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RESUMO DE ESTUDO — B1 ODONTOGERIATRIA . 1. EIXO 1 — AVALIAÇÃO CLÍNICA DO PACIENTE IDOSO 1.1 Processo de envelhecimento e repercussões bucais Envelhecimento é um processo biológico; não deve ser confundido automaticamente com doença. No idoso, alterações sistêmicas, uso de múltiplos medicamentos, limitações motoras/cognitivas e condições crônicas podem interferir diretamente no atendimento odontológico. Na cavidade bucal, observar especialmente saliva/xerostomia, dentes, periodonto, mucosas e próteses. Possíveis repercussões: maior dificuldade de higiene, cárie radicular, desconforto por boca seca, alterações de mastigação/deglutição, problemas periodontais, perda dentária e lesões relacionadas a próteses. A perda dentária não deve ser tratada como consequência inevitável da idade: deve-se investigar causas e condições associadas. 1.2 Atendimento odontológico humanizado Acolhimento significa estabelecer uma relação humanizada, com escuta, vínculo, respeito e consideração das necessidades e expectativas do paciente. A empatia envolve componentes cognitivo, afetivo e comportamental. Cognitivo: compreender a experiência e a perspectiva do paciente. Afetivo: demonstrar interesse e consideração pela queixa/situação. Comportamental: comunicação verbal e não verbal adequada. Respeitar autonomia, dignidade, limites, expectativas e capacidade de compreensão. Adaptar a comunicação quando houver limitações visuais, auditivas, motoras ou cognitivas. Quando houver cuidador, considerar sua participação sem retirar a autonomia do paciente que tem capacidade de decidir. Princípios associados ao cuidado humanizado: autonomia, beneficência, não maleficência e justiça. 1.3 Anamnese dirigida ao idoso Pergunte o que pode modificar a conduta odontológica: Doenças atuais e antecedentes relevantes. Medicamentos em uso, incluindo doses/horários quando pertinentes, e alergias. Histórico de hospitalizações e condições sistêmicas relevantes. Capacidade de realizar higiene bucal e outras atividades diárias. Queixas bucais: dor, sangramento, dificuldade mastigatória, boca seca, desconforto e alterações de prótese. História odontológica e uso de próteses. Hábitos, incluindo tabagismo. Presença de cuidador e grau de dependência. Capacidade de compreender e participar das decisões. 1.4 Capacidade funcional Diferencie: AVD (atividades de vida diária): autocuidado, como banho, vestir-se, alimentação, higiene pessoal e uso do banheiro. AIVD (atividades instrumentais): tarefas necessárias para vida independente, como administrar medicamentos/finanças, fazer compras, usar telefone e transporte. 1.5 Capacidade cognitiva — MEEM O Mini Exame do Estado Mental é um instrumento de rastreio cognitivo. Ele aborda, de forma geral, orientação temporal e espacial, memória, atenção/cálculo, linguagem e capacidade construtiva. ATENÇÃO: o resultado não deve ser interpretado isoladamente; escolaridade e contexto clínico devem ser considerados. 1.6 Fragilidade clínica Procure sinais de redução da reserva funcional e maior vulnerabilidade, como perda de peso, fraqueza, fadiga, redução de mobilidade, dependência funcional, múltiplas doenças e outras limitações relevantes. Conduta: quanto maior a fragilidade, mais individualizado deve ser o planejamento, considerando segurança, capacidade funcional/cognitiva, condição sistêmica e objetivos do paciente. 1.7 Risco odontológico O risco deve ser pensado a partir da combinação entre condição sistêmica, medicamentos, capacidade funcional/cognitiva, condição bucal e complexidade do procedimento. O material enviado não apresenta uma classificação única padronizada de baixo/médio/alto risco; portanto, não memorize categorias que não estejam no material da professora. 2. EIXO 2 — EXAME CLÍNICO ODONTOLÓGICO Sequência mental: EXTRAORAL → MUCOSAS → PERIODONTO → DENTES → PRÓTESES. 2.1 Exame das mucosas Lábios. Mucosa labial. Mucosa jugal. Gengiva e processos alveolares. Língua: dorso, bordas laterais e ventre. Assoalho bucal. Palato. Observar alterações de cor, volume, textura, ulcerações, áreas traumáticas, lesões relacionadas a próteses, candidíase e outras alterações que exijam investigação. 2.2 Avaliação periodontal Biofilme e higiene. Cálculo. Sangramento. Profundidade de sondagem. Recessão e perda de inserção. Mobilidade. Envolvimento de furca, quando aplicável. Condição geral dos tecidos periodontais. 2.3 Avaliação dentária Presença/ausência dos dentes. Cárie, inclusive lesões radiculares. Restaurações e sua condição. Fraturas e desgastes. Exposição radicular/lesões cervicais. Mobilidade. Dor/sensibilidade e suspeita de alterações pulpares ou periapicais quando indicada. Raízes residuais e prognóstico dos elementos. 2.4 Avaliação de próteses Tipo de prótese e tempo de uso. Adaptação, retenção e estabilidade. Integridade e higiene. Traumas/áreas de pressão. Condição da mucosa sob a prótese. Capacidade do paciente de inserir, remover e higienizar a prótese. Hábitos de uso, inclusive uso durante o sono. 3. EIXO 3 — PLANEJAMENTO CLÍNICO 3.1 Exames laboratoriais Não se solicita exame laboratorial simplesmente porque o paciente é idoso. A solicitação deve ter indicação clínica e o resultado deve ser útil para a segurança ou o planejamento. Glicemia/HbA1c: quando a avaliação do controle glicêmico for clinicamente relevante. INR: especialmente relevante em paciente que utiliza anticoagulante antagonista da vitamina K, conforme contexto. Hemograma: quando houver indicação relacionada a alterações hematológicas ou ao procedimento. Avaliação de função renal: quando houver doença renal ou necessidade clínica relacionada a medicamentos/procedimentos. 3.2 Exames de imagem O diagnóstico imaginológico complementa o exame clínico e permite avaliar estruturas que podem não ser identificadas clinicamente. Exame Ideia principal Periapical Dente e região periapical Interproximal Cárie interproximal e avaliação da crista óssea Oclusal Visualização de área mais ampla Panorâmica Visão geral dos maxilares Tomografia Avaliação tridimensional e detalhada Regra: exame de imagem complementa o exame clínico; não o substitui. 3.3 Plano de tratamento por prioridades 1º URGÊNCIAS: dor, infecção, trauma ou condições que exijam intervenção prioritária. 2º CONTROLE DA DOENÇA: higiene, biofilme, cárie, doença periodontal e fatores de risco. 3º TRATAMENTO/REABILITAÇÃO: restaurações, endodontia, exodontias indicadas, adequação e reabilitação protética conforme o caso. 4º MANUTENÇÃO: prevenção, controle periódico e acompanhamento. A sequência é individualizada. Considere condição sistêmica, capacidade funcional/cognitiva, prognóstico, expectativas, limitações e segurança do paciente. 4. MAPA MENTAL PARA A PROVA QUEM É? → doenças + medicamentos + alergias + hábitos + cuidador. CONSEGUE? → cognição + MEEM + AVD/AIVD + autonomia. ESTÁ FRÁGIL? → peso + força + fadiga + mobilidade + dependência. COMO ESTÁ A BOCA? → mucosa + periodonto + dentes + próteses + saliva. PRECISO INVESTIGAR? → exames laboratoriais e/ou imagem quando indicados. O QUE FAÇO PRIMEIRO? → urgência → controle → tratamento → reabilitação → manutenção. 5. PEGADINHAS QUE VOCÊ PRECISA EVITAR Idade avançada não é, sozinha, contraindicação ao tratamento odontológico. Envelhecimento não significa necessariamente doença. Perda dentária não é simplesmente 'normal da idade'. MEEM é instrumento de rastreio; não deve ser interpretado isoladamente. Nem todo idoso precisa de exames laboratoriais. Imagem complementa o exame clínico. Avaliar prótese significa avaliar também a mucosa e a capacidade do paciente de utilizá-la/higienizá-la. No atendimento humanizado, o paciente deve participar das decisões de acordo com sua capacidade e autonomia. 6. TREINO RÁPIDO — CASOS PARA SIMULAÇÃO Caso 1 — Idosa de 78 anos, hipertensa e diabética, usa 8 medicamentos e chega acompanhada da filha. Relata boca seca e dificuldade para escovar os dentes. Quais pontos você investigaria na anamnese antes de iniciar o tratamento? Caso 2 — Paciente de 81 anos apresenta dificuldade para responder perguntas,esquece orientações recentes e depende da filha para organizar medicamentos. Que aspecto da avaliação cognitiva/funcional deve ser investigado? Caso 3 — Paciente de 75 anos apresenta prótese total inferior instável e uma área ulcerada na mucosa. Qual deve ser sua abordagem clínica inicial? Caso 4 — Paciente idoso apresenta múltiplas cáries, sangramento gengival e uma lesão dolorosa. Como você estabelece prioridades no plano de tratamento? Caso 5 — Paciente de 79 anos precisa de tratamento odontológico e possui uma condição sistêmica cujo controle está incerto. Quando exames complementares podem ser necessários e qual deve ser o princípio da solicitação? Fontes utilizadas • Montenegro & Marchini. Odontogeriatria: uma visão gerontológica. Elsevier, 2013. • Martins Neto. Odontogeriatria: avaliação clínica da saúde bucal e do uso do fumo de grupos de idosos. EDUNISC, 2013. • Silva et al. Interferência do perfil epidemiológico do idoso na atenção odontológica. Revista Brasileira de Epidemiologia, 2006. • Rezende et al. Acolhimento e bem estar no atendimento odontológico humanizado: o papel da empatia. Arch Health Invest, 2015. • Material enviado: Diagnóstico Imaginológico e sua importância nos exames complementares odontológicos.