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Professora Esp. Brenda Miyuki Santana DISTÚRBIOS DA MOTRICIDADE OROFACIAL 2023 by Editora Edufatecie. Copyright do Texto C 2023. Os autores. Copyright C Edição 2023 Editora Edufatecie. O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correção e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Permitido o download da obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem a possibilidade de alterá-la de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais. REITORIA Prof. Me. Gilmar de Oliveira DIREÇÃO ADMINISTRATIVA Prof. Me. Renato Valença DIREÇÃO DE ENSINO PRESENCIAL Prof. Me. Daniel de Lima DIREÇÃO DE ENSINO EAD Profa. Dra. Giani Andrea Linde Colauto DIREÇÃO FINANCEIRA Eduardo Luiz Campano Santini DIREÇÃO FINANCEIRA EAD Guilherme Esquivel DIREÇÃO DE INOVAÇÃO Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal DIREÇÃO DE PLANEJAMENTO E PROCESSOS Prof. Me. Arthur Rosisnski NÚCLEO DE APOIO PSICOLÓGICO E PSICOPEDAGÓGICO Bruna Tavares Fernandes BIBLIOTECÁRIA Tatiane Viturino Oliveira PESQUISADOR INSTITUCIONAL Tiago Pereira da Silva COORDENAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO (CONPEx) – MODALIDADE PRESENCIAL Profa. Dra. Luciana Moraes COORDENAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO (CONPEx) – MODALIDADE EaD Prof. Me. Bruno Eckert Bertuol COORDENAÇÃO DO DEPTO. DE PRODUÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS Luiz Fernando Freitas REVISÃO ORTOGRÁFICA E NORMATIVA Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante Isabelly Oliveira Fernandes de Souza Jéssica Eugênio Azevedo Louise Ribeiro Marcelino Fernando Rodrigues Santos Maria Clara da Silva Costa Milena Pereira do Espirito Santo Stephanie Rodrigues da Mota Vieira Vinicius Rovedo Bratfisch PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Bruna de Lima Ramos Carlos Firmino de Oliveira Lucas Patrick Rodrigues Ferreira Estevão Vitor Amaral Poltronieri ESTÚDIO, PRODUÇÃO E EDIÇÃO André Oliveira Vaz DE VÍDEO Guilherme Carrenho Pedro de Lima Roberto Garcia Maria Beatriz Paula da Silva Thassiane da Silva Jacinto FICHA CATALOGRÁFICA Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP S232d Santana, Brenda Miyuki Distúrbios da motricidade orofacial / Brenda Miyuki Santana. Paranavaí: EduFatecie, 2025. 96 p.: il. color. 1. Sistema estomatognático – Doenças. 2. Fonoaudiologia – Prática. Distúrbios da deglutição. I. Centro Universitário UniFatecie. II. Núcleo de Educação a Distância. III. Título. CDD: 23. ed. 617.522 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577 As imagens utilizadas neste material didático são oriundas do banco de imagens Shutterstock . 3 AUTORA • Bacharel em Fonoaudiologia (Pitágoras Unopar); • Pós-graduação em Reabilitação Neurológica em Fonoaudiologia (Unyleya); • Pós-graduação em Fonoaudiologia no Transtorno do Espectro Autista. (CBI Of Miami); • Aperfeiçoamento em Avaliação e Intervenção nos Transtornos de Aprendizagem (Ecos-clin); • Aperfeiçoamento em Intervenção Fonoaudiológica em Linguagem Infantil (Alcance meeting); • Aperfeiçoamento em Avaliação Fonoaudiológica de Linguagem (Alcance meeting); • Aperfeiçoamento em Aprimoramento em Fala e Linguagem - Primeira Infância (Instituo LA VIA); • Aperfeiçoamento em Transtornos neurológicos adquiridos (Fonotrade); • Aperfeiçoamento em fotobiomodulação (Fonotrade); • Curso de curta duração em Estratégias Neurossensoriais para Disfagia (GeadCursos); • Curso de curta duração em avaliação clínica das disfagias orofaríngeas (Motility Oral); • Curso de curta duração em Anatomia e Fisiologia do Sistema Orofacial (GeadCursos); • Entre outros cursos. • Fonoaudióloga Clínica e home care. Professora Esp. Brenda Miyuki Santana 4 Trabalhou na ISCAL como fonoaudióloga hospitalar de 2019 a 2023. Trabalhou como fonoaudióloga clínica no ILECE de 2019 a 2021. Trabalha na clínica multiprofissional da Unimed Londrina desde 2021 e realiza atendimento home care desde 2018. Informações e contato: Currículo Plataforma Lattes: https://lattes.cnpq.br/7968303337508084 https://lattes.cnpq.br/7968303337508084 5 APRESENTAÇÃO Olá, caro(a) aluno(a)! É com grande satisfação que damos as boas-vindas a você nesta jornada de aprendizado. Esta apostila foi cuidadosamente elaborada para guiá-lo(a) por um percurso enriquecedor de conhecimento e descobertas. Nossa missão é fornecer as ferramentas necessárias para que você não apenas absorva informações, mas também compreenda e aplique conceitos de maneira prática em seu cotidiano. Como está estruturada a nossa jornada? Na unidade I, vamos conhecer sobre “Musculatura e Motricidade Orofacial”, sendo uma breve contextualização sobre anatomia e fisiologia do músculo estriado, falaremos sobre músculos e inserção da face, lábios e língua; e suas funções. E também sobre os músculos e inserção da mandíbula, palato mole e faringe. Já na unidade II, você irá saber mais sobre “Abordagem da Motricidade Oral” estudando sobre o sistema estomatognático e as funções de expressão, sucção, deglutição, mastigação, respiração, fala. Iremos abordar sobre ronco e apneia, tipos respiratórios e a síndrome do respirador oral. E também iremos aprender sobre alterações craniofaciais: fissuras labiopalatinas. Na sequência, na unidade III, falaremos a respeito das “Patologias da Deglutição”. Abordando os hábitos orais deletérios e suas consequências. O desenvolvimento craniofacial e classificações faciais, assim como a mastigação normal e alterada, tipos de mordida, dentição decídua e permanente, formação de bolo alimentar e deglutição atípica e adaptada. Em nossa unidade IV, vamos finalizar o conteúdo dessa disciplina com a “Paralisia Facial e Aleitamento Materno”. Aprendendo mais sobre aleitamento materno: desenvolvimento embrionário, sucção e respiração; desenvolvimento craniofacial; reflexos orais e também anatomia, fisiologia, manejo clínico da lactação. Problemas na amamentação, alterações motoras orofaciais. Iremos abordar a paralisia facial e seus tipos. E finalizaremos com alteração de fala: ceceios e programa de treinamento. Sem mais delongas, desejamos a você uma experiência de aprendizado estimulante e gratificante. Vamos começar esta jornada juntos! Bons estudos! 6 SUMÁRIO Paralisia Facial e Aleitamento Materno Patologias da Deglutição Abordagem da Motricidade Oral Musculatura e Motricidade Orofacial 1 Musculatura e Motricidade Orofacial UNIDADEUNIDADE 8 PLANO DE ENSINO Tópicos de Estudos • Anatomia e Fisiologia do Músculo Estriado; • Músculos e Inserção da Face, Lábios e Língua; • Músculos e Inserção da Mandíbula, Palato Mole e Faringe. Objetivos da Aprendizagem • Compreender a localização e a inserção dos músculos; • Identificar os músculos e aprender sobre suas funções. MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIALUNIDADE 1 9 INTRODUÇÃO Olá, tudo bem? Seja bem-vindo(a) à nossa primeira unidade da disciplina de Distúrbios da Motricidade Orofacial. Acreditomandibulares; • Formação do bolo alimentar: umidificação com saliva e preparação para a deglutição. Mastigação Normal e Alterada3 TÓPICO PATOLOGIAS DA DEGLUTIÇÃOUNIDADE 3 59 FIGURA 2: SISTEMA DE DEGLUTIÇÃO Fonte: https://smart.servier.com/smart_image/swallowing-system/ Características de uma mastigação funcional: • Eficiência na trituração dos alimentos; • Uso de ambos os lados da arcada dentária (mastigação bilateral); • Selamento labial e postura adequada da língua; • Coordenação com respiração nasal. Mastigação Alterada A mastigação alterada pode ocorrer por diferentes fatores: ausência dentária, más oclusões, alterações neuromusculares, hábitos orais deletérios, entre outros. Estas alterações levam a padrões mastigatórios ineficientes, como mastigação unilateral, prolongada ou com uso de músculos acessórios (ex.: orbiculares ou músculos cervicais). Tipos de padrões mastigatórios alterados: • Mastigação unilateral: predomínio de um lado da arcada, podendo causar sobrecarga muscular e assimetrias; • Mastigação atípica: uso inadequado da língua, ausência de trituramento efetivo; • Mastigação verticalizada: ausência de movimentos laterais mandibulares, resultando em movimentação vertical tipo “abre e fecha”; • Mastigação ineficaz: ritmo desorganizado, fadiga precoce e resíduos orais. PATOLOGIAS DA DEGLUTIÇÃOUNIDADE 3 https://smart.servier.com/smart_image/swallowing-system/ 60 Tipos de Mordida e Relação com a Mastigação A oclusão dentária tem papel central na mastigação. As más oclusões interferem diretamente na dinâmica mastigatória e podem causar alterações miofuncionais orofaciais. Classificação das mordidas: • Mordida normal (Classe I de Angle): relação oclusal funcional e harmônica; • Mordida cruzada: relação inversa entre os dentes superiores e inferiores, unilateral ou bilateral; • Mordida aberta anterior: ausência de contato entre os dentes anteriores, interferindo na incisão e selamento; • Mordida profunda: excesso de sobreposição dos dentes superiores sobre os inferiores; • Prognatismo/Retrognatismo: avanço/recuo mandibular impactando nos contatos oclusais. Dentição Decídua e Permanente O desenvolvimento da dentição é fator determinante na função mastigatória. A dentição decídua tem papel fundamental no estímulo ao crescimento e desenvolvimento das bases ósseas e musculatura orofacial. • Dentição Decídua: Aparece por volta dos 6 meses até cerca de 30 meses; composta por 20 dentes (incisivos, caninos e molares); importante para guia de erupção da dentição permanente e estímulo mastigatório adequado. • Dentição Permanente: Substitui gradualmente a dentição decídua entre 6 e 12 anos; composta por 32 dentes (incluindo pré-molares e terceiros molares); proporciona maior eficiência mastigatória e estabilidade oclusal. FIGURA 3: DENTIÇÃO INFANTIL E ADULTO Fonte: https://smart.servier.com/smart_image/child-teeth/ e https://smart.servier.com/smart_image/adult- teeth/. PATOLOGIAS DA DEGLUTIÇÃOUNIDADE 3 https://smart.servier.com/smart_image/child-teeth/ https://smart.servier.com/smart_image/adult-teeth/ https://smart.servier.com/smart_image/adult-teeth/ 61 Formação do Bolo Alimentar A formação do bolo alimentar é o resultado da interação eficaz entre mastigação e salivação. Envolve: adequada trituração do alimento, mistura com saliva (enzimas digestivas), reunião e modelagem do alimento pela língua, e transporte posterior para início da deglutição. Alterações na formação do bolo: • Hipossalivação (boca seca); • Alterações da força e mobilidade lingual; • Falta de coordenação motora oral; • Presença de resíduos após a deglutição. Compreender os aspectos anatômicos, funcionais e comportamentais da mastigação é essencial para o entendimento das interações entre as estruturas orofaciais e suas funções. Alterações na mastigação podem impactar diretamente outras funções vitais, como a deglutição, a fala e a respiração, além de influenciar o desenvolvimento craniofacial e a qualidade de vida dos indivíduos. O reconhecimento precoce dessas alterações é fundamental para a promoção da saúde orofacial e prevenção de disfunções futuras. PATOLOGIAS DA DEGLUTIÇÃOUNIDADE 3 62 A deglutição é uma função vital e complexa, que envolve a coordenação neuromuscular de diferentes estruturas do sistema estomatognático (Costa, 2013). Alterações no padrão de deglutição podem comprometer não apenas o transporte eficiente do alimento, mas também influenciar negativamente no crescimento craniofacial, oclusão dentária, fala e qualidade de vida do indivíduo. Entre as principais alterações, destacam-se a Deglutição Atípica e a Deglutição Adaptada, que, embora compartilhem semelhanças em manifestações clínicas, possuem origens e implicações distintas. Deglutição Normal O ato de deglutir é um processo fisiológico complexo que envolve músculos, dentes e ossos e suas respectivas funções anatômicas, como respirar e mastigar, em um ato automatizado (Barbosa; 2018). Ocorre em 4 fases: • Fase oral preparatória: a fase oral, voluntária, é dividida em fase preparatória e oral propriamente dita. A fase oral é voluntária e inicia-se quando a pessoa escolhe um alimento para comer, sendo um ato consciente. O estágio preparatório nada mais é do que a mastigação com as suas três fases: incisão, trituração e pulverização. Nesta fase, o bolo é misturado com a saliva (Barbosa; 2018). Durante toda a fase oral preparatória, o palato mole permanece em posição mais baixa, ajudando a prevenir que o bolo caia na faringe antes que Deglutição Atípica e Adaptada4 TÓPICO PATOLOGIAS DA DEGLUTIÇÃOUNIDADE 3 63 a deglutição seja iniciada. Essa inferiorização ativa do palato mole ocorre pela contração do músculo palatoglosso. A faringe e a laringe estão em repouso. A via aérea está aberta e a respiração nasal continua até que a deglutição ocorra. • Fase Oral: é uma fase voluntária que começa com a propulsão posterior do bolo pela língua e termina com a produção de uma deglutição. Transporte voluntário do bolo alimentar. Na fase oral, a língua se posiciona da seguinte forma: a ponta da língua apoia-se contra as bordas do alvéolo maxilar ou os incisivos superiores. É a língua que movimenta esse alimento na cavidade oral, de um lado para o outro. Os músculos que participam neste momento são o elevador do véu palatino, o tensor do véu e o palato faríngeo. O total selamento da cavidade oral ajuda a manter as forças de propulsão necessárias para o transporte do bolo através da hipofaringe, esfíncter esofágico superior e para dentro do esôfago (Barbosa; 2018). • Fase faríngea: passagem do bolo alimentar pela faringe com o fechamento das vias aéreas. Nessa fase, o palato mole se fecha, evitando a passagem do bolo para a nasofaringe. A parede posterior da faringe vem para a frente, espremendo o bolo contra o dorso da língua. Ocorre o fechamento da glote, realizado pela epiglote, e também o fechamento das pregas vocais. Todas estas ações são necessárias para que não haja passagem do bolo para a via aérea. Neste instante, haverá a elevação da laringe, facilitando este fechamento. • Fase esofágica: envolve contrações musculares que fazem a propulsão do bolo através do esfíncter esofágico superior até o estômago. Consiste em uma onda peristáltica automática, a qual leva o bolo para o estômago. Deglutição Atípica A deglutição atípica é caracterizada pela inadequação funcional da deglutição durante a fase oral, com interposição da língua entre os dentes e ativação de músculos periorais de forma compensatória, mesmo na ausência de alterações orgânicas estruturais (Andrade, 2019). A deglutição atípica corresponde à movimentação inadequada da língua e/ou outras estruturas que participam do ato de deglutir, durante a fase oral da deglutição, sem que haja nenhuma alteração, de forma, na cavidade oral. Seria, portanto, apenas uma alteração da função de deglutir, não sendo necessário tratamento dentário para a correçãodo posicionamento dos dentes (Marchesan, 1998). Etiologia: persistência de padrões infantis de deglutição, hábitos orais deletérios (chupeta, sucção digital), respiração oral crônica, alterações na oclusão dentária, frênulo lingual curto/alterado e falta de aleitamento materno e introdução adequada de alimentos sólidos. PATOLOGIAS DA DEGLUTIÇÃOUNIDADE 3 64 Características Clínicas: projeção anterior ou lateral da língua entre os dentes, contração visível dos lábios e bochechas durante a deglutição, ausência de elevação do dorso da língua ao palato, mordida aberta anterior e/ou mordida cruzada, interferência na articulação de fonemas (exemplo: /t/, /d/, /n/, /l/, /s/, /z/). Mastigação ineficiente e fadiga muscular. Deglutição Adaptada A deglutição adaptada ocorre quando há uma modificação funcional da deglutição como resposta compensatória a uma condição orgânica, como más formações congênitas, paralisias, déficits neurológicos, cirurgias ou más oclusões severas. Etiologia: paralisia cerebral, síndromes genéticas (Down, Pierre Robin, etc.), alterações neuromusculares, malformações craniofaciais, pós-cirurgias oncológicas ou ortognáticas e disfagia funcional ou orofaríngea. Características Clínicas: presença de padrões compensatórios conscientes ou inconscientes, uso de força muscular exagerada ou inadequada, padrões de mastigação e deglutição desorganizados, engasgos, escape nasal, tosse ou necessidade de múltiplas deglutições. Em alguns casos, há risco de broncoaspiração. PATOLOGIAS DA DEGLUTIÇÃOUNIDADE 3 65 Você sabia que a forma como uma criança respira pode influenciar seu desempenho escolar? A respiração oral — quando se respira pela boca em vez do nariz — pode afetar a oxigenação do cérebro, prejudicando a atenção, memória e aprendizado. Crianças que respiram pela boca frequentemente apresentam sono agitado, fadiga diurna, irritabilidade e dificuldades escolares. Além disso, esse padrão pode estar associado a alterações posturais, na fala e no desenvolvimento facial. Muitas vezes, esses sinais são confundidos com desatenção ou dificuldades cognitivas, quando, na verdade, há uma causa funcional que pode ser tratada com uma abordagem multidisciplinar. Essa relação mostra a importância de observar o aluno de forma integral, considerando fatores biológicos, comportamentais e sociais em sua aprendizagem. Fonte: ABREU, A. C. B.; MORALES, D. A.; BALLO, M. B. J. F. A respiração oral influencia o rendimento escolar? Revista CEFAC, v. 5, p. 69–73, 2002. Disponível em: https://abramofono.com.br/wp-content/ uploads/2022/02/Artigo-11-8.pdf. Acesso em: 26 maio 2025. SAIBA MAIS Devemos desenvolver bem o nosso espírito para que possamos ter uma sólida estrutura física e mental ante as adversidades que surgem. É preciso que gostemos de nós mesmos, que cuidemos do corpo, proporcionando alimentação saudável, higiene corporal e exercícios físicos regulares, de modo que este receba os nutrientes necessários à sua conservação. Fonte: Canongia (2000). REFLITA PATOLOGIAS DA DEGLUTIÇÃOUNIDADE 3 https://abramofono.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Artigo-11-8.pdf https://abramofono.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Artigo-11-8.pdf https://abramofono.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Artigo-11-8.pdf 66 Nesta unidade, exploramos aspectos fundamentais para a atuação fonoaudiológica, como os hábitos orais deletérios e suas consequências sobre o sistema estomatognático — destacando como comportamentos aparentemente simples, como sucção de chupeta ou interposição lingual, podem gerar impactos significativos na mastigação, deglutição, fala e respiração. Também mergulhamos no desenvolvimento craniofacial e nas classificações faciais, compreendendo como padrões ósseos e musculares influenciam diretamente a funcionalidade das estruturas orofaciais. Vimos ainda a importância da mastigação adequada, suas fases e possíveis alterações, relacionando com a dentição decídua e permanente e com a formação do bolo alimentar. Por fim, abordamos com mais profundidade dois quadros frequentemente encontrados na prática clínica: a deglutição atípica, resultado de padrões inadequados persistentes sem alterações estruturais, e a deglutição adaptada, que surge como resposta a alterações orgânicas e neuromusculares. Ambas exigem um olhar clínico sensível e fundamentado para um acompanhamento eficaz. Em conclusão, o conhecimento aprofundado nas funções e disfunções do sistema estomatognático é essencial para a prática fonoaudiológica. A compreensão das interações entre estruturas, funções e seus desvios permite um diagnóstico mais preciso e uma intervenção mais eficaz. O domínio sobre os padrões respiratórios, oclusais, mastigatórios será crucial para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas adaptadas às necessidades específicas de cada indivíduo. Na próxima unidade, iremos abordar sobre a Paralisia Facial e Aleitamento Materno. Falar sobre o aleitamento materno e como ocorre o desenvolvimento embrionário, sucção e respiração; desenvolvimento craniofacial; reflexos orais e também anatomia, fisiologia, manejo clínico da lactação. Problemas na amamentação, alterações motoras orofaciais. Iremos abordar também sobre os tipos de paralisia facial e alteração de fala: ceceios. Avaliação do programa de treinamento. Já estou ansiosa para explorarmos esses temas juntos. Espero vocês na próxima unidade. Até breve! CONSIDERAÇÕES FINAIS PATOLOGIAS DA DEGLUTIÇÃOUNIDADE 3 67 LEITURA COMPLEMENTAR Caro(a) aluno(a), que tal fazermos uma leitura complementar sobre esse capítulo? Deixo a seguir uma sugestão de leitura: Artigo: Comunicação Humana e Saúde da Criança: Reflexão sobre Promoção da Saúde na Infância e Prevenção de Distúrbios Resenha: o texto em questão aborda a atuação fonoaudiológica na promoção e manutenção da saúde da criança, bem como a identificação precoce de distúrbios de linguagem, voz, fala e audição na infância. O estudo foi conduzido de forma transversal com 65 crianças matriculadas no ensino fundamental em escolas públicas, que não tinham histórico de avaliação ou tratamento fonoaudiológico, mas foram indicadas pelo núcleo de orientação pedagógica da escola devido a suspeitas de distúrbios fonoaudiológicos. Fonte: GOULART, B. Human communication and children health promotion – reflect on the actions of health promotion in childhood and prevention of communication disorders. Revista CEFAC, p. 691–695, 2012. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ rcefac/a/Tnwg9yvBQBtghH4GR3krSPS/?format=pdf&lang=en. Acesso em: 26 maio 2025. PATOLOGIAS DA DEGLUTIÇÃOUNIDADE 3 https://www.scielo.br/j/rcefac/a/Tnwg9yvBQBtghH4GR3krSPS/?format=pdf&lang=en https://www.scielo.br/j/rcefac/a/Tnwg9yvBQBtghH4GR3krSPS/?format=pdf&lang=en 68 MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO • Título: Ortodontia e Fonoaudiologia na Prática Clínica. • Autor: Ângela Cunha, et al. • Editora: Thieme Revinter • Sinopse: Leitura do Capítulo 1– Conceitos Introdutórios e Noções Básicas de Crescimento e Desenvolvimento Craniofacial. • Objetivo: Aprofundar o conhecimento sobre os conceitos de crescimento craniofacial, mecanismos de crescimento e as hipóteses e teoria do crescimento craniofacial. VÍDEO • Título: Hábitos Orais Deletérios: O que fazer? • Ano: 2020. • Sinopse: Nesse encontro as especialistas Tais Ciboto, Fonoaudióloga e Patricia Caram, Orientadora Educacional da Escola Meu Castelinho conversaram sobre a consequência que alguns hábitos orais - como o uso de chupeta, mamadeira, chupar dedo e roer unhas - de forma prolongada podem trazer ao desenvolvimento da fala e todas as demais implicações físicas que podem acarretar. Também conversaram do ponto de vista psicológico e emocional, sobre aspectos que envolvem a transição e deram dicas práticas de como apoiar as crianças na remoção ou substituição desses hábitos de forma saudável e tranquila. • Link: https://www.youtube.com/watch?v=dkpBEB1WJ2c PATOLOGIAS DA DEGLUTIÇÃOUNIDADE3 https://www.youtube.com/watch?v=dkpBEB1WJ2c 69 REFERÊNCIAS ANDRADE, C. R. F. (Org.). Tratado de motricidade orofacial. São Paulo: Pulso Editorial, 2019. BARBOSA, Elizangela A. Manual prático de disfagia para home care. Rio de Janeiro: Thieme Revinter, 2018. CANONGIA, M. Intervenção precoce em Fonoaudiologia. Rio de Janeiro: Revinter, 2000. COSTA, Milton. Deglutição e disfagia. Rio de Janeiro: MedBook Editora, 2013. E-book. p. 187. ISBN 9786557830642. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/ reader/books/9786557830642/. Acesso em: 26 maio 2025. CUNHA, Ângela Cristina Pinto de Paiva; et al. Ortodontia e fonoaudiologia na prática clínica. 1. ed. Rio de Janeiro: Thieme Revinter, 2011. MARCHESAN, Irene Queiroz. Fundamentos em fonoaudiologia: aspectos clínicos da motricidade oral. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1998. PATOLOGIAS DA DEGLUTIÇÃOUNIDADE 3 Paralisia Facial e Aleitamento Materno4 UNIDADEUNIDADE 71 PLANO DE ENSINO Tópicos de Estudos • Aleitamento materno: desenvolvimento embrionário, sucção e respiração; desenvolvimento craniofacial e reflexos orais. • Aleitamento materno: anatomia, fisiologia, manejo clínico da lactação. Problemas na amamentação, alterações motoras orofaciais. • Paralisia facial. • Alteração de fala: ceceios. Objetivos da Aprendizagem • Compreender o aleitamento materno; • Aprender sobre anatomia, fisiologia, manejo clinico da lactação. • Aprender a identificar os problemas na amamentação assim como alterações motoras. • Identificar e diferenciar as paralisias faciais, assim como suas causas. • Diferenciar os tipos de ceceio encontrados na alteração da fala. • Sugestão de um programa de treinamento para ceceio. PARALISIA FACIAL E ALEITAMENTO MATERNOUNIDADE 4 72 Olá, tudo bem? Que bom ter você de volta! Seja bem-vindo(a) à nossa quarta unidade da disciplina de Distúrbios da Motricidade Orofacial. Vamos começar? Hoje vamos abordar um tema fundamental desde os primeiros dias de vida: o aleitamento materno. Mais do que uma forma de nutrição, ele é essencial para o desenvolvimento orofacial, estimulando músculos, ossos, nervos e reflexos importantes para funções como a sucção, deglutição, respiração e até a fala. Você sabia que o preparo para mamar começa ainda na vida intrauterina? E que a amamentação ajuda a moldar estruturas faciais como o palato, a mandíbula e os músculos da face? Pois é! Vamos explorar, desde o desenvolvimento embrionário, a coordenação entre sucção e respiração, até a importância dos reflexos orais e do crescimento craniofacial saudável. Também vamos entender como alterações anatômicas ou neurológicas, como fissuras, anquiloglossia ou até paralisia facial, podem comprometer esse processo — e o papel essencial da fonoaudiologia clínica na avaliação e intervenção precoce. Além disso, vamos revisar os aspectos anatômicos e fisiológicos da amamentação, os principais desafios enfrentados na prática clínica, e como o manejo adequado da lactação pode prevenir alterações motoras orofaciais futuras. Nosso objetivo é que você amplie seu olhar clínico e compreenda como o início da vida influencia diretamente o desenvolvimento funcional da face. Preparado(a)? Então, vamos juntos nessa jornada! Bons estudos! INTRODUÇÃO PARALISIA FACIAL E ALEITAMENTO MATERNOUNIDADE 4 73 O aleitamento materno é uma prática essencial para a nutrição e o desenvolvimento global do recém-nascido, com implicações significativas para a motricidade orofacial. Ele influencia diretamente o desenvolvimento das funções orais, do sistema estomatognático e da estrutura craniofacial. Neste capítulo, abordaremos os aspectos do desenvolvimento embrionário relacionados à amamentação, os mecanismos de sucção e respiração, o desenvolvimento craniofacial e os reflexos orais envolvidos no processo. Desenvolvimento Embrionário Relacionado à Amamentação O desenvolvimento do sistema orofacial começa nas primeiras semanas de gestação e é fundamental para a futura capacidade de sucção e alimentação do recém- nascido. • 4ª a 8ª semana gestacional: formação das estruturas faciais, como palato, mandíbula, maxila, lábios e nariz. O fechamento do palato ocorre entre a 7ª e a 12ª semana. • Início da 9ª semana: diferenciação dos músculos da face e da língua. • 10ª a 14ª semana: maturação dos nervos cranianos envolvidos nas funções de sucção (V, VII, IX, X e XII). Intercorrências durante este período, como fissuras labiopalatinas ou síndromes craniofaciais, podem comprometer a amamentação. Aleitamento Materno e Desenvolvimento Orofacial1 TÓPICO PARALISIA FACIAL E ALEITAMENTO MATERNOUNIDADE 4 74PARALISIA FACIAL E ALEITAMENTO MATERNOUNIDADE 4 Sucção e Respiração: Coordenação Funcional A amamentação exige uma coordenação complexa entre sucção, deglutição e respiração. A sucção nutritiva é uma habilidade neuromotora complexa, essencial para a alimentação oral eficaz e segura. • Sucção não-nutritiva (SNN): presente desde a vida intrauterina (em torno da 12ª semana gestacional); contribui para o amadurecimento dos músculos orofaciais. • Sucção nutritiva (SN): inicia-se após o nascimento e envolve a extração ativa do leite. Caracteriza-se por um padrão rítmico de sucção, deglutição e pausas respiratórias. A respiração nasal, ideal durante a amamentação, promove a correta postura da língua, crescimento das estruturas faciais e aeração das vias aéreas superiores. Coordenação Sucção–Deglutição–Respiração (SDR): • No recém-nascido a termo, essa tríade está funcionalmente coordenada. • Prematuros e neonatos com alterações neurológicas podem apresentar dificuldades nesta coordenação, sendo necessário suporte fonoaudiológico. Desenvolvimento Craniofacial e Aleitamento Materno O aleitamento materno favorece o crescimento e desenvolvimento harmonioso das estruturas craniofaciais devido à intensa atividade muscular requerida durante a mamada. • Mandíbula: o movimento de protrusão e elevação durante a sucção estimula o seu crescimento. • Maxila e palato duro: a pressão da língua contra o palato favorece o alargamento transversal da maxila. • Tônus e força muscular: o esforço necessário para extrair o leite do seio materno fortalece os músculos orofaciais (lábios, bochechas, língua e mandíbula). Estudos demonstram que crianças amamentadas exclusivamente ao seio têm menor incidência de maloclusões, respiração oral e alterações miofuncionais orofaciais (Cesar; Lima, 2020). 75PARALISIA FACIAL E ALEITAMENTO MATERNOUNIDADE 4 Reflexos Orais e Aleitamento Materno O recém-nascido apresenta reflexos orais primitivos que são fundamentais para a amamentação: • Reflexo de busca: estimulado ao tocar o canto da boca, leva o bebê a virar a cabeça em direção ao estímulo. • Reflexo de sucção: permite a realização de movimentos rítmicos de sucção ao contato com o seio materno. • Reflexo de deglutição: coordenado com a sucção e a respiração, permite a ingestão segura do leite. • Reflexo de mordida: ação involuntária dos músculos da mandíbula frente a estímulos intraorais. • Reflexo de vômito: proteção contra a aspiração e engasgos. Esses reflexos tendem a desaparecer ou se integrar ao longo do primeiro ano de vida, à medida que as funções voluntárias se consolidam. Considerações Fonoaudiológicas A atuação fonoaudiológica é essencial na promoção, prevenção, avaliação e intervenção em casos de dificuldades relacionadas ao aleitamento materno. O fonoaudiólogo contribui para: • Avaliação da prontidão oral do recém-nascido. • Orientações quanto ao posicionamento e pega correta. • Identificação precoce de alterações estruturais ou funcionais. • Estimulação sensório-motora oral em casos de prematuridade ou comprometimentos neurológicos. O aleitamento materno é um poderoso aliado no desenvolvimento da motricidade orofacial e da função respiratória e deglutição adequada. Seu impacto vai além da nutrição, promovendo crescimento craniofacial harmonioso, desenvolvimentoneuromotor e relações afetivas importantes para o bebê. Cabe ao fonoaudiólogo conhecer profundamente esses mecanismos para atuar de forma eficaz desde os primeiros dias de vida. 76 O aleitamento materno é uma prática milenar, universal e recomendada como forma ideal de alimentação para recém-nascidos e lactentes. O leite materno deve ser a única fonte de alimentação até os seis meses de idade e complementado até pelo menos os dois anos ou mais. Para além de seus inúmeros benefícios nutricionais e imunológicos, o aleitamento materno desempenha um papel crucial no desenvolvimento da cavidade oral e das funções estomatognáticas — como sucção, deglutição, mastigação e fala. Do ponto de vista fonoaudiológico, o ato de mamar ao seio envolve mais do que a simples ingestão de leite: trata-se de um processo complexo, coordenado e ativo que estimula e organiza os sistemas neuromuscular e sensório-motor oral do bebê. Durante a amamentação, há o envolvimento de estruturas orofaciais fundamentais — lábios, língua, mandíbula, bochechas, palato, entre outras —, que precisam agir de forma harmônica e funcional para garantir uma sucção eficaz. Esse processo favorece o desenvolvimento adequado da musculatura e das funções orais, a respiração nasal, o crescimento e a modelagem óssea da face, além de contribuir para o vínculo mãe-bebê. A sucção nutritiva ao seio promove padrões neuromotores que servirão de base para o desenvolvimento das funções orais posteriores. Quando bem estabelecida, a amamentação contribui diretamente para a prevenção de alterações como distúrbios de deglutição, disfunções miofuncionais orofaciais, problemas de fala e más oclusões dentárias. Por outro lado, dificuldades no aleitamento, como pega incorreta, dor mamilar, anquiloglossia e uso precoce de bicos artificiais, podem desencadear compensações motoras que comprometem esse desenvolvimento, exigindo uma atuação clínica fonoaudiológica precoce e eficaz. Aleitamento e Alterações na Função Orofacial2 TÓPICO PARALISIA FACIAL E ALEITAMENTO MATERNOUNIDADE 4 77 Anatomia envolvida na Amamentação O processo de amamentação exige a participação de estruturas anatômicas específicas, tanto do sistema estomatognático do lactente quanto da anatomia mamária da nutriz. Estruturas orofaciais do bebê: • Lábios: devem estar evertidos e em contato firme com a aréola, promovendo vedação e sustentação durante a sucção. • Língua: posicionada em formato de “concha”, cobre a gengiva inferior e realiza movimentos peristálticos anteroposteriores, fundamentais para a ordenha do leite. • Mandíbula: participa com movimentos de abertura e fechamento rítmicos, promovendo pressão negativa e estímulo à ejeção do leite. • Bochechas: colaboram com a vedação intraoral, mantendo a pressão negativa necessária. • Palato duro e mole: envolvem-se no direcionamento e coordenação da deglutição. • Aréola: área pigmentada em torno do mamilo, rica em glândulas de Montgomery que secretam substâncias lubrificantes. • Mamilo: deve ser tracionado pela musculatura oral do bebê durante a sucção. • Alvéolos mamários: responsáveis pela produção do leite, estimulados pela prolactina. • Ductos lactíferos: transportam o leite até o mamilo, ativados pelo reflexo de ejeção. FIGURA 1: ANATOMIA DA MAMA Fonte: https://smart.servier.com/smart_image/breast-sagittal/. PARALISIA FACIAL E ALEITAMENTO MATERNOUNIDADE 4 https://smart.servier.com/smart_image/breast-sagittal/ 78 Fisiologia da Lactação O sucesso da amamentação depende da integridade de mecanismos hormonais e neurofisiológicos que regulam a produção e a ejeção do leite. Hormônios envolvidos: • Prolactina: atua na produção do leite, sendo estimulada pela sucção. • Ocitocina: responsável pela ejeção do leite, liberada pela ação reflexa da sucção e também modulada por aspectos emocionais. Reflexos fisiológicos: • Reflexo de busca: aproximação da boca ao seio provoca o movimento de procura pelo mamilo. • Reflexo de sucção: estimulado ao contato com o palato, desencadeia a atividade de sucção. • Reflexo de deglutição: coordenado com respiração, permite a ingestão segura do leite. Manejo Clínico da Lactação A atuação clínica fonoaudiológica no processo de amamentação é essencial para garantir a eficácia da sucção nutritiva e prevenir ou minimizar disfunções orofaciais. A fonoaudiologia, enquanto ciência que estuda as funções estomatognáticas, tem papel estratégico no reconhecimento precoce de alterações na dinâmica oral do lactente, no apoio à mãe e na promoção de um aleitamento materno funcional e prazeroso para a díade. O manejo clínico da lactação envolve três pilares principais: • Avaliação detalhada e sistemática da díade mãe-bebê; • Intervenções baseadas em evidências científicas, respeitando a individualidade de cada caso; • Atuação integrada com outros profissionais da saúde. PARALISIA FACIAL E ALEITAMENTO MATERNOUNIDADE 4 79 Avaliação Fonoaudiológica na Lactação A avaliação fonoaudiológica deve ser global, funcional e sensível às nuances clínicas da amamentação. Envolve observar o bebê antes, durante e após a mamada, com foco nas estruturas orofaciais, na coordenação motora e na efetividade da alimentação. Principais pontos de observação: • Postura do bebê e da mãe durante a mamada (apoio de cabeça e pescoço, alinhamento corporal); • Pega na mama (abrangência da aréola, vedamento labial, ausência de dor na mãe); • Sucção nutritiva vs. não nutritiva (ritmo, vigor, pausas); • Atividade dos lábios, bochechas, mandíbula e língua; • Sinais de estresse ou esforço durante a mamada (engasgos, tosse, arqueamento, irritabilidade); • Padrão de respiração (se nasal, se há ruídos ou obstruções); • Presença de frênulo lingual alterado, retrognatismo, fenda, ou outras alterações anatômicas. Dificuldades na Amamentação: • Pega inadequada; • Pode causar fissuras mamilares, dor intensa, baixa transferência de leite e perda de peso no bebê; • Anquiloglossia; • É a restrição do frênulo lingual que pode comprometer a elevação e protrusão da língua. A avaliação deve considerar critérios anatômicos e funcionais; • Prematuridade e hipotonia; • Prematuros geralmente apresentam imaturidade neurológica e tônus reduzido, o que dificulta a sucção eficaz; • Confusão de bicos; • O uso precoce de bicos artificiais pode interferir no padrão de sucção ao seio, comprometendo o aleitamento exclusivo. PARALISIA FACIAL E ALEITAMENTO MATERNOUNIDADE 4 80 Alterações Motores Orofaciais Decorrentes da Amamentação Inadequada Impactos no crescimento craniofacial: • Falta de estímulo mecânico e muscular adequado. • Prejuízos na expansão transversal da maxila e crescimento mandibular. • Predisposição à má oclusão e respiração oral. Disfunções miofuncionais orofaciais: • Deglutição atípica. • Interposição lingual. • Hipotonia de lábios e língua. • Dificuldades articulatórias futuras. Importância da amamentação como fator preventivo: A amamentação exclusiva é um exercício fisiológico completo, com potencial preventivo de alterações musculares, respiratórias e posturais. PARALISIA FACIAL E ALEITAMENTO MATERNOUNIDADE 4 81 A paralisia facial constitui uma alteração neuromuscular resultante da disfunção parcial (paresia) ou total (paralisia) do nervo facial, também denominado VII par craniano, responsável pela inervação motora dos músculos da expressão facial, além de componentes sensoriais e autonômicos relacionados à gustação e à produção de saliva e lágrimas. No âmbito da Motricidade Orofacial, ramo da Fonoaudiologia voltado ao estudo das funções estomatognáticas (sucção, mastigação, deglutição, fala e respiração), a paralisia facial configura-se como uma condição de grande relevância clínica, pois compromete diretamente a funcionalidade dos músculos faciais envolvidos na dinâmica orofacial e, em especial, no desempenho de funções vitais durante a primeira infância — como o aleitamento materno (Andrade,2019). Anatomia Funcional do Nervo Facial O nervo facial (VII par craniano) é um nervo misto, com funções motoras predominantes e também componentes sensoriais e parassimpáticos. Ele inerva os músculos da expressão facial, parte das glândulas salivares e lacrimais, além de conduzir informações gustativas dos dois terços anteriores da língua. Paralisia Facial3 TÓPICO PARALISIA FACIAL E ALEITAMENTO MATERNOUNIDADE 4 82 A lesão desse nervo pode afetar diretamente as funções orais primárias, fundamentais para o aleitamento materno, como: • Sucção; • Vedamento labial; • Coordenação orofacial; • Estabilidade da bochecha (músculo bucinador). Tipos de Paralisia Facial Paralisia Facial Central: Causa: lesões supranucleares (acima do núcleo do nervo facial no tronco encefálico), como AVC, traumatismos, tumores ou doenças degenerativas. Quando a lesão ocorre em nível cortical ou cortico-nuclear, geralmente poupando a musculatura da testa por conta da inervação bilateral dessa região (Bento et al., 2018). Características: • Comprometimento da musculatura da metade inferior da face contralateral à lesão. • Preservação dos movimentos da testa e fechamento ocular. • Geralmente associada a outras manifestações neurológicas. Paralisia Facial Periférica: Causa: lesões no próprio nervo facial (abaixo do núcleo), podendo ser congênitas, traumáticas ou idiopáticas. Quando a lesão compromete diretamente o nervo facial após sua emergência do tronco encefálico, provocando paralisia flácida ipsilateral em todos os músculos da hemiface, incluindo fronte, olhos, bochechas e lábios. Características: • Comprometimento ipsilateral da musculatura da face. • Paralisia completa da hemiface afetada (incluindo testa, olhos e boca). • Pode ocorrer ao nascimento (paralisia facial congênita), muitas vezes relacionada a traumas obstétricos. PARALISIA FACIAL E ALEITAMENTO MATERNOUNIDADE 4 83 Paralisia Facial Congênita e Neonatal: A paralisia facial congênita pode ser: • Traumática: causada por compressão ou tração do nervo durante o parto (ex.: uso de fórceps). • Desenvolvimental: devido a malformações ou ausência do núcleo do nervo facial (ex.: Síndrome de Moebius). • Idiopática: quando não se identifica uma causa evidente. Diagnóstico Diferencial: • Avaliação neurológica e motora. • Investigação de síndromes associadas. • Testes de condução nervosa (EMG) quando necessário. A paralisia facial, ao comprometer os músculos da mímica facial, acarreta não apenas alterações estéticas, mas principalmente disfunções sensório-motoras orofaciais, entre as quais se destacam: • Perda ou redução da tonicidade labial, dificultando o selamento dos lábios e comprometendo o controle intraoral do leite durante a amamentação; • Incapacidade de gerar ou manter pressão intraoral negativa adequada, fundamental para a sucção nutritiva eficiente; • Assimetria de contração muscular, que interfere na coordenação dos movimentos de bochecha e mandíbula; • Redução do controle postural da língua e do assoalho da boca, que agrava o quadro de desorganização da função alimentar. Essas alterações motoras têm implicações diretas na função de alimentação, particularmente no período neonatal, onde o aleitamento materno representa a principal via de nutrição e formação do vínculo mãe-bebê. Implicações da paralisia Facial no Aleitamento Materno A amamentação é uma função orofacial complexa, que exige: • Coordenação neuromuscular entre sucção, deglutição e respiração; • Vedamento labial eficiente; • Movimento coordenado da língua e mandíbula; • Ação de contenção dos músculos bucais (ex.: bucinador) para manter o vácuo intraoral. PARALISIA FACIAL E ALEITAMENTO MATERNOUNIDADE 4 84 O sucesso do aleitamento depende de um complexo sincronismo entre sucção, deglutição e respiração, o qual exige integridade neuromuscular. Em casos de paralisia facial congênita ou adquirida precocemente, observa-se: • Dificuldade para manter o mamilo na cavidade oral; • Escape frequente de leite pela comissura labial do lado afetado; • Sucção ineficiente e fatigante; • Irritabilidade e recusa alimentar; • Risco de aspiração, em alguns casos; • Frustração materna e maior tendência ao desmame precoce. A musculatura orofacial, notadamente o músculo orbicular dos lábios e o músculo bucinador, tem papel crucial na criação do vácuo intraoral e na estabilização do seio materno durante a mamada. Quando inativados por lesão facial, o bebê apresenta instabilidade funcional, gerando movimentos compensatórios ineficazes, como projeção lingual ou esforço mandibular excessivo. Observações clínicas: • Bebês com paralisia facial podem apresentar assimetrias visíveis durante o choro e sucção; • O seio materno pode cair lateralmente da boca na hemiface afetada; • A musculatura da bochecha não contribui para a manutenção do bolo lácteo. PARALISIA FACIAL E ALEITAMENTO MATERNOUNIDADE 4 85 As alterações articulatórias, como os ceceios, constituem distúrbios fonéticos caracterizados por desvios na produção dos sons da fala, em especial os sibilantes, como /s/ e /z/. A compreensão desses desvios exige uma abordagem integrativa entre os sistemas sensório-motor orofacial, os aspectos miofuncionais e o desenvolvimento da fala e linguagem. A motricidade orofacial oferece um suporte teórico-prático essencial para a avaliação, diagnóstico e intervenção nos casos de ceceios (Marchesan,1998). Definição de Ceceio O ceceio é uma alteração articulatória perceptível durante a produção dos fonemas /s/ e /z/, provocando uma distorção acústica. Ele pode se apresentar de forma: • Ceceio Frontal (ou interdental): esse tipo de ceceio acontece quando a língua avança além dos dentes, posicionando-se entre os incisivos superiores e inferiores no momento da fala. Isso faz com que o ar escape pela frente da boca de forma dispersa, alterando o som típico das letras “s” e “z”. O som produzido fica enfraquecido, impreciso e pode parecer “soprado” ou “assobiado”. É comum em pessoas com hábitos orais prolongados (como chupar dedo ou chupeta), alterações na mordida (como mordida aberta) ou padrões inadequados de respiração, que interferem na postura e no controle da língua durante a articulação. Alteração de Fala: Ceceios4 TÓPICO PARALISIA FACIAL E ALEITAMENTO MATERNOUNIDADE 4 86 • Ceceio lateral: ocorre quando o ar, ao invés de sair pela parte central da língua, escapa pelos lados durante a produção dos sons /s/ e /z/. Isso acontece por um posicionamento inadequado da língua, que impede o direcionamento correto do fluxo de ar. O som resultante é distorcido e muitas vezes descrito como “molhado”, “chiado” ou com aspecto “escorregadio”. Essa alteração é geralmente causada por dificuldades no controle motor da língua, como falta de força ou coordenação, podendo estar associada à hipotonia, alterações anatômicas ou até mesmo a padrões articulatórios incorretos que se estabeleceram ao longo do desenvolvimento da fala. Por suas características acústicas marcantes, o ceceio lateral costuma ser facilmente percebido e, em alguns casos, confundido com outros distúrbios mais complexos. • Ceceio palatalizado: acontece quando há uma elevação exagerada do dorso da língua em direção ao palato duro durante a produção dos sibilantes, especialmente /s/. O som resultante tende a se aproximar do fonema /ʃ/ (‘ch’), levando à palatalização da fala. Pode estar relacionado ao excesso de tensão na musculatura lingual, padrões articulatórios inadequados aprendidos durante o desenvolvimento ou alterações estruturais como palato estreito ou alto. A etiologia do ceceio é multifatorial. Os principais fatores incluem: • Alterações dento-oclusais (mordida aberta anterior, mordida cruzada posterior); • Persistência de hábitos orais (sucção digital, uso prolongado de mamadeira ou chupeta); • Respiração oral crônica; • Frenulo de língua alterado; • Hipotonia ou hipertonia dos músculos orofaciais. Intervenção Fonoaudiológica:Programa de Treinamento para Ceceios Princípios do treinamento: Reeducação Motora da Língua A língua é o principal articulador envolvido nos ceceios, especialmente nos fonemas sibilantes [s], [z], [ʃ], [ʒ]. A reeducação motora busca restaurar a posição e trajetória correta da língua durante a articulação. PARALISIA FACIAL E ALEITAMENTO MATERNOUNIDADE 4 87 • Objetivo: desenvolver novos padrões neuromotores para o posicionamento adequado da ponta e dorso da língua. • Aplicação prática: treinamento com espelho para consciência postural, uso de espátulas para delimitação do espaço de produção, uso de cotonetes para toque leve na região alveolar. Correção Postural: A postura corporal, de cabeça e especialmente a postura lingual em repouso, interfere diretamente na fala e respiração. Crianças com postura de língua baixa ou interposta frequentemente mantêm padrões viciados na fala. • Objetivo: estabelecer equilíbrio tônico-postural da musculatura orofacial e corporal. • Exemplo clínico: exercícios de alinhamento cervical com suporte de parede; treino de repouso lingual com elevação da ponta para a papila incisiva. Fortalecimento Muscular: A baixa tonicidade dos músculos da língua e lábios pode afetar o controle articulatório dos fonemas. • Objetivo: melhorar a força e resistência dos músculos envolvidos na produção dos sons. • Fundamentação: princípios do treinamento isométrico e isotônico adaptados para a musculatura orofacial. • Aplicações: pressão da língua contra o palato com resistência, ventosas para os lábios, sopros com resistência (ex.: palito de algodão, canudoterapia com variação de diâmetro). Progressão Gradual: do fonema isolado à fala espontânea: A terapia fonoaudiológica precisa seguir uma hierarquia de complexidade linguística, permitindo que o paciente adquira confiança e automatize os novos padrões articulatórios. Etapas: • Fonema isolado; • Fonema em sílabas (posição inicial, medial e final); • Palavras (monossílabas → polissílabas); • Frases; • Fala espontânea. Importância: promove a generalização do som corrigido para a fala natural. PARALISIA FACIAL E ALEITAMENTO MATERNOUNIDADE 4 88 Estímulos multissensoriais: visuais, táteis e auditivos: A utilização de estímulos variados amplia o engajamento e melhora a autopercepção do paciente quanto aos erros e acertos articulatórios. • Visual: uso de espelho, vídeos com boca em close, aplicativos de realidade aumentada. • Tátil: toque na região alveolar, uso de cotonetes, escova de língua, ou gelatinas para feedback de posição. • Auditivo: gravações da própria fala, softwares com espectrograma (ex.: PRAAT), comparação de sons corretos/incorretos. Técnicas Utilizadas – Detalhamento Exercícios de propriocepção lingual: são atividades que visam desenvolver a consciência da posição e movimento da língua, fundamentais para o controle articulatório. Exemplos: • Deslizar a ponta da língua ao longo do palato até a papila incisiva (direcionalidade). • Estimular contato, ponta da língua x papila incisiva x dentes superiores x palato duro (localização). • Tocá-la com objetos (cotonete, espátula) e pedir ao paciente para reproduzir a posição. Terapia Miofuncional orofacial: foca no restabelecimento do equilíbrio funcional entre os grupos musculares orais para garantir condições estáveis para a fala. • Isolamento e contração da musculatura labial (ex.: biquinho com resistência). • Elevação de ponta e dorso da língua contra o palato. • Coordenação respiratória e articulação. Exercícios integrados à rotina: uso de sons com resistência durante escovação, sons com vibração lingual durante leitura. Modelagem fonética e reforço positivo: técnicas que visam reforçar positivamente os acertos e modelar os sons corretamente para favorecer a aprendizagem motora. PARALISIA FACIAL E ALEITAMENTO MATERNOUNIDADE 4 89 Modelagem fonética: o terapeuta demonstra a articulação correta e guia a produção do paciente. • Uso de pistas visuais (lábios, língua), metáforas sonoras (ex.: “s” é o som da cobra). Reforço positivo: elogios, fichas de progresso, sistemas de pontos para motivação. Importância: promove a automatização por meio do prazer na comunicação e do vínculo terapêutico. Técnicas complementares modernas: • Aplicativos interativos e jogos digitais: para treinar fonemas em contextos lúdicos com correção auditiva e visual automática. • Técnicas de biofeedback acústico: análise visual do espectrograma da fala do paciente (uso do software PRAAT ou Audacity). • Realidade aumentada (RA): permite visualizar tridimensionalmente o trajeto da língua nos sons-alvo (em clínicas com recursos tecnológicos). PARALISIA FACIAL E ALEITAMENTO MATERNOUNIDADE 4 90 “A fonoaudiologia na primeira infância não trata apenas da fala: ela promove vínculos, fortalece a confiança e constrói condições para que a criança floresça em saúde e comunicação.” — Livre adaptação dos conceitos de Canongia (2000). REFLITA PARALISIA FACIAL E ALEITAMENTO MATERNOUNIDADE 4 A paralisia de Bell é a forma mais comum de paralisia facial periférica, afetando cerca de 20 a 30 pessoas a cada 100 mil por ano. Embora sua causa exata ainda seja desconhecida, acredita-se que esteja relacionada à inflamação viral do nervo facial, como a reativação do vírus herpes simples. O nervo facial controla os músculos responsáveis pela expressão facial, o que explica a perda de movimento típica dessa condição. Estudos indicam que o tratamento com corticosteroides dentro de 72 horas do início dos sintomas aumenta significativamente as chances de recuperação completa. Fonte: NATIONAL INSTITUTE OF NEUROLOGICAL DISORDERS AND STROKE. Bell’s palsy. National Institutes of Health, [s.d.]. Disponível em: https://www.ninds.nih.gov/health-information/disorders/bells-palsy . Acesso em: 13 jun. 2025. SAIBA MAIS https://www.ninds.nih.gov/health-information/disorders/bells-palsy https://www.ninds.nih.gov/health-information/disorders/bells-palsy https://www.ninds.nih.gov/health-information/disorders/bells-palsy 91 Nesta unidade, exploramos aspectos fundamentais para a atuação fonoaudiológica desde os primeiros dias de vida, com ênfase no aleitamento materno e seu papel decisivo no desenvolvimento das funções orais e estruturas do sistema estomatognático. Discutimos como a amamentação influencia diretamente a sucção, deglutição, respiração nasal, postura da língua e o crescimento craniofacial harmonioso. Aprofundamos o estudo sobre o desenvolvimento embrionário das estruturas orofaciais, a coordenação funcional entre sucção, deglutição e respiração, além da importância dos reflexos orais primitivos — como os reflexos de busca, sucção e deglutição — para a alimentação eficiente e segura do recém-nascido. Também abordamos os aspectos anatômicos e fisiológicos da lactação, os principais problemas na amamentação (como pega incorreta, anquiloglossia, uso de bicos artificiais) e as possíveis alterações motoras orofaciais decorrentes de uma amamentação inadequada, incluindo o risco de desenvolvimento de disfunções miofuncionais. Por fim, discutimos o impacto de condições clínicas específicas, como a paralisia facial congênita ou adquirida, na dinâmica da amamentação — destacando os desafios musculares e funcionais que exigem atenção precoce e atuação especializada do fonoaudiólogo. Em conclusão, compreender o papel do aleitamento materno no desenvolvimento orofacial é essencial para a prática clínica fonoaudiológica. Esse conhecimento permite a identificação precoce de riscos, o planejamento de intervenções eficazes e o suporte adequado à díade mãe-bebê, promovendo saúde, funcionalidade e vínculo desde o início da vida. Até Breve! CONSIDERAÇÕES FINAIS PARALISIA FACIAL E ALEITAMENTO MATERNOUNIDADE 4 92 LEITURA COMPLEMENTAR Caro(a) aluno(a), que tal fazermos uma leitura complementar sobre esse capítulo? Deixo a seguir uma sugestão de leitura: Artigo: A Fonoaudiologia e o AleitamentoMaterno Resenha: Este trabalho foi realizado através de revisão bibliográfica sobre o Aleitamento Materno e suas vantagens para o crescimento e desenvolvimento do Sistema Sensório Motor Oral, verificaram-se também as possíveis alterações quando ocorrer o desmame precoce e sua relação com a desnutrição, anemia, doenças infecciosas, respiração bucal e disfunções miofuncionais, principalmente pelo uso prolongado de hábitos orais viciosos. Assim como a importância da conscientização de profissionais de saúde para promover a prática do amamentar, através de orientações e repasse de informações às mães e às suas famílias. Fonte: PAES, Adriane Mairia E. G. A. A fonoaudiologia e o aleitamento materno. 1999. Monografia de conclusão do Curso de Especialização em Motricidade Oral. Disponível em: http://sp.cefac.br/alunminus/cefac/biblioteca/publicacoes/ arquivos/0000035_TA21.PDF. Acesso em: 13 jun. 2025. PARALISIA FACIAL E ALEITAMENTO MATERNOUNIDADE 4 http://sp.cefac.br/alunminus/cefac/biblioteca/publicacoes/arquivos/0000035_TA21.PDF http://sp.cefac.br/alunminus/cefac/biblioteca/publicacoes/arquivos/0000035_TA21.PDF 93 MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO • Título: Tratado de Paralisia Facial. • Autor: Ricardo Bento, et al. • Editora: Thieme Revinter. • Sinopse: Leitura Seção V: reabilitação não cirúrgica na Paralisia Facial. Aprofundar o conhecimento sobre a reabilitação não cirúrgica e a reabilitação fonoaudiológica. VÍDEO • Título: Fonoaudiologia - vídeo de apresentação CFFa. • Ano: 2010. • Sinopse: Nesse vídeo de apresentação do Conselho Federal de Fonoaudiologia, destaca que o fonoaudiólogo é um profissional que atua principalmente nas áreas da saúde, educação e comunicação. Atende pacientes de todas as idades e contribui em equipes multiprofissionais e tem uma formação abrangente, que vai do tratamento de problemas de fala à terapia em distúrbios da deglutição ou neurológicos. • Link: https://www.youtube.com/watch?v=xMlkGONtCOA PARALISIA FACIAL E ALEITAMENTO MATERNOUNIDADE 4 https://www.youtube.com/watch?v=xMlkGONtCOA 94 REFERÊNCIAS ANDRADE, C. R. F. (Org.). Tratado de motricidade orofacial. São Paulo: Pulso Editorial, 2019. BENTO, Ricardo F.; SALOMONE, Raquel; FONSECA, Anna Carolina de O.; et al. Tratado de Paralisia Facial: Fundamentos Teóricos – Aplicação Prática. Rio de Janeiro: Thieme Revinter, 2018. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/ books/9788554650209/. Acesso em: 13 jun. 2025. CANONGIA, M. Intervenção precoce em Fonoaudiologia. Rio de Janeiro: Revinter, 2000. CESAR, Andréa de M.; LIMA, Meline D. Fundamentos e Práticas em Fonoaudiologia - Volume 3. Rio de Janeiro: Thieme Revinter, 2020. Disponível em: https://integrada. minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786555720327/. Acesso em: 13 jun. 2025. MARCHESAN, Irene Queiroz. Fundamentos em fonoaudiologia: aspectos clínicos da motricidade oral. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1998. PARALISIA FACIAL E ALEITAMENTO MATERNOUNIDADE 4 95 CONCLUSÃO GERAL Prezado (a) aluno (a), Chegamos ao final desta apostila, e é com grande satisfação que encerramos essa jornada de aprendizado sobre Distúrbios da Motricidade Orofacial. Ao longo das unidades, percorremos desde os fundamentos da anatomia e fisiologia muscular, passando pelo funcionamento do sistema estomatognático, até temas mais específicos como hábitos orais deletérios, desenvolvimento craniofacial, deglutição atípica e adaptada, aleitamento materno e paralisia facial. Cada unidade foi construída de forma a se interligar à seguinte, compondo um ciclo contínuo de conhecimento que se fortalece à medida que novas camadas são adicionadas. Iniciamos com a base estrutural — o conhecimento muscular — essencial para compreender a atuação das funções orofaciais. Seguimos explorando a importância da respiração, da mastigação e dos padrões de deglutição, e finalizamos com temas que exigem um olhar clínico atento desde os primeiros dias de vida, como o aleitamento materno e os impactos de alterações neuromusculares, como a paralisia facial. As questões levantadas na apresentação foram, ao longo das unidades, respondidas e aprofundadas, oferecendo não apenas conteúdo teórico, mas também reflexões práticas que permitem ao futuro profissional entender a importância de uma atuação fonoaudiológica embasada, sensível e integrada. É importante lembrar que o conhecimento aqui apresentado é apenas o começo. A Fonoaudiologia é uma ciência em constante evolução, e seu compromisso como estudante e profissional é manter-se em atualização contínua, buscando fontes confiáveis, vivências clínicas e interações com diferentes áreas do saber. Agradeço por ter percorrido esse caminho até aqui. Espero que este material tenha enriquecido sua formação e despertado ainda mais seu interesse pelas complexidades e belezas da atuação fonoaudiológica na motricidade orofacial. Até uma próxima oportunidade. Muito Obrigada! ENDEREÇO MEGAPOLO SEDE Praça Brasil , 250 - Centro CEP 87702 - 320 Paranavaí - PR - Brasil TELEFONE (44) 3045 - 9898 Unidade 1 - 2024 Unidade 2 - 2024 Unidade 3 - 2024 Unidade 4 - 2024 Site UniFatecie 3: Botão 19: Botão 18: Botão 17: Botão 16:que, assim como eu, você deve estar com muitas expectativas para iniciar esse caminho de aprendizagem. Vamos começar? Procure um lugar confortável, porque vamos realizar uma introdução a essa matéria. A musculatura orofacial desempenha um papel fundamental na realização de funções básicas e complexas do nosso corpo humano, como a mastigação, deglutição, respiração e fala. E o que é essa motricidade orofacial? É a capacidade de controlar e coordenar os movimentos desses músculos. Essa estrutura muscular orofacial é composta por músculos estriados esqueléticos, que são controlados voluntariamente e têm inserções e funções específicas, muitas vezes interdependentes. Disfunções nesta musculatura podem gerar uma série de condições clínicas, incluindo dificuldades na alimentação, problemas de fala, distúrbios respiratórios e alterações nas expressões faciais, afetando diretamente a qualidade de vida do paciente. O aprofundamento no estudo dos Distúrbios da Motricidade Orofacial, bem como suas patologias, é essencial na busca pelo conhecimento. O conteúdo a seguir irá explorar anatomia e fisiologia dessa musculatura, assim como origem e inserção dos principais músculos e suas funções. Vamos começar essa jornada de conhecimento? Bons Estudos! MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIALUNIDADE 1 10 Para darmos início a essa unidade, antes de qualquer ensinamento, precisamos saber o conceito de músculo. O músculo é composto por células alongadas chamadas fibras musculares. Essas fibras são excitáveis à semelhança das células nervosas, mas ao contrário das células nervosas que são especializadas na condução de um impulso, as fibras musculares realizam a contração celular. Ele é um tecido especializado cuja principal função é gerar movimento através da contração e relaxamento das fibras musculares. De acordo com Junqueira e Carneiro (2023), a principal característica funcional do músculo é sua capacidade de excitabilidade, contratilidade, elasticidade e extensibilidade, propriedades essenciais para a realização de funções motoras e posturais no organismo. Toda esta atividade é realizada por três tipos de musculatura, porém, vamos falar somente do músculo estriado esquelético, que está, de maneira geral, ligado aos ossos e tem como características a movimentação do esqueleto (Douglas, 2006). O músculo estriado esquelético desempenha papel essencial nos movimentos voluntários e na sustentação postural. No campo da Fonoaudiologia, é particularmente fundamental para funções orofaciais como fala, deglutição e mastigação. Ele está ligado ao osso ou à cartilagem e, ocasionalmente, se insere dentro de outro músculo ou na epiderme. Anatomia e Fisiologia do Músculo Estriado1 TÓPICO 1 MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIALUNIDADE 1 11 O tecido muscular estriado esquelético é formado por feixes de longas células (fibras), multinucleadas, cilíndricas, arranjadas paralelamente entre si. Quando observadas em cortes longitudinais ao microscópio, as células apresentam faixas transversais em seu citoplasma, motivo pelo qual são denominadas estriadas. São fibras de contração rápida e vigorosa, sujeitas ao controle voluntário e constituem os músculos esqueléticos do corpo (Junqueira; Carneiro, 2023). Falando sobre a estrutura, o músculo esquelético é formado pelas células ou fibras musculares. Cada fibra muscular possui uma subunidade denominada de miofibrilas, que dão o aspecto estriado e que ocupam a maior parte do volume celular. E, por sua vez, cada miofibrila é formada por três sarcômeros em série. MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIALUNIDADE 1 12 Acerca dos músculos, alguns escritores descrevem que são formados por diversas fibras que ao contraírem promovem seu movimento, tal ação é voluntária; comandada pelo Sistema Nervoso. Conforme Fehrenbach e Herring (1998), cada músculo possui duas extremidades, a extremidade de origem, que é o ponto fixo do músculo, e a inserção, que é seu ponto móvel; sendo que quando ocorre a contração das fibras, o músculo movimenta-se da inserção em direção à origem. Vamos abordar logo abaixo uma sequência de músculos da face, lábios e língua, assim como seu ponto de inserção: IMAGEM 1 - MÚSCULOS DA FACE Fonte: Freepik ID: 1020664 Músculos e Inserção da Face, Lábios e Língua2 TÓPICO MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIALUNIDADE 1 13 2.1 Orbicular da boca É o esfíncter da boca e está contido nos lábios. Quase não possui origem óssea, apesar de seu tamanho, pois somente alguns feixes se fixam na espinha nasal anterior e nas fóveas incisivas da maxila e da mandíbula (Madeira, 2012). É um importante músculo da expressão facial situado nos lábios. Origem: não possui. Inserção: não possui. Função: fecha a boca, franze os lábios (assobiar) e desempenha um papel importante na articulação e mastigação (ajuda a manter o alimento entre os dentes, quando auxiliado pelo bucinador). Trajeto: circular ao redor da boca. 2.2 Transversos 2.2.1 Músculo Bucinador É o músculo da bochecha, situado entre a pele e a mucosa (Madeira, 2012). É um importante músculo da expressão facial situado nos lábios. Origem: processos alveolares da maxila e da mandíbula na região molar; Inserção: fibras se entrelaçam no músculo orbicular da boca /ângulo da boca. Função: pressiona as bochechas firmemente de encontro aos dentes (lateral), auxilia na mastigação e na fala, ato de tracionar para trás o ângulo da boca. Trajeto: oblíquo, quase vertical. IMAGEM 2 - MÚSCULOS EXTRÍNSECOS DA FACE Fonte: Freepik ID: 3142018 MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIALUNIDADE 1 14 2.2.2 Músculo Risório É muito delgado e triangular, traciona a comissura labial. Origem: pele da bochecha e fáscia massetérica. Inserção: ângulo da boca. Função: traciona o ângulo da boca para cima e para fora (responsável por aquele sorriso discreto). Trajeto: horizontal, direção anterior ao bucinador. 2.2.3 Músculo Levantador do Lábio superior Encontra-se na região do lábio superior, participando em sua movimentação. Origem: margem inferior da órbita acima do forame infraorbital, maxila e zigomático; Inserção: lábio superior. Função: levanta o lábio superior e leva-o um pouco para frente. Trajeto: se dirige obliquamente, para se inserir na metade lateral do lábio superior. 2.2.4 Músculo Levantador do Lábio superior e da Asa do nariz Confunde-se com as fibras do músculo orbicular da boca. Origem: processo frontal maxilar (nível do ângulo do olho). Inserção: lábio superior e asa do nariz. Função: eleva e realiza a protrusão do lábio superior e a abertura da asa do nariz (mostra a gengiva). Trajeto: se dirige inferiormente até a pele da aba do nariz e no lábio superior. 2.2.5 Músculo Zigomático Menor Faz parte do grupo muscular plasmático propriamente dito, que atua sobre a musculatura esfinctérica dos lábios. Origem: corpo do osso zigomático. Inserção: lábio superior (entre o levantador do lábio superior e o zigomático maior). Função: auxilia na elevação do lábio superior e acentua o sulco nasolabial (expõe os dentes superiores – início de um sorriso ou fisionomia de desprezo). Trajeto: medial ao zigomático maior e ao orbicular da boca. MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIALUNIDADE 1 15 2.2.6 Músculo Zigomático Maior Faz parte do grupo dos músculos que contribuem para a expressão de riso expansivo. Origem: face lateral do osso zigomático. Inserção: ângulo da boca. Função: conhecido também como músculo do riso, por causa de sua ação de levantar e retrair o ângulo da boca (risada). Trajeto: medial ao zigomático maior e ao orbicular da boca. 2.2.7 Músculo Depressor/Abaixador do Lábio Inferior É um músculo quadrilátero. Origem: base da mandíbula, acima da origem do depressor do ângulo da boca. Inserção: lábio inferior. Função: repuxa o lábio inferior diretamente para baixo e lateralmente (expressão de ironia). Trajeto: obliquamente até o lábio. 2.3 Verticais IMAGEM 3 - MÚSCULOZIGOMÁTICO MAIOR Fonte: Shutterstock ID: 2597516409 MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIALUNIDADE 1 16 2.3.1 Músculo Mentual / Mentoniano É pequeno e é o único músculo dos lábios que não se insere no orbicular da boca. Origem: fossa incisiva da mandíbula. Inserção: pele do mento (queixo). Função: eleva e projeta o lábio inferior para fora, enruga a pele do queixo. Trajeto: vertical. 2.3.2 Músculo Depressor/Abaixador do ângulo da boca Traciona a boca para baixo e um pouco lateralmente. Origem: base da mandíbula (da região molar ao tubérculo mentoniano). Inserção: ângulo da boca. Função: deprime o ângulo da boca (expressão de tristeza). 2.3.3 Músculo Levantador do ângulo da Boca Incorpora-se ao músculo orbicular da boca e participa na formação do sulco nasolabial. Origem: fossa canina (maxila). Inserção: ângulo da boca. Função: eleva o ângulo da boca (contribuindo para expressão de alegria) e acentua o sulco nasolabial. Trajeto: vertical. 2.4 Paralelos IMAGEM 4 -MÚSCULOS PARALELOS Fonte: Shutterstock ID: 2597516409 MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIALUNIDADE 1 17 2.4.1 Músculo Platisma É um músculo amplo, delgado e triangular (não se trata propriamente de um músculo peribucal, apesar de se prender na mandíbula). É uma lâmina muscular longa, larga e fina que cobre a maior parte das regiões lateral e anterior do pescoço, chegando a cruzar a clavícula e terminar na região peitoral. Origem: base da mandíbula. Inserção: pele do pescoço. Função: enruga a pele do pescoço. 2.4.2 Músculo Occipitofrontal É um músculo do couro cabeludo com um ventre frontal e outro occipital. Origem: aponeurose epicrânica. Inserção: pele do supercílio; região occipital. Função: eleva o supercílio de um ou de ambos os lados. Traciona para trás o couro cabeludo. Trajeto: antero posterior do crânio. 2.4.3 Músculo Corrugador do Supercílio Traciona para baixo e medialmente a sobrancelha. Origem: margem supraorbital do frontal. Inserção: pele de extremidade lateral do supercílio. Função: puxa o supercílio medialmente. Trajeto: medial à órbita. 2.4.4 Músculo Prócero Sua contração produz rugas transversais na raiz do nariz. Origem: osso nasal. Inserção: pele da glabela. Função: puxa a pele da glabela para baixo. Trajeto: vertical. MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIALUNIDADE 1 18 2.4.5 Músculo Orbicular do Olho Circunda a órbita e insere-se no osso frontal. É quase todo cutâneo, prendendo-se somente nos ligamentos palpebrais medial e lateral e em dois pontos ósseos da maxila e no lacrimal. Origem: ligamentos palpebrais, lacrimal e maxila. Inserção: pálpebras e pele periorbital. Função: fecha as pálpebras e as comprime contra o olho. Trajeto: circular, ao redor do olho. 2.4.6 Músculo Nasal É dividido em parte transversa (ou compressora da narina) e parte alar (ou dilatador da narina). Origem: eminência canina; narina. Inserção: dorso do nariz. Função: comprime a narina; dilata a narina. 2.4.7. Músculos da Língua Todos os músculos são inervados pelo nervo hipoglosso, com exceção do palatoglosso, que é inervado pelo vago. IMAGEM 5 - MÚSCULOS DA LÍNGUA Fonte: Shutterstock ID: 2597516409 2.5 Músculos intrínsecos São constituídos por feixes de fibras dispostos longitudinalmente (músculos longitudinais superior e inferior), transversalmente (músculo transverso) e verticalmente (músculo vertical). MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIALUNIDADE 1 19 Origem: raiz da língua (longitudinais superior e inferior), septo da língua (transverso) e dorso da língua (vertical). Inserção: ápice da língua (longitudinais superior e inferior), margem da língua (transverso) e face inferior da língua (vertical). Função: altera a forma da língua, tornando-a curta e espessa; auxilia no ato de enrolar a língua em várias direções (longitudinais superior e inferior), estreita e alonga a língua (transverso e vertical). 2.6 Músculos extrínsecos 2.6.1 Músculo genioglosso É o mais volumoso dos músculos da língua. Origem: espinha mentoniana (logo acima do músculo gênio-hioideo). Inserção: ápice, dorso e raiz da língua. Função: abaixa a língua. Fibras médias e posteriores protraem. Fibras anteriores retraem a ponta. 2.6.2 Músculo hioglosso É formado por uma delgada lâmina muscular de forma retangular. Origem: corno maior e no corpo do osso hioideo; Inserção: parte lateral do corpo da língua. Função: abaixa e ajuda a retrair a língua. 2.6.3 Músculo estiloglosso Atua como sinergista do músculo palatoglosso na elevação da parte posterior do dorso da língua. Origem: processo estiloide do osso temporal. Inserção: margem lateral, no ápice, e na parte lateral da raiz e do corpo da língua. Função: retrai e levanta a lateral da língua. 2.6.4 Músculo palatoglosso Pode agir como levantador da língua, mas, se esta estiver fixa, ele abaixa o palato mole. Origem: aponeurose palatina. Inserção: aspecto posterolateral da língua. Função: eleva a língua ou abaixa o palato. Ajuda a estreitar o istmo da garganta. MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIALUNIDADE 1 20 A anatomia dos músculos da mandíbula, palato mole e faringe é fundamental para a compreensão da motricidade orofacial e suas implicações na fonoaudiologia. Estes músculos desempenham papéis essenciais na mastigação, deglutição, articulação da fala e respiração. A seguir, apresentarei uma revisão detalhada destes músculos, incluindo suas inserções e funções. 3.1 Músculos da Mandíbula Os músculos da mandíbula, também conhecidos como músculos da mastigação, são responsáveis pelos movimentos necessários para triturar e mastigar os alimentos. Eles incluem o masseter, o temporal, o pterigoideo lateral e o pterigoideo medial, que trabalham em conjunto para permitir a elevação, a depressão, a lateralização e a protrusão da mandíbula, essenciais para o processo de digestão. 3.2 Músculos depressores Os músculos depressores da face são responsáveis por movimentos que abaixam partes da face, como a boca e as sobrancelhas. Entre os principais estão o músculo depressor do ângulo da boca, que abaixa os cantos da boca, e o depressor do lábio inferior, que movimenta o lábio para baixo. Esses músculos contribuem para expressões faciais relacionadas à tristeza, raiva ou desagrado, desempenhando um papel importante na comunicação não verbal. Músculos e Inserção da Mandíbula, Palato Mole e Faringe3 TÓPICO MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIALUNIDADE 1 21 3.2.1 Músculo Digástrico Possui dois ventres cárneos unidos por um tendão em comum (ventre posterior e o ventre anterior). Origem: incisura mastoidea. Inserção: fossa digástrica. O tendão intermediário prende-se pela alça digástrica (indiretamente) ao osso hioideo. Função: eleva o osso hioideo e retrai a mandíbula. 3.2.2 Músculo Milo-hioideo Contribui para elevação da cavidade oral, sendo que a junção do milo-hioideo direito com o milo-hioideo esquerdo constituem um plano muscular sobre o qual se assenta a língua. Origem: linha milo-hioidea da mandíbula. Inserção: corpo do osso hioide. Função: eleva o soalho da boca, hioide e língua. Protrai o hioide ou retrai (e abaixa) a mandíbula. 3.2.3 Músculo Gênio-hioideo Suas fibras dirigem-se para dentro do osso hioide, considerado como um músculo independente. Origem: espinha mentual inferior da mandíbula. Inserção: corpo do osso hioide. Função: eleva o osso hioide e faz depressão da mandíbula. IMAGEM 6 - MÚSCULOS DA FACE Fonte: Shutterstock ID: 308357447 MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIALUNIDADE 1 https://www.shutterstock.com/pt/image-illustration/skull-muscles-profile-featuring-mandible-occipital308357447/edit?tool=bgremover&chatId=b183690bf88f4cacb11cf2c4bdc98a0c 22 3.2.4 Músculo Pterigoideo Lateral A cabeça superior deste músculo oferece componente de fechamento mandibular e a cabeça inferior, de abertura de mandíbula. Origem: face lateral de lâmina lateral do processo Pterigoideo e superfície infratemporal da asa maior do esfenoide.Inserção: fóvea pterigoidea e margem anterior do disco da ATM. Função: protrai (e junto com os digástricos, abaixa) a mandíbula pela contração bilateral simultânea. Movimenta para um dos lados pela contração unilateral. Estabiliza o disco articular. 3.3 Músculos elevadores 3.3.1 Músculo Masseter É o músculo mais superficial dentro do grupo dos músculos da mastigação. Origem: margem inferior do osso zigomático (parte superficial) e margem inferior do arco zigomático (parte profunda). Inserção: face lateral do ramo da mandíbula. Função: eleva (com força) a mandíbula. 3.3.2 Músculo Temporal Possui tendão muito potente, é um forte levantador da mandíbula. Origem: soalho da fossa temporal e superfície medial da fáscia temporal. Inserção: bordas e face medial do processo coronoide (crista temporal) e borda anterior do ramo da mandíbula. Função: eleva a mandíbula (mais velocidade do que potência) retrai a mandíbula com a porção posterior. 3.3.3 Músculo Pterigoideo Medial É um importante músculo da mastigação, auxiliando na elevação da mandíbula. Origem: fossa pterigoidea. Inserção: face medial do ângulo da mandíbula. Função: eleva a mandíbula, age como sinergista do masseter. MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIALUNIDADE 1 23 3.4 Músculos do Palato Mole São inervados pelo nervo vago, via plexo faríngeo, com exceção do tensor do véu palatino, cuja inervação vem do nervo mandibular, ramo do trigêmeo. 3.4.1 Palatoglosso É descrito nos músculos da língua, considerado um músculo do palato mole por ser responsável por abaixar o palato mole em direção à língua. 3.4.2 Palatofaríngeo É mais espesso e potente que o músculo palatoglosso. Origem: aponeurose palatina. Inserção: superfície posterolateral da faringe. Função: eleva a faringe e estreita o istmo da garganta. Age também como elevador da faringe. 3.4.3 Músculo Tensor do Véu Palatino Estende-se desde a base do crânio até a face superior do palato mole. Quando ambos os tensores se contraem, o palato mole torna-se tenso, enrijecido, principalmente a sua porção anterior. Origem: fossa escafoide. Inserção: parte superior da aponeurose palatina. Função: eleva o palato mole e auxilia o seu contato com a parede posterior da faringe. Torna tenso o palato mole. 3.4.4 Músculo da úvula É o menor músculo do palato. Origem: espinha nasal posterior. Inserção: mucosa da úvula. Função: movimenta a úvula. 3.4.5 Músculo Levantador do Véu Palatino: Um músculo roliço, que se estende da base do crânio diretamente ao palato mole. Origem: aspecto inferior da parte petrosa do osso temporal. Inserção: aponeurose Palatina. Função: eleva o palato mole como na deglutição e na sucção, dessa maneira também eleva a faringe (ao mesmo tempo). MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIALUNIDADE 1 24 3.5 Músculos do Faringe Os músculos da faringe atuam na deglutição, fonação e respiração, coordenando o transporte do bolo alimentar da cavidade oral para o esôfago. 3.5.1 Músculo Constritor Superior: Este músculo provoca o encurtamento das partes nasal e oral da faringe, além da constrição da parte superior da faringe. Possui diversas fibras que recebem nomes de acordo com a região em que se encontra, a saber: pterigofaríngeo, bucofaríngeo, milofaríngeo e glossofaríngeo. Origem: rafe pterigomandibular. Inserção: rafe da faringe na linha mediana da parede posterior da faringe que se inserem na base externa do crânio. Função: eleva a faringe e a laringe e direciona o alimento para o esôfago durante a deglutição (constrição da faringe na fase inicial da deglutição). IMAGEM 7 - MÚSCULOS DA FARINGE Fonte: adaptado de http://www.dgsotorrinolaringologia.med.br/APOST_LARINGE.html MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIALUNIDADE 1 http://www.dgsotorrinolaringologia.med.br/APOST_LARINGE.html 25 3.5.2 Músculo Constritor Médio: É o menor dos constritores, possui duas fibras, a saber: ceratofaríngeo e condrofaríngeo. Origem: osso hioide e ligamento estilohióideo. Inserção: rafe da faringe na linha mediana da parede posterior da faringe que se inserem na base externa do crânio. Função: eleva a faringe e a laringe e direciona o alimento para o esôfago durante a deglutição (constrição da faringe durante a deglutição). 3.5.3 Músculo Constritor Inferior: Forma o esfíncter superior do esôfago juntamente com as fibras lisas do esôfago, possui duas fibras, a saber: tireofaríngeo e cricofaríngeo. Origem: cartilagens tireoide e cricoide da laringe. Inserção: rafe da faringe na linha mediana da parede posterior da faringe que se inserem na base externa do crânio. Função: eleva a faringe e a laringe e direciona o alimento para o esôfago durante a deglutição (direcionamento do bolo alimentar para o esôfago). 3.5.4 Músculo Estilofaríngeo: É um músculo alongado, estreito e vertical que pertence ao grupo dos músculos longitudinais da faringe, desempenhando papel fundamental nos movimentos de elevação da faringe e da laringe durante a deglutição e a fonação. Origem: processo estiloide do osso temporal. Inserção: parede lateral da faringe e cartilagem tireoide. Função: elevação da faringe e laringe, facilitando a passagem do bolo alimentar. 3.5.5 Músculo Salpingofaríngeo: É um músculo delgado e pequeno, pertencente ao grupo dos músculos longitudinais da faringe, atuando principalmente na deglutição e na ventilação da orelha média. Origem: tuba auditiva. Inserção: parede lateral da faringe. Função: eleva a faringe e ajuda na abertura da tuba auditiva. MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIALUNIDADE 1 26 3.5.6 Músculo Palatofaríngeo: É um músculo alongado e laminar, pertencente ao grupo dos músculos longitudinais da faringe, que atua tanto na deglutição quanto na fonação, além de participar dos movimentos do palato mole. Origem: aponeurose palatina. Inserção: parede lateral da faringe. Função: eleva a faringe e laringe, auxilia na deglutição e regula a ressonância vocal. Em casos de fratura da mandíbula ou paralisia de ambos músculos genioglossos, a língua retrai-se e pode advir sufocação por obstrução da passagem aérea. A língua só não cai para trás e obstrui a respiração mais facilmente porque o genioglosso se fixa na mandíbula. Fonte: Madeira (2012). SAIBA MAIS “Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana”. Fonte: Carl Jung. REFLITA MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIALUNIDADE 1 27 Chegamos ao final da nossa primeira unidade! Espero que você tenha aproveitado ao máximo os conhecimentos apresentados aqui. Mas calma, você sabe que os estudos sobre esses assuntos não acabam aqui, né? Agora é aquele momento de procurar por mais informações, continuar suas pesquisas em sites, revistas, artigos científicos, livros e vídeos, ou até mesmo com profissionais de outras áreas que trabalham ou convivem com idosos a fim de enriquecer ainda mais seu repertório sobre o assunto! O conhecimento aprofundado da musculatura e da motricidade orofacial é essencial para a prática fonoaudiológica. A compreensão das interações entre estruturas, funções e disfunções permite um diagnóstico mais preciso e uma intervenção mais eficaz. O conhecimento sobre as origens e inserções dos músculos será essencial para a prática de todas as áreas da fonoaudiologia. Essas musculaturas são a base para a fala (produção de cada fonema), deglutição, respiração, mímica facial. A compreensão dos princípios fundamentais dessa disciplina será crucial para o desenvolvimento de estratégias e intervenções que atendam às necessidades específicas de cada queixa e indivíduo. Na próxima unidade, iremos abordar sobre a motricidade orofacial, o sistema estomatognático e as suas funções. Iremos falar também sobre ronco e apneia e síndrome do respirador oral, e vamos falar também sobre patologias. Já estou ansiosa para abordar esses temas com você. Espero você na próxima unidade, até breve. CONSIDERAÇÕES FINAIS MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIALUNIDADE1 28 Caro(a) aluno(a), que tal fazermos uma leitura complementar sobre esse capítulo? Deixo a seguir uma sugestão de leitura: Artigo: A Associação da Disfunção Temporomandibular à Dor Orofacial e Cefaleia Resenha: A articulação temporomandibular (ATM) possibilita a mastigação, deglutição e fonética, faz parte do sistema estomatognático, e é capaz de múltiplos movimentos. A DTM (disfunção temporomandibular) representa certas condições musculares e articulares na região crânio orofacial que podem causar problemas nos músculos da mastigação e na ATM e suas estruturas associadas, sendo a cefaleia e a dor orofacial alguns dos principais sintomas relatados pelos pacientes. Objetivo: analisar a relação da DTM à dor orofacial e cefaleia através de uma revisão narrativa. Métodos: para a realização deste estudo, foram feitas buscas nas bases de dados Scielo e Pubmed, utilizando as palavras-chave: Dor Orofacial, Disfunção Temporomandibular, Articulação Temporomandibular, Dor de Cabeça e Cefaleia. Conclusão: a partir dos artigos analisados na presente revisão, foi possível concluir que existe relação entre dor na região orofacial e cefaleia com a DTM, porém ainda não é claro o mecanismo dessa correlação, sendo necessários mais estudos para elucidar esse quadro clínico. Fonte: FEHRENBACH, Julia; SILVA, Betina Suziellen Gomes da; BRONDANI, Lucas Pradebon. A associação da disfunção temporomandibular à dor orofacial e cefaleia. Journal of Oral Investigations, Passo Fundo, v. 7, n. 2, p. 69-78, jul./dez. 2018. Disponível em: https://seer.atitus.edu.br/index.php/JOI/article/view/2511/0. Acesso em: 11 mar. 2025. LEITURA COMPLEMENTAR MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIALUNIDADE 1 https://seer.atitus.edu.br/index.php/JOI/article/view/2511/0 29 MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO • Título: Anatomia da Face: Bases Anatomofuncionais para a Prática Odontológica. • Autor: Miguel Carlos Madeira e Roelf J. Cruz Rizzolo. • Editora: Sarvier • Sinopse: Leitura do Capítulo 4 – Músculos da face. O capítulo aborda os músculos da face detalhadamente, assim como a origem, inserção, inervação e função de cada um, fala sobre as expressões faciais e os músculos relacionados. • Objetivo: Aprofundar o conhecimento sobre os músculos faciais e suas funções, sendo complementar a unidade estudada. VÍDEO • Título: Entrevista com Irene Marchesan. • Ano: 2020 • Sinopse: O vídeo é uma entrevista da fonoaudióloga Irene Marchesan, uma renomada fonoaudióloga brasileira, referência na área de Motricidade Orofacial, contando a história da Motricidade Orofacial para o Canal da Abramo. • Link: https://www.youtube.com/watch?v=p2jwiOI5wK4 MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIALUNIDADE 1 https://www.youtube.com/watch?v=p2jwiOI5wK4 30 REFERÊNCIAS DOUGLAS, Carlos Roberto. Fisiologia aplicada à fonoaudiologia. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006. FEHRENBACH, Margaret J.; HERRING, Susan W. Anatomia ilustrada da cabeça e do pescoço. São Paulo: Manole, 1998. JUNQUEIRA, Luiz Carlos U.; CARNEIRO, José. Histologia básica: texto e atlas. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023. E-book. p. 203. ISBN 9788527739283. Dispo- nível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527739283/. Acesso em: 23 mar. 2025. MADEIRA, Miguel Carlos. Anatomia da face: bases anatomofuncionais para a prática odontológica. 8. ed. São Paulo: Sarvier, 2012. MUSCULATURA E MOTRICIDADE OROFACIALUNIDADE 1 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527739283/ 2 Abordagem da Motricidade Oral UNIDADEUNIDADE 32 PLANO DE ENSINO Tópicos de Estudos • O Sistema Estomatognático e Suas Funções; • Ronco e Apneia; • Tipos Respiratórios e Síndrome do Respirador Oral; • Alterações Craniofaciais: Fissuras Labiopalatinas. Objetivos da Aprendizagem • Compreender as funções do sistema estomatognático de expressão: sucção, deglutição, mastigação, respiração, fala; • Identificar os tipos de respiração; • Abordar sobre as fissuras labiopalatinas. ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORALUNIDADE 2 33 Olá, tudo bem? Seja bem-vindo(a) à nossa segunda unidade da disciplina de Distúrbios da Motricidade Orofacial. Acredito que, assim como eu, você deve estar com muitas expectativas para dar continuidade a esse caminho de aprendizagem. Vamos começar? Procure um lugar confortável, porque vamos realizar uma introdução a essa matéria. A musculatura orofacial desempenha um papel fundamental na realização de funções básicas e complexas do nosso corpo humano. Funções básicas e essenciais para a sobrevivência humana, como a fala, expressão facial, articulação, respiração, mastigação e deglutição. Assim como a importância de identificar os padrões/tipos respiratórios e suas alterações. Nessa unidade de ensino, vamos aprender os tipos de alterações que uma “simples” respiração alterada pode ocasionar, assim como aprender a identificar os sintomas dessas alterações. O aprofundamento no estudo do sistema estomatognático e suas funções é essencial na busca pelo conhecimento. O conteúdo a seguir irá abordar as funções do sistema estomatognático, como fala, sucção, expressão, mastigação e deglutição, tipos respiratórios e síndrome do respirador oral, ronco e apneia e aborda alterações craniofaciais como a fissura labiopalatina. Vamos começar essa jornada de conhecimento? Bons Estudos! INTRODUÇÃO ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORALUNIDADE 2 34 As diversas funções que o Sistema Estomatognático (SE) efetua são mantidas por processos fisiológicos, que sustentam num crescimento correto, desenvolvido e maturação de suas estruturas anatômicas (Susanibar, et al., 2015). Define-se sistema estomatognático como um conjunto de estruturas orais que são responsáveis pela realização de funções vitais como sucção, deglutição, mastigação, respiração, fala e expressão facial. A compreensão da anatomia, fisiologia e integração dessas funções é fundamental para a atuação clínica do fonoaudiólogo. O Sistema Estomatognático é constituído por estruturas ósseas, musculares, articulares, nervosas e glandulares localizadas na região da cabeça e pescoço, que atuam de maneira integrada para a realização das funções orais. Entre seus principais componentes estão: • Ossos maxilares e mandíbula, articulação temporomandibular (ATM); • Dentes; • Lábios; • Língua; • Bochechas; • Palato duro e mole; • Faringe; • Laringe; • Músculos da face e pescoço; • Inervação motora e sensitiva, principalmente pelos nervos cranianos (V, VII, IX, X e XII). O Sistema Estomatognático e Suas Funções1 TÓPICO ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORALUNIDADE 2 35ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORALUNIDADE 2 O funcionamento adequado do SE depende da integridade anatômica, sensorial e motora dessas estruturas. As estruturas do SE são classificadas habitualmente em dois grupos: estruturas estáticas/passivas e estruturas dinâmicas/ativas (Susanibar, et al., 2015). • Estruturas Estáticas/Passivas: gasto energético basal. Elementos participantes: ossos como mandíbula, hioide, maxilar, coluna cervical, base do crânio; ATM , articulações vertebrais cervicais; Dentes – área oclusal, periodonto, mucosa oral. Tendões; aponeuroses; ligamentos. • Estruturas Dinâmicas/Ativas: formações que, para executar sua função, precisam gastar energia. Elementos participantes: nervos – motores e sensitivos; músculos esqueléticos. A seguir, iremos abordar sobre as principais funções do SE: • Expressão Facial: envolve a ação coordenada dos músculos da mímica facial, permitindo a manifestação de emoções e contribuindo para a comunicação não verbal. Esses movimentos são mediados principalmente pelo nervo facial (VII par craniano). Alterações nessas funções podem impactar o convívio social e o bem-estar emocional. • Sucção: é uma função vital para a alimentação nos primeiros meses de vida. Inicialmente, a sucção é reflexa, passando a ser voluntária com o desenvolvimento. Está diretamente relacionada ao crescimento orofaciale à transição alimentar. Componentes envolvidos - Lábios e bochechas (selamento); Língua (movimento de pressão negativa); Palato e mandíbula (suporte anatômico); Coordenação com respiração e deglutição. • Deglutição: é o processo pelo qual o alimento ou a saliva é transportado da boca ao estômago. Envolve quatro fases: oral preparatória, oral, faríngea e esofágica. É necessário ter coordenação neuromuscular, segurança alimentar e eficiência no transporte do bolo alimentar. • Mastigação: é um processo complexo que envolve o preparo do alimento para a deglutição, com movimentos rítmicos da mandíbula, ação dos músculos mastigatórios, língua e bochechas, além da integridade dentária. A mastigação eficaz contribui para o desenvolvimento orofacial e estimula o crescimento ósseo. 36ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORALUNIDADE 2 • Respiração: a respiração nasal é considerada fisiológica e essencial para o equilíbrio das estruturas do SE. A respiração oral ou mista pode estar associada a alterações no crescimento craniofacial, posicionamento lingual, postura corporal e funções orais. • Fala: envolve a articulação dos sons da linguagem, sendo uma função altamente dependente da integridade anatômica e funcional das estruturas orofaciais. O controle motor fino da língua, lábios, mandíbula e palato é essencial para a produção articulatória adequada. É necessário ter uma coordenação pneumofonoarticulatória, postura e tonicidade musculares, e precisão e agilidade nos movimentos orais. 37 Os distúrbios respiratórios do sono (DRS), como o ronco e a apneia obstrutiva do sono (AOS), impactam diretamente a qualidade de vida e a saúde geral do indivíduo. O ronco é definido como o som respiratório ruidoso que ocorre durante o sono, causado pela vibração dos tecidos moles da orofaringe. Embora seja frequentemente visto como um problema social, o ronco pode ser um indicativo de estreitamento das vias aéreas superiores e, em alguns casos, estar associado à apneia obstrutiva do sono (Susanibar, et al., 2015). Durante o sono, especialmente nas fases mais profundas, ocorre o relaxamento natural da musculatura orofaríngea. Em algumas pessoas, esse relaxamento leva ao colapso parcial da via aérea, fazendo com que o fluxo de ar provoque a vibração dos tecidos como o palato mole, a úvula, a base da língua e as paredes faríngeas. Temos como principais mecanismos envolvidos a redução do tônus muscular orofaríngeo, redução da calibração da via aérea superior e/ou vibração de tecidos excessivamente moles, ou redundantes. Como fatores de risco do ronco, podemos citar a obesidade e acúmulo de gordura perifaríngea; anatomia craniwofacial alterada (retrognatismo, micrognatia, hipertrofia de amígdalas e adenoides); consumo de álcool ou sedativos antes de dormir; posição supina durante o sono; e a idade avançada. A Apneia Obstrutiva do Sono (AOS) é caracterizada por episódios repetidos de obstrução parcial (hipopneia) ou completa (apneia) das vias aéreas superiores durante o sono, resultando em redução ou cessação do fluxo aéreo, dessaturação de oxigênio e despertares breves (microdespertares) (Lopes, et al., 2024). Ronco e Apneia2 TÓPICO ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORALUNIDADE 2 38ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORALUNIDADE 2 O colapso da via aérea superior (em AOS) é multifatorial, envolvendo alterações anatômicas (por exemplo, hipertrofia de estruturas como a língua, o palato mole e amígdalas); redução do tônus neuromuscular durante o sono; instabilidade do controle ventilatório; aumento da complacência das paredes faríngeas. Esse colapso impede a passagem normal do ar, causando hipoxemia intermitente, hiperdespertar noturno e fragmentação do sono. Sinais e sintomas: Ronco: • Som respiratório ruidoso durante o sono; • Boca seca ao acordar; • Sensação de sono não reparador. Apneia Obstrutiva do Sono: • Pausas respiratórias presenciadas por terceiros; • Sonolência diurna excessiva; • Cefaleia matinal; • Irritabilidade, déficit de atenção e memória; • Desempenho acadêmico ou profissional prejudicado. O ronco e a apneia obstrutiva do sono configuram-se como distúrbios respiratórios de elevada prevalência e impacto sistêmico, com implicações diretas na saúde cardiovascular, metabólica e neurocognitiva. Embora o ronco, isoladamente, possa ser interpretado como um evento benigno, sua presença frequente deve ser considerada um marcador de risco para a instalação e progressão de obstruções mais significativas das vias aéreas superiores, culminando na apneia obstrutiva do sono. 39 A respiração é uma função vital para a manutenção da vida, sendo essencial para a oxigenação dos tecidos e funcionamento adequado do organismo. Ela influencia diretamente o crescimento craniofacial, a oclusão dentária, a postura corporal e o desempenho das funções orofaciais como mastigação, deglutição e fala. Em condições ideais, a respiração deve ocorrer prioritariamente pelas vias nasais, que são preparadas para o aquecimento, filtração e umidificação do ar inspirado. Esse padrão respiratório é fundamental para o desenvolvimento harmonioso do sistema estomatognático. Alterações nesse padrão podem levar a consequências sistêmicas e ao desenvolvimento de condições como a Síndrome do Respirador Oral. 3.1 Tipos Respiratórios: O padrão respiratório é classificado de acordo com a via predominante de passagem do ar: • Respiração Nasal: é considerada o padrão fisiológico ideal. O respirador nasal é aquele que utiliza exclusivamente o nariz para a entrada e saída de ar durante a respiração. O ar é filtrado por pelos e muco nasal, retendo partículas e agentes patogênicos. É aquecido e umidificado, protegendo as vias aéreas inferiores. Estimula o crescimento harmônico das estruturas craniofaciais. Favorece uma postura lingual correta, necessária para a articulação precisa dos sons da fala. Tipos Respiratórios e Síndrome do Respirador Oral3 TÓPICO ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORALUNIDADE 2 40ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORALUNIDADE 2 Características de um respirador nasal: lábios selados em repouso; língua posicionada no palato duro (céu da boca); boa tonicidade dos músculos periorais; desenvolvimento facial equilibrado, com terço médio bem projetado. Lembrando que a respiração nasal permite a filtragem, umidificação e aquecimento do ar, além de favorecer o crescimento transversal da maxila. • Respiração Oral (Bucal): caracteriza-se pela entrada e saída de ar predominantemente pela boca. Esse tipo respiratório pode ser ocasional (em situações de obstrução nasal temporária) ou habitual, quando mantido de forma contínua. O respirador oral utiliza a boca para respirar, mesmo em situações de repouso. Pode ser ocasionado por obstruções nasais (hipertrofia de adenoide, amígdalas, rinite alérgica), hábitos orais deletérios (uso prolongado de chupeta, sucção digital); hipotonia muscular orofacial. Como consequência, ocorre a não filtração adequada do ar, aumenta a incidência de infecções respiratórias, compromete o desenvolvimento craniofacial, gerando alterações orofaciais. Características de um respirador oral: lábios entreabertos ou incompetentes em repouso; língua em posição baixa ou anteriorizada; alterações na postura corporal (projeção anterior da cabeça); crescimento facial verticalizado (face longa). • Respiração Mista (Oral e Nasal): ocorre quando o indivíduo utiliza simultaneamente a boca e o nariz para respirar. Frequentemente, é um estágio intermediário entre a respiração nasal normal e a respiração bucal habitual, podendo indicar o início de disfunções orofaciais. Características: lábios frequentemente entreabertos; uso compensatório da boca em situações específicas (exercício físico, dormir); tendência a apresentar alterações orofaciais semelhantes às do respirador bucal, mas geralmente em menor grau. 3.2 Síndrome do Respirador Oral A Síndrome do Respirador Oral é um conjunto de sinais e sintomas decorrentes da respiraçãohabitual pela boca. Esta condição vai além da simples troca de via respiratória, afetando profundamente o crescimento e desenvolvimento das estruturas orofaciais e sistêmicas. 41ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORALUNIDADE 2 Ela é multifatorial e pode envolver: • Fatores obstrutivos: hipertrofia de adenoides, desvios de septo, rinite alérgica; • Fatores funcionais: alterações no tônus muscular, flacidez labial; • Fatores ambientais: exposição precoce a poluentes ou alérgenos; • Hábitos orais prolongados (uso prolongado de chupetas, sucção digital); Os indivíduos que apresentam a síndrome do respirador oral têm como características: • Lábios entreabertos (em repouso) e hipotônicos; • Palato ogival (alto e estreito); • Mordida aberta anterior; • Posição da cabeça projetada para frente; • Voz anasalada ou rouquidão / Voz com ressonância alterada; • Sono agitado, roncos e apneias noturnas; • Alterações na mastigação (mastigação de boca aberta); • Dificuldade na deglutição / Deglutição atípica; • Interposição lingual; • Alterações articulatórias; • Face alongada e estreita; • Olheiras (devido à má oxigenação); • Nariz estreito e ponte nasal elevada; • Língua baixa e hipotônica; • Alterações dentárias; O tratamento é baseado em remoção da causa da obstrução nasal (quando presente), reabilitação miofuncional orofacial para restaurar o padrão de respiração nasal, exercícios de fortalecimento da musculatura orofacial, treinamento de fechamento labial, postura lingual e respiração adequada e trabalho interdisciplinar para correção ortodôntica e tratamento médico. A respiração nasal é fundamental para a saúde geral e o desenvolvimento orofacial. A identificação precoce do padrão de respiração oral e da Síndrome do Respirador Oral é essencial para a instituição de medidas terapêuticas adequadas, minimizando impactos negativos na qualidade de vida do indivíduo. 42 As fissuras labiopalatinas (FLP) constituem a anomalia congênita craniofacial mais prevalente na população mundial. A prevalência de fissuras labiopalatinas no Brasil é de aproximadamente 1 a cada 650 nascidos vivos, conforme dados do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho) da Universidade de São Paulo (USP) (HRAC, online), referência nacional no tratamento dessas malformações congênitas. Trata-se de uma alteração do desenvolvimento embrionário da face que pode comprometer estruturas como o lábio, o palato duro e mole e a crista alveolar, resultando em implicações funcionais e psicossociais significativas para o indivíduo e interfere diretamente nas funções orofaciais, como alimentação, fala, respiração e desenvolvimento craniofacial. O desenvolvimento embrionário craniofacial é um processo complexo, dinâmico e controlado geneticamente. Esse processo se inicia precocemente durante o período gestacional, sendo controlado por indução recíproca entre os tecidos embrionários que circundam a região do tubo neural recém-formado (Trindade et al., 2025). A formação embrionária da face e do palato, a fusão dos processos nasais, maxilares e mandibulares, ocorre entre a 4ª e 12ª semana de gestação. A não fusão dessas estruturas resulta em fissuras labiais (anteriormente) e palatinas (posteriormente). Considerando que as fissuras labiopalatinas ocorrem em uma fase precoce da gestação, em alguns casos, é possível diagnosticar essa alteração por meio de exames de ultrassonografia durante o acompanhamento pré-natal. Alterações Craniofaciais: Fissuras Labiopalatinas4 TÓPICO ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORALUNIDADE 2 43ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORALUNIDADE 2 As causas são multifatoriais: • Genéticas: síndromes (ex.: Síndrome de Van der Woude, Síndrome de Treacher Collins); • Ambientais: tabagismo, alcoolismo, deficiência de ácido fólico, diabetes materno, uso de medicamentos teratogênicos. 4.1 Classificação das Fissuras As fissuras labiopalatinas podem ser classificadas como: unilaterais ou bilaterais; incompletas ou completas; sindrômicas ou não sindrômicas. Embriologicamente, considera-se que na ausência de união entre o segmento intermaxilar e os processos maxilares, uni ou bilateralmente, ocorre a fissura de lábio uni ou bilateral, completa ou incompleta. Nos casos em que, além da ausência de união entre o segmento intermaxilar e os processos maxilares (uni ou bilateralmente), sucederá, concomitantemente, falha de fusão entre os processos palatinos, ocorrerá a fissura de lábio e palato (uni ou bilateral). Por fim, nos casos em que houver somente a deficiência de fusão entre os processos palatinos, ocorre a fissura de palato, que pode ser completa ou incompleta. IMAGEM 1: FISSURA LABIAL E FISSURA PALATINA Fonte: adaptado de Shutterstock ID: 1953957748 https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/cleft-lip-birth-defect-baby-face-1953957748 44ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORALUNIDADE 2 Assim, na definição dos tipos morfológicos das fissuras mais comuns (também chamadas de fissuras típicas), especialmente considerando a fundamentação embriológica de acordo com as estruturas acometidas, as fissuras labiopalatinas podem ser agrupadas em três grandes grupos de fenótipos – fissura de lábio, fissura de lábio e palato ou labiopalatina, e fissura de palato. Além destas categorias, há, ainda, as fissuras raras da face (também chamadas de fissuras atípicas), que acometem outras regiões e estruturas e foram descritas em detalhe (Trindade et al., 2025). E sua classificação anatômica: • Pré-forame incisivo: lábio, com ou sem acometimento do alvéolo); • Pós-forame incisivo: palato duro e/ou mole; • Transforame incisivo: lábio, alvéolo e palato; • Fissuras raras: fissura submucosa, fissura facial oblíqua ou lateral, fissuras medianas. Sobre as fissuras raras, temos a fissura submucosa, que é uma forma “oculta” de fissura palatina. Ela ocorre quando a mucosa do palato está intacta visualmente, mas as estruturas musculares subjacentes (como o músculo levantador do véu palatino) não se fundiram corretamente durante o desenvolvimento embrionário. Dessa maneira, sua característica vem com um palato aparentemente normal à inspeção, pode apresentar a tríade diagnóstica clássica como: úvula bífida, linha esbranquiçada na linha média do palato duro (zona translúcida), palpação de falha muscular (diástase) no palato mole. Essa fissura pode estar associada à disfunção de fala (disfonia nasal, fala anasalada, compensação articulatória), disfagia leve, e até otites recorrentes (pela disfunção da tuba auditiva). A fissura facial oblíqua é uma fissura rara e extensa, que se estende da comissura labial até o olho, passando pela bochecha, muitas vezes associada a deformações oculares e nasais. Resulta da falha de fusão entre o processo maxilar e o processo nasal lateral. E pode causar: exposição das estruturas intraorais, anomalias nas pálpebras e globo ocular, lacrimação alterada. Frequentemente é uma fissura unilateral e pode ocorrer isolada ou com outras malformações. As FLP impactam de forma significativa as funções do sistema estomatognático. Como suas principais alterações na alimentação, podemos encontrar desde dificuldade de sucção eficaz nos neonatos (especialmente nas fissuras palatinas), escape nasal de leite e incoordenação entre sucção, deglutição e respiração. 45ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORALUNIDADE 2 Muitos pacientes apresentam respiração oral ou mista, causada por hipotonia orofacial, obstruções nasais secundárias à malformação, hipertrofia de adenoides a amígdalas. Algumas consequências incluem alterações posturais, impacto no crescimento facial e comprometimento da função velofaríngea. A fala pode ser comprometida tanto por causas estruturais quanto funcionais. Tendo possíveis alterações como hipernasalidade, emissão nasal audível, articulações compensatórias (sons glóticos, faríngeos) e redução da inteligibilidade. Quando à disfunção velofaríngea, essa condição emque o fechamento velofaríngeo é ineficiente para a produção de fala. As alterações musculares e estruturais podem levar a um tônus muscular alterado, mastigação ineficiente e deglutição atípica. A compreensão das fissuras labiopalatinas e craniofaciais ultrapassa a dimensão anatômica e funcional, alcançando um campo de atuação que exige do fonoaudiólogo sensibilidade clínica, conhecimento científico sólido e habilidade para o trabalho interdisciplinar. Reconhecer que cada paciente é único — em suas necessidades, potencialidades e trajetórias — reforça a importância de uma abordagem personalizada e centrada na pessoa. A formação acadêmica deve, portanto, estimular a análise crítica, o raciocínio clínico-reflexivo e o compromisso ético com a promoção da qualidade de vida. Cabe ao futuro fonoaudiólogo ser agente ativo de transformação, integrando ciência e humanismo na prática assistencial e contribuindo para a evolução contínua das abordagens terapêuticas na área da motricidade orofacial. 46 Você sabia que a respiração oral pode alterar o padrão do crescimento dos ossos da face já na primeira infância? Estudos mostram que crianças que mantêm respiração bucal por tempo prolongado tendem a desenvolver a chamada “síndrome da face longa”, caracterizada por uma face estreita, alongada e com olheiras acentuadas. Essas alterações não são apenas estéticas: comprometem funções vitais como mastigação, deglutição e fala. Além disso, um padrão respiratório inadequado na infância pode aumentar o risco de distúrbios do sono, dificuldades de aprendizagem e problemas comportamentais, perpetuando um ciclo de impacto negativo ao longo da vida. Isso destaca a importância do olhar fonoaudiológico precoce e interdisciplinar para evitar consequências severas na saúde global do indivíduo. Fonte: Hitos et al. (2013). SAIBA MAIS “É mais fácil construir uma criança forte do que reparar um adulto quebrado.” Frederick Douglass. REFLITA ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORALUNIDADE 2 47 Chegamos ao final da nossa segunda unidade! Espero que você tenha aproveitado ao máximo os conhecimentos apresentados aqui. Mas calma, você sabe que os estudos sobre esses assuntos não acabam aqui, né? Agora é aquele momento de procurar por mais informações, continuar suas pesquisas em sites, revistas, artigos científicos, livros e vídeos, ou até mesmo com profissionais de outras áreas que trabalham com casos de motricidade orofacial como ronco e apneia e fissuras labiopalatinas a fim de enriquecer ainda mais seu repertório sobre o assunto! Em conclusão, o conhecimento aprofundado nas funções do sistema estomatognático é essencial para a prática fonoaudiológica. A compreensão das interações entre estruturas, funções e disfunções permite um diagnóstico mais preciso e uma intervenção mais eficaz. O conhecimento sobre os tipos e padrões respiratórios, assim como as alterações dos sistemas estomatognáticos, será essencial para a prática de todas as áreas da fonoaudiologia. A compreensão dos princípios fundamentais dessa disciplina será crucial para o desenvolvimento de estratégias e intervenções que atendam às necessidades específicas de cada queixa e indivíduo. Na próxima unidade, iremos abordar sobre patologias da deglutição, hábitos orais deletérios e suas consequências, desenvolvimento craniofacial e classificações faciais, mastigação normal e alterada, tipos de mordida; dentição decídua e permanente; formação de bolo alimentar e deglutição atípica e adaptada. Já estou ansiosa para abordar esses temas com vocês. Espero vocês na próxima unidade, até breve. CONSIDERAÇÕES FINAIS ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORALUNIDADE 2 48 LEITURA COMPLEMENTAR Caro(a) aluno(a), que tal fazermos uma leitura complementar sobre esse capítulo? Deixo a seguir uma sugestão de leitura: Artigo: A Terapia Miofuncional Orofacial ao Paciente Roncador Resenha: esse artigo buscou discutir sobre a apneia obstrutiva do sono e uma de suas principais implicações: o ronco, bem como as alterações miofuncionais mais encontradas relacionadas a ele, e os métodos terapêuticos utilizados para seu tratamento, tendo como foco a terapia miofuncional orofacial. Por meio da análise da literatura pudemos concluir neste estudo que a Terapia Miofuncional Orofacial resulta em melhora significativa no número de paradas respiratórias, bem como uma diminuição considerável do ronco e da sonolência diurna na percepção do ronco, qualidade de sono e consequentemente na qualidade de vida dos indivíduos portadores de apneia obstrutiva do sono. Fonte: Costa, K. T. X. de S. P. (2023). A TERAPIA MIOFUNCIONAL OROFACIAL AO PACIENTE RONCADOR. Revista Ibero-Americana De Humanidades, Ciências E Educação, 9(3), 1776–1784. Disponível em: https://periodicorease.pro.br/rease/article/ view/9011 ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORALUNIDADE 2 https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/9011 https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/9011 49 MATERIAL COMPLEMENTAR FILME • Título: Extraordinário. • Ano: 2017 • Sinopse: O filme conta a história de August Pullman (Auggie), um menino que nasceu com uma síndrome genética (a Síndrome de Treacher Collins), que causa várias deformidades faciais, incluindo uma fissura labiopalatina. Ele passa por diversas cirurgias e enfrenta muitos desafios sociais ao começar a frequentar a escola regular pela primeira vez. LIVRO • Título: Tratado de Fissuras Labiopalatinas: Avanços no Diagnóstico e Tratamento Interdisciplinar. • Autor: Trindade et al. • Editora: Thieme Revinter • Sinopse: Leitura da Parte II – Aspectos morfológicos. O capítulo aborda a embriologia craniofacial e a morfologia das fissuras orofaciais. • Objetivo: Aprofundar o conhecimento sobre a formação das fissuras e o desenvolvimento normal. ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORALUNIDADE 2 50 REFERÊNCIAS HITOS, Silvia F.; ARAKAKI, Renata; SOLÉ, Dirceu; WECKX, Luc L. M. Oral breathing and speech disorders in children. Journal of Pediatrics (Rio J.), São Paulo, 2013. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0021755713000505. Acesso em: 2 maio 2025. HOSPITAL de reabilitação de anomalias craniofaciais (USP). Fissura labiopalatina. HRAC-USP, Bauru, [202–]. Disponível em: https://hrac.usp.br/saude/fissura-labiopalatina/. Acesso em: 2 maio 2025. LOPES, Leonardo; MACHADO, Ana paula L.; AZONI, Cíntia Alves S.; et al. Tratado de fonoaudiologia. 3. ed. Barueri: Manole, 2024. SUSANIBAR, Franklin; MARCHESAN, Irene Queiroz; FERREIRA, Vicente José Assencio; et al. Motricidade orofacial: fundamentos neuroanatômicos, fisiológicos e linguísticos. Ribeirão Preto: Book Toy, 2015. TRINDADE, Inge Elly Kiemle; et al. Tratado de fissuras labiopalatinas: avanços no diagnóstico e tratamento interdisciplinar. Rio de Janeiro, RJ: Thieme Revinter, 2025. ABORDAGEM DA MOTRICIDADE ORALUNIDADE 2 https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0021755713000505 https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0021755713000505 https://hrac.usp.br/saude/fissura-labiopalatina/ https://hrac.usp.br/saude/fissura-labiopalatina/ 3 Patologias da Deglutição UNIDADEUNIDADE 52 PLANO DE ENSINO Tópicos de Estudos • Hábitos orais deletérios e suas consequências; • Desenvolvimento craniofacial e classificações faciais; • Mastigação normal e alterada; • Deglutição atípica e adaptada. Objetivos da Aprendizagem • Compreender os hábitos orais e seus malefícios; • Aprender sobre o desenvolvimento craniofacial e quais as classificações faciais; • Aprender sobre a mastigação normal e alterada, tipos de mordida, dentição decidual e permanente; • Identificar a deglutição atípica e adaptada. PATOLOGIAS DA DEGLUTIÇÃOUNIDADE 3 53 Olá, tudo bem? Que bom ter você de volta! Seja bem-vindo(a) à nossa terceira unidade da disciplina de Distúrbios da Motricidade Orofacial. Vamos começar? Procure um lugar confortável, porque vamos realizar uma introdução a essa matéria. Antes de começarmos a mergulharnos conteúdos técnicos desta unidade, queria te fazer uma pergunta simples: você já reparou como pequenos hábitos do dia a dia podem ter um impacto enorme na nossa saúde? Às vezes, algo tão comum como chupar o dedo, respirar pela boca ou mastigar sempre do mesmo lado parece inofensivo… mas será que é mesmo? Pois é! Neste módulo, vamos falar sobre hábitos orais deletérios e como eles podem influenciar — e muito! — o crescimento facial, a deglutição, a mastigação, a fala e até a respiração. Parece coisa de quem observa tudo com lupa, né? Mas, na verdade, são detalhes que fazem toda a diferença para o equilíbrio funcional do nosso corpo. Vamos discutir desde o que leva uma criança (ou até um adulto!) a manter esses hábitos, até como eles podem modificar a estrutura do rosto e o funcionamento de músculos e articulações. E mais: você vai entender a fundo o que é uma deglutição atípica, como ela se forma, o porquê ela ocorre, e o que a diferencia da deglutição adaptada, que também está muito presente no nosso dia a dia clínico. Ah, e claro — não podemos esquecer de conversar sobre mastigação! Já pensou como mastigar errado pode afetar a fala ou até a postura? Pois é… tudo está interligado! Nosso objetivo com esta unidade é que você não só entenda os conceitos, mas que consiga olhar com mais atenção para os sinais e sintomas no paciente, desenvolvendo um olhar clínico mais sensível e integrado. Então, prepare-se! Temos muito conteúdo importante, curioso e aplicável, na prática, esperando por você. Vamos juntos? Bons estudos! INTRODUÇÃO PATOLOGIAS DA DEGLUTIÇÃOUNIDADE 3 54 Os hábitos orais deletérios são comportamentos aprendidos e mantidos por repetição que podem interferir no desenvolvimento e funcionamento do sistema estomatognático. A persistência desses hábitos além da idade esperada de extinção fisiológica pode comprometer funções orofaciais essenciais, como a respiração, mastigação, deglutição e fala. Segundo Cunha et al. (2011), hábitos orais deletérios são padrões de comportamento oral repetitivo, não funcional, que interferem no crescimento e desenvolvimento orofacial. Exemplos comuns incluem: Sucção não nutritiva: • Chupeta; • Dedos; • Língua (autosucção lingual). Mordidas não funcionais: • Mordida de lábio; • Mordida de objetos (lápis, brinquedos, panos). Interposição de estruturas: • Língua, lábios ou bochechas entre os arcos dentários. Respiração oral: • Embora não seja um “hábito” no sentido estrito, frequentemente está associada a alterações musculares e posturais. Hábitos Orais Deletérios e Suas Consequências1 TÓPICO PATOLOGIAS DA DEGLUTIÇÃOUNIDADE 3 55PATOLOGIAS DA DEGLUTIÇÃOUNIDADE 3 Etiologia dos Hábitos Orais. A origem dos hábitos pode ser multifatorial: • Fatores emocionais: insegurança, ansiedade e estresse; • Fatores fisiológicos: reflexo de sucção persistente; • Fatores ambientais: uso prolongado de chupeta ou mamadeira; • Fatores familiares: modelos parentais ou reforço do comportamento. A deglutição é uma função neuromuscular complexa que depende do equilíbrio entre estruturas orofaciais. A persistência de hábitos deletérios pode levar a alterações no padrão de deglutição, como a deglutição atípica (será abordada um pouco mais à frente) e desequilíbrio miofuncional (hipoatividade da língua e hipertonia labial ou de bochechas). Há também um comprometimento postural e estrutural, como mordida aberta anterior, mordida cruzada posterior, projeção anterior da maxila ou retrognatia mandibular e a respiração oral crônica, como impacto na postura da língua e na tonicidade muscular. Os hábitos deletérios não afetam apenas a deglutição, mas também na respiração, mastigação e na fala (com distorções articulatórias). Esses hábitos representam um dos principais fatores etiológicos de alterações funcionais da deglutição e de outras funções orofaciais. 56 O crescimento e o desenvolvimento, do nascimento à idade adulta, são caracterizados por multiplicidade de alterações morfológicas, fisiológicas e psíquicas, é um processo complexo que envolve a formação e o crescimento coordenado dos ossos da face e do crânio. Esse desenvolvimento tem relação direta com as funções orofaciais, incluindo a deglutição, mastigação, respiração e fala. Alterações nesse processo podem predispor ou causar disfunções de motricidade orofacial e patologias da deglutição. O crescimento craniofacial é influenciado por fatores genéticos, hormonais, neuromusculares e ambientais. Os ossos da face são desenvolvidos a partir de dois principais mecanismos: • Ossificação intramembranosa: para ossos como maxila e mandíbula. • Ossificação endocondral: principalmente para a base do crânio. O crescimento segue um padrão crânio-caudal e anteroposterior. A mandíbula, por exemplo, cresce em resposta à função mastigatória, à erupção dentária e à estimulação muscular. Desenvolvimento Craniofacial e Classificações Faciais2 TÓPICO PATOLOGIAS DA DEGLUTIÇÃOUNIDADE 3 57 A classificação facial é uma ferramenta fundamental para o entendimento do desenvolvimento e das alterações craniofaciais. Existem diversas formas de classificação: Classificação Sagital (Padrões Ântero-Posteriores) Baseada na relação entre maxila e mandíbula: • Classe I (neutra): relação harmônica entre maxila e mandíbula. • Classe II (retrusão mandibular): maxila posicionada anteriormente em relação à mandíbula (retrognatismo mandibular). • Classe III (protrução mandibular): mandíbula posicionada anteriormente em relação à maxila (prognatismo mandibular). Classificação Vertical (Padrão de Altura Facial) refere-se à proporção vertical da face: • Padrão mesofacial: proporções equilibradas. • Padrão dolicofacial: face alongada, com terço inferior aumentado. • Padrão braquifacial: face curta, com terço inferior reduzido. Implicações do Desenvolvimento Craniofacial na Deglutição: o padrão de crescimento facial pode afetar diretamente a função deglutitória. Exemplos: • Pacientes com padrão dolicofacial frequentemente apresentam hipotonia dos músculos orofaciais e interposição lingual. • Padrões da classe II podem levar à deglutição atípica, devido à posição posterior da mandíbula. • Assimetrias podem comprometer a mobilidade lingual e o selamento labial durante a deglutição. O conhecimento das bases do desenvolvimento craniofacial e das classificações faciais permite uma compreensão aprofundada das etiologias das alterações de deglutição. A intervenção fonoaudiológica deve considerar essas variáveis para promover uma reabilitação eficaz e funcional. FIGURA 1: TIPOS DE PROGNATISMO Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/4f/Prognathism3.png PATOLOGIAS DA DEGLUTIÇÃOUNIDADE 3 https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/4f/Prognathism3.png 58 A mastigação é uma das funções orofaciais essenciais, sendo responsável pela trituração dos alimentos e formação do bolo alimentar, preparando-os para a deglutição segura e eficiente. Esta função complexa envolve a integração de estruturas anatômicas, neuromusculares e dentárias, além de estar relacionada com o desenvolvimento adequado da musculatura orofacial e funções correlatas, como a fala e a respiração. Alterações no padrão mastigatório podem interferir significativamente na qualidade de vida e na saúde geral do indivíduo, sobretudo quando associadas a patologias da deglutição (disfagias). Mastigação Normal A mastigação normal é caracterizada por um ciclo mastigatório funcional, eficiente e coordenado, com movimentação bilateral alternada, ritmo estável e uso adequado dos músculos mastigatórios. A sequência de movimentos envolve abertura, fechamento e movimentos laterais da mandíbula, permitindo a trituração mecânica do alimento com auxílio da saliva. Componentes do Ato Mastigatório: • Fase preparatória oral: recepção e posicionamento do alimento na cavidade oral; • Fase mastigatória: trituração com ação dos dentes, músculos e movimentos