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Distúbio da Motricidade Orofacial

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Professora Esp. Brenda Miyuki Santana
DISTÚRBIOS DA 
MOTRICIDADE 
OROFACIAL
2023 by Editora Edufatecie. Copyright do Texto C 2023. Os autores. Copyright C Edição 2023 Editora Edufatecie.
O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correção e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva
dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Permitido o download da 
obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem a possibilidade de alterá-la 
de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais.
 REITORIA Prof. Me. Gilmar de Oliveira
 DIREÇÃO ADMINISTRATIVA Prof. Me. Renato Valença 
 DIREÇÃO DE ENSINO PRESENCIAL Prof. Me. Daniel de Lima
 DIREÇÃO DE ENSINO EAD Profa. Dra. Giani Andrea Linde Colauto 
 DIREÇÃO FINANCEIRA Eduardo Luiz Campano Santini
 DIREÇÃO FINANCEIRA EAD Guilherme Esquivel
 DIREÇÃO DE INOVAÇÃO Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal
 DIREÇÃO DE PLANEJAMENTO E PROCESSOS Prof. Me. Arthur Rosisnski
 NÚCLEO DE APOIO PSICOLÓGICO E PSICOPEDAGÓGICO Bruna Tavares Fernandes
 BIBLIOTECÁRIA Tatiane Viturino Oliveira
 PESQUISADOR INSTITUCIONAL Tiago Pereira da Silva
 COORDENAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO (CONPEx) – MODALIDADE PRESENCIAL Profa. Dra. Luciana Moraes
 COORDENAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO (CONPEx) – MODALIDADE EaD Prof. Me. Bruno Eckert Bertuol
 COORDENAÇÃO DO DEPTO. DE PRODUÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS Luiz Fernando Freitas
 REVISÃO ORTOGRÁFICA E NORMATIVA Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante
 Isabelly Oliveira Fernandes de Souza
 Jéssica Eugênio Azevedo
 Louise Ribeiro 
 Marcelino Fernando Rodrigues Santos
 Maria Clara da Silva Costa
 Milena Pereira do Espirito Santo
 Stephanie Rodrigues da Mota Vieira
 Vinicius Rovedo Bratfisch
 PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Bruna de Lima Ramos
 Carlos Firmino de Oliveira
 Lucas Patrick Rodrigues Ferreira Estevão 
 Vitor Amaral Poltronieri
 ESTÚDIO, PRODUÇÃO E EDIÇÃO André Oliveira Vaz 
 DE VÍDEO Guilherme Carrenho
 Pedro de Lima
 Roberto Garcia
 Maria Beatriz Paula da Silva
 Thassiane da Silva Jacinto
 FICHA CATALOGRÁFICA
 
 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP
 S232d Santana, Brenda Miyuki
 Distúrbios da motricidade orofacial / Brenda Miyuki Santana.
 Paranavaí: EduFatecie, 2025.
 96 p.: il. color.
 1. Sistema estomatognático – Doenças. 2. Fonoaudiologia –
 Prática. Distúrbios da deglutição. I. Centro Universitário
 UniFatecie. II. Núcleo de Educação a Distância. III. Título. 
 CDD: 23. ed. 617.522
 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577
As imagens utilizadas neste material didático 
são oriundas do banco de imagens 
Shutterstock .
3
AUTORA
• Bacharel em Fonoaudiologia (Pitágoras Unopar);
• Pós-graduação em Reabilitação Neurológica em Fonoaudiologia (Unyleya);
• Pós-graduação em Fonoaudiologia no Transtorno do Espectro Autista. (CBI Of 
Miami);
• Aperfeiçoamento em Avaliação e Intervenção nos Transtornos de 
Aprendizagem (Ecos-clin);
• Aperfeiçoamento em Intervenção Fonoaudiológica em Linguagem Infantil 
(Alcance meeting);
• Aperfeiçoamento em Avaliação Fonoaudiológica de Linguagem (Alcance 
meeting);
• Aperfeiçoamento em Aprimoramento em Fala e Linguagem - Primeira Infância 
(Instituo LA VIA);
• Aperfeiçoamento em Transtornos neurológicos adquiridos (Fonotrade);
• Aperfeiçoamento em fotobiomodulação (Fonotrade);
• Curso de curta duração em Estratégias Neurossensoriais para Disfagia 
(GeadCursos);
• Curso de curta duração em avaliação clínica das disfagias orofaríngeas 
(Motility Oral);
• Curso de curta duração em Anatomia e Fisiologia do Sistema Orofacial 
(GeadCursos);
• Entre outros cursos.
• Fonoaudióloga Clínica e home care.
Professora Esp. Brenda Miyuki Santana
4
Trabalhou na ISCAL como fonoaudióloga hospitalar de 2019 a 2023. Trabalhou 
como fonoaudióloga clínica no ILECE de 2019 a 2021. Trabalha na clínica multiprofissional 
da Unimed Londrina desde 2021 e realiza atendimento home care desde 2018.
Informações e contato:
 Currículo Plataforma Lattes: https://lattes.cnpq.br/7968303337508084
 
https://lattes.cnpq.br/7968303337508084
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APRESENTAÇÃO
Olá, caro(a) aluno(a)! 
É com grande satisfação que damos as boas-vindas a você nesta jornada de 
aprendizado. Esta apostila foi cuidadosamente elaborada para guiá-lo(a) por um percurso 
enriquecedor de conhecimento e descobertas. Nossa missão é fornecer as ferramentas 
necessárias para que você não apenas absorva informações, mas também compreenda e 
aplique conceitos de maneira prática em seu cotidiano.
Como está estruturada a nossa jornada?
Na unidade I, vamos conhecer sobre “Musculatura e Motricidade Orofacial”, sendo 
uma breve contextualização sobre anatomia e fisiologia do músculo estriado, falaremos 
sobre músculos e inserção da face, lábios e língua; e suas funções. E também sobre os 
músculos e inserção da mandíbula, palato mole e faringe.
Já na unidade II, você irá saber mais sobre “Abordagem da Motricidade Oral” 
estudando sobre o sistema estomatognático e as funções de expressão, sucção, 
deglutição, mastigação, respiração, fala. Iremos abordar sobre ronco e apneia, tipos 
respiratórios e a síndrome do respirador oral. E também iremos aprender sobre alterações 
craniofaciais: fissuras labiopalatinas.
Na sequência, na unidade III, falaremos a respeito das “Patologias da Deglutição”. 
Abordando os hábitos orais deletérios e suas consequências. O desenvolvimento 
craniofacial e classificações faciais, assim como a mastigação normal e alterada, tipos de 
mordida, dentição decídua e permanente, formação de bolo alimentar e deglutição atípica 
e adaptada.
Em nossa unidade IV, vamos finalizar o conteúdo dessa disciplina com a 
“Paralisia Facial e Aleitamento Materno”. Aprendendo mais sobre aleitamento materno: 
desenvolvimento embrionário, sucção e respiração; desenvolvimento craniofacial; 
reflexos orais e também anatomia, fisiologia, manejo clínico da lactação. Problemas na 
amamentação, alterações motoras orofaciais. Iremos abordar a paralisia facial e seus 
tipos. E finalizaremos com alteração de fala: ceceios e programa de treinamento.
Sem mais delongas, desejamos a você uma experiência de aprendizado 
estimulante e gratificante. Vamos começar esta jornada juntos!
Bons estudos!
6
SUMÁRIO
Paralisia Facial e Aleitamento Materno
Patologias da Deglutição
Abordagem da Motricidade Oral
Musculatura e Motricidade Orofacial
1 Musculatura 
e Motricidade 
Orofacial
UNIDADEUNIDADE
8
PLANO DE ENSINO
Tópicos de Estudos
• Anatomia e Fisiologia do Músculo Estriado;
• Músculos e Inserção da Face, Lábios e Língua;
• Músculos e Inserção da Mandíbula, Palato Mole e Faringe.
Objetivos da Aprendizagem
• Compreender a localização e a inserção dos músculos; 
• Identificar os músculos e aprender sobre suas funções.
MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIALUNIDADE 1
9
INTRODUÇÃO
Olá, tudo bem? Seja bem-vindo(a) à nossa primeira unidade da disciplina de 
Distúrbios da Motricidade Orofacial. Acreditomandibulares;
• Formação do bolo alimentar: umidificação com saliva e preparação para a 
deglutição.
Mastigação Normal e 
Alterada3
TÓPICO
PATOLOGIAS DA DEGLUTIÇÃOUNIDADE 3
59
FIGURA 2: SISTEMA DE DEGLUTIÇÃO
Fonte: https://smart.servier.com/smart_image/swallowing-system/
Características de uma mastigação funcional:
• Eficiência na trituração dos alimentos;
• Uso de ambos os lados da arcada dentária (mastigação bilateral);
• Selamento labial e postura adequada da língua;
• Coordenação com respiração nasal.
Mastigação Alterada
A mastigação alterada pode ocorrer por diferentes fatores: ausência dentária, 
más oclusões, alterações neuromusculares, hábitos orais deletérios, entre outros. Estas 
alterações levam a padrões mastigatórios ineficientes, como mastigação unilateral, 
prolongada ou com uso de músculos acessórios (ex.: orbiculares ou músculos cervicais).
Tipos de padrões mastigatórios alterados:
• Mastigação unilateral: predomínio de um lado da arcada, podendo causar 
sobrecarga muscular e assimetrias;
• Mastigação atípica: uso inadequado da língua, ausência de trituramento 
efetivo;
• Mastigação verticalizada: ausência de movimentos laterais mandibulares, 
resultando em movimentação vertical tipo “abre e fecha”;
• Mastigação ineficaz: ritmo desorganizado, fadiga precoce e resíduos orais.
PATOLOGIAS DA DEGLUTIÇÃOUNIDADE 3
https://smart.servier.com/smart_image/swallowing-system/
60
Tipos de Mordida e Relação com a Mastigação
A oclusão dentária tem papel central na mastigação. As más oclusões 
interferem diretamente na dinâmica mastigatória e podem causar alterações 
miofuncionais orofaciais.
Classificação das mordidas:
• Mordida normal (Classe I de Angle): relação oclusal funcional e harmônica;
• Mordida cruzada: relação inversa entre os dentes superiores e inferiores, 
unilateral ou bilateral;
• Mordida aberta anterior: ausência de contato entre os dentes anteriores, 
interferindo na incisão e selamento;
• Mordida profunda: excesso de sobreposição dos dentes superiores sobre os 
inferiores;
• Prognatismo/Retrognatismo: avanço/recuo mandibular impactando nos 
contatos oclusais.
Dentição Decídua e Permanente 
O desenvolvimento da dentição é fator determinante na função mastigatória. A 
dentição decídua tem papel fundamental no estímulo ao crescimento e desenvolvimento 
das bases ósseas e musculatura orofacial.
• Dentição Decídua: Aparece por volta dos 6 meses até cerca de 30 meses; 
composta por 20 dentes (incisivos, caninos e molares); importante para guia de 
erupção da dentição permanente e estímulo mastigatório adequado.
• Dentição Permanente: Substitui gradualmente a dentição decídua entre 6 e 
12 anos; composta por 32 dentes (incluindo pré-molares e terceiros molares); 
proporciona maior eficiência mastigatória e estabilidade oclusal.
FIGURA 3: DENTIÇÃO INFANTIL E ADULTO
Fonte: https://smart.servier.com/smart_image/child-teeth/ e https://smart.servier.com/smart_image/adult-
teeth/.
PATOLOGIAS DA DEGLUTIÇÃOUNIDADE 3
https://smart.servier.com/smart_image/child-teeth/
https://smart.servier.com/smart_image/adult-teeth/
https://smart.servier.com/smart_image/adult-teeth/
61
Formação do Bolo Alimentar 
A formação do bolo alimentar é o resultado da interação eficaz entre mastigação 
e salivação. Envolve: adequada trituração do alimento, mistura com saliva (enzimas 
digestivas), reunião e modelagem do alimento pela língua, e transporte posterior para 
início da deglutição.
Alterações na formação do bolo:
• Hipossalivação (boca seca);
• Alterações da força e mobilidade lingual;
• Falta de coordenação motora oral;
• Presença de resíduos após a deglutição.
Compreender os aspectos anatômicos, funcionais e comportamentais da 
mastigação é essencial para o entendimento das interações entre as estruturas orofaciais 
e suas funções. Alterações na mastigação podem impactar diretamente outras funções 
vitais, como a deglutição, a fala e a respiração, além de influenciar o desenvolvimento 
craniofacial e a qualidade de vida dos indivíduos. O reconhecimento precoce dessas 
alterações é fundamental para a promoção da saúde orofacial e prevenção de disfunções 
futuras.
PATOLOGIAS DA DEGLUTIÇÃOUNIDADE 3
62
A deglutição é uma função vital e complexa, que envolve a coordenação 
neuromuscular de diferentes estruturas do sistema estomatognático (Costa, 2013). 
Alterações no padrão de deglutição podem comprometer não apenas o transporte eficiente 
do alimento, mas também influenciar negativamente no crescimento craniofacial, oclusão 
dentária, fala e qualidade de vida do indivíduo.
Entre as principais alterações, destacam-se a Deglutição Atípica e a Deglutição 
Adaptada, que, embora compartilhem semelhanças em manifestações clínicas, possuem 
origens e implicações distintas.
Deglutição Normal
O ato de deglutir é um processo fisiológico complexo que envolve músculos, 
dentes e ossos e suas respectivas funções anatômicas, como respirar e mastigar, em um 
ato automatizado (Barbosa; 2018).
Ocorre em 4 fases:
• Fase oral preparatória: a fase oral, voluntária, é dividida em fase preparatória 
e oral propriamente dita. A fase oral é voluntária e inicia-se quando a pessoa 
escolhe um alimento para comer, sendo um ato consciente. O estágio 
preparatório nada mais é do que a mastigação com as suas três fases: incisão, 
trituração e pulverização. Nesta fase, o bolo é misturado com a saliva (Barbosa; 
2018). Durante toda a fase oral preparatória, o palato mole permanece em 
posição mais baixa, ajudando a prevenir que o bolo caia na faringe antes que 
Deglutição Atípica e 
Adaptada4
TÓPICO
PATOLOGIAS DA DEGLUTIÇÃOUNIDADE 3
63
a deglutição seja iniciada. Essa inferiorização ativa do palato mole ocorre pela 
contração do músculo palatoglosso. A faringe e a laringe estão em repouso. A 
via aérea está aberta e a respiração nasal continua até que a deglutição ocorra.
• Fase Oral: é uma fase voluntária que começa com a propulsão posterior 
do bolo pela língua e termina com a produção de uma deglutição. Transporte 
voluntário do bolo alimentar. Na fase oral, a língua se posiciona da seguinte 
forma: a ponta da língua apoia-se contra as bordas do alvéolo maxilar ou os 
incisivos superiores. É a língua que movimenta esse alimento na cavidade oral, 
de um lado para o outro. Os músculos que participam neste momento são o 
elevador do véu palatino, o tensor do véu e o palato faríngeo. O total selamento 
da cavidade oral ajuda a manter as forças de propulsão necessárias para o 
transporte do bolo através da hipofaringe, esfíncter esofágico superior e para 
dentro do esôfago (Barbosa; 2018).
• Fase faríngea: passagem do bolo alimentar pela faringe com o fechamento 
das vias aéreas. Nessa fase, o palato mole se fecha, evitando a passagem 
do bolo para a nasofaringe. A parede posterior da faringe vem para a frente, 
espremendo o bolo contra o dorso da língua. Ocorre o fechamento da glote, 
realizado pela epiglote, e também o fechamento das pregas vocais. Todas estas 
ações são necessárias para que não haja passagem do bolo para a via aérea. 
Neste instante, haverá a elevação da laringe, facilitando este fechamento. 
• Fase esofágica: envolve contrações musculares que fazem a propulsão do 
bolo através do esfíncter esofágico superior até o estômago. Consiste em uma 
onda peristáltica automática, a qual leva o bolo para o estômago.
Deglutição Atípica
A deglutição atípica é caracterizada pela inadequação funcional da deglutição 
durante a fase oral, com interposição da língua entre os dentes e ativação de músculos 
periorais de forma compensatória, mesmo na ausência de alterações orgânicas estruturais 
(Andrade, 2019).
A deglutição atípica corresponde à movimentação inadequada da língua e/ou 
outras estruturas que participam do ato de deglutir, durante a fase oral da deglutição, sem 
que haja nenhuma alteração, de forma, na cavidade oral. Seria, portanto, apenas uma 
alteração da função de deglutir, não sendo necessário tratamento dentário para a correçãodo posicionamento dos dentes (Marchesan, 1998).
Etiologia: persistência de padrões infantis de deglutição, hábitos orais deletérios 
(chupeta, sucção digital), respiração oral crônica, alterações na oclusão dentária, frênulo 
lingual curto/alterado e falta de aleitamento materno e introdução adequada de alimentos 
sólidos.
PATOLOGIAS DA DEGLUTIÇÃOUNIDADE 3
64
Características Clínicas: projeção anterior ou lateral da língua entre os dentes, 
contração visível dos lábios e bochechas durante a deglutição, ausência de elevação do 
dorso da língua ao palato, mordida aberta anterior e/ou mordida cruzada, interferência na 
articulação de fonemas (exemplo: /t/, /d/, /n/, /l/, /s/, /z/). Mastigação ineficiente e fadiga 
muscular.
Deglutição Adaptada
A deglutição adaptada ocorre quando há uma modificação funcional da deglutição 
como resposta compensatória a uma condição orgânica, como más formações congênitas, 
paralisias, déficits neurológicos, cirurgias ou más oclusões severas.
Etiologia: paralisia cerebral, síndromes genéticas (Down, Pierre Robin, etc.), 
alterações neuromusculares, malformações craniofaciais, pós-cirurgias oncológicas ou 
ortognáticas e disfagia funcional ou orofaríngea.
Características Clínicas: presença de padrões compensatórios conscientes ou 
inconscientes, uso de força muscular exagerada ou inadequada, padrões de mastigação 
e deglutição desorganizados, engasgos, escape nasal, tosse ou necessidade de múltiplas 
deglutições. Em alguns casos, há risco de broncoaspiração.
PATOLOGIAS DA DEGLUTIÇÃOUNIDADE 3
65
Você sabia que a forma como uma criança respira pode influenciar seu desempenho escolar?
A respiração oral — quando se respira pela boca em vez do nariz — pode afetar a oxigenação do 
cérebro, prejudicando a atenção, memória e aprendizado. Crianças que respiram pela boca frequentemente 
apresentam sono agitado, fadiga diurna, irritabilidade e dificuldades escolares.
Além disso, esse padrão pode estar associado a alterações posturais, na fala e no desenvolvimento 
facial. Muitas vezes, esses sinais são confundidos com desatenção ou dificuldades cognitivas, quando, na 
verdade, há uma causa funcional que pode ser tratada com uma abordagem multidisciplinar.
Essa relação mostra a importância de observar o aluno de forma integral, considerando fatores biológicos, 
comportamentais e sociais em sua aprendizagem.
Fonte: ABREU, A. C. B.; MORALES, D. A.; BALLO, M. B. J. F. A respiração oral influencia o rendimento 
escolar? Revista CEFAC, v. 5, p. 69–73, 2002. Disponível em: https://abramofono.com.br/wp-content/
uploads/2022/02/Artigo-11-8.pdf. Acesso em: 26 maio 2025.
SAIBA
MAIS
Devemos desenvolver bem o nosso espírito para que possamos ter uma sólida estrutura física e mental 
ante as adversidades que surgem. 
É preciso que gostemos de nós mesmos, que cuidemos do corpo, proporcionando alimentação saudável, 
higiene corporal e exercícios físicos regulares, de modo que este receba os nutrientes necessários à sua 
conservação.
Fonte: Canongia (2000).
REFLITA
PATOLOGIAS DA DEGLUTIÇÃOUNIDADE 3
https://abramofono.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Artigo-11-8.pdf
https://abramofono.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Artigo-11-8.pdf
https://abramofono.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Artigo-11-8.pdf
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Nesta unidade, exploramos aspectos fundamentais para a atuação 
fonoaudiológica, como os hábitos orais deletérios e suas consequências sobre o sistema 
estomatognático — destacando como comportamentos aparentemente simples, como 
sucção de chupeta ou interposição lingual, podem gerar impactos significativos na 
mastigação, deglutição, fala e respiração.
Também mergulhamos no desenvolvimento craniofacial e nas classificações 
faciais, compreendendo como padrões ósseos e musculares influenciam diretamente 
a funcionalidade das estruturas orofaciais. Vimos ainda a importância da mastigação 
adequada, suas fases e possíveis alterações, relacionando com a dentição decídua e 
permanente e com a formação do bolo alimentar.
Por fim, abordamos com mais profundidade dois quadros frequentemente 
encontrados na prática clínica: a deglutição atípica, resultado de padrões inadequados 
persistentes sem alterações estruturais, e a deglutição adaptada, que surge como resposta 
a alterações orgânicas e neuromusculares. Ambas exigem um olhar clínico sensível e 
fundamentado para um acompanhamento eficaz.
Em conclusão, o conhecimento aprofundado nas funções e disfunções do 
sistema estomatognático é essencial para a prática fonoaudiológica. A compreensão das 
interações entre estruturas, funções e seus desvios permite um diagnóstico mais preciso 
e uma intervenção mais eficaz. O domínio sobre os padrões respiratórios, oclusais, 
mastigatórios será crucial para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas adaptadas 
às necessidades específicas de cada indivíduo.
Na próxima unidade, iremos abordar sobre a Paralisia Facial e Aleitamento 
Materno. Falar sobre o aleitamento materno e como ocorre o desenvolvimento 
embrionário, sucção e respiração; desenvolvimento craniofacial; reflexos orais e 
também anatomia, fisiologia, manejo clínico da lactação. Problemas na amamentação, 
alterações motoras orofaciais. Iremos abordar também sobre os tipos de paralisia facial 
e alteração de fala: ceceios. Avaliação do programa de treinamento. Já estou ansiosa 
para explorarmos esses temas juntos. Espero vocês na próxima unidade.
Até breve!
CONSIDERAÇÕES FINAIS
PATOLOGIAS DA DEGLUTIÇÃOUNIDADE 3
67
LEITURA COMPLEMENTAR
Caro(a) aluno(a), que tal fazermos uma leitura complementar sobre esse capítulo?
Deixo a seguir uma sugestão de leitura:
Artigo: Comunicação Humana e Saúde da Criança: Reflexão sobre Promoção 
da Saúde na Infância e Prevenção de Distúrbios
Resenha: o texto em questão aborda a atuação fonoaudiológica na promoção 
e manutenção da saúde da criança, bem como a identificação precoce de distúrbios de 
linguagem, voz, fala e audição na infância. O estudo foi conduzido de forma transversal 
com 65 crianças matriculadas no ensino fundamental em escolas públicas, que não tinham 
histórico de avaliação ou tratamento fonoaudiológico, mas foram indicadas pelo núcleo de 
orientação pedagógica da escola devido a suspeitas de distúrbios fonoaudiológicos.
Fonte: GOULART, B. Human communication and children health promotion – 
reflect on the actions of health promotion in childhood and prevention of communication 
disorders. Revista CEFAC, p. 691–695, 2012. Disponível em: https://www.scielo.br/j/
rcefac/a/Tnwg9yvBQBtghH4GR3krSPS/?format=pdf&lang=en. Acesso em: 26 maio 2025.
PATOLOGIAS DA DEGLUTIÇÃOUNIDADE 3
https://www.scielo.br/j/rcefac/a/Tnwg9yvBQBtghH4GR3krSPS/?format=pdf&lang=en
https://www.scielo.br/j/rcefac/a/Tnwg9yvBQBtghH4GR3krSPS/?format=pdf&lang=en
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MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO
• Título: Ortodontia e Fonoaudiologia na Prática Clínica. 
• Autor: Ângela Cunha, et al.
• Editora: Thieme Revinter
• Sinopse: Leitura do Capítulo 1– Conceitos Introdutórios e 
Noções Básicas de Crescimento e Desenvolvimento Craniofacial.
• Objetivo: Aprofundar o conhecimento sobre os conceitos 
de crescimento craniofacial, mecanismos de crescimento e as 
hipóteses e teoria do crescimento craniofacial. 
VÍDEO
• Título: Hábitos Orais Deletérios: O que fazer?
• Ano: 2020.
• Sinopse: Nesse encontro as especialistas Tais Ciboto, 
Fonoaudióloga e Patricia Caram, Orientadora Educacional da 
Escola Meu Castelinho conversaram sobre a consequência 
que alguns hábitos orais - como o uso de chupeta, mamadeira, 
chupar dedo e roer unhas - de forma prolongada podem trazer ao 
desenvolvimento da fala e todas as demais implicações físicas 
que podem acarretar. Também conversaram do ponto de vista 
psicológico e emocional, sobre aspectos que envolvem a transição 
e deram dicas práticas de como apoiar as crianças na remoção ou 
substituição desses hábitos de forma saudável e tranquila.
• Link: https://www.youtube.com/watch?v=dkpBEB1WJ2c
PATOLOGIAS DA DEGLUTIÇÃOUNIDADE3
https://www.youtube.com/watch?v=dkpBEB1WJ2c
69
REFERÊNCIAS
ANDRADE, C. R. F. (Org.). Tratado de motricidade orofacial. São Paulo: Pulso Editorial, 
2019.
BARBOSA, Elizangela A. Manual prático de disfagia para home care. Rio de Janeiro: 
Thieme Revinter, 2018.
CANONGIA, M. Intervenção precoce em Fonoaudiologia. Rio de Janeiro: Revinter, 
2000.
COSTA, Milton. Deglutição e disfagia. Rio de Janeiro: MedBook Editora, 2013. E-book. 
p. 187. ISBN 9786557830642. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/
reader/books/9786557830642/. Acesso em: 26 maio 2025.
CUNHA, Ângela Cristina Pinto de Paiva; et al. Ortodontia e fonoaudiologia na prática 
clínica. 1. ed. Rio de Janeiro: Thieme Revinter, 2011.
MARCHESAN, Irene Queiroz. Fundamentos em fonoaudiologia: aspectos clínicos da 
motricidade oral. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1998.
PATOLOGIAS DA DEGLUTIÇÃOUNIDADE 3
Paralisia Facial 
e Aleitamento 
Materno4 UNIDADEUNIDADE
71
PLANO DE ENSINO
Tópicos de Estudos
• Aleitamento materno: desenvolvimento embrionário, sucção e respiração; 
desenvolvimento craniofacial e reflexos orais.
• Aleitamento materno: anatomia, fisiologia, manejo clínico da lactação. 
Problemas na amamentação, alterações motoras orofaciais.
• Paralisia facial.
• Alteração de fala: ceceios.
Objetivos da Aprendizagem
• Compreender o aleitamento materno;
• Aprender sobre anatomia, fisiologia, manejo clinico da lactação.
• Aprender a identificar os problemas na amamentação assim como alterações 
motoras.
• Identificar e diferenciar as paralisias faciais, assim como suas causas.
• Diferenciar os tipos de ceceio encontrados na alteração da fala.
• Sugestão de um programa de treinamento para ceceio.
PARALISIA FACIAL E ALEITAMENTO MATERNOUNIDADE 4
72
Olá, tudo bem? Que bom ter você de volta! Seja bem-vindo(a) à nossa quarta 
unidade da disciplina de Distúrbios da Motricidade Orofacial. Vamos começar?
Hoje vamos abordar um tema fundamental desde os primeiros dias de vida: 
o aleitamento materno. Mais do que uma forma de nutrição, ele é essencial para o 
desenvolvimento orofacial, estimulando músculos, ossos, nervos e reflexos importantes 
para funções como a sucção, deglutição, respiração e até a fala.
Você sabia que o preparo para mamar começa ainda na vida intrauterina? E que a 
amamentação ajuda a moldar estruturas faciais como o palato, a mandíbula e os músculos 
da face? Pois é! Vamos explorar, desde o desenvolvimento embrionário, a coordenação 
entre sucção e respiração, até a importância dos reflexos orais e do crescimento 
craniofacial saudável.
Também vamos entender como alterações anatômicas ou neurológicas, como 
fissuras, anquiloglossia ou até paralisia facial, podem comprometer esse processo — e o 
papel essencial da fonoaudiologia clínica na avaliação e intervenção precoce.
Além disso, vamos revisar os aspectos anatômicos e fisiológicos da amamentação, 
os principais desafios enfrentados na prática clínica, e como o manejo adequado da 
lactação pode prevenir alterações motoras orofaciais futuras.
Nosso objetivo é que você amplie seu olhar clínico e compreenda como o início da 
vida influencia diretamente o desenvolvimento funcional da face.
Preparado(a)? Então, vamos juntos nessa jornada!
Bons estudos!
INTRODUÇÃO
PARALISIA FACIAL E ALEITAMENTO MATERNOUNIDADE 4
73
O aleitamento materno é uma prática essencial para a nutrição e o 
desenvolvimento global do recém-nascido, com implicações significativas para a 
motricidade orofacial. Ele influencia diretamente o desenvolvimento das funções orais, 
do sistema estomatognático e da estrutura craniofacial. Neste capítulo, abordaremos os 
aspectos do desenvolvimento embrionário relacionados à amamentação, os mecanismos 
de sucção e respiração, o desenvolvimento craniofacial e os reflexos orais envolvidos no 
processo.
Desenvolvimento Embrionário Relacionado à Amamentação
O desenvolvimento do sistema orofacial começa nas primeiras semanas de 
gestação e é fundamental para a futura capacidade de sucção e alimentação do recém-
nascido.
• 4ª a 8ª semana gestacional: formação das estruturas faciais, como palato, 
mandíbula, maxila, lábios e nariz. O fechamento do palato ocorre entre a 7ª e a 
12ª semana.
• Início da 9ª semana: diferenciação dos músculos da face e da língua.
• 10ª a 14ª semana: maturação dos nervos cranianos envolvidos nas funções 
de sucção (V, VII, IX, X e XII).
Intercorrências durante este período, como fissuras labiopalatinas ou síndromes 
craniofaciais, podem comprometer a amamentação.
Aleitamento Materno e 
Desenvolvimento Orofacial1
TÓPICO
PARALISIA FACIAL E ALEITAMENTO MATERNOUNIDADE 4
74PARALISIA FACIAL E ALEITAMENTO MATERNOUNIDADE 4
Sucção e Respiração: Coordenação Funcional
A amamentação exige uma coordenação complexa entre sucção, deglutição e 
respiração. A sucção nutritiva é uma habilidade neuromotora complexa, essencial para a 
alimentação oral eficaz e segura.
• Sucção não-nutritiva (SNN): presente desde a vida intrauterina (em torno 
da 12ª semana gestacional); contribui para o amadurecimento dos músculos 
orofaciais.
• Sucção nutritiva (SN): inicia-se após o nascimento e envolve a extração ativa 
do leite. Caracteriza-se por um padrão rítmico de sucção, deglutição e pausas 
respiratórias.
A respiração nasal, ideal durante a amamentação, promove a correta postura da 
língua, crescimento das estruturas faciais e aeração das vias aéreas superiores.
Coordenação Sucção–Deglutição–Respiração (SDR):
• No recém-nascido a termo, essa tríade está funcionalmente coordenada.
• Prematuros e neonatos com alterações neurológicas podem apresentar 
dificuldades nesta coordenação, sendo necessário suporte fonoaudiológico.
Desenvolvimento Craniofacial e Aleitamento Materno
O aleitamento materno favorece o crescimento e desenvolvimento harmonioso 
das estruturas craniofaciais devido à intensa atividade muscular requerida durante a 
mamada.
• Mandíbula: o movimento de protrusão e elevação durante a sucção estimula o 
seu crescimento.
• Maxila e palato duro: a pressão da língua contra o palato favorece o 
alargamento transversal da maxila.
• Tônus e força muscular: o esforço necessário para extrair o leite do 
seio materno fortalece os músculos orofaciais (lábios, bochechas, língua e 
mandíbula).
Estudos demonstram que crianças amamentadas exclusivamente ao seio têm 
menor incidência de maloclusões, respiração oral e alterações miofuncionais orofaciais 
(Cesar; Lima, 2020).
75PARALISIA FACIAL E ALEITAMENTO MATERNOUNIDADE 4
Reflexos Orais e Aleitamento Materno
O recém-nascido apresenta reflexos orais primitivos que são fundamentais para 
a amamentação:
• Reflexo de busca: estimulado ao tocar o canto da boca, leva o bebê a virar a 
cabeça em direção ao estímulo.
• Reflexo de sucção: permite a realização de movimentos rítmicos de sucção 
ao contato com o seio materno.
• Reflexo de deglutição: coordenado com a sucção e a respiração, permite a 
ingestão segura do leite.
• Reflexo de mordida: ação involuntária dos músculos da mandíbula frente a 
estímulos intraorais.
• Reflexo de vômito: proteção contra a aspiração e engasgos.
Esses reflexos tendem a desaparecer ou se integrar ao longo do primeiro ano 
de vida, à medida que as funções voluntárias se consolidam.
Considerações Fonoaudiológicas
A atuação fonoaudiológica é essencial na promoção, prevenção, avaliação 
e intervenção em casos de dificuldades relacionadas ao aleitamento materno. O 
fonoaudiólogo contribui para:
• Avaliação da prontidão oral do recém-nascido.
• Orientações quanto ao posicionamento e pega correta.
• Identificação precoce de alterações estruturais ou funcionais.
• Estimulação sensório-motora oral em casos de prematuridade ou 
comprometimentos neurológicos.
O aleitamento materno é um poderoso aliado no desenvolvimento da 
motricidade orofacial e da função respiratória e deglutição adequada. Seu impacto vai 
além da nutrição, promovendo crescimento craniofacial harmonioso, desenvolvimentoneuromotor e relações afetivas importantes para o bebê. Cabe ao fonoaudiólogo 
conhecer profundamente esses mecanismos para atuar de forma eficaz desde os 
primeiros dias de vida.
76
O aleitamento materno é uma prática milenar, universal e recomendada como 
forma ideal de alimentação para recém-nascidos e lactentes. O leite materno deve ser 
a única fonte de alimentação até os seis meses de idade e complementado até pelo 
menos os dois anos ou mais. Para além de seus inúmeros benefícios nutricionais e 
imunológicos, o aleitamento materno desempenha um papel crucial no desenvolvimento 
da cavidade oral e das funções estomatognáticas — como sucção, deglutição, 
mastigação e fala.
Do ponto de vista fonoaudiológico, o ato de mamar ao seio envolve mais do 
que a simples ingestão de leite: trata-se de um processo complexo, coordenado e ativo 
que estimula e organiza os sistemas neuromuscular e sensório-motor oral do bebê. 
Durante a amamentação, há o envolvimento de estruturas orofaciais fundamentais — 
lábios, língua, mandíbula, bochechas, palato, entre outras —, que precisam agir de 
forma harmônica e funcional para garantir uma sucção eficaz. Esse processo favorece 
o desenvolvimento adequado da musculatura e das funções orais, a respiração nasal, o 
crescimento e a modelagem óssea da face, além de contribuir para o vínculo mãe-bebê.
A sucção nutritiva ao seio promove padrões neuromotores que servirão de base 
para o desenvolvimento das funções orais posteriores. Quando bem estabelecida, a 
amamentação contribui diretamente para a prevenção de alterações como distúrbios 
de deglutição, disfunções miofuncionais orofaciais, problemas de fala e más oclusões 
dentárias. Por outro lado, dificuldades no aleitamento, como pega incorreta, dor mamilar, 
anquiloglossia e uso precoce de bicos artificiais, podem desencadear compensações 
motoras que comprometem esse desenvolvimento, exigindo uma atuação clínica 
fonoaudiológica precoce e eficaz.
Aleitamento e Alterações na 
Função Orofacial2
TÓPICO
PARALISIA FACIAL E ALEITAMENTO MATERNOUNIDADE 4
77
Anatomia envolvida na Amamentação
O processo de amamentação exige a participação de estruturas anatômicas 
específicas, tanto do sistema estomatognático do lactente quanto da anatomia mamária 
da nutriz.
Estruturas orofaciais do bebê:
• Lábios: devem estar evertidos e em contato firme com a aréola, promovendo 
vedação e sustentação durante a sucção.
• Língua: posicionada em formato de “concha”, cobre a gengiva inferior e realiza 
movimentos peristálticos anteroposteriores, fundamentais para a ordenha do 
leite.
• Mandíbula: participa com movimentos de abertura e fechamento rítmicos, 
promovendo pressão negativa e estímulo à ejeção do leite.
• Bochechas: colaboram com a vedação intraoral, mantendo a pressão negativa 
necessária.
• Palato duro e mole: envolvem-se no direcionamento e coordenação da 
deglutição.
• Aréola: área pigmentada em torno do mamilo, rica em glândulas de 
Montgomery que secretam substâncias lubrificantes.
• Mamilo: deve ser tracionado pela musculatura oral do bebê durante a sucção.
• Alvéolos mamários: responsáveis pela produção do leite, estimulados pela 
prolactina.
• Ductos lactíferos: transportam o leite até o mamilo, ativados pelo reflexo de 
ejeção.
FIGURA 1: ANATOMIA DA MAMA
Fonte: https://smart.servier.com/smart_image/breast-sagittal/. 
PARALISIA FACIAL E ALEITAMENTO MATERNOUNIDADE 4
https://smart.servier.com/smart_image/breast-sagittal/
78
Fisiologia da Lactação
O sucesso da amamentação depende da integridade de mecanismos hormonais e 
neurofisiológicos que regulam a produção e a ejeção do leite.
Hormônios envolvidos:
• Prolactina: atua na produção do leite, sendo estimulada pela sucção.
• Ocitocina: responsável pela ejeção do leite, liberada pela ação reflexa da 
sucção e também modulada por aspectos emocionais.
Reflexos fisiológicos:
• Reflexo de busca: aproximação da boca ao seio provoca o movimento de 
procura pelo mamilo.
• Reflexo de sucção: estimulado ao contato com o palato, desencadeia a 
atividade de sucção.
• Reflexo de deglutição: coordenado com respiração, permite a ingestão 
segura do leite.
Manejo Clínico da Lactação
A atuação clínica fonoaudiológica no processo de amamentação é essencial 
para garantir a eficácia da sucção nutritiva e prevenir ou minimizar disfunções orofaciais. 
A fonoaudiologia, enquanto ciência que estuda as funções estomatognáticas, tem papel 
estratégico no reconhecimento precoce de alterações na dinâmica oral do lactente, no 
apoio à mãe e na promoção de um aleitamento materno funcional e prazeroso para a 
díade.
O manejo clínico da lactação envolve três pilares principais:
• Avaliação detalhada e sistemática da díade mãe-bebê;
• Intervenções baseadas em evidências científicas, respeitando a 
individualidade de cada caso;
• Atuação integrada com outros profissionais da saúde.
PARALISIA FACIAL E ALEITAMENTO MATERNOUNIDADE 4
79
Avaliação Fonoaudiológica na Lactação
A avaliação fonoaudiológica deve ser global, funcional e sensível às nuances 
clínicas da amamentação. Envolve observar o bebê antes, durante e após a mamada, com 
foco nas estruturas orofaciais, na coordenação motora e na efetividade da alimentação.
Principais pontos de observação:
• Postura do bebê e da mãe durante a mamada (apoio de cabeça e pescoço, 
alinhamento corporal);
• Pega na mama (abrangência da aréola, vedamento labial, ausência de dor na 
mãe);
• Sucção nutritiva vs. não nutritiva (ritmo, vigor, pausas);
• Atividade dos lábios, bochechas, mandíbula e língua;
• Sinais de estresse ou esforço durante a mamada (engasgos, tosse, 
arqueamento, irritabilidade);
• Padrão de respiração (se nasal, se há ruídos ou obstruções);
• Presença de frênulo lingual alterado, retrognatismo, fenda, ou outras 
alterações anatômicas.
Dificuldades na Amamentação:
• Pega inadequada;
• Pode causar fissuras mamilares, dor intensa, baixa transferência de leite e 
perda de peso no bebê;
• Anquiloglossia;
• É a restrição do frênulo lingual que pode comprometer a elevação e protrusão 
da língua. A avaliação deve considerar critérios anatômicos e funcionais;
• Prematuridade e hipotonia;
• Prematuros geralmente apresentam imaturidade neurológica e tônus reduzido, 
o que dificulta a sucção eficaz;
• Confusão de bicos;
• O uso precoce de bicos artificiais pode interferir no padrão de sucção ao seio, 
comprometendo o aleitamento exclusivo.
PARALISIA FACIAL E ALEITAMENTO MATERNOUNIDADE 4
80
Alterações Motores Orofaciais Decorrentes da Amamentação Inadequada
Impactos no crescimento craniofacial:
• Falta de estímulo mecânico e muscular adequado.
• Prejuízos na expansão transversal da maxila e crescimento mandibular.
• Predisposição à má oclusão e respiração oral.
Disfunções miofuncionais orofaciais:
• Deglutição atípica.
• Interposição lingual.
• Hipotonia de lábios e língua.
• Dificuldades articulatórias futuras.
Importância da amamentação como fator preventivo:
A amamentação exclusiva é um exercício fisiológico completo, com potencial 
preventivo de alterações musculares, respiratórias e posturais.
PARALISIA FACIAL E ALEITAMENTO MATERNOUNIDADE 4
81
A paralisia facial constitui uma alteração neuromuscular resultante da disfunção 
parcial (paresia) ou total (paralisia) do nervo facial, também denominado VII par 
craniano, responsável pela inervação motora dos músculos da expressão facial, além de 
componentes sensoriais e autonômicos relacionados à gustação e à produção de saliva e 
lágrimas.
No âmbito da Motricidade Orofacial, ramo da Fonoaudiologia voltado ao estudo 
das funções estomatognáticas (sucção, mastigação, deglutição, fala e respiração), 
a paralisia facial configura-se como uma condição de grande relevância clínica, pois 
compromete diretamente a funcionalidade dos músculos faciais envolvidos na dinâmica 
orofacial e, em especial, no desempenho de funções vitais durante a primeira infância — 
como o aleitamento materno (Andrade,2019).
Anatomia Funcional do Nervo Facial
O nervo facial (VII par craniano) é um nervo misto, com funções motoras 
predominantes e também componentes sensoriais e parassimpáticos. Ele inerva os 
músculos da expressão facial, parte das glândulas salivares e lacrimais, além de conduzir 
informações gustativas dos dois terços anteriores da língua.
Paralisia Facial3
TÓPICO
PARALISIA FACIAL E ALEITAMENTO MATERNOUNIDADE 4
82
A lesão desse nervo pode afetar diretamente as funções orais primárias, 
fundamentais para o aleitamento materno, como:
• Sucção;
• Vedamento labial;
• Coordenação orofacial;
• Estabilidade da bochecha (músculo bucinador).
Tipos de Paralisia Facial
Paralisia Facial Central:
Causa: lesões supranucleares (acima do núcleo do nervo facial no tronco 
encefálico), como AVC, traumatismos, tumores ou doenças degenerativas. Quando a 
lesão ocorre em nível cortical ou cortico-nuclear, geralmente poupando a musculatura da 
testa por conta da inervação bilateral dessa região (Bento et al., 2018).
Características:
• Comprometimento da musculatura da metade inferior da face contralateral à 
lesão.
• Preservação dos movimentos da testa e fechamento ocular.
• Geralmente associada a outras manifestações neurológicas.
Paralisia Facial Periférica:
Causa: lesões no próprio nervo facial (abaixo do núcleo), podendo ser congênitas, 
traumáticas ou idiopáticas. Quando a lesão compromete diretamente o nervo facial após 
sua emergência do tronco encefálico, provocando paralisia flácida ipsilateral em todos os 
músculos da hemiface, incluindo fronte, olhos, bochechas e lábios.
Características:
• Comprometimento ipsilateral da musculatura da face.
• Paralisia completa da hemiface afetada (incluindo testa, olhos e boca).
• Pode ocorrer ao nascimento (paralisia facial congênita), muitas vezes 
relacionada a traumas obstétricos.
PARALISIA FACIAL E ALEITAMENTO MATERNOUNIDADE 4
83
Paralisia Facial Congênita e Neonatal:
A paralisia facial congênita pode ser:
• Traumática: causada por compressão ou tração do nervo durante o parto (ex.: 
uso de fórceps).
• Desenvolvimental: devido a malformações ou ausência do núcleo do nervo 
facial (ex.: Síndrome de Moebius).
• Idiopática: quando não se identifica uma causa evidente.
Diagnóstico Diferencial:
• Avaliação neurológica e motora.
• Investigação de síndromes associadas.
• Testes de condução nervosa (EMG) quando necessário.
A paralisia facial, ao comprometer os músculos da mímica facial, acarreta não 
apenas alterações estéticas, mas principalmente disfunções sensório-motoras orofaciais, 
entre as quais se destacam:
• Perda ou redução da tonicidade labial, dificultando o selamento dos lábios e 
comprometendo o controle intraoral do leite durante a amamentação;
• Incapacidade de gerar ou manter pressão intraoral negativa adequada, 
fundamental para a sucção nutritiva eficiente;
• Assimetria de contração muscular, que interfere na coordenação dos 
movimentos de bochecha e mandíbula;
• Redução do controle postural da língua e do assoalho da boca, que agrava o 
quadro de desorganização da função alimentar.
Essas alterações motoras têm implicações diretas na função de alimentação, 
particularmente no período neonatal, onde o aleitamento materno representa a principal 
via de nutrição e formação do vínculo mãe-bebê.
Implicações da paralisia Facial no Aleitamento Materno
A amamentação é uma função orofacial complexa, que exige:
• Coordenação neuromuscular entre sucção, deglutição e respiração;
• Vedamento labial eficiente;
• Movimento coordenado da língua e mandíbula;
• Ação de contenção dos músculos bucais (ex.: bucinador) para manter o vácuo 
intraoral.
PARALISIA FACIAL E ALEITAMENTO MATERNOUNIDADE 4
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O sucesso do aleitamento depende de um complexo sincronismo entre sucção, 
deglutição e respiração, o qual exige integridade neuromuscular. Em casos de paralisia 
facial congênita ou adquirida precocemente, observa-se:
• Dificuldade para manter o mamilo na cavidade oral;
• Escape frequente de leite pela comissura labial do lado afetado;
• Sucção ineficiente e fatigante;
• Irritabilidade e recusa alimentar;
• Risco de aspiração, em alguns casos;
• Frustração materna e maior tendência ao desmame precoce.
A musculatura orofacial, notadamente o músculo orbicular dos lábios e o músculo 
bucinador, tem papel crucial na criação do vácuo intraoral e na estabilização do seio 
materno durante a mamada. Quando inativados por lesão facial, o bebê apresenta 
instabilidade funcional, gerando movimentos compensatórios ineficazes, como projeção 
lingual ou esforço mandibular excessivo.
Observações clínicas: 
• Bebês com paralisia facial podem apresentar assimetrias visíveis durante o 
choro e sucção;
• O seio materno pode cair lateralmente da boca na hemiface afetada;
• A musculatura da bochecha não contribui para a manutenção do bolo lácteo.
PARALISIA FACIAL E ALEITAMENTO MATERNOUNIDADE 4
85
As alterações articulatórias, como os ceceios, constituem distúrbios fonéticos 
caracterizados por desvios na produção dos sons da fala, em especial os sibilantes, 
como /s/ e /z/. A compreensão desses desvios exige uma abordagem integrativa entre os 
sistemas sensório-motor orofacial, os aspectos miofuncionais e o desenvolvimento da fala 
e linguagem. A motricidade orofacial oferece um suporte teórico-prático essencial para a 
avaliação, diagnóstico e intervenção nos casos de ceceios (Marchesan,1998).
Definição de Ceceio
O ceceio é uma alteração articulatória perceptível durante a produção dos fonemas 
/s/ e /z/, provocando uma distorção acústica. Ele pode se apresentar de forma:
• Ceceio Frontal (ou interdental): esse tipo de ceceio acontece quando a 
língua avança além dos dentes, posicionando-se entre os incisivos superiores e 
inferiores no momento da fala. Isso faz com que o ar escape pela frente da boca 
de forma dispersa, alterando o som típico das letras “s” e “z”. O som produzido 
fica enfraquecido, impreciso e pode parecer “soprado” ou “assobiado”. É comum 
em pessoas com hábitos orais prolongados (como chupar dedo ou chupeta), 
alterações na mordida (como mordida aberta) ou padrões inadequados de 
respiração, que interferem na postura e no controle da língua durante a 
articulação.
Alteração de 
Fala: Ceceios4
TÓPICO
PARALISIA FACIAL E ALEITAMENTO MATERNOUNIDADE 4
86
• Ceceio lateral: ocorre quando o ar, ao invés de sair pela parte central da 
língua, escapa pelos lados durante a produção dos sons /s/ e /z/. Isso acontece 
por um posicionamento inadequado da língua, que impede o direcionamento 
correto do fluxo de ar. O som resultante é distorcido e muitas vezes descrito 
como “molhado”, “chiado” ou com aspecto “escorregadio”. Essa alteração é 
geralmente causada por dificuldades no controle motor da língua, como falta 
de força ou coordenação, podendo estar associada à hipotonia, alterações 
anatômicas ou até mesmo a padrões articulatórios incorretos que se 
estabeleceram ao longo do desenvolvimento da fala. Por suas características 
acústicas marcantes, o ceceio lateral costuma ser facilmente percebido e, em 
alguns casos, confundido com outros distúrbios mais complexos.
• Ceceio palatalizado: acontece quando há uma elevação exagerada do 
dorso da língua em direção ao palato duro durante a produção dos sibilantes, 
especialmente /s/. O som resultante tende a se aproximar do fonema /ʃ/ (‘ch’), 
levando à palatalização da fala. Pode estar relacionado ao excesso de tensão 
na musculatura lingual, padrões articulatórios inadequados aprendidos durante 
o desenvolvimento ou alterações estruturais como palato estreito ou alto.
A etiologia do ceceio é multifatorial. Os principais fatores incluem:
• Alterações dento-oclusais (mordida aberta anterior, mordida cruzada posterior);
• Persistência de hábitos orais (sucção digital, uso prolongado de mamadeira ou 
chupeta);
• Respiração oral crônica;
• Frenulo de língua alterado;
• Hipotonia ou hipertonia dos músculos orofaciais.
Intervenção Fonoaudiológica:Programa de Treinamento para Ceceios
Princípios do treinamento:
Reeducação Motora da Língua
A língua é o principal articulador envolvido nos ceceios, especialmente nos 
fonemas sibilantes [s], [z], [ʃ], [ʒ]. A reeducação motora busca restaurar a posição e 
trajetória correta da língua durante a articulação.
PARALISIA FACIAL E ALEITAMENTO MATERNOUNIDADE 4
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• Objetivo: desenvolver novos padrões neuromotores para o posicionamento 
adequado da ponta e dorso da língua.
• Aplicação prática: treinamento com espelho para consciência postural, uso de 
espátulas para delimitação do espaço de produção, uso de cotonetes para toque 
leve na região alveolar.
Correção Postural:
A postura corporal, de cabeça e especialmente a postura lingual em repouso, 
interfere diretamente na fala e respiração. Crianças com postura de língua baixa ou 
interposta frequentemente mantêm padrões viciados na fala.
• Objetivo: estabelecer equilíbrio tônico-postural da musculatura orofacial e 
corporal.
• Exemplo clínico: exercícios de alinhamento cervical com suporte de parede; 
treino de repouso lingual com elevação da ponta para a papila incisiva.
Fortalecimento Muscular:
A baixa tonicidade dos músculos da língua e lábios pode afetar o controle 
articulatório dos fonemas.
• Objetivo: melhorar a força e resistência dos músculos envolvidos na produção 
dos sons.
• Fundamentação: princípios do treinamento isométrico e isotônico adaptados 
para a musculatura orofacial. 
• Aplicações: pressão da língua contra o palato com resistência, ventosas para 
os lábios, sopros com resistência (ex.: palito de algodão, canudoterapia com 
variação de diâmetro).
Progressão Gradual: do fonema isolado à fala espontânea:
A terapia fonoaudiológica precisa seguir uma hierarquia de complexidade 
linguística, permitindo que o paciente adquira confiança e automatize os novos padrões 
articulatórios.
Etapas:
• Fonema isolado;
• Fonema em sílabas (posição inicial, medial e final);
• Palavras (monossílabas → polissílabas);
• Frases;
• Fala espontânea.
Importância: promove a generalização do som corrigido para a fala natural.
PARALISIA FACIAL E ALEITAMENTO MATERNOUNIDADE 4
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Estímulos multissensoriais: visuais, táteis e auditivos:
A utilização de estímulos variados amplia o engajamento e melhora a 
autopercepção do paciente quanto aos erros e acertos articulatórios.
• Visual: uso de espelho, vídeos com boca em close, aplicativos de realidade 
aumentada.
• Tátil: toque na região alveolar, uso de cotonetes, escova de língua, ou gelatinas 
para feedback de posição.
• Auditivo: gravações da própria fala, softwares com espectrograma (ex.: 
PRAAT), comparação de sons corretos/incorretos.
Técnicas Utilizadas – Detalhamento 
Exercícios de propriocepção lingual: são atividades que visam desenvolver a 
consciência da posição e movimento da língua, fundamentais para o controle articulatório. 
Exemplos:
• Deslizar a ponta da língua ao longo do palato até a papila incisiva 
(direcionalidade).
• Estimular contato, ponta da língua x papila incisiva x dentes superiores x palato 
duro (localização).
• Tocá-la com objetos (cotonete, espátula) e pedir ao paciente para reproduzir a 
posição.
Terapia Miofuncional orofacial: foca no restabelecimento do equilíbrio funcional 
entre os grupos musculares orais para garantir condições estáveis para a fala.
• Isolamento e contração da musculatura labial (ex.: biquinho com resistência).
• Elevação de ponta e dorso da língua contra o palato.
• Coordenação respiratória e articulação.
Exercícios integrados à rotina: uso de sons com resistência durante escovação, 
sons com vibração lingual durante leitura.
Modelagem fonética e reforço positivo: técnicas que visam reforçar 
positivamente os acertos e modelar os sons corretamente para favorecer a aprendizagem 
motora.
PARALISIA FACIAL E ALEITAMENTO MATERNOUNIDADE 4
89
Modelagem fonética: o terapeuta demonstra a articulação correta e guia a 
produção do paciente.
• Uso de pistas visuais (lábios, língua), metáforas sonoras (ex.: “s” é o som da 
cobra).
Reforço positivo: elogios, fichas de progresso, sistemas de pontos para 
motivação.
Importância: promove a automatização por meio do prazer na comunicação e do 
vínculo terapêutico.
Técnicas complementares modernas:
• Aplicativos interativos e jogos digitais: para treinar fonemas em contextos 
lúdicos com correção auditiva e visual automática.
• Técnicas de biofeedback acústico: análise visual do espectrograma da fala 
do paciente (uso do software PRAAT ou Audacity).
• Realidade aumentada (RA): permite visualizar tridimensionalmente o trajeto 
da língua nos sons-alvo (em clínicas com recursos tecnológicos).
PARALISIA FACIAL E ALEITAMENTO MATERNOUNIDADE 4
90
“A fonoaudiologia na primeira infância não trata apenas da fala: ela promove vínculos, fortalece a 
confiança e constrói condições para que a criança floresça em saúde e comunicação.”
 
— Livre adaptação dos conceitos de Canongia (2000).
REFLITA
PARALISIA FACIAL E ALEITAMENTO MATERNOUNIDADE 4
A paralisia de Bell é a forma mais comum de paralisia facial periférica, afetando cerca de 20 a 
30 pessoas a cada 100 mil por ano. Embora sua causa exata ainda seja desconhecida, acredita-se 
que esteja relacionada à inflamação viral do nervo facial, como a reativação do vírus herpes simples. 
O nervo facial controla os músculos responsáveis pela expressão facial, o que explica a perda de 
movimento típica dessa condição. Estudos indicam que o tratamento com corticosteroides dentro de 
72 horas do início dos sintomas aumenta significativamente as chances de recuperação completa. 
Fonte: NATIONAL INSTITUTE OF NEUROLOGICAL DISORDERS AND STROKE. Bell’s palsy. National 
Institutes of Health, [s.d.]. Disponível em: https://www.ninds.nih.gov/health-information/disorders/bells-palsy 
. Acesso em: 13 jun. 2025.
SAIBA
MAIS
https://www.ninds.nih.gov/health-information/disorders/bells-palsy
https://www.ninds.nih.gov/health-information/disorders/bells-palsy
https://www.ninds.nih.gov/health-information/disorders/bells-palsy
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Nesta unidade, exploramos aspectos fundamentais para a atuação 
fonoaudiológica desde os primeiros dias de vida, com ênfase no aleitamento materno 
e seu papel decisivo no desenvolvimento das funções orais e estruturas do sistema 
estomatognático. Discutimos como a amamentação influencia diretamente a sucção, 
deglutição, respiração nasal, postura da língua e o crescimento craniofacial harmonioso.
Aprofundamos o estudo sobre o desenvolvimento embrionário das estruturas 
orofaciais, a coordenação funcional entre sucção, deglutição e respiração, além da 
importância dos reflexos orais primitivos — como os reflexos de busca, sucção e deglutição 
— para a alimentação eficiente e segura do recém-nascido.
Também abordamos os aspectos anatômicos e fisiológicos da lactação, os 
principais problemas na amamentação (como pega incorreta, anquiloglossia, uso de bicos 
artificiais) e as possíveis alterações motoras orofaciais decorrentes de uma amamentação 
inadequada, incluindo o risco de desenvolvimento de disfunções miofuncionais.
Por fim, discutimos o impacto de condições clínicas específicas, como a paralisia 
facial congênita ou adquirida, na dinâmica da amamentação — destacando os desafios 
musculares e funcionais que exigem atenção precoce e atuação especializada do 
fonoaudiólogo.
Em conclusão, compreender o papel do aleitamento materno no desenvolvimento 
orofacial é essencial para a prática clínica fonoaudiológica. Esse conhecimento permite 
a identificação precoce de riscos, o planejamento de intervenções eficazes e o suporte 
adequado à díade mãe-bebê, promovendo saúde, funcionalidade e vínculo desde o início 
da vida.
Até Breve!
CONSIDERAÇÕES FINAIS
PARALISIA FACIAL E ALEITAMENTO MATERNOUNIDADE 4
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LEITURA COMPLEMENTAR
Caro(a) aluno(a), que tal fazermos uma leitura complementar sobre esse capítulo?
Deixo a seguir uma sugestão de leitura:
Artigo: A Fonoaudiologia e o AleitamentoMaterno
Resenha: Este trabalho foi realizado através de revisão bibliográfica sobre o 
Aleitamento Materno e suas vantagens para o crescimento e desenvolvimento do Sistema 
Sensório Motor Oral, verificaram-se também as possíveis alterações quando ocorrer 
o desmame precoce e sua relação com a desnutrição, anemia, doenças infecciosas, 
respiração bucal e disfunções miofuncionais, principalmente pelo uso prolongado de 
hábitos orais viciosos. Assim como a importância da conscientização de profissionais 
de saúde para promover a prática do amamentar, através de orientações e repasse de 
informações às mães e às suas famílias.
Fonte: PAES, Adriane Mairia E. G. A. A fonoaudiologia e o aleitamento 
materno. 1999. Monografia de conclusão do Curso de Especialização em Motricidade 
Oral. Disponível em: http://sp.cefac.br/alunminus/cefac/biblioteca/publicacoes/
arquivos/0000035_TA21.PDF. Acesso em: 13 jun. 2025.
PARALISIA FACIAL E ALEITAMENTO MATERNOUNIDADE 4
http://sp.cefac.br/alunminus/cefac/biblioteca/publicacoes/arquivos/0000035_TA21.PDF
http://sp.cefac.br/alunminus/cefac/biblioteca/publicacoes/arquivos/0000035_TA21.PDF
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MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO
• Título: Tratado de Paralisia Facial.
• Autor: Ricardo Bento, et al.
• Editora: Thieme Revinter.
• Sinopse: Leitura Seção V: reabilitação não cirúrgica na Paralisia 
Facial. Aprofundar o conhecimento sobre a reabilitação não 
cirúrgica e a reabilitação fonoaudiológica.
VÍDEO
• Título: Fonoaudiologia - vídeo de apresentação CFFa.
• Ano: 2010.
• Sinopse: Nesse vídeo de apresentação do Conselho Federal de 
Fonoaudiologia, destaca que o fonoaudiólogo é um profissional 
que atua principalmente nas áreas da saúde, educação e 
comunicação. Atende pacientes de todas as idades e contribui em 
equipes multiprofissionais e tem uma formação abrangente, que 
vai do tratamento de problemas de fala à terapia em distúrbios da 
deglutição ou neurológicos.
• Link: https://www.youtube.com/watch?v=xMlkGONtCOA
PARALISIA FACIAL E ALEITAMENTO MATERNOUNIDADE 4
https://www.youtube.com/watch?v=xMlkGONtCOA
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REFERÊNCIAS
ANDRADE, C. R. F. (Org.). Tratado de motricidade orofacial. São Paulo: Pulso Editorial, 
2019.
BENTO, Ricardo F.; SALOMONE, Raquel; FONSECA, Anna Carolina de O.; et al. 
Tratado de Paralisia Facial: Fundamentos Teóricos – Aplicação Prática. Rio de Janeiro: 
Thieme Revinter, 2018. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/
books/9788554650209/. Acesso em: 13 jun. 2025.
CANONGIA, M. Intervenção precoce em Fonoaudiologia. Rio de Janeiro: Revinter, 
2000.
CESAR, Andréa de M.; LIMA, Meline D. Fundamentos e Práticas em Fonoaudiologia 
- Volume 3. Rio de Janeiro: Thieme Revinter, 2020. Disponível em: https://integrada.
minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786555720327/. Acesso em: 13 jun. 2025.
MARCHESAN, Irene Queiroz. Fundamentos em fonoaudiologia: aspectos clínicos da 
motricidade oral. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1998.
PARALISIA FACIAL E ALEITAMENTO MATERNOUNIDADE 4
95
CONCLUSÃO GERAL
Prezado (a) aluno (a),
Chegamos ao final desta apostila, e é com grande satisfação que encerramos 
essa jornada de aprendizado sobre Distúrbios da Motricidade Orofacial. Ao longo 
das unidades, percorremos desde os fundamentos da anatomia e fisiologia muscular, 
passando pelo funcionamento do sistema estomatognático, até temas mais específicos 
como hábitos orais deletérios, desenvolvimento craniofacial, deglutição atípica e 
adaptada, aleitamento materno e paralisia facial.
Cada unidade foi construída de forma a se interligar à seguinte, compondo um 
ciclo contínuo de conhecimento que se fortalece à medida que novas camadas são 
adicionadas. Iniciamos com a base estrutural — o conhecimento muscular — essencial 
para compreender a atuação das funções orofaciais. Seguimos explorando a importância 
da respiração, da mastigação e dos padrões de deglutição, e finalizamos com temas 
que exigem um olhar clínico atento desde os primeiros dias de vida, como o aleitamento 
materno e os impactos de alterações neuromusculares, como a paralisia facial.
As questões levantadas na apresentação foram, ao longo das unidades, 
respondidas e aprofundadas, oferecendo não apenas conteúdo teórico, mas também 
reflexões práticas que permitem ao futuro profissional entender a importância de uma 
atuação fonoaudiológica embasada, sensível e integrada.
É importante lembrar que o conhecimento aqui apresentado é apenas o 
começo. A Fonoaudiologia é uma ciência em constante evolução, e seu compromisso 
como estudante e profissional é manter-se em atualização contínua, buscando fontes 
confiáveis, vivências clínicas e interações com diferentes áreas do saber.
Agradeço por ter percorrido esse caminho até aqui. Espero que este material 
tenha enriquecido sua formação e despertado ainda mais seu interesse pelas 
complexidades e belezas da atuação fonoaudiológica na motricidade orofacial.
Até uma próxima oportunidade. Muito Obrigada!
ENDEREÇO MEGAPOLO SEDE
 Praça Brasil , 250 - Centro
 CEP 87702 - 320
 Paranavaí - PR - Brasil 
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	Botão 19: 
	Botão 18: 
	Botão 17: 
	Botão 16:que, assim como eu, você deve estar com 
muitas expectativas para iniciar esse caminho de aprendizagem. Vamos começar? Procure 
um lugar confortável, porque vamos realizar uma introdução a essa matéria.
A musculatura orofacial desempenha um papel fundamental na realização de 
funções básicas e complexas do nosso corpo humano, como a mastigação, deglutição, 
respiração e fala. E o que é essa motricidade orofacial? É a capacidade de controlar e 
coordenar os movimentos desses músculos. Essa estrutura muscular orofacial é composta 
por músculos estriados esqueléticos, que são controlados voluntariamente e têm inserções 
e funções específicas, muitas vezes interdependentes. Disfunções nesta musculatura 
podem gerar uma série de condições clínicas, incluindo dificuldades na alimentação, 
problemas de fala, distúrbios respiratórios e alterações nas expressões faciais, afetando 
diretamente a qualidade de vida do paciente.
O aprofundamento no estudo dos Distúrbios da Motricidade Orofacial, bem como 
suas patologias, é essencial na busca pelo conhecimento. O conteúdo a seguir irá explorar 
anatomia e fisiologia dessa musculatura, assim como origem e inserção dos principais 
músculos e suas funções.
Vamos começar essa jornada de conhecimento?
Bons Estudos!
MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIALUNIDADE 1
10
Para darmos início a essa unidade, antes de qualquer ensinamento, precisamos 
saber o conceito de músculo. 
O músculo é composto por células alongadas chamadas fibras musculares. 
Essas fibras são excitáveis à semelhança das células nervosas, mas ao contrário 
das células nervosas que são especializadas na condução de um impulso, as fibras 
musculares realizam a contração celular. Ele é um tecido especializado cuja principal 
função é gerar movimento através da contração e relaxamento das fibras musculares. De 
acordo com Junqueira e Carneiro (2023), a principal característica funcional do músculo 
é sua capacidade de excitabilidade, contratilidade, elasticidade e extensibilidade, 
propriedades essenciais para a realização de funções motoras e posturais no organismo.
Toda esta atividade é realizada por três tipos de musculatura, porém, vamos 
falar somente do músculo estriado esquelético, que está, de maneira geral, ligado aos 
ossos e tem como características a movimentação do esqueleto (Douglas, 2006).
O músculo estriado esquelético desempenha papel essencial nos movimentos 
voluntários e na sustentação postural. No campo da Fonoaudiologia, é particularmente 
fundamental para funções orofaciais como fala, deglutição e mastigação. Ele está ligado 
ao osso ou à cartilagem e, ocasionalmente, se insere dentro de outro músculo ou na 
epiderme.
Anatomia e Fisiologia 
do Músculo Estriado1
TÓPICO
1
MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIALUNIDADE 1
11
O tecido muscular estriado esquelético é formado por feixes de longas células 
(fibras), multinucleadas, cilíndricas, arranjadas paralelamente entre si. Quando 
observadas em cortes longitudinais ao microscópio, as células apresentam faixas 
transversais em seu citoplasma, motivo pelo qual são denominadas estriadas. São fibras 
de contração rápida e vigorosa, sujeitas ao controle voluntário e constituem os músculos 
esqueléticos do corpo (Junqueira; Carneiro, 2023).
Falando sobre a estrutura, o músculo esquelético é formado pelas células 
ou fibras musculares. Cada fibra muscular possui uma subunidade denominada de 
miofibrilas, que dão o aspecto estriado e que ocupam a maior parte do volume celular. 
E, por sua vez, cada miofibrila é formada por três sarcômeros em série.
MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIALUNIDADE 1
12
Acerca dos músculos, alguns escritores descrevem que são formados por 
diversas fibras que ao contraírem promovem seu movimento, tal ação é voluntária; 
comandada pelo Sistema Nervoso. Conforme Fehrenbach e Herring (1998), cada 
músculo possui duas extremidades, a extremidade de origem, que é o ponto fixo do 
músculo, e a inserção, que é seu ponto móvel; sendo que quando ocorre a contração 
das fibras, o músculo movimenta-se da inserção em direção à origem. Vamos abordar 
logo abaixo uma sequência de músculos da face, lábios e língua, assim como seu ponto 
de inserção:
IMAGEM 1 - MÚSCULOS DA FACE
Fonte: Freepik ID: 1020664
Músculos e Inserção da 
Face, Lábios e Língua2
TÓPICO
MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIALUNIDADE 1
13
2.1 Orbicular da boca
É o esfíncter da boca e está contido nos lábios. Quase não possui origem óssea, 
apesar de seu tamanho, pois somente alguns feixes se fixam na espinha nasal anterior e 
nas fóveas incisivas da maxila e da mandíbula (Madeira, 2012). É um importante músculo 
da expressão facial situado nos lábios. 
Origem: não possui.
Inserção: não possui.
Função: fecha a boca, franze os lábios (assobiar) e desempenha um papel 
importante na articulação e mastigação (ajuda a manter o alimento entre os dentes, 
quando auxiliado pelo bucinador).
Trajeto: circular ao redor da boca. 
2.2 Transversos
2.2.1 Músculo Bucinador
É o músculo da bochecha, situado entre a pele e a mucosa (Madeira, 2012). É um 
importante músculo da expressão facial situado nos lábios.
Origem: processos alveolares da maxila e da mandíbula na região molar;
Inserção: fibras se entrelaçam no músculo orbicular da boca /ângulo da boca.
Função: pressiona as bochechas firmemente de encontro aos dentes (lateral), 
auxilia na mastigação e na fala, ato de tracionar para trás o ângulo da boca.
Trajeto: oblíquo, quase vertical. 
IMAGEM 2 - MÚSCULOS EXTRÍNSECOS DA FACE
Fonte: Freepik ID: 3142018
MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIALUNIDADE 1
14
2.2.2 Músculo Risório
É muito delgado e triangular, traciona a comissura labial.
Origem: pele da bochecha e fáscia massetérica.
Inserção: ângulo da boca.
Função: traciona o ângulo da boca para cima e para fora (responsável por aquele 
sorriso discreto).
Trajeto: horizontal, direção anterior ao bucinador. 
2.2.3 Músculo Levantador do Lábio superior
Encontra-se na região do lábio superior, participando em sua movimentação.
Origem: margem inferior da órbita acima do forame infraorbital, maxila e 
zigomático;
Inserção: lábio superior.
Função: levanta o lábio superior e leva-o um pouco para frente.
Trajeto: se dirige obliquamente, para se inserir na metade lateral do lábio superior.
2.2.4 Músculo Levantador do Lábio superior e da Asa do nariz
Confunde-se com as fibras do músculo orbicular da boca.
Origem: processo frontal maxilar (nível do ângulo do olho).
Inserção: lábio superior e asa do nariz.
Função: eleva e realiza a protrusão do lábio superior e a abertura da asa do nariz 
(mostra a gengiva).
Trajeto: se dirige inferiormente até a pele da aba do nariz e no lábio superior.
2.2.5 Músculo Zigomático Menor
Faz parte do grupo muscular plasmático propriamente dito, que atua sobre a 
musculatura esfinctérica dos lábios.
Origem: corpo do osso zigomático.
Inserção: lábio superior (entre o levantador do lábio superior e o zigomático 
maior).
Função: auxilia na elevação do lábio superior e acentua o sulco nasolabial (expõe 
os dentes superiores – início de um sorriso ou fisionomia de desprezo).
Trajeto: medial ao zigomático maior e ao orbicular da boca.
MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIALUNIDADE 1
15
2.2.6 Músculo Zigomático Maior
Faz parte do grupo dos músculos que contribuem para a expressão de riso 
expansivo.
Origem: face lateral do osso zigomático.
Inserção: ângulo da boca.
Função: conhecido também como músculo do riso, por causa de sua ação de 
levantar e retrair o ângulo da boca (risada).
Trajeto: medial ao zigomático maior e ao orbicular da boca.
2.2.7 Músculo Depressor/Abaixador do Lábio Inferior
É um músculo quadrilátero.
Origem: base da mandíbula, acima da origem do depressor do ângulo da boca.
Inserção: lábio inferior.
Função: repuxa o lábio inferior diretamente para baixo e lateralmente (expressão 
de ironia).
Trajeto: obliquamente até o lábio.
2.3 Verticais
IMAGEM 3 - MÚSCULOZIGOMÁTICO MAIOR
Fonte: Shutterstock ID: 2597516409
MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIALUNIDADE 1
16
2.3.1 Músculo Mentual / Mentoniano
É pequeno e é o único músculo dos lábios que não se insere no orbicular da boca.
Origem: fossa incisiva da mandíbula.
Inserção: pele do mento (queixo).
Função: eleva e projeta o lábio inferior para fora, enruga a pele do queixo.
Trajeto: vertical. 
2.3.2 Músculo Depressor/Abaixador do ângulo da boca
Traciona a boca para baixo e um pouco lateralmente.
Origem: base da mandíbula (da região molar ao tubérculo mentoniano).
Inserção: ângulo da boca.
Função: deprime o ângulo da boca (expressão de tristeza).
2.3.3 Músculo Levantador do ângulo da Boca
Incorpora-se ao músculo orbicular da boca e participa na formação do sulco 
nasolabial.
Origem: fossa canina (maxila).
Inserção: ângulo da boca.
Função: eleva o ângulo da boca (contribuindo para expressão de alegria) e 
acentua o sulco nasolabial.
Trajeto: vertical.
2.4 Paralelos
IMAGEM 4 -MÚSCULOS PARALELOS
Fonte: Shutterstock ID: 2597516409
MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIALUNIDADE 1
17
2.4.1 Músculo Platisma
É um músculo amplo, delgado e triangular (não se trata propriamente de um 
músculo peribucal, apesar de se prender na mandíbula). É uma lâmina muscular longa, 
larga e fina que cobre a maior parte das regiões lateral e anterior do pescoço, chegando a 
cruzar a clavícula e terminar na região peitoral.
Origem: base da mandíbula.
Inserção: pele do pescoço.
Função: enruga a pele do pescoço.
2.4.2 Músculo Occipitofrontal
É um músculo do couro cabeludo com um ventre frontal e outro occipital. 
Origem: aponeurose epicrânica.
Inserção: pele do supercílio; região occipital. 
Função: eleva o supercílio de um ou de ambos os lados. Traciona para trás o 
couro cabeludo.
Trajeto: antero posterior do crânio.
2.4.3 Músculo Corrugador do Supercílio
Traciona para baixo e medialmente a sobrancelha. 
Origem: margem supraorbital do frontal.
Inserção: pele de extremidade lateral do supercílio. 
Função: puxa o supercílio medialmente.
Trajeto: medial à órbita.
2.4.4 Músculo Prócero
Sua contração produz rugas transversais na raiz do nariz. 
Origem: osso nasal.
Inserção: pele da glabela. 
Função: puxa a pele da glabela para baixo.
Trajeto: vertical.
MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIALUNIDADE 1
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2.4.5 Músculo Orbicular do Olho
Circunda a órbita e insere-se no osso frontal. É quase todo cutâneo, prendendo-se 
somente nos ligamentos palpebrais medial e lateral e em dois pontos ósseos da maxila e 
no lacrimal. 
Origem: ligamentos palpebrais, lacrimal e maxila.
Inserção: pálpebras e pele periorbital. 
Função: fecha as pálpebras e as comprime contra o olho.
Trajeto: circular, ao redor do olho. 
2.4.6 Músculo Nasal
É dividido em parte transversa (ou compressora da narina) e parte alar (ou 
dilatador da narina).
Origem: eminência canina; narina.
Inserção: dorso do nariz. 
Função: comprime a narina; dilata a narina. 
2.4.7. Músculos da Língua
Todos os músculos são inervados pelo nervo hipoglosso, com exceção do 
palatoglosso, que é inervado pelo vago.
IMAGEM 5 - MÚSCULOS DA LÍNGUA
Fonte: Shutterstock ID: 2597516409
2.5 Músculos intrínsecos
São constituídos por feixes de fibras dispostos longitudinalmente (músculos 
longitudinais superior e inferior), transversalmente (músculo transverso) e 
verticalmente (músculo vertical).
MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIALUNIDADE 1
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Origem: raiz da língua (longitudinais superior e inferior), septo da língua 
(transverso) e dorso da língua (vertical).
Inserção: ápice da língua (longitudinais superior e inferior), margem da língua 
(transverso) e face inferior da língua (vertical). 
Função: altera a forma da língua, tornando-a curta e espessa; auxilia no ato de 
enrolar a língua em várias direções (longitudinais superior e inferior), estreita e alonga a 
língua (transverso e vertical).
2.6 Músculos extrínsecos
2.6.1 Músculo genioglosso
É o mais volumoso dos músculos da língua.
Origem: espinha mentoniana (logo acima do músculo gênio-hioideo).
Inserção: ápice, dorso e raiz da língua.
Função: abaixa a língua. Fibras médias e posteriores protraem. Fibras anteriores 
retraem a ponta.
2.6.2 Músculo hioglosso
É formado por uma delgada lâmina muscular de forma retangular.
Origem: corno maior e no corpo do osso hioideo;
Inserção: parte lateral do corpo da língua.
Função: abaixa e ajuda a retrair a língua.
2.6.3 Músculo estiloglosso
Atua como sinergista do músculo palatoglosso na elevação da parte posterior do 
dorso da língua. 
Origem: processo estiloide do osso temporal.
Inserção: margem lateral, no ápice, e na parte lateral da raiz e do corpo da língua.
Função: retrai e levanta a lateral da língua.
2.6.4 Músculo palatoglosso
Pode agir como levantador da língua, mas, se esta estiver fixa, ele abaixa o palato 
mole.
Origem: aponeurose palatina.
Inserção: aspecto posterolateral da língua.
Função: eleva a língua ou abaixa o palato. Ajuda a estreitar o istmo da garganta.
MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIALUNIDADE 1
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A anatomia dos músculos da mandíbula, palato mole e faringe é fundamental 
para a compreensão da motricidade orofacial e suas implicações na fonoaudiologia. Estes 
músculos desempenham papéis essenciais na mastigação, deglutição, articulação da fala 
e respiração. A seguir, apresentarei uma revisão detalhada destes músculos, incluindo 
suas inserções e funções.
3.1 Músculos da Mandíbula
Os músculos da mandíbula, também conhecidos como músculos da mastigação, 
são responsáveis pelos movimentos necessários para triturar e mastigar os alimentos. 
Eles incluem o masseter, o temporal, o pterigoideo lateral e o pterigoideo medial, que 
trabalham em conjunto para permitir a elevação, a depressão, a lateralização e a protrusão 
da mandíbula, essenciais para o processo de digestão.
3.2 Músculos depressores
Os músculos depressores da face são responsáveis por movimentos que abaixam 
partes da face, como a boca e as sobrancelhas. Entre os principais estão o músculo 
depressor do ângulo da boca, que abaixa os cantos da boca, e o depressor do lábio 
inferior, que movimenta o lábio para baixo. Esses músculos contribuem para expressões 
faciais relacionadas à tristeza, raiva ou desagrado, desempenhando um papel importante 
na comunicação não verbal.
Músculos e Inserção da 
Mandíbula, Palato Mole e 
Faringe3
TÓPICO
MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIALUNIDADE 1
21
3.2.1 Músculo Digástrico
Possui dois ventres cárneos unidos por um tendão em comum (ventre posterior e 
o ventre anterior).
Origem: incisura mastoidea.
Inserção: fossa digástrica. O tendão intermediário prende-se pela alça digástrica 
(indiretamente) ao osso hioideo.
Função: eleva o osso hioideo e retrai a mandíbula.
3.2.2 Músculo Milo-hioideo
Contribui para elevação da cavidade oral, sendo que a junção do milo-hioideo 
direito com o milo-hioideo esquerdo constituem um plano muscular sobre o qual se 
assenta a língua.
Origem: linha milo-hioidea da mandíbula. 
Inserção: corpo do osso hioide.
Função: eleva o soalho da boca, hioide e língua. Protrai o hioide ou retrai (e 
abaixa) a mandíbula.
3.2.3 Músculo Gênio-hioideo
Suas fibras dirigem-se para dentro do osso hioide, considerado como um músculo 
independente.
Origem: espinha mentual inferior da mandíbula.
Inserção: corpo do osso hioide.
Função: eleva o osso hioide e faz depressão da mandíbula.
IMAGEM 6 - MÚSCULOS DA FACE
Fonte: Shutterstock ID: 308357447
MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIALUNIDADE 1
https://www.shutterstock.com/pt/image-illustration/skull-muscles-profile-featuring-mandible-occipital308357447/edit?tool=bgremover&chatId=b183690bf88f4cacb11cf2c4bdc98a0c
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3.2.4 Músculo Pterigoideo Lateral
A cabeça superior deste músculo oferece componente de fechamento mandibular 
e a cabeça inferior, de abertura de mandíbula.
Origem: face lateral de lâmina lateral do processo Pterigoideo e superfície 
infratemporal da asa maior do esfenoide.Inserção: fóvea pterigoidea e margem anterior do disco da ATM.
Função: protrai (e junto com os digástricos, abaixa) a mandíbula pela contração 
bilateral simultânea. Movimenta para um dos lados pela contração unilateral. Estabiliza o 
disco articular.
3.3 Músculos elevadores
3.3.1 Músculo Masseter
É o músculo mais superficial dentro do grupo dos músculos da mastigação.
Origem: margem inferior do osso zigomático (parte superficial) e margem inferior 
do arco zigomático (parte profunda).
Inserção: face lateral do ramo da mandíbula.
Função: eleva (com força) a mandíbula.
3.3.2 Músculo Temporal
Possui tendão muito potente, é um forte levantador da mandíbula.
Origem: soalho da fossa temporal e superfície medial da fáscia temporal.
Inserção: bordas e face medial do processo coronoide (crista temporal) e borda 
anterior do ramo da mandíbula. 
Função: eleva a mandíbula (mais velocidade do que potência) retrai a mandíbula 
com a porção posterior.
3.3.3 Músculo Pterigoideo Medial 
É um importante músculo da mastigação, auxiliando na elevação da mandíbula.
Origem: fossa pterigoidea.
Inserção: face medial do ângulo da mandíbula.
Função: eleva a mandíbula, age como sinergista do masseter.
MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIALUNIDADE 1
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3.4 Músculos do Palato Mole
São inervados pelo nervo vago, via plexo faríngeo, com exceção do tensor do véu 
palatino, cuja inervação vem do nervo mandibular, ramo do trigêmeo. 
3.4.1 Palatoglosso 
É descrito nos músculos da língua, considerado um músculo do palato mole por 
ser responsável por abaixar o palato mole em direção à língua.
3.4.2 Palatofaríngeo 
É mais espesso e potente que o músculo palatoglosso.
Origem: aponeurose palatina.
Inserção: superfície posterolateral da faringe.
Função: eleva a faringe e estreita o istmo da garganta. Age também como 
elevador da faringe.
3.4.3 Músculo Tensor do Véu Palatino
Estende-se desde a base do crânio até a face superior do palato mole. Quando 
ambos os tensores se contraem, o palato mole torna-se tenso, enrijecido, principalmente a 
sua porção anterior.
Origem: fossa escafoide. 
Inserção: parte superior da aponeurose palatina.
Função: eleva o palato mole e auxilia o seu contato com a parede posterior da 
faringe. Torna tenso o palato mole.
3.4.4 Músculo da úvula
É o menor músculo do palato.
Origem: espinha nasal posterior.
Inserção: mucosa da úvula.
Função: movimenta a úvula.
3.4.5 Músculo Levantador do Véu Palatino: 
Um músculo roliço, que se estende da base do crânio diretamente ao palato mole.
Origem: aspecto inferior da parte petrosa do osso temporal.
Inserção: aponeurose Palatina.
Função: eleva o palato mole como na deglutição e na sucção, dessa maneira 
também eleva a faringe (ao mesmo tempo).
MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIALUNIDADE 1
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3.5 Músculos do Faringe
Os músculos da faringe atuam na deglutição, fonação e respiração, coordenando 
o transporte do bolo alimentar da cavidade oral para o esôfago.
3.5.1 Músculo Constritor Superior: 
Este músculo provoca o encurtamento das partes nasal e oral da faringe, além 
da constrição da parte superior da faringe. Possui diversas fibras que recebem nomes 
de acordo com a região em que se encontra, a saber: pterigofaríngeo, bucofaríngeo, 
milofaríngeo e glossofaríngeo. 
Origem: rafe pterigomandibular.
Inserção: rafe da faringe na linha mediana da parede posterior da faringe que se 
inserem na base externa do crânio.
Função: eleva a faringe e a laringe e direciona o alimento para o esôfago durante 
a deglutição (constrição da faringe na fase inicial da deglutição).
IMAGEM 7 - MÚSCULOS DA FARINGE
Fonte: adaptado de http://www.dgsotorrinolaringologia.med.br/APOST_LARINGE.html
MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIALUNIDADE 1
http://www.dgsotorrinolaringologia.med.br/APOST_LARINGE.html
25
3.5.2 Músculo Constritor Médio: 
É o menor dos constritores, possui duas fibras, a saber: ceratofaríngeo e 
condrofaríngeo.
Origem: osso hioide e ligamento estilohióideo.
Inserção: rafe da faringe na linha mediana da parede posterior da faringe que se 
inserem na base externa do crânio.
Função: eleva a faringe e a laringe e direciona o alimento para o esôfago durante 
a deglutição (constrição da faringe durante a deglutição).
3.5.3 Músculo Constritor Inferior: 
Forma o esfíncter superior do esôfago juntamente com as fibras lisas do esôfago, 
possui duas fibras, a saber: tireofaríngeo e cricofaríngeo.
Origem: cartilagens tireoide e cricoide da laringe.
Inserção: rafe da faringe na linha mediana da parede posterior da faringe que se 
inserem na base externa do crânio.
Função: eleva a faringe e a laringe e direciona o alimento para o esôfago durante 
a deglutição (direcionamento do bolo alimentar para o esôfago).
3.5.4 Músculo Estilofaríngeo: 
É um músculo alongado, estreito e vertical que pertence ao grupo dos músculos 
longitudinais da faringe, desempenhando papel fundamental nos movimentos de elevação 
da faringe e da laringe durante a deglutição e a fonação.
Origem: processo estiloide do osso temporal.
Inserção: parede lateral da faringe e cartilagem tireoide.
Função: elevação da faringe e laringe, facilitando a passagem do bolo alimentar.
3.5.5 Músculo Salpingofaríngeo: 
É um músculo delgado e pequeno, pertencente ao grupo dos músculos 
longitudinais da faringe, atuando principalmente na deglutição e na ventilação da orelha 
média.
Origem: tuba auditiva. 
Inserção: parede lateral da faringe. 
Função: eleva a faringe e ajuda na abertura da tuba auditiva.
MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIALUNIDADE 1
26
3.5.6 Músculo Palatofaríngeo: 
É um músculo alongado e laminar, pertencente ao grupo dos músculos 
longitudinais da faringe, que atua tanto na deglutição quanto na fonação, além de participar 
dos movimentos do palato mole.
Origem: aponeurose palatina.
Inserção: parede lateral da faringe.
Função: eleva a faringe e laringe, auxilia na deglutição e regula a ressonância 
vocal.
Em casos de fratura da mandíbula ou paralisia de ambos músculos genioglossos, a língua retrai-se e 
pode advir sufocação por obstrução da passagem aérea. A língua só não cai para trás e obstrui a respiração 
mais facilmente porque o genioglosso se fixa na mandíbula.
Fonte: Madeira (2012).
SAIBA
MAIS
“Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra 
alma humana”.
Fonte: Carl Jung.
REFLITA
MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIALUNIDADE 1
27
Chegamos ao final da nossa primeira unidade! Espero que você tenha 
aproveitado ao máximo os conhecimentos apresentados aqui. Mas calma, você sabe 
que os estudos sobre esses assuntos não acabam aqui, né? Agora é aquele momento 
de procurar por mais informações, continuar suas pesquisas em sites, revistas, artigos 
científicos, livros e vídeos, ou até mesmo com profissionais de outras áreas que trabalham 
ou convivem com idosos a fim de enriquecer ainda mais seu repertório sobre o assunto!
O conhecimento aprofundado da musculatura e da motricidade orofacial é 
essencial para a prática fonoaudiológica. A compreensão das interações entre estruturas, 
funções e disfunções permite um diagnóstico mais preciso e uma intervenção mais eficaz. 
O conhecimento sobre as origens e inserções dos músculos será essencial para a prática 
de todas as áreas da fonoaudiologia. Essas musculaturas são a base para a fala (produção 
de cada fonema), deglutição, respiração, mímica facial. A compreensão dos princípios 
fundamentais dessa disciplina será crucial para o desenvolvimento de estratégias e 
intervenções que atendam às necessidades específicas de cada queixa e indivíduo.
Na próxima unidade, iremos abordar sobre a motricidade orofacial, o sistema 
estomatognático e as suas funções. Iremos falar também sobre ronco e apneia e síndrome 
do respirador oral, e vamos falar também sobre patologias. Já estou ansiosa para abordar 
esses temas com você. Espero você na próxima unidade, até breve.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIALUNIDADE1
28
Caro(a) aluno(a), que tal fazermos uma leitura complementar sobre esse capítulo? 
Deixo a seguir uma sugestão de leitura:
Artigo: A Associação da Disfunção Temporomandibular à Dor Orofacial e 
Cefaleia
Resenha: A articulação temporomandibular (ATM) possibilita a mastigação, 
deglutição e fonética, faz parte do sistema estomatognático, e é capaz de múltiplos 
movimentos. A DTM (disfunção temporomandibular) representa certas condições 
musculares e articulares na região crânio orofacial que podem causar problemas nos 
músculos da mastigação e na ATM e suas estruturas associadas, sendo a cefaleia e a 
dor orofacial alguns dos principais sintomas relatados pelos pacientes. Objetivo: analisar 
a relação da DTM à dor orofacial e cefaleia através de uma revisão narrativa. Métodos: 
para a realização deste estudo, foram feitas buscas nas bases de dados Scielo e Pubmed, 
utilizando as palavras-chave: Dor Orofacial, Disfunção Temporomandibular, Articulação 
Temporomandibular, Dor de Cabeça e Cefaleia. Conclusão: a partir dos artigos analisados 
na presente revisão, foi possível concluir que existe relação entre dor na região orofacial 
e cefaleia com a DTM, porém ainda não é claro o mecanismo dessa correlação, sendo 
necessários mais estudos para elucidar esse quadro clínico.
Fonte: FEHRENBACH, Julia; SILVA, Betina Suziellen Gomes da; BRONDANI, 
Lucas Pradebon. A associação da disfunção temporomandibular à dor orofacial e 
cefaleia. Journal of Oral Investigations, Passo Fundo, v. 7, n. 2, p. 69-78, jul./dez. 2018. 
Disponível em: https://seer.atitus.edu.br/index.php/JOI/article/view/2511/0. Acesso em: 11 
mar. 2025.
LEITURA COMPLEMENTAR
MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIALUNIDADE 1
https://seer.atitus.edu.br/index.php/JOI/article/view/2511/0
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MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO
• Título: Anatomia da Face: Bases Anatomofuncionais para a 
Prática Odontológica.
• Autor: Miguel Carlos Madeira e Roelf J. Cruz Rizzolo.
• Editora: Sarvier
• Sinopse: Leitura do Capítulo 4 – Músculos da face. 
O capítulo aborda os músculos da face detalhadamente, assim 
como a origem, inserção, inervação e função de cada um, fala 
sobre as expressões faciais e os músculos relacionados. 
• Objetivo: Aprofundar o conhecimento sobre os músculos faciais 
e suas funções, sendo complementar a unidade estudada.
VÍDEO
• Título: Entrevista com Irene Marchesan.
• Ano: 2020
• Sinopse: O vídeo é uma entrevista da fonoaudióloga Irene 
Marchesan, uma renomada fonoaudióloga brasileira, referência na 
área de Motricidade Orofacial, contando a história da Motricidade 
Orofacial para o Canal da Abramo.
• Link: https://www.youtube.com/watch?v=p2jwiOI5wK4
MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIALUNIDADE 1
https://www.youtube.com/watch?v=p2jwiOI5wK4
30
REFERÊNCIAS
DOUGLAS, Carlos Roberto. Fisiologia aplicada à fonoaudiologia. 2. ed. Rio de Janeiro: 
Guanabara Koogan, 2006.
FEHRENBACH, Margaret J.; HERRING, Susan W. Anatomia ilustrada da cabeça e do 
pescoço. São Paulo: Manole, 1998.
JUNQUEIRA, Luiz Carlos U.; CARNEIRO, José. Histologia básica: texto e atlas. 14. ed. 
Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023. E-book. p. 203. ISBN 9788527739283. Dispo-
nível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527739283/. Acesso 
em: 23 mar. 2025.
MADEIRA, Miguel Carlos. Anatomia da face: bases anatomofuncionais para a prática 
odontológica. 8. ed. São Paulo: Sarvier, 2012.
MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIALUNIDADE 1
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527739283/
2 Abordagem da 
Motricidade Oral
UNIDADEUNIDADE
32
PLANO DE ENSINO
Tópicos de Estudos
• O Sistema Estomatognático e Suas Funções;
• Ronco e Apneia;
• Tipos Respiratórios e Síndrome do Respirador Oral;
• Alterações Craniofaciais: Fissuras Labiopalatinas.
Objetivos da Aprendizagem
• Compreender as funções do sistema estomatognático de expressão: sucção, 
deglutição, mastigação, respiração, fala;
• Identificar os tipos de respiração;
• Abordar sobre as fissuras labiopalatinas.
ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORALUNIDADE 2
33
Olá, tudo bem? Seja bem-vindo(a) à nossa segunda unidade da disciplina de 
Distúrbios da Motricidade Orofacial. Acredito que, assim como eu, você deve estar com 
muitas expectativas para dar continuidade a esse caminho de aprendizagem. Vamos 
começar? Procure um lugar confortável, porque vamos realizar uma introdução a essa 
matéria.
A musculatura orofacial desempenha um papel fundamental na realização de 
funções básicas e complexas do nosso corpo humano. Funções básicas e essenciais 
para a sobrevivência humana, como a fala, expressão facial, articulação, respiração, 
mastigação e deglutição. Assim como a importância de identificar os padrões/tipos 
respiratórios e suas alterações.
Nessa unidade de ensino, vamos aprender os tipos de alterações que uma 
“simples” respiração alterada pode ocasionar, assim como aprender a identificar os 
sintomas dessas alterações.
O aprofundamento no estudo do sistema estomatognático e suas funções é 
essencial na busca pelo conhecimento. O conteúdo a seguir irá abordar as funções do 
sistema estomatognático, como fala, sucção, expressão, mastigação e deglutição, 
tipos respiratórios e síndrome do respirador oral, ronco e apneia e aborda alterações 
craniofaciais como a fissura labiopalatina.
Vamos começar essa jornada de conhecimento?
Bons Estudos!
INTRODUÇÃO
ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORALUNIDADE 2
34
As diversas funções que o Sistema Estomatognático (SE) efetua são mantidas 
por processos fisiológicos, que sustentam num crescimento correto, desenvolvido e 
maturação de suas estruturas anatômicas (Susanibar, et al., 2015). 
Define-se sistema estomatognático como um conjunto de estruturas orais que 
são responsáveis pela realização de funções vitais como sucção, deglutição, mastigação, 
respiração, fala e expressão facial. A compreensão da anatomia, fisiologia e integração 
dessas funções é fundamental para a atuação clínica do fonoaudiólogo.
O Sistema Estomatognático é constituído por estruturas ósseas, musculares, 
articulares, nervosas e glandulares localizadas na região da cabeça e pescoço, que 
atuam de maneira integrada para a realização das funções orais. Entre seus principais 
componentes estão:
• Ossos maxilares e mandíbula, articulação temporomandibular (ATM);
• Dentes;
• Lábios;
• Língua;
• Bochechas;
• Palato duro e mole;
• Faringe;
• Laringe;
• Músculos da face e pescoço;
• Inervação motora e sensitiva, principalmente pelos nervos cranianos (V, VII, 
IX, X e XII).
O Sistema Estomatognático 
e Suas Funções1
TÓPICO
ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORALUNIDADE 2
35ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORALUNIDADE 2
O funcionamento adequado do SE depende da integridade anatômica, 
sensorial e motora dessas estruturas.
As estruturas do SE são classificadas habitualmente em dois grupos: estruturas 
estáticas/passivas e estruturas dinâmicas/ativas (Susanibar, et al., 2015).
• Estruturas Estáticas/Passivas: gasto energético basal.
Elementos participantes: ossos como mandíbula, hioide, maxilar, coluna 
cervical, base do crânio; ATM , articulações vertebrais cervicais; Dentes – área 
oclusal, periodonto, mucosa oral. Tendões; aponeuroses; ligamentos.
• Estruturas Dinâmicas/Ativas: formações que, para executar sua função, 
precisam gastar energia.
Elementos participantes: nervos – motores e sensitivos; músculos esqueléticos. 
A seguir, iremos abordar sobre as principais funções do SE:
• Expressão Facial: envolve a ação coordenada dos músculos da mímica facial, 
permitindo a manifestação de emoções e contribuindo para a comunicação não 
verbal. Esses movimentos são mediados principalmente pelo nervo facial (VII 
par craniano). Alterações nessas funções podem impactar o convívio social e o 
bem-estar emocional.
• Sucção: é uma função vital para a alimentação nos primeiros meses de 
vida. Inicialmente, a sucção é reflexa, passando a ser voluntária com o 
desenvolvimento. Está diretamente relacionada ao crescimento orofaciale à 
transição alimentar. Componentes envolvidos - Lábios e bochechas (selamento); 
Língua (movimento de pressão negativa); Palato e mandíbula (suporte 
anatômico); Coordenação com respiração e deglutição.
• Deglutição: é o processo pelo qual o alimento ou a saliva é transportado da 
boca ao estômago. Envolve quatro fases: oral preparatória, oral, faríngea e 
esofágica. É necessário ter coordenação neuromuscular, segurança alimentar e 
eficiência no transporte do bolo alimentar.
• Mastigação: é um processo complexo que envolve o preparo do alimento 
para a deglutição, com movimentos rítmicos da mandíbula, ação dos músculos 
mastigatórios, língua e bochechas, além da integridade dentária. A mastigação 
eficaz contribui para o desenvolvimento orofacial e estimula o crescimento 
ósseo. 
36ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORALUNIDADE 2
• Respiração: a respiração nasal é considerada fisiológica e essencial para o 
equilíbrio das estruturas do SE. A respiração oral ou mista pode estar associada 
a alterações no crescimento craniofacial, posicionamento lingual, postura 
corporal e funções orais.
• Fala: envolve a articulação dos sons da linguagem, sendo uma função 
altamente dependente da integridade anatômica e funcional das estruturas 
orofaciais. O controle motor fino da língua, lábios, mandíbula e palato é essencial 
para a produção articulatória adequada. É necessário ter uma coordenação 
pneumofonoarticulatória, postura e tonicidade musculares, e precisão e 
agilidade nos movimentos orais.
37
Os distúrbios respiratórios do sono (DRS), como o ronco e a apneia obstrutiva 
do sono (AOS), impactam diretamente a qualidade de vida e a saúde geral do 
indivíduo.
O ronco é definido como o som respiratório ruidoso que ocorre durante o sono, 
causado pela vibração dos tecidos moles da orofaringe. Embora seja frequentemente visto 
como um problema social, o ronco pode ser um indicativo de estreitamento das vias aéreas 
superiores e, em alguns casos, estar associado à apneia obstrutiva do sono (Susanibar, et 
al., 2015).
Durante o sono, especialmente nas fases mais profundas, ocorre o relaxamento 
natural da musculatura orofaríngea. Em algumas pessoas, esse relaxamento leva ao 
colapso parcial da via aérea, fazendo com que o fluxo de ar provoque a vibração dos 
tecidos como o palato mole, a úvula, a base da língua e as paredes faríngeas. Temos como 
principais mecanismos envolvidos a redução do tônus muscular orofaríngeo, redução 
da calibração da via aérea superior e/ou vibração de tecidos excessivamente moles, ou 
redundantes.
Como fatores de risco do ronco, podemos citar a obesidade e acúmulo de 
gordura perifaríngea; anatomia craniwofacial alterada (retrognatismo, micrognatia, 
hipertrofia de amígdalas e adenoides); consumo de álcool ou sedativos antes de dormir; 
posição supina durante o sono; e a idade avançada.
A Apneia Obstrutiva do Sono (AOS) é caracterizada por episódios repetidos de 
obstrução parcial (hipopneia) ou completa (apneia) das vias aéreas superiores durante o 
sono, resultando em redução ou cessação do fluxo aéreo, dessaturação de oxigênio e 
despertares breves (microdespertares) (Lopes, et al., 2024).
Ronco e Apneia2
TÓPICO
ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORALUNIDADE 2
38ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORALUNIDADE 2
O colapso da via aérea superior (em AOS) é multifatorial, envolvendo alterações 
anatômicas (por exemplo, hipertrofia de estruturas como a língua, o palato mole e 
amígdalas); redução do tônus neuromuscular durante o sono; instabilidade do controle 
ventilatório; aumento da complacência das paredes faríngeas. Esse colapso impede 
a passagem normal do ar, causando hipoxemia intermitente, hiperdespertar noturno e 
fragmentação do sono.
Sinais e sintomas:
Ronco: 
• Som respiratório ruidoso durante o sono;
• Boca seca ao acordar;
• Sensação de sono não reparador.
Apneia Obstrutiva do Sono: 
• Pausas respiratórias presenciadas por terceiros;
• Sonolência diurna excessiva;
• Cefaleia matinal;
• Irritabilidade, déficit de atenção e memória;
• Desempenho acadêmico ou profissional prejudicado.
O ronco e a apneia obstrutiva do sono configuram-se como distúrbios 
respiratórios de elevada prevalência e impacto sistêmico, com implicações diretas na 
saúde cardiovascular, metabólica e neurocognitiva. Embora o ronco, isoladamente, possa 
ser interpretado como um evento benigno, sua presença frequente deve ser considerada 
um marcador de risco para a instalação e progressão de obstruções mais significativas 
das vias aéreas superiores, culminando na apneia obstrutiva do sono.
39
A respiração é uma função vital para a manutenção da vida, sendo essencial 
para a oxigenação dos tecidos e funcionamento adequado do organismo. Ela influencia 
diretamente o crescimento craniofacial, a oclusão dentária, a postura corporal e o 
desempenho das funções orofaciais como mastigação, deglutição e fala. Em condições 
ideais, a respiração deve ocorrer prioritariamente pelas vias nasais, que são preparadas 
para o aquecimento, filtração e umidificação do ar inspirado. Esse padrão respiratório é 
fundamental para o desenvolvimento harmonioso do sistema estomatognático. Alterações 
nesse padrão podem levar a consequências sistêmicas e ao desenvolvimento de 
condições como a Síndrome do Respirador Oral.
3.1 Tipos Respiratórios: 
O padrão respiratório é classificado de acordo com a via predominante de 
passagem do ar:
• Respiração Nasal: é considerada o padrão fisiológico ideal. O respirador 
nasal é aquele que utiliza exclusivamente o nariz para a entrada e saída de ar 
durante a respiração. 
O ar é filtrado por pelos e muco nasal, retendo partículas e agentes patogênicos. 
É aquecido e umidificado, protegendo as vias aéreas inferiores. Estimula o 
crescimento harmônico das estruturas craniofaciais. Favorece uma postura 
lingual correta, necessária para a articulação precisa dos sons da fala.
Tipos Respiratórios e Síndrome 
do Respirador Oral3
TÓPICO
ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORALUNIDADE 2
40ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORALUNIDADE 2
Características de um respirador nasal: lábios selados em repouso; língua 
posicionada no palato duro (céu da boca); boa tonicidade dos músculos 
periorais; desenvolvimento facial equilibrado, com terço médio bem projetado.
Lembrando que a respiração nasal permite a filtragem, umidificação e 
aquecimento do ar, além de favorecer o crescimento transversal da maxila.
• Respiração Oral (Bucal): caracteriza-se pela entrada e saída de ar 
predominantemente pela boca. Esse tipo respiratório pode ser ocasional (em 
situações de obstrução nasal temporária) ou habitual, quando mantido de forma 
contínua. O respirador oral utiliza a boca para respirar, mesmo em situações de 
repouso. Pode ser ocasionado por obstruções nasais (hipertrofia de adenoide, 
amígdalas, rinite alérgica), hábitos orais deletérios (uso prolongado de chupeta, 
sucção digital); hipotonia muscular orofacial.
Como consequência, ocorre a não filtração adequada do ar, aumenta a incidência 
de infecções respiratórias, compromete o desenvolvimento craniofacial, gerando 
alterações orofaciais.
Características de um respirador oral: lábios entreabertos ou incompetentes 
em repouso; língua em posição baixa ou anteriorizada; alterações na postura 
corporal (projeção anterior da cabeça); crescimento facial verticalizado (face 
longa).
• Respiração Mista (Oral e Nasal): ocorre quando o indivíduo utiliza 
simultaneamente a boca e o nariz para respirar. Frequentemente, é um estágio 
intermediário entre a respiração nasal normal e a respiração bucal habitual, 
podendo indicar o início de disfunções orofaciais.
Características: lábios frequentemente entreabertos; uso compensatório da 
boca em situações específicas (exercício físico, dormir); tendência a apresentar 
alterações orofaciais semelhantes às do respirador bucal, mas geralmente em 
menor grau.
3.2 Síndrome do Respirador Oral
A Síndrome do Respirador Oral é um conjunto de sinais e sintomas decorrentes 
da respiraçãohabitual pela boca. Esta condição vai além da simples troca de via 
respiratória, afetando profundamente o crescimento e desenvolvimento das estruturas 
orofaciais e sistêmicas.
41ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORALUNIDADE 2
Ela é multifatorial e pode envolver: 
• Fatores obstrutivos: hipertrofia de adenoides, desvios de septo, rinite alérgica;
• Fatores funcionais: alterações no tônus muscular, flacidez labial;
• Fatores ambientais: exposição precoce a poluentes ou alérgenos;
• Hábitos orais prolongados (uso prolongado de chupetas, sucção digital);
Os indivíduos que apresentam a síndrome do respirador oral têm como 
características: 
• Lábios entreabertos (em repouso) e hipotônicos; 
• Palato ogival (alto e estreito);
• Mordida aberta anterior;
• Posição da cabeça projetada para frente;
• Voz anasalada ou rouquidão / Voz com ressonância alterada;
• Sono agitado, roncos e apneias noturnas; 
• Alterações na mastigação (mastigação de boca aberta);
• Dificuldade na deglutição / Deglutição atípica;
• Interposição lingual;
• Alterações articulatórias;
• Face alongada e estreita;
• Olheiras (devido à má oxigenação);
• Nariz estreito e ponte nasal elevada;
• Língua baixa e hipotônica; 
• Alterações dentárias;
O tratamento é baseado em remoção da causa da obstrução nasal (quando 
presente), reabilitação miofuncional orofacial para restaurar o padrão de respiração nasal, 
exercícios de fortalecimento da musculatura orofacial, treinamento de fechamento labial, 
postura lingual e respiração adequada e trabalho interdisciplinar para correção ortodôntica 
e tratamento médico.
A respiração nasal é fundamental para a saúde geral e o desenvolvimento 
orofacial. 
A identificação precoce do padrão de respiração oral e da Síndrome do 
Respirador Oral é essencial para a instituição de medidas terapêuticas adequadas, 
minimizando impactos negativos na qualidade de vida do indivíduo.
42
As fissuras labiopalatinas (FLP) constituem a anomalia congênita craniofacial 
mais prevalente na população mundial. A prevalência de fissuras labiopalatinas no 
Brasil é de aproximadamente 1 a cada 650 nascidos vivos, conforme dados do Hospital 
de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho) da Universidade de São 
Paulo (USP) (HRAC, online), referência nacional no tratamento dessas malformações 
congênitas. Trata-se de uma alteração do desenvolvimento embrionário da face que pode 
comprometer estruturas como o lábio, o palato duro e mole e a crista alveolar, resultando 
em implicações funcionais e psicossociais significativas para o indivíduo e interfere 
diretamente nas funções orofaciais, como alimentação, fala, respiração e desenvolvimento 
craniofacial. 
O desenvolvimento embrionário craniofacial é um processo complexo, dinâmico 
e controlado geneticamente. Esse processo se inicia precocemente durante o período 
gestacional, sendo controlado por indução recíproca entre os tecidos embrionários que 
circundam a região do tubo neural recém-formado (Trindade et al., 2025).
A formação embrionária da face e do palato, a fusão dos processos nasais, 
maxilares e mandibulares, ocorre entre a 4ª e 12ª semana de gestação. A não fusão 
dessas estruturas resulta em fissuras labiais (anteriormente) e palatinas (posteriormente). 
Considerando que as fissuras labiopalatinas ocorrem em uma fase precoce da gestação, 
em alguns casos, é possível diagnosticar essa alteração por meio de exames de 
ultrassonografia durante o acompanhamento pré-natal.
Alterações Craniofaciais: 
Fissuras Labiopalatinas4
TÓPICO
ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORALUNIDADE 2
43ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORALUNIDADE 2
As causas são multifatoriais:
• Genéticas: síndromes (ex.: Síndrome de Van der Woude, Síndrome de 
Treacher Collins);
• Ambientais: tabagismo, alcoolismo, deficiência de ácido fólico, diabetes 
materno, uso de medicamentos teratogênicos.
4.1 Classificação das Fissuras
As fissuras labiopalatinas podem ser classificadas como: unilaterais ou 
bilaterais; incompletas ou completas; sindrômicas ou não sindrômicas.
Embriologicamente, considera-se que na ausência de união entre o segmento 
intermaxilar e os processos maxilares, uni ou bilateralmente, ocorre a fissura de lábio 
uni ou bilateral, completa ou incompleta. Nos casos em que, além da ausência de união 
entre o segmento intermaxilar e os processos maxilares (uni ou bilateralmente), sucederá, 
concomitantemente, falha de fusão entre os processos palatinos, ocorrerá a fissura de 
lábio e palato (uni ou bilateral). Por fim, nos casos em que houver somente a deficiência 
de fusão entre os processos palatinos, ocorre a fissura de palato, que pode ser completa 
ou incompleta. 
IMAGEM 1: FISSURA LABIAL E FISSURA PALATINA
Fonte: adaptado de Shutterstock ID: 1953957748
https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/cleft-lip-birth-defect-baby-face-1953957748
44ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORALUNIDADE 2
Assim, na definição dos tipos morfológicos das fissuras mais comuns 
(também chamadas de fissuras típicas), especialmente considerando a fundamentação 
embriológica de acordo com as estruturas acometidas, as fissuras labiopalatinas podem 
ser agrupadas em três grandes grupos de fenótipos – fissura de lábio, fissura de lábio 
e palato ou labiopalatina, e fissura de palato. Além destas categorias, há, ainda, as 
fissuras raras da face (também chamadas de fissuras atípicas), que acometem outras 
regiões e estruturas e foram descritas em detalhe (Trindade et al., 2025).
E sua classificação anatômica: 
• Pré-forame incisivo: lábio, com ou sem acometimento do alvéolo);
• Pós-forame incisivo: palato duro e/ou mole;
• Transforame incisivo: lábio, alvéolo e palato;
• Fissuras raras: fissura submucosa, fissura facial oblíqua ou lateral, fissuras 
medianas.
Sobre as fissuras raras, temos a fissura submucosa, que é uma forma “oculta” 
de fissura palatina. Ela ocorre quando a mucosa do palato está intacta visualmente, mas 
as estruturas musculares subjacentes (como o músculo levantador do véu palatino) não 
se fundiram corretamente durante o desenvolvimento embrionário. Dessa maneira, sua 
característica vem com um palato aparentemente normal à inspeção, pode apresentar 
a tríade diagnóstica clássica como: úvula bífida, linha esbranquiçada na linha média do 
palato duro (zona translúcida), palpação de falha muscular (diástase) no palato mole. 
Essa fissura pode estar associada à disfunção de fala (disfonia nasal, fala anasalada, 
compensação articulatória), disfagia leve, e até otites recorrentes (pela disfunção da tuba 
auditiva).
A fissura facial oblíqua é uma fissura rara e extensa, que se estende da 
comissura labial até o olho, passando pela bochecha, muitas vezes associada a 
deformações oculares e nasais. Resulta da falha de fusão entre o processo maxilar e 
o processo nasal lateral. E pode causar: exposição das estruturas intraorais, anomalias 
nas pálpebras e globo ocular, lacrimação alterada. Frequentemente é uma fissura 
unilateral e pode ocorrer isolada ou com outras malformações.
As FLP impactam de forma significativa as funções do sistema estomatognático. 
Como suas principais alterações na alimentação, podemos encontrar desde dificuldade 
de sucção eficaz nos neonatos (especialmente nas fissuras palatinas), escape nasal de 
leite e incoordenação entre sucção, deglutição e respiração.
45ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORALUNIDADE 2
Muitos pacientes apresentam respiração oral ou mista, causada por hipotonia 
orofacial, obstruções nasais secundárias à malformação, hipertrofia de adenoides a 
amígdalas. Algumas consequências incluem alterações posturais, impacto no crescimento 
facial e comprometimento da função velofaríngea.
A fala pode ser comprometida tanto por causas estruturais quanto funcionais. 
Tendo possíveis alterações como hipernasalidade, emissão nasal audível, articulações 
compensatórias (sons glóticos, faríngeos) e redução da inteligibilidade. Quando à 
disfunção velofaríngea, essa condição emque o fechamento velofaríngeo é ineficiente 
para a produção de fala. As alterações musculares e estruturais podem levar a um tônus 
muscular alterado, mastigação ineficiente e deglutição atípica.
A compreensão das fissuras labiopalatinas e craniofaciais ultrapassa a 
dimensão anatômica e funcional, alcançando um campo de atuação que exige do 
fonoaudiólogo sensibilidade clínica, conhecimento científico sólido e habilidade para o 
trabalho interdisciplinar. Reconhecer que cada paciente é único — em suas necessidades, 
potencialidades e trajetórias — reforça a importância de uma abordagem personalizada 
e centrada na pessoa. A formação acadêmica deve, portanto, estimular a análise crítica, 
o raciocínio clínico-reflexivo e o compromisso ético com a promoção da qualidade de 
vida. Cabe ao futuro fonoaudiólogo ser agente ativo de transformação, integrando 
ciência e humanismo na prática assistencial e contribuindo para a evolução contínua das 
abordagens terapêuticas na área da motricidade orofacial.
46
Você sabia que a respiração oral pode alterar o padrão do crescimento dos ossos da face já na primeira 
infância?
Estudos mostram que crianças que mantêm respiração bucal por tempo prolongado tendem a desenvolver 
a chamada “síndrome da face longa”, caracterizada por uma face estreita, alongada e com olheiras acentuadas. 
Essas alterações não são apenas estéticas: comprometem funções vitais como mastigação, deglutição e fala. Além 
disso, um padrão respiratório inadequado na infância pode aumentar o risco de distúrbios do sono, dificuldades 
de aprendizagem e problemas comportamentais, perpetuando um ciclo de impacto negativo ao longo da vida. 
 Isso destaca a importância do olhar fonoaudiológico precoce e interdisciplinar para evitar consequências 
severas na saúde global do indivíduo.
Fonte: Hitos et al. (2013).
SAIBA
MAIS
“É mais fácil construir uma criança forte do que reparar um adulto quebrado.”
Frederick Douglass.
REFLITA
ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORALUNIDADE 2
47
Chegamos ao final da nossa segunda unidade! Espero que você tenha 
aproveitado ao máximo os conhecimentos apresentados aqui. Mas calma, você sabe 
que os estudos sobre esses assuntos não acabam aqui, né? Agora é aquele momento 
de procurar por mais informações, continuar suas pesquisas em sites, revistas, 
artigos científicos, livros e vídeos, ou até mesmo com profissionais de outras áreas 
que trabalham com casos de motricidade orofacial como ronco e apneia e fissuras 
labiopalatinas a fim de enriquecer ainda mais seu repertório sobre o assunto!
Em conclusão, o conhecimento aprofundado nas funções do sistema 
estomatognático é essencial para a prática fonoaudiológica. A compreensão das 
interações entre estruturas, funções e disfunções permite um diagnóstico mais preciso 
e uma intervenção mais eficaz. O conhecimento sobre os tipos e padrões respiratórios, 
assim como as alterações dos sistemas estomatognáticos, será essencial para a prática 
de todas as áreas da fonoaudiologia. A compreensão dos princípios fundamentais 
dessa disciplina será crucial para o desenvolvimento de estratégias e intervenções que 
atendam às necessidades específicas de cada queixa e indivíduo.
Na próxima unidade, iremos abordar sobre patologias da deglutição, hábitos 
orais deletérios e suas consequências, desenvolvimento craniofacial e classificações 
faciais, mastigação normal e alterada, tipos de mordida; dentição decídua e permanente; 
formação de bolo alimentar e deglutição atípica e adaptada. Já estou ansiosa para 
abordar esses temas com vocês. Espero vocês na próxima unidade, até breve.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORALUNIDADE 2
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LEITURA COMPLEMENTAR
Caro(a) aluno(a), que tal fazermos uma leitura complementar sobre esse capítulo? 
Deixo a seguir uma sugestão de leitura:
Artigo: A Terapia Miofuncional Orofacial ao Paciente Roncador
Resenha: esse artigo buscou discutir sobre a apneia obstrutiva do sono e uma 
de suas principais implicações: o ronco, bem como as alterações miofuncionais mais 
encontradas relacionadas a ele, e os métodos terapêuticos utilizados para seu tratamento, 
tendo como foco a terapia miofuncional orofacial. Por meio da análise da literatura pudemos 
concluir neste estudo que a Terapia Miofuncional Orofacial resulta em melhora significativa 
no número de paradas respiratórias, bem como uma diminuição considerável do ronco e 
da sonolência diurna na percepção do ronco, qualidade de sono e consequentemente na 
qualidade de vida dos indivíduos portadores de apneia obstrutiva do sono.
Fonte: Costa, K. T. X. de S. P. (2023). A TERAPIA MIOFUNCIONAL OROFACIAL 
AO PACIENTE RONCADOR. Revista Ibero-Americana De Humanidades, Ciências E 
Educação, 9(3), 1776–1784. Disponível em: https://periodicorease.pro.br/rease/article/
view/9011
ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORALUNIDADE 2
https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/9011
https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/9011
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MATERIAL COMPLEMENTAR
FILME
• Título: Extraordinário.
• Ano: 2017
• Sinopse: O filme conta a história de August Pullman (Auggie), 
um menino que nasceu com uma síndrome genética (a Síndrome 
de Treacher Collins), que causa várias deformidades faciais, 
incluindo uma fissura labiopalatina. Ele passa por diversas 
cirurgias e enfrenta muitos desafios sociais ao começar a 
frequentar a escola regular pela primeira vez.
LIVRO
• Título: Tratado de Fissuras Labiopalatinas: Avanços no 
Diagnóstico e Tratamento Interdisciplinar.
• Autor: Trindade et al.
• Editora: Thieme Revinter
• Sinopse: Leitura da Parte II – Aspectos morfológicos. O capítulo 
aborda a embriologia craniofacial e a morfologia das fissuras 
orofaciais.
• Objetivo: Aprofundar o conhecimento sobre a formação das 
fissuras e o desenvolvimento normal.
ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORALUNIDADE 2
50
REFERÊNCIAS
HITOS, Silvia F.; ARAKAKI, Renata; SOLÉ, Dirceu; WECKX, Luc L. M. Oral breathing and 
speech disorders in children. Journal of Pediatrics (Rio J.), São Paulo, 2013. Disponível 
em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0021755713000505. Acesso em: 2 
maio 2025.
HOSPITAL de reabilitação de anomalias craniofaciais (USP). Fissura labiopalatina. 
HRAC-USP, Bauru, [202–]. Disponível em: https://hrac.usp.br/saude/fissura-labiopalatina/. 
Acesso em: 2 maio 2025.
LOPES, Leonardo; MACHADO, Ana paula L.; AZONI, Cíntia Alves S.; et al. Tratado de 
fonoaudiologia. 3. ed. Barueri: Manole, 2024.
SUSANIBAR, Franklin; MARCHESAN, Irene Queiroz; FERREIRA, Vicente José Assencio; 
et al. Motricidade orofacial: fundamentos neuroanatômicos, fisiológicos e linguísticos. 
Ribeirão Preto: Book Toy, 2015.
TRINDADE, Inge Elly Kiemle; et al. Tratado de fissuras labiopalatinas: avanços no 
diagnóstico e tratamento interdisciplinar. Rio de Janeiro, RJ: Thieme Revinter, 2025.
ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORALUNIDADE 2
https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0021755713000505
https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0021755713000505
https://hrac.usp.br/saude/fissura-labiopalatina/
https://hrac.usp.br/saude/fissura-labiopalatina/
3 Patologias da 
Deglutição
UNIDADEUNIDADE
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PLANO DE ENSINO
Tópicos de Estudos
• Hábitos orais deletérios e suas consequências;
• Desenvolvimento craniofacial e classificações faciais;
• Mastigação normal e alterada;
• Deglutição atípica e adaptada.
Objetivos da Aprendizagem
• Compreender os hábitos orais e seus malefícios;
• Aprender sobre o desenvolvimento craniofacial e quais as classificações 
faciais;
• Aprender sobre a mastigação normal e alterada, tipos de mordida, dentição 
decidual e permanente;
• Identificar a deglutição atípica e adaptada.
PATOLOGIAS DA DEGLUTIÇÃOUNIDADE 3
53
Olá, tudo bem? Que bom ter você de volta! Seja bem-vindo(a) à nossa terceira 
unidade da disciplina de Distúrbios da Motricidade Orofacial. Vamos começar? Procure 
um lugar confortável, porque vamos realizar uma introdução a essa matéria.
Antes de começarmos a mergulharnos conteúdos técnicos desta unidade, 
queria te fazer uma pergunta simples: você já reparou como pequenos hábitos do 
dia a dia podem ter um impacto enorme na nossa saúde? Às vezes, algo tão comum 
como chupar o dedo, respirar pela boca ou mastigar sempre do mesmo lado parece 
inofensivo… mas será que é mesmo?
Pois é! Neste módulo, vamos falar sobre hábitos orais deletérios e como eles 
podem influenciar — e muito! — o crescimento facial, a deglutição, a mastigação, a fala e 
até a respiração. Parece coisa de quem observa tudo com lupa, né? Mas, na verdade, são 
detalhes que fazem toda a diferença para o equilíbrio funcional do nosso corpo.
Vamos discutir desde o que leva uma criança (ou até um adulto!) a manter 
esses hábitos, até como eles podem modificar a estrutura do rosto e o funcionamento 
de músculos e articulações. E mais: você vai entender a fundo o que é uma deglutição 
atípica, como ela se forma, o porquê ela ocorre, e o que a diferencia da deglutição 
adaptada, que também está muito presente no nosso dia a dia clínico.
Ah, e claro — não podemos esquecer de conversar sobre mastigação! Já 
pensou como mastigar errado pode afetar a fala ou até a postura? Pois é… tudo está 
interligado!
Nosso objetivo com esta unidade é que você não só entenda os conceitos, 
mas que consiga olhar com mais atenção para os sinais e sintomas no paciente, 
desenvolvendo um olhar clínico mais sensível e integrado.
Então, prepare-se! Temos muito conteúdo importante, curioso e aplicável, na 
prática, esperando por você.
Vamos juntos?
Bons estudos!
INTRODUÇÃO
PATOLOGIAS DA DEGLUTIÇÃOUNIDADE 3
54
Os hábitos orais deletérios são comportamentos aprendidos e mantidos 
por repetição que podem interferir no desenvolvimento e funcionamento do sistema 
estomatognático. A persistência desses hábitos além da idade esperada de extinção 
fisiológica pode comprometer funções orofaciais essenciais, como a respiração, 
mastigação, deglutição e fala.
Segundo Cunha et al. (2011), hábitos orais deletérios são padrões de 
comportamento oral repetitivo, não funcional, que interferem no crescimento e 
desenvolvimento orofacial.
Exemplos comuns incluem:
Sucção não nutritiva: 
• Chupeta;
• Dedos;
• Língua (autosucção lingual).
Mordidas não funcionais:
• Mordida de lábio;
• Mordida de objetos (lápis, brinquedos, panos).
Interposição de estruturas:
• Língua, lábios ou bochechas entre os arcos dentários.
Respiração oral:
• Embora não seja um “hábito” no sentido estrito, frequentemente está associada 
a alterações musculares e posturais.
Hábitos Orais Deletérios e 
Suas Consequências1
TÓPICO
PATOLOGIAS DA DEGLUTIÇÃOUNIDADE 3
55PATOLOGIAS DA DEGLUTIÇÃOUNIDADE 3
Etiologia dos Hábitos Orais.
A origem dos hábitos pode ser multifatorial:
• Fatores emocionais: insegurança, ansiedade e estresse;
• Fatores fisiológicos: reflexo de sucção persistente;
• Fatores ambientais: uso prolongado de chupeta ou mamadeira;
• Fatores familiares: modelos parentais ou reforço do comportamento.
A deglutição é uma função neuromuscular complexa que depende do equilíbrio 
entre estruturas orofaciais. A persistência de hábitos deletérios pode levar a alterações no 
padrão de deglutição, como a deglutição atípica (será abordada um pouco mais à frente) 
e desequilíbrio miofuncional (hipoatividade da língua e hipertonia labial ou de bochechas).
Há também um comprometimento postural e estrutural, como mordida aberta 
anterior, mordida cruzada posterior, projeção anterior da maxila ou retrognatia 
mandibular e a respiração oral crônica, como impacto na postura da língua e na 
tonicidade muscular.
Os hábitos deletérios não afetam apenas a deglutição, mas também na 
respiração, mastigação e na fala (com distorções articulatórias).
Esses hábitos representam um dos principais fatores etiológicos de alterações 
funcionais da deglutição e de outras funções orofaciais.
56
O crescimento e o desenvolvimento, do nascimento à idade adulta, são 
caracterizados por multiplicidade de alterações morfológicas, fisiológicas e psíquicas, é 
um processo complexo que envolve a formação e o crescimento coordenado dos ossos da 
face e do crânio.
Esse desenvolvimento tem relação direta com as funções orofaciais, 
incluindo a deglutição, mastigação, respiração e fala. Alterações nesse processo 
podem predispor ou causar disfunções de motricidade orofacial e patologias da 
deglutição.
O crescimento craniofacial é influenciado por fatores genéticos, hormonais, 
neuromusculares e ambientais. Os ossos da face são desenvolvidos a partir de dois 
principais mecanismos:
• Ossificação intramembranosa: para ossos como maxila e mandíbula.
• Ossificação endocondral: principalmente para a base do crânio.
O crescimento segue um padrão crânio-caudal e anteroposterior. A mandíbula, 
por exemplo, cresce em resposta à função mastigatória, à erupção dentária e à 
estimulação muscular.
Desenvolvimento Craniofacial 
e Classificações Faciais2
TÓPICO
PATOLOGIAS DA DEGLUTIÇÃOUNIDADE 3
57
A classificação facial é uma ferramenta fundamental para o entendimento do 
desenvolvimento e das alterações craniofaciais. Existem diversas formas de classificação:
Classificação Sagital (Padrões Ântero-Posteriores) Baseada na relação entre 
maxila e mandíbula:
• Classe I (neutra): relação harmônica entre maxila e mandíbula.
• Classe II (retrusão mandibular): maxila posicionada anteriormente em 
relação à mandíbula (retrognatismo mandibular).
• Classe III (protrução mandibular): mandíbula posicionada anteriormente em 
relação à maxila (prognatismo mandibular).
Classificação Vertical (Padrão de Altura Facial) refere-se à proporção vertical 
da face:
• Padrão mesofacial: proporções equilibradas.
• Padrão dolicofacial: face alongada, com terço inferior aumentado.
• Padrão braquifacial: face curta, com terço inferior reduzido.
Implicações do Desenvolvimento Craniofacial na Deglutição: o padrão de 
crescimento facial pode afetar diretamente a função deglutitória. Exemplos:
• Pacientes com padrão dolicofacial frequentemente apresentam hipotonia dos 
músculos orofaciais e interposição lingual.
• Padrões da classe II podem levar à deglutição atípica, devido à posição 
posterior da mandíbula.
• Assimetrias podem comprometer a mobilidade lingual e o selamento labial 
durante a deglutição.
O conhecimento das bases do desenvolvimento craniofacial e das classificações 
faciais permite uma compreensão aprofundada das etiologias das alterações de 
deglutição. A intervenção fonoaudiológica deve considerar essas variáveis para promover 
uma reabilitação eficaz e funcional.
FIGURA 1: TIPOS DE PROGNATISMO
Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/4f/Prognathism3.png
PATOLOGIAS DA DEGLUTIÇÃOUNIDADE 3
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/4f/Prognathism3.png
58
A mastigação é uma das funções orofaciais essenciais, sendo responsável pela 
trituração dos alimentos e formação do bolo alimentar, preparando-os para a deglutição 
segura e eficiente. Esta função complexa envolve a integração de estruturas anatômicas, 
neuromusculares e dentárias, além de estar relacionada com o desenvolvimento adequado 
da musculatura orofacial e funções correlatas, como a fala e a respiração. Alterações no 
padrão mastigatório podem interferir significativamente na qualidade de vida e na saúde 
geral do indivíduo, sobretudo quando associadas a patologias da deglutição (disfagias).
Mastigação Normal 
A mastigação normal é caracterizada por um ciclo mastigatório funcional, eficiente 
e coordenado, com movimentação bilateral alternada, ritmo estável e uso adequado 
dos músculos mastigatórios. A sequência de movimentos envolve abertura, fechamento 
e movimentos laterais da mandíbula, permitindo a trituração mecânica do alimento com 
auxílio da saliva.
Componentes do Ato Mastigatório:
• Fase preparatória oral: recepção e posicionamento do alimento na cavidade 
oral;
• Fase mastigatória: trituração com ação dos dentes, músculos e movimentos

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