entre outros,
para a ocorrência do primeiro episódio
psicótico. De acordo com tal visão, a
ocorrência de novos episódios psicóticos
determinaria uma progressão das
alterações neurofisiológicas (processos
“neurodegenerativos”) com a evolução da
esquizofrenia.
SUBTIPOS DE ESQUIZOFRENIA
São definidos pela sintomatologia
predominante à época da avaliação.
Embora as implicações para o prognóstico
e tratamento dos subtipos sejam variáveis,
os Tipos Paranóide e Desorganizado
tendem a ser o menos e o mais severo,
respectivamente.
O diagnóstico de determinado
subtipo baseia-se no quadro clínico que
ocasionou a avaliação ou admissão mais
recente aos cuidados clínicos e pode,
portanto, mudar com o tempo.
Tipo Paranóide: A característica essencial
da Esquizofrenia, Tipo Paranóide, é a
presença de delírios ou alucinações
auditivas proeminentes no contexto de
uma relativa preservação do
funcionamento cognitivo e do afeto.
Os sintomas característicos dos Tipos
Desorganizado e Catatônico não são
proeminentes.
Os delírios são tipicamente
persecutórios ou grandiosos, ou ambos,
mas delírios envolvendo outros temas (por
ex., ciúme, religiosidade ou somatização)
também podem ocorrer.
Os delírios podem ser múltiplos, mas
geralmente são organizados em torno de
um tema coerente.
As alucinações também são
tipicamente relacionadas ao conteúdo do
tema delirante. Aspectos associados
incluem ansiedade, raiva, afastamento e
tendência a discussões. O indivíduo pode
ter uma atitude superior e
condescendente, apresentar uma
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qualidade afetada e formal, ou então
extrema intensidade nas interações
interpessoais.
Os temas persecutórios podem
predispor o indivíduo ao comportamento
suicida, e a combinação de delírios
persecutórios e grandiosos com raiva pode
predispor à violência.
O início tende a ser mais tardio.
Diagnóstico:
● Preocupação com um ou mais delírios
ou alucinações auditivas frequentes.
● Nenhum dos seguintes sintomas é
proeminente: discurso desorganizado,
comportamento desorganizado ou
catatônico, ou afeto embotado ou
inadequado.
Tipo desorganizado: discurso
desorganizado, comportamento
desorganizado e afeto embotado ou
inadequado.
O discurso desorganizado pode ser
acompanhado por atitudes tolas e risos
sem relação adequada com o conteúdo do
discurso.
A desorganização comportamental
(isto é, falta de orientação para um
objetivo) pode levar a uma severa
perturbação na capacidade de executar
atividades da vida diária (por ex., tomar
banho, vestir-se ou preparar refeições).
Os aspectos associados incluem
trejeitos faciais, maneirismos e outras
estranhezas do comportamento.
O prejuízo no desempenho pode ser
notado em uma variedade de testes
neuropsicológicos e cognitivos.
Este subtipo também está geralmente
associado com fraca personalidade pré-
mórbida, início precoce ou insidioso e um
curso contínuo sem remissões
significativas. Historicamente, e em outros
sistemas de classificação, este tipo é
chamado de hebefrênico.
Diagnóstico: Todos os seguintes sintomas
são proeminentes: Discurso desorganizado;
Comportamento desorganizado; Afeto
embotado ou inadequado; Não são
satisfeitos os critérios para Tipo
Catatônico;
Tipo Catatônico: A característica essencial
da Esquizofrenia, Tipo Catatônico, é uma
acentuada perturbação psicomotora, que
pode envolver imobilidade motora,
atividade motora excessiva, extremo
negativismo, mutismo, peculiaridades dos
movimentos voluntários, ecolalia ou
ecopraxia.
A imobilidade motora pode ser
manifestada por cataplexia (flexibilidade
cérea) ou estupor.
A atividade motora excessiva é
aparentemente desprovida de sentido e
não é influenciada por estímulos externos.
Pode haver extremo negativismo,
manifestado pela manutenção de uma
postura rígida contra tentativas de
mobilização, ou resistência a toda e
qualquer instrução.
Peculiaridades do movimento
voluntário são manifestadas pela adoção
voluntária de posturas inadequadas ou
bizarras ou por trejeitos faciais
proeminentes.
A ecolalia é a repetição patológica, tipo
papagaio e aparentemente sem sentido de
uma palavra ou frase que outra pessoa
acabou de falar.
Durante o estupor severo ou a
excitação catatônica, a pessoa pode
necessitar de cuidadosa supervisão, para
evitar danos a si mesma ou a outros.
Existem riscos potenciais de desnutrição,
exaustão, hiperpirexia ou ferimentos auto-
infligidos.
Para o diagnóstico deste subtipo, a
apresentação do indivíduo deve, primeiro,
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
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satisfazer todos os critérios para
Esquizofrenia e não ser melhor explicada
por uma outra etiologia, ou seja, induzida
por uma substância (por ex.,
Parkinsonismo Induzido por
Neurolépticos), uma condição médica geral
ou Episódio Maníaco ou Depressivo Maior.
Diagnóstico:
● Imobilidade motora evidenciada por
cataplexia (incluindo flexibilidade cérea
ou estupor);
● Atividade motora excessiva
(aparentemente desprovida de
propósito e não influenciada por
estímulos externos);
● Extremo negativismo (uma resistência
aparentemente sem motivo a toda e
qualquer instrução, ou manutenção de
uma postura rígida contra tentativas de
mobilização) ou mutismo;
● Peculiaridades do movimento
voluntário evidenciadas por posturas
(adoção voluntária de posturas
inadequadas ou bizarras, movimentos
estereotipados, maneirismos
proeminentes ou trejeitos faciais
proeminentes);
● Ecolalia ou ecopraxia;
Tipo Indiferenciado: A
característica essencial da
Esquizofrenia, Tipo
Indiferenciado, é a presença
de sintomas que satisfazem o
Critério A de Esquizofrenia,
mas não satisfazem os
critérios para os Tipos
Paranóide, Desorganizado ou
Catatônico.
SINDROME MANIACA: É
caracterizada por intensa inquietação
psicomotora, que pode chegar à agitação.
Humor eufórico ou irritado,
podendo haver breves momentos de
choro. Ideias delirantes secundárias de
grandeza.
Julgamento social prejudicado,
com o paciente mostrando-se
inconveniente, sem limites.
MANIA: A mania afeta o humor e as
funções vegetativas, como sono, cognição,
psicomotricidade e nível de energia.
Um episódio maníaco clássico, o
humor é expansivo ou eufórico, diminui a
necessidade de sono, ocorre aumento da
energia, de atividades dirigidas a objetivos
(o paciente inicia vários projetos ao mesmo
tempo), de atividades prazerosas, da libido,
além de inquietação e até mesmo agitação
psicomotora.
O pensamento se torna rápido,
podendo evoluir para a fuga de ideias.
O discurso é caracterizado por
prolixidade, pressão para falar e
tangencialidade.
As ideias costumam ser de
grandeza, podendo ser delirantes.
Geralmente a crítica está
prejudicada, com ajuizamentos emitidos se
afastando da realidade do paciente.
DIAGNÓSTICO
1. Um período distinto de humor anormal
e persistentemente elevado, expansivo
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
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ou irritável, durando pelo menos 1
semana (ou qualquer duração, se a
hospitalização é necessária).
2. Durante o período de perturbação do
humor, três (ou mais) dos seguintes
sintomas persistiram (quatro, se o
humor é apenas irritável) e estiveram
presentes em um grau significativo:
A. Autoestima inflada ou
grandiosidade;
B. Necessidade de sono
diminuída (por ex., sente-se
repousado depois de apenas 3
horas de sono);
C. Mais loquaz do que o habitual
ou pressão por falar;
D. Fuga de ideias ou experiência
subjetiva de que os
pensamentos estão correndo;
E. Distratibilidade (isto é, a
atenção é desviada com
excessiva facilidade para
estímulos externos
insignificantes ou irrelevantes);
F. Aumento da atividade dirigida
a objetivos (socialmente, no
trabalho, na escola ou
sexualmente) ou agitação
psicomotora;
G. Envolvimento excessivo em
atividades prazerosas com um
alto potencial para
consequências dolorosas (por
ex., envolvimento em surtos
incontidos de compras,
indiscrições sexuais ou
investimentos financeiros
tolos);
3. Os sintomas não satisfazem os critérios
para Episódio Misto (episódio maníaco
+ episódio depressivo maior);
4. A perturbação do humor é
suficientemente severa para causar
prejuízo acentuado no funcionamento
ocupacional, nas atividades sociais ou
relacionamentos costumeiros com
outros, ou para exigir a hospitalização,
como um meio de evitar danos a si
mesmo e a outros, ou existem aspectos
psicóticos.
5. Os sintomas não se devem aos efeitos
fisiológicos diretos de uma substância
(por ex., uma droga de abuso, um
medicamento ou outro tratamento) ou
de uma condição médica geral (por ex.,
hipertiroidismo).
Nota: Episódios tipo maníacos
nitidamente causados por um
tratamento antidepressivo somático
(por ex., medicamentos, terapia
eletroconvulsiva, fototerapia) não
devemcontar para um diagnóstico de
Transtorno Bipolar I.
Um Episódio Maníaco é definido por
um período distinto, durante o qual existe
um humor anormal e persistentemente
elevado, expansivo ou irritável. Este
período de humor anormal deve durar pelo
menos 1 semana (ou menos, se a
hospitalização for exigida) (Critério 1).
A perturbação do humor deve ser
acompanhada por pelo menos três
sintomas adicionais de uma lista que inclui
autoestima inflada ou grandiosidade,
necessidade de sono diminuída, pressão
por falar, fuga de ideias, distratibilidade,
maior envolvimento em atividades
dirigidas a objetivos ou agitação
psicomotora, e envolvimento excessivo em
atividades prazerosas com um alto
potencial para consequências dolorosas.
Sintomas como os que são vistos
no Episódio Maníaco podem decorrer dos
efeitos fisiológicos diretos de
medicamentos antidepressivos, terapia
eletroconvulsiva, fototerapia ou
medicamentos prescritos para outras
condições médicas gerais (por ex.,
corticosteroides).
Estas apresentações não são
consideradas Episódios Maníacos e não
contam para um diagnóstico de Transtorno
Bipolar I. Por exemplo, se uma pessoa com
Transtorno Depressivo Maior recorrente
desenvolve sintomas maníacos após um
curso de medicamento antidepressivo, o
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
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episódio é diagnosticado como Transtorno
do Humor Induzido por Substância, Com
Características Maníacas, sem alteração do
diagnóstico de Transtorno Depressivo
Maior para Transtorno Bipolar I.
Os indivíduos com um Episódio
Maníaco com frequência não reconhecem
que estão doentes e resistem às tentativas
de tratamento. Eles podem viajar
impulsivamente para outras cidades,
perdendo contato com parentes e
responsáveis; podem modificar seu
vestuário, maquiagem ou aparência
pessoal para um estilo com maior apelo
sexual ou dramaticamente exuberante,
que não lhes é próprio; também podem
envolver-se em atividades desorganizadas
ou bizarras (por ex., distribuir doces,
dinheiro ou conselhos a estranhos que
passam na rua).
Jogos de azar e comportamentos
antissociais podem acompanhar o Episódio
Maníaco. As preocupações éticas podem
ser desconsideradas, mesmo por
indivíduos tipicamente bastante
conscienciosos (por ex., um corretor da
bolsa de valores compra e vende ações
impropriamente, sem conhecimento ou
permissão do cliente; um cientista
apodera-se de descobertas alheias).
O humor pode mudar rapidamente
para raiva ou depressão. Os sintomas
depressivos podem durar momentos, horas
ou, mais raramente, dias. Não é rara a
ocorrência simultânea de sintomas
depressivos e sintomas maníacos. Caso
haja proeminência de critérios tanto para
Episódio Depressivo Maior quanto para
Episódio Maníaco, todos os dias por pelo
menos 1 semana, o episódio é considerado
como Episódio Misto.
A idade média de início para o
primeiro Episódio Maníaco ocorre logo
após os 20 anos, mas alguns casos iniciam
na adolescência e outros após os 50 anos.
Os Episódios Maníacos têm tipicamente
um início súbito, com rápido aumento dos
sintomas dentro de poucos dias.
Com frequência, os Episódios
Maníacos ocorrem após estressores
psicossociais. Os episódios geralmente
duram de algumas semanas a vários
meses, são mais breves e terminam mais
abruptamente do que os Episódios
Depressivos Maiores.
Em muitos casos (50 a 60%), um
Episódio Depressivo Maior imediatamente
precede ou segue um Episódio Maníaco,
sem um período de eutimia neste
intervalo. Se o Episódio Maníaco ocorre no
período pós-parto, pode haver um risco
aumentado para recorrência em períodos
pós-parto subsequentes, e aplica-se o
especificador Com Início no Pós-Parto.
Um Episódio Maníaco deve ser
diferenciado de um Transtorno do Humor
Devido a uma Condição Médica Geral.
O diagnóstico apropriado é de
Transtorno do Humor Devido a uma
Condição Médica Geral se a perturbação
do humor é considerada a conseqüência
fisiológica direta de uma condição médica
geral específica (por ex., esclerose múltipla,
tumor cerebral, síndrome de Cushing). Esta
determinação está baseada na história,
achados laboratoriais ou no exame físico.
Os Episódios Maníacos devem ser
diferenciados de Episódios Hipomaníacos.
Embora Episódios Maníacos e Episódios
Hipomaníacos tenham uma lista idêntica
de sintomas característicos, a perturbação
nos Episódios Hipomaníacos não é
suficientemente severa para causar
prejuízo acentuado no funcionamento
social ou ocupacional ou para exigir a
hospitalização. Alguns Episódios
Hipomaníacos evoluem para Episódios
Maníacos completos.
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
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Episódios Depressivos Maiores com
humor irritável proeminente podem ser
difíceis de distinguir de Episódios Maníacos
com humor irritável ou de Episódios
Mistos. Esta determinação exige uma
atenta avaliação clínica da presença de
sintomas maníacos.
TRANSTORNO MANIACO
DEPRESSIVO ( T. BI-POLAR 1)
A característica essencial do
Transtorno Bipolar I é um curso clínico
caracterizado pela ocorrência de um ou
mais Episódios Maníacos ou Episódios
Mistos.
Com frequência, os indivíduos
também tiveram um ou mais Episódios
Depressivos Maiores.
Os Episódios de Transtorno do
Humor Induzido por Substância (devido aos
efeitos diretos de um medicamento, outros
tratamentos somáticos para a depressão,
uma droga de abuso ou exposição a uma
toxina) ou de Transtorno do Humor Devido
a uma Condição Médica Geral não devem
ser contabilizados para um diagnóstico de
Transtorno Bipolar I.
Além disso, os episódios não são
mais bem explicados por Transtorno
Esquizoafetivo nem estão sobrepostos a
Esquizofrenia, Transtorno
Esquizofreniforme, Transtorno Delirante ou
Transtorno Psicótico Sem Outra
Especificação.
O Transtorno Bipolar I é
subclassificado de acordo com o fato de o
indivíduo estar experimentando um
primeiro episódio (isto é, Episódio Maníaco
Único) ou de o transtorno ser recorrente.
A recorrência é indicada por uma
mudança na polaridade do episódio ou por
um intervalo entre os episódios de pelo
menos 2 meses sem sintomas maníacos.
Uma mudança na polaridade é
definida como um curso clínico no qual um
Episódio Depressivo Maior evolui para um
Episódio Maníaco ou um Episódio Misto ou
no qual um Episódio Maníaco ou um
Episódio Misto evoluem para um Episódio
Depressivo Maior.
Em contrapartida, um Episódio
Hipomaníaco que evolui para um Episódio
Maníaco ou Episódio Misto, ou um
Episódio Maníaco que evolui para um
Episódio Misto (e vice-versa), é
considerado apenas como um episódio
único.
Para os Transtornos Bipolares
recorrentes, pode-se especificar a natureza
do episódio atual ou mais recente
(Episódio Mais Recente Hipomaníaco,
Episódio Mais Recente Maníaco, Episódio
Mais Recente Misto, Episódio Mais Recente
Depressivo, Episódio Mais Recente
Inespecificado).
CARACTERÍSTICAS E TRANSTORNOS
ASSOCIADOS
O suicídio completado ocorre em
10 a 15% dos indivíduos com Transtorno
Bipolar I.
Abuso da criança, abuso do
cônjuge ou outro comportamento violento
pode ocorrer durante Episódios Maníacos
severos ou com aspectos psicóticos.
Outros problemas associados
incluem gazeta à escola,repetência,
fracasso profissional, divórcio ou
comportamento antissocial episódico.
Outros transtornos mentais
associados incluem Anorexia Nervosa,
Bulimia Nervosa, Transtorno de Déficit de
Atenção/Hiperatividade, Transtorno de
Pânico, Fobia Social e Transtornos
Relacionados a Substâncias.
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
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ACHADOS AO EXAME FÍSICO E CONDIÇÕES
MÉDICAS GERAIS ASSOCIADAS
Uma idade de início para o
primeiro Episódio Maníaco após os 40 anos
deve alertar o clínico para a possibilidade
de que os sintomas sejam devido a uma
condição médica geral ou uso de
substância.
Existem algumas evidências de que
uma doença da tireoide não tratada piora o
prognóstico de Transtorno Bipolar I.
CARACTERÍSTICAS ESPECÍFICAS À
CULTURA, À IDADE E AO GÊNERO: Não
existem relatos de uma incidência
diferencial de Transtorno Bipolar I com
base em raça ou etnia.
Existem algumas evidências de que
os clínicos podem tender a
superdiagnosticar Esquizofrenia (ao invés
de Transtorno Bipolar) em alguns grupos
étnicos e em indivíduos mais jovens.
Aproximadamente 10 a 15% dos
adolescentes com Episódios Depressivos
Maiores recorrentes evoluem para um
Transtorno Bipolar I.
Episódios Mistos parecem ser mais
prováveis em adolescentes e adultos
jovens do que em adultos mais velhos.
O gênero parece estar relacionado
à ordem de aparecimento dos Episódios
Maníaco e Depressivo Maior.
O primeiro episódio em homens
tende mais a ser um Episódio Maníaco.
O primeiro episódio em mulheres
tende mais a ser um Episódio Depressivo
Maior.
As mulheres com Transtorno
Bipolar I têm um risco aumentado para o
desenvolvimento de episódios
subsequentes (em geral psicóticos) no
período pós-parto imediato. Algumas
mulheres têm seu primeiro episódio
durante este período.
O especificador Com Início no Pós-
Parto pode ser usado para indicar que o
início do episódio ocorre dentro de 4
semanas após o parto.
O período pré-menstrual pode
estar associado com a piora de um
Episódio Depressivo Maior, Maníaco, Misto
ou Hipomaníaco em andamento.
CURSO CLINICO: O Transtorno Bipolar I é
um transtorno recorrente — mais de 90%
dos indivíduos que têm um Episódio
Maníaco Único terão futuros episódios.
Aproximadamente 60 a 70% dos
Episódios Maníacos frequentemente
precedem ou se seguem a Episódios
Depressivos Maiores em um padrão
característico para a pessoa em questão.
O número de episódios durante a
vida (tanto Depressivos quanto Maníacos)
tende a ser superior para Transtorno
Bipolar I, em comparação com Transtorno
Depressivo Maior, Recorrente.
Estudos do curso do Transtorno
Bipolar I antes do tratamento de
manutenção com lítio sugerem que, em
média, quatro episódios ocorrem em 10
anos.
O intervalo entre os episódios
tende a diminuir com a idade.
Existem algumas evidências de que
alterações no ciclo de sono/vigília tais
como as que ocorrem durante as
mudanças de fuso horário ou privação do
sono, podem precipitar ou exacerbar um
Episódio Maníaco, Misto ou Hipomaníaco.
Embora a maioria dos indivíduos
com Transtorno Bipolar I retorne a um
nível plenamente funcional entre os
episódios, alguns (20 a 30%) continuam
apresentando instabilidade do humor e
dificuldades interpessoais ou ocupacionais.
Sintomas psicóticos podem
desenvolver-se dentro de dias ou semanas
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
Página 43
em um Episódio Maníaco ou Episódio
Misto anteriormente não psicótico.
Quando um indivíduo tem
Episódios Maníacos com aspectos
psicóticos, os Episódios Maníacos
subsequentes tendem mais a ter aspectos
psicóticos.
A recuperação incompleta entre os
episódios é mais comum quando o
episódio atual é acompanhado por
aspectos psicóticos incongruentes com o
humor.
PADRÃO FAMILIAL: Os parentes biológicos
em primeiro grau de indivíduos com
Transtorno Bipolar I têm índices elevados
de Transtorno Bipolar I (4 a 24%),
Transtorno Bipolar II (1 a 5%) e Transtorno
Depressivo Maior (3 a 24%).
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL: Os episódios
Depressivos Maiores, Maníacos, Mistos e
Hipomaníacos no Transtorno Bipolar I
devem ser diferenciados dos episódios de
Transtorno do Humor Devido a uma
Condição Médica Geral.
O diagnóstico é de Transtorno do
Humor Devido a uma Condição Médica
Geral para episódios considerados a
consequência fisiológica direta de uma
condição médica geral específica (por ex.,
esclerose múltipla, acidente vascular
encefálico, hipotiroidismo). Esta distinção
fundamenta-se na história, achados
laboratoriais ou exame físico.
Um Transtorno do Humor Induzido
por Substância é diferenciado de Episódios
Depressivos Maiores, Maníacos ou Mistos
que ocorrem no Transtorno Bipolar I pelo
fato de que uma substância (por ex., droga
de abuso, medicamento ou exposição a
uma toxina) está etiologicamente
relacionada à perturbação do humor.
Sintomas como os que são vistos
em um Episódio Maníaco, Misto ou
Hipomaníaco podem fazer parte de uma
intoxicação ou abstinência de uma droga
de abuso e devem ser diagnosticados como
Transtorno do Humor Induzido por
Substância (por ex., um humor eufórico
que ocorre apenas no contexto da
intoxicação com cocaína é diagnosticado
como Transtorno do Humor Induzido por
Cocaína, Com Características Maníacas,
Com Início Durante Intoxicação).
Sintomas como os que são vistos
em um Episódio Maníaco ou Episódio
Misto também podem ser precipitados por
um tratamento antidepressivo com
medicamentos, terapia eletroconvulsiva ou
fototerapia. Estes episódios podem ser
diagnosticados como Transtorno do Humor
Induzido por Substância (por ex.,
Transtorno do Humor Induzido por
Amitriptilina, Com Características
Maníacas; Transtorno do Humor Induzido
por Terapia Eletroconvulsiva, Com
Características Maníacas) e não contam
para um diagnóstico de Transtorno Bipolar
I.
O Transtorno Bipolar I é
diferenciado do Transtorno Depressivo
Maior e Transtorno Distímico pela história
de pelo menos um Episódio Maníaco ou
Episódio Misto durante a vida. O
Transtorno Bipolar I é diferenciado do
Transtorno Bipolar II pela presença de um
ou mais Episódios Maníacos ou Episódios
Mistos.
Quando um indivíduo
anteriormente diagnosticado com
Transtorno Bipolar II desenvolve um
Episódio Maníaco ou Episódio Misto, o
diagnóstico é mudado para Transtorno
Bipolar I.
No Transtorno Ciclotímico, existem
numerosos períodos de sintomas
hipomaníacos que não satisfazem os
critérios para um Episódio Maníaco e
períodos de sintomas depressivos que não
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
Página 44
satisfazem os critérios sintomáticos ou de
duração para Episódio Depressivo Maior.
O Transtorno Bipolar I é
diferenciado do Transtorno Ciclotímico
pela presença de um ou mais Episódios
Maníacos ou Mistos. Se um Episódio
Maníaco ou Episódio Misto ocorre após os
2 primeiros anos de Transtorno Ciclotímico,
então Transtorno Ciclotímico e Transtorno
Bipolar I podem ser diagnosticados em
conjunto.
A característica essencial do
Transtorno Ciclotímico é uma perturbação
crônica e flutuante do humor, envolvendo
numerosos períodos de sintomashipomaníacos e numerosos períodos de
sintomas depressivos. Os sintomas
hipomaníacos têm número, gravidade,
abrangência ou duração insuficientes para
a satisfação de todos os critérios para um
Episódio Maníaco, e os sintomas
depressivos têm número, gravidade,
abrangência ou duração insuficientes para
a satisfação de todos os critérios para um
Episódio Depressivo Maior. Durante o
período de 2 anos (1 ano para crianças e
adolescentes), quaisquer intervalos livres
de sintomas não duram mais de 2 meses.
- O diagnóstico de Transtorno Ciclotímico é
feito apenas se o período inicial de 2 anos
de sintomas ciclotímicos está livre de
Episódios Depressivos Maiores, Maníacos e
Mistos.
O diagnóstico diferencial entre
Transtornos Psicóticos (por ex., Transtorno
Esquizoafetivo, Esquizofrenia e Transtorno
Delirante) e Transtorno Bipolar I pode ser
difícil (especialmente em adolescentes),
porque esses transtornos podem
compartilhar diversos sintomas (por ex.,
delírios grandiosos e persecutórios,
irritabilidade, agitação e sintomas
catatônicos), em especial
transeccionalmente e no início de seu
curso.
Em comparação com o Transtorno
Bipolar, a Esquizofrenia, o Transtorno
Esquizoafetivo e o Transtorno Delirante
caracterizam-se por períodos de sintomas
psicóticos que ocorrem na ausência de
sintomas proeminentes de humor.
CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS PARA
TRANSTORNO BIPOLAR I, MAIS RECENTE
MANÍACO
A. Atualmente (ou mais recentemente)
em Episódio Maníaco;
B. Houve, anteriormente, pelo menos um
Episódio Depressivo Maior, Episódio
Maníaco ou Episódio Misto.
C. Os episódios de humor nos Critérios A
e B não são mais bem explicados por
Transtorno Esquizoafetivo nem estão
sobrepostos a Esquizofrenia,
Transtorno Esquizofreniforme,
Transtorno Delirante ou Transtorno
Psicótico Sem Outra Especificação.
Especificar se:
Especificadores de
Gravidade/Psicótico/de
Remissão;
Com Características
Catatônicas;
Com Início no Pós-Parto;
CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS PARA
TRANSTORNO BIPOLAR I, MAIS RECENTE
DEPRESSIVO
A. Atualmente (ou mais recentemente)
em Episódio Depressivo Maior.
B. Houve, anteriormente, pelo menos um
Episódio Maníaco ou Episódio Misto.
C. Os episódios de humor nos Critérios A
e B não são mais bem explicados por
Transtorno Esquizoafetivo nem estão
sobrepostos a Esquizofrenia,
Transtorno Esquizofreniforme,
Transtorno Delirante ou Transtorno
Psicótico Sem Outra Especificação.
D. Os episódios de humor nos Critérios A
e B não são melhor explicados por
Transtorno Esquizoafetivo nem estão
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
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sobrepostos a Esquizofrenia,
Transtorno Esquizofreniforme,
Transtorno Delirante ou Transtorno
Psicótico Sem Outra Especificação
Especificar se:
Especificadores de
Gravidade/Psicótico/de
Remissão;
Com Características
Catatônicas;
Com Características
Melancólicas;
Com Características Atípicas;
Com Início no Pós-Parto;
Crônico.
Sazonal.
Com ciclagem rápida.
CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS PARA
TRANSTORNO BIPOLAR I, EPISÓDIO
INESPECÍFICO
A. Os critérios, exceto pela duração, são
atualmente (ou foram mais
recentemente) satisfeitos para um
Episódio Maníaco, Episódio
Hipomaníaco, Episódio Misto ou
Episódio Depressivo Maior.
B. Houve, anteriormente, pelo menos um
Episódio Maníaco ou Episódio Misto.
C. Os sintomas de humor causam
sofrimento clinicamente significativo
ou prejuízo no funcionamento social ou
ocupacional ou outras áreas
importantes da vida do indivíduo.
D. Os sintomas de humor nos Critérios A e
B não são melhor explicados por um
Transtorno Esquizoafetivo nem estão
sobrepostos a Esquizofrenia,
Transtorno Esquizofreniforme,
Transtorno Delirante ou Transtorno
Psicótico Sem Outra Especificação.
E. Os sintomas de humor nos Critérios A e
B não se devem aos efeitos fisiológicos
diretos de uma substância (por ex.,
droga de abuso, medicamento ou
outro tratamento), ou de uma
condição médica geral (por ex.,
hipertiroidismo).
Especificar se:
Especificadores de Curso
Longitudinal (Com ou Sem
Recuperação Entre Episódios);
Com Padrão Sazonal (aplica-se
apenas ao padrão de Episódios
Depressivos Maiores);
Com Ciclagem Rápida. Com
Características Melancólicas;
CRITÉRIOS PARA EPISÓDIO MISTO
A. Satisfazem-se os critérios tanto para
Episódio Maníaco quanto para Episódio
Depressivo Maior (exceto pela
duração), quase todos os dias, durante
um período mínimo de 1 semana.
B. A perturbação do humor é
suficientemente severa para causar
acentuado prejuízo no funcionamento
ocupacional, em atividades sociais
costumeiras ou relacionamentos com
outros, ou para exigir a hospitalização
para prevenir danos ao indivíduo e a
outros, ou existem aspectos psicóticos.
C. Os sintomas não se devem aos efeitos
fisiológicos diretos de uma substância
(por ex., droga de abuso, medicamento
ou outro tratamento) ou de uma
condição médica geral (por ex.,
hipertiroidismo).
Nota: Episódios tipo mistos causados por
um tratamento antidepressivo somático
(por ex., medicamento, terapia
eletroconvulsiva, fototerapia) não devem
contar para um diagnóstico de Transtorno
Bipolar I.
CRITÉRIOS PARA TRANSTORNO
DISTÍMICO
A. Humor deprimido na maior parte do
dia, na maioria dos dias, indicado por
relato subjetivo ou observação feita
por outros, por pelo menos 2 anos.
Nota: Em crianças e adolescentes, o
humor pode ser irritável, e a duração
deve ser de no mínimo 1 ano.
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B. Presença, enquanto deprimido, de
duas (ou mais) das seguintes
características:
(1) apetite diminuído ou hiperfagia;
(2) insônia ou hipersonia;
(3) baixa energia ou fadiga;
(4) baixa autoestima;
(5) fraca concentração ou dificuldade
em tomar decisões;
C. Durante o período de 2 anos (1 ano,
para crianças ou adolescentes) de
perturbação, jamais a pessoa esteve
sem os sintomas dos Critérios A e B por
mais de 2 meses a cada vez.
D. Ausência de Episódio Depressivo Maior
durante os primeiros 2 anos de
perturbação (1 ano para crianças e
adolescentes); isto é, a perturbação
não é melhor explicada por um
Transtorno Depressivo Maior crônico
ou Transtorno Depressivo Maior, Em
Remissão Parcial.
Nota: Pode ter ocorrido um Episódio
Depressivo Maior anterior, desde que
tenha havido remissão completa
(ausência de sinais ou sintomas
significativos por 2 meses) antes do
desenvolvimento do Transtorno
Distímico. Além disso, após os 2 anos
iniciais (1 ano para crianças e
adolescentes) de Transtorno Distímico,
pode haver episódios sobrepostos de
Transtorno Depressivo Maior e, neste
caso, ambos os diagnósticos podem ser
dados quando são satisfeitos os
critérios para um Episódio Depressivo
Maior.
E. Jamais houve um Episódio Maníaco,
um Episódio Misto ou um Episódio
Hipomaníaco e jamais foram satisfeitos
os critérios para Transtorno
Ciclotímico.
F. A perturbação não ocorre
exclusivamente durante o curso de um
Transtorno Psicótico crônico, como
Esquizofrenia ou Transtorno Delirante.
G. Os sintomas não se devem aos efeitos
fisiológicos diretos de uma substância
(por ex., droga de abuso,
medicamento) ou de uma condição
médica geral (por ex., hipotiroidismo).
H. Os sintomas causam sofrimento
clinicamente significativo ou prejuízo
no funcionamento social ou
ocupacional ou em outras áreasimportantes da vida do indivíduo.
Especificar se:
Início Precoce: se o início ocorreu
antes dos 21 anos;
Início Tardio: se o início ocorreu
aos 21 anos ou mais;
Especificar (para os 2 anos de
Transtorno Distímico mais
recentes): Com Características
Atípicas
TRANTORNO MANIACO DEPRESSIVO
(T. BI-POLAR 2)
A característica essencial do
Transtorno Bipolar II é um curso clínico
marcado pela ocorrência de um ou mais
Episódios Depressivos Maiores (Critério A),
acompanhados por pelo menos um
Episódio Hipomaníaco (Critério B).
Os Episódios Hipomaníacos não
devem ser confundidos com os vários dias
de eutimia que podem seguir-se à remissão
de um Episódio Depressivo Maior. A
presença de um Episódio Maníaco ou
Episódio Misto exclui o diagnóstico de
Transtorno Bipolar II (Critério C).
- Episódios de Transtorno do Humor
Induzido por Substância (devido aos efeitos
fisiológicos diretos de um medicamento,
outros tratamentos somáticos para a
depressão, drogas de abuso ou exposição a
uma toxina) ou episódios de Transtorno do
Humor Devido a uma Condição Médica
Geral não devem contar a favor de um
Transtorno Bipolar II.
Além disso, os episódios não
devem ser melhor explicados por
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Transtorno Esquizoafetivo nem estar
sobrepostos a Esquizofrenia, Transtorno
Esquizofreniforme, Transtorno Delirante ou
Transtorno Psicótico Sem Outra
Especificação (Critério D).
Os sintomas devem causar
sofrimento clinicamente significativo ou
prejuízo no funcionamento social ou
ocupacional ou em outras áreas
importantes da vida do indivíduo (Critério
E).
Em alguns casos, os Episódios
Hipomaníacos em si não causam prejuízo;
no entanto, este pode decorrer dos
Episódios Depressivos Maiores ou de um
padrão crônico de episódios imprevisíveis
de humor e de um funcionamento
interpessoal ou ocupacional flutuante e
inconfiável.
Os indivíduos com Transtorno
Bipolar II podem não ver os Episódios
Hipomaníacos como patológicos, embora
outras pessoas possam sentir-se
perturbadas pelo comportamento errático
do indivíduo. Muitas vezes,
particularmente quando em meio a um
Episódio Depressivo Maior, os indivíduos
não se recordam dos períodos de
hipomania se não forem lembrados por
amigos íntimos ou parentes.
As informações oferecidas por
outras pessoas frequentemente são críticas
para o estabelecimento do diagnóstico de
Transtorno Bipolar II.
CARACTERÍSTICAS E TRANSTORNOS
ASSOCIADOS: O suicídio completado
(geralmente durante Episódios Depressivos
Maiores) é um risco significativo,
ocorrendo em 10 a 15% das pessoas com
Transtorno Bipolar II.
Gazeta à escola, fracasso escolar,
fracasso profissional ou divórcio podem
estar associados com o Transtorno Bipolar
II.
Os transtornos mentais associados
incluem Abuso ou Dependência de
Substância, Anorexia Nervosa, Bulimia
Nervosa, Transtorno de Déficit de
Atenção/Hiperatividade, Transtorno de
Pânico, Fobia Social e Transtorno da
Personalidade Borderline.
O Transtorno Bipolar II pode ser
mais comum em mulheres do que em
homens.
As mulheres com Transtorno
Bipolar II podem estar em risco aumentado
para o desenvolvimento de episódios
subsequentes no período pós-parto
imediato.
Estudos comunitários sugerem uma
prevalência do Transtorno Bipolar II
durante a vida de aproximadamente 0,5%.
CURSO CLINICO: Aproximadamente 60 a
70% dos Episódios Hipomaníacos no
Transtorno Bipolar II ocorrem
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imediatamente antes ou após um Episódio
Depressivo Maior.
Os Episódios Hipomaníacos
frequentemente precedem ou se seguem
aos Episódios Depressivos Maiores em um
padrão característico para cada pessoa
determinada.
O número de episódios durante a
vida (tanto Hipomaníacos quanto
Depressivos Maiores) tende a ser superior
para Transtorno Bipolar II, em comparação
com o Transtorno Depressivo Maior,
Recorrente. O intervalo entre os episódios
tende a diminuir com a idade.
Aproximadamente 5 a 15% dos
indivíduos com Transtorno Bipolar II têm
múltiplos (quatro ou mais) episódios de
humor (Hipomaníacos ou Depressivos
Maiores) que ocorrem dentro de um
mesmo ano. Se este padrão está presente,
ele é anotado pelo especificador Com
Ciclagem Rápida. Um padrão de ciclagem
rápida está associado com um pior
prognóstico.
Embora a maioria dos indivíduos
com Transtorno Bipolar II retorne a um
nível plenamente funcional entre os
episódios, aproximadamente 15%
continuam apresentando humor instável e
dificuldades interpessoais ou ocupacionais.
Não ocorrem sintomas psicóticos
nos Episódios Hipomaníacos, e estes
parecem ser menos frequentes nos
Episódios Depressivos Maiores do
Transtorno Bipolar II do que nos do
Transtorno Bipolar I.
EMERGENCIAS PSIQUIATRICAS
Constituem em situações de risco
iminente para o paciente ou outrem,
causadas por transtorno psiquiátrico ou
crise psicológica.
O paciente em uma situação de
emergência psiquiátrica é vitima de forte
preconceito por parte da equipe e dos
demais pacientes do serviço.
AGITAÇÃO PSICOMOTORA: É definida
como estado de agitação física e psíquica,
movimentação excessiva, reatividade
aumentada a estímulos externos e por
vezes agressividade verbal ou física.
Normalmente denota desconforto
para o paciente.
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
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As causas mais comuns incluem:
intoxicação ou abstinência por álcool ou
psicoestimulantes, condições médicas
gerais acompanhadas de dispneia, dor
intensa ou alteração do nível de
consciência (delirium) e transtornos
psiquiátricos, notadamente depressão,
mania e transtornos psicóticos ou de
personalidade.
Deve-se avaliar o risco de
agressividade física na situação, a fim de
proteger a equipe e o próprio paciente,
principalmente em casos sugestivos:
agressividade verbal, punhos e dentes
cerrados, movimentação excessiva,
tendência à aproximação excessiva,
inclinação em direção ao interlocutor e
volume da voz demasiadamente elevado.
A abordagem inicial, em caso de
pacientes potencialmente agressivos, deve
ser pelo membro mais experiente da
equipe, utilizando-se tom de voz suave e
postura de escuta, evitando julgar ou
provocar.
Pacientes com elevado potencial
de agressividade devem ser prontamente
restritos, antes mesmo do exame, por
questões de segurança, lembrando que
restringir o paciente ao leito só deve
ocorrer quando realmente for necessário.
Deve ser realizada por uma equipe
de no mínimo cinco pessoas, durando o
menor tempo possível.
Devem-se utilizar lençóis e faixas
específicas, para que não haja lesões no
paciente, que deve ser prontamente
medicado para, assim que possível, ser
liberado.
SURTO PSICÓTICO E MANIA: Pacientes
com esquizofrenia, outros transtornos
psicóticos ou transtorno bipolar podem se
apresentar de forma agitada ou agressiva.
Mesmo pacientes depressivos podem ter
rompantes de agressividade.
Pacientes psicóticos estão
relacionados a alterações do juízo
(delírios), alterações da sensopercepção
(alucinações), que podem motivar
comportamento bizarro e agressivo.Pacientes com transtorno bipolar
em episódio de mania ou episódio misto,
mesmo que não estejam psicóticos,
também podem se apresentar com
extrema irritabilidade e agitação, dando
margem para a ocorrência de
comportamento violento.
PARAMETROS LEGAIS PARA INTERNAÇÃO
INVOLUNTARIA NO BRASIL: a linguagem
médica descreve o estado do paciente em
uma escala que vai de grave a
completamente saudável, a linguagem
jurídica é binária: o doente é capaz ou
incapaz, necessita ser internado ou não,
oferece ou não perigo. Assim, as
internações involuntárias são aquelas
feitas sem o consentimento do paciente.
A essência das justificativas de uma
internação involuntária está na perda da
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autonomia do indivíduo, decorrente de sua
doença mental, que o impede de
compreender e entender o caráter
desadaptativo de seu estado. Quadros
psicóticos graves, cursando com delírios e
alucinações, e casos de depressão com
risco de suicídio ilustram bem essa
condição.
A Lei Federal 10.216/20017, se
dispõe a proteger os direitos das pessoas
portadoras de transtornos mentais e
redirecionar o modelo assistencial em
saúde mental.
É uma lei que trouxe avanços na
regulamentação de atos médicos
envolvendo pacientes portadores de
transtornos mentais.
Com relação às internações psiquiátricas, a
lei define suas modalidades, bem como
suas justificativas.
“São considerados os seguintes
tipos de internação psiquiátrica:
I – internação voluntária: aquela que se dá
com o consentimento do usuário;
II – internação involuntária: aquela que se
dá sem o consentimento do usuário e a
pedido de terceiro; e
III – internação compulsória: aquela
determinada pela Justiça.”
Portanto, qualquer paciente que se
encontre numa enfermaria psiquiátrica se
enquadra numa dessas categorias: afora as
judicialmente determinadas (compulsórias)
– casos nos quais a vontade do paciente
não interfere –, a internação só é
voluntária se o paciente declara por escrito
que a aceita; todos os outros casos são
involuntários.
Essa modalidade de internação tem
regras específicas também determinadas
na lei:
“Art. 8o – A internação voluntária
ou involuntária somente será autorizada
por médico devidamente registrado no
Conselho Regional de Medicina – CRM do
Estado onde se localize o estabelecimento.
§ 1o – A internação psiquiátrica
involuntária deverá, no prazo de setenta e
duas horas, ser comunicada ao Ministério
Público Estadual pelo responsável técnico
do estabelecimento no qual tenha
ocorrido, devendo esse mesmo
procedimento ser adotado quando da
respectiva alta.
§ 2o – O término da internação
involuntária dar-se-á por solicitação escrita
do familiar, ou responsável legal, ou
quando estabelecido pelo especialista
responsável pelo tratamento.”
Alguns pontos merecem destaque:
em primeiro lugar, a necessidade de
comunicar o Ministério Público da
internação e da alta desses pacientes. Tal
norma tem sido cumprida anexando-se um
“Termo de Comunicação de Internação
Psiquiátrica Involuntária” aos documentos
médicos necessários para proceder à
internação9. O próprio hospital se
encarrega de transmiti-los ao Ministério
Público, geralmente via fax, sendo o
Diretor Clínico o responsável técnico
referido na lei.
Os responsáveis legais têm o direto
de retirar o paciente. É natural que seja
assim: se um indivíduo tem a capacidade
de discernimento preservada, ele pode
aceitar se tratar ou não (a não ser que isso
implique iminente risco de morte). A
internação involuntária existe em
psiquiatria porque tal capacidade por vezes
falta ao paciente. Quando isso ocorre,
alguém toma em suas mãos as
deliberações sobre a vida dele,
analogamente ao caso das pessoas
interditadas.
§ 1º – Na falta do cônjuge ou
companheiro, é curador legítimo o pai ou a
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mãe; na falta destes, o descendente que se
demonstrar mais apto.
§ 3º – Na falta das pessoas
mencionadas neste artigo, compete ao juiz
a escolha do curador.”
Se o risco da não internação é
extremo, a alta pode ser recusada,
conforme o artigo 46o do Código de Ética
Médico: “É vedado ao médico: efetuar
qualquer procedimento médico sem o
esclarecimento e o consentimento prévios
do paciente ou de seu responsável
legal, salvo em iminente perigo de vida”..
TRANSTORNOS DEPRESSIVOS
CARACTERÍSTICAS DO EPISÓDIO: A
característica essencial do Transtorno
Depressivo Maior é um curso clínico
caracterizado por um ou mais Episódios
Depressivos Maiores, Sem história de
Episódios Maníacos, Mistos ou
Hipomaníacos (Critérios A e C).
Os episódios de Transtorno do
Humor Induzido por Substância (devido aos
efeitos fisiológicos diretos de uma droga de
abuso, um medicamento ou exposição a
uma toxina) ou de Transtorno do Humor
Devido a uma Condição Médica Geral não
contam para um diagnóstico de Transtorno
Depressivo Maior.
Os episódios não devem ser mais
bem explicados por um Transtorno
Esquizoafetivo, nem devem estar
sobrepostos a Esquizofrenia, Transtorno
Esquizofreniforme, Transtorno Delirante ou
Transtorno Psicótico Sem Outra
Especificação (Critério B).
Um episódio é considerado findo
quando não mais são satisfeitos todos os
critérios para o Transtorno Depressivo
Maior por pelo menos 2 meses
consecutivos. Durante este período de 2
meses, existe a resolução completa dos
sintomas ou a presença de sintomas
depressivos que não mais satisfazem os
critérios completos para um Episódio
Depressivo Maior (Em Remissão Parcial).
Se um Episódio Maníaco, Misto ou
Hipomaníaco se desenvolve no curso de
um Transtorno Depressivo Maior, o
diagnóstico é mudado para Transtorno
Bipolar. Entretanto, se os sintomas
maníacos ou hipomaníacos ocorrem como
efeito direto de um tratamento
antidepressivo, uso de outros
medicamentos, uso de uma substância ou
exposição a uma toxina, o diagnóstico de
Transtorno Depressivo Maior permanece,
devendo-se anotar um diagnóstico
adicional de Transtorno do Humor Induzido
por Substância, Com Características
Maníacas (ou Com Características Mistas).
Se ocorrerem sintomas maníacos
ou hipomaníacos como efeito direto de
uma condição médica geral, o diagnóstico
de Transtorno Depressivo Maior
permanece, devendo-se anotar um
diagnóstico adicional de Transtorno do
Humor Devido a uma Condição Médica
Geral, Com Características Maníacas (ou
Com Características Mistas).
CARACTERÍSTICAS E TRANSTORNOS
ASSOCIADOS: Características descritivas e
transtornos mentais associados. O
Transtorno Depressivo Maior está
associado com uma alta mortalidade. Os
indivíduos com Transtorno Depressivo
Maior severo que morrem por suicídio
chegam a 15%.
Evidências epidemiológicas
também sugerem que o índice de
mortalidade em indivíduos com mais de 55
anos com Transtorno Depressivo Maior
pode ser quatro vezes maior. Os indivíduos
com Transtorno Depressivo Maior
admitidos em asilos com cuidados de
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
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enfermagem podem ter uma probabilidade
acentuadamente aumentada de morte no
primeiro ano.
Entre osindivíduos vistos em
contextos médicos gerais, aqueles com
Transtorno Depressivo Maior têm mais dor
e doença física e uma redução do
funcionamento físico, social e de papéis.
O Transtorno Depressivo Maior
pode ser precedido por um Transtorno
Distímico (10% em amostras
epidemiológicas e 15 a 20% em amostras
clínicas). Estima-se também que, a cada
ano, cerca de 10% dos indivíduos com
Transtorno Distímico isolado terão um
primeiro Episódio Depressivo Maior.
Outros transtornos mentais em
geral ocorrem concomitantemente com
um Transtorno Depressivo Maior (por ex.,
Transtornos Relacionados a Substâncias,
Transtorno de Pânico, Transtorno
Obsessivo-Compulsivo, Anorexia Nervosa,
Bulimia Nervosa, Transtorno da
Personalidade Borderline).
Até 20-25% dos indivíduos com
certas condições médicas gerais (por ex.,
diabete, infarto do miocárdio, carcinomas,
acidente vascular encefálico) desenvolvem
Transtorno Depressivo Maior durante o
curso de sua condição médica geral.
O tratamento da condição médica
geral é mais complexo e o prognóstico
menos favorável quando um Transtorno
Depressivo Maior está presente.
ELETROCUNVULSOTERAPIA:
ECT é uma técnica que utiliza estímulos
elétricos coma finalidade de induzir uma
convulsão e restabelecer a normalidade do
funcionamento cerebral.
A eletroconvulsoterapia (ECT) é
uma técnica na qual uma crise convulsiva
generalizada é induzida deliberadamente,
sob anestesia, para o tratamento de
transtornos psiquiátricos, especialmente a
depressão.
É o tratamento antidepressivo mais
eficaz existente.
O objetivo é promover uma
estimulação elétrica no cérebro com a
finalidade de induzir uma crise convulsiva
que dura ao redor de 30 segundo.
O tratamento efetivo dos
transtornos depressivos baseia-se em
minuciosa avaliação clínica, seguida de
formulação e implementação do melhor
plano de tratamento.
A abordagem terapêutica da depressão
pode ser, grosso modo, subdividida em:
● Tratamento de fase aguda –
corresponde geralmente a um período
inicial de 6 a 8 semanas e tem como
objetivo atingir a remissão dos
sintomas da doença aguda;
● Fase de manutenção – estende-se por
um período adicional de 16 a 20
semanas, em que a administração
contínua do tratamento visa à
manutenção do estado de remissão,
tendo como objetivo a prevenção de
recaídas em curto prazo e a ulterior
cura (remissão total) do episódio
depressivo;
● Tratamento de manutenção em
longo prazo – aqui é estabelecida
uma abordagem profilática para
reduzir a probabilidade de recidiva
futura, ou seja, a ocorrência de um
novo episódio depressivo na
evolução tardia.
(A estimulação magnética
transcraniana de repetição (EMTr) é
um método novo, ainda em
investigação, que tem sido estudado
como um possível tratamento para
transtornos neuropsiquiátricos. A
possibilidade de que a EMTr venha a
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substituir a ECT tem sido comentada
devido a algumas semelhanças.
Contudo, as diferenças são grandes e
não parece que se trate de uma
substituição, mas de mais uma opção
no arsenal terapêutico existente para o
tratamento de transtornos
psiquiátricos.)
TRATAMENTO AGUDO: A abordagem
terapêutica para a fase aguda da doença
inclui a escolha do tratamento
farmacológico, das técnicas psicológicas
associadas, e a sua combinação com a ECT.
A ECT é particularmente indicada
para pacientes portadores de transtorno
depressivo grave, a depender da
intensidade, da frequência e da duração
dos sintomas depressivos, pela presença
de manifestações sicóticas ou catatônicas,
pelo risco de suicídio ou ainda pela
necessidade urgente de melhora, diante de
rápida deterioração da saúde física. Sob
tais circunstâncias, a ECT é a primeira
escolha de tratamento, associada ou não à
farmacoterapia com antidepressivos e/ou
antipsicóticos, quando indicados.
A história prévia de melhora com
ECT e a preferência do paciente por esse
tratamento são também considerações
importantes para a formulação da
terapêutica.
ESQUIZOFRENIA: A ECT proporcionou
benefícios à maior parte dos pacientes,
com menores taxas de recidivas e menor
permanência hospitalar em comparação
aos pacientes que receberam placebo ou
ECT simulada.
A eficácia da ECT isoladamente é
inferior à dos medicamentos antipsicóticos,
mas a associação da ECT aos antipsicóticos
proporciona benefícios superiores aos dos
antipsicóticos sozinhos, não estando essa
intervenção invariavelmente ligada a maior
comprometimento da memória.
Dados limitados sugerem maior
prejuízo da memória visual nos pacientes
tratados com ECT em comparação à ECT
simulada.
Em pacientes de meia-idade e
idosos portadores de esquizofrenia
refratária, incluindo formas catatônicas, a
ECT mostrou-se segura e mais eficaz em
curto prazo.
O estudo de revisão do NICE
(2003), com dados de 25 estudos
randomizados, indica que a ECT pode ser
efetiva no tratamento de episódios agudos
de certos tipos de esquizofrenia, reduzindo
a ocorrência de recaídas.
A literatura carece de ensaios
clínicos apropriados que comparem a ECT
aos antipsicóticos, ou de estudos com
pacientes portadores de esquizofrenia
refratária que não tenham feito uso de
clozapina.
Conclui-se que a ECT não é mais
eficiente que a medicação antipsicótica e
que a combinação da ECT com a
farmacoterapia talvez seja mais eficiente
que a farmacoterapia sozinha; entretanto,
as evidências não são totalmente
conclusivas.
MANIA: A revisão do NICE (2003), baseada
em quatro ensaios randomizados, indicou
que a ECT pode ser útil no controle rápido
dos sintomas da mania e da catatonia.
Essa impressão é sustentada pelos
resultados de estudos observacionais;
contudo, não há um consenso quanto às
estratégias terapêuticas mais apropriadas.
No transtorno bipolar resistente ao
tratamento farmacológico, também há
evidências de benefícios da ECT em regime
de manutenção.
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
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OUTRAS INDICAÇÕES: Em determinadas
condições de difícil manejo, como a
catatonia, a ECT pode ser considerada uma
excelente opção terapêutica.
A catatonia, caracterizada por
graves anormalidades da atividade motora,
pode ocorrer em decorrência de
transtornos do humor e na esquizofrenia.
Admite-se que essa condição caracteriza
uma emergência psiquiátrica.
Embora algumas intervenções
farmacológicas possam ser eficientes,
como alguns benzodiazepínicos e
barbitúricos, a ECT deve ser considerada no
plano do tratamento inicial.
A ECT também deve ser
considerada um tratamento capaz de
salvar vidas em certos casos de síndrome
neuroléptica maligna – uma grave condição
clínica que também cursa com sintomas
catatônicos –, em especial quando os
tratamentos medicamentosos usuais
falham em reverter o quadro nos primeiros
dias.
A ECT é também indicada na mania
grave e prolongada, em especial quando os
medicamentos se mostram ineficazes.
É também ocasionalmente
empregada para um subgrupo de pacientes
esquizofrênicos com sintomas catatônicos
ou na presença de sintomas importantes
de depressão comórbida, como recusa
alimentar ou pensamentos suicidas.
A ECT também é ocasionalmente
utilizada em algumas desordens não
relacionadas ao humor,incluindo
alcoolismo, anorexia nervosa, transtorno
obsessivo-compulsivo, distúrbios da
personalidade, demências, e na doença de
Parkinson.
Evidentemente, faltam evidências
para se preconizar o uso generalizado da
ECT nessas condições.
A depender do julgamento clínico,
definido caso a caso, a ECT pode se tornar
a melhor opção terapêutica em condições
clínicas particulares, como nos episódios de
doença mental grave durante a gravidez,
em idosos com saúde frágil ou ainda em
determinados quadros resistentes ao
tratamento em adultos jovens ou crianças.
A taxa de mortalidade associada à
ECT é basicamente similar àquela associada
aos procedimentos envolvendo anestesia
geral, ou seja, um em cada cem mil casos
tratados (1:100.000).
Os eventos que resultaram em
morte ocorreram quase que
exclusivamente em função de
complicações cardíacas.
Mediante a observância das
diretrizes de boa prática clínica, publicadas
nos guias de referência, a ocorrência de
complicações cardíacas sérias – como
infarto do miocárdio, fibrilação ventricular,
aneurisma – tornou-se rara, mesmo em
pacientes com doença cardíaca
preexistente.
Quanto aos distúrbios cognitivos
decorrentes do uso agudo da ECT, como
amnésia retrógrada, anterógrada e
confusão mental, admite-se amplamente
que são transitórios e reversíveis e, na
maioria dos casos, não representam
problema clínico dominante.
As disfunções cognitivas associadas
à ECT, que muitas vezes são difíceis de ser
diferenciadas dos sintomas cognitivos da
depressão, constituem-se em um
componente sintomatológico
extremamente desgastante para certos
pacientes e devem ser sempre
acompanhadas com cautela.
Os estudos controlados de
neuroimagem não apresentaram qualquer
evidência de que a ECT possa causar danos
cerebrais. Entretanto, as disfunções
cognitivas associadas ao tratamento
contínuo ou de manutenção com ECT ainda
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devem ser estudadas de maneira
apropriada.
CONTRAINDICAÇÕES: Não há um
conhecimento absoluto de
contraindicações para a ECT, mas existem
certas restrições: tumor ou infarto
cerebral, histórico de infarto no miocárdio
ou arritmias cardíacas, marca-passo
cardíaco, aneurisma, deslocamento de
retina, feocromacitoma e doenças
pulmonares estão entre as condições
potencialmente perigosas, nas quais o uso
da ECT é considerado de alto risco,
requerendo precauções adicionais.
Seis a oito aplicações são, em
média, necessárias para o tratamento
efetivo de um episódio depressivo,
podendo chegar a 12 aplicações ou mais se
não houver melhora clínica satisfatória.
Para a mania aguda, o número
médio é de oito a 12 aplicações, chegando-
se, eventualmente, a 16 nos casos mais
difíceis.
Para os pacientes que se
beneficiam rapidamente da ECT, atingindo
a remissão do quadro depressivo com seis
a oito sessões, mas que apresentam
recidivas na evolução imediata,
recomenda-se a continuação da terapia
por períodos maiores.
Recomenda-se o emprego da
atropina para prevenir a ocorrência de
bradicardia vagotônica; contudo, essa
prática não é adotada universalmente
pelos clínicos.
A succinilcolina é utilizada como
relaxante muscular e, como hipotônicos,
são utilizados o etomidato, o pentotal e o
metohexital.
Em relação às características do
estímulo elétrico, os melhores resultados
são obtidos com eletrodos bilaterais, em
oposição à ECT unilateral, e com ondas de
pulso breve (brief pulse square wave).
Quanto à dosagem das aplicações,
recomendam-se cargas elétricas de
intensidades equivalentes a duas vezes ou
duas vezes e meia daquela necessária para
atingir o limiar convulsivo, tidas como mais
eficazes do que as cargas de intensidade
próxima à do limiar convulsivo.
Entretanto, a dosagem elétrica
ótima e a colocação do eletrodo devem ser
definidas para cada paciente.
A ECT de manutenção – por
exemplo, uma aplicação a cada 2 ou 4
semanas durante os 4 a 6 meses
subsequentes ao tratamento agudo – pode
proporcionar benefícios adicionais,
sustentando por mais tempo a resposta
positiva ao tratamento inicial.
GUIAS E RECOMENDAÇÕES: A ECT deve
ser considerada somente depois de uma
avaliação intensa e cuidadosa do
diagnóstico com a mensuração do balanço
entre potenciais benefícios e riscos,
incluindo: risco da anestesia, condição
física, eventos adversos anteriores –
particularmente perda cognitiva – além do
risco de não ter o tratamento.
A ECT somente deve ser
administrada após a obtenção do
consentimento informado dos pacientes
que apresentem capacidade para tanto ou
de seus responsáveis. Devem ser adotados
guias apropriados para pacientes
incapacitados.
A ECT é fortemente recomendada
como tratamento agudo inicial para
doença depressiva severa, em especial
aquelas com sintomas psicóticos,
depressão com alto risco de suicídio, de
ferir os outros ou a si próprio e de
negligência e deterioração física.
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A ECT é eficaz no tratamento da
depressão resistente aos antidepressivos e
no controle rápido dos sintomas da
catatonia e da desordem maníaca severa
prolongada.
A ECT está associada a altas taxas
de recaídas seguidas da remissão da
depressão e é fortemente sugerido o uso
continuado da farmacoterapia com
antidepressivos por um período de 16 a 20
semanas após a remissão da doença. A ECT
não é recomendada para o tratamento
geral da esquizofrenia.
Considerações cuidadosas sobre os
riscos devem ser tomadas em relação a
pacientes grávidas, idosos e crianças.
A ECT é um tratamento seguro,
mas com efeitos adversos sobre a memória
de curto e longo prazos, e um déficit da
memória é quase uma regra.
A ECT bilateral está associada a
maior comprometimento cognitivo quando
comparada à ECT unilateral aplicada no
hemisfério dominante do cérebro.
A frequência da ECT e outros
parâmetros têm um impacto pequeno na
sua eficiência.
TRATAMENTO DOS TRANSTORNOS DE
HUMOR
ANTIPSICOTICOS: caracterizam-se
por ação psicotrópica, com efeitos
sedativos e psicomotores. Escolha no
tratamento sintomático das psicoses, como
esquizofrenia e calmante, sendo conduta
padrão em terapia de psicose aguda.
FISIOPATOLOGIA: na esquizofrenia
há varias teorias. A teoria neuroquímica
defende que a esquizofrenia seja causada
por um aumento da dopamina nas vias
dopaminérgicas (via mesolimbica do
cérebro), causando hiperatividade. A teoria
gulataminergica defende uma reduzida
expressão de receptores NMDA.
A hipótese dopaminérgica para a
psicose, determina hiperatividade desses
neurônios (mesolimbica), assim, o
tratamento tem como objetivo a
antagonizaçao do receptor dopaminérgico.
VIAS DOPAMINERGICA SOB EFEITO DE
BLOQUEADORES:
● VIA NIGRO-ESTRIADA: efeito
extrapiramidal como parkinsonismo. A
dopamina inibe a acetilcolina, uma vez
bloqueada não a inibição da
acetilcolina.
● VIA MESOLIMBICA: via desejável
quando se quer reduzir os efeitos da
psicose.
● VIA MESOCORTICAL: cria efeitos
adversos ao afetar essa via
● VIA TUBERO-INFUNDIBULAR: o
bloqueio dessa via inibi a inibição da
secreção de pralactina, fazendo com
que haja liberação de prolactina,
desenvolvendo as galndulas mamarias.Teoria dopaminérgica
Em 1960 demonstrou-se que o haloperidol e a
clorpromazina aumentavam os níveis de
metabólitos da dopamina em certas regiões
do cérebro de ratos ricas em dopamina,
embora tivessem efeitos inconsistentes em
outros neurotransmissores.
A partir dessa observação, propôs-se que os
antipsicóticos agiriam por intermédio do
antagonismo de receptores dopaminérgicos, o
que causaria um aumento compensatório nos
níveis de dopamina.
As anfetaminas são utilizadas como drogas de
abuso e podem induzir quadros psicóticos em
indivíduos sem patologia psiquiátrica prévia e
precipitar crises em pacientes com
esquizofrenia (Laruelle et al., 1996). Atuam
por meio da inibição do transportador de
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
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dopamina e do transportador vesicular de
monoaminas, levando à liberação de
dopamina armazenada nos neurônios pré-
sinápticos. Observou-se também que os
antipsicóticos eram capazes de inibir a
ativação e os movimentos estereotipados
induzidos por anfetaminas em roedores.
Seeman et al. (1975) demonstraram haver
uma relação entre a potência dos diferentes
antipsicóticos e sua afinidade pelos
receptores dopaminérgicos D2. Atualmente,
sabemos que todos os antipsicóticos
bloqueiam receptores D2, mas com
diferentes graus de afinidade (Talbot e
Laruelle, 2002). Há ainda uma relação entre o
grau de ocupação dos receptores D2, a
resposta clínica e os sintomas extrapiramidais
(Kapur et al., 2000).
Laruelle et al. (1996), num um estudo de
SPECT, demonstraram um maior aumento da
liberação de dopamina após administração
de anfetamina em pacientes esquizofrênicos
quando comparados a controles, primeira
evidência in vivo de desregulação de
neurônios dopaminérgicos na esquizofrenia.
Essas observações constituem a base da
hipótese segundo a qual alterações nos níveis
de dopamina seriam responsáveis pelos
sintomas observados na esquizofrenia. Numa
formulação mais recente, uma hipofunção
dopaminérgica no córtex pré-frontal seria
responsável pelos sintomas negativos e um
evento primário na esquizofrenia, levando a
uma hiperfunção dopaminérgica secundária
no estriado, o que, por sua vez, levaria ao
surgimento dos sintomas positivos (Stone et
al., 2007).
No entanto, a teoria dopaminérgica, vista
isoladamente, é falha em explicar algumas
questões, tais como: o porquê de o início dos
sintomas ocorrer usualmente na adolescência
e no começo da vida adulta, como se dão as
alterações estruturais cerebrais e os prejuízos
cognitivos e o motivo de os antipsicóticos não
serem igualmente eficazes sobre sintomas
negativos.
ANTIPSICOTICOS: Os antipsicoticos
são neurolepticos que bloqueiam
difusamente os receptores D2
● Classicos ou 1ª geração: Haloperidol,
clorpromazina
● Atipicos, mais recentes ou 2ª geração:
atuam em outros sítios da dopamina e
produzem menos efeitos
parkinsonianos, sendo mais bem
tolerados e mais eficazes para
sintomas negativos, porem de alto
custo. Os mais indicados são as
risperidona e a Olanzapina.
Risperidona: bloqueia os
receptores 5-HT2 da serotonina e D2 da
dopamina. E Colateral; insônia, agitação,
ansiedade, efeitos extra-piramidais,
pseudoparkinsonismo, discinesia. Etc.
A risperidona é um derivado
benzisoxazólico, com forte efeito
bloqueador de receptores D2 e 5-HT2. Liga-
se a receptores a1, a2, e H1, sendo ainda
potente antagonista LSD. É, no entanto,
praticamente destituída de efeitos
anticolinérgicos. A risperidona é eficaz nos
sintomas positivos e nos negativos da
esquizofrenia.11
A eficácia da risperidona envolve
grande espectro de manifestações da
esquizofrenia, como, por exemplo,
sintomas positivos e negativos,
pensamentos desorganizados, hostilidade
e sintomas afetivos.
Geralmente, a dose inicial da
risperidona é de 1 mg duas vezes ao dia,
aumentando-se até 3 mg duas vezes ao dia
nos próximos dias. Embora a dose ótima
encontre-se entre 4 e 6 mg/dia, pode-se
necessitar de doses maiores para controlar
os sintomas positivos em alguns pacientes.
ANTIDEPRESSIVOS E ESTABILIZADORES DE
HUMOR
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
Página 58
Compreendem depressão, distimia e
doença bipolar. Os distúrbios depressivos
englobam depressão maior, distimia
(neurose depressiva) e tipos não-
especificados de depressão. Diversificadas
apresentações da doença depressiva não
parecem condicionar diferenças de
respostas farmacológicas.
Várias têm sido as abordagens para
manejo da depressão, incluindo as
psicológicas e as farmacológicas.
Tratamentos psicológicos breves (16 a 20
sessões) incluem terapia cognitivo-
comportamental, aconselhamento,
tratamento de resolução de problemas e
terapia interpessoal, mostrando-se eficazes
em pacientes com depressão de moderada
intensidade que desejem deles participar.
Em casos mais graves, coadjuvam a
farmacoterapia.
A farmacoterapia faz-se necessária
para casos com sintomas mais intensos,
como presença de melancolia ou idéias
delirantes. Para pacientes com ideação
suicida ou não-responsivos ao manejo
inicial, há necessidade de encaminhamento
ao especialista para que se faça nova
abordagem.
Optando pela farmacoterapia, o
profissional dispõe de armamentário
variado que inclui antidepressivos
específicos e inespecíficos. Dentre os
específicos são mais usados os
antidepressivos tricíclicos e os inibidores
seletivos da recaptação de serotonina
(ISRS).
A doença bipolar inclui episódios de
depressão maior e mania, sendo
diagnosticada quando, ao menos uma vez,
um episódio de mania ocorreu na vida do
paciente. Lítio é até hoje o fármaco de
eleição no manejo da mania.
Há quatro indicações principais para
uso de lítio em doença bipolar: mania
aguda, estados mistos, depressão e
prevenção de novos episódios.
De todos os agentes denominados
de estabilizadores do humor, lítio é o que
tem eficácia mais abrangente em relação
ao manejo dessas condições. Apresenta
como desvantagem retardado início de
efeito. Devido a isso, utilizam-se
anticonvulsivantes, neurolépticos ou
benzodiazepínicos em associação com lítio
no início do tratamento. Esses e outros
fármacos não superam a eficácia do lítio,
sendo também indicados como alternativa
em pacientes que têm contra-indicações
formais ao uso de lítio.
Amitriptilina é antidepressivo
tricíclico. Revisão Cochrane56 comparou
tolerabilidade e eficácia de amitriptilina
com as de outros antidepressivos
tricíclicos, heterocíclicos e inibidores
seletivos da recaptação de serotonina.
Amitriptilina foi tão eficaz quanto os
demais antidepressivos. Porém, foi menos
tolerada que os ISRS, ocorrendo menos
abandono com esses últimos. Amitriptilina
induz maior sedação que outros agentes
tricíclicos, o que é vantajoso em pacientes
que expressam a depressão por distúrbios
do sono (insônia terminal). Também é
indicada em dor crônica, incluindo
neuropatias periféricas, bulimia e estresse
pós-traumático. Nesses casos, as doses
empregadas costumam ser menores do
que as necessárias ao combate dos
distúrbios afetivos.
Fluoxetina é o protótipo dos ISRS.
No tratamento da depressão maior,
fluoxetina foi significativamente mais bem
tolerada do que tricíclicos, mas a
significância clínica desse achado é
incerta63. Em casos de superdosagem, o
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n to
Página 59
dano foi menor com fluoxetina do que com
antidepressivos tricíclicos,64 traduzindo-se
por menor número de mortes e
hospitalização. Não há diferença de custo-
efetividade entre fluoxetina e tricíclicos32.
Revisão Cochrane47 de um ensaio clínico
verificou que fluoxetina foi tão eficaz
quanto aconselhamento cognitivo-
comportamental no tratamento de
depressão pós-parto.
Carbonato de lítio não é superior aos
antidepressivos no controle da depressão.
Além disso, necessita mais onerosa
titulação, e seus efeitos indesejáveis são
mais sérios. Preconiza-se o lítio na
prevenção de episódios depressivos
recidivantes, tanto da doença bipolar
quanto da depressão unipolar. O lítio evita
o reaparecimento dos episódios de mania
e depressão maior, mas não de depressão
menor, dentro da doença bipolar. Em
pacientes bipolares que recebem lítio
profilático regularmente por vários anos, o
impacto dessa intervenção tem sido
significativamente limitado pelas taxas de
abandono de tratamento. Lítio mostra-se
eficaz em cicladores rápidos e nos
pacientes que têm sintomas psicóticos,
bem como parece exercer efeito anti-
suicida. O efeito da profilaxia não diminui
com o tempo na maioria dos pacientes. O
risco de recorrência aumenta nos meses
que se seguem à suspensão do lítio.
CARBONATO DE LITIO: Carbolitium,
Litiocar, Neurolitium
Antes de mais nada, deve ficar
claro que não tem nenhuma base científica
comprovada a utilização do Lítio para
prevenção ou tratamento inespecífico de
problemas emocionais em pacientes que
tenham apresentado zero de Lítio no
sangue, pois o normal de qualquer pessoa
que não está em tratamento com Lítio é
mesmo zero.
Ainda não foi claramente
estabelecido o mecanismo exato de ação
do Lítio. Postulam-se duas teorias. A
primeira relaciona o efeito estabilizador do
ânimo com uma redução na concentração
do neurotransmissor catecolamina,
mediada possivelmente pelo efeito do íon
lítio na enzima adenosina trifosfatase
Na+/K+-dependente, para produzir um
aumento no transporte transmembrana
neuronal do íon sódio.
A segunda hipótese é que
o Lítio pode diminuir as concentrações de
monofosfato de adenosina cíclico
(AMPcíclico), o que por sua vez pode
originar diminuição da sensibilidade dos
receptores da adenilatociclase sensíveis
aos hormônios. É absorvido por via oral de
forma rápida e completa.
O Lítio não se une às proteínas
plasmáticas nem é metabolizado, e
elimina-se 95% de forma inalterada pelo
rim. A eliminação é inicialmente rápida e,
após tratamento prolongado, torna-se
mais lenta.
Na forma ativa o Lítio pode ser
reabsorvido 80% no túbulo proximal. A
velocidade de excreção diminui com o
aumento da idade.No início do tratamento
a meia-vida é bifásica, a concentração
sérica diminui com rapidez durante as 5 a 6
horas iniciais, seguida de uma diminuição
gradual durante as 24 horas seguintes. O
início de sua ação terapêutica pode
demorar de 1 a 3 semanas.
Indicações: O Lítio é usado
exclusivamente para o tratamento
do Transtorno Afetivo Bipolar.
Dose: A dose usual para adultos na
fase maníaca aguda é de 600mg por via
oral, 3 vezes ao dia; para manutenção,
300mg por via oral, 3 ou 4 vezes ao dia.
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
Página 60
Reações adversas: Freqüência de
micção aumentada, aumento da sede,
náuseas, tremor das mãos,
desvanecimentos, taquicardia, pulso
irregular, dispnéia de esforço, sonolência,
confusão.
Precauções: O Lítio é excretado no
leite materno e em alguns lactentes foram
descritos sinais de toxicidade, tais como
hipotonia, hipotermia, cianose e alterações
no eletrocardiograma. Os idosos
necessitam, geralmente, de uma dose
menor, devido a o volume de distribuição e
a velocidade do clearance renal estarem
reduzidos.
O Lítio é potencialmente tóxico
para o sistema nervoso central, inclusive
em concentrações séricas dentro do
alcance terapêutico. Deve ser administrado
com precaução na presença de doença
cardiovascular (pode exacerbar-se), na
presença de alterações do sistema nervoso
central (epilepsia e parkinsonismo), em
casos de desidratação grave (aumenta o
risco de toxicidade) e quando existir
insuficiência renal ou retenção urinária.
A toxicidade por Lítio pode
aparecer em concentrações séricas
terapêuticas ou próximas a elas. Durante a
fase maníaca aguda, o paciente pode ter
uma grande capacidade para tolerar o lítio,
dado que este diminui a reabsorção de
sódio pelos túbulos renais. Recomenda-se
o consumo de cloreto de sódio e uma
adequada ingestão de líquidos (2,5 a 3
litros por dia).Sua administração deve ser
cuidadosa nos casos de bócio ou
hipotireoidismo, já que pode agravá-los.
Antes e durante o tratamento,
recomenda-se efetuar a determinação da
função renal, contagem de leucócitos e
eletrocardiogramas. É aconselhável efetuar
exames do lítio sérico durante o
tratamento.
Interações: O uso simultâneo com
antitireóideos, iodeto de cálcio, glicerol
iodado ou iodeto de potássio pode
potencializar os efeitos hipotireóideos
destes fármacos e do lítio. Os
antiinflamatórios não esteróides (AINE)
podem aumentar os efeitos tóxicos do lítio
pela diminuição de sua excreção renal.
O uso de diuréticos pode provocar uma
toxicidade grave ao retardar sua excreção
renal e aumentar, em conseqüência, as
concentrações séricas. A associação com
haloperidol (freqüente) tem produzido, em
alguns casos, toxicidade neurológica e
lesão cerebral irreversível.
Contra-indicações: Gravidez, lactação,
disfunção renal ou cardíaca grave.
ENVELHECIMENTO
A identificação de indivíduos com
potencial risco de desenvolver demência
tornase fundamental. O diagnóstico
precoce das demências possibilita
intervenção terapêutica, diminui os níveis
de estresse para os familiares, reduz riscos
de acidentes, prolonga autonomia e talvez,
em alguns casos, evite ou retarde o início
do processo demencial.
Aspectos conceituais: As primeiras
definições propostas objetivavam
caracterizar o DCC (declínio cognitivo
crônico) dentro dos limites do processo
fisiológico do envelhecimento normal.
Porem há ausência de consenso dos
algoritmos diagnósticos.
Comprometimento Cognitivo Leve
(CCL) A Academia Americana de Neurologia
recomendou o diagnóstico de CCL para a
detecção precoce de demência. O CCL do
tipo amnésico refere-se à zona de transição
entre o envelhecimento normal e os
estágios muito iniciais da DA. A taxa de
conversão para DA foi de,
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
Página 61
aproximadamente, 10 a 15% ao ano,
representando um subgrupo com risco
elevado de desenvolver esta síndrome
demencial.
Os principais critérios diagnósticos
sugeridos foram: 1) o indivíduo não seria
normal nem demente; 2) evidência de
declínio cognitivo mensurado
objetivamente ou baseado em percepção
subjetiva combinada a comprometimento
cognitivo objetivo; 3) preservação das
atividades da vida diária, atividades
instrumentais complexas intactas ou
minimamente comprometidas.
Os estudos mostraram que CCL
seria uma entidade heterogênea quanto à
sua trajetória clínica, dividindo-se em três
categorias diagnósticas: 1) CCL amnésico
com maior risco de desenvolver DA; 2) CCL
comcomprometimento leve de múltiplos
domínios cognitivos com maior risco de
desenvolver outras síndromes demenciais,
sendo DA uma trajetória possível; 3) CCL
com comprometimento de uma única
função cognitiva diferente de memória
com maior risco de desenvolver demência
fronto-temporal e/ou afasia progressiva
primária. Todos os grupos poderiam
permanecer estáveis e não evoluir para
síndrome demencial.
Os principais critérios diagnósticos
para CCL amnésico são:
1) comprometimento subjetivo de
memória, preferencialmente confirmado
por um informante;
2) comprometimento objetivo de
memória comparado com grupo
emparelhado por idade e escolaridade
(tem sido usualmente recomendado que o
desempenho situe-se abaixo de 1,5 desvio
padrão da média);
3) funcionamento cognitivo global
normal;
4) independência quanto às
atividades da vida diária;
5) ausência de demência.
Outra forma de caracterizar o DCC
durante o envelhecimento é a escala de
estadiamento das demências Clinical
Dementia Rating (CDR). Os indivíduos
classificados como CDR: 0,5 apresentam
demência questionável. Neste estágio, os
idosos mostram esquecimento leve e
constante com recuperação parcial de
eventos, orientação temporal e espacial,
ausência ou dificuldade leve nas atividades
da vida diária, preservação dos cuidados de
higiene pessoal.
Achados neuropatológicos: Estudos
neuropatológicos mostram que idosos com
CCL, especialmente na forma amnésica,
apresentam placas senis no neocórtex e
emaranhados neurofibrilares nas regiões
dos lobos temporais mediais. A maioria dos
estudos neuropatológicos de pacientes
com CCL (amnésico) verificou a presença
de padrão neuropatológico semelhante ao
observado na DA, mas em grau insuficiente
para este diagnóstico, sendo considerada,
por alguns autores, uma forma incipiente
ou um estágio pré-demencial da doença.
O declínio da memória episódica
anterógrada, especialmente nas tarefas de
aprendizagem associativa e evocação livre
após intervalo, tem sido descrito como um
importante fator preditivo para DA. O
declínio no desempenho nestas tarefas
cognitivas é acentuado pela disfunção no
centro executivo da memória operacional
que prejudica o desenvolvimento de
estratégias de codificação de material novo
e busca de informações previamente
armazenadas.
Assim, idosos com DCC dividem-se
em dois grupos. Um com trajetória
cognitiva estável e benigna e outro com
declínio da memória episódica anterógrada
associado à disfunção do lobo temporal
medial, decorrente de um estágio
incipiente ou de transição para DA. A
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
Página 62
caracterização clínica destes grupos é
fundamental para prática clínica e
pesquisa.
SINDROMES DEMENCIAIS
Doença de Alzheimer (DA),
demência vascular (DV), demência com
corpos de Lewy (DCL) e demência
frontotemporal (DFT), são as quatro causas
mais freqüentes de demência na prática
clínica. O diagnóstico diferencial dessas
condições se baseia na busca de perfis
clínicos característicos por anamnese
adequada, exame neurológico e avaliação
neuropsicológica, além de investigação
complementar pertinente, que consiste em
exames laboratoriais e de neuroimagem.
CONCEITO E DIAGNOSTICO SINDROMICO
DE DEMENCIA
Demência pode ser definida como
síndrome caracterizada por declínio de
memória associado a déficit de pelo menos
uma outra função cognitiva (linguagem,
gnosias, praxias ou funções executivas)
com intensidade suficiente para interferir
no desempenho social ou profissional do
indivíduo.
O diagnóstico de demência exige,
portanto, a ocorrência de
comprometimento da memória, embora
essa função possa estar relativamente
preservada nas fases iniciais de algumas
formas de demência,
como a DFT.
A avaliação cognitiva pode ser
iniciada com testes de rastreio, como o
miniexame do estado mental, e
complementada por avaliação dos
componentes cognitivo; testes breves, de
fácil e rápida aplicação, como os de
memória
● Evocação tardia de listas de
palavras ou de figuras
● Os de fluência verbal (número de
animais em um minuto) e o
desenho do relógio.
A avaliação neuropsicológica
detalhada é recomendada especialmente
nos estágios iniciais de demência em que
os testes breves podem ser normais.
O desempenho em atividades de
vida diária – tanto instrumentais quanto
básicas – pode ser avaliado por escalas ou
questionários de avaliação funcional que
são aplicados ao familiar ou ao cuidador do
paciente. As atividades instrumentais
(como usar o telefone, cozinhar ou
administrar contas bancárias) são
acometidas mais precocemente que as
atividades básicas (como higiene pessoal),
razão pela qual, quando do diagnóstico
inicial, deve ser dada preferência para a
avaliação das atividades instrumentais.
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
Se baseia em exames laboratoriais
e de neuroimagem, além da constatação
de perfil neuropsicológico característico.
Os exames laboratoriais
obrigatórios na investigação etiológica
demencial são;
● Hemograma
● Provas de função tiroidiana, hepática e
renal
● Transaminases hepáticas
● Reações sorológicas para sífilis
● Nível sérico de vitamina B12.
Esses exames permitem a identificação
de diversas causas potencialmente
reversíveis de demência, além de
possibilitarem detecção de eventuais
doenças associadas.
● Exames de neuroimagem estrutural
(tomografia computadorizada ou
ressonância magnética de crânio)
podem revelar alterações vasculares
sugestivas do diagnóstico de DV ou de
DA com doença cerebrovascular (DCV)
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
Página 63
e outras condições, como tumores,
hidrocefalia ou hematoma subdural
crônico.
No caso das demências degenerativas (DA,
DCL e DFT), os exames laboratoriais são
normais, e os de neuroimagem estrutural
revelam atrofia cortical, que, embora
constitua alteração inespecífica, pode
eventualmente apresentar distribuição
topográfica sugestiva.
Nessas condições, o diagnóstico se
baseia em grande parte na história clínica e
perfil neuropsicológico.
DOENÇA DE ALZHEIMER
Mais frequente, responsável por
mais de 50% dos casos na faixa etária igual
ou superior a 65 anos.
Caracteriza por processo
degenerativo que acomete inicialmente a
formação hipocampal, com posterior
comprometimento de áreas corticais
associativas e relativa preservação dos
córtices primários. Essa distribuição do
processo patológico faz com que o quadro
clínico da DA seja caracterizado por
alterações cognitivas e comportamentais,
com preservação do funcionamento motor
e sensorial até as fases mais avançadas da
doença.
O primeiro sintoma da DA é
usualmente o declínio da memória,
sobretudo para fatos recentes (memória
episódica), e desorientação espacial,
aspectos cognitivos em grande parte
dependentes da formação hipocampal.
Esses sintomas são de forma
insidiosa, com piora lentamente
progressiva, embora períodos de
estabilidade clínica possam ocorrer.
Alterações de linguagem
(principalmente anomia), distúrbios de
planejamento (funções executivas) e de
habilidades visuoespaciais surgem com a
evolução do quadro.
Na faixa pré-senil (antes dos 65
anos), os distúrbios de linguagempodem
ser predominantes no processo demencial,
enquanto sintomatologia psicótica (como
idéias delirantes, sobretudo de caráter
persecutório, e alucinações) é
habitualmente mais comum nos pacientes
mais idosos.
O diagnóstico se baseia na
observação de quadro clínico compatível e
na exclusão de outras causas de demência
por meio de exames laboratoriais e de
neuroimagem estrutural. A TC e a RNM
revelam atrofia da formação hipocampal e
do córtex cerebral, de distribuição difusa
ou de predomínio em regiões posteriores;
esses pacientes preenchem os critérios
diagnósticos da denominada DA provável.
Outra possibilidade é o diagnóstico
de DA possível, em que os pacientes
apresentam variações na forma de
apresentação ou evolução clínica e nos
casos em que outras condições passíveis de
produzir demência estejam presentes,
porém sem serem consideradas
O diagnóstico definitivo só é
possível por exame anatomopatológico. A
acurácia diagnóstica quando da presença
de perfil clínico característico e de exames
complementares normais ou inespecíficos
(quadro compatível com DA provável), é
de, em média, 81%, taxa que se eleva com
o seguimento dos pacientes.
DEMÊNCIA VASCULAR
Refere-se aos quadros demenciais
causados pela presença de doença
cerebrovasculares (DCV).
É mais comumente utilizado
quando associado aos efeitos de grandes
lesões tromboembólicas (demência por
múltiplos infartos), mas inclui também os
estados lacunares e as lesões únicas em
locais estratégicos (tálamo, giro angular
esquerdo, núcleo caudado), demência
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
Página 64
associada a lesões extensas da substância
branca (doença de Binswanger), angiopatia
amilóide e demência por acidentes
vasculares cerebrais hemorrágicos.
É a segunda causa mais freqüente
de demência em países ocidentais,
correspondendo a cerca de 10% dos casos.
A associação DCV com DA ocorre
em cerca de 15% dos casos de demência.
Os fatores de risco para a DV são os
mesmos relacionados ao processo de
aterogênese e doenças relacionadas:
idade, hipertensão arterial, diabetes,
dislipidemia, tabagismo, doenças cérebro e
cardiovasculares.
O diagnóstico se baseia em
critérios específicos que incluem história
clínica, avaliação neuropsicológica e
exames de neuroimagem (TC ou RNM).
A presença de fatores de risco para
doença cerebrovascular deve alertar para
essa possibilidade diagnóstica. O elemento
diagnóstico principal, é estabelecer relação
causal entre o comprometimento
cerebrovascular e o quadro demencial, o
que muitas vezes não é tarefa fácil,
sobretudo pela já referida associação
comum entre DA e DCV.
Nenhum dos critérios diagnósticos de DV
atualmente disponíveis permite a
identificação precisa dos casos.
Em alguns estudos, os principais
discriminantes no diagnóstico entrem DA e
DV foram: história de AVC prévio, sintomas
neurológicos focais (como hemiparesia,
ataxia, hemianopsia ou também alterações
neuropsicológicas focais, como afasia e
heminegligência), curso flutuante com
piora em degraus e início abrupto.
Entretanto, pacientes portadores de
hipertensão arterial podem apresentar
instalação insidiosa e curso lentamente
progressivo, evocando o padrão evolutivo
da DA. Nesses casos, a DV é usualmente
secundária a infartos lacunares
acometendo substância branca
periventricular e núcleos da base.
DEMÊNCIA COM CORPOS DE LEWY
Corresponde à terceira causa mais
freqüente de demência.
Caracteriza-se clinicamente por
um quadro de demência em que ocorrem:
● Flutuação dos déficits cognitivos em
questão de minutos ou horas,
● Alucinações visuais bem detalhadas,
vívidas e recorrentes, e;
● Sintomas parkinsonianos, geralmente
do tipo rígidoacinéticos, simétricos
Duas das manifestações acima
descritas são necessárias para o
diagnóstico de DCL provável.
O declínio cognitivo na DCL é
progressivo e interfere na capacidade
funcional do indivíduo (funções executivas,
capacidade de resolução de problemas e
atividades de vida diária). A atenção, as
funções executivas e as habilidades
visuoespaciais são os domínios cognitivos
mais comprometidos nas fases iniciais, com
relativa preservação da memória. Este é
talvez o de maior relevância para o
diagnóstico diferencial com a DA.
Com a progressão da doença, essas
diferenças podem se perder, dificultando a
diferenciação.
Os pacientes com DCL costumam
apresentar episódios freqüentes de quedas
ou síncopes. A resposta dos sintomas
parkinsonianos (rigidez e acinesia) à
levodopa é usualmente pobre na DCL,
diferentemente do que ocorre na doença
de Parkinson idiopática.
Outro aspecto importante é a
hipersensibilidade ao uso de neurolépticos,
que agravam os sintomas de
parkinsonismo, muitas vezes sem melhora
dos sintomas psicóticos.
DEMÊNCIAS FRONTOTEMPORAIS
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
Página 65
As demências frontotemporais
(DFT) apresentam quadro clínico
característico, com alterações precoces de
personalidade e de comportamento, além
de alterações de linguagem (redução da
fluência verbal, estereotipias e ecolalia), de
início insidioso e caráter progressivo.
A memória e as habilidades
visuoespaciais encontram-se relativamente
preservadas. As alterações de
comportamento podem se apresentar
como isolamento social, apatia, perda de
crítica, desinibição, impulsividade,
irritabilidade, inflexibilidade mental, sinais
de hiperoralidade e descuido da higiene
pessoal. Sintomas depressivos,
preocupações somáticas bizarras e
estereotipias motoras também podem
ocorrer.
Esses sintomas podem preceder as
alterações intelectuais, e alguns testes
neuropsicológicos de rastreio, como o
miniexame do estado mental, podem estar
normais no início, alterando-se com a
evolução da doença.
Desse grupo de demências fazem
parte a doença de Pick, a degeneração dos
lobos frontais e a demência associada à
doença do neurônio motor (esclerose
lateral amiotrófica). Pode também ser
incluída a demência semântica, também
denominada como variante temporal das
DFTs.
Esse grupo de condições ocorre
mais freqüentemente na faixa pré-senil
(antes dos 65 anos), com presença de
história familiar em parentes de primeiro
grau em cerca de 30% dos casos, com
padrão de herança sugestivo de
transmissão autossômica dominante.
Os pacientes com DFT apresentam
reflexos primitivos, em especial sinais de
frontalização (reflexos de preensão palmar,
de sucção e de projeção tônica dos lábios),
ao exame neurológico, exploração
incontrolável de objetos no ambiente
também são freqüentes.
Com relação à apresentação
clínica, as já referidas alterações da
afetividade e do comportamento social
decorrem do predomínio frontal da atrofia
cerebral. No caso da demência semântica,
como o processo degenerativo afeta os
lobos temporais (sobretudo à esquerda), o
quadro clínico se caracteriza por déficit de
memória semântica. Com a evolução,
podem ocorrer extensão das alterações
neuropatológicas para os lobos frontais e
conseqüente aparecimento das alterações
de comportamento.
O diagnóstico diferencial se baseia
na história clínica, no exame neurológico e
na identificação de perfil característico à
avaliação neuropsicológica. Com relaçãoa
este, na degeneração dos lobos frontais, na
doença de Pick e na demência associada à
doença do neurônio motor, ocorre
comprometimento predominante de
funções executivas com relativa
preservação da memória.
Na demência semântica, o
desempenho em testes de nomeação,
categorização semântica e fluência verbal
(número de animais em um minuto, por
exemplo) é muito comprometido, com
anomia, perda progressiva do significado
das palavras e da capacidade de
reconhecimento visual (objetos e seres
vivos, incluindo faces conhecidas).
Nos pacientes com demência
associada à doença do neurônio motor, o
exame neurológico revela déficit de força
muscular, acometendo os membros
superiores e inferiores e também, muitas
vezes, a língua.
O diagnóstico diferencial entre a
degeneração dos lobos frontais e a doença
de Pick só é possível com base no exame
anatomopatológico.
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
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Os exames de neuroimagem
estrutural costumam revelar atrofia dos
lobos frontais e da porção anterior dos
lobos temporais na degeneração dos lobos
frontais, na doença de Pick e na demência
associada à doença do neurônio motor,
enquanto na demência semântica a atrofia
afeta os lobos temporais, com predomínio
à esquerda.
A tomografia por emissão de fóton
único (SPECT cerebral) é particularmente
útil nesses casos, evidenciando marcada
hipoperfusão das regiões acima descritas,
desproporcional ao grau de atrofia.
DEPRESSÃO E CARDIOPATIAS
A mortalidade devido a doenças
cardiovasculares em pacientes depressivos
representa cerca de 40% das causas de
morte. Em portadores de insuficiência
coronariana (ICC) ou após infarto agudo do
miocárdio a prevalência de depressão
maior varia de 17% a 27.
Podem contribuir para esta taxa
variáveis como: uma “reação catastrófica”
em pacientes pós-IAM confinados em
unidades coronarianas, a gravidade do
prejuízo funcional pós-IAM, risco médico
geral elevado, histórico prévio de IAM,
histórico prévio de depressão e baixo
suporte social. A mortalidade destes
pacientes pode ser 3,1 vezes maior
comparado a cardiopatas não deprimidos,
Mesmo a presença de depressão
em indivíduos previamente sadios
aumenta o risco de eventos cardíacos.
Fatores como pior aderência aos
tratamentos e medicamentos, associação
com outros fatores de risco (tabagismo,
hipertensão arterial, diabetes,
hipercolesterolemia, obesidade), piorando
a aterosclerose, aumento de agregação
plaquetária e hipercoagulabilidade e
estresse psicológico foram implicados no
mecanismo da depressão levando à piora
do prognóstico cardiovascular
Existem evidências que os sintomas
cognitivos da depressão (ex. humor
depressivo, pessimismo, culpa) são
melhores preditores do que os sintomas
somáticos (alterações do sono e apetite),
sendo o sintoma de desesperança o mais
importante.
A hipertensão arterial sistêmica,
parece ocorrer mais em pacientes com
sintomas depressivos e ansiosos.
Um estudo avaliando o impacto de
terapia cognitiva para depressão não
observou diminuição do risco de
mortalidade. Já um estudo randomizado
controlado com placebo em pacientes
deprimidos, após sofrerem um infarto do
miocárdio, apresentou resultado não
significativo com tendência para menor
risco de evento cardíaco grave.
Fatores de risco: para o desenvolvimento da
depressão pós-AVC são: prejuízo funcional,
prejuízo cognitivo, história de depressão, idade,
sexo, história de AVC prévio, hipercortisolemia,
aspectos sociais.
1. Prejuízo funcional: grau de incapacidade
para realizar determinadas atividades
devido a um comprometimento
neurológico.
A escala de Barthel, e medidas de
independência têm sido utilizadas para valorar
o grau de prejuízo funcional.
Sugere-se a existência de 2 tipos
distintos de transtornos depressivos, onde
apenas o mais leve decorreria de uma reação
adaptativa ao prejuízo funcional.
A gravidade do prejuízo funcional
chegou a aumentar em 16 vezes a
probabilidade do paciente ter depressão.
2. Prejuízo cognitivo: Nas duas primeiras
semanas após o AVC encontrou-se uma
associação entre o prejuízo cognitivo e a
depressão.
3. História de depressão: A história pregressa
de depressão tem sido apontada como um
importante fator de risco para a depressão
pós-AVC.
4. Idade: A idade tem mostrado uma
associação diferente com a depressão
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
Página 67
dependendo do período pós-AVC. Os
pacientes mais jovens mostraram uma
maior propensão para desenvolver
depressão de forma mais grave durante o
período agudo pós-AVC.
5. Sexo: acomete mais mulheres do que
homens, na proporção de 2 para 1.
6. História de AVC prévio: AVC prévio tem
sido associado ao desenvolvimento da
depressão pós-AVC tanto em populações
de centro de reabilitação quanto da
comunidade.
7. Hipercortisolemia: fator de vulnerabilidade
para o desenvolvimento da depressão
maior pós-AVC. A não-supressão do
cortisol pela administração de
dexametasona tem sido considerada por
alguns como um potencial instrumento
diagnóstico e de acompanhamento da
recuperaçãoda depressão maior pós-AVC.
A hipercortisolemia não mostrou
associação com a depressão no pós-AVC agudo
no estudo de Olsson et al.28, no entanto, foi
um fator preditivo para a ocorrência de
depressão maior no primeiro e terceiro anos
pós-AVC.
8. Aspectos sociais: Morar sozinho e a
existência de uma pobre rede social
presente antes e/ou depois do AVC são
apontados como fatores de risco para o
desenvolvimento da depressão pós-AVC.
Outros fatores associados à depressão: A
atrofia cortical e subcortical não contribuíram
para o desenvolvimento da depressão no pós-
AVC agudo. No entanto, tais elementos
detectados pela TC feita no episódio índice e
depois de três anos do AVC estavam associados
à depressão maior que surge tardiamente,
sendo observados tanto no grupo de pacientes
deprimidos inicialmente e que continuavam
com depressão no período tardio, assim como
no grupo de pacientes que desenvolveu a
depressão maior no período tardio.
Diabetes melito: Em uma metanálise
recente, avaliando estudos que utilizaram
grupos-controle normais, a prevalência de
depressão em pacientes diabéticos era de 11%
a 31%, enquanto que a presença de diabetes
aumenta em duas vezes o risco de depressão.
Pacientes com depressão também têm maior
risco de desenvolver diabetes tipo 2.
Pacientes diabéticos com depressão
apresentam maior risco de obesidade, menor
nível educacional e socioeconômico, além de
pior suporte social, sendo mais vulneráveis a
estressores financeiros e psicossociais.
A presença de depressão também
amplifica a percepção dos sintomas do
diabetes, ou seja, pacientes diabéticos
deprimidos sentem mais sintomas do que os
não-deprimidos, mesmo com a gravidade do
diabetes controlada.
Finalmente, pacientes com
comorbidade depressão e diabetes apresentam
pior controle glicêmico e maior prevalência de
complicações múltiplas do diabetes, como
retinopatia, nefropatia, neuropatia, disfunção
sexual e complicações macrovasculares.
Algumas evidências sugerem que as
alterações hormonais, principalmente a
hipercortisolemia, além do aumento da
ativação imunoinflamatória poderiam explicar
o maior risco de diabetes em deprimidos, e
alterações do transporte de glicose em regiões
específicas do cérebropoderiam ocorrer em
pacientes diabéticos,
favorecendo o desencadeamento da
depressão.
Distúrbios da tireóide: freqüentemente
observa-se que pacientes com depressão
podem apresentar alterações tiroidianas, sendo
a mais comum o hipotireoidismo, em até 17%
dos pacientes com transtornos do humor.
Pacientes agudamente deprimidos apresentam
aumento do T4 livre no líquor, que reverte com
a melhora do quadro e níveis séricos baixos de
T3 estão associados à recorrência mais rápida
de quadros depressivos. Baixos níveis de
hormônios tiroidianos livres e altos índices de
TSH, mesmo dentro dos níveis normais, estão
associados à demora na resposta terapêutica
em depressão bipolar.
Obesidade: Ter depressão na adolescência é
um fator de risco para se ter excesso de peso
na fase adulta, sendo o contrário também
verdadeiro, ou seja, ter obesidade quando
jovem aumenta o risco de ter depressão
quando adulto.
Hiperreatividade do eixo hipotálamohipófise -
adrenal (doença de Cushing, tratamentos com
corticosteróides): metade dos pacientes
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
Página 68
deprimidos apresentam aumento da
reatividade do eixo hipotálamo-hipófise-
adrenal, representado pelo aumento do CRH
(hormônio de liberação de corticotrofina). Este
estado de desequilíbrio hormonal pode levar a
inúmeras alterações fisiológicas, que
explicariam uma série de conseqüências
comuns à síndrome depressiva, como as
alterações metabólicas da síndrome X
(resistência periférica à insulina, dislipidemia,
hipertensão, obesidade), alterações na função
tiroidiana e sexual, desequilíbrio do sistema
imunológico, diminuição do volume do
hipocampo, com conseqüente prejuízo
cognitivo. Estas alterações podem ocorrer nos
pacientes deprimidos, com maior freqüência
que indivíduos não deprimidos, sendo também
esperado em pacientes com doença de
Cushing, caracterizada pela hipersecreção de
cortisol, ou pacientes que tenham que receber
altas doses de corticosteróides, apresentem
quadros afetivos com freqüência.
DEPRESSÃO E DEMÊNCIA
Perturbações do humor afetam
indivíduos com DA, em algum ponto da
evolução demencial. Sintomas depressivos são
observados em até 40-50% dos pacientes,
enquanto transtornos depressivos acometem
algo em torno de 10-20% dos casos.
Tais condições têm evolução crônica,
demonstrando taxas de recorrência de
sintomas depressivos de 85% ao longo de um
ano. Pacientes com DA e depressão
apresentam comprometimento funcional maior
do que os sem depressão.
A ocorrência de depressão na terceira
idade ou mesmo antes, tem sido considerada
um possível fator de risco para demência. O
termo “pseudodemência”, corresponde a uma
condição em que a síndrome demencial é
desencadeada por um transtorno psiquiátrico
funcional, geralmente depressivo. Nesses
casos, o início do quadro é menos insidioso
do que nas demências primárias, e o
paciente apresenta, além da disfunção
cognitiva, outros sintomas pertinentes à
síndrome depressiva.
Embora as manifestações
demenciais possam regredir com o
tratamento antidepressivo, os quadros de
pseudodemência depressiva têm sido
considerados como manifestações
prodrômicas da síndrome demencial, uma
vez que até 50% dos mesmos evoluem com
demência em cinco anos, mesmo aqueles
que obtêm remissão dos sintomas
demenciais após o tratamento bem
sucedido da depressão.
DIAGNÓSTICO
Instrumentos de avaliação:
A “Geriatric Depression Scale” é um
dos instrumentos de auto-avaliação mais
utilizados no rastreio de depressão em
pacientes idosos. Na sua versão de 30 itens, a
pontuação em 11 ou mais é indicativa de
depressão provável, com sensibilidade e
especificidade satisfatórias em pacientes
deprimidos idosos em hospital geral. Para a
versão resumida de 15 itens, o ponto de corte
para a identificação de um possível caso é de 5
ou mais. Na presença de demência, todavia, a
utilidade da GDS é menos clara, uma vez que
não foi idealizada para o uso em pacientes com
declínio cognitivo acentuado. Postula-se que os
escores obtidos pela GDS sejam válidos para
indivíduos com pontuação no Mini-exame do
Estado Mental superior ou igual a 15.
Outros instrumentos, como por
exemplo a “Cornell Scale for Depression in
Dementia”, foram desenvolvidas para abordar
essa difícil questão, incorporando informações
obtidas com o cuidador. A entrevista
estruturada CAMDEX (“Cambridge Mental
Disorder of the Elderly Examination”) foi
validada para o diagnóstico de depressão em
pacientes com demência e consiste em uma
entrevista clínica estruturada com o paciente e
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
Página 69
seu cuidador, além de uma bateria simplificada
de testes cognitivos e, adicionalmente, o
registro de informações obtidas pela
observação dos pacientes pelo examinador.
A “Columbia University Scale for
Psychopathology in Alzheimer’s Disease”,
incluindo também informações fornecidas pelo
cuidador, é um instrumento de rastreio que
avalia a intensidade de sintomas depressivos,
psicóticos e comportamentais em pacientes
com demência.
As escalas de Montgomery-Asberg
(MADRS) e de Hamilton (HAM-D), embora
desenvolvidas para pacientes cognitivamente
preservados, são intrumentos aplicados pelo
examinador que podem ser úteis na avaliação
da intensidade do transtorno depressivo em
pacientes com demência leve e moderada.
Para a quantificação de sintomas
depressivos em pacientes com demência, a
“Dementia Mood Assessment Scale” utiliza
informações colhidas por entrevista semi-
estruturada e pela observação direta dos
pacientes.
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS
Nos estágios iniciais da síndrome
demencial, o reconhecimento dos déficits
cognitivos por parte do paciente pode justificar
a ocorrência de manifestações depressivo-
ansiosas leves ou moderadas; em muitos casos,
todavia, tal relação compreensível de causa-
efeito não pode ser observada. A distimia em
pacientes com DA está associada à primeira
hipótese, enquanto a depressão maior não
guarda relação com a percepção da demência
por parte do paciente, suscitando a reflexão
acerca de fatores neurobiológicos comuns
ou a simples comorbidade entre depressão e
demência.
É conveniente incluir as impressões
dos familiares ou cuidador. Embora
determinados sintomas como apatia,
lentificação (da marcha e do discurso),
dificuldade de concentração, perda de peso,
insônia e agitação possam ocorrer como parte
da síndrome demencial.
O diagnóstico da depressão em
pacientes com demência leve e moderada deve
ser considerado na presença de sinais e
sintomas depressivos, mesmo sem caracterizar
uma síndrome depressiva completa.
Em alguns casos, o diagnóstico de
transtorno depressivo pode ser corroborado
pelos critérios diagnósticos do DSM-IV,36
elicitados na entrevista com o paciente.
Segundo esses critérios (e, ao contrário de sua
versão anterior, DSM-III-R), pode-se
estabelecer o diagnóstico de um transtorno
depressivo coexistente a uma síndrome
demencial.
As perturbações do humor observadas
em pacientes com demência são geralmente
intermitentes, breves e de pequena amplitude,
com ideação depressiva pouco estruturada e
transitória.
Disforia e apatia estão geralmente
presentes; desesperança, sensação de
inutilidadee dependência, preocupações
somáticas, anedonia e fatigabilidade são
manifestações adicionais.
Afirmações autodepreciativas ou
manifestações do desejo de morrer devem ser
cuidadosamente avaliadas, assim como
a presença de ideação suicida. Distúrbio de
sono e apetite, embora possam estar presentes
na síndrome demencial sem depressão, são
reforçadores desse diagnóstico, na presença de
outros sintomas depressivos.
Quadros psicóticos podem
acompanhar-se de forte colorido afetivo e
reações comportamentais sugestivas de
depressão.
Delírios e reações paranóides podem
ocorrer tanto na depressão psicótica como na
DA. Nessa última, os delírios são pouco
estruturados e freqüentemente envolvem a
idéia de que “certas pessoas estão roubando
meus pertences”, ou que “esta não é a minha
casa”.
Distúrbios de reconhecimento
associados a variantes do delírio de Capgras
(determinada pessoa familiar é tida como um
impostor) também são comuns na DA. Nos
transtornos depressivos, embora as idéias de
cunho paranóide possam estar presentes, os
delírios são geralmente de natureza
autodepreciativa, com idéias de culpa ou ruína.
Depressão em pacientes com
demência avançada pode ser uma condição
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
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difícil de se detectar, especialmente na
presença de distúrbio de linguagem e
comunicação, ou se as demais funções
cognitivas estiverem gravemente acometidas. A
apresentação será, na maioria das vezes,
comportamental: apatia e retraimento social,
irritabilidade e agressividade são indícios
iniciais, reforçados pela presença de
empobrecimento afetivo, redução do discurso
espontâneo, lentificação psicomotora e
fenômenos neurovegetativos (insônia,
anorexia).
Mudanças abruptas no
comportamento, ansiedade intensa ou
regressão das habilidades funcionais, sem razão
médica aparente ou estresse ambiental, podem
sugerir o início de um quadro depressivo.
MINI:
TRATAMENTO DOS TRANSTORNOS
DEPRESSIVOS E DE ANSIEDADE
Antidepressivos Tricíclicos: A imipramina
(primeira substância sintetizada desta classe)
não demonstrou ação antipsicótica, mas
antidepressiva. A partir destes dados novas
substâncias foram sendo descobertas
(cloimipramina, amitriptilina, nortriptilina, etc).
Os ADT são considerados padrão-ouro
de eficácia antidepressiva e preferidos pelos
psiquiatras nas depressões graves.
Os tricíclicos promovem o bloqueio
da passagem de neurotransmissores
(monoaminas – principalmente
norepinefrina, dopamina e serotonina)
para o neurônio pré-sináptico (recaptação);
aumentando, assim, a disponibilidade
desses neurotransmissores na fenda
sináptica, o que potencializa seus efeitos e
antagoniza os sintomas da depressão. Esse
bloqueio pode ser reversível ou
irreversível.
Os ADTs não actuam somente
sobre a recaptação noradrenalina,
serotonina e dopaminas, eles também
agem bloqueando os receptores:
histaminérgicos, alfa-adrenérgicos e
muscarínicos.
A acção nestes outros receptores
possivelmente causa os seus principais
efeitos colaterais. Os mais descritos são:
hipotensão ortostática, mioclonias,
convulsão, visão turva, boca seca,
tremores, constipação, taquicardia,
aumento dos intervalos PR e QRS no ECG e
hipotensão ortostática. Por sua acção de
bloqueio colinérgico, os ADTs podem
causar efeitos cognitivos, em doentes
idosos e com déficits cognitivos
preexistentes, esse efeito pode piorar
sensivelmente. Em dosagens elevadas, os
ADTs podem causar delirium, complicações
em doentes com glaucoma de ângulo
estreito ou desencadear retenção urinária
em doentes com prostatismo. Existem
vários relatos de suicídio devido a overdose
de ADT.
Devido sua acção em vários
receptores não envolvidos diretamente
com a sintomatologia depressiva,
Imipramina amitriptilina nortriptilina
cloimipramina são consideradas drogas
não seletivas.
Posologia: AMITRIPTILINA Dose
usual para adultos: oral, inicialmente
25mg, 2 a 4 vezes ao dia, ajustando logo a
dosagem. Dose máxima em pacientes
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
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ambulatoriais: até 150mg/dia.
Hospitalizados: até 300mg/dia. De idade
avançada: até 100mg/dia. Em
adolescentes, inicialmente 10mg, 3 vezes
ao dia e 20mg ao deitar, ajustando logo a
dose, até um máximo de 100mg/dia. Doses
geriátricas usuais: inicialmente 25mg ao
deitar, ajustando a dose até um máximo de
10mg 3 vezes ao dia e 20mg ao deitar.
Inibidores Seletivos de Recaptação de
Serotonina (IRSS):
Desenvolvidos a partir dos ADTs, os
IRSS foram assim classificados devidos a
sua baixa afinidade conhecida por
receptores adrenérgicos, colinérgicos e
histaminérgicos e maior afinidade pelo
bloqueio das proteínas de recaptação da
serotonina.
O primeiro IRSS a ser descoberto
foi a fluoxetina, em 1988. Os ISRS são
geralmente bem tolerados em doses
terapêuticas e praticamente isentos de
risco em cardiopatas, quando comparados
com os ADTs. Os efeitos colaterais estão
relacionados com sua acção química, ou
seja, efeitos serotoninérgicos, como
insónia, náuseas, vómitos, diarreia,
cefaléia, ansiedade, agitação, acatisia,
tremor e disfunção sexual.
As superdosagens são mais seguras
que as dos ADT, contudo pode ocasionar a
síndrome serotoninérgica, uma urgência
médica caracterizada por uma elevação
exacerbada de serotonina na fenda
sináptica ocasionando: agitação,
nervosismo, náuseas, vómitos, ataxia,
mioclonias, tremor, convulsões, coma e em
casos mais graves levar a morte do doente.
O efeito antidepressivo dos ISRS é
conseqüência do bloqueio seletivo da
recaptação da serotonina (5-HT). A
fluoxetina foi o primeiro representante
dessa classe de antidepressivos e ela tem
um metabólito ativo, a norfluoxetina.
Esse metabólito é o ISRS que se elimina
mais lentamente do organismo.
PAROXETINA: origina mais
sedação (também a fluvoxamina), efeitos
anticolinérgicos e extrapiramidais que
outros ISRS. Tem-se relatado sintomas de
abstinência com a supressão brusca do
tratamento com a paroxetina e com a
venlafaxima.
INDICAÇÕES /ANTIDEPRESSIVOS ISRS
Nome Químico Nome
Comercial
CITALOPRAM Cipramil,
Parmil
FLUOXETINA Daforim,
Deprax,
Eufor,
Fluxene,
Nortec,
Prozac,
Verotina
NEFAZODONA Serzone
PAROXETINA Aropax,
Pondera,
Cebrilin
SERTRALINA Novativ,
Tolrest,
Zoloft
Os ISRS estão indicados para o
tratamento dos Transtornos Depressivos,
Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC),
Transtorno do Pânico, Transtornos
Fóbico-Ansiosos, neuropatia diabética,
dor de cabeça tensional crônica e
Transtornos Alimentares.
Nos casos de Depressão Grave
com Sintomas Psicóticos, alguns
fabricantes de ISRS não recomendam
essas drogas, como é o caso, por
exemplo, da orientação da Nafazodona
(Serzone®). Outros, como é o caso da
Paroxetina (Aropax®), já preconizam-na
também para Episódios Depressivos
maiores ou severos.
Outros, como é o caso do Citalopram
(Cipramil®), recomendam a substância
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
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para o tratamento das depressões e do
abuso do álcool.
A fluoxetina tem ação
anorexígena com uma discreta redução
do peso corporal durante seu uso. Nos
pacientes sensíveis pode ocorrer rash
cutâneo,urticária, incluindo febre,
leucocitose e edema. Esses sintomas de
hipersensibilidade são extremamente
raros
Bloqueadores da Recaptura de
Noradrenalina e Dopamina: A bupropiona é
um inibidor, relativamente seletivo, da
recaptação de noradrenalina e dopamina, com
mínimo efeito na recaptação de serotonina.
Possui pouco efeito anticolinérgico ou anti-
histamínico.
Em relação ao citocromo p450,
apresenta inibição CYP2D627. Diferentemente
dos IRSS, não esta associada a disfunção sexual.
Nas formulações de liberação imediata foi
associado com quadros convulsivos,
principalmente em altas dosagens. Sendo
contra-indicado em doentes portadores de
transtornos alimentares e/ou de epilepsia.
Os efeitos colaterais mais comuns são:
taquicardia, vasodilatação, elevação da pressão
arterial, insónia, tremor, cefaleia, tontura,
agitação e ansiedade.
Inibidores de Recaptura de Serotonina e
Noradrenalina (IRSN):
A venlafaxina, Duloxetina e
milnaciprano inibe o mecanismo da bomba de
recaptura da noradrenalina, dopamina
(fracamente) e serotonina. Sua afinidade pelo
receptor noradrenérgico é dose dependente.
Teoricamente não possui acção no sistema
colinérgico, histamínico e no bloqueio dos
receptores alfa 1 adrenérgicos, contudo
apresenta efeitos colaterais característicos de
ação anticolinérgica, como constipação e
boca seca. Os efeitos colaterais são:
náuseas, sonolência, tontura, boca seca,
sudorese e insónia. Alguns doentes
apresentam elevação transitória da
pressão arterial (PA) dose-dependente, o
que implica monitorização da PA durante
o tratamento. Foram descritos casos de
hiponatremia e síndrome serotoninérgica
com o uso da venlafaxina.
A Duloxetina inibe fortemente a
recaptação de serotonina e de
noradrenalina e fracamente bloqueia a
recaptação de dopamina estaria
relacionada com a melhora de sintomas
dolorosos em doentes portadores de
neuropatia diabética.
Inibidores de
Recaptura/Antagonistas da Serotonina-2
(IRAS): A trazodona possui uma fraca acção
inibitória da receptação de serotonina. O seu
efeito antidepressivo seria decorrente do
antagonismo sobre receptores 5HT2, comoa
nefazodona30,31. A trazodona produz bloqueio
alfa-1 adrenérgico e histaminérgico. Uma
preocupação com o uso da trazodona é o
aparecimento de priapismo, possivelmente em
decorrência do bloqueio alfa1-adrenérgico
central é o mecanismo mais comumente
implicado nesta reacção.
Mirtazapina produz antagonismo dos
auto-receptores e dos heterorreceptores alfa2-
adrenérgicos e nenhum efeito na recaptação de
monoaminas. Devido a esse mecanismo (a
noradrenalina interrompe a liberação de
serotonina e noradrenalina pela sua interação
com os heteroreceptores e autoreceptores
alfa2-adrenérgicos, respectivamente) aumenta
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
Página 73
a transmissão noradrenérgica e
serotoninérgica.
Ela também bloqueia receptores
serotoninérgicos e histamínicos.
Sua eficácia é comparável à dos ADT
em populações gerais.
A mianserina produz também
antagonismo dos auto e heterorreceptores
alfa2-adrenérgicos, contudo também faz
antagonismo alfa1-adrenérgicos, desta forma
não produzindo efeito sobre a liberação de
serotonina. A sua ação antidepressiva é
praticamente pelo aumento da transmissão
noradrenérgica.
Inibidor Seletivo da Recaptação da
Noradrenalina (ISRN): Reboxetina é um
inibidor altamente seletivo e potente da
recaptação da noradrenalina, portanto, pode
ser classificado como ISRN. Sua eficácia
antidepressiva foi comparada com outros
antidepressivos: imipramina, desipramina e
fluoxetina.
Outros: A Tianeptina é um antidepressivo
desenvolvido a partir dos tricícliclos. Seu
mecanismo de ação é induzir a recaptação
da serotonina pelos neurónios da córtex, do
hipocampo e do sistema límbico (levando a um
antagonismo do efeito serotoninérgico no
sistema límbico e córtex pré-frontal).
Qual o antidepressivo que se pode
escolher? A escolha do antidepressivo via
depender de inúmeros factores: tipo de
sintomatologia, idade, uso concomitantes de
outras medicações, história anterior de
tratamento farmacológico entre outros.
Quando o doente apresenta insónia, o
uso de um antidepressivo que tenha um efeito
sedativo pode ser um factor a ser considerado,
no entanto, quando o doente já apresenta uma
sonolência excessiva, o uso deste
antidepressivo pode ser contra-indicado.
Doentes idosos devem evitar o uso de
medicamentos que tem bloqueio colinérgico
devido ao risco elevado de déficits cognitivos e
confusão mental.
Doentes com uso concomitante de
outros medicamentos devem ser avaliados
sobre o potencial risco de interacção entre o
antidepressivo e os medicamentos em uso.
Doentes com queixas de disfunção
sexual devem evitar o uso de medicamentos
com acção serotoninérgica, ou a utilização de
medicamentos que actuem minimamente nos
receptores serotoninérgicos específicos.
Existem estudos que demonstram o beneficio
da associacção entre a bupropiona e um IRSS
para diminuir as disfunções sexuais provocadas
pelo medicamento.
Através da observação de sua
afinidade pelo bloqueio dos receptores
colinérgicos, histamínicos e alfa-adrenérgicos
é possível compreender o perfil dos
seus efeitos colaterais. Quanto maior for a
afinidade pelo bloqueio do receptor, maior será
o perfil de efeitos colaterais. No sistema
colinérgico (constipação, boca seca, retenção
urinária, aumento da pressão intraocular e
sonolência), histaminérgico (ganho de peso e
sonolência) e alfa-adrenérgico (tontura e
hipotensão).
Amitriptilina foi considerada tão eficaz
quanto aos outros tricíclicos como as drogas
mais recentes, contudo apresentou
um carga maior de efeitos colaterais, quando
comparada aos IRSS.
Um facto importante a ser
considerado é o abandono de tratamento
devido aos efeitos colaterais. Os IRSS
apresentam uma menor taxa de abandono
quando comparados com os tricíclicos
tradicionais.
Concluímos que não existem
clinicamente diferenças significantes de
efetividade entre as principais classes de
antidepressivos e a decisão de qual droga ser
utilizada deve ser baseada em considerações
como custo, toxicidade e aceitação do doente.
INIBIDORES DA MONOAMINA-OXIDASE
(IMAO): Os IMAOs podem ser eficazes no
tratamento de pacientes com demência, uma
vez que foram descritas elevações da atividade
dessa enzima nos pacientes acometidos.
Os IMAOs clássicos (fenelzina e
tranilcipromina) têm poucas propriedades
anticolinérgicas, mas o seu uso deve ser
indicado apenas nos casos refratários às demais
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
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opções, pela ocorrência de hipotensão postural
(risco de quedas e fraturas) ou crises
hipertensivas por falhas dietéticas. A
monitorização da hipotensão
postural é indispensável, devendo ainda os
cuidadores supervisionarem as restrições
alimentares e o uso de outros medicamentos.
A moclobemida, inibidor reversível da
MAO-A, elimina as restrições dietéticas dos
IMAOs clássicos e é geralmente bem tolerada
por idosos. Apresentou perfil favorável de
efeitos colaterais e resposta significantemente
superior ao placebo em uma amostra de 694
pacientes depressão e declínio cognitivo, na
dose média de 400 mg/dia.
FÁRMACOS AGONISTAS COLINÉRGICOSDE
AÇÃO INDIRETA OU
ANTICOLINESTERÁSICOS
As drogas agonistas colinérgicos de
ação indireta ou anticolinesterásicos inibem a
enzima acetilcolinesterase, prolongando a ação
da acetilcolina.
Portanto, provocam a potencialização
da transmissão colinérgica nas sinapses
autônomas colinérgicas e na junção
neuromuscular.
Estes anticolinesterásicos podem ser
reversíveis, se a ação não for prolongada, e,
irreversíveis, se esta ação for prolongada.
Os fármacos anticolinesterásicos
reversíveis utilizados são: Fisostigmina –
neostigmina – piridostigmina – edrofônio –
inibidores dirigidos contra a enzima
acetilcolinesterase no SNC.
FISOSTIGMINA (Antilirium) (Enterotonus),
alcalóide que consiste em uma amina terciária,
bloqueia de modo reversível a
acetilcolinesterase, potencializando a atividade
colinérgica em todo o organismo, possuindo
grande número de atividades, inclusive
atingindo o SNC. A duração de ação da
fisostigmina é 2 a 4 horas.
Embora seja menos eficiente do que a
pilocarpina, também é utilizada por via ocular
no tratamento do glaucoma porque produz
miose, e, contração do músculo ciliar
permitindo a drenagem dos canais de
Schlemm, o que diminui a pressão intraocular.
Entretanto, a fisostigmina é mais
utilizada no tratamento da superdosagem de
fármacos com atividade anticolinérgica (por
exemplo, a atropina, fenotiazínicos, e
antidepressivos tricíclicos, pois, estes fármacos
penetram no SNC), e, também é utilizada na
atonia do intestino e da bexiga, aumentando a
motilidade destes órgãos.
Para tratamento sistêmico, a
fisostigmina pode ser administrada IM e IV
sendo muito bem absorvida em todos os locais
de aplicação, entretanto, distribui-se para o
SNC, e, pode provocar efeitos tóxicos, inclusive
convulsões.
NEOSTIGMINA (Prostigmine), derivado
do trimetilbenzenamínio, também inibe
reversivelmente a enzima acetilcolinesterase,
entretanto é mais polar do que a fisostigmina e
não penetra no SNC, tendo atividade sobre a
musculatura esquelética mais intensa do que a
fisostigmina. A duração de ação da neostigmina
é de 2 a 4 horas.
A neostigmina possui as seguintes
indicações: Atonia do intestino e bexiga;
miastenia grave (prolongando a duração da
acetilcolina na placa motora terminal,
conseqüentemente, aumentando a forca
muscular); como antídoto a agentes
bloqueadores neuromusculares (por exemplo, a
tubocurarina).
A neostigmina é mais útil no
tratamento da miastenia grave do que a
fisostigmina, pois, a fisostigmina tem menor
potencia na junção neuromuscular do que a
neostigmina. Entretanto, a fisostigmina é mais
útil do que a neostigmina em condições de
etiologia central, como por exemplo, em caso
de superdosagem de atropina (pois, a atropina
penetra no SNC, e, a neostigmina não atinge o
SNC).
Os efeitos adversos da neostigmina
consistem em estimulação colinérgica
generalizada, salivação, rubor cutâneo, queda
da pressão arterial, náusea, dor abdominal,
diarréia e broncoespasmo.
PIRIDOSTIGMINA: (Mestinon),
derivado do metilpiridínio, consiste em outro
inibidor da acetilcolinsterase com duração de
ação 3 a 6 horas, portanto, maior do que a
neostigmina, e, a fisostigmina, também é
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
Página 75
utilizado no tratamento da miastenia grave e
como antídoto de agentes bloqueadores
neuromusculares.
A piridostigmina, e, a neostigmina
pertencem ao grupo dos carbamatos (ésteres
do ácido carbâmico), e, apresentam atividade
agonista direta nos receptores nicotínicos
existentes no músculo esquelético.
Os efeitos adversos são semelhantes
aos da neostigmina, entretanto, com menor
incidência de bradicardia, salivação e
estimulação gastrintestinal.
EDROFÔNIO (Tensilon), que consiste
em uma amina quaternária, tem ações
farmacológicas semelhantes às da neostigmina,
entretanto, o edrofônio possui ação de curta
duração, entre 10 a 20 minutos, sendo utilizada
em administração venosa, geralmente para fins
de diagnóstico da miastenia grave, provocando
rápido aumento da força muscular, entretanto,
o excesso pode levar a uma crise colinérgica.
Tem sido também referido o uso do edrofônio
para reverter os efeitos do bloqueador
neuromuscular após uma cirurgia.
INIBIDORES DIRIGIDOS CONTRA A ENZIMA
ACETILCOLINESTERASE NO SNC: Consistem nos
fármacos utilizados no tratamento da Doença
de Alzheimer, pois, tem facilidade em penetrar
no SNC, e, com ação inibitória (reversível) da
enzima acetilcolinesterase, conseqüentemente,
aumentando o nível de acetilcolina.
A Doença de Alzheimer consiste em
doença neurodegenerativa de desenvolvimento
lento provocando a perda progressiva da
memória, e, da função cognitiva (a cognição),
comprometendo também capacidade de auto
cuidado dos indivíduos, levando à demência.
Estudos indicam que essas alterações
funcionais são resultantes inicialmente da
perda da transmissão colinérgica no neocórtex.
Existem quatro medicamentos
inibidores da enzima acetilcolinesterase
utilizados (até o momento) no tratamento da
Doença de Alzheimer:
● Tacrina (Cognex) (Tacrinal),
● Donepezil (Eranz),
● Galantamina(Reminyl),
● Rivastigmina (Exelon) (Prometax).
A tacrina é considerada hepatotóxica, e,
todos os fármacos atualmente utilizados no
tratamento da doença, embora proporcionem
melhora da função cognitiva, principalmente,
em pacientes com alterações discretas a
moderadas, mas, não retardam a evolução da
doença.
Estes fármacos não devem prescritos (ou
utilizados com muito cuidado) em pacientes
com história de asma, condução
atrioventricular diminuída, obstrução urinária
ou intestinal.
Os anticolinesterásicos irreversíveis
correspondem aos compostos
organofosforados sintéticos que possuem a
capacidade de efetuar ligação covalente com a
enzima aceticolinesterase, com ação bastante
prolongada, o que leva ao aumento duradouro
da concentração de acetilcolina em todos os
locais onde esta é liberada. As únicas drogas
deste grupo utilizadas como terapêutica é o
isofluorato ou disopropilfluorfosfato (DFP), e, o
ecotiofato (Phospholine iodide) utilizadas
unicamente por via ocular no tratamento do
glaucoma.
A maioria dos anticolinesterásicos
irreversíveis foi desenvolvida com finalidade
bélica, e, são também utilizados como
inseticidas e pesticidas, e, acidentalmente, tem
provocado intoxicações. Estudos revelam que a
meia-vida de um agonista indireto irreversível
dura cerca de 100 horas.
TRATAMENTO DA DEMÊNCIA DE ALZHEIMER E
VASCULAR
Atividade física: Em estudos animais a
atividade física estimula a angiogênese,
sinaptogênese e neurogênese. Ratos que
andavam em esteira tinham mais astrócitos e
neuroblastos com habilidade proliferativa.
O exercício físico também reduz
fatores de risco para doenças vasculares e pode
liberar fatores hormonais que realçam a função
neuronal, reforçando a base teórica para
possíveis benefícios. Fato que tem sido
observado em estudos clínicos.
Há evidências de que a atividade física
tenha papel na prevenção de demência e
conversão de comprometimento cognitivo leve
(CCL) para demência, tanto doença de
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
Página 76
Alzheimer (DA) quanto DV. Níveis altos de
atividade física estavam associados a uma
redução de 38% no risco de declíniocognitivo;
enquanto que atividade física de leve a
moderada intensidade também se associou a
redução de 35% no risco de declínio.
Recomendações: Deve-se incentivar
atividade física regular para pessoas saudáveis,
pacientes com doença cerebrovascular e
pacientes com declínio cognitivo.
Dieta e suplementos: Dieta equilibrada, e
especificamente a dieta mediterrânea
representada por alto consumo de frutas,
vegetais, legumes, cereais e ácidos graxos
insaturados (azeite de oliva); baixa ingesta de
produtos lácteos, carne e ácidos graxos
saturados; e moderado consumo de álcool tem
se associado a um menor risco de demência,
bem como redução na conversão de CCL para
DA. Os fatores vasculares podem estar ligados a
dieta mediterrânea, porém, outros mecanismos
biológicos não vasculares (oxidativos e
inflamatórios) podem ser responsáveis para
explicar a associação epidemiológica complexa
entre dieta mediterrânea e declínio cognitivo.
Álcool; A maioria dos estudos com
álcool e cognição demonstra que o consumo
leve de bebidas alcoólicas teve efeito
preventivo no desenvolvimento de DV, DA e
demência de outros tipos.
Há evidências suficientes apontando
que o consumo moderado de álcool esteja
associado à redução de risco de doença
coronariana, acidentes vasculares encefálicos
isquêmicos e demência. Os mecanismos
protetores envolvidos incluem diminuição do
LDL e aumento do HDL; redução da resistência
à insulina; diminuição da pressão arterial;
redução na agregação plaquetária e dos níveis
de fibrinogênio e redução da homocisteína
sérica e dos marcadores inflamatórios. Além
disso, parece haver uma atividade
antiamiloidogênica pelo resveratrol (presente
no vinho tinto,
em especial).
Apesar dos estudos mostrarem
correlação positiva entre
o consumo de álcool e prevenção de demência,
com algum benefício associado ao consumo de
vinho, existe o efeito deletério do álcool em
doses mais elevadas. O consumo de um a dois
drinques (<30 g/d) está associado com
diminuição dos riscos, porém, o consumo de
três ou mais drinques está associado ao
aumento de risco de acidente vascular cerebral
(AVC) isquêmico ou hemorrágico.
Recomendações – O consumo de
doses elevadas de álcool deve ser evitado.
Obesidade: O risco de demência é aumentado
entre indivíduos com sobrepeso e obesidade.
Existe associação positiva entre índice de massa
corpórea na idade adulta e aparecimento de DA
e DV durante o envelhecimento; com aumento
em cinco vezes o risco de DV em obesos e em
duas vezes entre os indivíduos com sobrepeso,
independentemente de fatores vasculares.
Recomendações – Deve-se incentivar a
manutenção de peso adequado.
Hipertensão arterial sistêmica: A hipertensão
arterial sistêmica (HAS) aumenta o risco de
comprometimento cognitivo e demência,
incluindo a vascular. Há hipótese de um efeito
específico de classe dos antihipertensivos na
redução do comprometimento cognitivo.
Recomendações – O uso de
antihipertensivos pode reduzir o risco de
declínio cognitivo e demência, incluindo a DV.
Não há evidências para recomendações do uso
de uma classe específica de antihipertensivos.
Estatinas: Indivíduos dislipidêmicos tem risco
aumentado para o desenvolvimento de
demência. Além disso, estudos observacionais
demonstraram que indivíduos tratados com
estatinas apresentavam risco diminuído para
demência.
O efeito preventivo das estatinas nas
demências baseiase no efeito hipolipêmico
destas substâncias. Além disso, apresentam
efeitos antiplaquetários, antitrombóticos,
antiinflamatórios e tem efeito na formação da
proteína beta amilóide, favorecendo a via não
amiloidogênica pela alfa secretase.
Recomendações – O uso de estatinas
em indivíduos idosos, em sujeitos com fatores
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
Página 77
de risco vasculares, não é recomendado com
objetivo exclusivo de prevenção ou tratamento
das demências.
Diabetes: Estudos recentes tem demonstrado
que o diabetes é fator de risco para o
aparecimento de DA e DV, além do aumento de
risco para doenças vasculares, a resistência à
insulina tem efeitos diretos neuronais, através
de efeitos da toxicidade pela glicose (estresse
oxidativo), anormalidades na homeostase da
insulina cerebral (metabolismo amilóide) e
anormalidades microvasculares.
A ocorrência de hipoglicemia grave em
pacientes com DM tipo 2 pode ser associado a
um aumento do risco de demência, este risco
aumento com o numero de episódios
hiperglicêmicos.
Recomendações – Não se recomenda
o controle intenso da glicemia (Hb glicada < 6%)
para a prevenção exclusiva de declínio
cognitivo em pacientes diabéticos.
Insuficiência cardíaca: Os pacientes com baixo
débito cardíaco apresentam resultados
insatisfatórios na avaliação neuropsicológica,
principalmente, funções executivas. No estudo
de Framingham, o débito cardíaco foi associado
ao volume encefálico, sendo que uma redução
da função cardíaca foi relacionada a uma
aceleração do envelhecimento cerebral,
independente dos fatores de risco vascular.
Desta forma, se a redução do fluxo sanguíneo
sistêmico alterar diretamente o fluxo sanguineo
cerebral, consequentemente, a redução do
débito cardíaco reduzirá o fluxo sanguineo
cerebral e contribuirá para o
comprometimento encefálico.
O uso de inibidores da ECA foi
associada a melhora cognitiva, independente
dos níveis de pressão arteriais basais.
Recomendações – O tratamento das
co-morbidades potencialmente reversíveis
associadas a insuficiência cardíaca em paciente
idosos (anemia, HAS, anormalidades de
eletrólitos, hiperglicemia, hipoalbuminemia)
pode reduzir o declínio cognitivo nestes
pacientes. O uso de inibidores da ECA pode
ser recomendado em pacientes com
insuficiência cardíaca independente do
tratamento dos níveis pressóricos.
Tabagismo: Os tabagistas tem maior risco de
desenvolvimento de demência em geral e DA e
DV em particular. Esta observação tem se
repetido nos vários estudos observacionais.
Os mecanismos envolvidos são
aumento do estresse oxidativo, da resposta
inflamatória, aumento no número de placas
amilóides e aterosclerose. Não há estudos
controlados avaliando o impacto da cessação
do tabagismo na cognição em fase posterior da
vida. Estudos são necessáriospara a
determinação do período a partir do qual a
cessação poderia ter o risco diminuído.
Recomendações – A cessação de
tabagismo deve ser recomendada em qualquer
época da vida.
Antiagregantes: Em pacientes com DA o ácido
acetilsalicílico aumentou o risco de
hemorragias e não teve benefício sobre a
cognição, contudo, devem receber a aspirina
por motivos vasculares.
Na prevenção das demências (DA e
DV) existem indícios epidemiológicos de que o
uso de antiinflamatórios não hormonais e o
ácido acetilsalisílico, diminua o risco do
desenvolvimento de demência.
Recomendações – Não é recomendado
o uso de antiagregantes para prevenção
primária de declínio cognitivo e demência. Em
pacientes com DA não é indicada a
administração de ácido acetilsalisílico como
tratamento da demência, exceto quando
indicado por motivos cardiovasculares.
Tratamento farmacológico: Sintomas
depressivos leves e moderados em pacientes
com demência podem melhorar
espontaneamente ou com medidas gerais de
suporte e estimulação.
Técnicas psicológicas de orientaçãocomportamental também têm sido empregadas
com êxito no tratamento de quadros
depressivos leves e moderados em pacientes
demenciados.
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
Página 78
Contudo, pacientes com humor
depressivo acentuado ou persistente requerem
tratamento com antidepressivos.
Portanto, a presença de doença
cerebral, incluindo-se aqui a DA, não impede o
tratamento eficaz da depressão.
Desse modo, impõe-se ao clínico a
responsabilidade de diagnosticar e tratar
adequadamente os pacientes acometidos pelas
duas condições, proporcionando não apenas a
melhora do humor, mas também do estado
funcional e da qualidade de vida. É sempre útil
definir os sintomas-alvo para cada tratamento
específico, uma vez que diferentes
manifestações neuropsíquicas e
comportamentais podem coexistir (ou se
alternar) em um mesmo paciente. Por exemplo,
um paciente paranóide e agressivo pode
também apresentar sintomas depressivos e
distúrbio do sono, requerendo mais de uma
medicação psicotrópica. Outro objetivo do
tratamento deve ser a redução da apatia.
Como regra geral, todas as abordagens
medicamentosas para transtornos
comportamentais em pacientes demenciados
devem ser mantidas por tempo limitado, com
reavaliações freqüentes, monitorizando-se a
eficácia e os efeitos colaterais. Se as condições
clínicas permitirem, o tratamento
medicamentoso da depressão associada à DA
deve ser mantido até seis meses, sendo que a
maioria dos pacientes apresenta remissão dos
sintomas depressivos após 12 meses de
evolução.
O controle da depressão em pacientes
com DA pode proporcionar, indiretamente,
melhora substancial da cognição.
Evidentemente, sintomas cognitivos além
daqueles induzidos pela depressão não se
beneficiam do tratamento antidepressivo. Além
disso, determinados antidepressivos podem
exercer efeito negativo sobre a cognição,
conforme sugerido por ensaio com imipramina
e amitriptilina, em que piora cognitiva foi
atribuída aos efeitos anticolinérgicos da
medicação. Na DA, existe um importante déficit
colinérgico pré-sináptico, com relativa
preservação pós-sináptica. Portanto, drogas
com ação anticolinérgica podem determinar
efeitos adversos importantes, não apenas
sistêmicos como também cognitivos.
A escolha do antidepressivo: Os ISRSs são
usualmente as drogas de primeira opção no
tratamento da depressão em idosos35 com ou
sem demência, pelo perfil mais adequado de
segurança e de tolerabilidade, além da maior
facilidade posológica. Em situações especiais,
devem ser considerados os potenciais
terapêuticos das novas drogas,59 tais como
bupropion, venlaflaxina, reboxetina; ou mesmo
dos medicamentos tradicionais, incluindo
antidepressivos tricíclicos, tetracíclicos e
inibidores da monoaminaoxidase.
Determinados efeitos colaterais
podem ser úteis em alguns casos. Por exemplo,
pacientes que apresentam insônia
proeminente, agitação psicomotora ou
comportamento agressivo podem beneficiar-se
mais de antidepressivos com perfil sedativo,
como a trazodona, a mirtazapina, ou os
antidepressivos tricíclicos. Se, ao contrário,
desejar-se ativação, nos casos de depressão
com inibição psicomotora ou apatia, deve-se
dar preferência a drogas como os ISRSs, o
bupropion, a reboxetina ou a desipramina.
RETARDO MENTAL (DSM IV)
CARACTERÍSTICAS DIAGNÓSTICAS:
A. Funcionamento intelectual
significativamente inferior à média: um QI
de aproximadamente 70 ou abaixo, em um
teste de QI individualmente administrado
(para bebês, um julgamento clínico de
funcionamento intelectual
significativamente inferior à média).
B. Déficits ou prejuízos concomitantes no
funcionamento adaptativo atual (isto é, a
efetividade da pessoa em atender aos
padrões esperados para sua idade por seu
grupo cultural) em pelo menos duas das
seguintes áreas: comunicação, cuidados
pessoais, vida doméstica, habilidades
sociais/interpessoais, uso de recursos
comunitários, independência, habilidades
acadêmicas, trabalho, lazer, saúde e
segurança.
C. Início anterior aos 18 anos.
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
Página 79
O Retardo Mental possui muitas
etiologias diferentes e pode ser visto como uma
via final comum de vários processos
patológicos que afetam o funcionamento do
sistema nervoso central.
O funcionamento intelectual geral é
definido pelo quociente de inteligência (QI ou
equivalente) obtido mediante avaliação com
um ou mais testes de inteligência padronizados
de administração individual (por ex., Escalas
Wechsler de Inteligência para Crianças —
Revisada, Stanford-Binet, Bateria Kaufman de
Avaliação para Crianças).
Um funcionamento intelectual
significativamente abaixo da média é definido
como um QI de cerca de 70 ou menos
(aproximadamente 2 desvios-padrão abaixo da
média). Cabe notar que existe um erro de
medição de aproximadamente 5 pontos na
avaliação do QI, embora este possa variar de
instrumento para instrumento (por ex., um QI
de 70 na escala Wechsler é considerado como
representando uma faixa de 65-75). Portanto, é
possível diagnosticar o Retardo Mental em
indivíduos com QIs entre 70 e 75, que exibem
déficits significativos no comportamento
adaptativo.
Inversamente, o Retardo Mental não
deve ser diagnosticado em um indivíduo com
um QI inferior a 70, SE não existirem déficits ou
prejuízos significativos no funcionamento
adaptativo. A escolha dos instrumentos de
testagem e a interpretação dos resultados
devem levar em conta fatores capazes de
limitar o desempenho no teste (por ex., a
bagagem sócio-cultural do indivíduo, língua
materna e deficiências comunicativas, motoras
e sensoriais associadas).
Prejuízos no funcionamento
adaptativo, em vez de um baixo QI, geralmente
são os sintomas visíveis no indivíduo com
Retardo Mental.
O funcionamento adaptativo refere-se
ao modo como os indivíduos enfrentam
efetivamente as exigências comuns da vida e o
grau em que satisfazem os critérios de
independência pessoal esperados de alguém de
seu grupo etário, bagagem sócio-cultural e
contexto comunitário específicos.
O funcionamento adaptativo pode ser
influenciado por vários fatores, incluindo
educação, motivação, características de
personalidade, oportunidades sociais e
vocacionais e transtornos mentais e condições
médicas gerais que podem coexistir com o
Retardo Mental.
Os problemas na adaptação
habitualmente estão mais propensos a
apresentar melhora com esforços terapêuticos
do que o QI cognitivo, que tende a permanecer
como um atributo mais estável.
Em geral é útil obter evidências dos
déficits no funcionamento adaptativo a partir
de uma ou mais fontes independentes
confiáveis (por ex., avaliação do professor e
história médica, educacional e evolutiva).
Na avaliação do funcionamento
intelectual, deve-se considerar a adequação do
instrumento à bagagem sócio-cultural,
educação, deficiências associadas, motivação e
cooperação do indivíduo. Por exemplo, a
presença de deficiências significativas invalida
muitas normas da escala adaptativa.
Além disso, comportamentos que
normalmente seriam considerados mal-
adaptativos (por ex., dependência, passividade)
podem evidenciar boa adaptação no contexto
vital de determinado indivíduo (por ex., em
alguns contextos institucionais).
NÍVEIS DE GRAVIDADE DO RETARDO
MENTAL
● Retardo Mental Leve - Nível de QI 50-55 a
aproximadamente 70;
● Retardo Mental Moderado - Nível de QI 35-
40 a 50-55;● Retardo Mental Severo - Nível de QI 20-25
a 35-40;
● Retardo Mental Profundo - Nível de QI
abaixo de 20 ou 25;
● Retardo Mental, Gravidade Inespecificada;
quando existe forte suposição de Retardo
Mental, mas a inteligência da pessoa não
pode ser testada por métodos
convencionais (por ex., em indivíduos com
demasiado prejuízo ou não-cooperativos,
ou em bebês).
RETARDO MENTAL LEVE: equivale,
basicamente, ao que costumava ser chamado
de categoria pedagógica dos "educáveis". Este
grupo constitui o maior segmento (cerca de
85%) dos indivíduos com o transtorno.
Em seu conjunto os indivíduos com este
nível de Retardo Mental tipicamente
desenvolvem habilidades sociais e de
comunicação durante os anos pré-escolares
(dos 0 aos 5 anos), têm mínimo prejuízo nas
áreas sensório-motoras e com freqüência não
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
Página 80
são facilmente diferenciados de crianças sem
Retardo Mental até uma idade mais tardia.
Ao final da adolescência, podem atingir
habilidades acadêmicas equivalentes
aproximadamente à sexta série escolar.
Durante a idade adulta, geralmente adquirem
habilidades sociais e profissionais adequadas
para um custeio mínimo das próprias despesas,
mas podem precisar de supervisão, orientação
e assistência, especialmente quando sob
estresse social ou econômico incomum.
Com apoios apropriados, os indivíduos com
Retardo Mental Leve habitualmente podem
viver sem problemas na comunidade, de modo
independente ou em contextos
supervisionados.
RETARDO MENTAL MODERADO: equivale,
basicamente, ao que costumava ser chamado
de categoria dos "treináveis", em termos
pedagógicos. Este termo ultrapassado não mais
deve ser usado, pois implica, erroneamente,
que as pessoas com Retardo Mental Moderado
não podem beneficiar-se de programas
educacionais.
Este grupo constitui cerca de 10% de toda
a população de indivíduos com Retardo Mental.
A maioria dos indivíduos com este nível de
Retardo Mental adquire habilidades de
comunicação durante os primeiros anos da
infância. Eles beneficiam-se de treinamento
profissional e, com moderada supervisão,
podem cuidar de si mesmos. Eles também
podem benefíciar-se do treinamento em
habilidades sociais e ocupacionais, mas
provavelmente não progredirão além do nível
de segunda série em temas acadêmicos.
Estas pessoas podem aprender a viajar
independentemente, em locais que lhes sejam
familiares. Durante a adolescência, suas
dificuldades no reconhecimento de convenções
sociais podem interferir no relacionamento
com seus pares. Na idade adulta, a maioria é
capaz de executar trabalhos não qualificados
ou semiqualificados sob supervisão, em oficinas
protegidas ou no mercado de trabalho geral, e
adaptam-se bem à vida na comunidade,
geralmente em contextos supervisionados.
RETARDO MENTAL SEVERO: 3-4% dos
indivíduos com Retardo Mental. Durante os
primeiros anos da infância, estes indivíduos
adquirem pouca ou nenhuma fala
comunicativa. Durante o período da idade
escolar, podem aprender a falar e ser treinados
em habilidades elementares de higiene, mas se
beneficiam apenas em um grau limitado da
instrução em matérias pré-escolares, tais como
familiaridade com o alfabeto e contagem
simples, embora possam dominar habilidades
tais como reconhecimento visual de algumas
palavras fundamentais à "sobrevivência".
Na idade adulta, podem ser capazes de
executar tarefas simples sob estreita
supervisão. A maioria adapta-se bem à vida em
comunidade, em pensões ou com suas famílias,
a menos que tenham uma deficiência associada
que exija cuidados especializados de
enfermagem ou outra espécie de atenção.
RETARDO MENTAL PROFUNDO: 1-2% dos
indivíduos com Retardo Mental. A maioria dos
indivíduos com este diagnóstico tem uma
condição neurológica identificada como
responsável por seu Retardo Mental.
Durante os primeiros anos da infância,
apresentam prejuízos consideráveis no
funcionamento sensório-motor. Um
desenvolvimento mais favorável pode ocorrer
em um ambiente altamente estruturado, com
constante auxílio e supervisão e no
relacionamento individualizado com alguém
responsável por seus cuidados.
O desenvolvimento motor e as habilidades
de higiene e comunicação podem melhorar
com treinamento apropriado. Alguns desses
indivíduos conseguem executar tarefas simples,
em contextos abrigados e estritamente
supervisionados.
RETARDO MENTAL DE GRAVIDADE NÃO
ESPECIFICADA: aplica-se quando existe uma
forte suposição de Retardo Mental, mas o
indivíduo não pode ser adequadamente
testado pelos instrumentos habituais de
medição da inteligência. Isto pode ocorrer no
caso de crianças, adolescentes ou adultos que
apresentam demasiado prejuízo ou falta de
cooperação para serem testados, ou com
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
Página 81
bebês, quando existe um julgamento clínico de
funcionamento intelectual significativamente
abaixo da média, mas os testes disponíveis (por
ex., Escalas Bayley do Desenvolvimento Infantil,
Escalas Cattell de Inteligência para Crianças e
outros) não fornecem valores de QI.
Em geral, quanto menor a idade, mais
difícil é a avaliação da presença de Retardo
Mental, exceto nos casos com prejuízo
profundo.
CARACTERÍSTICAS E TRANSTORNOS
ASSOCIADOS: Não existem aspectos específicos
de personalidade e de comportamento
associados unicamente com o Retardo Mental.
Alguns indivíduos com Retardo Mental
são passivos, plácidos e dependentes,
enquanto outros podem ser agressivos e
impulsivos.
A falta de habilidades de comunicação
pode predispor a comportamentos diruptivos e
agressivos, que substituem a linguagem
comunicativa. Algumas condições médicas
gerais associadas com Retardo Mental se
caracterizam por certos sintomas
comportamentais (por ex., o comportamento
auto-agressivo intratável associado com
síndrome de Lesch-Nyhan).
Os indivíduos com Retardo Mental
podem mostrar-se vulneráveis à exploração por
outros (por ex., sendo física e sexualmente
abusados) ou ter negados seus direitos e
oportunidades.
Os indivíduos com Retardo Mental têm
uma prevalência de transtornos mentais
comórbidos estimada em três a quatro vezes
aquela da população geral. Em alguns casos,
este pode ser o resultado de uma etiologia
compartilhada, comum ao Retardo Mental e ao
transtorno mental associado (por ex.,
traumatismo craniano pode resultar em
Retardo Mental e em Alteração de
Personalidade Devido a Traumatismo
Craniano).
Os déficits nas habilidades de
comunicação podem resultar em incapacidade
de oferecer uma história adequada (por ex., o
diagnóstico de Transtorno Depressivo Maior
em um adulto não-verbal com Retardo Mental
em geral baseia-se primariamente em
manifestações tais como humor depressivo,
irritabilidade, anorexia ou insônia, observados
por outros).
Os transtornos mentais associados
mais comuns são Transtorno de Déficit de
Atenção/Hiperatividade, Transtornos do
Humor, Transtornos Invasivos do
Desenvolvimento, Transtorno de Movimento
Estereotipado e Transtornos Mentais Devido a
uma Condição Médica Geral (por ex., Demência
Devido a Traumatismo Craniano).
Os indivíduos com Retardo Mental
Devido à síndrome de Down podem estar em
maior risco para o desenvolvimento de
Demência do Tipo Alzheimer.
FATORES PREDISPONENTES: primariamente
biológicos ouprimariamente psicossociais, ou
combinação de ambos. Em aproximadamente
30-40% dos indivíduos vistos em contextos
clínicos, não é possível determinar qualquer
etiologia para o Retardo Mental.
PRINCIPAIS FATORES PREDISPONENTES:
● Alterações do desenvolvimento
embrionário (30%)
(sínd. de Down por trissomia 21), dano pré-
natal causado por toxinas (consumo
materno de álcool, infecções).
● Influências ambientais e outros
transtornos mentais (15-20%). Privação de
afeto e cuidados, bem como de
estimulação social, lingüística e outras, e
transtornos mentais severos (por ex.,
Transtorno Autista).
● Problemas natais e perinatais (10%).
Desnutrição fetal, prematuridade, hipóxia,
infecções virais e outras e trauma.
● Hereditariedade (5%). erros inatos do
metabolismo (ex., doença de Tay-Sachs),
anormalidades geneticas de expressão
variável (ex., esclerose tuberosa) e
aberrações cromossômicas (ex., síndrome
de Down por translocação, síndrome do X
frágil).
● Condições médicas gerais adquiridas na
infância (5%). Estes fatores incluem
infecções, traumas e envenenamento ao
chumbo.
ACHADOS LABORATORIAIS ASSOCIADOS: não
existem achados laboratoriais associados
unicamente a ele.
Os achados laboratoriais diagnósticos
podem estar associados com uma condição
médica geral específica concomitante (Ex;
achados cromossômicos em várias condições
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genéticas, fenilalanina sangüínea elevada na
fenilcetonúria ou anomalias no sistema nervoso
central).
Não existem aspectos físicos
específicos associados com o Retardo Mental.
Quando ele faz parte de uma síndrome
específica, os aspectos clínicos desta estarão
presentes (por ex., as características físicas da
síndrome de Down).
Quanto mais grave o Retardo Mental
maior a probabilidade de condições
neurológicas (por ex., convulsões),
neuromusculares, visuais, auditivas,
cardiovasculares e outras.
CARACTERÍSTICAS ESPECÍFICAS À CULTURA, À
IDADE E AO GÊNERO: A testagem
individualizada é sempre necessária para o
diagnóstico de Retardo Mental. A prevalência
de Retardo Mental devido a fatores biológicos
conhecidos é similar entre crianças de classes
socioeconômicas superiores e inferiores, exceto
pelo fato de certos fatores etiológicos estarem
ligados à situação socioeconômica mais baixa
(por ex., envenenamento por chumbo e partos
prematuros).
As classes socioeconômicas inferiores
são super-representadas, e o Retardo Mental
geralmente é mais leve, embora todos os níveis
de gravidade estejam representados.
O Retardo Mental é mais comum no
sexo masculino, com uma razão de
aproximadamente 1,5:1.
A taxa de prevalência do Retardo
Mental é de aproximadamente 1%, conforme
estimativas.
CURSO CLINICO: O diagnóstico de Retardo
Mental exige que o início do transtorno ocorra
antes dos 18 anos. A idade e o modo de início
dependem da etiologia e gravidade do Retardo
Mental. O retardo mais severo, especialmente
quando associado a uma síndrome com
fenótipo característico, tende a ser
precocemente identificado (por ex., a síndrome
de Down geralmente é diagnosticada ao
nascer).
Em comparação, o Retardo Mental
Leve de origem desconhecida em geral é
percebido mais tarde. No Retardo Mental mais
severo resultante de uma causa adquirida, o
prejuízo intelectual desenvolve-se mais
abruptamente (por ex., retardo após
encefalite). O curso do Retardo Mental é
influenciado pelo curso das condições médicas
gerais subjacentes e por fatores ambientais
(por ex., oportunidades educacionais e outras,
estimulação ambiental e adequação do
manejo).
Se uma condição médica geral
subjacente é estática, o curso tende a ser mais
variável e dependente dos fatores ambientais.
O Retardo Mental não é necessariamente um
transtorno vitalício. Indivíduos que tiveram
Retardo Mental Leve em um momento anterior
de suas vidas, manifestado por fracasso em
tarefas de aprendizagem escolar, desenvolvem,
com treinamento e oportunidades apropriadas,
boas habilidades adaptativas em outros
domínios, podendo não mais apresentar o nível
de prejuízo necessário para um diagnóstico de
Retardo Mental.
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL: Os critérios
diagnósticos para o Retardo Mental não
incluem um critério de exclusão; portanto, o
diagnóstico deve ser feito sempre que são
satisfeitos os critérios diagnósticos,
independentemente da presença de um outro
transtorno.
● TRANSTORNOS DA APRENDIZAGEM OU
TRANSTORNOS DA COMUNICAÇÃO (não
associados com Retardo Mental), o
desenvolvimento em uma área específica
(por ex., leitura, linguagem expressiva) está
prejudicado, mas não existe um prejuízo
generalizado no desenvolvimento
intelectual e funcionamento adaptativo.
Um Transtorno da Aprendizagem ou um
Transtorno da Comunicação pode ser
diagnosticado em um indivíduo com
Retardo Mental se o déficit específico for
desproporcional à gravidade do Retardo
Mental.
● TRANSTORNOS INVASIVOS DO
DESENVOLVIMENTO: existe um prejuízo
qualitativo no desenvolvimento da
interação social recíproca e no
desenvolvimento de habilidades de
comunicação social verbal e não-verbal. O
Retardo Mental freqüentemente
acompanha os Transtornos Invasivos do
Desenvolvimento (75-80% dos indivíduos
com um Transtorno Invasivo do
Desenvolvimento também têm Retardo
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
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Mental).
Alguns casos de Retardo Mental
iniciam após um período de
funcionamento normal, podendo
qualificar-se para o diagnóstico adicional
de demência.
● DEMÊNCIA exige que o prejuízo de
memória e outros déficits cognitivos
representem um declínio significativo a
partir de um nível anteriormente superior
de funcionamento. Uma vez que pode ser
difícil determinar o nível anterior de
funcionamento em crianças muito
pequenas, o diagnóstico de demência pode
não ser apropriado até que a criança esteja
com 4 a 6 anos de idade.
Em indivíduos com menos de 18 anos, o
diagnóstico de demência em geral é feito
apenas quando a condição não é caracterizada
satisfatoriamente apenas pelo diagnóstico de
Retardo Mental.
● FUNCIONAMENTO INTELECTUAL
BORDERLINE descreve uma faixa de QI
superior à do Retardo Mental (geralmente
71-84). Como discutido anteriormente, um
escore de QI pode envolver um erro de
medição de aproximadamente 5 pontos,
dependendo do instrumento de testagem.
Portanto, é possível diagnosticar Retardo
Mental em indivíduos com escores de QI
entre 71 e 75, desde que eles apresentem
déficits significativos no comportamento
adaptativo que satisfaçam os critérios para
Retardo Mental.
A diferenciação entre Retardo Mental Leve
e Funcionamento Intelectual Borderline exige
criteriosa consideração de todas as
informações disponíveis.
TRANSTORNOS DE CONDUTA
CARACTERÍSTICAS DIAGNÓSTICAS:
● A característica essencial do Transtorno da
Conduta é um padrão repetitivo e
persistente de comportamento no qual são
violados os direitos básicos dos outros ou
normas ou regras sociais importantes
apropriadas à idade (Critério A).
Esses comportamentos caem em
quatro agrupamentos principais: conduta
agressiva que causa ou ameaça danos físicos a
outras pessoas ou a animais (Critérios A1-A7),
conduta não agressiva que causa perdas ou
danos a propriedades (Critérios A8-A9),
defraudação ou furto (Critérios A10-A12) e
sérias violações de regras (Critérios A13-A15).
● Três (ou mais) comportamentos
característicos devem ter estado presentesdurante os últimos 12 meses, com
presença de pelo menos um desses nos
últimos 6 meses.
● A perturbação do comportamento causa
prejuízo clinicamente significativo no
funcionamento social, acadêmico ou
ocupacional (Critério B).
● O Transtorno da Conduta pode ser
diagnosticado em indivíduos com mais de
18 anos, mas apenas se os critérios para
Transtorno da Personalidade Antissocial
não são satisfeitos (Critério C).
O padrão de comportamento em geral está
presente em uma variedade de contextos, tais
como em casa, na escola ou comunidade.
As crianças ou adolescentes com este
transtorno frequentemente iniciam o
comportamento agressivo e reagem
agressivamente aos outros.
● Elas podem exibir um comportamento de
provocação, ameaça ou intimidação
(Critério A1);
● Iniciar lutas corporais frequentes (Critério
A2);
● Usar uma arma que possa causar sério
dano físico (por ex., um bastão, tijolo,
garrafa quebrada, faca ou arma de fogo)
(Critério A3);
● Ser fisicamente cruéis com pessoas
(Critério A4) ou animais (Critério A5);
● Roubar em confronto com a vítima (por
ex., "bater carteira", arrancar bolsas,
extorquir ou assaltar à mão armada)
(Critério A6);
● Forçar alguém a manter atividade sexual
consigo (Critério A7). A violência física
pode assumir a forma de estupro, agressão
ou, em casos raros, homicídio.
● A destruição deliberada da propriedade
alheia é um aspecto característico deste
transtorno, podendo incluir a provocação
deliberada de incêndios com a intenção de
causar sérios danos (Critério A8) ou
destruição deliberada da propriedade
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alheia de outras maneiras (por ex., quebrar
vidros de automóveis, praticar vandalismo
na escola) (Critério A9).
● A defraudação ou furto é comum, podendo
incluir a invasão de casa, prédio ou
automóvel alheios (Critério A10);
● Mentir ou romper promessas com
frequência para obter bens ou favores ou
para evitar débitos ou obrigações (por ex.,
ludibriar outras pessoas) (Critério A11);
● Furtar objetos de valor sem confronto com
a vítima (por ex., furtar em lojas, falsificar
documentos) (Critério A12).
Caracteristicamente, os indivíduos com
este transtorno também cometem sérias
violações de regras (por ex., escolares,
parentais).
● As crianças com o transtorno
frequentemente apresentam um padrão,
iniciando-se antes dos 13 anos, de
permanência fora de casa até tarde da
noite, apesar de proibições dos pais
(Critério A13).
● Pode haver um padrão de fugas de casa
durante a noite (Critério A14). Para ser
considerada um sintoma de Transtorno da
Conduta, a fuga deve ter ocorrido pelo
menos duas vezes (ou apenas uma vez,
sem o retorno do indivíduo por um extenso
período).
Os episódios de fuga que ocorrem
como consequência direta de abuso físico
ou sexual não se qualifica tipicamente para
este critério.
● As crianças com este transtorno podem,
com frequência, faltar à escola sem
justificativa, iniciando-se este
comportamento antes dos 13 anos
(Critério A15).
Em indivíduos mais velhos, isso se
manifesta por constantes ausências do
emprego, sem uma boa razão.
SUBTIPOS: Dois subtipos de Transtorno da
Conduta são oferecidos, com base na idade de
início do transtorno (isto é, Tipo com Início na
Infância e Tipo com Início na Adolescência).
Ambos os subtipos podem ocorrer de
forma leve, moderada ou severa.
Na avaliação da idade de início do
transtorno, as informações devem ser obtidas,
preferivelmente, do jovem e de seus
responsáveis. Uma vez que muitos dos
comportamentos podem ser ocultados, os pais
ou responsáveis podem não relatar todos os
sintomas e superestimar a idade de seu início.
● TIPO COM INÍCIO NA INFÂNCIA
Este subtipo é definido pelo início de pelo
menos um critério característico de Transtorno
da Conduta antes dos 10 anos de idade.
Os indivíduos com o Tipo com Início na
Infância em geral são do sexo masculino,
frequentemente demonstram agressividade
física para com outros, têm relacionamentos
perturbados com seus pares, podem ter
Transtorno Desafiador Opositivo durante um
período precoce da infância e geralmente
apresentam sintomas que satisfazem todos os
critérios para Transtorno da Conduta antes da
puberdade.
Esses indivíduos estão mais propensos a
terem Transtorno da Conduta persistente e a
desenvolverem Transtorno da Personalidade
Antissocial na idade adulta do que aqueles com
o Tipo com Início na Adolescência.
● TIPO COM INÍCIO NA ADOLESCÊNCIA
Este subtipo é definido pela ausência de
quaisquer critérios característicos do
Transtorno da Conduta antes dos 10 anos de
idade.
Em comparação com o Tipo com Início na
Infância, esses indivíduos estão menos
propensos a apresentar comportamentos
agressivos e tendem a ter relacionamentos
mais normais com seus pares (embora
freqüentemente apresentem problemas de
conduta na companhia de outros).
Eles também estão menos propensos a
terem um Transtorno da Conduta persistente
ou a desenvolverem Transtorno da
Personalidade Antissocial na idade adulta.
A razão de homens para mulheres com
Transtorno da Conduta é menor para o Tipo
com Início na Adolescência do que para o Tipo
com Início na Infância.
NÍVEIS DE GRAVIDADE
● LEVE: Poucos problemas de conduta — se
existem — excedendo aqueles necessários
para fazer o diagnóstico estão presentes, e
os problemas de conduta causam danos
relativamente pequenos a outros (por ex.,
mentiras, gazetas à escola, permanência na
rua à noite sem permissão).
● MODERADO: O número de problemas de
conduta e o efeito sobre os outros são
intermediários entre "leves" e "severos"
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
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(por ex., furtos sem confronto com a
vítima, vandalismo).
● SEVERO: Muitos problemas de conduta
além daqueles necessários para fazer o
diagnóstico estão presentes, ou os
problemas de conduta causam danos
consideráveis a outros (por ex., sexo
forçado, crueldade física, uso de arma,
roubo com confronto com a vítima,
arrombamento e invasão).
CARACTERÍSTICAS E TRANSTORNOS
ASSOCIADOS: Os indivíduos com Transtorno da
Conduta podem ter pouca empatia e pouca
preocupação pelos sentimentos, desejos e
bem-estar alheios.
Especialmente em situações ambíguas,
os indivíduos agressivos com este transtorno
em geral percebem mal as intenções dos
outros, interpretando-as como mais hostis e
ameaçadoras do que de fato são, e respondem
com uma agressão que então percebem como
razoável e justificada.
Eles podem ser grosseiros e não
possuir sentimentos apropriados de culpa ou
remorso.
Pode ser difícil avaliar a autenticidade
do remorso demonstrado, pois esses indivíduos
aprendem que a expressão de culpa pode
reduzir ou evitar punições.
Os indivíduos com este transtorno
podem facilmente delatar seus companheiros e
tentar culpar outras pessoas por seus atos.
A autoestima em geral é baixa, embora
o indivíduo possa projetar uma imagem de
"durão".
Fraca tolerância à frustração,
irritabilidade, acessos de raiva e imprudência
são aspectos frequentemente associados.
O Transtorno da Conduta
freqüentemente está associado com um início
precoce de comportamento sexual, consumo
de álcool, uso de substâncias ilícitas e atos
imprudentes e arriscados. O uso de drogas
ilícitas pode aumentar o risco de persistência
do Transtorno da Conduta.
Os comportamentos do Transtorno da
Conduta podem levar à suspensão ou expulsão
da escola, problemas de ajustamento notrabalho, dificuldades legais, doenças
sexualmente transmissíveis, gravidez não
planejada e ferimentos por acidentes ou lutas
corporais.
Esses problemas podem impedir o
comparecimento a escolas normais ou à vida na
casa dos pais ou em lares adotivos.
Ideação suicida, tentativas de suicídio.
O Transtorno da Conduta pode estar
associado com inteligência inferior à média.
O rendimento escolar, particularmente
em leitura e outras habilidades verbais, em
geral está abaixo do nível esperado com base
na idade e na inteligência, podendo justificar o
diagnóstico adicional de Transtorno da
Aprendizagem ou Transtorno da
Comunicação.
O Transtorno de Déficit de
Atenção/Hiperatividade é comum em crianças
com Transtorno da Conduta.
O Transtorno da Conduta também
pode estar associado com um ou mais dos
seguintes transtornos mentais: Transtornos da
Aprendizagem, Transtorno de Ansiedade,
Transtorno do Humor e Transtornos
Relacionados a Substâncias.
Os seguintes fatores podem predispor
o indivíduo ao desenvolvimento do Transtorno
da Conduta: rejeição e negligência parental,
temperamento difícil no bebê, práticas
inconsistentes de criação dos filhos com
disciplina rígida, abuso físico ou sexual, falta de
supervisão, institucionalização nos primeiros
anos de vida, mudanças frequentes dos
responsáveis pela criança, família muito
numerosa, associação com um grupo de
companheiros delinquentes e certas espécies
de psicopatologia na família.
ASPECTOS ESPECÍFICOS À CULTURA, À IDADE E
AO GÊNERO: Consoante à definição de
transtorno mental do DSM-IV, o diagnóstico de
Transtorno da Conduta aplica-se apenas
quando o comportamento em questão é
sintomático de uma disfunção básica interior ao
indivíduo e não uma mera reação ao contexto
social imediato.
Além disso, jovens imigrantes de
países assolados pela guerra, com uma história
de comportamentos agressivos que podem ter
sido necessários à sua sobrevivência naquele
contexto, não indicariam, necessariamente, um
diagnóstico de Transtorno da Conduta.
Comportamentos menos severos (por
ex., mentir, furtar em lojas, entrar em lutas
corporais) tendem a emergir primeiro,
enquanto outros (por ex., roubo) tendem a
manifestar-se mais tarde. Entretanto, existem
amplas diferenças entre os indivíduos, sendo
que alguns se envolvem em comportamentos
mais prejudiciais em uma idade precoce.
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
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O Transtorno da Conduta,
especialmente do Tipo com Início na Infância, é
muito mais comum no sexo masculino.
As diferenças entre gêneros também
são encontradas em tipos específicos de
problemas de conduta. Os homens com um
diagnóstico de Transtorno da Conduta
frequentemente apresentam lutas, furtos,
vandalismo e problemas de disciplina na escola.
As mulheres com diagnóstico de
Transtorno da Conduta tendem mais a
apresentar mentiras, gazeta à escola, fugas, uso
de substâncias e prostituição. Enquanto a
agressão com confronto é mais comum entre
os homens, as mulheres tendem mais a usar
comportamentos sem confronto.
PREVALÊNCIA: superior em contextos urbanos,
em comparação com a área rural.
As taxas variam amplamente,
dependendo na natureza da população
amostrada e dos métodos de determinação:
para os homens com menos de 18 anos, as
taxas variam de 6 a 16%; para as mulheres, as
taxas vão de 2 a 9%.
O Transtorno da Conduta é uma das
condições mais frequentemente diagnosticada
em instituições de saúde mental ambulatoriais
e de internação para crianças.
• CURSO: O Transtorno da Conduta pode
iniciar já aos 5 ou 6 anos de idade, mas
habitualmente aparece ao final da infância ou
início da adolescência.
O início após os 16 anos é raro.
O curso do Transtorno da Conduta é
variável. Na maioria dos indivíduos, ele
apresenta remissão na idade adulta.
Entretanto, uma proporção substancial dos
indivíduos continua apresentando, na idade
adulta, comportamentos que satisfazem os
critérios para Transtorno da Personalidade
Antissocial.
Muitos indivíduos com Transtorno da
Conduta, particularmente aqueles com Tipo
com Início na Adolescência e aqueles com
sintomas mais leves e em menor número,
conseguem um ajustamento social e
profissional na idade adulta.
O início precoce prediz um pior
prognóstico e um risco aumentado de
Transtorno da Personalidade Antissocial e
Transtornos Relacionados a Substâncias na vida
adulta.
Os indivíduos com Transtorno da
Conduta estão em risco de posteriormente
desenvolver Transtorno do Humor ou
Transtorno de Ansiedade, Transtornos
Somatoformes e Transtornos Relacionados a
Substâncias.
PADRÃO FAMILIAL: Estimativas obtidas a partir
de estudos de gêmeos e de adoções mostram
que o Transtorno da Conduta tem
componentes tanto genéticos quanto
ambientais.
O risco de Transtorno da Conduta é
maior em crianças com um dos pais biológicos
ou adotivos com Transtorno da Personalidade
Antissocial ou um irmão com Transtorno da
Conduta.
O transtorno também parece ser mais
comum em filhos de pais biológicos com
Dependência de Álcool, Transtornos do Humor
ou Esquizofrenia ou pais biológicos com história
de Transtorno de Déficit de
Atenção/Hiperatividade ou Transtorno da
Conduta.
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
● TRANSTORNO DESAFIADOR OPOSITIVO
inclue algumas das características
observadas no Transtorno da Conduta (por
ex., desobediência e oposição a figuras de
autoridade), ele não inclui o padrão
persistente das formas mais sérias de
comportamento, nas quais são violados os
direitos básicos dos outros ou as normas
ou regras sociais apropriadas à idade.
Quando o padrão de comportamento do
indivíduo satisfaz os critérios para Transtorno
da Conduta e Transtorno Desafiador Opositivo,
o diagnóstico de Transtorno da Conduta
assume precedência e não é diagnosticado o
Transtorno Desafiador Opositivo.
● Crianças com TRANSTORNO DE DÉFICIT DE
ATENÇÃO/HIPERATIVIDADE
frequentemente apresentem um
comportamento impulsivo ou hiperativo
que pode ser perturbador, este
comportamento, em si, não viola as
normas sociais apropriadas à idade e,
portanto, não satisfaz, habitualmente, os
critérios para o Transtorno da Conduta.
Quando são satisfeitos os critérios para
Transtorno de Déficit de
Atenção/Hiperatividade e Transtorno da
Conduta, aplicam-se ambos os diagnósticos.
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
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● Irritabilidade e problemas de conduta
frequentemente ocorrem em crianças ou
adolescentes que passam por um Episódio
Maníaco. Esses geralmente podem ser
diferenciados do padrão de problemas de
conduta vistos no Transtorno da Conduta,
com base no curso episódico e sintomas
concomitantes característicos de um
Episódio Maníaco.
● Se os critérios para ambas as condições são
satisfeitos, aplicam-se os diagnósticos
tanto de Transtorno da Conduta quanto de
Transtorno Bipolar I.
● TRANSTORNO DE AJUSTAMENTO (Com
Perturbação da Conduta ou Com
Perturbação Mista das Emoções e
Conduta) deve ser considerado se
problemas de conduta clinicamente
significativos que não satisfazem os
critérios para um outro transtorno
específico se desenvolvem em clara
associação com o início de um estressor
psicossocial.
● Problemas de conduta isolados que não
satisfazem os critérios para Transtorno da
Conduta ou Transtorno de Ajustamento
podem ser codificados como
Comportamento Antissocial da Criança ou
Adolescente.
● O Transtorno da Conduta é diagnosticado
apenas se os problemas de conduta
representamum padrão repetitivo e
persistente associado com prejuízo no
funcionamento social, acadêmico ou
ocupacional.
● Para indivíduos com mais de 18 anos, um
diagnóstico de Transtorno da Conduta
aplica-se apenas se não forem satisfeitos
os critérios para Transtorno da
Personalidade Antissocial.
● O diagnóstico de Transtorno da
Personalidade Antissocial é vedado a
indivíduos com menos de 18 anos.
FATORES QUE INFLUENCIAM O
DESENVOLVIMENTO
NEUROPSICOMOTOR
ASFIXIA PERINATAL: A asfixia perinatal é uma
das principais causas de óbito em recém-
nascidos (RN) e também a causa mais
importante de encefalopatia e lesão cerebral
permanente em crianças.
A prevalência de asfixia perinatal varia
na literatura de três a seis por 1000 nascidos
vivos e a de encefalopatia hipóxico-isquêmica
(EHI) de 0,3 a dois por 1000 nascidos vivos de
termo.
A Organização Mundial da Saúde
(OMS) estimou em 1995 que de 130 milhões de
nascimentos mundiais por ano, quatro milhões
apresentavam asfixia perinatal, e destes um
milhão evoluíam com sequelas graves.
A asfixia perinatal é definida como
agravo ao feto ou ao RN, ocasionado por uma
falta de oxigênio (hipoxemia) e/ou uma falta de
perfusão (isquemia) de vários órgãos, de
magnitude suficiente para produzir alterações
bioquímicas e/ou funcionais.
A encefalopatia hipóxico-isquêmica
ocorre quando a asfixia compromete a
perfusão tecidual com significativa diminuição
da oferta de oxigênio, mudando o metabolismo
celular de aeróbico para anaeróbico, com
consequente disfunção múltipla de órgãos e
graves lesões cerebrais manifestada por
convulsões e outros sinais neurológicos.
A hipoxemia costuma ocorrer intra-
útero, por causas maternas e fetais em 20% dos
casos; durante o trabalho de parto em 35%, e
ainda na vida pós-natal em 10% dos casos
7,8
.
Entre os escores que medem a
gravidade do comprometimento neurológico
do RN com EHI, citamos o de Sarnat e Sarnat
(1976), que classifica o paciente em três
estágios conforme o nível de consciência, o
tônus muscular, a postura, os reflexos
tendinosos, a presença ou não de mioclonias e
a alteração das funções autonômicas.
OUTROS FATORES: Com o crescimento ocorre a
aquisição gradual das habilidades latentes de
uma criança.
Estágio por estágio, as primeiras
aquisições motoras são modificadas,
elaboradas e adaptadas para padrões e
habilidades de movimentos mais finos e
seletivos, sendo este desenvolvimento um
processo de mudança no comportamento
motor, o qual está relacionado com a idade da
criança.
Uma grande preocupação se concentra
no fato de que há maior vulnerabilidade
biológica em lactentes que tiveram condições
desfavoráveis ao nascimento e continuam
sofrendo adversidades ao longo do primeiro
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
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ano de vida, quando ocorrem importantes
mudanças em seu sistema nervoso central.
O sistema nervoso da criança está em
constante transformação e a combinação entre
os fatores genéticos e ambientais é o que
determina o seu desenvolvimento.
A interação entre o ambiente e
individuo é enfatizada pela teoria ecológica
proposta por James Gibson, no qual o indivíduo
explora ativamente o ambiente.
Desta forma, o contexto ou ambiente
em que as crianças estão inseridas e as
exigências das tarefas propostas têm grande
influência na aquisição de novas habilidades.
A instituição de abrigo consiste em um
ambiente ecológico de extrema importância
para as crianças e adolescentes
institucionalizados. É o local onde realizam um
grande número de atividades, funções e
interações, sendo um ambiente com potencial
para o desenvolvimento de relações recíprocas
de equilíbrio, de poder e de afeto.
Ainda assim, essas crianças sofrem
privação materna associada à carência de
estímulos podendo acarretar em atraso no
desenvolvimento motor.
A família proporciona para a criança
um ambiente de carinho, amor, segurança,
proteção, e também valores, religião, além de
condições materiais, lazer, passeios, existe o
apoio emocional, todo este suporte
proporciona a criança um desenvolvimento
saudável.
É importante a detecção precoce de
alterações no desenvolvimento motor da
criança para que a intervenção possa ocorrer
nos períodos oportunos para o
desenvolvimento das funções visuais e
motoras.
Crianças que frequentam centros
infantis têm maior risco de adquirir infecções,
acarretando maior probabilidade para atraso
no desenvolvimento e crescimento infantil.
Nos países em desenvolvimento,
grande parte da população vive em estado de
pobreza ou miséria, o que pode interferir na
qualidade das refeições, onde as crianças
recebem os elementos construtivos necessários
ao seu crescimento.
Acompanhar a criança nos dois
primeiros anos de vida extrauterina é de
fundamental importância, pois é nesta etapa
que o organismo mais cresce e amadurece,
estando mais sujeito aos agravos.
O crescimento se refere às mudanças
de ordem quantitativa, no aumento da estatura
e do peso corporal.
O desenvolvimento, por sua vez, pode
ser definido como a capacidade do indivíduo de
realizar funções cada vez mais complexas.
O crescimento e o desenvolvimento
sofrem a influência de fatores intrínsecos
(geneticamente determinados) e extrínsecos
(condições socioeconômicas, de saúde e
nutrição, assim como o ambiente em que a
criança vive após o nascimento).
Todo ser humano nasce com potencial
genético de crescimento e desenvolvimento,
que poderá ou não ser alcançado, dependendo
das condições de vida que lhe sejam
propiciadas.
Existe o risco de 200 milhões de
crianças abaixo de cinco anos em países em
desenvolvimento não alcançarem seu potencial
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
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de desenvolvimento cognitivo devido à
pobreza, saúde e nutrição deficitárias e falta de
cuidados e estimulação adequados.
A baixa renda familiar foi o fator que
demonstrou ter maior associação com a
suspeita de atraso.
BAIXO PESO AO NASCER E NUTRIÇÃO: Os
recém-nascidos de muito baixo peso ao nascer
(RNMBP) são aqueles que apresentam peso ao
nascer < 1.500g
.
Quanto à gestação, são prematuros
(PT) aqueles com nascimento menor que 37
semanas.
A definição mais aceita de pequenos
para a idade gestacional é a que considera
Pequeno para a Idade Gestacional (PIG) como
os nascidos vivos que apresentam valor inferior
ao percentil 10 de peso ao nascer segundo
idade gestacional.
O peso ao nascer é o melhor preditor
do padrão de saúde imediato e futuro do
recém-nascido (RN), sendo que naqueles RN
com peso ao nascer menor do que 1.500g e
idade gestacional inferior a 32 semanas,
existem relações diretas de fatores de risco de
instalação da hemorragia peri-intraventricular,
à sobrevida e ao crescimento e
desenvolvimento, sendo o muito baixo peso
considerado relevante na taxa de mortalidade
infantil.
O nascimento antes do final do 3°
trimestre predispõe o RN ao risco nutricional,
em razão dos baixos níveis de nutrientes,
crescimento rápido, imaturidade do trato
gastrointestinal.
A adequação nutricional do feto pode
influenciar de forma significante a morbidade e
mortalidade do RN.
Nascer prematuramente coloca o RN
numa condição de grande risco nutricional. A
alimentação representa contínuo desafio para
os responsáveis pela nutrição do neonato,
principalmente daqueles prematuros e de
muito baixo peso ao nascer.
Quando as consequências nutricionais
e metabólicas decorrentes das deficiências são
significativas, levam a alterações em curto e
longoprazo, tais como repercussão no
desenvolvimento cerebral, déficit de
aprendizado e déficit de memória.
DESENVOLVIMENTO VISUAL: nos recém-
nascidos pré-termo (RNTP) que
sobrevivem,tem levado à maior incidência de
distúrbios neurosensorimotores, quando
comparados a bebês a termo, em decorrência
da imaturidade funcional e estrutural nos
sistemas.
As crianças prematuras, no que
concerne ao desenvolvimento visual, estão
mais propensas a desenvolver alterações
oftalmológicas como a retinopatia da
prematuridade, o estrabismo e os erros de
refração resultantes das lesões neurológicas, da
toxidade pela luz e da privação sensorial no
período de intenso desenvolvimento do
sistema visual compreendido entre 28-40
semanas.
Com relação ao desenvolvimento
motor, os prematuros, normalmente
apresentam a alterações do tono muscular,
reflexos primitivos ausentes ou diminuídos e
movimentos espontâneos reduzidos, podendo
apresentar atrasos na aquisição de controle da
motricidade axial, apendicular e visuomotora.
Desse modo, as aquisições visuais e
motoras no primeiro semestre de vida de
lactentes prematuros são fatores que
interferem no aprendizado e desenvolvimento
infantil e estudos relacionados a estas
habilidades são pertinentes, já que a correlação
das funções oculomotoras facilitam no ajuste e
modificação da postura e nos movimentos dos
membros superiores e inferiores.
Além disso, fatores ambientais
(ambiente físico, escolaridade dos pais,
dinâmica familiar e situação econômica),
exercem influência no desenvolvimento motor
e cognitivo de crianças, com consequências
positivas e/ou negativas para o
desenvolvimento infantil.
DESENVOLVIMENTO MOTOR: Existem três
grupos de indicadores de risco para déficit
motor sendo eles:
Risco biológico onde são incluídos RN
com peso de nascimento < 1500 gramas, idade
gestacional < 32 semanas, ventilação mecânica
por mais de 36 horas, hemorragia peri-
intraventricular graus III e IV, anormalidades do
tônus muscular, Apgar < 5 no 5º minuto e
infecções congênitas.
Risco estabelecido que são RN
portadores de hidrocefalia, microcefalia,
anormalidades cromossômicas, anormalidades
musculoesqueléticas, miopatias congênitas e
infecção por HIV.
RNs incluídos no grupo de risco
socioambiental aonde apresentam alto risco
social, abuso materno de drogas e/ou álcool e
anormalidades no estado comportamental.
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
Página 90
Diante desta situação, é importante
monitorar o desenvolvimento desses recém-
nascidos, de forma a detectar precocemente
possíveis desvios para intervir, prevenir ou
minimizar sequelas.
Existem evidencias suficientes de que
quanto mais precoce for o diagnóstico de
atraso e a intervenção, menor será o impacto
desses problemas na vida futura da criança.
É importante avaliar o
desenvolvimento motor de uma maneira
criteriosa através de instrumentos que
conciliem a neuro-maturação com a maturação
da movimentação grosseira e todos seus
fatores qualitativos.
TRANSTORNOS DE
APRENDIZAGEM
TRANSTORNO DA MATEMÁTICA: A
característica essencial do Transtorno da
Matemática consiste em uma capacidade para
a realização de operações aritméticas (medida
por testes padronizados, individualmente
administrados, de cálculo e raciocínio
matemático) acentuadamente abaixo da
esperada para a idade cronológica, a
inteligência medida e a escolaridade do
indivíduo (Critério A).
A perturbação na matemática interfere
significativamente no rendimento escolar ou
em atividades da vida diária que exigem
habilidades matemáticas (Critério B).
Em presença de um déficit sensorial,
as dificuldades na capacidade matemática
excedem aquelas geralmente a este associadas
(Critério C).
Caso esteja presente uma condição
neurológica, outra condição médica geral ou
déficit sensorial, isto deve ser codificado no
Eixo III.
Diferentes habilidades podem estar
prejudicadas no Transtorno da Matemática:
● Habilidades "linguísticas" (por ex.,
compreender ou nomear termos,
operações ou conceitos matemáticos e
transpor problemas escritos em símbolos
matemáticos).
● Habilidades "perceptuais" (por ex,.
reconhecer ou ler símbolos numéricos ou
aritméticos e agrupar objetos em
conjuntos), habilidades de "atenção" (por
ex., copiar corretamente números ou
cifras, lembrar de somar os números
"levados" e observar sinais de operações).
● Habilidades "matemáticas" (por ex., seguir
sequencias de etapas matemáticas, contar
objetos e aprender tabuadas de
multiplicação).
O Transtorno da Matemática em geral é
encontrado em combinação com o Transtorno
da Leitura ou o Transtorno da Expressão
Escrita.
Estima-se que 1% das crianças em idade
escolar têm Transtorno da Matemática.
Embora os sintomas de dificuldade na
matemática (por ex., confusão para conceitos
numéricos ou incapacidade de contar
corretamente) possam aparecer já na pré-
escola ou primeira série, o Transtorno da
Matemática raramente é diagnosticado antes
do final da primeira série, uma vez que ainda
não ocorreu suficiente instrução formal em
matemática até este ponto na maioria dos
contextos escolares.
O transtorno em geral torna-se visível
durante a segunda ou terceira série.
Particularmente quando o Transtorno da
Matemática está associado com alto QI, a
criança pode ser capaz de funcionar no mesmo
nível ou quase no mesmo nível que seus
colegas da mesma série, podendo o Transtorno
da Matemática não ser percebido até a quinta
série ou depois desta.
TRANSTORNO DE LEITURA: A característica
essencial do Transtorno da Leitura consiste em
um rendimento da leitura (isto é, correção,
velocidade ou compreensão da leitura, medidas
por testes padronizados administrados
individualmente) substancialmente inferior ao
esperado para a idade cronológica, a
inteligência medida e a escolaridade do
indivíduo (Critério A).
A perturbação da leitura interfere
significativamente no rendimento escolar ou
em atividades da vida cotidiana que exigem
habilidades de leitura (Critério B).
Na presença de um déficit sensorial, as
dificuldades de leitura excedem aquelas
habitualmente a este associadas (Critério C).
Caso estejam presentes uma condição
neurológica, outra condição médica geral ou
outro déficit sensorial, estes devem ser
codificados no Eixo III.
Em indivíduos com Transtorno da
Leitura (também chamado "dislexia"), a leitura
oral caracteriza-se por distorções, substituições
ou omissões; tanto a leitura em voz alta quanto
a silenciosa caracterizam-se por lentidão e
erros na compreensão.
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
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Dos indivíduos diagnosticados com
Transtorno da Leitura, 60 a 80% são do sexo
masculino.
Os procedimentos de
encaminhamento podem com frequência
apresentar a tendência à identificação de
indivíduos do sexo masculino, uma vez que
estes exibem, com maior frequência, os
comportamentos diruptivos associados aos
Transtornos da Aprendizagem.
A prevalência do Transtorno da Leitura
nos Estados Unidos encontra-se em torno de
4% entre as crianças em idade escolar,
conforme estimativas.
Embora os sintomas de dificuldade de
leitura (por ex., incapacidade de distinguir
entre letras comuns ou de associar fonemas
comuns com as letras) possam ocorrer já na
pré-escola, o Transtorno da Leitura raramente
é diagnosticado antes do final desta ou no
início da primeira série, já que a instrução
formal da leitura geralmente não se inicia até
este ponto na maioria dos contextos escolares.
Particularmente quando o Transtornoda Leitura está associado com alto QI, a criança
pode funcionar adequadamente ou quase tão
bem quanto seus colegas durante os primeiros
anos escolares, podendo o Transtorno da
Leitura não se manifestar totalmente até a
quarta série ou depois dela.
Com a identificação e intervenção
precoces, o prognóstico é bom em uma
percentagem significativa dos casos. O
Transtorno da Leitura pode persistir até a idade
adulta.
O Transtorno da Leitura apresenta
agregação familial, tendo maior prevalência
entre parentes biológicos em primeiro grau de
indivíduos com Transtornos da Aprendizagem.
TRANSTORNO DE EXPRESSÃO ESCRITA: A
característica diagnóstica essencial do
Transtorno da Expressão Escrita consiste de
habilidades de escrita (medidas por um teste
padronizado individualmente administrado ou
avaliação funcional das habilidades de escrita)
acentuadamente abaixo do nível esperado,
considerando a idade cronológica, a
inteligência medida e a escolaridade apropriada
à idade do indivíduo (Critério A).
A perturbação na expressão escrita
interfere significativamente no rendimento
escolar ou nas atividades da vida diária que
exigem habilidades de escrita (Critério B).
Em presença de um déficit sensorial,
as dificuldades nas habilidades de escrita
excedem aquelas geralmente a este associadas
(Critério C).
Este diagnóstico em geral não é dado
quando existem apenas erros ortográficos ou
fraca caligrafia, na ausência de outros prejuízos
na expressão escrita.
À exceção da ortografia, os testes
padronizados nesta área são menos
acuradamente desenvolvidos do que os testes
de leitura ou capacidade matemática, podendo
a avaliação do prejuízo nas habilidades escritas
exigir uma comparação entre amostras amplas
do trabalho escolar escrito do indivíduo e o
desempenho esperado para sua idade e QI.
Embora as dificuldades na escrita (por
ex., caligrafia ou capacidade de copiar
particularmente fracas ou incapacidade de
recordar sequencias de letras em palavras
comuns) possam aparecer já na primeira série
escolar, o Transtorno da Expressão Escrita
raramente é diagnosticado antes do final da
mesma, uma vez que a instrução formal da
escrita habitualmente ainda não ocorreu até
este ponto na maioria dos contextos escolares.
O transtorno em geral é visível na
segunda série. O Transtorno da Expressão
Escrita ocasionalmente pode ser visto em
crianças mais velhas ou em adultos, e pouco se
sabe sobre seu prognóstico a longo prazo.
SISTEMAS FUNCIONAIS DE LÚRIA
Em seu trabalho, Luria demonstrou
que as funções superiores organizam-se em
sistemas funcionais complexos, ou seja, não há
participação de apenas uma área específica do
cérebro, mas sim da ação de várias áreas. Além
disso, preconizou Luria que cérebro está
organizado em três unidades funcionais
principais, cuja atuação "em concerto"
possibilita qualquer tipo de atividade mental.
Em síntese, a teoria de Luria propõe
que a primeira unidade funcional regula o tono,
a vigília e os estados mentais; a segunda
unidade obtém, processa e armazena as
informações que chegam do mundo exterior e
a terceira unidade se encarrega de programar,
regular e verificar a atividade mental.
Uma das características comuns das
unidades funcionais é que elas possuem
estrutura hierarquizada, contendo cada uma
delas áreas primárias (motoras de projeção),
áreas secundárias (motoras superiores) e
terciárias (áreas de associação). Essas três
unidades atuam em conjunto e possibilitam a
realização de funções corticais complexas.
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
Página 92
PRIMEIRA UNIDADE FUNCIONAL: Como se
sabe, toda e qualquer atividade é
desencadeada por algum tipo de estímulo
físico. Esse estímulo, por sua vez, desencadeia
um fluxo de corrente elétrica que trafega
através de conexões neuronais, até atingir o
córtex cerebral. É esse órgão extremamente
complexo que se encarrega de processar a
informação e enviar a resposta através das vias
eferentes.
Entretanto, no caso de funções
mentais complexas, a primeira condição para o
processamento adequado da informação no
cérebro é a necessidade de o sujeito estar em
estado de vigília. É a primeira unidade funcional
que se encarrega de regular o tono, a vigília e
os estados mentais do indivíduo.
Dissertando sobre essa primeira unidade
funcional, Luria atribuiu a Pavlov o mérito de
não só ter inferido que a atividade organizada
no homem dirigida a metas requer a existência
de um nível ótimo de tono cortical, como
também de ter estabelecido três leis
neurodinâmicas que caracterizam esse tono.
● A primeira estabelece que a intensidade da
resposta depende da intensidade do
estímulo.
● A segunda refere que a resposta a um
estímulo requer que haja concentração dos
processos nervosos e equilíbrio entre a
excitação e inibição
● A terceira está relacionada com a
mobilidade dos processos nervosos,
característica que possibilita ao indivíduo
mudar facilmente de uma atividade para
outra.
Todos esses atributos (intensidade,
concentração e mobilidade dos processos
nervosos) são inibidos durante o sono, ou no
estado que o precede.
Interessante destacar que o tono cortical
diminuído perturba a relação entre excitação e
inibição, levando à perda da mobilidade e,
consequentemente, prejudicando o
processamento da informação.
Posteriormente às inferências de Pavlov,
descobriu-se que no cérebro há uma estrutura
cerebral específica denominada de formação
reticular, que é responsável pela manutenção
do estado ótimo do tono cortical.
Essa estrutura, constituída por uma rede
nervosa de neurônios interconectados, situa-se
no subcórtex e no tronco cerebral e tem como
característica a geração de sinais gradativos (e
não do tipo tudo-ou-nada) que modulam o
sistema nervoso.
As fibras da formação reticular formam
dois sistemas: o sistema reticular ascendente e
o sistema reticular descendente.
O primeiro (sistema reticular ascendente)
faz conexões com o tálamo, o núcleo caudado,
o arquicórtex e com o córtex e tem como
função a ativação do córtex e a regulação do
estado de sua atividade.
Já o segundo (sistema reticular
descendente) tem fibras que correm no sentido
oposto, ou seja, partem do neocórtex e seguem
para o arquicórtex, o núcleo caudado, os
núcleos talâmicos, as estruturas mais baixas no
mesencéfalo, no hipotálamo e no tronco
cerebral.
Assim, ao mesmo tempo que os sistemas
da primeira unidade mantêm o tono cortical,
eles próprios são influenciados pelo córtex.
Segundo Luria, diversos experimentos em
animais e em humanos demonstraram que
lesões e/ou estimulação na formação reticular
levam a um ou mais destes estados: diminuição
pronunciada do tono cortical, estado de sono
pronunciado, estado de coma, mudanças
sucessivas no estado de humor (depressão,
indiferença, euforia), distúrbios de consciência,
distúrbios de memória, etc.
Podemos concluir que a primeira unidade
funcional não tem qualquer relação direta com
a recepção, com o processamento das
informações externas, ou com a formação de
intenções de comportamentos complexos
(dirigidos a metas).
Sua única atividade é regular o estado da
atividade cortical e o nível de vigilância,
essencial para toda e qualquer função cortical
superior.
SEGUNDA UNIDADE FUNCIONAL:
Contrariamente à primeira unidade, a segunda
unidade funcional é responsável pela recepção,
análise e pelo armazenamento das
informações.
Do ponto de vista histológico, essa
região é formada por neurônios isolados, que
recebem impulsos individualizados e
transmitem informações por meio de sinais do
tipo tudo-ou-nada.
Quanto à sualocalização, situa-se nas
regiões laterais do neocórtex, sobre a superfície
convexa dos hemisférios, ocupando as regiões
occipital (visual), temporal (auditiva) e parietal
(sensorial geral).
A característica principal dessa
unidade é que a mesma possui grande
especificidade modal, já que está adaptada
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
Página 93
para a recepção de informações visuais,
auditivas, vestibulares ou sensoriais gerais.
A organização da sua estrutura é
hierárquica, formada pelas áreas primárias (ou
de projeção), que recebem e analisam as
informações vindas do exterior; pelas áreas
secundárias (ou motoras de ordem superior),
que codificam e convertem as informações, e
pelas áreas terciárias (de associação), que
coordenam o funcionamento dos vários grupos
analisadores.
Nas áreas primárias, formadas por
neurônios aferentes da lâmina IV, há grande
especificidade de funções.
Os neurônios do sistema visual, por
exemplo, respondem somente aos estímulos
estritamente visuais, como gradação da cor,
movimento e formas dos objetos.
Nas áreas secundárias ocorrem a
recepção, a análise e o armazenamento das
informações que chegam do mundo externo.
Entretanto, esta área age em conjunto com as
zonas terciárias (ou de superposição), que
contribuem para a conversão da percepção
concreta em pensamento abstrato, para a
memorização da experiência e para o
armazenamento da informação.
TERCEIRA UNIDADE FUNCIONAL: A terceira
unidade funcional, responsável pela
programação, regulação e verificação da
atividade consciente do homem, está localizada
nas regiões anteriores dos hemisférios, anterior
ao giro pré-central.
Existem duas diferenças básicas entre
a terceira unidade funcional, eferente, e a
segunda unidade funcional, aferente.
A primeira diferença diz respeito à
organização hierárquica, ou seja, enquanto na
segunda unidade os processos seguem uma via
ascendente (da zona primária para as
secundárias e terciárias), na terceira unidade,
os processos seguem uma via descendente:
começam nos níveis mais altos das zonas
terciárias e secundárias, onde os programas
motores são planejados, e vão para as
estruturas pré-motoras e motoras primárias,
que enviam os impulsos para a periferia.
A segunda diferença é que na terceira
unidade não existem zonas analisadoras
modalmente específicas, como ocorre na
segunda unidade funcional.
As áreas pré-motoras são as áreas
secundárias desta terceira unidade funcional.
Embora exibam o mesmo tipo de organização
morfológica, do tipo vertical estriado, elas
apresentam mais camadas superiores de
células piramidais pequenas.
Assim, a estimulação de partes das
áreas pré-motoras resultará em grupos de
movimentos organizados (como o giro dos
olhos, da cabeça, de todo o corpo, movimento
de preensão das mãos, etc) e não em
movimentos isolados, como ocorre na área
motora primária.
Porém, são nos lobos frontais, mais
precisamente na região pré-frontal, que são
executadas as tarefas mais importantes da
terceira unidade, já que desempenham papel
decisivo na formação de intenções e de
programas de regulação e verificação das
formas mais complexas do comportamento
humano.
A principal característica da região pré-
frontal é que ela faz conexões com todas as
demais áreas do córtex, assim como com os
níveis mais inferiores do cérebro (núcleos
mediais, ventrais, pulvinar do tálamo, etc).
Devido à natureza bidirecional destas
conexões, a região pré-frontal é capaz de não
só receber e sintetizar as informações
recebidas, como também de organizar os
impulsos eferentes, de modo que é capaz de
regular toda a estrutura cerebral.
Como complemento, vale apenas
reforçar que o córtex pré-frontal exerce papel
essencial na regulação do estado de atividade,
o que o torna capaz de proceder a
modificações, segundo as intenções e os planos
formulados.
Estudos em animais que tiveram o
córtex pré-frontal lesado ou extirpado
demonstraram que esta região é essencial para
o comportamento planejado dirigido a metas,
para a síntese dos movimentos dirigidos, para a
emissão de respostas retardadas e para a
regulação e verificação dos comportamentos.
No homem, obviamente, experiências
desse tipo são limitadas e normalmente os
estudos que analisam as sequelas de pacientes
lesionados comprovam que o córtex pré-frontal
é a principal área da atividade consciente do
homem.
Entretanto, não é demais enfatizar que
os processos mentais necessitam do
funcionamento e da participação combinada de
áreas individuais do cérebro.
EDUCAÇÃO ESPECIAL
INTRODUÇÃO: O movimento mundial pela
educação inclusiva é uma ação política,
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
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cultural, social e pedagógica, desencadeada em
defesa do direito de todos os alunos de
estarem juntos, aprendendo e participando,
sem nenhum tipo de discriminação.
A educação inclusiva constitui um
paradigma educacional fundamentado na
concepção de direitos humanos, que conjuga
igualdade e diferença como valores
indissociáveis, e que avança em relação à ideia
de equidade formal ao contextualizar as
circunstâncias históricas da produção da
exclusão dentro e fora da escola.
Ao reconhecer que as dificuldades
enfrentadas nos sistemas de ensino evidenciam
a necessidade de confrontar as práticas
discriminatórias e criar alternativas para
superá-las, a educação inclusiva assume espaço
central no debate acerca da sociedade
contemporânea e do papel da escola na
superação da lógica da exclusão.
A partir dos referenciais para a
construção de sistemas educacionais inclusivos,
a organização de escolas e classes especiais
passa a ser repensada, implicando uma
mudança estrutural e cultural da escola para
que todos os alunos tenham suas
especificidades atendidas.
Nesta perspectiva, o Ministério da
Educação/Secretaria de Educação Especial
apresenta a Política Nacional de Educação
Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva,
que acompanha os avanços do conhecimento e
das lutas sociais, visando constituir políticas
públicas promotoras de uma educação de
qualidade para todos os alunos.
OBJETIVOS: A Política Nacional de Educação
Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva
tem como objetivo o acesso, a participação e a
aprendizagem dos alunos com deficiência,
transtornos globais do desenvolvimento e altas
habilidades/superdotação nas escolas
regulares, orientando os sistemas de ensino
para promover respostas às necessidades
educacionais especiais, garantindo:
● Transversalidade da educação especial
desde a educação infantil até a educação
superior;
● Atendimento educacional especializado;
● Continuidade da escolarização nos níveis
mais elevados do ensino;
● Formação de professores para o
atendimento educacional especializado e
demais profissionais da educação para a
inclusão escolar;
● Participação da família e da comunidade;
● Acessibilidade urbanística, arquitetônica,
nos mobiliários e equipamentos, nos
transportes, na comunicação e informação;
● Articulação intersetorial na implementação
das políticas públicas;
Na perspectiva da educação inclusiva, a
educação especial passa a integrar a proposta
pedagógica da escola regular, promovendo o
atendimento às necessidades educacionais
especiais de alunos com deficiência,
transtornos globais de desenvolvimento e altas
habilidades/superdotação.
Nestes casos e outros, que implicam em
transtornos funcionais específicos, a educação
especial atua de forma articulada com o ensino
comum, orientandopara o atendimento às
necessidades educacionais especiais desses
alunos.
A educação especial direciona suas ações
para o atendimento às especificidades desses
alunos no processo educacional e, no âmbito
de uma atuação mais ampla na escola, orienta
a organização de redes de apoio, a formação
continuada, a identificação de recursos,
serviços e o desenvolvimento de práticas
colaborativas.
TRANSTORNOS INVASIVOS DO
DESENVOLVIMENTO: Os Transtornos Invasivos
do Desenvolvimento caracterizam-se por
prejuízo severo e invasivo em diversas áreas do
desenvolvimento: habilidades de interação
social recíproca, habilidades de comunicação,
ou presença de comportamento, interesses e
atividades estereotipados.
Os prejuízos qualitativos que definem essas
condições representam um desvio acentuado
em relação ao nível de desenvolvimento ou
idade mental do indivíduo. Esta seção abarca:
● Transtorno Autista;
● Transtorno de Rett;
● Transtorno Desintegrativo da Infância;
● Transtorno de Asperger;
● Transtorno Invasivo do Desenvolvimento
Sem Outra Especificação;
Esses transtornos em geral se manifestam
nos primeiros anos de vida e frequentemente
estão associados com algum grau de Retardo
Mental, que, se presente, deve ser codificado
no Eixo II.
Os Transtornos Invasivos do
Desenvolvimento são observados, por vezes,
com um grupo de várias outras condições
médicas gerais (por ex., anormalidades
cromossômicas, infecções congênitas e
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
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anormalidades estruturais do sistema nervoso
central).
Caso essas condições estejam presentes,
elas devem ser registradas no Eixo III.
Embora termos como "psicose" e
"esquizofrenia da infância" já tenham sido
usados com referência a indivíduos com essas
condições, evidências consideráveis sugerem
que os Transtornos Invasivos do
Desenvolvimento são distintos da Esquizofrenia
(entretanto, um indivíduo com Transtorno
Invasivo do Desenvolvimento ocasionalmente
pode, mais tarde, desenvolver Esquizofrenia).
QUOCIENTE INTELECTUAL
COGNIÇÃO: é o ato ou processo da aquisição
do conhecimento que se dá através
da percepção, da atenção, memória, raciocínio,
juízo, imaginação, pensamento e linguagem. A
palavra Cognitione tem origem nos escritos
de Platão e Aristóteles.
É o conjunto dos processos mentais
usados no pensamento na classificação,
reconhecimento e compreensão para o
julgamento através do raciocínio para
o aprendizado de determinados sistemas e
soluções de problemas.
De uma maneira mais simples,
podemos dizer que cognição é a forma como
o cérebro percebe, aprende, recorda e pensa
sobre toda informação captada através
dos cinco sentidos.
INTELIGENCIA: capacidade geral de um
indivíduo é o produto de sua composição
genética e experiências sócio-educativas,
motivação e preferências de personalidade.
É uma entidade complexa, com globais
a capacidade individual de agir
deliberadamente, para pensar racionalmente e
interagir eficazmente com seu ambiente.
WISC: ferramenta clínica para avaliar a
capacidade intelectual de gestão individual de
crianças de 6 anos e 11 meses a 16 anos e 11
meses.
Enquanto habilidades intelectuais
representados na escala pode ser essencial
para o comportamento inteligente são outros
determinantes da inteligência de qualquer
natureza, não é o intelecto, mas habilidades
são características e atitudes pessoais,
incluindo atributos como planejamento e
conscientização dos objectivos , o entusiasmo,
dependência e independência, ansiedade e
persistência.
Fornece informações sobre os pontos
fortes e fraquezas cognitivas de um indivíduo
em um período relativamente curto.
WISC III Desenvolvimento; A pesquisa indica
que as regras para os testes de inteligência ao
longo do tempo tornaram-se obsoletos.
As mudanças parecem ser mais altos
para as medidas de execução verbal
Ao utilizar normas desatualizadas, o QI
de uma criança é geralmente maior do que
quando utilizando padrões atualizados. A
pontuação mais alta pode levar a falsas
expectativas infladas.
Um dos objetivos foi investigar a falta
do fator de distração que está envolvido em
Chaves, a aritmética ea seqüência de dígitos.
O WISC III inclui alterações nos
materiais e procedimentos de ensaio para a
administração, para tornar a experiência mais
interessante para as crianças.
ORGANIZAÇÃO DO TESTE; Inclui 12
subtestes do WISC-R e um novo
subteste, Símbolo Search Subtestes são
organizados em dois grupos: verbais e
desempenho para ser dada de forma
alternada para manter o interesse da
criança
Se alguns dos subtestes
suplementares, ou ambos, são administrados,
além de escores dos subtestes convencionais
não são abrangidos os cálculos CI.
Além dos escores de QI verbal, o
desempenho e pontuação total da escala pode
ser calculada com base em quatro fatores: 1)
Compreensão Verbal, 2) Organização
Perceptual, 3) ausência de distração e 4)
Velocidade de processamento
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
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WISC III - APLICAÇÃO
Útil para: avaliação psicoeducacional,
como parte do planejamento educacional, e
diagnóstico de excepcionalidade entre crianças
de escola, a avaliação clínica e neuropsciológica
e pesquisa.
Um profissional pode querer reavaliar
os pontos fortes e fraquezas cognitivas de uma
criança quando os resultados dos testes iniciais
são de validade questionável devido à distração
das crianças, a doença ou má comunicação com
o examinador. O examinador deve estar ciente
dos efeitos da prática: um aumento, por
exemplo, dos escores.
Os subtestes de desempenho são mais
sensíveis à prática dos subtestes verbais: O
examinador deve tentar obter o maior tempo
possível decorrido entre duas administrações.
O DIAGNÓSTICO DE RETARDO MENTAL: Para
diagnosticar um indivíduo é mentalmente
retardado é necessário que este apresente
sinais de funcionamento abaixo da média tanto
em funcionamento intelectual e
comportamento adaptativo em uma variedade
de mídias, desempenho significativamente
inferior em uma avaliação como o WISC II, é
uma parte necessária de fazer um diagnóstico
de deficiência mental, mas não o suficiente
para estabelecer o diagnóstico.
Uma baixa pontuação pode refletir uma
deficiência intelectual, mas também extrema e
linguística diferenças culturais do indivíduo a
partir da padronização do teste.
O DIAGNÓSTICO DE TALENTOS: Talento:
invulgarmente elevado desempenho em
diversos domínios, para além do campo
intelectual.
O WISC III é necessário identificar as
crianças com elevada capacidade intelectual,
porque as normas CI tem um alcance de até
mais de três desvios padrão acima da média
para os pares da mesma idade de uma criança.
O DIAGNÓSTICO DOS DANOS
NEUROPSICOLÓGICOS: Embora não se destina
escalas Wechsler inicialmente eram seus
instrumentos de avaliação neuropsicológica, o
desempenho de acordo com as escalas
Wechsler é considerado como parte de um
deles.
OS PRINCÍPIOS BÁSICOS PARA A UTILIZAÇÃO
DO WISC-III
● APLICÁVEL FAIXAS ETÁRIAS, foi
desenvolvido para uso com crianças de 6
anos e 11 anos e 11 meses. Coincide com
o R-WIPPSI para crianças de 6 anos e 7
anos e 3 meses de idade. Para as crianças
que mostram uma capacidade abaixo da
média é usada passado.● DURAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO: a bateria
normal requer aproximadamente 50 a 70
minutos, e subtestes do adicional de 10 a
15 minutos mais. Se você fazer o teste em
duas sessões deve ser um período de
menos de uma semana.
● AS CONDIÇÕES FÍSICAS para minimizar
qualquer distração ou interferência
possível, o teste deve ser administrada
numa zona tranquila, bem ventilado e
adequadamente iluminado.
ESCORE DE RESPOSTAS
● Analogias, vocabulário e compreensão: a
pontuação das respostas requerem o
parecer do examinador. 1 ponto é
atribuído a qualquer resposta que seja
equivalente ou inferior ao das respostas
das amostras. Será atribuído 0 pontos a
qualquer resposta que é igual ou menor
que as respostas de 0 pontos de amostra e
atribuído 2 pontos a qualquer resposta que
é melhor ou equivalente, com as respostas
dos dois pontos de amostragem.
● Respostas a entrevista (quando você
adicionar uma pergunta): para avaliar uma
resposta, ou seja, o dado de forma
espontânea e da parte afetada após o
interrogatório.
● Respostas remendada: o desenvolvimento
da criança revela um equívoco sobre o
item e fazer qualquer resposta considerada
incorreta
● Pobre de resposta: é qualquer resposta
que não melhora a resposta espontânea,
mas que não revela um totalmente errado
sobre o item
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
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● Várias respostas: se a substituir uma
criança tenta responder a uma segunda ou
terceira categoria apenas o último. Para
quem tem pouco tempo para marcar o
último de tempo.
Se a criança responde com uma direita
e uma resposta errada, pergunte o que
você escolher
DETERMINAÇÃO DE QI E DE PONTUAÇÃO DO
ÍNDICE : tabelas específicas são utilizadas para
converter o escore verbal, pontuação de
desempenho ea pontuação da escala de QI
equivalente completo. E outras tabelas para
converter o escore de compreensão verbal,
organização perceptual pontuação, a
pontuação para não distractibility pontuação e
índice de pontuação velocidade de
processamento.
Se uma criança recebe uma
pontuação bruta de 0 em um subteste do WISC
III não indica que não tem capacidade total
medido pelo subteste, indicando que a
capacidade de a criança não pode ser
determinada pelo número de itens do subteste
do WISC III.
IDADE TESTE DE DETERMINAÇÃO: Para cada
intervalo de idade, o escore bruto corresponde
a uma pontuação na escala de 10 representa o
desempenho médio para essa idade. O escore
bruto obtido em no subteste esquerda do lado
da mesa e fazer tudo subteste Procurar
DESCRIÇÃO TÉCNICA: A WISC-III é a terceira
edição da Escala de Inteligência para Crianças
de David Wechsler, completamente revista e
atualizada.
Embora mantenha a mesma estrutura
que a WISC e que a WISC-R, a WISC-III
apresenta várias novidades, designadamente
ao nível dos materiais (p.e. estímulos visuais
impressos a cores), dos conteúdos (p.e.
substituição de itens que se mostravam
desatualizados), dos procedimentos de
administração e da análise dos resultados.
A WISC-III inclui doze subtestes da
WISC-R, bem como um novo subteste: Pesquisa
de Símbolos. Os subtestes dividem-se em dois
grupos: verbais e de realização.
Os subtestes verbais são:
● Informação
● Semelhanças
● Aritmética
● Vocabulário
● Compreensão
● Memória de Dígitos (subteste
opcional)
Os subtestes de realização são:
● Completamento de Gravuras
● Código
● Disposição de Gravuras
● Cubos
● Composição de Objetos
● Pesquisa de Símbolos (subteste
opcional)
● Labirintos (subteste opcional)
O desempenho das crianças e dos
adolescentes poderá ser analisado em termos
de subtestes e de seis resultados compósitos:
QI Verbal, QI de Realização, QI da Escala
Completa, Índice Compreensão Verbal, Índice
Organização Percetiva e Índice Velocidade de
Processamento.
O Manual Técnico inclui alguns estudos
comparativos entre a WISC-III e outras medidas
da inteligência (p.e., WISC, WPPSI-R e Matrizes
Progressivas Coloridas de Raven) assim como
estudos com populações especiais (p.e.,
deficiência mental, dificuldades de
aprendizagem, inteligência superior, epilepsia,
TCE, PHDA, etc.).
DESCRIÇÃO FÍSICA
A WISC-III é constituída pelo seguinte material:
● Manual Técnico
● Folhas de Registo
● Caderno para Pesquisa de Símbolos
● Caderno para Labirintos
● Kit de Materiais Estandardizados
o Caderno de Estímulos
o Caixa com 15 conjuntos de cartões
(Disposição de Gravuras)
o Cartões com problemas para
Aritmética
o Caixa com 9 cubos
o 6 Puzzles para Composição de Objetos
o Cartão de Apresentação (biombo) para
Composição de Objetos
o Grelhas de Correção: Código e
Pesquisa de Símbolos
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TRATAMENTO
Deficiencia mental ainda não tem tratamento
definitivo. O que se deve fazer é preparar esta
pessoa, segundo métodos especiais, para viver
o mais próximo possível da realidade de nossa
sociedade, prepara-la para se adaptar ao nosso
mundo ao dela.
Os tratamentos incluem: identificação
precoce da condição, envolvimento em
programas especiais de educação, medicação
quando indicada aos transtornos associados à
deficiência, pois a patologia em si ainda não
dispõe de tratamento especifico. Estes casos
envolvem: convulsões, hidrocefalia,
irritabilidade, comportamento social
inadequado, hiperatividade ou agressividade,
Os medicamentos visam controle dos sintomas
e retardo do surgimento de outras doenças
associadas ao retardo.
Tampem é imprescindível a
psicoterapia individual, terapia familiar e(ou)
social. A pessoa com retardo mental pode
receber tratamento até os 21 anos, devendo
ser feito um planejamento a longo prazo, de
imediato, por familiares e serviço social.
O processo deve ser monitorado
através de planejamento educacional, check-
ups físicos e avaliações psicológicas periódicas.
INTERVENÇAO PSICOSOCIAL:
● EDUCAÇÃO
o Informações claras e precisas à
família a respeito do transtorno
● PROGRAMA DE TREINAMENTO PARA OS
PAIS
o Aprender a manejar sintomas
o Planejamento de atividades
● DESEMPELHO ESCOLAR
o Orientação para professores
o Sala de aula estruturada, com
poucos alunos
o Rotinas diárias consistentes e ambiente
escolar previsível manter controle
emocional
o Estratégias de ensino ativo que incorporem
a atividade fisica com o processo de
aprendizagem
o Tarefas não devem ser longas e necessitam
ser explicadas passo a passo
o Maximo possivel de atendimento
individualizado
o Quando necessário: acompanhamento
psicopedagogo centrado na forma de
aprendizado
o Planejamento do tempo e das atividades
● Tratamento reeducativo psicomotor
melhorar controle do movimento
PSICOTERAPIA INDIVIDUAL
● Abordagem das co-morbidades
● Abordagem dos sintomas que comumente
acompanham a TDAH (baixa estima,
dificuldade de controle de impulsos,
capacidades sociais pobres)
INTERVENÇÃO PSICOFARMACOLOGICA
● A indicação para psicofármacos para o tdah
depende das comorbidades presentes
o Os estimulantes atuam no cérebro
inibindo as áreas responsáveis pela
hiperatividade
o 70% dos pacientes que procuram
ambulatórios apresentam
comorbidades
● 1ª indicação estimulante
● Se necessário agregar inibidor seletivo
da recaptação de serotonina fluoxetina
o No brasil, o únicoestimulante no
mercado metilfenidato. 20 –
60mg/dia, 2 x dia
o Efeitos colaterais: Falta de apetite,
Insônia, Retardo no crescimento
● A indicação para suspensão ocorre quando
o paciente apresenta um período de certa
de um ano assintomático, ou quando há
melhora importante da sintomatologia
● Antidepressivos tricíclicos são indicados
nos casos em que não há resposta aos
estimulantes e na presença de
comorbidades com transtorno de tique ou
enurese
TRANSTORNOS INVASIVOS DO
DESENVOLVIMENTO
TRANSTORNO AUTISTA Presença de um
desenvolvimento acentuadamente anormal ou
prejudicado na interação social e comunicação
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e um repertório marcantemente restrito de
atividades e interesses.
Presença de um desenvolvimento
acentuadamente anormal ou prejudicado:
● na interação social
● Comunicação
● Repertório marcantemente restrito de
atividades e interesses.
As manifestações do transtorno variam
imensamente, dependendo do nível de
desenvolvimento e idade cronológica do
indivíduo.
Prejuízo na interação social recíproca é
amplo e persistente
Critério a1a: prejuízo marcante no uso de
múltiplos comportamentos não-verbais (por
ex., contato visual direto, expressão
facial, posturas e gestos corporais) que regulam
a interação social e a comunicação
Critério a1b: pode haver um fracasso em
desenvolver relacionamentos com seus pares
que sejam apropriados ao nível de
desenvolvimento, os quais assumem diferentes
formas, em diferentes idades.
Cirtério a1c: os indivíduos mais jovens
podem demonstrar pouco ou nenhum interesse
pelo estabelecimento de amizades;
Os mais velhos podem ter interesse por
amizades, mas não compreendem as
convenções da interação social.
Pode ocorrer uma falta de busca
espontânea pelo prazer compartilhado,
interesses ou realizações com outras pessoas
(por ex., não mostrar, trazer ou apontar para
objetos que consideram interessantes)
Critério a1d: uma falta de reciprocidade
social ou emocional pode estar presente
Os indivíduos com este transtorno podem
ignorar as outras crianças (incluindo os irmãos),
podem não ter idéia das necessidades dos
outros, ou não perceber o sofrimento de outra
pessoa.
O prejuízo na comunicação também é
marcante e persistente, afetando as
habilidades tanto verbais quanto não-verbais..
Critério 2aa: pode haver atraso ou falta
total de desenvolvimento da linguagem falada
Critério 2ab: em indivíduos que chegam a
falar, pode existir um acentuado prejuízo na
capacidade de iniciar ou manter uma
conversação
Critério 2ac: um uso estereotipado e
repetitivo da linguagem ou uma linguagem
idiossincrática
Critério 2ad: podem estar ausentes os
jogos variados e espontâneos de faz-de-conta
ou de imitação social apropriados ao nível
de desenvolvimento
Quando a fala chega a se desenvolver,
o timbre, a entonação, a velocidade, o ritmo ou
a ênfase podem ser anormais
As estruturas gramaticais são
freqüentemente imaturas e incluem o uso
estereotipado e repetitivo da linguagem ou
uma linguagem metafórica
Uma perturbação na compreensão da
linguagem pode ser evidenciada por uma
incapacidade de entender perguntas,
orientações ou piadas simples
Critério a3a: pode existir uma
preocupação total com um ou mais padrões
estereotipados e restritos de interesse,
anormais em intensidade ou foco
Critério a3b: uma adesão
aparentemente inflexível a rotinas ou rituais
específicos e não funcionais
Critérios a3c: maneirismos motores
estereotipados e repetitivos
Critério a3d ou uma preocupação
persistente com partes de objetos
Critério b: a perturbação deve ser
manifestada por atrasos ou funcionamento
anormal em pelo menos uma das
seguintes áreas antes dos 3 anos de idade:
● Interação social,
● Linguagem usada para a comunicação
social,
● Ou jogos simbólicos ou imaginativos
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Critério c: a perturbação não deve ser melhor
explicada pelo transtorno de rett ou transtorno
desintegrativo da infância
Na maioria dos casos, existe um
diagnóstico associado de retardo mental, em
geral na faixa moderada (qi de 35-50)
Pode haver anormalidades no
desenvolvimento das habilidades cognitivas
Podem apresentar uma gama de
sintomas comportamentais, incluindo :
● Hiperatividade,
● Desatenção,
● Impulsividade,
● Agressividade,
● Comportamentos auto-agressivos e,
● Particularmente em crianças mais
jovens, acessos de raiva.
Respostas incomuns a estímulos sensoriais
podem ser observadas
Pode haver anormalidades na
alimentação ou no sono; no humor e no afeto
também
Uma variedade de comportamentos
autolesivos pode estar presente
As taxas para o transtorno são quatro a
cinco vezes superiores para o sexo masculino.
Os indivíduos do sexo feminino com o
transtorno estão mais propensas, entretanto, a
apresentar um retardo mental mais severo
O transtorno autista segue um curso
contínuo
Quando não se dispõe de informações
sobre o desenvolvimento inicial ou quando não
é possível documentar o período exigido de
desenvolvimento normal, deve-se fazer o
diagnóstico de transtorno autista
Um diagnóstico adicional de esquizofrenia
pode ser feito se um indivíduo com transtorno
autista desenvolve os aspectos característicos
da esquizofrenia com sintomas da fase ativa
consistindo de delírios ou alucinações
proeminentes, com duração de, pelo menos,
um mês.
Prevalência: de 2-5 casos por 10.000
indivíduos.
Curso: Por definição, o início do Transtorno
Autista ocorre antes dos 3 anos de idade. Em
alguns casos, os pais relatam sua preocupação
com a criança desde o nascimento desta ou
logo após, em vista de sua falta de interesse
pela interação social
As manifestações do transtorno na
primeira infância são mais sutis e mais difíceis
de definir do que aquelas vistas após os 2 anos.
Em uns poucos casos, a criança pode ter-se
desenvolvido normalmente durante o primeiro
ano (ou até mesmo durante os dois primeiros
anos) de vida.
Alguns indivíduos se deterioram em termos
comportamentais durante a adolescência,
enquanto outros melhoram. As habilidades de
linguagem (por ex., presença de fala
comunicativa) e o nível intelectual geral são os
mais poderosos fatores relacionados ao
prognóstico final. Os adultos com Transtorno
Autista com o mais alto nível de funcionamento
tipicamente continuam apresentando
problemas na interação social e comunicação,
juntamente com interesses e atividades
acentuadamente restritos.
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL: Períodos de
regressão podem ser observados no
desenvolvimento normal, porém não são tão
severos nem tão prolongados quanto no
Transtorno Autista, que deve ser diferenciado
de outros Transtornos Invasivos do
Desenvolvimento. O Transtorno de Rett difere
do Transtorno Autista em sua proporção
característica entre os sexos e padrões
deficitários.
1. O TRANSTORNO DE RETT tem sido
diagnosticado apenas no sexo feminino, ao
passo que o Transtorno Autista acomete muito
mais freqüentemente o sexo masculino. No
Transtorno de Rett há um padrão característico
de desaceleração do crescimento craniano,
perda de habilidadesmanuais voluntárias
adquiridas anteriormente e o aparecimento de
marcha pouco coordenada ou movimentos do
tronco.
Múltiplos déficits específicos após um
período de funcionamento normal durante os
primeiros meses de vida. Os indivíduos têm um
período pré-natal e perinatal aparentemente
normal (Critério A1), com desenvolvimento
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psicomotor normal durante os primeiros 5
meses de vida (Critério A2).
O perímetro cefálico ao nascer
também está dentro dos limites normais
(Critério A3). Entre os 5 e os 48 meses, o
crescimento craniano se desacelera (Critério
B1). Ocorre também, entre os 5 e os 30 meses
de idade, uma perda das habilidades
voluntárias anteriormente adquiridas das mãos,
com desenvolvimento subseqüente de
movimentos estereotipados característicos,
que se assemelham a torcer ou lavar as mãos
(Critério B2).
O interesse pelo ambiente social
diminui nos primeiros anos após o início do
transtorno (Critério B3), embora a interação
social possa freqüentemente se desenvolver
mais tarde.
Aparecem problemas na coordenação
da marcha ou movimentos do tronco (Critério
B4). Existe, também, severo prejuízo no
desenvolvimento da linguagem expressiva ou
receptiva, com severo retardo psicomotor
(Critério B5).
O Transtorno de Rett está tipicamente
associado com Retardo Mental Severo ou
Profundo, que, se presente, deve ser codificado
no Eixo II. Não existem achados laboratoriais
específicos associados com o transtorno. Pode
haver uma freqüência aumentada de
anormalidades EEG e transtorno convulsivo em
indivíduos com o transtorno. Foram relatadas
anormalidades inespecíficas em imagens do
cérebro.
PREVALÊNCIA: Os dados são limitados,
em sua maior parte, a séries casuísticas, e
aparentemente o Transtorno de Rett é muito
menos comum do que o Transtorno Autista. A
condição é relatada apenas no sexo feminino.
CURSO: O padrão de regressão do
desenvolvimento é altamente distintivo. O
Transtorno de Rett tem seu início antes dos 4
anos, geralmente no primeiro ou segundo ano
de vida. A duração do transtorno é vitalícia,
sendo a perda das habilidades em geral
persistente e progressiva.
Na maior parte dos casos, a
recuperação é bastante limitada, embora
alguns progressos muito modestos no
desenvolvimento possam ser feitos e um
interesse pela interação social possa ser
observado quando os indivíduos ingressam em
uma fase mais tardia da infância ou na
adolescência. As dificuldades de comunicação e
comportamento em geral permanecem
relativamente constantes ao longo da vida.
O início dos sintomas do Transtorno de
Rett pode dar-se aos 5 meses de idade,
enquanto no Transtorno Desintegrativo da
Infância o período de desenvolvimento normal
tipicamente é mais prolongado (isto é, pelo
menos até os 2 anos de idade).
No Transtorno de Rett, existe um
padrão característico de desaceleração do
crescimento craniano, perda de habilidades
manuais voluntárias adquiridas anteriormente
e aparecimento de marcha e movimentos do
tronco incoordenados. Contrastando com o
Transtorno de Asperger, o Transtorno de Rett
caracteriza-se por um severo prejuízo no
desenvolvimento da linguagem expressiva e
receptiva.
Particularmente durante os anos pré-
escolares, indivíduos com Transtorno de Rett
podem exibir dificuldades na interação social
similares àquelas observadas no Transtorno
Autista, mas essas tendem a ser temporárias.
2 - TRANSTORNO DESINTEGRATIVO DA
INFÂNCIA: regressão pronunciada em múltiplas
áreas do funcionamento, após um período de
pelo menos 2 anos de desenvolvimento
aparentemente normal (Critério A).
O desenvolvimento aparentemente
normal é refletido por comunicação verbal e
não-verbal, relacionamentos sociais, jogos e
comportamento adaptativo apropriados à
idade. Após os primeiros 2 anos de vida (mas
antes dos 10 anos), a criança sofre uma perda
clinicamente significativa de habilidades já
adquiridas em pelo menos duas das seguintes
áreas: linguagem expressiva ou receptiva,
habilidades sociais ou comportamento
adaptativo, controle intestinal ou vesical, jogos
ou habilidades motoras (Critério B).
Os indivíduos com este transtorno
exibem os déficits sociais e comunicativos e
aspectos comportamentais geralmente
observados no Transtorno Autista. Existe um
prejuízo qualitativo na interação social (Critério
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
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C1) e [73]na comunicação (Critério C2) e
padrões restritos, repetitivos e estereotipados
de comportamento, interesses e atividades
(Critério C3).
A perturbação não é melhor explicada
por um outro Transtorno Invasivo do
Desenvolvimento ou por Esquizofrenia (Critério
D). Esta condição também é conhecida como
síndrome de Heller, demência infantil ou
psicose desintegrativa.
CARACTERÍSTICAS: O Transtorno
Desintegrativo da Infância em geral está
associado com Retardo Mental Severo que, se
presente, deve ser codificado no Eixo II. Vários
sintomas ou sinais neurológicos inespecíficos
podem ser notados. Parece haver uma
freqüência aumentada de anormalidades EEG e
transtorno convulsivo.
Embora a condição pareça ser
conseqüência de algum agravo ao sistema
nervoso central em desenvolvimento, nenhum
mecanismo preciso foi identificado. A condição
é observada, ocasionalmente, em associação
com uma condição médica geral (por ex.,
leucodistrofia metacromática, doença de
Schilder), que poderia explicar a regressão do
desenvolvimento. Na maioria dos casos,
entretanto, extensas investigações não
revelaram esta condição.
Caso uma condição neurológica ou
outra condição médica geral esteja associada
com o transtorno, seu registro deve ser feito no
Eixo III. Os achados laboratoriais refletem
quaisquer condições médicas gerais associadas.
PREVALÊNCIA: Os dados
epidemiológicos são limitados, mas o
Transtorno Desintegrativo da Infância parece
ser muito raro e muito menos comum que o
Transtorno Autista.
Embora estudos iniciais sugerissem
uma distribuição igual entre os sexos, os dados
mais recentes sugerem que a condição é mais
comum no sexo masculino.
CURSO: Por definição, o Transtorno
Desintegrativo da Infância apenas pode ser
diagnosticado se os sintomas forem precedidos
por pelo menos 2 anos de desenvolvimento
normal e o início ocorrer antes dos 10 anos.
Quando o período de desenvolvimento
normal foi bastante prolongado (5 anos ou
mais), é particularmente importante realizar
um exame físico e neurológico minucioso, para
avaliar a presença de uma condição médica
geral. Na maioria dos casos, o início dá-se entre
os 3 e os 4 anos, podendo ser insidioso ou
abrupto.
Os sinais premonitórios podem incluir
aumento nos níveis de atividade, irritabilidade
e ansiedade, seguidos por uma perda da fala e
outras habilidades. Geralmente, a perda de
habilidades alcança um platô, após o qual pode
ocorrer alguma melhora limitada, embora
apenas raramente esta seja pronunciada. Em
outros casos, especialmente quando o
transtorno está associado com uma condição
neurológica progressiva, a perda de habilidades
é progressiva.
O transtorno segue um curso contínuo
e, na maioria dos casos, vitalício. As
dificuldades sociais, comunicativas e
comportamentais permanecem relativamente
constantes durantetoda a vida.
No Transtorno de Asperger, não existe
atraso no desenvolvimento da linguagem nem
perda acentuada das habilidades próprias do
desenvolvimento.
O Transtorno Desintegrativo da
Infância deve ser diferenciado de uma
demência com início durante a infância.
A demência ocorre como
conseqüência de efeitos fisiológicos diretos de
uma condição médica geral (por ex.,
traumatismo craniano), enquanto o Transtorno
Desintegrativo da Infância tipicamente ocorre
na ausência de uma condição médica geral
associada.
O transtorno autista difere do
transtorno desintegrativo da infância, que tem
um padrão distinto de regressão seguindo-se a
pelo menos 2 anos de desenvolvimento
normal. No Transtorno Autista, as
anormalidades do desenvolvimento geralmente
são percebidas já no primeiro ano de vida.
Quando não se dispõe de informações
sobre o desenvolvimento inicial ou quando não
é possível documentar o período exigido de
desenvolvimento normal, deve-se fazer o
diagnóstico de Transtorno Autista.
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
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3. O TRANSTORNO DE ASPERGER:
pode ser diferenciado do Transtorno Autista
pela ausência de atraso no desenvolvimento da
linguagem. O Transtorno de Asperger não é
diagnosticado se são satisfeitos critérios para o
Transtorno Autista.
Há prejuízo severo e persistente na
interação social (Critério A) e o
desenvolvimento de padrões restritos e
repetitivos de comportamento, interesses e
atividades (Critério B). A perturbação deve
causar prejuízo clinicamente significativo nas
áreas social, ocupacional ou outras áreas
importantes de funcionamento (Critério C).
Contrastando com o Transtorno
Autista, não existem atrasos clinicamente
significativos na linguagem (isto é, palavras
isoladas são usadas aos 2 anos, frases
comunicativas são usadas aos 3 anos) (Critério
D).
Além disso, não existem atrasos
clinicamente significativos no desenvolvimento
cognitivo ou no desenvolvimento de
habilidades de auto-ajuda apropriadas à idade,
comportamento adaptativo (outro que não na
interação social) e curiosidade acerca do
ambiente na infância (Critério E).
O diagnóstico não é dado se são
satisfeitos critérios para qualquer outro
Transtorno Invasivo do Desenvolvimento
específico ou para Esquizofrenia (Critério F).
Vários sintomas ou sinais neurológicos
inespecíficos podem ser observados. Os marcos
motores podem apresentar atraso e uma falta
de destreza motora em geral está presente.
PREVALÊNCIA: As informações sobre a
prevalência do Transtorno de Asperger são
limitadas, mas ele parece ser mais comum no
sexo masculino.
CURSO: O Transtorno de Asperger
parece ter um início mais tardio do que o
Transtorno Autista, ou pelo menos parece ser
identificado apenas mais tarde. Atrasos
motores ou falta de destreza motora podem
ser notados no período pré-escolar.
As dificuldades na interação social
podem tornar-se mais manifestas no contexto
escolar. É durante este período que
determinados interesses idiossincráticos ou
circunscritos (por ex., fascinação com horários
de trens) podem aparecer e ser reconhecidos
como tais. Quando adultos, os indivíduos com a
condição podem ter problemas com a empatia
e modulação da interação social. Este
transtorno aparentemente segue um curso
contínuo e, na ampla maioria dos casos, a
duração é vitalícia.
O Transtorno de Asperger também
deve ser diferenciado do Transtorno Obsessivo-
Compulsivo e do Transtorno da Personalidade
Esquizóide. O Transtorno de Asperger e o
Transtorno Obsessivo-Compulsivo
compartilham padrões repetitivos e
estereotipados de comportamento.
Contrastando com o Transtorno
Obsessivo-Compulsivo, o Transtorno de
Asperger caracteriza-se por um prejuízo
qualitativo na interação social e um padrão
mais restrito de interesses e atividades. Em
comparação com o Transtorno da
Personalidade Esquizóide, o Transtorno de
Asperger é caracterizado por comportamentos
e interesses estereotipados e interação social
mais gravemente comprometida.
4. A ESQUIZOFRENIA: com início na
infância geralmente se desenvolve após alguns
anos de desenvolvimento normal ou quase
normal. Um diagnóstico adicional de
Esquizofrenia pode ser feito se um indivíduo
com Transtorno Autista desenvolve os aspectos
característicos da Esquizofrenia com sintomas
da fase ativa consistindo de delírios ou
alucinações proeminentes, com duração de,
pelo menos, um mês.
5. NO MUTISMO SELETIVO, a criança
habitualmente exibe habilidades apropriadas
de comunicação em certos contextos e não tem
o prejuízo severo na interação social e os
padrões restritos de comportamento
associados com o Transtorno Autista.
6. NO TRANSTORNO DA LINGUAGEM
EXPRESSIVA E NO TRANSTORNO MISTO DA
LINGUAGEM RECEPTIVO-EXPRESSIVA existe
prejuízo da linguagem, mas este não está
associado com a presença de um prejuízo
qualitativo na interação social e padrões
restritos, repetitivos e estereotipados de
comportamento.
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Às vezes pode ser difícil determinar se
um diagnóstico adicional de Transtorno Autista
está indicado em um indivíduo com Retardo
Mental, especialmente se este é Severo ou
Profundo. Um diagnóstico adicional de
Transtorno Autista é reservado àquelas
situações nas quais existem déficits qualitativos
nas habilidades sociais e comunicativas e os
comportamentos específicos característicos do
Transtorno Autista estão presentes.
Estereotipias motoras são
características do Transtorno Autista; um
diagnóstico adicional de Transtorno de
Movimento Estereotipado não é dado quando
esses são melhor explicados como parte da
apresentação do Transtorno Autista.
TRANSTORNO INVASIVO DO
DESENVOLVIMENTO SEM OUTRA
ESPECIFICAÇÃO (INCLUINDO AUTISMO
ATÍPICO): Esta categoria deve ser usada
quando existe um prejuízo severo e invasivo no
desenvolvimento da interação social recíproca
ou de habilidades de comunicação verbal ou
não-verbal, ou quando comportamento,
interesses e atividades estereotipados estão
presentes, mas não são satisfeitos os critérios
para um Transtorno Invasivo do
Desenvolvimento específico, Esquizofrenia,
Transtorno da Personalidade Esquizotípica ou
Transtorno da Personalidade Esquiva. Esta
categoria inclui, por ex., "Autismo Atípico" —
apresentações que não satisfazem os critérios
para Transtorno Autista em vista da idade
tardia de seu início, apresentações com
sintomatologia atípica, sintomatologia
subliminar ou todas acima.
TRANSTORNO DE PÂNICO
A manifestação central do transtorno
de pânico é o ataque de pânico, um conjunto
de manifestações de ansiedade com início
súbito, com duração limitada, em torno de dez
minutos.
Os sintomas típicos são: sensação de
sufocação, de morte iminente, taquicardia,
tonteiras, sudorese, tremores, sensação de
perda do controle ou de “ficar louco”,
alterações gastrointestinais.
Os primeiros ataques são inesperado.
Depois podem surgir a partir de um nível maior
de ansiedade, a ansiedade antecipatória, ou
serem precipitados pelo contato com algum
tipo de situação.
O transtorno de pânico inicia com os
ataques e costuma progredir para um quadro
de agorafobia, no qual o paciente passa a evitar
determinadas situações ou locais por causa do
medode sofrer um ataque.
Situações e locais típicos da agorafobia
são: túneis, engarrafamentos, avião, grandes
espaços abertos, shopping centers, ficar
sozinho, sair sozinho. Em todas essas situações
existe um denominador comum – o problema
que o paciente enfrenta, caso nelas tenha um
ataque. Com a progressão do transtorno, o
paciente sente-se cada vez mais dependente
dos outros e cada vez mais limitado.
TRANSTORNO DE ANSIEDADE SOCIAL (FOBIA
SOCIAL)
Ocorrem em situações nas quais a
pessoa é observada pelos outros. Situações
típicas compreendem: escrever, assinar, comer
e fazer uma apresentação na presença dos
outros.
Em contato com os outros,
especialmente estranhos, o paciente sofre de
sintomas como tremores, sudorese,
enrubescimento, dificuldade de concentração
(“branco na cabeça”), palpitações, tonteira e
sensação de desmaio.
Diferentemente dos ataques de
pânico, os sintomas surgem durante as
situações sociais temidas e duram até o contato
com os outros terminar.
A evolução do transtorno limita cada
vez mais a vida da pessoa e pode gerar
complicações como o abuso e dependência de
álcool ou depressão.
TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA
As manifestações de ansiedade
oscilam ao longo do tempo, mas não ocorrem
na forma de ataques, nem se relacionam com
situações determinadas.
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Estão presentes na maioria dos dias e
por longos períodos, de muitos meses ou anos.
O sintoma principal é a expectativa apreensiva
ou preocupação exagerada, mórbida. A pessoa
está a maior parte do tempo preocupada em
excesso.
Além disso, sofre de sintomas como
inquietude, cansaço, dificuldade de
concentração, irritabilidade, tensão muscular,
insônia e sudorese.
O início do transtorno de ansiedade
generalizada é insidioso e precoce. Os
pacientes informam que sempre foram
“nervosos”, “tensos”. A evolução se dá no
sentido da cronicidade.
São indivíduos que estão sempre
muito preocupadas com o julgamento de
terceiros em relação a seu desempenho em
diferentes áreas e necessitam exageradamente
que lhes renovem a confiança, que as
tranqüilizem. Apresentam dificuldade para
relaxar, queixas somáticas sem causa aparente
e sinais de hiperatividade autonômica (ex.
palidez, sudorese, taquipnéia, tensão muscular
e vigilância aumentada). Tendem a ser
autoritárias quando se trata de fazer com que
os demais atuem em função de tranqüilizá-las.
A ESCOLHA DO MEDICAMENTO:
Os Inibidores da Recaptação de Serotonina
(IRSs) são associados com vários efeitos
indesejáveis (sonolência, insônia, ganho de
peso, disfunção sexual, boca seca, constipação,
piora dos sintomas no início do tratamento,
efeitos extrapiramidais, bruxismo, acatisia,
movimentos involuntários, náusea, diarreia e
sudorese). Os IRSs inibem enzimas do sistema P
450 do fígado e podem aumentar o nível
plasmático de vários compostos, inclusive dos
antidepressivos tricíclicos, induzindo interações
medicamentosas perigosas46.
Os antidepressivos tricíclicos são
associados com acentuados efeitos
anticolinérgicos (boca seca, constipação,
efeitos anticolinérgicos centrais – dificuldade
de concentração, perturbação da memória––
tonteira, taquicardia, palpitações, constipação,
visão turva, retenção urinária), instabilidade
motora, ganho de peso, disfunção sexual,
efeitos cardiovasculares (hipotensão
ortostática, prolongamento do intervalo QTc),
efeitos extrapiramidais (acatisia, rigidez,
tremores). Em superdoses, os tricíclicos
induzem um quadro gravíssimo de intoxicação,
frequentemente letal.
Os benzodiazepínicos (alprazolam,
clonazepam) são associados com sedação,
distúrbios cognitivos (dificuldade de
concentração, amnésia), disfunção sexual,
disfunção psicomotora, toxicidade
comportamental (irritabilidade, agressividade,
desinibição). O uso continuado de
benzodiazepínicos induz dependência
fisiológica e quando da suspensão,
especialmente se abrupta, pode ocorrer uma
síndrome de abstinência com sintomas como
tremores, ansiedade acentuada, sudorese,
câimbras, hipersensibilidade sensorial,
inquietude, insônia, cefaleia e até convulsões.
Apesar de induzirem vários efeitos
indesejáveis, os Inibidores da Recaptação de
Serotonina (IRSs) são, no presente,
considerados uma opção melhor quanto à
tolerabilidade do que os tricíclicos ou os
benzodiazepínicos.
Outro fator que pode pesar na escolha
de um medicamento é o custo. Os tricíclicos,
especialmente a imipramina, e os
benzodiazepínicos são medicamentos mais
antigos, acessíveis na forma de genéricos e de
custo menor.
Na avaliação de cada paciente, o
médico deverá exercer o julgamento clínico e
optar por um medicamento não
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necessariamente na ordem recomendada pelo
algoritmo. Por exemplo, um paciente que sofre
do transtorno de pânico e que é hipersensível à
piora inicial induzida pelos IRSs pode ser
inicialmente tratado com o clonazepam.
Considerações de ordem prática
influenciam também na escolha das opções do
algoritmo. A imipramina é mais acessível às
pessoas de menor renda, na forma de genérico
ou distribuída por instituições públicas.
Por quanto tempo deve ser mantido o
tratamento?
Há estudos que demonstram que os
efeitos terapêuticos dos medicamentos se
mantêm durante períodos de seis meses a um
ano no tratamento do transtorno de pânico.
A conclusão prática para o médico
quanto ao tratamento de manutenção dos
transtornos de ansiedade seria a de que
períodos de cerca de seis meses de tratamento
farmacológico estariam indicados para a
maioria dos casos.
Em muitos casos, o tratamento
farmacológico é mantido por períodos muito
longos, de anos, por motivos como a resolução
apenas parcial da sintomatologia ou pioras
nítidas quando a dose do medicamento começa
a ser diminuída.
ASPECTOS BIOLÓGICOS
Ocorre uma condição orgânica que
prepara o individuo para a luta ou fuga. As
estruturas neurológicas envolvidas
primariamente no processamento da crise de
pânico compreendem o tronco cerebral, o
sistema límbico e o córtex pré-frontal, que
possuem extensas conexões eferentes e
aferentes entre si.
Desencadeadas no nível do locus
ceruleus, núcleo de neurônios localizados no
tronco cerebral, que libera altas taxas de
noradrenalina, sendo a atividade deste núcleo
modulada fibras serotoninérgicas provenientes
do núcleo medial da rafe.
Ocorrendo também a ativação sistema
central de alarme da sufocação, de
natureza serotoninérgica, responsável pela
avaliação das taxas de PaCO2 cerebral. Ondo os
transtornos do pânico seriam desencadeados
por uma ativação errônea deste sistema de
alarme e que os indivíduos predispostos
apresentariam uma hipersensibilidade ao CO2,
o que explicaria a manifestação de dispnéia
sempre presente nesta síndrome, e ausente
nas reações fisiológicas de medo ante o perigo.
Isso pode, também, explicar porque
determinadas situações de natureza
psicossocial relacionadas à hiperventilação,
como o enclausuramento, a imobilidade e o
afogamento, podem ativar o sistema de alarme
de sufocação. Assim portadores de transtornos
do pânico
apresentam uma disfunção nos receptores do
centro da sufocação, responsáveis pela
detecção de níveis intoleráveisde CO2, que
superestima determinados estímulos
ambientais que não se constituem em perigo
real, em um processo de antecipação do futuro,
como memória de emoção negativa.
Esse distúrbio resulta em uma intensa
liberação de adrenalina, apesar de o
hipotálamo, que detecta as necessidades
internas e cria a motivação biológica, não
registrar modificações reais nos níveis
sanguíneos de CO2. Dessa forma, o estímulo
oriundo do locus ceruleus é processado pelo
sistema límbico, que introduz a sensação de
emoção negativa, e a repassa para o córtex
cerebral frontal que reage determinando um
comportamento fóbico, criando uma memória
antecipatória para eventos futuros. Esta
informação será adicionada à estrutura
pisicológica do indivíduo que a manifestará
individualmente, na forma de uma ansiedade
antecipatória.
A ansiedade antecipatória presente
nos transtornos de pânico é conseqüência de
uma inibição da atividade do sistema límbico,
principalmente das amídalas e do hipocampo,
regiões ricas em receptores benzodiazepínicos,
devido à atividade aumentada do locus
ceruleus. As aferências e eferências com o
córtex cerebral, hipotálamo, hipocampo, tronco
cerebral e formação reticular explicam a
ocorrência de interferências nas funções
vegetativas.
A existência de padrões de condutas
de evitação fóbica presente nos pacientes
portadores de transtornos do pânico resulta da
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atividade cognitiva superior promovida pelo
córtex pré-frontal, que promove a associação
entre a tormenta fisiológica e o contexto
ambiental.
TRANSTORNOS SOMATOFORMES
Grupos de doenças que tem sintomas
e sinais corporais como principal componentes.
Reconhece 5 transtornos
somatoformes específicos:
1. Transtorno de somatização: Várias queixas
físicas, afetando vários sistemas de órgãos
2. Transtorno conversivo: Uma ou duas
queixas neurológicas
3. Hipocondria: Caracterizada menos por um
enfoque em sintomas do que pela crença
do paciente de ter uma doenca específica
4. Transtorno dismórfico corporal: Crença
falsa ou por uma percepção exagerada de
que uma parte do corpo é defeituosa
5. Transrtorno doloroso: Sintomas de dor
que são ou exclusivamente relatados ou
exacerbados de forma significativa por
fatores psocológicos
Vários sintomas somáticos que não podem
ser explicados de maneira adequada com base
nos exames físicos e laboratoriais
Em geral, inicia antes dos 30 anos e podem
continuar por anos. É crônico e se associa a:
● Sofrimento psicológico
● Comprometimento de procura excessiva
por assistência médica
● Ocorre com mais frequencia entre
pacientes com pouca instrução e baixa
renda
● Frequentemente coexiste com algum outro
transtorno mental
DIAGNOSTICO: durante seu cruso, os
pacientes precisam ter se queixado de pelo
menos 4 sintomas de dor:
● 2 sintomas gastrintestinais, 1 sintoma
sexual e 1 sintoma pseudoneurológico
● Nem um dos quais completamente
explicável por exames físicos ou
laboratoriais
CRITERIOS DSM IV
A. Um ou mais sintomas ou déficits afetando
a função motora ou sensorial voluntária,
que sugerem uma condição neurológica ou
outra condição médica geral.
B. Fatores psicológicos são julgados como
associados com o sintoma ou déficit, uma
vez que o início ou a exacerbação do
sintoma ou déficit é precedido por
conflitos ou outros estressores.
C. O sintoma ou déficit não é
intencionalmente produzido ou simulado
(como no transtorno factício ou na
simulação).
D. O sintoma ou déficit não pode, após
investigação apropriada, ser
completamente explicado por uma
condição médica geral, pelos efeitos
diretos de uma substância ou por um
comportamento ou experiência
culturalmente sancionados.
E. O sintoma ou déficit causa sofrimento
clinicamente significativo ou prejuízo no
funcionamento social ou ocupacional ou
em outras áreas importantes da vida do
indivíduo, ou indica avaliação médica.
F. O sintoma ou déficit não se limita a dor ou
disfunção sexual, não ocorre
exclusivamente durante o curso de um
transtorno de somatização, nem é melhor
explicado por outro transtorno mental.
Especificar tipo de sintoma ou déficit:
com sintoma ou déficit motor
com sintoma ou déficit sensorial
com ataques ou convulsões
com apresentação mista
QUADRO CLINICO
● Várias queixas somáticas e histórias
médicas longas e
● Acreditam que estiveram doentes a maior
parte das suas vidas
● Sintomas pseudoneurológicos sugerem,
mas não são patognomônicos de, um
transtorno neurológico
Mais comuns:
o Náuseas e vômitos (fora da gravidez)
o Dificuldade de deglutição
o Dor nos braços e nas pernas
o Falta de ar não relacionada a exercícios
o Amnésia
o Complicações da gravidez e de
mentruações
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
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Sofrimento psocológico e problemas
interpessoais são proeminentes
Ansiedade e depressão são as condições
psicológicas mais prevalentes
Associa-se frequentemente a outros
transtornos psiquiátricos:
• Transtorno depressivo maior
• Transtornos da personalidade
• Transtornos relacionados a substâncias
• Transtornos de ansiedade generalizada
• Fobias
TRATAMENTO: melhor tratado quando o
paciente dispões de um único médico
indentificado como principal cuidador
Procedimentos adicionais de laboratórios e
de diagnóstico devem ser evitados
Psicoterapias, tanto individuais como em
grupos
Tratamento psicofarmacológico e
psicoterápico é indicado quando há transtornos
coexistentes
TRANSTORNO CONVERSIVO - A característica
essencial do Transtorno Conversivo é a
presença de sintomas ou déficits afetando a
função motora ou sensorial voluntária, que
sugerem uma condição neurológica ou outra
condição médica geral (Critério A).
Presumivelmente, há fatores
psicológicos associados com o sintoma ou
déficit; este julgamento fundamenta-se na
observação de que o início ou a exacerbação do
sintoma ou déficit é precedido por conflitos ou
outros estressores (Critério B).
Os sintomas não são intencionalmente
produzidos ou simulados, como no Transtorno
Factício ou na Simulação (Critério C).
O Transtorno Conversivo não é
diagnosticado se os sintomas ou déficits são
plenamente explicados por uma condição
neurológica ou outra condição médica geral,
pelos efeitos diretos de uma substância, ou
como um comportamento ou experiência
culturalmente sancionados (Critério D).
O problema deve ser clinicamente
significativo, o que é evidenciado por
acentuado sofrimento, prejuízo no
funcionamento social ou ocupacional ou em
outras áreas importantes da vida do indivíduo,
ou pelo fato de indicar avaliação médica
(Critério E).
O Transtorno Conversivo não é
diagnosticado se os sintomas se limitam a dor
ou disfunção sexual, se ocorrem
exclusivamente durante o curso de um
Transtorno de Somatização, ou se são melhor
explicados por outro transtorno mental
(Critério F).
Os sintomas conversivos estão
relacionados ao funcionamento motor ou
sensorial voluntário, motivo pelo qual são
chamados de "pseudoneurológicos". Os
sintomas ou déficits motores incluem prejuízo
na coordenação ou equilíbrio, paralisia ou
fraqueza localizada, afonia, dificuldade para
engolirou sensação de nó na garganta e
retenção urinária. Os sintomas ou déficits
sensoriais incluem perda da sensação de tato
ou de dor, diplopia, cegueira, surdez e
alucinações.
Um diagnóstico de Transtorno
Conversivo deve ser feito apenas depois que
uma avaliação médica completa foi realizada
para descartar, como etiologia, uma condição
médica geral ou uma condição neurológica.
Uma vez que a etiologia médica geral para
muitos casos de aparente Transtorno
Conversivo pode levar anos até se tornar
evidente, o diagnóstico deve ser visto como
experimental e provisório.
Uma "paralisia" pode envolver uma
incapacidade de executar determinado
movimento ou de mover toda uma parte do
corpo, ao invés de corresponder a um déficit
em um padrão de inervação motora.
Os sintomas conversivos
freqüentemente são inconsistentes. Uma
extremidade "paralisada" poderá ser movida
inadvertidamente enquanto o indivíduo se
veste ou quando sua atenção é dirigida a outro
ponto.
Se colocado acima da cabeça e
liberado, um braço "paralisado" poderá reter
brevemente sua posição, depois cair para o
lado, ao invés de golpear a cabeça. Podem ser
demonstradas uma força não reconhecida nos
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
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músculos antagonistas, um tono muscular
normal e reflexos intactos.
Um eletromiograma se mostrará
normal. A dificuldade para engolir é igual com
líquidos e sólidos. A "anestesia" conversiva de
um pé ou de uma mão pode seguir um padrão
chamado "de luvas-e-meias", com perda
uniforme (sem gradiente de proximal para
distal) de todas as modalidades sensoriais (isto
é, tato, temperatura e dor), acentuadamente
demarcada por região anatômica, ao invés de
por dermátomos.
Uma "convulsão" conversiva varia de
uma crise para outra, sem atividade paroxística
evidente no EEG.
Mesmo que essas orientações sejam seguidas à
risca, ainda assim recomendamos cautela, pois
o conhecimento dos mecanismos anatômicos e
fisiológicos ainda é incompleto e os métodos
disponíveis para uma avaliação objetiva têm
limitações.
Um amplo espectro de condições
neurológicas pode ser incorretamente
diagnosticado como Transtorno Conversivo.
Entre estas destacam-se a esclerose múltipla,
miastenia grave e distonias idiopáticas ou
induzidas por substâncias. Entretanto, a
presença de uma condição neurológica não
descarta um diagnóstico de Transtorno
Conversivo. Chegam a 30% os indivíduos com
sintomas conversivos que podem ter uma
condição neurológica atual ou prévia.
Tradicionalmente, o termo conversão
deriva da hipótese de que o sintoma somático
do indivíduo representa uma resolução
simbólica de um conflito psicológico
inconsciente, reduzindo a ansiedade e servindo
para manter o conflito fora da consciência
("ganho primário").
O indivíduo também pode extrair um
"ganho secundário" do sintoma conversivo, isto
é, obtenção de benefícios externos ou esquiva
de deveres ou responsabilidades indesejadas.
Embora o conjunto de critérios do DSM-IV para
Transtorno Conversivo não implique
necessariamente que os sintomas envolvem
esses conceitos, ele exige a associação de
fatores psicológicos com seu início ou
exacerbação. Uma vez que os fatores
psicológicos são onipresentes em relação a
condições médicas gerais, pode ser difícil
estabelecer uma relação etiológica entre
determinado fator psicológico e o sintoma ou
déficit.
Embora o indivíduo possa obter
ganhos secundários com o sintoma conversivo,
à diferença da Simulação ou do Transtorno
Factício, os sintomas não são intencionalmente
produzidos para a obtenção de benefícios. A
determinação de que um sintoma não é
intencionalmente produzido ou simulado
também pode ser difícil.
O Transtorno Conversivo não é
diagnosticado se um sintoma é completamente
explicado como um comportamento ou
experiência culturalmente sancionados. Por
exemplo, "visões" ou "transes" que ocorrem
como parte de rituais religiosos nos quais esses
comportamentos são encorajados e esperados
não justificam um diagnóstico de Transtorno
Conversivo, a menos que o sintoma exceda o
que é contextualmente esperado e cause
demasiado sofrimento ou prejuízo.
SUBTIPOS
Com Sintoma ou Déficit Motor. Este
subtipo inclui sintomas tais como prejuízo da
coordenação ou equilíbrio, paralisia ou
fraqueza localizada, dificuldade para engolir ou
"nó na garganta", afonia e retenção urinária.
Com Sintoma ou Déficit Sensorial. Este
subtipo inclui sintomas tais como perda da
sensação de tato ou dor, diplopia, cegueira,
surdez e alucinações.
Com Ataques ou Convulsões. Este
subtipo inclui ataques ou convulsões com
componentes motores ou sensoriais
voluntários.
Com Apresentação Mista. Este subtipo
é usado se os sintomas de mais de uma
categoria são evidentes.
Como tais indivíduos freqüentemente
são sugestionáveis, seus sintomas podem ser
modificados ou resolvidos com base em
sugestões externas; entretanto, o clínico deve
ter em mente que isto não é específico do
Transtorno Conversivo, podendo também
ocorrer com condições médicas gerais.
Os sintomas podem ser mais comuns
após um estresse psicossocial extremo (por ex.,
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estado de guerra ou morte recente de uma
pessoa importante para o indivíduo).
A dependência e a adoção do papel de
doente podem ser incentivadas no curso do
tratamento. Outras queixas somáticas não
conversivas são comuns. Os transtornos
mentais associados incluem Transtornos
Dissociativos, Transtorno Depressivo Maior e
Transtornos da Personalidade Histriônica, Anti-
Social e Dependente.
Achados laboratoriais associados.
Nenhuma anormalidade laboratorial específica
está associada com o Transtorno Conversivo.
Na verdade, a ausência dos achados esperados
é que sugere e apóia o diagnóstico de
Transtorno Conversivo.
Entretanto, achados laboratoriais
consistentes com uma condição médica geral
não excluem o diagnóstico de Transtorno
Conversivo, porque este apenas exige que um
sintoma não seja completamente explicado por
esta condição.
PREVALÊNCIA: 11:100.000 a
300:100.000 nas amostras da população geral.
Ele tem sido relatado como foco de tratamento
em 1-3% dos encaminhamentos ambulatoriais
para clínicas de saúde mental.
CURSO: O início do Transtorno
Conversivo em geral ocorre do final da infância
aos primeiros anos da idade adulta (raramente
antes dos 10 anos ou após os 35), mas um início
tardio, até a nona década de vida, tem sido
relatado.
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL: A
principal preocupação diagnóstica na avaliação
de possíveis sintomas conversivos é a exclusão
de condições neurológicas ou outras condições
médicas gerais ocultas e etiologias induzidas
por substâncias (inclusive medicamentos).
A avaliação apropriada de possíveis
condições médicas gerais (por ex., esclerose
múltipla, miastenia grave) deve incluir uma
atenta revisão da apresentação atual,
anamnese médica geral, exames neurológicos e
físicos gerais e estudos laboratoriais
apropriados, incluindo uma investigação
quanto ao uso de álcool e outras substâncias.
UM TRANSTORNO DOLOROSO ou uma
Disfunção Sexual são diagnosticados ao invés
de Transtorno Conversivo se os sintomas se
limitam a dor ou disfunção sexual,
respectivamente. Um diagnóstico adicionalde
Transtorno Conversivo não deve ser feito se os
sintomas conversivos ocorrem exclusivamente
durante o curso de um Transtorno de
Somatização.
O Transtorno Conversivo não é
diagnosticado se os sintomas são melhor
explicados por outro transtorno mental (por
ex., sintomas catatônicos ou delírios somáticos
na Esquizofrenia, outros Transtornos Psicóticos
ou Transtorno do Humor, ou dificuldade para
engolir durante um Ataque de Pânico).
NA HIPOCONDRIA, o indivíduo
preocupa-se com uma "doença grave"
subjacente aos sintomas pseudoneurológicos,
ao passo que no Transtorno Conversivo o foco
reside no sintoma apresentado, podendo haver
la belle indifférence.
NO TRANSTORNO DISMÓRFICO
CORPORAL, a ênfase recai sobre uma
preocupação com um defeito imaginado ou
leve na aparência, ao invés de haver uma
alteração na função motora ou sensorial
voluntária.
O Transtorno Conversivo compartilha
características dos Transtornos Dissociativos.
Ambos os transtornos envolvem sintomas
sugestivos de disfunção neurológica e também
podem ter antecedentes em comum.
Se tanto sintomas conversivos quanto
dissociativos ocorrem no mesmo indivíduo (o
que é comum), ambos os diagnósticos devem
ser feitos.
Ainda existem controvérsias quanto a
alucinações ("pseudoalucinações") serem
consideradas como o sintoma de apresentação
do Transtorno Conversivo.
Diferentemente das alucinações que
ocorrem no contexto de um Transtorno
Psicótico (por ex., Esquizofrenia ou outro
Transtorno Psicótico, Transtorno Psicótico
Devido a uma Condição Médica Geral,
Transtorno Relacionado a Substância ou
Transtorno do Humor Com Aspectos
Psicóticos), as alucinações no Transtorno
Conversivo geralmente ocorrem com insight
intacto na ausência de outros sintomas
psicóticos, envolvem, com maior freqüência,
mais de uma modalidade sensorial (por ex.,
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
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uma alucinação envolvendo componentes
visuais, auditivos e táteis) e muitas vezes têm
um conteúdo ingênuo, fantástico ou infantil.
Há, em geral, um significado
psicológico e tendem a ser descritas pelo
indivíduo na forma de uma estória
interessante.
OS SINTOMAS DE TRANSTORNOS
FACTÍCIOS e Simulação são intencionalmente
produzidos ou simulados. No Transtorno
Factício, a motivação consiste em assumir o
papel de enfermo para obter avaliação e
tratamento médicos, ao passo que objetivos
mais óbvios, tais como compensação
financeira, esquiva de deveres, evasão de
processos criminais ou obtenção de drogas, são
perceptíveis na Simulação.
Esses objetivos podem assemelhar-se
aos "ganhos secundários" nos sintomas
conversivos, distinguindo-se estes últimos pela
falta de intenção consciente na sua produção.
TRANSTORNOS SOMATOFORMES: presença de
sintomas físicos que sugerem uma condição
médica geral (daí,o termo somatoforme),
porém não são completamente explicados por
uma condição médica geral, pelos efeitos
diretos de uma substância ou por um outro
transtorno mental (por ex., Transtorno de
Pânico).
Os sintomas devem causar sofrimento
clinicamente significativo ou prejuízo no
funcionamento social ou ocupacional ou em
outras áreas importantes. Em comparação com
os Transtornos Factícios e a Simulação, os
sintomas físicos não são intencionais (isto é,
não estão sob o controle voluntário). Os
Transtornos Somatoformes diferem dos Fatores
Psicológicos que Afetam a Condição Médica, na
medida em que não existe uma condição
médica geral diagnosticável que explique
plenamente os sintomas físicos.
O agrupamento desses transtornos em
uma única seção fundamenta-se mais na
utilidade clínica (isto é, a necessidade de excluir
condições médicas gerais ocultas ou etiologias
induzidas por substâncias para os sintomas
físicos) do que em premissas envolvendo uma
etiologia ou mecanismo em comum. Esses
transtornos são encontrados com freqüência
nos contextos médicos gerais.
OS SEGUINTES TRANSTORNOS
SOMATOFORMES SÃO INCLUÍDOS:
● O Transtorno de Somatização
(historicamente chamado de histeria ou
síndrome de Briquet) é um transtorno
polissintomático que inicia antes dos 30
anos, estende-se por um período de anos e
é caracterizado por uma combinação de
dor, sintomas gastrintestinais, sexuais e
pseudoneurológicos.
● O Transtorno Somatoforme Indiferenciado
caracteriza-se por queixas físicas
inexplicáveis, com duração mínima de 6
meses, abaixo do limiar para um
diagnóstico de Transtorno de Somatização.
● O Transtorno Conversivo envolve sintomas
ou déficits inexplicáveis que afetam a
função motora ou sensorial voluntária,
sugerindo uma condição neurológica ou
outra condição médica geral. Presume-se
uma associação de fatores psicológicos
com os sintomas e déficits.
● O Transtorno Doloroso caracteriza-se por
dor como foco predominante de atenção
clínica. Além disso, presume-se que fatores
psicológicos têm um importante papel em
seu início, gravidade, exacerbação ou
manutenção.
● A Hipocondria é preocupação com o medo
ou a idéia de ter uma doença grave, com
base em uma interpretação errônea de
sintomas ou funções corporais.
● O Transtorno Dismórfico Corporal é a
preocupação com um defeito imaginado
ou exagerado na aparência física.
R o d r i g o S . A u g u s t o – D i s t ú r b i o s M e n t a i s e d o C o m p o r t a m e n t o
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TRANSTORNO DE SOMATIZAÇÃO: padrão de
múltiplas queixas somáticas recorrentes e
clinicamente significativas. Uma queixa
somática é considerada clinicamente
significativa se resultar em tratamento médico
(por ex., tomar um medicamento) ou causar
prejuízo significativo no funcionamento social
ou ocupacional ou em outras áreas importantes
da vida do indivíduo.
As queixas somáticas devem iniciar
antes dos 30 anos e ocorrer por um período de
vários anos (Critério A). As múltiplas queixas
somáticas não podem ser plenamente
explicadas por qualquer condição médica geral
conhecida ou pelos efeitos diretos de uma
substância. Caso ocorram na presença de uma
condição médica geral, as queixas físicas ou o
prejuízo social ou ocupacional resultante
excedem o que seria esperado a partir da
história, exame físico ou testes laboratoriais
(Critério C).
Deve haver uma história de dor
relacionada a pelo menos quatro sítios (por ex.,
cabeça, costas, articulações, extremidades,
tórax, reto) ou funções (por ex., menstruação,
intercurso sexual, micção) diferentes (Critério
B1). Também deve haver uma história de pelo
menos dois sintomas gastrintestinais outros
que não dor (Critério B2).
A maioria dos indivíduos com o
transtorno descreve a presença de náusea e
inchação abdominal. Vômitos, diarréia e
intolerância a alimentos são menos comuns. As
queixas gastrintestinais freqüentemente levam
a freqüentes exames radiográficos e cirurgias
gastrintestinais que, em retrospecto, eram
desnecessários. Deve haver uma história de
pelo menos um sintoma sexual ou reprodutivo
outro que não dor (Critério B3). Em mulheres,
isto pode consistir de irregulares menstruais,
menorragia ou vômitos durante toda a
gravidez. Em homens, pode haver sintomas tais
como disfunção erétil ou ejaculatória. Tanto as
mulheres quanto os homens podem estar
sujeitos à indiferença sexual.
Finalmente, deve haver também uma
história de pelo menos um sintoma, outro que
não dor,